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E os nmnuES do inimigo

CB4D Rio de\Taneiro 2013


D ig ita liz a d o p o r:

Todos os direitos reservados. Copyright © 2013 para a língua portuguesa da Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina. Capa: Fábio Longo Projeto gráfico e editoração: Oséas Maciel CDD; 173 - Ética Familiar ISBN: 85-263-0324-4 As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida Revista e Corrigida, edição de 1995, da Sociedade Bíblica do Brasil, salvo indicação em contrário. Para maiores informações sobre livros, revistas, periódicos e os últimos lançamentos da CPAD, visite nosso site: http://www.cpad.com.br. SAC — Serviço de Atendimento ao Cliente: 0800-021-7373 Casa Publicadora das Assembleias de Deus Av. Brasil, 34.401 - Bangu - Rio de Janeiro - RJ CEP 21.852-002 1“ edição: Janeiro / 2013 Tiragem: 15.000


lGRADECIMENTOS

IU , m primeiro lugar, agradeço a Deus, pelo privilégio que me con­ cede de escrever mais um livro. Desta feita sobre A F am ília Cristã e os Ataques do In im igo. Agradeço a meus pais, José M artins de Lim a (in memoriaiTi) e M ilza Renovato de Lima, que me encaminharam na fé em Cristo Jesus. A minha esposa, íris, que, aos 47 anos de casados, é a amiga sempre presente, em minha vida, que me ajuda em meu ministério. Ela é minha leitora número um, e cuida da revisão dos livros e textos que escrevo. Com sua ajuda, meu trabalho literário é aperfeiçoado. Com suas ora­ ções, apoia-me espiritualmente. Dá-me tranquilidade, ao meu lado para servir ao Senhor com alegria. A meus filhos: a Ilana e seu esposo, Kennedy, a Rebeca e Bia (ne­ tas); a Ilene e seu esposo, Joel ejônatas (netinho); a Elieber e sua esposa, Talita, e a Taminha (neta), a Elieber Filipe (netinho) e Tâmara (a netinha mais nova); a Raquel, a filha mais nova, que tem honrado o meu ministério, ao lado de seus irmãos; agradeço-lhes pelo incentivo que me dão com suas vidas nos caminhos do Senhor, dando-me a alegria de dizer “eu e minha casa servimos ao Senhor”. A Assembleia de Deus em Parnamirim, à qual sirvo, como pastor, pela graça de Deus. Pelos irmãos e amigos, que oram por mim e pelo meu ministério. E me estimulam a trabalhar em prol do Reino de Deus. A CPAD, na pessoa de Dr. Ronaldo Rodrigues, seu ilustre diretor, que tem valorizado o autor nacional; à sua diretoria, formada de homens que colaboram para a melhoria da Educação Cristã, e a todos os que fazem parte da nossa Casa Publicadora. Aos queridos irmãos, leitores, pelo Brasil afora, que têm prestigiado nosso trabalho literário. Que este livro seja uma bênção para edificação de suas vidas. A Deus, toda a glória!


PRESENTAÇÃO

l 3 eus concedeu-me a oportunidade de dedicar-me ao ensino bí­ blico sobre Família. E gratificante poder contribuir para a reflexão so­ bre a Família, como instituição criada por Deus no Éden, no princípio de todas as coisas. Neste livro, enfocamos a Fam ília na Sociedade Pós-M oderna, que é o alvo preferencial das “portas do inferno”. Analisamos as bases do casamento cristão demonstrando que o su­ cesso de qualquer relacionamento conjugal, em termos espirituais, é o lar ser edificado sobre a Rocha, que é Cristo; mostramos que as famílias cristãs não estão isentas de conflitos, mas estes podem ser resolvidos com a ajuda divina. Enfatizamos que a família cristã está sob ataque mortal das forças do mal. Mas que é possível pais e filhos vencerem, sob a orientação segu­ ra e firme da Palavra de Deus. Especialmente, se a família adotar o culto doméstico como atividade rotineira em seu lar. Ressaltamos o valor da ED para a formação do caráter e da personalidade. Alertamos para “Os Perigos do Adultério” que tem se acentuado de modo terrível, destruindo casamentos e desestruturando famílias. Da mesma forma mostramos que o divórcio não faz parte dos planos de Deus, ainda que em casos excepcionais o divórcio seja permitido. Finalmente, apontamos os perigos do consumismo, que deixa mui­ tos perdidos, num cipoal de dívidas, que perturbam a vida espiritual e o relacionamento familiar. Concluímos, mostrando que podemos servir a Deus com toda a família, submetendo-se à sua vontade. Parnamirim, RN, setembro de 2012.

Elinaldo Renova/o de Lima Pastor


umário

A g ra d e c im e n to s........ ....................... .................................. ..............

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A p re se n tação .................... ........... ........... ....... ........... .................................... 4 Capítulo 1 A Família, Criação de D e u s........................................................................... 7 Capítulo 2 O Casamento de Acordo com a B íb lia...... .......... ........................ ........17 Capítulo 3 As Bases do Casamento C ristão............... ..................................................28 Capítulo 4 A Família sob A taque............................................ ........................................40 Capítulo 5 Conflitos na Fam ília........................................................................................56 Capítulo 6 Os Perigos do Adultério............................................................................ 67 Capítulo 7 O Divórcio e suas Consequências................................................ ............81 Capítulo 8 Educar, Dever da Família .............. .................................. .............................91 Capítulo 9 A Educação Sexual e a M oral Relativista................. ............................ 101


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Capítulo 10 O Valor do Culto D om éstico....................................................................113 Capítulo 11 A Família e a Escola D om inical...............................................................128 Capítulo 12 A Família e a Igreja...................................................................................... 136 Capítulo 13 Eu e minha Casa Serviremos ao Senhor................................................145 Capítulo 14 Os Perigos do Consumismo...................................................................... 151 Bibliografia....................................................................................... 160

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“Portanto, deixará o varão o seu p a i e a sua mãe e apega r-se-á à sua mulher e serão ambos uma carne” (Gn 2.24).

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/ \ única configuração familiar reconhecida por Deus é a que é for­ mada de pai, mãe e filho. No princípio da Criação, Deus concluiu que não seria bom o homem viver na solidão, e criou a mulher para viver a experiência humana ao seu lado. A família é instituição criada por Deus. Antes de fundar a Igreja, Deus criou o casamento e, como decorrência deste, instituiu a família. Essas instituições especiais, fruto da mente do Criador, têm sido terrivelmente atacadas pelas forças do mal. O espírito do Anticristo tem dominado a mente do homem pós-moderno, a tal ponto de promover verdadeira subversão dos valores morais, que se fundamentam na Palavra de Deus. Uniões abomináveis de pessoas do mesmo sexo têm sido aprovadas por lei, como se fossem famílias, em aberta afronta contra a Lei de Deus. Quando Deus criou o homem e a mulher, já tinha em mente a família (Gn 2.24). No Salmo 128, encontramos o valor da fam ília no plano de Deus: “Bem-aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos! A tua mulher será como a videira frutífera aos la­ dos da tua casa; os teus filhos, como plantas de oliveira, à roda da tua mesa. Eis que assim será abençoado o homem que teme ao Senhor!” (SI 128.1 ,3,4). São promessas de Deus para a família que nele crê, teme-o e lhe obedece.


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Deus disse a Abraão: “E abençoarei os que te abençoarem e amal­ diçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Deus deseja que, em cada lar, haja um ambiente espiritual que honre e glorifique o seu nome. O amor de Deus pela hu­ manidade faz com que Ele veja todas as famílias da terra como alvo de sua bênção, pois todos os homens a Ele pertencem (SI 24.1). Porém, só podem desfrutar do favor de Deus as famílias que se sujeitam a obedecer a sua palavra. Estudar sobre o valor da família é de muita importância para nós, pois, de uma forma ou de outra, nascemos numa família, pobre ou rica, desconhecida ou famosa, pequena ou grande, evangélica ou não. A fa­ mília é a base de nossa vivência. Dela nascemos e dela dependemos na maior parte da existência. Isso é plano de Deus.

I - A FAMÍLIA HO PLANO DIVINO 1. O p rop ó sito d e D eus O homem, na sua origem, e principalmente após a Queda, jamais teria o poder de criar a família. Não saberia como fazê-lo. Podemos ter certeza de que jamais buscaria criar uma organização que haveria de lhe impor limites e regras de convivência, contrariando seus instintos peca­ minosos e egoístas. Deus criou a família com propósitos sublimes, para o indivíduo e para toda a humanidade. E vitar a solidão Deus não fez o homem para viver na solidão (Gn 2.18); Ele tinha em mente a constituição da família, mas esta não está completa só com o casal. Por isso, o Senhor previu a procriação (Gn 1.27-28). Fica mais clara a origem da família quando lemos: “P orta n to, d eix a rá o h o m em seu p a i e e su a m ã e e se u n ir á à su a m u lh e r e serã o a m b os u m a s ó c a r n e ” (Gn 2.24). “O homem” aí é o filho, nascido de pai e mãe. Deus fez a família para que o homem não vivesse na solidão (SI 68.6; 113.9). Bem-estar social O homem, diz a sociologia, é um ser gregário por natureza. Ele sen­ te a necessidade de viver em grupo, de socializar-se. Isso não é fruto da evolução cega, como dizem os filósofos materialistas, que supõem que o homem surgiu por acaso, oriundo de um organismo unicelular (ameba), passando por diversos estágios, chegando a ser um macaco, que se trans­


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formou num homem, por acaso! E que passou a viver em bandos para melhor sobreviver. Isso faz parte do imaginário da fábula evolucionista. A família foi projeto de Deus para a vivência do homem na terra. Pai, mãe e filhos são palavras oriundas da mente de Deus (Gn 2.24).1 A sociedade é formada de famílias. A igreja local é formada de famílias. Toda sociedade que desvalorizou a família e buscou outras for­ mas de relação social substitutivas, como união de pessoas do mesmo sexo, corrompeuse e degenerou-se, sucumbindo ao longo da História. Bem-estar emocional M arido e mulher complementam-se em suas necessidades emo­ cionais. Nos momentos alegres, compartilham seus sentimentos de felicidade. Nos momentos tristes ou difíceis, ajudam-se mutuamente, impulsionados pelo amor conjugal. Pais e filhos, vivendo em família, sentem-se mais seguros do que pessoas que vivem solitárias. A sociedade sem Deus aprisiona muitos em estilos de vida espúrios e depravados. São presos pelos grilhões do relativismo e do humanismo frio e anticristão. Mas nada pode substituir a família como centro de apoio e segurança para o ser humano (SI 68.6). E plano de Deus. A multiplicação da espécie Um ser humano pode nascer, como fruto de uma violência, de uma gravidez forçada. Pode nascer de uma união entre um homem e uma mulher que vivem juntos sem a bênção do casamento. M as Deus quer que cada pessoa nasça no mundo, em cumprimento à ordem para o crescimento e a multiplicação da espécie humana, com base no amor e na união entre marido e mulher; entre pais e filhos. O ambiente do lar faz parte do projeto de Deus para a constituição e desenvolvimento da família. É tão forte esse desígnio que a mulher estéril, normalmente, aspira ser mãe. E, sendo sua vontade, Deus propi­ cia essa condição. “Seja bendito o nome do Senhor, desde agora e para sempre; que faz com que a mulher estéril habite em família e seja alegre mãe de filhos? Louvai ao Senhor! (SI 113.2,9). Notemos a ordem do texto. Primeiro, “habite em família”; depois, “seja alegre mãe de filhos”. Casais homossexuais jamais poderiam contribuir para a multiplicação da raça humana. Por isso e por outras razões, tais uniões são consi­ deradas abominação aos olhos de Deus. Não podem ser consideradas 1 Elinaldo Renovato de Lima. A família cristã nos dias atuais , p. 8.

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famílias. Adotam crianças, sob argumentos falaciosos, sabendo que não poderão dar o exemplo de vida que elas precisam. Crianças precisam de pai e de mãe, e não apenas de protetores desvirtuados diante de Deus. 2. A primeirafamília Quando Adão recebeu Eva, como resultado da intervenção de Deus em sua existência, deve ter ficado deslumbrado com sua companheira, apresentada pelo criador. Não sabemos por quanto tempo viveram como um casal. M as, experimentando o relacionamento previsto pelo Criador, geraram os primeiros filhos. Foram os únicos que não tiveram que dei­ xar “pai” e “mãe” para se unirem e terem filhos (Gn 2.24), formando a primeira família do planeta. Se o acordar da anestesia e contemplar a mulher deve ter sido mo­ tivo de admiração e surpresa, imagine-se o que Adão sentiu ao perceber que no ventre da esposa havia um novo ser em formação. E, mais ainda, quando o primeiro filho veio à luz! Quando os dois primeiros filhos já eram jovens ou adultos, Caim matou Abel por inveja da aceitação de Deus para o sacrifício oferecido pelo irmão. Outros filhos e filhas nasceram do primeiro casal (Gn 4.25,26). Adão viveu 930 anos e teve muitos outros filhos e filhas, cujos nomes não são registrados no Gênesis (Gn 5.4,5). Isso porque a genealogia bíblica só destaca nomes de personagens que, de forma positiva ou ne­ gativa, têm importância marcante para a trajetória humana e seu papel na História. Por razões que só Deus pode avaliar plenamente, em sua divina onisciência e sabedoria, a primeira fam ília foi vítima do ataque mor­ tal do M aligno. Foi em seu seio que aconteceu o primeiro homicídio; dos seus primeiros descendentes, que o plano de Deus para o casamen­ to e para a família foi desrespeitado, no que concerne à união familiar, formada por um homem, uma mulher e seus filhos; primeiro, houve a bigamia (Gn 4.18,19). Depois, o homem descambou para a poligamia. Arranjos sociais, inventados pelo homem, em sua condição de rebeldia, que nunca tiveram a aprovação de Deus. Ele as permitiu, consoante sua misericórdia e longanimidade. 3. Jardim do Éden, lugar deproteção e cuidado O Jardim do Éden foi o primeiro “habitat” do homem. “A palavra Jardim é a tradução da palavra hebraica g a n , que designa lugar fechado. 10


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A Septuaginta traduz o hebraico por paraíso’, paradeison, termo persa que significa um parque. Éden não é traduzido mas transliterado para o nosso idioma. Basicamente, significa “prazer ou delícia”.2 Os críticos da Bíblia veem no relato do Gênesis apenas uma alegoria, ou relato mítico. Porém a Palavra de Deus se impõe como verdade, como martelo de Deus, quebrando as bigornas da incredulidade. O ambienteperfeito do Eden O casal, constituído nos primeiros habitantes humanos do planeta, se deÜciava nas noites calmas e amenas do Paraíso. Não havia temor ou pa­ vor da escuridão. O medo era desconhecido. O cenário noturno era tran­ quilizador. A brisa suave soprava no arvoredo, levando ao casal os odores perfumados das plantas silvestres. O firmamento, ao longe, pontilhado de estrelas brilhantes, nas noites escuras, oferecia um espetáculo de rara bele­ za. Nas noites de lua, diminuindo o brilho estelar, fazia-se extraordinaria­ mente belo o ambiente paradisíaco. Sem dúvida, com maior intensidade, brilhava o astro noturno. As manhãs e tardes eram agradáveis. Uma temperatura média, ade­ quada ao bem-estar dos habitantes edênicos, era sentida em todo o plane­ ta. A luz solar empolgava-os. Em cada canto, se percebia a beleza da cria­ ção nos seus mínimos detalhes. O homem se sentia muito feliz. O ar era puro na mais alta expressão. Os animais, as aves, todos os seres da natureza nenhum mal causavam ao homem: conviviam na mais perfeita harmonia. O cuidado de Deus O cuidado de Deus para com o ser criado foi levado ao extremo na formação do Éden. Não havia poluição ambiental; o ecossistema era perfeito; o clima, ameno e confortável, não conhecia diferenças acentua­ das de temperatura, nem calor excessivo, nem frio perturbador, havia no primeiro lar do ser humano. Os animais faziam parte do habitat edêni­ co. Adão tinha autoridade espiritual e moral sobre todos os seres vivos. Ele foi criado para ser dominador e cuidador do planeta. Havia perfeita harmonia entre os seres racionais e os irracionais. O trabalho no Éden Deus não pôs o homem no Jardim para ficar ocioso, numa atitu­ de contemplativa das belezas edênicas (Gn 2.15). É interessante notar que o trabalho, a atividade da mente e do corpo, desde o princípio, foi 2 Ibid.,p. 36.

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dignificado por Deus. Havia trabalho, mas, em compensação, não havia doenças, nem dor, nem morte. O pranto e a dor eram desconhecidos. A tristeza não existia. Tudo era belo, agradável e bom. A presença de Deus noprimeiro lar O mais importante, no entanto, acontecia todas as tardes: o Criador visitava o Éden (Gn 3.8a), buscando passar bons momentos em agradável diálogo e conversa com o casal, que sentia, assim, muita comunhão com o Senhor. A presença do Criador enchia o primeiro lar de muita paz e de alegria indizível” .3 Como devem ter sido maravilhosos aqueles momentos em que Deus falava diretamente com o ser criado por Ele. Hoje, mais do que nunca, é necessidade vital a presença de Deus nos lares cristãos. Aquele belíssimo lugar foi palco dos acontecimentos que marcaram a origem dos seres humanos, fruto da criação de Deus. Lamentavelmente, foi também o cenário, onde começou a rebelião do homem contra o seu Criador.

II - A QUEDA E AS SUAS CONSEQUÊNCIAS PARA A FAMÍLIA Lúcifer, o antigo “querubim ungido”, fazendo uso de sua liberda­ de, investiu contra o Criador, imaginando poder destronar o Senhor do Universo. Seu plano foi frustrado. Expulso dos céus, Satanás, a falsa “estrela da manhã”, investiu contra o primeiro casal, no Jardim do Éden, sugerindo uma atitude de rebelião contra Deus. E foi bem-sucedido. Depreende-se das Escrituras que, quando o primeiro casal caiu, ainda não tinha procriado. Se tivessem filhos, estes não teriam comido do fruto proibido, e até hoje estariam vivos. M as as consequências da Queda não só atingiram o casal, mas a todos os seus descendentes, ao longo dos séculos, até os dias presentes. Todas as famílias são alcançadas de uma forma ou de outra, pelas consequências da Queda. Antes da Queda, o homempossuía estrutura espiritual efísica excep­ cionais. • Tinha o conhecimento profundo de Deus, a comunhão direta com o Criador; • T inha as bênçãos da presença de Deus no Jardim; a paz, a segu­ rança e a alegria de se relacionar com o Criador sem intermediários; 3 Ibid., p . 9,10.

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• Possuía conhecimento e bem-estar físico inigualáveis, sem doen­ ças, distúrbios emocionais ou físicos; não conheciam o medo; • Tinha conhecimento interno e externo em relação à sua pessoa; • Conhecia a realidade social; conhecia o trabalho de modo útil e satisfatório (Gn 2.15). A vida fam iliar após a Queda. Terrível transtorno total na vida dos primeiros seres criados. Conheceram que estavam nus, dando a entender que antes não se constrangiam nessa condição; o conhecimento da sexualidade exacerba­ da tem sido causa de inúmeros distúrbios e desvios de conduta que atin­ gem o ser humano, levando-o a práticas sexuais abomináveis aos olhos de Deus; famílias inteiras são destruídas pelo adultério, pela fornicação, pela homossexualidade e por práticas sexuais aberrantes. Conheceram o medo Foi a primeira enfermidade que o homem experimentou. Enfermi­ dade ou distúrbio de ordem emocional. As chamadas doenças nervosas tiveram origem no rompimento da relação direta do homem rebelde e seu Criador. Qual a família na terra que não experimenta algum tipo de problema de ordem emocional? Perderam a autoridade sobre a criação O homem foi criado para dominar a natureza (Gn 1.26). Hoje, porém, às vezes famílias perdem um ente querido por serem atingidos por insetos ou agentes microscópicos. Conheceram a desarmonia Quando questionado pelo Criador sobre o seu pecado, Adão pôs a culpa na esposa (Gn 3.12). A mulher pôs a culpa na serpente. Assim, teve início a tão conhecida “incompatibilidade de gênio”, que provoca desavenças entre casais, com sérias consequências sobre a estabilidade familiar. Os filhos sofrem ao verem a desunião entre seus pais. O homem conheceu a maldição da terra O trabalho passou a ser penoso e fatigante; sua missão era lavrar e guardar a terra. M as não havia o desgaste físico ou emocional acentu­ ados, que tantos males causa às pessoas. Além disso, toda a ecologia da terra foi transtornada, causando, inclusive as chamadas “catástrofes na­ 13


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turais”, como secas, enchentes, altíssimas ou baixíssimas temperaturas; o surgimento de animais violentos, provavelmente pelo cruzamento de espécies diversas; vírus, micróbios, bactérias e outros agentes patogêni­ cos devem ter surgido por causa do desequilíbrio ecológico, causado pela maldição da terra. E o p i o r : p e r d e u a v id a e t e r n a , que lhe era assegurada, na con­ dição original, e conheceu o aguilhão da morte física (Gn 2.17; E f 2.5) e da morte espiritual, que é a separação de Deus. As fam ílias da terra passaram a experim entar a dor da separação, pela morte de entes queridos.

III - A FAMÍLIA NO NOVO TESTAMENTO 1. Jesus e afam ília Nosso Senhor Jesus Cristo valorizou a família. Veio ao mundo atra­ vés de uma família. Além de pais, teve irmãos e irmãs (M t 13.55-57). Teve seu crescimento físico, social, intelectual e espiritual no seio da família (Lc 2.52). No seu ministério, não costumava a hospedar-se em hotéis, mas desfrutava da hospitalidade de um lar, no meio de uma fa­ mília digna (M t 8.14; Lc 10.38-42). Em muitos milagres, demonstrou seu cuidado para com a família (M t 8.14-15; Lc 7.12-16). Seu primeiro milagre foi realizado numa festa de casamento (Jo 2.12). Ensinou-nos a orar, chamando Deus de “Pai Nosso”(M t 6.9). Enfatizou o quarto mandamento, mandando honrar pai e mãe (M t 15.3-6; M c 7.10-13). Teve um trato especial com as crianças, abençoando-as e acolhendo-as de maneira exemplar (M c 10.13-16). 2. A fam ília nas epístolas De certa forma, a família no Novo Testamento não diferia muito do modelo familiar do Antigo Testamento. Algumas influências fizeram-se sentir pelo contato com os povos estranhos que dominaram a Palestina. Os romanos contribuíram para que comportamentos libertinos tivessem lugar no meio da sociedade em Israel. Quando escreve aos coríntios, o apóstolo Paulo fala de práticas condenáveis entre judeus (1 Co 5.1). Ninguém combateu como Paulo a pretensa “família homoafetiva” (1 Co 6.10; ler 1 Tm 1.10). 14


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3. A monogamia declarada Se no Antigo Testamento a poligamia foi tolerada por Deus, no Novo Testamento a monogamia é a regra doutrinária. Jesus em nenhum momento avalizou outra forma de relacionamento conjugal que não fosse a monogamia. Paulo, usado pelo Espírito Santo, doutrinou de for­ ma clara e cristalina sobre esse tema. Escrevendo à igreja de Corinto, formada por judeus e gentios convertidos, deixou claro seu ensino a res­ peito das relações conjugais (1 Co 7.1,2). Ele não disse: “cada um tenhas suas mulheres, ou cada uma tenha seus maridos”; ou, pior ainda: “cada um tenha seu homem, ou cada uma tenha sua mulher”. 4. A preservação dafam ília O Novo Testamento declara o valor da família de tal forma que prescreve a manutenção do relacionamento conjugal entre um cristão e um infiel, nos chamados casamentos mistos, a fim de resguardar a estabilidade da família. M ais uma vez, foi aos coríntios que ele m inis­ trou precioso ensino acerca desse controvertido assunto, dizendo que o marido crente não deve abandonar a esposa não-crente por causa de sua conversão, e da mesma sorte, a mulher cristã, em relação ao marido infiel (1 Co 7.12-14). Note-se a preocupação com os filhos, visando sua formação espiritual, em santidade, como decorrência da união de um pai ou mãe crente, mesmo com um descrente. Se não fosse assim, quantas famílias seriam desestruturadas, se um cristão abandonasse seu cônjuge por não ter aceitado a Cristo. É a misericórdia de Deus em prática.

IV- A CONSTITUIÇÃO FAMILIAR AO LONGO DOS SÉCULOS l.A fam ília patriarcal Era o tipo de família por excelência, no princípio da humanidade, quando esta começou a espalhar-se por muitas partes do globo, após a Queda. Nesse tipo de família, a figura do pai (patet) tinha um papel bem definido, como sendo o líder do grupo familiar inconteste, em todos os sentidos. A mulher era considerada cidadã de segunda categoria. Na família patriarcal, quase sempre não era observado o princípio da mo­ nogamia, estabelecido por Deus no Éden, quando o homem deixaria pai e mãe e se uniria à sua mulher (Gn 2.24) para formar o lar e a família. 15


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Em grande parte, a família patriarcal era poligâmica. O Antigo Tes­ tamento demonstra que todos os primeiros patriarcas, Abraão, Isaque, Jacó e outros, eram polígamos. A família patriarcal era típica no contexto histórico e cultural do Antigo Testamento. Além do pai, da mãe e dos filhos, a família patriarcal incluía as concubinas, das quais nasciam filhos, que eram parte do grupo familiar, causando, por vezes, muitos trans­ tornos, com o nascimento de meios-irmãos, que competiam quanto aos direitos da prole, principalmente no que tangia às questões de herança. Deus tolerou a poligamia, mas nunca a aprovou, por ser prática es­ tranha ao seu projeto para a constituição da família. O pai de família não era só o genitor. Era o líder espiritual, responsável pela prática e o respeito dos ritos da religião que a família adotava. Abraão, Isaque e Jacó eram líderes de sua parentela. Eram verdadeiros sacerdotes em seus lares. 2. A fa m ília n u clea r Também chamada de “família tradicional”, formada por pai, mãe e filhos, como núcleo familiar (cf. Gn 2.24), em torno do qual se desenvol­ vem os descendentes, parentes e outros que a ela se agregam. É a família ideal, pois tem origem na mente de Deus, o Criador, e atende a seus pro­ pósitos para o desenvolvimento, o bem-estar e estabilidade social. A biga­ mia, iniciada por Lameque (Gn 4.18,19), evoluiu e deu lugar à poligamia. 3. Afa m ília n a a tu alida de Assim como o casamento, a família, na atualidade, é a instituição mais visada pelos ataques satânicos. A família nuclear tem sido deprecia­ da pelos intelectuais, por cientistas sociais, todos adeptos do materialis­ mo. M as os maiores influenciadores para a destruição da família são os que detêm o poder da mídia. Sem sombra de dúvidas, a mídia secular está a serviço do Diabo, como instrumento poderoso para a desconstrução ou destruição dos valores tradicionais, emanados da Palavra de Deus. A destruição moral de uma sociedade começa pela destruição da família, que é a sua célula-mãe. Se esta se degenera, e cresce desordena­ damente, surge um câncer moral, que a levará à morte espiritual e social, como ocorreu com Sodoma e Gomorra. O justo pode ter pouca força política. M as pode usar as armas espiri­ tuais de que dispõe (2 Co 10.4). Para tanto, precisa atender aos requisitos que Deus exige para ouvir suas orações em prol de sua terra (2 Cr 7.14).

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O CASAMENTO DE ACORDO c o m a B íblia “Portanto, deixará o va rão o seu p a i e a sua m ãe e a p ega r-se-á à sua mulher, e serão am bos um a ca rn e” (Gn 2.24).

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ara Deus, só existe casamento pela união entre um homem e uma mulher, união monogâmica e heterossexual. Fora desse formato é abominação a Deus. Os propósitos do casamento transcendem à visão hedonista e sim plista, dos m aterialistas, que veem o ser hu­ mano no mesmo nível dos animais irracionais. Em sua percepção divina, o C riador viu que não seria bom o homem viver na solidão. E criou a m ulher para completar o que lhe faltaria em sua existência. Foi a segunda grande decisão de Deus. U nir o homem e a mulher, “macho e fêmea”, instituindo, assim o casamento, não só para a pro­ criação da raça hum ana, mas para a formação da fam ília. O Diabo atacou o plano de Deus para o casamento. Ao longo dos séculos, ele tem induzido os homens a aceitarem outras formas de união, contrárias ao plano de Deus. O homossexualismo tem assumido propor­ ções gigantescas, com apoio de governos, legislativos e judiciários. É uma agressão violenta à Lei de Deus, que tem trazido e vai acarretar muita maldição para a humanidade. Se Deus quisesse o casamento entre pes­ soas do mesmo sexo, teria feito dois Adões ou duas Evas. M as não o fez. A sociedade pós-moderna é educada para o materialismo. Nas es­ colas de Ensino Fundamental, as crianças são orientadas para o libe-


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ralismo social, que se fundamenta no relativismo e no humanismo. O primeiro ensina que nada é certo e nada poder ser considerado errado. Tudo depende da subjetividade do momento. O segundo coloca o ho­ mem como o centro e a medida de todas as coisas. Com essa visão de mundo, não há lugar para os princípios absolutos, emanados da Palavra de Deus. O presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, disse em um de seus discursos: “O mundo mudou. E temos que mudar com ele”. Uma de suas primeiras medidas foi dar total apoio ao “casamento homossexual”. Pouco tempo depois, o Brasil entrou na mesma visão. O Judiciário, in­ terpretando a Constituição sob uma ótica liberal e materialista, aprovou que “entidade familiar” não é formada apenas de homem e mulher, como prevê a própria Carta M agna. É também a união de dois homens ou duas mulheres, na chamada “união homoafetiva”. Em seguida, o Supremo Tri­ bunal de Justiça decretou a aprovação do “casamento homossexual”. Há um poder sobrenatural guiando a mente dos líderes das nações. E o es­ pírito do Anticristo. O apóstolo João, profeticamente, viu esse tempo perigoso para o mundo (1 Jo 4.3). Esse “espírito do Anticristo”, nos dias hodiernos, tem se manifestado de modo agressivo e impertinente. Os líderes das nações não percebem, porque, em sua maioria, não acreditam em Deus e nem respeitam a sua Palavra. M as é o “espírito” que governa as nações que se esquecem de Deus (SI 9.17).

I - MONOGAMIA - A BASE DO CASAMENTO A palavra monogamia vem de dois vocábulos gregos: m onos (único) e gam os (casamento), ou seja um único homem para uma única mulher. A monogamia é a forma de união prevista no plano original de Deus para o casamento e para a formação da família. Conforme Gênesis 2.24, esta é a síntese do pensamento de Deus acerca do casamento monogâmico: Deixará “o varão” os seus pais “e apegar-se-á à sua mulher” para se unirem sexualmente (“uma só carne”). Ele não previu “o varão” unir-se “às suas mulheres”. Assim, como a Bíblia registra tantos casos de bigamia e poligamia? Devemos lembrar que toda a prática de atos e fatos errôneos resultaram da rebelião con­ tra Deus, induzida pelo Diabo e levada a efeito pelo primeiro casal. A Queda foi o princípio de todas as distorções, tanto no plano espiritual, 18


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como na esfera moral, matrimonial, sexual, social e de toda a ordem estabelecida pelo Criador. 1. O início da distorção do matrimônio — A bigamia Depois que Caim matou Abel, dando início aos ciclos de violência que prejudicam a vida e a sociedade, outros desvios de conduta se fize­ ram sentir, pouco a pouco, com o aumento da população na terra. Além da violência, causada pelo transtorno espiritual, psicológico, emocional e físico, consequentes do pecado, o homem foi adotando comportamentos estranhos ao plano de Deus. Um deles foi o de ter mais de uma mulher. O primeiro registro da bigamia está em Gênesis. Deus fez o primeiro casal, Adão e Eva. Seus descendentes podiam realizar o casamento consanguíneo, entre irmãos, primos, sobrinhos, etc. Era a forma de cumprir o que Deus determinara: “E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra....” (Gn 1.28). M as tais uniões tinham que ser monogâmicas: um único homem e uma única mulher e vice-versa. Na quinta geração edênica, um descen­ dente de Adão deu início à distorção em termos de união matrimonial. Lameque, filho de M etusael (Gn 4.18), ou M atusalém (Gn 5.25), por razões não explicadas, resolveu ter mais de uma esposa: “E tomou Lameque para si duas mulheres; o nome de uma era Ada, e o nome da outra, Zilá” (Gn 4.19). Já havia milhares e milhares de pessoas na Terra. Para ser da quinta geração, Lameque já encontrou pessoas que viviam há mais de 200 anos. E resolveu adotar mais uma esposa. Interessante é que não há registro de estranheza para com esse comportamento. Talvez alguém ficou admirado, e achou até interessante um homem ter duas mulheres ao mesmo tempo. E muitos homens começaram a invejar L a­ meque e possuir mais de uma esposa. Tempos depois, Esaú, filho de Isaque desobedeceu a Deus e casou com duas mulheres heteias. O resultado não foi nada bom para a família (Gn 26.34,35), gerando amargura de espírito para a mãe de Esaú. Há casamentos que são motivo de tristeza, decepção e amargura para os pais. As duas esposas, filhas de povos estranhos, só trouxeram transtorno para a família de Isaque. No livro de 1 Samuel, temos outro exemplo negativo dos resultados da bigamia. Elcana, efrateu, filho de Jeroão, era homem de bem. M as, as­ similando o costume comum de sua época, casou-se com duas mulheres (1 Sm 1.2,3). Ana era a sua preferida. Ele a amava mais do que à Penina. 19


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Esse é um primeiro problema: não é possível um marido amar por igual a duas mulheres. Penina tinha filhos. Ana não os tinha, por ser estéril. Penina percebia que Elcana demonstrava mais amor a A na do que a ela. E se tornou uma desafeta para Ana (1 Sm 1.6). Em consequência, Ana era uma mulher deprimida, vivia chorando, não tinha prazer sequer em se alimentar; seu marido procurava consolá-la, mas ela sofria muito, tanto pelo fato de não ter filhos, como, mais ainda, pelas provocações da outra esposa. Ela só descansou o seu espírito quando Deus ouviu sua oração e lhe deu um filho homem, Samuel, a quem entregou, ainda criança, para servir a Deus no templo, sob os cuidados do sacerdote Eli (cf. 1 Sm 1.26-29). 2. A poligamia torna-se comum A lógica do pecado é sempre a mesma: nunca parar; sempre au­ mentar. A bigamia tornou-se prática comum. Afastando-se cada vez mais do plano de Deus, os homens incrementaram seus desvios. Ter duas mulheres já não fazia tanta diferença. E foram multiplicando o nú­ mero de esposas. Com que finalidade? Ter mais filhos? Para quê? Dizem os sociólogos que o homem sentiu a necessidade de ter mais riquezas, e precisava de mão-de-obra. Por isso, passou a ter mais mulheres para aumentar sua prole utilitária. Tem lógica humana. M as fere o plano de Deus. Filhos foram previstos para a perpetuação da espécie. A mão-de-obra é consequência. Ao que tudo indica, a poligamia é resultado da vaidade masculina, de exercer seu poder sobre mais pessoas, e de ter direito a ter relação sexual variada com mulheres diferentes. Isso não faz parte do plano de Deus para o matrimônio. Naturalmente, surgiram as nações, espalhadas pelo mundo, após o episódio da Torre de Babel. Religiões de demônios apareceram e se multiplicaram. Com total aprovação das práticas contrárias ao plano de Deus, inclusive a da poligamia. Seja qual for a explicação, fere ao princí­ pio de Deus para o casamento. Por que Deus permitiu a poligamia? Não há consenso no entendimento dessa questão. M as podemos inferir que Ele permitiu, ou tolerou, tendo em vista os primórdios da raça humana, e a necessidade da ocupação da Terra de modo mais rápido, tendo em vista que a mesma passava por grande deterioração ambiental, motivada pelas alterações cósmicas e ecológicas, em consequência do pecado, que prejudicou não só o homem, mas toda a geografia, a topografia e a eco­ logia do planeta. A povoação acelerada se fazia necessária. 20


O CASAMENTO DE ACORDO COM A BÍBLIA

A poligamia no Patriarcado A nação israelita tem início com Abraão (2.400 a.C ), começando o Período Patriarcal, em que a figura do homem manteve-se como abso­ luta, em termos de importância, em relação à mulher. Cometendo desli­ ze em sua vida, deu mau exemplo, unindo-se a uma serva, por sugestão de sua própria mulher, que era estéril; era a bigamia e o concubinato le­ gitimado, na família do “pai da fé” (Gn 16), trazendo sérios transtornos familiares, históricos e espirituais. Na época de Isaque (1860 a.C), ao que tudo indica, havia muito res­ peito, no seio da família, aos costumes adotados pelo patriarca Abraão. Isaque, já com 40 anos, teve sua esposa escolhida pelo próprio pai, entre os seus parentes que habitavam em Naor (Gn 24). Em Gerar, Isaque sofre a mesma ameaça da lascívia, que seu pai sofrera e vê sua esposa cobiçada por Abimeleque (Gn 26.1-11). Porém, na época de Jacó (1750 a.C), ele casou-se com Raquel, sua amada. M as foi forçado a ser bígamo pelo próprio sogro. Como Raquel era estéril, Jacó, aproveitando os costumes orientais, uniu-se às suas ser­ vas, Bila e Zilpa, e teve, juntamente com sua esposa Leia, dez filhos com elas, e mais dois filhos com Raquel, quando esta foi curada da esterilida­ de (Gn 29.32-35; 30.1-26). Jacó, o patriarca que deu origem às tribos de Israel, foi polígamo (Gn 29.21-23; 28-31; 30.1-10). Noé, ao que tudo indica, não entrou na onda da poligamia. Obedeceu ao plano de Deus para o casamento, mantendo-se casado com uma única esposa (Gn 7.7), apesar da corrupção geral do gênero humano (Gn 6.2). A degeneração moral era tanta, que Deus resolveu destruir a humanidade de então (Gn 6.5-7). A poligamia entre os reis de Israel (1018 a 530 a. C.) Davi teve várias mulheres e concubinas, por permissão e até conces­ são de Deus (2 Sm 5.3), mas não se contentou. Adulterou com Bate-Seba, mandou matar seu esposo para encobrir o pecado (2 Sm 11) e a tomou por esposa. Um abismo chama outro (SI 42.7). No tempo dos reis, o símbolo de grandeza e poder era a posse de mulheres e de cavalos. Salomão teve 700 mulheres e 300 concubinas, as quais “lhe perverteram o coração para seguir outros deuses” (1 Rs 11.4). Provavelmente, por causa da influência perniciosa de suas inúmeras mulheres, oriundas das nações cananitas, que eram dominadas pela idolatria, o famoso filho de Davi se deixou levar pela 21


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excessiva vaidade de ter um dos maiores haréns do Oriente. Foi o seu fim! Seus sucessores seguiram o caminho da poligamia. 3. No Novo Testamento é abolida a poligamia (4 a.C até opresente) No Antigo Testamento, Deus foi tolerante quanto à sexualidade, permitindo a poligamia e o concubinato. No Novo Testamento, Ele disciplinou o relacionamento conjugal. Tornou-se mais difícil manter a fidelidade, admitindo-se somente a monogamia. A vida cristã restaura o plano de Deus para o casamento, valorizando a monogamia e conde­ nando outros arranjos para a vida conjugal. O ensinamento deJesus nos Evangelhos São diversas as passagens do Novo Testamento em que Jesus se re­ fere ao casamento ou à família. Em M ateus 19, vemos que Ele dá muito valor à fidelidade conjugal. Certa vez, os fariseus lhe interrogaram se era lícito ao homem repudiar “sua mulher” por qualquer coisa (M t 19.3). Note-se que eles não perguntaram se podiam deixar “suas mulheres”. A resposta do Senhor Jesus tem um sentido bíblico profundo, e remete às origens do casamento: “... e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua m ulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem” (M t 19.5-7 — grifo nosso). Na resposta objetiva sobre o divórcio, Jesus diz que comete adul­ tério aquele que repudia sua mulher, exceto por causa de infidelidade. E diz que quem casar com a repudiada também comete adultério (M t 19.9). Ele se refere “à sua mulher”, e não às suas mulheres. Assim, nos Evangelhos, a poligamia é descartada. Alguém se refere a M ateus 25, na parábola das dez virgens, alegando ser um casamento polígamo. Ledo engano. Como Jesus iria comparar a sua vinda a um casamento polí­ gamo? Na verdade, o texto, parte do Sermão Profético, refere-se a um casamento oriental, em que os noivos eram esperados para a cerimônia matrimonial por dez virgens, ou dez damas de honra, que portavam lamparinas acesas. A monogamia nas Epístolas Como sabemos, as Epístolas são a fonte doutrinária que se fun­ damenta nos Evangelhos de Jesus Cristo. Por elas, os apóstolos foram usados por Deus para regulamentar, ordenar e orientar a vida dos cris22


O CASAMENTO DE ACORDO COM A BÍBLIA

tãos e das igrejas, no seu tempo e a todas as igrejas, em todos os tempos e lugares. Em todas elas há ensinos preciosos. No que diz respeito ao matrimônio, o Novo Testamento registra ensinos fundamentais sobre o comportamento dos casados. a) Uma esposa, um marido. Na Epístola de Paulo aos Coríntios, ve­ mos a regulamentação da vida matrimonial, incluindo o relacionamento sexual (1 Co 7.1,2). O apóstolo houvera sido informado, por carta, que, naquela igreja, havia casos de sexo ilícito que ultrapassavam a conduta ímpia dos incrédulos (5.1-5), a ponto de determinar que fosse entregue a Satanás determinado fornicário. Diante dessa situação calamitosa de imoralidade, Paulo responde aos coríntios, dizendo que, “por causa” ou, numa linguagem mais clara “para evitar” a prostituição, “cada um tenha a sua p róp ria mulher”, ou seja, só uma esposa, e não duas ou uma esposa e uma concubina. Da mesma forma, diz ele à mulher: “e cada uma tenha o seu p róp rio m a rido”. Não há nada tão claro quanto à monogamia, nos ensinos de Paulo, que foi o maior intérprete dos Evangelhos, e o maior teólogo do cristianismo. b) A harmonia conjugal. Na Epístola aos Efésios, Paulo foi tão ins­ pirado pelo Espírito Santo, no que se refere ao relacionamento conjugal, que seus ensinos são reproduzidos, praticamente, em todas as cerimô­ nias de casamento cristão. Ele doutrina sobre a submissão da mulher ao esposo cristão, pelo fato de ser designado “cabeça da mulher”, ou líder da família, da mesma forma que a Igreja é submissa a Cristo (E f 5.22-24; C l 3.18). Ao marido, ele exorta a amar a sua esposa, como Cristo amou a Igreja, sacrificando-se por ela (E f 5.25; C l 3.19). Esse entendimento leva à harmonia conjugal, de tal forma que o homem cristão e sua esposa completam o que falta no outro, vivendo em amor, e não dando lugar à infidelidade. Com isso, a monogamia é valorizada, em obediência aos ditames de Deus para o matrimônio, conforme o seu plano original para o casamento: um homem e uma mulher. c) A monogamia na liderança cristã. Para os líderes da igreja, Paulo exorta que “Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher...” (1 Tm 3.2). Os diáconos devem ser “maridos de uma mulher” (1 Tm 3.12). No Antigo Testamento, Deus permitiu e tolerou que os patriarcas, os reis e até profetas tivessem mais de uma mulher. M as no Novo Testamento o líder deve ser o exemplo dos fiéis (1 Tm 23


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4.12) em tudo. É inaceitável que algum pastor, evangelista ou detentor de qualquer cargo ministerial procure ter relacionamentos com pessoas que não sejam seus cônjuges, querendo usar o Antigo Testamento como justificativa. O ensino sobre a monogamia entre os ministros é tão im ­ portante, que o apóstolo repete essa doutrina em T ito 1.7. O casamento, no Novo Testamento, é elevado a um nível muito alto no que se refere à união monogâmica, com destaque para a fidelidade conjugal (Hb 13.4). Na poligamia, não se fala em adultério, em prosti­ tuição. O homem tinha relações com várias esposas e até com concubi­ nas. M as, no contexto do cristianismo, nos ensinos neotestamentários, é cobrada a fidelidade incondicional e a pureza no leito conjugal. Deus julgará os que se prostituem e os adúlteros, conforme o texto transcrito. O matrimônio deve ser “venerado”, ou seja, ter um valor espiritual de grande importância. O primeiro sentido de “venerado” é o de “adorado”. M as não se pode aplicar ao matrimônio, pois adoração só é devida a Deus. M as tem outro sentido, perfeitamente aplicado à relação conjugal. Venerado quer dizer “Ter em grande consideração; respeitar”. “O leito sem mácula” refere-se à santidade do relacionamento sexual do casal, sem mancha, ou seja, sem pecaminosidade. Isso porque o corpo é “tem­ plo do espírito santo” (1 Co 6.19). Só através do casamento monogâmico é possível manter esses princípios para a santidade no matrimônio.

II - O PRINCÍPIO DA HETEROSSEXUALIDADE O Diabo e seus simpatizantes tremem e se revoltam quando a Igre­ ja de Nosso Senhor Jesus Cristo defende os princípios bíblicos quanto à sexualidade. Para sua própria condenação, pastores em vários lugares no mundo têm feito concessões a Satanás no que tange ao relacionamento matrimonial, admitindo a homossexualidade ou a chamada “homoafetividade”. M aior condenação terão aqueles que se dizem cristãos e pro­ curam justificar o homossexualismo, com base em falsas interpretações dos textos bíblicos. Para Deus, no Antigo e no Novo Testamento, o ca­ samento só é legítimo e com amparo Lei divina, se atender ao princípio inegociável da heterossexualidade. 1. “Macho efêmea os criou” A origem e os fundamentos do matrimônio remontam ao princípio da Criação. Quando Deus fez o Universo, o planeta Terra, os seres vivos 24


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irracionais e todo o ambiente propício para a existência humana, Ele resolveu criar um ser à sua semelhança. E criou “o homem”, o ser mascu­ lino (Gn 1.26). No mesmo dia, Ele fez a mulher (Gn 1.27). Os materia­ listas, profanos e libertinos, apregoam aos quatro cantos que “ninguém nasce homem ou mulher”; quem faz a pessoa ser “homem ou mulher é a sociedade”. Essa é uma das mais indecorosas propostas do Diabo. A Bíblia diz que Deus fez homem e mulher, diferenciando sua con­ dição sexual. A ciência diz que uma pessoa é homem se tiver cromosso­ mos XY, masculinos; e mulher, se tiver cromossomos XX. D iz a Bíblia: “M as os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados” (2 Tm 3.13). Para Deus, homem é homem e mulher é mulher. Um dia, os ímpios comparecerão perante o Juízo Final e rece­ berão a declaração de sua sentença, por terem se rebelado contra Deus, distorcendo seus princípios. 2. Oprimeiro casamento Após criar o homem, Deus concluiu que não seria bom ele viver na solidão. Poderia ter criado outro “Adão” para viver com ele na chama­ da “união homoafetiva”. Estaria resolvido o problema da solidão. M as Deus não cogitou a homossexualidade. A solução de Deus foi criar um ser humano, de sexo diferente, para viver ao lado do homem (Gn 2.18). E criou a mulher, a partir de uma costela de Adão. Os ímpios chamam isso de fábula, de “conto de fadas”; falsos teólo­ gos chamam de “mito da Criação”. Por quê? Porque para eles Deus não “criou” o homem conforme o Gênesis. O homem surgiu de uma ameba, evoluiu até ser macaco, tudo por acaso, e chegou a ser o 11hom o sa p ien s'. M as Deus criou o homem das substâncias da terra, e a mulher, a partir de parte do homem. Creiam ou não os materialistas. Após criar a mulher, Deus a apresentou ao homem, e este, extasiado exclamou: “Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada” (Gn 2.23). A í temos o relato do primeiro casamento. Deus foi o oficiante. O Pai, o Filho e o Espírito Santo concelebraram as primeiras núpcias. Os se­ res celestes foram testemunhas. A certidão de casamento é o relato de Gênesis 2.18-24. Nesse casamento, de origem divina, não vemos lugar para a “união civil entre pessoas do mesmo sexo”, nem espaço para a “união estável”, nem “entidade familiar” homossexual. Os legisladores, os juristas, educadores, sociólogos, psicólogos e outros aprovam esse tipo 25


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de união, que é considerada abominável a Deus (Lv 18.22; 20.13). E o fazem afrontando a Lei de Deus, para sua própria condenação. 3. “E se unirá à sua mulher” Após realizar o primeiro casamento, Deus disse: “Portanto, dei­ xará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn 2.24). Não disse o Criador: “E o homem se unirá ao seu homem, a mulher se unirá à sua m ulher”. Claro como o cristal é o princípio da heterossexualidade. O Supremo Tribunal do Universo (ST U ) já tem pronta a sentença condenatória, inapelável, em últim a instância, para os que aprovam o que Deus condena. Por­ tanto, o casamento, para Deus tem que ser realizado, com base no princípio da heterossexualidade: um homem, unido a uma mulher, pelos laços do matrimônio. A homossexualidade é um dos mais infames atos da rebelião contra Deus. A mídia divulgou entrevista com duas “pastoras”, lésbicas, em que elas usam a Palavra de Deus para justificar sua união, condenada pelo Senhor. É a pior das decisões. Alguém pode pecar, e é compreensível, pois, enquanto estiver no mundo, o ser humano está sujeito ao pecado. M as usar a Palavra de Deus, a Lei do Senhor, para justificar o que Ele abomina é pecado imperdoável. E blasfêmia contra o Espírito Santo.

Dil - A INDISSOLUBILIDADE DO CASAMENTO 1. JJma só carne No plano de Deus para o casamento, Ele previu a união duradoura entre o esposo e a esposa, durante toda a vida em comum (Gn 2.24). O Criador planejara a vida eterna para o ser humano. Em consequência, a união matrimonial seria eterna. 2. “A téque a morte os separe” Na celebração do casamento cristão, os oficiantes enfatizam esse desiderato por causa da realidade da morte física, que pode atingir um ou o outro cônjuge. De fato, não há qualquer justificativa para o fim do casamento, a não ser pelo falecimento de um cônjuge. Somente a falta de amor verdadeiro pode explicar o aborrecimento de um marido por sua mulher, e vice-versa, como causa para a dissolução do casamento. 26


O CASAMENTO DE ACORDO COM A BÍBLIA

3. Opecado interfere na união conjugal Quando o casal não vigia, não ora, não procura obedecer aos princí­ pios de Deus para o casamento, o Adversário da família encontra brecha para interferir na mente de um ou do casal, de modo que a vida a dois se torne insuportável. Seja por causa da infidelidade, do adultério, seja pela prostituição, a fim de que desapareça a razão para viverem juntos. Esse não foi, nem é, o plano de Deus (M t 19.6), mas o ser humano pode, com permissibilidade de Deus, por fim à aliança conjugal. 4. O divórcio — remédio amargo que deixa sequela Em consequência da falta de união e de amor, motivados pela falta de obediência a Deus, há situações em que a convivência torna-se de fa­ chada, aparente, por conveniência, ou até mesmo insuportável. Violência doméstica, falta de respeito, agressões psicológicas ou físicas, além da in­ fidelidade afrontosa, levam o casal a tomar a terrível decisão de separar-se com todas as consequências negativas para os dois e para a família.

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AS BASES DO CASAMENTO CRISTÃO “Vos, m aridos, am ai vossas mulheres, com o tam bém Cristo am ou a igreja e a si m esm o se en tregou p o r ela (E f 5.25).

casamento cristão deve ser construído sobre as bases do amor a Deus e do amor conjugal verdadeiro. É a única forma de união consagrada por Deus para a constituição da família, objetivando o bem-estar do ser humano em todos os aspectos da vida. Foi o próprio Deus que instituiu o matrimônio, no Éden, como já vimos. Na Bíblia, vemos o casamento eleva­ do a um nível bem alto, como observamos em Hebreus 13.4. Por ser uma instituição criada por Deus, para atender seus propósitos quanto às finalidades divinas para a existência do homem na Terra, não é de admirar que o matrimônio tem sido atacado de maneira constante, sistemática e violenta. A exemplo do “ladrão”, que só vem “a roubar, a ma­ tar e a destruir” (Jo 10.10), Satanás luta diuturnamente para prejudicar o plano de Deus para a vivência do ser criado à sua imagem e semelhança. A História, e mais claramente a História Contemporânea, de­ monstra de forma inequívoca que o casamento é um dos alvos prefe­ renciais das forças satânicas. Sob o pretexto de “evolução”, “progresso” e “avanços sociais”, novas formas de união têm sido inventadas e aceitas pela sociedade sem Deus. M as os cristãos devem preservar e cultivar o matrimônio monogâmico e heterossexual, como uma bênção de Deus para a humanidade.


A S BASES DO CASAMENTO CRISTÃO

Todas as sociedades antigas, que destruíram o casamento e a família, nos moldes tradicionais, conforme o projeto de Deus, tiveram seu fim, pela corrupção de suas bases morais e espirituais. Os materialistas desde­ nham desse tipo de afirmação. Porém, a Palavra de Deus assegura que o que o homem semeia isso também colherá, pois Deus não se deixa escar­ necer (G1 6.7). E uma questão de tempo apenas. A cada dia, o império do mal cresce, com o apoio dos governantes, dos representantes políticos do povo e dos representantes do poder judiciário, que aprovam leis e normas que contrariam a Lei de Deus. Porém, um dia todos serão julgados no plano espiritual segundo suas decisões e escolhas. O Juízo Final aguarda, com sentença já definida, a sorte dos ímpios (SI 9.17).

S - A VONTADE DE DEUS PARA O CASAMENTO 1. A vontadepermissiva Como expressão da vontade do Criador, Ele disse, no princípio de todas as coisas, que o homem deveria deixar seu pai e sua mãe e unir-se à sua mulher, a ponto de ser “uma só carne” com ela (Gn 2.24), o que ocor­ re no ato sexual. Essa vontade de Deus é para todos os homens, crentes ou não crentes, santos ou ímpios, evangélicos ou não. Por quê? Porque faz parte de seu plano divino que a humanidade cresça e se multiplique, através da união legítima entre um homem e uma mulher, como vimos no capítulo anterior. A vontade de Deus é que um homem se case com uma mulher, para formar um lar e uma família, conforme os ditames de sua santa Palavra. Face essa “vontade permissiva” de Deus, Ele não interfere nem di­ reciona um homem para uma mulher. Ele permite aos homens em geral que ajam conforme suas vontades, até mesmo para praticarem atos con­ trários à vontade do Senhor. Assim, cada pessoa tem o direito de, usando o seu livre-arbítrio, fazer as escolhas que lhe convier para sentir-se bem na união matrimonial. A vida nos mostra que Deus considera e valoriza o matrimônio, tendo ele sido celebrado numa igreja evangélica ou não, desde que subordinado à lei civil, representada pelas autoridades que têm competência para realizar o matrimônio. A igreja cristã não rejeita um casal, pelo fato de ter sido unido, em cerimônia legal, num templo de outra religião. Salvo se tal religião praticar ritos que possam ser con­ siderados diabólicos. 29


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2. A vontade diretiva Esta é diferente da vontade permissiva. É a vontade de Deus, segun­ do a qual Ele pode agir, de modo impositivo ou diretivo, para alcançar seus objetivos divinos em relação ao universo e aos homens como agentes livres. Com essa vontade, Deus também pode direcionar pessoas; criar situações; promover circunstâncias, seja por sua decisão própria, ou para atender solicitações e propósitos de pessoas, especialmente de seus servos e servas, que procuram viver de acordo com seus princípios elevados. Dentro desse contexto, como Deus usa a vontade diretiva para o casamento? Será que Ele escolhe o “irmão fulano” para ser esposo da “irmã fulana”? E se esse irmão resolver casar com a “irmã sicrana”, pode contrariar a vontade de Deus? Essas questões parecem simples, porém são mais comuns do que se poderia imaginar. No aconselhamento pas­ toral, ou em seminários para a juventude, é comum ser encaminhada questão desse tipo: “Pastor, como podemos saber se uma pessoa com quem namoramos, ou noivamos, é a pessoa escolhida por Deus para nós?”; ou: “como podemos saber se o casamento é da vontade de Deus?”. Notadamente os jovens querem uma resposta definida para essas questões, que são motivo de inquietação para muitos que estão na fase de tomar decisões importantes em suas vidas, principalmente em rela­ ção ao casamento. De tanto verem fracassos matrimoniais, nas igrejas ou em suas famílias, há rapazes e moças que têm receio de casar. H á os que namoram e até noivam, e terminam o relacionamento por não se sentirem seguros quanto à vontade de Deus nesse terreno. Em nosso aconselhamento aos jovens, procuramos dar-lhes algumas orientações que servem de pistas para suas decisões em termos de namoro, noivado e casamento. A seguir, alguns indicadores da vontade de Deus.

A paz de Deus no coração Um dos indicadores de que o que pensamos, fazemos ou pretende­ mos fazer é da vontade de Deus é o sentimento de paz interior, domi­ nando nossos sentimentos, pensamentos e emoções. No texto de Paulo em Colossenses 3.15-17 há lições muito preciosas. Em primeiro lugar, nos diz que “a paz de Deus” deve dominar em nos­ sos corações, e devemos ser agradecidos. Se agradecemos é por alguma coisa importante, que pomos diante de Deus. Em segundo lugar, diz: “A pa la vra de Cristo habite em vós abundantem ente, em toda a sabedoria . Se a 30


As

BASES DO CASAMENTO CRISTÃO

paz de Deus é como um árbitro em nossos corações, conforme diz outra tradução do texto, a p a la vra é o referen cia l pa ra nossos pensam entos, atitudes e ações. M as diz que essa palavra deve habitar em nós “abundantemente, em toda a sabedoria”. Quem submete seus pensamentos, ações presentes ou pretendidas, ao crivo da palavra de Deus, certamente terá muito mais probabilidade de acertar, e de sentir a direção de Deus em sua vida. Em terceiro lugar, o texto diz que devemos louvar a Deus, admoestando-nos uns aos outros, com “salmos, hinos e cânticos espirituais”. Ou seja, quando fazemos alguma coisa que é da vontade de Deus, sentimos paz interior; tomamos como referência a Palavra do Senhor; temos mo­ tivos para louvar a Deus e, além disso, devemos fazer “tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. Esse é um ponto de al­ tíssima importância. Se um namoro, noivado ou casamento é da vontade de Deus, podemos agir “no nome do Senhor Jesus”e dar “por ele graças a Deus Pai”. E necessário que o crente tenha a comunhão com o Espírito Santo para discernir a vontade divina, de maneira sábia e coerente, com base na regra de fé e conduta, que é a Palavra de Deus. A Bíblia diz que o coração, ou o interior do homem, não é bom árbi­ tro (Jr 17.9). Nesse caso, para saber a vontade de Deus, não é de boa nor­ ma confiar no coração. Ele é enganoso, por causa do pecado que passou a todos os homens. M as a paz de Deus, dominando um coração pleno da presença de Deus, em concordância com a sua palavra, é de grande valor.

O comportamento pessoal Referimo-nos ao comportamento ou ao testemunho da pessoa. Se uma jovem namora um rapaz e quer saber se esse namoro é da vontade de Deus; ou é noiva e quer saber se o noivado é da vontade de Deus, com vistas a um provável casamento, deve levar em conta com muito cuidado o testemunho do jovem. Da mesma forma, um rapaz cristão deve avaliar o testemunho de sua namorada ou noiva, para saber se é da vontade de Deus que se case com ela. Parece simples, mas não é. E indispensável observar o comportamento do outro na família, no relacionamento com os pais; o comportamento do outro para com os pastores, a igreja, o tra­ balho. Se um jovem ou uma jovem não respeita os pais, como respeitará seu cônjuge? Como respeitará o pai ou a mãe de seus filhos? Um casamento não pode ser da vontade de Deus se o namoro e o noivado são marcados pela prática de atos que ofendem à santidade de 31


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Deus e à santidade do corpo (1 Co 6.18,19,20). Se um rapaz ou uma moça quer praticar sexo no namoro ou no noivado, é um sinal evidente de que Deus não está aprovando tal relacionamento. Um casal de jovens, casados há poucos meses, chegou ao gabinete pastoral, procurando ajuda, pois estavam passando por sérias dificulda­ des. Brigas constantes, desavenças, e já não sentiam mais amor um pelo outro. Com certa experiência no assunto, começamos a fazer algumas perguntas aos dois. Indagamos se eles estavam orando a Deus, diaria­ mente; se costumavam ler a Bíblia juntos; se caminhavam para a igreja local; se adoravam a Deus, etc. Eles responderam que não oravam mais, não liam a Bíblia, e que tinham perdido o estímulo de ir à igreja. Dentro de poucos minutos, a jovem encarou o seu esposo e lhe in­ dagou: “Você não acha que devemos confessar o nosso erro?”. Fiquei es­ perando a resposta do esposo, e ele disse: “Se quiser, pode dizer”. Então a jovem voltou-se para mim e disse que, no seu noivado, já praticavam sexo. E que sabia que a mão de Deus estava pesando sobre eles, lem ­ brando o seu pecado não confessado, por terem fornicado, no namoro. Lemos em Provérbios 28.13 que “quem confessa suas transgressões e as deixa, alcança misericórdia; mas o que as encobre nunca prospera­ rá”. Eles sentiram-se aliviados por confessarem o seu erro, cometido na prática do sexo antes do casamento. Aconselhamo-lhes a procurarem o dirigente da congregação para confessar o pecado oculto e aceitarem a disciplina eclesiástica. Eles aceitaram o conselho, e depois puderam normalizar sua vida, diante de Deus e no seu lar. Se um noivo vive faltando com respeito à noiva; se é grosseiro com ela; se demonstra um ciúme doentio, a ponto de não permitir que a jovem converse até com pessoas da família, é um péssimo sinal de que Deus não aprova a união para o casamento. A menos que haja arrepen­ dimento sincero e mudança de atitudes. O mesmo se aplica à jovem. Se demonstra esse tipo de comportamento, provavelmente não será uma boa esposa. Não é da vontade de Deus um casamento marcado para ser palco de brigas, intrigas, competição ou carnalidade. De grande importância é observar a vida espiritual do noivo ou da noiva. Quando o casamento é da vontade de Deus, os dois demonstram, tanto no namoro, como no noivado, que amam ao Senhor de todo o coração, de todo o entendimento e de todas as suas forças (M t 12.30), e se amam um ao outro como a si mesmos (M t 12.31), é ótimo sinal de um futuro casamento abençoado e feliz, pois o amor é o fundamento do 32


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verdadeiro casamento cristão. Essas observações têm muito mais valor do que profecias sobre casamento.

As coisas se encaixam naturalmente Não há necessidade de um casal de noivos sair procurando a casa de profetas ou profetisas para saber se o casamento é da vontade de Deus. A liás, na m inha experiência pastoral, a m aioria das profecias envolvendo casamento é falsa. Não se cumpre. Porque, em geral, não são de Deus, mas da vontade do profeta, que deseja agradar aos que o procuram. Ressaltamos que Deus pode, sim, usar uma serva sua ou um servo seu, com o dom de profecia, para orientar decisões sobre casamento. M as esse não é um meio comum. É ocasional. Conheço um casal, muito bem casado, ele, pastor; ela, uma ótim a serva de Deus, que trabalha ao lado do seu marido. Quando namoravam, uma profeta disse de alto e bom som, dizendo-se ser usada por Deus, que “ele” não seria “o seu”, dado por Deus. E que não era a vontade de Deus o casamento. Felizmente, os jovens não levaram em considera­ ção a vontade da profetisa. O problema é que, em muitas igrejas locais, pessoas que têm o dom de profecia passam a ser oráculos privilegiados para d irigir a vida das pessoas. Essa não é a finalidade da profecia no Novo Testa­ mento. Passou o tempo em que o profeta era consultado para dizer se alguém deveria ir para a direita ou para a esquerda. Saul foi consultar o profeta Sam uel acerca das jum entas extraviadas de seu pai. O pro­ feta o tranquilizou, pois os anim ais já haviam sido encontrados. Esse foi um m inistério passado, em que o profeta era o vidente para toda a nação, e para fatos envolvendo pessoas. No Novo Testamento, a nosso ver, é muito mais proveitoso orar e buscar a presença de Deus reservadamente, entrando no seu quar­ to, como ensinou Jesus, para ter a orientação do Senhor (M t 6.6). Como resultado dessa busca, Deus fala através das circunstâncias. Um jovem fiel, que busca a Deus, que serve a Deus em sua casa, que se santifica, certam ente terá a bênção de Deus sobre as circunstâncias da sua vida. Ele é abençoado nos estudos. Deus abre portas de em ­ prego. A fam ília da noiva demonstra estar feliz, aprovando a amizade dos noivos. O pastor da igreja local vê com bons olhos o noivado. A jovem demonstra que ama o rapaz, e expressa isso com palavras e 33


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carinho. Em tudo isso, pode-se perceber Deus dando a sua aprovação ao casamento.

Os princípios de Deus são observados Para que um casamento seja da vontade de Deus, é indispensável que os aspirantes ao matrimônio, namorados ou noivos, respeitem os princípios de Deus, consubstanciados em sua santa Palavra. Um dos princípios fundamentais é que os pretendentes ao casamento tenham a mesma fé, sirvam ao mesmo Deus, creiam na sua Palavra e obedeçam ao Senhor. Se um rapaz deseja casar-se com uma jovem cristã, e não gosta de ir à igreja local para adorar a Deus, é um sinal evidente de que não dá valor às coisas sagradas. No namoro ou no noivado, Deus dá oportunidade para seus servos demonstrarem que são verdadeiramente salvos. O casamento na von­ tade de Deus exige santidade. As tentações são muito fortes sobre os jovens cristãos, principalmente na área da sexualidade. Frequentemen­ te, são tentados a praticar o sexo antes do casamento. Se desrespeitam esse princípio da santidade, e se envolvem em carícias e práticas sexuais, certamente estão fora da vontade de Deus. Colherão os frutos de sua desobediência, logo, ou depois que se casarem (G1 6.7). L i um livro com o título O D ivórcio Começa no N amoro. Chamou-me a atenção. Meditando, achei que o autor tem razão. As bases do casa­ mento são lançadas no namoro e alicerçadas no noivado. Se essas bases fo­ rem lançadas sobre a desobediência a Deus, na prática da fornicação, estão correndo sério risco de não terem a bênção de Deus. Não adiantará uma cerimônia pomposa, com dezenas de testemunhas, vestido de noiva com véu e grinalda, com modelo personalizado, nem uma recepção no melhor clube da cidade. M ais importante é ter a bênção de Deus no casamento.

II - O AMOR VERDADEIRO NO CASAMENTO 1. O d e v e r p r im o r d ia l do casal O dever de amar está acima dos outros deveres conjugais. O ma­ rido que não ama sua esposa não obedece à Palavra de Deus. Peca por desobediência. A Bíblia diz solenemente: “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja, e a si mesmo se entregou por ela” (E f 5.25). Esse versículo é sempre lido pelo ministro religioso 34


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no dia do casamento de alguém. M uitos maridos, porém, despreparados para o matrimônio, ouvem essa recomendação por pura formalidade. As palavras entram-lhes por um ouvido e saem pelo outro: não dão impor­ tância ao que está contido nas Escrituras. A nosso ver, se um jovem não está consciente do que é amar a es­ posa, não deve casar, e muito menos ter a bênção matrimonial dada na igreja do Senhor. Casamento sem amor é como planta sem água: acaba morrendo. O amor à esposa, recomendado pela Bíblia, é o mais elevado possível. É semelhante ao amor de Cristo pela Igreja. Isso indica que o amor do esposo deve ser comparado ao amor de Cristo para com a Igreja. E maior do que qualquer amor comum: é um amor sublime. 2. O amor gera união plena “A união é o resultado do amor sincero. O esposo deve estar unido à esposa de modo a formar uma unidade, “uma só carne” (E f 5.31). Essa união é espiritual, complementada pela união afetiva e física. O marido é a cabeça, ou seja, o líder da esposa, mas não é superior a ela. Os dois são “uma só carne”, uma mesma unidade, como Paulo ensina (1 Co 7.3). Isso significa igualdade, reciprocidade de deveres. As obrigações do ma­ rido perante a mulher são as mesmas da mulher perante o marido. Isso exige união de pensamentos, de sentimentos e de propósitos. A união física tem papel importantíssimo nesse aspecto. Essa união plena tem inimigos terríveis. Um deles, muito comum, é a irritação. A vida em família sofre bastante desgaste quando o casal não se previne acerca disso. E pequenas coisas, pequenos transtornos, chamados irrita­ ções, que são como picadas de mosquitos em noites de calor, perturbam mais do que coisas de grande vulto. A vida conjugal exige convivência em qualquer situação, na prosperidade ou na escassez, na saúde ou na doença. E necessário que haja muita compreensão e muito amor para evitar a irritação que surge com os problemas normais da vida. O amor, diz a Bíblia, “tudo espera, tudo suporta; não se irrita.” Isso é difícil, mas não é impossível para o cristão que tem a ajuda direta de Deus. H á esposos que se irritam com tudo, dando lugar à quebra da união plena com a esposa. Se a comida não está do agrado do marido, ele reclama, não dissimula: fica aborrecido, de cara feia. A camisa está sem um botão, justa­ mente na hora de sair para a igreja, surge uma discussão. Os chinelos não estão no lugar, mais reclamações. São as irritações que vão se somando, pequenas, mas constantes. Um dia, “a casa cai”. O marido conclui que a 35


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vida está “insuportável” ao lado da esposa, Satanás fica torcendo pelo pior, e faz com que aquelas “coisinhas” pareçam montes intransponíveis. O esposo cristão quer exigir da esposa o cumprimento fiel de todos os seus deveres, sem faltar nada. Porém, muitas vezes, não cumpre os próprios deveres para com ela, conforme a Bíblia manda. Será que, por causa de qualquer coisa, Cristo irrita-se com a Igreja? Certamente não. Se assim fosse, onde estaríamos nós? Do mesmo modo, é necessário o esposo cristão evitar as irritações com a esposa. Como isso é possível? Parece-nos que, com poucas medidas simples, torna-se viável vencer a tentação das irritações: • O esposo deve orar com a esposa todos os dias. • O esposo deve ler a Bíblia ao lado da esposa. • O esposo deve manter diálogo constante com a esposa sobre as coisas do lar. • Quando algo estiver errado, o esposo deve conversar sobre o as­ sunto com compreensão. Pedir sugestões à esposa sobre a melhor maneira de, juntos, resolverem o problema. • Ambos devem dar graças a Deus pelos problemas. Eles tendem a desaparecer quando ações de graças sobem aos céus (1 Ts 5.18). • Ambos devem procurar cultivar o verdadeiro amor.

III - A FIDELIDADE CONJUGAL 1. F ator in d isp en sá vel à estab ilidad e no casam ento A segurança espiritual e emocional do casal depende da fidelidade que cada um devota ao outro. Sem fidelidade, o casamento desaba. As estruturas do casamento não são preparadas para suportar a infidelidade. Esta tem efeito devastador no matrimônio, no lar e na fam ília. O padrão de amor não é o falso amor das novelas, dos filmes e das revistas sociais. O padrão para o amor conjugal é o amor de Cristo para com a sua Igreja! E Cristo jam ais foi ou virá a ser infiel à sua Noiva. Da mesma forma os cônjuges cristãos devem ser fiéis uns aos outros, para que Satanás não encontre brecha para destruir a aliança matrimonial. No Antigo Testamento, vemos um texto, em que Deus condena a infi­ delidade entre os esposos. Em M alaquias 2.13-16, vemos a repreensão ao povo de Israel, pelo fato de haver grande incidência de infidelidade conjugal. 36


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Deus não mais aceitava as ofertas do povo, pelo fato de haver des­ lealdade entre esposos e suas respectivas esposas. Quando os cristãos se casam dentro da vontade divina, Deus se faz presente na cerimônia, e se torna testemunha divina daquela união, daquele compromisso, assu­ mido perante a autoridade pastoral que Deus confere aos ministros do evangelho. Eles representam Deus no casamento. Quando os crentes se casam, assumem o compromisso, perante Deus, perante sua Igreja, pe­ rante as testemunhas e perante a sociedade, perante a lei civil que regula o matrimônio. O casamento não deve ser visto como um “contrato”. Contrato tem cláusulas, que podem sofrer modificações mediante o instrumento de aditivo contratual. No casamento não há aditivo. H á pacto solene, celebrado perante o criador do casamento. Os contratos têm prazo de vigência. O casamento é uma aliança, que deve perdurar “até que a morte os separe”. E, para que isso ocorra, é indispensável a fidelidade entre os cônjuges. Estatísticas oficiais demonstram que o número de divórcios entre os evangélicos está quase equivalente ao índice de divórcios entre os cônjuges descrentes. Esse é um fenômeno dos tempos pós-modernos. Há algumas décadas, pouco se falava em divórcio entre cristãos. M as, nos últimos tempos, as separações têm ocorrido com frequência acen­ tuada nas igrejas. Por quê? Por vários motivos. Um deles, talvez o mais terrível, seja o da infidelidade, do adultério, do homossexualismo, e de outros pecados graves, cometidos contra a Lei de Deus. Ultimamente, há inúmeros casos, no seio das igrejas, de casais em crise conjugal. Alguns não se separam por mera conveniência, mesmo sendo vítima de infidelidade conjugal. Uns não querem divorciar-se porque aspiram ao ministério. E precisam manter-se casados, mesmo que haja uma união de fachada. Isso não condiz com o caráter cristão. Para evitar a infidelidade, é necessário que o casal se mantenha de­ baixo da orientação da Palavra de Deus. O esposo, amando sua esposa de todo o coração, como Cristo à Igreja. A esposa, amando o esposo da mesma forma e lhe sendo submissa pelo amor. Em termos práticos, é ne­ cessário cultivar, tratar, regar e cuidar da planta do amor, para que as ervas daninhas da infidelidade não germinem no coração de um dos cônjuges. E bom que os cristãos casados saibam que a santidade do cristianismo não faz ninguém deixar de ser humano. Nesta vida, precisamos de amor, de alegria, de paz, de carinho, de afeto. O leito conjugal precisa ser bem apro­ veitado, e a união sexual, legítima entre os casados, deve continuar sendo 37


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fator de integração, não apenas física, afetiva, mas também espiritual. Deus se agrada da união entre os casados, especialmente entre cristãos (Hb 13.4). Reconhecemos que há muita infidelidade que começa por mera tentação, para o que o outro cônjuge, às vezes, em nada contribui. Mas havemos de reconhecer que o casal bem unido em torno do Senhor Je ­ sus terá condições de vencer o Inimigo. Paulo doutrinou bastante sobre o assunto (1 Co 3.16,17, por exemplo). O homem, ou a mulher cristã, deve tomar em consideração esta ad­ vertência solene e grave da Bíblia: Se alguém destruir o seu próprio cor­ po, pelo pecado, Deus o destruirá. M ais clara ainda é a exortação quando lemos o trecho de 1 Coríntios 6.18-20. O corpo não é nosso propria­ mente, pois somos propriedade de Deus. Não somos de nós mesmos. Esta constatação é extraordinária. Para aceitá-la, é preciso que tenhamos a consciência espiritual em harmonia com a mente de Deus. Diante dis­ so, o casal cristão não pode adulterar, nem usar o corpo de qualquer ma­ neira no leito conjugal, para não cometer infidelidade no uso do “templo de Deus”. A prática do sexo, fora do que é natural, como por exemplo a sodomia e outras aberrações sexuais, é profanação do “templo de Deus”. Um casal bem ajustado espiritual e fisicamente não necessita re­ correr a práticas eróticas desrespeitosas no leito conjugal. Havendo o verdadeiro amor, não haverá frieza sexual. Haverá interesse, atração de um pelo outro; haverá prazer no ato. É necessário evitar a infidelidade sob qualquer forma ou pretexto. Quem é fiel ao seu cônjuge é fiel, acima de tudo, a Deus, o criador do casamento.

IV - O CUIDADO COM O JUGO DESIGUAL Essa expressão, “jugo desigual” tem origem no texto de Paulo em 2 Coríntios 6.14-18. O apóstolo exorta quanto ao perigo do relacio­ namento íntimo do cristão com pessoas não cristãs, a quem chama de “infiéis”. Não se trata de evitar o relacionamento cordial ou social com vizinhos, colegas de trabalho, ou da escola. M as sim, de relacionamento que implique em “comunhão” de ideias, pensamentos, emoções, afetos e intimidades (v. 14 b). É o caso do namoro e do noivado, com vistas a um possível casa­ mento. Namorar ou noivar com descrente já é estabelecer uma espécie de “comunhão”. Abraços, beijos, carinho, afeto, num relacionamento íntimo, sem dúvida alguma, já é comunhão. E o apóstolo indaga, de maneira incisiva: “E que comunhão tem a luz com as trevas? E que con­ 38


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córdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?” (v. 14b, 15). E uma forma de linguagem bíblica, em que o escritor afirma, interrogando. Na verdade, ele quer dizer que não pode haver comunhão entre “a luz”, o servo de Deus e “as trevas”, o descrente com seu estilo carnal, mundano e contrário à palavra de Deus. “Que concórdia há entre Cristo e Belial?”, pergunta Pau­ lo. Num namoro, noivado, ou num casamento, entra em cena Cris­ to e Belial? A princípio, não parece haver tal situação. M as se pen­ sarmos bem, entendemos que sim. O cristão, solteiro ou casado, deve ser “templo do Espírito Santo” (1 Co 6.19), na comunhão com Cristo. O descrente não tem o Espírito de Deus. Ele tem outro espírito, ou outros espíritos, tipificados em “Belial”. Dessa forma, o Espírito que habita no crente fiel não pode ter “concórdia” com o espírito que habita no descrente. Não pode haver comunhão. O apóstolo é mais claro, quando indaga: “Ou que parte tem o fiel com o infiel? (v. 15 b). O fiel é aquele que aceitou a Cristo como seu salvador, que foi lavado e remido pelo sangue de Cristo, que tem seu nome escrito no Livro da Vida. O infiel é aquele que, mesmo sendo edu­ cado, fino, de boa família, um bom cidadão, não é um servo de Cristo. E bom cidadão do mundo, mas não é cidadão do céu. Ele acrescenta: “E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (v. 16). Um casa­ mento, fruto de um namoro e de um noivado, de um fiel com um infiel não pode ser da vontade Deus. Muitos têm pago um preço muito alto por desprezarem esse ensino da Palavra de Deus. Entendendo que, na igreja local, não há um jovem ou uma jovem para namorar, noivar e casar, acabam envolvendo-se com colegas de trabalho, da escola, da faculdade; com um parente simpático; com um amigo bonito; ou uma amiga agradável, porém não crentes. Isso pode ter sua lógica, no aspecto humano. M as, na visão de Deus, é desobediência a seus princípios. Alguns, por misericórdia de Deus, es­ capam de maiores consequências. Outros, infelizmente, afundam num casamento infeliz, sem união, sem amor, sem paz, sem a bênção de Deus. E melhor ficar solteiro, ou solteira, do que ter um casamento sem a presença de Deus.

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FAMÍLIA SOB ATAQUE “Todo aquele, pois, que escuta estas m inhas p a la vra s e as pra tica , a ssem elh á-lo-ei ao hom em p ru d en te, que edifi­ cou a sua casa sobre a rocha” (M t 7.24).

o século XXI, a família está sob ataque das forças do inferno de maneira sistemática e insidiosa. Em todos os tempos, esse ataque tem sido real. M as nunca como nos dias presentes. Satanás tem conseguido mobilizar governos, sistemas judiciários, escolas e faculdades, para m i­ nar as bases da instituição familiar. Só em Cristo a família pode resistir às investidas satânicas. Formadores de opinião trabalham para a destruição da entidade fa­ miliar, tal como Deus a criou, pela união de um homem e de uma mulher, através do casamento. A sociedade sem Deus admite outros “arranjos” de família. O Supremo Tribunal Federal do Brasil aprovou lei que considera a união homossexual “união estável”, ou, o que é pior, “entidade familiar”, torcendo e distorcendo o sentido de família, de acordo com a Constitui­ ção do País. O que significa isso? Total desprezo à Palavra de Deus, que considera tais uniões “abominação ao Senhor” (Lv 18.22; 20.13). É tão terrível o ataque à fam ília na área da sexualidade, que um líder gay declarou, anos atrás, que os filhos dos conservadores, nos Estados Unidos, seriam alvo da sodomia. O Reverendo Louis Sheldon, Presi­ dente da “Coalizão dos Valores Tradicionais” naquele país, registrou o discurso de um representante do segmento homossexual, com a desfa-


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çatez e a arrogância própria da maioria desse grupo social, no jornal Gay Community News, escrito pelo ativista M ichael Swift: Vamos sodomizar seus filhos, símbolo de sua frágil masculinidade, de seus sonhos superficiais e mentiras vulgares. Vamos seduzi-los em suas escolas, em suas repúblicas, em seus ginásios, em seus vestiários, em suas arenas de esportes, em seus seminários, em seus grupos de jovens, nos banheiros de seus cinemas, nos alojamentos de seu exército, nas paradas de seus caminhões, em todos os seus clubes masculinos, em todas as suas sessões plenárias, em todos os lugares onde homens estejam juntos com outros homens. Seus filh o s se tornarão nossos subordinados e fa rã o tudo o que dissermos. Serão rem odelados à nossa im agem . Eles suplicarão p o r nós e nos adorarão" (grifo nosso).1

As declarações desse líder homossexual revelam de modo cristalino a estratégia diabólica para dominar a sociedade. Os homossexuais não querem apenas o respeito a seus direitos. Eles têm um projeto de poder, de dominação, principalmente das crianças e dos jovens, para compro­ meter o futuro das nações, submetendo-as às suas ordens. Vejam bem os leitores o que o representante do Diabo disse: “Seusfilhos se tornarão nossos subordinados e farão tudo o que dissermos”. Dá para duvidar da natu­ reza maligna de uma declaração como essa? São as “portas do inferno”, batalhando para destruir a família e os princípios defendidos pela Igreja do Senhor Jesus. M as essas portas sa­ tânicas não prevalecerão. É uma questão de tempo. O Supremo Juiz do Universo não dorme nem cochila. Seu sistema divino de controle, de acompanhamento da História e das ações de todos os homens é o mais perfeito do universo. Nada escapa ao seu olhar. Ele a tudo vê. M as só age, e agirá, no seu tempo, no seu “kairós \ tempo que só a Ele pertence. Aparentemente, Deus não está agindo. M as está. A seu modo, no seu tempo. A Igreja do Senhor Jesus Cristo é a porta-voz de Deus. Ela tem uma missão proclamadora do evangelho, mas também de denúncia con­ tra a pecaminosidade que destrói a sociedade, como um câncer enga­ noso, que aparenta inofensivo, mas está causando metástase em todo o tecido social. A família está sendo destruída. A prostituição, as drogas e a violência são vivenciadas em todos os lugares. Antes, só nas grandes metrópoles que esses males eram mais sentidos. Hoje, porém, com a 1 Rev. Louis P. SHELDON. A estratégia (the agenda). O plano dos homossexuais para transformar a sociedade , p. 6.

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influência dos meios de comunicação, os costumes têm mudado drasti­ camente, alcançando todos os rincões do país. Seja nas grandes capitais, seja nos menores distritos, vilas e povoados, a influência nefanda desse falso “progresso” tem chegado, dominando as mentes e as consciências. Infelizmente, os governos estão alinhados com o espírito do Anticristo. Quase sem exceção, todos estão de acordo com as mudanças per­ niciosas que se voltam contra a família. Até porque, com a “nova visão de mundo”, a família tradicional é considerada ultrapassada. O casamento monogâmico e heterossexual é retrógrado e precisa dar lugar a “novas configurações de família”. Uma ministra do atual governo declarou à imprensa que “essa família, composta de papai, mamãe e filhos” está ultrapassada. Novos “arranjos familiares” se imporão. Tal declaração identifica mais uma agente do Anticristo. Desgraça­ damente, esses agentes ocupam cargos importantes em todas as esferas de direção do país. E eles têm poder político para aprovarem seus in­ tentos afrontosos contra a Palavra do Senhor. Assim, a igreja de Jesus, formada de famílias cristãs, não pode ficar silente, omissa e acovardada. Tem que demonstrar que tem poder espiritual e moral para fazer frente à onda satânica que tomou conta da maioria dos governos e instituições do mundo. Somente com a mensagem poderosa do evangelho de Cristo, é possível salvar a família da destruição total, preconizada pelo Diabo e seus agentes humanos.

I - A INGERÊNCIA DO ESTADO NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS l.A s cria n ça s são o a lv o m ais visa d o O estado materialista e ateu sabe que “é importante controlar as escolas. H itler sabia o valor da educação doutrinária às crianças. Em discurso, proferido em 6 de novembro de 1933, disse: “Quando um opo­ nente declara: ‘Eu não passarei para o seu lado’, eu calmamente digo: seu filho já pertence a nós... O que é você? Você passará. Seus descenden­ tes, contudo, encontram-se agora no novo acampamento. Em breve, eles não conhecerão outra coisa além da sua comunidade”. “O Diabo, mais do que o ditador alemão, sabe muito mais quanto é importante ter o controle do sistema educacional. Para tanto, procura promover educadores materialistas, dando-lhes, através da política, ou 42


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do sistema, diretores que não creem em Deus; professores materialistas, que rejeitem a Bíblia, e escarneçam da fé cristã. Não raro, os professo­ res materialistas perseguem os alunos cristãos, rebaixando suas notas, e criando dificuldades para que os mesmos sejam reprovados”.2 Nos países do antigo e fracassado “bloco socialista”, o Estado tota­ litário e ateu, decretou que a educação das crianças e dos filhos em geral ficaria a cargo do “todo-poderoso” regime socialista. Para quê? Para que os pais não tivessem a autoridade de educá-los segundo suas crenças e tradições. O objetivo do poder comunista era incutir, na mente das ge­ rações, as ideias e os ideais de Karl M arx, de Engels e de Stalin, os fami­ gerados líderes de uma revolução fracassada, que fazia parte da rebelião do homem contra Deus. Stalin chegou a declarar: “Se Deus existe, eu irei lá, e o destruirei”. A História registrou que seu fim foi deprimente. Até sua estátua, que se erguia solene na Praça Vermelha, em Moscou, foi derrubada por um guindaste, e as pessoas pulavam sobre ela. M as tudo foi feito, e com significativo êxito, para eliminar Deus da mente das crianças. A doutrinação marxista, anos após anos, conseguiu em grande parte seus intentos diabólicos. Nas salas de aula, os alunos aprendiam que Deus não existe; que o homem veio de um organismo celular, que surgiu por acaso, evoluiu, por acaso, e chegou a ser um ser humano, por acaso. Era o materialismo endeusado nas escolas estatais. Professores materialistas usavam seu poder para ministrar o ateísmo. E gerações e mais gerações nunca ouviram falar de Deus, a não ser em sentido crítico e deturpado. Em nosso país, está acontecendo fenômeno semelhante. O Estado não chega, ainda, a dominar o ensino, de forma ditatorial, como no comu­ nismo. M as está adotando medidas e práticas com o mesmo objetivo, de eliminar as ideias cristãs, fundadas na Bíblia, a Palavra de Deus, da mente dos alunos, com evidente interferência do Estado na educação da família. 2. P u n ição aos p a is que a p licarem m edidas co rretiva s H á projeto de lei, aprovado no Congresso Brasileiro, prevendo pu­ nição e até a perda da guarda dos filhos, para pais que aplicarem medi­ das corretivas aos filhos. A chamada “lei da palmada”, o Projeto de Lei 7.672/2010, pretende incorporar ao Estatuto da Criança e do Adoles­ cente, que qualquer “castigo físico”, de natureza disciplinar, aplicado pelos 2Elinaldo Renovato. de Lima Perigos da pós-modernidade, p. 46,47.

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pais a filhos desobedientes ou rebeldes, devem ser passíveis de punições, inclusive a perda do poder sobre os filhos, que poderão ser recolhidos a instituições governamentais, para serem educados por agentes do governo. Concordamos que nenhum pai tem o direito de espancar seus filhos. Isso é crime. Mas aplicar uma medida corretiva, sem violência, com o ob­ jetivo de inibir a prática de atos de rebeldia, é saudável e educativo. Mas essa é uma demonstração de que o Estado brasileiro quer retirar dos pais a autoridade de corrigir seus filhos. De acordo com a Palavra de Deus, os pais devem ser os edu­ cadores por excelência de seus fdhos. No A ntigo Testam ento, o ensino aos filhos era determ inação divina: “Instrui o m enino no cam inho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se des­ viará dele” (Pv 22.6). Essa exortação solene tem tido seus efeitos comprovados, ao longo dos séculos. Quando os pais educam seus filhos, conforme os princípios sagrados da Palavra de Deus, os efei­ tos sobre sua formação espiritual, em ocional e intelectual são bené­ ficos e duradouros. No Novo Testamento, o texto de Efésios 6.1-4 nos mostra que a Palavra de Deus é muito mais avançada que as propostas de lei para educação dos filhos, e do relacionamento dos pais com eles. A legisla­ ção humana, baseada nos “direitos humanos”, não é clara quanto aos deveres dos filhos para com seus pais. M as é pródiga em explicitar os direitos dos filhos e os deveres dos pais. A Bíblia incentiva o relacionamento respeitoso entre os filhos e os pais, exortando-os a serem “obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo”, e manda honrar o pai e a mãe, por ser o “primeiro man­ damento com promessa”, para que os filhos vivam bem, e vivam muito tempo sobre a terra. Para os pais a determinação bíblica é solene: “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor”. Percebe-se que grande sentido e alcance esse tipo de exortação tem sobre a educação familiar. De um lado, os pais, criando seus filhos “na doutrina e admoestação do Senhor”, ou seja, segundo os elevados princípios de Deus, de amor, respeito, santidade, e autoridade paternal. E sem excessos, sem provocar a ira ou a revolta nos filhos. Para tanto, os pais dispõem do ensino da Palavra de Deus, do recurso maravilhoso da oração e do jejum por seus filhos, do saudável costume da prática do culto doméstico, onde os pais 44


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podem e devem repassar os sagrados ensinos à família, e desenvolver o diálogo amoroso com eles. De outro lado, vemos que o Espírito Santo registra que os filhos devem ser obedientes e saberem honrar seus pais, para serem bem-sucedidos em suas vidas. A história revela que os filhos que sabem honrar seus pais, geralmente são homens e mulheres de bem.

3. A disciplina corretiva na Bíblia O livro de Provérbios é rico em ensinos sobre a disciplina, seus ob­ jetivos e resultados na formação da personalidade e do caráter dos filhos. Diz a Bíblia: “Não retires a disciplina da criança, porque, fustigando-a com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno” (Pv 23.13,14). Ao ler um texto como esse, os edu­ cadores materialistas, inspirados no liberalismo social, torcem o nariz, e criticam acidamente a Palavra de Deus, dizendo que tais conselhos são re­ trógrados, arcaicos, superados e obscurantistas, aplicáveis na Idade Média. O escritor dos Provérbios inspirados por Deus mostra que é neces­ sária a disciplina aplicada à criança. Ele se refere à “vara”, que pode ser utilizada como meio de dissuasão ou inibição contra atos de rebeldia. Evidentemente que essa palavra “vara” pode ser entendida de maneira radical, literal, ou conotativa. Entendemos que castigar a criança de­ sobediente, rebelde, que não aceita os limites definidos por seus pais, pode (e deve) sofrer algum tipo de reprimenda, que pode ser desde uma repreensão verbal severa, uma ordem incisiva para corrigir o malfeito, ou um castigo com a privação de algum direito que a criança, ou o adoles­ cente possa ter. Se uma criança, que já entende o que é certo e o que é errado, insiste em praticar o errado, causando prejuízo a si, à sua família ou à sociedade, precisa ser corrigida. Os pais podem privá-la de um passeio de bicicleta; de ir à casa de um colega para brincar; podem cortar a mesada da se­ mana; podem proibir que assista televisão, ou acesse à internet, durante alguns dias; não levá-la ao parque de diversão, etc. Tudo isso pode ser entendido como “vara” da correção. Em alguns casos, o uso da “vara” pode ser uma palmada numa criança de poucos anos para que ela entenda que a desobediência tem um preço a pagar; para que ela entenda que quem governa a casa são seus pais, e não ela própria; para que ela aprenda, por um meio doloroso, que a desobediência não compensa; quando se trata de pré-adolescentes 45


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ou adolescentes, os pais não devem usar castigos físicos, como palmadas, chineladas, ou coisas semelhantes. A privação de passeios e de outros direitos tem mais efeito. Se forem jovens, a partir dos 18 anos, somente o diálogo com firmeza e a repreensão firme com autoridade podem ter resultados benéficos. M as os educadores materialistas debocham e desdenham da edu­ cação com base na Palavra de Deus. Em seus discursos acadêmicos demagógicos, dizem que mesmo a palmada corretiva não deve ser apli­ cada, pois a criança aprende a bater nos outros. A prática demonstra o contrário. Os marginais, os bandidos, os violentos que estupram, assaltam e matam, via de regra, são oriundos de lares onde não há disciplina corretiva; de lares onde os pais não tiveram ou não têm au­ toridade sobre os filhos. Essa é a realidade. Se for feita uma pesquisa na Fundação C asa,3 certamente essa afirmação poderá ser confirmada. Disciplinar, adequadamente, de acordo com a idade do filho, é um ato de amor. Provérbios 13.24 ensina que pais lenientes, que não disci­ plinam seus filhos, na verdade não os amam. O que ama seus filhos os disciplina “a seu tempo”, ou seja, de acordo com a faixa etária e a idade mental deles. 4. Os resu ltad os da d iscip lin a c o r r e tiv a A disciplina, de acordo com a Bíblia, não visa impor um regime de medo ou terror, nos lares. De modo algum. A disciplina, quando bem aplicada, com amor e sabedoria, produz efeitos saudáveis na formação espiritual, emocional e social dos filhos (Pv 29.15). Se envergonha a mãe, certamente também envergonha o pai. M as o resultado esperado de uma boa disciplina é dar sabedoria ao filho em formação. Outro texto mostra que a disciplina produz descanso aos pais e alegria para os mesmos (Pv 29.17). O diálogo é mais valioso do que a aplicação da m edida corretiva. Explicar por que determ inada atitude foi inadequada faz a criança entender o que é certo ou errado. Dependendo da idade, a criança que recebe uma palm ada pode não relacionar o castigo físico com o que fez de errado. M ostrar à criança por que determ inada atitude não foi boa, colocando-se no lugar da pessoa prejudicada, é a melhor solução. 3 Antiga FEBEM.

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10 - COMO VENCER A ONDA MATERIALISTA 1. O valor da observância da palavra Diz a Bíblia: “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra. De todo ao meu coração te busquei; não me deixes desviar dos teus mandamentos. Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” (SI 119.9-11). Como o adolescente ou o jovem pode ter um caminho puro diante de Deus, em meio a uma onda avassaladora de materialismo e pecado? O texto transcrito dá a orientação divina: “Observando-o conforme a tua palavra”. É indispensável que o adolescente e o jovem cristão conheçam a Palavra de Deus. Do contrário, como poderá observar, ou seja, vivenciar suas experiências, seu comportamento, suas atitudes “conforme” a Palavra de Deus? Hoje, em muitas igrejas, é comum haver adoles­ centes completamente alheios às coisas de Deus; há muitos que não têm qualquer compromisso com o Senhor Jesus Cristo; estão nas igrejas porque acham que é bom, mas não querem fazer nada que “atrapalhe” seus sentimentos, seus desejos, ou suas inclinações, m es­ mo que estas contrariem a Palavra do Senhor. Isso é trágico, pois, se os adolescentes os jovens de hoje não tiverem uma boa formação espiritual, como o serão, em poucos anos, quando alcançarem a fase adulta? E esta vem rápido. Daí, a importância de as igrejas locais terem um programa de ensino para essas faixas etárias, tanto na Escola Dominical quanto em outras ocasiões. Eles gostam de desafio. E precisam ser desafiados a buscar a Deus, a ler a Bíblia, numa programação que os atraia para os caminhos do Senhor. Gincanas bí­ blicas, competições interessantes, maratonas de conhecimento bíblico, e outros eventos, podem despertar o interesse dos adolescentes. Com sabedoria e graça de Deus, é possível tornar a ministração da Palavra aos adolescentes agradável e interessante para sua idade.

2. Buscar a Deus de todo o coração O salmo diz: “De todo o meu coração te busquei”. Uma das coisas mais gratificantes, na igreja local, é ver adolescentes e jovens, buscando a Deus, em oração, nas vigílias, na ED, nas reuniões de jovens, nos re­ tiros, na evangelização, nos cultos de doutrina. Sem essa busca, não há esperança para a juventude. M as cremos ser possível envolver os adoles­ centes no programa da igreja local, de forma que sejam despertados a 47


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buscar a Deus. Isso depende primeiro de Deus, visto que, sem Ele, nada podemos fazer. Ele é o “que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13). Em segundo lugar, depende dos líderes, dos obreiros, dos pastores, dos líderes de mocidade. Esses preci­ sam da unção de Deus para trabalhar com adolescentes, servindo-lhes de exemplo e de referência. 3. Não se d esv ia r dos m a n d am en tos do S enhor Todos os sistemas modernos, seja de educação, de economia, da vida social, dos divertimentos, do lazer, da informática, da internet, ten­ dem a desviar os adolescentes e jovens dos princípios emanados da Pa­ lavra de Deus. 4. As p o rta s do in fern o não p r ev a lecerã o “Respondendo aos discípulos sobre quem seria sua pessoa, Je ­ sus disse: Eu “edificarei a m inha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (M t 16.18). Todos os ensinos m aterialistas fazem parte do arsenal diabólico das “portas do inferno”, levantadas acirradamente contra a Igreja do Senhor Jesus. Ao longo dos sécu­ los, elas têm combatido fortemente os arraiais dos cristãos, mas não prevalecerão”. Jam ais devemos nos deixar dom inar por pensam entos de der­ rota, que nos levam a crer que o m al prevalecerá sobre nós. De modo algum . D outrinando aos romanos, Paulo escreveu o verda­ deiro “cântico de vitória” do cristão, mostrando que nem a per­ seguição, nem a angústia, nem a espada, são suficientes para nos derrotar (Rm 8.37-39). Esperamos que essas reflexões despertem as consciências dos servos de Deus, nos tempos presentes, para os terríveis perigos que rondam e assaltam muitos cristãos, principalm ente, crianças, adoles­ centes e jovens, através dos ensinos m aterialistas. E que os pastores, ou líderes, procurem preparar-se ou busquem ajuda de alguém , le­ vantado por Deus, com o preparo necessário para orientar as igrejas locais sobre como enfrentar o “tsunam i” de m aterialism o, que, a cada ano, está se tornando mais forte e agressivo contra o povo de Deus. Temos tudo para vencer, no nome de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”.4 4 Elinaldo Renovato. de Lima. Perigos da pós-modernidade, p. 51-59.

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III - PORNOGRAFIA Pornografia “é a representação, por quaisquer meios, de cenas ou objetos obscenos, destinados a serem apresentados a um públi­ co e tainbém expor práticas sexuais diversas, com o intuito de des­ pertar desejo sexual no observador. O termo deriva do grego p ó r n e , “prostituta”, g r a fé , representação”.5 Em décadas passadas, repre­ sentações pornográficas se lim itavam a revistas, vendidas de modo discreto, em livrarias ou pequenos estabelecimentos que distribuem m aterial de divulgação. Mas, com o advento da internet, a pornografia tomou proporções mundiais e fora de qualquer controle. O que só seria possível ver em fil­ mes, chamados “pornô”, em sessões de cinema para adultos, está à dis­ posição de crianças, adolescentes e jovens, na tela dos computadores. As imagens pornográficas em filmes e DVD’s são engodos, ou iscas para ado­ lescentes, jovens e adultos, que se deixam dominar pelos instintos carnais descontrolados. E muitos se tornam viciados, a tal ponto de haver clínicas especializadas em tratar pacientes com esse distúrbio. As famílias que ser­ vem a Deus têm fundamentos sólidos para vencer essa onda maligna de pornografia, que tem destruído casamentos e lares cristãos. 1. “N ã o p orei coisa m á d ia n te dos m eu s olh os” (S l 101.3). A Palavra de Deus ensina o valor da santificação do corpo. M ara­ vilhoso instrumento, dado por Deus ao ser humano, o corpo é visto, na Palavra de Deus, em sua dimensão espiritual de grande significado. Os olhos, como “janelas da alma”, são maravilhas do Criador, que permitem à alma comunicar-se com o exterior, absorvendo imagens dos objetos em sua volta. M as os olhos do cristão, assim como todas as partes do seu corpo, devem ser utilizados como instrumentos para a glória de Deus. Por isso, o salmista exorta: “Não porei coisa má diante de meus olhos”. “Coisa má” é tudo aquilo que atrai o sentido da visão, e tem a repro­ vação de Deus. Fixar o olhar em pornografia, sem dúvida alguma, não glorifica a Deus. Valorizar a pornografia é desonrar a visão, que foi dada para ser bênção e não maldição. Fixar o olhar em cenas de sexo ilícito, de adultério, de pedofilia, de homossexualismo, de lesbianismo é atitude pecaminosa contra a santidade do corpo. 5 PORNOGRAFIA. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Pomografia. Acesso em 04/04/ 2012.

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2. O corpo — tem p lo do E spírito Santo Na visão cristã, o corpo não é apenas formado de “cabeça, tronco e membros”, externamente, e um conjunto de órgãos internos vitais para a vida ativa e consciente. O corpo é “templo do Espírito Santo”. Diz Paulo: “Fugi da prostituição. Todo pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1 Co 6.18-20). Uma das coisas que mais contribui para a prostituição é o interesse pela pornografia. Milhões de pessoas, incluindo cristãos, são vítimas da pressão da pornografia. Até homens de Deus têm sido envolvidos pelas teias dessa rede carnal da pornografia. Por quê? Certamente, pela falta de oração e da vigilância (M t 26.41); falta de um exercício diário e con­ tínuo, do processo da santificação. É impossível vencer os tentáculos da pornografia, sem a santificação diária. D iz a Bíblia: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). A família tem sido atingida pela pornografia de maneira destruido­ ra. No aconselhamento pastoral, temos recebido esposas que com amar­ gura no rosto, dizem ter descoberto que seus maridos são viciados em pornografia. Homens que deixam suas esposas de lado, e se voltam para a internet, para a prática do chamado “sexo virtual”, que é a expressão sofisticada da pornografia. Casamentos têm acabado por causa desse mal que se espalha por toda a parte, como uma praga “que assola ao meio dia”. A Bíblia aconselha o recurso maravilhoso para vencer a tentação da pornografia, que tem sido muito aceita pela sociedade sem Deus, mate­ rialista e hedonista. Diz Paulo: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Fp 4.8). Se um jovem ou um adulto se interessa por imagens pornográficas é porque sua mente está impressionada com esse tipo de divulgação. À luz do texto de Paulo aos filipenses, ver pornografia não passa no teste da ética cristã. Não é verdadeiro, não é honesto, não é justo, não é puro, não é amável, não é de boa fama, nem há qualquer virtude na pornografia, nem tampouco algum louvor, para que mereça a valorização do servo ou da serva de Deus. 50


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IV - DROGAS A família tem sido atacada no lado espiritual com as investidas sa­ tânicas que propõem a sua destruição, com novas formas de “configura­ ções familiares”, incluindo as chamadas “uniões homoafetivas”, conde­ nadas pela Palavra de Deus. M as há também outros ataques, de ordem espiritual e social. Os vícios têm sido agentes do M aligno, para destruir vidas preciosas. Pais de família são levados à morte precoce, por causa do tabagismo, do al­ coolismo e dos tóxicos. 1. O que são as drogas Na linguagem da M edicina, há vários conceitos de drogas: M edicam en tos. Para os médicos, drogas são medicamentos. Na lin­ guagem farmacêutica, drogas são fármacos, ou remédios. Daí o nome dro­ garia, como sinônimo de farmácia. Quando você toma uma aspirina, está tomando uma droga. A palavra droga tem origem numa palavra holandesa, “droog”, que significa “folha seca”. Vem do tempo em que todos os remédios eram de origem caseira, na base dos vegetais. Também se definem como substâncias naturais, químicas ou sintéticas que produzem alterações físicas ou psíquicas em quem as usam. D rogaspsicotrópicas. Elas atuam no cérebro, e modificam o equilíbrio do psiquismo. O uso de medicamentos pode ajudar o organismo a restaurar seu funcionamento, ou prejudicá-lo. Depende da aplicação ou da dose. Por isso, não se deve tomar medicamento sem a orientação de um médico. A chamada auto-medicação tem causado grandes prejuízos e até provocado a morte. 2. Classificação das drogas quanto ao seu uso Há as drogas chamadas lícitas, e as ilícitas. As drogas lícitas são, natu­ ralmente, os medicamentos prescritos pelos médicos; e há as drogas lícitas, não prescritas pela medicina, mas permitidas legalmente, como é o caso do fiimo e da bebida alcoólica. As drogas ilícitas são as que têm uso proibido por lei: maconha, cocaína, crack, cola de sapateiro etc. Para o cristão, só é permitido o uso de drogas que sejam classificadas como medicamentos, desde que prescritos pelo médico. Desrespeitar essa orientação é incorrer no risco de sofrer consequências prejudiciais ao corpo, que é considerado, na Bíblia, templo do Espírito Santo, e deve ser muito 51


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bem cuidado em todos os aspectos. Nesta reflexão, abordamos as chamadas drogas lícitas, que são prejudiciais, e, de modo especial, as drogas ilícitas. 3. Os efeito s das d rogas Como colaboração a nossos leitores, visando alertar para o perigo das drogas, ou dos tóxicos, mostraremos, com base em informações mé­ dicas, ou técnicas, algumas drogas e seus efeitos. 3.1. Os efeitos das cham adas d rogas lícitas. Aqui, não enfocaremos os medicamentos, e, sim, as substâncias não prescritas pela medicina. a) O fu m o . O “consumo pode provocar hipotonia muscular, di­ m inuição dos reflexos tendinosos, aumento do ritmo cardíaco, da frequência respiratória e da pressão arterial, irritação das vias res­ piratórias, aumento da mucosidade e dificuldade em elim iná-la, in ­ flamação dos brônquios (bronquite crônica), obstrução crônica do pulmão e graves complicações (enfisema pulm onar), arteriosclerose, transtornos vasculares (exemplo: trombose e enfarte do m iocárdio); além de frigidez na mulher, e im potência sexual no homem. Em fu­ mantes crônicos, podem surgir úlceras digestivas, faringite e laringite, afonia e alterações do olfato, pigm entação da língua e dos dentes, disfunção das papilas gustativas, problemas cardíacos, má circulação (que pode levar à amputação) e cancro do pulmão, de estômago e da cavidade oral. O tabagismo materno influencia no crescimento do feto, espe­ cialmente no peso do recém-nascido, aumento dos índices de abor­ to espontâneo, complicações na gravidez e no parto e nascimentos prematuros. A vitamina C é destruída pelo tabaco, por este motivo aconselha-se o fumante a tomar doses extras de antioxidantes (vitam i­ nas A , C e E), para ajudar a prevenir certos tipos de cancro”. Veja bem. O fumo é uma droga lícita. A lei não o proíbe. M as causa uma verda­ deira destruição no organismo. E por que é lícita? Porque o governo arrecada impostos elevados pelo consumo de fumo! M as a pessoa in ­ teligente, que dá valor à saúde e à vida, não vai se deixar dominar pelo tubinho branco de substâncias cancerígenas. “Fumar de um a quatro cigarros por dia aumenta em cinco vezes a chance de uma mulher morrer de câncer de pulmão e em três vezes a chance de um homem morrer da mesma doença. As taxas de mortalidade também aumentam de acordo com o número de cigarros consumidos diariam ente”. Assim, 52


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o fumo é uma droga, que destrói a saúde dos jovens, e de todas as pes­ soas dominadas pelo assassino silencioso. b) B ebidas alcoólicas. O que muitos não sabem é que por trás do vício do alcoolismo, há um componente espiritual muito perigoso. E ação maligna, do Diabo, que procura destruir vidas preciosas (Pv 20.1). Em Provérbios 23.19-21, o sábio mostra que há um perigo no vinho e que ele é enganador. Os efeitos danosos sobre a mente e o corpo tam ­ bém são descritos de maneira eloquente pelo escritor de Provérbios (Pv 23.29-35). A família cristã pode ser considerada feliz, por não estar, em sua maioria, sofrendo o efeito do alcoolismo na vida de seus componentes que são salvos em Cristo Jesus.

V - DELINQUÊNCIA Delinquência significa o “ato de delinquir”, ou o “estado do delin­ quente”. E a prática costumeira de delitos, que podem ser contra a pes­ soa, contra a propriedade, sem conotação política. Na sociedade atual, a delinquência tem aumentado significativamente. A cada dia, os roubos, os furtos, as agressões e as práticas nocivas fazem parte constante do noticiário em todos os meios de comunicação. Praticamente, não há um só dia, em que não se divulguem notícias de delitos sociais. Sintoma de uma sociedade doente, espiritual, moral e socialmente que rejeita aquEle que pode trazer paz ao homem, ao “Príncipe da Paz” (Is 9.6),"... o De­ sejado de todas as nações” (Ag 2.7). Os governantes, os legisladores e os juristas aprovam medidas que afrontam a Lei de Deus. O resultado não pode ser outro, a não ser uma nação degradada espiritual e moralmente. O poder transformador da Palavra de Deus é capaz de livrar a fa­ m ília dos efeitos perniciosos da maldade humana. Num lar cristão, que se pauta pelos ensinos da Bíblia, seguramente, há muito mais probabili­ dade de haver pessoas ajustadas, equilibradas, que busquem a harmonia e o bom relacionamento entre os seus semelhantes. M as as autoridades públicas não valorizam a Palavra de Deus, por entenderem que se trata de um livro de religião, e o “Estado é laico”. De fato, o Estado deve ser laico. Quando o Estado é religioso, ou teocrático, a História tem mostrado que se cometem terríveis injustiças, como acontece em países orientais, dominados por religiões sectárias. 53


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M as o Estado não precisa ser anti-Deus, contra a Bíblia e afrontar os princípios sagrados, que só trazem benefício às famílias e à sociedade. Rejeitando a Palavra de Deus, as autoridades públicas cometem grave erro. Diz a Bíblia: “A justiça exalta as nações, mas o pecado é o opróbrio dos povos” (Pv 14.34). No Brasil, o Supremo Tribunal Federal é a Corte Suprema da Justiça, e muitos benefícios tem produzido em favor da so­ ciedade. M as, infelizmente, dominado por juizes liberais, em termos so­ ciais, aprovou, e certamente vai aprovar, medidas que afrontam a Deus, à sua Palavra e seus princípios. Tudo isso em nome da modernidade, e da evolução dos costumes. A psicóloga M aria Delfina Farias Dias, após realizar seu trabalho de mestrado apresentado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), chegou a algumas conclusões sobre a delinquência juvenil no país.6 Ela analisou 40 jovens em situação de risco entre 12 e 18 anos das cidades de Santos e São Paulo com situações econômicas semelhantes. Os santistas fazem parte de um grupo de infratores que respondiam processo na jus­ tiça por uso de drogas, furto e assalto. Já os paulistanos não eram infra­ tores e frequentavam o Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente (CAAA), da Unifesp. Os dados apontam que 35% dos infratores possuem algum tipo de problema familiar. No grupo de não infratores apenas 8,7% apresentam o mesmo distúrbio. “Há, principalmente, uma grande quantidade à e f a ­ m ílias m onoparentais en tre os adolescentes que cometeram crimes”, afirma M aria Delfina (grifo nosso). Esta conclusão merece nossa análise. Gran­ de parte dos infratores possuem problemas familiares, e “grande quanti­ dade de famílias monoparentais”. Isso significa famílias que só tem um pai ou uma mãe, responsável pelos filhos. O que quer dizer? Que são famílias destruídas, pelas separações entre os pais. As causas são muitas, mas, seguramente, a principal, é a falta de Deus no lar, na família. Pais cristãos, unidos pelo amor de Deus, e pelo amor conjugal verda­ deiro, não se separam. Só se divorciam quando esse amor deixa de existir. Quando desobedecem à Palavra de Deus. A pesquisadora demonstra que “o s pais dos infratores tinham um distanciamento da vida cotidiana de seus filhos: tiveram dificuldades em responder quem eram os amigos, quais eram os lugares de lazer, quais os sonhos e expectativas de futuro. “Eles, assim, se envolviam pouco com a vida dos filhos e tinham uma 6 DIAS, Maria Delfina Farias. Delinquencia Juvenil. Disponível em: http://www2.uol.com.br/ aprendiz/n_noticias. Acesso em: 11/04/2012.

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organização pouco rigorosa, não sabiam a hora que eles chegavam em casa, nem sugeriam um lim ite”. Conclusão bem interessante. Pais que não se envolvem com a vida dos filhos nem sabem impor limites aos mesmos, conforme já dissemos anteriormente neste estudo. O Estado pretende punir os pais que disciplinarem seus filhos, criminalizando até uma palmada corretiva! O que se espera de um País assim? Uma geração permissiva, que não respeita limites, não respeita a autoridade dos pais, nem autoridades constituídas, nem a Lei. Um número que assustou a pesquisadora diz respeito à presença de familiares próximos dos jovens infratores com problemas mentais. Nas entrevistas, mais de 35% dos jovens afirmaram ter parentes com pro­ blemas como o alcoolismo ou vício em drogas. “São números altos que demonstram a necessidade de intervir na realidade dessas famílias de maneira sistemática criando políticas públicas para atendê-las”, diz M a­ ria Delfina”. M ais uma vez, nossa observação: parentes com problemas de alcoolismo. Por quê? Porque, desde a adolescência, aprenderam que fazer uso de bebida alcoólica é “chique”, é para “homem”, é ser atualiza­ do. A fam ília cristã não está imune a essas mazelas. Porém tem muito mais oportunidade de vencer as forças malignas que visam destruir os lares e as famílias. Outro fator de risco para a inserção desses jovens na criminalidade constatado na pesquisa é a defasagem escolar. No grupo de infratores, apenas dois dos entrevistados tinham concluído o Ensino Fundamental. A maioria era multirrepetente e apresentava histórico de não adaptação ao cotidiano escolar. “As escolas não estão preparadas para atender aos adolescentes com comportamentos desviantes’ e não têm recursos para estimular esses alunos”, reclama a pesquisadora. O IBGE constatou, há alguns anos, que a taxa de escolaridade, entre os evangélicos, é mais alta que a média nacional. E significativo. As famílias cristãs costumam estimular a leitura da Bíblia. E isso contribui para melhorar o índice de alfabetização e de leitura.

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C o n f lit o s

n a fa m Ilia

“Porque ofilh o despreza o pai, afilha se levanta contra sua mãe, a nora, contra sua sogra, os inimigos do homem são os da sua própria casa” (M q 7.6).

conflitos na família podem ser resolvidos com a graça e o amor no coração. O melhor mediador é o Espírito Santo. Os inimigos da instituição familiar tradicional, da fam ília nuclear, formada na união dos pais, dos filhos e seus descendentes, costumam usar argumento fa­ lacioso de que, no mundo pós-moderno, não há mais lugar para esse tipo de família. Os conflitos em família não são incomuns, pelo contrário, desde os tempos primordiais eles existem. São fruto natural da desobediência do ser humano ao seu Criador. No lar edênico, antes da Queda, havia um ambiente perfeito, de paz, harmonia e amor. Não sabemos quanto tem­ po durou a “lua de mel” entre Adão e Eva. Como se depreende do texto bíblico, o Criador visitava o primeiro casal diariamente, “pela viração do dia” (Gn 3.8), no final das tardes maravilhosas do Paraíso. Entretanto, o “dia mau” (E f 6.13) chegou e eles não tinham a ar­ madura de Deus de que as famílias cristãs dispõem. Ouvindo a voz do Tentador, perderam a doce e gloriosa comunhão com Deus. E a tragédia humana começou. Vieram os filhos. O primogênito, Caim , levantou-se contra o seu irmão, Abel, e o matou, por inveja, face a aceitação, pelo Se­ nhor, do sacrifício do seu irmão. Este primeiro conflito entre irmãos de início à terrível saga da morte por homicídio no mundo. A Bíblia, livro


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espiritual e histórico original da experiência do homem na Terra, conta inúmeros casos de conflitos familiares. Abraão teve sério conflito com a sua esposa, pelo fato de ter tido um filho com a sua serva. A bigamia trouxe problemas familiares. E o patriarca teve que expulsar a jovem concubina juntamente com seu filho. Entre os profetas, houve famílias conflituosas. Eli teve filhos tra­ balhosos, que lhe causaram grandes problemas (1 Sm 2.22). Entre os reis de Israel, não foram poucos os problemas familiares. Normalmente, eram conflitos no seio de famílias numerosas, descendentes de casa­ mentos poligâmicos. Davi é um caso emblemático. Ele tinha mulheres e concubinas. Seus filhos lhe causaram muitos problemas. Um deles, Amnom, apaixonou-se por sua m eia-irm ã (2 Sm 13.1). Usando de as­ túcia, enganou ajovem Tam ar e abusou dela sexualmente, violentando-a (2 Sm 13.1-22). Houve revolta na família, e, tempos depois, esse filho foi assassinado pelo irmão da moça, Absalão. O resultado foi uma guerra entre o filho e o rei, com graves consequências para a família. Absalão morreu na batalha, de modo trágico e doloroso para o pai. H á outros casos igualmente marcantes. M as os conflitos entre as famílias, entre pais e filhos, entre irmãos, entre parentes, ao longo da história, têm sido comuns. Mesmo entre famílias cristãs, há inúmeros conflitos. A razão é a mesma: o pecado, a desobediência a Deus e a seus princípios, para o relacionamento entre as pessoas. Quando um esposo discute com a esposa ou vice-versa, em tom de desrespeito, é falta de amor a Deus, e de amor ao seu próximo (M t 22.34-40). A exortação bíblica manda o marido amar sua esposa “como Cristo ama a Igreja” (E f 5.25). E a esposa deve a submissão no amor a seu esposo, “como a Igreja está sujeita a Cristo” (E f 5.22). Sem esse relacionamento, baseado no amor a Deus e no amor conjugal verdadeiro, os conflitos são inevitáveis. Quando pais brigam com seus filhos, faltando-lhes com o respei­ to, ou, quando filhos faltam com respeito a seus pais, é porque a linha demarcatória do amor foi rompida. A Bíblia diz: “Vós, filhos, sede obe­ dientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6.1-4). Os conflitos podem ser evitados na família cristã, com a presença marcante de Deus no lar. Além disso, no lado humano, quando há diálogo sincero e amoroso, entre pais e filhos; quando há respeito, afeto e amor; o relacionamento 57


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familiar, protegido pela bênção de Deus, torna-se agradável e estimulan­ te. E possível, sim, evitar ou amenizar conflitos no lar cristão. Podemos todas as coisas “naquele que nos fortalece” (Fp 4.13).

I - DESENTENDIMENTO ENTRE OS CÔNJUGES 1. T em peram entos d iferen tes Os psicólogos que aceitam a teoria dos temperamentos enten­ dem que temperamento “...é a combinação de características inatas que herdamos dos nossos pais que, de forma inconsciente, afetam o nosso comportamento”. 1 Numa conceituação livre, podemos dizer que temperamento é a m aneira própria pela qual reagimos aos diver­ sos estímulos e situações que se nos apresentam em nossa vida diá­ ria. Segundo a teoria, há quatro temperamentos: sanguíneo e colérico (extrovertidos); melancólico e fleumático (introvertidos). Segundo essa teoria, muito antiga, todas as pessoas têm virtudes (ou qualida­ des) e defeitos. No caso dos cônjuges cristãos, eles não estão isentos das diferen­ ças de temperamentos ou diferenças pessoais. Tais diferenças têm forte componente genético adquirido dos pais. Se um esposo é colérico, bas­ tante enérgico, decidido, no lado das qualidades; pode ter problemas no relacionamento conjugal, se deixar se dominar pelos seus defeitos de prepotência, impaciência e insensibilidade diante de uma esposa que é muito sensível e minuciosa. O colérico quer fazer tudo à sua maneira e com rapidez em suas decisões. Se a esposa fleumática deixar se levar pelos defeitos de temperamento, com egoísmo e inflexibilidade, poderá haver sérios conflitos no lar. A mesma análise, confrontando virtudes e defeitos dos demais tem­ peramentos, pode ser aplicada ao relacionamento conjugal. O desejável é que haja compreensão e amor no relacionamento entre cônjuges. O colérico, que deseja tudo com muita rapidez, deve compreender sua es­ posa fleumática, que gosta de ver as coisas com mais calma e minúcias. Sem amor não é possível um entendimento saudável. Em todos os casos, 0 que deve prevalecer, no lar, é o entendimento, a harmonia conjugal (SI 133.1). Os casais cristãos são formados por “irmãos” em Cristo. E precisam saber viver com harmonia. 1 O que é Temperamento: Disponível em http://educamais.com. Acesso em 17/04/2012.

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A diferença de temperamento pode ser muito benéfica. É prefe­ rível a temperamentos idênticos. Imagine-se um esposo colérico em confronto com uma esposa de mesmo temperamento. E se um esposo é fleumático, que não tem pressa para nada, e uma esposa com a mesma maneira de agir. As decisões podem ser prejudicadas pela falta de dili­ gência de ambos. M as, quando um quer ser apressado, e o outro procura influenciar em ter mais calma, isso ajuda muito, promovendo equilíbrio nas decisões. O fator de equilíbrio entre os temperamentos diferentes é o amor. Diz a Palavra de Deus que o amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Co 13.7). 2. F orm ação fa m ilia r d iferen te Durante o namoro e até no noivado, é comum o casal aspirante ao casamento não se preocupar muito com a formação familiar de cada um deles. M as a experiência demonstra que muitos conflitos são provocados por esse fator. A Bíblia exorta que os pais devem criar seus filhos “na dou­ trina e admoestação do Senhor”. Quando a jovem tem uma boa formação cristã, tende a valorizar as coisas espirituais. Se ela se casa com um rapaz que não tem a mesma formação; é convertido, mas não teve em seu lar o zelo pela Palavra de Deus, pela igreja, pela vida espiritual, podem surgir conflitos muitas vezes prejudiciais ao relacionamento conjugal. Daí, porque Paulo aconselhava de modo solene: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis” (2 Co 6.14). Vemos casos em que uma jovem cristã casa-se com um jovem que aceitou a Cristo, mas teve forte influência da família, adepta de outra religião. Com o passar do tempo, o esposo resolve insurgir-se contra a igreja evangélica por considerá-la muito rígida. O resultado são conflitos conjugais. 3. D ívid a s As dívidas, como inimigos do lar, são aquelas efetuadas sem contro­ le, além das possibilidades da renda familiar. Essas, dentre outras coisas, trazem consequências negativas e podem ser causa de conflitos conjugais. Uma pessoa endividada fica intranquila, pensando no compromisso não saldado. Muitos ficam sofrendo de doenças nervosas por causa de dívidas. As dívidas, contraídas além das possibilidades do casal, perturbam o relacionamento, gerando muitos conflitos. Quando um dos cônjuges resolve intervir, reclamando cuidado com as finanças do lar, o outro se 59


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aborrece, dizendo que tem o direito de gastar. O outro cônjuge sente-se ferido, por não ser ouvido. E os conflitos aumentam. Como e v ita r con flitos p o r causa d e d iv id a s Para evitar conflitos por causa de dívidas, alguns conselhos podem ser úteis: • Se possível, procure comprar à vista. • Se tiver de comprar a prazo, avalie o quanto vai comprometer do seu orçamento familiar com a prestação assumida. Não é bom compro­ meter toda a renda. • Ofereça resistência ao desejo de comprar. O cristão só deve com­ prar aquilo que é necessário. Às vezes, os vendedores tentam “empurrar” as coisas de qualquer jeito. Só depois, é que o comprador verifica que poderia ter passado sem “aquelas coisas”. • Jamais faça empréstimos para adquirir coisas supérfluas. É pre­ ferível manter-se dentro de um padrão mais modesto de vida, somente com as coisas necessárias, do que tornar-se um endividado por causa dos artigos que são dispensáveis (Pv 22.7). • Tenha muito cuidado em ser fiador. Ficar por fiador de um com­ panheiro já não é coisa boa, conforme Provérbios 6.1; e ficar por fia­ dor de um estranho, é pior ainda. Leia Provérbios 11.15; 17.18; 20.16; 22.26; 27.13. • Faça um orçamento familiar. 4. D esconfiança en tr e os côn ju ges Tem sido uma das principais causas de conflito no matrimônio. O casamento só tem sentido quando fundado no amor verdadeiro. Quan­ do o casal se ama de verdade, não há motivos para desconfianças ou ciúmes infundados. Paulo diz que “a caridade”, ou “o amor”... “não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita m a f (1 Co 13.5b — grifo nosso). Em outra tradução, diz: “não arde em ciúmes”. O ciúme é um sentimento de caráter emocional, mas também re­ sulta de uma influência espiritual. A Bíblia fala de “espírito de ciúmes” (Nm 5.30). Há quem pense que ter ciúme é prova de amor. É engano. Prova de amor é ter zelo pelo cônjuge, é cuidar de sua segurança espi­ ritual, amorosa e conjugal. M as ter ciúme, no sentido de demonstrar atitudes de insegurança, de profunda insatisfação, ira ou depressão, é si60


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nal de desconfiança, e, sobretudo, de insegurança. Segundo a Psicologia, ciúme pode ser sinal de medo de perder a pessoa ou o objeto amado. E sentir-se inferior a alguém que pode “tomar” o seu parceiro. As vezes, as desconfianças têm razão de ser. Se um esposo tem deter­ minado comportamento e, depois de algum tempo, começa a demonstrar diferenças acentuadas, no relacionamento com a esposa, é motivo para preocupação. O cônjuge que sente insegurança começa a ver motivos de provável infidelidade em muitos detalhes da vida do outro. E começa a questionar várias coisas. Começa a indagar por que o outro está chegando mais tarde do que de costume; o esposo demonstra insegurança, e diz que estava trabalhando, quando, na verdade, estava em companhia de pessoa estranha; a esposa percebe que o esposo está com odor diferente; que não mais a procura para ter relações, como antes. Não quer mais ir para a igre­ ja. E, assim, dá vários motivos para a desconfiança. Em princípio, vêm as cobranças; depois, vêm as discussões e os conflitos. Ê sinal de infidelidade quando um cônjuge começa a se irritar e a ficar agressivo, quando é cobrado por mudança de comportamento. A l­ guém já disse que a mulher, quando desconfia, é porque algo está acon­ tecendo de verdade. Das irritações, o cônjuge infiel passa para a agressão e as ameaças. Isso tem sido comum, em observações, no aconselhamento pastoral. O cônjuge errado ameaça o outro, buscando encobrir sua con­ duta pecaminosa. Não demora muito, e, como “... nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido” (Lc 12.2), o pecado vem à tona. A infidelidade é descoberta, o casamento é prejudicado e a família é envergonhada. O lar é atacado pelos ventos malignos da traição. Só um milagre de Deus, no coração do traidor pode mudar a situação. E um milagre no coração do cônjuge traído para per­ doar e aceitar a restauração do casamento. 5. T ratam ento g ro sseiro O lar deveria ser sempre um ambiente de paz, união e harmonia no relacionamento entre seus integrantes. M as, infelizmente, há lares que se comparam à praça de guerra, de lutas e desentendimentos. Um dos motivos para a infelicidade, no seio do casamento e da família, é o tratamento indelicado, grosseiro e descortês. Um lar em que a família se trata assim não deve ser chamado de lar cristão. Onde Cristo habita, deve haver amor, compreensão, respeito, diá­ logo e tratamento cordial. Onde Cristo habita, existe a prática do fruto 61


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do Espírito (G1 5.22). Onde o Espírito Santo tem lugar, há amor, há alegria, há paz, há longanimidade, que é a paciência para suportar os defeitos e falhas dos outros; há bondade, há mansidão, há temperança, ou domínio próprio. Os conflitos podem ser evitados com humildade, com oração, e com atitudes coerentes com pessoas que possuem Jesus em suas vidas. Se um cônjuge trata o outro com indelicadeza, e ouve uma resposta no mesmo tom, é conflito na certa. M as, se um está irritado, e o outro, em oração, pede a Deus a graça de responder como um nascido de novo, as coisas mudam, pois a “palavra branda desvia o furor” (Pv 15.1). Que Deus nos ajude a praticar as relações humanas, no lar, na igreja, e em toda parte, conforme o manual de Deus para o relacionamento familiar.

II - ATIVIDADES PROFISSIONAIS DOS PAIS 1. A m u lh er no m erca d o d e trabalho É um fenômeno característico das últimas décadas. Antigamente, as mulheres desempenhavam um papel puramente doméstico e con­ tentavam-se com isso. Elas eram mães de família, esposas e donas de casa. A cultura dos povos em geral relegava esse papel às mulheres. M as, nos últimos anos, com o avanço do feminismo, o segmento feminino procurou liberar-se das “amarras” da cultura patriarcal ou machista, e reivindicou os mesmos direitos que são concedidos aos homens. Nesse aspecto, os avanços foram enormes. A inserção das m ulhe­ res no mercado de trabalho tem aumentado de modo significativo. A urbanização acelerada, o processo de industrialização e as mudanças culturais, econômicas e sociais têm forçado a participação da mulher em atividades antes próprias dos homens. Por um lado, há um aspecto positivo. Inserida no mercado de trabalho, a m ulher sente-se incen­ tivada a demonstrar que não se lim ita ao papel de mulher doméstica, e comprova que tem capacidade para realizar as mais diferentes ocu­ pações sociais. O nível de estudo das mulheres tem aumentado, e elas concorrem com os homens aos cargos mais importantes da nação. H á queixas quanto à diferença de salário e de natureza dos cargos ocu­ pados pelas mulheres, mas há uma evolução marcante nesse aspecto. Por outro lado, temos que considerar alguns aspectos negativos desse fenômeno. 62


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a) A m u lh er su b m etid a à pesa d a ca rga d e trabalho. Antes da revolução feminista, as mulheres eram esposas, mães e donas de casa. Depois, com o avanço cultural, ela continua, via de regra, a desempenhar essas fun­ ções domésticas, mas desenvolve trabalhos em empresas e organizações diversas, passando a maior parte das horas úteis envolvida nas atividades profissionais. Como profissional, muitas vezes, tem que chegar tarde em casa, e o esposo se ressente de sua ausência. Os filhos sentem falta da mãe. Isso causa conflitos. Pode haver entendimento, mas há inconveni­ ências a serem consideradas. A primeira e grande tarefa que a esposa tem como adjutora, na edi­ ficação do lar é na criação dos filhos ao lado do marido. Isso não é pouca coisa. Diz um provérbio: “Quem educa um homem, educa um cidadão. Quem educa uma mulher, educa uma nação”. E fácil entender. Uma mãe, quando cônscia do seu dever, contribui com parcela ponderável de sua vida na edificação moral e espiritual dos seus filhos que, no futuro, serão cidadãos úteis à nação. Pai e mãe, juntos, devem contribuir para a educação dos filhos. Não queremos dizer com isso que só a mãe deve preocupar-se com a educação dos filhos. De modo algum. Essa é tarefa do esposo, igual­ mente. Diz Provérbios: “Filho meu, ouve a instrução de teu pai e não deixes a doutrina de tua mãe” (Pv 1.8). Entretanto, no lar, normalmente, na maioria dos casos, é o esposo que passa a maior parte do tempo fora de casa, durante o dia, no trabalho na fábrica, na repartição etc. A espo­ sa, por outro lado, dedica-se mais às atividades domésticas, diretamente no lar. Isso faz parte da necessária divisão do trabalho, para que haja melhor resultado do esforço comum. b) Os filh o s so frem com a au sên cia da m ãe. Com a mãe trabalhando fora de casa, os filhos passam a viver com as empregadas domésticas, que, por melhor que sejam, não substituem a mãe. Não sentem pelas crianças o amor do seio materno. As crianças ficam desorientadas, con­ vivendo muitas vezes com pessoas sem a necessária educação. Por outro lado, ficam o dia todo diante da “babá eletrônica”, a televisão, sendo educadas pelos falsos tipos de heróis artificiais do vídeo. Está crescendo uma geração “biônica”: sem amor, sem afeto, sem carinho... Uma boa creche ainda supre, em parte, a falta da mãe. M as, quem pode pagar uma boa creche? A nosso ver, sendo possível, é interessante que a mãe de família, obrigada a trabalhar, procure um emprego que 63


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ocupe só um expediente, coincidindo com o horário de aula das crianças. No outro expediente, é fundamental o contato da mãe com os filhos, que já sentem a ausência do pai durante o dia. Em grandes cidades, o pai sai de madrugada. Os filhos ficam dor­ mindo. Quando retorna ao lar, já tarde, os filhos estão dormindo. Como se sentem esses filhos? E se a mãe também se afasta o dia todo? Certa­ mente há grandes prejuízos nesse relacionamento familiar. Por isso, “a mulher sábia edifica sua casa...” c) O p r eju íz o p a ra a m ulher. Essa realidade é positiva? Sim. M as para o lar traz alguns problemas. O acúmulo de papéis, com o tempo, leva ao desgaste emocional e físico. Não se dedicando mais inteiramente ao lar e ao esposo, a mulher se vê pressionada para exercer os múltiplos papéis com eficiência. As cobranças podem gerar conflitos sérios no ca­ samento. A Bíblia diz: “Toda a mulher sábia edifica sua casa, mas a tola derruba-a com as suas mãos” (Pv 14.1). A mulher sábia é a “mulher virtuosa” de que fala Provérbios 31.10. Ela tem capacidade de edificar a sua casa como adjutora do seu esposo ao lado dos filhos. d) Os p a is au sen tes do lar. Os pais são os líderes do lar de acordo com a Palavra de Deus. Como líderes, devem ser exemplo para os filhos. M as muitos são apenas genitores. Geram e deixam os filhos crescerem, dão alimento, roupa, calçado, as melhores escolas (quando podem), dão dinheiro e condições para sua independência. M as, para a maioria, falta dar aos filhos o principal: amor, atenção, presença na sua formação, no seu desenvolvimento. A ausência da mãe prejudica a formação, a educação. A ausência do pai prejudica a visão que o filho ou a filha deve ter das relações fami­ liares. M uitos pais só dão atenção aos filhos quando eles estão doentes, ou são vítimas de algo trágico, de um acidente, ou ameaça de morte. No mais, passam os anos sem terem diálogo, contato ou aproximação com os filhos. Isso é altamente prejudicial. A presença do pai, no lar, é funda­ mental para a formação espiritual e emocional dos filhos.

III - A MÁ EDUCAÇÃO DOS FILHOS Entende-se por má educação o mau comportamento dos filhos no lar ou fora dele. Neste aspecto, não nos referimos à educação formal dos bancos escolares. Os lares estão prejudicados quanto à educação 64


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comportamental. Com o excesso de ocupação dos pais, os filhos são entregues a creches, escolas e a outras entidades do sistema educacio­ nal. Quem são os professores ou os mestres da maioria das crianças e adolescentes nos dias atuais? Serão os docentes, nas escolas? Serão os professores da ED? Ou serão os pais, dedicados à formação espiritual, moral e ética de seus filhos? Nenhuma das respostas estaria certa. Infelizmente, para nossa tristeza e graves prejuízos para a nação, os “mestres”por excelência dos filhos em geral são os atores, as atrizes e pro­ dutores das empresas de telecomunicação. São os produtores de sites da internet. Poderiam ser meios úteis para ajudar na educação das gerações. M as, na prática, são veículos eficazes para a má educação de gerações in­ teiras. Adolescentes, no Brasil, seguem muito mais o que lhes é ensinado na novela de adolescentes do que o que lhes é repassado nas salas de aula. Não é por acaso que, no meio das igrejas, há tanta rebeldia entre adolescentes e jovens. Ê raro ver adolescentes e jovens nos cultos de oração ou de doutrina. M as é comum vê-los diante da TV, assistindo a algum tipo de “lixo” midiático. A Bíblia, o Livro Sagrado, exorta so­ lenemente os adolescentes e jovens: “Afasta, pois, a ira do teu coração e remove da tua carne o mal, porque a adolescência e a juventude são vaidade. Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento” (Ec 11.10; 12.1). Filhos de pais ricos, que estudavam nas melhores escolas da capital do país, atearam fogo num índio, que dormia numa praça, matando o infeliz sem teto que ali estava. Filhos de pais abastados mataram uma jovem, porque pensaram que ela era uma prostituta. Filhos de classe média fazem parte das “torcidas organizadas”, que agridem, esfaqueiam, violentam e matam, nos estádios de futebol. Isso é fruto da má educação. M as a Palavra de Deus tem a solução. Diz a Bíblia: “Instrui o me­ nino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Pv 22.6). Instruir no caminho quer dizer dar ensinamen­ tos, orientações e advertências para a vida. É educar, no verdadeiro sen­ tido, começando pela parte espiritual. Um menino educado, com base nos princípios bíblicos, não pode ser mal-educado. O conselho sábio de Paulo aos pais é sempre atualizado, mesmo com o passar dos séculos: “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (E f 6.4). 65


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IV - FALTA DE ESTRUTURA ESPIRITUAL E MORAL A fam ília tem sido atacada no lado espiritual, com as investidas satânicas que propõem a sua destruição. Grande parte das famílias, em todo o mundo, não tem estrutura para enfrentar as mudanças rápidas e desintegradoras das famílias. A falta de Deus é o inimigo número 1 do lar. Ele se revela quando o ambiente em casa é destituído de espiritualidade. Quando Deus está presente no lar, sente-se uma atmosfera diferente, agradável e santa. O pai e a mãe se unem aos filhos para servirem ao Senhor. Deus é o hóspe­ de invisível, mas real, que domina o ambiente da família. Em cada canto da casa, pode-se sentir Deus. H á harmonia entre todos. H á louvores. Há devoção sincera ao Senhor. As coisas de Deus são colocadas em primei­ ro lugar e o lar é uma continuação da igreja. Por outro lado, quando Deus não está no lar, sente-se que o ambiente é carnal, pesado, cheio de manifestações mundanas. As coisas materiais estão em primeiro lugar. Só se pensa em prazeres materiais, riquezas, di­ nheiro, diversões e coisas mundanas! A casa é uma continuação do mundo. H á famílias denominadas cristãs só porque os pais são cristãos e têm Deus em seus corações, mas que não conseguem ter a presença de Jesus no lar, porque há um verdadeiro conflito em casa. Como combater esse inimigo — a falta de Deus? Não é fácil. O melhor é evitar que ele se manifeste. É interessante que os que vão constituir família convidem Jesus para se fazer presente no seu lar, mesmo antes de se casarem. Esta é uma preocupação abençoada.

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OS PERIGOS

DO ADULTÉRIO

“Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras , nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o Reino de Deus” (1 Co 6.10).

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ff \ prática do adultério tem aumentado no meio evangélico. E sinal do esfriamento do amor e do aumento da iniquidade. Como vemos no texto bíblico acima, os adúlteros estão na lista dos tipos de pecadores que não entrarão no Reino de Deus. O adultério é pecado gravíssimo aos olhos de Deus, o Criador do casamento, do lar e da família. A socie­ dade sem Deus, relativista e hedonista, não o vê como algo pecaminoso, e sim, como tendência natural do ser humano, que, segundo interpreta­ ção da teoria da evolução, o homem é polígamo por natureza, seguindo o exemplo de certos animais. No entanto, a visão cristã passa pelas len­ tes fortes e cristalinas da Palavra de Deus, que considera a infidelidade conjugal como vergonhosa traição aos princípios sagrados, estabelecidos por Deus para o casamento. Quando havia a poligamia, tolerada por Deus, no Antigo Testa­ mento, só ocorria o adultério quando um homem ou uma mulher ultra­ passavam todos os limites da liberdade concedida pela lei e pelos costu­ mes daquela época. Era permitido ao homem ter mais de uma esposa, e era aceitável que, além de suas mulheres, tivesse concubinas, ao seu


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redor, para lhes atender às suas alegadas necessidades sexuais. M as tal permissibilidade contrariava o plano original do Criador: a união con­ jugal entre um homem e uma mulher (como já foi visto em reflexão an­ terior). Assim, só adulterava, no Antigo Testamento quem perdia todo o senso de ética, de domínio próprio, e de santidade. No Novo Testamento, percebe-se que Deus mudou o seu trata­ mento para com a questão da fidelidade conjugal. Nos Evangelhos, não há uma só referência à poligamia, à bigamia, ou a qualquer outro tipo de arranjo para o casamento, com aprovação do Senhor Jesus Cristo. Quando ele responde aos fariseus, acerca do divórcio (M t 19.1-12), o M estre vai buscar, na origem de tudo, a base para a união conjugal, reafirmando o plano original do Criador (Gn 2.24). Uma só carne não é uma união emocional, espiritual, em que com as orações um santifica o outro. É a relação sexual entre o esposo e a esposa. Deus vê, no ato conjugal, uma união tão completa, que a define como sendo “uma só carne”. Através desta é que o cônjuge crente santifica o outro, mesmo que este não seja um cristão (1 Co 7.14). O texto refere-se à santifica­ ção do corpo apenas. Em sua doutrina sobre o divórcio, no mesmo texto, Ele mostra a monogamia, a união heterossexual, e o valor da fidelidade conjugal: “Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua m ulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério” (M t 19.9 — grifo nosso). A expressão sublinhada “sua mulher” e casar “com outra” é a reafirmação de Cristo quanto ao casamento monogâmico. Ele não diz “suas mulheres”, ou casar com “outras mulheres”, o que reforça a visão sobre a união con­ jugal. Mesmo havendo o divórcio, Ele confirma que aquele que “casar com outra” comete adultério, se não for por infidelidade. Esse texto mostra, de igual modo, o efeito espiritual, moral, ético e social do adultério. E uma quebra tão terrível da aliança do casamento, que destrói os laços espirituais e morais do matrimônio. Quando há infidelidade, quando há adultério, se não houver o perdão, se não hou­ ver o arrependimento sincero do cônjuge infiel, se não houver condição emocional para a convivência, o casamento acaba; a aliança é rompida. Só um milagre no coração do cônjuge traído pode fazer com que aceite a restauração dos laços emocionais e espirituais, estraçalhados por um ato (ou muitos) de infidelidade por parte do seu cônjuge.


OS

PERIGOS DO ADULTÉRIO

I - CAUSAS DO ADULTÉRIO A palavra adultério vem do latim, adulterium, que tem o sentido de “dormir na cama alheia”. E a relação sexual entre pessoa casada, com ou­ tra que não é o seu cônjuge. A sociedade sem Deus admite uma “união estável”, sem o respaldo espiritual e formal de duas pessoas, inclusive de caráter homossexual. M uitos veem o casamento apenas como um con­ trato com prazo de validade. Visão curta e secularista. M as, quando uma pessoa se casa, principalmente, se é cristã, o faz na igreja, perante o ministro oficiante, e declara, perante Deus, perante a igre­ ja, perante as testemunhas, que representam a comunidade, faz votos de fidelidade, assumindo o compromisso de ser fiel até que a morte os separe. Quando há infidelidade, há uma quebra da aliança matrimonial, com fla­ grante desrespeito à autoridade de Deus, e a seu plano para a formação do lar e da família. Que Deus abençoe os lares cristãos, e os casais, unidos, em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, respeitem a aliança firmada diante de Deus. Se não casa na igreja local, ainda assim, perante Deus, há uma aliança a ser respeitada, sob pena da reprovação divina.

1. DE ORDEM ESPIRITUAL a) Q uebra do m a n d am en to d iv in o . A infidelidade não acontece por acaso. Ê um processo, que pode começar com pequenas coisas, que vão de encontro aos princípios espirituais para o matrimônio. E pode come­ çar antes do casamento. Se um casal de jovens desobedece à Palavra de Deus, no namoro ou no noivado, está lançando as sementes daninhas que gerarão um casamento infeliz. Durante o casamento, se o casal não valoriza os princípios de Deus para a família, e desobedece a sua doutri­ na, está edificando sua casa sobre a areia (M t 7.26). Viver a vida a dois, com amor, dedicação um ao outro, com fideli­ dade, parece que não é estimulante. M as trair, prevaricar, ter novas expe­ riências amorosas, isso agrada à carne. E terrível saber que a influência de novelas e seriados tem tanto poder sobre a mente das pessoas, até mesmo de evangélicos. São inúmeros os casos em que essa influência diabólica tem sido fator que contribui para a infidelidade. Isso se deve à banalização da infidelidade, na mídia. A condenação de Deus ao adultério foi expressa, solenemente, pelo Senhor, quando Ele chama a atenção dos sacerdotes para a calamitosa situação espiritual deles próprios e da nação de Judá (M l 2.13-15). 69


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Numa cerimônia de casamento, em muitas igrejas, há exemplos de quanto os noivos se preocupam com o cerimonial, com a ornamentação do templo, com a quantidade de testemunhas de cada lado, do noivo e da noiva. M as não são raros os casos em que tais casamentos, com tanta pompa, acabam em divórcio. Não será porque se esqueceram de que Deus foi testemunha de seu compromisso? E depois esse compromisso foi quebrado, de forma decepcionante, pelo adultério? È indispensável que os casais cristãos preparem-se melhor para o casamento, dando mais valor ao lado espiritual de sua união, diante de Deus, do que ao luxo e à pompa da cerimônia. b) Falta d e rela cion a m en to com D eus. A Palavra de Deus exorta os maridos a amarem suas esposas (E f 5.25). Esse amor deve começar pelo relacionamento espiritual, com o amor de Deus, o amor “ágape”; e ser cultivado, através do amor humano, do amor conjugal, sincero e dedica­ do. Quando o esposo e a esposa cultivam o relacionamento com Deus, em seu lar, dando tempo para atividades simples, no aspecto espiritual, a tendência é que o casamento seja fortalecido e sua família edificada, segundo os princípios de Deus. Para tanto, é indispensável que haja um ambiente espiritual no lar. E os sacerdotes da família são os pais, antes mesmo de terem os pastores como seus líderes. A Igreja começa no lar, e este não substitui a igreja local, nem esta substitui o lar. M as é no lar que deve ter início o culto a Deus. Quando o casal cultiva o relacionamento espiritual com o Senhor, no seio da família, está edificando sua casa sobre a Rocha (M t 7.24,25). c) F alta d e v ig ilâ n cia e oração. A ordem das palavras podem alterar o sentido de um ensino. Na Bíblia, vemos isso em vários textos. Quando Jesus exortou sobre a vigilância e a oração, Ele não pôs a oração diante da vigilância. Ele disse: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (M t 26.41 — ver ainda: M t 25.13; M c 13.37; Lc 21.36). A oração é indispensável. M as a vigilância vem em primeiro lugar. Ninguém passa o dia todo orando, em todos os ambientes, a não ser em espírito, na mente. M as o que se passa ao nosso redor deve chamar a nossa atenção. A vigilância constante é indispensável para uma vida santa. E ne­ cessário estar atento aos sinais ou indícios da ação sorrateira do M alig­ no. Paulo adverte para o cristão estar preparado para enfrentar “as astu­ tas ciladas do diabo” (E f 6.11). Essas ciladas podem surgir no ambiente 70


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do trabalho. Um jovem obreiro, dedicado, envolvido na evangelização, ao lado de sua esposa, dirigia cultos ao ar livre. Em um determinado dia, deixou um bilhete para a esposa, informando-a que havia saído de casa, e não mais voltaria. Foi um choque para a esposa cristã, que jamais esperava tal atitude por parte do seu marido. Logo, ela ficou sabendo que ele engravidara uma colega de traba­ lho. Seu casamento acabou. Tudo começou com flertes, conversas nos intervalos do expediente; troca de mensagens no celular, no computador e mais um casamento foi destruído pelo Diabo. Ele não vigiou. E não orou o suficiente para vencer “as astutas ciladas do Diabo”. d) Falta d e ca rá ter espiritual. Entende-se por caráter “o que distin­ gue uma pessoa de outra”; “o conjunto de traços psicológicos, o modo de ser, de sentir e de agir, de um indivíduo, índole, temperamento”. O caráter é a característica responsável pela ação, reação e expressão da personalidade. E a maneira própria de cada pessoa agir e expressar-se. Tem a ver com a própria conduta. E a “marca” da pessoa. O caráter faz parte da personalidade. O caráter é demonstrado pelas atitudes, pelas ações de cada pes­ soa. Transportando esses significados para a vida espiritual, podemos dizer que o caráter cristão é resultado da formação espiritual de cada crente em Deus. Quando a formação do caráter espiritual é deficiente, ou inexistente, a tendência é a pessoa comportar-se de modo estranho aos princípios divinos que estão na Palavra de Deus. Eles devem ser absorvidos desde a infância. Diz a Bíblia: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Pv 22.6). Os jovens são exortados: “Lem bra-te do teu criador nos dias da tua mocidade” (Ec 12.1). Os verdadeiros cristãos, quando vão à ED, desde crianças, quando “habitam” “na casa do Senhor” (SI 23.6), têm sua formação consolidada para viverem conforme a vontade de Deus.

2. DE ORDEM COMPORTAMENTAL. a) Falta d e com unicação en tre m arido e mulher. A falta de comuni­ cação entre o marido e sua esposa tem sido uma das principais causas eficientes para o desgaste em seu matrimônio. O corre-corre do dia, os estresses do trabalho, os excessos de atividades ministeriais, com adminis­ tração, viagens, compromissos diversos, atendimento pastoral, visitas pas­ torais, muitas vezes, não deixam tempo para o obreiro dedicar-se à esposa. 71


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O resultado, muitas vezes, é o esfriamento do amor conjugal. Há estudos que comprovam que a falta de diálogo, de conversa a dois, de atenção um ao outro, contribui mais para o adultério do que a atração ou sedução sexual. Assim, é indispensável o marido refletir sobre sua agenda, e reservar tempo para comunicar-se com sua esposa. O esposo e a esposa devem desenvolver a comunicação significativa. Evitar a comunicação rotineira. A comunicação significativa é aquela em que o cônjuge fala para o outro coisas que têm significado, que têm valor, mesmo que sejam palavras simples. A comunicação rotineira é aquela desenvolvida pela maioria dos casais, ou seja, quando conversam (se é que conversam), só dizem coisas repetitivas, do tipo “passa o pão”, “passa a batata”; “onde está meu paletó?”, “vai para a igreja?” etc. Imagine passar dez anos só ouvindo esse tipo de “comunicação”; não deve ser nada interessante. Uma comunicação significativa estreita os laços do amor conjugal. Exemplo: “graças a Deus, apesar das lutas, sinto que Ele está nos aben­ çoando”; ou “eu amo você; saiba que estou a seu lado em qualquer situa­ ção”; “como você está?”. Esse tipo de comunicação abre portas para uma conversa cheia de significado. O cônjuge cristão não deve responder com raiva (Pv 14.29); não deve dar silêncio como resposta — é pirraça; não é para crente — e deve evitar aborrecer (Pv 10.19). Quando errar, pedir perdão (T g 5.16). Já ouvimos dizer que, em geral, os homens, principalmente obreiros, não pedem perdão, mesmo quando erram. Se é verdade, alguma coisa está muito errada. Se o pastor deve ser o exemplo dos fiéis, exemplo do rebanho e não faz o que diz a Bíblia, quando erra, é passível de reprovação da parte de Deus. Quando o esposo erra, precisa pedir perdão, sim; se a falha é com a esposa, nada melhor do que dizer: “errei; perdoe-me”; “eu te amo” (ver C l 3.13; 1 Pe 4.8). Da mesma forma, a esposa cristã deve ter humildade para pedir perdão quando errar. Isso não diminui, mas engrandece o comporta­ mento entre os cônjuges. h) Falta d e tem po p a ra o côn ju ge. O esposo precisa dar tempo para conversar com a esposa, ter diálogo com ela, saber ouvi-la (T g 1.19; Pv 18.23). H á uma tendência, no relacionamento conjugal, para inverterem-se certos aspectos; quando o homem está namorando, na juventude, sente-se estimulado a passar horas e horas, conversando com a namo­ rada; depois do casamento, no entanto, quando a experiência de vida 72


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promove mais experiências, o marido deixa de conversar com a esposa; falta de assunto? Cremos que não. Parece que é falta de interesse. Há uma armadilha que tem prejudicado muitos casamentos: o excesso de atividades na igreja. O marido dedica-se excessivamente às funções que tem na congregação: superintendente da ED, professor de uma classe, secretário da igreja, dirige o culto matutino, e, nos finais de semana, vai para os cultos ao ar livre, e participa de viagens evangelísticas. Que tem­ po resta para a esposa e para o lar? O ministério deve ser uma bênção para o matrimônio e a fam ília e não a causa de sua destruição. O esposo cristão deve alimentar o melhor relacionamento com sua esposa, para que os impulsos carnais não sejam meios para a destruição do casamento e do seu ministério. A mulher cristã deve ser sábia, para não destruir o seu lar com as mãos (Pv 14.1). c) T ratam ento grosseiro. O esposo ou a esposa precisa pensar antes de falar, para não dizer o que não deve e ouvir o que não quer (Pv 21.23). Uma irmã nos procurou, no gabinete pastoral, e expressou sua frustração no seu casamento. Após ouvi-la, pude constatar que seu marido não dei­ xava faltar nada em sua casa; ambos desfrutavam bem a parte sexual e em outros aspectos. M as a maior queixa daquela esposa era de que seu mari­ do era “grosso” nas horas de discordâncias e a maltratava com expressões ferinas. Depois das discussões, aquele esposo chegava a pedir desculpas, mas as feridas emocionais marcavam aquela irmã. O obreiro, como espo­ so, precisa ter prudência e calma no falar. É necessário exercitar o fruto da temperança, para que as frustrações não se acumulem no relacionamento, e o Diabo lance as sementes malignas que podem levar à infidelidade.

II - CONSEQUÊNCIAS DO ADULTÉRIO 1. M orte esp iritu a l O sábio Salomão, usado por Deus, exortou e advertiu quanto aos perigos do adultério. Sua palavra era a Palavra de Deus convocando seus filhos à vigilância contra a infidelidade conjugal. Com um realismo extraordinário, o Senhor verberou contra a prática pecaminosa, reco­ nhecendo que “os lábios da mulher estranha destilam favos de mel, e o seu paladar é mais macio do que o azeite” (Pv 5.3). A experiência humana demonstra que o sexo ilícito tende a provo­ car mais prazer do que o sexo lícito do esposo com a esposa. Ao longo 73


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dos anos, as lutas da vida podem causar desgastes no relacionamento amoroso entre os cônjuges. Satanás induz ao relacionamento com pes­ soas estranhas, na busca de mais prazer. E comum a amante, a prosti­ tuta, a adúltera propiciar ao marido infiel a prática de atos que não são admitidos pela esposa. E a carnalidade provoca o prazer mais intenso. São “favos de mel” que, depois, podem transformar-se em “favos de fel”. 2. Q uebra da con fian ça en tr e o casal As “ciladas do Diabo” podem ocorrer no ambiente da igreja. Um dirigente de congregação, que tinha planos de servir a Deus, com um ministério que podia desenvolver-se ao longo do tempo, foi apanhado pela armadilha de Satanás. Ele estava passando uma fase difícil no re­ lacionamento com sua esposa. Um dia, uma jovem senhora, transferiu-se para a congregação e procurou-o para pedir aconselhamento sobre sua situação conjugal, pois estava separada do marido que a deixara por outra. O obreiro, sem experiência, admitiu conversar a sós com a irmã. Pouco a pouco, envolveu-se com ela, identificando-se com a situação que vivia com sua própria esposa. Não tardou, a esposa do dirigente começou a notar a diferen­ ça. Alertou ao marido, mas ele retrucava que ela estava com ciú­ me infundado. Ele tornou-se grosseiro e agressivo para com a es­ posa. Esse é um sinal comum quando um cônjuge se torna infiel. Ter repulsa pelo outro, quando este reclama de sua mudança de atitude. A desconfiança acentuara-se. Depois, foram identificadas mensagens no telefone, mensagens trocadas em redes sociais, na internet; o obreiro foi advertido pelo pastor regional; a mulher também foi chamada, e exor­ tada a fugir desse envolvimento, pois só traria maldição sobre sua vida. Não adiantou. Os dois continuaram a aventura pecaminosa, e caíram em flagrante adultério. Tudo confirmado. Faltou vigilância. Faltou oração. O resultado foi o fim de um ministério, o fim de mais um casamento. Diz a Bíblia: “Porque por causa de uma mulher prostituta se chega a pedir um bocado de pão; e a adúltera anda à caça de preciosa vida” (Pv 6.26). Preciosas vidas foram destruídas espiritualmente por causa do adultério. 3. Q uebra da con fian ça en tr e p a is efilh o s Os filhos veem em seus pais os seus maiores exemplos para a vida. Deveria ser assim. Eles sentem-se felizes e seguros, quando veem seus pais em atitude de respeito e amor. Isso é fundamental para sua forma­ 74


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ção espiritual, moral e afetiva. Porém, quando uma criança, um ado­ lescente ou um jovem sabe que seu pai trai sua mãe, ou vice-versa, eles sentem o impacto emocional. Um menino, em prantos, perguntou ao seu pai: “Pai, por que o senhor faz isso com a mamãe? Por que o senhor tem outra mulher?” Não adiantam explicações. Instala-se a tristeza, a insegurança e muitas vezes a revolta no coração dos filhos. Uma irmã, numa igreja, traiu seu esposo com um estranho, com quem se envolveu num encontro casual, num transporte coletivo. Uma cilada do Diabo, numa ocasião corriqueira. Ao saber do fato, o marido não suportou, deixou a esposa, apesar de ela demonstrar arrependimento. Os filhos tomaram ciência da situação. Pediram aos pais que se unissem pois precisavam deles. Não adiantou. A separação foi concretizada. Os filhos passaram a ter problemas na escola. As notas caíram. O rendimento escolar decaiu. Problemas psicológicos afetaram o mais novo, requerendo tratamento médico. A menina, na adolescência, envolveu-se com más companhias na escola, e passou a fazer uso de drogas. A mãe foi a causadora de toda essa tragédia. O pai não soube perdoar. E o lar foi destruído. M ais uma vitória do Diabo. M ais uma derrota para uma família cristã. 4. Desestruturaçãofam iliar A fam ília sempre foi considerada a célula-m áter da sociedade. Um país que valoriza a fam ília, certamente tem alicerces morais e éticos mais fortalecidos. Infelizmente, no Brasil, a fam ília está sendo atacada de modo impiedoso, tanto do lado espiritual, pelas forças dia­ bólicas, quanto pelas forças das instituições que, guiadas por filosofias materialistas, atentam contra a estrutura familiar. Esses são ataques externos à família. O adultério é um ataque direto à organização familiar. Quando um cônjuge adultera causa terrível transtorno à sua família. Em primeiro lugar, atinge ao cônjuge. Em segundo lugar, aos demais membros da família, principalmente aos filhos, que ficam confusos e perplexos por saber que o pai ou a mãe foi infiel, traindo a confiança matrimonial e dos filhos. O adultério mina o edifício da família em sua base, que é a con­ fiança do esposo na esposa, e dos filhos nos pais. Em quem confiar, se os líderes traem um ao outro? O resultado dessa quebra de confiança é a tristeza, a decepção e a revolta dos filhos. M uitos, não tendo estrutura espiritual e emocional, enveredam por caminhos perigosos, envolvendo75


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-se com drogas, bebida e prostituição. Quem adultera está edificando sua casa sobre a areia (M t 7.26).

III - COMO EVITAR O ADULTÉRIO 1. E stratégias esp iritu a is São ações ou atitudes, próprias e indispensáveis para qualquer pes­ soa que deseja servir a Deus e ter uma vida que honre e glorifique ao Senhor, num processo de preparação para a vida eterna com Cristo. Sem isso, é impossível ser vencedor contra as “astutas ciladas do diabo” (Ef 6.11). Aplicadas ao relacionamento conjugal, são verdadeiras salvaguar­ das do casamento. a) O rar sem pre. Não há como escapar, como diz certo ditado cris­ tão: “M uita oração, muito poder; pouca oração, pouco poder; nenhuma oração, nenhum poder”. É simplista? Pode ser. M as é real. Jesus mandou vigiar e orar para não cair em tentação (M t 26.41). O que levou o rei Davi a cometer pecados tão ignominiosos, a ponto de adulterar com a esposa de um soldado do exército que defendia seu reino e sua vida? Pior ainda: o que o levou a perder todo o senso de respeito e conside­ ração pelo general Urias, quando mandou chamá-lo de volta para casa, após usar a esposa do amigo? E vendo que sua artimanha não funciona­ va, mandou-o de volta à batalha, levando a própria sentença de morte em mãos? Não foi falta de mulheres. Ele, o rei, tinha nada menos que sete mulheres e dez concubinas. O que derrotou Davi foi a falta de oração. Enquanto o exército de Israel lutava, ele passeava no terraço do palácio, ocioso. Deveria, ao levantar-se do repouso merecido, ter ido orar pelo seu povo, pelos solda­ dos, que expunham a sua vida, defendendo o reino. M as não o fez. Não orou. Não vigiou (2 Sm 12.7-14). Deixou-se levar pela concupiscência da carne, e da indução do Diabo para cometer atos tão vis, que se tor­ naram símbolo da falta de honradez e dignidade para um homem que fora chamado de “homem segundo o coração de Deus”, na inferência do texto em que Deus reprova Saul, por sua desobediência e promete levantar um sucessor que seria do seu agrado (1 Sm 13.14). Orar é tão necessário quanto comer, tomar água, repousar e exercitar o corpo. Orar é o respirar da alma. Se uma pessoa passar mais de três minutos sem respirar, seu cérebro sofrerá lesões que podem ser irreversí­ 76


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veis, e até morrer. Sem oração, certamente, advirão “lesões” espirituais que podem levar à morte. Ninguém consegue vencer as tentações, os ataques malignos contra a vida, o lar, o ministério, o casamento, sem oração. b) V igiar sem pre. Se a oração é o respirar da alma para não mor­ rer, a vigilância são “as câmeras de segurança” em torno da vida cristã. Além de grades de proteção, as pessoas instalam câmeras de segurança e cercas elétricas em torno de suas residências para evitar a ação dos marginais, que vivem à procura de assaltar os bens alheios. Tais aparatos não impedem, mas podem evitar muitas ações de meliantes. Na vida espiritual, a vigilância é indispensável. Sem a vigilância, a oração pode perder seus efeitos benéficos, pois surpresas e “ciladas do diabo” podem ocorrer a qualquer momento, quando menos se espera. Num quartel do Exército, onde tivemos oportunidade de servir, havia uma frase: “A eterna vigilância é o preço da liberdade!” Na vida cristã, é a mesma coisa. Para evitar cair nas garras do Diabo e ser presa da prática do adultério, é indispensável vigiar sempre. 2. E stratégias hum anas O lado humano da vida é tão importante quanto o espiritual. Não adianta somente orar e vigiar. Se não houver ações, gestos e atitudes hu­ manas, necessárias para um bom relacionamento conjugal, o fracasso do matrimônio poderá ocorrer. São recomendações simples, mas indispen­ sáveis para uma verdadeira harmonia conjugal, que representa baluartes contra a infidelidade sorrateira, que é usada pelo M aligno para destruir casamentos, lares e famílias. a) H onrando a esposa (1 P e3 .7 ). Há esposos que se envergonham de suas esposas. Às vezes, por causa das marcas do tempo em suas mulhe­ res, quando perdem a graça da juventude, há homens que deixam de se interessar por suas esposas; isso é brecha para o Adversário penetrar no relacionamento. Honrar a esposa, dando-lhe o apreço e o respeito ne­ cessário, é fator decisivo para uma vida conjugal ajustada e gratificante. O mesmo aplica-se às mulheres cristãs. A Bíblia diz que a mulher deve reverenciar seu marido (E f 5.33). b) Z elando p e lo casam ento. Os dois devem ter certos cuidados. Usar sempre sua aliança no ambiente de trabalho; evitar envolvimento emo­ cional com estranhos, e ter coisas que lembrem sua esposa e filhos, 77


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como fotos. Evitar envolvimento com pessoas da igreja, que possa cau­ sar prejuízo ao ministério e ao casamento. No aconselhamento, no caso de obreiros, ter muito cuidado para não envolver-se com mulheres que estão em dificuldade matrimonial. Vários obreiros já caíram, por não terem vigiado nessa parte. c) União com a esposa (1 Co 1.10). Essa união deve ser, não só espi­ ritual, mas amorosa, afetiva; o esposo deve, não só amar sua esposa, mas saber demonstrar esse amor através de afeto, carinho, palavras (C t 4.1,0; Pv 31.29); e investir na intimidade com a esposa, não só com palavras, mas de modo concreto, com gestos, abraços, carícias (1 Jo 3.18; 1 Pe 3.8). E preciso manter o namoro no casamento. O amor deve ser o elo principal no relacionamento entre o marido e sua esposa, e vice-versa. Se não houver amor, tudo pode desabar. Esse amor deve ser dominado pelo amor “ágape” (cf. 1 Co 13). d) C uidar da p a r te sex ual (1 Co 7.3,5). Cuidar dessa parte do m atri­ mônio é importante para o equilíbrio espiritual, emocional e físico do marido e sua esposa. Quando o casal não vive bem nessa parte, o Diabo procura prejudicar o relacionamento, a fim de destruir o ministério e a família. O Inimigo tem trabalhado de modo constante para levar o ma­ rido ou a esposa a pecar nessa área. Ministérios têm sido destruídos por causa da infidelidade conjugal de muitos ministros pelo mundo afora.

IV - FUGIR DAS TENTAÇÕES O cristão, por mais que se considere santo, não está imune às ten­ tações. Jesus em tudo foi tentado, mas não pecou (Hb 4.15). Se Jesus foi tentado, Davi foi tentado (e caiu vergonhosamente), Sansão foi tentado, Salomão foi tentado; o crente, nos dias presentes, não pode achar que está livre de cair em tentação. Alguns conselhos práticos podem resguardar o servo ou a serva de Deus, da vergonha da queda, e da destruição de seu ministério, do seu casamento, e da sua honra. Como escapar das tentações: 1. V igiando e oran do. A “c u m e é fraca...” (M t 26.41). O cristão deve viver em oração, em comunhão permanente com o Senhor. E isso é possível. Todos os dias, desde o início da jornada, começar com oração. O cristão deve orar diariamente, passando tempo significativo na pre­ sença de Deus.

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2. R esistin d o ao D iabo. O inimigo sabe que a área sexual e senti­ mental é um ponto sensível (e fraco) para muitas pessoas, notadamente os jovens. Ele ataca muito nessa área. M as é possível resistir e vencer (1 Pe 5.8,9; T g 4.7). Exemplo notável é o de José na casa de Potifar. Resis­ tiu e venceu, ainda que tenha pagado um preço terrível. Ao final, Deus o recompensou de modo glorioso. 3. F u gin do dos desejos ilícitos (2 Tm 2.22. P v 3.7; 22.3). Os esposos mais jovens são mais visados pelas tentações do sexo; o Diabo aproveita-se dos problemas do casal para investir na infidelidade. Todavia, os de mais idade não estão imunes a pensamentos pecaminosos. A bata­ lha contra as tentações está na mente, nas emoções, nos sentimentos; é preciso guardar o coração (a mente — Pv 4.32); o pensamento deve ser levado cativo (2 Co 10.5) e precisamos renovar o nosso entendimento (Rm 12.1-3). 4. R econhecendo que D eus é dono do nosso corpo (1 Co 6.20). Só devemos usá-lo (seus membros) de acordo com a vontade do Dono. Um dia, presta­ remos contas ao Dono do corpo daquilo que fizemos com sua propriedade. 5. C on scien tiz a n d o-se d e que o corpo é tem plo do E spírito Santo (1 Co 6.19). Ê a dimensão espiritual do corpo. Não podemos profanar, sujar, manchar ou degradar o templo de Deus; há quem ensine que, nas quatro paredes do quarto do casal, podem fazer o que quiser. Isso é um ensi­ no irresponsável, pois só podemos fazer com o corpo o que agrada ao Espírito Santo. O sexo pode e deve ser desfrutado pelo casal, mas este deve lembrar-se de que devemos glorificar a Deus em nosso espírito, em nossa alma e no nosso corpo. 6. B uscando a santijicação. E o processo contínuo, diuturno, e cons­ tante, pelo qual uma pessoa se torna santa. Sem santificação, jamais alguém, homem ou mulher, congregado, membro ou obreiro, verá ao Senhor (Hb 12.14). E a separação da vida e do ser integral, da mente e do corpo em consagração para Deus (1 Pe. 1.15; 1 Ts 4.3-7). 7. O cupando a m en te com as coisas espiritu ais. Alguém já disse que “mente vazia é oficina do Diabo”. Faz sentido. Quando o cristão pro­ cura ocupar sua mente, com a oração, leitura da Bíblia e de bons livros; quando pratica o jejum , como reforço à oração, servindo ao Senhor, dificilmente vive pecando. Quando o obreiro cristão se desenvolve no 79


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ministério, preparando estudos, mensagens, sermões para alimentar a igreja local, envolve-se na evangelização, louvando, participando da obra do Senhor e ocupa a mente com o padrão requerido por Deus, é mais difícil cair (ver Fp 4.8,9). 8. E vita n d o o uso da tecn o lo g ia a s e r v iç o do m al. A televisão é uma invenção extraordinária. Por ela, mensagens edificantes podem chegar a muitas pessoas. Um pregador pode alcançar milhões de telespec­ tadores. M as, por ela, o Diabo pode entrar nos lares e nas mentes de servos e servas de Deus. Pesquisas mostram que onde chega o sinal de determinadas emissoras, com a transmissão de novelas, o número de separações de casais aumenta. Não é por acaso. Certas programações, na T V secular, são fruto do plano do Diabo para destruir a moral, os bons costumes, o lar e o casamento. Por isso, diz a Bíblia: “Não porei coisa má diante de meus olhos” (SI 101.3). Pior que a T V é a internet, quando usada para o pecado. M uitos casais estão prejudicados em seu casamento, por causa do vício de um cônjuge, que se deixa escravizar pelos contatos virtuais ilícitos. H á cristãos viciados em sexo virtual, em pornografia e relacionamentos com pessoas estranhas, o que equivale a adultério, segundo ensino de Jesus (M t 5.28). Assim, o cristão deve evitar a T V e a Internet imorais, as revistas pornográficas, as novelas, cujo enredo é demonismo e sexo explícito, traição, violência, inversão de valores, desrespeito a Deus. Pergunta: Será que Jesus está ao lado de uma irmã, ou irmão, quando está assistindo à novela? Ou quando está diante da internet, acessando sites pornográficos? 9. O cupando a m en te e o corpo com a tivid a d es lícitas. Quando o cris­ tão ocupa-se com trabalho (mente desocupada é oficina do Diabo), exercícios físicos moderados e saudáveis, de acordo com sua idade são muito úteis à saúde (2T s 3.10,11; 1 Tm 4.8).

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7 O DIVÓRCIO E SUAS CONSEQUÊNCIAS “Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo p or causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério” (M t 19.9).

divórcio é permitido por Cristo como uma exceção, ante à práti­ ca da infidelidade, que quebra a aliança matrimonial. O tema do divórcio talvez seja um dos mais discutidos e pouco resolvidos no meio das igrejas evangélicas. De um lado, há os que não o aceitam em qualquer hipótese, entendendo a indissolubilidade do casamento de modo radical. Por outro lado, há os que o aceitam, sob determinadas circunstâncias, buscando base para tal entendimento na Bíblia Sagrada, como regra de fé e prática. E há os que são liberais, admitindo o divórcio em qualquer situação.

I - O QUE É O DIVÓRCIO O divórcio é o rompimento da aliança, celebrada diante de Deus, perante um ministro, ou autoridade eclesiástica ou diante da sociedade, representada pela autoridade civil, encarregada de oficiar o casamento. Na prática, é a expressão marcante da falta de amor, de entendimento, de união e de fidelidade conjugal. Todo divórcio deixa marcas profundas nos que são alcançados por essa medida de caráter radical. Os que mais


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sofrem são os filhos, que não entendem porque seus pais não conseguem viver juntos, em amor, cuidando da missão de zelar pelo lar e pela fam ília.

1 1 - 0 QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE O DIVÓRCIO 1. O d iv ó rcio no A ntigo T estam ento No contexto histórico e cultural do Antigo Testamento, a sociedade era patriarcal por excelência. O homem tinha a hegemonia em tudo, desde o governo, a liderança, e a preeminência absoluta, no lar, no casa­ mento, e nas decisões mais importantes da vida social. Dessa forma, o divórcio era um direito e um privilégio do homem. A mulher repudiada pelo homem não era bem vista pela comunidade. M as tinha o direito de obter um documento oficial, chamado de “Carta de Divórcio”, ou de repúdio, que lhe dava a faculdade de contrair novas núpcias. Assim, resumimos a seguir a questão do divórcio no Antigo Testamento. Jesus aboliu esse privilégio, pois, em sua lei, não pode haver acepção de pes­ soas (Rm 2.11; T g 2.1). a) O divórcio por qualquer motivo. No Pentateuco, encontramos as informações mais claras sobre a questão do divórcio. No livro de Deuteronômio, lemos que: “Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, então, será que, se não achar gra ça em seus olhos, por nela achar coisa f e i a , ele lhe fará escrito de repúdio, e lho dará na sua mão, e a despedirá da sua casa” (Dt 24.1 — grifo nosso). O texto nos demonstra que o homem tinha o direito de repudiar sua mulher por motivos bem subjetivos. Sem explicação clara, o homem, depois de casado, podia “não achar graça” na mulher. E ver nela “coisa f e i a ”. Que “coisa feia” seria essa? O texto bíblico não esclarece. M as a resposta está no Talmude (coletânea de interpretações da lei pelos ra­ binos), que explica que “coisa feia” era o homem ver qualquer coisa, na mulher, que não lhe agradava. Por exemplo: se elas queimavam o pão, ou não temperavam a comida adequadamente, ou se não gostavam de suas maneiras, ou se não era boa dona de casa; se ela estragava um prato ao prepará-lo; e até se encontrasse outra mais bela que ela (Josefo, citado por Duty, p. 20). Ou, ainda, se usasse cabelos soltos, se andasse pelas ruas sem motivo, se falasse com homens que não fossem seus familiares, se maltratasse os pais do esposo, se gritasse com os maridos de maneira que os ouvintes o ouvissem, etc. (Da Silva, p. 28). 82


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b) A carta d e divórcio. Era um documento legal, fornecido à mulher repudiada, a qual ficava livre para casar de novo. Chamava-se de “carta de liberdade” — “documento de emancipação” — que lhe dava direito a novo casamento (Duty, p. 29,30). A carta de divórcio ou de repúdio deveria ser dada em presença de duas testemunhas, e as partes estariam livres para um novo matri­ mônio. Aliás, o divórcio só tinha sentido se houvesse em vista um novo casamento. Se assim não fosse, por que motivo a mulher receberia carta de divórcio? Seria simplesmente abandonada. Note-se, também, que a mulher não tinha direito de pedir divórcio. Era privilégio do homem. Este poderia escolher com quem viver, inclusive possuindo mais de uma mulher, além de ter concubinas a seu dispor. 2. O d iv ó rcio no p erío d o in terb íb lico Entre os judeus, havia duas escolas importantes, que ditavam as normas de comportamento para a sociedade. Essas normas existiam no tempo de Jesus. a) A escola d e Sham m ai. Este rabino tinha uma interpretação radical de Deuteronômio 24.1. Segundo seu entendimento, a carta de divórcio só podia ser dada à mulher em caso de fornicação ou de infidelida­ de conjugal. De certa forma, era uma evolução do pensamento judaico, pois uma leitura cuidadosa de Deuteronômio 24.1 dá a entender que a mulher só podia ser despedida se o homem achasse nela “coisa feia”, ou “coisa indecente”, sem que isso fosse a prática de infidelidade ou prostituição, visto que às mulheres infiéis só restava a pena de morte (cf. Lv 20.10; Dt 22.20-22). M as a visão de Shammai era bem aceita por grande parte dos intérpretes da Lei. Veremos que Jesus corroborou esse pensamento, quando doutrinou sobre o assunto. b) A escola d e H illel. Este era um rabino de visão liberal, e favorecia a posição do homem em relação à mulher. Para ele, o homem pode­ ria deixar sua mulher, divorciando-se dela, “por qualquer motivo”, por qualquer “coisa feia”, ou “coisa indecente”. Tais coisas seriam as que já enumeramos antes: andar de cabelos soltos, falar com homens que não fossem seus parentes, maltratar os sogros, falar muito alto etc. Assim, o homem podia divorciar-se a seu bel-prazer. Com isso, o divórcio, ao invés de proteger a mulher, dando-lhe di­ reito a uma nova oportunidade de constituir um lar, fez dela uma vítima 83


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em potencial dos caprichos machistas da época. Segundo o Dr. Alfred Edersheim, citado por Da Silva (p. 30), a mulher podia, “como exceção, divorciar-se, no caso de ser o marido leproso ou trabalhar em serviço sujo, por exemplo, em curtume ou em caldeira, e também no caso de apostasia religiosa, caso abraçasse uma religião herética”. Esse último conceito não tem base veterotestamentária. Era uma evolução da lei judaica.1 O divórcio não faz parte dos planos de Deus. Assim como a poli­ gamia, no Antigo Testamento, que Ele permitiu ou melhor, tolerou. Há casos em que é impossível manter um relacionamento conjugal. Se o es­ poso espanca a esposa; se ele vive traindo sua mulher; se ela vive na prá­ tica de adultério; se um ou outro entra pelo caminho do homossexualis­ mo; tais práticas são tão abomináveis, que desfazem o vínculo conjugal, e, na permissibilidade de Cristo, Ele admite o divórcio. Não como regra, mas como exceção, como um “remédio amargo” para um mal maior. Se não fosse assim, um servo ou uma serva de Deus seriam atingidos duas vezes: uma pelo Diabo, que destrói relacionamentos; e, outra, pela igreja local, que condenaria uma vítima a passar o resto da vida em companhia de um ímpio, ou viver sob o jugo do celibato, que não faz parte dos planos de Deus. Disse o Senhor, o Criador: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2.18). M as graças a Deus que não é assim. O evangelho de Cristo é sábio, justo e bom. Jesus não incentiva nem aprova o divórcio, mas o permite como um meio de reparar um dano moral de consequências drásticas, como um direito ao cônjuge que permanece fiel a Deus e ao casamento. Viver solteiro pode ser op­ ção, mas não um estado que foi planejado por Deus. No final do texto em que Jesus responde aos fariseus, seus discípulos ficaram estarrecidos. “Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem rela­ tivamente à mulher, não convém casar” (M t 19.10). Ficaram chocados com o ensino de Jesus, que só admite divórcio e novo casamento, no caso de infidelidade. Eles que viviam numa sociedade patriarcal e machista, estavam acostumados a ver o divórcio “por qualquer motivo”. 3. O d iv ó rcio n a visã o p a u lin a O apóstolo Paulo enfrentou alguns dos maiores questionamentos que perturbaram a igreja cristã nos seus primórdios. Um deles, sem som­ bra de dúvidas, foi a questão do divórcio. E ele soube posicionar-se com 1 Elinaldo Renovato de Lima. Etica cristã, p. 110.

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elevado discernimento espiritual, sob a direção divina. Interpretando a doutrina de Cristo sobre o divórcio, o apóstolo dos gentios apresentou sérias argumentações doutrinárias a respeito do assunto.2 a) Aos casais cren tes — “aos casados” (1 Co 7.10). Esta passagem refere-se aos “casais crentes”, os quais não devem divorciar-se. Essa é a “regra geral”. Se não houver algum dos motivos permissivos (M t 19.9 e 1 Co 7.15), não há qualquer justificativa para o casal crente se divor­ ciar. Sabemos que há cristãos que são, na prática, “discípulos” de H illel, que querem o divórcio “por qualquer motivo”. Se há desentendimentos, incompatibilidade de gênio, ou se a esposa ficou feia (ou o marido), o ca­ minho não é o divórcio, mas a reconciliação com o perdão sincero, ou o celibato, caso sejam esgotados todos os recursos para a vida em comum. Não vemos, na Bíblia, qualquer razão que justifique o divórcio para os casais cristãos, quando não há as exceções previstas na Palavra de Deus.3 b) Aos casais m istos — “aos ou tros” (1 Co 7.12,13). “M as, aos outros, digo eu, não o Senhor: se algum irmão tem mulher descrente, e ela con­ sente em habitar com ele, não a deixe. E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe”. Valorizando a família, a Palavra de Deus reconhece a união de um cônjuge que aceita a Cristo, e a esposa (ou o esposo) continua na incredulidade, ou de um fiel, cujo cônjuge se desvia. Entretanto, no caso de o cônjuge descrente (ou desviado) quiser abandonar o crente fiel, pedindo divórcio, não pode ficar “sujeito à servidão”, ou seja, sob o jugo de um casamento insupor­ tável. H á casos em que o descrente é prostituído, com risco de levar doenças para a esposa; ou é beberrão contumaz, ou que espanca a esposa, proibindo-a de ser crente, etc. O crente não deve tomar a iniciativa do divórcio. Deve deixar que o descrente o faça: “Mas, se o descrente se apar­

tar, aparte-se;porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz ” (v. 15). Entendimento semelhante tem Da Silva,4 considerando este últi­ mo caso a “exceção paulina”, segundo a qual “numa situação dessa nem o irmão nem a irmã está sujeito à servidão. Houve a dissolução do vínculo matrimonial. O cônjuge crente, portanto, está livre para se casar com quem quiser, desde que ‘seja no Senhor” (cf. 1 Co 7.39). 2 Elinaldo Renovato de Lima. Ética cristã , p. 85. 3 Ibid.,p. 117. 4 Esequias Soares, p. 48,49.

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Em nenhum momento, neste capítulo, desejamos incentivar o di­ vórcio. O casamento deve ser realizado dentro de uma perspectiva para toda a vida, até que a morte separe o casal. Entretanto, a vida conjugal é complexa, e podem surgir casos em que a convivência torna-se insu­ portável. As exceções, na Bíblia, são prova do amor de Deus para com os que permanecem fiéis aos seus princípios para o casamento, não os condenando a uma vida inteira sob o jugo de uma penosa servidão a um infiel, desviado ou incrédulo.

III - CAUSAS DO DIVÓRCIO As causas do divórcio são semelhantes às do adultério. H á aspec­ tos específicos a serem considerados, mas, quando um casal não consegue mais viver a aliança conjugal, certamente, é porque um ou os dois deixam de cumprir as orientações da Palavra de Deus para o matrimônio. 1. D e ordem esp iritu a l a) Falta do a m or d e D eus. A Bíblia, a Palavra de Deus, é o manual do casamento feliz. O apóstolo Paulo, inspirado por Deus, exortou os casais sobre como viver bem, no matrimônio, cumprindo a vontade daquEle que criou o casamento, na origem de todas as coisas. Um casamento, na visão de Deus, só pode tornar-se duradouro, se o casal observar os princípios do seu manual, que é a Bíblia. Em primeiro lugar, deve exis­ tir, nos corações, o amor de Deus. Este amor deve estar arraigado em nossos corações (Rm 5.5b). Quando a pessoa ama a Deus, o respeita e o obedece (SI 128.1), tem prazer na lei do Senhor (SI 1). O amor de Deus, preenchendo o coração dos cônjuges é fundamental para que a aliança do matrimônio seja forte e duradoura. Sem esse amor, dominando a vida a dois, é impossível ter um casamento feliz. O Diabo encontra brechas para semear a falta de interesse de um pelo outro, de insatisfação, e de infidelidade, que pode levar ao divórcio. b) Falta de rela cion a m en to do casa l com D eus. Como foi dito sobre a infidelidade, quando o esposo e a esposa cultivam o relacionamento com Deus em seu lar, dando tempo para atividades simples, no aspecto espiritual, a tendência é que o casamento seja fortalecido e sua fam ília edificada. E no lar que deve ter início o culto a Deus. Quando o casal cultiva o relacionamento espiritual com Deus, no seio da família, está 86


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edificando sua casa sobre a Rocha (M t 7.24,25). Sem um relacionamen­ to constante com Deus, o Adversário encontra oportunidade para lançar as sementes dos dissabores e levar ao divórcio. 2. D e ordem com p orta m en ta l a) Falta d e com unicação en tre m arido e m ulher. Uma das causas da in­ satisfação no relacionamento entre os esposos, é a falta de comunicação. Vivemos num mundo em que as informações e as imagens estão à dispo­ sição de todos como nunca. A comunicação significativa é indispensável para que um casal viva feliz. Essa comunicação pode ser através de pala­ vras, de gestos e toques significativos. Um esposo disse, num seminário para casais, que fazia mais de dez anos que não beijava sua esposa. É uma falha tremenda. Abraçar, beijar, tocar com carinho no outro é uma forma de comunicação agradável, além da conversa e do diálogo que constroem laços fortalecidos na união conjugal. A falta dessa comunicação pode contribuir para o divórcio. Fora do lar, há espaço para comunicações, muitas vezes ilícitas, sedutoras e destruidoras do casamento. b) Falta d e tem po p a ra o côn ju ge. A vida moderna exige o afastamento do casal por um longo período de tempo, durante o dia, para as atividades profissionais, que cada um escolhe, sejam por opção, ou por necessidade. E a desculpa para a falta de tempo é muito comum. M as quando um não tem tempo para o outro, as forças do mal convencem que há tempo para relacionamentos estranhos, que podem começar com um olhar, uma conversa, um encontro, e por fim o adultério. Essa trama já é conhecida. O final não é feliz, pois resulta na destruição do casamento, através do divórcio. Dizer que não há tempo de um cônjuge para o outro é desculpa esfarrapada. Quando um cônjuge dá mais tempo para o trabalho, para a igreja, para os amigos ou atividades pessoais, esquecendo o outro, abre brechas para o desencanto no relacionamento, e indução maligna para a separação. c) T ratam ento grosseiro. O casal deve exercitar o tratamento cortês e respeitoso. Quanto existe tratamento grosseiro, com agressões verbais, vez por outra ou constantemente, o relacionamento torna-se desagradá­ vel e até insuportável, abrindo espaço para os pensamentos de separação. O mandamento bíblico de amar a esposa como Cristo ama a Igreja deve ser respeitado às últimas consequências. Am ar sempre. Agredir nunca. 87


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d) In satisfação a fetiv a e sexual. O sexo não depende do afeto. Pode ser realizado por puro instinto biológico. M as o afeto e o carinho são fatores que tornam a união entre o casal e a relação sexual plenamente satisfatória. E demonstração de amor entre o casal. A Bíblia exorta a que os casais tenham satisfação nessa parte (1 Co 7.3-7). A linguagem , no texto, pode ser atualizada de forma mais clara: o marido deve procurar satisfazer à sua esposa na sua necessidade sexual, e a mulher deve fazer o mesmo em relação ao esposo. E mostra que é um dever conjugal, sob pena de um defraudar o outro nessa parte, levando-os ao risco de serem tentados pelo Diabo. Quando existe essa falta de atenção, a insatisfação pode ser usada como motivo para a separação.

IV - CONSEQUÊNCIAS DO DIVÓRCIO 1. I n co n v en iên cia s sociais H á sérios inconvenientes, resultantes do divórcio, tanto para os cônjuges separados, e mais ainda para seus filhos. M as a igreja local deve ser uma comunidade terapêutica e deve tratar cada caso com a graça e a sabedoria dada pelo autor do casamento. H á inconveniên­ cias sociais, no âmbito da igreja local já que um divorciado não deve frequentar a mesma congregação do outro cônjuge, para evitar cons­ trangimentos. Se o divorciado é obreiro, a situação é mais difícil. Se ele for o causador do problema, deve ser tratado com mais rigor que um mem­ bro da igreja; se ele for a vítim a da infidelidade, precisa ser apoiado em termos espirituais, emocionais e também m inisteriais. Não é justo que perca o seu ministério pelo fato de ser vítim a de uma tragédia em seu casamento. Se o divórcio ocorreu antes de o cônjuge ser crente, não se pode tratar da mesma maneira que um divórcio ocorrido no tempo de conversão. São vários casos a serem considerados. M as não se ju sti­ fica um legalism o cruel que trata a todos da mesma forma, vítim a e causador do problema. Deus é sábio, longânim o e grande em m ise­ ricórdia. Ele condena o pecado, mas perm ite ou tolera situações que visam salvar o ser humano em sua condição instável, enquanto viver na terra. 88


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2. O assassinato do a m or Quando um casal chega ao ponto de concluir que a separação é a única saída, é porque o amor foi destruído e enterrado na vala do egoís­ mo, do individualismo e da prática do que não agrada a Deus. Está sen­ do comum, em muitas ocasiões, uma esposa cristã dizer para o esposo que não sente mais nada por ele, e que a solução é o divórcio. M uitos cristãos, que optam pelo divórcio, muitas vezes já estão en­ volvidos, primeiro, emocionalmente, e, depois, fisicamente com pessoas estranhas. Imaginam que, adulterando, serão mais felizes. É impossível ser feliz sem a presença de Deus. Pode haver uma ilusão de felicidade, mas a realidade é outra. O que adultera deve ter consciência de que o envolvimento com a adúltera tem triste fim (Pv 5.4,5). 3. A fru stra çã o d osfilh o s Quando o casal tem filhos e são muito pequenos, estes não perce­ bem tanto o drama da separação dos pais. Porém, quando já entendem o bem e o mal, percebem que seus pais não estão bem no relacionamento conjugal. E começam a indagar, em sua mente em formação, o que es­ tará acontecendo. Não demora muito, e a realidade começa a se delinear diante deles e ficam chocados com a situação dos pais. Estes procuram conscientizar as crianças ou adolescentes, de que é melhor o pai e a mãe se separarem. No coração dos filhos, essa é a pior decisão de suas vidas. Eles veem nos pais o exemplo de fé, de união e de amor. E quando veem o pai ou a mãe, saindo pela porta da frente, e se mudando para outro domicílio, ou a “casa dos pais”, reagem de diversas maneiras. Uns entram em depressão; outros são consumidos pela revol­ ta, às vezes contra Deus, por permitir que tal desgraça aconteça em sua família. Outros procuram fugas psicológicas, para esquecer a separação dos pais. Não são poucos os que, vendo que os pais se separam, envere­ dam pela vida do vício, da delinquência, da prostituição e até do homos­ sexualismo, como forma de afrontar os progenitores.

V - COMO EVITAR O DIVÓRCIO 1. Na área esp iritu a l O casamento, assim como a família, é uma instituição muito ataca­ da pelo Maligno. O Diabo não quer ver nenhum casal unido e feliz. Pro­ move os vendavais de insatisfação, de desentendimento, de tristeza e de 89


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falta de amor. Se a casa não estiver edificada sobre a Rocha, que é Jesus, não pode resistir às intempéries da vida, às forças do mal que combatem contra o lar. Desse modo, torna-se indispensável agir no lado espiritual. As causas prováveis para o divórcio podem ser evitadas com a ação espiritual em favor do casamento. A boa união entre o casal só se firma se os dois unirem-se diante de Deus em contínua oração. O Inimigo “adora” quando vê o marido assistindo à TV, horas a fio, ou gasta muito tempo na internet, e não se interessa pela oração; e também, quando a esposa prefere ocupar o tempo vendo novelas, filmes e outros programas que não edificam a vida espiritual. Porém, quando os dois, marido e mulher, fazem o propósito e o cumprem, de orar todos os dias por si, por seus filhos e por seu casamen­ to, as brechas são fechadas, de modo que o Adversário não pode ter êxito em seu intentos destruidores do casamento. 2. Na área hu m a n a O lado espiritual do casamento só se fortalece, se, no lado huma­ no, houver interesse e dedicação de um cônjuge pelo outro. O amor é fundamental. Sua demonstração é indispensável, com palavras e gestos. O respeito mútuo e o companheirismo sincero fortalecem os laços do casamento. “E, se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resis­ tirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa” (Ec 4.12). Quando um cônjuge é firme em sua fé e no amor fiel, quando o Diabo vem contra ele, o outro, amante e amigo, se une para, juntos defenderem seu casamento. O cordão de três dobras pode muito bem representar o casal (os dois) e a família, em união diante de Deus. Essa união não se quebra, a não ser quando a morte os separar.

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“In stru i o m en in o no cam inho em que d e v e andar, e, a té quando envelhecer, não se desvia rá d ele” (Pv 22.6).

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/ \ educação com base nos princípios bíblicos fortalece o caráter e desenvolve a cidadania cristã. Em tempos mais antigos, a educação co­ meçava no lar, e se fortalecia no meio da família. H á algumas décadas, os pais em geral eram os principais educadores da família. Com o passar dos séculos, a educação formal passou a utilizar-se das instituições educacio­ nais para desenvolver o processo educativo. Foi um avanço, sem dúvida. A educação na família deixava a desejar em termos de conteúdo, embora fosse eficaz na formação do caráter, na maioria dos lares. Quando os pais eram os educadores da família, os filhos, verdadei­ ros alunos, na escola da vida, procuravam adotar o comportamento espe­ rado pelos seus genitores. Lembro-me do tempo em que um adolescen­ te levantava-se para ceder o lugar a um ancião, em qualquer ambiente, no lar, no transporte, nas repartições, etc. Hoje, esses gestos de civismo parecem estar esquecidos, ou nunca foram valorizados. Para que idosos tenham prioridade, foi necessária a intervenção da lei, concedendo-lhes o direito ao atendimento nos diversos lugares. A educação formal, desenvolvida nas instituições educacionais, uti­ lizando conteúdos programáticos e currículos elaborados tecnicamente, amplia o leque de conhecimentos a serem apreendidos pelo alunado. M as, infelizmente, grande parte das escolas não transmite educação. Certo autor escreveu: “Perdi minha educação, quando entrei na escola”.


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Parece exagero, mas a experiência comum confirma que, na escola, os valores morais e éticos são desprezados. Esse é o tipo de ensino que des­ preza os princípios da Palavra de Deus. A educação a que nos referimos, neste estudo, não é a educação se­ cular simplesmente. M as a educação cristã, fundada nos sagrados prin­ cípios, que emanam da palavra de Deus. Esses princípios são, antes de tudo, espirituais. Contemplam e valorizam a existência do Criador de todas as coisas, conforme a explicação da sua palavra. Esses princípios são “cláusulas pétreas”, em termos absolutos de ética e de moral. Na educação cristã, o aluno deve ser instruído nos fundamentos espirituais e morais, cuja fonte é a Palavra de Deus.

I - CONCEITOS IMPORTANTES 1. O q ue é educação “A Educação não é mais do que o desenvolvimento consciente e li­ vre das faculdades inatas do homem” (Sciacca); “a Educação é o processo externo de adaptação do ser humano, física e mentalmente desenvolvi­ do, livre e consciente, a Deus, tal como se manifesta no meio intelectual, emocional e volitivo do homem” (Herman Horse); “E toda a espécie de formação que surge da influência espiritual” (Krieck, p. 6 2 ,6 3 ).1 “Ação e efeito de educar, de desenvolver as faculdades físicas, intelec­ tuais e morais da criança e, em geral, do ser humano; disciplinamento, ins­ trução, ensino” (D icionário Contemporâneo da L íngua Portuguesa, Caldas Aulete)”. “Ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações jovens para adaptá-las à vida social; trabalho sistematizado, seletivo, orientador, pelo qual nos ajustamos à vida, de acordo com as necessidades ideais e propósitos dominantes; ato ou efeito de educar; aperfeiçoamento inte­ gral de todas as faculdades humanas, polidez, cortesia” {Pequeno D icionário Brasileiro de L íngua Portuguesa, Aurélio Buarque de Holanda)”. Há muitas definições de educação. Pode-se dizer que educação é um processo que integra o ensino e a aprendizagem, com vistas à for­ mação de indivíduos com personalidade capaz de desenvolver-se e aperfeiçoar-se para a vida. E diferente de instrução, de treinamento ou adestramento. A educação verdadeira prepara cidadãos conscientes para exercerem papel construtivo na sociedade. 1 BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação, p. 17.

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“Podemos dizer que a educação é um processo contínuo de de­ senvolvimento e aperfeiçoamento da vida”;2 Gregory vê dois conceitos de educação: “Primeiro, o desenvolvimento das capacidades; segundo, a aquisição de experiência”. “E a arte de exercitar e a arte de ensinar”. Com isso, o resultado esperado é “uma personalidade bem desenvolvida física, intelectual e moralmente, com recursos tais que tornem a vida útil e feliz, e habilitem o indivíduo a continuar aprendendo através de todas as atividades da vida”.3 2. E ducação cristã Na igreja cristã, há um espaço especial para a Educação Cristã. Esta é o processo de ensino-aprendizagem proporcionado por Deus, através de sua Palavra, pelo poder do Espírito Santo, transmitindo valores e princípios divinos. E diferente da educação secular, que só transmite instruções e conhecimentos, deixando de lado os valores éticos, morais e espirituais. Por isso, a base da Educação Cristã é a Bíblia Sagrada.

II - A EDUCAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO 1. Sob a ég id e da teocracia No Antigo Testamento, os pais viviam sob a Teocracia, ou sob o governo de Deus sobre o povo. Todas as normas ou doutrinas, de caráter espiritual, moral, social, educacional ou familiar, emanavam da Lei de Deus. Os pais não tinham grandes desafios no relacionamento com os filhos, pois os mesmos, desde o berço, eram criados segundo os manda­ mentos, os juízos e os estatutos de Deus (Dt 5.31). 2. O en sin o a osfilh o s no la r Os filhos dos judeus aprendiam e absorviam o shem a, ou o credo, que resumia o princípio fundamental de sua fé: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder” (Dt 6.4,5). Esse ensino fazia parte do dia a dia das crianças judaicas. Uma grande lição para a educação cristã nos dias presentes (Dt 11.18-21).

2 EETAD. A educação cristã, p. 6. 3 GREGORY, John Milton. As sete leis do ensino, pp. 11,12.

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3. Os cu idados n a educação dos filh o s Aos 12 anos, os meninos passavam pela cerimônia do “Bar Mitzvah”, quando já deveriam saber de cor os pontos mais importantes da lei. A sinagoga era templo e era escola também. Segundo Halph Gower, “Era responsabilidade da mãe educar tanto os filhos como as filhas durante os três primeiros anos (provavelmente até o desmame). Ela ensinava às fi­ lhas os deveres domésticos durante toda a infância delas. A partir dos três anos de idade, os meninos aprendiam a lei com o pai, e os pais também ficavam responsáveis por ensinar um ofício aos filhos. Um rabino disse certa vez: ‘O pai que não ensina ao filho um ofício útil está educando-o para ser ladrão”.4 4. L ições p a ra os dias p resen tes Nesse contexto de educação no lar, pode-se entender que os pais eram bem presentes na vida dos filhos. Estamos escrevendo sobre edu­ cação no século XXI, onde a educação é institucionalizada, seguindo um sistema oficial de ensino. M as a educação no Antigo Testamento nos dá sugestões válidas para hoje, principalmente para a família cristã. O en­ sino da palavra de Deus no lar, a educação constante, como em Deuteronômio 11.18-21 é a única esperança para termos uma família firmada nos princípios da Lei do Senhor. Os pais presentes na vida dos filhos é fator indispensável para a formação do caráter cristão. Confiar apenas na escola secular é entregar os filhos a um sistema que está totalmente contaminado com as doutrinas materialistas.

00! - A EDUCAÇÃO NO NOVO TESTAMENTO 1. A educação era in teg r a l Nas poucas referência sobre o tema, vemos o exemplo da educação do menino Jesus. D iz a Bíblia: “E o m en in o crescia e se fo r t a l e c i a em es p í­ rito, ch eio d e sa b ed o ria ; e a g r a ç a d e D eu s e s ta v a so b re ele. “E crescia J e s u s em sa b ed o ria , e em esta tu ra e em g r a ç a p a r a co m D eu s e os h o m e n s ” (Lc 2.40, 52). Esses textos nos falam da educação espiritual (“em espírito”), no co­ nhecimento de Deus e intelectual (“cheio e sabedoria”), no crescimento físico (“em estatura”), e no crescimento espiritual e social (“em graça para com Deus e os homens”).

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4 Ralph GOWER. Usos e costumes dos tempos bíblicos , p. 78,79.

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Aos 12 anos, Jesus foi levado pelos pais a Jerusalém, para a Festa da Páscoa. Ao regressarem a Nazaré, no meio da multidão, José e M aria, sem dúvida, deixaram o menino um pouco à vontade, no meio de outros meninos, que acompanhavam seus pais. Num determinado momento, o perderam de vista, e, preocupados, o buscaram entre os caminhantes, mas não o encontraram. Lucas registra aquele momento de aflição para os pais de Jesus, e de afirmação de sua missão perante os doutores da Lei (Lc 2.46-48). Os doutores da época admiraram-se da inteligência e sabedo­ ria de Jesus, como pré-adolescente. Naturalmente, Ele era divino. M as, na ocasião, comportava-se como um menino judeu, educado pelos pais com todo o cuidado e zelo como era de se esperar. A educação de Jesus no lar preparou-o para ser um cidadão com­ pleto. Além do ensino da Lei, dos livros sagrados, do Antigo Testamen­ to, ele foi ensinado a ter um ofício. Segundo Gower, “ele não era só o filho do carpinteiro” (M t 13.55). M as ele era “o carpinteiro” (M c 6.3). Jesus teve uma educação integral. Ele conhecia o lado espiritual da vida, no ensino e no exemplo de seus pais. Foi educado a ter respeito e equilí­ brio, no aspecto emocional, e teve uma educação que, nos termos de sua realidade, lhe deu um desenvolvimento físico desejável. 2. Os p a is são exortados a en sin a r osfilh os (E f 6.4) Infelizmente, pelas mudanças sociais impostas pelo progresso ma­ terial, os pais estão cada vez mais ausentes na educação dos filhos. Além de muitos não saberem o que seus filhos estão aprendendo (ou desa­ prendendo) nas escolas, ainda são ausentes na educação espiritual e mo­ ral dos filhos. A maioria dos pais não faz o culto doméstico. Os filhos sequer sabem metade dos nomes dos apóstolos de Jesus. M as grande parte sabe o nome dos personagens das novelas. Para criá-los “na doutrina e admoestação do Senhor”, faz-se necessária uma educação permanente, com ensinamentos ministrados no próprio lar. A maioria dos filhos de cristãos não sabe o que é doutrina. E muito menos o que é admoestação. M as sem esses dois elementos educacionais, os filhos não poderão ter uma verdadeira formação cristã.

IV - A EDUCAÇÃO CRISTÃ O que os pais cristãos devem escolher? A educação repressiva, que levou muitos filhos à frustração e ao desvio dos caminhos do Senhor? 95


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Ou a educação permissiva, que tem levado muitos à pecaminosidade, à libertinagem e à condenação espiritual? Certamente, nenhum dos dois tipos é desejável aos pais cristãos. M as há uma terceira via, que é a da Educação Cristã. A nosso ver, é a ú n ica f o r m a d e ed u ca çã o que pode resultar em b e n e ­ f í c i o s es p ir itu a is m ora is, éticos, so cia is e f í s i c o s p a r a os p a i s e p a r a o sfilh o s. E a alternativa para evitar-se a repressão, o autoritarismo, e a permissividade, que tantos prejuízos causam à formação da família. É uma síntese dos cu id a d o s es p ir itu a is que os pais cristãos devem ter para com seus filhos. Não deve ser repressiva nem permissiva. M as a m o ro sa ef o r m a t iv a . Alguns aspectos dessa abençoada educação podem ser resumidos como se seguem:

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1. O sfilhos são heran ça e p rêm io s do S enhor “E is q u e os f il h o s sã o h era n ça d o S en h o r ” (SI 127.3 a). Assim, devem ser tratados com muito zelo, cuidado e amor. “... e o f r u t o d o v e n tr e , o seu g a la r d ã o ' (SI 127.3b — grifo nosso). Galardão é prêmio. Sempre os pais

devem ser gratos a Deus pelo filho ou pela filha que nasceu no seu lar. São presentes ou prêmios vivos que devem ser cuidados, guardados, e criados com muito amor. Quando alguém recebe da parte de Deus uma bênção material, um bem, como um veículo, uma casa, um dinheiro, normalmente demons­ tra gratidão. Há quem faça um culto de ação de graças; há quem dê um testemunho, diante da igreja local, exaltando a Deus pelas bênçãos recebidas. M as, muitos, que são pais, esquecem-se de ser gratos a Deus pelo “galardão” vivo, que são seus filhos. Se considerarem o valor dos filhos diante de Deus, certamente terão o cuidado de dar-lhes a melhor educação que estiver ao seu alcance. 2. Osfilh o s e a ig re ja loca l A igreja deve ser a continuação do lar. E o lar, a continuação da igreja. Um deve completar o outro. Quando crianças, os pais devem leva-los à igreja. Quando adolescentes e jovens, devem ser persuadidos a ir à casa do Senhor. Se, desde crianças, forem acostumados a ir à igreja, quando jovens darão valor a essa prática saudável (M c 10.13-16). A Educação Cristã começa no lar. E é fortalecida na Igreja, notadamente na Escola Bíblica Dominical (ED), onde os alunos são reunidos 96


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em classes de estudo, conforme sua faixa etária. A ED é a maior escola cristã do mundo. Em milhares de igrejas, certamente, instalam-se mi­ lhões de classes, onde a Palavra de Deus é ensinada, promovendo exce­ lentes resultados, na formação espiritual, ética e moral de cada pessoa, que se converte ao Senhor Jesus Cristo. O ensino, na igreja local, deve ser desenvolvido com muita seriedade. Os professores devem ser capaci­ tados, espiritual e tecnicamente, também. É tarefa que requer dedicação: “se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7). A educação cristã é mais abrangente que a educação secular. Ela pre­ para o indivíduo, não só para ser um bom cidadão na sociedade, mas para ser um cidadão do céu, com base nos princípios espirituais e éticos, ema­ nados da Palavra de Deus. A educação cristã não é apenas informativa. Ela é primordialmente formativa, porque se fundamenta em princípios que visam ao fortalecimento do caráter (Rm 15.4). Diz a Bíblia: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho” (SI 119.105). A juventude cristã tem um referencial ético elevado para não se corromper e ser destruída pelos sistemas iníquos que dominam a sociedade sem Deus.

V - EDUCAÇÃO NA IGREJA 1. A ig reja e o la r A igreja local não substitui o lar, nem o lar substitui a igreja. Porém o ensino na igreja tem grande valor para a formação do caráter e fortale­ cimento da personalidade cristã. Uma grande erro é os pais confiarem a educação de seus filhos à igreja local, bem como às escolas seculares. Os filhos passam menos de um terço das horas da semana (164 horas), em reuniões da igreja. A maior parte do tempo é no lar e na escola. Assim, a igreja pode e deve dar sua contribuição, principalmente, na comunicação dos princípios bíblicos para a formação do cidadão do céu e do cidadão da terra. 2. Os ob jetivo s do en sin o n a ig reja De acordo com o Pastor Antônio G ilberto,5 os objetivos do ensino bíblico são: 5 Antônio GILBERTO. Manual da escola dominical, p. 153,154.

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1) 2) 3) 4) 5) 6) 7)

O aluno e suas relações com Deus (Is 64.8); O aluno e suas relações com o Salvador Jesus (Jo 14.6); O alunoe suas relações com o Espírito Santo (E f 5.18); O alunoe suas relações com a Bíblia (SI 119.105); O alunoe suas relações com a Igreja (At 2.44; E f 4.16); O aluno e suas relações consigo mesmo (Fp 1.21; 3.13,14); O aluno e suas relações com os demais alunos e com as demais pessoas (M c 12.31).

Através da ED, dos cultos de doutrina (pouco frequentado pelos jovens), dos seminários, simpósios e outras reuniões, é possível a igreja local dar grande contribuição para a educação cristã. Nos últimos anos tem sido notável o avanço nessa área. A igreja tem despertado para ado­ tar métodos de ensino mais eficazes; introduzido os recursos da m ulti­ mídia, e capacitado professores para melhor desempenharem seu papel como educadores cristãos.

VI - EDUCAÇÃO NA SOCIEDADE 1. A educação repressiva Nas décadas passadas, os pais criavam os filhos na base do autori­ tarismo. Tudo era feito com base de um relacionamento rígido. A igre­ ja evangélica, em muitos casos, colaborou para esse tipo de educação. Eram comuns os castigos físicos, com o uso da “vara” para as falhas mais simples. Teve seu aspecto positivo, pois os filhos eram obrigados a respeitar os limites que lhes eram impostos. Havia respeito aos pais, aos mais velhos, e às normas. Os aspectos negativos dessa educação manifestavam-se tempos depois, quando os filhos tornavam-se independen­ tes. D e ce r ta fo r m a , essa ed u ca çã o c o n tr a r ia v a a B íb lia , q u e m a n d a c r ia r os f i l h o s sem p r o v o c á - lo s à ira (E f 6.4).

2. A educação perm issiva Na educação moderna, os psicólogos levaram os pais a não ter au­ toridade sobre seus filhos, para não serem repressivos. Assim, grande parte dos filhos passou a ter uma educação permissiva. Para eles, quase tudo é permitido. Os especialistas aconselham que não se deve reprimir para que os filhos não fiquem frustrados. O resu lta d o d essa ed u ca çã o é u m a lib e r tin a g e m e u m a p e r m is s i v id a d e a b su rd a , a ponto de pais per-


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mitirem que suas filhas pratiquem sexo com os namorados em suas próprias residências. Esse tipo de educação leva os filhos, desde crianças, a não respeita­ rem limites, normas e princípios. Aliás, essa educação “m oderna”, em g era l', não tem p rin cíp ios morais, éticos, e m uito m enos espirituais. E uma agressão aos princípios bíblicos, que exorta aos pais a criarem seus filhos “na dou­ trina e admoestação do Senhor” (E f 6.4b); e manda ensinar ao menino o caminho em que deve andar, para que, quando envelhecer, não se es­ queça dele (Pv 22.6). 3. A ed u ca çã o m a teria lista A educação oficial, ministrada na rede de ensino pública ou particu­ lar, é totalmente influenciada pelo materialismo e pelo ateísmo. Os currí­ culos que reúnem os conteúdos programáticos a serem transmitidos nas salas de aula são fundamentados nas filosofias e pseudociências materia­ listas. Tudo começa com a explicação sobre a origem da matéria, da vida, do homem, da inteligência, e de todas as coisas que existem no universo. Os professores de ciência ensinam, como sendo a última palavra, que a vida surgiu “por acaso”, de uma mistura, “ao acaso”, de substâncias químicas, que se reuniram “ao acaso”, e , dali, surgiu a vida, “ao acaso”, du­ rante “milhões” de anos. Os alunos, crianças, ou adolescentes, de olhos ar­ regalados, ficam hipnotizados pelas explicações, ilustradas com quadros, nos livros-texto, nos quadros de giz, ou, de modo mais sofisticado, nas te­ las, com projeções através de “data-shows”, ou projetores de multimídia. E “o mestre”, com ar de absoluta convicção, explica que a origem da vida, dos animais e do homem, foi fruto da evolução, que dispen­ sa totalmente a existência de um Deus pessoal, inteligente, e soberano, como ensinam as religiões, e, principalmente, como ensina o cristianis­ mo. Figuras de macaco, evoluindo, da posição de quatro pés, ficando atarracado, até ficar ereto, até chegar a ser homem são mostradas como sendo realmente o que ocorreu. Na verdade, nada disso é verdade, mas é passado e repassado como ciência. Professores materialistas têm grande influência sobre a mente dos alunos, principalmente porque, em casa, a grande maioria não tem qualquer preparo ou fundamento bíblico ou filosófico para enfrentar a “onda” m aterialista, que avança sobre a educação e a cultura, nas escolas. M uitos desses professores ou professoras são homossexuais, e fazem questão de, aproveitando-se de sua posição, diante dos alunos,


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propagar o seu estilo de vida anticristão, anti-D eus e contra a Bíblia Sagrada, a L ei de Deus. 4. A educação in fo rm a tiva Com exceção das escolas confessionais, ligadas a religiões que acei­ tam os princípios cristãos, em todas as escolas regulares a educação é meramente informativa. Uma quantidade enorme de conteúdos é m i­ nistrada, muitos deles sem qualquer valor para a formação do caráter e da personalidade. Não existe a preocupação com a ética ou a moral. O mais expressivo exemplo dessa educação meramente informativa é a chamada “educação sexual”. Nas escolas, os alunos, inclusive crianças e adolescentes, são ensinados que podem fazer sexo precocemente, desde que tenham cuidado em usar o preservativo. Não há preocupação com valores morais. Sexo na adolescência é ensinado como algo perfeitamen­ te compreensível e normal. Apenas deve haver precauções. O resultado é que, anualmente, há quase um milhão ade adolescentes grávidas. A AIDS aumenta entre os jovens, de acordo com relatórios da Organiza­ ção M undial da Saúde.

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EDUCAÇÃO SEXUAL E A MORAL RELATIVISTA “E criou D eus o hom em à sua im agem ; à im agem de D eus o criou; macho e fê m e a os criou ” (Gn 1.27).

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I á uma deseducação sexual de caráter relativista imposta aos alu nos, em todos os níveis, em escolas públicas e particulares. No século passado e, principalmente, no século atual, o mundo tem se tornado “sexo-cêntrico”. A partir da visão freudiana, tudo, na vida, tem motiva­ ção sexual. Certamente, essa é uma visão materialista e reducionista do que significa a sexualidade humana. O sexo foi criado por Deus com propósitos elevados, saudáveis e benéficos para o ser humano. No entanto, desde a Queda, o sexo e a sexualidade têm sido detur­ pados de modo irresponsável. No tempo presente, na era da pós-modernidade, há uma exacerbada valorização da sexualidade, que ultrapassa tudo o que se poderia esperar de um ser racional. Homens e mulheres comportam-se de maneira liberalista e, às vezes, até de maneira anima­ lesca, no exercício da sexualidade. Neste estudo, pretendemos abordar uma análise objetiva do tema, sem a pretensão de esgotá-lo, tomando por base os princípios éticos, emanados da palavra de Deus. Esses princípios são bem definidos, em todos os aspectos. Com relação à sexualidade, a Bíblia tem normas, re­ gras e ensinos, que são considerados como verdadeiros artigos de fé, e merecem ser respeitados por todos aqueles que dão valor à Palavra de


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Deus. Em termos de ética, de moral e de conduta, Deus é um Deus de santidade. Diz a Bíblia: “mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1 Pe 1.15). E um desafio enorme para o cristão ser sanjio “em toda a maneira de viver”. Ser santo é ser separado do pecado, do mundo que “jaz no maligno” e viver de acordo com os princípios imutáveis ditados por Jesus Cristo. Esses princípios assumem caráter absoluto. Jesus disse, certa vez: “Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta espa­ lha” (M t 12.30). Jesus não admite meio termo. Ou se está do seu lado ou contra ele. Ou se ajunta com ele, ou se espalha sem ele. Em termos éticos, não há lugar para o relativismo no meio cristão. O que significa essa inversão de valores tão acentuada, que domina a mentalidade do homem pós-moderno? Não é nenhuma novidade. O profeta Isaías, séculos antes de Cristo, já reverberava: “A i dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal! Que fazem da escuridade luz, e da luz, escuridade, e fazem do amargo doce, e do doce, amargo!” (Is 5.20). Era a antevisão do relativismo exacerbado, que haveria de dominar a mente dos homens sem Deus. O que é errado aos olhos de Deus é visto como certo. O que Deus considera virtude, o mundo materialista considerada retrocesso.

I - CONCEITOS IMPORTANTES 1. O que é sexo De acordo com o dicionário, sexo é a “Conformação particular que dis­ tingue o macho dafêmea , nos animais e nos vegetais, atribuindo-lhes um pa­ pel determinado na geração e conferindo-lhes certas características distinti­ vas” (grifo nosso).1Pode ser entendido no sentido figurado, confundindo-se com sensualidade ou sexualidade, no sentido mais amplo; também pode significar “os órgãos genitais externos”, na linguagem mais comum. À luz da Bíblia, sexo são as características internas e externas, que identificam e diferenciam o homem da mulher, ou, do “macho e da fê­ mea”, como diz dicionário. Diz a palavra de Deus: “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêm ea os criou” (Gn 1.27). Deus fez “o homem” (ser humano), de modo bem claro, com a confor­ mação heterossexual. 1 Dicionário Aurélio, p. 1296.

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2. O que é sex ualidade Numa definição do léxico, lemos que sexualidade é: “1. Qualidade do sexual. 2. O conjunto dos fenômenos da vida sexual”.2 A visão mo­ derna de sexualidade insere-se no contexto do relativismo e do hedonis­ mo. Num artigo, na web, lemos: “O termo “sexualidade” nos remete a um universo onde tudo é relativo, p essoa l e m uitas vez es paradoxal. Pode-se dizer que é o traço mais íntimo do ser humano e, como tal, se manifesta diferentemente em cada indivíduo de acordo com a realidade e as expe­ riências vivenciadas pelo mesmo”.3

II - A MORAL SEXUAL NA BÍBLIA 1. O p r in cíp io da heterossex ualidade O texto bíblico do Gênesis nos informa sobre a criação do ser hu­ mano que o Criador projetou, em sua mente divina, um ser para gover­ nar a Terra, com estrutura mental e física, que se complementasse com outro, de sexo oposto (Gn 1.26,27). E interessante como Satanás engana as pessoas, fazendo-as acreditar que a homossexualidade é algo normal, que não afronta a vontade de Deus. Nas paradas gays os ativistas e promotores desses eventos que defendem o que Deus condena, usam até a Palavra de Deus como argumento para justi­ ficar sua conduta imoral. Se Deus quisesse a união entre um homem e outro homem, ou entre uma mulher e outra mulher, em sua soberania, teria criado dois seres do mesmo sexo e os unido, inclusive para a procriação por alguma forma, por ele planejada. Mas não o fez. Fez um “macho” e uma “fêmea”, ambos portadores da “imago dei”, ou imagem de Deus. 2. O p r im eir o casam ento Foi único em sua organização, em sua natureza, e no seu ambiente. Após a criação de Eva, Deus despertou Adão de seu sono anestésico, e apresentou-lhe aquela que seria a sua companheira, na jornada da vida (Gn 2.22-24). No primeiro casamento, não vemos a menor ideia que sugira nem de longe a homoafetividade, ou a homossexualidade. Deus “formou uma mulher” da costela de Adão; este, após contemplar a be2 Dicionário Aurélio, p. 1297. 3 O que é sexualidade. Cíntia Fávero. Disponível em http://www.infoescola.com/sexualidade/oque-e-sexualidade/. Acesso em 11/05/2012.

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leza de sua companheira, disse: “esta será chamada varoa”. No texto, vemos Deus prevendo a união, “uma só carne”, após o homem sair de seu lar, da companhia de “seu pai” e de “sua mãe”. O casamento monogâmico foi o desiderato de Deus. A bigamia e a poligamia não estavam em seus planos. Ele as permitiu por razões que não são explicadas na Bíblia. Pode-se entender que, por causa do peca­ do, haveria necessidade de apressar o povoamento da terra, ou por outros motivos, fruto de sua longanimidade. E essa monogamia só foi determi­ nada para a união legítima, legal e santificada, entre homem e mulher. Jamais Deus admitiria uma “união estável”, homossexual, pois a esse tipo de união Ele considera, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, como arranjo pecaminoso do mais alto nível, passível de sua condenação.

III - O VALOR DA PUREZA SEXUAL No mundo relativista, a moral é elástica. Não há limites para as práticas pecaminosas. Em primeiro lugar, porque esse mundo é mate­ rialista. Jesus disse que “o mundo jaz no maligno”. A maioria das pessoas não crê em Deus, Criador e Legislador do Universo. Em segundo lugar, porque, não crendo nEle, não consideram sua palavra como regra de fé ou de conduta. Nesse contexto, a moral está sujeita às mudanças de valores que ocorrem ao sabor dos acontecimentos, das políticas, dos usos e dos costumes sociais. Na cultura relativista, não há lugar para retidão, pureza ou castidade em matéria de sexo. Tudo vale, desde que alguém entenda que é certo. Na Palavra de Deus, no entanto, os valores morais são muito diferentes. 1. O v a lo r da v ir g in d a d e no A ntigo T estam ento O texto de Salmos 119.9-11 é fundamental para a vida do jovem, servo de Deus, em todos os tempos. No Antigo Testamento, a moral era tão rígida, em termos de pureza sexual que, se uma jovem praticasse sexo antes do casamento seria morta. Sua sentença era a pena capital. Fornicação era o mesmo que prostituição (Dt 22.20, 21). Na cul­ tura patriarcal, o homem tinha privilégios que não eram desfrutados pela mulher. A moça que fornicava era morta. O homem que fornicasse tinha que casar com a moça (Dt 22.28,29). Até os lençóis, manchados de sangue, na primeira relação sexual, na “lua de m el”, eram valorizados. Se algum homem acusasse uma moça, 104


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em Israel, difamando-a, com acusação de não ter sido encontrada vir­ gem, e isso fosse apurado, o difamador seria condenado a pagar pesada multa e ainda ter que continuar casado com a moça (D t 22.13-19). Um sacerdote não podia casar com mulher repudiada ou prostituta. Tinha que casar com uma moça virgem (Lv 21.14). 2. A im portância da v irgin d a d e no N ovo T estam ento Alguém poderia dizer, sem pensar bem, ou por desconhecimento da Bíblia, que a moral, no Novo Testamento, é menos rígida que na antiga aliança. Seria ledo engano. Jesus Cristo não só cumpriu tudo o que estava previsto na Lei, como trouxe uma forma mais profunda e abrangente, em termos de cumprimento dos preceitos legais. Ele deixou de lado o formalismo e o legalismo, que valorizavam apenas os atos exteriores do comportamento, e se fixou na origem dos pecados, que nascem do interior do ser, do coração, ou da mente corrompida do homem (M t 15.19). Para Jesus, a pureza tem que ser interior, tem que partir de dentro do coração e aparecer no exterior, como “luz do mundo” (M t 5.14). Daí, porque ele considera adultério, não só o ato sexual entre pessoas não casadas, mas até mesmo o pensamento lascivo (M t 5.28). Na parábola das Dez Virgens, vemos o Senhor Jesus alertando para a vigilância, quanto à sua vinda, e tomando como exemplo uma cerimô­ nia de casamento de seu tempo, no Oriente. As testemunhas dos noivos teriam que ser virgens. Em M ateus 25, vemos que ele se refere a “dez virgens”, das quais cinco eram prudentes e cinco eram loucas, insensatas ou imprudentes. O noivo haveria de chegar para o momento especial, com sua noiva, e as damas de honra só poderiam entrar para as bodas se estivessem devidamente preparadas. Se as testemunhas tinham que ser virgens, a noiva também teria de sê-lo. Os costumes do AT estavam em pleno vigor, na época de Jesus. Doutrinando aos coríntios, sobre a fidelidade que os cristãos devem ter a Cristo, Paulo faz alusão ao valor da virgindade no casamento, ao dizer: “Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar com o um a virg em p u ra a um m arido, a sa­ ber, a Cristo” (2 Co 11.2 — grifo nosso). Assim se expressava o apóstolo, pois essa era a visão que ele tinha, no seu dia a dia. Um homem deveria casar-se com uma virgem.

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3. A virgindade nos diaspresentes A igreja cristã deve valorizar a virgindade e preservar os costumes emanados da Palavra de Deus, e de modo bem mais consistente do que os preceitos do Antigo Testamento. Naquele contexto, só quem deveria manter-se virgem era a moça. Em Cristo, é diferente. Ele não faz acep­ ção de pessoas. Se a moça deve ser virgem, o rapaz, também. Fomos questionados se um pastor poderia fazer cerimônia de casamento, numa igreja evangélica, se a noiva não fosse mais virgem. Imediatamente, in­ dagamos: E o noivo? Se ele não for mais virgem? O pastor deve realizar a cerimônia? Por que exigir a virgindade apenas da noiva? O interlocu­ tor ficou calado. E respondemos: Se exigimos a virgindade da jovem, devemos exigi-la do noivo. Do contrário, seremos vistos por Deus como hipócritas e discriminadores. Devem-se ter alguns cuidados quanto a esse assunto. Há casos em que adolescentes ou moças jovens vêm para a igreja, oriundas da vida mundana, ou de religiões não cristãs, e não são virgens, assim como rapazes na mesma situação. Eles devem ser recebidos como novas criaturas, e participarem de todas as atividades da igreja,pelo fato de terem-se convertido à fé cristã. Diz Paulo: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17). Outro aspecto importante é a natureza da virgindade em si. Há quem só se preocupe com a virgindade anatômica, aquela em que a moça não é mais virgem pelo fato de ter tido o rompimento do hímen. M as existem jovens que continuam intactas, anatomicamente, mas não têm mais a virgindade moral. Praticam atos sexuais aparentes, sem pe­ netração, e toda a sorte de carícias ilícitas para uma jovem ou para um jovem cristão. São pessoas que estão fornicando, mas entendem que são virgens. Diante de Deus, a virgindade tem que ser, antes de tudo, espiri­ tual. Depois, precisa ser real, tanto física como moralmente.

IV - A PEDOFILIA A palavra é enganosamente perigosa em si mesma. Etimologicamente, vem do grego, de. p a id os (criança) ep h ilo s (amigo), o que deveria significar “amizade a crianças”. O pedófilo seria um “amigo de crianças”. M as, na prática, a pedofilia é um dos mais terríveis crimes que alguém pode cometer contra um ser humano. A Organização de Saúde define pedofilia como sendo “a ocorrência de práticas sexuais entre um indiví­ 106


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duo maior de 16 anos com uma criança na pré-puberdade. A psicanálise encara a pedofilia como uma perversão sexual”.4 O pedófilo é uma pessoa de personalidade fraca. Um derrotado em sua psique, que tem medo da resistência de um parceiro de sua idade ou de seu porte físico. Se ele ataca meninos, é porque têm medo procurar homens adultos; se ataca meninas, é porque têm medo de se relacionar com mulheres jovens ou adultas, temendo o poder delas sobre sua con­ dição de indivíduo que desmoraliza a si mesmo. Trata-se de parafilia, ou um distúrbio psíquico, que leva o indivíduo a práticas sexuais perversas contra crianças indefesas ou vulneráveis. Pedofilia é a prática de sexo com crianças. E uma demonstração de fraqueza moral de pessoas que têm medo de se relacionar com pessoas adultas, e passam a buscar satisfação sexual com crianças, numa atitude criminosa, prevista como crime na maioria das legislações no mundo. São pessoas portadoras de distúrbios psicológicos, que têm prazer cri­ minoso de divulgar fotos de crianças, com as quais chegam a praticar sexo, ou simplesmente fotos de crianças despidas, para alimentar o de­ sejo mórbido de sua fraqueza moral e mental. Infelizmente, a Internet tem sido grandemente aproveitada para essas atitudes criminosas. Esse é um fenômeno acentuado pela pós-modernidade. Em países dos chamados primeiro mundo, há propostas vergonho­ sas para a legalização da pedofilia. Em 2006, foi proposta a criação do “Partido dos Pedófilos”. “Pedófilos holandeses estão lançando um par­ tido político para pressionar por uma diminuição na idade legal para se manter relações sexuais no país, de dezesseis anos p a ra doze anos. Eles também querem a legalização da pornografia infantil e do sexo com ani­ mais. O partido Caridade, Liberdade e Diversidade (NVD, na sigla em holandês) disse, em sua página na Internet, que seria oficialmente regis­ trado na quarta-feira, prometendo: “Vamos sacudir H aia!”. A legenda quer diminuir a idade legal para relações sexuais para os doze anos e, eventualmente, derrubar completamente o lim ite”.5 Percebe-se que, no Brasil, o projeto do Novo Código Penal preco­ niza, de igual modo, a diminuição da idade legal para se manter rela­ ções sexuais, de dezesseis para doze anos. Imagine-se uma criança de 12 anos, muitas das quais não têm a idade mental correspondente à idade 4 Pedofilia. http://www.brasilescola.com/sociologia/pedofilia.htm. Acesso em 27/06/2012. 5 Disponível em: http://noticias.terra.com.br/popular/intema/0„OI1027786-EI1141,00.html. Acesso em 29/09/2012.

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cronológica, fazendo sexo com adultos. Certamente, é um incentivo à pedofilia no País. São homens assim, que usam seus conhecimentos di­ tos científicos, que se colocam, consciente ou inconscientemente como verdadeiros agentes a serviço do diabo. Segundo a W ikipédia, o famigerado partido foi oficialmente criado em 31 de maio de 2006.6 “O Partido Caridade, Liberdade e Diversidade (NVD, na sigla em holandês) não teve dificuldade para se instalar. Um tribunal de H aia assim se pronunciou: “não pode ser proibido, já que tem o mesmo direito de existir que qualquer outro grupo”.7 Quando a Lei é usada como instrumento da maldade humana, não se pode esperar que haja ética ou respeito a qualquer princípio. O ensaio da perversa ideia chegou a ser muito bem entendido pelos ilustres juristas holandeses: “Um tribunal de H aia chumbou, ontem, um requerimento que pretendia que a Justiça holandesa proibisse um grupo criado por três pedófilos de fundarem um partido político. “A liberdade de expressão, incluindo a liberdade de se criar um partido político, é visto como a base de uma sociedade democrática”, afirmou o juiz H FM Hofhuis num acórdão citado pela Associated Press e onde diz que o PNVD, iniciais que traduzem Amor Fraternal, Liberdade e Diversida­ de, “não cometeu nenhum crime”.8 Essa vergonhosa ideia, de origem diabólica, foi derrotada, visto que o parlamento holandês não aprovou sua implantação. E, após sua apro­ vação, a agremiação não teve os votos necessários para participar das eleições. Foi dissolvido em 2010. M as os interessados nessa monstruo­ sidade não se dão por vencidos. Eles continuam lutando por vê-la vigar, naquele país liberalista da Europa. No início de 2010, o mundo foi mais uma vez abalado com as no­ tícias constrangedoras de que altos líderes católicos, na Europa, e no Brasil, envolveram-se com pedofilia. Nos Estados Unidos, segundo no­ tícias, houve mais de 14.000 casos de abuso sexual de crianças por parte de padres e bispos católicos. Também há muitos casos de pastores, que são acusados de práticas de pedofilia. Os cristãos devem denunciar às autoridades esse tipo de site. Diz a palavra de Deus que devemos levar 6 Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_da_Caridade,_da_Liberdade_e_da_ Diversidade. Acesso em 29/09/2012. 7 Disponível em: http://ipco.org.br/home/noticias/. Acesso em 29/09/2012. 8 Disponível em: http://www.jn.pt/paginainicial/intcrior.aspx?eontent_id=560634. Acesso em 29/09/2012.

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as crianças a Cristo, e não ao crime. “M as Jesus, chamando-as para si, disse: Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, porque dos tais é o Reino de Deus” (Lc 18.16). Segundo pesquisas, “Em aproximadamente 25% dos casos, o pedófilo foi uma criança molestada. O erotismo infantil está ligado à traje­ tória da humanidade. Em aproximadamente 450 culturas tradicionais, a idade perfeita para contrair matrimônio está entre 12 e 15 anos. Fisiologicamente, quanto mais jovem for a mulher, maiores são as chances de ocorrer uma fecundação bem sucedida. De acordo com psicólogos, especialistas em agressão infantil, de M ichigan, nos Estados Unidos, cerca de 80% dos casos de abuso sexual de crianças acontecem na intimidade do lar: pais, padrastos e tios são os principais agressores”.9 Esses dados são comuns à maioria dos países. No Brasil, as vítimas da pedofilia são abusadas por pais, padrastos, parentes, ou vizinhos. Isso é uma das piores facetas da perversão do homem caído, longe de Deus e dominado pelo pecado. As crianças são consideradas, na Bíblia, em alto grau de respeito, afeto e proteção. Nosso Senhor Jesus Cristo ensinou que as crianças devem ter o respeito e a consideração de seus discípulos. Quando alguns pais levaram suas crianças para perto de Jesus, os discípulos aborreceram-se com seu barulho o algazarra e sugeriram que eles deveriam ser mándados embora. A atitude de Jesus diz tudo o que ele pensa sobre as crianças: “Jesus, po­ rém, vendo isso, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir os pequeninos a mim e não os impeçais, porque dos tais é o Reino de Deus. Em verdade vos digo que qualquer que não receber o Reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele. E tomando-as nos seus braços e impondo-lhes as mãos, as abençoou” (Mc 10.14-16). E terrível quando se sabe que sacerdotes, pastores ou líderes religiosos abusam da boa fé dos pais, e, prin­ cipalmente da vulnerabilidade de crianças, para delas abusarem, em função de suas perversões. A condenação desses será maior no juízo de Deus. Os pais cristãos devem educar seus filhos, prevenindo-os contra os assédios de criminosos, em escolas, na vizinhança, no próprio lar, fora ou dentro das igrejas. Devem ser presentes em todos os momentos da vida dos filhos. Procurando saber o que se passa na escola e em outros lugares. Quem são seus amigos. Observar-se um filho apresenta comportamento estranho, sem querer ir para a escola; se apresenta medo ou desconforto, 9 Pedofilia. http://www.brasilescola.com/sociologia/pedofilia.htm. Acesso em 27/06/2012.

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diante de algum adulto; jamais deixar seus filhos a sós, em casa para que não sejam vítimas de parentes ou vizinhos pedófilos. Os filhos são “heran­ ça do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão” (SI 127.3). Recentemente, uma criança de quatro anos desapareceu, em meio a uma reunião, em uma grande igreja evangélica. Os pais ficaram afli­ tos, e a criança só apareceu, por misericórdia de Deus, viva e sã, dias depois. Foram dias de angústia e desespero. A mãe deixou a filha à vontade durante o culto. Isso é atitude perigosa. As crianças pequeni­ nas devem estar junto aos pais, no culto, ou em atividade apropriada, na igreja local, sob a responsabilidade de pessoas adultas, credenciadas para essa missão.

V - A SANTIDADE DO ESPÍRITO, DA ALMA E DO CORPO Neste aspecto, temos em vista a santidade integral do ser humano, como requisito indispensável para a comunhão com Deus, no mistério da salvação, bem como para sua ida aos céus, no término de sua existên­ cia terrena. Alguns conceitos são necessários para o entendimento desse tópico, com vistas à moralidade que se baseia na Bíblia Sagrada. 1. O que é ser santo A etimologia da palavra santo nos mostra que ela vem do latim, sanctu, que, originalmente, queria dizer aquele ou aquilo que “era estabe­ lecido segundo a lei”', passando a ter o significado daquilo ou daquele “que se tornou sagrado”. A palavra “santo” tem sua aplicação mais elevada e original em Deus: “Não há santo como o Senhor” (1 Sm 2.2). Isaías contemplou a santidade de Deus, exclamando: “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos...” (Is 6.3). A igreja Católica mistificou o sentido da palavra, só considerando santo o indivíduo canonizado, pela vida de sofrimento, pela realização de algum milagre, etc. Biblicamente, a palavra santo quer dizer aquele que, em tudo na vida, é consagrado para Deus (Ver 1 Pe 1.15). O Novo Testamento refere-se a santos em vida, servindo ao Senhor, em diversos lugares (Fp 4.21,22; Rm 15.25; 16.2; 1 Co 16.1; Hb 6.10; 13.24). O cristão tem que ser santo em casa, na rua, no trabalho, na igreja, no namoro, no noivado, no casamento, no relacionamento sexual e em todos os aspectos da vida.

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2. A sa n tidad e Santidade é um estado de espírito, a qualidade daquele que é santo. A santidade permeia todas as páginas da Bíblia, de Gênesis a Apoca­ lipse. E uma das mensagens principais, transmitidas por Deus a seus filhos (1 Cr 23.13; SI 29.2; SI 93.5). Se entendemos que santidade quer dizer separação do que é sagrado daquilo que é profano, precisamos ze­ lar por tudo o que ocorre no âmbito do ambiente da igreja local, seja na pregação, no púlpito; seja na adoração, na liturgia, no louvor, nos usos e costumes, na vida moral e social da parcela do rebanho de Deus que nos foi confiada. Na Antiga Aliança, o crente comum não podia chegar ao Lugar Santo e muito menos ao Lúgar Santo dos Santos. 3. A sa n tificação Enquanto a santidade é um estado, a santificação é um processo. E processo pelo qual uma pessoa torna-se santa, e persevera em san­ tidade. Essa santificação, na vida do salvo, tem três estágios. Prim ei­ ro, vem a santificação inicial, quando ele aceita a Cristo. Segundo, vem a santificação progressiva, contínua, diária, até à morte, ou à vinda de Jesus. Em terceiro lugar, a santificação final, que equivale à glorificação, que só ocorrerá, na ressurreição dos salvos, ou no seu arrebatamento. No Novo Testamento, é enfatizada a santificação, mais do que a santidade. Sem santificação ninguém verá a Deus (Hb 12.14). Enquan­ to a santidade é um estado a ser buscado, a santificação é a prática da separação, o meio para a consagração a Deus. O servo de Deus, incum­ bido da liderança de sua igreja precisa ser homem separado do mal, do pecado, do mundo, para exercer sua sublime missão de levar almas a Cristo, pela mensagem do evangelho. O membro ou congregado precisa ter a consciência da santificação. Alguém, sem fundamento bíblico, en­ sina que Deus não se importa com o que o casal pratica, em termos de sexo. M as a palavra de Deus exige santificação em tudo. 4. A sa n tificação ex ige con sagração No Novo Testamento, a palavra “santo”, no grego, é hagios, com sentido semelhante ao da língua hebraica; o termo grego hagiasm ós de­ nota separação daquilo que pertence à esfera sagrada, das coisas profa­ nas. No que respeita à sexualidade, o cristão deve ser santo, assim como em todas as áreas da vida. D iz Pedro: “...mas, como é santo aquele 111


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que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1 Pe 1.15). Ser santo em tudo exige que a santificação seja levada a efeito de modo diuturno, contínuo, sistemático, em todas as áreas da vida. 5. A sa n tificação tem que ser in teg r a l Com sua estrutura tricotômica, formada pelo espírito, a alma e o cor­ po, o ser humano precisa de santificação plena. Diz Paulo: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e cor­ po sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5.23). O “homem interior”, formado pelo es­ pírito e pela alma, constitue a parte imaterial, intangível, que se relaciona com Deus, no plano espiritual. O corpo é o que se chama de “homem ex­ terior”, que é o corpo físico. No que tange à moral da Bíblia, a sexualidade tem que se subordinar a princípios elevados e sublimes. O corpo é templo do Espírito Santo e propriedade de Deus (cf. 1 Co 6.19,20).

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“Ponde, pois, estas m inhas p a la vra s no vosso coração e na vossa alma, e a tai-as p o r sin a l na vossa mão, p a ra que este­ ja m p o r testeiras en tre os vossos olhos, e en sin ai-as a vossos filhos, fa la n d o delas assentado em tua casa, e andando p elo caminho, e deitan do-te, e leva n ta n d o -te” (D t 11.18,19).

que está faltando, na maioria dos lares cristãos, é espaço para a fam ília adorar a Deus. Essa adoração se dá através do culto doméstico. Todavia, essa prática tem sido negligenciada. Na maioria dos lares cris­ tãos, não se faz o culto doméstico. Milhões de crentes deixam de ir ao culto nas igrejas para ficar em casa, assistindo a uma programação que nada tem de edificante para as vidas de servos de Deus (1 Co 6.12; 10.23). A família cristã precisa ter em mente que há um plano diabólico para destruir suas bases e levá-la à queda espiritual e moral. Não há ou­ tra forma de fazer face a esse ataque mortal, se não for através da busca da presença de Deus no lar. O culto doméstico propicia os momentos diários para o fortalecimento do lar, por meio da oração, da leitura da Bíblia, “a espada do Espírito”, e do louvor a Deus, no meio do qual Ele se faz presente. Sabemos que neste século XXI, quando o materialismo avassala as mentes; quando crianças, nas escolas, são bombardeadas com os ensinos que eliminam Deus da origem do universo e do homem; crianças e ado­ lescentes são estimuladas à prática do sexo precoce, e o homossexualismo


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é impingido como prática normal e saudável; se os pais não despertarem para a adoração a Deus, no lar, será impossível evitar a derrocada da família. Inclusive da família cristã. Ocorrerá o que aconteceu na Europa, que um dia foi berço de grandes avivamentos. Hoje, com algumas exceções, há igrejas vazias, pelo afastamento de crianças e jovens; lares destruídos pelo ateísmo e pelo demonismo, pela ausência de Deus. O estrago por anos a fio de desprezo à educação cristã nos lares não será reparado. M as ainda há tempo para salvar alguns (1 Co 9.22). Se houver conscientização por parte dos pais cristãos, que consi­ derem os filhos como "... herança do Senhor, e o fruto do ventre, o seu galardão” (SI 127.3), haverá motivação para restaurar ou implantar o culto doméstico.

I - O SIGNIFICADO DO CULTO DOMÉSTICO Como o nome sugere, o culto doméstico é uma reunião da família, sob a liderança dos pais cristãos, com a finalidade de cultuar a Deus no lar. Sua realização tem sólido fundamento bíblico, como será observado neste estudo. O culto doméstico é tão importante que Satanás tem tido especial cuidado para desestimular sua realização em mais de 90% dos lares cristãos. O resultado da ausência da adoração nos lares, diariamente, é causa para a maioria dos problemas que os casais e as famílias cristãs enfrentam nestes “tempos trabalhosos”, previstos na Palavra de Deus. Que o Senhor Jesus desperte os pais cristãos para tomarem a decisão sábia e firme de de­ senvolver esse trabalho, que é simples, mas de grande efeito sobre a forma­ ção espiritual, moral e social da família cristã.

II - O CULTO DOMÉSTICO NO ANTIGO TESTAMENTO 1. No p r im eir o lar, D eus esta v a p r esen te Talvez não se tenha dado muita importância ao que ocorreu no Éden, no primeiro lar do ser humano, depois que ele foi criado por Deus. Era um ambiente perfeito, sem doenças, sem violência, sem qualquer coisa que abalasse a estabilidade e a segurança dos seus habitantes. M as o que era mais importante, ali, era a presença de Deus junto ao casal. No Éden, começou o culto doméstico. Não é força de expressão ou apenas uma linguagem metafórica. Os seres criados podiam não apenas 114


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crer, mas ver e ouvir ao próprio Criador. Em atitude de reverência e adoração, ouviam a voz de Deus, que os visitava (Gn 3.8). Ali, havia um maravilhoso culto doméstico, dirigido pelo próprio Deus! E, se não fosse a desobediência, não só o Éden, mas toda a ter­ ra seria um ambiente de adoração ao Criador. Enquanto Adão e Eva permaneceram naquele estado santo, diante de Deus, só havia bênçãos. Aquele culto doméstico foi prejudicado, quando desobedeceram à voz do Senhor, e ouviram a voz do tentador. Deus não mais se fez presente ali. O culto doméstico deixou de ser realizado no Jardim, Satanás prevaleceu. Hoje, acontece a mesma coisa. Quando os pais de família, os líderes e sacerdotes do lar, deixam de obedecer ao Senhor, todos são prejudica­ dos. A primeira coisa que acontece é a ausência de Deus no lar. E quan­ do Deus não está num lar, coisas terríveis acontecem. O Diabo, o adver­ sário da família, promove a desarmonia, a falta de paz, a falta de amor; assim a desunião, a desconfiança, o ciúme e as contendas têm lugar. 2. A adoração na fa m ília era va loriz a d a O povo de Israel estava prestes a entrar na terra de Canaã, 40 anos depois da saída do Egito. O líder Moisés precisava dar as orientações indispensáveis sobre como se comportar no destino de sua grande jor­ nada. O deserto serviu de campo de experiências marcantes com Deus. A passagem do mar Vermelho; a água tirada da rocha; o pão enviado por Deus; os livramentos extraordinários, e as vitórias sobre os inimigos, tudo isso só teria sentido se o povo continuasse a servir ao Senhor com fidelidade. A multidão que sobreviveu ao deserto estava às portas de Canaã. Achavam-se acampados na terra de Moabe, na parte oriental ao Jordão e ao mar Morto. Moisés reuniu-os e lhes fez saber a vontade de Deus, através da sua Lei, dos seus estatutos e juízos (Lv 19.37). Sem isso, ja ­ mais poderiam ser um povo abençoado. Havia uma verdadeira preocupação em integrar a família na ado­ ração a Deus, em todas as gerações. Havia clima espiritual e emocional para o culto doméstico. As palavras que receberam do Senhor deveriam ser ensinadas às gerações da atualidade e também “aos filhos de teus filhos”, às gerações futuras. Lamentavelmente, nos dias presentes, não se vê essa determinação nas famílias atuais, mesmo no meio dos cristãos. Falta uma cultura de adoração a Deus no lar. Parece que o comodismo 115


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e o individualismo levaram as famílias a só irem às igrejas (aos templos) aos domingos ou em eventos considerados importantes, como congres­ sos e festas anuais, de fim de Natal ou de Ano Novo. Depois, a rotina toma conta das famílias, sem incluir, em sua programação, a realização do culto doméstico. 3. A adoração e a m or ao ú nico D eus verd a d eiro Os ensinos transmitidos por Moisés aos israelitas tinham grande significado para a família. a) A fa m ília p recisa sa ber que D eus é o “único S en h or” (D t 6.4). O povo de Israel iria habitar numa terra, onde as nações, ao longo dos séculos, eram politeístas. Adoravam imagens de escultura, adoravam “ao pau e a pedra”, aos animais e às forças da natureza, em sua ignorância espiritual. E os povo de Deus tinha que ter consciência de que só existe um Deus, o único Deus, Criador dos céus, da terra, do homem e de todas as coisas. E que esse Deus é o único Senhor, a quem deveriam reverenciar e adorar. No culto doméstico, hoje, os pais precisam enfatizar essa verdade. A Nova Era, uma mistura de religião, filosofias, ocultismos e misticismos, tem tido êxito em influenciar muitos jovens e adolescentes, com suas invencionices, do tipo tarô, pirâmides, avatares, e uma gam a enorme de elementos esoteristas. A família cristã precisa ser “vacinada” contra essa onda de espiritualismo herético. b) A fa m ília p recisa sa b er que D eus d e v e s er am ado com todo o ser (D t 6.5). Essa foi uma das maiores lições que Deus deu ao povo de Israel. Ao longo da caminhada, gerações inteiras esqueciam-se de amar a Deus. Dos que saíram do Egito, todos os homens de guerra pereceram, exceto Josué e Calebe. Por que? A maioria pereceu por causa da murmuração contra Deus e contra a liderança por ele estabelecida, como na rebelião de Coré, Data e Abirã (Nm 16.33). Não será o que falta, hoje, no meio de grande parte das famílias cristãs? No Brasil, os evangélicos tiveram um crescimento extraordiná­ rio, nos últimos anos, segundo o IBGE. M as grande parte desse cresci­ mento não é acompanhado de crescimento qualitativo. E comum famí­ lias inteiras não realizarem qualquer tipo de atividade devocional em seu lar. Am ar a Deus de todo o coração requer devoção sincera, que parte 116


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do íntimo do ser. Amar a Deus de toda a alma e de todo o poder exige sentimentos santos de reverência e de práticas devocionais, no dia a dia das pessoas. Não se pode dizer que uma família ama a Deus de todo o coração, se seus integrantes, mesmo sem motivo que justifique, como trabalho ou estudos, só vai à igreja local, para adorar a Deus, em fins de semana, ou se sobrar tempo para isso. 4. A orden an ça do culto dom éstico No Antigo Testamento, o povo de Israel estava passando por uma experiência de aprendizado, no que concernia ao seu desenvolvimento espiritual. Depois de tantos desvios e desacertos, a pedagogia de Deus teve que ser muito rígida. O cativeiro egípcio ensinara ao povo que a desobediência tem um alto preço a pagar. O Êxodo, através do deserto abrasador, onde a sobrevivência de quase três milhões de pessoas era um risco tremendo, deu ao povo oportunidade de conhecer o poder de Deus em suas vidas. M as, mesmo assim, com tantos sinais e maravilhas, jamais imaginadas, na vida de um povo, os hebreus costumavam a esquecer-se de Deus, quando as circunstâncias adversas eram superadas. Dessa forma, Deus determinou que as famílias deveriam adorá-lo, não apenas diante do Tabernáculo, mas o culto a Deus deveria começar nos lares. De modo solene, a Bíblia registra a ordenança para a realização do culto doméstico, no livro de Deuteronômio. Ospais devem ter a Palavra no coração A Bíblia destaca o valor da palavra arraigada e internalizada no co­ ração (Pv 4.20-23). Se os pais guardam a palavra podem ensiná-la a seus filhos. Ela deve ser o centro de referência para os pais, que a guardam “no meio do... coração”. As palavras sagradas têm um efeito extraordinário na formação do caráter dos filhos. O escritor diz que elas “são vida para os que as acham e saúde para o seu corpo”. Ou seja, quando o crente guarda a palavra e a pratica, ela é fonte de vida espiritual, e, em consequência, produz equi­ líbrio emocional, que resulta em saúde para o corpo físico (Hb 4.12). Esse versículo tem profundo sentido espiritual, com reflexos sobre a saúde emocional e física. Demonstra o poder terapêutico da palavra de Deus, penetrando no íntimo do ser humano, a ponto de produzir efeitos até “nas juntas e medulas”. O coração é o centro dos pensamentos e das intenções humanas. Jesus disse que “A boca fala do que o coração está 117


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cheio (Lc 6.45). Por que os filhos de cristãos, em grande parte, só falam em personagens de filmes, de jogos, de novelas e de realities shows? Por­ que o coração de muitos está cheio dessas coisas inúteis e de nenhuma edificação. Muitos têm o coração vazio da Palavra de Deus. Ospais devem ensinar a Palavra em seu lar Esse ensino deve ser ministrado de modo persuasivo, com muita sabedoria. Os pais devem ser os sacerdotes no lar. E precisam ter auto­ ridade espiritual para dizerem aos filhos que a palavra de Deus é a Lei do Senhor, e que a ela devemos submeter-nos. Se fizerem isso, apenas quando os filhos forem adolescentes ou jovens, certamente terão muita dificuldade para se fazerem ouvir. M as, se o ensino da palavra de Deus começar na infância, os resultados poderão permanecer por toda a vida (Pv 22.6). Ospais devem ter a Palavra de Deus nas mãos “Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por testeiras entre os teus olhos” (D t 6.8). Os judeus usavam os filactérios ( Tefilin) na testa, entre os olhos, para lembrar sempre da Lei do Senhor. Todavia, não precisamos agir assim; ter a palavra de Deus nas mãos pode-se entender como sendo figura das ações dos pais, como exemplo para seus filhos. Ê com as mãos que fazemos a maior parte das coisas. É figura das ações, das atitudes e das práticas diárias dos pais. Os filhos precisam olhar para as mãos dos seus pais, e saberem que são mãos “san­ tas, em ira nem contenda” (1 Tm 2.8). São mãos que glorificam a Deus, que não se envolvem com coisas injustas ou desonrosas. As mãos devem ser usadas de acordo com a Palavra de Deus todos os dias; o toque das mãos pode conduzir bênçãos com a palavra. Jacó abençoou os netos, tocando neles (Gn 48.8-10;13-16). Ospais devem apresentar a Palavra de Deus no seu lar “E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas” (Dt 6.9). Literalmente, os pais deveriam transcrever trechos da Lei, nos umbrais das portas de suas casas, a fim de que seus filhos sempre tivessem em mente os preceitos sagrados e o dever de cumpri-los para serem aben­ çoados em sua vida. Entre os 10 mandamentos, o de honrar pai e mãe estava destacado: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá” (Ex 20.12). Se os 118


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pais não ensinassem aos filhos esse dever, facilmente esqueceriam de preservá-lo. O que acontece hoje? A maioria dos pais cristãos não ensina a pa­ lavra de Deus no lar. M as os filhos estão diariamente, durante os sete dias da semanas, “plugados” na internet, ou diante da TV, assistindo à programação secular. O que eles lembrarão mais? Os ensinos bíblicos, que recebem uma vez por semana, na EBD (quando vão), ou os ensinos dos personagens que aparecem nas novelas, nos desenhos animados e nos programas humorísticos? A resposta é simples. O que mais enche suas mentes são as imagens multicoloridas dos programas televisivos ou dos sites da rede mundial de computadores. No tempo de Moisés, no Antigo Testamento, palavra de Deus, ou a sua Lei, tinha que ser ensinada aos filhos, a começar do lar, e não do Ta­ bernáculo. Depois, surgiram as sinagogas, que eram verdadeiras escolas de ensino doutrinário, mas a educação no lar continuava a ser a principal referência na vida e na conduta dos israelitas.

lil - O CULTO DOMÉSTICO NO NOVO TESTAMENTO No Novo Testamento, não é menor a valorização do culto em fam ília. Talvez não apareçam tantas referências, no texto bíblico neotestam entário, pelo fato de não relatar eventos de um sistem a religio­ so baseado na Teocracia, como no Antigo Testamento, em que tudo na vida social e moral tinha como centro de referência o lugar de adoração a Deus. M as o sentido e a essência da adoração verdadeira, no Novo Testamento, deixaram para trás as tradições e o ritualism o, e se fundamentaram na adoração de natureza em inentem ente espiri­ tual. Jesus resumiu o significado da adoração que ele ensinou: “M as a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem” (Jo 4.34). Os pais de Jesus tiveram educação espiritual de valor elevado. 1. A criação d e Jesu s rev ela um la r p ied oso Não resta a menor dúvida de que o casal José e M aria cultivava a adoração a Deus em seu lar. José, pai adotivo de Jesus, e sua mãe, M aria, tinham o extremo cuidado para com seu filho primogênito. Desde o seu nascimento, nos primeiros dias de vida, já cumpriram a ordenança da lei para a apresentação da criança no templo (Lc 2.21-24). 119


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Em sua primeira infância, Jesus demonstrava que tinha uma exce­ lente formação espiritual, resultante do cuidado e zelo de seus pais: “E o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele” (Lc 2.40). Em sua pré-adolescência, já sabia de cor a Torah, ou Lei do Senhor, a ponto de confundir os doutores, no templo (Lc 2.46,47). Sua origem era divina, mas sua educação foi hu­ mana, criado num lar humilde, mas seus pais eram zelosos cumpridores da palavra de Deus. 2. A fa m ília d e T im óteo Timóteo era um jovem obreiro, discípulo do apóstolo Paulo, ganho para Jesus através da pregação do apóstolo. Em sua segunda carta, Paulo fala da lembrança pelo jovem, e diz que ora por ele, trazendo à me­ mória a fé não fingida que em ti há, a qual habitou primeiro em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também habita em ti. Por este motivo, te lembro que despertes o dom de Deus, que existe em ti pela imposição das minhas mãos” (2 Tm 1.5,6). Nesse texto, vemos três gerações sucessivas, que tiveram a benéfica e marcante influência do culto doméstico. Lóide, avó do discípulo soube educar muito bem sua mãe, Eunice, nos caminhos do Senhor. Eunice, por sua vez, não deixou que a educação do filho sofresse as influências do materialismo e da filosofia que predominava em sua época. M ais adiante, na epístola, Paulo reforça o valor da educação cristã de Timóteo, desde a sua infância. Se Timóteo não tivesse participado do culto em seu lar, certamente não teria ouvido do seu pastor referência tão expressiva acerca de sua formação espiritual. Ao que tudo indica, o pai de Timóteo não era cristão, “pois sua fé não é mencionada”. 1M as a avó e a mãe dele eram mulheres sábias que souberam edificar a sua casa (Pv 14.1). Felizes os lares que têm mulheres com essas características, verdadeiras líderes espirituais, que têm capacidade para influenciar gerações. Diz Paulo a Timóteo: “Tu, porém, permanece naquilo que apren­ deste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido. E que, desde a tua m en in ice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeita­ 1 French L. ARRINGTON e Roger STRONSTAD. Comentário bíblico Pentecostal - Novo Testamento, p. 1487.

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mente instruído para toda boa obra” (2 Tm 3.14-17 — grifo nosso). O apóstolo ressalva que a Escritura tem efeito marcante na formação de uma pessoa, para que “o homem de Deus”, que tem essa instrução, seja “perfeitamente instruído para toda boa obra”. Era isso que Paulo dese­ java ver em Timóteo. Que Deus nos ajude a ver a educação cristã começar nos lares, no culto em família, e seja fortalecida na igreja local, através do ensino, na ED, nos cultos de doutrina; que a igreja seja a continuação do lar; e o lar o reflexo da igreja; que os pais não esperem da igreja a total formação espiritual de seus filhos. A semana tem 164 horas. Apenas umas 04 a 06 horas os filhos estão na igreja local (quando vão, a maioria só vai aos domingos...). Só com a realização do culto doméstico é possível evitar a terrível e avassaladora influência maligna da educação materialista que predomina na escola; e formar uma barreira espiritual contra a deseducação degradante e alienante, transmitida pelos meios de comunicação, especialmente a T V e a Internet mal utilizadas.

IV - COMO REALIZAR O CULTO DOMÉSTICO 1. P ro v id ên cia s p relim in a res Se a família já realiza o culto doméstico, não há necessidade de considerar este item. M as, se não tem o costume de fazê-lo, é impor­ tante anotar alguns fatores a serem levados em conta. Não deve impor à família a realização desse importante trabalho de ordem espiritual. a) C onscientização. Antes de tudo, é necessário e desejável que os pais conversem com os filhos, principalmente se já são adolescentes e jovens, mostrando que a partir de determinado momento, os pais desejam que todos se reúnam para o culto doméstico. Se os filhos são crianças, os pais devem mostrar sua autoridade com amor, chamando-os para a reunião em família. Neste caso, o programa do culto precisa ser ameno, agradável e atraente para as crianças. Os pais devem chamar a atenção dos filhos para os perigos que rondam seu lar, em todos os momentos. Diz a Bíblia: “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8). Esse bra­ mido diabólico é mais forte e mais sorrateiro hoje do que nunca. b) S uperar os obstáculos ao culto dom éstico. Os desencontros de ho­ rários da família têm servido para dificultar a realização do culto do­ 121


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méstico. A vida moderna tem levado a família a viver dispersa, mesmo durante o dia. Pais trabalham em horários diferentes; filhos estudam em horários diferentes, em escolas distantes, muitas vezes. Isso faz parte da vida agitada dos últimos tempos. Os filhos à “roda da mesa”, como diz o Salmo 128.3 torna-se cada vez mais difícil. M as esse é apenas um desafio que precisa ser encarado e vencido com sabedoria, determinação e com a graça de Deus. Se possível, é desejável que toda a família esteja reunida, em volta da mesa, ou na sala de visitas, de maneira informal mas reverente. Porém, se todos não puderem reunir-se, por motivo de trabalho ou de estudo, os pais devem combinar a escolha de um horário em que pelo menos a maior parte dos familiares esteja presente ao culto doméstico. Outro obstáculo é o cansaço das atividades diárias. M as tudo deve ser feito para que o lar tenha o momento de adoração a Deus. O maior obstácu­ lo, no entanto, é a pouca importância que se dá ao culto doméstico. As novelas, os filmes, os esportes e outros programas de T V têm mais valor para muitos cristãos. Filhos passam horas a fio nas redes sociais, e não falta tempo para isso. M as para a adoração a Deus há muitas desculpas. Um dia, poderemos ser questionados por Deus. Os obstáculos dificultam, mas não devem ser usados como descul­ pas para a não realização do culto doméstico. Os obstáculos podem ser vencidos com o Poder do Espírito Santo e o esforço de todos, princi­ palmente dos líderes do lar (Pai e mãe). H á tempo para todo propósito (Ec 3.1); Podemos tudo naquele que nos fortalece (Fp 4.13). O inimigo do lar pode agir com base nas desculpas. É necessário colocar o culto doméstico como prioridade. Só traz benefícios e bênçãos para toda a família. c) D efin ir o horário do culto. A duração do culto não deve passar de quinze a vinte minutos para não se tornar reunião cansativa, e não haver desculpas de que o culto atrapalha os deveres escolares, as atividades dos pais, etc. Essa é uma definição importante. d) N ão im p or o culto aos que não são crentes. H á casos em que parte da família não é cristã. Ou há pessoas afastadas da igreja. Se só os pais são cristãos, eles devem tomar a decisão de fazer o culto sozinhos, orando pelos filhos para que eles se voltem para Deus. Se só um membro da família é crente em Jesus, ainda assim pode ter seu momento devocional a sós com Deus, no seu quarto, ou em ambiente em que não seja per122


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turbado. Uma irmã idosa, serva de Deus, disse, num seminário: “Pastor, ninguém lá em casa é crente. M as eu não faço o culto sozinha”. Inda­ gamos como ela fazia. E respondeu: “Eu faço com mais três pessoas: O Pai, o Filho e o Espírito Santo”. Todos acharam interessante a colocação descontraída mas sincera daquela querida irmã. Ela não se acomodou com o fato de ter que adorar a Deus em seu lar, sem o apoio e a com­ panhia dos familiares. Um belo exemplo para quem quer dar desculpas para não fazer o culto doméstico. e) P rep a ro d e m a teriais p a ra o culto dom éstico. Devem ser providen­ ciadas Harpas Cristãs, cadernos de corinhos, e, de modo indispensável, Bíblias para todos os membros da família. Na hora do culto, é interes­ sante desligar os telefones, ou coloca-los em modo silencioso, de modo que não haja interrupção daqueles preciosos momentos de adoração a Deus no lar. Não se deixa o telefone ligado numa sala de aula, numa reunião com autoridades. No culto doméstico, estamos diante do Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. 2. O roteiro do culto dom éstico Não há um roteiro único. O programa simples do culto doméstico pode variar conforme a realidade da família. Sugerimos a seguir um ro­ teiro básico, que sempre foi usado em nossa família, e nos trouxe ótimos resultados. Hoje, pela graça e misericórdia de Deus, podemos dizer: “eu e minha casa servimos ao Senhor”. a) Cânticos. Os pais devem providenciar um hinário, a Harpa C ris­ tã, ou um caderno de corinhos, que sejam bem apreciados pela família. De preferência, cânticos que não sejam muito longos, tendo em vista o pequeno período do culto. Podem ser entoados um ou mais cânticos, com equilíbrio, para não ultrapassar o horário do culto. b) L eitura bíblica. Este é um momento especial. O pai ou a mãe, se for líder da família, escolhe um trecho da Bíblia que seja propício para a edificação dos filhos. Um salmo, um trecho de Provérbios; uma parábola de Jesus ou outro texto bíblico que não seja longo. A leitura deve ser re­ alizada, de preferência por todos os membros da família, cada um lendo um versículo, alternadamente. Esse tipo de leitura dá oportunidade de unir todos em torno da palavra de Deus. E ocasião propícia para os pais incentivarem a leitura de toda a Bíblia, a partir deles e incentivarem os filhos que sabem ler a fazê-lo. Os benefícios serão eternos. 123


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c) C om entário bíblico. O pai ou a mãe, conforme o caso, poderá fazer um comentário rápido e significativo, enfatizando aspectos do texto, e aplicando-os à vida da família; pode, também, usar o método mais informal do diálogo, fazendo uma ou mais perguntas sobre o que chamou a atenção dos filhos no texto lido. H á surpresas interessantes, nas respostas dadas. Nas ocasiões especiais, do programa da igreja local, enfatizar aspectos relevantes. Dia da Bíblia, Natal de Jesus, Ano Novo, Santa Ceia, e outros dias considerados solenes. d) P edidos d e oração. Cada um pede por seus problemas e pelos ou­ tros; em nossa experiência, criamos uma “caixinha de oração”, em que cada filho escrevia, num cartão apropriado, o seu pedido de oração, re­ gistrando a data do pedido, que era lido em todos os cultos; quando a oração era respondida, era anotada a resposta, no cartão, e dita para que todos tomassem conhecimento. Houve grande proveito nesse gesto. M uitas orações foram respondidas, até mesmo de causas que pareciam “impossíveis”. As orações não devem ultrapassar cinco a sete minutos. e) Oração. Pode ser feita por um membro da família e os outros con­ firmam com o “amém”, “assim seja”; ou pode ser feito um rodízio de ora­ ção, um após outros, com a conclusão feita pelo líder da família. Quando os filhos aprendem a orar, em casa, não têm dificuldade para orar na igreja. “Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5.16).

V - BÊNÇÃOS DECORRENTES DO CULTO DOMÉSTICO São inúmeras as bênçãos de Deus sobre a família que realiza o culto doméstico. Com ele, o altar da adoração supera o “altar da televisão”. Quando realizado desde que os filhos são pequenos, são indeléveis as marcas impressas em suas mentes para toda a vida. Até aos sete anos, a personalidade já está definida, segundo psicólogos. Crianças que partici­ pam da reunião em família, louvando a Deus, lendo a Bíblia, ou mesmo apenas ouvindo por causa da pouca idade, e veem seus pais orando com elas, certamente terão menos probabilidade de se desviarem dos cami­ nhos do Senhor. O culto doméstico não se destina apenas a crianças. Adolescentes e jovens precisam muito desse momento especial, na sua formação espiri­ 124


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tual. É por falta de culto doméstico que grande parte dos filhos de cris­ tãos está no mundo, envolvida no sexo ilícito, nos vícios e na delinqu­ ência. M uitos pais dormiram e se descuidaram de zelar pelos filhos que são “herança do Senhor”. Os benefícios são evidentes para os lares onde, diariamente, louva-se a Deus, lê-se a sua palavra e fazem-se orações. 1. Jesu s se f a z p r esen te n o la r Falando a seus discípulos, o Senhor prometeu: “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (M t 18.20). Pode haver convidado mais importante do que Jesus, participando da reu­ nião em família? Naquele pequeno período de adoração, todo o futuro da família pode estar definido. O salmista declarou: “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam” (SI 23.4). A família deve aprender e considerar que, com a presença do Senhor em sua vida, não há o que temer, se todos procuram obedecer a voz de Deus. Só esse beneficio é suficiente para justificar a realização do culto no lar cristão todos os dias. 2. Os laços esp iritu ais são fo rta lecid o s Nos momentos de louvor a Deus, pais e filhos são abençoados, e uni­ dos na presença do Senhor. Ele habita no meio dos louvores (SI 22.3). Deus agrada-se de ver um lar que se transforma em ambiente de adoração. Ao orarem, pais e filhos atraem as bênçãos, o poder e a proteção de Deus para suas vidas. Cada um pede oração. Todos sentem as necessidades dos outros. Todos oram uns pelos outros. A união da família fortalece a vida espiritual e traz bênçãos extraordinárias. Diz o salmo: “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!” (SI 133.1). Na união espiri­ tual e fraternal, naquele lar, há lugar para a bênção de Deus: “ porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre” (SI 133.3). 3. O m a l é m a n tido à distân cia Em todos os tempos, o alvo principal do adversário tem sido a fa­ mília. E nos dias atuais, os ataques ao lar têm sido incrementados de forma terrível. Pais aborrecendo filhos, filhos aborrecendo pais; espo­ sos que rejeitam as esposas e vice-versa. Separações, divórcio; drogas, prostituição, fornicação, homossexualismo, e tantos outros males, são demonstração de que a família está sendo atacada sem tréguas pelas “hostes espirituais da maldade”. Diz Pedro: “Sede sóbrios, vigiai, porque 125


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o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, bus­ cando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8). M as, se a família unir-se, em seu lar, em adoração a Deus, buscando o seu poder, diz a palavra de Deus: “Então, temerão o nome do Senhor desde o poente e a sua glória, desde o nascente do sol; vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do Senhor arvorará contra ele a sua bandeira” (Is 59.19). Os perigos que rondam o lar são muitos. E podem estar dentro da própria casa. A T V secular e internet são ferra­ mentas que podem ser usadas pelo maligno para destruir a fé, a moral e os bons costumes. M as com Cristo no lar, a vitória é certa. 4. A P a la vra d e D eus é va loriz a d a Mesmo em pequenas doses de leitura diária, a cada dia, ela vai reali­ zando seu papel transformador nas mentes dos pais e dos filhos. Seu po­ der é extraordinário. E mais forte e mais eficaz do que qualquer filosofia, do que o materialismo destruidor da fé. Diz Hebreus: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4.12). Os efeitos benéficos da palavra de Deus alcançam todo o ser, alma e espírito, e até a parte física, “juntas e medulas”. Por isso, Deus ordenou o cuidado com a ministração da palavra, todos os dias, sistematicamente, ao povo de Israel: “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos, e ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e an­ dando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te” (Dt 11.18,19). No culto doméstico, após a leitura da Bíblia, os pais devem aproveitar para ensinar a palavra de Deus, “falando delas assentado em tua casa” e em todas as ocasiões propícias. “A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos, como plantas de oliveira, à roda da tua mesa” (SI 128.3). Este versículo representa bem a cena da fam ília reunida em volta da mesa, para as refeições e para o culto no lar. No Novo Testamento, há recomendação de igual modo solene: “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (E f 6.4). Todo esse esforço é infinitamente melhor do que deixar os filhos entregues à T V (“a babá eletrônica”), ou à internet (“a professora 126


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virtual”). A leitura de toda a Bíblia é um aprendizado inestimável para a vida espiritual da família. 5. A fa m ília lo u v a a D eus “Nas tendas dos justos há voz de júbilo e de salvação; a destra do Senhor faz proezas” (SI 118.15). E gratificante e profundamente sau­ dável a adoração em família. Pais e filhos, cantando alegremente, no lar, provocam uma atmosfera espiritual de grande valor, perante Deus. Podemos estar certos de que o Senhor se volta para ouvir o louvor que sobe de corações reverentes, na reunião familiar. Que sejam desligados os iPods, os smartphones, e outros dispositivos eletrônicos, que tocam músicas profanas, que desonram o “templo do Espírito Santo”, que é nosso corpo (1 Co 6.19,20). E se abram os lábios dos servos de Deus em louvor e adoração ao Senhor. Os louvores sobem, e as bênçãos caem sobre a casa dos honram e glorificam a Deus em seu lar. 6. Toda a fa m ília ser v in d o ao S enhor Josué, sucessor de Moisés, na condução do povo de Israel a Canaã, reuniu-os e disse: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15). O povo estava desobedecendo a Deus, e Josué propôs-lhe uma tomada de decisão. Se quisessem servir aos deuses estranhos, na verdade demônios, que servissem. M as ele e sua família haveriam de servir ao Senhor, o Deus verdadeiro. Nos dias presentes, essa tomada de posição faz-se mais necessária. Os “deuses” da pós-modernidade estão nas escolas; o materialismo avas­ sala as mentes, na mídia, na educação, na cultura, na economia, no lazer, em toda a parte. Se a família não se unir em torno do Senhor Jesus, não haverá esperança. M as se os pais com os filhos unirem-se no altar da adoração a Deus em seu lar, toda a família servirá ao Senhor. “... serás salvo, tu e tua casa” (At 16.31). Vale a pena o esforço para a realização do culto doméstico. Levanta barreiras espirituais contra as forças do mal, e fortalece a vida espiritual de todos no lar.

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“A junta o p o vo , hom ens, e m ulheres, e m eninos, e os teus es­ tran geiros que estão d en tro das tuas portas, p a ra que ouçam, e aprendam , e tem am ao Senhor, vosso Deus, e tenham cuidado d e fa z e r todas as p a la vra s desta le i” (Dt 31.12).

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/ \ Escola Dominical contribui para a formação espiritual, moral e social, em todas as faixas etárias. A Igreja do Senhor Jesus deve dar a maior importância à família. A igreja local é formada por famílias, que se reúnem para adorar a Deus. E essa adoração deve ter o respaldo e a base fundamental na Palavra de Deus. Esta, por sua vez, só pode ser apreendida, através do estudo e do ensino, da doutrina, e do discipulado. Na ED, principalmente nos moldes tradicionais, tem-se uma opor­ tunidade rica de se edificar vidas e famílias, através do ensino ministra­ do nas diversas classes, distribuídas por faixas etárias. H á alguns anos, vi, numa igreja, uma placa afixada na entrada do templo: Não m ande seus filh o s à Escola D om inical: Venha com eles. O ensino cuidadoso na ED tem grande valia para a formação espiritual, moral e social das famílias, prin­ cipalmente, quando seus componentes, pai, mãe e filhos, são assíduos frequentadores das classes dominicais. Em anos passados, havia Escola Dominical em praticamente to­ das as denominações. Nas Assembleias de Deus, tanto de influência dos missionários europeus como norte-americanos, havia uma grande valorização da ED. Podemos afirmar que a maioria dos líderes, pas-


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tores, evangelistas, missionários, professores; bem como mulheres que têm liderança nas igrejas locais, como dirigentes de Círculo de Oração, professoras, esposas de obreiros, a maioria passou pela ED. Os maiores beneficiados foram as famílias, as igrejas e as nações. Em alguns países, a ED perdeu espaço. Deixou de ser realizada por vários fatores. Na América do Norte, em muitos estados, não se realiza mais a ED. Em seu lugar, é realizado um culto dominical, quase sempre o único do primeiro dia da semana. Tivemos oportunidade de verificar esse fato quando ministramos em alguns lugares. Chamou-nos a aten­ ção. Indagando o porquê dessa mudança, fomos informados de que, no domingo, para grande parte das pessoas é dia de lazer, de descanso. A igreja não pode “atrapalhar” o programa da família. Na Europa, a situação é mais complicada. A ED foi sepultada em muitos lugares depois que o materialismo ateu, ensinado nas escolas, nos colégios e nas faculdades, influenciou gerações e mais gerações a afastar-se de Deus, e assimilando a falsa teoria da evolução. Em muitas igrejas, os adolescentes e jovens não quiseram mais ir aos cultos, por não verem mais sentido. Restaram os idosos que, ao longo dos anos, por doença ou velhice, tiveram que ficar em casa. Igrejas fecharam. Sem culto, sem reuniões, sem contribuições, o caminho foi o fechamento dos templos. Muitos foram vendidos e transformados em mesquitas, em cinemas, ou em estabelecimentos comerciais. Triste fim espiritual para um continente que foi berço de grandes avivamentos cristãos! Pesquisas indicam, com razoável segurança, que, dentro de poucas décadas, a Europa será um continente islâmico. Os muçulmanos ensinam o Alcorão cuidadosamente a seus filhos desde crianças. Os cristãos, infelizmente, em grande parte, preferem ir à praia, ao lazer, ou deixar os filhos diante da televisão ou do computador, na internet, sendo “educados” com programação nada edificante para suas vidas. A maioria dos pais cristãos não vai à ED. E não têm autoridade para influenciar seus filhos a amarem a Escola Dominical. Mas a derrocada espiritual desses países, chamados de Primeiro Mundo, começou, quando os pais não tiveram mais coragem e firmeza para ensinarem a Palavra de Deus em seus lares; quando as igrejas evan­ gélicas capitularam e se deram por vencidas pelo materialismo diabóli­ co; quando os filhos deixaram de ir para as reuniões, para os cultos, para a ED. A Bíblia diz: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Pv 22.6). 129


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Em nosso Brasil, está acontecendo algo semelhante. Em diversas igrejas, não se realiza mais a ED. A exemplo do que ocorreu na outra América, estão sendo realizados cultos dominicais, pela manhã, e mais nenhuma outra reunião. Isso para que as famílias tenham mais tempo para o lazer. E sintoma de desvalorização do ensino da Palavra de Deus. H á ensinadores e teólogos que dizem que a ED, nos moldes que conhe­ cemos, com o ensino por faixas etárias, está ultrapassada. É retrógrada. Em lugares onde a Palavra de Deus é desprezada, fecham-se Escolas Dominicais, fecham-se igrejas. E abrem-se motéis, bares, e prisões de segurança máxima. Já ouvimos até de pastores da Assembleia de Deus dizerem que a ED não está na Bíblia. Verdadeira ignorância. Se o etíope, mordomo da Etiópia, tivesse frequentado a ED, não teria ficado anos sem entender a Palavra de Deus. “E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías e dis­ se: Entendes tu o que lês? E ele disse: Como poderei entender, se alguém me não ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse” (At 8.30,31). O alto representante etíope só entendeu a Palavra, quando Filipe lhe explicou. E sua explicação foi tão eficaz que o homem pediu para ser batizado em águas. Na ED, nas classes específicas, por faixas etárias, muitas questões podem ser explicadas e respondidas a contento. Diz a Palavra de Deus: “Examinai tudo. Retende o bem” (1 Ts 5.21). Examinando a origem, o desenvolvimento e os efeitos da ED na vida de homens e mulheres de Deus, ao longo da História, constatamos que tem sido grande o benefício para a igreja do Senhor Jesus. Nem todos podem frequentar um curso teológico, que propicia melhor aprofundamento no conhecimento bíblico. M as todos podem frequentar uma ED, que é a maior escola bíblica do mundo. Ainda hoje, em pleno século XXI, a família pode ser altamente beneficiada pelo ensino bíblico na ED.

I - ORIGEM E FINALIDADE DA ESCOLA DOMINICAL 1. Origem da Escola D ominical Foi num domingo de 1890, quando o jornalista inglês, Robert Raikes, crente metodista, estava em sua escrivaninha, buscando escrever um editorial sobre a melhoria do sistema carcerário de sua cidade. Naquele momento ele foi interrompido pelo barulho de crianças que brincavam na rua, dizendo palavrões, e brigando o tempo todo. Ali, 130


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ficou pensativo, imaginando o que seria daquelas crianças, crescendo sem amor, e sem educação. Era o período da Revolução Industrial. O trabalho infantil era comum. As crianças trabalhavam, ao lado de seus pais, para ajudar na renda familiar. Aos domingos, os pais descansavam, e as crianças ficavam nas ruas, brincando e brigando. Qual seria o futuro daqueles meninos? Pensava Raikes. Não havia escolas públicas na Inglaterra. Só os mais abastados podiam matricular os filhos nas escolas particulares. Profundamente tocado, ele deixou de lado o editorial sobre a re­ forma dos presídios e passou a escrever outro artigo sobre as crianças pobres, que cresciam sem estudar. Quando o jornal saiu, o artigo de Raikes chamou a atenção da comunidade. Uns, ficaram solidários com ele. Outros o criticavam, dizendo que não deveria estar preocupado com crianças, filhas de operários, quando “havia assuntos mais importantes” para se tratar. Raikes, “no próximo editorial, expôs seu plano de começar aulas de alfabetização, linguagem, gramática, matemática, e religião para as crianças, durante algumas horas de domingo. Fez um apelo através do jornal, para mulheres com preparo intelectual e dispostas a ajudar-lhes neste projeto, dando aulas nos seus lares. Dias depois, um sacerdote an­ glicano indicou professoras da sua paróquia para o trabalho”.1 Foi um apelo à solidariedade. “As histórias e lições bíblicas eram os momentos mais esperados e gostosos de todo o currículo. Em pouco tempo, as crianças apren­ deram não somente da Bíblia, mas lições de moral, ética, e educação religiosa. Era uma verdadeira educação cristã”2. As crianças, a prin­ cípio, estranhavam por estar trocando as brincadeiras pelos estudos. M as, logo, viram a grande bênção de Deus em suas vida, pois pas­ saram a aprender a ler, escrever, e, o mais im portante, a conhecer a Cristo como seu Salvador, nas aulas dominicais. Além disso, Raikes proporcionou um trabalho de ação social em prol das crianças po­ bres, conseguindo alimento e agasalho para elas, pois sofriam muito na época de frio. Os professores da Escola D om inical eram volun­ tários. Alguns recebiam pequena ajuda. Outros gastavam do próprio bolso para atender à ED. 1 Ruth Doris Lem os. "A m inúscula semente de mostarda que se transformou num a grande á rvo re”. Disponível em www.epad.eom .br; acessado em 17/04/2007. 2 Ibid.

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Como em todo trabalho de quem sonha para ajudar os outros, Raikes teve forte oposição de quem menos se esperava, ou seja, dos pastores de algumas igrejas. Eles reclamavam porque não gostavam de ver as igrejas, recebendo crianças “m al comportadas” e sujas! A se­ mente da ED foi uma “boa sem ente”. Quatro anos depois, em 1784, após espalhar-se por várias cidades, já contava com 250 m il alunos. Em 1811, quando Raikes faleceu, a escola já m atriculava 400 m il alunos, sendo, de longe, a escola que mais alunos tinha no país. Logo, os pais verificaram a mudança no comportamento das crianças, e passaram a dar apoio à iniciativa oportuna e louvável do jornalista Raikes. As fam ílias foram as maiores beneficiadas no seio da comu­ nidade. No Brasil, a ED foi fundada em 1855, pelo missionário Kalley, ini­ ciando com o ensino a jovens e adultos. Depois, foram admitidas crian­ ças e adolescentes. “Hoje, a Escola Dominical conta com mais de 60 milhões de alunos matriculados, em mais de 500 m il igrejas protestantes no mundo.”3 2. F in alid ades da E scola D om in ica l Pela sua origem, entendemos que a ED foi criada com a finalidade de resgatar crianças da rua através da evangelização e do ensino secu­ lar para melhor compreender a Palavra de Deus. De certa forma, essa finalidade evangelística tem sido deixada de lado. Raras são as EDs que possuem classe de evangelização e de discipulado. Ê por demais desejável que a igreja resgate esse objetivo da ED. O ensino bíblico sistemático, finalidade relevante, nas classes por faixas etárias, deve continuar pois é de grande significado para a formação dos cristãos. M as algumas providências devem ser tomadas para que a ED cumpra seu papel evangelizador.

II - A ED AUXILIA NA FORMAÇÃO DO CARÁTER O caráter “é o aspecto psíquico da personalidade. O caráter é a ca­ racterística responsável pela ação, reação e expressão da personalidade. E a maneira própria de cada pessoa agir e expressar-se. Tem a ver com a própria conduta. E a “marca” da pessoa.4 O caráter faz parte da persona­ lidade; “E adquirido, não herdado...Resulta da adaptação progressiva do 3 Ibid. 4 A n tô n io G ilb e rto . Manual da Escola Dominical, p. 184.

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temperamento às condições do meio ambiente: o lar, a escola, a igreja, a comunidade, o estado socioeconômico...”5 Tendo como base do ensino a Palavra de Deus, através das lições ministradas em cada classe por faixa etária, a ED torna-se inestimável auxiliar na formação do caráter. E fato notório que a maioria dos líderes das igrejas, os missionários, os dirigentes, os pastores e outros obreiros, todos passaram pela ED.

III - A ED FORTALECE A PERSONALIDADE CRISTÃ 1. O que ép erso n a lid a d e Personalidade é definida como “O que determina a individualidade duma pessoa moral. O elemento estável da conduta de uma pessoa; sua maneira habitual de ser; aquilo que a distingue de outra” {Aurélio). “A personalidade é formada durante as etapas do desenvolvimento psico-afetivo pelas quais a criança passa desde a gestação. Para a sua formação incluem tanto os elementos geneticamente herdados (temperamento) como também os adquiridos do meio ambiente no qual a criança está inserida.”6 A personalidade, portanto, é construída. Pode-se dizer que personalidade é: “A organização dinâmica dos tra­ ços no interior do eu, formados a partir dos genes particulares que herda­ mos, das existências singulares que suportamos e das percepções individu­ ais que temos do mundo, capazes de tornar cada indivíduo único em sua maneira de ser e de desempenhar o seu papel social (BALLONE, 2003).7 A formação da personalidade começa na infância. Dizem estudio­ sos que a personalidade de uma pessoa está definida até aos sete anos de idade. O que ela aprender e apreender, até esta fase, comprometerá todo o seu desenvolvimento psíquico, emocional, afetivo, social etc. Daí, po­ demos ver como é importante o papel da Escola Dominical na formação da personalidade das crianças. Certamente, é o que a palavra de Deus adverte: “E nsina o m enino no cam inho em que d ev e andar, e a té quando envelhecer, não se esquecerá dele” (Pv 22.6, A R A — grifo nosso). Essas definições, de caráter científico, mostram que a personalida­ de tem componentes genéticos, educacionais, familiares, e psicossociais, em que o indivíduo vai se tornando “único em sua maneira de ser e 5 Ibid., p. 184. 6 Disponível em www.centroreichiano.com.br Acessado em 19/05/2007 7 Ibid.

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de desempenhar seu papel social”. Em outras palavras, na formação da personalidade entram em ação fatores hereditários (herança genética dos pais: cor da pele, dos olhos, estatura etc), e am bientais (formação familiar, escolar, cultural, moral, ética, espiritual etc.). Desse modo, é grande é a importância da ED na igreja, para a for­ mação da personalidade dos alunos. Os fatores ambientais podem ser grandemente influenciados pelos princípios elevados do ensino bíblico. 2. A ju v en tu d e é ben eficia da Os adolescentes e jo v e n s podem ser fortalecidos em sua personalida­ de. Os adolescentes estão na fase, em que buscam a sua identidade, pre­ ocupam-se muito consigo mesmos, reorganizando sua personalidade; “quem sou eu?”, “Por que sou assim?”, “Qual o meu futuro?”, “M eus pais não me entendem”; muitos desviam-se das igrejas nessa fase. É necessá­ rio muita atenção por parte dos pais, e da igreja, na contribuição para a formação da personalidade deles. Os jovens, enfrentando as turbulências da adolescência, acabam, de uma forma ou de outra, conscientizando-se de seu papel na sociedade. Pensam seriamente nas escolhas: escola, faculdade, profissão, namoro, noivado, casamento, vida espiritual etc. “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra” (SI 119.9); “Foge, também, dos desejos da mocidade; e segue a justiça, a fé, a caridade e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” (2 Tm 2.22). A juventude cristã, que frequenta a ED tem sido instruída e alertada contra esses males próprios de uma sociedade sem Deus, materialista e hedonista. 3. A ED e os adultos Os adultos são fortalecidos em sua vida, podendo contribuir para a formação dos mais jovens: “Os passos de um homem bom são confir­ mados pelo SENHOR, e ele deleita-se no seu caminho” (SI 37.23). Há adultos que não têm consciência da vida cristã por terem uma formação espiritual deficiente, ou por só terem aceito a Cristo na idade adulta. A ED precisa ajudar a lapidar o caráter dessa pessoa. A ED é uma escola de discipulado por excelência. Em cada classe, havendo professores bem preparados, os alunos podem ser formados para serem bons discípulos de Jesus, e não apenas membros ou congre­ gados das congregações e igrejas. Jesus mandou fazer discípulos, ensi­ nando todas as coisas que Ele havia mandado. 134


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FAMÍLIA E A ESCOLA DOMINICAL

IV - A ED PREPARA OS ALUNOS PARA DEFENDEREM SUA FÉ Em todos os ambientes, notadamente, nas escolas seculares, predomi­ na a educação materialista. E grande parte dos crentes não tem condições de argumentar em defesa da fé. Alguns ficam calados ante as investidas dos falsos “mestres”. E outros não sabem como confrontar as ideias materialistas e ateístas, por falta de conhecimento bíblico e teológico. Grande número de crentes tem conhecimento muito superficial das verdades bíblicas. A ED, através de um ensino baseado num currículo bem elaborado, pode contribuir para a verdadeira apologética (defesa da fé), dando aos alu­ nos conhecimentos bíblicos, teológicos fundamentados na verdadeira ciên­ cia, para que os seus alunos possam enfrentar os ataques do materialismo. Nos cultos de doutrina, os obreiros podem passar para os crentes os ensinos fundamentais que fortalecem a fé e o caráter cristão. No en­ tanto, em tais ocasiões, eles falam para um auditório heterogêneo, numa linguagem única para segmentos diversos de pessoas. A ED, com suas lições apropriadas para crianças, adolescentes, jovens e adultos, aborda assuntos da atualidade, os grandes problemas morais de nosso tempo, como aborto, eutanásia, gravidez substituta (“barriga de aluguel”, sexo grupai, homossexualismo desenfreado, transexualidade (mudança de sexo). Tudo isso pode ser abordado e discutido na ED, de tal forma que os alunos possam melhor posicionar-se sobre tais problemas, à luz da santa Palavra de Deus. Com lições que ensinam sobre seitas e heresias, a ED presta uma contribuição excelente, para que os crentes não caiam nas armadilhas sutis das falsas religiões, que se apresentam travestidas de cristãs, mas, na realidade, são instrumentos do M aligno para afastar as pessoas de Deus. Quando a ED é bem estruturada, os professores falam para alunos se­ parados por faixas etárias, numa linguagem própria para cada grupo es­ pecífico: crianças, adolescentes, jovens, ou adultos. No mundo, há um número inimaginável de escolas. Todavia, nenhu­ ma instituição escolar tem um efeito tão benéfico sobre a família como a ED. Em todos os países, que valorizam as igrejas, sempre tem havido pessoas que se tornaram úteis à sociedade, e frequentaram a ED. Portan­ to, as igrejas evangélicas precisam valorizar ainda mais essa, que é, certa­ mente, a maior escola de formação do caráter e de vidas transformadas.

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“Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais...porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15).

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V igreja local tem grande valor para a formação espiritual das fa­ mílias cristãs. E a única instituição em que o cristão e sua família podem apoiar-se, neste mundo de mudanças e incertezas, sendo abençoado por Deus em todas as áreas da sua vida. Os lares em geral estão sofrendo terríveis ataques das intempéries espirituais que combatem contra a família, e muitos não têm resistido e sucumbido espiritualmente. A escola é uma instituição prejudicada pelas falsas visões de mundo, sendo dominadas pelo materialismo. Só resta a igreja, fundamentada na Palavra de Deus como ponto de apoio espiritual e moral para a família. I - CONCEITOS IMPORTANTES 1. A I g r e ja no sen tid o u n iv ersa l

Nesse aspecto, Ela é chamada de o “Corpo de Cristo”, ou a “Noiva do Cordeiro”. Essa é formada por todos os crentes, salvos, vivos (ou mortos), santos e fiéis. Só pode ser vista, ao mesmo tempo, por Deus, que, do seu trono, vê todas as pessoas, e todas as coisas, num “eterno agora”, no dizer de um grande teólogo. Como tal, a Igreja é um or­ ganismo espiritual, tendo Cristo como a Cabeça (C l 1.18) e os crentes


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como seu Corpo. A Igreja, nesse aspecto, tem a administração espiritual, sobrenatural, sob a direção do Espírito Santo (Jo 14.26). Só precisamos colocar-nos sob sua dependência e tudo funciona bem. É a essa Igreja que se refere o escritor do livro de Hebreus (Hb 12.22,23). Nessa Igreja (com “i” maiúsculo), só os salvos de verdade es­ tão incluídos, tantos vivos, como os que já morreram, desde a fundação do mundo. 2. A ig r e ja no sen tid o loca l No âmbito da igreja local, Ela é formada por pessoas que se unem, e se reúnem, para adorar e servir a Deus, em um determinado lugar (bairro, região, país, etc.), e é formada pelos crentes, salvos (ou não), e pode ser vista por Deus, e, também, pelas pessoas em geral. No meio dessa igreja (local), estão “o trigo” e “o joio”, ou seja, os crentes fiéis, e, ao mesmo tempo, aqueles que não são fiéis, ou santos. Como organização, a igreja precisa de direção, de atividades, normas, de estatutos, e de ações humanas. É a igreja local o ambiente especial, consagrado para Deus, a fim de que as famílias e as pessoas em geral se reúnam para a adoração, para a pregação, o ensino, o discipulado e a assistência espiritual, moral ou social de que necessitem.

II - A FAMÍLIA: O ELEMENTO BÁSICO DA IGREJA Podemos dizer que o lar deve ser uma extensão da igreja, e a igreja, uma extensão do lar. A família de Deus deve viver e conviver no am­ biente do lar, de tal forma que a presença de Deus possa ser sentida, no seu seio, não apenas quando seus membros reúnem-se na igreja local. Quando uma família serve a Deus, e os pais cultivam o saudável cos­ tume de realizar o culto doméstico, os filhos valorizam o lugar onde se adora ao Senhor coletivamente. Para que a família, ou o lar, seja uma extensão da igreja local, é da maior importância que, no lar, haja um ambiente espiritual, que valo­ rize a adoração a Deus. Se adolescentes e jovens, além de viverem plugados na internet, passam horas diante da televisão secular, assistindo novelas e outros programas alienantes, será muito difícil alcançar-se esse objetivo de ver a fam ília integrada na igreja. A solução para pos­ sibilitar essa integração fam ília-igreja e vice-versa é a realização do culto doméstico. 137


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110- A IGREJA ACOLHENDO AS FAMÍLIAS A maior parte das famílias, no mundo atual, está desorientada, sem rumo e sem segurança, em direção à eternidade. O espírito do anticristo trabalha diuturnamente para destruir a instituição familiar. A Igreja do Senhor Jesus Cristo é a única entidade, no mundo, que se preocupa com o futuro espiritual da família. E no ambiente da igreja local, que a comu­ nidade em sua volta pode descobrir que existe uma proposta relevante para o fortalecimento do casamento, do lar e da família. 1. A n a tu rez a hu m a na da ig reja Em todos os lugares onde há pessoas, há problemas de relaciona­ mento humano. A igreja, no seu aspecto local., não poderia ser diferente. Ela não é formada por anjos, ou por espíritos, mas por pessoas, de carne e osso, com suas virtudes e defeitos. Só a igreja no seu sentido universal, como noiva do Cordeiro, é que não tem problemas ou defeitos. As lide­ ranças cristãs devem atentar bem para a realidade humana, na igreja lo­ cal. Não há mais lugar, nos tempos presentes, para governos autocráticos e prepotentes, que dirigiam a igreja como se fossem seus donos ou seus capatazes, com poderes absolutos sobre as vidas das pessoas e de suas fa­ mílias. Esse estilo foi causador de muitas divisões e descontentamentos, e matou muitas pessoas, excluídas por motivos banais, sem fundamento bíblico. Esse tempo passou. Por outro lado, não se deve adm itir que a igreja local é espaço para o governo democrático, no sentido sociológico da palavra, como “governo do povo, pelo povo e para o povo”. Esse estilo também mata. Conduz o povo ao liberalismo e ao relativismo, que ignora os ditames da Palavra de Deus. M as é possível, com sabedoria e graça de Deus, desenvolver-se uma liderança participativa. Primeiro, com a participa­ ção de Deus, através do Espírito Santo, governando o lado espiritual. Em segundo lugar, com a participação da liderança, em harmonia e integração com os liderados, nas decisões de ordem humana ou adm i­ nistrativas. 2. As n ecessidades das pessoas A igreja não pode atender a todas as necessidades pessoais, mas pode usar os recursos concedidos por Deus para atendê-las da melhor maneira possível, com a graça, a sabedoria e a unção de Deus. Podemos resumir as necessidades das pessoas e de suas famílias, como se segue: 138


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N ecessidades esp iritu a is São as necessidades mais prementes do espírito humano. As pessoas, quando aceitam a Cristo como Salvador, vêm do mundo sentindo suas grandes necessidades espirituais. Elas necessitam de salvação, graça, co­ nhecimento de Deus, amor de Deus, e de paz com Deus (Rm 5.1); suas almas anelam ter alegria espiritual (Lc 1.47); paz de espírito (Fp 4.6). É Deus, através do Espírito Santo, quem satisfaz plenamente a es­ sas necessidades. M as é a igreja local que torna essa assistência concreta na vida das pessoas, evangelizando, congregando, cultuando, ensinando, discipulando, com amor e compreensão, e levando os crentes à dimen­ são espiritual mais elevada. Famílias bem discipuladas podem contribuir para o crescimento na graça e conhecimento do Senhor Jesus Cristo (cf. 2 Pe 3.18). N ecessidades em ocion a is São necessidades da alma. O salmista expressou esse tipo de neces­ sidade, quando exclamou: “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?” (SI 42.2). As pessoas procuram a igreja porque esperam obter nela a satisfa­ ção dessas necessidades intangíveis, que os bens materiais não podem satisfazer. Através da adoração, da comunhão fraternal e do bom re­ lacionamento humano; de momentos de confraternização, de atenção, empatia, dedicação ao relacionamento interpessoal, de aconselhamento, nos momentos de necessidade, bem como de momentos de sadia con­ fraternização social, a igreja local torna-se acolhedora e relevante para a maioria dos que a ela se dirigem. É fato que a igreja jam ais poderá satisfazer às expectativas de todas as pessoas. Sempre haverá alguém insatisfeito. Nem Jesus Cristo satisfez a todos. Quando a liderança da igreja entende que as pessoas não têm só necessidades espirituais, mas emocionais e até físicas, ele pode ser bem-sucedido no seu ministério. 3. Laços p sico ló gico s en tr e as pessoas No relacionamento interpessoal, na igreja, observam-se as reações que normalmente afetam todas as pessoas, sejam crentes ou não. O ser humano não se livra de seus sentimentos positivou ou negativos pelo fato de aceitaram a Cristo. Seus temperamentos continuam com suas virtudes e defeitos. E precisam ser orientadas a cultivar as virtudes e evi­ 139


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tar a expressão de suas fraquezas. H á mensagens abundantes na Palavra de Deus que orientam o bom relacionamento humano. A ntipa tia Pode parecer estranho, mas há pessoas que sentem antipatia por outras. E, quando esse fenômeno é acentuado, a igreja pode sofrer desgaste e suas ações podem não ser bem-sucedidas, nas diversas atividades. Se as pessoas não têm simpatia uma com a outra, o trabalho não produz. Na igreja, infe­ lizmente, isso pode ser observado. O Diabo tem procurado cirandar muito, jogando uns contra os outros, provocando dissenção entre irmãos. S im p atia Quando há simpatia, há colaboração, há cooperação, e o trabalho da igreja rende mais. Paulo elogiou o trabalho deTito e de companheiros que o ajudavam em seu ministério, identificando-se com ele (2 Co 8.22,23). As igrejas precisam de pessoas com esse caráter; as famílias preci­ sam desenvolver laços de amizade entre seus membros, para que possam levar esses sentimentos à igreja local. Entre o líder e os membros da igreja podem manifestar-se esses sentimentos, bem como entre o líder e seus colegas de ministério. É preciso vigiar as emoções. Deus não admi­ te que aborreçamos um irmão. É perigoso e pode comprometer a salva­ ção. Quem aborrece a seu irmão é considerado assassino (1 Jo 3.15,16).

IV - A FAMÍLIA DO MINISTRO DA IGREJA As atividades do ministério, quando se avolumam, tendem a causar dificuldades no relacionamento entre o obreiro, sua esposa e seus filhos. M as, segundo a Palavra de Deus, a família deve ter prioridade na vida do homem de Deus, sob pena de surgirem brechas que podem ser usa­ das pelo Inimigo para prejudicar a vida cristã. Neste estudo, abordamos alguns aspectos considerados importantes para que o relacionamento entre o obreiro e a família seja saudável e proveitoso. De todas as famí­ lias que há, nas igrejas, a família do ministro, do líder, é a mais observada. O obreiro precisa ser exemplo do rebanho (1 Pe 5.3) e exemplo dos fiéis (1 Tm 4.12). 1. A v id a con ju ga l do obreiro O ministério não dispensa o obreiro dos deveres de esposo. Como tal, ele deve agir da melhor maneira possível. Nenhuma outra atividade 140


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exige da família identificação com o trabalho do esposo como a ativi­ dade de obreiro. O obreiro pode (e deve) comportar-se como esposo exemplar para as famílias da igreja. 2. A m ando a esposa (E f5.25-29) Isso exige demonstrações práticas de carinho, de afeto. (Pv 31.29; Ct 4.1; 1.16), através de palavras, gestos (cf. 1 Jo 3.18). Para muitos, as ex­ pressões “eu te amo”, “gosto de você” e outras são coisas do passado. Sem essas pequenas coisas, o casamento do obreiro torna-se azedo, sem graça, e pode abrir brecha para a ação do inimigo. O exemplo do obreiro, no amor à sua esposa é referência para os casais e famílias sob seu pastoreio. 3. C om u n ica n d o-se com a esposa A falta de comunicação entre obreiro e sua esposa tem sido uma das principais causas eficientes para o desgaste em seu matrimônio; o corre-corre do dia, os estresses do pastorado, os excessos de atividades ministeriais, com administração, viagens, compromissos diversos, aten­ dimento pastoral, visitas pastorais, muitas vezes, não deixam tempo para o obreiro dedicar-se à esposa. O resultado, muitas vezes, é o esfriamento do amor conjugal. H á estudos que comprovam que a falta de diálogo, de conversa a dois, de atenção um ao outro, contribui mais para o adultério do que a atração ou sedução sexual. Assim, é indispensável o obreiro refletir sobre sua agenda, e reservar tempo para comunicar-se com sua esposa. Davi tinha várias mulheres e concubinas. M as, com o tempo, sofreu o desgaste do relacionamento com suas esposas, e acabou caindo em adultério, de modo gratuito e perigoso. O obreiro deve alimentar o melhor relacionamento com sua esposa, para que os impulsos carnais não sejam meios para a destruição do casamento e do seu ministério. As pessoas ouvem as pregações, mas observam a vida do obreiro. 4. Z elando p e la esposa (E f5.29) H á obreiros que só querem zelo para si; não cuidam de suas espo­ sas, na parte espiritual, emocional e física; muitos até envergonham-se da esposa, pela sua aparência física. Esse zelo expressa-se na honra à esposa (1 Pe 3.7). H á obreiros que se envergonham de suas esposas. Às vezes, por causa das marcas do tempo em suas mulheres, quando per­ dem a graça da juventude, há obreiros que deixam de se interessar por suas esposas; isso é brecha para o adversário penetrar no relacionamento. 141


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Honrar a esposa, dando-lhe o apreço e o respeito necessário, é fator de­ cisivo para uma vida conjugal ajustada e gratificante. E exemplo para as famílias da igreja que o obreiro dirige. 5. Z elando p e lo casam ento O obreiro deve ter certos cuidados, no zelo pelo seu matrimônio. Deve usar sempre sua aliança; no gabinete pastoral, ter coisas que lembrem sua esposa e filhos (fotos); evitar envolvimento com pessoas da igreja, que pos­ sa causar prejuízo ao ministério e ao casamento; no aconselhamento, ter muito cuidado para não envolver-se com mulheres que estão em dificulda­ de matrimonial. Sabemos de diversos casos, em que o conselheiro caiu em pecado com a pessoa aconselhada, porque não orou nem vigiou acerca dos sentimentos, e envolveu-se no pecado do adultério, perdendo a reputação, a honra e o ministério. O diabo trabalha 24 horas por dia para destruir minis­ térios. Ele não se impressiona com sermões bonitos, nem com operação de milagres. Ele foge do obreiro que anda de joelhos, na unção de Deus. 6. União com a esposa (1 Co 1.10) Essa união deve ser, não só espiritual, mas amorosa, afetiva; o obrei­ ro deve, não só amar sua esposa, mas saber demonstrar esse amor, através de: Afeto, carinho, palavras (C t 4.1,0; Pv 31.29); investir na intimidade com a esposa; gestos, abraços, carícias (1 Jo 3.18; 1 Pe 3.8); é preciso manter o namoro no casamento; zelando e fazendo o possível em favor do cônjuge (E f 5.25,29). O amor deve ser o elo principal no relacio­ namento entre o obreiro e sua esposa. Se não houver amor, tudo pode desabar. Esse amor deve ser dominado pelo amor “ágape” (cf. 1 Co 13). 7. C uidar da p a r te sex ual (1 Co 7.3,5) E importante para o equilíbrio espiritual, emocional e físico do obreiro e sua esposa. Quando o casal não vive bem nessa parte, o D ia­ bo procura prejudicar o relacionamento, a fim de destruir o ministério e a família. O Diabo tem trabalhado de modo constante para levar o obreiro a pecar nessa área. Ministérios têm sido destruídos por causa da infidelidade conjugal de muitos ministros pelo mundo afora. 8. F u gir das ten tações O obreiro, por mais que se considere santo, não está imune às ten­ tações. Jesus em tudo foi tentado, mas não pecou (Hb 4.15). Se Jesus foi tentado; Davi foi tentado (e caiu vergonhosamente); Sansão foi tentado; 142


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Salomão foi tentado. O obreiro, nos dias presentes, não pode achar que está livre de cair em tentação. Alguns conselhos práticos podem resguar­ dar o obreiro da vergonha da queda, e da destruição de seu ministério, do seu casamento, e da sua honra.

V - O OBREIRO E SEUS FILHOS 1. O rela cion a m en to do líd er da ig re ja loca l com seus filh o s Tem grande importância para as famílias cristãs. Dentre as qualifi­ cações exigidas para o bispo (pastor, presbítero), destaca-se a capacidade de governar bem a sua casa, especialmente os seus filhos (1 Tm 3.4,5). 2. Os ataques à fa m ília do p a sto r As famílias dos pastores de igreja são muito atacadas pelo Inimigo. O alvo principal é o seu líder. M uitas vezes, o comportamento dúbio do pai leva ao descrédito por parte da igreja: na igreja, é um santo; em casa, neurastênico, violento, sem amor. Isso destrói o lar. M ais devastador, ainda, são os escândalos na vida do obreiro: assassina a confiança dos filhos; destrói a confiança dos crentes e de suas famílias. 3. C uidados no relacion am en to com osfilh os Devem ser os mesmos que todo pai cristão precisa ter com seus filhos. H á pastores que são tão ausentes na vida dos filhos por de­ dicarem-se demasiadamente às tarefas ministeriais. Para eles, colocar o Reino de Deus e sua justiça em primeiro lugar significa deixar de lado tudo, inclusive a família. E um grande equívoco. Um velho pastor, que implantou quase 100 igrejas, me disse: “Ganhei tantas pessoas para Jesus. M as perdi quase todos os meus filhos... porque não soube dar atenção a eles. Estão quase todos desviados. Se pudesse recomeçar, faria diferente. Cuidaria da igreja, sem deixar meus filhos em último plano”. Pastores não podem deixar de ser pais de verdade. São indispensáveis, na vida dos pastores, alguns cuidados com seus filhos: afeto, cuidados espirituais, comunicação e disciplina.

VI - A FAMÍLIA NA IGREJA LOCAL 1. Toda a fa m ília ser v in d o ao S enhor A família, participando do corpo de Cristo, de maneira ativa e com­ prometida. 143


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a) A dorando a D eus. É uma grande bênção, quando a família sente-se alegre em ir à igreja para adorar a Deus, participando ativamente do culto e não apenas como meros assistentes (SI 122.1). b) A fa m ília serv in d o a Deus. Os pais devem dar o exemplo, enga­ jando-se no serviço a Deus, estimulando seus filhos a fazerem o mesmo. Quando os filhos participam de atividades, na igreja local, cantando, to­ cando, participando da evangelização; quando são alunos da ED, ao lado de seus pais, dificilmente o maligno consegue afastá-los dos caminhos do Senhor. Envolvidos na obra do Senhor, os filhos se afastam do mundo. c) A fa m ília contribuindo. Desde cedo, a família deve ser ensinada sobre o valor da contribuição para a casa do Senhor. Os filhos precisam cons­ cientizar-se de que entregar o dízimo, fielmente, e contribuir com ofertas voluntárias, é também forma de adoração a Deus, através dos rendimentos familiares. Sabemos de filhos que, recebendo pequena mesada de seus pais, retiram o dízimo e entregam ao tesouro da igreja. Isso é educação cristã. E é motivo para receber bênçãos da parte de Deus (M l 3.10-12). 2. O que d e v e ser ev ita d o na ig reja A família deve ser educada a saber comportar-se no ambiente da igreja local. a) M au testem unho. Quando membros da igreja dão mau testemu­ nho, contribuem para o desgaste e o descrédito da igreja local. Conhe­ cemos o caso de um obreiro que, na igreja, era um santo. Em casa, era um monstro. Terminou, destruindo seu casamento por causa de seu mau testemunho. b) R eferên cia s n ega tiva s no lar. H á pais que vivem criticando a igreja local, falam mal dos pastores e líderes. Isso tem efeito muito prejudicial na família (Tg 4.11). c) M au com portam en to nos cultos. H á pessoas que se comportam muito mal nas igrejas, conversando, sem reverência. M uitos nem espe­ ram pelo final do culto e saem correndo, antes do apelo ou da bênção apostólica. H á crianças que se comportam como se estivessem num par­ que de diversão na hora do culto. Isso é falta de educação doméstica. O obreiro e sua família devem ser exemplo dos demais irmãos (Ec 5.1).

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Eu E MINHA CASA SERVIREMOS ao S enhor “Porém, se vos p a rece m a l aos vossos olhos s e r v ir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirva is: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos am orreus, em cuja terra habitais;porém eu e a m inha casa ser v ir e­ mos ao S enhor ’ (Js 24.15).

L __evar a família a servir ao Senhor, nos dias presentes, é um desafio que só se vence com a graça e o poder de Deus. Hoje, nestes tempos trabalhosos, a que se referiu o apóstolo Paulo, não é fácil ter uma família inteira servindo a Deus. E comum, mesmo em famílias de cristãos since­ ros, e até de pastores, haver membros da família que não servem a Deus. A vida pós-moderna conspira contra a família, contra o lar e contra o casamento. Se na época de Josué, o grande líder que substituiu Moisés na liderança do povo israelita em direção a Canaã, era um desafio levar a família a servir ao Senhor, não é difícil entender que essa missão é muito mais desafiadora e preocupante nos dias presentes. “Os tempos atuais são tempos difíceis para a família cristã. A maio­ ria dos pais sabe que, para criar os filhos de acordo com os elevados princípios da Palavra de Deus, e ter seu lar encaminhado na vontade do Senhor, é um desafio muito grande. A vida moderna é moldada, em geral, pelos valores anticristãos, anti-Deus, e que rejeita a autoridade da Palavra revelada como sendo verdadeira.


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O lar, como instituição divina, ao lado do casamento, e da família, tem sido atacado, diuturnamente, por forças malignas poderosas, que amea­ çam a cada dia destruir os alicerces da família. Contudo, os cristãos têm a seu dispor todas as armas para rechaçar os ataques do Maligno. A oração, 0 jejum, a Palavra de Deus, no Nome de Jesus, o poder do sangue de Cris­ to, em comunhão com o Espírito Santo, não são armas carnais, “mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas” (2 Co 10.4).1 O carcereiro de Filipos experimentou grande impacto na sua famí­ lia, quando, em meio ao que parecia o fim para sua vida, quando pensou em suicidar-se, pôde ouvir a mensagem do evangelho poderoso de Jesus Cristo, através de Paulo e Silas na prisão daquela cidade. Espavorido, após presenciar os efeitos sobrenaturais do poder de Deus, abrindo as portas do cárcere, abaladas as estruturas do terrível edifício, o homem fez a pergunta que todos deveriam fazer: “Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar?” (At 16.30) O que fazer para ser salvo? Se a pergunta era tão instigante e sig­ nificativa, a resposta dada pelos apóstolos teve tanta significação, que o homem convidou toda a família a aceitar a Cristo. “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” (At 16.31). Era o que ele precisava ouvir. E o que todos os homens precisam ouvir por parte dos que for­ mam a Igreja de Jesus nos dias atuais. A eficácia da mensagem foi tão poderosa que o texto nos diz que sua família, não só aceitou a Cristo, mas logo todos foram batizados em águas, confirmando a feliz decisão. Ele pôde dizer como Josué: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor”. Neste capítulo, podemos ter uma visão de como podemos levar nossa família a servir ao Senhor, a despeito de todos os embates contra as for­ ças contrárias à fé em Deus, no Deus verdadeiro, que fez o céu e a terra.

1- O EXEMPLO DE NOÉ 1. Uma fa m ília d e ser v o s d e D eus Metusalém foi o homem mais longevo em toda a história do ser humano na terra. Foi filho de Enoque, que se tornou um exemplo de servo de Deus, dotado de qualidades especiais, a ponto de não ter pas­ sado pelo aguilhão da morte, sendo arrebatado aos céus (Gn 5.22,24). Metusalém teve um filho, chamado Lameque, que foi pai de Noé. Este, 1 Elinaldo Renovato de Lima. Perigos da pós-modernidade, p. 27,28.

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E MINHA CASA SERVIREMOS AO SENHOR

quando tinha 500 anos, gerou a três filhos: Sem, Cam e Jafé” (Gn 5.31), os quais marcaram a história da humanidade, como os únicos sobrevi­ ventes da catástrofe diluviana. 2. N oé a n d a va com D eus Noé tinha qualidades importantíssimas para um servo de Deus: era “varão justo” e “reto em suas gerações”. Além disso, ele tinha a “graça” de Deus (Gn 6.8). Com esses predicados, ele tinha o privilégio de andar com Deus (Gn 6.9), ou seja, ter uma vida de plena comunhão com Deus. Um exemplo significante para os pais de família de hoje, que vivem num mundo cujas características morais são semelhantes às do mundo na época de Noé. Os pais precisam andar com Deus para poderem ver sua família salva. 3. V ivendo em um a sociedad e corrom pid a Noé viveu numa das épocas mais terríveis, em termos morais e es­ pirituais (Gn 6.11,12), um mundo corrompido, como o atual, que des­ denha da santidade, e valoriza a promiscuidade pecaminosa do homem sem Deus. A corrupção, a violência, a depravação sexual e outros males eram globais. Em toda a história, houve pecaminosidade. M as nos dias atuais, essa pecaminosidade tem sido aumentada em índices muito ele­ vados que ultrapassam o que havia no tempo do patriarca do Dilúvio. Este é o tempo que precede a volta de Jesus (M t 24.37,39). Pais de família estão perplexos quando veem seus filhos sendo levados pela onda avassaladora de imoralidade e corrupção. O que fazer? O exemplo de Noé é marcante e inspira confiar no Deus Todo-Poderoso. 4. N oé e sua fa m ília são sa lvos na arca Em meio à humanidade de sua época, somente Noé e sua família escaparam da catástrofe mundial, que devastou o planeta Terra. Que exemplo extraordinário o do patriarca Noé. Um escolhido? Um predes­ tinado? Ele tinha qualidades pessoais que o fizeram digno de receber a graça e a misericórdia de Deus. Era justo, reto e andava com Deus, a exemplo de seu bisavô, Enoque (Gn 5.24). Se os pais de família de hoje querem entrar com os seus na “Arca da Salvação”, que é Cristo, precisam seguir o exemplo singular de Noé. Não obstante “todo mundo se corromper”, Noé soube dar exemplo à sua família, transmitindo-lhes os ensinamentos de Deus que os havia 147


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de livrar da destruição pelo Dilúvio. Ele e sua casa eram uma minoria insignificante, mas não se impressionou com a maioria. Preferiu ficar ao lado de Deus. E foi vitorioso. Serviu ao Senhor com sua casa, foi salvo e viu sua família escapar da destruição.

II - O EXEMPLO DE JOSUÉ Josué tomou posição ao lado de sua família. Quando exortava o povo a se definir, ante a idolatria, ele disse: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; p o rém eu e a m inha casa servirem os ao Senhor” (Js 24.15 — grifo nosso). M uitos cristãos não estão conseguindo ver sua fam ília servindo ao Senhor por falta de atitude firme e amorosa com seus filhos, desde a sua infância. E se conformam com o que está acontecendo no mundo, diante da destrui­ ção dos valores éticos e morais, fundados na Palavra de Deus. Para não serem considerados antiquados, capitulam ante os ataques do M aligno à família. A maior parte dos ataques contra a fam ília cristã tem sucesso porque os líderes do lar não tomam posição desde cedo. As crianças são criadas, muitas vezes, fazendo o que bem querem e entendem. Os adolescentes ficam entregues a si mesmos, e os jovens têm absoluta independência. Esse é um modelo de fam ília que não corresponde aos princípios bíblicos. A educação tardia, quando já são adolescentes ou jovens, tende a perder sua eficácia. A decisão de servir a Deus com a fam ília deve ser o mais breve possível. Famílias que aceitam a Cristo, quando os filhos já são grandes têm mais dificuldades em levá-los aos pés do Senhor. Josué decidiu: “eu e minha casa serviremos ao Senhor”. Isso não é mágico, repentino, ilusório. E necessário que uma série de atitudes e ações sejam desenvolvidas para que esse objetivo seja alcançado. E uma decisão, um propósito. Precisa haver firmeza de fé e de caráter nos membros da família, a começar dos pais que devem ser exemplo para eles. Josué comportou-se à altura de um grande líder na visão de Deus. E foi escolhido para substituir M oisés, na últim a e difícil etapa para a entrada em Canaã. M as Deus lhe deu orientações sábias e seguras para que não se desviasse de seus caminhos (Js 1.7). 148


Eu

E MINHA CASA SERVIREMOS AO SENHOR

III - O EXEMPLO DE JOSÉ E MARIA 1. O A m íncio do n ascim ento d e Jesu s O lar de José e M aria foi formado a partir da intervenção de Deus na vida da jovem camponesa de Nazaré. Certamente, durante o noivado, que já equivalia a compromisso de casamento, os dois jovens manti­ nham uma conduta santa e irrepreensível diante de Deus. 2. Jesu s era su jeito a seus p a is Mesmo sabendo da natureza especial do nascimento daquela crian­ ça, que veio à luz numa manjedoura, José e M aria souberam levar Jesus à presença de Deus. Ainda que não se possa generalizar, por falta de informações, na educação de Jesus, vemos que seus pais sabiam criá-lo sob sujeição ou disciplina. “E desceu com eles, e foi para Nazaré, e era-Ihes sujeito. E sua mãe guardava no coração todas essas coisas. (Lc 2.51 — grifo nosso). Nas igrejas cristãs, em geral, verifica-se que aumenta o índice de adolescentes e jovens, que demonstram comportamento rebel­ de. Primeiro, contra seus pais, depois, contra a igreja. Certamente, isso é fruto de uma falta de educação familiar sólida, fundamentada nos princípios da Palavra de Deus. A Bíblia exorta os pais a saberem instruir ou educar seus filhos, mostrando-lhes o caminho a se­ guir. Nessa educação não podem faltar os limites éticos e morais a serem obedecidos, que serão úteis para toda a vida (Pv 22.6). Só assim, adorando a Deus com eles no lar, será possível conduzi-los ao Senhor Jesus Cristo, como verdadeiros discípulos e não apenas como batizados em águas.

IV - O EXEMPLO DE EUNICE 1. Uma m ã e vitoriosa Pouco se sabe sobre essa mulher cristã, citada por Paulo em suas epístolas. Seu nome significa “boa vitória”.2 Nome bem apropriado para uma mulher que soube educar sua família nos caminhos do Senhor Je­ sus Cristo. Quantas mães, nos dias presentes, têm sido frustradas em sua criação para com os filhos, por não conseguirem enfrentar a terrível influ­ ência maligna sobre sua família. E choram, lamentando ao ver os filhos perdidos, desviados, longe de Deus, muitas vezes tragados pelos vícios, 2 R.N. CHAPLIN & J.M. BENTES. Enciclopédia de bíblia, filosofia e teologia, Vol. II, p. 591.

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pela prostituição ou pela violência. Euniee era a mãe do jovem discípulo de Paulo, chamado Timóteo. O apóstolo o chama de “meu amado filho” (2 Tm 1.2), significando que o jovem discípulo tinha intimidade com o seu pai na fé, e era motivo de alegria para aquele que o ganhou para Cristo. O testemunho de Timóteo era tão gratificante que Paulo escreve, dizendo que desejava vê-lo, orando sempre por ele (2 Tm 3.15,16). 2. A criação d e T im óteo Sua mãe pertencia a uma família judia tradicional. Seu pai era grego (At 16.1). Paulo elogia sua fé, de um jovem cristão, transmitida principal­ mente por sua avó e por sua mãe (2 Tm 1.5). Pode-se perceber, no texto, que a educação de Timóteo não era simplesmente intelectual, oriunda das escolas gregas ou judaicas. Sua mãe, Eunice, herdara a formação mo­ ral e espiritual de sua avó. Timóteo teve uma educação segura, funda­ mentada nos ensinos da Palavra de Deus. Exemplo edificante de uma família que cresceu vendo o ensino e o exemplo na liderança do seu lar. 3. Uma educação cristã esm erada A educação de Timóteo foi destacada por Paulo em 2 Timóteo 3.14-17. Toda a instrução que Timóteo recebeu tinha a finalidade elevadíssima. Como escritura “divinamente inspirada”, a doutrina que ele absorveu era “proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir e para instruir em justiça”. O objetivo maior da educação de Timóteo, que serve de parâmetro para a educação cristã, era fazer com que “o homem de Deus seja perfei­ to e perfeitamente instruído para toda a boa obra”. M as, na escola de Timóteo, os filhos dos cristãos podem aprender, mesmo no século XXI, a serem perfeitos e perfeitamente instruídos para toda a boa obra. Daí o motivo pelo qual, entre os adolescentes e jo ­ vens, educados na ED, nos cultos de doutrina, e principalmente no culto doméstico, raramente se ouve falar em uso de drogas, do álcool ou da prostituição e da violência. H á problemas, sim. Os filhos dos crentes em Jesus não são anjos e muito menos arcanjos. São pessoas de carne e osso, com alma, sentimentos, emoções (positivas e negativas), que precisam crescer “na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo” (2 Pe 3.18). Porém, com muita oração dos seus pais cristãos; com a realização do culto doméstico, há esperança de vê-los preparados para enfrentar o mundo perigoso dos últimos tempos, desde que sejam ensinados a usar a armadura de Deus (E f 6.11,13). 150


O s PERIGOS DO CONSUMISMO “P o r q u e g a s ta is o d in h eir o n a q u ilo q u e n ã o é p ã o ? E o p r o d u to d o v o sso tra b a lh o n a q u ilo q u e n ã o p o d e sa tisfa z er f O u v i- m e a te n ta m e n te e co m ei o q u e é bom , e a v o ssa a lm a se d e le ite com a g o r d u r a ” (Is 55.2).

consumismo tem levado muitos gastar o que não têm e adquirir bens de que não precisam. Um dos problemas mais sérios, que afetam de modo negativo as relações na família é o consumismo. H á famílias de cristãos que sofrem as consequências da má administração dos recursos familiares. Algumas são tão infelizes, nessa área, que não conseguem contribuir com a obra do Senhor Jesus, pelo fato de viverem sufocadas com dívidas que nunca conseguem saldar. Quando os homens viviam e sobreviviam com base na economia familiar, não havia espaço para o consumismo. No entanto, quando os bens e serviços passaram a ser produzidos em escala industrial, houve um estímulo exacerbado ao consumo. E criou-se um círculo vicioso. A produção em larga escala exige consumo em larga escala. E vice-versa. A televisão é a principal sedutora do consumidor. Com produções de vídeos promocionais de altíssimo custo, as agências de publicidade, a serviço das empresas, procuram atrair e segurar o consumidor pelos olhos e pelos ouvidos. Há programas que são veiculados durante grande parte dos horários da TV, exclusivamente dedicados à venda de bens ou serviços. Com versátil sistema de telemarketing, as empresas atendem aos clientes em potencial no momento em que os produtos são ofereci­


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dos. É só ligar para um telefone, dar o número do cartão de crédito (ou débito) e a compra é realizada. A internet também é poderosa máquina de consumismo. Sites especializados, chamados e-com m erce, são cada vez mais procurados pelos consumidores. Comprar e vender é uma característica marcante dos fins dos tem­ pos, prevista por Jesus. Em Lucas 17.28 vemos um retrato profético do que está acontecendo no século XXI. Comer e beber, em termos normais, não significa nada que possa ser reprovado, nem ser tomado como “sinal dos tempos”. No entanto, o comer e beber de modo exage­ rado é característica dwos últimos anos; comprar e vender desde tempos imemoriais, sempre foram atividades normais, principalmente quando a humanidade descobriu o uso do dinheiro, da moeda-papel ou do papel-moeda e saiu do escambo direto. O problema é comprar o que não é necessário, endividar-se pela compulsão de gastar. Incluir esse tema neste trabalho justifica-se pelo fato de que muitos cristãos, em todas as igrejas evangélicas, são dominados pelo sentimen­ to avassalador do consumo de bens e serviços de forma exagerada. Há casamentos que foram destruídos por causa de dívidas, contraídas por esposos ou esposas, que não souberam refrear seus impulsos consumistas. H á famílias que ficaram pobres e dependentes de ajuda, vítimas da fome e da sede de consumir ou de possuir bens materiais.

I - CONCEITOS IMPORTANTES 1. O que é consum ism o “Consumismo é o ato de comprar produtos e/ou serviços sem ne­ cessidade e consciência. É compulsivo, descontrolado e que se deixa in­ fluenciar pelo marketing das empresas que comercializam tais produtos e serviços. É também uma característica do capitalismo e da sociedade moderna rotulada como “a sociedade de consumo”.1 O ser humano, afe­ tado pelo pecado, sente a necessidade de satisfazer suas carências emo­ cionais. E uma das formas enganosas de buscar essa satisfação é através do consumo de bens. No Antigo Testamento, temos um texto que nos mostra que esse comportamento não é novidade das últimas décadas. Já havia no meio do povo de Israel. O Senhor chamou a atenção para essa prática, quando ' Consumismo. Disponível em http://www.brasilescola.com. Acesso em 14/08/2012.

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indagou: “Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? (Is 55.2 a). Gastar o dinheiro com o que “não é pão”, não se refere ao pão de trigo, e sim a gastar com o que não é necessário, ou com o que é supérfluo. 2. C onsum idor e consum ista “O consumista diferencia-se em grande escala do consumidor, pois este compra produtos e serviços necessários para sua vida enquanto aquele compra muito além daquilo de que precisa”. 2 O consumidor ad­ quire bens e serviços que são úteis à si e à sua família, de modo racional. Ele analisa o que vai adquirir, planeja suas compras e só apropria-se do que pode pagar. O consumista não pensa. Age por impulso. Com um cartão de crédito na mão, sente-se dono do poder aquisitivo. E vai comprando, até descobrir que precisa fazer empréstimos para saldar os compromissos, ou pagar altíssimos juros e multas por inadimplência. Segundo Gabriela Cabral, “O consumismo tem origens emocio­ nais, sociais, financeiras e psicológicas que juntas levam as pessoas a gastarem o que podem e o que não podem com a necessidade de suprir a indiferença social, a falta de recursos financeiros, a baixa autoestima, a perturbação emocional e outros. 3. C onsum o e consum ism o O consumo é atividade normal de adquirir bens necessários para a sobrevivência das pessoas. O consumismo é a prática do consumista, que se impressiona pelos olhos e pelos ouvidos, muitas vezes atraído pelas propagandas de produtos supérfluos, e adquire bens em busca do prazer ou da alegria que o motive a encarar a realidade. M as a felicidade produzida por posse de bens é ilusória. Jesus ensinou que não devemos ajuntar “tesouros na terra” e sim, nos céus (M t 6.20). Assim como doses de bebida alcoólica provocam no cérebro um tipo de satisfação, mesmo passageira e enganosa, o consumismo produz na mente das pessoas um sentimento de satisfação, de seu ego, de sua psique. Uma consumista dizia que se sentia feliz em ouvir o barulho da máquina registradora das despesas, nos caixas das lojas. M as esse senti­ mento perde seu efeito quando aquele bem se torna comum na vida do consumista. E ele procurar adquirir mais e mais para continuar tendo o prazer de que sente falta. 2 Ibidem.

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4. O cristão e o consum isnio Um crente ou uma crente em Jesus pode ser consumista? E possível. Pelo fato de ter a salvação, não deixa de ser uma pessoa de carne e osso, com sentimentos e emoções próprias de cada um. O fato de poder cair na armadilha do consumismo deve levar o cristão a refletir se tal prática condiz com sua condição de “sal da terra” e “luz do mundo”. A palavra de Deus nos exorta a que tudo o que fizermos contribua para a glorificação a Deus (1 Co 10.31,32). Certamente, em nada contribui para a glória de Deus uma pessoa deixar-se levar pelo impulso consumista, adquirindo coisas que não são necessárias para sua vida ou que a leve a uma situação de endividamento, em que não possa cumprir com seus compromissos financeiros. Pode­ mos dever, em compras financiadas, a crédito, desde que paguemos em dia as prestações assumidas. M as ficar devendo além das possibilidades, de acordo com a renda é pecado. É enganar a si mesmo e enganar aos outros. O consumismo é prática reprovável para o cristão que deseja honrar o nome do Senhor Jesus.

II - O CONSUMISMO É UM VÍCIO 1. O con su m ir com p u lsiva m en te Quando se fala em vício, no meio cristão, vem logo à mente al­ guém, num bar, tomando bebida alcoólica, sem poder controlar-se, até chegar ao “delirium trem ens", ou à cirrose hepática; ou alguém com um cigarro na boca, entupindo os pulmões de nicotina e de outras cinco mil substâncias cancerígenas, que levam muitos à morte. M as comprar por impulso, gastando o que não pode também é um vício. Como diz a estu­ diosa do assunto, Gabriela Cabral, a pessoa consome demasiadamente, para suprir “... a baixa autoestima, a perturbação emocional e outros” problemas dessa ordem. Graças a Deus, sua Palavra tem a orientação segura sobre como lidar com as finanças, sem cair no fosso das dívidas, da tristeza e da decepção por causa dos recursos financeiros. Uma administração finan­ ceira, baseada na ética bíblica, livra muitos de enfrentarem situações constrangedoras”.3 A advertência bíblica em Romanos 13.8 se faz opor­ tuna: “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos 3 Elinaldo Renovato de LIM A. É tica cristã, p. 159,160.

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ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei”. Dever o amor é agradável, desde que saibamos retribuir uns aos outros o amor de Cristo em nossos corações. Dever acima das condições financeiras é pecado. E causar dores e perturbações desnecessárias. 2. O que con trib u i p a ra o v ício do consum ism o Alguns fatores, próprios da economia moderna, são, de um lado, favoráveis à aquisição de bens e serviços, de forma equilibrada e satisfa­ tória, permitindo a pessoas de baixa renda usufruir de produtos que não poderia obter, se não fossem as facilidades do crédito ao consumidor. De outro lado, porém, as mesmas facilidades alimentam o desejo e a compulsão por gastar dos consumistas. a) O créd ito fá cil. Segundo reportagem do site w w w .istoe.com .b r, “Nunca foi tão fácil conseguir crédito. Às vésperas do Natal, o mercado pouco exige do pagador. A compra é parcelada a perder de vista, sem entrada. O financiamento, pré-aprovado, é quase ilimitado. Para quem sabe gerir dinheiro, isso significa boas oportunidades. Para quem gasta sem pensar e adquire o que não precisa, pode ser a perdição total”.4 b) O cartã o d e crédito. Com a facilidade do uso do cartão de crédito (ou débito), esse tipo de consumidor chega, no dia do vencimento da fatura, a ficar perturbado por ver que fez uma despesa que estava além de suas condições, quando verifica que outras prestações estão venci­ das e precisa pagar o cartão. A fatura informa que pode parcelar com o valor mínimo de tanto, e o comprador adere a essa sugestão. M as os juros do cartão de crédito são muito altos. Ao final, o compulsivo poderá pagar mais que o dobro pelo fato de não ter pensado melhor na hora de comprar. 3. Viciados no h osp ita l No Hospital das Clínicas de São Paulo há uma Clínica para tra­ tamento de viciados em consumo. Segundo a Dra. Tatiana Filomensky, coordenadora do grupo de atendimento dos compradores compulsivos no Hospital das Clínicas de São Paulo, “eles saem para comprar um terno e voltam com uma televisão”. Naquele hospital, há seis anos, havia ape­ nas três pacientes em tratamento. Com o aumento do consumo, no ano 4 Carina RIBEIRO . Consumo: Quando o desejo de com prar vira doença. Disponível em: http:// www.istoe.com.br. Acesso em 14/08/2012.

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atual, “são 24 e há 50 nomes em lista de espera. A aquisição de produtos idênticos ou inúteis e o medo de encarar os débitos são características do consumista patológico”, segundo a mesma reportagem. 4. “D eved ores a n ôn im o s” Um grande perigo agrava o terreno do vicio do consumismo. Diz o psiquiatra M iguel Roberto Jorge, da Universidade Federal de São Pau­ lo (Unifesp): “Por exemplo: um jovem que compra de forma impulsi­ va pode migrar para o alcoolismo ou vício em jogos na terceira idade. Grande parte dos endividados crônicos sofre de consumo compulsivo, mas há os que entram neste rol por incapacidade de gerir seu negócio ou sua conta bancária. Sem dúvida alguma, esse é o tipo de situação em que um cristão não deve entrar. Dever tanto, a ponto de ser considerado um doente, não glorifica a Deus. Aquilo que somos, o que temos e o que fazemos deve bendizer a Deus (SI 103.1). Viver endividado, com a fama de “caloteiro”, ou de “velhaco” não é algo que possa bendizer o nome do Senhor na vida de um cristão.

III - O CONSUMISMO LEVA À POBREZA A pessoa que gasta além do que ganha é insensata. Começa gastan­ do o que tem. Depois, passa a gastar o que não tem, comprando a prazo, endividando-se, aproveitando o parcelamento de dívidas. Se continua nessa ciranda, vai buscar empréstimos para pagar dívidas. Depois, busca empréstimo para pagar os empréstimos. Passa ser um escravo das dívidas. Isso é comportamento anormal, que precisa de libertação espiritual e psicológica. O endividado contumaz acaba não conseguindo pagar seus compromissos. Seu nome é registrado nas entidades de proteção ao cré­ dito (SPC ou SERASA). Com o crédito comprometido, não consegue mais empréstimos nem compras a prazo. A solução é vender bens da fa­ mília. H á casos em que a própria residência é vendida para pagar as dívi­ das, às vezes por causa da ameaça dos credores, de agressões ou violência. Nessa situação vexatória e vergonhosa, muitas vezes surgem outras circunstâncias adversas. Por falta de alimentação adequada, pessoas da fam ília ou o próprio consumista fica enfermo. Vêm os gastos com remé­ dios, clínicas, hospitais, ainda que recorra aos sistema público de saúde. Filhos são tirados das escolas particulares, para serem matriculados em 156


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escolas públicas. Até aí, nada de extraordinário, quanto à educação da família, mas há uma queda na autoestima dos filhos. Daí, basta um passo a mais para a pobreza bater à porta. Credores cobrando dívidas. A esposa envergonhada, dando desculpas. O devedor compulsivo evita atender os telefonemas de cobrança. Recebe cartas das empresas onde comprou e não pagou, ou dos bancos, ameaçando pro­ testar os títulos não quitados. Por fim, vem os processos de cobrança de dívidas na justiça. A essa altura, não há mais paz no lar. O relacionamen­ to conjugal é prejudicado. H á esposas que não suportam e saem de casa. Os filhos sofrem a vergonha e a decepção de se verem jogados numa situação por que não esperavam. Diz a Bíblia: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1 Tm 6.10). “O que amar o dinheiro nunca se fartará de dinheiro; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda; também isso é vaidade” (Ec 5.10). Amar a abundância pode ser entendido como amar o ter bens materiais a qualquer preço. “Nunca se fartará de renda”, ou seja, nunca terá recursos disponíveis para ter uma re­ serva ou poupança para investir em bens duráveis para si e para a família. Outra advertência bíblica: “Semeais muito e recolheis pouco; co­ meis, mas não vos fartais; bebeis, mas não vos saciais; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário recebe salário num saquitel furado” (Ag 1.6). Ê o retrato da miséria humana, que pode ser consequ­ ência da desobediência a Deus, ou da gastança desenfreada, que destrói a dignidade e a honra de quem nela se enreda. Que Deus guarde seus servos dessa ignominiosa dependência de dívidas financeiras. O cristão só deve comprar o que pode pagar sem comprometer o sustento digno de sua família. Para tanto, precisa orar a Deus para que tenha sabedoria para fazer um orçamento familiar e se manter dentro de suas possibilidades.

IV - O CONSUMISMO PODE SER VENCIDO M uitas famílias estão prejudicadas, empobrecidas e vivendo de fa­ vores, ou até mendigando, porque seus líderes não souberam administrar as finanças domésticas. M as o cristão pode vencer essa tentação m a­ ligna de gastar o que não pode. A seguir alguns recursos que um servo de Deus dispõe para não se deixar enredar pelas malhas traiçoeiras do consumismo. 157


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1. P ela con fian ça nas p rom essa s d e D eus O cristão é um servo de Deus. E é também seu filho por adoção. Faz parte da família de Deus. Como tal, é beneficiário das riquezas ce­ lestiais, e também dos bens materiais, que podem constituir-se bênçãos do Senhor (E f 1.3; Fp 4.19; T g 1.17). 2. P ela espera na bon d ade d e D eus Não precisamos nos desesperar, na busca pela aquisição de bens e serviços. Precisamos trabalhar com afinco e honestidade. O que não conseguirmos, Deus pode nos dar. Na condição de filhos, Deus nos con­ cede todas as bênçãos espirituais de que necessitamos, além de nos pro­ piciar também as bênçãos materiais. No Pai Nosso, lemos: ‘O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (M t 6.11). Em Salmos, está escrito: “quem enche a tua boca de bens, de sorte que a tua mocidade se renova como a águia” (SI 103.5). Os não crentes têm as coisas por perm issão de Deus, sejam ricos ou pobres, na condição de suas criaturas. Nós, seus filhos, temos as coisas, incluindo o dinheiro, como dá­ diva s de sua mão. Assim, devemos entender que aquilo que chamamos de “nosso”, na verdade, não é bem nosso. E linguagem comum, que não expressa a realidade das coisas, pois tudo é de Deus (cf. SI 24.1). A fal­ sa ideia de que somos efetivamente donos de alguma coisa tem levado muitos a cometer erros e fraquezas, que resultam em grandes prejuízos morais, financeiros e espirituais. O velho dilema entre “o ter” e “o ser” tem sido causa de muitos de­ bates sociológicos, filosóficos e teológicos. A natureza carnal, contami­ nada e influenciada pelo pecado leva o homem a deixar-se dominar pelo desejo de ter mais e mais, ainda que o ser seja prejudicado. A busca do dinheiro, das riquezas materiais tem levado muitos a cometer maldades, violência e crimes inomináveis. 3. Sabendo a d m in istra r os recu rsosfin a n ceiros A Bíblia não é um manual de finànças. M as é o manual da vida cristã equilibrada. Um servo de Deus pode viver bem espiritualmente e materialmente, desde que saiba observar os princípios de Deus para a sua vida, com base em sua santa Palavra. Algumas orientações são fun­ damentais para uma boa administração financeira, que preserva o crente das garras do consumismo. 158


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a) E vitan d o d ív id a s fo r a do seu alcance. O consumismo é uma práti­ ca nociva, que se constitui num vício que escraviza. Quem é liberto por Cristo não pode ser escravo de dívidas. M uitos têm ficado em situação difícil, por causa do uso irracional do cartão de crédito. As dívidas po­ dem provocar muitos males, tais como falta de tranquilidade (causan­ do doenças); desavenças no lar; perda de autoridade e independência. Devemos lembrar: “O rico domina sobre os pobres, e o que toma em­ prestado é servo do que empresta” (Pv 22.7). Outro problema é o mau testemunho perante os ímpios, quando o crente compra e não paga. b) E vitan d o os extrem os. De um lado, há os avarentos, que se ape­ gam demasiadamente à poupança, em detrimento do bem-estar dos familiares. São os “pães-duros”. Estes preferem ver os filhos sob um pa­ drão baixo de conforto, não adquirindo os bens necessário, somente com o desejo de “poupar”, de entesourar para o futuro. De outro lado, há os que gastam tudo o que ganham , os consumi­ dores compulsivos, e compram o que não podem, às vezes para satisfazer o exibicionismo, a inveja de outros, ou por mera vaidade. Isso é obra do Diabo; não é atitude coerente com a ética cristã. c) Se p o ssív el, com pra r à vista. Faz bem quem só compra à vista. Se comprar a prazo, é necessário que o crente avalie sua renda e quanto vai comprometer com a prestação assumida, incluindo os juros. É im ­ portante que se faça um orçamento familiar, em que se observe quanto ganha, o que vai gastar (após entregar o dízimo do Senhor), e se possí­ vel, ficar com alguma reserva para imprevistos. O crente em Jesus deve conter-se dentro dos limites de sua renda, seja ela grande ou pequena. d) Não fic a r p o r fia d or. Outro cuidado importante é não ficar por fiador. A Bíblia não aconselha (Pv 11.15; 17.18; 20.16; 22.26; 27.13). Outro perigo, é fornecer cheque para alguém utilizar em seu nome. e) F u gir do agiota. Um servo de Deus não deve praticar a agiotagem, que é o empréstimo de dinheiro, de modo clandestino, geralmente a ju ­ ros exorbitantes. Trata-se de contravenção penal. É crime. E jam ais deve deixar-se cair na mão desse tipo de agente financeiro, à margem da lei. É importante fugir do agiota. É verdadeira maldição quem cai na não dessas pessoas, que cobram “usura” ou juros extorsivos (cf. Êx 22.25; Lv 25.36). Esse tipo de atividade é ilícita e ilegal. 159


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R FAMÍLIA

CRISTfl e osmnpuES d o in im igo

“A junta o povo, homens, e mulheres, e meninos, e os teus estrangeiros que estão dentro das tuas portas, para que ouçam, e aprendam, e tem am ao Senhor, vosso Deus, e tenham cuidado de fa ze r todas as palavras desta lei” (Dt 31.12).

Como vai o seu lar?

Elinaldo Renovato é m inistro do evan­ gelho, com entarista de Lições Bíblicas, professor universi­ tário e bacharel em Ciências Econômicas. É tam bém autor dos livros Ética Cristã, Colossenses, Apren­ dendo D iariamente com Cristo, A Família Cristã nos Dias Atuais, Neem ias — Integridade e Coragem em Tempos de Crise, Salvação e Milagres — O Poder do N om e de Jesus, Deus e a Bíblia, Perigos da PósM odernidade e coautor de Teologia Sistemática Pentecostal, todos editados pela CPAD.

Se não vai bem, é mais uma incidência, den­ tre muitas que acontecem em nossos dias. A boa notícia é que não precisa ser assim. Formar uma família e mantê-la firme aos pés de Deus é uma tarefa desafiadora que requer muito mais empe­ nho, esforço, dedicação e amor que há algumas décadas - quando mesmo não cristãos diferen­ ciavam o certo do errado. Agora é preciso encarar a pós-modernidade, e com ela vem a imposição do pluralismo e a po­ pularização da inversão de valores. Tudo que an­ tes era considerado correto, à luz da Bíblia, hoje é considerado retrógrado, antiquado e até errado. O problema não está em viver num mundo que jaz no Maligno e que odeia a Palavra de Deus, pois bem sabemos que isso é bíblico, mas sim em permitir que esse mesmo mundo entre em casa e contamine a nossa família cristã. Diante de tantas armadilhas, somente Deus pode proteger nosso lar, mas identificar as ma­ léficas propostas que trazem divisão, morte e destruição é fazer a nossa parte. Você conhece o que, sorrateiramente, tem atacado sua família? Sabe o que a Bíblia diz sobre isso? Está disposto a se empenhar para manter seu lar aos pés do Se­ nhor? Então, leia esta obra e encontre nestas pá­ ginas tudo o que você precisa saber para manter o mundo da porta para fora. s

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