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Índice    3 Introdução  4 Alguns olhos do meu Diário Gráfico  5 Alguns olhos (Auto Retrato)   6 O que é o olho e como funciona?                 8 O olho inserido no rosto                 9 A sobrancelha no olhar  17 Ilusão de óptica e Op Art  19 A percepção e a teoria de Gestalt  20 O olho na arte  22 Conclusão  23 Bibliografia 

   

 


Introdução    No âmbito da unidade curricular de Psicologia da Percepção, foi proposto a realização de um Portfólio Individual. Para tal escolhi como tema base ‘O  Olho’,  pois  desde  que  frequentei  a  unidade  curricular  de  Desenho  II,  os  meus  esboços  são  maioritariamente  realizados  partindo  de  um  olho.  Não  esquecendo que nesta unidade, o olho, foi um tema trabalhado e debatido. Para desenvolver este trabalho começo por apresentar alguns desenhos do meu  Diário Gráfico, olhos nem sempre reapresentados de forma realista, mas sim com um toque surrealista; alguns desenhos do meu Auto Retrato; descrevo o  funcionamento do olho; o porquê do olho no rosto; a importância da sobrancelha no olhar; abordo a ilusão de óptica e a Op Art; a percepção e a teoria de  Gestalt; e finalizo analisando duas obras de arte que representam o olho ‐ O Olho como um Globo Estranho Dirige‐se para o Infinito de Olidon Redon e O  Falso Espelho de René Magritte.   

 


Alguns olhos do meu Diário Gráfico   

 

 

 

 

 

 

 

 

   

       

   

   

   

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Alguns olhos (Auto Retrato)              

 


O que é o olho e  como funciona?    O olho é o  órgão responsávvel pela visão não só do ser humano o mas também dee vários animais, q que permite deteectar a luz e transfformar a percepçãão  em impulsos elécttricos, ou seja, o o olho é uma estruttura que recolhe  estímulos visuaiss. Para uma melho or compreensão  da sua funcionalidade abordarei, d de  fo orma breve e simplificada, o olho tteoricamente.  2,5 cm de diâmettro, tem cerca de 7g , que se enco ontra dentro de u uma cavidade ósseea, protegido pelas  O globo occular é uma esferra com cerca de 2 pálpebras. O seu eexterior é revestid do por seis músculos, responsáveis pelos movimen ntos do olho, e três camadas concêntricas sobreposstas entre si, tend do  co omo função a visãão, nutrição e pro otecção. A córneaa faz parte da cam mada externa, quee serve para proteeger. A íris é a cam mada intermédia e a camada intern na  é composta pela re etina que é a partte nervosa. Para m manter a forma essférica do olho exxiste o humor aqu uoso (um liquido iincolor que existee entre a córnea ee o  cristalino) e o hum mor vítreo (uma ssubstancia que preenche todo o esspaço interno do  globo ocular). O ccristalino encontrra‐se atrás da pup pila para orientarr a  passagem da luz atté à retina.   Assim  sen ndo,  a  luz  atraveessa  em  primeiro o  lugar  a  córneaa,  passa  pela  íriss  (que  regula  a  quantidade  de  luzz  recebida),  é  foccada  pelo  cristalino  e  projectada  na  retina.  Esta  é  é composta  por  várias  células  nervvosas,  onde  enco ontramos  os  con nes  e  os  bastone etes  que  transporrtam  a  imagem  através  do  nervo  óptico  fazendo‐aas  chegar  ao  cére ebro.  Estas  células  são  as  responsááveis  pela  visão  das cores, nomead damente o azul,  vermelho e verde e. Gostaria de salientar que a faltta de um destes  grupos de cones leeva à doença de D Daltonismo, o que e para um artista o ou para um apaixonado pela arte  de muro a derrubar.  pode ser um grand         6 


Ainda encontramos em redor do olho, as pálpebras (superior e inferior), sobrancelhas, glândulas lacrimais e pestanas (cílios). Que protegem o olho  do  pó,  excesso  de  sol,  suor,..  existe  também  a  conjuntiva  (pálpebras)  responsável  pela  protecção  e  para  espalhar  as  lágrimas  (produzidas  nas  glândulas  lacrimais) para lavar e lubrificar o olho.      

   


O olho inserido no rosto     

O rosto do ser humano encontra‐se na parte frontal da cabeça, e é composto por sobrancelhas, olhos nariz e lábios. Estes elementos estão dispostos 

no rosto de forma simétrica. Se traçarmos uma linha vertical no centro do rosto encontramo‐lo dividido de forma simétrica. O nariz e a boca estão divididas  ao meio, mas como o humano tem dois olhos, estes não poderiam estar dispostos da mesma forma.  

?

Todos  os  elementos  do  rosto  estão  dispostos  da  forma  como  vimos  na  imagem  ao  lado  direito,  não  por  acaso  mas  sim  por  alguns  motivos.  Por  exemplo,  o  nariz  ao  estar  por  cima  da  boca  permite‐nos  cheirar  a  comida  antes  de  a  ingerir;  como já referido, as sobrancelhas estão por cima  dos olhos para os protegerem da água, suor e sol.  Nada foi feito por acaso.   Entre  o  início  do  nariz  encontramos  um  olho  do  lado  esquerdo  e  outro  do  lado  direito,  equilibrados  horizontalmente.  Ao  encontrar‐se  nesta  posição  permite‐nos  ter  uma  visão  periférica, onde conseguimos perceber o que está  para além do foco principal de visão.  E  por  que  estão  eles  colocados  no  rosto  em  vez  de  estarem  nas  palmas  das  mãos,  por  exemplo?  Daria um certo jeito, pelo menos quando tivesse  de  ver  o  que  está  no  fundo  do  meu  roupeiro  estendia somente a mão. Mas ao cozinhar, muito  provavelmente  ficaria  com  os  olhos  incandescentes. E porque não termos um olho na  testa  e  outro  na  nuca?  Bem,  mas  talvez  o  local  mais indicado seja mesmo onde estão.   8 


A sobrancelha no olhar 

  As  sobrancelhas  são  os  pilares  centrais  da  estrutura  do  rosto,  dão  força  e 

   

definem  a  nossa  expressão  de  olhar.  Para  além  de  protegerem  o  olho,  como  já 

 

referenciado,  são  elas  que  dão  expressão  ao  nosso olhar.  Quando  o  humano  muda  de  expressão  facial  ou  emocional  a  sobrancelhas  acompanham  o  movimento  dos  músculos  frontais.  São  elas  que  dão  expressão  ao  nosso  olhar.  Mas  por  vezes  tornam‐se  enganosas,  porque  não  são  só  elas  que  fazem  mudar  uma  expressão,  a  boca também é muito importante. Vejamos, nas imagens apresentadas, os olhos são  os  memos  da  mesma  expressão  facial.  Mas  na  imagem  superior  como  o  rosto  não  está  completo,  a  inclinação  da  sobrancelha  aparenta‐nos  um  olhar  surpreso,  de  susto, ou de medo. Mas na imagem abaixo, o rosto ao estar completo, vimos que a  boca tem a língua de fora. Assim podemos confirmar que é uma expressão de ‘gozo’  e não de susto.  O  poder  que  a  sobrancelha  tem  no  rosto  é  enorme  para  demonstrar  um  estado  de  espírito.  Vejamos  na  página  seguinte  a  demonstração  feita  por  uma  personagem, que desenvolvi para um trabalho de grupo.   


Estas duass ilustrações são iiguais, menos a p posição da sobran ncelhas, o que mu uda sem dúvida aalguma a expresssão facial deste cáágado. Na primeiira 

im magem, as sobran ncelhas acompanham o arredondaado do olho, o qu ue faz com que o  olhar esteja aparrentemente norm mal, mas a forma d da boca demonsttra  medo. Na imagem m m seguinte apesar  da posição da bo oca ser a mesma,  as sobrancelhas  estão arrebitadass do lado exteriorr, o que faz com q que o cágado tenh ha  uma expressão de fúria. 

 

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Para salientar ainda mais a importância da sobrancelha na expressão do olhar, tirei fotografias a várias expressões, e retirei‐as para poder fazer uma 

comparação entre a expressão com e sem sobrancelhas.  

 

 

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Ilusão de óptica e Op Art    O termo ilusão de óptica, como o próprio nome indica, são ilusões provocadas na visão humana, ou seja são imagens que ‘enganam’ a sistema visual  humano. Nós, seres humanos, não conseguimos por muitas vezes, ver correctamente ou de forma certa a realidade em função de uma série de factores:  biológicos,  psicológicos,  sociais,  mentais  e  espirituais;  temos  assim  uma  falsa  impressão  de  verdadeira  realidade  que  observamos,  a  chamada  ilusão  de  óptica. As imagens que mais causam ilusão são as utilizadas na arte. Existe a arte que explora a falibilidade do olho e o uso de ilusões de óptica, designamo‐ la então de Op Art (optical art), que significa ‘arte óptica’. Defendida pela arte “menos expressão e mais visualização”. Apesar do rigor com que é elaborada,  demonstra um espaço precário e instável em constante movimento.    Estes  trabalhos  são  geralmente  abstractos,  e  muitas  obras  utilizam  somente  o  branco  e  preto.  Quando  os  observamos  aparentam  estar  em  movimento,  com  clarões  ou  vibrações,  parecendo  deformar‐se,  brincando  com  as  nossas  percepções  ópticas.  A  dinâmica  da  pintura  é  alcançada  com  a  oposição  de  estruturas  idênticas  que  interagem  umas  com  as  outras,  produzindo  o  efeito  óptico.  Diferentes  níveis  de  iluminação  também  são  utilizados  constantemente, criando a ilusão de perspectiva. Também a interacção de cores, baseado nos grandes contrastes ou na utilização de cores complementares  são a matéria‐prima da Op Art.   

Na imagem ao lado observamos que esta é somente composta por círculos. Mas estes ao diferirem na 

sua sombra faz com que o ‘olho’ concluía que o centro da imagem sobressaia como se de uma bola se trata‐se.             

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Temos como principal artistas deste movimento Victor Vasarely, Richard Anuszkiewicz, Bridget Riley e  Kenneth Noland. Apresento algumas das  suas obras, respectivamente:    

  

Aproximadamente 50% de tudo o que vimos é ilusão, pois as imagens que vimos directamente cruzam‐se com imagens da nossa memória. E aqui 

poderemos aplicar a teoria Gestalt, uma teoria que estuda a forma e da percepção.     

 

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A percepção e a teoria de Gestalt    Considera‐se por percepção  a organização dos sentidos. Ou seja, podemos considerar uma função de captação de informação do mundo exterior ou  interior,  onde  organizamos  as  sensações  já  adquiridas,  que  por  sua  vez  são  reorganizadas  para  nos  dar  uma  resposta.  Se  a  sensação  é  aquilo  que  nos  é  transmitido  através  dos  sentidos,  a  percepção  é  o  que  pré‐definimos  que  vamos  sentir  baseado  em  sensações  anteriormente  adquiridas.  Então,  para  podermos percepcionar algo temos de viver uma experiência que englobe algum/s dos sentidos. Exemplificando: ao olhar para uma figura, um triângulo, se  este não estiver completamente delineado, percepciono‐o ‘automaticamente’ sem estar completo, porque já visionei  inúmeras vezes esta figura; outro exemplo: apesar de não existir nenhuma linha a delinear, conseguimos ver que existe  um  quadrado  que  envolve  a  imagem  apresentada  ao  lado.  Há  um  reconhecimento  das  formas  onde  as  suas  partes  parecem definir um todo. É curioso que para além dos seres humanos, os animais também são capazes de reconhecer  uma  forma  mesmo  quando  todas  as  partes  que  a  compõem  foram  alteradas,  pois  nós  humanos  gostamos  de  ser  superiores aos animais, mas estes acompanham‐nos bastante bem em vários ‘patamares’.   E é aqui que chegamos até à famosa teoria de Gestalt, que significa estudo da forma. Esta teoria defende que a  imagem é percebida como muito mais que a soma dos elementos que a constituem. Primeiro percepcionamos o todo e só depois baixamos as partes, ou  seja, a imagem total corresponde à forma como as partes estão dispostas e não à soma destas. Por isso é considerada construtivista, onde não é possível  subtrair formas, só adicionar.  Gostaria  de  visar  que  nem  sempre  esta  teoria  é  viável.  Pois  uma  pessoa  que  nunca  tenha  visto  um  círculo,  também  o  ‘fecha’  segundo  a  teoria?   Penso que não.  Esta teoria e a ilusão de óptica (que estão associadas) tiveram muita influência na arte, como já referenciado. Pois estas provocaram e continuam a  provocar impacto e curiosidade tanto no artista como no espectador.     

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O olho na arte     

Voltando à base do tema, o olho também foi bastante explorado por artistas. Talvez porque o olho e a visão no mundo das artes é a base de tudo. 

Por tal gostaria de abordar alguns dos artistas que a partir de um olho realizaram obras bastante conhecidas.    O Olho como um Globo Estranho Dirige‐se para o Infinito   

Bertrand  Jean  Redon,  mais  conhecido  por  Odilon  Redon  (1840‐1916),  foi  considerado  o 

pintor  mais  importante  do  Simbolismo,  por  ser  o  único  a  exprimir‐se  com  uma  particular  linguagem  plástica  e  original.  Algumas  das  suas  obras  são  bem  surreais,  pois  representa  personagens esquisitas e monstruosas, parece que retiradas de sonhos. Como as suas aranhas e  olhos  misteriosos,  que  são  o  que  mais  identifica  o  seu  trabalho.  Esta  obra  foi  um  tributo  à  sua  paixão pelo extraordinário e pelo sobrenatural. O tema do olho obcecou Redon, que o tratou com  diferentes  matizes,  tanto  como  símbolo  da  consciência  universal,  quando  o  representava  aberto  como símbolo de vida e da solidão, quando o pintava fechado. Neste caso encontramos um globo,  que nos remete para o olho aberto que olha em direcção ao céu, onde leva suspenso uma cabeça  num  género  de  bandeja,  como  se  trata‐se  de  um  balão  de  ar  quente.  Este  olho  pode  significar  várias  coisas.  Na  minha  opinião,  depois  de  ter  pesquisado  sobre  o  artista  em  causa,  este  olho  significa o observar do infinito, pois como o próprio nome indica o olho dirige‐se para lá, e o facto  de olhar para cima, para o incerto leva‐nos a crer que é nele que pensa. O pensar no infinito, no  futuro, no incerto. Olho pode demonstrar o nosso estado de espírito e neste caso parece que este  olho sobe tristemente, como se tivesse cometido um pecado e carrega‐se sua cabeça para o céu.  O facto de olhar para cima leva‐nos a crer que este ‘balão’ sobe, provavelmente numa viagem sem  Odilon Redon, O Olho como um Globo Estranho  Dirige‐se para o Infinito, 1878 

fim.    

 

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O Falso Espelho     

René Magritte (1898‐1967) foi um dos principais artistas do Surrealismo. As suas obras são insólitas, envolvidas por um tratamento rigorosamente 

realista,  onde  utilizava  por  vezes  processos  ilusórios,  procurando  sempre  o  contraste  entre  o  tratamento  realista  dos  objectos  e  a  atmosfera  irreal  dos  conjuntos.   Magritte na sua famosa obra O Falso Espelho de 1935, faz mais uma  vez o jogo de virar do avesso, perguntando o que está dentro e o que está  fora.  O  olho  humano  ‘hiperdimensionado’,  em  vez  de  proporcionar  uma  visão do que está por dentro, na alma do homem, reflecte o que está fora,  um céu com nuvens. Magritte brinca com o espectador, pois no seu jogo de  virar do avesso, cria uma ilusão de óptica ao colocar certas partes do olho ao  contrário  como  as  pestanas,  por  exemplo.  Ao  vermos  esta  obra  somos  levados  a  reflectir  uma  serie  de  coisas:  o  olho  ao  mesmo  tempo  que  é  espelho  da  alma,  é  um  falso  espelho  da  alma  e  para  o  mundo  concreto,  porque ele não reflecte exactamente a realidade. Se eu me olhar ao espelho,  aquela  que  vejo  no  reflexo  não  sou  eu,  mas  sim  uma  representação  da  realidade.  Aquela  que  está  no  espelho  é  igual  a  mim,  mas  só  fisicamente,  pois  perde  a  sua  aura,  a  sua  alma.  Mas  questiono  que  é  realmente  a  realidade? O que é realmente a verdade? Seria isso que Magritte pretendia  que o espectador reflectisse ao analisar a sua obra?  René Magritte, O Falso Espelho 1935

     

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Conclusão     

Este foi um trabalho que elaborei com bastante entusiasmo, pois abordo temas que me interessam bastante, retirei algumas dúvidas e 

aprendi algumas coisas relativamente ao olho e a tudo o rodeia. Como o facto da sobrancelha ser essencial para a expressão facial; que o olho  nos permite ver coisas que realmente não vemos; e que certos artistas também eram apaixonados pelo olho como eu.       

 


Bibliografia    http://artegrotesca.blogspot.com/2010_12_01_archive.html  http://olhandoacor.web.simplesnet.pt/o_olho_humano.htm  http://pt.wikipedia.org/wiki/Odilon_Redon  http://pt.wikipedia.org/wiki/Olho  http://pt.wikipedia.org/wiki/Olho_humano  http://pt.wikipedia.org/wiki/Op_art  http://pt.wikipedia.org/wiki/Ren%C3%A9_Magritte  http://www.colegioweb.com.br/curiosidades/o‐que‐e‐ilusao‐de‐optica.html  http://www.historiadaarte.com.br/opart.html  http://www.pensandonisso.com/curiosidades/ilusao‐de‐otica‐ou‐ilusao‐de‐optica/ 

           


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18 de Janeiro de 2011  Elisa Isabel Carinhas Albano 4188  Psicologia da Percepção  Artes Plásticas e Multimédia 

 


O olho