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Nobel francês JMG Le Clézio terá obra lançada em nova coleção da Cosac Naify. B8

TRADIÇÃO. Diante da imponência da sanfona e da força da zabumba, o triângulo quase sempre é relegado ao posto de coadjuvante. Ainda assim, os forrozeiros garantem: sem ele, não tem arrasta-pé. E mesmo que seja considerado o instrumento mais ‘fácil’ do trio de forró, para tirar som dele é preciso ter ritmo e resistência. Na terceira reportagem da série dedicada

DIVULGAÇÃO

ao centenário de nascimento de Luiz Gonzaga e às tradições juninas do Nordeste, a Gazeta revê as origens da peça ‘descoberta’ pelo Rei do Baião e mostra como, depois de incluir o ‘ferrinho’ na sua banda, Mestre Lua, por acaso, acabou por criar o trio pé-de-serra. Vale a pena conferir

RICARDO LÊDO

Domingo 17/06/2012

O TERCEIRO ELEMENTO CARLA CASTELLOTTI REPÓRTER

Cavaco

Num lance do acaso, coube a Luiz Gonzaga a constatação de sua natureza rítmica: narrada como um causo, reza a lenda que bastou avistar um vendedor de cavaco (aquele doce folhado em forma de canudo) anunciando seu ganhapão com um triângulo de ferro e uma vareta para que o Mestre Lua encontrasse o ‘elemento’ que faltava no trio de forró

Figura geométrica de três lados. Nome de galeria de arte e de loja de assoalho. Título de revista, marca de grife de roupas e até mesmo denominação de instituto de sustentabilidade. Essas são apenas algumas das respostas para o termo ‘triângulo’ no Google. Em meio às incontáveis ocorrências surgidas no site de buscas, nenhuma das dez primeiras dá conta do instrumento musical, objeto de nossa pesquisa. Visto quase sempre como coadjuvante, o fato é que sem triângulo não tem arrasta-pé. Num lance do acaso, coube a Luiz Gonzaga a constatação de sua natureza rítmica: narrada como um causo, reza a lenda que bastou avistar um vendedor de cavaco (aquele doce folhado em forma de canudo) anunciando seu ganha-pão com um triângulo de ferro e uma vareta para que o Mestre Lua encontrasse o ‘elemento’ que faltava no trio de forró. Ao lado do acordeon, Gonzagão teria posicionado a zabumba, enquanto que ladeando os baixos viria o triângulo. A arrumação, contudo, não se deu por mero capricho. O posicionamento dos instrumentos era definido segundo a variação sonora gerada por cada um deles. Formando do curso de Música da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o musicista Marcos Antônio Alves da Silva atesta a origem da história ao afirmar que a formação do

trio pé-de-serra foi, sim, invenção do Rei do Baião. “Foi ele quem mesclou os timbres [da sanfona, zabumba e triângulo], posicionando cada instrumento na parte certa, em cada um dos lados da sanfona. Ele não só pensou na questão da música, mas também na tessitura”, diz o instrumentista, mais conhecido como Magal. No Nordeste, porém, o triângulo não era novidade – antes mesmo do sanfoneiro de Exu criar o trio de forró, o instrumento já era usado nas bandas de pífano (veja no box). Segundo informa Magal, o interesse de Gonzagão pelo ‘ferrinho’ surge no momento em que ele se volta para a música tipicamente nordestina. “No fim da década de 1930, quando tocava valsas e polcas e gêneros como maxixe e tango brasileiro em sua sanfona, Gonzaga mergulhou no repertório do cancioneiro popular e revisitou a música tocada por seu pai, que também era sanfoneiro e cujas melodias foram parar na sua música”.

ANCESTRAL Mas os primeiros registros acerca do instrumento, ressalta Magal, são ainda mais antigos. Há indícios do uso do triângulo na Europa do século 13, época em que ele era utilizado em festas religiosas promovidas pela Igreja Católica. “Inclusive, quando o triângulo veio para o Brasil, por intermédio dos jesuítas, ele era usado apenas em rituais católicos”, anota ele. Nesse tempo, explica o musicista, a peça

não era como conhecemos hoje – um corpo de ferro único com uma das pontas abertas. “Ele possuía elos, como anéis. Eram cinco em média. Esses anéis vibravam junto com o ferro e geravam um som mais estridente. Imagine o pandeiro com seus guizos, chamados de platinelas. Era como se o triângulo tivesse platinelas”, compara. Assim, é fácil concluir que o som tirado do triângulo de antigamente não é igual ao de hoje – nos rituais religiosos, por exemplo, o instrumento emulava o badalar de um sino. Colônia de Portugal, no Brasil os registros mais antigos sugerem que a peça seria de ‘natureza’ eminentemente católica, já que era tida como um elemento sagrado na Folia do Divino Espírito Santo. Segundo a crença, o triângulo, com seus três lados, representaria o próprio Espírito Santo. A curiosidade aí, destaca o musicista Marcos Alves, é que o objeto começa a ter seu som explorado justamente na Folia do Divino. “Ele começa a ser usado em ritmos mais acelerados, como na cavalhada”, pontua. Mas o instrumento, óbvio, não deixou marcas apenas na música de viés católico. Usado nas orquestras, inicialmente para produzir efeitos sonoros, com o tempo o triângulo passou a ser considerado um ‘instrumento de partitura’, ganhando voz

AILTON CRUZ

Triângulo da Torelli fabricado a partir da liga de alumínio e latão: instrumento dá ‘brilho’ ao forró

O nascimento do trio de forró pé-de-serra

Os primeiros registros n a do uso do instrumento, música explica Marcos Alves, erudita. remontam à Europa “ N o s édo século 13 culo 19, ele é introduzido nas orquestras com maior importância. Compositores eruditos como Béla Bartók (Hungria), Charles Ives (Estados Unidos) e Olivier Messiaen (França) começam a bus- MARCOS car na música popular de ALVES seus países (e na música MUSICISTA do Oriente) elementos co- “Foi Luiz mo o gongo e o triângulo, Gonzaga e colocam os instrumentos quem mescom ênfase na composi- clou os timção”, explica Magal. bres da sanPara saber mais sobre a fona, da história e a sonoridade zabumba e dessa peça tão simples do triângulo, quanto enigmática, nesta posicionanedição a Gazeta mergulha do cada insna tradição do instrumen- trumento na to cuja importância costu- parte certa, ma ser ofuscada pela im- em cada um ponência da sanfona e pe- dos lados da la força da zabumba. Na sanfona. Ele terceira reportagem da sé- não só penrie dedicada ao centenário sou na quesde nascimento do Rei do tão da múBaião e às tradições juni- sica, mas também na nas do Nordeste, instrutessitura” mentistas e forrozeiros da estirpe de Xameguinho e Naldo do Baião falam do som do triângulo e explicam por que ele é indispensável no trio de forró. Não deixe de conferir. Continua nas págs. B2 e B4

História das mais famosas no repertório de ‘causos’ de Gonzagão, a teoria segundo a qual a criação do trio de forró pé-de-serra teria sido obra do Rei do Baião persiste ao longo dos tempos e é passada de geração em geração. Pelo sim, pelo não, o que se sabe é que tudo surgiu quando o Mestre Lua teve de fazer uma economia. Contratado para um show, o sanfoneiro-mor vivia um impasse: sem muito dinheiro, alugar um ônibus no qual coubessem todos os seus músicos acompanhantes estava fora de questão. Para resolver a parada – e, claro, não deixar de receber seu cachê –, Luiz Gonzaga teria resolvido unir à sua sanfona apenas a zabumba e o triângulo, numa formação que caberia perfeitamente em seu próprio carro. Resolvido o imbróglio, o que talvez nem o Mestre Lua pudesse prever é que graças a esse ‘jeitinho’ a música regional nordestina (como a conhecemos) acabava de ser fundada.


B 2 Caderno B

GAZETA DE ALAGOAS, 17 de junho de 2012, Domingo

CONTINUAÇÃO DA PÁG. B1. Em busca de histórias de tocadores de triângulo, a Gazeta foi à Casa das Sanfonas, ponto de encontro da turma forrozeira na capital

SEM TRIÂNGULO, NÃO TEM FORRÓ

FOTOS: AILTON CRUZ

Naldo do Baião e Zé Mocó falam do instrumento e rememoram sua trajetória de anos de dedicação ao arrasta-pé CARLA CASTELLOTTI REPÓRTER

Aos 58 anos, Arnaldo Vi e i r a e s t á s e m p r e d e prontidão em sua loja no Centro de Maceió. Atencioso, ele atende com a mesma simpatia os (muitos) clientes e também os curiosos que entram na Casa das Sanfonas, endereço dos mais tradicionais para quem está à procura de um acordeon. De portas abertas há 35 anos, o comércio de Naldo do Baião transformou-se em ponto de encontro da turma forrozeira na capital. Por isso a Gazeta foi até lá, para conversar tanto com o proprietário – que começou na música como tocador de triângulo – como com Zé Mocó, outro ‘trianglista’ de mão cheia que mostrou à reportagem, na prática, como se toca o instrumento. Natural de Palmeira dos Índios, Naldo iniciou sua carreira musical aos 15 anos de idade, influenciado pelo tio sanfoneiro. Pandeiro e triângulo, ele conta, foram seus primeiros instrumentos, até que o tio achou que o sobrinho levava jeito para o acordeon e resolveu lhe dar as primeiras aulas. Hoje à frente de um trio de forró, Seu Naldo não titubeia na hora de falar da importância do triângulo: “Ele não tem a complexidade dos outros instrumentos do trio, mas se não estiver lá, a música fica

vazia. O triângulo faz a ‘chama’ da harmonia da música. Triângulo é ritmo, não é acorde”. Dono de olhos e ouvidos atentos e fã de Luiz Gonzaga, Sivuca e Oswaldinho do Acordeon, Seu Naldo, pai de duas filhas e avô de quatro netos, tornou-se sanfoneiro – e dos bons. Mas não deixa de chamar atenção para o triângulo, instrumento que exige, segundo ele, resistência da munheca e muito ritmo. Tanto que adverte que não é todo mundo que consegue tocar o instrumento: “Tem que saber tocar xote, xaxado, baião ou pé-de-serra; há vários ritmos de música para o triângulo”. E ainda que tenha galgado o posto de sanfoneiro, Seu Naldo observa que para aprender a tocar qualquer instrumento é preciso, antes de tudo, ter encantamento pela música. “Para aprender, a gente vai vendo os outros tocando, vai se emocionando, criando aquela alegria, e vai aprendendo”, diz.

VIVER DA MÚSICA Nascido em São José da Laje, a cerca de 100km de Maceió, foi ouvindo sucessos de Luiz Gonzaga, Trio Nordestino e Jackson do Pandeiro no rádio que Carlos Martins de Oliveira, 46, despertou para o forró. Ainda menino começou a cantar, e aos 16 já tocava triângulo. Em sua cidade natal, Zé Mocó, co-

Hoje sanfoneiro, Naldo do Baião começou tocando triângulo

mo é mais conhecido, animava festas de casamento e aniversários. Até que o desejo de viver da música se tornou maior – “Cidade do interior você sabe como é. A gente, que quer viver de música, tem que procurar um lugar maior”. E foi assim que em 1982, por intermédio de um amigo zabumbeiro, Zé Mocó respondeu ao chamado do sanfoneiro Xameguinho, que havia lhe convidado para tocar num trio de forró aqui em Maceió. Sem demora, o músico fez as malas e se mudou de vez para a capital. Hoje à frente do projeto solo Zé Mocó e Banda, o cantor e tocador de triângulo conta que começou em 1989, como integrante do trio Os Sociais do Forró. Depois vieram os Unidos do Nordeste, grupo com o qual rodou meio mundo, chegando a se apresentar até mesmo na Argentina, a convite de uma operadora de turismo. Numa conta rápida, o forrozeiro diz ter dois vinis e outros nove CDs gravados. E embora ressalte que seu forró continua pé-deserra, Zé Mocó, que segue no ofício de cantador e ‘trianglista’, não dispensa a ajuda de guitarra, baixo e bateria quando está na função. “Se a gente tocar apenas o pé-de-serra tradicional, muita gente não vai aceitar”, justifica, antes de reafirmar que o ‘ferrinho’ é fundamental na performance. “Porque se você tirar o instrumento, fica um vazio. A zabumba, por exemplo, só dá tom grave, enquanto a sanfona dá o médio. O triângulo emite o agudo, aquilo que chamamos de ‘stereo’. Cada um fica em uma frequência”, explica. Pai de três filhos, Zé Mocó vive da música. “A música é tudo para mim, é meu ofício”, diz ele. Com a agenda repleta de shows para o período junino, o músico conta que já tocou em todo o Nordeste, além de ter se apresentado em palcos de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Cheio de ginga, foi numa espécie de aula prática que Zé Mocó mostrou à reportagem como o triângulo funciona. Sem força nem pressa, ao abrir e fechar das mãos o ‘tengolengo’ emitido pelo instrumento variava de velocidade enquanto a melodia crescia progressivamente no tilintar na vareta, indo do xote ao baião.

Zé Mocó acumula as funções de cantador e ‘trianglista’: “A música é tudo para mim, é meu ofício”

NALDO DO BAIÃO SANFONEIRO E PROPRIETÁRIO DA CASA DAS SANFONAS

“Ele não tem a complexidade dos outros instrumentos do trio, mas se não estiver lá, a música fica vazia. O triângulo faz a ‘chama’ da harmonia da música. Triângulo é ritmo, não é acorde”

ZÉ MOCÓ CANTADOR E ‘TRIANGLISTA’

“Se você tirar o instrumento, fica um vazio. A zabumba, por exemplo, só dá tom grave, enquanto a sanfona dá o médio. O triângulo emite o agudo, aquilo que chamamos de ‘stereo’. Cada um fica em uma frequência”

O ‘TRIANGLISTA’ DO REI DO BAIÃO “A coisa mais fácil do mundo”. É assim que o radialista aposentado José Silva, 72, define a tarefa de tocar um triângulo. Segundo ele, que se tornou tocador por acaso, o instrumento não tem mistério. Bom de ritmo, o curioso na trajetória de Seu José é que ele fez as vezes de ‘trianglista’ para ninguém menos que Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Em meados de 1962, Seu José trabalhava como locutor no Sistema Jornal do Commercio, no Recife, para onde tinha se mudado após aceitar uma proposta de trabalho na empresa de comunicação do empresário Francisco Pessoa de Queirós, que naquele ano viria a se tornar senador pelo Estado de Pernambuco. Então com 22 anos, o radialista acabaria conhecendo o Mestre Lua durante a campanha política de Pessoa de Queirós, e logo fez amizade com o mais importante sanfoneiro do país. Contudo, como ainda era muito jovem, após a empreitada em terras pernambucanas Seu José resolveu voltar a Maceió, atendendo o chamado do colega de profissão Edécio Lopes para integrar o quadro de funcionários da Rádio Difusora. Mesmo assim, não se passava um ano sem que Luiz Gonzaga refizesse o

convite para Seu José seguir com ele para outras praças. Passados alguns anos, em 1968 o jovem radialista criou coragem e partiu para o Rio de Janeiro na companhia de Gonzagão. Na Cidade Maravilhosa, trabalhou na Rádio Nacional e na Rádio Tupi – “Era como se eu tivesse saído do CRB ou do CSA e ido jogar no Corinthians ou no Flamengo”, diverte-se ele. E foi nesse período que Seu José se tornou ‘trianglista’ do Rei do Baião. Era março de 1969 quando Gonzagão – que andava no ostracismo – recebeu um telefonema com um convite para participar do Show do Golias, no qual também cantaria Cauby Peixoto. Convite aceito, havia um problema: Mestre Lua não tinha quem tocasse o tal triângulo. Xaxado, seu ‘trianglista’ na época, por alguma razão não poderia comparecer ao programa. “Gonzaga era educado, mas extremamente temperamental”, rememora Seu José, que naquele momento acabou intimado a preencher a vaga. Um dia antes da apresentação, na casa do Mestre Lua, o jovem radialista aprendeu a tocar o instrumento e ensaiou cinco músicas com o trio. Ao chegar à TV Tupi às 21h de uma quarta-feira para tocar ao vivo, Ronald Golias cumprimentou Gonzagão com uma referência pouco ortodoxa a um jumento. Em resposta à malandragem do apresentador, Luiz Gonzaga decidiu tocar Apologia ao Jumento, um xaxado com versos cheios de ironia feito em homenagem ao animal. O único problema é que a música não havia sido ensaiada. O contratempo acabou servindo de teste para Seu José, que a partir dali passou a acompanhar Gonzagão em suas andanças. E ainda que a vida na estrada não tenha durado muito, o radialista lembra com orgulho que chegou a gravar um jingle com o sanfoneiro. Para ele, a lição do triângulo é uma só: “A única aptidão que se deve ter para tocar o instrumento é ritmo”. Quem duvida? CC ‡


Caderno B 3 B 22h. No repertório do grupo, muito forró péde-serra, além de clássicos e sucessos do gênero.

SHOWS & MUSICAIS QUARTETO MALACADA Com um repertório que reúne canções próprias e pérolas de nomes como N o e l Ro s a , C a r t o l a e Demônios da Garoa, o Quarteto Malacada se apresenta neste domingo (17) no Boteco da Lua, no Prado, com o show intitulado Vem Sambar na Lua. Com início às 17h30, a programação é uma ótima pedida para a turma chegada numa boemia – e promete se estender noite adentro. Boteco da Lua. Praça da Faculdade, 34, Prado. Hoje (17), a partir das 17h30. Couvert artístico: R$ 4 (por pessoa). Mais informações: 9664-9464.

LOLLAPALHOÇA Com título de inspiração dupla – mistura o nome de um dos maiores festivais de rock do mundo e a tradição nordestina dos palhoções –, a festa que rola no dia 23 de junho na Loop Lounge Club conta com atrações perfeitas para a turma que curte um agito alternativo. Com som ao vivo e discotecagem, o line-up reúne as bandas Bazzinga!, Everlong e Sonic Junior, além dos dos DJs Ivo Schelb e Finizola. Loop Lounge Club. Av. Eng. P. B. Nogueira, 320, Stella Maris. No dia 23 de junho, a partir das 22h. Ingressos: R$ 20. Mais informações: 9671-1621.

CINEMA: FORA DO CIRCUITO CINE MISA Reaberto após uma reforma que se estendeu por três anos, o Museu da Imagem e do Som de Alagoas agora conta com uma programação cineclubista. Atração às terças-feiras no prédio localizado em frente à praça Dois Leões, em Jaraguá, nesta terça-feira (19) o Cine Misa exibirá a produção brasileira Cinema, Aspirinas e Urubus, do di-

retor Marcelo Gomes. Ambientado no sertão nordestino no ano de 1942, no longa um alemão que fugiu da guerra e um brasileiro que quer escapar da seca fazem um acordo de trabalho e saem pela terra esturricada a exibir filmes publicitários que vendem um medicamento ‘milagroso’, a aspirina. Dessa empreitada surge uma amizade consistente, e os dois viverão momentos de alegria e tristeza em sua jornada. Misa. Rua Sá e Albuquerque, 275, Jaraguá. No dia 19 de junho, às 18h30. Entrada franca. Classificação: 14 anos. Mais informações: 3315-1924 e 3315-1925.

AÇÃO CULTURAL TEATRO DEODORO É O MAIOR BARATO Realizado pela Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (Diteal), o projeto que oferece apresentações musicais e de artes cênicas a preços camaradas tem nova etapa nesta quarta-feira (20), às 19h. Dessa vez, a atração é o espetáculo Versos de um Lambe Sola, da Assoc i a ç ã o Te atral Joana Gajuru. A peça revê a trajetória de Antônio Aurélio de Morais, poeta popular que nasceu em Atalaia e passou a maior parte da vida em Viçosa, onde se tornou sapateiro. Apenas aos 45 anos é que Lambe Sola, como fi-

cou conhecido, iniciou sua alfabetização, indo de cartilhas do ABC a dicionários. Daí passou à composição de poemas, chegando a escrever um livro. Teatro Deodoro. Pç. Mal. Deodoro, s/n, Centro. No dia 20 de junho, às 19h. Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Classificação: livre. Mais informações: 3315-5665 e 3315-5656.

FESTEJOS JUNINOS BAILE DOS PEDRO Diretamente de Caruaru, a banda Forró da Gente é a atração escalada para animar a edição 2012 do tradicional baile junino do Iate Clube Pajuçara. Com mesas disponíveis para sócios e não-sócios, o Baile dos Pedro acontece no dia 28 de junho, a partir das

Iate Clube Pajuçara. Av. Dr. Antônio Gouveia, 1259, Pajuçara. No dia 28 de junho, a partir das 22h. Preços: R$ 80 (mesas para sócios) e R$ 100 (mesas para não-sócios). Ponto de venda: secretaria do clube. Mais informações: 3231-8877 e 3231-3842.

DIVERSÃO & ENTRETENIMENTO OS TRÊS PORQUINHOS Há mais de dez anos rodando os palcos do País, o espetáculo infantil que tem dramaturgia da Duetus Promoções será apresentado no dia 08 de junho no Teatro Deodoro, com sessão às 16h. Com um novo direcionamento para a história, a montagem narra as aventuras dos porquinhos numa floresta encantada onde os sonhos se confundem com a realidade. Nesse mundo, eles precisam se unir devido à constante ameaça do malvado Lobo Mau, mas o vilão da trama é, na verdade, um dos irmãos, que se disfarça para ensinar os outros a enfrentar o medo. Teatro Deodoro. Pç. Mal. Deodoro, s/n, Centro. No dia 08 de junho, com sessão às 16h. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). Pontos de venda: lojas To You (Maceió Shopping e Ponta Verde). Mais informações: 30340930 e 88252808.

SUSANA LEAL/DIVULGAÇÃO

Domingo, 17 de junho de 2012, GAZETA DE ALAGOAS

TV PAGA A&E 23h00

SONY Santana, Greatest Hits – Live at Montreux 2011

AXN 21h00

09h00

11h00

Motociclismo – Mundial de Motocross – Etapa Bélgica – MX1 e MX2 – Ao vivo Tênis – WTA Birmingham – Final – Ao vivo Atletismo – Znamensky Memorial Moscou – Ao vivo

10h00

12h00

15h45

18h30

‘Banda de um homem só’, o Sonic Junior do músico Juninho está entre as atrações da Lollapalhoça, festa que rola no próximo dia 23 na Loop Lounge Club

Liga Mundial de Vôlei – Polônia x Brasil – Ao vivo Circuito Mundial de Vôlei de Praia – Roma – 3º Lugar Feminino – Ao vivo Eurocopa 2012 – Portugal x Holanda – Ao vivo Campeonato Brasileiro – Ponte Preta x Corinthians – Ao vivo

TCM

CANAL BRASIL

18h20 22h00

13h00 13h30 14h00

TELECINE ACTION

16h15

Esquinas Larica Total É Tudo Verdade – Leila para Sempre Diniz Baile Perfumado

17h55 00h00

ESPN BRASIL

TC CULT

10h55

16h05 22h00

Campeonato Argentino – Segunda Divisão – Rosario x Chacarita – Ao vivo

13h00

FILM & ARTS 22h00

Difícil de Matar Duro de Matar – A Vingança

Kick-Ass – Quebrando Tudo Dragão Vermelho

Luzes da Ribalta Curtindo a Vida Adoidado

TC FUN Diário de um Banana

Senhores do Crime

TC PIPOCA FOX 22h00

16h35 Deu a Louca em Hollywood

18h05

Eu e Meu Guarda-Chuva Os Agentes do Destino

GNT 13h05 13h30 21h00 22h00

A Cozinha de Nigella Diário do Olivier Semana do Jô Marília Gabriela Entrevista

TC PREMIUM 14h55 20h20

Trabalho Sujo As Viagens de Gulliver

TC TOUCH HBO 17h30

20h15 A Garota da Capa Vermelha

23h50

O Vingador do Futuro

TNT

LIV

Música!

Revenge Pan Am Once Upon a Time

SPORTV A Supremacia Bourne

BANDSPORTS 07h00

20h00 21h00 22h00

23h30

19h30 22h00

MAX 18h30

Tudo Pode Dar Certo Preciosa – Uma História de Esperança

Sim Senhor Duplicidade

Corra Lola, Corra

WARNER MGM 19h55

22h00

Jornada nas Estrelas – Primeiro Contato O Jardineiro Fiel

14h30 17h05 19h45 22h00

Matrix Revolutions O Plano Perfeito 10.000 A.C. À Procura da Felicidade

* PROGRAMAÇÃO FORNECIDA PELAS EMISSORAS E SUJEITA A ALTERAÇÕES

EM CARTAZ

PROGRAMAÇÃO ATÉ 21/06. HORÁRIOS FORNECIDOS PELOS CINEMAS; KINOPLEX (WWW.KINOPLEX.COM.BR); 4003-7043 (CENTERPLEX); 3317-4834 (CINE LUMIÈRE); 3235-5191 (CINE SESI)

BRANCA DE NEVE E O CAÇADOR

Diário de um Jornalista Bêbado

Kinoplex (dub., 13h, 15h35, 18h10, 20h45; leg., 13h30, 16h05, 18h40, 21h15); Centerplex (dub., 13h, somente sáb. e dom.; 15h50, 18h40) – 12 anos Sinopse: nesta nova versão do conto de fadas, a rainha manda o caçador levar Branca de Neve para a floresta e matá-la. Mas ele a liberta – e se torna uma espécie de mentor da garota, ensinando-a a lutar para sobreviver.

DIÁRIO DE UM JORNALISTA BÊBADO

Shame

Cine Sesi (leg., 15h, somente sex., sáb. e dom.) – 16 anos Sinopse: o jornalista americano Paul Kemp aceita um serviço de freelancer num jornal de Porto Rico durante os anos 1950, mas acaba tendo de lutar para encontrar o equilíbrio entre a ilha e sua cultura e os estrangeiros que nela vivem.

EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS

Um Método Perigoso

Cine Sesi (nacional, 19h, exceto seg.) – 16 anos Sinopse: um triângulo amoroso envolve Cauby, um fotógrafo de passagem pelo interior da Amazônia, a bela e instável Lavínia e seu marido, o pastor Ernani,

que acredita ser possível consertar as contradições do mundo.

ROTEIRO CULTURAL

ANDRÉ AZEVEDO/ARQUIVO GA

PROMETHEUS Centerplex (dub., 14h30, 17h30, 20h30) – 14 anos

EM VERSÃO 3D HOMENS DE PRETO 3 Kinoplex (dub., 14h, 16h20; leg., 18h40, 21h); Centerplex (dub., 21h20); Cine Lumière (dub., 17h, 19h20) – 10 anos Sinopse: no terceiro filme da série, Jay (Will Smith) precisa viajar no tempo para proteger seu parceiro Kay (Tommy Lee Jones) de uma ameaça alienígena. No passado, o agente Kay é interpretado por Josh Brolin.

Kinoplex (dub., 13h30, 16h10; leg., 19h, 21h35); Centerplex (dub., 13h20, somente sáb. e dom.; 16h, 18h50; leg., 21h40) – 14 anos Sinopse: uma equipe de exploradores descobre novos indícios sobre as origens da humanidade na Terra, o que os leva a uma aventura impressionante – e perigosa – pelas regiões mais sombrias do universo.

SHAME MADAGASCAR 3 – OS PROCURADOS Kinoplex (dub., 13h20, 15h20, 17h20, 19h20, 21h20); Centerplex (dub., 13h10, somente sáb. e dom.; 15h10, 17h10, 19h10, 21h10); Cine Lumière (dub., 13h30, 15h30, 17h30, 19h30, 21h30) – Livre

EM VERSÃO 3D Kinoplex (dub., 13h, 15h, 17h, 18h50, 20h50); Centerplex (dub., 14h, 16h10, 18h20, 20h40) – Livre Sinopse: na nova aventura dessa turma animal, Alex, o leão, Martin, a zebra, Gloria, a fêmea de hipopótamo, e Melman, a girafa, estão de passagem pela Europa, onde viverão altas confusões ao lado da trupe de um circo.

Cine Sesi (leg., 21h, exceto seg.) – 18 anos Sinopse: Brandon é um homem bem-sucedido que mora sozinho em Nova York. Sua rotina de viciado em sexo acaba sendo profundamente abalada quando sua irmã Sissy aparece de surpresa, querendo vir morar com ele.

UM MÉTODO PERIGOSO Cine Lumière (leg., 15h, 21h30); Cine Sesi (leg., 17h10, exceto seg.) – 14 anos Sinopse: o filme narra a conturbada e polêmica relação entre os pais da psicanálise, Carl Jung e Sigmund Freud, e seu envolvimento com a paciente russa Sabina Spielrein.

PONTAL DA BARRA Um dos bairros mais tradicionais de Maceió, no Pontal pode-se encontrar peças de filé, renda de bilro e renascença, em geral vendidas na casa das próprias rendeiras. A cerca de 20 minutos do Centro de Maceió. Os estabelecimentos funcionam em horário comercial. Mais informações: 3315-5700, com a Secretaria de Estado do Turismo (Setur).


B 4 Caderno B

GAZETA DE ALAGOAS, 17 de junho de 2012, Domingo RICARDO LÊDO/ARQUIVO GA

CONTINUAÇÃO DA PÁG. B1. O sanfoneiro Xameguinho, o percussionista China e o musicista Marcos Alves falam da sonoridade do triângulo

Sanfoneiro dos mais requisitados, Xameguinho é categórico ao falar da importância do instrumento: “Sem triângulo, o trio fica incompleto”

INSTRUMENTO DÁ ‘BRILHO’ AO FORRÓ PÉ-DE-SERRA CARLA CASTELLOTTI REPÓRTER

“Se não tiver ‘trianglista’, o trio fica incompleto”, sentencia Xameguinho. Para o sanfoneiro cuja trajetória de 30 anos de estrada inclui shows nos quatro cantos do Brasil e até uma turnê pela Europa, o triângulo tem toda importância. “É o triângulo que dá o brilho ao forró pé-de-serra. É o instrumento mais fácil que tem, desde que bem tocado. Sem o triângulo, o forró fica vazio”, arremata. De forma mais técnica, o musicista Marcos Antônio Alves da Silva explica que o instrumento é considerado ‘fácil’ porque não é ‘temperado’ como o piano,

que possui várias timbragens de escala. “O triângulo possui uma escala apenas, com tonalidades abertas e fechadas”. Já a afinação do triângulo, observa Magal, depende basicamente de seu tamanho. “Quanto maior, mais grave será seu som; quanto menor, mais agudo ele será. O triângulo é afinado no que chamamos de altura grave ou aguda”. No geral feito a partir de uma liga de ferro, se fosse produzido com outro metal o instrumento emitiria um tipo de som diferente. “Existem ligas metálicas com mais amplitude [sonora] e outras com menos. Se fôssemos fazer um triângulo de ouro, por exemplo, a amplitude se-

ria maior”, esclarece Magal. “É como os pratos de bateria: os de primeira linha possuem metais nobres, como ouro, em sua liga. Portanto, possuem uma sonoridade mais pura”, compara. Mas mesmo sendo ‘fácil’, o triângulo tem lá suas manhas. É o que ensina o percussionista Rógenes Marcelo, o China. Para ele, o fundamental para se tocar (bem) um triângulo é o ritmo. “A variação do [som do] triângulo vai influenciar no repique. A zabumba faz a base rítmica, enquanto o triângulo dá o contratempo da zabumba, completando o som. O ‘tengo-lengo’ do triângulo bate no ritmo e no contrarritmo”, ensina ele.

UMA NOVA GERAÇÃO DE TRIÂNGULOS Embora possa ser feito a partir de um simples vergalhão de ferro, o triângulo possui uma técnica para sua fabricação. Afinal, como o material com o qual é produzido determina seu som, as empresas costumam se esmerar na linha de produção. Referência no mercado, a paulista Torelli, por exemplo, fabrica instrumentos percussivos há 15 anos. Gerente comercial da marca, José Ricardo dos Santos explica que não há um cálculo estabelecido para a confecção do

triângulo. “Existem tamanhos mais comuns. Os que fabricamos são de 15cm, 25cm e 30cm, mas pode haver alguma variação de tamanho a depender do fabricante”, afirma ele. A liga metálica usada pela Torelli, conta o gerente, é de alumínio misturado com latão, o que deixa o tilintar da vareta mais agudo, estridente. Variante moderna, o chamado handed triangle, que se toca com uma mão só, é o que há de mais novo na produção de triângulos. Para o percussionis-

ta China, a peça ajuda na hora de manipular outros instrumentos. “A sonoridade é bastante boa e permite que você fique com a outra mão livre”, pontua. Para quem está dançando, diz China, a presença do triângulo pode passar despercebida, mas sem ele o forró não está completo. E haja fôlego para tocar o ‘tengo-lengo’ sem parar noite adentro. “Como diz o matuto: ‘Você não dá dois contos por ele’, mas é preciso muita resistência para tocar triângulo”, brinca o percussionista. CC ‡


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Domingo, 17 de junho de 2012, GAZETA DE ALAGOAS

felipecamelo@gazetaweb.com fel FOTOS: FELIPE CAMELO

LATIN LOVE + 1 casal de jornalistas embarca em nova lua de mel pela América Latina. Desta vez, Janayna Ávila & Ricardo Lêdo. No roteiro, Buenos Aires e Montevidéu. “Comprar peso é super leve, bem leve”, me confidenciou, gargalhando, o fotógrafo desta Gazeta. Embarcam na próxima 3ª e voltam dia 27.

Arquiteto Adriano Moura finalizando projeto para o Grupo Maceió Mar: o condo-hotel Mar Design Suítes, na orla da Pajuçara. Serão 110 unidades em 10 pavimentos. Para encarar tanto trabalho, treina com a top personal Débora Feiden

O Ontem, na São Paulo Fashion P Week, joias de W Bruna Bert briB llharam no desffile de Samuel Cirnansck. Suas C ccriações fazem parte da colep çção assinada pelo pool de designers p Gharimpeira. D+, G ccomo ela

VADIAS NÃO SÃO VADIAS Muita gente pensando que a Marcha das Vadias é baderna, baixaria. Muito pelo contrário. O movimento veio do Canadá, quando 1 policial disse que as estudantes do sexo feminino deveriam evitar se vestir como “vagabundas” para não serem vítimas de estupro e assédio sexual. Absurdo!!! Às 10 da manhã de hoje, saindo da curva da Ponta Verde. Eu vou, e você??? A cidadania agradece.

IMAGENS: REPRODUÇÃO

Artista plástico Luiz Cavalli, depois do sucesso de suas obras na Copa do Mundo da África em 2010, sendo reconhecido na Globo. Domingo passado, foi destaque no Faustão. A repercussão foi tão grande que, hoje, brilhará na telinha novamente. Sempre que pode, vem a Maceió visitar sua irmã Fafá Cavalli. Adoro

FORRÓ FOR ALL E na noite da última 6ª, Eraldo & Fátima Tenório e Vanessa Tenório & Carlos Palmeira receberam professores, funcionários e quase todos os 600 alunos System para a festa de confraternização. No clima junino, comidas típicas e Trio de Forró do seu Gizeldo. Mega movimento na Zé Lages. DOE VIDA Preocupados com a demanda de transfusões nos feriados de São João e São Pedro, Hemoal e Hemoar iniciam amanhã, em Maceió e Arapiraca, sua tradicional campanha de doação junina de sangue. Os doadores receberão lanche especial, com comidas típicas + 1 camisa. De 2ª a 6ª, serão disponibilizadas equipes extras para atender aos candidatos à doação. A vida agradece.

HEDIONDO Na última 6ª, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB em Alagoas, Gilberto Irineu, apresentou relatório de homicídios contra idosos em 2011 e no 1º semestre de 2012. Traz o mapeamento dos locais dos crimes praticados contra pessoas com + de 60 anos, com informações acerca das causas e consequências dos assassinatos. Mostra, ainda, o ranking das cidades com alto nº de assassinatos contra idosos, bem como dos bairros de Maceió. INTERCÂMBIO A reitora da Uncisal, Rozangela Wyszomirska, participando, na Bélgica e na Alemanha, com a comitiva da Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais, de 1 série de visitas a instituições de Ensino Superior. A missão internacional tem a finalidade de firmar parcerias com as instituições belgas e alemãs para fortalecer o intercâmbio de alunos e promover a troca de conhecimentos entre os países. Volta no próximo dia 22.


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GAZETA DE ALAGOAS, 17 de junho de 2012, Domingo

FOTOS: DIVULGAÇÃO

CRUZA DAS

TEMPERATURA MÁXIMA Na tentativa de voltar para Nova York, o leão Alex e sua turma vivem mil aventuras no continente africano

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Santa Missa Sagrado Gazeta Rural Pequenas Empresas Globo Rural Esporte Espetacular – XVIII Maratona de São Paulo Aventuras Do Didi Os Caras de Pau Temperatura Máxima: Madagascar 2 Futebol 2012 – Campeonato Brasileiro: Palmeiras x Vasco Domingão do Faustão Fantástico TUF – Em Busca de Campeões Domingo Maior: Steal – Fuga Alucinada Sessão de Gala: Número 9 Corujão

TV PAJUÇARA CANAL 11 05h45 06h00 06h30 08h20 09h00 10h00 11h00 11h30 12h00 12h15 16h30 20h15 21h00 23h15 00h00

Bíblia em Foco Nosso Tempo Desenhos Bíblicos Record Kids Ponto de Luz Alagoas Dá Sorte Informativo Cesmac Pajuçara 360º Record Kids Tudo É Possível Programa do Gugu A Fazenda Domingo Espetacular Repórter Record Assuntos Confidenciais

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TV ALAGOAS CANAL 5 06h00 06h30 07h30 08h00 08h30 09h00 11h00 15h00 19h00 19h55 20h00

TV EDUCATIVA CANAL 3 06h00 06h30 07h00 08h00

Via Legal Brasil Eleitor Palavras de Vida Santa Missa

Viola Minha Viola Curta Criança Janela Janelinha Escola pra Cachorro Meu Amigaozão A Turma do Pererê ABZ do Ziraldo Tromba Trem Carrapatos e Catapultas A Turma do Pererê Catalendas Cocoricó Dango Balango TV Piá Stadium Os Protetores do Planeta Ver TV De Lá Pra Cá Cara e Coroa Papo de Mãe Conexão Roberto D’Ávila EsportVisão Curta TV Cine Ibermedia DocTV IV EsportVisão De Lá Pra Cá A Grande Música Caminhos da Reportagem Expedições

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Aventura Selvagem Pesca Alternativa Brasil Caminhoneiro A Grande Ideia Vrum Igreja Mundial Domingo Legal Eliana Roda a Roda Jequiti Sorteio da Tele Sena Programa Silvio Santos De Frente com Gabi O Mentalista Alvo Humano Agentes Secretos

SESSÃO DE GALA Com Ryan Reynolds e Hope Davis no elenco, Número 9 é uma ficção cheia de suspense

NO RÁDIO GAZETA AM 1.260 KHz 05h00 06h00 06h10 09h00 13h00 20h00

Notícias da manhã – 1ª parte Despertar com Deus Notícias da manhã – 2ª parte Hoje é dia de praia Jornada esportiva Notícias da noite

GAZETA FM 94.1 MHz 01h00 05h00 06h00 07h00 09h00 10h00 11h00 16h00 20h00 22h00

Show da madrugada Forró da manhã Como é grande o meu amor por você Bom dia Gazeta Swing da Gazeta Alagoas dá sorte Swing da Gazeta Gazeta pediu tocou Gazeta toca tudo Love is love

NO ASTRAL

BÁRBARA ABRAMO

Numerologia do dia: 1, um novo começo. Lua nova em Gêmeos: 20/06

ÁRIES. Neste domingo, a vibração é de pioneirismo e de rebeldia contra a força da inércia, temas familiares a você, que é movido a paixões, inspirações imediatas e visão aguda. Vida social mais animadinha traz um sabor especial a tudo isso.

LIBRA. Aproveite o ajuntamento de astros em Gêmeos, signo que leva você para longe, em viagens interessantes, para organizar sua próxima visita a um país distante. No amor, quanto mais novidade e descoberta, mais se sentirá feliz.

TOURO. Felizes ideias che-

ESCORPIÃO. Neste domin-

gam, hoje, para você engatar na semana que começa; anote-as. Veja como as pessoas irão reagir a sua presença doce, estável e confiável. Seja versátil no trato com as ideias alheias. Mentalize abundância no amor também.

go, imaginação à solta, curiosidade a mil. Ótimos papos com amigos, capazes de revelar e desvelar aspectos obscuros e sombrios. Mantenha pulso firme nas despesas, evite gastar sem pensar. A ligeireza lhe incomoda.

SAGITÁRIO. Bom domingo GÊMEOS. Amontoado de astros em seu signo promete encanto em dose dupla. Para caprichar ainda mais, aproveite o embalo astral e limpe o organismo e as emoções com ar puro. Inicie um novo ciclo de realizações.

CÂNCER. Dia especial para você descansar, ficar de papo para o ar, indo e vindo de interesses variados, nada muito pesado ou profundo, que é para manter a cabeça leve e a atenção flutuando. Cuide bem do corpo e evite indiscrições sobre a vida privada.

LEÃO. Encontros amorosos e sociais destacam o domingo de um jeito diferente – com o resgate de uma amizade antiga, perdida por aí, na corrida do tempo. Com um amigo, dá para planejar um trabalho; com outro, um sonho. Viva as amizades!

VIRGEM. Embora você ainda esteja com o pavio curto, vai ser um bom domingo para espairecer. Vênus e Urano em aspecto harmonioso criam oportunidade de ousar no romance, inventando algo novo para conquistar seu amor. Novas ideias também.

para começar uma nova fase no seu cotidiano! Um jeito novo de se relacionar com as pessoas queridas, um habito saudável para incorporar na rotina. Cinema, literatura e boas descobertas no plano mental e intelectual.

CAPRICÓRNIO. Hoje, você está mais atento ao funcionamento do seu organismo e pode, então, registrar pequenos sintomas e alterações, que serão avaliadas outro dia. Registre também inspirações de como tornar seu dia a dia mais leve e divertido.

AQUÁRIO. Sinal verde para os romances, amores e paqueras! Com a Lua ativando Vênus e Júpiter, o amor acontece, encanta e atrai você. Pode ser até alguém do passado que retorna. Muita gentileza, algum refinamento e uma boa surpresa estão valendo.

PEIXES. Reunião em casa, pisciano? Encontros provocados ou não levantam novas ideias e mexem com o seu coração. Eis que você resgata o sentimento de pertencer a uma tribo. Uma tribo inteligente, aberta ao conhecimento.


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Domingo, 17 de junho de 2012, GAZETA DE ALAGOAS

CHICO BRANDÃO/CORTESIA

ROMEU DE LOUREIRO emsociedade@gazetaweb.com

EDILSON OMENA/CORTESIA

Dirigentes da Soamar-AL Entidade que engloba a maior parte dos agraciados locais com a prestigiosa Medalha Amigo da Marinha, a Soamar-AL teve empossados, na noite da quintafeira, em meio a jantar festivo, seus dirigentes para o biênio 2012/14 – a saber: Eduardo Guimarães (presidente), cel. PM Ronaldo Santos (1º vice), Paulo Afonso Hansen (2º vice), Edward Jucá de Moraes (secretário), José Carlos Duarte Barros (tesoureiro), cel. PM Fernando Teodomiro Lima Jr. (divulgação), Romeu de Mello Loureiro (diretor social), cel. José Fernando de Maya Pedrosa (1º diretor cultural), Cleantho de Moura Rizzo (2º diretor cultural ) e Mauro do Monte Vasconcelos (diretor de patrimônio).

O casal Rosa Alice e José Lages Neto (ele fazendo aniversário amanhã), clicado em evento deste colunista

EDILSON OMENA/CORTESIA

SÃO JOÃO ARRETADO DE BOM! Graças à excelente Banda do 59º BIMtz e a um quarteto de forró, foi animadíssimo o São João que a Rede Feminina de Combate ao Câncer promoveu, quinta-feira, no Espaço Pierre Chalita. O empenho das 31 patronesses teve retorno: nenhuma mesa ficou vazia. Impressionante o número de damas vestidas de matutas (à antiga ou estilizadas). Excelente o serviço do cocktail-souper (com comidinhas juninas e estrogonofe de camarão).

O casal Marluce e coronel José de Almeida (ele presidente do Conselho Fiscal da SoamarAL), em evento deste colunista

DECORAÇÃO Elogios mil para a decoração criada pelo interior designer Aldo Rodrigues, no salão nobre da Adepol, para a birthday party do já badalado fotoartista Júnior Costa – que recebeu seus convidados ao lado da mommie famosa, a empresária Ana Costa.

Eduardo Auto Monteiro Guimarães, presidente reeleito (8º mandato consecutivo) da SoamarAL, clicado em evento deste colunista

De idade nova, hoje, Napoleão Moreira Neto. ∫Com o coro dos parabéns puxado pela avó paterna, a pintora naïf Tânia de Maya Pedrosa. Festejando antecipadamente, hoje, o aniversário que completará amanhã, o socialite e agropecuarista José Lages Neto. Outro festejado aniversariante de amanhã: mestre Dau Tenório de Oliveira.

ESTILISTAS PORTUGUESES O transcurso (a 10 deste mês) do Dia da Comunidade Portuguesa – deu ensejo a uma surpreendente divulgação de nomes de estilistas portugueses que já se projetaram além fronteiras (até em Tóquio e Hong Kong), sendo registrados nas páginas da revista Vogue Portugal, embora ignorados pelos brasileiros. Como, por exemplo, Ana Teixeira de Sousa, a dupla Marta Marques e Paulo Almeida, Susana Bettencourt e o chapeleiro Luís Stoffer. ANDERSON SILVA Chegou às livrarias de Maceió um terceiro livro sobre o campeão de MMA Anderson Silva – que já estrelou portfólios de moda, em prestigiosas revistas masculinas, e um ensaio sensual (com a top model Isabelle Goulart) na revista IstoÉ Gente.

SOBRAMES-AL O presidente da Sucursal de Alagoas da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames-AL), dr. José Medeiros, convocando os sócios da entidade para a reunião deste mês – amanhã, às 20 horas, no auditório do Pajuçara Praia Hotel. Na pauta, palestra do professor da Ufal Radjalma Cavalcante sobre o tema: O Mundo Atual – Formação, Crises e Conflitos e instruções para participar das duas coletâneas de autores sobramistas, que estão sendo preparadas pelo dr. Luiz Alberto Soares e do concurso literário Sobrames 35 Anos.

EDILSON OMENA/CORTESIA

Dr. José Medeiros, presidente da SobramesAL, clicado na Serata Italiana deste colunista


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GAZETA DE ALAGOAS, 17 de junho de 2012, Domingo

LIVROS & IDEIAS ARREDORES VIDA BOA MERCADO EDITORIAL. Criada em 1997, a Cosac Naify se notabilizou pelos projetos editoriais luxuosos desenvolvidos para livros de arte, design e arquitetura. Quinze anos depois, em meio a uma grave crise financeira, a editora aposta na diversificação de seu catálogo e lança a coleção Portátil, que reúne em edição de bolso publicações disponíveis em formatos mais sofisticados DIVULGAÇÃO

SEGUNDO

Ganhador do prêmio Nobel de 2008, o francês JeanMarie Gustave Le Clézio é um dos autores da nova coleção da Cosac Naify

TEMPO

ANTONIO GONÇALVES FILHO AGÊNCIA ESTADO

São Paulo, SP – Ênfase na produção artística contemporânea e a publicação de autores jovens são duas metas que a nova diretora editorial da Cosac Naify, Florencia Ferrari, traçou para a editora criada em 1997 por Charles Cosac e seu cunhado, o empresário norte-americano Michael Naify. Nascida em Córdoba, Argentina, há 35 anos,

mas criada no Brasil, a editora assumiu o cargo, anteriormente ocupado por Cassiano Elek Machado, e lança, no dia 21, a coleção Portátil, que reúne em edição de bolso algumas publicações disponíveis em outros formatos, entre elas O Africano, texto revelador sobre a infância e juventude do escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, ganhador do prêmio Nobel de 2008 e um dos convidados da Festa Literária Internacional

de Paraty (Flip). Le Clézio participa do evento, no dia 07 de julho, na Tenda dos Autores. A primeira leva da coleção Portátil, que será vendida a preços populares, traz ainda um dos derradeiros textos de Tolstoi, Khadji-Murát, baseado na história real de um soldado checheno que se alia aos inimigos russos, além do autobiográfico livro de Marguerite Duras, O Amante, sobre sua iniciação sexual por um chinês

rico, em Saigon. “A coleção não vai ter só ficção, mas também ensaios”, observa a editora. Um dos primeiros será Como Funciona a Ficção, do crítico da revista The New Yorker, James Wood.

VOCAÇÃO Com média mensal de seis títulos, a Cosac Naify pretende lançar 84 livros até o fim do ano, destacando as monografias dedicadas a artistas contemporâneos, gênero que a

LIBERTAÇÃO ∫ Autor: Sándor Márai ∫ Editora: Companhia das Letras ∫ Preço: R$ 41 (152 págs.)

consagrou. “Vamos reforçar a vocação da editora, lançando livros de referência que cobrem lacunas da universidade”, garante Florencia Ferrari. Ela começou a colaborar com a editora como consultora na área de antropologia, após concluir o mestrado. Entre outros títulos que ficaram sob sua responsabilidade destaca-se A Inconstância da Alma Selvagem, do antropólogo carioca Eduardo Viveiros de Castro, que reúne nove ensaios sobre como os índios veem os animais e a vida em comunidade. Ela também é autora de Palavra Cigana (2005), publicado na coleção Mitos do Mundo, da Cosac Naify, coletânea de seis contos recolhidos na tradição oral de co-

Instabilidade No ano passado, o poeta e professor Augusto Massi, que dirigiu por dez anos o departamento editorial da Cosac, já havia deixado a empresa. Em janeiro, em entrevista ao jornal Valor Econômico, o fundador e presidente da casa, Charles Cosac, afirmou que, em 2011, constatara um prejuízo de R$ 4,5 milhões nos negócios da editora. Revelou, ainda, que o americano Michael Naify, seu cunhado e por anos corresponsável pela manutenção financeira da empresa, havia deixado o negócio

O AVESSO DA VIDA ∫ Autor: Philip Roth ∫ Editora: Companhia de Bolso ∫ Preço: R$ 26,50 (376 págs.)

50 ANOS A MIL

∫ Autor: Lobão e Cláudio Júlio Tognolli ∫ Editora: Nova Fronteira ∫ Preço: R$ 59,90 (600 págs.)

Regina Nagamine, fonoaudióloga “Libertação, obra de um dos meus escritores favoritos, o húngaro Sándor Márai, pela sua contundente forma de escrita. Ele consegue, como ninguém, revelar de forma visceral a alma e os conflitos de seus personagens. O Avesso da Vida, de Philip Roth, é uma narrativa inteligente e cheia de reviravoltas. No texto, as contradições do protagonista, catalisadas pelas ações e efeitos da iminência da morte de seu irmão. A fantástica Rosa Montero, autora madrilenha que em A Louca da Casa mistura romance, ensaio e biografia. 50 Anos a Mil, do Lobão, nos permite, através de sua intensa história pessoal, realizar uma deliciosa viagem pela história do rock brasileiro.”

ACERVO PESSOAL

A LOUCA DA CASA Autora: Rosa Montero ∫ ∫ Editora: Agir ∫ Preço: R$ 40,90 (196 págs.)

minha estante

LUIS FERNANDO VERISSIMO

munidades ciganas ao redor do mundo. Neta do artista plástico argentino León Ferrari, Florencia editou o livro do avô, também lançado pela editora que dirige. Ela anuncia para este ano novas monografias de artistas, entre elas a de Ana Maria Maiolino, que atualmente representa o Brasil na Documenta de Kassel, a mais importante mostra alemã de artes visuais. Entre outros títulos em preparo na área de artes visuais estão livros dos fotógrafos Miguel Rio Branco e Cláudia Jaguaribe. No próximo ano, a Cosac Naify lança o livro retrospectivo da obra de Tunga, um outro sobre Sergio Camargo e ainda mais um de Waltercio Caldas. “O copatrocínio e os convênios assinados com parceiros, entre eles a Imprensa Oficial, tem permitido a realização de projetos como o livro de ensaios da pesquisadora Neide Jallageas sobre o cineasta russo Andrei Tarkovsky, que será homenageado pela Mostra Internacional de Cinema em outubro”, adianta a editora. Identificada pela excelência de seus projetos gráficos, a Cosac Naify agora quer avançar no segmento da ficção. “Vamos lançar novos poetas brasileiros e representantes do novo romance francês, que estão sendo selecionados pela editora Heloísa Jahn”, revela Florencia Ferrari. ‡

Parcerias para editar livros mais luxuosos Parcerias para a publicação de livros de arte, design e arquitetura não eram comuns nos primeiros anos da editora Cosac Naify, que nem mesmo recorria ao incentivo fiscal da Lei Rouanet para produzir livros que se tornaram referências no mercado. Segundo a nova diretora, a editora conta agora com vários parceiros para a realização de projetos ambiciosos, entre eles a Imprensa Oficial, a Bienal, a Mostra Internacional de Cinema e a Associação Patronato Contemporâneo. “Passamos a usar a Lei Rouanet, mas não se consegue patrocínio com facilidade”, diz Florencia Ferrari, destacando entre os parceiros da editora órgãos públicos como a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

“Mestre da retórica, Cicero está na cabeça de todo mundo, e o silêncio que Shakespeare lhe dá não deixa de ser uma forma de respeitar sua reputação”

O SILÊNCIO DE CICERO

Paris – Garry Wills é um historiador americano que recentemente lançou um livro chamado Rome and Rhetoric. Wills é notoriamente religioso, o que não o impede de ser um pensador independente e um ensaísta instigante. Seu novo livro é sobre Julio Cesar, de Shakespeare, e o efeito que uma educação elisabetana, com ênfase nos clássicos e na retórica, teve nas tragédias romanas do poeta, como Titus Andronicus, Cori-

olano e Julio Cesar. Wills começa estranhando que esta última se chame A Tragédia de Julio Cesar quando deveria se chamar A Tragédia de Brutus, que é o seu principal personagem. Julio Cesar é assassinado no começo da peça. Brutus, segundo Wills, tem cinco vezes mais falas do que ele. Mas mais estranho do que um personagem que morre tão cedo dar nome à peça é a importância de um personagem que mal aparece em

cena e, na contabilidade do Wills, tem escassas nove linhas para dizer. Cicero domina a peça mas “aparece” mais nas falas dos outros, nas referências e na reverência a ele, do que fisicamente. Os conspiradores discutem se devem ou não convidar Cicero para participar do assassinato de Cesar, notoriamente seu inimigo, inclusive para que seus cabelos brancos deem mais respeitabilidade à empreitada. “His silver hairs will

purchase us a good opinion”, diz um dos conspiradores. Seus cabelos prateados nos comprarão uma boa opinião. Mas decidem poupar o filósofo da sangueira. Uma constante na peça é a especulação sobre o que Cicero pensará e dirá, na preparação do assassinato e na convulsão que se segue. Grande orador, mestre da retórica, Cicero está na cabeça de todo mundo, e o silêncio retumbante que Shakespeare lhe dá não dei-

xa de ser uma forma de respeitar sua reputação de sábio e de reserva moral. O incorruptível Cicero e seu silêncio pairam sobre Roma em ebulição. Até que, com os cachorros da guerra soltos, ele também é atingido pela convulsão atiçada por Marco Antonio para vingar a morte de Cesar. Marco Antonio manda matá-lo e pede que lhe tragam sua cabeça e sua mão direita, com a qual ele escrevia suas críticas.

Cicero não é exatamente um bom exemplo político. Defendia uma república governada por uma elite de iluminados. Mas faz falta – no Brasil atual, por exemplo, para dar um pulo na história – um Cicero, com ou sem cabelos prateados, para ser uma referência de respeitabilidade na política e um exemplo moral indiscutível. E dominar uma era só com sua existência, como o Cicero de Shakespeare dominava uma peça.

Série sobre o Centenário de Nascimento de Luiz Gonzaga - Parte 3  

Luiz Gonzaga Nascimento veio ao mundo em 13 de dezembro de 1912, no vilarejo de Exu, sertão de Pernambuco. Segundo dos nove filhos do sanfon...

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