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MUDANÇA DE PARADIGMA: PAIXÃO OU INOVAÇÃO? Por Eliane Miraglia • AGOSTO DE 2011

A mídia divulgou esta semana que a arrecadação da Previdência Complementar Aberta cresceu 25,6%, em relação ao mesmo período em 2010. E, segundo a Federação Nacional de Previdência Privada (Fenaprevi), o crescimento maior foi no segmento dos planos individuais, dado que reafirma uma tendência de mercado a uma transformação cultural, resultado da estabilidade monetária, do aumento da renda média do trabalhador, e da inclusão de 40 milhões de pessoas na classe C. Os números contestam o que se fala sobre resistência especialmente dos jovens, desconhecimento das pessoas sobre a importância da proteção previdenciária complementar, conceito e linguagem difícil, mas próprios do segmento de previdência. Sem dúvida, os números confirmam um processo educativo em evolução. A Previdência Complementar Aberta faz merchandising na novela que a maioria dos brasileiros assiste. Paulo Goulart é o garoto propaganda. A idade é um fator que atribui ao personagem valores como consciência e responsabilidade pela proteção da família. As instituições bancárias, principalmente, estão mais presentes com esses produtos nas propagandas das mídias de massa. O outro lado da moeda também é fato: o crescimento do consumo e o nível de endividamento do brasileiro. Pode parecer paradoxal. Entretanto, os mesmos fatos significam que muito há que ser feito em educação previdenciária por todos os atores do Sistema de Previdência Complementar. Também querem dizer que, no longo prazo, a educação previdenciária dará resultados de qualidade e transformará comportamentos. O déficit histórico na educação realmente criou desvios indesejados de valores que se refletem no ritmo do desenvolvimento da economia, na qualidade de condições do mercado de trabalho e política de recursos humanos, na preservação do meio ambiente, enfim, no exercício da cidadania. Mas existem caminhos. A telefonia celular, por exemplo, muito atenta aos números, criou planos pré-pagos para atender à demanda crescente da classe C em expansão. Ensinou às pessoas o que é portabilidade. E hoje, por meio da telefonia móvel, democratizou o uso da internet para transformar vidas (veja o vídeo: http://www.facebook.com/timbrasil) e ainda afirma: “a TIM trabalha para que você possa se comunicar mais, fazer mais e ir mais longe”. A mudança de paradigma é explícita. A educação dá resultados para todos.

Parceria para ampliar a cultura previdenciária Na Previdência Complementar Fechada a flexibilização das fronteiras e limites estão em estudos. Apesar das inegáveis vantagens e qualidades dos planos fechados, há questões que precisam ser superadas para que mais pessoas possam ter acesso e cobertura previdenciária por esse modelo. Entretanto, idéias de valor com potencial para serem precursoras de um novo paradigma no Sistema já estão em fase de implementação. Quando a Fundação Senador José Ermírio de Moraes (Funsejem) passou a administrar o plano previdenciário dos empregados da Aracruz, identificou que existia um trabalho social importante feito para


os dependentes daquela empresa: um plano previdenciário instituído que, reformatado de acordo com as diretrizes institucionais, poderia ser oferecido e favorecer mais gente, criando condições adequadas para a ampliação e o fortalecimento da cultura previdenciária originária daquele grupo de trabalhadores e suas famílias. Com base em sua expertise no setor de Previdência Complementar e audácia gerencial, a Funsejem abriu negociação com instituições bancárias, buscando uma parceria empreendedora capaz de operacionalizar um plano com características híbridas: semi-aberto, porque somente os beneficiários dos empregados da Votorantin podem participar, gerenciado por uma EAPC, sem taxa de carregamento e com taxa de administração similar à da Funsejem. A contrapartida: uma população potencial de 90 mil vidas fazendo poupança previdenciária. A Funsejem inverteu os papéis comumente exercidos no mercado financeiro. E trabalhou duro nas negociações até que pudesse encontrar uma instituição financeira com visão de presente e futuro, porque previdência complementar é muito mais do que um bom negócio financeiro. Previdência complementar é uma escolha inteligente capaz de promover sustentabilidade e emancipação social, criar nova cultura comportamental em escala e distinguir comunidades institucionais. Quem tem paixão e motivação não consegue conter as sinapses na mente. Realiza! Inova. Não reinventa o mundo. Melhora! Não percebe fronteiras. Seus olhos e coração estão ocupados em sentir e conhecer o horizonte sem limites das onze dimensões do universo.

Mudar é contagiante Darwin – estudando a evolução das espécies – já demonstrava como a adaptação é um processo fundamental para a sobrevivência e superação das condições naturais de vida. Outra prerrogativa comum às espécies é a busca instintiva pelo conforto e bem-estar. Em 2010, o Globo Repórter dedicou uma edição ao Japão. E mostrou que lá, a natureza realizou uma inversão de paradigma quando os macacos da neve, observando o comportamento humano, entenderam que, para minimizar e suportar melhor o frio inóspito das montanhas, bastava que eles adotassem o hábito do banho de ofurô. Para isso, precisariam “apenas” transformar sua aversão atávica a água em prazer de aproveitar o conforto caloroso das piscinas termais. Depois que o primeiro indivíduo experimentou e se deu bem, toda comunidade mudou o comportamento em relação à água. O efeito correlato desse primeiro resultado foi uma nova postura política comunitária quando todos os macacos decidiram expulsar os humanos e recuperar o direito ao uso das águas em territórios sob seu domínio. Na década de 1970, o genial Peter Druker escreveu o livro A revolução invisível: como o socialismo fundode-pensão invadiu os Estados Unidos. Nele, o autor mostra a vocação natural dos fundos de pensão para subverter ordens econômicas estabelecidas e criar valor social. Não se trata de utopia, mas uma evolução comportamental que – não importa quando, afinal longo prazo é uma característica inerente a esse negócio – vai acontecer e mobilizar os cidadãos na experiência de escolhas inteligentes como fundamentos de uma vida melhor.


Ações ousadas que podem e devem ser imitadas A Fundação Eletro CEEE, em seu programa de preparação para a aposentadoria, incluiu o tema empreendedorismo, por meio de uma parceria realizada com o SEBRAE. Essa iniciativa foi instituída para tratar dos temas planejamento de vida e educação previdenciária ajudando o participante a buscar caminhos para a própria emancipação e concretização de projetos individuais e familiares. A Fundação CERES elaborou o Seu Futuro na Ponta do Lápis - um belíssimo programa plurianual de educação previdenciária que reúne 19 diferentes ações - focado principalmente em relacionamento e atividades presenciais, com o propósito explícito de atingir públicos que possam atuar como vetores e comunicação e formadores de opinião. Benchmark, no vocabulário corporativo, significa a adoção e implementação de melhores práticas do mercado. O Guia PREVIC também orienta dirigentes e representantes dos demais órgãos de decisão a estabelecerem metas e métodos que promovam a revitalização e a ressignificação de planos previdenciários junto a seus públicos de interesse. Só assim, a expansão do Sistema de Previdência Complementar deixará de ser utopia para se tornar proteção para todos os brasileiros.

Eliane

Miraglia - mestre em Ciências da Comunicação, especialista em Gestão de Processos Comunicacionais e consultora de comunicação. Com Marisa Santoro Bravi, escreveu A importância dos valores para a construção de novos paradigmas sociais, disponível para leitura em http://biblioteca.abrapp.org.br/default.html

Mudança de paradigma: paixão ou inovação?  

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