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ATLAS COLORIDO DE ANATOMIA VETERINÁRIA DE EQUINOS 2a Edição Raymond R. Ashdown BVSc PhD MRCVS Emeritus Reader in Veterinary Anatomy University of London London

Stanley H. Done

BA BVetMed PhD DECPHM DECVP FRCVS FRCPath Visiting Professor of Veterinary Pathology University of Glasgow Veterinary School, Glasgow Former Lecturer in Veterinary Anatomy Royal Veterinary College London

Fotografias de

Susan A. Evans

MIScT AIMI MIAS Former Chief Technician in Anatomy Department of Veterinary Basic Sciences Royal Veterinary College London

Radiografias fornecidas por

Elizabeth A. Baines

MA VetMB DVR DipECVDI MRCVS Lecturer in Veterinary Radiology Department of Veterinary Clinical Sciences Royal Veterinary College London


 2012 Elsevier Editora Ltda. Tradução autorizada do idioma inglês da edição publicada por Mosby – um selo editorial Elsevier Ltd. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998. Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou transmitida sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros. ISBN: 978‑85‑352‑5038‑1

Copyright © Elsevier Ltd. This edition of Color Atlas of Veterinary Anatomy, volume 2, second edition, by Raymond R. Ashdown and Stanley H. Done, is published by arrangement with Elsevier Limited. First edition: 1987 Second edition: 2011 ISBN: 978‑0‑7234‑3414‑6 Capa Folio Design Ltda. Editoração Eletrônica Arte e Ideia Identidade Visual Elsevier Editora Ltda. Conhecimento sem Fronteiras Rua Sete de Setembro, no 111 – 16o andar 20050‑006 – Centro – Rio de Janeiro – RJ Rua Quintana, no 753 – 8o andar 04569‑011 – Brooklin – São Paulo – SP   Serviço de Atendimento ao Cliente 0800 026 53 40 sac@elsevier.com.br   Consulte também nosso catálogo completo, os últimos lançamentos e os serviços exclusivos no site www.elsevier.com.br NOTA Como as novas pesquisas e a experiência ampliam o nosso conhecimento, pode haver necessidade de alteração dos métodos de pesquisa, das práticas profissionais ou do tratamento médico. Tanto médicos quanto pesquisadores devem sempre basear‑se em sua própria experiência e conhecimento para avaliar e empregar quaisquer informações, métodos, substâncias ou experimentos descritos neste texto. Ao utilizar qualquer informação ou método, devem ser criteriosos com relação a sua própria segurança ou a segurança de outras pessoas, incluindo aquelas sobre as quais tenham res‑ ponsabilidade profissional. Com relação a qualquer fármaco ou produto farmacêutico especificado, aconselha‑se o leitor a cercar‑se da mais atual informação fornecida (i) a respeito dos procedimentos descritos, ou (ii) pelo fabricante de cada produto a ser adminis‑ trado, de modo a certificar‑se sobre a dose recomendada ou a fórmula, o método e a duração da administração, e as contraindicações. É responsabilidade do médico, com base em sua experiência pessoal e no conhecimento de seus pacientes, determinar as posologias e o melhor tratamento para cada paciente individualmente, e adotar todas as pre‑ cauções de segurança apropriadas. Para todos os efeitos legais, nem a Editora, nem autores, nem editores, nem tradutores, nem revisores ou colaboradores, assumem qualquer responsabilidade por qualquer efeito danoso e/ou malefício a pessoas ou propriedades envolvendo responsabilidade, negligência etc. de produtos, ou advindos de qualquer uso ou emprego de quaisquer métodos, pro‑ dutos, instruções ou ideias contidos no material aqui publicado. O Editor

CIP‑BRASIL. CATALOGAÇÃO‑NA‑FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ A851a v.2 Ashdown, Raymond R. Atlas colorido de anatomia veterinária do cavalo, volume 2 / Raymond R. Ashdown, Stanley H. Done ; fotografias de Susan A. Evans ; radiografias oferecidas por Elizabeth A. Baines ; [tradução de Marcelo Fernandes de Souza Castro]. ‑ Rio de Janeiro : Elsevier, 2011. 2v (368p.) : il. ; 30 cm   Tradução de: Color atlas of veterinary anatomy : the horse, 2nd ed. Inclui bibliografia e índice ISBN 978‑85‑352‑5038‑1   1. Cavalo ‑ Anatomia. 2. Anatomia veterinária ‑ Atlas. I. Done, Stanley H. II. Título. 11‑7882.

CDD: 636.1 CDU: 636.1:611


Revisão Científica e Tradução Revisão Científica Caio Biasi (Caps. 3 a 9 e Índice) Professor de Anatomia Veterinária da Universidade Bandeirante de São Paulo – UNIBAN, da Universidade Paulista – UNIP e da Universidade de Sorocaba – UNISO

Francisco Javier Hernandez Blazquez (Caps. 1 e 2) Universidade de São Paulo Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia

Tradução Marcelo Fernandes de Souza Castro Mestre em Anatomia Veterinária pela USP (doutorando) Professor de Anatomia Descritiva dos Animais Domésticos da UNIP (Campinas, São José dos Campos e São Paulo) Professor de Anatomia Topográfica Veterinária da UNIP (Campinas, São José dos Campos e São Paulo)

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Agradecimentos As dissecações e fotografias utilizadas neste livro foram realizadas no Royal Veterinary College, University of London. Somos muito gratos ao Departa­ mento de Anatomia pelo fornecimento das instalações especializadas, sem as quais este trabalho não teria sido possível. Gostaríamos de agradecer especialmente a Stephen W. Barnett, BA, MIST, antigo Chefe de Técnicas Anatômicas, pelo aconselhamento e assistência. A tarefa de preparar e cuidar­ dos espécimes antes e durante as dissecações foi realizada por Douglas Ho‑ pkins e Andrew Crook. As fotografias para as Figs. 8.31‑8.35 foram reali‑ zadas por Alan Coombs (Departamento de Anatomia Veterinária, Univer‑ sity of Bristol) e aquelas para as Figs. 8.48‑8.53 foram efetuadas por Malcolm Parsons (Departamento de Cirurgia Veterinária, University of Bristol).

A ideia de produzir um atlas de anatomia dos equinos foi baseada em nosso programa docente anual de dissecação equina. E somos muito agra‑ decidos ao editor do projeto, aos diagramadores e ilustradores por seu tra‑ balho árduo e por manterem conosco o seu otimismo e entusiasmo. Lizza Baines forneceu as radiografias para esta nova edição com a Elsevier, e nós somos gratos por seu auxílio em todos os aspectos do novo capítulo sobre a imagem radiográfica. Londres 2011 RRA SD

Bibliografia Vários artigos originais foram consultados durante a realização desta obra, mas nossas pesquisas foram baseadas, principalmente, em diversos li‑ vros‑textos de Anatomia. Gostaríamos de reconhecer a nossa dívida espe‑ cialmente com os relacionados a seguir, os quais foram nossa companhia constante durante a preparação dos espécimes e do texto. Berg R (1973) Angewandete und topographische Anatomie der Haustiere. Jena: Fisher. Bradley O C, Grahame T (1946) The Topographical Anatomy of the Limbs­ of the Horse. 2nd Edn. Edinburgh: Green & Son Ltd. Bradley O C, Grahame T (1946) The Topographical Anatomy of the Thorax and Abdomen of the Horse. 2nd Edn. Edinburgh: Green & Son Ltd. Bradley O C, Grahame T (1946) The Topographical Anatomy of the Head and Neck of the Horse. 2nd Edn. Edinburgh: Green & Son Ltd. Butler J, Colles C, Dyson S, Kold S, Poules P (2008) Clinical radiology of the horse, 3rd Edn. Chichester‑Oxford: Wiley‑Blackwell. Calderon W F (n.d.) Animal Painting and Anatomy. London: Seeley Service. Chauveau A, Arloing S, Lesbre F‑X (1903) Traité d’Anatomie Comparée des Animaux Domestiques. 5e édition. Paris: Baillière‑Tindall. Dittrich H, Ellenberger W, Baum H (1907) The Horse. A Pictorial Guide to its Anatomy. Translated by Sisson S. London: Fisher Unwin. Leipsic:­Die‑ terich. Ellenberger W, Baum H (1943) Handbuch der vergleichenden Anatomie der Haustiere. 18th Edn. Edited by Zeitzschmann O, Ackernecht E & Grau H. Berlin: Springer‑Verlag. Field E J, Harrison R J (1968) Anatomical Terms. Their origin and derivation. 3rd Edn. Cambridge: Heffer. Ghoshal N G, Koch T, Popesko P (1981) The Venous Drainage of the Domestic Animals. Philadelphia: W.B. Saunders Company. Goubaux A, Barrier G (1892) The Exterior of the Horse. Translated and edi‑ ted by Harger SJJ. Philadelphia: J.B. Lippincott Co. Habel R E (1973) Applied Veterinary Anatomy. Ithaca: Habel. Hayes M H (1903) Veterinary notes for horse owners. 6th Edn. London: Hurst, Blackett (54 good photographs of the teeth of horses of known ages [birth to 42 years] in Ch. 33, which is not included in earlier Edns). Hayes M H (1952) Points of the Horse. 6th Edn. Edited by Brooke G & San‑ ders M. London: Hurst, Blackett. International Committee on Veterinary Anatomical Nomenclature, World Association of Veterinary Anatomists (1992). Nomina Anatomica Veterinaria. 4th Edn. Gent: International Committee on Veterinary Gross Ana‑ tomical Nomenclature. Kovács G (1963) The Equine Tarsus, Topographic and Radiographic Anatomy. Translated by McKay P. Budapest: Akademiai Kiadó. Lydekker R (1912) The Horse and its Relatives. London: Allen. iv

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Apresentação Este livro é voltado para estudantes de veterinária e cirurgiões veterinários. Aspectos importantes de anatomia topográfica são apresentados em uma série de fotografias coloridas de dissecações detalhadas. Os componentes anatômicos são identificados em desenhos coloridos que acompanham as fotografias, e a nomenclatura é baseada na Nomina Anatomica Veterinaria (2005). Os termos em latim são usados para músculos, artérias, veias, lin‑ fáticos e nervos, mas termos habituais no Brasil e anglicismos também são utilizados para muitos outros componentes. Quando necessário, a infor‑ mação precisa para a interpretação das fotografias é oferecida nos capítu‑ los. Cada seção começa com fotografias de figuras da superfície da região, realizadas antes da dissecação, e com fotografias complementares de um esqueleto equino articulado que ilustram as características ósseas palpáveis importantes desta região. As dissecações e as fotografias foram especial‑ mente preparadas para este livro. Os cavalos usados neste trabalho eram de várias idades e raças (dois garanhões, um macho castrado, três éguas e alguns potros recém‑nascidos). Os espécimes foram fixados, na maior parte, em posição anatômica de estação, utilizando‑se os métodos de rotina empregados no Departamen‑ to de Anatomia do Royal Veterinary College. Todos os esforços foram feitos para assegurar que a posição final correspondesse ao nível normal de estação. Em quatro casos, o neoprene látex vermelho foi injetado nas

artérias e o neoprene látex azul também foi injetado nas veias da fêmea gestante. As dissecações seguiram o padrão de procedimentos de disse‑ cação utilizados pelos professores no Royal Veterinary College por mui‑ tos anos. O objetivo dessas dissecações e fotografias é revelar a topografia do animal, como ela seria apresentada ao cirurgião veterinário durante o exa‑ me clínico de rotina. Assim, as vistas laterais predominam, e nós tentamos, o máximo possível, evitar fotografias de partes removidas do corpo ou usar vistas de ângulos incomuns ou de posições corporais incomuns. É nossa determinação assegurar que este livro seja capaz de auxiliar os estudantes e cirurgiões veterinários a ver, sob a superfície externa dos animais levados aos seus cuidados, os músculos, ossos, vasos, nervos e vísceras que fazem parte de cada região do corpo e de cada sistema orgânico. Uma significativa diferença entre esta e a edição anterior é a adição de radiografias e tomografias, que foram colocadas em um novo capítulo no final do livro. Uma segunda grande diferença é a inclusão de notas clí‑ nicas no início de cada capítulo principal. Essas notas evidenciam as áreas anatômicas, que são de significado clínico específico. Nós percebemos que essas adições ao livro acrescentaram considerá‑ vel interesse por sua utilização, especialmente por parte dos aspirantes à cirurgia veterinária.

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Introdução A extensão do currículo veterinário está em contínua expansão, e muitas disciplinas se desenvolvem profundamente, embora a duração total do cur‑ so seja constante. Como resultado disso, há uma pressão para se alocar cada vez menos tempo para algumas disciplinas, das quais a Anatomia é um exemplo importante. Além disso, nos departamentos de Anatomia, o desejo de enfatizar mais os aspectos funcionais e aplicados da disciplina, a anatomia radiológica e a teratologia faz com que seja cada vez mais di‑ fícil alocar tempo necessário para a dissecação individual de cada espécie por cada estudante. Uma solução óbvia para esse problema é confiar mais e mais nas dissecações preparadas para o ensino da anatomia topográfica. Isso poupa muito tempo do estudante, mas existem grandes desvantagens. Primeiramente, o estudante perde a oportunidade de adquirir habilidades manuais e é incapaz de ver e sentir os componentes anatômicos conforme eles são progressivamente revelados pelo bisturi e pelas tesouras. Em se‑ gundo lugar, significa que o estudante deve dominar, rápida e sucessiva‑ mente, as complexidades que, certamente, eram mais bem compreendidas pelos métodos tranquilos de 40 anos atrás. Nada pode compensar comple‑ tamente a falta da dissecação individual para um profissional experiente, suplementada pelo inteligente uso de métodos gráficos para armazenar o progresso de seu trabalho. Entretanto, a nossa experiência de muitos anos no Royal Veterinary College nos convenceu de que o trabalho de um ana‑ tomista qualificado, analisado com cuidado e critério, gravado e anotado, pode ser mais útil do que as dissecações individuais em animais de grande porte, realizadas precipitadamente por um grupo de estudantes inexperientes.­ Um problema no ensino da anatomia topográfica de espécimes pre‑ parados é a dificuldade de oferecer, para os acadêmicos, material prepara‑ do suficientemente qualificado da ampla gama dos estágios de dissecação de regiões específicas. Esperamos sinceramente que este atlas fotográfico de dissecações ajude a compensar essa deficiência dos espécimes prepa‑ rados. Para aqueles estudantes que têm a capacidade de efetuar as suas próprias dissecações detalhadas, este atlas oferecerá um registro perma‑ nente do que eles observaram, ou deveriam ter visto, durante cada estágio (frequentemente transitório) da dissecação. A sequência de dissecações apresentadas neste volume é uma versão expandida da utilizada por nós na série de 20 sessões de 3 horas na anato‑ mia topográfica do cavalo. Cada estágio de trabalho foi fotografado com o intuito de mostrar mais estágios de cada ampla dissecação do que pode‑ ria ser apresentado em nossas demonstrações práticas em aula. Esperamos que isso possa compensar a perda do aspecto tridimensional, que é inevi‑ tável nas fotografias de dissecações. Nós tentamos apresentar a progressão das dissecações exigidas conforme elas ocorriam. Nos casos em que o espécime estava fora do padrão ou em que não alcançamos plenamente o sucesso para a demonstração de todos os componentes anatômicos como planejado, nós não o substituímos por um espécime diferente na sequência; isso teria partido o “fio da narrativa”. Ocasionalmente, em nome da clareza,­

revertemos as fotografias das dissecações feitas por um antímero, de modo que se adequassem prontamente à sequência principal, mas, quando isso foi realizado, ficou claramente indicado nas legendas. Em todos os locais de dissecação, ocasionalmente, foram montadas vantajosas demonstrações extras. Em algumas regiões, fizemos isso para avaliar uma diferença de procedimentos de dissecação ou um espécime diferente. Os estudantes devem ter cuidado ao lidar com esses extras como se fossem opcionais ou complicações desnecessárias – pois, frequentemente, eles são de impor‑ tância considerável. Um comentário é necessário sobre a técnica de dissecação mostrada nestas fotografias. Em várias instâncias não removemos todo o tecido con‑ juntivo dos componentes anatômicos que estão sendo expostos. Em disse‑ cações ‘completas’ frequentemente é impossível preservar acuradamente a relação topográfica original de vasos e nervos. Além disso, cada disse‑ cação estimula o estudante a pensar que os desenhos de livros‑textos são reais e que tecido adiposo, fáscias e tecidos areolares não devem existir. Tentamos fazer com que as fotografias representassem os componentes como eles realmente aparecem durante o curso de uma dissecação real. Não é nosso objetivo, como professores de Anatomia Veterinária, es‑ timular os estudantes a se afastar dos laboratórios de dissecação, longe dos espécimes e mantê‑losnos conforto das carteiras em seu estudo da prática da anatomia topográfica. Em vez disso, tentamos oferecer um atlas com o qual eles possam ampliar seu estudo individual das dissecações do cavalo no período em que as dissecações não puderem ser avaliadas. Este não é um atlas de anatomia veterinária aplicada, mas destinado a estudantes de veterinária; considerável ênfase é oferecida àquelas regiões e àqueles componentes anatômicos que parecem importantes para o mé‑ dico veterinário. Sempre que possível, as fotografias foram realizadas para prover as informações sobre o animal conforme ele é observado em um exame clínico de rotina – outras vistas foram utilizadas apenas ocasional‑ mente, mesmo sendo elas algumas vezes mais informativas de um ponto de vista estritamente anatômico. Espera‑se que os estudantes de clínica e os médicos veterinários possam considerar este conhecimento de grande valia no exame, diagnóstico e tratamento do animal em estação. O pesqui‑ sador também pode encontrar algo relacionado aos seus questionamentos de anatomia topográfica, sendo iluminado por estas fotografias de disse‑ cações. Sabemos que suas necessidades são diversas e imprevisíveis e fi‑ zemos nosso trabalho de várias séries de dissecações, tão completas quan‑ to possível, com isso em mente. Radiografias e tomografias foram adicionadas a esta nova edição na esperança de trazerem uma introdução útil para um aspecto progressiva‑ mente importante da anatomia veterinária. RRA SD

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Sumário

1 2 3 4 5

Cabeça (incluindo a pele)

Colo (pescoço)

Membro Torácico

Tórax

Abdome

1

55

73

109

6 7 8 9

Membro Pélvico (Pelvino)

Mão e Pé (extremidades distais)

185

225

Pelve (incluindo a coluna espinal) 269

Diagnóstico por imagem de cabeça, colo, mão e pé

325

143 Índice

345

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3.  MEMBRO TORÁCICO

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Importância clínica do membro torácico

3 Atlas Colorido de Anatomia Veterinária de Equinos

O potro cresce rapidamente, especialmente do nascimento até a 10ª sema‑ na de idade. A fusão das placas de crescimento nos ossos dos membros oferece uma estimativa da idade aproximada do cavalo jovem. Raças leves tendem a ter a fusão mais cedo do que as raças pesadas. A placa de cres‑ cimento proximal do úmero se fecha entre 24‑42 meses de idade, e a pla‑ ca distal entre 12‑24 meses de idade. No rádio, a fusão das placas de cres‑ cimento proximal se dá entre 12‑24 meses de idade, e a placa distal, aos 24 meses (ela tem um crescimento contínuo pelas primeiras 60 semanas de vida). A fusão da placa de crescimento ulnar ocorre por volta de 24‑36 meses. A placa de crescimento proximal do III metacárpico está fundida ao nascimento, assim como estão as placas de crescimento distais das fa‑ langes proximal e média. A placa de crescimento distal do III metacárpico se funde aos 6‑9 meses, e as placas proximais das falanges, proximal e média, fusionam por volta de 6‑12 meses. No cavalo jovem pode haver anormalidades de conformação, e se houver anomalias de angulação dos ossos, elas são mais bem diagnostica‑ das por volta de 70 dias de idade. Elas são vistas normalmente como mem‑ bros arqueados, com deformidades flexurais e contráteis. O cavalo jovem também pode sofrer pela osteocondrose dissecante no ombro e no cúbito (cotovelo), e isso pode ser unilateral ou bilateral. Cistos ósseos subcondrais também podem afetar os cavalos jovens. Os membros dos equinos frequentemente estão sujeitos ao traumatis‑ mo, especialmente o membro torácico. Não é fácil separar os componentes que podem estar envolvidos no complexo da claudicação. É importante localizar o(s) local (is) do proble‑ ma e caracterizar a natureza das alterações patológicas. Isso requer uma boa história (anamnese), uma completa inspeção, um exame físico com‑ pleto, o qual inclui palpação e manipulação, e, posteriormente, uma ava‑ liação detalhada. O exame clínico irá revelar deformidades, edemas ou espessamentos, lesões de pele e atrofia muscular. A palpação detecta calor e dor, bem como o local preciso e a consis‑ tência do inchaço. A dor superficial normalmente é testada por pressões da pele, e a dor profunda é testada pelo uso de aparelhos de avaliação da úngula, por flexão do membro ou palpação digital profunda. Analgesia é utilizada para as articulações e também para o bloqueio nervoso diagnós‑ tico. Em doenças crônicas, a analgesia induzida pode não bloquear com‑ pletamente para o diagnóstico das lesões. Se mais de um local ou ambos os membros estiverem envolvidos, pode ser mesmo mais difícil. Após o uso da analgesia nos nervos na parte proximal dos membros, podem ocor‑ rer perda da função motora e passos em falso. A manipulação das articu‑ lações permite a avaliação do movimento e detecta restrições, instabilida‑ des, dor e crepitação. Anormalidades da locomoção podem ser detectadas. Esses resultados podem, então, receber investigação adicional pelas técni‑ cas avaliáveis, como as radiológicas, ultrassonográficas, cintilográficas, imagem por ressonância magnética, tomografia computadorizada e uso de anestesia regional e bloqueios nervosos específicos para localizar a área da claudicação. Existem vários tipos de fraturas. A direção e a localização das linhas de fratura em um único osso podem ter um significativo efeito sobre a pos‑ sibilidade de reparo. O deslocamento relativo das partes fraturadas também é importante. Em alguns casos, a fratura é incompleta. Ela pode ser estável ou instável, mas provavelmente as características mais importantes são se a fratura é aberta ou fechada, pois as fraturas abertas quase invariavelmen‑ te são infectadas. O tratamento de fraturas isoladas está além da nossa re‑ dução, mas as fraturas dos ossos proximais dos membros são difíceis, frequentemente impossíveis de reparar, e as fraturas distais dos membros são mais acessíveis. Em todos os casos de fraturas recentes há uma clau‑ dicação aguda, que evolui continuamente, mas o fato de que todos eles exigem formação de um calo, seguido por subsequente remodelagem, nun‑

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ca mudará. A recuperação anestésica e os cuidados com essas fraturas após reparo cirúrgico são os aspectos mais cruciais para a ortopedia equina. A escápula (com quatro centros de ossificação) não é facilmente fra‑ turada, mas o túber da espinha da escápula pode ser fraturado, e a super‑ fície articular da cavidade glenóidea pode ser acometida. A parte proximal do úmero tem três centros de ossificação, os quais se fundem com cerca de 3‑5 meses de idade; a parte distal tem dois centros de ossificação. O úmero também não é fraturado comumente, assim como a escápula, por ele estar protegido por uma forte musculatura, mas todos os outros ossos do membro torácico estão mais expostos. Um rádio fraturado requer uma bandagem Robert Jones para prevenir a adução. Fraturas da ulna frequentemente envolvem a superfície articular da incisura troclear. Esse problema e a separação do olécrano (também não raramente seguida de falha ou por um coice de outro cavalo) ambos são vistos como “cotovelo caído”, porque o músculo tríceps se torna incapaz de preveni‑lo. Fraturas do osso carpo acessório e fraturas em fragmentos do carpo podem causar lesões da bainha do carpo. As atividades dos cavalos predispõem a uma ampla variedade de le‑ sões articulares, frequentemente associadas a alto estresse, resultante de galope ou salto. Existe uma variedade de doenças articulares, incluindo sinovite idiopática, artrite traumática e osteoartrite. A osteoartrite pode ser primária ou secundária seguida de rupturas mecânicas e inflamação me‑ diada por citocinas (anticorpos associados, danos pelos radicais livres, ou danos enzimáticos). O sinal inicial é quase sempre um resultado de acú‑ mulo de fluido extra na articulação e aparece como um edema de tecidos moles ao redor da articulação. Muitas das articulações com grande mobi‑ lidade têm uma cápsula articular ampla pela qual o fluido é facilmente aspirado, mas articulações de pouco movimento, como aquelas do carpo, são muito mais difíceis de aspirar. Esses componentes sinoviais também podem ser afetados por lesões focais externas. Muito frequentemente há um pequeno ferimento, seguido de edema após 2‑3 dias, por sua vez seguido por vazamento de líquido si‑ novial pela articulação. As articulações também são afetadas por contami‑ nação de microrganismos por via hematógena (particularmente em potros), penetração local, ou extensão local dos componentes periarticulares. Artrocentese seguida por medicação intra‑articular comumente é fei‑ ta quando se está diagnosticando ou tratando doenças articulares. A aná‑ lise do fluido sinovial auxilia na interpretação de alterações articulares e é de grande importância em cavalos com artrite séptica. Tal análise requer acesso visual, exame do volume de proteínas totais, células inflamatórias e uma análise citológica. A articulação do ombro pode mostrar luxação ou subluxação, parti‑ cularmente se ocorrer relaxamento dos ligamentos da articulação e dos tendões dos músculos. A analgesia intra‑articular da articulação do ombro necessita de um acesso entre as partes cranial e caudal do tubérculo maior do úmero, com a agulha em uma direção horizontal ligeiramente caudo‑ medial, para penetrar na cavidade sinovial. A articulação do cúbito (cotovelo) é muito ampla e frequentemente está acometida por artrite séptica. O higroma de codilho é uma bolsa ad‑ quirida na ponta do cúbito. A analgesia intra‑articular dessa articulação é possível. O epicôndilo lateral do úmero e a tuberosidade lateral do rádio são palpáveis, e a agulha é inserida entre eles, cranial ou caudalmente ao ligamento colateral lateral, em direção horizontal, aprofundando‑se de 4‑5 cm. Doenças envolvendo as articulações do carpo são muito comuns. Exis‑ tem 7 ou 8 ossos no carpo. A fileira proximal do carpo tem os ossos cár‑ picos radial, intermédio, ulnar e acessório. A fileira distal tem os cárpicos II, III, IV e, algumas vezes, o I. Existem aproximadamente 26‑27 articu‑ lações separadas entre esses ossos. Essencialmente, existem três articula‑ ções – a antebraquiocárpica, a qual rotaciona e desliza; a intercárpica, que


do músculo flexor digital profundo se protrai dentro da bainha proximal‑ mente e está inserida no aspecto dorsomedial do tendão flexor digital pro‑ fundo, aproximadamente 2 cm proximal ao osso acessório do carpo. A meio caminho entre o recesso proximal da bainha e o osso carpo acessório, caudal à parte distal do rádio, a bainha se estende lateral e medialmente para o tendão do músculo flexor digital profundo. Lesões dos nervos do membro torácico geralmente são causadas por traumatismo pelas atividades normais ou por agressão de outro cavalo. Danos do nervo supraescapular, o qual é motor para os músculos supraes‑ pinal e infraespinal, resultam no “ombro caído”. A atrofia dos músculos do ombro pode levar 18 meses para ser resolvida. Danos do nervo radial podem acompanhar as fraturas do úmero. A perda da inervação para os tendões extensores dos dedos causa um cúbito caído e incapacidade para sustentação, resultando em longos períodos de decúbito lateral. Lesões dos nervos ulnar e mediano podem levar à carên‑ cia da sensibilidade da pele palmar do metacarpo e de palmar a dorsodistal da região digital. Analgesia do antebraço pode ser realizada pelo bloqueio do nervo mediano, 5 cm distal à articulação do cúbito, onde o nervo corre pela face caudal do rádio. O nervo ulnar é bloqueado 10 cm proximal ao osso carpo acessório, em um sulco entre os músculos flexor carpoulnar e extensor carpoulnar (ulnar lateral). Danos do nervo musculocutâneo resultam em uma inabilidade para flexionar o cúbito, por não haver efetiva inervação para os músculos bíceps do braço, coracobraquial e braquial. Há também perda da sensibilidade sobre o aspecto dorsomedial do membro, desde o carpo até a extremidade. O nervo pode ser bloqueado subcutaneamente em cada lado da veia cefá‑ lica, aproximadamente na metade da distância entre o carpo e o cúbito, para anestesiar ambos os ramos, cranial e caudal, dos nervos metacárpicos. O nervo axilar pode ser lesionado, o que resulta em flexão reduzida do ombro e instabilidade lateral da articulação do ombro, por não haver efetiva inervação dos músculos deltoide, redondo maior e redondo menor.

3 Membro Torácico

é uma articulação de dobradiça simples; e a carpometacárpica, que apre‑ senta pouco movimento. A analgesia intra‑articular das articulações do carpo é possível com uma técnica diagnóstica. Com o membro fixado em uma posição flexio‑ nada, o local da injeção é facilmente palpável. A articulação radiocárpica é acessada pela localização da depressão entre o rádio e a fileira proximal dos ossos do carpo. Para a intercárpica, a depressão está entre as fileiras proximal e distal dos ossos do carpo. Para ambas as articulações, a agulha é inserida medial ao tendão do músculo extensor carporradial ou entre este e o tendão do extensor digital comum. Músculos e tendões, com seus componentes associados, são comu‑ mente alvo de lesões em qualquer tipo de atividade do cavalo. As rupturas do extensor digital comum, normalmente na bainha sobre o aspecto lateral do carpo, podem ocorrer em potros com contratura cárpica. A cápsula fi‑ brosa palmar da articulação do carpo é densa e intimamente associada ao aspecto palmar dos ossos do carpo formando a parede dorsal do canal do carpo. Ela se continua distalmente para formar a cabeça acessória do ten‑ dão do músculo flexor digital profundo (ligamento acessório ou check in‑ ferior). A fáscia cárpica sobre a face palmar da região cárpica forma o retináculo dos flexores (ligamento cárpico transverso) entre a margem pal‑ mar livre do osso carpo acessório e o aspecto medial do carpo. Isso com‑ plementa o arco cárpico, o qual contém os tendões do flexor digital super‑ ficial e o flexor digital profundo. As lesões da bainha tendínea flexora do carpo são menos comuns do que os problemas das bainhas dos tendões flexores digitais, mas podem ser uma causa grave de claudicação. Elas frequentemente resultam de fraturas dos ossos do carpo. As bainhas ten‑ díneas se estendem de 4‑8 cm proximais ao osso carpo acessório a 5‑10 cm distais dos ossos do carpo. A bainha proximal é caudal à parte distal do rádio e cranial ao tendão do flexor digital profundo. O ligamento aces‑ sório do tendão do flexor digital superficial (ligamento radial ou check superior) forma parte da parede medial da bainha. A curta cabeça radial

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espaço interescapular ou cernelha (processos espinhosos de T4, 5 e 6) escápula: margem dorsal da cartilagem ângulo cranial ângulo caudal margem cranial espinha

Atlas Colorido de Anatomia Veterinária de Equinos

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processos transversos das vértebras cervicais úmero: partes cranial e caudal do tubérculo maior tuberosidade deltoide posição do vórtice de pelos divergentes olécrano da ulna epicôndilo lateral do úmero tuberosidade lateral do rádio

Fig. 3.1  Características superficiais das regiões escapular e braquial: vista lateral esquerda.  A pele sobre as proeminências ósseas palpáveis recebeu tricotomia. A margem cranial da escápula está coberta pelos músculos subclávio e supraespinal e não é facilmente palpável. O acrômio é pequeno ou está ausente no cavalo e nunca é palpável. O vórtice de pelos divergentes situado logo caudalmente ao úmero é facilmente visualizado, mas não aparece bem nesta vista lateral.

Fig. 3.2  Ossos do membro torácico. Regiões escapular e braquial: vista lateral esquerda. As proeminências ósseas palpáveis mostradas na Figura 3.1 foram coloridas de vermelho. A margem palpável da cartilagem da escápula está indicada por um arame vermelho. As extremidades dos processos espinhosos na região interescapular não foram coloridas.

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partes cranial e caudal do tubérculo maior do úmero

3 Membro Torácico

tuberosidade deltoide posição do vórtice de pelos divergentes olécrano da ulna epicôndilo lateral do úmero tuberosidade lateral do rádio processo estilóideo lateral do rádio posição da articulação radiocárpica osso carpo acessório extremidade proximal do osso IV metacárpico

Fig. 3.3  Características superficiais das regiões braquial, antebraquial e do carpo: vista lateral esquerda.  A pele sobre as proeminências ósseas palpáveis sofreu tricotomia. Os componentes superficiais da mão e a localização do toro do carpo (castanha) sobre a face medial do membro na parte distal do antebraço estão mostrados nas Figuras 7.1, 7.3, 7.5 e 7.7. A proeminência lateral sobre a extremidade distal do rádio é normalmente chamada de processo estilóideo lateral, mas está parcialmente na metáfise.

Fig. 3.4  Ossos do membro torácico. Regiões braquial, antebraquial e do carpo: vista lateral esquerda.  As proeminências ósseas palpáveis mostradas na Figura 3.3 foram coloridas de vermelho. O processo articular situado logo distalmente à proeminência marcada na metáfise do rádio é o então designado “processo estilóideo lateral do rádio”: ele é, na verdade, a epífise distal da ulna e se articula com o osso carpo ulnar.

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crista cervical

Atlas Colorido de Anatomia Veterinária de Equinos

3

fáscia superficial (margem seccionada)

espinha da escápula m. trapézio parte torácica parte cervical

fáscia superficial (margem seccionada)

m. cutâneo do tronco

tubérculo maior do úmero

m. cutâneo omobraquial

tuberosidade deltoide do úmero

m. tríceps do braço

fáscia braquial

fáscia superficial (margem seccionada)

olécrano

Fig. 3.5  Músculos cutâneos das regiões escapular e braquial: vista lateral esquerda.  A fáscia superficial, na qual repousa o músculo cutâneo, foi aberta dorsal e ventralmente para mostrar os músculos envoltos por ela. Esses músculos estão mais visíveis na Figura 3.6.

m. trapézio: parte cervical parte torácica rr. cutâneos dorsais laterais dos nn. espinais: VIII C IT m. serrátil ventral da cérvice m. subclávio m. supraespinal lnn. cervicais superficiais m. omotransversário m. omoióideo a. carótida comum v. jugular externa n. supraclavicular (VI C) m. cleidocefálico tubérculo maior do úmero n. cutâneo lateral do braço (n. axilar) m. cleidobraquial m. tríceps do braço (cabeça lateral) m. peitoral descendente

espinha da escápula rr. cutâneos dorsais laterais dos nn. torácicos m. grande dorsal m. infraespinal aponeurose do m. deltoide m. tensor da fáscia do antebraço m. deltoide m. serrátil ventral do tórax m. tríceps do braço (cabeça longa) n. intercostobraquial fáscia profunda cobrindo o m. oblíquo externo do abdome m. cutâneo do tronco v. torácica superficial olécrano m. cutâneo omobraquial na fáscia superficial v. cefálica

Fig. 3.6  Componentes superficiais das regiões escapular e braquial: vista lateral esquerda (1).  A fáscia superficial e os músculos cutâneos foram removidos. Durante a dissecação prévia do colo (pescoço) (Cap. 2), os músculos omotransversário e braquiocefálico (mostrados intactos nas Figs. 2.3 e 2.4) foram seccionados (Fig. 2.7). 78


m. rombóideo da cérvice

parte torácica do m. trapézio

m. esplênio

3

m. subclávio m. deltoide m. iliocostal da cérvice

Membro Torácico

escápula: ângulo cranial cartilagem ângulo caudal m. serrátil ventral do tórax

m. serrátil ventral da cérvice

espinha da escápula m. supraespinal

m. omoióideo v. jugular externa

m. infraespinal m. omotransversário m. grande dorsal (seccionado)

m. esternotireóideo tubérculo maior do úmero

fáscia profunda cobrindo o m. oblíquo externo do abdome m. cutâneo do tronco

m. cleidocefálico m. esternocefálico m. tríceps do braço: cabeça longa cabeça lateral

m. tensor da fáscia do antebraço

m. peitoral descendente

v. torácica superficial m. peitoral ascendente

n. cutâneo lateral do antebraço (n. radial)

m. cutâneo omobraquial

Fig. 3.7  Componentes superficiais das regiões escapular e braquial: vista lateral esquerda (2).  A parte cervical do músculo trapézio foi removida e o grande dorsal dissecado para mostrar a inserção escapular das partes cervical e torácica do músculo serrátil ventral. A extensão completa deste músculo será vista quando a escápula for removida (Fig. 3.10). Fig. 3.8  Componentes axilares antes da remoção do membro torácico esquerdo: vista dorsal.  Os músculos trapézio, rombóideo e serrátil ventral foram seccionados, a escápula foi abduzida e por cima observa‑se a saída do plexo braquial entre as duas partes do músculo escaleno. A Figura 3.9 mostra um estágio adicional desta dissecação da axila.

m. escaleno: dorsal ventral emergência do plexo braquial n. musculocutâneo n. supraescapular a. e v. supraescapular n. subescapular membro torácico esquerdo

m. serrátil ventral do tórax (margem seccionada) n. mediano n. torácico lateral n. toracodorsal n. radial nn. peitorais caudais n. axilar

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Fig. 3.9  Componentes axilares antes da remoção do membro torácico esquerdo: vista caudal.  O membro torácico foi abduzido agora para se avaliar mais completamente a axila. Os nervos e vasos sanguíneos da axila foram dissecados para revelar suas relações topográficas. Detalhes adicionais do tronco e membro estão mostrados nas Figuras 3.10 e 3.15.

Atlas Colorido de Anatomia Veterinária de Equinos

3

m. serrátil ventral da cérvice m. escaleno ventral

n. supraescapular

m. serrátil ventral do tórax

n. subescapular

n. mediano e n. musculocutâneo

n. toracodorsal m. subclávio

n. axilar

parte torácica e cervical do m. serrátil ventral

a. axilar v. axilar

a. e v. supraescapular

n. radial

m. subescapular

nn. peitorais caudais lnn. axilares

m. grande dorsal

n. torácico lateral m. redondo maior

gradil costal

a. e v. subescapular

m. peitoral ascendente v. torácica superficial

m. cutâneo do tronco a. e v. toracodorsal

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Fig. 3.10  Músculos peitoral e serrátil ventral após remoção do membro torácico: vista lateral esquerda.  Os músculos peitorais, rombóideo, trapézio e serrátil ventral foram incisados para remover o membro torácico. Os nervos do plexo braquial não estão arranjados para mostrar a disposição antes da remoção do membro. Entretanto, isso é visto na Figura 3.48.

3 Membro Torácico

m. rombóideo do tórax m. rombóideo da cérvice

margem seccionada do m. trapézio (parte torácica)

m. esplênio m. longuíssimo do tórax

partes profunda, média e superficial do ligamento dorsoescapular

m. serrátil ventral: da cérvice do tórax m. iliocostal da cérvice

m. serrátil dorsal cranial m. iliocostal do tórax mm. intercostais externos n. torácico longo

m. escaleno ventral n. frênico (do VI C) a. carótida comum lnn. cervicais profundos caudais m. esternotireoióideo v. jugular externa

m. escaleno dorsal plexo braquial n. toracodorsal n. torácico lateral parte tendínea superficial do m. serrátil ventral do tórax

lnn. cervicais superficiais

nn. peitorais caudais

r. deltóideo da a. cervical superficial

m. serrátil ventral do tórax interdigitado com o m. oblíquo externo do abdome (seccionado)

m. subclávio v. cefálica

a. e v. axilar a. torácica externa

m. peitoral descendente

m. reto do tórax m. peitoral ascendente

m. peitoral transverso

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m. peitoral descendente

3 Atlas Colorido de Anatomia Veterinária de Equinos

m. peitoral ascendente

m. bíceps do braço m. peitoral transverso v. cefálica m. flexor carporradial rádio m. extensor carporradial rádio: processo estilóideo medial processo estilóideo lateral

m. tríceps do braço (cabeça lateral) m. cleidobraquial n. cutâneo lateral do antebraço (n. radial) n. cutâneo cranial do antebraço (n. axilar) n. cutâneo medial do antebraço (n. musculocutâneo) m. extensor carporradial m. extensor digital comum v. cefálica acessória r. dorsal do carpo da v. cefálica acessória tuberosidade do III metacárpico

Fig. 3.11  Componentes superficiais do antebraço e do carpo esquerdos: vista cranial.  O membro foi removido do tronco. A pele e a fáscia superficial foram removidas para mostrar os vasos e nervos superficiais, mas os músculos do antebraço ainda estão revestidos pela forte fáscia antebraquial. O espécime neste estágio da dissecação também é avaliado nas Figuras 3.12‑3.14. n. cutâneo cranial do antebraço (n. axilar) m. omotransversário m. cleidobraquial m. braquial v. cefálica n. cutâneo lateral do antebraço (n. radial) m. extensor carporradial tuberosidade lateral do rádio m. extensor digital comum m. abdutor longo do I dígito (extensor oblíquo do carpo) m. extensor carporradial m. extensor digital comum rede dorsal do carpo

m. tríceps do braço: cabeça longa cabeça lateral m. cutâneo do tronco v. torácica superficial m. peitoral ascendente olécrano m. flexor digital profundo (cabeça ulnar) n. cutâneo caudal do antebraço (n. ulnar) m. extensor carpoulnar m. extensor digital lateral a. interóssea cranial osso carpo acessório r. dorsal do n. ulnar

Fig. 3.12  Componentes superficiais do antebraço e do carpo esquerdos: vista lateral.  O espécime está no mesmo estágio de dissecação mostrado nas Figuras 3.11, 3.13 e 3.14. 82


8.  PELVE (INCLUINDO A COLUNA ESPINAL) Importância clínica da pelve A claudicação associada à pelve pode ser investigada por exames clínicos, ultrassonografia, cintilografia, radiologia no cavalo jovem, anestesia local e bloqueio de nervos. A pelve tem uma função muito importante, provi‑ denciando a conexão entre a coluna espinal (pelo apoio) e o membro pél‑ vico (pelvino) (pela propulsão). Às vezes, a pelve pode estar sustentando todo o peso do cavalo. Ela transfere todo esforço propulsivo mas, por cau‑ sa dos fortes ligamentos e das conexões musculares, tem seu movimento muito limitado. Ela é continuamente submetida a forças não compressivas. Pode‑se dizer que os ligamentos sacroilíacos e a articulação sacroilíaca são submetidos às forças que mais causam rompimento, se comparadas a todo aparelho locomotor. A pelve dá passagem, através do forame isquiático maior, para a artéria e a veia glútea cranial e para os nervos glúteos; tam‑ bém para o singular e mais extenso nervo do corpo do equino, o nervo isquiático. Além disso, o forame obturado dá passagem para os nervos e vasos obturatórios. Fraturas da pelve são relativamente raras, porque a pelve é protegida por grupos musculares muito fortes. Eles “fazem”, entretanto, com que ocorra a fratura em acidentes traumáticos ou podem estar presentes nas fraturas por estresse. Frequentemente o cavalo com uma lesão pélvica pode estar em choque e muito relutante para sustentar o peso ou se mover. Pode haver fraturas da asa e do corpo do ílio, acetábulo, púbis ou ísquio. A fra‑ tura mais comum, provavelmente, é a do túber da coxa. Fraturas pélvicas se apresentam como uma claudicação unilateral ou bilateral muito aguda, de começo repentino, frequentemente após exercício e traumatismo. Os túberes sacrais ou isquiáticos, frequentemente, aparecem com alturas de‑ siguais, quando vistos por trás. A articulação sacroilíaca é clinicamente o componente locomotor mais importante da pelve. Ela é uma articulação do tipo diartrose; tem uma cáp‑ sula articular, delgada e firme, com uma capacidade total de somente 1‑2 mL. Existe cartilagem hialina sobre a face da articulação sacral e fibrocar‑ tilagem sobre a face ilíaca. A aparência das várias articulações sofre va‑ riações consideráveis com a idade e entre os indivíduos. A articulação é estabilizada por três pares de ligamentos sacroilíacos. O ligamento sacroi‑ líaco dorsal é dividido em parte dorsal e parte lateral. Há um ligamento interósseo e também um ligamento ventral. Os animais utilizados em caças e saltos são particularmente afetados por danos nesses ligamentos, o que resulta em dor ‘nas costas’ ou claudicação persistente no membro pélvico (pelvino). As lesões encaixam‑se em dois grupos. Primeiramente, existem as lesões agudas, desmites e luxação/subluxação da articulação. Em se‑ gundo, há lesão crônica em forma de osteoartrite sacroilíaca ou desmite, ou ambas. Ambas são vistas como claudicação no membro pélvico (pel‑

vino) e/ou baixa performance. As lesões agudas resultam de uma queda, de deslizamento, ou de trabalho excessivo, o que geralmente causa hipe‑ restiramento dos ligamentos dorsal e ventral. Algumas vezes, se a articu‑ lação sacroilíaca está particularmente instável, ou oscilante, é possível ver o movimento do túber sacral quando o cavalo afetado se move para a fren‑ te no passo. Lesão sacroilíaca crônica resulta de uso excessivo, traumatis‑ mo e sobrecarga. Há uma alta incidência de 8% a 15% em cavalos de cor‑ ridas. Existe comumente uma história de baixa performance, resistência ao salto, falta de impulsão do membro pélvico (pelvino), mudanças de comportamento e dorso dolorido. O exame da articulação por ultrassono‑ grafia frequentemente revela alterações degenerativas na articulação. Anes‑ tesia da articulação confirmará o foco da claudicação. Para a articulação sacroilíaca direita, uma posição 2 cm cranial ao túber sacral esquerdo, em um ângulo de 45‑60 graus da articulação e logo caudal em direção ao tro‑ cânter maior do fêmur direito, ao longo do aspecto medial da asa do ílio direito, alcançará a articulação, o mesmo pode ser feito para a articulação esquerda. Lesões neurais na cavidade pélvica podem afetar o nervo obtu‑ ratório, que algumas vezes é danificado no parto. Esse nervo inerva os músculos adutor, grácil e pectíneo. Perda da adução do membro pélvico (pelvino) resulta em um desequilíbrio, com incapacidade para manter o membro sob o corpo. Traumatismo dos nervos glúteos cranial e caudal ocorre algumas vezes, com uma atrofia resultante do músculo glúteo‑bíceps (bíceps femoral). ‘Rupturas’ ocorrem quando uma parte do corpo é deslocada através de uma fratura em uma estrutura corpórea. (‘Hérnias são deslocamentos através de aberturas corpóreas naturais’.) Rupturas frequentemente estão associadas a coices, sendo pela metade colocada sobre obstáculo, e aci‑ dentes de trânsito rodoviário. Danos do tendão pré‑púbico, seguidos de ruptura, ocasionalmente são descritos em associação com a presença de potros gêmeos, hidroalantoide ou gigantismo fetal desproporcionado. Rup‑ tura da musculatura abdominal pode ocorrer em seguida a um traumatismo. Hérnia inguinal ou escrotal pode ocorrer em potros (comumente congêni‑ ta), garanhões, ou (raramente) em éguas, ou em cavalos castrados. Um segmento do intestino delgado, ou parte do omento maior, ou ambos, pe‑ netram na túnica vaginal através do ânulo vaginal. Essas partes podem ficar confinadas no ânulo inguinal (hérnia inguinal) ou podem penetrar no escroto (hérnia escrotal). Na hérnia escrotal, o saco hernial compreende a pele do escroto, a túnica dartos e a túnica vaginal do processo vaginal e também contém os testículos e o epidídimo. Se o suprimento sanguíneo para esses conteúdos do saco hernial for afetado (hérnia estrangulada), uma cirurgia é necessária com urgência. O tratamento cirúrgico comumente envolve recolocação do conteúdo abdominal por entrelaçamento da túnica vaginal. O colo torcido do processo é então suturado nas margens do ânu‑ 269


lo inguinal superficial (tendões abdominal e pélvico do músculo oblíquo externo do abdome). A túnica vaginal é incisada, e os testículos e os epi‑ dídimos são removidos. Hérnia femoral (ou ruptura) ocorre através do anel femoral, ao lado da artéria femoral, e é rara, mas pode ser mais comum em fêmeas do que em machos (como nos casos em humanos). Avaliação da pelve por exame retal não é tão fácil no cavalo como no boi, porque o reto é friável e pode ser facilmente rompido. Isso pode ser usado para avaliação de hérnia inguinal e criptorquidismo (não deiscência testicular). Se um garanhão tiver cólica, isso pode ser usado para investigar se há um encarceramento do intestino no canal inguinal em humanos. O ânulo inguinal superficial está localizado 6‑8 cm cranial à eminência ilio‑ púbica no púbis e 10‑12 cm lateral à linha mediana. A região perineal é uma área favorável para a ocorrência de melanoma em cavalos tordilhos. Os tratos genitais de machos e de fêmeas estão associados à região pélvica e serão discutidos aqui. As características intra‑abdominais dos órgãos genitais feminino e masculino podem ser vistas por laparoscopia. O cavalo é um animal que acasala ao longo do dia e é poliéstrico sazonal. O exame do trato genital externo e interno da égua é um importante aspec‑ to da prática da criação de cavalos. O exame vaginal usando espéculo e o exame digital são possíveis. Sangramento vulvar ocorre ocasionalmente. Uma das condições mais incomuns é a pneumovagina (sugar o ar), o que constitui um risco subsequente para infecção bacteriana. Pode haver fibro‑ se e saculações do útero. Ultrassonografia transretal é muito útil na gravi‑ dez, para avaliar os folículos ovarianos e o corpo lúteo, a presença de ová‑ rios pequenos ou hipoplásicos, a presença e a área dos folículos e o estado do útero. É particularmente importante detectar endometrite ou endome‑ triose crônica. O diagnóstico mais importante é a metrite contagiosa equi‑ na causada pela Tayloriella equigenitalis, que é a doença genital infeccio‑ sa mais importante para a égua e para o garanhão. Cistos endometriais, fibrose periglandular e distensão glandular cística também podem ser en‑ contrados. Mucometra (acúmulo de muco no útero) também ocorre oca‑ sionalmente. Ovários aumentados podem indicar tumores, como os tumo‑ res das células granulosas. A endoscopia pode ser usada para coletar amostras microbiológicas e amostras para biopsia endometrial ou citologia. Torção uterina é comum como causa de cólica nas éguas perto do fim do período de gestação (comumente em torno de 8 meses). Pode ser torção de 180‑540 graus, cranial à cérvix e à vagina, e uma ruptura de útero pode ser resultado da torção. Placentite é uma ocorrência incomum. Pode ser necessário efetuar ovariectomia por causa de comportamento anormal, para cortar a ativida‑ de reprodutiva, ou por condições patológicas como tumor de célula granu‑ losa ou hematomas no ovário. A operação pode ser efetuada através do flanco ou pela linha mediana ventral, paramediana oblíqua ou acesso va‑ ginal. Inflamação das tubas uterinas (salpingite) também pode exigir a sua remoção. A falha na gestação em éguas é comum como resultado de morte em‑ brionária ou aborto. Diagnóstico de gestação em éguas é possível pelo reto, sendo bom após 28 dias e ótimo por volta do dia 42. Ultrassonografia transretal dará resultados do dia 10 até o final. Usualmente o primeiro exa‑ me é feito com 14 a 15 dias. Para detectar gêmeos antes da implantação, faz‑se o exame com 16 dias. Os batimentos cardíacos podem estar visíveis perto de 26 a 28 dias. Ultrassonografia transabdominal pode ser usada de 80 dias até o final. Durante a gestação, é possível haver anormalidades no cordão umbilical, insuficiências placentárias, gravidez no corpo uterino, insuficiência de hormônios do corpo lúteo e, a pior possibilidade de todas, torção uterina. Gestação prolongada é rara, somente 1% excede 370 dias. Desenvolvimento prematuro do úbere ocorre ocasionalmente. Existem cau‑ sas graves de aborto, incluindo agentes bacteriano, fúngico e viral. No último grupo, anemia infecciosa equina, herpes‑vírus equino tipo 1 e ar‑ trite viral equina são as causas mais importantes. Parto é um momento em que uma intervenção pode ser necessária. A cesariana será essencial, se o segundo estágio do trabalho de parto estiver atrasado, mas é raro dar à luz um potro vivo nascido por essa operação. Do ponto de vista das éguas, isso é preferível do que realizar uma embrioto‑

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mia. O parto ocorre em três estágios. O primeiro estágio, que dura cerca de 1 hora, é a ruptura das membranas fetais; o segundo estágio dura cerca de 30 minutos, e o potro nasce. No terceiro estágio ocorre a expulsão das membranas fetais e dura cerca de 1 hora. A involução uterina leva cerca de 6 a 10 dias, e o cio pós‑parto ocorre de 7 a 9 dias após o parto. Compli‑ cações pós‑parto incluem retenção de placenta, hemorragia, fístula retova‑ ginal, lacerações perineais, ruptura uterina, hemorragia endometrial, pro‑ lapso uterino e endometrite. A distocia (dificuldade no parto) é um evento raro, apenas 4% dos partos passam por esse problema. Isso pode ser se‑ guido por metrite séptica aguda ou vaginite necrótica; ruptura da artéria ilíaca interna, ruptura esta percebida após um longo período da distocia. Intervenções que podem ser necessárias incluem retropulsão, extração for‑ çada, amputação de partes fetais (fetotomia) ou cirugias cesarianas. A operação tardia requer a laparotomia na linha mediana (celiotomia), com uma incisão ao longo da curvatura maior do útero. O exame de sanidade do garanhão requer avaliações dos conjuntos musculoesquelético, respiratório e cardiovascular, bem como do trato ge‑ nital, e avaliação do sêmen. O sêmen deve ter uma alta motilidade progres‑ siva, um pH de 7,2 a 7,6, um volume ao redor de 70 mL (absolutamente variável, mas não muito importante), uma concentração de 8 3 106 e, em termos de morfologia, no mínimo 60% deste devem estar normal e 10% ainda móvel após 6 horas. Se uma segunda amostra for realizada no mesmo dia, os valores devem ser, no mínimo, de 50% da primeira amostra. Existem disfunções ejaculatórias, algumas das quais podem ter uma base anatômica, ou uma anormalidade do aparelho locomotor que pode difilcultar a monta. A genitália externa tem de ser examinada. O trauma peniano é absoluta‑ mente comum e inclui abrasões, lacerações e ruptura do corpo cavernoso do pênis. O pênis pode ser afetado por uma variedade de condições, incluin‑ do inabilidade de retração do órgão (devida a inanição ou debilidade no pós‑parto), hematomas, exantema coital, inflamação (balanite) e, raramen‑ te, carcinoma de células escamosas e papiloma. A remoção desses tumores pode precisar de ato cirúrgico. Contração do ânulo prepucial também pode ocorrer, seguida de lesão, atrapalhando a exposição peniana (fimose adqui‑ rida). O prepúcio pode ser uma importante fonte de patógenos bacterianos, particularmente para a égua no acasalamento. Exame do escroto pode re‑ velar inchaços adquiridos, traumatismo agudo, lacerações do escroto, tor‑ ções testiculares, ou mesmo hidrocele (fluido dentro da túnica vaginal). O escroto é uma área que está frequentemente envolvida em trauma‑ tismo, então pode mostrar sinais de cicatrizes sobre a sua superfície. A torção do funículo espermático é um evento extremamente raro. Anorma‑ lidades congênitas do escroto podem ser resultado de pseudo‑hermafrodi‑ tismo do macho, ou síndrome da feminilização testicular. Os testículos podem ser palpados, e seu tamanho e sua consistência estão relacionados com a utilização do garanhão de acordo com as taxas de ejaculação diárias. O testículo esquerdo geralmente é maior e mais pendular do que o direito. Anormalidades podem incluir hipoplasia (revelada no cavalo jovem), de‑ generação dos testículos devida a trauma, inflamação (orquites) que pode seguir o traumatismo ou a infecção bacteriana, ou ambos, e neoplasias na forma de um seminoma. Também pode ser possível palpar o epidídimo (que está sobre a margem dorsolateral dos testículos) para anormalidades. A cauda do epidídimo está na extremidade caudal dos testículos. A geni‑ tália interna pode ser palpada pelo reto. Castração do garanhão (também conhecido como castrado) é uma das cirurgias mais comuns que ocorrem na criação equina e normalmente é efetuada para a prevenção do comportamento masculino, além das neces‑ sidades por razões clínicas e cirúrgicas. A exceção para isso é quando o cavalo tem um testículo retido (criptorquidismo). Existem técnicas de aber‑ tura e fechamento para a castração. A cirurgia pode ser realizada a campo, em posição anatômica (de estação) ou em decúbito lateral. A cirurgia pode ser seguida por uma variedade de complicações (infecção, hemorragia, inchaços, septicemia, tétano, funículo aumentado, hidrocele, prolapso pe‑ niano, evisceração e furunculose), portanto deve ser tomado cuidado com a higienização. No cavalo criptorquídico (‘rig’) ocorre a falha do testículo com o epidídimo na descida para o escroto. Na metade desses casos, o


A importância clínica da coluna espinal Considerações clínicas da coluna envolvem as regiões da cabeça, do colo (pescoço), tórax, abdome e pelve. As mudanças na conformação, na mus‑ culatura e no bem‑estar geral do animal podem afetar a coluna espinal. Exame clínico, testes de claudicação, anestesia regional, diagnóstico ra‑ diográfico, radiografias contrastadas e cintilografia são amplamente utili‑ zados no diagnóstico. O exame clínico junto com o exercício, tanto de habilidade como de resistência aeróbica, são usados para o diagnóstico. Também, marcas podem ser observadas e inchaços detectados na palpação. Existem somente 36 ossos na coluna vertebral do equino (excluindo a cauda), mas existem muitos ligamentos. Alguns são extremamente po‑ derosos, como o ligamento nucal e os supraespinais, e existem muitos li‑ gamentos menores, como os ligamentos interespinais, sacroilíaco, sacro‑ tuberal, iliolombar, intertransversário e ligamentos longitudinais dorsal e ventral. Os sinais clínicos que sugerem problemas de coluna incluem dor ‘nas costas’ aguda ou crônica, flexibilidade reduzida da coluna, curvatura lateral da coluna, assimetria dos membros e da região pélvica, déficits neu‑ rológicos e atrofia dos músculos dorsais e pélvicos. As doenças e alterações da coluna espinal, musculatura dorsal e do sistema nervoso central são algumas vezes extremamente dificeis de ser diferenciadas. ‘Problemas nas costas’ geralmente têm muitos sinais clínicos indeterminados, como performance reduzida, mudanças comportamentais ou temperamentais e dificuldade de controle quando estão sendo montados ou cavalgados. A relutância para caminhar mais rápido ou pular também é uma característica muito comum. Traumatismo vertebral ocorre frequente‑ mente quando o cavalo cai na corrida, quando salta, ou em colisões graves. Fraturas do processo espinhoso, do corpo das vértebras e de arcos neurais são muito comuns nas três primeiras torácicas, as três primeiras lombares e a vértebra T12. Se o cavalo cai sobre o dorso, é mais comum sofrer fra‑ turas do processo espinhoso. Em muitos desses casos o cavalo permanece‑ rá no campo ou será ‘descansado’. Fraturas ou outras lesões das vértebras cervicais, torácicas e lombares não são incomuns neste tipo de traumatismo e podem ser acompanhadas por fraturas de ossos longos e/ou do osso carpo acessório, tornando o diagnóstico mais difícil. Um cavalo que pula na lama tem mais comumente problemas com os tendões flexores digitais superfi‑ ciais, ou fraturas do osso carpo acessório ou de um côndilo lateral. A coluna pode ser um alvo em uma variedade de condições. Anorma‑ lidades de conformação são observadas em potros; escoliose congênita (curvatura lateral) é comum; muito menos comuns são as lordoses (curva‑ tura ventral), as cifoses (curvatura dorsal) e as sinostoses (fusão das vér‑ tebras). Os danos musculares que afetam a coluna incluem tensões, mio‑ patias, miosites, doença do músculo branco (deficiência de vitamina E e selênio) e rabdomiólise externa. Tensões ligamentosas também são muito comuns. A falha no alinhamento das vértebras, que pode pinçar os nervos, também é comum. Uma das condições mais comuns é o estresse da mon‑ taria ou as fraturas dos processos espinhosos das vértebras torácicas. Es‑ pondilite é a inflamação de uma vértebra; espondilite ossificante e disco‑ espondilite estão associadas a acidentes traumáticos e são comuns.

Uma das causas mais comuns de ‘dor nas costas’ no cavalo é a con‑ dição conhecida como ‘espinhas se tocando’, em que há aglomeramento ou excesso de montaria do processo espinhoso das vértebras sob a área da sela. Ela tem uma alta incidência e uma baixa mortalidade e é causada por anormalidades de conformação. Ela causa pontos de pressão entre os pro‑ cessos espinhosos adjacentes em resposta à persistente fricção, e onde ocorre estresse de montaria persistente, um novo osso se desenvolve como resposta. Cavalos afetados resistem quando correm, têm uma fraquíssima ação do membro pélvico (pelvino) e uma deficiente performance no salto. O peso do cavaleiro normalmente é colocado entre T12‑T18, e o local mais comum de lesões está entre T15‑T17. Em cavalos idosos há também algumas condições associadas à perda da resistência nos ligamentos ao redor das pequenas articulações das vér‑ tebras, causando lesões nos processos transversos e nos processos articu‑ lares das vértebras. Em relação à coluna como um todo, é importante compreender que a maioria das condições é normalmente uma causa comum de anormalidades encontradas na região pélvica. O sacro (com suas vértebras) é uma impor‑ tante parte da coluna espinal, e os ligamentos sacroilíacos podem ser fa‑ cilmente danificados (veja a seção Pelve). Uma das condições não men‑ cionadas na seção Pelve é a fratura do sacro. Nesta lesão, os nervos periféricos do membro pélvico (pelvino) (isquiático, fibular, tibial e obtu‑ ratório) frequentemente estão envolvidos. O nervo femoral é extremamen‑ te bem protegido e em que há menor incidência de lesões. Fraturas do sacro também podem causar neurite da cauda equina, que afeta as raízes dos nervos sacrais e caudais. Os problemas neurológicos da coluna equina podem ser investigados por radiografias, ultrassonografias, mielografias e pela coleta e análise do líquido cerebroespinal. O fluido é mais bem coletado com o cavalo sob anestesia geral, em decúbito lateral, com a cabeça flexionada a 90 graus e com um alinhamento da coluna vertebral. A agulha é inserida na linha me‑ diana entre as margens craniais da asa do atlas, em uma profundidade de 5‑8 cm. O fluido também pode ser coletado do espaço lombossacro. Para isso, o cavalo precisa ser sedado, contido e colocado na posição de estação com os quatro membros apoiados. A agulha é inserida em uma linha que une as margens craniais esquerda e direita do túber da coxa, na intersecção com a linha mediana. De 1 a 2 cm além dessa intersecção, há uma depres‑ são; a face caudal da 6a vértebra lombar fica cranialmente, e a margem cranial do 2º processo espinhoso sacral fica caudalmente; a margem do túber sacral fica lateralmente. É importante lembrar que L5 é menos pro‑ eminente do que L6 e algumas vezes é dificil de palpar, como a S1 é menos proeminente que a S2. O espaço subaracnoide pode então ser localizado em uma profundidade de 12‑13 cm. Doença infecciosa da coluna dos equinos é um fenômeno comum. Em muitas partes do mundo, encefalites virais são comuns, incluindo encefa‑ lomielite venezuelana, do leste e do oeste. As infecções pelo herpes‑vírus equino 1 e pelo vírus West Nile também podem ocorrer. Várias outras al‑ terações também afetam o sistema nervoso central, incluindo mieloence‑ falopatia degenerativa equina (EDM), encefalite verminótica (associada a parasitas aberrantes), mielite protozoária equina, ‘pastagem de L., mico‑ toxicoses esqueléticas, meningite bacteriana, botulismo, hipocalcemia te‑ tânica, paralisia periódica hipercalêmica e meningite fúngica. Doenças neurais de etiologia incerta incluem síndrome cerebral pós‑corrida de enduro, paresia associada a doenças do neurônio motor superior e inferior, tremores e ataxia. Esta última pode ser induzida por venenos de plantas e pode ser vista como uma falta de propriocepção e uma síndrome envolvendo tanto o sistema vestibular como o cerebelo. Neuroses incluem roer objetos sólidos, balançar a cabeça, doença do sono (pode ser associada a alergia por inalação de antígenos), síndrome da au‑ tomutilação e ‘sucção de ar’. Danos da cauda normalmente são vistos como uma cauda com ‘torções’ ou com uma tendência para ser flácida. Entretanto, esses sinais podem ser causados por fraturas do sacro, que resultam em danos de nervos e atrofia neurogênica dos músculos sacrais e caudais.

8 Pelve (incluindo a coluna espinal)

testículo fica retido no abdome (normalmente próximo do ânulo inguinal profundo), e a túnica vaginal está ausente, ou pequena (contendo somente a cauda do epidídimo). Em outros casos, o testículo fica na região ou no canal inguinal. Pode ficar superficial ao ânulo inguinal superficial do mús‑ culo oblíquo externo do abdome, mas pode não ser palpável externamente. Nessa posição estará repousando entre a origem da lâmina escrotal lateral e da margem dorsolateral do ânulo (tendão abdominal do músculo oblíquo externo do abdome) e a origem da lâmina escrotal medial da lâmina elás‑ tica da túnica flava do abdome medial ao ânulo. O testículo criptorquídico na posição inguinal normalmente é muito menor do que o testículo decí‑ duo, e o escroto pode estar pouco desenvolvido. Na maioria dos casos, este pode ser removido por cirurgia na região inguinal, mas alguns casos ne‑ cessitam de incisão abdominal paramediana.

271


Atlas Colorido de Anatomia Veterinária de Equinos

8

convexidade do m. glúteo médio túber da coxa no ílio (vórtice de pelos divergentes está obscurecido) pelos da cauda trocânter maior do fêmur: parte caudal incisura parte cranial sulco intermuscular entre o m. bíceps do fêmur e o m. semitendinoso convexidade do m. semitendinoso linha de pelos convergentes terceiro trocânter do fêmur vórtice de pelos da pregado joelho incisão (pela qual a patela foi pregada na tróclea do fêmur) eminências lateral e medial da tróclea do fêmur ligamento patelar lateral sulco extensor da tíbia

Fig. 8.1  Características superficiais das regiões da pelve e femoral de um animal castrado: vista lateral esquerda.  A pele sobre as características ósseas palpáveis recebeu tricotomia. A conformação arredondada da musculatura glútea obscurece o túber sacral do ílio nesta vista lateral horizontal, e o túber isquiático está similarmente obscurecido pelo músculo semitendinoso (Fig. 8.3). O sulco intermuscular profundo entre os músculos bíceps femoral e semitendinoso (linha da carência) é muito menos conspícuo após a fixação; em cavalos magros, é muito evidente.

272

Fig. 8.2  Ossos das regiões da pelve, femoral e do joelho: vista lateral esquerda.  As características ósseas mostradas na Figura 8.1 estão coloridas de vermelho.


8 Pelve (incluindo a coluna espinal)

túber sacral do ílio convexidade do m. glúteo médio posição da articulação sacrocaudal pelos da cauda

Fig. 8.4  Ossos das regiões da pelve, femoral e do joelho: vista caudolateral esquerda.  As características ósseas mostradas na Figura 8.3 estão coloridas de vermelho, exceto pelo túber sacral.

túber da coxa no ílio ânus trocânter maior do fêmur: parte caudal incisura parte cranial ísquio: túber isquiático períneo convexidade do m. semitendinoso linha de pelos convergentes terceiro trocânter sulco intermuscular m. bíceps do fêmur convexidade do m. grácil eminência lateral da tróclea do fêmur côndilo lateral da tíbia

Fig. 8.3  Características superficiais das regiões da pelve e femoral de um animal castrado: vista caudolateral esquerda.  As posições das vértebras sacrais e caudais estão mostradas nas Figuras 8.93 e 8.95.

273


Fig. 8.5  Características superficiais do pênis e do prepúcio de um macho castrado: vista lateral esquerda.  Ao nascimento, a parte livre do pênis está aderida à lâmina interna do prepúcio (Fig.8.47), mas essa aderência se desfaz rapidamente (Figs. 8.48 a 8.53), e em machos castrados e garanhões a parte livre do pênis está separada do prepúcio pela cavidade prepucial. O processo da uretra está fechado em uma cavidade estreita, a fossa da glande; o seio uretral é uma dilatação dorsal dessa fossa, e sua posição está indicada pela sonda.

Atlas Colorido de Anatomia Veterinária de Equinos

8

parede ventral do abdome

fossa da glande

sonda no seio uretral cavidade prepucial óstio da uretra anel prepucial, formado na prega prepucial interna

processo da uretra

óstio do prepúcio, formado pela prega prepucial externa

glande do pênis, parte livre do pênis

vértebra lombar: lâmina processo transverso medula espinal no forame vertebral corpo da vértebra

m. psoas maior m. psoas menor

v. cava caudal ureter direito reto na cavidade pélvica bexiga urinária margem caudal do m. oblíquo interno do abdome, formando o limite cranial do ânulo inguinal profundo posição do óstio, processo vaginal

aorta abdominal

ureter esquerdo margem seccionada do mesocólon do cólon menor v. ilíaca externa

coto seccionado do cólon menor resquício de componentes formando o funículo espermático no ânulo inguinal profundo

resquício do ducto deferente e da prega genital

parede do abdome delimitada pelo peritônio e pela fáscia transversa:

ligamento vesical mediano na margem pélvica

m. oblíquo interno do abdome m. reto do abdome

Fig. 8.6  Entrada da pelve de um animal castrado: vista cranial.  O tronco foi seccionado ao nível da 3ª vértebra lombar após a remoção das vísceras abdominais. A bexiga urinária está vazia e totalmente em posição pélvica. O peritônio das regiões inguinais permanece intacto. A região correspondente da égua está mostrada nas Figuras 5.45 (não gestante) e 8.57. 274


m. cremáster coberto pelo peritônio e pela fáscia transversal

resquício do funículo espermático: vascular ducto (ducto deferente e prega genital)

8 Pelve (incluindo a coluna espinal)

sonda na cavidade do processo vaginal

óstio da cavidade do processo vaginal margem caudal do m. oblíquo interno do abdome, formando o limite cranial do ânulo inguinal profundo

m. oblíquo interno do abdome, coberto pelo peritônio e pela fáscia transversal

m. reto do abdome exposto pela remoção parcial do tecido adiposo que o envolve

Fig. 8.7  Canal inguinal direito de um animal castrado: vista cranial.  Esta é uma imagem ampliada do espécime mostrado na Figura 8.6, em um estágio imediatamente posterior de dissecação. Após a castração, os componentes do funículo espermático atrofiaram. Uma sonda foi inserida no persistente e ainda patente orifício, deixando a cavidade do coto remanescente do processo vaginal.

corpo da vértebra L3

m. psoas maior m. psoas menor

m. psoas maior aorta abdominal m. psoas menor

ureter esquerdo v. cava caudal

ureter direito mesocólon m. sartório

cólon menor bexiga urinária

m. ilíaco

m. cremáster

resquício do ducto deferente e prega genital

m. oblíquo interno do abdome

m. pectíneo t. pudendoepigástrico e v. pudendoepigástrica a. e v. pudenda externa tendão pré-púbico do m. reto do abdome a. e v. epigástrica caudal linha alba da parede do abdome

posição aproximada do ânulo inguinal superficial

m. reto do abdome

Fig. 8.8  Região inguinal direita de um animal castrado: vista cranial.  A remoção do peritônio e da fáscia transversal revela a musculatura limítrofe do ânulo inguinal profundo. A fáscia ilíaca também foi removida para revelar os músculos com origem no ílio, os quais ficam laterais à região inguinal. A posição do ânulo inguinal superficial, o qual é formado no tendão do músculo oblíquo externo do abdome, está indicada por uma linha azul tracejada.

275


m. glúteo médio

8 Atlas Colorido de Anatomia Veterinária de Equinos

túber da coxa no ílio n. cutâneo lateral do fêmur

m. glúteo superficial m. bíceps do fêmur ‘linha da carência’

m. tensor da fáscia lata r. cutâneo lateral ventral do II n. lombar túnica flava do abdome cobrindo o tendão do m. oblíquo externo do abdome fáscia lata (margem seccionada) ln. subilíaco

m. semitendinoso m. semimembranoso nn. clúnios caudais (n. cutâneo caudal do fêmur) m. vasto lateral

m. oblíquo interno do abdome m. reto do fêmur

m. bíceps do fêmur

Fig. 8.9  Parede lateral da pelve: vista lateral esquerda (1).  A remoção da pele e da fáscia superficial expôs os músculos do membro pélvico (pelvino) que ficam laterais aos ossos da pelve. As características superficiais dessas regiões estão mostradas nas Figuras 8.1 e 8.3.

m. glúteo médio

túber da coxa no ílio

m. semitendinoso

m. bíceps do fêmur face lateral do m. ilíaco

n. cutâneo lateral do fêmur (III L)

a. e v. circunflexa profunda do ílio

m. reto do fêmur

túnica flava do abdome cobrindo o m. oblíquo externo do abdome

m. semimembranoso

n. glúteo cranial

a. e v. iliacofemoral terceiro trocânter do fêmur m. vasto lateral

Fig. 8.10  Parede lateral da pelve: vista lateral esquerda (2).  O músculo glúteo superficial e o músculo tensor da fáscia lata foram removidos.

m. glúteo médio n. isquiático m. quadrado do fêmur n. glúteo cranial a. e v. iliacofemoral parte lateral do m. ilíaco n. cutâneo lateral do fêmur (III L) a. e v. circunflexa profunda do ílio a. e v. circunflexa medial do fêmur m. reto do fêmur m. vasto lateral terceiro trocânter do fêmur n. fibular n. tibial

origem da cabeça vertebral do m. bíceps do fêmur ligamento sacrotuberal largo a. glútea caudal n. cutâneo caudal do fêmur cabeça vertebral do m. semitendinoso trocânter maior do fêmur ísquio m. piriforme túber isquiático cabeça pélvica do m. bíceps do fêmur a. e v. obturatória cabeça pélvica do m. semitendinoso a. e v. caudal do fêmur

Fig. 8.11  Parede lateral da pelve: vista lateral esquerda (3).  O músculo bíceps do fêmur foi removido, expondo parte do ligamento sacrotuberal largo, o qual fica estirado das vértebras ao ísquio. Cogita‑se que a cabeça vertebral do músculo bíceps do fêmur seja de origem glútea. 276


n. isquiático n. glúteo cranial m. glúteo profundo parte lateral do m. ilíaco túnica flava do abdome cobrindo o m. oblíquo externo do abdome m. reto do fêmur m. vasto lateral terceiro trocânter do fêmur n. tibial n. fibular

cabeça vertebral do m. bíceps do fêmur (origem)

8

ligamento sacrotuberal largo

Pelve (incluindo a coluna espinal)

túber sacral do ílio ligamento sacroilíaco dorsal origem do m. glúteo médio túber da coxa no ílio a. glútea cranial n. glúteo caudal n. cutâneo caudal do fêmur

lnn. isquiáticos a. e v. glútea caudal m. semimembranoso m. semitendinoso m. glúteo médio inserido no trocânter maior do fêmur posição do forame isquiático menor túber isquiático m. obturatório interno cabeça pélvica (pelvina) do m. bíceps do fêmur a. e v. obturatória m. semitendinoso

Fig. 8.12  Parede lateral da pelve: vista lateral esquerda (4).  A remoção do músculo glúteo médio expôs o ligamento sacrotuberal largo, seu forame isquiático maior e os componentes que percorrem a sua lateral. ligamento sacroilíaco dorsal

m. sacrocaudal dorsal lateral

m. bíceps do fêmur (origem da cabeça vertebral)

lnn. isquiáticos

forame no ligamento sacrotuberal largo n. glúteo caudal n. cutâneo caudal do fêmur n. isquiático

a. e v. glútea caudal m. semitendinoso ligamento sacrotuberal largo posição do forame isquiático menor

m. glúteo profundo m. glúteo médio trocânter maior do fêmur

ísquio m. obturatório interno

Fig. 8.13  Ligamento sacrotuberal largo: vista lateral esquerda (1).  Esta é uma vista ampliada de uma parte da dissecação avaliada na Figura 8.12. No cavalo, nenhum vaso de grande calibre ou nervo atravessa o forame isquiático menor; os vasos glúteos caudais atravessam um forame mais dorsal e cranial no ligamento sacrotuberal largo (Fig. 8.14). cabeça vertebral do m. bíceps do fêmur

m. sacrocaudal dorsal lateral

túber sacral do ílio ligamento sacroilíaco dorsal

a. glútea caudal

n. glúteo caudal forame isquiático maior n. glúteo cranial a. e v. iliacofemoral a. e v. circunflexa profunda do ílio n. cutâneo lateral do fêmur m. ilíaco m. glúteo profundo m. reto do fêmur m. glúteo médio e bolsa sinovial m. vasto lateral

cabeça vertebral do m. semitendinoso n. cutâneo caudal do fêmur margem caudal do ligamento sacrotuberal largo ligamento sacrotuberal largo m. semimembranoso forame isquiático menor túber isquiático cabeça pélvica (pelvina) do m. semitendinoso trocânter maior do fêmur m. obturatório interno m. quadrado do fêmur

Fig. 8.14  Ligamento sacrotuberal largo: vista lateral esquerda (2).  A remoção da cabeça vertebral do músculo semitendinoso expôs a margem caudal do ligamento, pela qual todos os três músculos ‘esticados da coxa’ se originam. Os três forames no ligamento sacrotuberal largo foram demonstrados com melhor clareza nesta dissecação. 277


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8

incisura isquiática maior n. glúteo cranial

n. cutâneo caudal do fêmur ligamento sacrotuberal n. isquiático largo

m. glúteo profundo

n. glúteo caudal

corpo do ílio

a. e v. pudenda interna

a. e v. iliacofemoral

mm. gêmeos margem caudal do ligamento sacrotuberal largo

parte lateral do m. ilíaco m. reto do fêmur

margem dorsal do forame isquiático menor

m. capsular margem acetabular

túber isquiático

ligamento da cabeça do fêmur

m. obturatório interno mm. gêmeos

ligamento acessório do fêmur parte medial do m. ilíaco a. circunflexa lateral do fêmur

incisura isquiática menor no ísquio ligamento transverso do acetábulo m. quadrado do fêmur

a., v. e n. femoral

mm. bíceps do fêmur e semitendinoso

n. safeno m. sartório

m. semimembranoso

lnn. inguinais profundos lâmina escrotal (mamária) lateral cobrindo o resquício do processo vaginal

m. isquiocavernoso pênis a. e v. obturatória m. pectíneo

r. cranial do n. obturatório

a. e v. profunda do fêmur

m. grácil

tendão pré-púbico

m. adutor

m. obturatório externo

Fig. 8.15  Quadril após a remoção do fêmur: vista lateral esquerda.  Após a remoção do membro pélvico (pelvino), os músculos que inserem o membro no corpo foram seccionados para evidenciar os vasos e nervos relacionados ao membro pélvico (pelvino).

278


9.  DIAGNÓSTICO POR IMAGEM DE CABEÇA, COLO, MÃO E PÉ Importância clínica do diagnóstico por imagem A radiografia é um meio diagnóstico muito utilizado na medicina equina, particularmente na cabeça e nas extremidades distais dos membros, em‑ bora equipamentos de grande poder e força sejam capazes de realizar ima‑ gens da coluna, da parte proximal do membro e da pelve. Entretanto, para ser capaz de interpretar anormalidades radiológicas apropriadamente, de‑ vem‑se conquistar conhecimentos da anatomia radiológica normal. Em geral, a extremidade distal dos membros do equino não é tão complexa. Por outro lado, a cabeça é extremamente complexa, e então isso revela a importância suprema de se ter um atlas da anatomia radiográfica normal, ou uma radiografia normal, avaliável, para comparação quando são feitas tentativas para a interpretação dessa área. A indicação clínica mais comum para as radiografias dos membros é a claudicação, e as causas mais comuns de claudicação em equinos são problemas tendíneos ou ligamentosos (tendinites ou desmites), condições inflamatórias (como as laminites que afetam as lâminas da úngula) e trau‑ matismo (lesões de tecido moles e fraturas). Embora a radiografia não demonstre as mudanças primárias em componentes teciduais moles, po‑ derá demonstrar efeitos secundários sobre os ossos, como nas doenças articulares degenerativas ou escleroses (quando o osso se torna denso e duro). No mínimo, duas vistas radiográficas da área afetada devem ser rea‑ lizadas (projeções ortogonais) e, no caso dos membros, o membro contra‑ lateral pode ser “documentado”, a fim de promover um controle para com‑ paração. Na parte distal do membro, é rotina realizar, no mínimo, duas projeções oblíquas adicionais da região de interesse, a fim de se acessar o máximo possível da região. Modalidades avançadas de imagem por secção, como a tomografia computadorizada (TC), possibilitam a apreciação da anatomia sem sobre‑

posição de componentes encobertos. A TC é de grande valor no acesso a componentes ósseos e é particularmente utilizada na demonstração de fra‑ turas incompletas e para a caracterização de fraturas cominutivas (nas quais o osso é fragmentado em múltiplos pedaços). A ausência de sobreposição promovida pela TC é particularmente usada na cabeça, embora também seja útil para demonstrar alterações nos ossos do membro. Se o equipa‑ mento apropriado estiver presente, a TC pode ser feita no animal em po‑ sição anatômica com clara necessidade de anestesia geral. A presença das placas cartilaginosas epifisárias (ou de crescimento) deve ser lembrada ao se interpretar as radiografias de membros nos cavalos jovens. Os seguintes tempos de fusão epifisária foram determinados radio‑ graficamente: · Após o nascimento, a epífise distal (maléolo lateral) da fíbula se funde com a tíbia aos 3 meses de idade, aproximadamente. A parte distal da epífise da ulna (processo estiloide lateral) se funde com o rádio um pouco após 4 a 9 meses. · A epífise distal metapodial na articulação do boleto e a epífise proximal das falanges proximal e média se fundem aos 6 a 9 meses de idade, aproximadamente. · A epífise distal do rádio se funde aos 2‑3 anos e aquela da parte distal da tíbia se funde consideravelmente cedo (17 a 17,5 meses). A fusão epifisária é um processo gradual. A placa de crescimento epifisá‑ rio para de produzir novo osso metafisário e se converte em osso, unindo a epífise com a diáfise. O processo pode ser traçado radiográfica ou histo‑ logicamente até a fusão completa. Fusão anatômica macroscópica, entre‑ tanto, é a ‘completa fusão’, quando uma técnica de maceração falha em separar a epífise da diáfise. Para o cavalo, os resultados de algumas inves‑ tigações para esses três métodos de estudo estão resumidos por Getty, em Sisson & Grossman (1975, pp. 272 & 298).

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9

incisura nasoincisiva osso nasal

processo nasal do osso incisivo

espaço interalveolar (diastema superior)

dente canino superior dente incisivo superior (I1–3)

dente pré-molar superior (P2) língua: ápice e frênulo

dente incisivo inferior (I1–3) dente canino inferior

dente pré-molar inferior (P2) margem interalveolar da mandíbula (diastema inferior)

forame mentual

canal da mandíbula

Fig. 9.1  Radiografia dos dentes rostrais: vista lateral.  O dente canino é maior neste cavalo (provavelmente um macho). O primeiro dente pré‑molar (dente de lobo) não está presente.

326


9 Diagnóstico por imagem de cabeça, colo, mão e pé

dente da trituração superior P2 P3

lâmina dura

membrana periodontal

P4

M1

raiz de P4 ‘aberta’, distensão cística da lâmina dura

M2

M3

raiz ‘fechada’ de M1

canal da mandíbula nos alvéolos dentários de M3 e M2

Fig. 9.2  Radiografia dos dentes da trituração: vista lateral.  Compare as raízes de P4 (erupcionado c/ 4 anos) com aquela de M1 (erupcionada c/ 9‑12 meses).

327


Atlas Colorido de Anatomia Veterinária de Equinos

9

P2

P3

P4

MI margem ventral do corpo da mandíbula

canal da mandíbula

Fig. 9.3  Radiografia da mandíbula: vista oblíqua lateral. Cavalo com dentição imatura.  O desenvolvimento da coroa dos dentes pré‑molares inferiores permanentes (P2‑P4) ficam sob as raízes dos dentes pré‑molares decíduos (p2‑p4). Eles produzem proeminências ósseas palpáveis na margem ventral da mandíbula em sequência cronológica, entre a idade de 1 ano e meio e 3‑4 anos. Cada proeminência desaparece após os dentes pré‑molares decíduos caírem e a coroa dos dentes pré‑molares permanentes sair para estes serem usados.   Uma sequência similar de desenvolvimento das proeminências palpáveis ocorre no osso maxilar, entre as idades de 2 e 5 anos, ao nível do forame infraorbital, quando os dentes pré‑molares superiores permanentes (P2‑P4) se desenvolvem e eventualmente substituem os dentes pré‑molares superiores decíduos. Com aproximadamente 2 anos de idade, o forame infraorbital palpável fica dorsal às proeminências relatadas para p3 e o dente em desenvolvimento P3. Com cerca de 3 anos e meio de idade, todas as três proeminências maxilares estão em linha com o forame infraorbital. Veja a Figura 1.55 e compare com a posição de p2 e p3 e o forame infraorbital no potro com aqueles mostrados para P2, P3 e o forame infraorbital no cavalo adulto (Fig. 1.44). Nenhuma dessas proeminências ósseas, da maxila ou da mandíbula, é vista no cavalo de 6 anos de idade (Fig. 1.44).

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9 Diagnóstico por imagem de cabeça, colo, mão e pé

desenvolvimento dental da coroa de M3 canal da mandíbula

raiz caudal de M2 lâmina dura dente

M1

membrana periodontal

margem ventral do corpo da mandíbula

desenvolvimento dental das raízes do dente pré-molar permanente P3, P4

Fig. 9.4  Radiografia da mandíbula de um cavalo idoso: vista lateral.  O terceiro dente molar erupciona com 3,5‑4 anos. M1 e M2 erupcionam com 9‑12 meses e 2 anos, respectivamente.

329


Atlas Colorido de Anatomia Veterinária de Equinos

9

incisura nasoincisiva

seio da concha dorsal

canal infraorbital

seio da concha ventral

seio frontal osso etmoidal

seio maxilar rostral

seio esfenopalatino nos ossos pré-esfenoidal e palatino

seio maxilar caudal base do crânio órbita margem rostral do ramo da mandíbula osso estiloioide epiglote

Fig. 9.5  Radiografia dos dentes da trituração e região nasal: vista lateral.

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9 Diagnóstico por imagem de cabeça, colo, mão e pé

seio frontal ossos etmoturbinados olho septo nasal canal infraorbital seio maxilar parte nasal da faringe palato mole (m. palatino)

tubo endotraqueal na cavidade oral cavidade oral (ocluída no outro lado quase completamente)

M3 raiz da língua mandíbula

Fig. 9.6  Imagem por tomografia computadorizada da cabeça: plano transversal através dos olhos.  No antímero esquerdo, a cavidade oral foi quase obliterada pelos tecidos moles bucais e linguais. O terceiro dente molar mostra três partes, por causa da sua orientação oblíqua na mandíbula (Fig. 1.44). A parte mais ventral da mandíbula forma o canal da mandíbula: este contém a artéria, a veia e o nervo alveolar inferior, os quais suprem os alvéolos dentários dos dentes inferiores. Na terminação rostral do canal, o forame mentual (Figs. 1.44 e 1.12), o nervo mentual oferece ramos, os quais suprem o lábio inferior e o queixo (mento). O nervo continua com alguns finos ramos dentais, os quais percorrem o osso da parte incisiva da mandíbula para suprir os dentes caninos e incisivos.

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Atlas Colorido de Anatomia Veterinaria de Equinos 2ª Edição  
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