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ELI

RECTÂNGULOS SENSÍVEIS

FOTOGRAFIAS


FOTOGRAFIAS DE ELI Legendas de Gundula Steglitz


Resto, rasto s贸lido de um rumo, caminho que o Tempo, a seu tempo, ir谩 destruir.


PĂŠtalas num labirinto no branco efĂŠmero de uma flor.


Reflexos, sombras apressadas de รกrvores nuas.


Voar sem remorsos de n達o enfrentar a tempestade.


Pescador. como se pescasse, apenas escutando a voz possante do mar, um fragor amigo, um segredo de espuma e vento.


No CĂŠu um fogo sem cinzas, na Terra a sombra eterna das Catedrais.


Coloriram a nĂŠvoa e deixaram a cidade adormecida.


Janelas abertas para janelas fechadas, vidas ocultas frente a frente.


Linha d’ågua, linha do Sol estirado, linha do horizonte, subitamente iluminado.


Abstracção translúcida, o real banal reinventado.


Sobre a cidade a alegria infantil na aparição fugaz de um raio colorido.


Flores an贸nimas, a beleza tranquila sem valor comercial.


Fogo com a chama que te chama que te inflama o olhar.


Construção de pedra, construção de seiva, enquadradas, serenas, lado a lado.


Rolos vivos de espuma e mar, rolos de luz que se n達o cansam de chegar.


Pรกssaro humano indiferente ao Sol, mรกquina apenas com pressa de chegar.


Chamam-lhe Pôr do Sol, lugar onde a Noite mergulha o Sol na superfície sensível do Mar.


As Ăşltimas folhas do Outono, delicadas como asas volĂĄteis de uma borboleta.


Esperando, pacientes, que o mar desfeito, lhes conceda um dos seus frutos.


Procura, sobre o caminho onde passaste, as fartas migalhas do teu nada.


NĂŠvoa pura, iluminada, despedindo o Sol.


Pรกssaro, como gente, escondido de si mesmo, vestido de um ramo nu.


No interior, aveludado, de uma flor o brilho do teu Sol, uma gota de orvalho de uma manh茫, s贸 tua!


Colunas, ruĂ­nas, sombras, espectros de Deuses, que nos vĂŁo morrendo.


Lugar de espuma onde o mar se desfaz e tinge de vento o rigor do olhar.


Como nave branca carregando o orvalho da manhĂŁ atravĂŠs do Tempo.


Nuvens negras, an煤ncio metereol贸gico, sopro mensageiro da tempestade.


Ervas sem ter nome como sombras levantadas do ch達o.


Chuva por detrás da vidraça, luz húmida, tímida baça.


Imagem, de outra imagem que se não vê, sombras antigas de outro Tempo, do teu tempo por ti guardado na tua memória.


O sorriso discreto de rochas nuas, fragas doces a olhar o rio.


Como se da Noite, do fundo de uma flor, nascesse a luz.


E a Luz, adormecida, tambĂŠm te amanhece.


Névoa, véu que restou das sombras absolutas da Noite.


Qual leito de Ofélia, de águas serenas, berço de flores derramadas.


Com o perfume melanc贸lico de uma despedida, mas com a certeza tranquila de um regressar.


Rectângulos Sensíveis