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Gazeta de Alagoas

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| DOMINGO, 12 DE JULHO DE 2009 |

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sem igual

Rebelde, Nise da Silveira humanizou o tratamento psiquiátrico no Brasil

Há dez anos morria Nise da Silveira, a psiquiatra alagoana que saiu de sua terra natal para provocar, nos anos 50, uma transformação sem precedentes na ciência médica, especialmente no tratamento de esquizofrênicos. A partir da implantação de oficinas de expressão artística, da relação afetuosa com animais e de uma intensa troca de informações com o suíço Carl Jung, Caralâmpia, como foi apelidada pelo pai, criou métodos que continuam inspirando médicos e psiquiatras e servindo como modelo para hospitais e clínicas. Nesta edição, a Gazeta revisita a trajetória dessa mulher que é um dos personagens mais importantes da história de Alagoas e que está prestes a ganhar sua primeira cinebiografia – o longa A Senhora das Imagens, de Roberto Berliner | JANAYNA ÁVILA Repórter

“Uma voz chegou-me, fraca, mas no primeiro instante não atinei com a pessoa que falava. Enxerguei o pátio, o vestíbulo, a escada já vista no dia anterior. No patamar, abaixo de meu observatório, uma cortina de lona ocultava a Praça Vermelha. Junto, à direita, além de uma grade larga, distingui afinal uma senhora pálida e magra, de olhos fixos, arregalados. O rosto moço revelava fadiga, aos cabelos negros misturavam-se alguns fios grisalhos. Referiu-se a Maceió, apresentou-se: – Nise da Silveira.” É assim que o escritor Graciliano Ramos descreve, na obra Memórias do Cárcere, seu encontro, na prisão, em meados dos anos 30, com a alagoana que, poucos anos depois, iria revolucionar o tratamento psiquiátrico não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro. E ele segue registrando o encontro e as impressões que a presença de Nise lhe causaram: “O que senti foi surpresa, lamentei ver a minha conterrânea fora do mundo, longe da profissão, do hospital, dos seus queridos loucos. Sabiaa culta e boa, Rachel de Queirós me afirmara a grandeza moral daquela pessoinha tímida, sempre a esquivar-se, a reduzir-se, como a escusar-se de tomar espaço. Nunca me havia aparecido criatura mais simpática”, escreveu o autor de Vidas Secas. A prisão, como a própria Nise conta em entrevista ao escritor e crítico de arte Ferreira Gullar, realizada em 1996 e publicada em livro, teria sido “uma coisa kafkiana”: havia sido denun-

ciada por possuir livros socialistas, por uma enfermeira do hospital onde trabalhava. A aparência franzina à qual Graciliano se refere escondia, na verdade, uma mulher forte, determinada a implantar uma revolução no campo da ciência, cada vez mais celebrada e discutida por psiquiatras em diferentes países. Nascida em Maceió, na rua Boa Vista, no Centro, em 15 de fevereiro de 1905, Nise era filha de Faustino Magalhães da Silveira e Maria Lydia da Silveira. Sua avó paterna, dona Henriqueta, a matriarca dos Silveira, era uma mulher que conduzia a família com braço forte, tanto que nem mesmo o marido, o avô paterno de Nise, aguentou tanta pressão: saiu de casa e foi morar numa pequena casa comercial que tinha, em União dos Palmares. Do clã dos Silveira fazia parte também o major Bonifácio Magalhães, tio paterno de Nise, que, apaixonado por cultura popular, “agitou” o bairro de Bebedouro, onde incentivava a apresentação de folguedos. O pai de Nise era professor de matemática e atuava também como jornalista, primeiro no Jornal de Alagoas e, depois, na Gazeta de Alagoas, jornais fundados por seu irmão, Luís Magalhães da Silveira. Dessa época, Nise guardou a lembrança da violência que cercava a atividade jornalística na época, como conta na entrevista que concedeu a Ferreira Gullar: “Eram brigas horríveis com o então governador de Alagoas, Euclides Malta. Meu pai, que era um homem cordato, também entrou na briga, mas por solidariedade ao irmão. E andava sempre armado de re-

Nise ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia com apenas 15 anos. Na turma, era a única entre 157 rapazes. Com a morte do pai, um mês após sua formatura, decidiu viver no Rio vólver. Ele me levava ao jornal e dizia: ‘Nise, pega o revólver pra mim.’ Minha mãe ficava apavorada, enrolava o revólver numa toalha, pra me proteger, como se bala de revólver não furasse toalha”. Ainda assim, a criança, alheia à situação, curtia a oportunidade de ver um jornal sendo produzido: “Ficava fascinada com a habilidade deles. O cheiro da tinta de impressão me embriagava. Eu me metia ali e terminava sujando o vestido de tinta preta”. Filha única, era desejo dos pais que a garota se tornasse pianista, como a mãe, mas Nise parecia já ter selado seu destino: apesar da dedicação e do acompanhamento atento da mãe, era completamente desafinada e não conseguia perceber as dissonâncias. Outro fato acrescentava mais força ao rumo que, anos depois, sua vida tomaria. Segundo a alagoana conta, seu pai a levava para as aulas ministradas por ele e convidava os melhores alunos para estudar em sua casa. Seu objetivo era fazer com que a filha se habituasse, desde cedo,

a conviver com rapazes, preparando-a para o mundo machista que enfrentaria. “Ela dizia que o pai dela tinha uma cabeça muito aberta para a época. Admiravao muito”, conta o fotógrafo alagoano Juarez Cavalcante, que há dez anos, alguns meses antes de Nise falecer, passou a frequentar a casa dela, no Rio. “Fui para conversar. A doutora Nise era uma pessoa agradável. Eram conversas sobre qualquer coisa”, observa Juarez. O fotógrafo conta que, nessa época, sua memória de Alagoas já estava rarefeita: “Uma coisa da qual ela lembrava com muita saudade era a região da lagoa. Perguntei se ela tinha vontade de voltar e ela respondeu que ‘tinha medo porque o coração podia papocar de emoção’. Ela usou essa expressão mesmo: ‘papocar’”. Em um desses encontros, Juarez propôs a Nise conceder uma entrevista à Gazeta. Acertada a data, o jornalista Enio Lins seguiu para o Rio, levando na bagagem uma encomenda especial: carapebas, para atender a um desejo que a alagoana já havia mencionado a Juarez. No dia da entrevista marcada, Nise, que vivia numa cadeira de rodas por conta de uma fratura no fêmur, entrou em coma e faleceu pouco tempo depois, em 30 de outubro de 1999, aos 94 anos. “Eu lamentei tanto... Fiquei pensando que ela ficaria tão feliz com as carapebas, que talvez não adoecesse naquele momento, que vivesse mais uns anos”, recorda o fotógrafo.

OS ESTUDOS Na infância, Nise da Silveira estudou no Colégio Santíssimo Sacramento, numa época em que a instituição adotava a cultura francesa. Até os livros eram nessa língua. O preparatório para a faculdade foi feito no tradicional Liceu Alagoano. Após ter sido aprovada nos exames preparatórios, Nise seguiu para a Faculdade de Medicina da Bahia. Tinha apenas 15 anos, o que a impedia de ingressar na escola – a idade mínima era 16. “Mas em Maceió tudo se arruma. E assim deram lá um jeito e eu entrei para a Faculdade com 15 anos como se tivesse 16”, contou. Apesar da “manobra” ter ajudado a alagoana a ingressar mais cedo na graduação, isso teria lhe causado um transtorno mais tarde: “Depois tive um trabalho danado para corrigir isso e voltar à idade certa”, revelou na entrevista ao poeta Ferreira Gullar. Era a única mulher na faculdade onde só estudavam homens: 157 rapazes e apenas ela. A formatura aconteceu em 1926, numa turma com célebres alagoanos, como Arthur Ramos e Abelardo Duarte. Sua tese (que equivalia a um trabalho de conclusão de curso) demonstrava a postura questionadora de Nise, atenta às questões da mulher, sem soar panfletária: Ensaio sobre a Criminalidade da Mulher no Brasil. Apesar da dedicação que sempre imprimiu a tudo que fazia, Nise confessou, logo depois da formatura, que não tinha voca-

ção nenhuma para a medicina. Curiosamente, a alagoana ficava tonta só de ver sangue. A escolha do curso se deu exclusivamente por influência do grupo de rapazes de Maceió que haviam sido alunos de seu pai e que iam cursar Medicina na Bahia. Mas um desses rapazes havia recebido de Faustino da Silveira a “missão” de cuidar da adolescente Nise: era seu primo, Mário Magalhães da Silveira. Anos depois, o médico sanitarista se tornaria marido de Nise. Há informações de que eles teriam evitado ter um filho por conta do parentesco. Após 20 anos vivendo juntos, o casal só oficializou a união após a insistência de Mário. Desempregada, recém-saída da prisão e perseguida, ele temia que a esposa ficasse desamparada, caso ele morresse. Com o casamento, pensava ele, estava garantida, pelo menos, a pensão como viúva. Mário morreu 13 anos antes de Nise, em 1986. Ela já estava aposentada, há mais de dez anos, do serviço público, embora nunca tenha, de fato, deixado de colaborar com a ciência. Quando saiu da faculdade, com apenas 21 anos, a alagoana ainda gozava de boa situação financeira e desfrutava das regalias de filha única, como uma boa mesada. Mas um mês depois da formatura seu pai morreu, um dia antes de completar 47 anos. A partir desse dia, a vida de Nise mudou. E, com ela, mudava também a prática e a história da psiquiatria no mundo inteiro.

Continua nas páginas B2, B3, B4 e B10


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CONTINUAÇÃO DA PÁGINA B1 Fotos: reprodução/Acervo Edberto Lessa

Nise, rebelde e revolucionária desde o começo Ao sair da prisão e tornar-se psiquiatra num hospital, ela se recusou a aplicar eletrochoque. Começava a mudança | JANAYNA ÁVILA Repórter

Com a morte repentina de Faustino da Silveira, uma nova realidade se apresentava. Despreocupado, o patriarca nunca comprou uma casa para a família, pois costumava dizer que, quando a filha se formasse, o casal iria morar em Paris. Sem casa própria e viúva, a mãe de Nise voltou para a casa do pai. Impetuosa, a médica recém-formada preferiu enfrentar a vida no Rio de Janeiro a ter que morar na casa do avô. A mãe resolveu vender tudo que tinha dentro da casa – até as joias. Com algum dinheiro, embarcou sozinha em um navio rumo ao Rio, e deixou Maceió. Chegando ao destino, instalou-se numa pensão no Catete. Com o passar dos dias, o dinheiro foi acabando. Antes disso, mudou-se para um lugar mais barato, na rua do Curvelo, em Santa Teresa. Lá encontrou dois alagoanos ilustres – Octávio Brandão e Jorge de Lima – e o poeta pernambucano Manuel Bandeira, com quem costumava, à espera do bonde, conversar sobre filosofia. De Octávio, Nise ouvia conversas entusiasmadas sobre o comunismo. Pouco tempo depois, o conterrâneo foi preso e teve de ir embora do Brasil. Apesar de economizar, era preciso trabalhar. Quando surgiu a notícia de que haveria um concurso para médico psiquia-

tra, Nise se animou. Lia muito sobre o assunto e, como chegou a confessar, entre risos, na entrevista a Ferreira Gullar, até ganhou dinheiro escrevendo teses para outras pessoas: “Uma imoralidade horrível. Escrevi uma tese muito boa que tive uma pena enorme de entregar ao médico que a tinha encomendado”. Em 1933, a alagoana é aprovada no concurso federal, tornando-se médica psiquiatra da antiga Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental, passando a trabalhar no hospital da Praia Vermelha, no Rio, onde ficou internado o escritor Lima Barreto. Dois anos depois, no auge da Intentona Comunista de 1935, foi denunciada à administração do hospital, acusada de ser comunista. Em 1936 foi presa pela polícia de Getúlio Vargas. Nise conta que o episódio da denúncia ensinou-lhe uma lição preciosa: a de que os esquizofrênicos, ao contrário do que afirmavam os livros, podiam ser afetuosos. A paciente que, diariamente, levava o café até o quarto da alagoana, sabendo o que se passava à sua volta, “pegou de murros” a enfermeira que havia delatado a psiquiatra. Presa na Casa de Detenção, Nise ocupou a famosa “sala 4”, onde ficavam as mulheres acusadas de colaborar com o comunismo. Só em 1937 sairia da prisão, sendo readmitida no serviço público. De imediato, Nise não voltou

| EXPRESSÃO | Nise ainda jovem: desde muito cedo ela já expressava a rebeldia que seria um de seus traços mais marcantes. O “cliente” Fernando Diniz, morto em 1999, num momento de produção artística: aclamado pela crítica, ele deixou mais de 30 mil obras ao hospital – havia o boato de que poderia ser presa. No dia seguinte à sua libertação, teve uma prova da amizade do poeta Manuel Bandeira, que enfrentou os olhares alheios ao levá-la para almoçar na Confeitaria Colombo, na época um dos lugares mais badalados do Rio. Com medo de ser presa novamente, a psiquiatra permaneceu um tempo na Bahia, mas não demorou para querer voltar ao Rio. Antes do retorno definitivo, porém, esteve em Pernambuco e em sua terra natal. No mesmo ano, voltou à cidade maravilhosa e assumiu o cargo no Centro Psiquiátrico Pedro II, no Engenho de Dentro. Foi nesse momento que começou o que ela chamou de “a outra briga”: dessa vez, com a psiquiatria.

REVOLTA Quando finalmente estava livre e reassumia sua função, Nise se deparou com uma situação lamentável no tratamento de pacientes esquizofrênicos. Os hospitais brasileiros estavam usando métodos novos: eletrochoque, choque de insulina e de cardiazol e a lobotomia, o pior de todos, que consistia no corte das ligações entre os lobos frontais e o resto do cérebro, tornando os pacientes “mansos”, em estado neurovegetativo. A cirurgia, inventada pelo português Egas Moniz, que recebeu o Prêmio Nobel de Medicina de 1949, era, para Nise, a pior das formas de tratamento que se poderia utilizar. Assim que assumiu o cargo, a alagoana se recusou a aprender as novas técnicas, como apertar o botão que li-

berava a descarga elétrica no paciente. Começava a rebeldia. O diretor geral do Centro Psiquiátrico, Paulo Elejalde, não sabia onde colocar Nise, já que ela se recusava a utilizar os métodos vigentes na instituição. Só havia um setor no hospital onde ela poderia ficar: a Terapêutica Ocupacional, onde não havia médicos, apenas serventes. Autorizada a assumir o comando do setor, tratou de instalar lá uma oficina de costura. Não demorou a encontrar pacientes interessados em participar das aulas. Com a procura, faltaram cadeiras. A alagoana não hesitou em recomendar que sentassem no chão. O importante era que todos os interessados participassem. Antes da chegada da psiqui-

atra, os doentes se dedicavam apenas à limpeza do local. Ajudavam os serventes. “A doutora Nise era uma pessoa de uma criatividade extraordinária, que sempre buscava o novo, não aceitava o saber estabelecido. Estava sempre buscando novos conhecimentos, fazendo novos eventos, trabalhos interdisciplinares. As pessoas que a cercavam eram de áreas diferentes. Ela não ficava encapsulada somente na psiquiatria. Estava aberta para todas as áreas. Era uma pessoa que olhava para o futuro, uma mulher sempre à frente de seu tempo”, afirma o atual diretor do Museu de Imagens do Inconsciente, Luiz Carlos Mello, que conviveu durante 26 anos com a alagoana (leia entrevista na página B10).

Das oficinas à criação do Museu de Imagens do Inconsciente

| CIÊNCIA | Nise analisa o acervo do Museu de Imagens do Inconsciente. Em 1957, durante o 2º Congresso Internacional de Psiquiatria, em Zurique, acompanha Jung, que visita mostra do museu

Com o passar dos dias, Nise via que uma forma geométrica em particular se repetia nos desenhos e pinturas realizados pelos pacientes do hospital: o círculo, que estava por toda parte. Leitora de obras sobre história das religiões e, já naquela época, em contato com a produção do psiquiatra e psicanalista suíço Carl Jung, considerado o fundador da escola analítica de psicologia, Nise se inquietou. Sabia que ali podia estar a abertura para a compreensão do até então impenetrável universo interno do esquizofrênico. Obstinada e ciente da contribuição que poderia deixar para a psiquiatria, Nise enviou, em 1956, uma carta a Jung, devidamente acompanhada de algumas imagens. Começava ali uma intensa troca de informações sobre o assunto, que culminaria na participação da alagoana no 2º Congresso Internacional de Psiquiatria, que aconteceu em Zurique, em 1957. Em maio de 1952, quatro anos antes de começar a se corresponder com Jung e já com uma grande quantidade de obras, Nise decide dar outro passo importante e, mais uma vez, revolucionário: inaugurou o Museu de Imagens do Inconsciente, que abrigaria, em definitivo, a produção dos pacientes (ou clientes, como costumava chamar). Com a empreitada, garantia a organização do conjunto de obras, que estariam disponíveis tanto para visitação quanto para estudo. Nessa época, o museu receberia dois visitantes ilustres: os críticos de arte Mário Pedrosa e Ferreira Gullar.

Em entrevista por telefone à Gazeta, Gullar, 78, lembra o que significou para ele, recém-chegado ao Rio, conhecer aquela produção: “Aprendi muito. Uma pessoa não precisa ser equilibrada mentalmente, ser lógica, para fazer arte. E outra coisa que eu observei é que não basta ser doido para ser artista. O cara é louco e por isso é artista? Não. Não tem nada disso. Lá nos ateliês tinha dezenas de pessoas produzindo, mas só cinco ou seis se revelaram talentosos. Uma coisa não tem nada a ver com outra. O contato com aquele trabalho da Nise ajudou-me a pensar sobre essas questões. Você pode ser doido e ser medíocre, ou não ter vocação para a arte, ou ter vocação para a música, ou não ter vocação nenhuma para arte nenhuma. Não é a loucura que faz o cara ser artista. O cara é artista apesar de louco. A loucura é um mal, é uma doença”, diz. Pai de dois filhos esquizofrênicos – um deles já falecido –, o crítico e poeta reconhece a importância da terapêutica ocupacional para o bem-estar do paciente, mas faz questão de frisar que não acredita na cura para a doença: “A pintura, por ser uma imagem simbólica, por não envolver pensamento lógico, é um instrumento mais fácil dessa pessoa problemática se expressar. Quando pinta, ela não está se expressando em termos de conceitos, de valores sociais, de valores familiares. São cores, são formas, são sonhos... Agora, se cura, eu duvido muito, porque não existe cura para doença mental. Não cu-

ra, mas ajuda, melhora. Tanto que o Emygdio de Barros [um dos pacientes do então Centro Psiquiátrico Dom Pedro II] passou 23 anos sem falar e, quando passou a pintar, voltou a falar, se tornou uma pessoa comunicativa, apesar de todos os problemas que ele tinha”, declara. REFERÊNCIA Instalado no Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira, no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, o museu possui atualmente um acervo com mais de 300 mil obras. Destas, 100 mil foram tombadas recentemente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O acervo integra ainda exposições que percorrem o País e são usadas também em cursos ministrados pela equipe que integra o setor de Terapêutica Ocupacional do Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira. O museu é visitado com frequência por estudantes e profissionais de psicologia e psiquiatria e também pelo público em geral. Outra obra deixada por Nise é a Casa das Palmeiras, em Botafogo, no Rio, instituição criada em 1956 com a colaboração de colegas e amigos. Destinada ao tratamento e à reabilitação dos egressos de instituições psiquiátricas, a casa funciona em regime de externato. Lá, assim como na seção de Terapêutica Ocupacional do Instituto Municipal Nise da Silveira, as atividades expressivas (as oficinas artísticas) são utilizadas como principal método terapêutico. |JA


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CONTINUAÇÃO DA PÁGINA B1 Fotos: reprodução

Pioneira na terapia com animais Apaixonada por cães e gatos, Nise transformou os bichos no que chamava de “coterapeutas”: eles auxiliavam no tratamento de pacientes com esquizofrenia | JANAYNA ÁVILA Repórter

Uma das sobrinhas de Mário Magalhães, marido de Nise da Silveira, a alagoana Lúcia Pontes de Miranda, que reside em Maceió, lembra da psiquiatra alagoana quando, algumas vezes, visitou o casal, no Rio: “Era uma pessoa enérgica, sabia se impor. E conseguia o que queria porque se rebelava”, conta. Lúcia se recorda da presença de bichos de estimação por todo o apartamento onde a psiquiatra morava: “Estava sempre rodeada de gatos. Não tinha um lugar da casa onde não houvesse um gatinho”, diz. Os gatos eram uma paixão de

Nise. São muitas as fotografias em que ela posa com os felinos, além de um retrato, pintado por Di Cavalcanti, onde ela, ainda jovem, abraça um gato. O fotógrafo Juarez Cavalcante foi um dos que presenciaram essa relação tão afetuosa com os animais. “Ela tinha dois apartamentos: morava no apartamento de baixo. O de cima era para os gatos. Na época em que a conheci, já bem idosa, ela só tinha um gato, que era o Carlinhos. Todo dia ela ia, na cadeira de rodas e acompanhada da pessoa que cuidava dela, até o apartamento de cima para levar a refeição do Carlinhos. As conversas que tínhamos eram todas monitora-

das por ele, que chegava, sentava e ficava observando. Uma vez ele sentou no meu colo e ela disse que era um privilégio, que eu me sentisse honrado”, recorda. Nise costumava ficar atenta à reação que os gatos tinham em relação às pessoas. “Ela contou que uma vez, no prédio dela, os moradores estavam desconfiados do síndico, começaram a reclamar e marcaram uma reunião com algumas pessoas do condomínio, o síndico e um representante da administradora do condomínio, a empresa responsável pela administração do prédio, as contas etc. E esse rapaz, muito educado, de repente soltou um grito que assustou todo mundo.

Um dos gatos dela deu uma mordida no tornozelo do rapaz, que sangrou... E era um gato muito tranquilo, nunca havia mordido ninguém. Pouco tempo depois, descobriram que o rapaz era um pilantra, e que estava mancomunado com o síndico. Ela disse que quando o gato mordeu já olhou meio desconfiada para o rapaz”, conta Juarez, que destaca o que considera uma das principais ferramentas do trabalho de Nise: o carinho. “Além da bagagem cultural e científica, ela tinha muito afeto. Esse trabalho, sem o afeto, é difícil. É preciso se envolver e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria de se distanciar”, diz.

Reprodução/Arquivo Museu de Imagens do Inconsciente

Caralâmpia, o apelido, batiza personagens

Nise, a monitora Nazareth Rocha e os cães “coterapeutas”

Quando garota, remexendo nos papéis de seu pai, Nise encontrou a prova de um aluno, que havia sido reprovado. O nome do garoto chamou sua atenção: era José Caralâmpio. A jovem ficou encantada com o nome e teria pedido ao pai para aprovar o menino. Faustino da Silveira não só reprovou o aluno como ainda, brincalhão que era, passou a chamar a filha de “Sua Caralâmpia”. Nise achou graça e levou, para a vida adulta, a lembrança do apelido carinhoso. O histórico encontro com Graciliano Ramos, relatado em Memórias do Cárcere, fez nascer uma amizade que transcendeu os muros da prisão. Ambos se encontravam com frequência na livraria José Olympio. Apaixonada por literatura – costumava dizer aos seus alunos que eles aprenderiam mais sobre a psique humana com a obra de Machado de Assis do que em certos

livros científicos –, Nise discorria, nesses encontros com o conterrâneo, sobre os mais diferentes temas, como afirmou em diversas entrevistas. Obras literárias e Alagoas eram alguns deles. Em 1939, Graciliano publica o conto infanto-juvenil A Terra dos Meninos Pelados. Em homenagem à amiga alagoana, cria a princesa Caralâmpia, personagem de uma bela fábula sobre a diferença. Na primeira vez em que aparece na história, Caralâmpia está “vestida numa túnica azulada cor das nuvens do céu, coroada de rosas, um broche de vaga-lume no peito, pulseiras de cobras de coral”. Inspiradas pela personagem e pela história que acompanhava o apelido, a radialista Márcia Mariá e a jornalista Simone Cavalcante criaram o programa Caralâmpia. Exibido semanalmente, é o único infantil da TV alagoana. |JA

Nise em casa, com Carlinhos, um de seus gatos mais queridos


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“Eu sou como sururu, uma ostrinha difícil de se abrir” Era assim que Nise costumava se definir. Ex-aluno dela, o alagoano Agatângelo Vasconcelos ouviu a frase algumas vezes CARTA A AGATÂNGELO VASCONCELOS Robson Lima

O psiquiatra alagoano Agatângelo Vasconcelos e a carta que ele recebeu, em 1992, de Nise, sua ex-professora, encaminhando o livro O Mundo das Imagens

Reprodução

| JANAYNA ÁVILA Repórter

Quando Nise da Silveira ministrava a disciplina Terapia Ocupacional Psiquiátrica no hospital, o psiquiatra alagoano Agatângelo Vasconcelos foi um de seus alunos. O médico chegou ao Rio em 1964 para fazer a chamada residência, período de estágio cumprido após a conclusão da graduação em Medicina. Nessa época, a alagoana já era uma referência na área. Do período passado lá, Vasconcelos – o único ex-aluno de Nise radicado em Alagoas – guarda duas lembranças: a professora séria, rígida, e a pessoa de temperamento difícil. “Como mestra, era maravilhosa. Tinha um conhecimento excepcional, mas não era uma pessoa fácil. Naturalmente que, com as pessoas mais próximas, fosse menos fechada. Ela própria costumava dizer ‘Eu sou como sururu, uma ostrinha difícil de se abrir’”, conta. Certa vez, lembra Agatângelo, ele teria dito, ao final de uma aula, que era de Alagoas, mas a reação de Nise não foi a esperada. “Pensei que ela faria algum comentário, perguntaria pela terra natal. Mas não. E eu ainda ia dizer que, além de ser de Alagoas, um dos meus sobrenomes é Silveira, mas a frieza foi tanta que preferi calar”, diz o médico. Para ele, a psiquiatra guardava certa mágoa de Alagoas por, naquela época, já ser um nome internacional e ainda não ter recebido nenhuma homenagem por aqui.

FRASE

“É uma personalidade brasileira sem igual. Um exemplo de mulher. Nise trouxe a arte para dentro da loucura e dizia que não era psiquiatra, era psicodélica” Roberto Berliner Cineasta, diretor de A Pessoa é para o que Nasce e Herbert de Perto

Anos depois, já nos anos 90, Nise recebeu os títulos de sóciahonorária da Sociedade de Medicina de Alagoas, de professora honoris causa da Escola de Ciências Médicas de Alagoas e de membro emérito da Academia Alagoana de Medicina. Em 1992, Vasconcelos recebeu uma carta da psiquiatra, acompanhada do livro O Mundo das Imagens. O exemplar faz parte do acervo da biblioteca da Sociedade de Medicina. Depois da breve passagem pela cidade, quando saiu da prisão, nos anos 30, Nise nunca mais voltou à capital alagoana. “Ela dizia que, para ela, Maceió era um mito”, recorda Agatângelo. NISE NO CINEMA O cineasta carioca Roberto Ber-

liner, dos filmes A Pessoa é para o que Nasce e do inédito Herbert de Perto, está às voltas com a produção de A Senhora das Imagens, longa-metragem que pretende contar a trajetória de Nise. As filmagens devem começar em outubro ou novembro e terão como locação o Instituto Municipal Nise da Silveira e algumas ruas do Rio. Embora seja baseado em fatos reais – mais especificamente na entrevista que Nise concedeu ao cineasta Leo Hirszman, um dos mais ativos militantes do Cinema Novo –, o filme não será um documentário. Em entrevista à Gazeta, Berliner, que conheceu a alagoana nos anos 80, no Circo Voador, quando ela empreendia uma campanha contra a farra do boi, afirma que a escolha de Nise como tema de um filme dispensa maiores explicações. “É uma personalidade brasileira sem igual. Um exemplo de mulher, com um notável empenho em se aproximar do outro, de perceber o diferente com um olhar íntimo. Nise trouxe a arte para dentro da loucura e dizia que não era psiquiatra, era psicodélica”, diz.

A PRODUÇÃO DE NISE DA SILVEIRA ›› Jung: Vida e Obra. Rio de Janeiro: José Álvaro Ed., 1968 ›› Imagens do Inconsciente. Rio de Janeiro: Alhambra, 1981 ›› Casa das Palmeiras. A Emoção de Lidar. Uma Experiência em Psiquiatria. Rio de Janeiro: Alhambra, 1986 ›› O Mundo das Imagens. São Paulo: Ática, 1992 ›› Nise da Silveira. S. Paulo: COGEAE/PUC-SP 1992 ›› Cartas a Spinoza. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995 ›› Gatos, a Emoção de Lidar. Rio de Janeiro: Léo Christiano Editorial, 1998


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Los Angeles Times/Reprodução

| LITERATURA |

Philip Roth exibe vigor e intensidade em novo livro EM INDIGNAÇÃO, O ESCRITOR CONTA A HISTÓRIA DE UM PAI QUE TENTA DOMINAR A VIDA DO FILHO | TATIANA SALEM LEVY * Folhapress

São Paulo, SP – Em artigo sobre o caso Schreber, Freud afirma que o paranoico é aquele que reconstrói seu mundo subjetivo com o trabalho de seus delírios. Indignação, de Philip Roth, que sai agora por aqui, é um romance sobre a paranoia de um pai que, com seus medos, molda a vida do filho. Marcus Messner, judeu de Newark, entra para a universidade cerca de dois meses após o início da Guerra da Coreia. Filho de um açougueiro kosher, Marcus é “um estudante prudente, responsável, com notas excepcionais”. Nada justifica, portanto, o receio do pai de que ele venha a perder as rédeas do próprio destino. Nada senão uma paranoia, a mesma que guiará o livro do início ao fim: “A razão é a vida, onde o menor passo em falso pode ter consequências trágicas”. Lá onde não existe nada, o pai inventa um desastre por vir. Se o filho some de casa, não é porque está na biblioteca, mas porque algo de terrível se anuncia. Toda a narrativa se funda no “e se” que, no decorrer do tex-

Narrado em primeira pessoa pelo protagonista, o romance de Philip Roth descreve de forma magistral um ambiente que requer uma existência social marcada to, perde seu caráter inesperado e se torna obrigatório. Algo tem de suceder a Marcus, para que se justifique o discurso paranoico do pai; para que, no fim, o açougueiro possa repetir a si mesmo que tinha razão. Todos os acontecimentos da trama – a transferência de universidade; o isolamento de Marcus; o aparecimento da “doidinha” Olivia Hutton – se desenrolam para ratificar o medo. Os delírios do pai vão se tornando, aos poucos, a própria história de Marcus. De início, o mundo contraria a sua crença de que algo dará errado. No entanto, ele ali-

menta a tal ponto suas certezas que o discurso vai se tornando realidade. AMEAÇA DA SOLIDÃO Narrado em primeira pessoa pelo protagonista, o romance de Roth descreve de forma magistral um ambiente que requer uma existência social marcada: o isolamento é visto como ameaça, e a vida do indivíduo deve ser partilhada com os demais. A solidão e o segredo precisam ser banidos da sociedade. Todos invadem a vida de Marcus de tal modo que provocam no estudante uma indignação crescente, a mesma do hino nacional chinês, que ele repete em silêncio cada vez que vê o absurdo se dispor à sua frente. Ao narrar para Olivia seu diaa-dia no açougue, quando trabalhava ao lado do pai, Marcus descreve o que fazia com a galinha: “Abre o cu com um corte, enfia a mão bem fundo, agarra as vísceras e puxa para fora. Nauseabundo e repugnante, mas tinha de ser feito”. O mesmo parece ocorrer com ele: as instituições o cortam para lhe tirar as vísceras. Aviltante, mas tem de ser feito. É esse processo que termina

CURTA

Saramago: sócio correspondente da ABL

A Academia Brasileira de Letras (ABL) elegeu na tarde da última quinta-feira (09) o escritor português José Saramago como seu novo sócio correspondente, segundo nota divulgada pela assessoria da Academia. A vaga era do escritor francês Maurice Druon, decano da Academia Francesa, morto em abril deste ano. As va-

gas de sócios correspondentes são preenchidas por escolha de acadêmicos e não por solicitação dos interessados. Saramago obteve 28 votos. Em nota, o presidente da ABL, Cícero Sandroni, lembrou que Saramago esteve na Academia em novembro do ano passado, para o lançamento mundial de seu mais recente romance, A Viagem do Elefante. O quadro de sócios corresponden-

tes da ABL é composto de 20 escritores de diversos países. A penúltima vaga havia sido preenchida no último dia 04 de junho, com a eleição do francês Didier Lamaison para o lugar do português António Alçada Baptista. Entre os atuais ocupantes figuram Mia Couto, Alain Touraine, Curt-MeyerClason, Daisaku Ikeda, Mário Soares, Claude L. Hulet e Adriano Moreira.

levando Marcus ao passo em falso que conduz “a resultados tão desproporcionais”, anunciados a conta-gotas ao longo da narrativa. O desastre chega, descaracterizado de sua casualidade, reforçado pelo delírio da linguagem. A paranoia do pai se reflete na paranoia da literatura, aquela que cria um mundo para si e dá a ele seus sentidos. Indignação confirma o vigor de Roth, que, como Marcus, é judeu de Newark. Apesar das acusações de que sua prosa é “demasiadamente americana”, restrita às suas experiências e ao seu meio, Roth mostra mais uma vez que o pessoal, na arte, atra-

Roth reafirma seu inconformismo explosivo de ‘adolescente’

vessa fronteiras. A indignação de Marcus é, sim, a de seu criador, mas também a daqueles que não se conformam com a sociedade em que vivem. * É escritora, autora de A Chave de Casa (Record)

SERVIÇO Título: Indignação Autor: Philip Roth Tradução: Jorio Dauster Editora: Companhia das Letras Preço: R$ 36 (176 págs.)


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Chico Brandão - Cortesia

BIP

GENTE CLASSE A... ››› Ecologicamente corretas, Rosa Santos e Lygia Nogueira enchiam os seus carrinhos de compras, tudo sem agrotóxicos, num conhecido mercadinho da Ponta Verde, sexta-feira, cedinho.

Olá, queridos

O presidente Lula já tem à mão uma saída para mudar o clima esta semana. O marido de dona Mariza Letícia receberá, em Brasília, três mil prefeitos, com Dilma Rousseff ao seu lado, num auditório da capital federal. O resto pode deixar que o presidente resolve. Ah, depois de amanhã, ele baixa na seara alagoana. Welcome!

Tatoo

O real desvalorizado deixa as suas marcas. São Paulo caiu do 25º para o 72º lugar na lista das cidades mais caras do planeta. A revelação é do Coast of Living Survey, da Mercer, com dados de março.

››› Éramos seis os convidados da mesa de Wandinha e Donny Coutinho, sexta-feira, no Massarela. ››› Adriana e Théo Wanderley passam este fim de semana em Salvador. ››› Kátia Rebêlo e André Toledo já fizeram o caminho de volta de São Paulo. ››› Foi com mesinha com os mais íntimos que Daniela Miranda brindou o seu aniversário, quarta-feira, com um jantar.

Ceres Vasconcelos, Tetê Coutinho e Cláudia Sampaio – anfitriã e convidadas

Tóquio e Osaca são as mais caras. Johannesburgo a mais barata, entre 143.

Levantamento feito por uma grande administradora revela que o feito já foi alcançado por 42%, Brasil afora.

Paralela

Espelho

A síndrome do terceiro mandato contaminou até os síndicos! Ivan Nunes

A aniversariante da semana em União dos Palmares é a belíssima Lays Belarmino, aqui ladeada pelo paizão, vereador Almir Belo, por sua mamãe, Edvânia Araújo Silva (Doda) e pelo irmão, Almir Belarmino Júnior.

Ninguém chegou perto de sua elegância ligada à generosidade. Sangue bom, o craque Robinho abriu mão dos presentes caríssimos dos muitos convidados para a sua festa de casamento, essa semana, em troca de alimentos não-perecíveis e cestas básicas, itens doados a três entidades benemerentes: Grupo Hipuiara, instituição que presta apoio a portadores do HIV, bem como as famílias dos pacientes; Associação Lar de Amparo Vovó Walquíria, entidade que assiste os idosos; e o Núcleo de Amparo a Crianças e Idosos com Câncer.

Parachoque

O projeto “Mulheres Vencedoras”, inicialmente denominado de “Projeto Mama”, da Santa Casa de Maceió, para as mulhe-

res que foram ou estão sendo submetidas a tratamento de câncer, tem à disposição um serviço gratuito de assistência envolvendo diversas especialidades, com palestras psicoeducativas com especialistas. O objetivo é tirar todas as dúvidas e deixá-las seguir vida afora, sem traumas. Quem quiser se integrar ao grupo, basta se dirigir ao Centro de Estudos, na última segunda-feira de cada mês, das 8 às 10 horas. Além de gratuito, não precisa fazer inscrição. E conta com todo o apoio da Rede Feminina de Combate ao Câncer.

Desafinado

Com o pai famoso, sem nenhum entrosamento com o campo, mas liderando uma big torcida, Tom Veloso, o filho caçula de Caetano, foi o artilheiro e responsável pela final da 10ª Copa das Nações Danone, em outubro, no Pacaembu, com a benção de Zenedine Zidane, padrinho do evento.

››› Tetê e Zé Coutinho, em Cuiabá, para o casamento do filho Maurício. ››› A Calvin Klein foi considerada pela revista dos descolados, Vanity Fair, como a mais pontuada marca de jeanswear no Brasil. O resultado da pesquisa deixou Fernando Luz sorrindo para as paredes – é claro! Precisa dizer por quê? ››› Isabel Costa colocou arquitetos e designers de interior, aniversariantes de junho e julho, num mesmo balaio e preparou um alegre almoço de confraternização, com uma comida divina. Quem estava lá? Michele Pimentel, Gilvan Rodrigues e Cinthia Coelho Malta, Inês Amorim, Creuza Lippo, Sandra Leahy, Miguel Vaz, Lula Pinto, Beth Lyra, Maria Palmeira, Alexandre Toledo, Wilma dos Anjos, Ianara Amaral, Henrique Gomes e etc e tal e tal e tal. De sobremesa: astral nas alturas.

Vitrine

Os brasileiros vão muito bem, obrigado, nos anúncios das marcas internacionais: Jesus Luz, como todos sabem, está na campanha da Dolce&Gabanna e Pepe Jeans, ao lado de Michael Camiloto; Raquel Zimmermann, na publicidade de Gior-

gio Armani; Isabeli Fontana divide a cena com a ruiva Karen Élson nas fotos de Roberto Cavalli; a gravidíssima Adriana Lima estampa Givanchy e Maybelline. Quanto a top model Gisele, é garota-propaganda da espanhola Loewe e da italiana Versace. Um sucesso!

Contato: brauliopugliesi@uol.com.br

CURTAS NYT

Documentário sobre James Brown no GNT

Um verdadeiro soul man. Assim o “suingante” James Brown será lembrado para sempre. Ele morreu no Natal de 2006, mas deixou um legado inesquecível, apesar dos

vários escândalos e das quedas que sofreu na carreira. Michael Jackson, que morreu recentemente, era seu seguidor e fã confesso. O documentário James Brown: Padrinho do Soul, que será exibido amanhã (13) no GNT, às 21h, tenta desvendar o artista por trás de 800 músicas gravadas, lendas e escândalos. Assim que ele morreu, seus herdeiros começaram uma bri-

ga ferrenha, por isso seu sepultamento levou mais de 40 dias para acontecer. A mídia não deu sossego para James Brown, mas ele sabia usá-la como poucos. Certa vez, não hesitou em declarar: “O disco é James Brown, o hip hop é James Brown, o rap é James Brown. Percebem o que estou a dizer? Ouçam, todos os rappers, 90% da sua música sou eu”. Figura modesta, não?

Sarah Jessica Parker planeja retorno à TV

A atriz Sarah Jessica Parker, famosa por interpretar a jornalista Carrie Bradshaw do seriado/filme Sex and the City, comprou os direitos do livro Prospect Park West, para retomar a carreira na televisão. O romance, ainda não terminado, está sendo escrito por Amy Sohn, colunista de fofocas da revista New York, e tem como ponto central quatro mulheres que vivem no Brooklyn, em Nova York. Todas elas são mães, insatisfeitas com sua vida conjugal ou social. A própria Sohn foi contratada para escrever o primeiro episódio do seriado.

Jodie Foster vai dirigir filme com Mel Gibson

Mel Gibson voltará a aparecer nas telas na companhia e sob a direção da atriz Jodie Foster num drama onde o ator, pro-

Polêmico, James Brown era o ídolo de Michael Jackson

dutor e cineasta interpretará um depressivo, informou nesta sexta-feira (10) a imprensa hollywoodiana. Esta será a segunda vez, em 15 anos, que Gibson e Foster trabalham juntos no cinema. Eles

já dividiram a cena em Maverick, de 1994. Em Beaver, Gibson será um homem depressivo que só encontra consolo em um fantoche na forma de castor. A mulher do personagem será vivida por Foster.


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| programe-se | MÚSICA Festival de Inverno do Palato. Capitaneado pela banda Power Jazz, o Festival de Inverno do Palato está de volta. Durante todo o mês de julho, as noites de terça-feira do café que é um dos mais requisitados da cidade contarão com um cardápio especial, além, claro, de música ao vivo, com um repertório repleto de clássicos do jazz. Já às quintas-feiras, no Palato Cozinha (primeiro andar do supermercado), serão realizados cursos gastronômicos. Começando no próximo dia 16, o “intensivo” de Paella, Degustação de Vinhos e Fondue terá no comando o espanhol Juan Rodriguez. As inscrições já estão abertas – o valor do investimento é de R$ 80 (R$ 60 para clientes com o cartão VIP Palato). ›› Palato. Av. Dep. José Lages, 700, Ponta Verde. Durante todas as terçasfeiras do mês de julho, a partir das 20h. Mais informações: 2121-7575 e no site www.palato.com.br.

Arena de Homenagens. A Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (Diteal) realiza a segunda edição do projeto que homenageia grandes compositores da música popular brasileira. Este ano, poetas, autores teatrais e intérpretes também terão sua obra destacada na programação. As atividades serão desenvolvidas no período que vai de 16 de julho a 17 de dezembro, sempre na terceira quinta-feira de cada mês. Na abertura, no próximo dia 16, às 20h, o público vai conferir o espetáculo Samba: A Gente não Perde o Prazer de Cantar, dedicado ao gênero musical e ao cantor Docho, integrante da banda Samba da Ladeira. No repertório, composições de nomes como Cartola, Adoniran Barbosa e Noel Rosa. ›› Teatro de Arena. Pç. Mal. Deodoro, s/n, Centro. No dia 16 de julho, às 20h. Ingressos: R$ 5 + 1kg de alimento não-perecível. Mais informações: 3315-5665 e 8866-9428.

CINEMA CineSesc 12h30. O projeto do Sesc Alagoas que exibe filmes gratuitamente às segundas-feiras apresenta amanhã (13) o filme As Aventuras de Azur e Asmar, de Michel Ocelot. Confira a sinopse: criados juntos desde pequenos, como se fossem irmãos, Azur é

filho de um nobre, enquanto Asmar é filho da ama-de-leite Jenane, que cuida de Azur. Quando ela vai embora, eles são separados bruscamente e se reencontram já adultos, mas como rivais na busca por uma fada. ›› Teatro Jofre Soares. Rua Barão de Alagoas, 229, Centro. Amanhã (13/07), às 12h30. Entrada franca. Mais informações: 3326-3700 e 3326-3133.

›› GAZETA INDICA

nha, Isabel e Nany Moreno (afoxés Oju Omin Omorewá e Odô Iyá). O evento contará com uma mostra fotográfica que vai exibir cenas de rituais no terreiro. ›› Terreiro Ilê Axé de Oxum Pandá. Rua Divaldo Suruagy, 55, Village Campestre 2. No dia 19 de julho, com atividades durante todo o dia. Mais informações: 8112-4737 e www.coletivoafrocaete.blogspot.com.

Ricardo Lêdo/Arquivo GA

DANÇA TEATRO Opará. Em parceria com a Aliança Francesa e a Secretaria de Estado da Cultura (Secult), o espetáculo da Companhia de Dança Maria Clark será apresentado nos dias 25 e 26 de julho, às 20h e 19h, respectivamente. Opará (denominação dada pelos índios caetés e tupinambás ao rio São Francisco) pretende fazer o púbico refletir sobre a importância da preservação das lagoas, mares e rios. ›› Teatro Gustavo Leite. Centro Cultural e de Exposições de Maceió. R. Celso Piatti, s/n, Jaraguá. Nos dias 25 e 26 de julho, às 20h e 19h, respetivamente. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Mais informações: 3326-8292.

Mary Poppins. Sucesso em Londres e atualmente em cartaz em Nova York, a peça que ganhou montagem da Cia. Henrique Camargo no Brasil será apresentada em Maceió nos dias 07 e 08 de agosto, no Teatro Gustavo Leite. Baseado no livro de Pamela Lyndo Travers, o musical mostra a convivência conflituosa da família Banks, que vive numa pequena casa na rua das Cerejeiras, em Londres. É aí que surge Mary Poppins, a babá que, com sua rigidez e doçura, consegue mudar a vida de todos naquela casa. Uma lição para toda a família. ›› Teatro Gustavo Leite. Centro Cultural e de Exposições de Maceió. Rua Celso Piatti, s/n, Jaraguá. Nos dias 07 e 08 de agosto, com sessões às 17h. Ingressos: platéia – R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia); balcão – R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Ponto de venda: loja Brincmania (Ponta Verde). Mais informações:3327-7715 e 8825-2808.

MÚSICA ›› Festival de Inverno do Palato O saxofonista Everaldo Borges é um dos integrantes do grupo Power Jazz, que se apresenta nesta terça-feira (14) no Palato

AÇÃO CULTURAL Divulgação

Ilê Axé de Oxum Pandá. Durante todo o dia 19 de julho, o terreiro de Mãe Rosa, no Village Campestre 2, será palco de uma grande festa para arrecadar fundos para a reforma do lugar. Confira a programação: 10h – Saudação a Oxum (orixá da casa); 10h30 – Toque dos ogans e músicas aos orixás; 11h – Exibição do filme 1912: O Quebra de Xangô, com a presença do diretor Siloé Amorim; 14h – Músicas e danças afro-religiosas, com a presença de Mãe Vera (Orquestra de Tambores) e do Terreiro Abaçá de Angola; 15h – Roda aberta de capoeira, com a presença de membros dos grupos Águia Negra, Tradição, Liberdade, Muzenza e Abadá; 15h30 – Samba de roda; 16h – Feijoada de Preto Velho; 17h – Afoxé Odô Iyá (Casa de Iemanjá/Núcleo de Cultura Afro-Brasileira Iyá Ogum-Té); 17h30 – Poesia musicada no pandeiro de Rogério Dias e Fagner Dübrown (Quinta Cultural) e a Arca da Cultura Popular, de Demis Santana; 18h – Batuque com a presença do Coletivo Afro-Caeté, de Dalmo Baiano, Sandro Santana e Wilson Santos (Orquestra de Tambores), de Ani-

Hermanoteu na Terra de Godah. Depois do sucesso do ano passado, a Cia. Os Melhores do Mundo está de volta a Maceió. Com a montagem Hermanoteu na Terra de Godah, a trupe se apresenta por aqui no dia 1º de agosto. A comédia conta a jornada de Hermanoteu. Quando o homem enfrentava a ira de um deus menos complacente, Hermanoteu, irmão de Micalatéia e típico hebreu do ano zero – camarada, bom pastor e obediente –, recebe uma missão divina: guiar seu povo à terra de Godah. Garantia de boas gargalhadas. Anote na agenda. ›› Teatro Gustavo Leite. Centro Cultural e de Exposições de Maceió. Rua Celso Piatti, s/n, Jaraguá. No dia 1º de agosto, às 19h e às 21h30. Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). Ponto de venda: estande Sue Chamusca (Shopping Iguatemi). Mais informações: 3235-5301 e 9925-7299.

TEATRO ›› Hermanoteu na Terra de Godah Com sua bem-sucedida comédia, a Cia. Os Melhores do Mundo é atração no Teatro Gustavo Leite, no dia 1º de agosto

Contatos: lekemorone@gazetaweb.com | Avenida Aristeu de Andrade, 355, Farol - Maceió-AL - Cep.: 57051-090 Aline Arruda/Divulgação

| CINEMA |

Paulínia anuncia investimento de R$ 9 mi em apoio a longas FILME DE ESTRADA, PROJETO DE SELTON MELLO, É UM DOS CONTEMPLADOS

| RAFHAEL BARBOSA * Repórter

Paulínia, SP – Vinte novos filmes terão Paulínia entre suas locações. Anunciada na última sexta-feira (10), a lista com os projetos selecionados na segunda edição do edital de fomento à produção de longas-metragens promovido pelo município deve movimentar ainda mais o polo cine-

matográfico que já anda a todo vapor no interior de São Paulo. Entre as produções contempladas está o sério candidato a maior bilheteria nacional do ano que vem: As Vidas de Chico Xavier, filme dirigido por Daniel Filho (Se eu Fosse Você 2) que, como o nome indica, contará a trajetória do médium que transformou o Brasil na maior comunidade espírita do mundo. Com um público alvo consolidado, o longa é uma aposta alta da produtora Lereby graças ao inevitável apelo emocional da história e à habilidade do cineasta de conquistar grandes bilheterias. A previsão de estreia é para 2010, quando a cinebiografia concorrerá com Lula – O Filho do Brasil, outra grande promessa de público. Outro projeto cercado de expectativas é Filme de Estrada, segundo longa dirigido por Selton

As Vidas de Chico Xavier, longa de Daniel Filho, também está entre os selecionados Mello. Vencedor do troféu Menina de Ouro por Feliz Natal no ano passado, Selton receberá R$ 1 milhão para rodar o novo longa em Paulínia. Quando esteve em Maceió, em fevereiro, o ator/diretor usou de toda sua popularidade para tentar angariar apoio do governo do Estado e levar o filme para Alagoas, mas precisou mudar de planos já que o incentivo não se concretizou. Ao todo, Paulínia investirá R$ 9 milhões em 20 projetos que serão rodados em 2009 e 2010 e

Lázaro Ramos e Marília Gabriela conduziram a cerimônia de abertura do Festival de Paulínia

que usarão mão-de-obra e estrutura locais. Com toda essa abundância de recursos, a cidade tem atraído a atenção de cineastas de todo o País, como ficou claro na abertura do evento, realizada na última quinta-feira (09).

Antes da projeção do filme À Deriva, de Heitor Dhalia, a tela do Theatro Municipal de Paulínia foi ocupada por um videotape (VT) com depoimentos de vários diretores contemplados no edital do ano passado, que não pouparam

elogios à iniciativa. A cerimônia de abertura, novamente pautada pela habitual ostentação da grandiosidade do polo de cinema, foi comandada pelo ator Lázaro Ramos e pela jornalista Marília Gabriela.

Divulgação

Frustração marcou a exibição de À Deriva

Vincent Cassel e Laura Neiva contracenam no filme de Dhalia

O momento mais esperado da noite de abertura era a projeção de À Deriva, filme realizado em parceria pela produtora brasileira O2 e a americana Focus Feactures que foi ovacionado no último Festival de Cannes. A reação da plateia em Paulínia não foi tão efusiva quanto, mas não deixou de ser simpática ao longa. Em parte, o fato do público não ter sido arrebatado pelo drama dirigido por Heitor Dhalia se deve à própria apatia do filme, que apesar de tratar de sentimentos avassaladores só consegue provocar emoção em quem o assiste em alguns poucos momentos. À Deriva mostra a desintegração de um casamento a partir do ponto de vista de Fi-

lipa (Laura Neiva), filha do casal interpretado por Vincent Cassel e Débora Bloch. Tecnicamente irretocável e plasticamente estonteante, a produção é opaca em sua dramaturgia. Falta-lhe personalidade. Tanto no roteiro quanto na direção Dhalia se esforça para escapar da obviedade e na maior parte do tempo consegue, porém não é tão bem-sucedido assim em fazer o público se envolver com seus personagens a ponto de se preocupar com o rumo da história. O ótimo desempenho de Bloch chega a apontar esperanças na primeira metade da trama, mas não é suficiente para fazer o filme deslanchar. Atuando em português, o francês Vincent Cassel se

revela uma escolha equivocada para o papel do escritor Mathias, nunca atingindo a carga dramática que se espera de alguém em sua posição. Já a estreante Laura Neiva surge como uma boa revelação para o cinema nacional (se não for rapidamente seduzida pela televisão). Fio condutor da narrativa, Filipa observa a crise no relacionamento dos pais ao mesmo tempo em que vive suas primeiras experiências amorosas. A ingenuidade com que a menina reage aos problemas soa verdadeira como pouca coisa no filme. Interpretando Ângela, uma turista norte-americana que se envolve com Mathias, Camilla Belle é sempre vista à distância pe-

los olhos flagrantes da menina, que descobre o caso do pai e passa a acompanhar os desdobramentos da relação. Nas poucas cenas de destaque, a atriz exibe sua habitual inexpressividade. Apenas no ato final À Deriva abandona a esterilidade para trazer alguma dose de sentimentos. Com pretensões internacionais, o filme é um exemplo de produção cercada de cuidados, desde o som de primeira à fotografia e à direção de arte caprichados. Elementos que podem ser grandes ferramentas para o sucesso de um filme, mas não têm a capacidade de garantir isso sozinhos. |RB * O jornalista viajou a convite da organização do festival


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| rádio |

| NA TV PAGA |

True Blood volta em busca de sangue SEGUNDA TEMPORADA DA SÉRIE ESTREIA NA HBO NO PRÓXIMO DIA 19; PRIMEIRA FASE TEM LANÇAMENTO EM DVD NO BRASIL Divulgação

| LETÍCIA DE CASTRO Folhapress

Nem todo o sangue derramado na primeira temporada de True Blood foi suficiente para saciar o apetite por violência na pequena Bon Temps, Louisiana. A segunda fase da série, que estreia na HBO no próximo dia 19, às 22h, tem ainda mais mortes, sexo e, é claro, bastante sangue. Já no primeiro episódio, há uma nova onda de crimes, com mais um assassinato brutal e humanos sendo sequestrados e torturados por vampiros. Criado por Alan Ball a partir dos livros de Charlaine Harris, o programa mostra vampiros “saindo

do caixão” e tentando se integrar à sociedade após a descoberta de sangue sintético. A convivência turbulenta entre humanos e mortos-vivos é sintetizada no romance entre a protagonista Sookie Stackhouse (Anna Paquin), uma garçonete com poderes telepáticos, e o vampiro galã Bill Compton (Stephen Moyer). Agora, o casal terá de lidar com a chegada de uma nova vampira, a adolescente Jessica Hamby, que fica sob a responsabilidade de Bill. Com forte apelo sexual, enredo de mistérios e um discreto subtexto político, é um dos sucessos da TV americana. Segundo o jornal The New York Times,

HBO VAI ADAPTAR O ROMANCE MIDDLESEX A HBO desenvolve o roteiro para uma série baseada no romance Middlesex, de Jeffrey Eugenides, o mesmo autor de As Virgens Suicidas – adaptado para o cinema por Sofia Coppola. O livro, vencedor do Prêmio Pulitzer de 2003 e finalista do National Book Award, trata de um hermafrodita que foi criado como menina. Aos 40 anos, ele rememora os rela-

cionamentos de três gerações da família para entender sua sexualidade. Na TV, o projeto está sendo escrito por Donald Margulies, que ganhou um Pulitzer em 2000 pela peça Jantar entre Amigos. Se a série seguir a ambientação da obra, se passaria em Detroit, onde o protagonista é criado. Hung, recémestreada na emissora, também é rodada nessa região.

Com forte apelo sexual e um discreto subtexto político, True Blood é um sucesso na TV americana a estreia da segunda temporada teve 3,4 milhões de espectadores e foi o programa mais visto na HBO desde o final de Família Soprano. Nesta segunda temporada, os conflitos entre vampiros e humanos estão mais acirrados. A discussão sobre os direitos civis dos mortos-vivos – uma metáfora sobre a delicada questão da tolerância na sociedade americana – ganha destaque. Jason Stackhouse (Ryan Kwanten), o irmão inconsequente de Sookie, entra para uma seita antivampiros que tem como objetivo impedir as criaturas de conquistar os mesmos direitos dos cidadãos comuns. A galeria de seres e acontecimentos sobrenaturais também

| tv | TV GAZETA Canal 7 05h50 Santa Missa 06h50 Gazeta Rural 07h20 Pequenas Empresas 07h55 Globo Rural 08h50 Grande Prêmio da Alemanha de Fórmula 1 10h40 Auto Esporte 10h55 Esporte Espetacular 12h30 A Turma do Didi 13h05 Temperatura Máxima: Os Sem Floresta 14h51 Globo Notícia 14h54 Domingão do Faustão 15h50 Futebol 2009 – Campeonato Brasileiro: São Paulo x Flamengo 18h00 Domingão do Faustão 20h45 Fantástico 23h05 Jogo Duro 23h55 Domingo Maior: Missão Impossível 2 02h10 Sessão de Gala: Nove Rainhas TV PAJUÇARA Canal 11 07h30 Santo culto em seu lar 08h00 Câmera Record 09h00 IURD 10h00 Informativo Cesmac 10h30 Alagoas Rural 11h00 De Bem com a Natureza 11h15 Ação Parlamentar 11h00 Record Kids 12h00 Esporte Fantástico 13h30 Tudo é Possivel

GAZETA AM 1.260 KHz 04h00 Gazeta revista – 1ª parte 06h00 Despertar com Deus 06h10 Gazeta revista – 2ª parte 07h00 Retrospectiva da semana 09h00 Hoje é dia de praia 13h00 Jornada esportiva 20h00 Programa de domingo GAZETA FM 94.1 MHz 05h00 Forró da manhã 06h00 Como é grande o meu amor por você 07h00 Bom dia Gazeta 09h00 Suingue da Gazeta 16h00 Gazeta pediu tocou 20h00 Gazeta toca tudo 22h00 Love is love 01h00 Show da madrugada

Na segunda temporada, Bill terá novas ‘responsabilidades’

ganha novos personagens. Como se não bastassem os vampiros, os transmorfos e os exorcismos vistos na primeira fase – que sai agora em DVD –, uma nova personagem ganha espaço: a misteriosa Maryann Forrester (Michele Forbes), espécie de bruxa que chega bancando a boa samaritana.

Ao lado de filmes como o blockbuster adolescente Crepúsculo e, mais recentemente, o sueco Let the Right One In, True Blood é responsável por colocar os vampiros, personagens centenários da cultura pop, na moda mais uma vez. Gélidos, perigosos e sexies, eles ainda renderão muitos frutos para Hollywood.

›› GAZETA INDICA

Divulgação

TEMPERATURA MÁXIMA O longa de animação Os Sem Floresta é atração na tarde da Globo, às 13h05

17h00 20h45 21h30 23h00 01h00

Domingo Espetacular Repórter Record Especial A Fazenda Tela Máxima IURD

TV ALAGOAS Canal 5 06h00 Chaves 07h00 Pesca Alternativa 08h00 Vrum 08h30 Ganhe mais Dinheiro com Jequiti 09h00 Domingo Animado 10h00 Verônica Mars 11h00 Kyle 12h00 Domingo Legal 16h00 Roda Roda 17h00 Programa Silvio Santos 22h00 Oito e Meia no Cinema: Harry Potter e o Cálice de Fogo

00h45 Sobrenatural 02h15 Arquivo Morto 03h45 Divisão Criminal

TV EDUCATIVA Canal 3 07h00 Palavras de Vida 08h00 A Santa Missa 09h00 Viola, Minha Viola 10h00 Vila Sésamo 10h30 Um Menino Muito 11h00 11h15 11h45 12h00 14h00 14h30 15h00 16h00 16h30 17h00

Maluquinho Curta Criança Janela Janelinha Cocoricó Programa de Cinema Espelho Brasil Cultura Ponto a Ponto Stadium Código de Barras Expedições Revista Brasil

SERVIÇO ATRAÇÃO NA TV PAGA O quê: estreia da 2ª temporada do seriado True Blood Onde e quando: no canal HBO, no dia 19 de julho, às 22h LANÇAMENTO EM DVD Título: True Blood – 1ª temporada Distribuidora: Warner Preço: R$ 120, em média

18h00 18h30 19h00 19h30 20h00 21h00 22h30 23h30 00h30

De Lá Pra Cá Assim Vivemos Animania Tela Digital Conexão Roberto D’Avila Esportvisão Curta Brasil DocTV Programa de Cinema

MTV Canal 32 UHF * 07h00 MTV Lab Clássicos 09h00 MTV Lab Rádio 10h00 MTV Lab 12h00 Todos os VJs 12h30 RockGol MTV 13h30 Room Raiders 15h30 Top 10 16h30 Especial Kaiser Chiefs 17h00 MTV Live – The Kooks 17h30 MTV Live – One Republic 18h00 Estelle Spankin New 19h00 19h30 20h30 21h30 22h00 23h00 00h30 01h00 01h30 02h00 03h00 04h00 06h00

Sessions 15 Minutos A Fila Anda Quinta Categoria Pimp BR RockGol de Domingo My Super Sweet Sixteen Hermes e Renato Especial MTV Live – The Kooks MTV Live – One Republic MTV Lab Clássicos MTV Lab Cult Trash MTV Lab MTV Lab Matinal

* Programação nacional

| horóscopo | BÁRBARA ABRAMO Marte entra em Gêmeos ativando as oposições no Brasil por algumas semanas. Lua minguante em Áries: 15/7 ÁRIES 21.03 A 20.04 Rejuvenescedor receber os raios positivos de seu regente Marte, que entra hoje em um signo amigo, Gêmeos, trazendo movimento, interesses novos e curiosidades mais frescas à sua vida cotidiana. Bom para estudar um tema ou técnica nova.

TOURO 21.04 A 20.05 A partir de agora e por algumas semanas, tome cuidado para não torrar seus ganhos em compras impulsivas. A volubilidade dos seus desejos poderia ser perniciosa para suas finanças. Marte em Gêmeos ativa seus brios e valores.

GÊMEOS 21.05 A 20.06 Liberdade e autodeterminação serão os temas caros a seu coração doravante. As próximas semanas podem ser ótimas para você ganhar espaço, lutar suas batalhas, fazer valer seus desejos, que se tornam mais fortes. Mas cuidado com o egoísmo e bate-bocas.

CÂNCER 21.06 A 22.07 Marte em Gêmeos assinala semanas propícias ao trabalho nos bastidores, à dedicação a causas comuns a você e a outras pessoas. É aquele período do ano em que mais vale servir do que ser servido, não atraindo a atenção de ninguém. Amor em alta.

LEÃO 23.07 A 22.08 A Lua arma excelente aspecto com o Sol e Mercúrio. Então que tal ouvir os lamentos de seu amor, ou de outras pessoas queridas, numa atitude compreensiva, caridosa e sábia? Você também pode abrir seu coração mais um pouco. Discussão com amigo.

VIRGEM 23.08 A 22.09 Aproveite para descansar bastante hoje, curtindo os bons raios harmoniosos de Sol, Lua e Mercúrio para brindar a vida e seus mistérios com quem ama. Porque a partir de amanhã, trabalho e duras lutas pela frente. Embates e competições, debates ásperos.

LIBRA 23.09 A 22.10 Marte em Gêmeos a partir deste domingo sinaliza buscas espirituais e questionamentos mais agudos, que o levarão longe. Viagens também podem acontecer nas próximas semanas e serem superprodutivas, pois inspirarão muito você.

ESCORPIÃO 23.10 A 22.11 Finalmente Marte, seu regente, alcança o ágil e versátil Gêmeos, levantando muitas perguntas sobre a essência de sua vida. É a hora das conversas com o parceiro e das descobertas com amigos. Projetos em comum vingarão. Hoje, a Lua favorece o namoro.

SAGITÁRIO 23.11 A 21.12 Mudança astral importante acontece com Marte ingressando em Gêmeos a partir de hoje. Companheirismo e colaboração serão confrontados com asperezas verbais, encaminhamentos divergentes, direções opostas. Disso nascerão novas alianças.

CAPRICÓRNIO 22.12 A 20.01 Hora de rever sua rotina, refazer exames médicos, reposicionar prioridades cotidianas à luz de tudo que você aprendeu nos últimos meses. Será bom evitar confrontos com empregados. Marte entra em Gêmeos: acertos com o chefe e tarefas no trabalho.

AQUÁRIO 21.01 A 19.02 Com a lufada de vento novo entrando pela porta astral do amor, você não vai conseguir manter a batida de sempre na vida diária. Seu instinto pede desafios novos também, especialmente intelectuais e criativos. Vá adiante! Senso intuitivo e autoconfiança forte.

PEIXES 20.02 A 20.03 Astral bom para você se realizar no mundo das emoções, das artes e das amizades. Florescem seus talentos e intuição. Receptividade, afetos sólidos, intensidade. Marte muda para sua casa astral doméstica e familiar, prometendo aí raios e trovoadas.


Gazeta de Alagoas

CADERNO B

DOMINGO, 12 DE JULHO DE 2009

Divulgação

Romeu de Loureiro emsociedade@gazetaweb.com

Brunch fashion

A ala feminina de nossa sociedade marcou presença, ontem, no brunch oferecido pela empresária de moda Ana Carolina Vasconcelos, na sua “Casa 1370”. Com as criações da estilista Carina Duek nas “araras” e mommy Ceres ajudando a receber.

“BRINDARE”! A notícia “vazou” e os colunáveis já estão se organizando em grupos: Mamá Omena promoverá um réveillon (“Brindare”), no Espaço Pierre Chalita, de Maurício Nogueira. Com ambientação de Eva Amaral e som do DJ Peixe. Detalhe: Izabel Pinheiro assinará a mesa de frios (sempre renovada) e o café da manhã.

Quinário

Padre José Petrúcio Barbosa Prado, pároco da Matriz de Nª Srª do Carmo (ali, às margens do Riacho Salgadinho), convidando seus paroquianos – entre os quais a senadora Ada Mello – e a comunidade católica em geral, para o início, esta manhã, do quinário (cinco dias) de cerimônias litúrgicas em homenagem à referida santa padroeira (com missas nos três horários) – o qual se estenderá até quinta-feira, quando então haverá ministração de batismos e a bênção solene com imposição do santo escapulário.

Em Arapiraca

O colunista social Aroldo Marques convidando para a festa “Vamos Cantar o Amor”, que realizará sábado próximo (dia 18), no Condomínio Ouro Verde Residencial, em Arapiraca. De atrações, a cantora Micheline, o jovem Juh Baía e o DJ Tuke. Um evento que (como todos de Aroldo) deverá movimentar a alta sociedade de Arapiraca e adjacências.

Opará

Dentro da programação oficial de comemorações do “Ano da França no Brasil” – que a Alliance Française de Maceió vem promovendo, em parceria com a Secult – a Companhia de Dança Maria Emília Clark apresentará, dias 25 (às 20 horas) e 26 (às 19 horas), no Teatro do Centro de Convenções, o megaespetáculo Opará (denominação, em tupi, do nosso Rio São Francisco), segundo entrecho do historiador Fernando Gomes de Andrade (sócio efetivo do IHGAL) e com coreografias da própria Maria Emília. O espetáculo será aberto ao público pagante.

››› De idade nova, hoje, a socialite (de berço) e coronel-médica da PM-AL Patrícia Rocha Cavalcanti Montenegro. Cercada de atenções. ››› Mudando de idade, neste dia também, Mônica Monteiro Vasconcelos, que comemorará ao lado do marido, Helio José.

A socialite (de berço), primma ballerina e coreógrafa Maria Emília Clark, anunciando novo megaespetáculo: Opará Divulgação

Aliás, a propósito do “Ano da França no Brasil”, Maria Emília Clark já criou uma coreografia – sobre “A Lenda da Baronesa de Rosenville” (morta afogada, na Lagoa Mundaú) – que foi apresentada, em avant-première, na Noite de Gala do 68º aniversário deste colunista, em abril passado.

A atriz global Neusa Borges (de “Caminho das Índias”) e a colunista social alagoana Ana Monteiro, clicadas no camarote de Lícia Fábio, no recente “Forró do Bosque”, na Bahia

Dia Mundial do Rock no Stella Maris

Dono de um vozeirão to-

››› Já amanhã, estará fazendo aniversário outro membro do clã dos Vasconcelos: o Diogo – nascido do casamento de Heliana Lydia do Monte Vasconcelos com o dr. Bráulio Cavalcanti. Edilson Omena

Avant-première

Augusto Mestieri/Divulgação

Seu Jorge mostra seu balanço em Maceió

As missas das 9 horas, celebradas em latim (segundo o rito especial, autorizado pelo papa Bento XVI), na Igreja de São Benedito (Centro), estão suspensas até o próximo mês, em virtude do pósoperatório do padre Érico Rodrigues de Mello Falcão.

››› CURTINHAS

CURTAS

Amanhã, dia 13 de julho, é o Dia Mundial do Rock. Para lembrar a data, a loja Mammoth, que fica na Galeria Passeio Stella Maris, montará um palco com direito a bateria, cubo de baixo, amplificador de guitarra e microfone em suas instalações. A ideia é oferecer o “ambiente” perfeito para roqueiros e apreciadores do gênero celebrarem a música que há mais de 50 anos revoluciona a vida de jovens e adultos em todo o mundo. Quem quiser dar sua “canja” é só comparecer ao local munido de seu instrumento. A jam session tem início às 18h. Com o apoio da Cactus Instrumentos Musicais, o evento também contará com sorteio de brindes.

Lembrete

Seu Jorge trará o show do CD América Brasil a Maceió

do próprio, o cantor e compositor Seu Jorge se apresenta em Maceió no dia 14 de agosto, no Pavilhão de Eventos do Centro Cultural e de Exposições de Maceió. No show, ele mostrará o repertório de seu mais recente álbum, América Brasil, que traz sucessos como Mina do Condomínio e Traba-

lhador. Jorge Mário da Silva, seu nome de batismo, é carioca, primogênito de quatro filhos. Começou a trabalhar cedo, em uma borracharia, aos dez anos de idade. Seu contato com a música surgiu de seu convívio, na adolescência, com rodas de samba e bailes de funk da periferia carioca.

A jovem e elegante empresária de moda Andréa Rufino, em pose especial para a objetiva de Edilson Omena, numa pausa de suas atividades.

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Gazeta de Alagoas

DOMINGO, 12 DE JULHO DE 2009

LIVROS & IDEIAS

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ESTANTE

CONTINUAÇÃO DA PÁGINA B1

Reprodução/Obra de Emygdio de Barros

Um fiel escudeiro Diretor do Museu de Imagens do Inconsciente, Luiz Carlos Mello fala da convivência com Nise da Silveira | JANAYNA ÁVILA Repórter

Para o carioca Luiz Carlos Mello, um dos maiores méritos do trabalho de Nise da Silveira está na habilidade que a psiquiatra tinha para “aglutinar” pessoas, reunindo-as em torno de uma só missão: mudar o que precisava ser mudado. Aos 58 anos, Lula, como é chamado pela equipe que coordena, dirige, há mais de uma década, o Museu de Imagens do Inconsciente, instituição criada por Nise nos anos 50 para abrigar a produção dos pacientes psiquiátricos. Autodidata, o diretor conviveu com Nise durante 26 anos. Dessa longa parceria, Luiz guarda a imagem de uma mulher sempre perseverante e rebelde. O museu, que permanece como uma instituição reconhecida no mundo inteiro, mantém o legado deixado por Nise, e continua a realizar cursos e exposições. Em junho último, encerrou uma grande mostra no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, no Paraná. O sucesso do evento foi tão grande que a exposição foi prorrogada duas vezes: programada para ficar na cidade por três meses, acabou permanecendo nove. De lá, deverá seguir para a Bahia e o Pará. Segundo informa Luiz, mesmo nos dez anos da morte de Nise, até o momento nenhum órgão público ou instituição entrou em contato demonstrando interesse em trazer a exposição para Alagoas. Enquanto dirige o museu, Luiz Carlos Mello finaliza a edição da obra Nise da Silveira: Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde, uma fotobiografia inédita que deverá ser lançada ainda este ano. Em entrevista à Gazeta, ele fala sobre a alagoana e também das dificuldades que ela enfrentou durante a implantação de tantas mudanças. Gazeta – Quais são as maiores lembranças que você guarda da convivência com Nise da Silveira? Luiz Carlos Mello – A douto-

ra Nise era uma pessoa de uma criatividade extraordinária, que sempre buscava o novo, não aceitava o saber estabelecido. Estava sempre buscando novos conhecimentos. As pessoas que

a cercavam eram de áreas diferentes. Ela não ficava encapsulada somente na psiquiatria. Era uma pessoa que olhava para o futuro, uma mulher sempre à frente de seu tempo. Nise da Silveira transformou os paradigmas da psiquiatria. Ela criou em 1956 a Casa das Palmeiras, uma clínica em regime de externato, regime aberto, onde os pacientes entravam na hora que queriam e saíam também quando queriam. No final dos anos 80, surgem os Centros de Atenção Psicosocial (CAPs), que funcionam assim. Nise criou o método em 1956, ou seja, 30 anos antes. E criou também o Museu de Imagens do Inconsciente, um trabalho reconhecido mundialmente. Ela sempre acreditou nas riquezas do mundo interno do esquizofrênico. E foi através da crença nessas pessoas, ao dar atenção e afeto a elas, que surgiu o museu, um acervo reconhecido tanto no campo científico quanto no campo das artes. E no trato com os colegas de trabalho, como era Nise?

Para modificar algo estabelecido, só com muita luta. Ela foi uma guerreira. Era contra eletrochoque, contra lobotomia. O mundo inteiro fazendo esse tipo de tratamento e ela querer fazer algo diferente? Tinha que ser com muita rigidez. Ela estava impondo novos valores e, para fazê-lo dentro de uma cultura onde predominava o que ela não queria, tinha que se impor mesmo, senão seria engolida. Para você, qual o principal mérito do trabalho de Nise?

A capacidade de mobilizar as pessoas de forma extraordinária. O trabalho dela teve muito apoio da imprensa e dos artistas. O que ela queria compreender eram as vivências internas dessas pessoas, que durante o processo de surto psicótico atravessam vivências estranhas, profundas. E através das atividades expressivas, dos ateliês, as pessoas dão forma a essas emoções, que ficam retidas nas telas, no papel. A arte é uma maneira de compreender esse mundo interno. E foi isso que sempre fascinou Nise da Silveira: a compreensão da loucura, uma doença de gênese ainda desconhecida.

No catálogo da exposição sobre Nise, você destacou que seu trabalho visava fundamentar cientificamente a terapia ocupacional. Hoje, nos hospitais psiquiátricos brasileiros, práticas como o eletrochoque e a lobotomia ainda costumam ser adotadas?

A reforma psiquiátrica, desde o final da década de 80, vem transformando esses métodos de tratamentos, através dos CAPs, que procuram evitar as internações, evitar que o indivíduo seja afastado do convívio social. O Brasil já possui mais de 500 CAPs. Isso vem sendo transformado ao longo dos anos, mas ainda existe. Há até universidades que ensinam eletrochoque. A lobotomia é mais rara, mas há casos ocorridos na década de 90 e assinalados por uma comissão. Nise da Silveira estabeleceu um diálogo, através de cartas e da participação em um congresso em Zurique, com o psicanalista Carl Jung. O que esse contato demonstra?

O contato com a psicologia junguiana surgiu porque, na produção dos ateliês, apareciam formas circulares em grande quantidade feitas por homens e mulheres. E o círculo é, por excelência, o símbolo da unidade. O nome da loucura é esquizofrenia: esquizo significa cisão, e frenis é pensamento. Se a principal característica da loucura seria perda da unidade do pensamento, então como pessoas partidas iriam fazer o símbolo da unidade? Era uma contradição, não é? Então ela colecionava essas imagens que foram surgindo no ateliê e procurava encontrar uma significação para essas imagens. Então ela escreveu uma carta a Jung, em 1956, enviando fotografias junto com a carta, e perguntando realmente se eram mandalas. Mandala é uma palavra sânscrita que significa círculo e era usada nas religiões orientais como forma de meditação, de concentração da mente ou para representar a própria imagem de Deus. E a resposta de Jung veio imediatamente, di-

zendo que realmente eram mandalas e que simbolizavam o potencial autocurativo da psique. Então se a pessoa vive um estado de confusão mental, existem forças na psique humana que buscam a unidade, buscam a ordem. Temos forças que se opõem à desordem. Isso é uma abertura nova para a compreensão da loucura e da psique de uma maneira geral. Da mesma forma que o nosso corpo tem um mecanismo de defesa que nos protege contra as doenças, a psique também teria um mecanismo que se expressaria através dessas estruturas geométricas, das formas circulares. São as forças de cura da psique. E no contato com Jung ela encontrou a resposta, não é?

Sim. Essa correspondência entre eles estabeleceu uma relação entre o trabalho dos dois, era a chave para compreender a prática dela. Depois disso, Jung convida Nise para participar do 2º Congresso Mundial de Psiquiatria, que aconteceu em Zurique, em 1957. Ela levou uma grande exposição do Museu de Imagens do Inconsciente e essas imagens confirmavam muitas das teorias de Jung. Ele ficou interessadíssimo no trabalho da doutora Nise. Inclusive, a convite dele, ela ficou, durante um ano, estudando no Instituto Jung, em Zurique, na Suíça, de 1957 a 1958. Ela não foi atrás da teoria junguiana. Foi a prática que a levou ao encontro de Jung. O Museu de Imagens do Inconsciente revelou o trabalho de nomes como Fernando Diniz e Emygdio de Barros, aclamados pela crítica, mas Nise não gostava que se conceituasse essa produção como arte. Por quê?

Por ela ser uma cientista, o interesse dela era compreender, através dessa produção, as dimensões internas da pessoa. Mas isso não impedia que críticos de arte, como Mário Pedrosa e Ferreira Gullar, reconhecessem qualidades estéticas inegáveis dentro dessa produção. Ela não era contra que surgissem

artistas. Apenas esse não era o campo dela. Ela implantou o relacionamento afetivo com animais como terapia. Você acompanhou esse trabalho?

Sim. Nise sempre foi ligada aos animais, sempre teve gatos na biblioteca. Um dia, aconteceu de um esquizofrênico, que era definido como uma pessoa afastada da realidade, chegar até a doutora com um cachorro machucado e pedir a ela para cuidar dele. Ela deu as condições para o rapaz cuidar do animal. E à medida que o animal melhorava, ele também melhorava. O animal, que precisava de cuidados, de alimentação regular, ligou o indivíduo com a realidade. O animal serviu de ponte. Foi a partir daí que ela viu que podia usar o animal em terapia. Isso também aconteceu nos anos 50. Ela foi pioneira no mundo. Criou um serviço só para uso do animal em terapia. Ela chamava os animais de coterapeutas. Para certos clientes, o animal é que era o verdadeiro terapeuta. Ela foi muito perseguida por esse trabalho. Perseguida? Por que? Como isso aconteceu?

A CHUVA ANTES DE CAIR Jonathan Coe narra a história de Rosamond: aos 73 anos e prestes a morrer, ela precisa cumprir uma última tarefa – descrever para a neta de uma prima, que ainda criança ficou cega, uma série de 20 fotografias que, juntas, contam um trágico passado de família. FICHA: Record, 256 págs., R$ 30, em média

MANUAL DE BOAS MANEIRAS PARA MENINAS Lançada originalmente em 1926, após a morte do autor, nesta obra Pierre Louÿs faz uma paródia pervertida dos livros de etiqueta para jovens aristocratas do final do século 19, ensinando o prazer como conduta. FICHA: Azougue Editorial, 112 págs., R$ 30, em média

Envenenavam os bichos, faziam muita maldade, porque não acreditavam que usar animais em terapia era possível, que tivesse validade científica. Hoje em dia isso é usado no mundo inteiro, para diferentes tipos de doença, inclusive para crianças autistas e cardíacos. E essa perseguição partia de quem?

Do próprio hospital, de funcionários. Além do envenenamento, quando ela saía de férias chamavam a carrocinha para levar os animais. O trabalho de Nise da Silveira ainda é atual?

Sim. O trabalho dela inspirou a criação de vários trabalhos, tanto no Brasil quanto no exterior. É uma pessoa à frente de seu tempo. Deixou um legado que continua servindo de modelo.

DEI A VOLTA NA VIDA Um dos primeiros brasileiros a jogar no futebol europeu, no Olympique de Marseille, neste livro Paulo Cezar Lima Cajú descreve, em forma de bate-papo, conversas, sensações e expectativas que vivenciou com as derrotas e conquistas de sua vida. FICHA: A Girafa, 168 págs., R$ 30, em média

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Francis Picabia

Drimtims Os drimtims não costumam dar certo. Times de sonho geralmente só funcionam mesmo em sonho. Um exemplo famoso disto foi o time de basquete dos Estados Unidos que disputou as primeiras Olimpíadas em que permitiram a participação de jogadores profissionais. Uma seleção dos melhores jogadores em atividade na liga de basquete profissional dos Estados Unidos era a definição de um drimtim. Acho até que foi com eles que nasceu a expressão. Na teoria, os americanos não teriam adversários nas Olimpíadas. Só deixariam de vencer todos os seus jogos com diferença de trinta pontos ou mais por distração ou piedade. E o drimtim ame-

ricano não ganhou o ouro do basquete naquelas Olimpíadas. Ninguém sabe o que aconteceu. Na teoria o time era imbatível. Mas, como já se disse, teoria não pega rebote. O Real Madrid teve mais de um drimtim na sua história. O último que formou também ficou na teoria. Não foi exatamente um fracasso, mas nunca jogou como nos sonhos da sua torcida. Porque a promessa do drimtim é a perfeição, uma superioridade tão grande que quase torna o jogo supérfluo: o time já ganha na escalação. No cara ou coroa o adversário já está perdendo de três a zero. Teoricamente, o novo drimtim do Real Madrid estaria dispensado de disputar qualquer

campeonato, seria proclamado campeão de tudo só pelo seu poder de compra. Com a torcida gritando, além do nome dos jogadores favoritos – “Kaká! Kaká!” “Cristiano Ronaldo! Cristiano Ronaldo!” – “Tesoureiro! Tesoureiro!”. Por que os drimtims raramente cumprem sua promessa? Talvez porque junto com jogadores que se equivalem na qualidade os clubes também comprem egos que se parecem, e se chocam. Ou então porque a expectativa é sempre maior do que a realidade, por melhor que esta seja. ALA ESQUERDA O Internacional tinha um ponteiro esquerdo excepcional, o

Chinezinho. Isto na época em que existiam ponteiros. Chinezinho depois foi para o Palmeiras e acabou na Itália, onde, acho eu, vive até hoje. Mas quando ainda estava no Inter, trouxeram para jogar ao seu lado nada menos do que o meia-esquerda da seleção uruguaia campeã do mundo em 50, Julio Perez. E então nos convencemos do seguinte: te-

ríamos a melhor ala esquerda do mundo. Uma convicção que não sobreviveu ao primeiro jogo do uruguaio. Tinham comprado o nome Julio Perez, esquecidos que a glória do homem estava longe e ele não tinha mais idade para jogar nem futebol de veteranos. Mas por um breve e cintilante momento, tivemos uma ala esquerda de sonho.

FAHRENHEIT 451 Um dos maiores títulos de ficção científica de todos os tempos, a obra de Ray Bradbury ganha reedição em formato de livro de bolso. O volume traz ainda um posfácio do próprio Bradbury, no qual ele narra de forma bemhumorada as condições em que o livro foi escrito. FICHA: Globo de Bolso, 264 págs., R$ 20, em média


Doutora Nise, Para Sempre