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Capítulo

3

Bases Imunológicas da Vacinação Adriana Bittencourt Campaner Neila Maria de Góis Speck

INTRODUÇÃO O termo vacina é definido pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (Centers for Disease Control and Prevention - CDC) como “um produto que produz imunidade e, portanto, protege o organismo contra as doenças”. Representa substância biológica segura, com grandes benefícios para a saúde pública. Dois termos são utilizados de maneira intercambiável: vacinação e imunização. • Vacinação é a administração de micro-organismos infecciosos ou partes destes, mortos ou atenuados, com o intuito de prevenção da doença por meio da formação de anticorpos. • Imunização é o processo pelo qual o indivíduo torna-se protegido contra uma doença. A vacinação é o ato da administração de uma vacina, enquanto a imunização representa o seu resultado. Como regra, quanto maior a semelhança entre a vacina e a doença natural ou tipo selvagem, melhor é a resposta imunológica a ela. Entretanto, o grande desafio no desenvolvimento de vacinas é a capacidade de induzir a imunidade efetiva sem o desenvolvimento da doença. A administração das vacinas pode ocorrer pelas vias parenteral, intramuscular, subcutânea ou por escarificação, podendo também ser por meio das mucosas. Para cada agente, há uma via de administração recomendada, que deve ser obedecida rigorosamente. O não cumprimento da via adequada poderia resultar em menor proteção ou aumento da frequência de eventos adversos. Por exemplo, a vacina contra hepatite B

deve ser aplicada por via intramuscular no vasto lateral da coxa ou deltoide, não devendo se utilizar a região glútea, pelo risco de aplicação em tecido gorduroso e, consequentemente, menor efeito imunológico. As vacinas que contêm adjuvantes, por exemplo, a tríplice bacteriana difteria-tétano-coqueluche (DTP), se forem aplicadas por via subcutânea, podem provocar abscessos. O mesmo pode acontecer se a vacina BCG for aplicada por via subcutânea, em vez de na via intradérmica. Vacinas que devem ter aplicação por via subcutânea são aquelas contra a febre amarela, a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a varicela.

PRODUÇÃO DE ANTICORPOS Os anticorpos induzidos pelas vacinas são produzidos por plasmócitos, oriundos da diferenciação de linfócitos B, em interação com células apresentadoras de antígenos. Os linfócitos B têm origem e amadurecem na medula óssea, apresentando em sua superfície moléculas de imunoglobulinas, os anticorpos, capazes de fixar um único antígeno específico. Quando uma célula B encontra, pela primeira vez, um antígeno para o qual está predeterminada, começa a se proliferar rapidamente, gerando células B de memória e células B efetoras. As células B efetoras são também denominadas plasmócitos. Vivem um período limitado de tempo, mas produzem quantidades enormes de imunoglobulinas. Estima-se que um só plasmócito possa secretar mais de duas mil moléculas de anticorpos por segundo.

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E sample Vacinação de Muler - febrasgo  

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