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Pesquisa testa antibiótico para tratar esquizofrenia Atualmente no Brasil, Paquistão e Inglaterra, estão sendo realizados estudos com drogas. Psiquiatras da USP de Ribeirão Preto fizeram testes em 30 pacientes, e estão testando o uso de um antibiótico para o tratamento de pessoas que possuem esquizofrenia. A esquizofrenia é uma doença mental crônica que se manifesta na adolescência ou início da idade adulta, caracterizada por diferentes sintomas: psicóticos como, delírios, alucinações, alteração no pensamento e na afetividade, dificuldades cognitivas e de vocabulário, e falta de motivação e de interesse em relações pessoais. Segundo Jaime Hallak, o professor de medicina da USP, a minociclina, que é receitada principalmente no tratamento da acne e rosácea, possui propriedades anti-inflamatórias e protetoras do cérebro. A minociclina (C23H27N3O7),é um antibiótico dermatológico do grupo das tetraciclinas, que por sua vez são um grupo de antibióticos usados no tratamento das infecções bacterianas. Porém seu uso não é indicado em qualquer caso, pois contém efeitos colaterais como tontura e vertigens. A ideia de usar esse antibiótico contra as doenças mentais veio de estudos com animais que demonstraram uma ação neuroprotetora da minociclina, ou seja, esse antibiótico tem como ação proteger o sistema nervoso de qualquer ação neurodegenerativa, como por exemplo, a Esquizofrenia. Uma ação neurodegenerativa é uma ação que ataca diretamente o cérebro, mais especificamente os neurônios e sistema nervoso central, fazendo com que alguns de seus membros parem de funcionar, ou morram sem ser substituídos. “O antibiótico foi então usado contra as doenças neurodegenerativas, mas percebeu-se que os pacientes com sintomas psicóticos também acabavam melhorando.” Afirmou Hallak. Foram chamados então para testes, 30 brasileiros que tinham como diagnóstico esquizofrenia há no máximo cinco anos, e que faziam tratamento com diversas drogas antipsicóticas. A minociclina foi acrescentada à terapia de tais participantes, e se observou uma melhora nos sintomas do transtorno. Segundo o coordenador do Projesq (projeto Esquizofrenia) do Instituto de Psiquiatria da USP, o principal ganho com o antibiótico é a melhora dos sintomas não psicóticos. “Para sintomas psicóticos, como alucinação e delírios, os antipsicóticos usados hoje funcionam bem. A grande busca é por um tratamento para os sintomas como o desinteresse em outras pessoas, que são os que mais dificultam os relacionamentos das pessoas com esquizofrenia.”, diz o coordenador do projeto.


Exames de ressonância magnética do cérebro, feitos em 24 dos 30 participantes do estudo, mostraram que quem usou o antibiótico teve uma proteção maior do sistema límbico, principalmente do cingulado anterior, região ligada à cognição e motivação. E a expectativa de Hallak não é substituir os antipsicóticos pelo antibiótico, mas somá-lo ao tratamento. No entanto, a minociclina ainda não foi aprovada para fazer parte do tratamento de esquizofrenia.

Fonte: (Jornal Folha de S. Paulo, Ciência/SP 07/03/2012)

Alunas: Julia Reis e Yasmin Yazigi – 1º C


Pesquisa testa antibiótico para tratar esquizofrenia