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ASB e TSB

Auxiliar em Saúde Bucal e Técnico em Saúde Bucal

Formação e Prática da Equipe Auxiliar

Lusiane Camilo Borges Graduação em Biomedicina pela Universidade Santo Amaro (UNISA/UNIFESP-EPM) Graduação em Odontologia pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) Especialista em Microbiologia pelo Centro de Pós-graduação Oswaldo Cruz Especialista em Epidemiologia e Controle de Infecção em Saúde pela UNIFESP-EPM MBA em Esterilização pela FAMESP Presidente da Associação Latino-americana de Pesquisas em Odontologia e Saúde (ALAPOS) Diretora Executiva da Biológica Consultoria em Saúde Coordenadora dos Cursos Biológica de ASB/TSB desde 2000


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NOTA Como as novas pesquisas e a experiência ampliam o nosso conhecimento, pode haver necessidade de alteração dos métodos de pesquisa, das práticas profissionais ou do tratamento médico. Tanto médicos quanto pesquisadores devem sempre basear-se em sua própria experiência e conhecimento para avaliar e empregar quaisquer informações, métodos, substâncias ou experimentos descritos neste texto. Ao utilizar qualquer informação ou método, devem ser criteriosos com relação a sua própria segurança ou a segurança de outras pessoas, incluindo aquelas sobre as quais tenham responsabilidade profissional. Com relação a qualquer fármaco ou produto farmacêutico especificado, aconselha-se o leitor a cercar-se da mais atual informação fornecida (i) a respeito dos procedimentos descritos, ou (ii) pelo fabricante de cada produto a ser administrado, de modo a certificar-se sobre a dose recomendada ou a fórmula, o método e a duração da administração, e as contraindicações. É responsabilidade do médico, com base em sua experiência pessoal e no conhecimento de seus pacientes, determinar as posologias e o melhor tratamento para cada paciente individualmente, e adotar todas as precauções de segurança apropriadas. Para todos os efeitos legais, nem a Editora, nem autores, nem editores, nem tradutores, nem revisores ou colaboradores, assumem qualquer responsabilidade por qualquer efeito danoso e/ou malefício a pessoas ou propriedades envolvendo responsabilidade, negligência etc. de produtos, ou advindos de qualquer uso ou emprego de quaisquer métodos, produtos, instruções ou ideias contidos no material aqui publicado. O Editor

CIP-Brasil. Catalogação na Publicação Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ B731a

Borges, Lusiane Camilo ASB e TSB: formação e prática da equipe auxiliar/Lusiane Camilo Borges. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. il.; 27 cm. Inclui índice ISBN 978-85-352-7895-8 1. Saúde bucal – Brasil. 2. Técnicos em higiene dentária – Treinamento – Brasil. 3. Auxiliares de odontologia – Treinamento – Brasil. 4. Auxiliares de odontologia – Oferta e procura – Brasil. I. Título.

14-16706

CDD: 617.6023 CDU: 617


Dedicatória

Minha formação não poderia ter sido concretizada sem a inestimável ajuda de meus amáveis pais Augusto e Neusa Maria, que no decorrer da minha vida, proporcionaram-me, além de imenso carinho e amor, os conhecimentos de integridade, perseverança, honestidade e humildade para com o próximo. Dedico esta obra também aos meus filhos André e Helena e à minha querida sobrinha Giovanna, que me encorajam a seguir o caminho de ser melhor a cada dia. À minha irmã Vanessa e ao meu marido William, que contribuíram sobremaneira para esta imensa felicidade e realização. Por essa razão, gostaria de dedicar e reconhecer a vocês minha imensa gratidão. À minha família, meu eterno amor e carinho. Lusiane Borges


Agradecimentos

A todos os colaboradores deste livro – especialistas, pesquisadores, doutores, mestres e técnicos – pelo empenho na elaboração de seus capítulos. A realização desta obra não seria possível e sua amplitude jamais alcançada sem a valorosa dedicação de cada um de vocês. A todos os alunos que durante os últimos quinze anos participaram dos cursos por mim ministrados, acreditando nas mensagens transmitidas, incentivando o aprofundamento de pesquisas pessoais e facilitando, sobremaneira, o ajuste da abrangência de todo o conteúdo. A todas as entidades – Conselho Federal e Conselhos Regionais, Universidades, Associações e Centros de Estudos Odontológicos – que confiaram em nosso trabalho, dando liberdade profissional e mantendo suas portas sempre abertas para divulgar conceitos e inovações capazes de trazer melhorias ao ambiente de trabalho do cirurgião-dentista e de sua equipe auxiliar. A toda Equipe Biológica que, ao longo dos últimos anos, se tornou uma grande família, pelos esforços pessoais despendidos em favor dos objetivos coletivos alcançados. A todos que estiveram à minha volta no auxílio da difícil tarefa de realizar este trabalho quase interminável e que neste espaço não caberia enumerar. Lusiane Borges


Apresentação I

Este livro é uma vitória para toda a Odontologia. Ele é o resultado concreto de uma luta que começou no final da década de 1970, com muita desconfiança e grandes desafios a vencer. Felizmente, os desafios foram vencidos gradativamente, com muita luta e determinação. Quanto à desconfiança e ao preconceito ainda há muito que fazer. Falar em pessoal auxiliar em Odontologia em meados de 1980, principalmente da formação do Técnico em Higiene Dental, não era nada fácil. Significava contrapor-se ao status quo corporativo da época. Ameaças veladas e reais recaiam sobre os que defendiam a ideia de formar estes profissionais. A maior delas é que se estava incentivando a formação de dentistas práticos e que isto seria cobrado judicialmente dos que propunham esta nova situação. Para frustração dos que assim pensavam e agiam, a história mostrou exatamente o contrário. O tempo se encarregou de revelar a verdade, com fatos e números concretos. Os THDs ao longo destas décadas mostraram a importância de seu trabalho. Não só aumentaram a cobertura dos serviços, mas concretizaram a ideia da formação da equipe de saúde bucal. Por isso, a nova denominação da categoria – técnico em saúde bucal – não é apenas uma questão de semântica. A filosofia de trabalho e sua inserção na equipe justificaram a mudança do nome. A expectativa da Odontologia com os primeiros profissionais formados era o aumento da produtividade clínica, e a restauração de dentes o objetivo maior. Ainda me lembro dos alunos do primeiro curso voltando frustrados de seu estágio inicial juntos às suas clínicas de origem. Os cirurgiões-dentistas cobravam deles o aprendizado sobre restaurações de amálgama. Ante a resposta negativa, afirmavam que o curso não ensinara nada. Dá para entender. Vivíamos a fase cirúrgico-restaurador da profissão e o que mais interessava era a quantidade de procedimentos realizados. Na primeira aula após o retorno do estágio fiz questão de enfatizar que o objetivo do curso era formar promotores de saúde bucal e não restauradores de dentes. Não foi fácil a assimilação inicial, mas o tempo mostrou que a grande maioria incorporou a filosofia da promoção de saúde em sua prática diária.

As profundas modificações da Odontologia nos últimos anos, com a mudança do paradigma da prática clínica, mostrou que os objetivos propostos na formação dos técnicos em saúde bucal estavam corretos. Timidamente, deixamos de priorizar a quantidade de procedimentos cirúrgicos e restauradores, para dar ênfase à promoção de saúde, a prevenção e a humanização. A formação da equipe de saúde bucal permitiu uma visão integral do paciente e uma maior integração com as outras áreas da saúde. A implantação da Estratégia de Saúde da Família como uma prática reorientadora da atenção básica em saúde consolidou a importância do trabalho do pessoal auxiliar em Odontologia. Ela ampliou o escopo do trabalho da equipe para fora dos limites da clínica. Hoje, o técnico em saúde bucal deve ser capaz de conhecer o indivíduo em sua integralidade, o seu contexto familiar e social, trabalhando em busca da solução dos principais problemas de saúde, em especial da saúde bucal. A regulamentação da profissão foi uma vitória duramente alcançada, mas o caminho a percorrer ainda é sinuoso e com muitos obstáculos. A união da categoria, o trabalho consciente, a integração e principalmente a ética e o humanismo serão, com certeza, facilitadores da continuidade desta importante jornada. Sensibilizado por ter participado ao longo do tempo deste trabalho, ao lado de colegas destemidos e inovadores, tributo minhas homenagens aos profissionais auxiliares, técnicos em saúde bucal e auxiliares em saúde bucal, que mudaram a história da Odontologia no Brasil. Com a profunda convicção de que este livro ocupará um lugar de destaque neste importante momento de consolidação na formação e trabalho do pessoal auxiliar em Odontologia, sinto-me honrado em poder apresentá-lo. Léo Kriger Mestrado em Odontologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul Graduação em Odontologia pela Universidade Federal do Paraná Professor Adjunto da Universidade Tuiuti do Paraná Professor Assistente da Pontifícia Universidade Católica do Paraná


Apresentação II

Ao ser convidado a fazer também a apresentação desta obra, relembro a época em que a relação ACD e THD/ paciente era uma das minhas preocupações, o que me fez assumir a coordenação do então recém-criado Curso de ACD na Faculdade de Odontologia da UERJ em 1976. A relação pessoal auxiliar/ paciente teve uma evolução tímida, cheia de contradições e até preconceitos, que obstacularizaram o crescimento social da Odontologia e sua relação com outras profissões da área da saúde. O caminho percorrido de lá até hoje, por resoluções emanadas pelo CFO, pelos cursos oferecidos pelo país, por criação de associações entre outros tantos, culminando na lei no 11.889, de 24 de dezembro de 2008, sela definitivamente a importância e a legitimidade dessas duas profissões. Hodiernamente, vivemos como nunca a era da busca do saber para melhor atender e até competir. Na área da saúde, a mudança é permanente. Todas as decisões devem estar centradas na qualidade de vida dos pacientes, quer individual ou coletivamente, e eles estão cada vez mais exigentes e com grandes expectativas quanto à saúde bucal. É fundamental que o conhecimento científico que a Odontologia vem acumulando nas últimas décadas sobre promoção e preservação da saúde bucal seja desmono-

polizado às TSB e ASB em benefício da sociedade e da própria Odontologia. Todos, vez por outra, nos deparamos com dúvidas e necessidades de buscar informações para um melhor aproveitamento de nossas potencialidades profissionais, e recorremos invariavelmente a um livro. Na feitura de um livro didático, não basta só ter uma boa ideia. É preciso torná-lo realidade, isto é, que exponha de maneira clara e objetiva aquilo a que se propõe. Ao tomar paulatinamente o conhecimento do conteúdo deste livro, reconheci sua objetividade de proporcionar o desejado aperfeiçoamento profissional tão bem aprofundado, pelos sessenta e seis autores permeando seus quarenta e dois capítulos. Esta obra, sem dúvida, chega em ótima hora. Tenho certeza de que será de real utilidade para aqueles que a lerem, proporcionando condições de plena realização nas suas atividades. Mãos à obra, este é o momento! Henrique da Cruz Pereira Doutorado, Mestrado e Especialização em Odontologia pela UFRJ Professor da Disciplina de Sáude Coletiva na Faculdade de Odontolologia da UFRJ


Prefácio

A Odontologia brasileira se destaca na atualidade pela sua relevância em termos do número de cirurgiões-dentistas formados, pela importância no mercado mundial de equipamentos odontológicos e produtos para higiene bucal, pela qualidade da produção científica em âmbito internacional e pelo incremento das ações de saúde pública, notadamente a partir da implantação do Brasil Sorridente, política nacional de saúde bucal, em 2004. Sabemos que a prática odontológica não se faz só com o trabalho exclusivo do cirurgião-dentista. A incorporação de técnicos em prótese dentária (TPD) e auxiliares de prótese dentária (APD) era consensual na Odontologia. O mesmo não se pode afirmar em relação ao trabalho dos técnicos em saúde bucal (TSB) e auxiliares em saúde bucal (ASB). Desde o início da prática destes trabalhadores nos programas da Fundação Serviços de Saúde Pública em meados do século passado, setores expressivos da categoria odontológica se empenharam em restringir a existência e atuação desses profissionais. Desta forma, em novembro de 2009, o Conselho Federal de Odontologia registrava a presença de 9.524 TSB e 73.835 ASB para auxiliar o trabalho dos 225.172 cirurgiões-dentistas inscritos nesta autarquia. E, pasmem, quase um ano após uma das mais importantes conquistas para estes profissionais, quando na véspera do Natal de 2008, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei Federal no 11.889/08, que regulamenta o exercício das profissões de TSB e ASB no país.

É neste contexto que surge este livro. Coordenado pela Professora Lusiane Camilo Borges, e com o apoio de renomados profissionais que aliam o conhecimento técnico à experiência no trabalho e na formação de TSB e ASB, constitui-se numa referência obrigatória para a prática destes profissionais no Brasil. De abordagem abrangente, o livro contextualiza a equipe auxiliar na Odontologia atual, em coerência com o princípio constitucional de que a saúde é garantida por políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. A leitura deste livro contribuirá para a melhoria das práticas do TSB e do ASB nos serviços odontológicos públicos e privados. A dedicação de Lusiane Camilo Borges e dos demais autores deve ser realçada. Quem sabe, daqui a alguns anos, possamos caracterizar o Brasil também como um país de referência na plena utilização do pessoal auxiliar na prática odontológica. Marco Antonio Manfredini Doutorado na Área de Concentração de Serviços de Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo Mestrado em Ciências no Programa de Pós-graduação em Ciências da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo


Introdução

É inegável a importância da equipe auxiliar no exercício da Odontologia atual. A necessidade de melhorar, ampliar e democratizar o atendimento odontológico em todo o país fez com que as profissões de auxiliar em saúde bucal – ASB e técnico em saúde bucal – TSB fossem regulamentadas e ganhassem grande destaque no cenário da saúde brasileira. No entanto, para que o ASB e o TSB possam atuar com competência na equipe de saúde bucal é fundamental cuidar das bases de sua plena capacitação e formação profissional. Aceitar o desafio de coordenar uma obra interdisciplinar como esta, composta de 42 capítulos e fruto da reunião de 65 colaboradores, teve um único intuito: ampliar os horizontes do ASB e do TSB, oferecendo uma consistente fonte de pesquisa para sua formação e capacitação, capaz de munir professores e estudantes com a visão técnica e humanista que tanto caracteriza a atuação dos profissionais da equipe auxiliar. Seguindo tal objetivo, a obra foi organizada para que seu conteúdo pudesse fornecer subsídios confiáveis para o acompanhamento de cursos de Formação e Qualificação de ASB e TSB, treinamentos, pesquisa, enfim, tudo que se consiga traduzir pela expressão “educação continuada”, sempre visando a excelência no exercício da profissão. O livro está estruturado em blocos temáticos e aborda desde as disciplinas básicas da formação do ASB e TSB, passando pelas diversas subespecialidades odontológicas, novas práticas e inovações tecnológicas, estendendo-se a temas gerais da administração do consultório odontológico e sempre sob a luz da atuação do profissional da equipe auxiliar em saúde bucal, de acordo com suas atribuições legais. O primeiro bloco, composto de oito capítulos, tem o objetivo de contextualizar a equipe auxiliar em saúde bucal e apresentar conceitos de anatomia e fisiologia, farmacologia, saúde bucal e patologia bucal, temas estes que orientarão o exercício de suas funções na profissão. O segundo bloco que contém os seis seguintes capítulos compõe o núcleo de microbiologia, doenças infectocontagiosas de risco, controle de infecção, sustentabilida-

de, cuidados gerais com os equipamentos odontológicos e ergonomia. Nessa parte, são apresentados os principais microrganismos causadores de infecção, como atuam na saúde humana e os mecanismos e processos capazes de evitar sua disseminação, incluindo o destino e manejo dos resíduos gerados e sua disposição no meio ambiente, bem como os cuidados com a saúde ocupacional. O terceiro e maior bloco é composto pelos Capítulos 15 a 33 e aborda as diversas especialidades odontológicas, suas particularidades, bem como a interdisciplinaridade das mesmas. Especialidades tradicionais e recentes da Odontologia, cuidados com pacientes especiais, saúde da mulher, inovações tecnológicas e de atendimento que surgem como tendência no cenário odontológico. Diante dos expressivos avanços nas políticas públicas de atendimento à saúde bucal, o quarto bloco, composto pelos Capítulos 34 a 36, aborda temas de saúde coletiva e trata das estruturas públicas que compõem a crescente rede de atendimento odontológico no país. Os cinco capítulos finais representam o quinto e último bloco, que trata de assuntos relacionados à preparação pessoal do ASB e TSB, com foco na excelência do atendimento ao cliente-paciente, incluindo noções gerais sobre gestão, administração, informática e marketing da clínica odontológica. Acompanhando as tendências do mercado de trabalho da equipe auxiliar que se amplia a cada dia, em seu último capítulo, o livro aborda orientações indispensáveis para a participação em concursos e seleções. Amparados por inúmeras imagens, gráficos e tabelas, ASB e TSB – Formação e Prática da Equipe Auxiliar reúne textos elaborados por profissionais especialistas, com renome nacional e internacional em suas áreas que, de forma didática e objetiva, traduzem conceitos e técnicas essenciais para facilitar o aprendizado integral, fundamental para a Formação profissional do ASB e TSB. Boa leitura e bons estudos! Lusiane Borges Organizadora


Colaboradores

Adriana Aparecida Arranjo

Carlo Antonio Trivoli

Especialização em Odontopediatria na ACDBS (Associação de Cirurgiões-dentistas da Baixada Santista) Especialização em Implantodontia pela ABO – Santos, SP Graduação em Odontologia pela Universidade Sagrado Coração, Bauru

Especialização em Endodontia pela Universidade São Francisco (USF) Especialização em Implantodontia pela ABO – Campinas Coordenador e Professor dos Cursos de Implantodontia da ABO – Campinas Professor do Curso de Especialização em Implantodontia da SDS Porto – Lisboa, Portugal

Alessandra Barreto Cruz TSB Formada pelo SENAC em 2003 Acadêmica em Odontologia pela Universidade Cruzeiro do Sul Docente dos Cursos de ASB/TSB – Equipe Biológica Experiência em Saúde Pública desde 1996

Alessandra Coutinho Di Matteo Doutorado e Mestrado em Diagnóstico Bucal pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP) Especialista em Radiologia pela FOUSP Coordenadora do Curso Técnico de Radiologia Odontológica do Centro Técnico Educacional da APCD

Aline Rebelo de Araujo Mestrado em Odontopediatria pela Universidade Cruzeiro do Sul Especialização em Odontopediatria pela ABENO Professora Assistente do Curso de Especialização em Odontopediatria na ACDBS

Angélica Cristiane Búlio Soares Doutoranda em Odontologia em Saúde Coletiva pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP–UNICAMP) Mestrado em Saúde Coletiva pela FOP–UNICAMP Especialização em Saúde Coletiva pela FOP– UNICAMP

Carolina Cardoso Guedes Especialização em Odontopediatria pela SOESP Mestrado em Ciências pelo Departamento de Pediatria e Ciências Aplicadas à Pediatria pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM) Professora do Curso de Especialização em Odontopediatria da Associação Paulista de Cirurgiões-dentistas (APCD Central)

Celina Pereira dos Santos Lopes Graduação em Pedagogia pela Universidade Anhanguera ASB e TSB pelo Centro Formador do Trabalhador da Saúde (CETS) Presidente da APATESB – Associação Paulista dos Auxiliares e Técnicos em Saúde Bucal

Cláudia Bambini Martinez Graduação em Odontologia pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) Especialização em Dentística pela FOUSP

Cláudia Cotrim Dias Mestranda em Saúde pela EPM/UNIFESP Graduação em Odontologia pela UMESP Especialização em Odontogeriatria pela APCD Central

Augusto Roque Neto

Daniela Ramos da Trindade

Mestrado em Clínicas Odontológicas pela USP Especialização em Dentística Restauradora pelo CROSP Professor Adjunto do Curso de Odontologia da Faculdade da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo Docente dos Cursos de ASB/TSB – Equipe Biológica

Graduação em Odontologia Hospitalar pelo Hospital das Clínicas de São Paulo Cirurgiã-dentista do Hospital Heliópolis da Prefeitura de São Paulo Professora de Epidemiologia e Saúde Coletiva da UMESP


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ASB e TSB | Formação e Prática da Equipe Auxiliar

Danielle Costa Palacio

Francisco Octávio Teixeira Pacca

Mestrado em Saúde Coletiva pela FOP–UNICAMP Especialização em Saúde Coletiva pela Unigranrio Graduação em Odontologia pela UERJ

Doutorado e Mestrado em Estomatologia pela FOUSP Especialização em Cirurgia Bucomaxilofacial e em Radilologia pela ABMM Oficial Dentista R2 do Exército Brasileiro Instrutor de Pronto-socorrismo e Resgate pelo Corpo de Bombeiros do Estado de SP

Danny Firdman Graduado em Rádio e TV pela ECA–USP Criador, Desenvolvedor e Coordenador do Portal Open (informativo voltado à área odontológica)

Gabriela Vasconcelos Darcy Nobile Junior Especialização em Radiologia pela Unicastelo Especialização em Odontologia Legal pela USP Professor Coordenador do Curso de Especialização em Radiologia e Imaginologia da EAP-APCD Central Professor Responsável pela Disciplina de Radiologia das Universidades Nove de Julho (Uninove) e UMESP

Débora Ferrarini dos Santos Especialização em Odontopediatria pela ABENO MBA pela Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo MBA em Gestão Hospitalar pela Leopoldo Mandic Professora da Disciplina de Atendimento do MBA de Gestão de Negócios na Área da Saúde pela São Leopoldo Mandic (EAD)

Edson Humberto Lednik Graduação em Odontologia pela UMC Especialização em Radiologia e Imaginologia pela EAP-APCD Central Docente dos Cursos de ASB/TSB da Equipe Biológica

Eliel Soares Orenha Doutorado e Mestrado em Odontologia Preventiva e Social pela UNESP – Araçatuba Especialização em Odontologia Preventiva e Social pela UNESP – Araçatuba Professor na Disciplina de Odontologia em Saúde Coletiva e Extramuros no Curso de Odontologia do Instituto de Ciência e Tecnologia de São José da UNESP

Fernanda Nahás Pires Corrêa Especialização em Odontopediatria pela ABENO Doutorado e Mestrado em Ciências Odontológicas pela FOUSP Professora da Disciplina de Odontopediatria da Faculdade São Leopoldo Mandic Professora do Curso de Especialização em Odontopediatria da NAP Instituto

Fernando Alves Feitosa Mestrado em Odontologia na Área de Concentração Dentística pela Universidade Guarulhos Cirurgião-dentista pela Universidade Guarulhos Técnico em Prótese Dentária pelo Colégio Técnico Professor João Carrozzo

Graduação em Odontologia pela UMESP Especialização em Endodontia pelo CETAO Docente dos cursos de ASB/TSB da Equipe Biológica

Gilberto Branco de Souza Graduação em Odontonlogia pela USP Pós-graduação em Implantes, Cirurgia e Prótese – IAP Especialização em Endodontia pela USP Especialização em Prótese Dental pela ACDC Campinas Professor no Curso de Especialização em Endodontia – ABO Osasco

Helenice Biancalana Mestrado em Saúde da Criança e do Adolescente pela UNICAMP Especialista em Odontopediatria pela Uniscatelo Especialista em Ortopedia Funcional dos Maxilares pelo CFO Professora da Disciplina de Odontopediatria da Uniscatelo Diretora do Departamento de Prevenção da APCD Central Diretora da Associação Paulista de Odontopediatria (APO)

Irene Rodrigues dos Santos Graduação em Gestão Pública pela Faculdade Facinter – Curitiba Técnica em Saúde Bucal pela TTSB do Brasil – Curitiba Coordenadora Administrativa do Curso de TSB da Caetano Munhoz da Rocha (CFRH), Curitiba

Janice Amendola Freitas Gerente Comercial da AMEFRE – Central Odontológica Orientadora e Assessora na Pré-instalação e Instalação de Clínicas Odontológicas

José Leopoldo Ferreira Antunes Doutorado e Mestrado em Odontologia Social da USP Livre-docente em Ciências Sociais da USP Professor Titular do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP Professor do Departamento de Odontologia Social da FOUSP


| Colaboradores

José Mauro Unti Ferrer

Liliana Seger Jacob

Mestrado em Ortodontia pela São Leopoldo Mandic Especialização em Dentística Restauradora pela Unicastelo Pós-graduação em Periodontia pela Unicastelo

Doutorado em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo – IPUSP Mestrado em Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo – IPUSP Especialização em Psicologia Clínica pelo CRP Especialização em Psicologia Hospitalar pelo CRP

José Reynaldo Figueredo Doutorado em Ciências Odontológicas pela FOUSP Mestrado em Deontologia e Odontologia Legal pela FOUSP Especialização em Odontopediatria pela FOP – UNICAMP Especialização em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais pelo CFO Vice-presidente da Associação Brasileira de Pacientes com Necessidades Especiais (ABOPE)

Judith Aparecida Chaves Técnica em Saúde Bucal TSB de Estratégia Saúde da Família no Albert Einstein Docente dos Cursos de ASB/TSB da Equipe Biológica

Júlio César Bassi Doutorando em Pediatria pela Unicsul Mestrado em Odontologia pela São Leopoldo Mandic Professor Assistente das Disciplinas de Odontopediatria, Cariologia e Saúde Coletiva da UNISANTA Professor Assistente da Disciplina de Odontopedriatria da UNIARARAS Membro Diretor da Associação Paulista de Odontopediatria (APO) Docente dos Cursos de ASB/TSB da Equipe Biológica

Karen Renate Mazzetti Mestrado em Ciências Otorrinolaringológicas pela UNIFESP Graduação em Fisioterapia pela UNICID Especialista em Fisiologia do Exercício pela FMUSP-IOT – Hospital das Clínicas São Paulo

Kátia de Jesus Novello Ferrer Doutorado e Mestrado em Ortodontia pela FOP–Unicamp Especialização em Ortodontia pela Unicastelo Coordenadora do Curso de Mestrado em Ortodontia da São Leopoldo Mandic

Kleber Kildare Teodoro de Carvalho Mestrado e Especialização em Endodontia pela UMESP Graduado em Odontologia pela UMESP Professor de Graduação e Especialização em Endodontia da UMESP até 2012

Liliana Aparecida Mendonça Vespoli Takaoka Coordenadora do Grupo ATRAMI (Atenção Transdisciplinar Materno Infantil) Coordenadora do Ambulatório de Odontopediatria e Atendimento ao Prematuro da UNIFESP/ EPM Vice-presidente da ONG Viver e Sorrir: Grupo de Apoio ao Prematuro

Lucia Coutinho Porto Pós-graduação em Odontopediatria pela Uniscatelo Coordenadora do grupo de Saúde Oral da Sociedade Pediatria de São Paulo Membro da Associação Paulista de Odontopediatria Diretora e Proprietária da Clínica Dra. Lúcia Coutinho Odontologia Integrada

Luciano Lauria Dib Doutorado em Clínica Integrada pela FOUSP Mestrado em Patologia Bucal pela FOUSP Especialização em Estomatologia e Cirurgia Bucomaxilofacial Professor Titular de Estomatologia da Faculdade de Odontologia da UNIP

Luis Henrique Godeguez da Silva Graduação em Odontologia pela FOP–UNICAMP

Marcela Colombo Gil Graduação em Jornalismo pela UNESP Redatora de textos na Área de Saúde

Maria Lúcia Zarvos Varellis Graduação em Odontologia pela FOUSP Autora do Protocolo de Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais, do Ministério da Saúde Membro da International Association for Disability and Oral Health Ministradora da Escola CIAESO – Chile

Maria Salete Nahás Pires Corrêa Livre docente em Odontopediatria pela FOUSP Doutorado, Mestrado e Especialização em Odontopediatria pela FOUSP Coordenadora do Curso de Odontologia para Bebês na FUNDECTO-FOUSP Especialista em Pacientes Portadores de Necessidades Especiais

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ASB e TSB | Formação e Prática da Equipe Auxiliar

Marina Montenegro Rojas

Regina Auxiliadora Amorim Marques

Especialização em Odontopediatria pela Unicastelo Diretora da APCD Pinheiros Diretora da Associação Latino-americana de Pesquisas em Odontologia e Saúde – ALAPOS Cirurgiã-dentista do ESF – Albert Einstein Docente dos Cursos de ASB/TSB da Equipe Biológica

Doutorado, Mestrado e Especialização em Saúde Pública pela FSP – USP Especialização em Periodontia pela FUNDECTO Graduação em Odontologia pela FOUSP Assessora da Área Técnica de Saúde Bucal da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo

Renata Dias Resende Marina Silva Queiroz Xavier Técnica de Enfermagem Auxiliar de Saúde Bucal pela APCD

Octávio Augusto Cazelatto Graduação em Administração de Empresas pela Faculdade Tibiriçá-Brás Cubas Pioneirismo na Introdução de Embalagens de Esterilização na Odontologia

Odete Scapolan Graduação em Odontologia pela UMC Especialização em Saúde Coletiva pela USP Especialização em Gestão Pública pela Fundação e Escola de Sociologia e Política de São Paulo

Patrícia Pereira Nogueira Mestrado em Dentística e Especialização em Odontopediatria pela UNITAU Especialização em Odontologia do Trabalho pela São Leopoldo Mandic Professora e Coordenadora de Estágio Supervisionado em Saúde Pública pela FOV

Paulo Eduardo Sanseverino de Barros Monteiro Pós-graduação em Dentística pelo CETAO Pós-graduação em Prótese pela USP Especialização em Implantodontia pela ABO Campinas

Plínio Augusto Rehse Tomaz MBA em Inovação e Empreendedorismo – BI International Pós-graduação em Marketing pela ESPM Graduação em Odontologia pela USF Especialista em Administração Hospitalar (IPH) em Saúde Pública – UNAERP Macroeconomia – Columbia University Gestão de Relacionamento com Clientes pela Harvard Business School

Regina Vianna Brizolara Mestrado em Saúde Coletiva pela FOP-UNICAMP Especialização em Saúde Coletiva pela APCD São José dos Campos Aprimoramento em Odontologia Hospitalar pelo HC–FMUSP Graduação em Odontologia pela UMESP Atua como Analista Técnica de Políticas Sociais no Ministério da Saúde (08/2014)

Mestrado em Implantodontia pela São Leopoldo Mandic Professora de Emergências Médicas/Terapêutica medicamentosa da São Leopoldo Mandic Paramédica pela Chattahoochee Technical College – GA, EUA Instrutora de Basic Life Suport na BLS – EUA Instrutora de Advanced Cardiac Life Support na ACLS – EUA Instrutora de Prehospital Trauma Life Support na PHTLS – EUA

Renata Estephan Nobile Graduação em Odontologia pela FOUSP Professora do Curso de Especialização em Radiologia e Imaginologia da EAP –APCD Central Consultora Científica da Sirona Radiologista da Clínica Unirad, Diagnósticos por Imagem

Renata Tucci Mestrado e Doutorado em Patologia Bucal pela FOUSP Graduação em Odontologia pela UNESP – Araçatuba Professora Titular de Patologia Geral e Bucal da Universidade Paulista – UNIP, Campus Indianópolis – SP Professora das Disciplinas de Estomatologia e Imaginologia da Universidade Paulista (UNIP)

Ricardo Andrade Especialista em Implantodontia APCD Central Especialização em Periodontia pela UNISA Consultor Científico da Implante News

Rosa Maria Eid Weiler Mestrado e Doutorado em Ciências Aplicadas à Pediatria pela UNIFESP Especialização em Odontopediatria pela FOUSP Coordenadora da Área de Odontologia do Setor de Medicina do Adolescente da UNIFESP

Sandra Duarte Graduação em Odontologia pela UNICID Especialista em Dentística Restauradora pela APCD Santo André Especialista em Implantodontia pela UNICID


| Colaboradores

Sandra Kalil Bussadori

Vanessa Camilo Borges

Pós-doutorado em Ciências pelo Departamento de Pediatria e Ciências Aplicadas à Pediatria da UNIFESP/EPM Doutorado em Odontopediatria pela FOUSP Mestrado em Materiais Dentários pela FOUSP Professora do Curso de Mestrado e Doutorado em Ciências da Reabilitação da Uninove

Graduação em Educação Física pela UMC Extensão em Ergonomia na Saúde e Educação Postural pela UMC Coordenadora Científica da Biológica Consultoria em Saúde Diretora da Associação Latino-americana de Pesquisas em Odontologia e Saúde Docente dos Cursos de ASB/TSB – Equipe Biológica

Shirlei Cristina Teixeira Rodrigues Devesa Especialização em Ortodontia e Ortopedia Funcional dos Maxilares pela UNICASTELO Facilitadora do SEBRAE – ONU Professora de Empreendedorismo no Curso de Especialização de Ortodontia da UNICSUL Sócia Proprietária da CENPE Docente dos Cursos de ASB/TSB – Equipe Biológica

Vanessa Tilly Moutinho da Silva Pós-graduação em Odontologia Hospitalar pelo Hospital das Clínicas da FMUSP Cirurgiã-dentista do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP)

William Cunha Corvacho da Torre Silvia Maria Chagas Mestrado em Ortodontia e Ortopedia Funcional pela São Leopoldo Mandic Especialização em Odontopediatria pela UMESP Especialização em Ortodontia e Ortopedia Funcional dos Maxilares pela Unicastelo Professora-assistente da Equipe de Especialização em Ortodontia da APCD Vila Mariana

Mestrado em Tecnologia Ambiental – Gestão Ambiental em Foco em Gerenciamento de Resíduos de Saúde pelo IPT – USP Graduação em História e Geografia pela USP Docente dos Cursos de ASB/TSB Equipe Biológica Coordenador do Núcleo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Biológica

Wilson Galvão Naressi Tatiana Pegoretti Pintarelli Mestrado em Odontologia, Saúde da Criança e do Adolescente pela UFPR Especialização em Saúde Coletiva Residência em Odontologia Hospitalar, Pacientes com Necessidades Especiais pelo HC –FMUSP Especialista em Gerontologia Clínica e Social pela USP

Thásia Luís Dias Ferreira Doutorado e Mestrado em Diagnóstico Bucal pela FOUSP Especialista em Radiologia Odontológica e Imaginologia pela FUNDECTO – FOUSP Professora de Radiologia dos cursos de TSB, ASB da CTE – APCD Central

Doutor e Livre-docente em Ergonomia pela UNESP – São José dos Campos, SP Graduação em Odontologia pela UNESP – São José dos Campos, SP Professor Aposentado da Faculdade de Odontologia da UNESP – São José dos Campos, SP Ex-professor Titular das Faculdades de Odontologia de Taubaté – UNITAU e São José dos Campos – UNIVAP Coordenador de Curso de Formação de ASB na APCD Regional São José dos Campos

xxi


Sumário

DEDICATÓRIA v AGRADECIMENTOS vii APRESENTAÇÃO I ix APRESENTAÇÃO II xi PREFÁCIO xiii INTRODUÇÃO xv COLABORADORES xvii 1

10

11

12

CONTEXTUALIZAÇÃO DA EQUIPE AUXILIAR NA O DONTOLOGIA A TUAL 1

DE

NOÇÕES

DE

14

PRIMEIROS SOCORROS 28

15

FARMACOLOGIA 40

ANATOMIA DENTAL 50

17

Helenice Biancalana Marina Montenegro Rojas

7

18

NOÇÕES DE MICROBIOLOGIA INFECCIOSOS 125 Lusiane Camilo Borges Vanessa Camilo Borges

TÉCNICAS DE MÍNIMA INTERVENÇÃO – PROMOÇÃO DE SAÚDE BUCAL 223

DENTÍSTICA 231

RADIOLOGIA 250 Alessandra Coutinho Di Matteo Darci Nobile Junior Renata Estephan Nobile Thásia Luis Dias Ferreira

CÂNCER BUCAL 120 Luciano Lauria Dib Renata Tucci

9

ODONTOLOGIA A QUATRO MÃOS – RACIONALIZAÇÃO DO TRABALHO 213

Cláudia Bambini Martinez Patrícia Pereira Nogueira Sandra Duarte

NOÇÕES DE FISOPATOTOLOGIA BUCAL 102 Lusiane Camilo Borges

8

ERGONOMIA 202

Carolina Cardoso Guedes Sandra Kalil Bussadori

Augusto Roque Neto

SAÚDE BUCAL 72

E

AGENTES

E

EQUIPAMENTOS 192

Angélica Cristiane Búlio Soares Eliel Soares Orenha Wilson Galvão Naressi

16

6

DE

Janice Amendola Freitas Lusiane Camilo Borges Octavio Augusto Cazelatto

Lusiane Camilo Borges

5

MANUTENÇÃO

Augusto Roque Neto Karen Renate Mazzetti

Francisco Octávio Teixeira Pacca Renata Dias Resende Vanessa Camilo Borges

4

RESÍDUOS DE SAÚDE, MEIO AMBIENTE SUSTENTABILIDADE 183 William Cunha Corvacho da Torre

13

NOÇÕES DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA E ANATOMIA DE CABEÇA E PESCOÇO 9 NOÇÕES

CONTROLE DE INFECÇÃO E BIOSSEGURANÇA EM ODONTOLOGIA 153 Lusiane Camilo Borges

Vanessa Camilo Borges

3

DE

Lusiane Camilo Borges

Celina Pereira dos Santos Lopes Irene Rodrigues dos Santos

2

DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS RISCO NA ODONTOLOGIA 134

19

ENDODONTIA 266 Kleber Kildare Teodoro de Carvalho Luís Henrique Godequez da Silva


xxiv

ASB e TSB | Formação e Prática da Equipe Auxiliar

20

PERIODONTIA 279

32

Regina Auxiliadora de Amorim Marques

21

ORTODONTIA E ORTOPEDIA FUNCIONAL DOS M AXILARES 290 Katia de Jesus Novello Ferrer Silvia Maria Chagas

22

33

CIRURGIA 301

34

IMPLANTODONTIA 307

PRÓTESE 317

SAÚDE

DA

35

MULHER

27

ODONTOLOGIA

E

ODONTOLOGIA 330

36

PARA

BEBÊS 341

Fernanda Nahás Pires Corrêa Júlio César Bassi Maria Salete Nahás Pires Corrêa

37

ODONTOPEDIATRIA 347

38

39

ODONTO-HEBIATRIA ODONTOLOGIA PARA O ADOLESCENTE 354

EXCELÊNCIA

NO

ATENDIMENTO

429

O MARKETING

EA

ODONTOLOGIA 436

Plínio Augusto Rehse Tomaz

40

41

ADMINISTRAÇÃO E NOÇÕES ODONTOLÓGICA 442

DE

NOÇÕES

DE I NFORMÁTICA

GESTÃO

449

Danny Fridman Marcela Colombo de Oliveira Gil Marina Silva Queiroz Xavier

COM

José Reynaldo Figueiredo José Leopoldo Ferreira Antunes

31

PSICOLOGIA 420

Shirlei Cristina Teixeira Devesa

ODONTOGERIATRIA 361 ODONTOLOGIA PARA PACIENTES NECESSIDADES ESPECIAIS 367

SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) E ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA (ESF) 413

Débora Ferrarini dos Santos

Claudia Cotrim Dias

30

A EQUIPE DE SAÚDE BUCAL NA POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE BUCAL 402

Liliana Seger Jacob

Lúcia Coutinho Rosa Maria Eid Weiler Liliana A. M. V. Takaoka

29

SAÚDE COLETIVA 396

Danielle da Costa Palacio Tatiana Pegoretti Pintarelli

Adriana Aparecida Arranjo Aline Rebelo de Araujo Júlio César Bassi

28

ODONTOLOGIA

Regina Auxiliadora de Amorim Marques Regina Vianna Brizolara

Lusiane Camilo Borges Marina Montenegro Rojas

26

E

Daniela Ramos da Trindade Odete Pinto Scapolan Patrícia Pereira Nogueira Regina Auxiliadora de Amorim Marques

Edson Humberto Lednik Fernando Alves Feitosa Marina Montenegro Rojas

25

ODONTOLOGIA LEGAL DO T RABALHO 391 Danielle da Costa Palacio Patrícia Pereira Nogueira Tatiana Pegoretti Pintarelli

Carlo Antonio Trivoli Gilberto Branco de Souza Paulo Eduardo Sanseverino de Barros Monteiro

24

E

Gabriela Príncipe Vasconcelos Lusiane Camilo Borges José Mauro Unti Ferrer

Maria Lúcia Zarvos Varellis Marina Montenegro Rojas Ricardo de Andrade

23

INOVAÇÕES NA ODONTOLOGIA – TÉCNICAS, EQUIPAMENTOS, MATERIAIS NOVAS ESPECIALIDADES 381

42

CONCURSOS

E

SELEÇÕES 456

ODONTOLOGIA HOSPITALAR 377

Alessandra Barreto Cruz Danielle da Costa Palacio Judith Aparecida Chaves Tatiana Pegoretti Pintarelli

Tatiana Pegoretti Pintarelli Daniela Ramos da Trindade Regina Vianna Brizolara Vanessa Tilly Moutinho da Silva

ÍNDICE 459


6 Saúde Bucal Helenice Biancalana Marina Montenegro Rojas

INTRODUÇÃO “A promoção de saúde bucal está inserida num conceito amplo de saúde, que transcende a dimensão meramente técnica do setor odontológico, integrando a saúde bucal às demais práticas de saúde coletiva”. DIRETRIZES DA POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE BUCAL 2005 – MINISTÉRIO DA SAÚDE

Promoção da saúde é uma mudança paradigmática na qual se sugere que, para uma pessoa ser saudável, a ausência da doença não é suficiente nem tampouco necessária. Na verdade, um estado saudável não é assegurado pela ausência de doenças, podendo até mesmo ser compatível com certo nível de doença. Saúde e doença são determinadas por fatores sociais, econômicos e psicológicos, sendo pouco influenciadas por serviços médicos, ou mesmo por medidas efetivas de saúde pública. Mais importante é a incorporação das preocupações com a saúde nas discussões e implementações de políticas públicas macro e em nível local, como decisões nas áreas econômica e política. A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que a promoção da saúde deve ir além da educação, e tem como princípios-chave: envolvimento da população como um todo no contexto de sua vida no dia a dia, em vez de focar em pessoas com risco de doenças específicas; ação sobre os determinantes da saúde para assegurar que o meio ambiente total, que está fora do controle dos indivíduos, conduza à saúde; utilização de diversos métodos como comunicação, educação, legislação, medidas fiscais, mudança organizacional, desenvolvimento comunitário e atividades locais espontâneas, contra agentes prejudiciais à saúde; e o incentivo para que as pessoas encontrem suas próprias formas de administrar a saúde em suas comunidades. Promoção de saúde é basicamente uma atividade no campo social e não um serviço médico. Entretanto, os profissionais de saúde têm um papel importante em fomentar e facilitar promoção de saúde (World Health Organization – WHO 1984, 1986, 1988, 1991). Neste capítulo, serão abordados os problemas de saúde bucal, atualmente classificados pela OMS em cinco. Há uma discussão recente sobre incluir a fluorose como o sexto problema em virtude do aumento de sua incidência na população mundial. Neste capítulo, consideraremos 6 os problemas de saúde bucal:

1. 2. 3. 4. 5. 6.

Cárie. Doença periodontal. Má oclusão. Câncer bucal. Fendas e fissuras labiopalatinas. Fluorose.

OBS: Ao final deste capítulo, o assunto Dor Orofacial e Disfunção Temporomandibular será abordado por ser de suma importância no âmbito da prevenção em saúde bucal, embora ainda não seja considerado pela OMS como tal.

CÁRIE A cárie dental é reconhecida como uma doença crônica, resultado de perda mineral em esmalte, dentina ou cemento, causada por ácidos orgânicos provenientes da fermentação microbiana dos carboidratos da dieta, geralmente a sacarose. Possui caráter multifatorial, resultante da interação de três fatores essenciais (Figura 6-1): o hospedeiro/dente, a microbiota e a dieta/substrato (Keyes, 1962). Para Newbrun (1988), tais fatores estavam presentes em um certo período de tempo (Figura 6-2). Um novo diagrama relacionando fatores primários e secundários na etiologia da cárie dental está representado na Figura 6-3, onde os círculos entrelaçados são considerados os fatores primários ou essenciais à cárie, enquanto que os componentes salivares estão entre os secundários mais relevantes do processo (Weyne,1992). Embora sua etiologia seja multifatorial, os hábitos de vida e a infecção bacteriana são fatores bem importantes. A ingestão frequente de carboidratos fermentáveis leva à seleção de bactérias acidogênicas (capazes de produzir ácidos a partir de carboidratos) e acidúricas (capazes de sobreviver em ambientes ácidos) e a uma constante diminuição do pH ambiental, contribuindo para a solubilização dos minerais dentais abaixo de uma faixa crítica que varia entre 5 e 5,5 na ausência de fluoretos em solução.

Definindo potencial hidrogeniônico (pH) Consiste em um índice que indica a acidez, neutralidade ou alcalinidade de um meio qualquer. As substâncias em geral podem ser caracterizadas pelo seu valor de pH, determinado pela concentração de íons de Hidrogênio (H+). Quanto menor o pH, maior a concentração de íons H+ e menor a concentração de íons OH-.


6 | Saúde Bucal

DENTE

MICROBIOTA LESÃO DE CÁRIE

Seus valores pH variam de 0 a 14 e podem ser medidos através de um aparelho chamado Phmetro. Outro método menos preciso é com o uso de indicadores, substâncias que revelam a presença de íons de hidrogênio livres em uma solução; mudam de cor em função da concentração de H+ e de OH– de uma solução, ou seja, do pH. Veja como classificar se uma solução é ácida ou básica: pH 0 a 7 – Soluções ácidas pH = 7 – Soluções neutras pH acima de 7 – Soluções básicas ou alcalinas

SUBSTRATO

Escala de pH FIGURA 6-1

pOH Sumo de limão

Diagrama de Keyes.

Saliva

Amoníaco comercial

14_13_12_11_10_9_8_7_6_5_4_3_2_1_0 ÁCIDO NEUTRO BÁSICO 0_1_2_3_4_5_6_7_8_9_10_11_12_13_14

MICRORGANISMOS

Suco Suco de gástrico tomate pH HOSPEDEIRO

LESÃO DE CÁRIE

SUBSTRATO

TEMPO

FIGURA 6-2

Diagrama de Newbrun.

DENTE

Elementos – traço Nível de carbono

SALIVA Substrato Remoção oral Higiene oral Detergência do alimento Frequência de ingestão Carboidrato/concentração

FIGURA 6-3

Água sanitária comercial

A Figura 6-4 ilustra a relação entre a placa dental e os múltiplos determinantes biológicos que influenciam a probabilidade de desenvolvimento de uma lesão cariosa. A cárie é um processo dinâmico de constantes perdas e ganhos minerais em virtude do desequilíbrio no processo de desremineralização dos tecidos duros dentais. Tais processos metabólicos podem ser influenciados por vários fatores, como o fluxo salivar e a velocidade da capacidade-tampão e composição da placa e da saliva, dieta, entre outros.

Microbiota S. mutans Higiene oral Flúor na placa

SALIVA

Dente Idade Flúor Morfologia Nutrição

Sangue humano

MICROBIOTA LESÃO DE CÁRIE

SALIVA

SUBSTRATO

Diagrama de Weyne – Relacionados com fatores primários e secundários.

73


86

ASB e TSB | Formação e Prática da Equipe Auxiliar

direção ao sulco gengival, realizando-se movimentos de vestibular para lingual (movimento de limpador de para-brisa), repetidas vezes.

A criança fica em pé de costas para o cuidador, com a cabeça apoiada em seu corpo. Para o arco inferior, enquanto uma mão afasta os lábios, segura e estabiliza a mandíbula, a outra realiza os movimentos de escovação. No arco superior, a criança inclina a cabeça para trás, e o cuidador inclina-se para a frente, facilitando a visualização da região. São mais indicados os métodos de fones ou faxina bucal.

Higienização da língua Remover de maneira eficiente o biofilme do dorso lingual (saburra) é uma parte importante da higiene bucal. Para tanto, deve-se utilizar uma escova macia (Figura 6-23 A) ou limpadores apropriados (Figura 6-23 B).

FIGURA 6-20

Técnica Pádua Lima.

Técnica oclusal Com as cerdas perpendiculares em relação à face oclusal, ativar a escova com movimentos anteroposteriores, repetindo dez vezes. A

FIGURA 6-21

Técnica oclusal.

Posição de Starkey Uma das posições mais fáceis para adultos higienizarem crianças pequenas.

A FIGURA 6-22

B A, B, C. Posição de Starkey.

B A, Higienização de língua com escova dental. B, FIGURA 6-23 Higienização de língua com limpador lingual.

C


88

ASB e TSB | Formação e Prática da Equipe Auxiliar

lhores resultados no controle da placa bacteriana. Ao contrário dos pacientes com habilidade motora preservada, os que apresentam certa dificuldade tendem a escovar melhor com escovas elétricas, sobretudo em áreas como vestibulares de pré-molares e molares superiores e linguais de molares inferiores (Van Der Weijden et al., 1994). Um fator negativo na adoção desde dispositivo de forma coletiva é o alto custo. A técnica de escovação consiste em colocar a ponta ativa sobre a margem gengival, sob leve pressão e deslizar pelos dentes sequencialmente em cada sextante, tanto nas faces vestibulares quanto nas linguais/palatinas. Nas oclusais, as cerdas devem ficar perpendiculares aos dentes e os movimentos também se realizam automaticamente.

A

FIGURA 6-26 digital.

conforme for utilizando, poderá desenrolar de um lado e enrolar do outro. Prenda o fio/fita esticado entre o polegar e o indicador de cada uma das mãos, mantendo pequeno espaço entre eles; o fio deve ser passado pelo ponto de contato deslizando da vestibular para lingual até chegar na gengiva marginal. Retira-se o fio pressionando o mesmo contra a face vestibular de um dente e depois do outro. Técnica do loop ou circunferência

Utilizada para crianças ou pacientes com dificuldade motora. Quanto maior o apoio (todos os dedos da mão), maior a facilidade no manejo. Forma-se uma circunferência com 25 cm de fio/fita e à medida que é passada entre os dentes com os polegares e indicadores, a mesma é girada para sempre usar uma parte limpa do fio. Há alguns acessórios como o passa-fio (Figura 6-29 A), semelhante a uma agulha, indicado para aparelhos

B

A, Escova elétrica analógica. B, Escova elétrica

A

Fio/Fita dental Indiferente à utilização do fio ou fita, o importante é a técnica e a frequência. São incorporados diversos sabores e aromas com o objetivo de motivar seu uso. Podem ser encerados, permitindo maior conforto em contatos de difícil acesso. Alguns contêm flúor, para pacientes com alta atividade de cárie ou lesões de mancha branca. Técnica de Fio/Fita dental

Corte cerca de 40 cm de fio/fita, enrole a maior parte no dedo médio ou indicador de uma das mãos, e somente alguns centímetros em volta do dedo da outra mão; assim,

A

FIGURA 6-27

B

B A, Preparo do fio dental para técnica do loop ou FIGURA 6-28 circunferência. B, Técnica do loop ou circunferência.

C

A, Técnica de fio/fita dental (dedos). B, Técnica de fio/fita dental (início). C, Técnica de fio/fita dental (finalização).


8 Câncer Bucal Luciano Lauria Dib Renata Tucci

INTRODUÇÃO A cavidade bucal é acometida por inúmeras patologias, além das muito comentadas cárie e doenças gengivais. O estudo das lesões bucais ocorre em disciplinas específicas durante a formação do cirurgião-dentista (CD), denominadas Estomatologia e Patologia Bucal. O diagnóstico das patologias bucais é de responsabilidade do CD, mas acreditamos que o conhecimento básico destas lesões por toda a equipe de saúde bucal, incluindo técnicos de saúde bucal (TSB) e auxiliares de saúde bucal (ASB), é extremamente importante para os processos de diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos pacientes. Esses profissionais podem auxiliar o CD no que se refere aos aspectos preventivos e instrutivos e, por isso, é fundamental o conhecimento básico das principais patologias bucais. De uma forma geral, podem acometer a cavidade bucal patologias de origem infecciosa, inflamatória, imunológica, sistêmica, traumática, neoplásica, dentre outras. No grupo das lesões neoplásicas, temos duas classes: neoplasias benignas e neoplasias malignas. As neoplasias benignas apresentam crescimento lento e não têm a capacidade de se espalhar pelo corpo, fato denominado metástase. Já as neoplasias malignas apresentam crescimento rápido e destrutivo e podem originar metástases. Quando falamos câncer, estamos sempre nos referindo a neoplasias malignas. Portanto, câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo (Instituto Nacional do Câncer – INCA). Os diferentes tipos de câncer podem-se originar dos vários tipos de células que formam o corpo humano. Por exemplo, se o câncer tem início em tecidos epiteliais, como pele ou mucosas, ele é denominado carcinoma. Se começa em tecidos conjuntivos como osso, músculo ou cartilagem é chamado de sarcoma. Na cavidade bucal, apesar de podem-se encontrar todos os tipos de câncer citados acima, o mais observado é um originado do tecido epitelial de revestimento, chamado de carcinoma espinocelular (ou carcinoma epidermoide). Portanto, quando se aborda o tema câncer de boca, fala-se quase especificamente do carcinoma espinocelular, o qual corresponde à aproximadamente 95% de todas as neoplasias malignas diagnosticadas na cavidade bucal.

Sendo assim, neste capítulo abordaremos as principais características do carcinoma espinocelular de boca, considerando: fatores de risco, sinais e sintomas, características clínicas, principais lesões cancerizáveis, diagnóstico precoce, prevenção, tratamento e o papel do TSB e ASB frente ao câncer de boca.

CÂNCER DE BOCA De acordo com a Estimativa de Incidência do Câncer no Brasil, realizada pelo (INCA), válida para os anos de 2008 e 2009, aproximadamente 470 mil novos casos de câncer devem ocorrer no país. Desses, espera-se aproximadamente 14.160 novos casos de câncer de boca, sendo 10.380 novos casos no sexo masculino e 3.780 no sexo feminino. No Brasil, o câncer de boca é a quinta neoplasia maligna mais frequente em homens e a sétima em mulheres, representando, assim, uma doença de grande significado clínico.

Fatores de risco O carcinoma espinocelular tem seu desenvolvimento estimulado por fatores ambientais e fatores próprios do indivíduo. Os principais fatores de risco relacionados são: Idade superior a 40 anos. Sexo masculino. Tabagismo. Alcoolismo. Exposição solar nos casos de câncer de lábio. Dentre os diversos fatores que contribuem para o aparecimento de câncer, a idade é, sem dúvida, um dos mais importantes. O câncer de boca, como muitos outros tipos de câncer, afeta predominantemente indivíduos acima dos 40 anos de idade, sendo que no Brasil, mais de 70% dos casos diagnosticados estão acima dos 50 anos. Com o aumento da expectativa de vida da população, em função das melhores condições de vida nas últimas décadas, cada vez mais esperaremos o aumento da incidência de câncer na população. Essa ocorrência mais tardia do câncer de boca sugere que o fator tempo desempenhe um importante papel, predispondo às alterações bioquímicas e metabólicas, que também podem ser influenciadas por agentes externos, como: vírus, substâncias químicas e alterações hormonais. Além desses agentes, sem dúvida, fatores genéticos podem causar o câncer. • • • • •


8 | Câncer Bucal

A proporção de casos de câncer de boca entre homens e mulheres vem sofrendo profundas modificações nas últimas décadas. Nos Estados Unidos, essa relação era de 6:1 na década de 1950, sendo agora de 2:1. Na Índia, essa proporção também já caiu para 2:1. No Brasil, já se observa uma redução nessa relação, entretanto ainda não é tão evidente como nos países citados. Ainda há uma ocorrência de três casos nos homens para um caso entre as mulheres, segundo dados no Ministério da Saúde. O aumento de casos entre as mulheres é atribuído ao fato de haver aumentado o hábito de fumar entre as mesmas, sendo que esse hábito no Brasil só passou a ser mais difundido entre as mulheres a partir do fim da década de 1960, enquanto que nos países europeus e nos Estados Unidos, isso ocorreu já na década de 1950. Talvez, nos próximos anos, essa proporção no Brasil seja semelhante a dos outros países. As evidências estatísticas são muito claras sobre o papel do fumo (tabaco) e do uso de álcool na incidência de câncer de boca. Inúmeros estudos do Brasil e do exterior demonstram que um indivíduo que fuma um maço de cigarros por dia, durante 10 anos, apresenta um risco 15 vezes maior de desenvolver câncer na boca do que um indivíduo não fumante. Para os que além de fumar, consomem também bebidas alcoólicas, essa chance aumenta para 25 vezes. Além desses dois fatores, a exposição solar é fortemente relacionada ao aparecimento de câncer do lábio, sendo o lábio inferior absolutamente predominante em relação ao superior, justamente por ser mais exposto à radiação solar. Do mesmo modo que a radiação ultravioleta age na pele, aumentando o risco de desenvolver câncer de pele, ela age na semimucosa labial, predispondo a uma condição denominada queilite actínica, que é precursora do câncer de lábio. Alguns autores procuram relacionar os traumatismos crônicos de origem dentária ou protética, como possíveis agentes causais do câncer de boca. Considerando a grande quantidade de traumas na boca e a desproporcionalidade de aparecimento de câncer de boca, é pouco provável que os traumatismos crônicos de baixa intensidade sejam fatores etiológicos desse tipo de câncer. No entanto, é sempre recomendável que todos os problemas bucais sejam corrigidos, para evitar danos ao equilíbrio da saúde na boca. A presença de lesões ou traumas crônicos na boca pode favorecer o atraso do diagnóstico de um carcinoma que esteja de fato ocorrendo, pois este pode ser considerado, por um longo período, uma lesão de menor significado clínico, tanto pelos pacientes quanto pelos profissionais.

• Assimetrias e saliências na face e pescoço. • Mau posicionamento ou abalamento do suporte den-

tário. • Sangramento bucal constante e sem causa visível. • Dores de ouvido sem relação com problemas otológi-

cos, entre outros.

Características clínicas Dentre as regiões anatômicas intrabucais, língua (borda lateral, próxima à região posterior) e assoalho bucal são as áreas mais acometidas pelo câncer de boca. O número de casos no lábio inferior é praticamente o mesmo da língua, mas apresenta uma tendência de queda nos últimos anos, tanto no Brasil, como no exterior. Nas décadas de 1950 e 1960, o câncer de lábio era a neoplasia maligna mais frequente da boca, mas principalmente em função de medidas de controle da exposição solar, essa incidência vem caindo nos últimos anos. Esse fato revela o significante papel da educação e da informação para a prevenção do câncer. Todas as outras localizações anatômicas da boca: gengiva, área retromolar, palato mole, mucosa jugal e palato duro também podem ser afetadas. O câncer de boca apresenta um curso clínico muitas vezes de anos até que apresente sintomas. Essa característica talvez seja uma das responsáveis pelo atraso no diagnóstico. Muitos pacientes relatam ter percebido a lesão vários meses antes da consulta com o especialista, mas como não doía ou produzia outros incômodos, persistiram sem procurar assistência por um longo período. Outro fato importante é que na prática clínica diária do não especialista, o câncer não é uma doença que aparece frequentemente, e seus sinais e sintomas podem ser confundidos com processos benignos. Diante do exposto, ressalta-se a importância do exame clínico cuidadoso de toda a boca e orofaringe, mesmo em pacientes assintomáticos, pois somente assim lesões precoces poderão ser diagnosticadas. As formas clássicas de aparecimento do câncer de boca são as úlceras, nódulos e placas brancas e vermelhas da mucosa (Figuras 8-1, 8-2 e 8-3). As bordas das lesões estão frequentemente endurecidas e elevadas. O exame complementar que confirma o diagnóstico é a biópsia, que deve sempre ser incisional (remoção de apenas um fragmento, não da lesão inteira) e realizada em uma área representativa da lesão, longe de regiões necrosadas, seguida de exame anatomopatológico.

Sinais e sintomas É muito importante que sinais e sintomas, como os abaixo relacionados, sejam rapidamente esclarecidos, pois muitas vezes podem estar associados a lesões malignas da boca: • Pequenas úlceras, manchas, nódulos ou saliências in-

dolores. • Incômodos ou desajuste das próteses. • Modificações na fala ou alimentação, devido à menor

mobilidade lingual.

FIGURA 8-1 Nódulo – Carcinoma espinocelular em assoalho de boca. Lesão ulcerada com bordas endurecidas e evertidas.

121


122

ASB e TSB | Formação e Prática da Equipe Auxiliar

Lesões cancerizáveis

FIGURA 8-2 Úlcera na mucosa labial – Carcinoma espinocelular em lábio inferior oriundo de queilite actínica.

O carcinoma da boca não apresenta necessariamente uma lesão precursora, sendo que na maioria das vezes surge sobre uma mucosa aparentemente normal. Entretanto, existe um grupo de lesões que apresenta uma relação importante com a transformação maligna. O reconhecimento destas lesões é fundamental para a realização do diagnóstico precoce do câncer de boca. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como “lesões cancerizáveis” as alterações teciduais que podem sofrer transformação maligna com maior frequência que o tecido normal. Na cavidade bucal, as lesões cancerizáveis mais importantes são: Leucoplasia, Eritroplasia e Queilite Actínica. A Leucoplasia é a lesão cancerizável mais frequente. É definida pela OMS como uma lesão branca, plana ou elevada, lisa ou rugosa, que não se destaca após raspagem, que não regride após a eliminação de possíveis fatores causais e que histologicamente não pode ser classificada como nenhuma outra doença (Figura 8-5). Os pacientes portadores de Leucoplasia devem ser avaliados periodicamente, e o tratamento adequado deve ser considerado caso por caso. Fato importante é a eliminação dos fatores de risco associados ao desenvolvimento da leucoplasia e também do câncer de boca, como o tabagismo, por exemplo.

FIGURA 8-3 Úlcera na mucosa lingual – Carcinoma espinocelular em borda lateral de língua. Lesão avermelhada com bordas endurecidas.

Um procedimento que deve ser rotineiro no exame clínico de todos os pacientes é a palpação das cadeias de linfonodos do pescoço. Os linfonodos, também conhecidos como gânglios linfáticos, são estruturas nodulares distribuídas pelo corpo. Fazem parte do sistema imunológico e atuam na defesa do organismo, produzindo anticorpos. Usualmente os linfonodos não são palpáveis. Quando um linfonodo palpável é detectado na clínica, devem-se observar algumas características, como: localização, tamanho, consistência, temperatura, mobilidade e a presença ou ausência de dor. Linfonodos aumentados por resposta a um processo inflamatório/infeccioso normalmente são dolorosos e móveis, já linfonodos aumentados por invasão neoplásica não apresentam dor, são irregulares e são fixos nos tecidos (Figura 8-4).

FIGURA 8-5

FIGURA 8-4 Linfonodos aumentados por invasão neoplásica – Linfonodo metastático.

FIGURA 8-6 de língua.

Leucoplasia em borda lateral de língua.

A eritroplasia é uma lesão definida pela OMS como placa ou mancha bem definida, vermelha, superfície aveludada e que não pode ser diagnosticada como outra doença. É uma lesão bem menos frequente que a leucoplasia, mas na grande maioria das vezes apresenta um significado clínico muito mais complexo, pois a maior parte, quando diagnosticada, já apresenta sinais de malignidade (Figura 8-6).

Eritroplasia em região posterior da borda lateral


15 Odontologia a Quatro Mãos – Racionalização do Trabalho Angélica Cristiane Búlio Soares Eliel Soares Orenha Wilson Galvão Naressi

INTRODUÇÃO Desde o despontar da história, o homem vem lutando para aliviar o fardo de seus esforços diários. Considerada a longa extensão do percurso feito, seu progresso tem sido constante e seguro. Como profissão, a Odontologia teve um fantástico desenvolvimento em todos os seus diversos segmentos técnico-científicos. Isto se deveu à aplicação de princípios de Ergonomia. Esta é conceituada como a “aplicação das ciências biológicas em conjunto com as ciências mecânicas para conseguir a melhor adaptação mútua do homem ao seu trabalho, visando melhor eficiência e prosperidade humana”. Disto resultou o equacionamento adequado da interação ambiente físico de trabalho – equipamento odontológico – trabalho auxiliado. O ambiente físico de trabalho assenta-se nas condições de iluminação, temperatura, ruídos e cores. Quanto mais ajustadas, maior o conforto. O equipamento odontológico ergonomicamente concebido permite ao profissional trabalhar em situação de conforto funcional, de comodidade. No estágio atual em que se encontra a Odontologia é muito difícil conceber o trabalho profissional sem a colaboração de ASB (auxiliar em saúde bucal). A necessidade de realizar o trabalho cada vez mais eficiente, no melhor tempo possível, com o menor desgaste físico e procurando trazer o máximo de conforto ao paciente durante a intervenção só será possível com a utilização de pessoal de apoio bem preparado. “O sucesso ou fracasso dos trabalhos realizados pelo CD dependem, em boa parte, da qualidade e quantidade da mão de obra auxiliar disponível. Daí a necessidade do pessoal auxiliar, com o conhecimento da filosofia de trabalho do CD a quem está subordinado, bem como de orientações técnicas para auxiliá-lo na área em que estiver atuando”. (Pilotto & Aguirre.) Com a evolução da Ergonomia na concepção do equipamento ocorreu mudança do paradigma da posição de trabalho; CD e ASB passam a realizar suas ações na posição sentada correta, e o paciente na posição supina, o que permite a visualização direta do quadrante a receber a intervenção. Assim, houve a necessidade de se dispor adequadamente o equipamento na sala clínica para permitir que os participantes do trabalho – CD e auxiliares – desempenhem suas atividades de maneira eficiente e produtiva.

Para que a equipe possa intervir nessa situação de conforto funcional é necessário que a cadeira clínica permita adotar a posição horizontal. A presença de apoio de cabeça com adequado ajuste vertical (ou também a utilização do chamado shoulder-neck roll: apoio de ombro-nuca), para a intervenção com visualização direta de maxila e mandíbula, vem completar as características ideais de uma cadeira clínica ergonomicamente concebida (Figura 15-1 A e B).

A

B FIGURA 15-1 A, B, Posições da cabeça do paciente para o trabalho com visão direta em maxila e mandíbula.

A posição supina é aquela em que o paciente está na horizontal, em decúbito dorsal, com a cabeça e os joelhos no mesmo plano; é a posição de descanso natural máximo, oferecendo total superfície de contato do corpo, total relaxamento, diminuindo a tensão e dificultando movimento repentino. Deve-se lembrar que na posição horizontal a circulação sanguínea fica equalizada, ou seja, todo segmento do corpo mantém a mesma hemodinâmica; do ponto de vista da irrigação cerebral isto é muito importante, pois previne a pré-lipotímia (provável pré-desmaio).


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ASB e TSB | Formação e Prática da Equipe Auxiliar

Nesta posição, o istmo das fauces (área de transição entre a boca e a faringe) fica fisiologicamente obliterado, pois a musculatura supra-hióidea e a ação da gravidade tracionam a base da língua para baixo. Isto dificulta a deglutição e/ou aspiração de corpos estranhos durante a intervenção (Figura 15-2 A e B)

A DELEGAÇÃO DE FUNÇÕES

A

B FIGURA 15-2

A

O trabalho na correta posição sentada requer haver um ângulo de 90° e 120° entre o fêmur e o conjunto tíbia-fíbula (região poplítea): o peso corporal estará devidamente distribuído entre os ossos da bacia e a planta dos pés, facilitando a circulação sanguínea de retorno, não favorecendo o aparecimento de varizes. Quando se assenta com o ângulo na poplítea em 90° a postura é estática (Figura 15-3 A), necessitando de adequado encosto na região da cintura para não causar problemas na coluna vertebral. Neste caso, a altura do assento do mocho varia de 39 a 45 cm (Figura 15-3 B). Existe também uma postura sentada dinâmica (Figura 15-3 C), com ajuda de assento adicional com a finalidade de se adotar uma angulação mais próxima de 110°, sendo esta mais aconselhada. Neste caso, a altura do assento do mocho deve variar entre 47 e 63 cm. Sentada confortavelmente, a equipe pode assumir postura ideal, com melhor aproximação do campo de trabalho.

A, Istmo de fauces aberto. B, Fechado.

B

Delegar função é transferir atividades a outra pessoa, tornando-a parte de nossas ações, desempenhando conosco, de acordo com nossa orientação e filosofia de trabalho. Seguir técnicas certas e padronizadas é a maneira mais eficaz de trabalho. Assim, orientar nossos colaboradores na mesma técnica é o passo decisivo para o acerto. A delegação de funções traz vantagens no trabalho produzido: maior rapidez na execução (duas ou mais pessoas trabalhando no mesmo objetivo), melhor qualidade e menor fadiga, com benefício direto ao paciente. A necessidade de delegar funções gerou uma categoria profissional que é ASB: é o pessoal de apoio regulamentado pela Lei 11.889, de 24/12/2008, que exerce ativida-

C

FIGURA 15-3 A, Postura sentada estática (Naressi, Orenha, Naressi, 2013). B, Assento adicional (Naressi, Orenha, Naressi, 2013). C, Postura sentada dinâmica (Naressi, Orenha, Naressi, 2013).


15 | Odontologia a Quatro Mãos – Racionalização do Trabalho

mento 4 (braço estendido) para alcançar mesas, gavetas abertas e o corpo do equipo e da unidade auxiliar. O último – círculo C – limita a área total da sala clínica. Aí ficam os armários fixos e lavatórios. Uma vez definido o círculo funcional de trabalho é necessário atentar-se para o plano horizontal: nada mais é do que um plano virtual de ajuste dos elementos do equipamento do CD e ASB em alturas iguais: mochos, armário deslizante, bandeja auxiliar e outros, de maneira que ambos visualizem o campo de trabalho e que, com simples movimento horizontal de braços, tenham acesso a tudo que necessitem. A altura dos mochos deve ser tal que permita aos usuários sentarem-se corretamente, com as costas bem apoiadas no encosto. Os cotovelos devem estar próximos ao corpo, para permitir a posição fisiológica de trabalho. Assim se consome menor quantidade de energia durante a intervenção (Figura 15-5).

FIGURA 15-5

sa antecipar-se ao movimento do CD: localizado em 2 ou 3h, realiza a retração de lábios/bochechas, promove a sucção de alta potência, transfere pontas ativas/instrumentos/materiais. Não se concebe a interrupção do fluxo de trabalho por qualquer motivo; todas as demais funções a serem exercidas ficarão a cargo de outro ASB (Figuras 15-6 a 15-13).

FIGURA 15-6

Posição de trabalho.

FIGURA 15-7

Área de transferência.

FIGURA 15-8

Posição das pernas.

Desenho esquemático do plano horizontal.

A disposição ideal das pontas ativas é aquela que permita o acesso tanto ao CD quanto ao ASB. O equipo móvel, colocado atrás da cadeira, ou o equipo semimóvel, colocado sobre o braço esquerdo da cadeira, atendem a essa necessidade. O instrumento poderá ser disposto em bandeja sobre o armário deslizante ou sobre o equipo atrás da cadeira, bem como em bandeja auxiliar aproximadamente sobre o tórax do paciente, permitindo acesso a ambos CD e ASB. A localização do CD destro poderá ser a de 9 as 12 h, movimentando-se de acordo com sua necessidade; a localização de ASB corresponde à de 2 as 3h. No caso de CD sinistro (“canhoto”), a localização de ambos será invertida.

PRINCÍPIOS DE ODONTOLOGIA A QUATRO MÃOS O objetivo do trabalho a quatro mãos é obter-se o máximo de produtividade, com o mínimo desgaste físico e com o máximo conforto ao paciente. Portanto, a delegação de funções encontra-se em sua plenitude. O primeiro princípio é que, nesta modalidade de trabalho, é necessária a presença de ASB nas funções de preparador e instrumentador, exclusivamente. A função de instrumentador exige o domínio da sequência dos atos do procedimento para que o ASB pos-

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ASB e TSB | Formação e Prática da Equipe Auxiliar

FIGURA 15-9

Retração e sucção. Visualização por ambos. FIGURA 15-13

Devolução de instrumento na bandeja.

Quando o equipo não dispuser a bandeja posicionada sobre o tórax do paciente, sugere-se colocá-la atrás da cabeça do paciente (Figura 15-14 A): isto permitirá a ambos o acesso ao instrumento.

FIGURA 15-10

Apreensão do instrumento.

A

FIGURA 15-11

Dedo mínimo para receber o instrumento.

B FIGURA 15-14 A, Alternativa de posicionamento da bandeja (atrás da cabeça do paciente). B, Posicionamento incorreto da bandeja.

A única alternativa não aceitável para o posicionamento da bandeja é a da Figura 15-14 B.

Função de preparador FIGURA 15-12 Transferência de instrumento pelos dedos polegar, indicador e médio.

A função de preparador caracteriza-se pelo preparo da bandeja para a intervenção no paciente. Isto exige o co-


17 Dentística Cláudia Bambini Martinez Patrícia Pereira Nogueira Sandra Duarte

INTRODUÇÃO A cárie dentária, uma das doenças mais comuns que afetam os seres humanos, apesar de ter sofrido um grande declínio nos últimos anos, ainda constitui um grande problema de Saúde Pública, principalmente no Brasil. Subsidiado pela cultura de ir ao consultório somente quando sente dor, o paciente permite que o processo carioso se estenda aos quadros mais avançados e muitas vezes irreversíveis. Dessa forma, o paciente precisa ser orientado quanto à importância da prevenção e das periódicas visitas ao cirurgião-dentista para que, caso haja doença instalada, seja detectada em seus primeiros estágios, tornando o tratamento mais conservador. Além da doença cárie, outras injúrias como fraturas, lesões não cariosas, alterações de cor, têm obrigado a indústria odontológica e aos profissionais de Odontologia a se aprofundarem cada vez mais na busca de técnicas e tecnologias que atendam os anseios de seus pacientes. Assim, a dentística é a especialidade mais rotineira do consultório, tendo como objetivo devolver a forma, a função e a estética dos elementos dentários que foram acometidos por cárie, fratura, desgaste e demais alterações na superfície dentária. Para isso, o cirurgião-dentista (CD) associa procedimentos semiológicos, terapêuticos, preventivos e promocionais de saúde para preservar e devolver a qualidade de vida ao seu paciente. Com o objetivo de formar uma parceria entre o cirurgião-dentista e os auxiliares e técnicos em Saúde Bucal, este capítulo visa apresentar noções básicas da especialidade facilitando a compreensão dos termos e técnicas de preparo e restaurações, tornando o trabalho mais ágil e consequentemente mais eficiente.

A ESPECIALIDADE Ao iniciar o estudo da dentística, torna-se necessário conhecer as estruturas anatômicas dos elementos dentários. O dente é formado basicamente na sua porção coronária pelo esmalte, que se apresenta como a camada mais externa, sólida e altamente mineralizada do elemento dentário. Subjacente ao esmalte, a dentina se apresenta como um tecido menos mineralizado e composto por túbulos dentinários por onde circula maior quantidade de fluido (Figura 17-1). Ao receber estímulos como calor, frio ou algum trauma, esses fluidos se movimentam podendo causar sensi-

bilidade à polpa em função de terminações nervosas que ligam tais estruturas. A dentina pode ser classificada de acordo com sua estrutura e cronologia de formação. Assim, a dentina primária é a que se forma antes da erupção do dente, já a dentina secundária se forma durante toda a vida do dente a partir de estímulos físicos ou biológicos considerados fisiológicos, se depositando ao redor da câmara pulpar. Finalmente, a dentina terciária, reacional ou reparadora se desenvolve frente a agressões pulpares mais severas, tais como lesões de cárie, trauma e demais injúrias. A polpa se localiza no centro do dente, sendo constituída por tecidos inervados e vascularizados que podem ocasionar grande desconforto ao paciente em casos de agressões reversíveis ou irreversíveis ao elemento dentário. A

B

Esmalte

Cálculo

Dentina Gengiva

Bolsa periodontal

Cemento Osso alveolar

Forame apical FIGURA 17-1 Anatomia Dentária. (De Bird e Robinson: Fundamentos em Odontologia para TSB e ASB, tradução da 10o ed, 2012, Elsevier.)

EQUIPAMENTOS E PERIFÉRICOS A dentística clínica, assim como qualquer outra disciplina na Odontologia, necessita dos equipamentos odontológicos básicos, como cadeira, equipo, mocho e refletor. Além dos equipamentos periféricos, como amalgamador convencional ou capsular (Figura 17-2) e aparelho fotopolimerizador (de luz halógena ou de Leds) (Figura 17-3).


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ASB e TSB | Formação e Prática da Equipe Auxiliar

A remoção da dentina cariada ou o preparo do elemento dentário pode ser realizado por meio de: • • • • •

FIGURA 17-2

Amalgamador.

FIGURA 17-3

Fotopolimerizador LED.

Aparelhos de raios X têm sua importância no diagnóstico e avaliação da dimensão das áreas afetadas nos elementos dentários. Os aparelhos de laser para técnicas de clareamento e tratamento de sensibilidade exagerada, além de autoclave ou estufa para esterilização dos materiais. Ou seja, para se realizar uma odontologia de qualidade, é necessário que exista uma infraestrutura mínima e que o auxiliar e técnico em saúde bucal se familiarizem com esses termos.

INSTRUMENTOS UTILIZADOS PARA O PREPARO CAVITÁRIO Atualmente a dentística se baseia em uma filosofia de valorização da estrutura dentária associando materiais e técnicas compatíveis e disponíveis no mercado. Na odontologia tradicional, visava-se tratar a doença, no modelo atual, visa-se cuidar da saúde do paciente. Para o atendimento básico e inicial do paciente faz-se uso do jogo clínico, composto de pinça, sonda exploradora e milimetrada, curetas (colher de dentina) e espelho bucal plano. Vários desses jogos devem estar sempre prontos, esterilizados e embalados à disposição do cirurgião-dentista. Com base no exame clínico, o profissional irá solicitar os demais instrumentos ou materiais eleitos na técnica a ser utilizada.

Instrumentos manuais e rotatórios. Laser. Sistemas sônicos e ultrassônicos. Abrasão a ar. Métodos químicos.

O método mais utilizado ainda são os instrumentos manuais e rotatórios, e a utilização racional e padronizada desses instrumentos traz benefícios tanto para o profissional como para o paciente. Assim, o ASB precisa disponibilizar esse material, facilitando e minimizando o tempo de trabalho. Os instrumentos rotatórios de corte, pontas e brocas são responsáveis pela remoção dos tecidos cariados e pela forma e contorno dos preparos. Além dessas funções, também são usadas para dar acabamento e polimento em restaurações de resina composta, amálgama e ionômero de vidro. As pontas e brocas podem ser diamantadas ou do tipo carbide e são classificadas e numeradas de acordo com suas formas básicas: esféricas, cilíndricas, troncocônicas, cone invertido e roda. Cada broca é indicada para um tipo de preparo. Existem as brocas para serem utilizadas em canetas de alta rotação ou baixa rotação (micromotor e contra-ângulo). Para procedimentos efetuados fora do ambiente bucal, como preparo e polimento de provisórios, usam-se as pontas montadas em pontas retas também no micromotor. As brocas para acabamento apresentam formas variadas e tem lâminas lisas, menores e em número maior que as brocas comuns. Além delas, existem as pedras montadas de carborundum e óxido de alumínio, assim como os instrumentos montados em mandril como o disco diamantado plano e disco de lixa de papel. Os instrumentos manuais cortantes são normalmente empregados para cortar, planificar ou complementar a ação dos instrumentos rotatórios, reduzindo muitas vezes a instalação de lesões secundárias de cárie (Mondelli, 2006). Normalmente feito de aço inoxidável ou aço carbono, os instrumentos, após sua lavagem, devem ser cuidadosamente secos para não enferrujarem e em seguida devidamente embalados e esterilizados. Os instrumentos cortantes manuais mais comuns são: cinzéis, enxadas, machados para esmalte, machados para dentina, recortadores de margem gengival, formadores de ângulo e o mais utilizado a colher de dentina para remoção de tecido cariado. Os instrumentos alternativos, como laser, sistemas sônicos e ultrassônicos, ar abrasivo e métodos químicos, têm apresentado uma evolução constante em sua aplicabilidade clínica, reduzindo desconforto do paciente e possibilitando um tratamento mais conservador. Entretanto, ainda apresentam limitações quanto ao seu uso e são matérias de alto custo, fora da realidade da maioria da população brasileira.

MATERIAIS AUXILIARES O ASB também precisa conhecer alguns materiais auxiliares à prática clínica como: escovas de Robson, taças de


17 | Dentística

estão sendo constantemente desenvolvidos para corresponderem a essa nova filosofia. Além disso, o trabalho do CD, associado ao eficiente auxílio do ASB e TSB, proporciona mais segurança e qualidade no resultado final dos procedimentos restauradores. BIBLIOGRAFIA 1. Amaral CM, Pimenta LAF. Quando substituir ou reparar uma restauração? RGO, v. 58, n. 5, p. 328-331;2003. 2. Barratieri LN. Procedimentos preventivos e restauradores” – Dentistica.– Editorial Quintessence, – pág. 509, 1995 3. Baratireri LN. et al. Procedimentos preventivos e restauradores. 6. ed. Rio de Janeiro: Quint. Intern. Books;1998 4. Bird Doni L, Robinson Debbie S. Fundamentos em Odontologia para TSB e ASB, 10 ed. Rio de Janeiro: Ed Elsevier, 2012 5. Black GV. Operative Dentistry. CHICAGO: Medico Dental; 1908 6. Botino MA. Atualização na clínica odontológica – A prática da clínica geral. 1. ed. São Paulo:Artes Médicas, 1996. cap.4, p. 77-91. 7. Busato, A . L. S. et al. “Cimento de ionômero de vidro – avaliação clínica como restaurador temporario e dentes posteriores. – Rev. Gáucha, Odont, 35: 232-5; 1987. 8. Busato, ALS. et al “Restaurações em dentes posteriores” – Dentisticca. (87-101) – pág 302; 1996. 9. Busato ALS. et al – Dentística, restauração de dentes anteriores, São Paulo, Artes Médicas; 1997. 10. Correia MSN. Odontopediatria na Primeira Infância. Editora Ltda.– pag. 679; 1999 11. Lobas CFS. et al. THD e ACD – Odontologia de qualidade, São Paulo: Livraria Santos Editora Ltda. 2004. cap.17, p. 207-237. 12. Mclean J W. “Limitations of posterior composte resins and extending their use with glass” – Ionomers cements. Quintess. Int, 18: 517-29; 1987

13. Mondelli J. et al – Dentística, procedimentos pré-clínicos. São Paulo, Santos; 2002. 14. Mondelli J. Fundamentos da dentística restauradora, São Paulo, Livraria Santos Editora Ltda. 1a ed; 2006. 15. Mount GL. Atlas de cimento ionômero de vidro . São Paulo, livraria Santos Editora Ltda; 1996. 16. Navarro MFL, Pascotto RC. Cimento ionômero de vidro, aplicações clínicas em Odontologia. São Paulo, A.P.C.D./ Artes Médicas; 1998. 17. Nogueira PP. Avaliação da espessura da camada híbrida em dentes decíduos preparados com ponta diamantada, broca carbide e ponta CVD para ultra-som, utilizando um sistema adesivo autocondicionante.. 65 f. Dissertação (Mestrado em Dentística) – Departamento de Odontologia, Universidade de Taubaté, Taubaté; 2005. 18. Pimenta LA. As restaurações e as decisões de substituí-las ou repará-las. In: BARATIERI et al. Odontologia Restauradora. Fundamentos e possibilidades. Livraria ed. Santos Ltda., cap.18, p.733735; 2001. 19. Pinheiro RF. et al. Avaliação clínica de restaurações de Resina Composta. RGO, v.47, no 3, p.142-144; 1999. 20. Plant CG. et al. Pulpal effects of a glass-ionomers cement. Int. Endod. V. 17:51-9, 1984. 21. Santos WN, Coimbra JL. ACD – auxiliar de consultório dentário, Rio de Janeiro: Livraria e Editora Rubio, 2004. cap.16, cap. 17. 22. Serra et al. Dentística e manutenção de saúde bucal. In: ABOPREV. Promoção de Saúde Bucal. cap. 12, p. 213-264; 2003. 23. Steinmest R, Busato S, Araujo B. A utilização dos cimentos de Ionômeros de vidro em odontpediatria”. Revista paulista de Odontologia, São Paulo, Brasil;1990. 24. Teixaira LC. Amálgama dental: preparos cavitários, técnicas de restauração e suas influências no desempenho clínico das restaurações. In: TODESCAN, F.F. 25. Wall AWG. Glass polyakeneate – glass – ionomer – Cimentes. A review. J. Dent. 14: 231 – 46; 1986. 26. Wilson AD, Mc Lean J W. Glass ionomer cement – Chicago, Quintensse Publishing Co. Inc.;1988.

ESTUDO DIRIGIDO 1. São características desejáveis dos cimentos de ionô-

5. De acordo com a classificação de Black, as cavidades

mero de vidro: a. Sinérese e liberação de flúor. b. Adesividade e embebição. c. Biocompatibilidade e recarregamento de flúor. d. Altíssima resistência à tração compressão e cizalhamento. 2. Em relação ao isolamento absoluto, assinale a alternativa incorreta: a. Para procedimentos em dentes anteriores, deve ser isolado de 1o pré-molar a 1o pré-molar do lado oposto. b. É completamente contraindicado para gestantes e lactantes. c. É imprescindível na confecção de restaurações diretas em resina composta. d. Tem como limitação os dentes com erupção parcial.

que são indicadas à utilização do sistema de matrizes e cunhas para a sua restauração são: a. Classe II e Classe IV. b. Classe III e Classe I. c. Classe I e Classe IV. d. Classe V e Classe II. 6. Na confecção do isolamento absoluto do campo operatório, utilizamos o perfurador de Ainsworth para perfurar o lençol de borracha. Assinale a questão que corresponde corretamente o dente a ser isolado ao orifício utilizado; levando em consideração que são cinco orifícios e que o 1o orifício é o menor: a. 2o orifício para pré-molares superiores. b. 3o orifício para incisivos superiores. c. 5o orifício para molares decíduos. d. 4o orifício para molares. 7. Em relação à manipulação de cimentos odontológicos assinale a alternativa incorreta: a. Cimento de óxido de zinco e eugenol deve ser manipulado com espátula no 24 flexível em bloco de espatulação. b. Cimento de fosfato de zinco deve ser espatulado em placa de vidro resfriada. c. É preferível a utilização de espátula plástica na manipulação com os cimentos de ionômero de vidro. d. Após a espatulação, a massa do cimento de óxido de zinco eugenol deve ter aparência de um “rolinho”.

Nas questões 3 e 4, complete com a letra correspondente à afirmativa correta: 3. ( ) Os cimentos de ionômero de vidro sofrem no pro-

cesso de presa a ___________ 4. ( ) Na espatulação do cimento de fosfato de zinco

ocorre uma reação __________ a. Anoréxica. b. Exotérmica. c. Cristalização. d. Geleificação.

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26 Odontologia para Bebês Fernanda Nahás Pires Corrêa Júlio César Bassi Maria Salete Nahás Pires Corrêa

INTRODUÇÃO O início da atenção odontológica a bebês remonta ao começo do século XX. Em 1912, Evangeline Jordan chamou a atenção dos cirurgiões-dentistas para a necessidade de orientação e cuidados de saúde bucal em crianças de baixa idade. No Brasil, essa prática teve início na Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 1984, com o programa denominado Plano de atendimento odontológico no primeiro ano de vida, posteriormente intitulado Odontologia para bebês. Esse programa, atualmente conhecido como Bebê-clínica, compreende um sistema de atendimento voltado à promoção da saúde bucal e à prevenção da cárie dentária em bebês. A procura por atendimento à saúde bucal de bebês aumentou muito nos últimos anos. Assim sendo, cabe ao

cirurgião-dentista orientar o(s) responsável(is) pelo paciente em relação aos cuidados voltados à preservação da saúde bucal, de forma a prevenir a instalação de doenças, e tratar as doenças já instaladas. Mas, para propiciar ao menor um tratamento odontológico rápido, eficaz e de qualidade, é fundamental que o cirurgião-dentista conte com uma equipe auxiliar, composta por técnicos de saúde bucal (TSB) e auxiliares de saúde bucal (ASB).

NOÇÕES GERAIS PARA ASB E TSB QUANTO AO ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO DE BEBÊS Quando, como e por quê? Quando: De acordo com a Academia Americana de Odontopediatria, a Associação Brasileira de Odontopediatria e os Encontros Nacionais de Odontologia para Bebês, a época ideal para o primeiro atendimento odontológico à criança se situa entre os quatro e os seis meses de vida. Esse atendimento inicial pode ser admitido até os 12 meses de vida. Como: O atendimento é realizado com a participação dos pais ou responsável(is) e de uma equipe composta por profissionais, como o cirurgião-dentista e sua equipe (ASB/TSB), que avalia as condições bucais e comportamentais relacionadas com os diferentes tipos de aleitamento, higiene bucal e estado geral da criança. Com base nessa análise, a equipe de saúde bucal apresenta o seu diagnóstico e define um protocolo de tratamento, quando necessário.

FIGURA 26-1 Profissional orientando a mãe para os cuidados com o seu bebê.

Por quê? Quanto mais precocemente se instalar a educação em higiene, maior naturalidade terá a criança de sistematizar hábitos saudáveis desde muito jovem. Dentre esses hábitos inclui-se a visita periódica ao cirurgião-dentista, até para a familiarização – e posteriores indagações – com os profissionais da área.

A PRIMEIRA CONSULTA

FIGURA 26-2

Cárie precoce na infância.

Considerando que o primeiro contato do bebê com o odontopediatra é de extrema importância, é desejável que as primeiras experiências sejam agradáveis, iniciadas com a familiarização das instalações e com a equipe de atendimento. Essa abordagem inicial deverá ser conduzida com base na idade e no temperamento do bebê, começando com


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ASB e TSB | Formação e Prática da Equipe Auxiliar

uma aproximação de natureza lúdica (jogos, brinquedos, objetos que despertem interesse), seguida pelo falar/mostrar/fazer. Posteriormente procede-se ao exame bucal.

FIGURA 26-3 Técnica do “falar, mostrar e fazer”: o profissional fala, mostra e depois executa o procedimento na criança.

Caso o bebê já seja portador de alguma doença, como cárie ou trauma, ao odontopediatra e equipe cabe fazer desse primeiro atendimento, o menos desconfortável possível. A primeira consulta deve ser realizada preferencialmente apenas com os pais, para que o profissional possa apresentar o seu consultório e/ou clínica e a sua proposta de trabalho. A ausência dos pequenos pacientes permitirá que os pais possam conversar com mais tranquilidade com o odontopediatra. Se isso não for possível, é conveniente que, no momento dessa primeira visita, um membro da equipe auxiliar fique com o bebê para distraí-lo. Nessa visita, é regra que a anamnese seja feita pelo odontopediatra por meio de entrevista com os pais para registro dos dados de maior interesse, e também para que eles possam esclarecer dúvidas com o profissional. O exame e/ou atendimento poderá ser realizado em dispositivos desenvolvidos para o atendimento de bebês, como a Macri e a Easy Baby®, que facilitam o posicionamento e a acomodação de bebês. Se os dispositivos próprios para a acomodação dos bebês não estiverem disponíveis, o exame e/ou atendimento poderá ser feito no colo da mãe, na própria cadeira odontológica ou por meio da posição joelho/joelho, dependendo do grau de colaboração dos bebês e dos pais. Para atender bebês, a equipe de saúde bucal (cirurgião-dentista, técnico de saúde bucal e auxiliar de saúde bucal) deve ter uma qualificação especial. Esses profissionais devem ter consciência de que interagem não só com o bebê – ser desprovido de códigos, indefeso e frágil –, mas com os pais e outros membros da família desse bebê, que estão levando ao consultório aquilo que têm de mais precioso na vida: seu filho. Com o objetivo de evitar transtornos decorrentes de diferenças de biorritmo, deve-se indagar, já na anamnese, sobre o ritmo da criança (horários em geral). Sempre que possível, devem ser evitados agendamentos de consultas em horários de sono e de mamadas ou papinhas, ou seja, a consulta deve ser marcada no horário em que o bebê estiver mais bem disposto.

FIGURA 26-4

Maca para atendimento ao bebê.

FIGURA 26-5 Bebê sendo atendido no colo da mãe. Observar apoio de cabeça realizado pelo auxiliar.

FIGURA 26-6 joelho.

Atendimento ao bebê na posição joelho com


26 | Odontologia para Bebês

TIPOS DE TRATAMENTO QUE PODEM SER REALIZADOS NA CLÍNICA DE BEBÊS Controle de biofilme bacteriano Este tipo de intervenção compreende a aplicação de evidenciador, para mostrar aos pais e/ou responsáveis pela criança o que é o biofilme dental, e destacar as áreas nas quais a escovação deve ser melhorada. Posteriormente, os pais e/ou responsáveis recebem orientação sobre as técnicas de higienização (escova e fio dental) e, por fim, procede-se à profilaxia com taça de borracha ou escova de Robson e, se houver necessidade, à aplicação tópica de verniz de flúor. A técnica preconizada nessa faixa etária é a de Fones, na qual os pais apoiam a escova nos dentes e executam movimentos circulares nas faces vestibular e lingual de todos os dentes superiores e inferiores. Na superfície oclusal, recomenda-se o método de escovação horizontal, no qual a escova é mantida em ângulo de 90º graus com o longo eixo do dente, e movimentada para a frente e para trás (Anaise, 1975). Os pais devem ser orientados a escovar os dentes da criança e a estimulá-la a praticar essa ação, para que ela adquira a necessária destreza manual.

Pedido do diário de dieta alimentar Quando necessário, o cirurgião-dentista deve orientar o auxiliar de saúde bucal a solicitar à mãe e/ou responsável que preencha o diário de dieta alimentar da criança. Nesses casos, o ASB deve explicar à responsável a maneira correta de preenchimento desse diário.

Tratamento restaurador Este tipo de intervenção tem como objetivo devolver forma e função aos dentes, restabelecendo o paciente nos seus aspectos físico e emocional.

Manutenção Aqui se inserem as consultas de controle, nas quais se procede a novo exame clínico para identificar a necessidade de alguma intervenção ou de manutenção do controle do caso.

CARACTERÍSTICAS E FUNÇÕES DA EQUIPE AUXILIAR QUE INTEGRAM EQUIPES DE TRATAMENTO ONDONTOLÓGICO A BEBÊS Empatia com crianças Atualmente, as profissões voltadas aos cuidados à saúde revestem-se de um caráter humanista, o que implica a valorização do paciente em seus aspectos físico, psíquico e, principalmente, emocional. Assim sendo, equipes profissionais de atendimento à saúde bucal – compostas por cirurgião-dentista, auxiliar de saúde bucal e técnico de saúde bucal – que tratam as crianças de forma mecânica, sem se importar com o ser humano e sem a preocupação de entendê-lo nas suas dificuldades, provavelmente fracassarão.

Paciência, delicadeza, gentileza e afetividade Não poucas vezes, a ASB pode ser instada a contar histórias, cantar músicas e estabelecer jogos para distrair a criança.

Adequação do meio bucal

Rapidez e eficiência

Nesta fase, o cirurgião-dentista pode realizar extrações, tratamento de canal, selamento de dentes e curetagens de lesões de cárie que estiverem abertas e que não apresentem risco de exposição pulpar, seguidas de restauração com ionômero de vidro e aplicação tópica de flúor.

Crianças, principalmente as muito jovens, tendem a se irritar com intervenções prolongadas e procedimentos demorados. Assim sendo, o fluxo de ações da equipe odontológica que atende bebês deve ser preciso, de forma a abreviar o desconforto do paciente.

A

B

FIGURA 26-7 A, Esquema educativo da técnica de Fones (movimento circular). B, Esquema educativo da técnica de Fones (movimento vaivém).

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ASB e TSB Formação Prática da Equipe Auxiliar  

Reunindo informações e conteúdo a partir de 15 anos de experiência em cursos para TSB e ASB dos maiores professores em diversos locais do pa...

ASB e TSB Formação Prática da Equipe Auxiliar  

Reunindo informações e conteúdo a partir de 15 anos de experiência em cursos para TSB e ASB dos maiores professores em diversos locais do pa...

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