Page 1

Gazeta de Alagoas

B

| QUARTA-FEIRA, 08 DE JUNHO DE 2011 | Cristina Granato/Divulgação

Mais bem-sucedido artista já surgido em

Djavan durante o show de Ária no Vivo Rio, em fevereiro

Alagoas, Djavan se apresenta hoje e amanhã em Maceió com o show da turnê Ária, que já passou por Nova York e Los Angeles, nos EUA, e está prestes a desembarcar na África e na Europa. Com ingressos esgotados há cerca de um mês, os sortudos que verão o compositor em sua primeira performance como intérprete atestarão sua boa forma num espetáculo digno dos grandes astros. Em entrevista exclusiva à Gazeta, ele fala desse momento de sua carreira e de vários ou-

N R A A V T S A R J E D P

tros temas. Numa palavra, imperdível | ELEXSANDRA MORONE Editora de Cultura

Não é de hoje, mas nunca é demais lembrar: Djavan Caetano Viana, cantor e compositor nascido em Maceió no dia 27 de janeiro de 1949, é figura obrigatória no time dos artistas que renovaram a música brasileira. A repercussão de seu trabalho, porém, não ficou restrita aos limites da história – Djavan é atualmente um dos mais bem-sucedidos nomes do showbiz nacional, e sua agenda não deixa dúvidas quanto a isso. Atração hoje e amanhã no Teatro Gustavo Leite, a turnê Ária, por exemplo, está prestes a desembarcar na África portuguesa (Cabo Verde e Moçambique) e nos próprios domínios lusitanos (Lisboa e Porto), isso depois de ter passado por Nova York, Santo Domingo, Miami, Boston, San Francisco e Los Angeles, nos EUA. Maceió, por sinal, é um dos últimos pousos do artista em solo brasileiro antes da partida para o exterior: cumprida a etapa que incluiu cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Natal, Recife, Fortaleza e Cuiabá, as próximas paradas são Aracaju, Salvador e São Paulo. Constatar o êxito de Djavan na condução de sua carreira tem um sabor todo especial para os alagoanos, claro, mas é preciso sublinhar que nada disso aconteceu por acaso. Uma olhada no site oficial do compositor (djavan.com.br) é o bastante para verificar quão profissional é sua relação com a arte musical e com o mercado – o autor de Flor de Lis e Samurai não somente não subestima a internet, como utiliza suas ferramentas com a máxima eficiência. Amadorismo? Definitivamente, essa palavra não tem lugar na vida deste senhor de 62 anos que um dia sonhou ser jogador de futebol, treinando como meia na equipe do Clube Sportivo Alagoano, o CSA. Futebol, aliás, está entre os temas sobre os quais o compositor conversou com a Gazeta, numa entrevista para lá de descontraída – por telefone, ele revelou como mantém o pique para encarar a estrada, lembrou dos shows históricos no Estádio Rei Pelé, quando chegou a se apresentar para 50 mil pessoas, falou da insegurança que bateu durante a produção de Ária, da fama de perfeccionista e ainda da satisfação que sente em contar sua história. Maior artista já surgido em Alagoas, Djavan mostrará seu talento em Maceió ao lado dos músicos Torcuato Mariano, André Vasconcellos e Marcos Suzano. Sorte de quem conseguiu um ingresso para vê-lo.

Gazeta – Você já passou dos 60, mas sua agenda de shows é de músico de 30 e poucos anos. Como encara esse ritmo? Djavan – Eu sou uma pessoa

que entendi, desde muito cedo, que saúde é tudo. E é claro que você é o que come. Então a sua alimentação é talvez o tópico mais importante para você ter uma saúde boa. Mas eu tenho realmente uma agenda pesada, eu viajo muito e pelo mundo todo, e sempre tenho muita coisa para fazer. Então é preciso que eu tenha saúde para poder dar conta de tudo isso.

E nessa rotina também entram exercícios físicos?

Também. Além de comer bem – não como carne, não como fritura e como muitas frutas e legumes e tal –, ou seja, de ter uma alimentação que me favorece, eu faço exercícios, faço pilates... Eu faço até hoje aqui em casa um exercício que eu fazia quando jogava futebol. E eu tenho uma mini-academia aqui em casa, e aí eu me exercito sempre. Mas o próprio show é um exercício, porque eu danço e tudo mais... Sou uma pessoa que está longe de ser sedentária. Na década de 80 você fez vários shows no Estádio Rei Pelé, e as informações dão conta de que todos eram lotados. Você lembra dessas apresentações?

Lembro. Em 1984 eu fiz um show para 50 mil pessoas no Rei Pelé... Foi o show de Lilás, que foi dirigido pelo Daniel Filho e com roteiro de Nelson Motta. A gente montou uma grande estrutura ali, e fez o show. Em 1984. Na sua avaliação as coisas hoje em dia são diferentes? O mercado de shows ficou mais restrito aos teatros?

Você sabe que isso varia muito? Por exemplo: eu que escolhi fazer esse show no teatro aí. Porque é um teatro que eu inaugurei, e eu nunca cantei exatamente nele, só cantei no dia da inauguração. E esse show ao mesmo tempo que é intimista é também muito vibrante. Mas eu tenho tido plateias distintas para esse mesmo show. Faço shows em lugares para dez mil pessoas, para cinco mil, três mil, dois mil... Menos não dá, porque a produção fica impagável. O que ocorre na verdade é que eu tenho um público grande. Se eu fosse fazer show em ginásio aí eu provavelmente teria um público grande, mas queria ter um momento diferente. Até porque, aí, o Teatro Gustavo Leite vai receber um público de certa forma diferenciado do que vai para o ginásio... Dessa vez eu quis atender

ao público que não vai ao ginásio. Agora ao mesmo tempo eu tenho recebido muita reclamação desse público que vai ao ginásio, e dessa vez não pode pagar o ingresso. Mas é muito difícil atender a dois senhores ao mesmo tempo. Pois é. Inclusive os ingressos para os shows que vão acontecer hoje e amanhã no Teatro Gustavo Leite estão esgotados há quase um mês...

Se eu tiver chance de fazer um terceiro show, quem sabe? Mas na verdade é o seguinte: eu estou levando para Maceió a minha mulher e os meus filhos. Porque eu quero aproveitar a estada aí para tentar descansar um pouco. E coube apenas a sexta-feira para eu descansar, porque no sábado eu tenho show em Aracaju e no domingo em Salvador. Se eu tiver um terceiro show, vão me tirar o único dia de descanso que eu tenho.... Mas eles (os produtores) estão resolvendo lá (risos)... Quando a possibilidade de produzir Ária se apresentou para você pela primeira vez? Quando você ‘pinçou’ a ideia para esse trabalho?

Olha, esse era um desejo muito antigo, porque volta e meia eu pensava em me remeter ao tempo inicial, quando eu comecei a minha carreira e cantava em boate, quando eu era crooner. Mas isso demorou a sair porque ao mesmo tempo eu sou autor desde os 18 anos de idade. Então

U S

eu sempre fiz discos autorais por toda a vida. E toda vez que eu pensava em fazer esse projeto, aí acabava compondo uma música, duas, três e aí fazia um disco inteiro e fazia um disco autoral de novo. Dessa vez, em 2009, quando eu pensei “É agora!”, eu não compus nada, consegui me conter, e aí o projeto saiu. Eu comecei a pesquisar, ouvi músicas na internet, ouvi o cancioneiro brasileiro todo de novo, desde Villa-Lobos até os compositores atuais, comecei a trabalhar tudo isso voluptuosamente, tudo para não dar margem a compor, entendeu? E se você tivesse de destacar uma condição, um sentimento que apereceu na sua mente no momento dessa escolha, qual seria?

Olha... Insegurança. Não acredito...

Total insegurança! Eu pensei: “Eu vou fazer esse disco, e vai ser facílimo, porque eu não vou ter de fazer 12 músicas novas, e 12 letras novas”. Porque para quem tem 30 e poucos anos de carreira, fazer 12 músicas novas é uma pedreira. Aí eu pensei: “Vai ser uma moleza”. Pois não foi... Porque aí eu descobri que para um autor fazer um disco em que ele tem de buscar um repertório em outros autores é uma coisa muito difícil. Eu não tinha prática de fazer isso. A pessoa que só canta faz isso sempre, mas o compositor não. Eu fiquei sete, oito meses tentando saber o que cantar.

Foi uma coisa muito difícil, mas ao mesmo tempo acabou sendo uma coisa muito divertida, porque aí eu me envolvi com todo o cancioneiro brasileiro, me deliciei com essa riqueza que nós temos. Foi bacana, mas a verdade é que não foi fácil. O DVD de Ária, que foi gravado no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, sai agora neste segundo semestre. Como é a estética desse trabalho?

Claro que a estética do DVD tinha que acompanhar a estética do trabalho que a gente já tinha desenvolvido, que é uma coisa clássica, mas com um ar contemporâneo. Sabe que eu tenho trabalhado muito com fotógrafo de moda? Porque o fotógrafo de moda tem um olho diferenciado, e eu gosto muito de pessoas que nunca trabalharam nesse ramo da música. Por exemplo, para esse show eu usei uma cenógrafa – a Suzana Queiroz – que nunca tinha feito esse tipo de trabalho; usei uma iluminadora, a Monica Lobo, que é uma grande iluminadora de grandes eventos, de prédios públicos, prédios antigos e tal, que nunca tinha feito show. E ela fez uma luz linda. Eu gosto muito desse tipo de coisa, de trazer profissionais de outras áreas para trabalhar comigo. Falando nisso, dizem as boas línguas que você é altamente

perfeccionista. É verdade?

Eu não sei o que dizer (risos)... Eu acho que cada um tem um padrão pessoal, né? O grande desafio é fazer as coisas certas. Esse é o grande desafio, e evidentemente que eu não consigo sempre. Mas eu busco isso, digamos que é o meu barato tentar acertar sempre. E é claro que eu tenho comigo mesmo um nível de exigência muito alto, entendeu? Então os músicos que trabalham comigo, as pessoas que trabalham comigo, elas estão acostumadas com esse padrão, mas elas reclamam muito. Mas o que eu estou querendo buscar é aquela execução mais correta. Não é exatamente a perfeição, porque não é a perfeição na execução... O que eu quero é tentar passar para as pessoas a ideia de que o trabalho foi feito da melhor maneira que podia ser. Eu não gosto muito da palavra perfeccionista. Eu sou muito exigente comigo mesmo, com a composição, com o meu canto, com a minha performance. Tudo isso são coisas que eu procuro fazer com que evoluam nitidamente, não só para mim, mas para as pessoas que veem. É claro que eu acabo passando a impressão de ser perfeccionista, porque as pessoas que vêm trabalhar comigo, de um modo geral, se deparam com um nível de exigência com o qual elas não estão acostumadas.

Continua na pág. B5


Gazeta de Alagoas

CADERNO B

QUARTA-FEIRA, 08 DE JUNHO DE 2011

B5

Rosa Piatti – Cortesia

BIP Lamparina

GENTE CLASSE A...

A turma cult pode ir beber na fonte. A bela cidade histórica – e musical – de Marechal Deodoro, que nos últimos anos é destaque na produção de concertos, recitais, cursos e oficinas de música clássica receberá amanhã, o 2º Circuito BNDES Música Brasilis, com o concerto Viagem Musical pelo Brasil, na Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, às 18 horas. Vale salientar que os musicistas Rosana Lanzelotte e Ricardo Kanji são dois dos mais importantes e consagrados especialistas de reconhecimento internacional em música historicamente informada, também conhecida como música antiga ou de perfomance histórica. E melhor de tudo: a entrada é franca.

››› Olha só a turminha que acaba de chegar de uma voltinha da Casa Cor São Paulo 2011. Todos convidados pelo VB, de Wellington Theotônio: Caroline Serejo e Polyana Alcântara, Sandra Leahy e Creuza Lippo, Agésila Melro, Cláudia Maia Nobre e Karla Duarte, Rita de Cássia Tavares, Osvaldo Tenório, Cláudia Calheiros, Andréa Mendonça e Clarissa Lopes, Cristiane Nunes, Maria Palmeira e Martha Nogueira, Adriana Cavalcanti e Tácio Rodrigues, Humberta Farias, Eneida Vaz, Rodrigo Fagá, Valéria Cox, Laís Ribeiro, Glícia Ferro e Simone Lobo, Júlia Tavares, Vanine Pimentel, Graziela David, Rosângela Carvalho e Ana Luiza Menezes. Acompanhando o grupo Chris Dias, Mariane Tenório e Cléo Souza do time de vendas do grupo VB.

B 12

Graduado em Tecnologia em Radiologia, pela Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas – a Uncisal, Gustavo Henrique de Figueiredo Vasconcelos circula todo vitaminado na sua área. O moço que é instrutor da área de Saúde do Senac acaba de ser aprovado no concurso nacional que selecionou 25 profissionais para participar, gratuitamente, do curso de especialização em Proteção Radiológica e Segurança de Fontes Radioativas. As aulas têm início no próximo dia 20, na sede do Instituto de Radioproteção e Dosimetria, no Rio de Janeiro. O curso tem o aval da Comissão de Energia Nuclear, órgão que regulamenta o uso de radiação ionizante no Brasil. Ponto para ele! Rita Moraes – Cortesia

Wellington Theotônio e José Valverdes Theotônio Neto – pai e filho no maior clima best fiends

Alarme

Cláudia Matarazzo e Aninha Maia, nos domínios da Viver de Arte

Comadres

Apesar de para lá de rápida, a passagem da jornalista especialista em etiqueta e comportamento, Cláudia Matarazzo, em Maceió, não provocou desencontro para um longo papo-cabeça com Ana Maia, na Viver de Arte. Cláudia e Aninha são amigas desde 2003. Fã dos trabalhos da moça, em 2007, Cláudia encomendou uma luminária especial em homenagem aos 400 anos de São Paulo, que fez um tremendo sucesso, entre os convidados. Além render uma

entrevista de Cláudia para o Bom Dia Brasil, da TV Globo, onde Miss Matarazzo fez questão de ressaltar o trabalho das irmãs alagoanas. Na paralela, a entrevista foi respingar nos olhos do ex-prefeito de Nova York, Rudolf Giulianni, que tratou logo de encomendar uma. Segundo Aninha: “Essa luminária foi a nossa Capela Sistina”. Resuminho: mais uma vez, Cláudia voltou para São Paulo com mais um contêiner de novidades. E a promessa de um novo encontro logo, logo.

Uma nova ferramenta para atuar no problema das enchentes começa a ser construído em Alagoas e Pernambuco. Técnicos da Agência Nacional de Águas estiveram em Alagoas, para discutir a contribuição dos estados nordestinos para o Atlas de Vulnerabilidade a inundações que deverá ser publicado até o fim deste ano. O documento permitirá definir os pontos mais críticos através de um mapeamento e possibilitar um plano de ação para atuar na solução dos problemas. Agora é só aguardar.

Pincel

A carioca, radicada em Alagoas há 22 anos, a artista visual Lídia Gomes que trabalha com paciência tibetana, na arte de pintar porcelana, já entrou na lista das grandes faz tempo. A artista quem mantém um ateliê na sua casa, em Jatiú-

ca, está expondo 30 peças de sua mostra individual, Pinturas em Porcelana, que vai até sexta-feira, no Teatro Deodoro. Lídia também ensina a recuperar peças e recebe encomendas. A maioria, feitas por arquitetos e decoradores. Vale a visita e um papo com Lídia.

Chapa quente

Dividido em três circuitos, capital, restante do estado e casas convidadas, o Rio Bom de Mesa 2011, festival gastronômico promovido pela Associação da Boa Lembrança do Rio de Janeiro, começa no próximo dia 14, terça-feira. De Maceió, duas presenças confirmadas: André Generoso, do Divina Gula, e Wanderson Medeiros, do Picuí. O chef o Wanderson Medeiros, além de servir a sua tradicional carne-desol, apresenta a sua cozinha regional – e requintada – em menu especial e aula no restaurante O Navegador, no centro do Rio.

Contato: brauliopugliesi@uol.com.br

| CONTINUAÇÃO DA PÁGINA B1 |

Com Marta, um paralelo entre vida e carreira DJAVAN REVELA EM QUE PONTOS SUA TRAJETÓRIA SE CRUZA COM A DA JOGADORA ALAGOANA E FALA SOBRE O PRAZER DE DIVIDIR SUAS EXPERIÊNCIAS | ELEXSANDRA MORONE Editora de Cultura

Gazeta – Na reportagem que foi ao ar há pouco mais de 15 dias no programa Esporte Espetacular, da Rede Globo, você e a jogadora Marta fizeram uma espécie de tabelinha de talentos saídos de Alagoas: ela, nascida em Dois Riachos, é a melhor jogadora de futebol do mundo; você, nascido em Maceió, é um dos compositores que transformaram nossa música. Dá para traçar um paralelo entre a sua carreira e a dela? Djavan – Eu acho que sim. Acho

que a sofisticação que ela tem jogando, eu tenho no meu trabalho. E eu espero que você entenda muito bem para não parecer uma coisa boba, arrogante... Acho que o tipo de trabalho que nós fazemos tem uma

pegada especial, distinta, original. Eu faço um trabalho que é bem personal, e a Marta joga um futebol que nenhuma outra jogadora do mundo joga. A Marta tem essa peculiaridade. Ela tem uma inteligência jogando futebol que não é própria das mulheres... Não é a inteligência que não é própria das mulheres, veja bem. É a inteligência para o futebol... É você saber como tocar na bola, descobrir espaços vazios, ter a inteligência de saber como chutar, como se posicionar para receber, como lançar, como passar... Ela tem todos esses fundamentos que o grande craque de futebol tem. E eu faço um trabalho, como você sabe, muito pessoal. É um trabalho original, um trabalho que quem gosta de Djavan só vai encontrá-lo em mim. Então eu acho que talvez esse paralelo faça sentido.

Na mesma reportagem, você também destacou o talento do meia Paulo Henrique Ganso, do Santos Futebol Clube. Seria possível achar uma canção, no seu repertório ou no de outro compositor, que traduzisse esse modo de jogar?

É difícil, aí eu teria de pensar. Porque o caso do Ganso é um caso especificamente muito interessante, porque o Ganso é da galeria de um tipo de jogador brasileiro que é raríssimo. Por exemplo: você tem hoje o Neymar, que é um jogador especial, que está encantando a todos com sua técnica. Ele é um jogador de uma estirpe que o Brasil tem vários. Mas é muito mais fácil no Brasil a aparição de jogadores como o Neymar do que como o Ganso. O Ganso é um jogador que vive em extinção. É aquele jogador que joga de ca-

beça erguida, que conhece todos os fundamentos do futebol. Ele tem um domínio total da cena, ele vê o futuro da jogada, vê o que ninguém vê, nem mesmo a plateia. Esse tipo de jogador é raríssimo. É um Gerson, é um Didi, é um Rivelino, é um Zico... Ele é dessa praia. Por isso que eu fiz um paralelo entre ele e a Marta na reportagem; ela é uma jogadora diferenciada por isso. Você deu seus primeiros acordes no violão usando como guia aquelas revistinhas clássicas que eram vendidas em bancas de revista. Hoje, no seu site, você publica vídeos com ‘aulas práticas’ sobre algumas de suas composições, numa espécie de colaboração com os apreciadores da música e especialmente do seu trabalho. Qual o maior prazer nisso?

Eu tenho uma carreira de 34 anos, então eu tenho muita coisa a dizer sobre a formatação de uma pessoa que quer esse tipo de atividade. Uma coisa que se eu pudesse eu faria, era em toda cidade que eu fosse fazer show fazer um workshop um dia antes, para falar um pouco da minha vida, da minha formação. Eu adoraria passar essa informação, passar essa experiência, acho que eu prestaria um serviço importante. Mas eu não tenho tempo, e seria uma coisa muito difícil, porque eu necessariamente precisaria estar um dia antes na cidade. Mas eu fiz isso agora, recentemente, em Belo Horizonte, porque eu tive tempo, e foi uma coisa maravilhosa. Então isso lhe traz uma realização também...

Sim, isso me realiza, porque é

uma demonstração do que é você sair de onde eu saí – porque minha trajetória não é uma trajetória que seja nem parâmetro no Brasil realmente, porque eu vim de Alagoas, eu sou negro, filho de lavadeira, saí de um estado pobre como Alagoas, e o meu foco sempre foi algo que não estava dentro desse universo. Porque ao negro é dado o caminho da tradição, e eu nem faço música nordestina, nem faço samba de morro. Então foi uma trajetória muito difícil, foi muita rejeição no início, porque diziam que eu fazia uma música que o negro não compreendia, essas coisas todas. O foco, em qualquer atividade, é ter muita perseverança, muita força e muita certeza, entendeu? Então só isso já me garante a credencial de poder dizer alguma coisa, porque eu tenho o que dizer. Fotos: reprodução

O SHOW Djavaneando clássicos da canção brasileira como Luz e Mistério (Caetano Veloso), Valsa Brasileira (Chico Buarque e Edu Lobo) e Palco (Gilberto Gil), Djavan se mostra pela primeira vez como intérprete na turnê de Ária. Com um show esmerado – cenários, figurinos e iluminação receberam uma atenção ainda mais especial do artista e de sua produção –, o espetáculo vem encantando plateias Brasil e mundo afora. Para quem não conseguiu comprar ingresso, resta torcer para que o artista passe por aqui no regresso da viagem pela África e pela Europa.

UMA TRAJETÓRIA EM IMAGENS Da estreia em disco – em 1976, com A Voz, o Violão, a Música de Djavan, que por sinal acaba de sair em vinil – até os dias de hoje, o compositor genial e arranjador de inegável sofisticação exibe lances grandiosos em sua carreira. Aqui, alguns deles

Ao lado do casal Chico Buarque e Marieta Severo

SERVIÇO O quê: show da turnê Ária, do cantor e compositor Djavan Onde e quando: no Teatro Gustavo Leite – Centro Cultural e de Exposições, hoje e amanhã (09), com sessões às 20h Ingressos: esgotados Informações: 3235-5301

Cartaz de show em Tóquio

Show no Rei Pelé, em 1984

Luminoso de show em NY

Djavan e as Artes do Sucesso  

Um pingue-pongue com o cantor, compositor e arranjador alagoano, mas mundialmente afamado, Djavan Caetano Viana

Advertisement