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ENTREVISTA Sérgio Buarque fala sobre integração regional, desenvolvimento e combate à pobreza

PAI& FILHOS LTDA EMPRESAS FAMILIARES SÃO UM DESAFIO PERMANENTE E SUA GESTÃO EXIGE CADA VEZ MAIS PROFISSIONALISMO

NEGÓCIOS

Mercado estimula corretores abrirem a própria empresa

IMPRESSÕES

Centro Histórico, a Lagoa e o Farol precisam de cuidados

SIM PARAÍBA

Salão potencializará vendas de seis mil imóveis na Capital REVISTA

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Negócios

EM FA [ Por Eliane Cristina e Naná Garcez ]

No Brasil, 90% de oito milhões de empresas formais são familiares. Porém, elas carregam uma estatística preocupante: 65% desaparecem do mercado em função das disputas internas, e apenas 30% chegam à segunda geração. E só 15% à terceira. O momento crítico é sempre o da sucessão e, para que a transferência de comando tenha sucesso, são necessários planejamento e profissionalização. Estima-se que 66% da massa salarial do país sejam pagos por esse modelo de negócio, que permanece na família, pelo menos, por duas gerações. Elas somam dois milhões de empregos e respondem por quase 12% do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio, 34% da indústria e 54% da prestação de serviços. São números divulgados pelo Sebrae e mostram a importância das empresas familiares na economia. Na Paraíba, não há uma pesquisa sobre as empresas familiares, mas, no segmento da construção civil, basta prestar atenção aos sobrenomes dos membros das diretorias de construtoras, imobiliárias e empresas que prestam serviços especializados para verificar que está quase tudo em família. Consolidadas no mercado, elas têm, como as não familiares, o desafio constante de se manterem em atividade.

Empresas familiares geram no país: 12% do PIB do agronegócio 34% da indústria 54% da prestação de serviços

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Longevidade das empresas familiares no Brasil 55% das empresas familiares no Brasil fecham por disputas internas 30% chegam à segunda geração 15% chegam à terceira geração

Os especialistas recomendam para conduzir empresas familiares: Considerar função e não parentesco Não confundir dinheiro da família com o da empresa Remuneração familiar adequada à função e ao mercado Se o lucro da empresa é insuficiente, buscar outras fontes Sem discussões familiares na frente do cliente.

15% 30%

55%


MÍLIA Holanda: visão de futuro desde o início e novo salto em breve com uma holding Para Alisson Holanda, ter se incorporado à empresa foi um processo natural e até precoce, pois passou a se inteirar dos negócios da família antes mesmo de concluir a universidade. “Eu fiz Edificações e cursava Engenharia Civil em Recife, quando precisei ficar um tempo na empresa, durante licença de saúde

da minha mãe (Adelaide Holanda). A partir daí, fiquei no setor administrativo e essa fase foi boa porque entrei na base, conhecendo o funcionamento e estrutura da empresa”, conta. Após esse período, Alisson conversou com pai e resolveram juntos que ele retornaria para João Pessoa e iria estudar Administração. Fabiana Veloso

Muitas fazem do próprio nome a marca da empresa. Como é o caso de Aldenor Holanda, que fundou a Holanda Imobiliária em 1975, após desfazer uma sociedade. Na nova firma, Aldenor contou com o apoio da primeira esposa, Adelaide Holanda, com quem fez a sociedade. A partir daí, o plano do casal era o de crescer, expandir e consolidar o nome Holanda como marca no mercado imobiliário paraibano. Metas alcançadas, os empresários começaram a pensar na sucessão dentro da empresa. “Fundei a empresa com o nome Holanda já pensando que ela tivesse vida longa. Sempre esperei que meus filhos me sucedessem. Quando se gosta do que faz, projetamos que nossos filhos deem continuidade ao trabalho ,achando que também irão gostar da empresa”, revela o empresário, que se considera um homem de sorte por ter a presença do filho Alisson Holanda na empresa. “Ele entrou em 1999 e passou por todos os setores do negócio: financeiro, de projetos, de construção e setor pessoal. Hoje, é diretor executivo da empresa”, explica.

Os filhos não podem se acomodar, têm que avançar, se profissionalizar e inovar” ALDENOR HOLANDA Empresário

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Há mais gente no mercado, mais produtos ofertados, então, temos que ser mais criativos” João Barbosa de Lucena Empresário

ABC: fundador se dividia entre o Banco Mundial e a empresa que uniu familiares A Construtora ABC também é uma empresa familiar, e tem como sócios João Barbosa de Lucena, a esposa e os quatro filhos. Trabalham na empresa: Adalberto de Castro Lucena (diretor técnico), Alexandre José de Castro Lucena (diretor comercial e de planejamento) e Adriana de Castro Lucena Melo (diretora administrativa). A outra filha do empresário, Andréa Lucena, é médica, mas participa como sócia. A construtora nasceu da necessidade que o empresário sentiu de continuar trabalhando após deixar funções públicas que ocupou no Governo do Estado e no Banco Mundial. “Sou engenheiro agrônomo, com formação em planejamento, economia e gestão

pública. Por isso, não podia recusar a proposta do Banco Mundial”, explica. Em 1991, ele e o cunhado, engenheiro civil, abriram a ABC Engenharia que funcionou até 2005, quando houve a separação da sociedade e a fundação da Construtora ABC, com João Barbosa e os filhos. Neste período, ele atuava no Banco Mundial e na ABC Engenharia. “Eu sempre acompanhei a empresa de perto, nos finais de semana estava aqui e os meus filhos participavam dela depois de formados. Até que me aposentei no Banco Mundial, após 20 anos lá, e voltei para João Pessoa. Em comum acordo deixei a ABC Engenharia e abri com meus filhos a Construtora ABC”, conta.


A integração dos filhos à empresa foi um processo natural. O primeiro a tomar gosto pela construção foi Adalberto Lucena, que sempre se mostrou inclinado à área de engenharia. “Adalberto eu já sabia que ia ser engenheiro, porque desde pequeno ele gostava de mexer com aparelhos, desmontando e montando coisas”, relembra o empresário completando que foi uma surpresa quando o segundo filho, Alexandre, também fez vestibular para engenharia. “Achava que ia ser advogado”. Após a formatura, os dois trabalharam na ABC Engenharia até 2005. NA HORA CERTA - A fundação da Construtora ABC coincidiu com o período de liberação de crédito e financiamento para a construção civil. “Já vínhamos construindo quando éramos ABC Engenharia, foram 12 prédios. Mas a partir de 2005 vivenciamos um salto grande na economia do país e aqui, no Estado, deixou o mercado local da construção mais competitivo”, diz João Barbosa. A fartura econômica trouxe outra preocupação para a empresa: a da qualidade. “Essa já era nossa marca, junto com pontualidade na entrega, mas agora há outro ponto: o da produtividade. Há mais gente no mercado, mais produtos ofertados, então, temos que ser mais criativos”. Mesmo sabendo dos desafios a

superar, a família da Construtora ABC não pensa em abrir o capital para sócios não familiares. “Dizem que em time que está ganhando não se mexe, então, não é nossa intenção abrir o capital”, afirma João Barbosa. Por outro lado, o empresário entende que a empresa familiar precisa se preparar para o mercado, por isso contratou serviços de uma consultoria que está trabalhando no planejamento estratégico do grupo. “Estamos preparando a empresa para dar um salto de crescimento qualitativo e para o futuro”. O empresário reconhece que a empresa familiar tem dificuldades e cita a informalidade e a intimidade como exemplos. “É preciso separar a autoridade de pai da de empresário. São coisas diferentes. Como pai se tem aquele carinho pelos filhos, eles nunca crescem. A gente chama “os meninos ou as meninas” e tende a passar a mão na cabeça. Mas, uma empresa, por ser familiar, não pode ter uma gestão solta. Não tem intimidade, não! Tem que ter regra, e disciplina”, defende. SALÁRIOS DO MERCADO - Na empresa, os filhos são sócios, mas recebem salários compatíveis com os do mercado. “Todo mundo é remunerado de acordo com suas funções de mercado. A parte de lucros é vista ao final do ano, como em todas as empresas, que é dividido entre os sócios. Há o percentual de investimento

na própria empresa. A meta é tornar a estrutura sólida”, explica. Para os filhos, a incorporação à empresa foi um processo natural. Para Adalberto Lucena foi oportunidade de mostrar o que aprendeu na faculdade. “Como estudante de engenharia, já esperava e acompanhava os trabalhos da empresa, então vir atuar nela foi algo natural”, explica. Adriana Lucena Melo se incorporou, em 2005 e diz que não há dificuldade em trabalhar em família. “É salutar a convivência em família, o compartilhamento de funções, isso deixa a família mais unida”, revela. Para Alexandre Lucena não há problemas com divergências na empresa, “a grande vantagem da empresa ser familiar é que as divergências não ficam acumuladas, elas são resolvidas no dia a dia. Tudo é conversado, planejado e pensado em conjunto”, diz. A empresa possui hoje 289 funcionários. As funções dos filhos estão bem definidas e cada um atua na sua área em prol do crescimento da empresa. Para João Barbosa a melhor parte de trabalhar em família é manter o grupo unido, sem a necessidade que os filhos busquem trabalho em outros estados. “Quando você está trabalhando junto mantém a convivência, a família nunca se dispersa, todos estão por perto e essa é uma grande vantagem”, revela o empresário.

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capa Tecnicon: escritório que nem nome tinha, hoje, é sinônimo de credibilidade A Tecncon é uma empresa especializada em projetos estruturais. Foi iniciada com o trabalho de consultoria prestado pelo engenheiro e professor universitário Antônio Nereu Cavalcanti e o engenheiro Achilles Cesar de Araújo. “Em 1979, eu e Achilles, que na época era estudante, eu já era professor, começamos a fazer projetos de cálculos estruturais em casa. Depois, colocamos um escritório, que nem nome tinha. Na década de 1980, após Achilles se formar, abrimos uma empresa chamada PROEST Engenharia. Quando me aposentei, em 1999, abrimos a Tecncon (Tecnologia do Concreto), que temos até hoje”, explica Antônio Nereu. Com o tempo, os filhos dos engenheiros foram se incorporando à empresa. Primeiro, Guilherme Augusto Cavalcanti, filho de Nereu, que entrou em 1999 como estagiário e, em 2002, passou a atuar como engenheiro. Em 2010, após concluir mestrado, Antônio Nereu Cavalcanti Filho se vinculou a empresa. Com expansão das atividades, as áreas de atuação de cada um foram sendo definidas. “A Tecncon atua em três áreas: cálculo estrutural (com Antonio Nereu, Guilherme e Achilles), laboratório de

A atividade da engenharia tem muito com o que contribuir ainda” Antônio Nereu Engenheiro

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testagem de materiais (Nereu Filho) e recuperação de estruturas (Achilles e Achilles Filho). Cada um atua na sua especialização, porque cada um gosta de uma coisa e assim a empresa amplia os serviços”, explica Antônio Nereu. Com um professor de engenharia, mestre em cálculos, em casa, não seria de se estranhar que os filhos, Guilherme e Nereu Filho, trilhassem o caminho da engenharia. “O sonho meu e da mãe deles era que os meninos fizessem medicina, porque a mãe é médica. Mas eles escolheram seguir engenharia”, lembra Antônio Nereu. FILHOS COBRAM O PAI - Ao longo dos anos, Nereu viu os filhos atuarem não só como engenheiros, mas como empresários. Guilherme Cavalcanti gerencia a área de cálculos estruturais e a parte financeira e administrativa. Nereu Filho atua no laboratório, com testagem de materiais e pesquisas, e na coordenação de equipes. “Eles são dedicados na empresa e naquilo que fazem. Na verdade, eu é que sou cobrado aqui, principalmente com horários e com produção”, fala, com orgulho, o engenheiro pai.

A convivência entre pai, filhos, tio e sobrinhos é bastante natural. De fato, quem está de fora, percebe que o ambiente é de pesquisa, de diálogo, quase uma grande sala de aula. Mas as questões ligadas à empresa familiar permeiam o ambiente, como o fato de consolidar a atividade como fonte de renda. “Minha preocupação de trabalhar em família é que fica todo mundo dependendo de uma coisa só. A gente acompanha com atenção a situação econômica do Brasil. Para nós, a situação na Paraíba agora está boa, principalmente no ramo da construção. Mas, e se mudar? E se começar a cair a atividade da construção? Todos trabalhando na mesma área fica difícil uma recuperação. Se as áreas fossem diferentes, médico ou advogado, não haveria essa preocupação”, pondera Antônio Nereu. INVESTIMENTOS E PESQUISA A preocupação se dissipa quando ele próprio lembra que o Brasil ainda precisa de investimentos. “Temos necessidade de muitas estradas, habitações, grandes obras, e isso nos faz ver que a atividade da engenharia tem muito com o que contribuir ainda”, afirma. Para os filhos do engenheiro, não há nenhuma intenção em mudar de ramo. “Eu gosto do que faço; gosto de atuar na empresa, tenho retorno com minha atividade aqui, não tenho intenção de sair”, enfatiza Guilherme Cavalcanti, que lembra que é preciso investir na empresa para que ela cresça. Assim, todos seguem a regra das empresas não familiares: as remunerações são concedidas com base na função de cada um e dentro dos valores de mercado. “Nós temos que planejar; não podemos programar gastos pensando no agora, tudo é programado com todo cuidado, até mesmo para que possamos investir e gerar mais renda e, assim, manter a atividade”, explica Guilherme Cavalcanti. Por outro lado, Nereu Filho pretende seguir com as pesquisas. “Além da empresa, eu dou aulas de especializações, até porque o campo da engenharia de materiais de construção está vinculado à pesquisa”, diz. Para Antônio Nereu, o lado positivo de trabalhar em família é a própria convivência e o fato de vê-los realizados. “Trabalhar juntos, fazendo aquilo que gostamos, é parte importante nesse processo. Eles gostam da atividade que escolheram”.


EPZ: formação faz a diferença na gestão

Às vezes, nem tudo que se quer, se pode fazer”

A experiência passada de pai para filho é o ponto forte da empresa familiar, pois o aprendizado dos pais, durante a construção e consolidação dos negócios, é exemplo vivo do que pode ou não dar certo na empresa. Na grande maioria dos casos de empresas familiares, os filhos estão abertos a ouvir os pais, e vice-versa. É o que acontece na EP Construções e Incorporações, dos empresários Evandro e Caio Palhano, pai e filho respectivamente. Ter o filho como sócio na empresa que fundou, há mais de 30 anos, era o sonho de Evandro, mas ele sabia que não podia forçá-lo a seguir com ele na empresa. Além de que independente de Caio participar ou não da empresa, Evandro sempre teve a preocupação de investir na formação dos filhos. “Comecei a trabalhar cedo e sempre esperei que meus filhos também começassem cedo. Ao mesmo tempo, incentivei a formação deles. Caio teve oportunidade de estudar nas melhores escolas, de passar um tempo fora do país em intercâmbio, de escolher o curso. Tudo que estava ao alcance, em termos de educação, foi feito e, graças a Deus, pude proporcionar isso a ele”, explica Evandro Palhano. Já Caio, afirma que sempre se sentiu livre para escolher a profissão que quisesse. “Sempre fiquei livre para escolher se queria fazer parte da empresa ou seguir outra profissão, mas eu escolhi trabalhar na empresa com ele”, revela. A participação começou após o retorno dele

Evandro Palhano Empresário

dos Estados Unidos. “Eu já estava ligado à Alliance, e lá Caio começou a trabalhar como estagiário, onde ficou por cerca de um ano. Mas a lógica da Alliance não é o de empresa familiar. Somos quatro sócios distintos, que se uniram para atuar mais fortemente no mercado nordestino, por isso a decisão dos sócios foi o de profissionalizar a empresa, com a contratação de administradores e o corpo de gestão não familiar”, explica Evandro.

DEMANDA DO MINHA CASA - A partir daí, foi ideia do próprio Caio que ele e o pai formassem outra empresa. “Gostei da ideia e achei que esta seria a maneira de diversificar a nossa atuação. Na época, em 2008, começamos a procurar áreas para construir. Foi logo no primeiro ano do Minha Casa, Minha Vida, havia demanda para habitação popular, e achei que era por aí que Caio deveria iniciar, assim como comecei com casas populares em 1983”, revela.

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capa Então, foi criada a EP Construções e Incorporações, uma Sociedade Para Fins Específicos (SPE) que se aliou a outro empreendedor, Sérgio Lacerda de Araújo, que atuava com a Zênite Construções. Desse modo, os empreendimentos que foram executados por essa parceria foram feitos através da EPZ, resultante da junção das duas empresas para um fim específico. “Esse modelo de operações foi excelente, pois nele se pode firmar sociedade para fins específicos e fazer um empreendimento. Deu certo, faz-se nova SPE e assim por diante. Como no caso deles, com a EPZ, está dando certo, a cada empreendimento entregue é firmada nova parceria”, explica Evandro. Com formação em administração de empresas, Caio Palhano atua no ramo da construção civil e conta com a consultoria do pai, que tem o principal vínculo com a empresa Alliance. “Tenho autonomia na empresa e acompanho os negócios que temos em parceria com a Construtora Atlantis, as construções dentro do Minha Casa, Minha Vida e buscamos novos investimentos e parceiros”, afirma. DIÁLOGO É FUNDAMENTAL - Caio Palhano conta com a experiência e apoio do pai, que sempre está disposto a aconselhar, avaliar e sugerir os investimentos. “Nós conversamos, tudo que ele vê traz pra mim. Aí, a gente vê e avalia se é viável, porque é preciso esse cuidado, essa ponderação.” Todo o cuidado em orientar o filho vem da própria experiência, que começou cedo no ramo da construção em Campina Grande. Evandro começou a trabalhar com o tio quando ainda era adolescente. “Eu desde pequeno e quis trabalhar, ter minha renda, ter minhas conquistas. Ao longo desse processo houve momentos difíceis, em que perdi muito do que investi e precisei recomeçar. Por isso, tenho muito cuidado e busco passar isso para os meus filhos”, conta Evandro. Para Caio, a experiência de vida do pai é muito importante e faz com que ele fique atento às decisões e só aceite investir quando realmente está seguro do passo a ser dado. “Por acompanhar os passos do meu pai, aprendi a trabalhar só quando estivesse muito seguro do negócio. A minha conduta parte do que venho aprendendo todo dia na companhia do meu pai”, admite o jovem empresário. 58

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Estou contente porque ele vai dar continuidade à empresa” Severino Lopes Engenheiro

Dimensional: 35 anos no mercado e confiança que ajuda na expansão Fundada em 1978 pelo engenheiro civil e empresário Severino Lopes de Souza, a Dimensional Construções está no mercado há 35 anos. O ingresso de Severino Lopes Filho na empresa foi um processo natural. “Comecei na Dimensional como estagiário, quando estudava Engenharia na UFPB e passei por todos os setores das obras. Quando me formei, em 2002, passei a atuar na área de obras e dando mais liberdade para que meu pai atuasse mais especificamente na área comercial”, conta Severino Filho. “Quando ele fez vestibular pela primeira vez e não passou, perguntei se não queria fazer outro curso. Ele disse que não, que queria Engenharia Civil”, conta Severino Lopes. Ele lembra que, em 2004, teve um problema de saúde - uma hérnia de disco – que o afastou das atividades da empresa e que o filho tomou conta da obra do Paulo Victor, construído em Tambaú. Uma das coisas boas nas relações em empresas familiares é a confiança. “Você pode se ausentar e a empresa fica em boas mãos”, testemunha o empresário, que há pouco tempo passou 24 dias em viagem ao Japão e China e não se preocupou com a construtora, porque o filho tem procuração para assinar representá-lo, e presta conta de tudo. “Ele está há dez anos na empresa e me estimulou a adquirir equipamentos, como a grua”, relata Lopes observando que o filho “tem muita visão”. ATRIBUIÇÕES DIVIDIDAS - A partir da entrada do filho na empresa, a construtora ganhou novo fôlego para ampliar a participação no mercado, já que as funções foram divididas entre pai e filho. Com o tempo e a ampliação dos negócios, Severino Filho assumiu a função de diretor técnico e passou a supervisionar as obras. “Nós

contratamos engenheiros que ficam ligados às obras, eu faço a supervisão. Atualmente, tenho me dedicado mais ao gerenciamento e à minha construtora”, explica. Após 12 anos trabalhando como engenheiro na Dimensional, Severino Filho viu que era hora de trilhar novo caminho: o de empresário. Para isso, abriu a Gradual Construções. “A partir dessa empresa fiquei à frente de todo processo, desde a escolha e negociação da área, busca por arquitetos para que o projeto fosse feito, captação de recursos e comercialização. Isso foi um passo importante e um novo aprendizado”, afirma. A Gradual Construções, lançou e está executando, o Altiplano Residence Club, no Bairro do Altiplano, em João Pessoa. A criação da nova firma não significou a desvinculação de Severino Filho, da Dimensional, nem a concorrência entre as duas empresas. “As empresas são parceiras, atuam juntas, foi uma forma também de ampliar a atuação no mercado”, revela o empresário que para abrir a construtora precisou, primeiro, convencer o pai de que o negócio era viável. “No começo, ele não concordou muito, mas depois de conversarmos bastante e de ver o projeto, ele acabou entrando como investidor, o que foi excelente. A Dimensional entrou como apoiadora da Gradual e firmamos parceria”. O Altiplano Residence Club entrou na fase de acabamento. “Para seguir com o empreendimento pela Gradual foi preciso planejamento, pois ao mesmo tempo que lançamos o Altiplano Residence, havia outros dois em construção pela Dimensional. Então, foi essencial o planejamento para que as obras seguissem no cronograma traçado. E isso nós conseguimos executar”, explica Severino Filho.


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