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#1 RUテ好O 29/03/10

DESIGN.FOTOGRAFIA.CULTURA


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DESIGN INSTITUCIONAL Gabriel Luís

Elih Alcântara

DESIGN EDITORIAL Elih Alcântara

redação Gabriel Luís

web design Gabriel Luís

Fotografia Vinícius Breves

FOTÓGRAFO CONVIDADO Léo Andrade

Colunista convidado Hugo Pierot

Revisão Vicente Monteiro


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CHEGOU A HORA DE FAZER BARULHO Quando a primeira idéia da Add surgiu há 2 anos atrás, nossa principal preocupação era não fazer algo só pra gente, mas algo que servisse para nossos companheiros de profissão e que estimulasse a produção local. Finalmente, depois de diversos tropeços, falhas e claro, acertos, a Add Magazine está aí com o seu primeiro tempo, Ruído. Apesar de ser um tema um pouco estranho para uma primeira edição, exprime todo o processo ocorrido para que a Add chegasse a onde está, mas também demostra outro grande objetivo da revista, ser um “Ruído”, até mesmo um incômodo, se destacar no meio artístico e cultural local, como a primeira revista digital e coletiva do estado. Assim como nós assumimos a responsabilidade de fazer o máximo possível pela revista e por todos o leitores, gostaríamos de pedir a colaboração de todos, com envios de críticas construtivas, destrutivas, fotos, textos, desenhos, ou outras coisas que você ache útil para a revista e para os leitores. Gostaríamos de aproveitar esse primeiro momento para agradecer a todos que já colaboraram e a todos que não fizeram a idéia da revista se perder no vento, sempre nos perturbando e impedindo que nosso desejo e vontade de criar algo novo se extinguisse. É para esses incendiários que não permitiram que esse fogo se apagasse que mandamos o nosso mais sincero, “obrigado gente”. Depois de muito suor, é com uma grande honra que apresentamos para vocês a primeira edição da revista digital coletiva ADD magazine, novinha em bytes, para vocês se deliciarem e descobrirem que por aqui também se faz muita coisa boa.


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ADD GALERIA

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Danilo Limas


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Danilo Limas


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Tiago Martins


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M88


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M88


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Carlos Sawaki


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ZĂŠ Luis Chaves


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Vinicius Breves


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Vinicius Breves


MÚSICA PARA ASSISTIR

26 O videoclipe tem sido visto por grande parte dos pesquisadores e realizadores do meio cinematográfico como um produto de menor qualidade, algo inferior aos trabalhos cinematográficos propriamente ditos, como os curtas, médias e longas-metragens. Devido à sua origem remeter ao advento da televisão, essa visão se torna ainda mais exacerbada e o fato dele manter em alguns aspectos um parentesco com a publicidade, principalmente no que diz respeito à ideia de venda de um produto (neste caso a imagem e o som de artista(s) da música), também é motivo de descrédito por alguns que resistem em conferir-lhe o status de produto com relevância estética no meio audiovisual. O fato é que, de tanto ser cultivado e reproduzido este conceito discriminatório a respeito do videoclipe, verdadeiras pérolas desse gênero audiovisual acabam não alcançando a devida visibilidade, ficando restritas a apenas alguns pesquisadores da televisão ou aos fãs das bandas que elas representam. Podemos encontrar artistas de mega sucesso como Madonna (Frozen http:// www.youtube.com/watch?v=m6SDMCLN5oM) ou Rolling Stones (Like a rolling stones http://www.youtube.com/watch?v=gjbopmt11lw) com clipes muito criativos e visualmente fortes, realizados pelos melhores videoclipeiros da atualidade. De igual maneira artistas mais undergrounds que não tocam em mega concertos como Aphex Twin, Portishead (http://www.youtube. com/watch?v=8wk2DqAfPUk), Massive Atack (http://www.youtube.com/ watch?v=9EvM--7Wxa0&feature=related) também tiveram clipes com grande apuro visual realizados. O elemento do apuro visual atrelado às potencialidades narrativas com regras próprias é o que realmente sempre me fascinou em alguns clipes. Em muitos a música pouco me agrada. Como exemplo posso citar o clipe Come to Daddy (http://www.youtube.com/watch?v=2Cu_9bjeV6M), do grupo Aphex Twin. Jamais colocaria a música para tocar no meu player, mas o clipe é um dos mais bem realizados que já vi. Dirigido por Chris Cunninghan, talvez o maior videoclipeiro da atualidade, esta pequena obra-prima possui uma narrativa de filme de terror com alguns elementos que lembram os filmes de David Cronemberg (em especial Videodrome – a síndrome do vídeo). Algumas imagens favorecem o bizarro como potência estética. Nota-se também uma peferência pelas tonalidades


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frias na fotografia do clipe. Tons de cinza e azul também marcam outro clipe dirigido por ele. All is full of love (http://www.youtube. com/watch?v=EjAoBKagWQA), de Bjork, traz a relação de amor entre dois robôs. É um clipe com uma montagem lenta, ao ritmo da música, conferindo às imagens uma delicadeza impressionante. Em ambos a narrativa não se conclui, não se fecha, se instaura mais enquanto clima e atmosfera sensorial. Um outro videoclipeiro cujo trabalho me fascina é Michel Gondry. Atualmente trabalhando mais no cinema (ele dirigiu Brilho eterno de uma mente sem lembranças, Sonhando acordado e Rebobine, por favor!) nota-se em seus filmes a mesma ludicidade com a imagem que ele já praticava nos videoclipes. Gondry é o George Meliés da contemporaneidade. Sua intenção é brincar com as imagens, explorar seu grau máximo de falseabilidade e transfiguração. É como se ele sempre estivesse se perguntando ao filmar: “como posso criar um mundo mais divertido a partir desta imagem?”. É esta questão que parece ser o motor criador de videoclipes memoráveis como The Hardest Buttom to Buttom (http://www.youtube.com/watch?v=gLESpHrtvxs), do The White Stripes, ou Let Forever Be (http://www.youtube.com/watch?v=Hmpxsk3d HaA&feature=related), do The Chemical Brothers. Há outros grandes trabalhos como os videoclipes de Spike Jonze (outro que também mostra talento no cinema por meio de filmes como Quero ser John Malkovich e Adaptação) para o Beastie Boys, em especial Sabotage (http://www.youtube.com/watch?v=z5rRZdiu1UE&feature=f vst) e para Fat Boy Slim (Weapon of choice - http://www.youtube.com/ watch?v=WgCvnGc5Twk) ou os videoclipes politizados do Rage Against The Machine, em especial eu cito o clipe da música People of the Sun (http://www.youtube.com/watch?v=7hQgCJGNspI&feature=related) feito com trechos do último filme de Sergei Eisenstein e entrecortado com frases de protesto político que só podem ser lidas se o clipe for reproduzido quadro a quadro, devido à rapidez da edição. Embora não seja possível analisar todas as potencialidades estéticas dos videoclipes neste texto, fica claro por meio dos diversos recursos narrativos criados por eles que há uma linguagem própria inerente a este produto audiovisual, o que o faz merecedor de um olhar mais generoso e acurado, que não o remeta simplesmente ao campo da publicidade ou ao dos produtos audiovisuais inferiores ao cinema.

by Hugo Pierot Graduado em Letras - UFC Cursa pós graduação em AudioVisual


ADD PHOTOGRAPH

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ADD Magazine #1 Ruído