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Bases Imunológicas da Vacinação

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TABELA 3.1. Classificação de Gell & Coombs das reações de hipersensibilidade Tipo

Nome descritivo

Tempo de início

Mecanismo

Manifestações típicas

I

Hipersensibilidade mediada por IgE

2 a 30 minutos

Ag induz ligação de IgE aos mastócitos e basófilos que liberam mediadores vasoativos

Anafilaxia sistêmica (choque anafilático Anafilaxia localizada (urticária, edema etc.)

II

Hipersensibilidade citotóxica

5 a 8 horas

Mediada por anticorpos dirigidos contra antígenos da superfície celular com a participação de células natural killer

Doença hemolítica autoimune

III

Hipersensibilidade mediada por complexos imunes

2 horas

Reação de Arthus, doença do soro

IV

Hipersensibilidade mediada por células

24 a 72 horas

Complexos AgAc depositados em vários tecidos induzem ativação do complemento e resposta inflamatória Linfócitos T H liberam citocinas que ativam macrófagos ou linfócitos TC , os quais intermedeiam lesão celular direta

Reações de hipersensibilidade tardia (PPD etc.); dermatite de contato; encefalomielite pós-infecciosa

Fonte: Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais – Secretaria em Vigilância em Saúde-MS (2006).

doença ou vacinação contra o mesmo. Resposta anamnéstica ou do tipo booster também pode ocorrer quando a pessoa recebe uma série primária de vacina e, mais tarde, a dose de reforço. Essa resposta é caracterizada pela rápida e elevada produção de anticorpos. Em razão das células de memória, ocorre um aumento em torno de 3 a 4 vezes na quantidade de IgG produzida pelas células plasmáticas derivadas de clones de células B estimuladas e células B de memória formadas previamente. A resposta humoral secundária se traduz por imunidade rápida, intensa e duradoura e é dependente da participação da imunidade celular tímica, sendo por isso chamada de T-dependente.

OBJETIVO DA IMUNIZAÇÃO O objetivo que se tem ao imunizar um indivíduo é prevenir doenças, podendo a imunização ser ativa ou passiva. A imunização passiva é a que se consegue por meio da administração de anticorpos, isto é, as imunoglobulinas; pode ser heteróloga, conferida por anticorpos obtidos do plasma de animais, em geral, equinos previamente vacinados; e homóloga, conferida por anticorpos obtidos do plasma

de seres humanos. O emprego das imunoglobulinas proporciona proteção mais rapidamente. Existem disponíveis, para aplicação, as imunoglobulinas contra raiva, varicela, tétano e hepatite B. Elas possuem efeito por cerca de 3 a 6 meses. As imunoglobulinas não afetam a função das vacinas inativadas. No entanto, vacinas atenuadas devem ser postergadas após aplicação de imunoglobulinas, pois estas poderão interferir na resposta a agentes vacinais atenuados. A imunização ativa é a que se consegue por meio das vacinas. Esta representa produto farmacêutico que contém um (vacina isolada) ou mais (vacina combinada) agentes imunizantes, em diversas formas biológicas, a descrever: bactérias ou vírus vivos atenuados; vírus inativados e bactérias mortas; componentes purificados e/ou modificados dos agentes causadores das doenças. Em situações de pessoas suscetíveis (não vacinadas), expostas a determinado agente infectante, devemos observar o tempo de incubação do agente para então adotar a conduta adequada em relação à imunização pós-exposição. Se o período de incubação da doença for curto, devem-se empregar as imunoglobulinas, pois não haverá o tempo necessário para formação de anticorpos.

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E sample Vacinação de Muler - febrasgo  

E sample Vacinação de Muler - febrasgo  

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