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8ª EDIÇÃO

Esta obra facilita a consulta para os fatos e conceitos da patologia que você precisa saber. É uma excelente fonte para obter respostas rápidas e uma ferramenta de revisão eficiente. • Completamente atualizado para refletir o conhecimento e as técnicas mais recentes em todas as áreas de patologia. • As informações são apresentadas de forma concisa. • É fonte de consulta para qualquer hora. • Faz referências a páginas do Robbins & Cotran Patologia — Bases Patológicas das Doenças, 8ª edição, sendo uma informação adicional fácil de encontrar.

8ª EDIÇÃO

Robbins & Cotran

Richard N. Mitchell, MD, PhD Vinay Kumar, MBBS, MD, FRCPath Abul K. Abbas, MBBS Nelson Fausto, MD Jon C. Aster, MD, PhD

PATOLOGIA

PATOLOGIA

Robbins & Cotran

Robbins & Cotran Fundamentos de

Mitchell Kumar Abbas Fausto Aster

Fundamentos de

Versão Reduzida de Robbins & Cotran Patologia — Bases Patológicas das Doenças, 8ª Edição

Mitchell Kumar Abbas Fausto Aster

Fundamentos de

PATOLOGIA

Classificação de Arquivo Recomendada Patologia

www.elsevier.com.br/medicina

TRADUÇÃO DA 8ª EDIÇÃO


Robbins & Cotran

Fundamentos de Patologia 8a Edição

Richard N. Mitchell, MD, PhD Associate Professor, Department of Pathology Harvard Medical School and Health Sciences and Technology Director, Human Pathology Harvard-MIT Division of Health Sciences and Technology Staff Pathologist, Brigham and Women’s Hospital Boston, Massachusetts

Vinay Kumar, MBBS, MD, FRCPath Alice Hogge and Arthur Baer Professor Chairman, Department of Pathology Executive Vice Dean, Division of Biologic Sciences and The Pritzker School of Medicine, The University of Chicago Chicago, Illinois

Abul K. Abbas, MBBS Professor and Chairman, Department of Pathology University of California, San Francisco, San Francisco, California

Nelson Fausto, MD Professor and Chairman, Department of Pathology University of Washington School of Medicine Seattle, Washington

Jon C. Aster, MD, PhD Professor of Pathology Harvard Medical School, Brigham and Women’s Hospital Boston, Massachusetts

Com ilustrações de James A. Perkins, MS, MFA


Ă“ 2012 Elsevier Editora Ltda. Tradução autorizada do idioma inglĂŞs da edição publicada por Saunders – um selo editorial Elsevier Inc. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998. Nenhuma parte deste livro, sem autorização prĂŠvia por escrito da editora, poderĂĄ ser reproduzida ou transmitida sejam quais forem os meios empregados: eletrĂ´nicos, mecânicos, fotogrĂĄficos, gravação ou quaisquer outros. ISBN: 978-85-352-3939-3 Copyright Ă“ 2012, 2006, 1999, 1995, 1991 by Saunders, an imprint of EIsevier Inc. This edition of Pocket Companion to Robbins and Cotran Pathologic Basis of Disease, 8th edition by Richard N. Mitchell, Vinay Kumar, Abul K. Abbas, Nelson Fausto, Jon C. Aster is published by arrangement with Elsevier Inc. ISBN: 978-1-4160-5454-2 Capa Folio Design Editoração EletrĂ´nica Thomson Digital Elsevier Editora Ltda. Conhecimento sem Fronteiras Rua Sete de Setembro, n 111 – 16 andar 20050-006 – Centro – Rio de Janeiro – RJ Rua Quintana, n 753 – 8 andar 04569-011 – Brooklin – SĂŁo Paulo – SP Serviço de Atendimento ao Cliente 0800 026 53 40 sac@elsevier.com.br Consulte tambĂŠm nosso catĂĄlogo completo, os Ăşltimos lançamentos e os serviços exclusivos no site www.elsevier.com.br NOTA Como as novas pesquisas e a experiĂŞncia ampliam o nosso conhecimento, pode haver necessidade de alteração dos mĂŠtodos de pesquisa, das prĂĄticas profissionais ou do tratamento mĂŠdico. Tanto mĂŠdicos quanto pesquisadores devem sempre basear-se em sua prĂłpria experiĂŞncia e conhecimento para avaliar e empregar quaisquer informaçþes, mĂŠtodos, substâncias ou experimentos descritos neste texto. Ao utilizar qualquer informação ou mĂŠtodo, devem ser criteriosos com relação a sua prĂłpria segurança ou a segurança de outras pessoas, incluindo aquelas sobre as quais tenham responsabilidade profissional. Com relação a qualquer fĂĄrmaco ou produto farmacĂŞutico especificado, aconselha-se o leitor a cercar-se da mais atual informação fornecida (i) a respeito dos procedimentos descritos, ou (ii) pelo fabricante de cada produto a ser administrado, de modo a certificar-se sobre a dose recomendada ou a fĂłrmula, o mĂŠtodo e a duração da administração, e as contraindicaçþes. É responsabilidade do mĂŠdico, com base em sua experiĂŞncia pessoal e no conhecimento de seus pacientes, determinar as posologias e o melhor tratamento para cada paciente individualmente, e adotar todas as precauçþes de segurança apropriadas. Para todos os efeitos legais, nem a Editora, nem autores, nem editores, nem tradutores, nem revisores ou colaboradores, assumem qualquer responsabilidade por qualquer efeito danoso e/ou malefĂ­cio a pessoas ou propriedades envolvendo responsabilidade, negligĂŞncia etc. de produtos, ou advindos de qualquer uso ou emprego de quaisquer mĂŠtodos, produtos, instruçþes ou ideias contidos no material aqui publicado. O Editor CIP-BRASIL. CATALOGAĂ‡ĂƒO NA FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ F977 Mitchell, Richard N. Fundamentos de Robbins & Cotran : patologia / Richard N. Mitchell ... [et al.] ; [tradução Alcir Costa Fernandes ... et al.]. - Rio de Janeiro : Elsevier, 2012. 728p. : il. ; 21 cm Tradução de: Pocket companion to Robbins and Cotran pathologic basis of disease, 8th ed. "VersĂŁo reduzida de Robbins e Cotran" ISBN 978-85-352-3939-3 1. Patologia. I. Mitchell, Richard N. 11-8162.

CDD: 616.07 CDU: 616 031848


Revisão Científica e Tradução REVISÃO CIENTÍFICA João Lobato dos Santos Chefe do Instituto de Patologia da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro Professor Titular de Patologia da Faculdade de Medicina de Petrópolis, RJ Professor de Anatomia da Escola de Medicina Souza Marques, RJ TRADUÇÃO Alcir Costa Fernandes Filho Graduado pelo Instituto Brasil-Estados Unidos (curso de inglês regular completo) Detentor do Certificate of Proficiency in English – University of Michigan Tradutor Inglês/Português pela Universidade Estácio de Sá, RJ Andréa Del Corso Tradutora formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Bárbara de Alencar Médica Oncologista Claudia Coana Graduada em Letras com habilitações em Tradução e Interpretação (inglês/português) pelo Centro Universitário Ibero-Americano, SP Danielle Corbett Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Tradutora e intérprete Danielle Pereira de Oliveira Dentista Graduada pela Faculdade de Odontologia de Valença Endodontista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Mestre em Patologia Oral pela Universidade Federal Fluminense (UFF) Diego Alfaro (Cap. 20 e 21) Graduado em Medicina pela UFRJ Pós-graduando em Acupuntura pelo Instituto de Acupuntura do Rio de Janeiro Douglas Arthur Omena Futuro Médico Ortopedista Edda Palmeiro Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da UFRJ Fellowship em Alergia e Imunologia na Cerighton University, em Omaha, Nebraska (EUA) Fernando Yutaka Moniwa Hosomi Especialista em saúde – Coordenação de Vigilância em Saúde, SP Médico Veterinário pela Universidade de São Paulo (USP) Mestre em Ciências – Patologia Veterinária pela USP Fred Bernardes Filho Graduado em Medicina pela Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP – SP) Estagiário do Setor de Dermatologia Sanitária do Instituto de Dermatologia Prof. Dr. Rubem David Azulay

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Revisão Científica e Tradução

Giselle Guimarães Gomes Graduada em Ciências Biológicas – Genética pelo IB/UFRJ Mestre em Ciências Biológicas – Biofísica pelo Programa de Biologia Molecular e Estrutural do IBCCF/UFRJ Gustavo Morgan Horta Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) Irma Fioravanti Médica Pediatra e Nutróloga Aposentada Isabel de Souza Netto Professora de Histologia e Embriologia do Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC) Mestranda em Morfologia pela UERJ Kalan Bastos Violin Patologista Veterinário Médico Veterinário pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP) Mestre em Ciências pelo Departamento de Patologia da FMVZ-USP Doutorando pelo programa de Tecnologia Nuclear – Materiais no IPEN-USP Maria da Conceição Zacharias Professora Assistente de Anatomia e de Patologia da UFRJ Maria das Graças Fernandes Sales Professora Assistente da Escola de Medicina da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques - RJ Doutora em Ciências Morfológicas pela UFRJ Mestre em Morfologia pela UERJ Maria Luisa de Lima Landman Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) Mestre em Patologia Experimental e Comparada pela USP Especialista em Medicina Farmacêutica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) Natália Pereira Graduada em Nutrição pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) Especialista em Nutrição Clínica pela UFF Mestre em Ciências em Fisiopatologia Clínica e Experimental pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Doutora em Ciências pela UERJ Nelson Gomes de Oliveira Médico Aposentado – Petrobras Patricia Lydie Voeux Tradutora Graduada em Biologia pela UFRJ Raimundo Rodrigues Santos Médico Especialista em Neurologia e Neurocirurgia Mestre em Medicina pela UERJ Raymundo Sepulveda Martagão Gesteira Professor Aposentado de Pediatria da UFRJ Membro Associado da Academia Americana de Pediatria Renata Jurema Medeiros Médica Veterinária Doutora em Vigilância Sanitária pelo INCQS/ Fiocruz Mestre em Higiene Veterinária e Procedimentos Técnicos em POA pela Faculdade de Veterinária da UFF Tecnologista em Saúde Pública de Bio-Manguinhos/ Fiocruz Taís Fontoura de Almeida Bacharel em Biologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) Mestre e Doutora em Patologia pela Faculdade de Medicina da UFBA Pesquisadora pós-doutora em Morfologia pela UERJ Valdir de Souza Pinto Fisioterapeuta pela UTP Especialista em Fisioterapia Respiratória Pediátrica pelo ICr/HCFMUSP Especialista em Língua Inglesa pela FFLCH/USP


Colaboradores Charles E. Alpers, MD Professor of Pathology, Adjunct Professor of Medicine, University of Washington School of Medicine; Pathologist, University of Washington Medical Center, Seattle, WA O Rim Douglas C. Anthony, MD, PhD Professor and Chair, Department of Pathology and Anatomical Sciences, University of Missouri, Columbia, MO Nervo Periférico e Músculo Esquelético; O Sistema Nervoso Central James M. Crawford, MD, PhD Senior Vice President for Laboratory Services; Chair, Department of Pathology and Laboratory Medicine, North Shore-Long Island Jewish Health System, Manhasset, NY Fígado e Trato Biliar Umberto De Girolami, MD Professor of Pathology, Harvard Medical School; Director of Neuropathology, Brigham and Women’s Hospital, Boston, MA Nervo Periférico e Músculo Esquelético; O Sistema Nervoso Central Lora Hedrick Ellenson, MD Weill Medical College of Cornell University, Professor of Pathology and Laboratory Medicine; Attending Pathologist, New York Presbyterian Hospital, New York, NY Trato Genital Feminino Jonathan I. Epstein, MD Professor of Pathology, Urology, and Oncology; The Reinhard Professor of Urologic Pathology, The Johns Hopkins University School of Medicine; Director of Surgical Pathology, The Johns Hopkins Hospital, Baltimore, MD Trato Urinário Inferior e Sistema Genital Masculino Robert Folberg, MD Dean, Oakland University William Beaumont School of Medicine, Rochester, MI; Chief Academic Officer, Beaumont Hospitals, Royal Oak, MI O Olho Matthew P. Frosch, MD, PhD Associate Professor of Pathology, Harvard Medical School; Director, C.S. Kubik Laboratory for Neuropathology, Massachusetts General Hospital, Boston, MA Nervo Periférico e Músculo Esquelético; O Sistema Nervoso Central Ralph H. Hruban, MD Professor of Pathology and Oncology, The Sol Goldman Pancreatic Cancer Research Center, The Johns Hopkins University School of Medicine, Baltimore, MD O Pâncreas Aliya N. Husain, MBBS Professor, Department of Pathology, Pritzker School of Medicine, The University of Chicago, Chicago, IL O Pulmão,

v


vi

Colaboradores

Christine A. Iacobuzio-Donahue, MD, PhD Associate Professor of Pathology and Oncology, The Sol Goldman Pancreatic Cancer Research Center, The Johns Hopkins University School of Medicine, Baltimore, MD O Pâncreas Alexander J.F. Lazar, MD, PhD Assistant Professor, Department of Pathology and Dermatology, Sections of Dermatopathology and Soft Tissue Sarcoma Pathology, Faculty of Sarcoma Research Center, University of Texas M.D. Anderson Cancer Center, Houston, TX A Pele Susan C. Lester, MD, PhD Assistant Professor of Pathology, Harvard Medical School; Chief, Breast Pathology, Brigham and Women’s Hospital, Boston, MA As Mamas Mark W. Lingen, DDS, PhD Associate Professor, Department of Pathology, Pritzker School of Medicine, The University of Chicago, Chicago, IL Cabeça e Pescoço Chen Liu, MD, PhD Associate Professor of Pathology, Immunology and Laboratory Medicine; Director, Gastrointestinal and Liver Pathology, The University of Florida College of Medicine, Gainesville, FL Fígado e Trato Biliar Anirban Maitra, MBBS Associate Professor of Pathology and Oncology, The Johns Hopkins University School of Medicine; Pathologist, The Johns Hopkins Hospital, Baltimore, MD Doenças da Lactância e da Infância; O Sistema Endócrino Alexander J. McAdam, MD, PhD Assistant Professor of Pathology, Harvard Medical School; Medical Director, Infectious Diseases Diagnostic Laboratory, Children’s Hospital Boston, Boston, MA Doenças Infecciosas Richard N. Mitchell, MD, PhD Associate Professor, Department of Pathology, Harvard Medical School; Director, Human Pathology, Harvard-MIT Division of Health Sciences and Technology, Harvard Medical School; Staff Pathologist, Brigham and Women’s Hospital, Boston, MA Distúrbios Hemodinâmicos, Doenças Tromboembólicas e Choque; Vasos Sanguíneos, Coração George F. Murphy, MD Professor of Pathology, Harvard Medical School; Director of Dermatopathology, Brigham and Women’s Hospital, Boston, MA A Pele Edyta C. Pirog, MD Associate Professor of Clinical Pathology and Laboratory Medicine, New York Presbyterian Hospital-Weil Medical College of Cornell University; Associate Attending Pathologist, New York Presbyterian Hospital, New York, NY Trato Genital Feminino Andrew E. Rosenberg, MD Professor, Department of Pathology, Harvard Medical School; Pathologist, Massachusetts General Hospital, Boston, MA Ossos, Articulações e Tumores de Tecidos Moles Frederick J. Schoen, MD, PhD Professor of Pathology and Health Sciences and Technology, Harvard Medical School; Director, Cardiac Pathology and Executive Vice Chairman, Department of Pathology, Brigham and Women’s Hospital, Boston, MA Vasos Sanguíneos; Coração


Colaboradores

vii

Arlene H. Sharpe, MD, PhD Professor of Pathology, Harvard Medical School; Chief, Immunology Research Division, Department of Pathology, Brigham and Women’s Hospital, Boston, MA Doenças Infecciosas Thomas Stricker, MD, PhD Orthopedic Pathology Fellow, Department of Pathology, Pritzker School of Medicine, The University of Chicago, Chicago, IL Neoplasia Jerrold R. Turner, MD, PhD Professor and Associate Chair, Department of Pathology, Pritzker School of Medicine, The University of Chicago, Chicago, IL O Trato Gastrointestinal


Apresentação O Tratado Robbins & Cotran Patologia – Bases Patológicas das Doenças tem sido um texto fundamental para estudantes de medicina em todo o mundo, com a publicação da 8a edição, ele comemora em seu Jubileu de Ouro de 50 anos – vibrante e vigoroso em seu esclarecimento sobre a ‘‘base molecular de doenças humanas com correlações clínicas.’’ Apesar de Robbins & Cotran – Fundamentos de Patologia ainda não ter a mesma história, oferece um complemento importante e útil para o Tratado. Inicialmente uma prole da 4a edição em 1991 (identificados apenas como Robbins & Cotran Patologia, Bases Patológicas das Doenças), Robbins & Cotran – Fundamentos de Patologia nasceu do reconhecimento de que a imensa riqueza de informações sobre a doença humana de algum modo precisava ser organizada de forma sucinta, tornando acessível para o estudante de medicina ou o residente sobrecarregado. Esta edição de Robbins & Cotran – Fundamentos de Patologia prima pela tradição e, como antes, pretende ser muito mais do que um simples esboço de tópicos. Na montagem desta atualização, quatro grandes objetivos conduziram a escrita:

• • • •

Tornar as exposições detalhadas da doença em Robbins & Cotran Patologia – Bases Patológicas das Doenças mais fácil de serem assimiladas, fornecendo uma visão geral condensada. Facilitar o uso do Tratado por meio de referências cruzadas. Ajudar os leitores a identificar o material central que requer sua atenção primária. Servir como uma ferramenta útil para análise rápida de um grande volume de informações.

Esta 8a edição de Robbins & Cotran – Fundamentos de Patologia foi totalmente reescrita, refletindo as inovações e os novos conhecimentos que se encerram na versão ampliada. Tabelas e figuras ilustrativas foram também incluídas sempre que possível para reduzir a parte textual. Apesar de, como antes, as belas imagens macroscópicas e histológicas do Tratado não foram reproduzidas. Também foi difícil apresentar todo o material com o mesmo estilo, a organização do material e níveis de detalhes são consideravelmente mais uniformes entre os capítulos do que em edições anteriores. Ao fazer isto, esperamos que Robbins & Cotran – Fundamentos de Patologia mantenha o mesmo sucesso do Tratado – apenas em um formato menor – e realmente um companheiro ‘‘adequado:’’ Para finalizar, os autores gostariam de agradecer especificamente a ajuda inestimável e as habilidades de edição (e paciência infinita) de Rebecca Mitchell e Gruliow Becca, sem a sua ajuda e colaboração, esta edição de Robbins & Cotran – Fundamentos de Patologia ainda poderia estar em gestação. Rick Mitchell Vinay Kumar Abul Abbas Nelson Fausto Jon Aster

ix


Sumário Patologia Geral

1 Respostas Celulares ao Estresse e às Agressões Tóxicas: Adaptação, Lesão e Morte, 3

2 Inflamação Aguda e Crônica, 22 3 Renovação, Regeneração e Reparação Teciduais, 45 4 Distúrbios Hemodinâmicos, Doenças Tromboembólicas e Choque, 60 5 Doenças Genéticas, 76 6 Doenças do Sistema Imune, 99 7 Neoplasia, 132 8 Doenças Infecciosas, 161 9 Doenças Nutricionais e Ambientais, 190 10 Doenças da Lactância e da Infância, 215 Patologia sistêmica: Doenças dos Sistemas Orgânicos

11 Vasos Sanguíneos, 235 12 Coração, 256 13 Doenças de Leucócitos, Linfonodos, Baço e Timo, 281 14 Hemácias e Desordens Hemorrágicas, 312 15 O Pulmão, 331 16 Cabeça e Pescoço, 357 17 O Trato Gastrointestinal, 366 xi


xii

Sumário

18 Fígado e Trato Biliar, 400 19 O Pâncreas, 426 20 O Rim, 432 21 Trato Urinário Inferior e Sistema Genital Masculino, 458 22 Trato Genital Feminino, 473 23 As mamas, 493 24 O Sistema Endócrino, 505 25 A pele, 539 26 Ossos, Articulações e Tumores de Tecidos Moles, 559 27 Nervo Periférico e Músculo Esquelético, 585 28 O Sistema Nervoso Central, 599 29 O Olho, 628 Índice, 639


2 Inflamação Aguda e Crônica Visão Geral da Inflamação (p. 44) A inflamação é a resposta do tecido vivo vascularizado à lesão. Ela pode ser desencadeada por infecções microbianas, agentes físicos, substâncias químicas, tecidos necróticos ou reações imunes. A inflamação deve conter e isolar a lesão, destruir os micro-organismos invasores e inativar as toxinas e preparar o tecido para o reparo (Cap. 3). A inflamação é caracterizada por: • Dois componentes principais: uma reação vascular e uma reação celular • Efeitos mediados por proteínas do plasma e por fatores produzidos no local pelas paredes dos vasos sanguíneos ou células inflamatórias • A inflamação termina quando o agente agressor é eliminado e os mediadores secretados são destruídos; mecanismos anti-inflamatórios ativos também estão envolvidos • Associação íntima com a cura; mesmo com a destruição, diluição ou com as lesões, a inflamação inicia episódios de movimento que ao final acarretam o reparo do dano • Apesar de ser fundamentalmente um mecanismo de defesa, a inflamação pode ser prejudicial, por reações de hipersensibilidade potencialmente fatais ou por lesionar o órgão de uma maneira progressiva e permanente com uma inflamação crônica e fibrose subsequente (p. ex., artrite reumatoide, aterosclerose) • Padrões agudos e crônicos: Inflamação aguda: Início rápido (i.e., segundos ou minutos), duração curta (i.e., minutos a dias), envolve a exsudação de líquido (edema) e migração de célula polimorfonuclear (neutrófilo). Inflamação crônica: Início mais lento (i.e., dias) e uma duração maior (i.e., semanas a anos); envolve linfócitos e macrófagos, com proliferação de vasos sanguíneos e fibrose (cicatriz)

• • • • •

Há cinco sinais clínicos clássicos da inflamação (mais proeminentes na inflamação aguda): Calor (em latim: calor) devido à dilatação vascular Eritema (em latim: rubor) devido à dilatação e congestão vasculares Edema (em latim: tumor) devido ao aumento da permeabilidade vascular Dor (em latim: dolor) devido à liberação de mediadores Perda de função (em latim: functio laesa) devido à dor, edema, lesão tecidual e/ou cicatrização

Inflamação Aguda (p. 45) A inflamação aguda possui três componentes principais: • Alterações no calibre vascular levam a um aumento no fluxo sanguíneo 22


Inflamação Aguda e Crônica

25

[(Figura_1)TD$IG] Ativação de integrina por quimiocinas Rolamento

Migração através do endotélio

Adesão estável

Leucócito Glicoproteína de Sialil-Lewis X modificada Integrina (estado de baixa afinidade) Integrina (estado de alta afinidade)

PECAM-1 (CD31)

Selectina-P Proteoglicano Ligante da integrina (ICAM-1) Selectina E Citoquinas (TNF, IL-1)

Quimiocinas Macrófago com micróbios

Fibrina e fibronectina (matriz extracelular)

FIGURA 2-1 As várias etapas do processo da migração leucocitária através dos vasos sanguíneos, mostradas aqui para os neutrófilos. Os leucócitos inicialmente rolam na superfície do endotélio (são frouxamente aderentes com ligação e afastamento intermitentes de receptores), depois são ativados (em sequência), aderindo a ele, ocorrendo, então, a transmigração através do endotélio; atravessam a membrana basal e migram na direção de quimioatraentes originários do local da lesão. Várias moléculas têm papel fundamental nas diversas etapas desse processo — as selectinas, no rolamento; as quimiocinas, na ativação dos neutrófilos para aumentar sua avidez pelas integrinas; as integrinas, na forte adesão; e o CD31 (PECAM1), na transmigração. ICAM-1, Molécula-1 de adesão intercelular; IL-1, interleucina-1; PECAM-1, molécula-1 de adesão da célula endotelial à plaqueta; TNF, fator de necrose tumoral.

TABELA 2-1 Moléculas de Adesão Endotélio-Leucócito Molécula Endotelial

Molécula de Leucócito

Papel Principal

Selectina P

Proteínas modificadas por sialil-Lewis X

Rolamento (neutrófilos, monócitos, linfócitos T)

Selectina-E

Proteínas modificadas por sialil-Lewis X

Rolamento e adesão (neutrófilos, monócitos, linfócitos T)

GlyCam-1, CD34

Selectina-L*

Rolamento (neutrófilos, monócitos)

ICAM-1 (família da imunoglobulina)

Integrinas CD11/CD18 (b2) (LFA-1, Mac-1)

Adesão, captura, transmigração (neutrófilos, monócitos, linfócitos)

VCAM-1 (família da imunoglobulina)

Integrina VLA-4 (b1)

Adesão (eosinófilos, monócitos, linfócitos)

CD31 (PECAM)

CD31

Migração de leucócitos através do endotélio

*A selectina-L é fracamente expressa nos neutrófilos. Ela é envolvida na ligação dos linfócitos Tcirculantes nas altas vênulas endoteliais nos linfonodos e tecidos linfoides da mucosa, e no subsequente ''abrigo'' dos linfócitos nesses tecidos


8 Doenças Infecciosas Princípios gerais da patogenia microbiana (p. 322) Apesar das vacinas e antibióticos, duas das 10 principais causas de morte nos Estados Unidos são as doenças infecciosas (isto é, pneumonia/influenza e sepse). Estas doenças contribuem particularmente para a mortalidade em pessoas idosas e nas que têm síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), doenças crônicas, indivíduos que receberam transplantes ou drogas contra o câncer. Nos países em desenvolvimento, as doenças infecciosas — incentivadas pela desnutrição e condições insalubres de vida — contribuem para mais de 10 milhões de mortes anuais. Categorias dos agentes infecciosos (p. 332) (Tabela 8-1) Príons (p. 332)

Os príons são compostos apenas por uma proteína hospedeira modificada denominada proteína príon (PrP); não possuem RNA e DNA e, portanto, não são vírus. • A doença ocorre quando a PrP sofre uma alteração em sua conformação que confere resistência a proteases; a forma resistente promove a conversão da PrP normal para a conformação anormal, daí a natureza infecciosa da doença. • Os príons causam encefalopatias espongiformes (p. ex., doença de Creutzfeldt-Jakob e a ‘‘doença da vaca louca’’; Cap. 28) Vírus (p. 332)

São micro-organismos obrigatoriamente intracelulares que dependem do metabolismo das células hospedeiras para sua replicação.

• •

Contêm DNA ou RNA (mas não ambos), dentro de uma camada proteica (capsídeo) que pode ser circundada por uma bicamada lipídica (envelope). Causam doenças agudas transitórias (p. ex., resfriados, influenza), infecção crônica (p. ex., vírus da hepatite B [HBV], vírus da imunodeficiência humana [HIV]) ou infecção latente com potencial para ser reativado posteriormente (p. ex., herpesvírus).

Bactérias (p. 334) As bactérias não têm núcleos ou outras organelas confinadas à membrana, mas possuem paredes celulares; estas são limitadas por paredes fosfolipídicas de camada dupla (bactérias Gram-negativas) ou uma parede fina que cerca a membrana celular (bactérias Gram-positivas). • As bactérias podem ser classificadas por: Coloração de Gram (positiva ou negativa) 161


Doenças Infecciosas

[(Figura_2)TD$IG]

185

Esporozoíta Proteína circunsporozoíta

Receptor de trombospondina

Hepatócitos

Gametócitos

Estágios do mosquito

Proteína de ligação do ácido siálico Glicoforina

RBC

Merozoítos

Células endoteliais

Protuberâncias Esquizonte

ICAM-1

Trofozoítos

CD36

FIGURA 8-2 Ciclo de vida do Plasmodium falciparum. ICAM, molécula de adesão intercelular; RBC, eritrócitos.

causando oclusão vascular. A isquemia decorrente dessas oclusões causa as manifestações de malária cerebral. Induzir altos níveis de citocinas, como o fator de necrose tumoral (TNF) e interferon- g (INF-g), que suprimem a produção de eritrócitos, causam febre e estimulam a produção de óxido nítrico (NO). Isso ocorre através da liberação de proteínas ligadas ao glicosil fosfatidil inositol (incluindo antígenos de superfície dos merozoítos) dos eritrócitos infectados. Usar a variação antigênica para modificar continuamente as proteínas da superfície. A resistência ao Plasmodium ocorre através de: Traços hereditários das hemácias . O traço falciforme (i.e., hemoglobina S [HbS]) e a hemoglobina C (HbC) enfraquecem a gravidade da malária ao reduzirem a proliferação do parasita. . A ausência do antígeno do grupo sanguíneo Duffy evita que o P. vivax se ligue aos eritrócitos. . Repertórios mediados por células T e anticorpos que se desenvolvem após a infecção crônica.


15 O Pulmão Anomalias Congênitas (p. 687)

• • •

Hipoplasia pulmonar (pulmões pequenos) reflete desenvolvimento defeituoso com peso, volume e número acinar diminuídos. Isto é causado por anormalidades que comprimem o pulmão ou impedem sua expansão normal in utero (p. ex., hérnia diafragmática congênita ou oligo-hidrâmnio). Cistos do intestino anterior são formados por destacamento anormal do intestino anterior primitivo; eles são tipicamente localizados no hilo ou mediastino médio. Cistos broncogênicos, revestidos por epitélio do tipo brônquico são mais comuns. Sequestro pulmonar é a falta de conexão do tecido pulmonar (lobos ou segmentos) ao sistema respiratório; o suprimento vascular geralmente deriva da aorta ou de seus ramos (em vez da artéria pulmonar). Sequestros extralobares são externos aos pulmões e ocorrem em qualquer lugar no tórax ou mediastino; eles são comumente encontrados em infantes como lesões de massa e geralmente estão associados com outras anomalias congênitas. Sequestros intralobares ocorrem dentro do parênquima pulmonar; eles tipicamente ocorrem em crianças mais velhas como infecção recorrente localizada ou bronquiectasia.

Atelectasia (Colapso) (p. 687) Atelectasia representa expansão pulmonar incompleta, ou colapso do pulmão previamente inflado. Atelectasia significativa reduz a oxigenação e predispõe a infecção. Atelectasia adquirida é classificada como:

• • •

Atelectasia de reabsorção segue a completa obstrução respiratória e reabsorção do oxigênio no alvéolo dependente. Causas incluem secreções excessivas (tampões de muco), aspiração de corpo estranho, ou neoplasmas brônquios. O mediastino muda em direção ao pulmão atelectático. Atelectasia compressiva, quando o espaço pleural é expandido por fluido (p. ex., efusões por insuficiência cardíaca ou neoplasmas, ou sangue de ruptura de aneurisma), ou por ar (pneumotórax). O mediastino afasta-se do pulmão atelectático. Atelectasia por contração, quando mudanças fibróticas locais ou generalizadas no pulmão ou pleura impedem a expansão total.

Edema Pulmonar (p. 688) Edema pulmonar resulta de pressão hidrostática aumentada ou aumento da permeabilidade capilar (devido à injúria endotelial ou da parede alveolar); terapia e evolução dependem da etiologia de base (Tabela 15-1). Independentemente da causa, os pulmões se tornam pesados e úmidos, com acúmulo de 331


O Pulmão

[(Figura_3)TD$IG]

339

DEFLAGAÇÃO DA ASMA Receptor de célula T

Célula TH2 IgE célula B

Pólen

TH2

IL-4

Antígeno (alergênico) Célula dendrítica

IL-5 Anticorpo IgE Receptor Fc para IgE

Eotaxina

IL-5

Mastócitos

Revestimento da mucosa

Liberação de grânulos e mediadores

A Revestimento da mucosa

Recrutamento de eosinófilo Ativação

Antígeno

Muco

Muco

Nervo vagal aferente Mastócitos

Proteína básica principal Proteína catiônica eosinofílica

TH2

TH2 Eósinófilo Aumento da permeabilidade vascular e edema Nervo vagal eferente

B

TH2

Basófilo Eosinófilo

Músculo liso

FASE IMEDIATA (MINUTOS)

Neutrófilo

C

FASE TARDIA (HORAS)

FIGURA 15-3 Patogenia da asma. A, Alérgenos inalados (antígeno) promovem uma resposta dominada por TH2 favorecendo produção de IgE e recrutamento e ativação eosinofílicas. B, Em reexposição ao antígeno (Ag), uma reação de fase imediata é desencadeada por ligação cruzada com IgE com seus receptores nos mastócitos, induzida por Ag; mastócitos então liberam mediadores pré-formados que induzem broncoespasmo, aumentada permeabilidade vascular, e produção de muco e recrutamento de células inflamatórias adicionais. C, A chegada de vários leucócitos recrutados sinaliza a resposta de fase tardia e uma nova rodada de liberação de mediadores dos leucócitos, endotélio, e epitélio. Fatores, especialmente proteína básica principal e proteína catiônica eosinofílica dos eosinófilos, também danificam o epitélio. IL, Interleucina.

Acessos repetidos causam remodelamento das vias aéreas com a hipetrofia do músculo liso brônquico e de glândulas mucosas e hiperplasia, vascularização aumentada, e deposição aumentada de colágeno subepitelial.

Genética da asma (p. 699) Loci de múltipla suscetibilidade interagem com fatores ambientais para produzir asma; genes implicados podem afetar respostas imunes primárias ou secundárias, remodelação tecidual, ou até a resposta


26 Ossos, Articulações e Tumores de Tecidos Moles OSSOS (p. 1214)

• • • •

Osteoblastos são responsáveis pela síntese da matriz óssea e o início da mineralização; eles são derivados de células osteoprogenitoras — células-tronco pluripotentes mesenquimais — através da ativação da rede do fator de transcrição RUNX2/CBFA1 e da via de sinalização WNT/b-catenina. Osteócitos são células de longa duração responsáveis pela homeostase local de cálcio e fosfato do osso e por transmitir forças mecânicas em atividade biológica (transdução mecânica); eles são derivados de osteoblastos. Osteoclastos são células de curta duração (duas semanas), multinucleadas, responsáveis pela reabsorção do osso; fator estimulador de colônia de macrófagos (M-CSF), interleucina-1 (IL-1) e fator de necrose tumoral (TNF) derivam sua diferenciação dos mesmos precursores hematopoiéticos como monócitos e macrófagos. Homeostase óssea envolve equilíbrio da deposição óssea pelos osteoblastos e reabsorção pelos osteoclastos; células do estroma e osteoblastos também regulam criticamente a diferenciação e ativação de osteoclastos (Fig. 26-1).

Anormalidades de Desenvolvimento em Células Ósseas, Matriz e Estrutura (p. 1210) Enquanto desordens ósseas adquiridas comumente se apresentam na idade adulta, a maioria das anomalias do desenvolvimento são causadas por mutações genéticas e manifestadas tipicamente durante os estágios precoces da formação óssea (Tabela 26-1). • Disostoses: São anomalias do desenvolvimento devido à migração ou diferenciação anormal de células mesenquimais; frequentemente resultam de mutações nos genes dos fatores de transcrição homeobox. Simpolidactilia é causada pela mutação do fator de transcrição homeobox HOXD-13 e se manifesta como um dígito extra (polidactilia) e/ou fusão dos dedos (sindactilia). Displasias: São mutações em moléculas sinalizadoras ou constituintes da matriz (ver discussão adiante) • levando a desordens esqueléticas mais globais. Acondroplasia é a mais comum forma de nanismo; alguns casos são familiares, mas 80% envolvem novas mutações, a maioria surgindo no alelo paterno. Todos os casos são causados por mutações no receptor do fator de crescimento de fibroblastos 3 (FGFR-3), levando à ativação constitutiva. 559


[(Figura_1)TD$IG]

560

Patologia Sistêmica CÉLULA DO ESTROMA/ OSTEOBLASTO

M-CSF Osteoprotegerina (bloqueia a interação RANK-RANK ligante)

Receptor M-CSF

RANK ligante RANK (receptor)

NFκB

OSTEOCLASTO PRECURSOR

Diferenciação RANK OSTEOCLASTO

OSSO

FIGURA 26-1 Mecanismo molecular que regula a ativação de osteoclastos. O osteoblasto ou célula do estroma RANKL se liga ao RANK nos osteoclastos precursores; na presença de M-CSF, as interações RANK-RANKL induzem a diferenciação de osteoclastos. As células do estroma também secretam osteoprotegerina (OPG), um receptor ``isca'' para RANKL que bloqueia sua habilidade de estimular osteoclastos precursores, assim inibindo a diferenciação osteoclástica e a subsequente reabsorção óssea. Não está mostrada uma via envolvendo células do estroma WNT se ligando aos receptores LRP5 e LRP6 nos osteoblastos (LRP = proteína relacionada ao receptor de lipoproteína de baixa densidade); essa interação ativa a b-catenina e induz a produção de OPG. A expressão de RANKL e OPG é também regulada por vários hormônios (p. ex., paratormônio, estrógeno, testosterona e glicocorticoides), vitamina D, citocinas inflamatórias (p. ex., IL-1) e fatores de crescimento selecionados (p. ex., proteínas morfogênicas do osso). M-CSF, fator estimulador de colônia de macrófago; RANK, receptor ativador para fator nuclear kB; RANKL, ligante do receptor ativador para fator nuclear kB.

Anatomicamente, as placas de crescimento são encurtadas e desordenadas, resultando em ossos de extremidade anormalmente curtos; devido ao crescimento aposicional não ser afetado, os ossos possuem largura normal e o crânio parece comparativamente aumentado. Aumento da massa óssea (causando doenças como hiperostose endosteal e osteopetrose tipo I) pode resultar de mutações com ganho de função do receptor de lipoproteína de baixa densidade relacionado à proteína 5 (LRP5), que conduz ativação osteoblástica constitutiva via a rota WNT/b-catenina. Inversamente, mutações inativando LRP5 causam osteoporose severa e múltiplas fraturas. Doenças Associadas a Defeitos nas Proteínas Estruturais Extracelulares (p. 1219) Doenças do Colágeno Tipo 1 (Osteogênese Imperfeita, Doença do Osso Quebradiço) (p. 1219)

Doenças do colágeno tipo 1 representam um grupo relacionado de desordens genéticas causadas pela síntese anormal do colágeno tipo 1, qualitativa e quantitativamente (constituindo cerca de 90% da matriz orgânica do osso).


186

Patologia Geral

Babesiose (p. 393)

A babesiose é causada por um protozoário do tipo da malária transmitido para os seres humanos pelo camundongo de patas brancas por meio de carrapatos Ixodes ou, raramente, é contraído por transfusão sanguínea. • A Babesia causa febre e, ao parasitar as hemácias, anemia hemolítica. • A Babesia se assemelha ao esquizonte da malária, mas não possui o pigmento hemozoína, é mais pleomórfica e forma uma tétrade característica. Leishmaniose (p. 393)

A leishmaniose é uma doença inflamatória crônica da pele, mucosas e vísceras causada pelas espécies de Leishmania, parasitas protozoários obrigatoriamente intracelulares, transmitidos a outro através da picada de mosquitos-pólvora. O ciclo de vida envolve duas formas: • Os promastigotas se desenvolvem e vivem extracelularmente no mosquito. • Os amastigotas se multiplicam intracelularmente nos macrófagos dos hospedeiros mamíferos.

• •

Quando os mosquitos da areia picam hospedeiros infectados, eles ingerem os macrófagos infectados; os amastigotas se transformam em promastigotas no trato digestivo do inseto e migram para a glândula salivar. Uma picada posterior em um segundo hospedeiro libera os promastigotas; estes são fagocitados pelos macrófagos e sofrem transformação, nos fagolisossomas, em amastigotas que, a seguir, proliferam. As manifestações da doença variam com a espécie e com as respostas do hospedeiro. Portanto, se o paciente irá desenvolver doença cutânea, mucocutânea ou visceral dependerá de qual organismo está em jogo; também existem agentes diferentes no Velho Mundo em comparação ao Novo Mundo. Os fatores de virulência incluem: O lipofosfoglicano nos promastigotas ativa o complemento (levando ao depósito do C3b na superfície do parasita e intensificando a fagocitose), mas também inibe a ação do complemento (pela prevenção da inserção do complexo de ataque da membrana na membrana do parasita). O gp63 nos promastigotas se liga aos receptores da fibronectina para promover a adesão do promastigota aos macrófagos; ele também cliva o complemento e as enzimas antimicrobianas lisossômicas para impedir a destruição. Uma bomba de prótons nos amastigotas reduz a acidez dos fagolisossomas dos macrófagos. A ativação dos macrófagos pelo IFN-g é necessária para a defesa do hospedeiro; os macrófagos ativados destroem os parasitas através das espécies reativas do oxigênio e do NO.

Tripanossomíase Africana (p. 395)

A tripanossomíase africana é causada por parasitas extracelulares transmitidos pelas moscas tsé-tsé. • As infecções pelo Trypanosoma brucei rhodesiense (África Oriental) são agudas e virulentas, e as causadas pelo Trypanosoma brucei gambiense (África Ocidental) são crônicas. • A tripanossomíase é uma doença de febres intermitentes, linfadenopatia, disfunção cerebral progressiva (doença do sono), caquexia e morte. Na mosca, os parasitas se multiplicam no estômago e, a seguir, nas glândulas salivares, antes de se tornarem tripomastigotas infecciosos, mas não divisíveis. Um cancro se forma no local da picada do inseto, onde grande número de parasitas é cercado por denso infiltrado inflamatório abundantemente mononuclear. Os linfonodos e o baço aumentam devido à hiperplasia e infiltração por linfócitos, plasmócitos e macrófagos que são preenchidos com parasitas. Quando os parasitas rompem a barreira hematoencefálica, eles induzem leptomeningite e panencefalite desmielinizante.


10 Doenças da Lactância e da Infância As principais causas de morte na lactância e na infância estão listadas na Tabela 10-1; a maior mortalidade ocorre no primeiro ano e declina progressivamente até que acidentes e suicídios deem sequência no meio da adolescência. A incidência relativa das várias causas de mortalidade também depende da idade, com anomalias congênitas, prematuridade e síndrome da morte súbita infantil (SMSI) no topo da lista no primeiro ano de vida; em geral, anomalias congênitas e neoplasias são as causas mais importantes em todas as idades.

Malformações Congênitas (p. 456) Malformações congênitas são defeitos morfológicos que estão presentes ao nascer; porém, podem ser clinicamente aparentes apenas anos mais tarde. Estima-se que cerca de 3% dos recém-nascidos nos Estados Unidos apresentem uma anomalia congênita; claramente, tais anomalias ainda são compatíveis com a vida. Estima-se, no entanto, que mais de 20% de todos os óvulos fecundados são tão anômalos que nunca se desenvolvem dentro de um concepto viável. DEFINIÇÕES

Termos Específicos para Órgãos:

Agenesia: ausência completa de um órgão e do seu primórdio associado Aplasia: ausência de um órgão devido à insuficiência de desenvolvimento do primórdio Atresia: ausência de uma abertura, em geral de um órgão visceral oco (p.ex., intestino) Displasia: no contexto das malformações; refere-se a uma organização celular anormal Hiperplasia: ampliação de um órgão associado a aumento do número de células Hipoplasia: subdesenvolvimento de um órgão com decréscimo do número de células Hipertrofia: ampliação no tamanho de um órgão devido a um aumento no tamanho das células Hipotrofia: redução no tamanho de um órgão devido à diminuição no tamanho das células Termos Gerais:

Malformações: são distúrbios intrínsecos na morfogênese; normalmente são multifatoriais e não são provocados por um único defeito genético. Rupturas: são distúrbios extrínsecos na morfogênese causando uma destruição secundária de um tecido normal previamente desenvolvido; as rupturas não são hereditárias. O exemplo clássico é uma banda amniótica, resultante de uma ruptura amniótica que causa um cordão fibroso que circunda, comprime ou se prende a uma parte do corpo em desenvolvimento. Deformações: são comuns, afetando 2% dos recém-nascidos; da mesma forma que as rupturas, as deformações resultam de uma perturbação externa na morfogênese. As deformações são causadas pela compressão localizada ou generalizada por forças mecânicas anormais, e manifestam-se com alteração na 215


216

Patologia geral

forma ou posição (p.ex., pé torto). A maioria tem pequeno risco de recorrência. O fator subjacente mais comum é a pressão uterina: Fatores maternos incluem primeira gestação, um útero pequeno ou leiomiomas Fatores fetais e placentários incluem oligoidrâmnio, múltiplos fetos, ou apresentação fetal anormal Sequência: é uma constelação de anomalias que resulta de uma aberração inicial que leva a múltiplos efeitos secundários. Um clássico exemplo é a sequência de oligoidrâmnio (Potter). Assim, o oligoidrâmnio (i.e., diminuição de líquido amniótico) pode ocorrer por meio de uma variedade de mecanismos: agenesia renal (a urina fetal é o principal componente do fluido amniótico), insuficiência placentária devido à hipertensão materna, ou um vazamento amniótico. Independentemente da causa, os oligoidrâmnios levam em sequência a uma compressão fetal com achados característicos que incluem achatamento facial, mau posicionamento de mão e pé, luxação do quadril e compressão torácica com hipoplasia pulmonar. Síndrome: é uma combinação de anomalias que não podem ser explicadas com base em uma aberração inicial e uma cascata subsequente. A maioria das síndromes é causada por uma única patologia que afeta simultaneamente vários tecidos (p.ex., infecção viral ou anormalidade cromossômica).

• •

TABELA 10-1 Causa de Morte Relacionada à Idade Causas*

Taxay

Menor que 1 ano Malformações congênitas, deformações e anomalias cromossômicas Distúrbios relacionados a curta gestação e baixo peso ao nascer Síndrome da morte súbita infantil (SMSI) Recém-nascido afetado por complicações maternas da gestação Recém-nascido afetado por complicações da placenta, cordão e membranas Angústia respiratória do recém-nascido Acidentes (lesões não intencionais) Sepse bacteriana do recém-nascido Hipóxia intrauterina e asfixia ao nascer Doenças do sistema circulatório

685,2

1 a 4 anos Acidentes e efeitos adversos Malformações congênitas, deformações e anormalidades cromossômicas Neoplasias malignas Homicídio Doenças cardíacasz Gripe e pneumonia

29,9

5 a 14 anos

16,8

Acidentes e efeitos adversos Neoplasias malignas Homicídio Malformações congênitas, deformações, e anormalidades cromossômicas Suicídio Doenças cardíacas 15 a 24 anos Homicídio Suicídio Neoplasias malignas Doenças cardíacas *As causas estão listadas em ordem decrescente de frequência. Todas as causas e taxas são estatísticas finais de 2004. y As taxas são expressas por 100.000 pessoas de todas as causas dentro de cada grupo etário. z Exclui cardiopatia congênita. Dados de Minino AM, et al: Deaths: final data for 2004, National Vital Statistics Rep 55:19, 2007.

80,1


2

Morte pré-natal

Geralmente não suscetível a teratogênese

Período de divisão zigótica, implantação e formação do embrião bilaminar

1

3

5

6

7

8

9

16

20-36

Período Fetal (em semanas)

Principais anormalidades morfológicas

Defeitos fisiológicos e anormalidades morfológicas menores

38

A termo

Sistema nervoso central Coração Braços, Olhos Pernas Dentes Palato Genitália externa Ouvidos

Períodos críticos do desenvolvimento (azul-escuro denota períodos altamente sensíveis)

4

Período Embrionário (em semanas)

FIGURA 10-1 Períodos críticos do desenvolvimento de vários sistemas de órgãos e as malformações resultantes. (Modificado e reescrito de Moore KL: The developing human, ed 5, Philadelphia, 1993, WB Saunders, p. 156.)

[(Figura_1)TD$IG]

Doenças da Lactância e da Infância

219


676

Índice

Matriz intersticial, 53 Maturação epidérmica, desordens, 549-550 Maturação megaloblastoide, 305 Maturação sexual secundária, ausência (ocorrência), 93 Maturação, fase de cicatrização, 58 Maxila, cistos revestidos com epitélio, 360 Mecanismos contra-reguladores, ativação, 63 Mecanismos de Frank-Starling, 256 Mecanismos efetores antitumorais, 156 Mecanotransdução, 559 Mediadores derivados de células, 30-36 Mediadores derivados de proteínas do plasma, 38-39 Mediadores derivados do plasma, 29 Mediadores, função, 43t Mediadores inflamatórios, 74 interação, 42f Mediadores primários, 101 Mediadores secundários, liberação, 101 Mediastinopericardite adesiva, 278 Medida dos anos de vida perdidos ajustados por incapacidade (DALY), utilização, 190 Medula suprarrenal, 535-536 Medula óssea CPH pluripotente, envolvimento, 47 envolvimento, 344 normobástica, hiperplasia, 316 transplante, complicações hepáticas, 419 Medula renal, doenças císticas, 454 Meduloblastoma, 231, 624-625 aspectos clínicos, 624-625 morfologia, 624 Megacariopoiese, ineficácia, 325 Megacólon adquirido, ocorrência, 367 Megacólon aganglionar congênito, 367 Megali, anticorpos (desenvolvimento), 434-435 Melanina, 18 albinismo, 79 Melanócitos, 539 desordens, 540-544 neoplasias, 540 Melanoma, 543-544 crescimento radial, 543 crescimento vertical ocorrência, 543 padrão, 543-544 disseminação superficial, 543 fatores prognósticos, 544 morfologia, 543-544 nevos uveais, 635 patogenia, 544 Melanoma acral, 543 Melanoma in situ, 630 Melanoma lentiginoso de mucosa, 543 Melanoma maligno, 476 Melanomas conjuntivais, 630 Melanose primária adquirida, atipia (inclusão), 630 Membrana basal (MB), 53 colágeno, 53 Membrana basal aniônica glomerular (MBG aniônica), 435 Membrana basal dos túbulos seminíferos, hialinização, 463 Membrana basal glomerular (MBG), 435 Membrana de Bruch, 637 Membrana de Descemet, 631

Membranas do corpo de Weibel-Palade, translocação da P-selectina, 26 Meningiomas, 625-626 aspectos clínicos, 626 morfologia, 625-626 Meningiomas anaplásicos (meningiomas malignos), 625 Meningiomas papilares, 625 Meningiomas rabdoides, 625 Meningite causa, 611 ocorrência, 175 Meningite aguda, 607-608 Meningite asséptica aguda (meningite viral), 608 Meningite asséptica, ocorrência, 610 Meningite bacteriana (meningite piogênica aguda), 607-608 Meningite piogênica aguda (meningite bacteriana), 607-608 morfologia, 608 Meningite viral (meningite asséptica aguda), 608 Meningoencefalite bacteriana crônica, 608-609 Meningoencefalite fúngica, 611 envolvimento parenquimal, 611 Meningoencefalite viral, 609-611 Menstruação retrógrada, 479 Mercúrio, 193 Merozoítos, liberação, 184 Mesotelioma maligno, 356 evolução clínica, 356 morfologia, 356 raridade, 468 Mesotelioma, 399 Metabolismo da vitamina B12, 320 aspectos clínicos, 321 morfologia, 320 Metabolismo do ferro, 321-323 Metabolismo energético celular, alteração, 9 Metabolismo oxidativo, 28 Metabolismo, erros congênitos, 225-228 miopatias, associação, 595-597 Metabólitos do acido araquidônico (AA), 31 ações inflamatórias, 34t geração, 32f liberação, 435 Metabólitos/depósitos, adequação, 211 Metais de transição, impacto, 8 Metais, poluentes ambientais, 192 Metais traço, funções/síndromes de deficiência, 208t Metaloproteinases ativação, 58-59 proteases e o remodelamento tecidual, 57 Metaloproteinases de matriz (MMPs) atividade, aumento, 243 degradação da matriz, aumento, 244 elaboração, 242 síntese/ativação, 58-59 Metanol, doença, 621 Metaplasia, 3 Metaplasia de células de Paneth, 391 Metaplasia escamosa, 459 alteração, 470 Metaplasia intestinal, 369-370 Metapneumovírus humano, 350 Metástase, 136 desenvolvimento, genética molecular, 149


8ª EDIÇÃO

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