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O SÉTIMO BILHÃO Por Eliane Miraglia e Ivan Sant’Ana Ernandes • NOVEMBRO DE 2011

A humanidade, este ano, integralizou o sétimo bilhão de habitantes no planeta! A queda na taxa de natalidade nos países desenvolvidos e em alguns em desenvolvimento, resultado de políticas de controle familiar, conteve expansão mais rápida do movimento. Em contrapartida, o considerável aumento da longevidade é hoje uma realidade também para a maioria dos povos. Associados, esses fenômenos criam uma nova configuração demográfica: crescimento e envelhecimento simultâneos da sociedade. As mesmas estatísticas também apontam que, em 2050, a população mundial somará nove bilhões de pessoas. Isso quer dizer que, pelo menos nos próximos anos esses números serão crescentes. Há cálculos, por exemplo, que apontam para um crescimento de 70% só na demanda por alimentos. O aumento em escala vai precisar de espaço e – com as atuais condições de produção – inevitavelmente desencadeará impactos ambientais. São desafios políticos, ambientais, econômicos, sociais que precisarão de respostas e soluções no curto, médio e longo prazos. A atual crise financeira sistêmica, que está provocando desemprego nos maiores modelos de civilidade ocidental – Estados Unidos e Europa – é outra questão que aponta para uma reconfiguração das clássicas relações sociais. Mais do que nunca, o planeta precisa de equilíbrio. Os conceitos de independência e competitividade certamente precisarão ser revistos. E a reforma começa aqui e agora. A mutação democrática está presente em fatos imprevisíveis, como 11 de setembro, a Primavera Árabe, os indignados contra Wall Street, só para recuperar a história recente da vida em perpétua inovação. Afinal, a partir dessas referências, quais os recursos que os jovens combinarão para superar os reflexos daquilo que foi construído e destruído até aqui? Sem dúvida, o progresso é realidade. Há avanços tecnológicos, genéticos, industriais, administrativos, econômicos. Porém o processo político e econômico para socializar essas conquistas ainda precisa evoluir. Sobre novos alicerces A nova geração planetária vai encontrar disseminados muitos conceitos recentemente naturalizados, ainda que possam ter origens muito antigas. O mais relevante e integral é o conceito de sustentabilidade. Outro legado importante é a conectividade que, sem dúvida, caminha para superação da ideia de independência pelo conceito de interdependência, ou cultura participativa, como aposta Clay Shirky – professor do Programa de Telecomunicações Interativas da Universidade de Nova Iorque. A cultura previdenciária se alinha a esse contexto. Apesar de contar com uma história relativamente recente, seu crescimento é irreversível. No Brasil, oficialmente, a Previdência Complementar tem pouco mais de trinta anos e a educação previdenciária só em 2009 passou a ser reconhecida e estimulada como importante fator de proteção e sustentabilidade social. Sustentabilidade, aqui, reúne um conjunto de valores que favorece tanto o ser humano quanto o meio ambiente. Autonomia, emancipação, responsabilidade, equilíbrio, compromisso de longo prazo, ética, planejamento para fazer com que os recursos financeiros individualmente acumulados possam se transformar em progresso pessoal, familiar, coletivo e social. Para quem acredita, promove e pratica,


previdência é a manifestação de atitudes que singularizam o cidadão do século 21. E esse repertório, muito mais do que nós, as novas gerações vão herdar e desenvolver. O sistema aberto de Previdência Complementar, hoje, acumula recursos da ordem de R$ 230 bilhões em volume de investimentos. As condições do país ainda mostram uma tendência ao aumento das taxas de acumulação, em razão da manutenção de um cenário econômico favorável no curto e médio prazos. O sistema fechado de Previdência Complementar assumiu, frente ao mercado, o importante papel de investidor institucional, administrando um considerável patrimônio de R$ 530 bilhões, pelo qual é respeitado. Entretanto, frente à sociedade, ainda precisa fortalecer sua imagem como agente de sustentabilidade de vida, promotor de planejamentos financeiros individuais, executor de projetos corporativos coletivos de desenvolvimento humano, social e econômico. Por isso, é imprescindível uma política que dissemine a cultura e a educação previdenciária como prática de sucesso entre empregados e empregadores, pais e filhos, formadores de opinião pública, líderes comunitários e estudantis. Previdência é uma consciência política que se materializa em atitudes de valor, em cidadania, em empregos, em diferencial competitivo global, em atração de investimentos. Previdência é exercício de sustentabilidade, demanda global da população planetária.

Eliane

Miraglia - mestre em Ciências da Comunicação, especialista em Gestão de Processos Comunicacionais e consultora de comunicação. Com Marisa Santoro Bravi, escreveu A importância dos valores para a construção de novos paradigmas sociais, disponível para leitura em http://biblioteca.abrapp.org.br/default.html

Ivan

Sant’Ana Ernandes – atuário, consultor, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC/MG), tutor do Programa de Educação ABRAPP e coautor do livro Atuária para não Atuários.


O sétimo bilhão