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URGENTEMENTE É urgente o amor. É urgente um barco no mar. É urgente destruir certas palavras, Ódio, solidão e crueldade, Alguns lamentos, Muitas espadas. É urgente inventar a alegria, Multiplicar as searas, É urgente descobrir rosas e rios E manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros e a luz Impura, até doer. É urgente o amor, é urgente Permanecer. Eugénio de Andrade, Antologia Breve


"Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade". IMPROVISO DA ALMA E DO POETA (Rogério Martins Simões) Dia a dia o desamor Quebra o sentido da vida Sofre-se em segredo E na incerteza... Reina a ganância, A injustiça O sofrimento, a pobreza E o medo! É fácil dizer: Temos de ser solidários! Ser… não é fácil? A vida é tortuosa, Manhosa Vai tudo numa pressa. E na pressa tudo olha Nada se vê! Olho! Nada vejo! Olho! Nada sinto! Olho! Olho! Olho! Que vejo? Vai tudo na pressa À velocidade do salário.


Vai tudo na pressa À velocidade do ganho! E o homem virou máquina, Computador Autómato. Mas… o luar está igual O céu não mudou! Mudou a humanidade Que perdeu a individualidade. Passámos a ser números, Peças de inventário. Desumanidade! Dia a dia Caem os valores morais Perfilam as estatísticas Dos ganhos: Ganha a produção: Ganha-se menos! Trabalha-se mais: Ganha-se menos! Que importa? Se um homem tem fome? E se há revolta. Que importa? A quem importa? Importa é o dinheiro Ser rico, Virar banqueiro. Mas… a areia cintila no deserto! E nem tudo o que brilha é oiro


- Não vedes o céu a irradiar?! Não! A humanidade não luz: A sociedade é egoísta, Prolifera o desamor. Importa é estar na "berra" E neste egoísmo nada sobra. Está quase a bater no fundo! Estes tempos são difíceis Só há tempo para o fútil, Para a notícia brejeira, Para a asneira Para a coscuvilhice. E nesta agitação… A alma consome E o corpo mata. Mas o mar permanece azul! O melro assobia O vento vira furacão. Passou o tempo… (O tempo passa depressa) E na pressa Não há tempo para filhos. Dos filhos para os avós. Dos avós para os netos. Dos meninos para a família! Volta poesia! Volta poeta... Acredita... Que estamos no Outono,


Mais logo… será Inverno, Vem aí a Primavera Tudo será verde… renascido, E de volta ao lar, Em redor da lareira Quando o dia findar, Os avós, Os pais E os netos Recordarão histórias da vida, Contadas sem segredos, (Segredos bem guardados). E desses segredos Renascerão Os gestos colectivos de amor Repreendidos E esconjurados Os actos egoístas De desamor. E os meninos De volta às escolas (Sem números nas camisolas) Pintadas a lápis de cor Vão ter recreios doirados Em mil e uma aventuras. E se treparem às arvores, Subirão à “Torre de Babel” E todos se entenderão Na mesma língua. Porque a terra vai ser paraíso E os frutos não mais serão proibidos...


Poema Urgentemente