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31 Anos

BIP JEA M E

Boletim Informativo aos Parceiros

O que é o BIP JEAME? O Boletim Informativo é um canal de comunicação entre os parceiros do JEAME e as pessoas que o ministério tem ajudado. É um BIP de alerta sobre a urgência de agir em favor das pessoas excluídas socialmente. O objetivo do BIP é informar e mobilizar o parceiro a apoiar o ministério através de oração, doação e participação. 1


O Ministério JEAME é uma organização civil de caráter filantrópico sem fins lucrativos e de Utilidade Pública Federal. Nossa missão é resgatar, reintegrar crianças e adolescentes em situação de risco social, especialmente as que vivem na região central de São Paulo e as internas na Fundação CASA (antiga FEBEM). A partir de nossa experiência, já implantamos diversos projetos que constituem um ciclo nas etapas sucessivas do processo de reabilitação.

Nossa Missão Resgatar, Reabilitar e Reintegrar crianças, adolescentes e jovens em situação de risco social.

Nossa Visão Ser uma organização de excelência e referência no atendimento integral a crianças, adolescentes e jovens em situação de risco social e sua família, promovendo transformação na sociedade.

Como é composto o Ministério JEAME: Temos uma diretoria voluntária composta de 14 membros, uma equipe de líderes composta de 10 missionários-educadores voluntários e mais de 80 voluntários atuando em diversas áreas.

Líderes: AILTON JOSÉ FONSECA DE SOUZA – Gerente Administrativo OSVALDO DA SILVA JUNIOR – Coordenador do Escola Papo de Responsa e Consultor do Projeto Gente do Futuro ANA PAULA COSTA – Coordenadora das atividades do JEAME junto à Fundação CASA. VIRGÍLIO VIEIRA DOS SANTOS – Líder na Escola Papo de Responsa Líder em algumas unidades da Fundação CASA VILMA RAMOS ALVES – Líder na Escola Papo de Responsa líder em algumas unidades da Fundação CASA ROBERTO TOZZO – Líder na Escola Papo de Responsa e líder em algumas unidades da Fundação CASA VERNA LANGRELL – Líder de atividades pedagógicas na Escola Papo de Responsa MARCOS JOSÉ PEREIRA – Líder em algumas unidades da Fundação CASA PATRICIA LEONOR DA SILVA AMORIM – Líder de eventos

Diretoria Biênio 2010-2011 Presidente: MARLI MARCANDALI 1ª Vice Presidente: SUZANNE DUPPONG 2º Vice Presidente: ABEL ALVES DE MORAIS 1ª Secretária: REGINA MEIRE DO NASCIMENTO 2ª Secretária: NAIOLANDA DIAS GRIMA 1º Tesoureiro: SILAS ANTUNES MONTEIRO 2º Tesoureiro: EDUARDO BERZIM FILHO 1º Vogal: MARCOS ANTONIO SOLER ASCÊNIO 2ª Vogal: ABNER MORILHA

Conselho Fiscal 1ª Conselheira: HELENA MIRIAM VIEIRA BASTOS 2º Conselheiro: FABIO HENRIQUE SECOMANDI 3ª Conselheira: ELIENE DE JESUS BIZERRA 4º Conselheiro: JOÃO MARCOS PEREIRA 5ª Conselheira: ANDRÉ MARÇAL

TRABALHANDO JUNTOS, DIVIDINDO ESFORÇOS, MULTIPLICANDO RESULTADOS 2


Conteúdo O que é o BIP JEAME?........................................................................................................ 1 Quanto de “Governo de Deus” há em nossa geração? ......................................................... 5 Do Crime para uma Vida Transformada............................................................................... 6 A vida dura na Rua - Crianças sofrem com o descaso.......................................................... 7 Adriana ................................................................................................................................. 8 Razões para não dar esmola e nem comprar produtos de crianças nos faróis...................... 8 DEUS SE COMPADECE DO AFLITO ............................................................................... 9 “Deus me fez um homem que se importa com a dor dos outros”....................................... 10 Missionária faz retorno emocionado....................................................................................11 Café reúne reabilitados e colaboradores............................................................................. 12 MINHA RESPONSABILIDADE DE MUDAR ESTA SITUAÇÃO NAS RUAS............ 13 O “pivete” que virou missionário....................................................................................... 14 É muito bom participar deste tempo de esperança e de uma geração que valoriza a dignidade!.................................................................................................... 15 Da “boca do lixo” surge uma nova luz, Jesus está agindo!................................................ 16 “A glória de Deus enchendo as ruas de São Paulo”............................................................ 17 A grande comissão pode ser nossa grande omissão na pátria............................................. 23 Adilson — mais de seis anos de vida nova marcado pelo testemunho irrepreensível. ...... 24 Estratégias para evangelizar e resgatar............................................................................... 25 Trabalho nas unidades da Fundação CASA (antiga FEBEM)............................................ 26 “Os jogados” nas ruas pela história... pelo CRACK... ....................................................... 27 Testemunho do Luis Marcelo.............................................................................................. 28 Crackolândia: amor e respeito aproximam......................................................................... 29 NAS RUAS, OVELHAS PERDIDAS SEM PASTOR...................................................... 30 Papo de Responsa restaura vidas........................................................................................ 30 Jesus – O Vencedor das crises............................................................................................. 31 Vida é transformada com trabalho do JEAME .................................................................. 32 A misericórdia de Deus....................................................................................................... 33 Testemunho: SIM, é resposta de oração! ........................................................................... 34 JEAME 29 ANOS............................................................................................................... 35 Nas Ruas do Centro de São Paulo “Os refugos na cracolândia”......................................................................................... 36 ALEXANDRE CARDOSO LEAL..................................................................................... 37 CLAUDIO DE ALMEIDA LEMES (IN MEMÓRIAN)................................................... 38 GERSON DOS SANTOS SANTANA (IN MEMÓRIAN)................................................ 38 JOSÉ EDUARDO DE FARIA............................................................................................ 39 Expediente:......................................................................................................................... 40

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Boletim Informativo aos Parceiros

Quanto de “Governo de Deus” há em nossa geração? Há muitos anos, ouço Deus falar sobre seu Reino, e Sua vontade de manifestá-lo na terra, em nossa nação, em nossa cidade, em nossas vidas, em nossa geração. Nenhum outro tema tem ocupado mais meu coração, minha mente e minhas pregações do que este nos últimos anos. Preciso admitir que gostaria de manifestar o Reino de meu Pai muito mais em minha vida do que em minhas pregações. Confesso que estou insatisfeito com a minha própria vida e minha geração, pois tenho a impressão de não ver as obras de Cristo Jesus em muitos de nós, como se viu nos tempos em que os filhos de Deus eram mais dependentes de Deus e do Espírito Santo. Tempos em que faltavam recursos materiais, tecnológicos, científicos, financeiros, mas sobravam amor, disposição, obediência, sinais sobrenaturais do Reino, milagres, curas, numa frequência acima do normal, arrependimento de pecados, e muita libertação de toda força do mal em toda a sua extensão. Estou pensando em Jerusalém, Éfeso, Tessalônica, e como o Espírito Santo usa os discípulos para afetarem essas cidades. Em Antioquia, chamaram os discípulos de Jesus de “cristãos”, porque viam que faziam as mesmas obras de seu mestre, como pregar arrependimento de pecados, curar

os enfermos, expulsar o mal das pessoas e cidades. Não era para ser assim? Os discípulos fazerem como o mestre? Obra completa??!! Estou pensando no avivamento de Gales, da Inglaterra, da Escócia, dos Estados Unidos no século 18 e em vários moveres do Espírito Santo na década de 1970, em diversos lugares do Brasil e do mundo, onde a mistura do céu com a terra era tão surpreendente, e curas, libertação, salvação, abundância da manifestação do Espírito Santo na vida dos cristãos eram tão comuns. A sociedade precisa ser afetada pelo Reino de Deus. E nós somos os filhos desse Reino santo, de amor e poder. Acho que isso tem a ver conosco. Há Reino de Deus em nossa vida? Há governo de Jesus em nosso viver? Estamos ensinando os valores do Reino de Deus aos nossos filhos? Como será a próxima geração? Veja só: Nossa sociedade diz que pedofilia é errado, mas ensina a aceitar o homossexualismo entre os adultos, isto não quer dizer que Deus não os ama. Deus é Pai. O número de pais que violentam sexualmente filhos e filhas tem aumentado a cada geração, e com isto a violência na sociedade se propaga.

Ensinamos nossos filhos a falar a verdade, mas mentimos ao telefone, nos negócios, ao imposto de renda, aos credores, ensinando a corrupção às novas gerações. Precisamos assumir nosso sacerdócio para com a nossa cidade. Nós, os santos (I Pe 2:9). Precisamos ser curados de um maligno egoísmo e de um maldito humanismo que influenciam nossa teologia e vida. Deus nos perdoe e nos simplifique, que voltemos aos caminhos antigos e acertados de Deus. Glória a Deus pelo Ministério JEAME, e que possamos com Ele buscar cumprir nosso papel no Reino de Deus. Deus tenha misericórdia de nossa geração e da próxima. Deus nos dê graça para assumirmos nossa responsabilidade sócio-sacerdotal, neste tempo em que estamos. Venha o Reino de amor de Deus em nossa terra!

Pr. Paulo Moral e Cecília Moral são missionários da Igreja Batista Monte de Adoração na Casa de Davi em Londrina/PR, desde janeiro de 2005.

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MUDANDO A HISTÓRIA

Mudando a História Do Crime para uma Vida Transformada Nasci em um lar desestruturado, tenso, com um pai alcoólatra que abandonou a família. Minha mãe ficou com a responsabilidade de sustentar seis filhos, sozinha.     Nasci e fui criado dentro de uma favela da zona sul de São Paulo, e aos 14 anos comecei a me envolver com a criminalidade.       Em uma de minhas prisões, uma tia minha foi me visitar e começou a me evangelizar. Esse amor demonstrado por ela já havia transformado meu irmão Alexandre, a quem o JEAME retirou das ruas. Eu duvidava deste amor, pois não acreditava que Deus fosse capaz de transformar um homem como eu.  Nessa época, um cristão chamado Abraão, cheio da presença de Deus, começou a apontar para mim em meio aos comparsas do crime que eu liderava, e dizer que Jesus me amava e que me tiraria do crime, pois tinha uma grande obra a fazer em minha vida. Aquilo me deixou irado. Pensei comigo mesmo: ‘só não mato este crente porque ele é da igreja de  minha tia e vai dar “barulho em casa’, mas na próxima vez, vou atirar para o alto e assustá-lo”. Quando tive a oportunidade de fazer o que planejava, minhas mãos e meu corpo, abaixo da linha da cintura, paralisaram antes que eu pudesse pegar nas armas. Ouvi, então, uma

Ranulfo nasceu em um lar desestruturado, sem esperança se envolveu com crimes, mas recebeu apoio e foi transformado em um novo homem.

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voz dentro de mim: “neste você não toca”! Apavorado, disse a um comparsa: “deixa o crente”.  Após esse episódio, toda vez que ele o comparsa dirigia a palavra a mim, eu dizia amém.     Eu sofria ameaças de morte por justiceiros, bandidos e policiais devido ao meu envolvimento no crime, em assalto a empresas, em tráfico de drogas, e na liderança de uma pequena quadrilha que roubava aviões de pequeno porte para o tráfico internacional de drogas. Essa vida de contravenção me envergonhava muito.      Minha tia sugeriu que eu fosse para uma casa de recuperação chamada Esquadrão da Vida, na cidade de Bauru. Eu aceitei ir, mas apenas pelo desejo de fugir das perseguições. Foi nessa casa onde eu passei por uma restauração de valores e o desejo de entregar a minha vida para Deus começou. A oração amorosa das pessoas daquela casa de reabilitação me tocou muito. Certo dia, abri a Bíblia e li: “hoje coloco diante de ti a bênção e a maldição, a vida e a morte, escolhe, pois a vida, para que vivas tu e teus filhos”. Então eu disse a Deus: “não sei se este resto de ser humano serve para alguma coisa, mas se servir, irei por todo lugar dizendo que o Senhor transformou um homem mau em bom”.

CONFISSÃO E SERVIÇO Ao retornar a São Paulo, precisei assumir minha identidade como cristão de acordo com o confronto do texto de Mateus 10:32-33 32 Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus. 33 Mas qualquer que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus. Condenado a sete anos de prisão, me entreguei às autoridades e, durante três anos, pude fazer uma igreja naquela cadeia. Fui, então, liberto e, ainda, homenageado pelo juiz, promotor e delegado. E essa história está registrada em um livro que foi vendido na Europa como testemunho do que Deus faz. Estou há treze anos no Ministério JEAME e passei a atuar também no programa “Gente do Futuro”, ligado à empresa Pão de Açúcar, com jovens recém desligados da FEBEM, auxiliando na seleção e acompanhamento destes como funcionários. Deus me deu o privilégio de constituir uma família, ao presentear-me com minha amada esposa Regina e meus filhos Sarah, de 4 anos, e Samuel, de 2 anos.   Hoje, sou membro da Igreja Batista Canaã e estou no último semestre do curso de bacharel em teologia. Um de meus sonhos é um dia ter um centro de reabilitação e pastorear uma igreja interligada a ele.


DAS RUAS 31 Anos

A vida dura na Rua Crianças sofrem com o descaso Em seu trabalho como missionário nas ruas de São Paulo, Ranulfo conheceu a dura realidade de crianças que são abusadas, exploradas e que também sofrem com o descaso da sociedade em geral. Um dia Deus me deu o privilégio de trabalhar por dois anos nas ruas do centro de São Paulo em tempo integral. Por várias vezes presenciei essas crianças sendo agredidas e sofrendo vários tipos de abusos. Vi o pouco caso que nossa sociedade, governo e igrejas têm demonstrado com as crianças que estão abandonadas e sendo instrumentos de traficantes. Muitas são exploradas sexualmente, e algumas estão infectadas pelo vírus HIV. Roubaram-lhes roubado o direito e privilégio de serem crianças.  Quando eu vivenciava essa realidade, perguntava a mim mesmo: “onde está a igreja que diz ser a luz do mundo e sal na terra”?. E já ouvi várias desculpas, tais como: “isso não tem nada a ver comigo, isso é responsabilidade do governo”. Porém, quero lembrar aos crentes que pensam dessa forma que nós vamos

comparecer perante o Tribunal de Cristo (Rm 14:12). A responsabilidade de evangelizar essas crianças e trazer cura para o seu lado emocional e, sobretudo, espiritual, não é do governo, mas sim da igreja que conhece a verdade que liberta, e o poder curador da Palavra de Deus (Hb 4:12). Então, aqui está o convite para você semear o seu tempo e seus recursos em uma escola. É a escolinha “Papo de Responsa”. Dê a sua contribuição.  

ORAÇÃO E MISSÃO

dizer a Ele: “eis-me aqui, envia-me a mim”. Em 1994, eu fiz a seguinte oração: “Deus, faz de mim um missionário e para onde o Senhor me levar, não terei vergonha de testemunhar do poder que só o Senhor tem para transformar a vida de um homem que estava perdido e foi achado, estava morto e reviveu”. Por fim gostaria de dizer: Jesus aguarda sua resposta, e quando disser “eis-me aqui”, Deus vai lhe dar o privilégio de ser um instrumento dEle, na transformação de vidas e na implantação do Seu reino sobre a terra. Diante disso, qual é a sua resposta?

Em meio aos ruídos de barulho do mundo, que jaz no maligno, onde a imoralidade sexual tem tomado as ruas de nossa cidade, imperam a desigualdade social e a má distribuição de renda, a pobreza nas comunidades carentes e as crianças abandonadas nas ruas, minha oração é que, em meio a tudo isso, você tenha sensibilidade não só de ouvir a voz do Senhor, mas de

Ranulfo é missionário e reabilitado pelo JEAME. Membro da Igreja Batista Canaã.

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Adriana Adriana chegou a São Paulo com 13 anos de idade, fugiu de sua casa por tentativa de abuso sexual por parte de seu padrasto, já que ao contar o fato para sua mãe, esta não acreditou. Nas ruas de São Paulo, com apenas 16 anos, Adriana ficou grávida, e foi convidada para ir a nossa escola Papo de Responsa. Em 1995, nós, do JEAME, fizemos um acampamento de Natal, Adriana se empenhou para ir e conquistou os pontos necessários para participar. Lá, entregou sua vida a Jesus. Ao voltar a São Paulo, foi morar com um casal de pastores que eram nossos obreiros na época O casal e

Adriana mudaram-se para Três Lagoas, em Mato Grosso. Ela fez vários cursos e recebeu boas notas em todos; voltou a estudar e concluiu o Ensino Médio. Hoje, Adriana é mãe de mais uma criança. Ela pertence a uma igreja em Três Lagoas e participa do evangelismo local.  Ainda hoje, Adriana se lembra do apoio e carinho que os missionários do JEAME deram a ela na época em que ela foi encontrada nas ruas. E, para ela, a maior alegria foi ter conhecido a Jesus Cristo como seu único Salvador.

Hoje, com 26 anos, ela acorda às 5 horas da manhã, pega sua bicicleta, leva sua menina para a creche e vai trabalhar. À noite, ela faz um curso teológico. Essa é a vida de Adriana!  Agradeço a vocês por serem instrumentos de Deus para que sonhos como os de Adriana se tornem realidade.

CONSELHOS PRÁTICOS Razões para não dar esmola e nem comprar produtos de crianças nos faróis 1. Dar esmola ou comprar produtos de crianças nos faróis ajuda a mantê-las em situação de vulnerabilidade social, perpetuando a pobreza. 2. Criança que fica nos faróis tem sua infância roubada. 3. Cada criança recebe, em média, R$30 por dia nos faróis, mas dois terços desse valor vão parar nas mãos do aliciador. 8

4. Nas ruas, a criança está exposta a três tipos de violência: física, moral e sexual. 5. Os produtos vendidos por crianças nas ruas ou são roubados ou são de procedência ilícita e duvidosa. Lugar de criança é na escola e em atividades no pró-escola.

6. Em vez de dar esmolas ou comprar produtos de crianças nos faróis, faça sua doação às organizações sociais que trabalham de forma séria e comprometida para tirar as crianças das ruas.


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DEUS SE COMPADECE DO AFLITO O amor de Deus pelas crianças e adolescentes em situação de risco “Por que o Filho do homem veio buscar e salvar o perdido” (Lucas 19.10).   

Jesus Cristo, a plena encarnação do amor de deus, encerra o seu sermão profético identificando-se de forma empática com o faminto, o sedento, o estrangeiro, o desnudo, o enfermo e o cativo (Mt 25:35-37). ele disse claramente aos seus ouvintes que no futuro, como rei glorioso, ele diria às suas ovelhas: vocês supriram as minhas necessidades. as ovelhas de Jesus perguntariam, então, a ele: ”em que ocasião matamos sua fome, mitigamos sua sede, vestimos sua nudez, o hospedamos como estrangeiro ou o visitamos em sua enfermidade? então Jesus responderia: “quando fizestes a um destes meus pequeninos (os discriminados de uma sociedade) irmãos, a mim o fizestes (Mt 25:40)”.

Amando os excluídos                                 Eu creio que hoje, Jesus Cristo, vivo e ressuscitado, olha para o planeta terra, especialmente para o dito “Terceiro Mundo”, com o mesmo olhar empático focalizado na pobreza, na falta de saneamento básico, no desemprego, na exclusão social que pavimentam o caminho dessas crianças e adolescentes em situação de risco. Quem mora de forma precária ou não tem onde morar

é estrangeiro na terra e precisa ser hospedado. Quem fica muito aquém do vitimado pela desnutrição precisa ser alimentado. Quem caminha na vida aprofundando carências e enfermidades de toda ordem, precisa ser visitado. Quem vai se enveredando por todo tipo de cativeiro, por conta da falta de estrutura familiar e traumas provenientes de abusos (físicos, emocionais ou sexuais) familiares, associados à  exposição à violência, maus tratos ou negligência. Este é que precisa  ser visitado. Quem tem como única perspectiva de sobrevivência vender balas nos faróis, esmolar ou ser “aviãozinho” de  traficantes precisa ser suprido em sua sede existencial.          

Sendo coração, mãos, ouvidos e olhos de Deus na Terra.

ser “pequeninos cristos”, ser o coração, a voz, o braço, o colo, o ombro, os olhos e ouvidos  de Deus em favor desses “pequeninos” com os quais Jesus se identificou desde sua presença na terra. Deus espera de sua igreja a voz profética, que promova  mudanças estruturais na sociedade, bem como serviço altruísta como expressão concreta da fé, vinculado a uma  mudança radical no indivíduo,  a partir de um encontro real  com Jesus em nós..   “Levanta-te, clama de noite no princípio das vigílias; derrama o teu coração  como águas  diante da face do senhor; levanta a eles as tuas mãos, pela vida de teus filhinhos, que desfalecem de fome (espiritual, emocional e física) à entrada de todas as ruas”. Lm 2:19

A proposta de Jesus Cristo ressuscitado continua viva nos dias de hoje: façam a eles e estarão fazendo a mim. Vivam uma vida cristã autêntica, presente e persuasiva para que o evangelho lhes empreste a dignidade à altura de tudo o que conquistei para eles na cruz, para que não busquem em fonte errada aquilo que somente Deus poderia lhes dar.          Assim, somos desafiados a

Pr. Oswaldo é pastor da Igreja Batista Ágape

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MUDANDO A HISTÓRIA

“Deus me fez um homem que se importa com a dor dos outros”. Vida desestruturada

Cuidado por Deus

Provação e consolo

Cresci num lar desestruturado, sem imagem paterna, em uma favela da zona sul. com 11 anos de idade, meus colegas já praticavam assalto. Minha irmã morreu ao cair de um viaduto, drogada, e meu irmão foi morto pelo crime e enterrado como indigente. Meu envolvimento com a maconha, o crack e as drogas injetáveis, com o furto e roubo, com o tráfico de drogas e e de armas, causou minha rápida descida. Com 16 anos, já havia passado por delegacias, pela Fundação C.A.S. A (antiga FEBEM) e sofrido torturas. Liderava bocas de drogas, dormia e acordava com armas. Era temido na favela, até dava ordem para ninguém sair após as 21 horas. Jurado de morte por meus crimes pela polícia, só sentia alegria quando ia a uma igreja, pois respeitava os crentes. Eu levava toda minha quadrilha aos cultos,(é lógico que todos iam sem armas). Até que um dia paranóico, estava na favela e comecei a atirar par vários lados, as pessoas que conheciam o pastor da igreja que às vezes eu frequentava, o chamou, pois pensavam que ele poderia me ajudar.

O pastor da igreja me visitou e não desistiu de mim. Ele até me levou para sua própria casa e depois a uma casa de recuperação. Lá, pude ver como é bom fazer o certo e o bem aos outros. Quando saí de lá, fui aceito no lar de apoio de recuperados do JEAME (pois não podia voltar à favela, estava jurado de morte). no JEAME, aprendi a escrever; comecei como office-boy e até hoje sou voluntário na área administrativa. (15 anos), apesar de ter feito muitos cursos, trabalhar em enfermagem e ter alcançado minha independência financeira.

Casei-me, tive dois filhos lindos, mas perdi minha esposa devido a uma doença súbita. Com isso, veio a depressão e ela me fez perder emprego, carro, apartamento. Apesar das tribulações, não deixei Jesus, nem meus filhos e nem o JEAME. O Senhor me deu uma nova esposa e mais uma filha. Reconquistei tudo novamente. Meu sonho, agora, é abrir uma casa de recuperação. Meu Deus transformou-me em um homem que se importa com a dor dos outros. E só Ele pode fazer isso.

Expedito nasceu em um lar desestruturado, sem esperança se envolveu com crimes, mas recebeu apoio e foi transformado em um novo homem.

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DAS RUAS 31 Anos

Missionária faz retorno emocionado

Trabalho realizado na Cracolândia, comove e mobiliza a igreja. O coro, sensibilizado e incentivado, pretende levar mensagens de esperança e transformação às esquinas da Cracolândia.

eclesiástica, para realizar e cumprir o ide de Jesus, tomando a iniciativa de ‘em nossa Jerusalém’ anunciar o Evangelho transformador de Jesus Cristo. Nossa igreja tem vivido um despertar, pastor Paulo Eduardo tem Como missionária da 1ª Igreja sensibilizado nossa igreja a olhar Batista de São Paulo - por 14 anos com compaixão, com olhos do Sedesafiando a mesma à responsabi- nhor Jesus a nossa tão vizinha cracolidade envangelística e social - re- lândia, como cristolândia. Para isso, tornei a esta igreja e fiquei muito temos colocado diante de Deus nosemocionada, pois muitos estavam so desejo de entrarmos nestas ruas tocados como nunca por esta obra.  durante a madrugada e cantarmos O regente do coral emocionado me nas esquinas, colocar nossos dons disse: “Suzy, por favor, nos permita a serviço do Mestre, levando uma cantar na madrugada na cracolândia, mensagem que é esperança, consolo se você achar que precisamos de e transformação para o perdido. preparo, mais oração, nós faremos”. Tive a certeza, naquele momento, Ousadia e intrepidez que todos os 14 anos fizeram muito sentido. Como coro, grupo musical da Palavras do Arnaldo Secomandi, igreja, espera-se de nós membros regente da 1ª Igreja Batista de São que nos consagremos ao Senhor, que Paulo (Localizada ao lado da craco- tenhamos uma vida integra, dediquelândia): mos o nosso melhor ao Senhor atra“Devemos sair de nossos lugares, vés dos ensaios, da participação nos templo confortável e daquilo que cultos dominicais; sendo instrumenpoderia ser interpretado como rotina tos de Deus na ministração do louvor

e adoração. Isso, com o passar do tempo, pode nos dar a ideia de que já estamos cumprindo nosso papel no reino de Deus, mais perigoso ainda é quando nos convencemos disso e que só isso basta, faremos este trabalho que estou convicto - é do Senhor, e para o qual confesso a carência de receber ousadia e intrepidez. Em meio a estas preocupações, lembro-me de uma nota que me veio à memória no 2º livro de Crônicas, 20: 1 a 29. Deus quis usar um coro e não um grupo armado, e cantaram o refrão: “louvai ao Senhor porque sua benignidade dura para sempre.” Este coro era composto por levitas, cantores acostumados ao trabalho do templo, dos cuidados e  manutenção da casa de adoração a Deus; no entanto, estavam à frente do povo, sob o incentivo e estímulo do rei e guardados, protegidos e sustentados pelo Senhor. Atualmente, nosso coro é regido pelos irmãos Arnaldo Secomandi, Judith Coimbra e pela ministra de música, irmã Amarilis.”  

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MUDANDO A HISTÓRIA

Café reúne reabilitados e colaboradores Os participantes ficaram alegres e emocionados com a inauguração do espaço reformado. Os participantes ficaram alegres e emocionados com a inauguração do espaço reformado. O café teve a presença de reabilitados, hoje líderes de projetos, empresários, colaboradores em geral e autoridades policiais, PM’s de Cristo, todos emocionados e muito alegres pela inauguração do espaço reformado.

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E para culminar, estava presente um missionário que foi reabilitado da vida de prostituição como travesti (38 anos). Em 1981, aquele espaço que reformamos era uma boate, onde ele dançou, uma música chamada “Val Emprovido”. Hoje, ele tem

uma casa para reabilitação de dependentes sexuais. Ele é um homem de Deus que muito se emociona em ver como Deus tudo pode mudar dentro e fora de nós, a verdade queridos é que:


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MINHA RESPONSABILIDADE DE MUDAR ESTA SITUAÇÃO NAS RUAS Deus tem feito algumas mudanças no meu modo de ver e interagir com alguns fatos. Confesso que há algum tempo eu via mendigos, pessoas alcoolizadas, prostitutas, meninos de rua, crianças pedindo esmolas nas esquinas e pensava que isso era normal, e talvez por um desencargo de consciência eu tentava sustentar minha indiferença com alguns pensamentos tais como: é assim mesmo, o mundo jaz no maligno, o governo não tem responsabilidade, etc. Porém, de um tempo para cá, Deus tem falado muito ao meu coração sobre a minha responsabilidade de mudar esta situação. Creio que isto é um processo do Espírito Santo renovando a minha mente para que eu possa comprovar e experimentar o plano e a vontade de Deus, como nos diz Romanos 12:1,2. Creio que todos nós precisamos desta renovação mental, para sairmos de algumas situações que quero mencionar:

1. Apatia O dicionário define apatia como “estado caracterizado pelo desinteresse geral, pela indiferença ou insensibilidade aos acontecimentos; falta de interesse ou de desejos”. E ainda apresenta os seguintes sinônimos: insensibilidade; indiferença; impassibilidade; inércia; marasmo. E esta é a realidade na vida de muitas pessoas. Olhamos as pessoas numa situação de sofrimento e miséria, mas parece que o nosso coração não reage, não se move, nem se comove.

2. Conformismo No conformismo nós aceitamos o errado como normal. Ficamos resignados diante da situação ao nosso

redor crendo que é algo normal e o destino natural do mundo sem Deus.

3. Comodismo O comodismo por sua vez faz ressaltar a situação de passividade das pessoas. Elas sabem que essa situação é errada, mas não tomam nenhuma atitude para ver a situação mudar. Como está em Mateus 5:13-14, como luz, precisamos brilhar no meio das trevas. Quero animar cada leitor a separar um dia e sair às ruas para conversar com essas pessoas. Observar como estão as nossas ruas à noite e conversar com reabilitados desta vida para amá-los.

Passos para a nossa mudança de atitude: 1. Oração Claro que este é o passo mais importante. Estamos no meio de uma batalha espiritual sem precedentes na história da igreja. Parece que o inimigo, como diz o livro de Apocalipse, sabe que tem pouco tempo e está fazendo de tudo para manter seu império de pé, mas a Palavra de Deus nos garante que ele já foi derrotado na cruz, e no final a igreja sairá vencedora (Neemias 1:4-11, 2:20 - orar, jejuar, chorar e edificar).

3. Envolvimento nos Conselhos Municipais de apoio e proteção ao menor e adolescente. Este é um passo também muito importante, para começar a influenciar como sal no mundo. 4. Desenvolver novos projetos. O mundo está correndo numa velocidade sem precedentes, a operação do mal se articula e corre. Nós precisamos também correr mais ainda desenvolvendo novos projetos, pois a realidade dos adolescentes excluídos da sociedade deteriora e amplia a cada dia. A igreja de Cristo precisa tomar posição e agir, sob a direção e criatividade do Espírito Santo. Sem dúvida, creio que precisamos de uma mudança de mentalidade. Não podemos ficar mais como uma igreja passiva diante da realidade que enfrentamos. Se a Igreja de Cristo está presente significativamente, não é normal ter mendigos na rua; não é normal haver marginalizados nas ruas; não é normal ter crianças fumando craque; não é normal ter alcoólatras caídos nas sarjetas; não é normal termos políticos corrompidos e corrompendo; e creio que se seguirmos não haverá espaço para tanta anormalidade. Devemos viver no sobrenatural de Deus.

2. Apoio financeiro a organizações que trabalham nesta área. Deus tem levantado organizações que têm feito um trabalho tremendo. Estes ministérios precisam do apoio das nossas igrejas, tanto em oração como também financeiramente, e este também é papel da igreja.

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MUDANDO A HISTÓRIA

SAIBA MAIS

O “pivete” que virou missionário Meu pai era um homem calado e ausente, minha mãe, carente e nervosa. Os espancamentos quando meu pai voltava para casa eram constantes, isto fez com que eu e minha irmã nos envolvêssemos com as drogas e o crime. Com quatro passagens pela FEBEM, comecei nessa vida com uma pistola roubando relógios Rolex com 13 anos de idade. Logo se seguiram assaltos a bancos de porte pequeno e comecei a fazer parte de gangues. Muitas facadas e brigas com garotos de rua e policiais - só Deus para ter me livrado da morte.

Do poço para a luz Eu já estava no fundo do poço, o crack estava corroendo minha mente, nem na própria malandragem eu conseguia impor mais respeito. Acostumado a passar quatro dias trancado num quarto escuro, sem sair, consumindo crack: não é preciso ser médico para notar que eu estava a poucos passos da morte. Dependente terminal, bandido marginal e excluído social, eu já estaria morto hoje se não fosse, numa de minhas passagens pela FEBEM, ter ouvido testemunhos de um pregador que era ex-interno da casa de detenção e dono de uma história de vida única.

Há 13 anos o missionário Virgilio falou dos textos bíblicos: “Se teu pai e tua mãe te abandonaram, o Senhor te acolherá” e “É da vontade de nosso Pai que o só viva em família”. E mesmo que o pequeno Marcos não desse o devido valor, o amor do missionário e suas palavras não saíram de sua mente.

Enfim, a mudança Os evangelistas do JEAME começaram a orar por mim, passar tempo comigo, e eu comecei a aprender coisas novas dentro da FEBEM. Quando saí de lá, esqueci de tudo e voltei a me drogar. Até que, numa das vezes, num quarto escuro, tive um encontro com Deus. Era a voz de

Marcos com a esposa e a filha.

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Jesus na minha cabeça dizendo que me ajudaria. Aconteceu então o que anos de prisões, surras e punições não conseguiram: a minha mudança. No longo processo de conversão e desintoxicação fui aprendendo a andar ao lado do Pai celeste e estar firme com Ele. Antes de ir para a FEBEM, passei pelo 23º DP onde sofri muito. Neste ano, 13 anos depois, retornei ao 23º DP com os companheiros do Seminário Teológico da Faculdade Teológica Batista. Lá, realizamos um culto onde pude testemunhar e liberar perdão aos policiais. Marcos, além de missionário na Fundação C.A.S.A (antiga FEBEM), é casado e pai de dois filhos e é membro na igreja Batista da Água Branca.


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É muito bom participar deste tempo de esperança e de uma geração que valoriza a dignidade! Participante há mais de 20 anos deste lindo projeto de Deus para o resgate e reintegração de crianças, adolescentes e jovens chamado JEAME, tenho muitas histórias pra contar. Uma delas é a história de Gerson. Fruto do trabalho na FEBEM em minha empresa, ele sofreu grande discriminação quando seus colegas descobriram que ele era portador do vírus HIV. Mas Gerson se tornou um evangelista, tanto na empresa como no trabalho nas cadeias de Santos, onde também pude apoiá-lo. Outro jovem, chamado Carlos, nos surpreendeu após uma oportunidade de trabalho oferecida a ele: concluiu em uma semana a tarefa de cercar um terreno de 20.000 metros, quando o esperado era um mês. É muito gratificante lembrar do Ranufo e do Marcos e de outros que não sei mencionar os nomes, mas uma coisa eu sei: vidas em ruínas que foram restauradas, vidas preciosas que tornaram a ganhar dignidade, a ter esperança e vontade de viver.

Novos homens Alguns daqueles meninos sofridos e marcados por histórias tristes hoje são homens transformados, pais de família, profissionais competentes, cidadãos íntegros. E o melhor de tudo é saber que são novos homens, com novos valores e sonhos, tudo porque um dia encontraram o amor de JESUS através da solidariedade sincera, da confiança, da oportunidade, da compaixão que o JEAME lhes proporcionou. Certa vez ouvi uma frase que me marcou: “Você só poderá ser um líder se puder oferecer esperança

a alguém”. Eu acredito que temos gerado esperança e promovido dignidade para muitas crianças, adolescentes e jovens que a sociedade tem desprezado e esquecido. Tomando banho em minha casa numa dessas noites frias de inverno, apanhei minha toalha gigante e aquecida e me lembrei de um jovem que havia encontrado poucas horas antes narrando triste a sua fome e desalento por estar debaixo de uma ponte; mesmo tendo lhe dado algo para comer, não imaginava onde ele estaria naquele momento, com aquele frio intenso. Isso me despertou para adentrar a realidade das ruas onde o JEAME tem trabalhado há quase três décadas. Por algumas semanas, lá estava eu, fora do meu gabinete, sem o terno e a gravata, andando na chamada cracolândia e vivenciando uma dolorosa experiência; gente como a gente se acabando nas drogas, sem a menor expectativa de futuro. Ali ouvi um menino dizer que futuro não existe para ele: viver mais uma noite era todo o seu futuro.

Parabéns a todos que direta ou indiretamente ajudam e ajudaram o Ministério JEAME a mudar a história de centenas e centenas de crianças, adolescentes e jovens desta cidade. O desafio continua e, a cada dia que passa, é maior e mais urgente. Quero motivá-los a aumentar os esforços, a multiplicar o entusiasmo e principalmente a se engajar nesta fantástica experiência transformacional, Escola Papo de Responsa. Com a sua contribuição financeira, com seu apoio voluntário, com a sua mobilização para mais parceiros faremos a diferença para todos quantos conseguirmos alcançar pela graça e amor do nosso JESUS. Eles clamam por paz, justiça, esperança e dignidade, e nós podemos ser as respostas a este clamor. Participe e experimente a benção de JESUS em sua vida.

Mais que dinheiro Eles precisam mais que da sua oferta financeira - ela é vital para que o projeto caminhe, se engaje, se envolva, contribua -, eles precisam da nossa compaixão, do amor, com tal intensidade e sem nenhum interesse, que cria a capacidade de se colocar no lugar do outro. É preciso amá-los para poder ajudá-los. Muitos daqueles que foram amados e ajudados se transformaram em agentes de esperança e de dignidade, são voluntários que hoje dedicam as suas vidas no JEAME.

Aguinaldo C. Cajaiba, empresário cristão e um dos mantenedores do JEAME. Investiu R$ 40.000,00 na elaboração do projeto de comunicação e relacionamento dando origem ao BIP e o projeto para a reforma do espaço onde funcionará a Escola Papo de Responsa.

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MUDANDO A HISTÓRIA

Da “boca do lixo” surge uma nova luz, Jesus está agindo! A Cracolândia tem uma área conhecida há anos como “boca do lixo”. O projeto do governo é fazer da região um lugar visualmente bonito denominado como “projeto nova luz”. Hoje quero contar a você sobre o projeto de Deus para essa região, que é iluminar as vidas em trevas: esta é a boa nova, por isso “nova luz”. Temos agora no JEAME uma jovem que no passado foi traficante de drogas, envolvida com vários crimes, mas teve um encontro com Deus na cadeia, e lá passou a dirigir os cultos. Quando ela saiu oramos juntas pela reabilitação do seu filho envolvido nas drogas e morando na rua. Atualmente, ele está de volta à sua casa, deixou as drogas e está trabalhando com sua mãe.

Respeitada na Cracolândia Nestes dias esta jovem testemunhou em uma das delegacias onde todos a conheciam como traficante,

Vá buscar os meus preciosos!

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mostrando que hoje Jesus mudou sua vida. Todos se emocionaram, e a presença de Deus se fez presente naquele lugar. Agora, esta querida serva de Jesus é respeitada em toda Cracolândia, pois ela é prova viva de que Deus pode transformar vidas e enchê-las com seu amor para o evangelismo. A igreja da qual ela é membro se alegra com seu testemunho do amor de Deus e da transformação que Ele fez em sua vida. É isso, queridos: Deus pega as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias. Tenho grande alegria em acompanhar esta serva de Jesus e seus familiares. Creio que o avivamento de Deus para esta cidade virá pela conversão do pior lugar da “boca do lixo”. Deus falou ao meu coração: “Vá buscar os meus preciosos”. Suzanne Duppong Presidente do JEAME


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“A glória de Deus enchendo as ruas de São Paulo” “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” Gosto de imaginar o comportamento de Jesus, na sociedade da época em que vivia. Por alguns exemplos que encontramos na Palavra de Deus, vemos que Ele tinha um amor especial pelas pessoas. Mais do que isso, Ele se identificava com elas. Mesmo sendo o Filho de Deus, Ele era alguém do povo. Até por isso, muitos duvidaram, questionaram, invejaram. “...não é este o filho do carpinteiro?” Mas, também é por isso que Ele entendia tão bem as dores daquelas pessoas. Dores dos mais variados tipos: físicas, psicológicas e espirituais. Dores causados pela falta de condições de sobrevivência, pela injustiça, pelo pecado, pela falta de amor. A sociedade da época sofria de problemas de saúde, problemas políticos, violência, discriminações, medo, insegurança, etc. Parece a mesma sociedade em que vivemos hoje, não é mesmo?

Entre quatro paredes E assim como Jesus veio para o que se havia perdido, hoje a Igreja de Cristo precisa buscar o que está perdido. Os valores que Jesus trouxe não podem ser limitados pelas quatro paredes da igreja. Estamos vivendo o tempo em que a glória do Senhor será restaurada na Terra. “Porque a Terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor como as águas cobrem o mar” Habacuque 2:14

Esta restauração só poderá acontecer, na Terra, quando a igreja de Cristo se encher desta glória a ponto de transbordar. Seríamos, então, mais e mais semelhantes a Jesus. Se tomássemos consciência disto, entenderíamos como as igrejas podem se tornar a verdadeira solução para os problemas da sociedade. De fato, os cristãos verdadeiros cheios da glória do Senhor, têm potencial para transformar a sociedade. Ainda que coloquemos em prática muitos dons, dentro da igreja, precisamos pôr em prática os valores de Jesus fora da igreja. Valores de amor, paz, paciência, generosidade, impactarão a todos de tal maneira que muitos desejarão ser também parecidos com Jesus. Em especial o amor. O maior dom. Pregar é até fácil, mas praticar está muito mais além. Continuamos amando os que nos amam, abençoando os que nos bendizem e pagando o bem com o bem e o mal com o mal. Desprezamos ainda mais aquilo que já é desprezível e desprezado por toda a sociedade. Como é que o que está perdido será alcançado? Como é que o que está perdido será transformado? O próprio Deus está muito preocupado em buscar e salvar a todos, assim como nos buscou e nos salvou. Mas Ele também quer os que estão à margem da sociedade. Deus os deseja tanto quanto a mim e a você. Afinal, Jesus morreu por eles. Não foi só por nós, não é?

Lucas 19:10

É preciso amar Precisamos olhar para estes desejados de Deus através do olhar de amor do próprio Deus. Um olhar que tem sido desenvolvido de forma muito especial pelo ministério JEAME. Até as autoridades legais reconhecem hoje que a igreja de Cristo tem mais efetividade na recuperação de pessoas envolvidas nas drogas e no crime de qualquer nível do que qualquer outro órgão governamental ou não. Mas o amor de Deus pode cobrir uma multidão de pecados. O ministério JEAME ama e continuará amando aqueles que a maioria das pessoas não quer amar. Se queremos ser realmente cheios da glória de Deus, para que toda terra seja cheia do conhecimento da glória de Deus, precisamos amar. Vamos nos humilhar, nos arrepender, dar lugar a este amor e a sua glória vai encher esta cidade a começar das ruas marginalizadas da “boca do lixo” e da Cracolândia. Senhor, que a sua glória venha sarar esta nossa terra destruída.

Pastora Edsel Thomaz Magri, pastora da igreja Cristo é Vitória.

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MUDANDO A HISTÓRIA

‘Que cê tá fazendo aqui?’

Tudo começou há 11 anos atrás…quem diria que já passou tanto tempo… Parece que foi ontem que entrei pela primeira vez no Ministério JEAME. Era um curso, sim, um curso para saber como lidar com drogados: esta era minha intenção, nada mais que isso. Para ser sincera, achei tudo muito estranho. De repente, chamam uma mulher para dar o seu testemunho, e meu coração foi tocado com muito poder naquele instante. Ela começou cantar uma música que havia feito para o Senhor e ali meu coração foi tomado por paixão e compaixão e eu não imaginava que depois daquele momento eu já não seria mais a mesma… Terminado o curso teórico então chegou a hora do prático… Como eu disse, a minha intenção não era ser evangelista e sim só conhecer o trabalho. Nesta época eu gerenciava uma empresa muito boa. Quando cheguei à porta da FEBEM, fiquei impressionada com a alegria e amor dos missionários que ali estavam. Confesso que estava com medo, pois, de tanto ouvir falar na imprensa, sempre achei que poderia ter uma rebelião a qualquer momento e eu morreria ali mesmo… Os evangelistas estavam muito alegres e cantavam e falavam na linguagem dos jovens ali. Quando fechou o primeiro portão, pensei comigo mesmo: “Ainda dá para desistir, e se acontece uma rebelião?”

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Passou o segundo portão, e os evangelistas continuavam numa alegria que eu antes não entendia… Quando chegamos na unidade e fechou-se a última porta, ouvi ainda da porta um pagode tocando e eles cantavam… EM ESPIRITO E EM VERDADE TE ADORAMOS, TE ADORAMOS… os meninos estavam chorando e clamando como nunca havia visto antes; esse louvor mexeu muito comigo. Os evangelistas estavam tranquilos e felizes, e eu mais tensa do que nunca. Eram aproximadamente 40 adolescentes e todos adoravam ao Senhor, quando, de repente, eu escuto: “E aí, senhora, que cê tá fazendo aqui?” Então ouvi a voz doce do Meu Amado Jesus me dizendo: “Filha, diga que eu te amo e este amor não pode ficar sem ser falado para outros, e você esta ali para dizer que eu o amo também…” Aquele adolescente se chama César e é meu primeiro filho na fé. Hoje ele está casado - e eu fui madrinha dele de casamento, que alegria! - e seu sonho é ser pastor missionário. Deus é simplesmente lindo. Quanto tempo se passou, há anos sou missionária em tempo integral e me sinto muito honrada por ter sido escolhida por Deus para um ministério tão lindo. Quero só contar mais uma coisa. Talvez você esteja lendo este informativo e tem medo de ir à Febem, acha que aqueles meninos e meninas não têm jeito… Um dia eu estava no culto e, quando abri os olhos, um deles estava na porta e disse assim para mim: “Ai, senhora, eu não choro não”. Eu olhei e disse: “Você não chora porque não conhece meu Deus”.

Ana Paula Missionária do JEAME há 11 anos.

Para minha surpresa, ele respondeu: “Então tá bom, vamos ver…” Chamei-o para que ele se ajoelhasse ao meu lado. Comecei a orar, orei, orei, orei, orei.

Protegida por um anjo De repente, o adolescente estava em prantos. Naquele momento ele aceitou a Jesus e levou consigo muitos outros: ele ganhou quase todos, porque - mais tarde fiquei sabendo ele era o líder daquela unidade. Nossa humilde Igreja estava agora com 45 adolescentes. Um dia este adolescente me chamou e disse: “Senhora, eu e meu amigo aqui estamos aqui para te pedir perdão. Eu e ele aqui já matamos vários e estávamos planejando mesmo pegar você como refém, mas toda vez que vínhamos para pegá-la a senhora estava chorando. Um dia, quando olhei para senhora, vi um cara muito grande vestido de branco, com asas, e ele a cobria. Então pensei: ‘Puxa, se este é maior que o meu ‘deus’, eu quero o Deus da irmã Paula…” São 11 anos e eu faria tudo de novo. Porque o que tenho em Deus é muito, mas muito maior do que eu não tenho em vida. Que a Graça do Nosso Senhor esteja em você. Te convido… Venha e você verá a Glória de Deus também na Fundação C.A S.A (antiga FEBEM). No amor Ana Paula


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Ligamos e aceleramos as mentes no mundo da pós-modernidade, mas desligamos o nosso coração, deletando paulatinamente nossos sentimentos divino-humanitários de ser gente. Num mundo acelerado não temos tempo para ser, só para fazer e ter. Trabalhamos mais e nos divertimos menos. Corremos mais e descansamos menos. Dormimos mais tarde e levantamos mais cedo. Temos menos tempos para nossas famílias, amigos e relacionamentos. Nossa capacidade de tolerância diminui tremendamente e nossas ansiedades aumentaram descomunalmente. Não temos mais tempo para amar (sentir e se dar às pessoas) porque temos medo dos compromissos e das relações mais douradoras; receamos nos decepcionar. Esquecemo-nos de que estamos em um processo. E, principalmente, que somos “curadores feridos.” Somos bombardeados por informações de todos os cantos da terra. As fronteiras foram rompidas, as distâncias já não se apresentam mais. Vivenciamos os dramas, as guerras, as catástrofes que acontecem em várias partes do mundo dentro de nossas próprias salas de estar, por meio de imagens via satélite. Isso faz com que muitas vezes as necessidades e

as tragédias que acontecem a nossa volta assumam proporções de menor importância. É como se fôssemos anestesiados e a imagem do trágico, do inadmissível, do impensável que antes nos aterrorizava, passa hoje por nós como algo banal, comum e rotineiro. A desgraça é tanta que se tornou simples parte do cenário cotidiano. Quando vemos um homem, uma mulher ou uma criança revolvendo o lixo nas ruas à procura do que comer, não nos comovemos mais. Ou quando vemos a figura de duas crianças magrinhas, desnutridos, com um saquinho de cola na mão, andando pelas ruas, não choramos mais. Perdemos a capacidade de sentirmos compaixão, e o sentimento de indignação com as desigualdades e atrocidades sociais foi substituído por um sentimento de que isso tudo é normal ou que nada podemos fazer. E todos esses fatos exercem uma forte influência em nosso estilo de vida, em nossas prioridades e na maneira como vemos o mundo e agimos nele. Tratamos de pessoas como tratamos nosso café instantâneo. Queremos resultados imediatos, esperamos conversões radicais, esquecemos que a vida é constituída por etapas. Esquecemo-nos de que a imagem e semelhança de Deus nestas crianças, adolescentes e jovens nas

ruas, apesar de estar encoberta e escondida pela sujeira e deformidade causadas pela vida, ainda estão lá. Temos que vê-los como Nosso Senhor as vê. Afinal, quando estivermos diante do Senhor, nosso Deus não nos elogiará por nossa grande fé, nem pela nossa frequência aos cultos da igreja, nem tão pouco pelos nossos períodos de orações e devocionais; muito menos por nossa adoração extravagante ou por nosso muito falar. Nosso Senhor contemplará aquilo que fizemos para o nosso próximo. “O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que sempre que o fizeste a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes (...) sempre que deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixaste de fazer”. Mateus 25:31-41

Abner Morilha é pastor, psicólogo e empresário. Diretor e fundador do InterAction Centro de Idiomas e do ministério de impacto evangelístico Renovo para as nações. É membro da Igreja Nova Aliança e da diretoria do Ministério JEAME.

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MUDANDO A HISTÓRIA

Bebida, violência e perdas Nasci na cidade praiana do Guarujá, no ano de 1980, e, aos três anos de idade, tive uma grande perda. Minha mãe, nesta época com vinte e três anos de idade, levou um tiro do meu avô e faleceu. Minha família acreditava que tudo fora planejado pelo meu padrasto e meu avô, com a finalidade de receber o seguro de vida. Nem cheguei a conhecer meu pai biológico. Ele desapareceu assim que soube que minha mãe estava grávida. Um tempo depois, ela então se casou com outro homem, que me registrou como seu filho. Depois da morte de minha mãe, meu padrasto

César da S. Travassos e sua esposa Liliane.

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conheceu outra mulher. Minha família, então, era composta de quatro irmãos, dois por parte de minha madrasta e dois por parte de minha mãe. Com o passar do tempo, nosso lar desintegrou-se, violência física e verbal faziam parte de nossas vidas diariamente. Meu padrasto agredia minha madrasta, a mim e aos meus irmãos violentamente. Alcoólatra, ele não media as consequências e minha madrasta, já cansada de tantas agressões, foi embora com seus dois filhos; meu irmão Adir e eu acabamos ficando sozinhos com ele. Por não ter condições de cuidar de si mesmo, meu padrasto morreu de cirrose hepática por causa do vício do álcool e eu e meu irmão fomos parar num orfanato. Alguns parentes do meu padrasto, quando souberam do que ocorrera, foram nos buscar, e assim fomos morar em São Paulo. Nessa época, eu tinha nove anos de idade e meu irmão oito. Tínhamos esperança de que as circunstâncias mudariam para melhor, mas infelizmente, ,

apesar da aparente preocupação de meus parentes , voltamos a sofrer agressões físicas e ameaças por parte do meu tio. Penso que eles não gostavam de nossa companhia. Acho até que nos odiava, só não sei por que razão. Ele me esmurrava, e muitas vezes acordei com ele sapateando em cima de mim. Seu prazer era me sufocar, dizendo que qualquer dia desses, me mataria daquela forma.

Sem Deus, sem família. Droga e violência como refúgio. Em consequência de todos esses abusos que sofri, inevitavelmente tornei-me um adolescente muito violento, brigava quase que diariamente na escola. Fui expulso e obrigado a estudar em outra escola. Continuei com os mesmos desajustes na escola e nas ruas. Fugi de casa e conheci de perto o mundo do vício e do crime. Viciei-me em crack e


3•DAS RUAS

cocaína, e em decorrência disso, cometi vários tipos de delito. Tornei-me traficante também, e desgraçadamente, passava noites e noites usando drogas. Certo dia, fiquei sete dias acordado sob o efeito do crack. Muitas vezes, ficava dentro do cemitério, onde me consumia usando drogas. Casas com placa de ”Aluga-se”, carros abandonados, ou mesmo no meio do mato eram lugares onde eu passava, no mínimo, dois dias dormindo sem parar, sob o efeito das drogas pesadas que consumia. Certa ocasião, bebi álcool de um sacrifício maligno no cemitério e fiquei ainda mais violento. Nesse dia de fúria fui preso. Na verdade, tive três passagens pela FEBEM. Na última vez em que fui convocado para uma audiência, minha tia estava presente e meu irmão também. O juiz perguntou a ela se queria me levar embora, e obviamente ela não quis. Não queria mais nem me ver. Minha revolta foi tão grande que jurei que cometeria delitos ainda mais graves dos que já havia cometi-

DAS RUAS 31 Anos

do. Sentia um ódio profundo pela circunstância, pelo abandono, por tudo. Não suportava mais aquela vida de dor e ódio.

Da prisão à libertação Um dia, quando menos esperava, Jesus me visitou, e naquele lugar horrível Ele lembrou-se de mim, quando ninguém mais lembrava. Entreguei o que restara da minha vida a Ele, consciente de que só havia duas alternativas: morte ou vida, maldição ou benção. Prometeu-me que mudaria a minha vida se eu decidisse pelo caminho certo. Desta forma, comecei a frequentar os cultos do ministério JEAME, formado por missionários que ministram a palavra de Deus na FEBEM do Tatuapé, onde eu estava. A dedicação deles me surpreendeu, pois lhes dei muito trabalho, passei por quatro casas de recuperação, devido ao meu orgulho de discutir com os obreiros e não reconhecer meus erros. Com amor e paciência, eles lutavam pra que eu e todos os

que estavam comigo viéssemos a conhecer outro tipo de vida, outra realidade, outra forma de ser gente. Graças a Deus por essas vidas que amam como Jesus ama, importando-se com quem já foi esquecido por todos. Hoje posso dizer: a mudança foi radical. Comecei a evangelizar os jovens que viviam e viveram situações semelhantes, e várias pessoas acabaram conhecendo Jesus, como eu conheci. . Até o meu tio vê Jesus em mim e finalmente, eu consegui perdoá-lo. Hoje sou casado com Liliane, minha linda e querida esposa.No início tivemos algumas lutas, mas agora estamos solidificando o nosso amor para, no tempo certo, nos tornarmos missionários para reabilitar vidas como um dia a minha foi reabilitada. Liliane está grávida, para nossa alegria e de todos os nossos amigos e irmãos em Cristo. Nossa igreja, Casa Apostólica Cristo Centro,é maravilhosa, nos acolheu em amor, e aprendemos, assim, que o amor existe. Jesus Cristo mudou minha vida!

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MUDANDO A HISTÓRIA

Como foi bom ler esta palavra estes dias! Sinalizou para mim que o tempo chegou. Deixe me explicar... Sou Verna, uma irlandesa, que Deus, há 17 anos atrás, deixou ouvir da chacina de algumas crianças de rua aqui no Brasil. Ele colocou, então, no meu coração uma frase simples: “elas não sabem que alguém as ama”. Colocou também a certeza de que um dia estaria trabalhando com crianças de rua em São Paulo! Desde então, houve um tempo de preparo e treinamento, de crescimento e de várias confirmações. Vi a mão de Deus me levando a fazer um curso de pedagogia, a experiências com crianças em risco e de rua, em diversos lugares, deixar a Irlanda e fazer seminário aqui e a ser missionária em uma igreja aqui em São Paulo, nos últimos dois anos e meio. Ao conhecer o Ministério JEAME, fazendo o curso que este oferece e nas visitas a unidades da FEBEM, meu coração bateu mais forte quando ouvi sobre o trabalho na rua, com o projeto “Escola Papo de Responsa”. No livro do profeta Ageu, Deus manda uma mensagem para aqueles que tinham voltado há mais de 15 anos do exílio hora tinha chegado,

Verna Langrell Igreja Cristã Evangélica de Vila Santa Isabel, SP/ Dunlaoghire Evangelical Church, Irlanda

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sim, para construir a casa onde Deus seria glorificado. O versículo 4 do capítulo 2 nos anima: “Coragem... coragem... coragem... Ao trabalho, ó povo da terra!” declara o SENHOR. “Porque eu estou com vocês, declara o SENHOR dos Exércitos!’(NVI) (Na versão Revista e Atualizada está: “Sê forte... e trabalhai”) Tinha chegado a hora de trabalhar, de colocar as mãos na massa e construir a casa de Deus! Para mim, Ele tem falado que a hora de trabalhar mais diretamente com as crianças de rua aqui em São Paulo também tem chegado. É a hora de me envolver mais com a obra de buscar os que se encontram nas ruas desta cidade. Com a confirmação de Deus, veio também o convite de ajudar no trabalho do JEAME com o projeto “Papo de Responsa” e estou muito feliz em fazer parte disso. É maravilhoso ver como Deus cumpre as suas promessas! Creio, porém, que esta palavra não se aplica só a mim. Também já chegou a hora da Igreja Brasileira amar e buscar os filhos perdidos de Deus espalhados pelas ruas das suas cidades. Ao andarmos pelas ruas, podemos testemunhar o estrago terrível que as drogas causam na

vida de uma pessoa; o desespero, a desilusão, e às vezes, a dureza de coração devido a tanto sofrimento. Além de sofrerem desprezo constante dos que passam pelas calçadas. Igreja, esta é a hora de mostrarmos aos perdidos que eles são amados por cada um de nós. Se Deus tem visto e amado estas vidas, como nós, seguidores dEle, podemos fechar nossos olhos e corações aos perdidos? Nosso Senhor é o Deus que restaura vidas destruídas e é Ele quem restaura a esperança. Mas Ele tem escolhido nos usar para isso. Ele precisa de gente que ora, gente que doa, gente que vá. Esta é a hora de levar a luz de Deus para brilhar no meio das trevas. É a hora de agir. A nova luz na Cracolândia é Jesus! “ Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.... Sai pelos caminhos e atalhos e obriga a todos a entrar, para que fique cheia a minha casa.” (Lucas 14:21..23 , RA)

Povo de Deus – ‘Ao trabalho’!


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A grande comissão pode ser nossa grande omissão na pátria mos misericordiosos, gente que não

Todos reconhecemos o que chamamos de “a grande comissão”: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura.” (Mc 16.15 ) E, de uma maneira concreta, ainda que não excelente, como o desejado, a Igreja tem cumprido a missão de levar, a cada pessoa, o conhecimento da boa notícia de que o Filho de Deus veio à Terra para buscar o que se havia perdido. O que não temos percebido é que essa comissão tem três frentes. A primeira frente é a que já foi mencionada, o anúncio ao indivíduo, na qual nos temos saído bem, apesar de deixarmos a desejar no quesito excelência. A segunda frente é a da implicação nacional: “Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho mandado” (Mt 28.19-20) Nessa dimensão o que se considera é a influência a ser exercida sobre as nações, de modo a adequá-las às demandas de Cristo. Alguns grupos intentaram-no na história, porém, foram tentativas que, ainda que, em certa medida, produzissem efeito, tiveram um caráter extemporâneo. Mesmo a tentativa da igreja de Roma, principalmente, na Idade Média. Entre outros, tivemos os puritanos, na Inglaterra; os presbiterianos, na Escócia; os calvinistas, em Genebra, na Suíça; e, mais recentemente, na Holanda, com Abraham Kuipper. Causaram impacto, porém, foram episódicas, algumas, inclusive, com a intenção de implantar o Reino ao invés de sinalizá-lo, como está proposto na Escritura, uma vez que a implantação fica por conta do Senhor em sua volta.

Resta, entretanto, uma tarefa, a de influenciar as nações de modo que o máximo possível do Reino nelas apareça, pois não podemos nos esquecer de que há um juízo para as nações: Mt 25.32-46 – onde Jesus avaliará cada nação pela forma como os vitimados pelo sistema foram tratados. Enfim, se houve ou não justiça social.

Compaixão ativa A terceira frente é a da provocação de adoração por meio das boas obras: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16). Jesus ordena que manifestemos a luminosidade com a qual, ele mesmo, nos dotou. Essa luminosidade aparece na forma de boas obras, que têm a função de provocar nos beneficiados a glorificação do nome do Pai. Essas boas obras têm a ver com as nossas características que, necessariamente, nos levam a fazer o bem: As qualidades expostas nas bem-aventuranças. Somos humildes de espírito, gente que se sabe dependente da graça, abraçando a todos sem nenhuma discriminação, reconhecendo em todos um valor intrínseco: Deus os ama e os quer salvar, portanto, devem ser amados e ajudados por nós. Somos os que choram, gente de compaixão ativa, que está onde o sofrimento acontece para diminui-lo como for possível. Somos os mansos, gente que entende a autoridade a partir do serviço, e, então, pelo exemplo, aponta caminho para a sociedade, para a construção de uma comunidade solidária. Somos os que têm fome e sede de justiça, gente que não se esquiva de ser a voz dos que foram emudecidos pela injustiça em suas múltiplas formas. So-

confunde o pecado com o pecador, reconhecendo a todo o ser humano o direito à dignidade, independente da gravidade de seu erro, aprimorando as instituições em favor do ser humano. Somos os de coração puro, gente que sabe das possibilidades que a graça cria, que sabe que vale a pena investir no ser humano e na sociedade, porque a graça divina age eficazmente, fazendo com que o universo conspire a nosso favor; daí, estaríamos por detrás de todo ato de desenvolvimento transformador, de todo o investimento em saúde, educação, de toda a atividade que emancipe o ser humano. Somos os pacificadores, aqueles que resolvem problemas tendo em vista o estabelecimento do direito. Estamos prontos a sofrer por isso, porque foi o que vimos no Cristo, Jesus. Infelizmente, ainda que haja um grande número de cristãos engajados nessa aplicação de nossa luminosidade, essa tem sido uma grande omissão da igreja local, a começar pelo ensino dessa verdade, de modo que os cristãos, em não o sabendo, sequer são desafiados a vivê-lo. Os cristãos não têm sido informados de que são seres luminosos e de como essa luz ilumina. Muita gente está sofrendo por causa desse desconhecimento, entre os seguidores de Jesus, sobre a sua natureza no Cristo e a consequente manifestação da mesma. Essa luz tem de brilhar. Ariovaldo Ramos

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MUDANDO A HISTÓRIA

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Adilson — mais de seis anos de vida nova marcado pelo testemunho irrepreensível. Irmãos a Graça e a Paz do Nosso Senhor Jesus! Meu nome é Adilson, tenho 23 anos e quero compartilhar meu testemunho com vocês. Eu nasci e cresci em berço evangélico, meus pais tentaram me ensinar o caminho da verdade. Na adolescência minha vida estava caminhando para a perdição, com a vida espiritual abalada eu não queria saber de Deus e muito menos da igreja. Com 14 anos me afastei, comecei a usar drogas e a praticar assaltos, tive três passagens pela FEBEM, na última fiquei interno um ano e dois meses, na Unidade do Tatuapé. Fui preso por sequestro e para a lei eu era um lixo descartado da sociedade. Ainda no Tatuapé, conheci o trabalho de evangelismo do Ministério JEAME; por bom comportamento e boa conduta conquistei na força de Jesus a liberdade. Nesse tempo, fui apoiado pelos missionários Patrícia e Ranulfo que me ligaram e começaram a fazer um acompanhamento diário em minha casa e por telefone. Em liberdade, mesmo ainda vivendo em grandes conflitos o Senhor me mostrava que acreditava em mim,

para minha surpresa comecei a trabalhar de segurança de loja na região onde moro. Voltei a estudar e por muitas vezes era bombardeado pelos amigos da vila e da escola. Me sentido carente e fraco, tinha em Deus e nos missionários a base que tanto precisava para fortalecer minha vida. Para a honra e glória do Senhor, hoje congrego na 1ª Igreja Batista do Parque São Rafael e estou liberto das drogas e do crime. Deus me deu uma linda esposa chamada Ana e uma princesinha chamada Jenifer, que hoje esta com três anos e quatro meses. Que emoção ver a Suzy, a Patrícia e o Ranulfo em meu casamento, eu os amo como minha família. Nesses anos pude ver o cuidado de Deus por mim, o nascimento da minha filha foi um destes milagres. Minha esposa estava muito mal no hospital e minha filha corria risco de vida, mas o Senhor estava no controle de tudo, e sempre nos surpreendendo, pois depois de três anos eu estava na igreja da missionária Patrícia e reconheci o médico que cuidou da minha filha, sempre achei que ele fosse pastor e queria de alguma forma agradecê-lo

Adilson com a Jenifer, e a Jeniffer com a Ana.

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e naquele dia tive a oportunidade de fazer isso, foi uma grande emoção e alegria o nosso reencontro. O Senhor é fiel. Nos batizamos juntos, eu e minha esposa, e lá mais uma vez estavam os missionários fazendo parte deste momento tão importante de nossas vidas. Estou trabalhando no Hipermercado Pão de Açúcar, no projeto Gente de Futuro, dando testemunho como homem e cristão há mais de três anos. Fiz um curso no JEAME, que prepara as pessoas que querem evangelizar na Fundação CASA (antiga FEBEM), e voltei para evangelizar lá dentro, foi uma benção. O Senhor é bom e tem nos abençoado, mudou as nossas vidas, hoje somos felizes e esperamos nas promessas do Pai. Meu sonho é um dia ter um Seminário Teológico e ser um missionário de tempo integral. Que Deus abençoe a todos. Grandes coisas fez o Senhor por nós e por isso estamos alegres


DAS RUAS 31 Anos

Estratégias para evangelizar e resgatar Deus tem ido conosco nas ruas, em meio a toda a tristeza e aumento de crianças e adolescentes caídos no chão de tanto usar crack. Deus tem nos dado muitas estratégias de aproximação, cercando toda nossa área de atuação com louvor e adoração. Saímos com o violão e nos locais onde as crianças ficam nós frequentamos um tempo cantando, orando e abordando o grupo. Temos determinado nestes locais pontos de adoração ao nosso Deus em meio à destruição. Desde que iniciamos essas atividades temos recebido muitas visitas no projeto, todas as terças e quintas. Os obreiros também estão atendendo algumas dessas crianças e adolescentes. Temos hoje uma lista com mais de 60 nomes para oração. Nestes últimos cinco meses, Deus tem nos ensinado a esperar em seu tempo e temos visto gradativamente a participação no projeto aumentar.

COLABORE Precisamos de DVDs de filmes, musicais evangélicos e educativos para nossas atividades, caso alguém tenha para doar ou vender baratinho nos procure por favor. Aceitamos também doações de toalhas, utensílios domésticos, panelas etc. Da mesma forma, precisamos aumentar a arrecadação financeira para cobrir o sustento dos obreiros e outros. Agora somos cinco educadores evangelistas apaixonados por Jesus e pelos pequenos e grandes nas ruas.

SAIBA MAIS No dia 27 de maio realizamos um culto em gratidão pelo 27º Aniversário do Ministério JEAME. Estávamos reunidos em cerca de 300 pessoas na Primeira Igreja Batista de São Paulo, onde pudemos agradecer a Deus por mais um ano em que temos visto sua fidelidade em nos abençoar neste ministério de resgatar crianças e adolescentes em situação de risco e dar em Cristo uma nova vida. Contamos com os testemunhos do Ivan e Domingos que compartilharam como conheceram Deus dentro da FEBEM (atual Fundação CASA) e hoje estão a cada dia cres-

cendo no conhecimento e vontade de Deus para suas vidas. O Pr. Paulo nos trouxe uma mensagem que nos mostrou o quanto devemos depender de Deus para realizarmos o que nos está proposto e termos em Jesus nosso modelo de vida. Tivemos um momento muito especial de louvor com a participação do Coral Hosana da Igreja Cristo é Vitória e também do Coro masculino da PIBSP, a Pra. Edsel e a missionária Verna que em momentos distintos entoaram um lindo louvor a Deus, além do ministério de louvor da igreja.

Uma homenagem foi feita para a missionária Suzanne, pelo seu empenho e dedicação ao ministério JEAME. No término participamos de uma agradável confraternização com salgados e bolo. Muitos são os motivos para agradecermos a bondade de Deus para conosco e dizer o quanto queremos sempre estar em sua dependência para continuarmos avançando e alcançando muitas crianças e adolescentes e fazendo com se tornem cidadãos do céu.

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MUDANDO A HISTÓRIA

Trabalho nas unidades da Fundação CASA (antiga FEBEM)

“Nossa esperança está no Senhor; ele é nosso auxílio e a nossa proteção.” (Salmo 33.20) JEAME planeja festas de final de ano nas unidades da Fundação Casa Aleluia, Aleluia. Deus é bom e suas misericórdias se renovam a cada manhã. Sim, estou muito feliz por tudo o que o Senhor tem feito em nossas vidas e tudo o que ainda fará, pois sem dúvida nossa esperança está no Senhor. São grandes as nossas expectativas para este semestre que está chegando, junto com ele chega também os preparativos para as festas que temos para o próximo final de ano… Sim, já estamos nos preparando para arrecadar aproximadamente 30 mil reais para fazermos as festas natalinas expressando o amor de Deus aos adolescentes. A nossa previsão é alcançar todas as unidades em que atuamos hoje, são exatamente 15 unidades. Claro que é um tremendo desafio, mas conto com um povo apaixonado por Jesus e por sua obra pois bem sabemos que TUDO VEM DELE E TUDO VOLTA PARA ELE, então queremos dar o nosso melhor.

Reunião realizada entre os missionários, líderes e obreiros das unidades da Fundação CASA.

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Este semestre também tivemos um culto, onde foi passado autoridade para trabalhar na obra do Senhor e reanimarmos cada líder. Depois tivemos uma reunião bem produtiva e estavam conosco toda a liderança das unidades e cada um pôde falar das suas dificuldades e expectativas quanto ao trabalho. Foi também passado para a liderança uma pasta com proposta para trabalho durante todo o ano e nossa esperança é que assim organizados possamos falar sempre a mesma língua. Uma coisa ótima que aconteceu este semestre foi que conseguimos comprar os equipamentos que estavam faltando para realizar um melhor trabalho nas unidades com som adequado, pois estamos com unidades que abrigam 170 meninos e sem um microfone e caixas fica muito mais difícil.

JEJUM E ORAÇÃO Estamos também para este semestre montando uma escala séria de jejum e oração e um relógio onde todos poderão orar em conjunto para que o trabalho continue a todo o vapor. Outra grande vitória foi que conseguimos também comprar um data show para podermos passar filmes evangelistícos em todas as unidades, todos nós estamos ansiosos para podermos fazer cinema para os adolescentes. A minha alegria é saber que em todos os momentos sejam eles bons ou temporariamente ruim, o Senhor

tem confirmado o nosso trabalho e nos abençoado com grandes desafios e propósitos… Falando em propósito, para o próximo semestre está previsto abrirmos mais três, sendo elas bem distantes umas das outras. Para Glória do Senhor, uma equipe cheia de amor já esta sendo trabalhada e treinada para, assim que possível, começarmos este novo trabalho tão recompensador para o Senhor. Pois é… Precisamos muito mais, muito mesmo, de oração, de jejum e também de ajuda financeira para que tudo isso possa acontecer. Sou muito grata a Deus por ter me escolhido. Da minha parte, estou me esforçando para que tudo seja feito do jeito que JESUS espera e por isso preciso muito da ajuda de cada um. Estamos também muito felizes com os novos que estão entrando e que estão fazendo o curso. Nós não estamos precisando de pessoas capacitadas, gênios, mestres, doutores ou aqueles que tem tempo de sobra… NÓS ESTAMOS PRECISANDO DE VOCÊ, que ama a JESUS e tem convicção que sem ELE nada podemos fazer. Comecei dizendo Aleluia e termino dizendo: GRANDES COISAS FEZ O SENHOR POR NÓS E POR ISSO ESTAMOS ALEGRES! Ana Paula Costa Missionária do JEAME e Coordenadora do trabalho nas unidades da Fundação CASA


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“Os jogados” nas ruas pela história... pelo CRACK... A transformação da cidade precisa começar “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” (II Crônicas 7: 14)

Povo de Deus levante e aja! O povo que necessita se arrepender primeiro é o que se chama “povo de Deus”. Não existe ainda um clamor de igrejas, pastores e missões em conjunto, de rosto em terra, reconhecendo nossa inércia, omissão, conivência, vaidades, competições, desunião, falta de amor pelos que perecem nas ruas. Onde estão os fiéis que sabem se unir com outras denominações em grandes encontros de louvor ou em conferências e congressos? Onde estão os pastores e líderes para buscar a Deus e evangelizarem juntos como um “ensaio” do que será lá no céu, mesmo que cada igreja tenha suas diversidades peculiares? Um país que possui igrejas e templos magníficos e, ao mesmo tempo, cidades destruídas pelas drogas, prostituição, desigualdades de oportunidades. Um país onde no centro de uma das maiores cidades do mundo – São Paulo – morrem crianças, adolescentes e jovens de tanto usar crack. Eles começam a se drogar às 17:00H e seguem nesse ritmo até às 7:00H da manhã do dia seguinte! Depois, já exaustos, caem nas ruas e becos da cidade. Mais de 200 jovens estão se matando aceleradamente. Como eles mesmos dizem, só param para ir à escolinha “Papo de responsa”, do JEAME, de terça e quinta, onde recebem amor, a Palavra de Deus, banho e comida. Eles imploram para os traficantes: “Por favor, deixe a gente ir lá.”

Oração: a chave da liberação do poder de Deus O profeta Neemias, ao ver a cidade destruída, passou noites em claro, chorando, jejuando e orando por quatro meses. Moisés também, várias vezes intercedeu pelo seu povo. A presença de Deus não pode ser subs-

PRIMEIRO dentro de NÓS.

tituída por lindas mensagens, cantatas, etc. A presença de Deus não pode ser apenas aparente, ela só se manifesta em altares onde o sangue de Jesus passou, ou seja, quando nos arrependemos, nos humilhamos por nossos pecados e pelos de todos os brasileiros e liberamos perdão a todos. O Senhor disse: “A minha casa será chamada Casa de oração”. E orar, muitas vezes é o que menos fazemos!

“SEM MIM, DIZ O SENHOR: NADA PODEIS FAZER”. “Naquele tempo, vos trarei, naquele tempo, vos recolherei; certamente, vos darei um nome e um louvor entre todos os povos” (Sofonias 3:20). Nós precisamos dar nova identidade à nossa cidade. A cracolândia” será chamada de “Cristolândia”. A “Boca do lixo”(zona de prostituição) de a “Boca de Deus” para a igreja e o mundo. O avivamento transformador deve começar onde ninguém espera nada de bom assim é que Deus age, superando nossas expectativas. Não fujamos do propósito de Deus para nossa “Nínive” (a cidade violenta que foi redimida quando um homem de Deus – Jonas – corrigiu sua rota de vida). Às vezes fico a pensar na história que diz que no centro (onde é a cracolândia) houve um grande derramamento de sangue no passado, em que jovens eram estupradas ao chegar na estação da Luz, hoje zona de prostituição. É necessário que todas as autoridades governamentais e eclesiásticas se humilhem conosco em oração e jejum sincero. O que o mover sobrenatural, restaurador e libertador de Deus não faria nesta cidade? Curiosamente, como que numa “ironia”, ou “pistas de Deus” quem sabe, há nomes no mínimo sugestivos, de ruas na cracolândia: rua do Triunfo, da Aurora, da Vitória, dos Protestantes, no bairro Nova Luz. E o centro de todo crack para crianças e jovens teve início no Largo do coração de Jesus. Que estes nomes colocados na história da cidade sejam como que “lembretes simbólicos” do que Deus pode e quer fazer. E então diremos como em Isaías 61:4 “Edificarão os lugares antigamente assolados, e restaurarão os anteriormente des-

truídos, e renovarão as cidades assoladas, destruídas de geração em geração.” E poderemos dizer como o salmista em Sl. 144:146 : “... para que não haja nem assaltos, nem fugas, nem gritos nas nossas ruas.”

Colocamo-nos de joelhos e o poder de Deus se manifesta. Na cidade de Cali (antigo quartel da droga mundial na Colômbia), um evangelista avivalista precisou morrer para que os pastores se unissem e o terror do crime ser instaurado para que todos os líderes e denominações evangélicas se reunissem para buscar, se arrepender, se humilhar, orar e jejuar. Só então o avivamento transformador aconteceu. Seis traficantes foram presos e milhares de vidas se renderam a Cristo. Em Almolonga, pequeno povoado da Guatemala, bares foram fechados, o povo foi tomado pelo quebrantamento e buscou a Deus. Nas Ilhas Fidji, onde no passado mataram 12 missionários, atualmente o lugar foi transformado pelo poder de Jesus e todo e qualquer amuleto ou imagem de falso deus foi destruído. E onde humildemente O PRESIDENTE DESSE PAÍS, DE MADRUGADA, BUSCA AO SENHOR E DELE FALA EMOCIONADO. Os nossos ídolos ocidentais são outros: “status”, “dinheiro”, “bens”, “pessoas”, “títulos”, ‘reconhecimento’. Por isso carecemos cultivar a presença de Deus em nossas vidas, igrejas, para que, consequentemente, ela se espalhe, como o bom aroma de Cristo, nas nossas cidades e país.

“SE O MEU POVO SE HUMILHAR... SARAREI A SUA TERRA”. II CR. 7: 14

Suzanne Duppong Vice-presidente do JEAME

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MUDANDO A HISTÓRIA

Testemunho do Luis Marcelo Era meados dos anos 75/76 e, por consequências desconhecidas, minha mãe me abandonou. A Rádio Patrulha foi quem me achou; um bebê abandonado num terreno baldio na Vila Mariana. Fui levado ao Sampaio Viana (Colégio) e depois à FEBEM; deram-me uma idade e data de nascimento e o meu lar passou a ser a FEBEM. Cresci em um ambiente de violência, conturbado, cheio de ódio, traumas, solidão e infeliz. Não recebia visitas e nem presentes, era esquecido por todos, era espancado, sem carinho e sem amor. Cresci em um ambiente de infratores e me tornei um deles. Fugia da FEBEM e ia para as ruas, conheci a praça da Sé e ali fiquei por uns 05 anos. Na rua, a lei da sobrevivência é roubar ou roubar! Por anos roubei toca fitas, carteiras e relógios; Por vezes era pego e retornava para a FEBEM logo, no entanto, voltava às ruas. Dormia ao relento, andava com gangues de rua. Não sabia fazer outra coisa que não fosse roubar ou brigar. Não era feliz; não tinha paz; vivia cheirando cola; fui achado num terreno baldio, criado na FEBEM e nas ruas de São Paulo e eu, achando que o culpado era Deus. Havia uma frase que sempre ficava em minha mente: “Bom, não tenho pai

Luis Marcelo, sua esposa Solange e seu primeiro filho.

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e nem mãe, se eu morrer, não vai dar em nada; ninguém vai chorar por mim, sou só neste mundo, porque então não arriscar?”. Gabava-me, achava que era o “tal”, era aceito na malandragem, tinha os roubos, as gangues, as meninas, mas não era feliz. Tudo parecia que ia bem, até que se ouviu a notícia de um ministério chamado “JEAME”. Meus amigos foram e disseram que não era uma ameaça. Fiquei interessado, mas logo desanimei, porque era um ministério evangélico, que falava de Deus deste que, evidentemente, eu odiava. Tempos depois me interessei, pois as meninas novas de rua estavam frequentando o JEAME. Fui lá por causa delas, mas antes de entrar dei voltas, quando as vi, tomei-me de coragem e entrei. Logo na entrada fui recebido por uma missionária alemã chamada Elke; ela me deu um grande abraço... e que abraço acolhedor do céu!!! No JEAME, tudo era novidade para mim, era tudo organizado, limpo, os hinos tocavam o meu coração. Era servido o café da manhã e ainda tinha almoço. Passei a frequentar a escola da rua do JEAME, mas continuava com a minha vida desgarrada. Gostava muito do JEAME. Aqueles irmãos eram obreiros genuínos, nos amavam mesmo! Suzy, Virgílio, Claudio, PR.Israel, Lolla, Elke e outros, se eu viver mais 100 anos, nunca vou esquecê-los. A mensagem era sobre o amor de Deus, choravam quando chorávamos, sorriam quando sorríamos, sofriam quando sofríamos. Eu recebia aquilo como se fôra uma bomba, a maneira pessoal do JEAME nos tratar falava mais alto que as palavras, havia algo diferente, como ansiava tê-los por perto! Ia ao JEAME, mas participava pouco das atividades e dos hinos. Um dia o pessoal do JEAME começou a dar brindes para quem decorasse os versículos e aí despertou-me o interesse de decorar.

Mas seria humilhante ir lá na frente e falar os versículos da Bíblia, era gozação na certa. Só então que tive uma ideia; era a de imitar o jeito da missionária Elke falar, ela falava errado a Palavra com “L”, ou seja: ao falar a palavra “salvo”, falava “sarvo”. Ex.: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás sarvo tu e a tua casa.” Então passei a ir lá na frente e imitar a Elke, e ia imitando e decorando todos os versículos que tinham a palavra “sarvo”. Ganhava vários brindes e a gozação era geral; mas acontece que a Palavra ficou em mim e não voltou vazia... Aleluia! No JEAME também conheci uma menina de rua, traficante, chamada Solange; essa menina vivia drogada 24 horas por dia. O meu coração bateu forte por ela e só ficamos por ficar. O JEAME nos acolheu no lar do Pr. Israel e Lola e nos encaminhou para a casa de recuperação. Aceitei a Jesus numa igreja onde tive uma das experiências mais marcantes de minha vida, em Uberlândia/MG, Solange também aceitou a Jesus e foi para Curitiba. Voltamos para São Paulo e nos casamos. Deus escreve certo por linhas certas; O Pr. Abel e sua esposa Rose nos acompanharam na igreja Nova Aliança (hoje ele faz parte da diretoria do JEAME). Já estamos casados há 12 anos e temos 04 filhos, realmente aonde abundou o pecado, superabundou a Graça de Deus. Atualmente somos membros da Assembleia de Deus, trabalho em uma empresa de segurança,temos nossa casa e somos uma família. Hoje temos paz! Deus verdadeiramente é amor; vivemos por Ele, para Ele, para a Glória Dele. Deus é nosso Pai, Refúgio e Protetor, agradeço ao JEAME, as orações das igrejas por nós. Somos Frutos que deram certo, Louvado seja o nome do Senhor!


DAS RUAS 31 Anos

Crackolândia: amor e respeito aproximam Outro dia, estava fazendo um curso no centro da cidade e na procura de um estacionamento barato, acabei deixando meu carro num estacionamento na região chamada Crackolândia. Ainda era de manhã e o comércio fervilhava, mas quando saí, bem tarde da noite, comecei a sentir o pavor de andar sozinha à noite naquela região. Fiquei orando o tempo todo enquanto andava a passos largos diretos para o meu destino. Como eu queria estar com o Virgílio naquela hora! Eu lembrei que semanas antes, o Virgílio, que é um educador de rua e um dos missionários mais experientes do JEAME, levou a mim e um grupo de americanos para andar e conhecer a região. Enquanto passávamos por entre os usuários de drogas, fiquei impressionada com a maneira que um homem pequeno e simples como ele mostrava autoridade. O jeito amoroso e respeitoso como ele tratou os jovens moradores da rua foi contagiante e provou o poder do amor. Havia um grupo muito grande de usuários de drogas

naquele quarteirão e o Virgílio perguntou se podíamos nos aproximar. Muitos estavam receptivos e nos receberam com atenção. Ninguém nos desrespeitou, porque nós os respeitamos primeiro. No nosso grupo, havia uma senhora americana de uns oitenta e cinco anos cuja maneira carinhosa e espontânea com que ela se aproximava das pessoas na rua me emocionou. Ela não falava português, mas os seus olhos brilhavam o amor de Deus e ela não tinha medo de expressá-lo. Ela era a pessoa mais frágil do grupo, porém Deus a usou de uma maneira poderosa. Eu não resisti e brinquei com ela dizendo que quando eu crescer eu quero ser como ela.

Realidade Tenho estado envolvida com o JEAME há uns 20 anos, mas à distância. Há alguns anos atrás, quando recebíamos pessoas de outros países, eu traduzia os missionários; ouvi

histórias impressionantes de como Deus tem transformado a vida de pessoas que eram dadas como perdidas pela sociedade. Depois disso, nunca mais pude ficar de longe. Depois que comecei a visitar a Fundação CASA (antiga FEBEM) e as ruas, a minha visão da realidade mudou radicalmente. Hoje sei que Deus tem poder para salvar o mais perdido dos perdidos; sei que Deus usa pessoas comuns e medrosas como eu para mostrar o Seu poder; sei que Ele pode fazer milagres com o pouco que eu ofereço; sei que fui contagiada pelo amor desses homens e mulheres do Ministério JEAME que são exemplo do poder transformador de Deus; sei que juntos poderemos mudar a Crackolândia, a cidade de São Paulo e o Brasil. Sei que juntos faremos diferença!

Marli Marcandali é formada em Teologia, professora de inglês, mestranda em Liderança Organizacional, líder de Teatro e Depto. Infantil da Igreja Batista do Morumbi, membro da Sampa Community Church, e membro da Diretoria do Ministério JEAME.

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MUDANDO A HISTÓRIA

NAS RUAS, OVELHAS PERDIDAS SEM PASTOR... Papo de Responsa restaura vidas Todos que passam pela região da Santa Efigênia, Luz, São João e principalmente na Rua Guaianases, têm uma reação de espanto, temor e tristeza, pois a imagem que temos visto nestas regiões é bastante diferente do que a TV mostra. Daqui sentimos a respiração, o suor, o mau cheiro pela falta de banho, as loucuras pelo uso de drogas; daqui vemos como conseguem o dinheiro que financia o tráfico, vemos a impunidade e a corrupção; enfim, daqui vemos muito além do que é possível narrar em uma edição. Algumas vezes, chego às 7h da manhã e saio às 16h30 e volto no dia seguinte às 7h da manhã e vejo praticamente as mesmas pessoas, no mesmo lugar, fazendo a mesma coisa: drogando-se. A situação na região Central, com relação às drogas e muita mais grave e muito mais séria do que imaginamos. Pensamos que isto não pode atingir a periferia, nossa igreja, nossa casa, mas somente as ruas do centro. Porém poucos são os que têm moradia na região central, pois eles têm vindo dos mais diversos lugares. São crianças, jovens, adultos, homens e mulheres. Eu tenho perguntado: O que faremos? Dar banho, comida e roupa

Osvaldo da Silva Jr

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limpa? Isto é muito vago para quem esta se matando. Temos que dar solução definitiva! O governo tem que enxergar o problema como uma epidemia e não somente como um crime. A igreja tem que enxergar como prioridade, pois essas vidas sendo ceifadas são criação de Deus. Pergunto-me às vezes porque estamos neste lugar? Estamos porque saímos daqui, e cremos que muitos mais sairão. Estamos aqui porque sabemos que Deus esta no governo de todas as coisas e ama essas vidas, e as quer salvar. Estamos aqui porque aprendemos a amar estas pessoas, respeitando-as, perdoando-as, ouvindo e servindo, para que saiam desta vida e enxerguem um novo caminho. Estamos aqui porque temos consciência que somos sal e luz e temos um papel importante na recuperação destas vidas. Estamos aqui porque acreditamos que este lugar um dia será chamado CRISTOLÂNDIA e nosso Deus será proclamado adorado e glorificado em muitas vidas aqui. Hoje, vejo que precisamos urgentemente de um lugar para levá-los. Pensamos em alugar uma casa com três dormitórios, onde possamos fazer os primeiros acompanhamentos

antes de enviá-los a centros de recuperação. Minha esperança é que este ano o Sitio em Juquitiba, ou mesmo outro lugar, possa funcionar como centro de recuperação para darmos continuidade naquilo que já estamos fazendo no Centro de São Paulo. Precisamos de convênios com empresas que possam oferecer oportunidades de trabalho ou mesmo alguma atividade para levantar recursos, ajudando esses jovens a se inserirem na sociedade de uma maneira produtiva. Definitivamente, precisamos colocar na ativa todo o nosso potencial, pois a Escolinha Papo de Responsa, estrategicamente localizada na Rua Guaianases, no meio do furacão, não foi criada somente para banho e alimentação, mas para restaurar vidas. Ainda não temos todo o recurso que precisamos para funcionar a todo o vapor, mas estamos fazendo o possível com o que temos conseguido. E já temos visto resultados palpáveis. Que Deus nos dê coragem para continuar a obra que Ele começou em nós e através de nós. Deus os abençoe.


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J esus – O Vencedor das crises A palavra crise é derivada do Sânscrito “kri”, que significa limpar, purificar. Daí vêm os termos crisol e acrisolar, que dão a ideia de purificação. O termo grego “krisis” e o latino “crisis” significam julgar, separar, discernir, definir. Os chineses representam o termo crise com dois ideogramas, um significa risco ou perigo, o outro oportunidade. Em nossa época, não podemos negar a existência de diversas formas de crise. Crise ou depressão econômica, pobreza, fome, miséria, medo, stress, culpa, descrença, ansiedade, crises existenciais, conjugais, crises de saúde, dores, traumas, desequilíbrio ecológico ou ambiental... Tudo isso faz parte da história do homem e da natureza. Mas isso não era estranho ao povo de Deus, aos seus profetas e principalmente ao Salvador, que passou por crises desde sua própria gestação e nascimento. Comecemos por Maria. Há mais de 2000 anos, ela viajou da Galileia à Judeia, isto é, do norte ao sul de Israel, carregando no ventre o Salvador. Foi uma gestante que superou os perigos da arriscada viagem e, depois de nascido o bebê, “enfaixou-o e o deitou numa manjedoura porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2:7). Nessas condições tão críticas, porém, ela não se enfraqueceu na fé, antes, engrandeceu e exaltou ao Senhor. Eis agora o Salvador: foi um homem de luta desde o seu nascimento, tendo sido rejeitado e perseguido quando ainda era um bebê. Diante da fúria assassina de Herodes, seus pais fugiram para o Egito. Esse bebê, porém, cresceu, tornou-se um menino, fortaleceu-se e encheu-se de sabedoria, e a graça de Deus estava sobre ele (Lc 2:40). E em seu desenvolvimento estavam presentes as experiências de sofrimento de seus pais. José fugiu com a mulher e o bebezinho Salvador às costas, pois sabia do chamado do Encarnado e contribuiu para o seu cumprimento. José

foi carpinteiro no Egito, viveu como estrangeiro. Não era essa uma situação de crise? Mas ele a superou, pois nele se cumpria a palavra que dizia: “Do Egito chamei o meu Filho” (Mt 2:15). Depois, ao iniciar seu ministério, Jesus tomou sobre si nossos pecados, sendo batizado no Jordão. O próprio João Batista recusava-se a batizá-lo, mas Jesus assumiu um compromisso de entrega por nós, confirmando no batismo seu sofrimento indevido. Não era esta uma situação de crise, assumir os pecados dos outros e por eles se entregar? E após o batismo, “logo o Espírito o impeliu para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam” (Mc 1:12-13). Não era uma situação de crise? Sim, mas era também uma situação de alento de Deus e de grande conquista. Ali se cumpria o Salmo 91: “Aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra”. E a pedra que Satanás tentou colocar ali foi a da desistência de Jesus e de nossa consequente perdição. Mas Jesus venceu essa crise, e tempos depois disse: “Vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações”. (Lc 22: 28-29). Depois, no Getsêmani, mostrando sua humanidade, pediu ao Pai: “Se possível, passe de mim este cálice. Todavia, não seja como eu quero, e, sim, como tu queres”. (Mt 26: 39). E ele se entregou pacificamente, o grão de trigo morreu e nos deu a vida eterna. “Foi obediente até à morte, e morte de cruz”, o que na época significava a maior ignomínia, mas Deus o exaltou sobremaneira, e lhe deu o Nome que está acima de todo “nome”. (Fp 2: 9). Foi nessa certeza que os primeiros cristãos enfrentaram as crises das perseguições, honrando o Nome que estava acima das autoridades de sua época, enfrentando a espada e as feras, mas sabendo que

a sua vida estava “oculta juntamente com Cristo, em Deus” (Cl 3:3), e não nas mãos de um déspota como Nero ou outro qualquer. Seguindo esses exemplos de superação, em nosso contexto social e existencial, “corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz.” (Hb 12:2). Devemos olhar “atentamente aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo”, para que não nos fatiguemos, desmaiando em nossas almas (v.3). As crises fazem parte da existência humana, mas “o verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1: 14), e “naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados” (Hb 2:18). Paulo aprendeu a viver contente na fartura, na fome, na abundância e na escassez, por isso disse convictamente: “tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:13). E era Cristo quem o fortalecia. Portanto, não nos orientemos jamais por nossos temores, mas sim pela fé no maior vencedor de crises da História, nosso Senhor e Salvador, que venceu a própria morte.

Rev. Isaar Soares de Carvalho Graduado em Teologia e Filosofia, Mestre e Doutorando em Filosofia pela UNICAMP. Igreja Presbiteriana Independente de Vila Dom Pedro, São Paulo - Capital

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MUDANDO A HISTÓRIA

Vida é transformada com trabalho do JEAME “Nasci no dia 14 de março de 1986. Meu nome é Lino, conhecido como guerreiro, um jovem que cresceu sem pai, somente com a mãe e seus irmãos, hoje todos casados”. Vou relatar um pouco da minha infância e de meus irmãos. Para nós, nunca foi fácil ter um pai alcoólatra dentro de casa. Quando minha mãe estava grávida de mim, meu pai dava chutes na barriga dela para eu morrer. Meus irmãos eram pequenos e morávamos em Guarulhos num barraco de madeira. Para ajudar no sustento, meus irmãos buscavam comida no fim da feira. Um irmão mais velho do que eu foi furado no pulmão com um garfo de churrasqueira pelo meu pai. Bem nesta historia toda, fui crescendo e aprendendo o que a vida tinha a me ensinar; e me ensinou que para uma casa ter estrutura precisava ter um pai, um pai que nunca tive. Comecei a trabalhar cedo e com o tempo fui aprendendo o que era uma vida amarga. Então, optei pelo mais fácil. Comecei com o cigarro e depois a maconha. Logo vi que não dava mais e parti pra cocaína, além de usar cola com os meus amigos. Certa ocasião, meu pai me agarrou e me lançou na parede para me matar, porém minha mãe se jogou na frente e não aconteceu nada comigo. Can-

sado da minha historia de tristeza, o que me restou foi seguir pra vida fácil. Foi daí que quando comecei a roubar e aprender a fazer assaltos, achando que nunca iria ser preso. Uma vez na intenção de roubar algum carro, tentei o primeiro, não deu certo; o segundo, o terceiro, no quarto carro eu consegui, só que o carro estava cheio de pessoas. Então o meu finado parceiro mandou que todos saíssem, pois eu iria dirigir o carro. Foi quando escutei uma voz que me dizia: manda eles saírem e orarem por vocês. Foi isto que eu fiz, pois não conseguia orar de medo. Na verdade, o carro estava cheio de crente e hoje eu sei que Deus cuidava de mim sendo o Pai que eu nunca tive. Um dia, meus amigos de balada e eu estávamos indo fazer um racha, nós num fusca, contra um outro fusca, enquanto eu e mais três estávamos no banco traseiro e outros dois na frente. Quando falamos “vamos ao parquinho brincar no carrinho de bate-bate”, batemos diretamente no poste. Todos se feriram gravemente e um deles teve ataque epilético, mas eu não sofri quase nada. Descemos do carro e eu fiquei segurando o motorista, que acabou falecendo nos meus braços. Agora sei que Deus me guardava mesmo assim.

Lino e sua mãe

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Uma vez fui tentar um roubo, mas não deu certo e eu acabei preso e mandado para Fundação CASA onde fiquei por cerca de onze meses. Aprendi muita coisa naquele período, mas o meu maior sonho lá dentro era sair e matar um monte de policial. Hoje sei que Deus tinha outros planos pra mim, pois foi num culto dentro da unidade que eu estava que os irmãos do JEAME me evangelizaram. Fizeram uma gincana e disseram que quem decorasse o Salmo 91 ganharia pontos e o grupo que vencedor iria receber alguns doces. Então eu topei e comecei a ler a Bíblia Sagrada. Assim, fui alcançado pelo Senhor. Descobri um novo pai que é Deus. Agora estou feliz com o pai que eu nunca tive. Há dois anos tenho trabalhado no Ministério JEAME como obreiro. Obrigado a todos vocês por terem feito parte da minha história.

“Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37)


DAS RUAS 31 Anos

A misericórdia de Deus É inevitável sair às ruas do centro de São Paulo para evangelizar e não se perguntar: Será que há solução para este povo das ruas: Jovens, crianças, adultos, delinquentes, drogados, bandidos, assassinos? Alguns deles até já passaram anos nas prisões. Será que tem jeito? Quando entendemos a misericórdia de Deus, somos impulsionados a ir ao extremo atrás dos perdidos para lhes dar a boa notícia. Eles têm jeito, sim! Deus os ama e é rico em misericórdia para com cada um deles. Deus os transforma de tal maneira que ficam irreconhecíveis. E para melhor! Misericórdia é uma palavra tão comum no nosso vocabulário, mas nem sempre entendida na sua profundidade. Poderíamos dizer que o amor de Deus tem duas partes: a graça e a misericórdia. Simplifiquemos graça, dizendo que é o favor de Deus para nós. E é. Mas alguém expandiu essa ideia dizendo que “graça é o poder de Deus para satisfazer nossas necessidades mais profundas sem qualquer custo para nós”. Uma boa maneira de entender a misericórdia é perceber como ela se relaciona com a graça.

Graça É receber algo que não se merece/ favor sem merecimento algum da nossa parte. Misericórdia É não receber aquilo que merece/ punição impedida, punição contida. Amor de Deus Misericórdia e graça ao pecador. Paulo, em Efésios 2.3-5 nos diz: “...e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos).” Poderíamos parafrasear Paulo dizendo: Eles estavam fadados a viverem dessa maneira: nas ruas, na sujeira, nas drogas, infringindo a lei, sendo um risco para a sociedade. Mas a misericórdia de Deus é muito grande, e o seu amor por eles é tão

intenso, que ele os trouxe para a vida e por sua graça são salvos. Biblicamente, tem jeito! Em frente a minha casa, parava sempre um caminhão com a inscrição no pára-choque: “Hoje Ele é teu Salvador, amanhã será teu juiz”. Na realidade, Deus sempre será o Soberano que tem pleno direito sobre nossas vidas. Nossas transgressões só merecem mesmo uma sentença: “Está condenado”! Mas por causa de sua misericórdia, a punição é impedida! Termino esta conversa lembrando Santo Agostinho pregando sobre a parábola do Filho Pródigo, quando o pai vai ao encontro do filho: Que significa ir ao encontro, senão antecipar-se pela misericórdia? Pois “estava ainda longe, quando seu pai o viu, e, movido pela misericórdia, correu-lhe ao encontro”. Quando evangelizamos, estamos personificando a misericórdia do Pai que vai ao encontro do filho maltrapilho. Tem jeito, porque tem a misericórdia de Deus!

Pr. Abel Alves de Moraes

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MUDANDO A HISTÓRIA Do seu santuário nas alturas o Senhor olhou, dos céus observou a terra, para ouvir os gemidos dos prisioneiros e libertar os condenados à morte”. (Salmos 102. 19.20 )

Tivemos um final de ano maravilhoso. Onde e conseguimos alcançar todos os nossos objetivos quanto às festas de final de ano. A exemplo dos anos anteriores, Deus levantou recursos e doadores e pudemos oferecer pizza, coca-cola (com gelo!) e chocolates, mas o que realmente me surpreendeu este ano foi a alegria dos meninos e meninas ao anunciarmos que entregaríamos Bíblias. Eles aplaudiram muito e eu fiquei extremamente grata a Deus, pois sabíamos que de tudo o que estávamos oferecendo, o único alimento que não se estraga é a Bíblia, e eles entenderam plenamente. Tivemos também a participação de uma funcionária em uma das festas que ficou muito impactada com o trabalho. Alegria também em poder doar Bíblias para os familiares e funcionários da Fundação. Em algumas unidades, pudemos fazer as festas com os familiares dos meninos, que se alegraram conosco. Para cada um de nós que participou foi maravilhoso ver o agir de Deus. Não faltou nada e nem voluntários para o trabalho.

No mês passado, em março, o Senhor nos deu uma direção para levantarmos uma Torre de Vigia e Oração pelos meninos e meninas da Fundação Casa de Oração e também pela região da Cracolândia, que, pela fé, já chamamos de Cristolândia. Uau! Que experiência linda temos vivido! Somos uma média de 60 voluntários e todos nós paramos ao meio-dia e começamos a orar, mesmo que seja apenas um minuto, mas todos os missionários e voluntários param para entregar o Trono de Governo e de Domínio ao Único que é digno de louvor e adoração. Já temos visto o resultado desta campanha, com testemunhos da graça e do poder de Deus em diversas unidades. Outra coisa tremenda é que o Pai tem nos dado a estratégia de sempre ter um grupo do lado de fora intercedendo, enquanto outros entram para evangelizar. Isso tem aproximado muitas outras pessoas para o nosso meio e trazido mais união. Apesar das restrições impostas pela Fundação CASA, milagrosamente alguns novos têm conseguido entrar e participar da ministração das boas-novas do Senhor.

Eliana Miyuki e Paula. Portanto, só temos a agradecer sempre ao Autor da Nossa Fé. Minha oração é que este ano possamos nos dedicar mais ao jejum e oração. Nossa equipe tem aprendido a orar e jejuar e por isto têm experimentado o tremendo agir de Deus em nossas vidas. Sabemos muito bem que a oração não muda a Deus, mas nos muda para sermos exatamente aquilo que Ele deseja que sejamos.

O que Ele espera de nós? Obediência, Santidade, Amor. E uma palavrinha simples... DISPOSIÇÃO, a nós nos cabe somente estarmos disponível a Ele e o restante, Ele mesmo fará... Com amor... Missionária Paula - Coordenadora do Ministério JEAME na Fundação CASA

Testemunho: SIM, é resposta de oração! Um dia desses na Fundação CASA aconteceu algo que nos surpreendeu! A média de participação dos encontros do JEAME tem sido em torno de 40 meninos. Porém na última, tivemos 75 meninos que ESCOLHERAM ouvir a DEUS!!!!! Sendo que 6 meninos resolveram não participar! Desde que a unidade da Fundação CASA determinou na unidade Juquiá/ Brás, a participação opcional dos meninos nas nossas reuniões, nunca se viu tamanha participação! Desde do dia 25/02, a equipe tem o compromisso de orar todos os dias ao meio dia, pelos obreiros, pelas unidades, funcionários, meninos e meninas da Fundação Casa. Um dia, a princípio tinha me esquecido de orar no horário, mas, logo que lembrei comecei a orar pelos meninos. Então me veio uma pergunta: “Será que esse aumento da participação dos meninos nos encontros do JEAME não é resposta de oração que estamos fazendo ao meio-dia??? E logo a resposta veio ao meu coração: SIM, é resposta de oração!!!! Eliana Miyuki – Voluntária do Ministério JEAME atuando nas unidades da Fundação CASA

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BIP JEA M E

Boletim Informativo aos Parceiros

JEAME 29 ANOS Você é nosso convidado para este banquete No mês de maio, o Ministério JEAME está celebrando os seus 29 anos de atuação. Podemos dizer que até aqui o Senhor esteve conosco. Apesar de pequeno, desde o início, o JEAME tem sido instrumento de transformação de muitas vidas de uma maneira impressionante Creio que um dos maiores impactos nestes anos é o que Deus tem feito na vida daqueles que servem, tanto dos líderes, missionários, voluntários, diretores e mantenedores. Uma das vocações do Ministério JEAME é preparar líderes servidores para a expansão do Reino de Deus. A começar por mim, não posso deixar de testemunhar o impacto que tem causado na minha vida pessoal assim como ministerial. Deus nos chama a ir buscar o perdido, e o Ministério JEAME tem ido atrás dos que estão perdidos não só espiritualmente, mas também socialmente.  Estes jovens e crianças que vivem nas ruas do centro de São Paulo são considerados irrecuperáveis e pouquíssimas pessoas têm interesse genuíno em realmente resgatar, recuperar e reintegrá-los à sociedade. De fato, quando olhamos com olhos humanos as condições dessas pessoas, não vemos qualquer sinal de esperança, principalmente os que estão envolvidos com craque.. Muitas vezes, nós também somos abatidos por este sentimento, mas o amor de Deus nos constrange e, conforme damos os primeiros passos, passamos a ver tudo de uma maneira diferente,porque a esperança começa a brotar em nossos corações conforme obedecemos ao chamado. Talvez você até conheça alguém que esteja numa situação sem esperança e por isto queremos te encorajar a lutar e não desistir.

Jesus disse que o Reino dos Céus é como um rei que preparou um banquete de casamento para seu filho e que mandou seus servos anunciarem aos que tinham sido previamente convidados para que viessem ao banquete. Porém, eles não quiseram ir (Mateus 22.1-31). Aqueles convidados de honra estavam ocupados demais com seus negócios para pararem o que faziam e ir ao banquete, sendo que alguns deles abertamente ofenderam e maltrataram os mensageiros do rei. Então o rei, indignado, mandou que seus servos fossem para as esquinas e convidassem todos os que eles encontrassem. Seus servos saíram às ruas e reuniram todas as pessoas que puderam encontrar: gente ‘boa’ e gente ‘má’. Assim encheram a festa e todos celebraram. Com qual personagem desta parábola você mais se identifica? Pensando no Reino de Deus, em qual situação você se encaixa? Será com o rei que está dando a festa e abrindo as portas para os bons e maus, mostrando com sua generosidade o amor de Deus que não faz acepção de pessoas? Será que você se identifica com o servo que sai em busca dos convidados “honrados” e importantes e acaba recebendo um “não” na sua cara? Será que você é como os que estão tão ocupados com seus negócios que não têm tempo nem interesse no banquete do rei? Será que você é um daqueles ilustres que se incomodaram com a cobrança e usaram sua influência para maltratar os servos do rei? Ou será que você se identifica com o servo que sai pelas ruas convidando a todos para virem? Ou mesmo um servo que fica às portas recebendo os novos convidados com honra, conforme as instruções do rei, sem fazer acepção de pessoas?

Quer fazer parte desta festa? Talvez você seja como muitos que por fora tenha uma boa aparência, mas por dentro se sinta um pobre coitado perdido e sem esperança. O banquete que Deus preparou para seu Filho está aberto para todos os quiserem participar. Será que você é um dos que alegremente percebeu que não há nada neste mundo que o impeça de aceitar o convite do Rei, de receber as novas vestes de gala, de tomar parte de tudo que é oferecido no jantar e de experimentar as delícias da comunhão com os amados do Rei? Seja qual for a sua posição, não fique de fora e aceite o convite. O Ministério JEAME entende que Jesus está bradando pelas esquinas, becos e mocós, chamando aquelas crianças e jovens que andam perdidos pelas ruas de São Paulo, pelas ruas de qualquer lugar, presos na Fundação CASA, presos numa situação de vícios, droga-adição e prostituição. Todos são convidados para o banquete. Quer fazer parte desta festa? Você tem coragem de ir ou então de apoiar os que vão?

Marli Marcandali Presidente do Ministério JEAME Graduada pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo, Mestre em Liderança Educacional pela Azusa Pacific University, professora de Educação Cristã na FLAN, membro e líder de teatro na Igreja Batista do Morumbi e colaboradora da Sampa Community Church.

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MUDANDO A HISTÓRIA

Nas Ruas do Centro de São Paulo “Os refugos na cracolândia” A cada dia que andamos pelas ruas do centro de São Paulo, temos visto uma situação deprimente, onde crianças, adolescentes e jovens estão caídos nas praças, nas ruas, nos becos: parecem pessoas que “não servem” mais para a sociedade. Jesus disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu os aliviarei”. Mateus 11:28 Quando converso com alguns deles, uma das coisas que me chamam a atenção é quando não conseguem mais usar drogas e caem na calçada suja, no meio do lixo. Muitos deles dizem: “Tio, EU SOU LIXO”. A vida para eles não tem mais valor: é como um refugo, separado de tudo e de todos.

Outra coisa: tem aumentado o número de crianças nas ruas, assim como de meninas e adolescentes grávidas. Muitas delas já perderam sua identidade. O que fazer? Vamos juntos buscar essas vidas, custe o que custar. Cremos que muitas vidas serão transformadas na chamada Cracolândia. Vamos buscar e anunciar o evangelho que realmente limpa, que cura, que transforma. Deus quer você. Se Deus o chama, obedeça. Venha para as ruas que, ironicamente ou não, se chamam: Rua do Triunfo, Rua Vitória, Rua dos Protestantes, Rua Aurora,

Largo Coração de Jesus, entre outras. Vamos ganhar essas vidas perdidas nesse lugar que um dia será chamado não mais de Cracolância, mas de Cristolândia. Aleluia! Virgilio é missionárioeducador, que está a 25 anos servindo a Deus através do Ministério JEAME.

Entrevista com um voluntário do JEAME: 1. Makoto, como foi que você se envolveu com o JEAME? Comecei a participar do JEAME como convidado para orar e interceder durantes os cultos semanais dentro da Fundação CASA do BRÁS há 2 anos atrás. Como era um lugar insalubre, me senti constrangido por haver poucos homens nesse trabalho na época e decidi dar meu apoio no que precisasse. 2. Como foi para você fazer os vídeos? Como tudo começou? Por estar participando do trabalho no JEAME na unidade do Brás há algum tempo, resolvi fazer o curso com a Suzy sobre “Como alcançar adolescentes, jovens na droga-dependência e margi-

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nalidade”. Foi então que percebi uma carência na divulgação do trabalho do JEAME. Como tenho um pouco de conhecimento na área de vídeos e animação resolvi oferecer ajuda para na divulgação das Campanhas! Busquei informações e estatísticas da situação dos meninos de rua e da Fundação CASA e montei o primeiro vídeo para o Natal de 2008. 3. O que tem aprendido durante estes anos servindo ao JEAME com os seus dons? Tenho aprendido o quanto era importante dividir o que Deus tinha feito na minha vida e que não tinha razão pra viver mais uma vida egoísta. E percebi o quanto Deus tem amor pela vida do “per-

dido” e faz o impossível para resgatá-los. E que de alguma forma também gostaria que fizéssemos parte do Seu plano. 4. Houve alguma mudança na sua vida em virtude de estar servindo a Deus no JEAME? Em virtude deste trabalho voluntário, tenho deixado de olhar apenas para meus pequenos problemas e ter me colocado à disposição na causa dos menos favorecidos, dos perdidos e dos cativos. E isso me trouxe uma paz muito grande, assim como uma motivação e razão maior pra viver. Makoto é um jovem que tem servido como voluntário na Fundação CASA há dois anos e foi o responsável pela produção dos vídeos do JEAME nas duas últimas campanhas de Natal.


ALEXANDRE CARDOSO LEAL MEU TESTEMUNHO E CHAMADO MISSIONÁRIO Julgamos importante neste momento compartilharmos um pouco do nosso testemunho e chamado missionário, pois são 12 anos de fé e prática de vida transformada e uma forma de “agradecimento a Deus e a todos que direta ou indiretamente, fizeram parte de nossas vidas”. Tudo teve início em uma separação fatal dos meus pais em Marília cidade onde nasci. Meu pai era músico, boêmio da noite, usuário crônico de vários tipos de drogas e em 1979 Depois de muitas brigas com agressões físicas a minha mãe, ocorreu a separação. Éramos em 3 irmãos, sendo que eu e a caçula, fomos para Caraguatatuba, litoral de São Paulo, morar com minha mãe e meu irmão mais velho ficou morando com meu pai e avós paternos. Durante 05 anos fiquei sem contato com este irmão e meu pai. Este foi um período de grande angústia e traumas. Em meados de 1984 para 1985 com 11 anos, tive a curiosidade de experimentar aquilo que seria um dos meus maiores vícios: o “cigarro”. Neste mesmo momento meu irmão Fernando veio nos visitar após 5 anos, e tivemos um misto de muita alegria e um pouco de tristeza, pois eu havia tido contato com algumas drogas e estava com a aparência muito abatida. Desde então passamos a ficar juntos e relembrar nossa recente infância com meu pai. Após surgir a curiosidade com o cigarro, depois do meu contato, passei a fumar constantemente e com 12 anos, depois de uma conversa com alguns “amigos” na rua, conheci a maconha e logo me fez lembrar meu pai, quem eu tinha como Herói. Experimentei e fiquei enfeitiçado pela maconha, passei a usar todos os dias e daí, iniciou-se um grande período de trevas em meus poucos anos de vida e aquele frágil adolescente já não era mais o mesmo, de 84 a 88, foram anos de roubos, vícios, prostituição, cadeia etc... Aos olhos dos homens eu era mais um daqueles que sem piedade, deveria levar uma rajada de fogo, desta forma deixando a sociedade em paz. Em minha última prisão, em Agosto de 87, vim parar na FEBEM do Tatuapé em São Paulo, juntamente com meu irmão Fernando... Estava um temo nublado, muito frio. Entramos num pavilhão onde

haviam 400 garotos e era para 150. Olhando nos olhos daqueles meninos, que como eu estavam ali, via a história repetida de vários Alexandres, e muitas vezes historias mais conturbadas. E aquele frio com chuviscos batiam sobre nossos corpos de adolescentes que devido as drogas, estavam abatidos e frágeis e a tristeza e a ira, faziam com que estes corpos andassem. Alguns dias depois, fomos para outro pavilhão chamado U E 23 (Unidade Educacional 23) foi onde Deus já havia reservado para o dia da nossa Salvação. Depois de alguns meses ali naquele pavilhão, sem qualquer notícia sobre família ou algum “amigo”, e no silêncio da sala de televisão onde estávamos, um monitor nos chamou e disse que havia uma visita para nós. Um misto de curiosidade e alegria nos invadiu. Fomos ver quem era e para nossa surpresa era uma pessoa chamada Mara que nós não conhecíamos juntamente com minha irmã caçula. Esta senhora nos disse que já estava orando por nós havia 3 anos e acreditava em nossa recuperação através da libertação em Cristo e neste mesmo período, o Ministério JEAME estava iniciando o trabalho na FEBEM, e chamaram muita atenção dos garotos pelo jeito diferente de evangelismo. Era uma conversa mais jovem na gíria como nós entendíamos e na liberdade. Neste dia Deus estava nos cercando com seu amor e seu cuidado. A Mara nos falava sobre o amor de Deus, os crentes do JEAME também, não havia por onde escapar. Até que um dia, num testemunho de um dos líderes do JEAME na época o “Fernandão”, meu irmão caiu em prantos e se arrependeu de seus pecados tornando-se uma nova criatura, e um ano depois que eu estava preso, entrei em meu quarto com uma profunda tristeza e insatisfação e fui conversar com Deus. E neste meu ato de fé, foi que a alegria de Deus invadiu meu ser e depois da oração peguei o Novo Testamento, e passei a ler sobre o amor de Deus, e isto fiz em voz alta para todos que estavam no quarto ouvirem, que alegria! A Mara, que passamos a conhecer melhor, foi a grande pessoa usada para nos acolher após a FEBEM; de 5 anos de setença, caiu para 1 ano, e em Agosto de 88, eu estava saindo para a liberdade física e espiritual, e

passamos a morar com a Mara e família, e fomos discipulados pelo Ministério JEAME. Foram períodos de lutas, crescimento na fé e confirmação do chamado Missionário, ( em 1994, eu estava trabalhando em uma empresa bem conceituada na área de propaganda e marketing, estava todos os fins de semana atuando pelo JEAME como evangelista na FEBEM, recebi um convite para trabalhar em tempo integral em uma entidade chamada ABENFI, onde iriam iniciar o trabalho com adolescentes de rua e eu tinha o perfil do educador que eles queriam. Fiquei um pouco em dúvida, pois eu estava para casar e desta forma seria um passo de fé, pois todas as entidades passam por um período de dificuldades financeira, e isto poderia ocorrer também coma a ABENFI, mas orei e aceitei o desafio e Deus deu a graça do casamento em 95, com a Dalma que já era obreira voluntária no JEAME a alguns anos. E nosso Ministério social e evangelístico já não era só uma promessa, mas um acontecimento. Minha mãe e meu pai se converteram através do testemunho meu e do meu irmão. Meu pai faleceu em 97 devido ao uso das drogas. Mas ficamos quase 01 ano juntos. Antes disto acontecer, houve grande reconciliação através do perdão e ele morreu com Cristo. Minha mãe serve a Deus e é nossa alegria, eu e minha esposa recebemos uma proposta de trabalho social e evangelístico em Portugal, e agora no mês de setembro estaremos indo para Portugal. Neste tempo no Brasil, trabalhamos recuperando vidas, nos envolvemos com entidades como o JEAME e firmamos um Ministério musical “Grupo Novo Caminho”. Agora Deus nos chama para outra empreitada, e nosso desejo é que o JEAME sempre lembre que o plano de Deus muitas vezes não é o nosso e então temos que passar a nos abrir para novas experiências pois Ele é o oleiro e consequentemente o dono da massa. E a todos que estiverem lendo este nosso testemunho, saiba que o seu investimento financeiro ou de tempo sobre um ministério de amor como o JEAME, vai redundar em grandes frutos para agora e para a vida eterna.

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CLAUDIO DE ALMEIDA LEMES (IN MEMÓRIAN) Cláudio perdeu sua mãe, não tinha bom relacionamento com a madastra. Seu pai era traficante. Ele dormia as vezes do lado da casa do cachorro, lugar úmido. Certa noite foi colocado para fora de casa com um tapa de tênis no rosto por seu pai, ele tinha somente 11 anos, e na revolta jurou matar sua madastra. Mas antes dele chegar a esse ponto, ele trabalhou em Banco (onde roubou depois), todavia BRODOX ganhou várias medalhas lutando (onde pensava que liberaria revolta). Mas caído nas drogas, passando a viver em Mocós (buracos debaixo da terra em meio a ratos, lixo e até cadáveres), isto durante 10 anos de sua vida. Até que uma Missionária do JEAME (recuperada das drogas), entrou num Mocó e apesar da atitude agressiva

de Cláudio falou que Jesus o amava, deixando um exemplar do Novo Testamento “ O mais importante é o Amor” , além de arriscar sua vida entrando naquele lugar perigoso. Após a saída dela, ele lembrava de suas palavras e chorava. Então desejou ser encaminhado para uma Casa de Recuperação. Teve muita luta na libertação da prostituição, mas era muito amoroso, brincalhão e também de temperamento explosivo. Cláudio constatou que possuía o vírus da AIDS não foi fácil. Ele venceu as lutas e foi para uma casa de Recuperação e lá se tornou obreiro, marcou a vida de vários recuperandos. Cláudio sentia a dor dos marginalizados e não tinha medo de nada por JESUS. Ele perdoou

sua madastra, seu pai e constantemente falava de CRISTO a eles. Cláudio se preparava para falar de Cristo pela última vez a seu pai, quando o Senhor o chamou (faleceu em 12 de Julho de 1995). No momento do enterro seu maior desejo se cumpriu, seu pai se converteu em lágrimas. É um crente. Em sua coro de flores estava escrito: “ Cláudio, seu amor pelos marginalizados nos inspira”. Este foi um filho na fé que era difícil ser duro nas admoestações, pois ele era muito amoroso conosco. Quatro vezes encaminhado para Casa de recuperação, mas nem Deus nem nós desistimos dele. Quantos Cláudios poderemos tirar das ruas?

GERSON DOS SANTOS SANTANA (IN MEMÓRIAN) Gerson dos Santos Santana, ao nascer era pobre, todavia, seu pai teve problemas mentais não podendo trabalhar, a família foi à miséria, pois era numerosa. Certa vez Gerson com seus irmãos agrediram o próprio pai por ele ter agredido a mãe. Gerson deu muito trabalho para a sua mãe, entrando para as drogas e roubo, a ponto dela dizer que não considerava mais ser sua mãe. Na FEBEM brigava muito, era rebelde e sempre discutia com os funcionários, onde foi diagnosticado como psicopata. Certo dia, apesar de várias vezes já ter se manifestado aceitando a Cristo nos cultos na FEBEM, ele continuava a brigar. Mas, neste dia foi diferente, muitos haviam ido a frente no culto, e ele pensou, não vou, pois não consigo mudar. Então um outro rapaz ex-inimigo seu, que era caolho, olhando com aquele único olho,

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antes cheio de ódio, mas agora cheio de amor disse: “Não desista, continue batendo na porta, uma hora, ela vai se abrir para você”. Este rapaz convertido a poucos dias foi o impulso de Deus, então Gerson correu para frente e em prantos ajoelhou-se e tomou sua decisão real para Cristo. Ele permaneceu muito tempo na FEBEM, pois pediu a Deus, que só saísse em liberdade quando estivesse pronto para não retornar a vida marginal. Depois disso, ainda dentro da FEBEM, foi severamente espancado por um funcionário. Gerson teve a oportunidade de assinar um processo contra o mesmo, todavia ele disse perante os diretores que: “ assim como Deus perdoou seus delitos, ele deveria fazer o mesmo, não assinando o processo.” Gerson participava do nosso Conjunto Musical de recuperados, para nós ele era um grande evangelista, o

seu amor pelas vidas era impressionante. Na cidade de Santos (Vicente de Carvalho), Gerson levou a Cristo, viciados, traficantes, bêbados e outros, sem contar com os internos da FEBEM/São Paulo e dos trabalhos evangelísticos realizados em várias cidades brasileiras, conosco. Ele se tornou o maior orgulho de sua mãe. As crises provocadas por ser um portador do vírus HIV (AIDS), foram sérias. Mas, Gerson despediu-se desta terra de joelhos, orando e clamando a Deus. O culto de seu enterro marcou Vicente de Carvalho, as pessoas puderam conhecer o maravilhoso amor transformador de Deus nas vidas levadas a Jesus por Gerson, vide parte do seus filhos fé ao lado de seu caixão. Gerson ainda prega depois de morto, sua mensagem a nós é: Ame e leve a Cristo os marginalizados.


JOSÉ EDUARDO DE FARIA Eu já nasci num lar destruído pelo diabo. Meu Pai era traficante a assaltante de banco,, ele também batia muito na minha mãe, eles brigavam muito ele chegou até atirar com um revolver na perna dela, já colocou álcool no corpo para tocar fogo. Foi ai que minha mãe teve que me abandonar para sempre. Eu Eduardo fui criado com meus avós, pais do meu Pai. Quando eu completei sete anos, minha avó me colocou no colégio interno, comecei a me sentir, desamparado pelos maus pais. Acordava muitas noites chorando pedindo que eles aparecesse e me tirasse daquele lugar, sentia muita saudade meu pai. Ele era muito bom para mim, mesmo bruto dava grito era amoroso, porque era meu pai querido do meu coração, por mais que ele fosse bandido, ruim comas pessoas para mim ele passava muito amor e carinho. Quando eu me encontrava naquele colégio,, e fiquei sabendo que meu pai foi morto eu simplesmente comecei a chorar mais do que chorava todas as noite. As noites que passava sozinho naquele lugar fiquei com traumas por Ter perdido a coisa, mais preciosa que eu tinha na minha vida. Mas o tempo foi passando e eu fui crescendo, quando completei 11 ano, pede para minha avó tirar daquele

ligar, ai ela me tirou, com 12 anos e eu me envolve com maconha. Aos 13 anos com cocaína comecei a chorar depois comecei a usar na veia, foi ai que adquiri o vírus HIV eu também me envolvi com um quadrilha de menores assaltante. Assaltamos residências de pessoas ricas, fabricas e relojoaria. Um dia fomos fazer um assalto na casa do promotor da cidade, pegamos meio quilo de ouro, só que tinha um rapaz maior conosco, e ele nos roubou, foi ai que eu pratiquei o primeiro homicídio, demos 48 facadas neste rapaz e ele chegou a falecer. Foi por isso que fui para FEBEM, peguei 4 anos de FEBEM. Porém com dois meses eu pratiquei minha 1ª fuga na Unidade EU que era chamada na FEBEM. A apanhamos muito, lá dentro era um inferno. Apanhávamos com corrente de aço. Depois da fuga eu tive mais 11 (onze) passagens pela FEBEM. Na minha 12º passagem pela FEBEM, conheci uma pessoa lá dentro que começou a falar de Jesus para mim. Eu não dava muito crédito as palavras que ela de Jesus para mim eu não dava crédito as palavras que ela me falava acharia que Jesus nunca iria me perdoar pelo que eu fiz no mundo do crime, mas ela me falou

sobre o ladrão que Jesus perdoou na cruz carvalho. Falou também um versículo da bíblia no livro de Mateus 12: 28, passei muito tempo para aceitar Jesus no meu coração, tinha muitas dúvidas a respeito da bíblia. Esta irmã que pregou para mim, do amor de Deus para comigo, dei muito trabalho para ela mas, Mas aceitei Jesus em minha lá dentro da FEBEM e a minha vida mudou, com 1 ano e 8 meses que estava na FEBEM ganhei minha liberdade. Procurei o JEAME e eles me encaminharam para Casa de Recuperação Peniel. Onde fiquei no período de 7 meses me compreendendo, e tendo o conhecimento da palavra de Deus. Consegui ficar todo tempo, graça a Deus, se não fosse pela misericórdia de Deus eu estaria morto. Sai da Casa de Recuperação, e vim para o JEAME para o Lar de Recuperados, onde fiquei por um ano. Consegui um trabalho no JEAME de Office Boy onde estou até hoje. Casei tive dois filhos maravilhosos que Deus me deu, eles não tem o vírus da AIDS nem minha esposa. Hoje vivo pela fé e pela misericórdia de Deus, continuo estudando quero crescer para dar aos meus filhos o que não tive um futuro melhor.

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Expediente: O BIP é um boletim informativo publicado pelo Ministério JEAME e distribuído gratuitamente aos parceiros do ministério.

0Presidente: Marli Marcandali

Colaboradores: Ailton José Fonseca de Souza, Marli Marcandali, Nancy Dondoni, Osvaldo da Silva Jr, Patrícia Leonor Amorim, Virgilio Vieira, Ana Paula Costa, Roberto Tozzo, Makoto Matsumura, Eliana Miyuki, entre outros

Revisão: Jânio Moreira, Claudia Dourado.

Editoração: Eliene de Jesus Bizerra

Ligue: (11) 3237.4207

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Endereço para correspondência: Rua Marconi, 34 – 9º andar conjunto 92 – República – CEP 01047-000 – São Paulo – SP

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Resgatar, Reabilitar e Reintegrar crianças, adolescentes e jovens em situação de risco social.