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correntecontĂ­nua Ano XXXV - nÂş 240 - setembro/outubro - 2011

O som da energia

A revista da Eletrobras Eletronorte


Sumário

transmissão 2011-2015: Eletrobras vai investir R$ 11,9 bilhões em 9.908 quilômetros de linhas de transmissão

Gestão Melhoria no Sistema de Gestão da Qualidade é marca registrada da Eletrobras Eletronorte

Página 32

cultura A música sem fronteiras

Página 6

Página 58

corrente alternada XXI SNPTEE e Seminário de Barragens

entrevista José Goldemberg Página 3

Página 36 e 44

tecnologia Sistemas digitais e modernos Página 15

Timon recebe Prêmio Procel Cidade Eficiente

Meio Ambiente Nasce Ketamyna, a 1500ª Waimiri Atroari Página 51

Na telona, a energia do Cinema Brasileiro Casa Cor Brasília 2011 Página 38

Amazônia e Nós Diário de Fernando Ricardo Rodrigues Página 69

Em Belém, Infocentro Eletrobras Eletronorte aposta em capacitação

responsabilidade social Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu

correio contínuo

Página 54

Página 18

Página 75

correntecontínua SCN - Quadra 6 - Conjunto A Bloco B - Sala 305 - Entrada Norte 2 CEP: 70.716-901 Asa Norte - Brasília - DF. Fones: (61) 3429 6146 / 6164 e-mail: imprensa@eletronorte.gov.br site: www.eletronorte.gov.br Eletronorte

Página 43

Página 26

Página 65

Eletrobras

“Nos Bailes da Vida”

Prêmios 1998/2001/2003

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Página 74

fotolegenda

Diretoria Executiva - Diretor-Presidente - Josias Matos de Araujo - Diretor de Planejamento e Engenharia - Adhemar Palocci - Diretor de Operação - Wady Charone - Diretor Econômico-Financeiro - Antonio Barra - Diretor de Gestão Corporativa - Tito Cardoso - Coordenação de Comunicação Empresarial: Isabel Cristina Moraes Ferreira - Gerência de Imprensa: Michele Silveira - Equipe de Jornalismo: Alexandre Accioly (DRT 1342-DF) - Byron de Quevedo (DRT 7566-DF) - César Fechine (DRT 9838-DF) - Érica Neiva (DRT 2347-BA) - Michele Silveira (DRT 11298-RS) - Assessorias de Comunicação das unidades regionais: Arícia Figueiredo (DRT 1581-MT) - Arthur Quirino (DRT 778-MT) - Vania Machado (DRT 290-TO) - Estagiários: Diogo Alves Ferreira- Leila Cruz - Núzia Araújo Macêdo - Fotografia: Alexandre Mourão, Roberto Francisco, Rony Ramos - Revisão: Duo Comunicação - Diagramação: Jorge Ribeiro - Impressão: Brasília Artes Gráficas - Tiragem: dez mil exemplares - Periodicidade: bimestral


“Abrir mão de reservatórios hidrelétricos é uma atitude derrotista” Inaugurada em 1968, na zona oeste de São Paulo (SP), a Cidade Universitária Armando Salles de Oliveira abriga a estrutura administrativa central da USP, além de várias unidades de ensino, o conjunto residencial, o centro de práticas esportivas e o hospital universitário. Também sedia diversas instituições, boa parte com vínculos acadêmicos com a Universidade de São Paulo. Foi na Cidade Universitária, onde se estima que circulem cem mil pessoas diariamente pelo campus, entre alunos, professores e visitantes, que fomos encontrar numa sala do Instituto de Eletrotécnica e Energia - IEE, o professor José Goldemberg. O IEE oferece a seus clientes ensaios em equipamentos e materiais elétricos, calibração de equipamentos, emissão de certificados, pareceres e laudos técnicos e certificação de produtos, e também desenvolve estudos nas áreas de engenharia elétrica e energia em geral. O professor José Goldemberg é doutor em ciências físicas pela USP, foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC, de 1979 a 1981; presidente da Companhia Energética de São Paulo Cesp, de 1982 a 1985; reitor da Universidade de São Paulo de 1986 a 1990; secretário de Ciência e Tecnologia, e do Meio Ambiente da Presidência da República, e ministro da Educação entre 1991 a 1993; e secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, de 2002 a 2006. Também foi professor da Universidade de Paris (França) e Princeton (Estados Unidos), e autor de inúmeros trabalhos técnicos e vários livros sobre física nuclear, energia e meio ambiente. Em 2008 recebeu o prêmio “Blue Planet Prize” da Asahi Glass Foundation (Japão). Em 2010 o “Trieste Science Prize” da Academia de Ciências do Terceiro Mundo. Nesta entrevista exclusiva à Corrente Contínua, o professor Goldemberg expressas suas opiniões sobre o Setor Elétrico brasileiro. Confira.

Eletronorte

Alexandre Accioly

Eletrobras

Entrevista

José Goldemberg:

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Eletrobras

Eletronorte

Como o senhor analisa o atual modelo do Setor Elétrico brasileiro? É favorável às parcerias entre empresas privadas e estatais para a construção e operação de novos empreendimentos de geração e transmissão de energia elétrica? Enquanto estive no governo paulista, conheci bem como funcionam as empresas estatais. A Cesp era geradora e a Eletropaulo, distribuidora. Reparei que essas empresas estatais possuíam uma característica que a Eletrobras também tinha: podiam fazer o planejamento da expansão futura, não eram estáticas. Na Europa uma empresa de eletricidade é estática, quer dizer, não precisa pensar na expansão do sistema, pois conseguiram estabilizar o número de consumidores. No Brasil é diferente, pois a população continua aumentando, novos setores da sociedade estão ascendendo a uma nova escala social e o consumo de eletricidade também é crescente. Então, as empresas estatais têm a vantagem de poder fazer planejamento e, como são do governo, têm obrigações sociais, são sensíveis à necessidade de expandir os serviços de que a sociedade necessita. Mas quando a Eletropaulo foi privatizada, o que achei interessante é que a distribuição funciona bem nas mãos do setor privado, são empresas mais enxutas e tem características empresariais específicas. Também percebi que, no caso das empresas de geração, a privatização é mais complicada, pois algumas perdem exatamente a capacidade de planejar a expansão.

menor tarifa, que pode significar perda de qualidade e da capacidade de investir na ampliação do atendimento. Nos leilões, as empresas vencedoras devem fazer um esforço enorme para reduzir os seus custos. Esse é um velho problema, quando o dinheiro é curto, as empreiteiras constroem a obra, mas não cuidam muito bem dos aspectos resultantes dos impactos sociais e ambientais, e esses custos estão colocados na obra. Se o empreendedor não fizer, será difícil o governo fazer. Quando fui diretor da Cesp construímos várias represas e compensamos as pessoas, tentando fazer isso como seriedade, como Itaipu fez com os municípios atingidos. Os leilões deveriam considerar mais esse peso social do que apenas as tarifas.

Curuá-Una (PA)

Coaracy Nunes (AP)

O senhor considera, então, que a falta de planejamento causada pelo processo de privatização pode ter levado a situações como o racionamento do início da década passada? Eu fiz parte do Conselho de Administração da Eletrobras quando a empresa estava na lista de privatizações do governo. O setor de planejamento foi negligenciado naquela época, sem dúvida. Apenas mais recentemente a Empresa de Pesquisa Energética - EPE retomou o planejamento do Setor Elétrico. Então houve um hiato que pode ter colaborado com o racionamento de 2001. Eu vejo que as empresas que foram privatizadas são mais enxutas e cumprem estritamente o que está determinado nos contratos, mas a sensibilidade social delas é muito reduzida, ao passo que nas estatais essa preocupação é uma constante. Eu diria que a situação atual, um sistema parte estatal e parte privado, não é má combinação, desde que as agências reguladoras exerçam a fiscalização. Um exemplo é a situação da Light e da Eletropaulo, que foram privatizadas, mas pela lógica da redução de gastos, de atender somente aos interesses dos acionistas, estão tendo sérios problemas de manutenção. Numa estatal o bem-estar social é uma preocupação maior. Porém, Furnas, por exemplo, também teve problemas com manutenção e foi multada pelo apagão de alguns anos atrás, uma das maiores multas já aplicadas pela Aneel. A combinação a que nós chegamos, com empresas estatais atuando mais na geração, e empresas privatizadas mais na distribuição, com as agências reguladoras agindo e atentas, é bastante razoável.

Foi assim com o Rodoanel? No caso do Rodoanel, verificamos, por exemplo, pequenas modificações de trajeto, ou para poupar outros empreendimentos, ou algum ecossistema. Por mais cuidados que tomemos, pode ser necessário fazer correções. Lembro-me quando fui membro do Conselho Superior de Política Energética do Governo Federal, e fomos apreciar o então projeto da usina Belo Monte. Os técnicos consideravam que o projeto era excelente, mas ao ser apresentado ao Conselho, do qual participavam ministros de outras áreas, solicitamos que ele precisava ser aperfeiçoado. Com o tempo o projeto foi sendo melhorado e, de fato, terminou de forma muito satisfatória, com a redução da área a ser inundada.

O senhor aprova a fórmula dos leilões de geração e transmissão, que são decididos pela modicidade tarifária? Eu acho que esse sistema tem algumas vantagens, mas também acho um pouco perigoso ter como único parâmetro a

Essa redução acabou por afetar a capacidade da usina de gerar a pleno. O senhor concorda com a inversão dos reservatórios para fio d’água? Eu não sou hipersensível a questões de inundação por usinas hidrelétricas. As pessoas não se dão conta de que

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Após os leilões, um dos maiores entraves que empreendedores encontram é o licenciamento ambiental da obra. O senhor acha que as regras de licenciamento são muito rígidas? De modo geral, o Ibama atua como um órgão que diz sim ou não, quando o que eu aprendi é a necessidade de um diálogo constante, a fim de que os técnicos de meio ambiente consigam aprimorar o projeto ao longo da sua execução. Sempre aparecem problemas não previstos no projeto executivo e o licenciamento precisa ser altamente dinâmico, precisa ser feito de mãos dadas com os empreendedores.


para cada dez mil pessoas atingidas pelas barragens, um milhão de pessoas será beneficiado. Só que esse contingente maior está longe da área afetada e não está organizado socialmente, e aqueles dez mil atingidos Tucuruí (PA) acabam se organizando rapidamente, muitas vezes com o apoio de movimentos políticos. Entretanto, os beneficiados de outras regiões brasileiras são tão ou mais pobres do que os diretamente atingidos. Eu acho que reservatórios vão junto com empreendimentos hidrelétricos. Uma das razões do racionamento de 2001 é porque não havia água reservada suficientemente para gerar energia. Simplesmente acho que essa desculpa de agressão ambiental é péssima. É preciso discutir com o setor ambiental de que no futuro haverá um alto custo. O problema não é o que é proibido ou permitido, tem que comparar o custo/ benefício. Abrir mão de reservatórios hidrelétricos é uma atitude derrotista. Sem falar nos vários usos da água, como irrigação e criação de peixes. Existem muitas queixas em relação ao licenciamento, mas ao mesmo tempo há muito pouca combatividade por parte dos Setor Elétrico em realmente discutir o significado das limitações impostas pelo licenciamento ambiental. Falta informação à sociedade? A culpa não é da sociedade que não se informa, o problema é um pouco mais de dinamismo das empresas responsáveis em fazer a divulgação adequada. Essas empresas, muitas vezes, têm uma história muito ruim de interação com a sociedade, estão carregando um passivo que não acaba nunca. Abrimos os jornais e lemos que perto das usinas tem pessoas vivendo na miséria, que não foram beneficiadas pela obra. Mas acontece que tem muitos lugares com gente miserável e pobre sem usinas por perto, então não foi a usina a responsável por aquela situação. No entanto, outras centenas de milhares de pessoas que estavam na escuridão foram beneficiadas por aquela usina.

Como o senhor vê o futuro energético do Brasil e do planeta? No Brasil os planos decenais de energia preveem a manutenção de uma matriz energética limpa e renovável, o que significa manter o ritmo das hidrelétricas, mas aí acho que poderíamos buscar hidrelétricas que não criem muitos problemas e que tenham reservatórios. A expectativa é que a nossa matriz permaneça renovável até pelo menos 2030, um espaço de tempo para que, eventualmente, novas tecnologias se desenvolvam, como as células fotovoltaicas. Se conseguíssemos cobrir todos os telhados brasileiros com elas não precisaria Belo Monte. No mundo, uma matriz como a nossa ainda não é razoável porque as reservas de petróleo continuarão a predominar como fonte primária de energia e é uma fonte poluente e cara. Com essa base fóssil o mundo corre sérios problemas ambientais e econômicos. O que pode melhorar a situação é o uso do gás natural, mas ainda assim a queima de gás produz outros gases de efeito estufa. Então, seguir o caminho do Brasil está se tornando uma tarefa muito dura. O senhor acredita que esse cenário influencia a atuação de ONGs estrangeiras no País? Não acredito num complô, numa teoria conspiratória. O que há é uma influência cultural. Essas ONGs são conquistadas pelo discurso cultural de outros países, e aí aderem a visões poéticas da realidade, principalmente da realidade ambiental. As empresas e o próprio governo deveriam enfrentar essa situação pela palavra. O Rodoanel, em São Paulo é um bom exemplo. Foi uma obra extremamente problemática do ponto de vista ambiental e social. Os ambientalistas a atrasaram durante quatro ou cinco anos. Mas o assunto espaireceu porque, imediatamente, centenas de milhares de caminhões que circulavam dentro da cidade de São Paulo e infernizavam a vida de todo mundo, desapareceram. É preciso enfrentar esclarecendo, conquistando os corações e mentes das pessoas.

Eletronorte

As usinas da Eletrobras Eletronorte geram energia limpa e renovável

Eletrobras

Samuel (RO)

Qual a sua opinião sobre o incremento das energias alternativas, somo solar e eólica, na matriz energética brasileira? E a possibilidade da entrada do carvão mineral e da construção de mais usinas nucleares? A resposta é que com eólica e solar não dá pra fazer dez mil MW, ao passo que uma hidrelétrica faz. Para fazer cinco mil MW de eólica seriam necessários milhares de aerogeradores. Não é verdade que nós podemos substituir uma coisa pela outra, precisamos das duas opções. Nos leilões já aparecem empreendimentos a gás, e ainda não entrou o carvão por muito pouco. A entrada do carvão na matriz é uma péssima ideia, e mais usinas nucleares uma ideia estranha. Podemos acabar adquirindo um problema em vez de solução. Depois de Angra 3 não há justificativa sólida para instalar outras nucleares. Porém, o fato de termos dois ou três reatores nucleares não é mal porque nos permite acompanhar o desenvolvimento da tecnologia, mas para a produção de energia elétrica em grande escala, energia nuclear não é a resposta. Nossa demanda por eletricidade é da ordem de cinco mil MW por ano. Com energia solar, por exemplo, quantos painéis fotovoltaicos seriam necessários? Vento também não tem em todo lugar. Então, a resposta puramente ecológica colide com outras realidades.

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Circuito Interno

Melhoria no Sistema de Gestão é marca registrada da Eletrobr Em 2011 a Empresa atingiu 172 processos certificados na norma ISO 9001:2008. Em 2000 eram apenas 24 Érica Neiva Foco no cliente, liderança, envolvimento de pessoas, abordagem de processo, abordagem sistêmica para gestão, melhoria contínua, abordagem factual para tomada de decisão e benefícios mútuos nas relações com fornecedores. Esses são os oito princípios de gestão da qualidade que formam a base de um sistema de gestão estruturado de uma organização que pretende conduzir e operar, com sucesso, um negócio no mercado, sendo necessário dirigir e controlar esta mesma organização de maneira transparente e sistemática. A certificação dos processos da Eletrobras Eletronorte na NBR ISO 9001:2008, norma internacional que estabelece requisitos para o Sistema de Gestão da Qualidade Ações de melhorias voltadas aos clientes externos

Eletrobras

Eletronorte

Índice de Satisfação dos Clientes Externos - ISCE

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- SGH de uma organização, teve início no ano 2000, quando o Operador Nacional do Sistema - ONS passou a exigir, em cláusula contratual, que os agentes transmissores tivessem uma gestão reconhecida por organismo nacional e internacional até dezembro de daquele ano. Para realizar uma certificação externa, escolhe-se uma norma certificadora. Depois disso, definem-se todos os seus requisitos e, posteriormente, promove-se a implantação e documentação dos processos. Para a implantação da ISO 9001 são realizadas auditorias internas e externas junto a certificadoras nacionais e internacionais, e se obtém o certificado do Inmetro e do organismo internacional conhecido como Anab. O certificado tem validade de três anos. Durante esse período são obrigatórias visitas anuais de manuten-


o da Qualidade ras Eletronorte ção para verificar se os processos estão atendendo aos requisitos da Norma. Para garantir essa manutenção, a Eletrobras Eletronorte faz, duas vezes por ano, auditorias internas da qualidade. São cerca de 40 auditores internos qualificados e treinados. A evolução do número de processos certificados na ISO 9001 vem crescendo e alcançando indicadores satisfatórios. A Eletrobras Eletronorte saiu de 24 processos, no ano 2000 para 172 em 2011. Os processos estão certificados na Sede da Empresa, em Brasília, nos seus oito centros de operação e na área de aquisição e finanças das unidades administrativas, bem como nas Regionais de Macapá, Pará, Mato Grosso, Maranhão, Tocantins, Rondônia, Acre, Roraima e Tucuruí. A adoção do Sistema de Gestão da Qualidade trouxe importantes resultados para a Eletrobras Eletronorte. Um deles é o indicador financeiro representado pelo percentual de multas e juros pagos pela Empresa em relação aos tributos ICMS e ISS, em 2008, período em que foi certificado o processo Tributos nas Unidades Administrativas

Porto Velho

Maranhão

Mato Grosso

Eletrobras

Mato Grosso

Eletronorte

Mato Grosso

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Sede

Sede

Regionais. Comparado ao ano anterior, 2009 teve uma redução da ordem de 88,2% de multas e juros pagos pela Empresa. A mesma redução alcançou 80% em 2010, comparada a 2008, e 84,3%, até junho de 2011, em relação a 2008. Para a assessora de Gestão da Qualidade e engenheira de Produção, Ediresa Garcia Fernandes (à direita), após as certificações dos centros, as unidades que não eram certificadas começaram a perceber as melhorias implementadas e resolveram também buscar suas certificações. “Agentes motivadores, com mais participação das pessoas, maior qualificação, surgimento de oportunidades e melhorias na gestão, tiveram um papel fundamental para expandir as certificações”. A perspectiva futura para a Eletrobras Eletronorte é a integração de todos os seus

A ISO 9001:2008 é um ponto de partida

Eletrobras

Eletronorte

Acre

Acre

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O Comitê Brasileiro da Qualidade - O ABNT/CB25 é o responsável pela elaboração das normas brasileiras da família NBR ISO 9000 e das normas de avaliação da conformidade no Brasil. O ABNT/CB25 possui um conselho consultivo formado por empresas públicas e privadas que definem suas estratégias e contribuem financeiramente para a operação do Comitê. Dentre elas estão Acelormittal; C. N. Odebrecht; Eletrobras; Furnas; Petrobras; Siemens e Souza Cruz. Para o superintendente do Comitê Brasileiro da Qualidade e gerente de planejamento e controle da Petrobras na área de Abastecimento-Refino, Renato Pedroso Lee (abaixo, à direita), as principais vantagens de adesão a um Sistema de Gestão da Qualidade, inicialmente, referem-se à arrumação da gestão da organização, melhoria da imagem da organização frente aos seus públicos de interesse e acesso a mercados exigentes como o europeu. A certificação da organização pala norma ISO 9001, de acordo com Renato Pedroso, é apenas o primeiro passo de uma longa jornada rumo à excelência na gestão empresarial. “O que precisa ser melhorado é a conscientização dos gestores e líderes das


empresas para aumentar a qualidade e produtividade que pode ser obtida com a implementação de sistemas de gestão da qualidade que sejam utilizados de forma compatível com o que foi desenhado pela norma ISO 9001, e não apenas como objeto de melhoria de imagem para o mercado e marketing”. Em relação à necessidade de melhorias no Sistema de Gestão da Qualidade, o superintendente do Comitê Brasileiro da Qualidade afirma: “A organização que quer realmente melhorar a sua qualidade e produtividade não deve se contentar com a certificação pela norma ISO 9001. Pode alcançar um modelo de gestão baseado na excelência e na sustentabilidade, utilizando modelos como os da ISO 9004 ou mesmo os critérios do Prêmio Nacional da Qualidade. A certificação da organização pala ISO 9001 é apenas o primeiro passo de uma longa jornada rumo à excelência na gestão empresarial”. Serasa - Hoje um grande exemplo de benchmarking externo é a Serasa. É a empresa no Brasil que tem maior conhecimento no sistema de gestão da qualidade, pois não usa apenas a norma 9001, mas um conjunto de normas ISO que viabilizam a sua gestão e flexibilizam a cultura de padrões de trabalho em todas as áreas que possui. A Serasa Experian começou a estruturar seu programa de Qualidade Total em 1991, iniciando com práticas como indicadores, 5S, entre outros. Inicialmente, a opção da empresa foi estruturar um modelo de gestão baseado nos critérios de excelência da Fundação nacional da Qualidade - FNQ e, posteriormente, avaliar o Sistema de Gestão da Qualidade. Sobre a evolução das normas certificadoras, na Se-

rasa, a especialista em Gestão de Processos e Qualidade e coordenadora de Qualidade do órgão, Natalia Bertucci, explica: “Em 2003 a Serasa Experian certificou o prédio da Sede, em São Paulo, na ISO 9050:2004, garantindo uma maior acessibilidade. Em 2006 foi a primeira empresa brasileira a ter um sistema de gestão de responsabilidade social reconhecido e certificado pela ISO 16001. Em 2008 houve a integração das áreas de Qualidade, Processos e Indicadores, e escritório Corporativo de Projetos em uma mesma gerência, proporcionando uma melhor sinergia nesse foco de Gestão. Em 2010, como melhoria da responsabilidade social - SGRS, foi implantado processo de report ao jurídico dos riscos e leis aplicáveis à empresa, que são avaliados no Comitê de Riscos e Ética e, se aprovado, reportado para Londres”. Atualmente, a Gestão da Qualidade da Serasa Experian está trabalhando na estruturação de indicadores financeiros que possam precisar e até mesmo permitir o acompanhamento dos ganhos. Em 2011, o processo de Auditoria Interna da Qualidade passou a se chamar Quality Performance. “Focado em sistema de gestão da qualidade, acredito que todo o caminho que a empresa fez para a busca pela Qualidade Total foi o grande motivador para o modelo. Foram fatores decisivos para a conquista, o envolvimento de todas as áreas com o processo de certificação; o total apoio, envolvimento e engajamento da alta direção para o tema; o processo constante de comunicação e disseminação; e o foco da empresa na melhoria contínua e nos modelos que nos auxiliam na busca”, destaca Natalia Bertucci (acima).

Eletronorte

Mudanças na ISO - Ediresa esclarece ainda que a versão da ISO implantada em 2000 não via o processo como um todo e não considerava sua interface com os demais processos. Já a versão 2008 trouxe importantes mudanças. “A Norma deu uma grande virada com foco na rotina e gestão de processos”, afirma Ediresa. As unidades certificadas do mundo inteiro sofreram dificuldades com as alterações trazidas pela versão mais recente da ISO 9001, pois foi alterada toda uma cultura

da organização que era voltada para a rotina. “Fazia-se o procedimento da rotina, e não do processo. Havia indicadores específicos para cada unidade funcional que não inter-relacionavam os processos”. Segundo Ediresa, no Brasil, 30% dos organismos certificados na versão 2000 não conseguiram manter suas certificações. “As empresas não conseguiram mudar a sua forma de pensar e trabalhar, não conseguiram flexibilizar a sua cultura para absorver essa nova visão da ISO 9001:2008 baseada na gestão de processos”, explica Ediresa. O reconhecimento do mercado em relação ao trabalho executado pela Eletrobras Eletronorte para certificar cada vez mais processo é visível. “Pelo intercâmbio que temos com outras empresas do Setor Elétrico, percebemos que já temos sustentação em relação ao sistema de gestão. Possuímos mais processos certificados e mais lições aprendidas”, avalia Ediresa.

Eletrobras

sistemas de gestão. “As pessoas terão em suas unidades diversas tipos de ISO, possibilitando a colaboração entre os sistemas. As auditorias serão otimizadas e integradas. A unidade, uma vez por ano, pode passar por auditorias em todos os sistemas. Se o mundo está no rumo dos sistemas integrados de gestão, não podemos seguir um caminho diferente”, assegura Ediresa.

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Centro de Operação do Tocantins: há dez anos em conformidade com a norma ISO 9001 Vania Machado Com base nos princípios e requisitos da NBR ISO 9001:2008, o Centro de Operação Regional do Tocantins, a partir das necessidades e expectativas dos clientes, da sociedade, das perspectivas da Eletrobras Eletronorte no mercado e de outras partes interessadas, planejou o seu Sistema de Gestão Qualidade. Ferramentas como o SAP-R3, Sistema Gestor - SGestor, o Sistema de Gestão da Qualidade Informatizado - SGQI e o Sistema de Gestão de Intervenção - SGI, esta última adotada pelo Operador Nacional do Sistema - ONS - facilitam o dia a dia dos operadores e ajudam na melhoria contínua dos processos, possibilitando também melhor e maior controle de suas atividades e dos registros gerados. Dia a dia no Centro de Operação - O operador de sistema e instalação Júnior Torres lembra uma das práticas em que qualquer intervenção que cause riscos ou indisponibilidade de funções e equipamentos da rede básica, deve ser aprovada pelo ONS. Todo esse processo de solicitação, aprovação e execução do serviço é devidamente documentado. Esses registros possibilitam aos operadores um melhor

entendimento do que fazer e como fazer. “Quando a equipe de manutenção precisa intervir no sistema produtivo, é criada uma ordem de manutenção no módulo PM do SAP-R3. A pré-operação analisa essa ordem de manutenção e, se necessário, acerta com o encarregado pela execução as adequações necessárias. Posteriormente, solicita a intervenção ao ONS por meio do SGI e, uma vez aprovado, na data e horário programado, informa a equipe de manutenção, e disponibiliza para a equipe de tempo real os documentos e os planejamentos necessários para execução daquela intervenção”, exemplifica Júnior, mostrando na tela do seu computador, as ferramentas que utiliza diariamente na pré-operação. Tempo Real - Logo que entra no turno, o operador em tempo real executa um check-list dos procedimentos diários a serem verificados. “Testa como está a comunicação de voz, gravação, verifica as telas do Sistema Aberto de Supervisão e Controle do SAGE para ver se os processos estão rodando normalmente, faz o monitoramento dos equipamentos, verifica no SAP R-3 as intervenções em andamento ou a serem iniciadas. Então vai ao Info-PR para lançar as ocorrências no seu horário de trabalho”,

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Eletronorte

Sistema de Gestão da Qualidade leva equipes da Regional Trabalhar com o Sistema de Gestão da Qualidade sempre foi um desafio para o operador de Sistemas André Luiz de Freitas Farias, do Centro de Operação Regional do Mato Grosso. Ele explica que o Sistema busca integrar os processos pré-operação, tempo real, pós-operação, apoio e gestão, de forma que as atividades se tornem mais consistentes e menos dispendiosas para a Empresa. “Os processos e produtos são medidos e avaliados periodicamente. A partir dessas avaliações são estabelecidas ações que podem melhorar o desempenho do Sistema de Gestão da Qualidade, e prevenir ou corrigir possíveis falhas encontradas. Manter um bom relacionamento e uma parceria com clientes e empregados é outro dos nossos objetivos”, afirma André Luiz. O Sistema de Gestão da Qualidade trouxe grandes avanços em relação ao desenvolvimento de atividades e controle de gestão. “Antes da implantação da ISO 9001, não conseguíamos saber se os clientes externos estavam satisfeitos ou não com os serviços prestados. Os processos não tinham controle e o desenvolvimento das atividades era baseado nos conhecimentos práticos adquiridos com o passar do tempo na Empresa. A interação entre os processos era muito superficial e, quando uma atividade era feita

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com algum desvio, não conseguíamos enxergar os defeitos encontrados e propor prevenções ou melhorias”, diz André (foto, à direita). A implementação do Sistema de Gestão da Qualidade estimulou os colaboradores a saírem da zona de conforto e ingressarem em um mundo de oportunidades e desafios. “As oportunidades consistem em sempre buscarmos melhorar, e os desafios nos permitem olhar mais à frente e nos compararmos às melhores empresas do Setor Elétrico”, avalia André. Os processos de Aquisição da Regional do Mato Grosso - que compreendem as compras realizadas por pregão eletrônico e presencial, dispensas de licitação, inexigibilidades e sistema de registro de preços - também receberam a certificação ISO 9001:2008. A analista administrativa Lívia Calzolari explica que, antes da implantação da Norma, os conhecimentos estavam soltos, não havia procedimentos para todos os tipos de modalidades, as reuniões de área não eram periódicas e não eram avaliadas as expectativas dos clientes. “Com a utilização da padronização de procedimentos e da adoção do PDCA - ciclo de desenvolvimento que tem foco


Manoel Reis, Júnior Torres e Francisco Guerreiro

complementa o operador Manoel Reis, lembrando que absolutamente tudo é relatado. “O dia a dia do operador é assim: linha saindo, voltando; abrindo documento, fechando documento; mas tudo isso é necessário, temos que ter controle da situação e estarmos atentos às normas do ONS e da Empresa. E todo turno é a mesma coisa, todo operador realiza as mesmas tarefas”, conclui. Pós-Operação - Cabe à pós-operação analisar todo o processo desde o planejamento à execução dos serviços. Na Regional Tocantins, essa responsabilidade está nas mãos do operador Francisco Guerreiro. “Meu dia a dia é fazer análise da documentação executada: ordem de manobra, listagem de ventos, coleta de dados,

análise de perturbações, elaboração de relatórios operacionais”, diz Guerreiro que também faz uso do Info-PR para verificar a existência de ocorrências na área de atuação da Eletrobras Eletronorte. “Se houver ocorrência superior a dois minutos, faço um Relatório de Análise de Perturbação - RAP, tanto para a Eletrobras Eletronorte quanto para as empresas que são nossas clientes: Celtins, Intesa, Investco. São informações que servem para estatística e para ter controle das ações que vêm ocorrendo e podem subsidiar futuras intervenções em equipamentos ou linhas”, complementa Guerreiro, que apresenta essas estatísticas também durante as reuniões do Grupo de Coordenação para Gestão Estratégica da Regional de Transmissão do Tocantins, para informar toda a força de trabalho.

do Mato Grosso a um mundo de oportunidades e desafios

Eletronorte

e, caso estejam conformes, dão continuidade aos processos licitatórios. “As instruções de trabalho foram resultado da reunião de conhecimentos de várias pessoas da Empresa durante a confecção dos procedimentos e das revisões. Agora elas têm segurança para executar seus trabalhos. É como se agora tivéssemos um norte a seguir”, destaca Lívia (abaixo).

Eletrobras

na melhoria contínua, as melhorias aparecem, pois é obrigatório que ações sejam tomadas para que ocorra o ciclo de melhoria contínua”. Lívia Calzolari e sua equipe são responsáveis pelas requisições de compras, analisam a conformidade com os requisitos da legislação e normas internas da Empresa

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Todas as Regionais da Eletrobras Eletronorte possuem a certificação ISO 9001:2008 Regional de Transmissão do Maranhão Certificação ISO 9001:2008 na área operacional e nos processos de aquisição e financeiro. Dificuldades - “A maior dificuldade desses anos é conseguir aproveitar a organização dos procedimentos advinda da implantação e conseguir melhorias efetivas que proporcionem saltos de produtividade nos nossos processos. Isso se consegue com automação e reavaliação dos processos implementados. Conseguimos alcançar nosso objetivo com muito diálogo, empenho e envolvimento dos colaboradores, mas devemos sempre buscar o estabelecimento da cultura da melhoria contínua” (Mauro Luis Aquino, superintendente da Regional de Transmissão do Maranhão)

Regional de Transmissão de Roraima Certificação ISO 9001:2008 na área operacional e nos processos de aquisição e financeiro, TPM categoria B. Ganhos - “Houve uma evolução significativa nos processos de aquisição com a redução do tempo médio para realização das modalidades de licitação, bem como redução de juros e multas pagos sobre o valor principal da dívida, entre outros. Nos processos da área operacional houve evolução no que diz respeito à qualidade da energia entregue, bem como à satisfação do cliente externo, além de um maior controle da documentação interna. No mundo globalizado se faz necessário que as empresas sejam reconhecidas por certificadoras internacionais, dadas as exigências de mercado e a entrada da holding nas principais bolsas de valores do mundo, o que gera maior motivação aos empregados em desempenhar suas atividades com mais qualidade” (Alipio Santos da Silva, Superintendente da Regional de Transmissão de Roraima)

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Eletronorte

Regional de Transmissão do Pará Certificação ISO 9001:2008 na área operacional e nos processos de aquisição e financeiro. Participação - “Toda mudança de processo requer uma mudança de cultura e o esforço para que as pessoas acreditem que essa mudança trará melhores resultados para todas as partes interessadas. Esse processo passa por um período de maturação e consistência. Os empregados são dotados de habilidades para identificar, analisar e melhorar o desempenho dos processos mais importantes, ou seja, os processos que mais impactam a satisfação dos clientes. Além disso, são estimulados a lidar com situações para aplicação das ferramentas e técnicas mais apropriadas para alcançar os objetivos estabelecidos e preparados para enfrentar dificuldades naturais de um processo de melhoria que necessite de mudanças de comportamento e superação de barreiras departamentais com uma abordagem por processos” (Airton Leopoldo Hass Junior, superintendente da Regional de Transmissão do Pará)

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Regional de Produção de Rondônia Certificação ISO 9001:2008 nos processos de aquisição e financeiro; também obteve o reconhecimento do TPM. Organização - “Para suprir as fragilidades foram desenvolvidas inúmeras ações que envolveram desde os empregados, passando pelas famílias e chegando até a sociedade em geral. A Regional investiu na capacitação em todas as suas lideranças, nos diversos níveis, e promoveu outras ações de desenvolvimento para as equipes dos processos. Como resultado a redução de não-conformidades, segundo auditoria interna, saiu de 53, em 2008, para 13, em 2011, e com grau considerado menor; também houve redução no pagamento de multas e juros. Consequentemente, houve uma maior valorização da imagem da Empresa, por meio de seus produtos, serviços e, ainda, a motivação dos empregados pela satisfação em trabalhar numa instituição tão bem conceituada” (Valdenir Martins, gerente administrativo da regional)

Superintendência de Geração Hidráulica Certificações - ISO 9001:2008; ISO 14001:2004; Metodologia TPM - Premiação concedida pela Japan Institute of Plant Maintenance - JIPM; Prêmio Qualidade do Governo Federal - PQGF; Prêmio Nacional da Qualidade - PNQ; Prêmio Sesi de Qualidade no Trabalho PSQT e As Melhores Empresas para se Trabalhar e Prêmio Nacional da Qualidade 2011. Reconhecimento - “Todo esse processo de certificação e premiação por entidades de renome nacional e internacional, tem como objetivo avaliar externamente a gestão da Eletrobras Eletronorte, da Superintendência de Geração Hidráulica e, o mais importante, propiciar os relatórios de feedback, com os quais temos a oportunidade de elaborar os planos de ação para fortalecer os pontos fortes e eliminar as oportunidades de melhorias. As certificações e premiações recebidas atestam a gestão da Eletrobras Eletronorte, por meio da Superintendência de Geração Hidráulica, como suporte para a sustentabilidade empresarial, o que é um grande diferencial no mercado. Além disso, a imagem da Empresa fica cada vez mais fortalecida diante de todas as partes interessadas. Nosso objetivo é manter a forma preventiva e intensificar a busca de melhoria contínua nos processos, com a adoção de metas mais desafiadoras e a busca de novos indicadores para serem monitorados” (Antonio Augusto Bechara Pardauil, superintendente de Geração Hidráulica)

Francisca Cecília, da direita para a esquerda

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Certificação ISO 9001:2008 nos processos de aquisição e financeiro. Interação - “A norma foi implantada na nossa regional em 2007. Inicialmente era comum a falta de conhecimento da norma, por parte da maioria dos empregados. Diante disso, solicitamos apoio de outras regionais com processos já certificados para nos dar apoio na estruturação das rotinas, bem como ministrar treinamentos. A implantação da ISO 9001:2008 permitiu a padronização dos procedimentos na Empresa, como também a busca constante da melhoria contínua dos processos. O nosso objetivo agora é a certificação dos demais processos, com interface nos já certificados” (Francisca Cecília Cavalcante, gerente de Serviços de Apoio do Acre)

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Regional de Geração e Transmissão do Acre

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Certificações são diferencial competitivo, afirma Diretor de Operação Quais os processos da Eletrobras Eletronorte certificados na ISO 9001:2008? Temos cerca de 172 processos certificados na ISO 9001:2008. Eles estão distribuídos nas seguintes unidades da empresa: • Na Sede da empresa em Brasília - Gestão de Contratos da Transmissão; Projeto de Linhas de Transmissão; Desenvolvimento e Educação Empresarial; Rede de Telecomunicações; Planejamento Energético e Medição e Faturamento de Energia Elétrica. • Centros de Operação - Todos os oito Centros de Operação do Sistema Elétrico (Macapá, Pará, Mato Grosso, Maranhão, Tocantins, Rondônia/Acre, Distrito Federal e Roraima); • Aquisição e Finanças das Unidades Administrativas - Regionais do Macapá, Pará, Mato Grosso, Maranhão, Tocantins, Rondônia, Acre, Roraima e Tucuruí.

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Como pode ser avaliado o desempenho da Empresa no Sistema de Gestão da Qualidade? Por mais que o desempenho dos processos certificados na Empresa, em relação ao cumprimento desses critérios implantados e mantidos, tenham sido satisfatórios - já que até a presente data todos os certificados ISO 9001:2008 encontram-se mantidos pelos organismos acreditadores no Brasil (Inmetro) e nos Estados Unidos da América (Anab) - existem muitas oportunidades de melhorias. Ou seja, um bom gestor deve buscar melhorias contínuas observando a relação de causas e efeitos dos resultados de seus indicadores com os resultados dos indicadores de nosso Plano Estratégico. Se não existir uma relação, caberá ao gestor promover mudanças significativas nos seus processos. Qual a sua avaliação dos resultados da Eletrobras Eletronorte diante da avaliação de organismos certificadores no decorrer desses anos? Vamos falar de resultados atrelados a benefícios. Temos muitos benefícios. Um dos principais é o desenvolvimento de uma gestão de processos que estimula todos a olharem a relação de cau-

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sas e efeitos de um processo sobre outro, bem como a relação de causas e efeitos dos indicadores dos processos com os resultados empresariais. Isso leva a outro benefício que foi a implantação de sistemáticas para identificar e implantar ações corretivas, preventivas e de melhorias nos processos. Criar uma cultura de fazer análises críticas dos processos foi outro benefício de extrema relevância. É possível citar dados que ilustrem essas melhorias verificadas? Redução de multas e juros pagos, em tributos, reduzindo as perdas financeiras da empresa, caindo de R$ 1.406.414,19, em 2009 para R$21.251,29, até junho de 2011; redução no tempo médio de contratação de materiais, bens e serviços, aliviando o tempo de espera das Unidades Produtivas; aumento da satisfação dos clientes externos no período de 2004 a 2011, contribuindo para a fidelização desses clientes; implantação de 123 ações de melhorias nos processos no período de 2009 a 2011, tendo como um dos objetivos aumentar a satisfação dos clientes externos da transmissão; aumento da disponibilidade dos circuitos ativos, da rede de telecomunicações, mantendo-se em 99,87%, até junho de 2011; índice de 100% de faturas disponibilizadas para pagamento no prazo; e índice de confiabilidade do sistema de medição para faturamento de energia, de 99%, no período de 2009 até junho. Qual a importância do recebimento das certificações em todas as regionais da Empresa? A importância dessas certificações leva a Eletrobras Eletronorte a ser reconhecida mundialmente quanto ao cumprimento de requisitos de uma norma internacional, aceitos no Brasil e no exterior, podendo participar de licitações para prestação de serviços e fornecimento do produto energia elétrica, em nível de igualdade, com os demais países do mundo, dando à Empresa um diferencial competitivo frente ao mercado.


Tecnologia

Sistemas digitais e modernos O Sistema Interligado Nacional - SIN passa por uma expansão contínua e os equipamentos e sistemas elétricos precisam ser constantemente atualizados. No Maranhão, a Eletrobras Eletronorte acaba de concluir a modernização do compensador síncrono 3 da subestação Imperatriz, com investimentos de R$ 5,3 milhões. Na ampliação e modernização dos sistemas em Vila do Conde e Marabá, no Pará, os investimentos chegam a R$ 10,9 milhões. E não é só isso: para modernizar os Sistemas de Proteção, Controle e Supervisão - SPCS em todas as instalações desses estados já foram investidos mais de R$ 109 milhões. O trabalho de modernização dos sistemas que estão em operação há mais de 30 anos, e que integram o sistema Norte-Nordeste, foi uma das iniciativas da Eletrobras Eletronor-

te para manter a confiabilidade e atender os requisitos de rede do Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS. Trata-se de um trabalho de engenharia inédito no mundo, iniciado há alguns anos para digitalizar todos os equipamentos operados pela Empresa, informa o superintendente de Engenharia de Manutenção da Transmissão, Leonardo Gomes Lima. “Isso faz parte de um processo denominado retrofit, que envolve a modernização de todos os nossos sistemas. Os sistemas do Pará e do Maranhão estão há mais de 30 anos em atividade e poderiam se tornar obsoletos. Nós somos a primeira Empresa do mundo a fazer esse tipo de trabalho, não temos histórico de que isto tenha sido realizado.” Um dos componentes mais importantes das subestações gerenciadas pela Empresa é o compensador síncrono, que regula a tensão dos sistemas elétricos para que não haja uma variação muito grande na transmissão. O tra-

Eletrobras

César Fechine

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Investimentos na modernização de equipamentos nos estados do Pará e do Maranhão chegam a R$ 125 milhões

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balho de modernização dos compensadores síncronos foi iniciado pelo estado do Pará, nos compensadores das subestações de Vila do Conde e de Marabá. E tem continuidade agora no estado do Maranhão.

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Sistemas - Um compensador síncrono (foto abaixo) é composto por vários sistemas, fabricados por mais de um fornecedor. E o fabricante agrega esses sistemas. Basicamente, a máquina possui um Sistema de Proteção, Controle, Supervisão e Oscilografia, que inclui a parada e partida da máquina; Sistema de Excitação e Regulação de tensão; e Sistema de Instrumentação Mecânica, que envolve comandos relativos à pressão e temperatura da máquina, entre outros. O equipamento é constituído por um motor síncrono com vários circuitos, e faz o ajuste fino e a regulação da tensão de forma adequada para os equipamentos da distribuição, num valor fixo. O grande desafio foi agregar três fornecedores diferentes para fazer a modernização do equipamento. “Não é fácil modificar um projeto que possui um determinado status, fazer os estudos, o planejamento e construir um novo projeto que seja idêntico e que guarde as mesmas características do anterior”, explica Leonardo (ao lado). Além disso, com o tempo, tornam-se mais difíceis os ajustes das proteções de linhas para se adequar às novas configurações do sistema elétrico brasileiro, como também faltam sobressalentes para reposição. O projeto de modernização no Maranhão teve início com o levantamento de dados técnicos dos módulos gerais das funções de transmissão da rede básica para a substituição completa do SPCS para o modo digital. A

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Painéis do Sistema de Proteção e Controle

implantação envolveu os setores nas tensões que variam de 500 kV a 13,8 kV nas subestações de Imperatriz, Presidente Dutra, Peritoró, Porto Franco, São Luís I e São Luís II. O projeto abrange as funções de automação de todas as linhas de transmissão, barras, reatores, transformadores, banco de capacitores, além de outros serviços auxiliares. Para modernizar os três grandes sistemas que compõem os compensadores síncronos foram firmados três contratos distintos. A modernização do SPCS ficou a cargo do consórcio Areva/Telvent/Leme, que fez a modernização do conjunto de equipamentos digitais, relés, unidades de controle e microcomputadores responsáveis pelo controle centralizado do compensador síncrono. Também estão sendo substituídos os obsoletos painéis de relés eletromecânicos, medidores e sensores analógicos, regulação e instrumentação. A modernização do Sistema de Instrumentação ficou sob a responsabilidade do fornecedor Smar, que fez o monitoramento de todas as grandezas existentes, sensores e medidores, envolvendo cerca de 2.500 itens de fornecimento. O terceiro contrato para modernização do Sistema Estático de Excitação e Regulação de Tensão foi firmado com a empresa Grameyer, responsável pela partida, parada e regulação do fluxo de potência disponibilizado. Ao todo, participaram dos trabalhos de modernização cerca de 80 profissionais, entre engenheiros e técnicos empregados da Eletrobras Eletronorte e das empresas fornecedoras. Benefícios - O trabalho começa com a retirada de todos os cabos do equipamento. Depois é preciso religar essa fiação, construir os painéis de monitoramente e testar toda a lógica do equipamento. Trata-se de um trabalho complexo, que envolve posteriormente a


perintendente de Expansão da Transmissão. Hoje, as máquinas são totalmente supervisionadas e todos os dados sobre temperatura, pressão, regulação, hora de partida, entre outros, são transmitidos para os centros de operação. Outra vantagem com a modernização dos equipamentos é que os relés auxiliares também estavam se tornando obsoletos e, quando acontecia um defeito, a causa demorava a ser descoberta. Outro problema é que alguns componentes também já não eram fabricados e houve a necessidade de substituir os fornecedores. O trabalho de modernização continua atualmente em mais dois compensadores síncronos na Subestação Imperatriz. “Foi necessária toda uma adequação de projeto para garantir a performance dos compensadores síncronos. Hoje, a máquina ficou até melhor”, garante Leonardo.

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Equipes precisam pensar soluções de engenharia e de logística para que o trabalho seja realizado no menor tempo de indisponibilidade das funções de transmissão

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aferição de todos os instrumentos e sistemas. Já na fase de testes em fábrica, foi necessário preparar uma estratégia de simulação e integração dos três sistemas envolvidos, juntamente com os três fornecedores. Em vários momentos, a equipe técnica teve que se empenhar e pensar soluções de engenharia e de logística para que o trabalho fosse realizado no menor tempo de indisponibilidade das funções de transmissão. A modernização dos sistemas gera vários benefícios para a Empresa, tais como a padronização de todos os projetos de SPCS das subestações e a gestão mais eficaz e eficiente dos ativos dos Sistemas de Transmissão. A solução de falhas e defeitos também se torna mais ágil, reduzindo o tempo de restabelecimento do sistema, além de reduzir custos de manutenção e operação. “Um dos fatores que mais contribuíram para o sucesso do projeto foi a parceria entre as áreas de engenharia e de operação da Eletrobras Eletronorte nas definições de projeto, ensaios em fábrica e testes de colocação em serviço, respeitando a responsabilidade técnica de cada área”, diz Marcos Vinicius de Almeida Nogueira (à esquerda), su-

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Responsabilidade Social

Plano de Desenvolvimento lvimento Regional Sustentável vel do Xingu: Ação leva cidadania a 175 mil pessoas na região de Belo Monte

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Há 30 anos ouvimos de vozes sérias, e outras nem tanto, uma história que se repete agora. Naquele tempo bradavam contra a construção da Usina Hidrelétrica Tucuruí. Gritavam que as águas do Rio Tocantins acabariam, que os peixes morreriam, que as árvores apodreceriam, que os índios seriam dizimados. Pessoas interessadas em manter a população cada vez mais pobre, e em péssimas condições de vida, pregavam a morte e a destruição, inventavam histórias, proclamavam o fim do mundo, amedrontando a tudo e a todos. Nada disso aconteceu, o apocalipse não veio. A lição que ficou foi ímpar: o que destrói um rio é poluição, sujeira, esgoto, desmatamento ilegal, contaminação por garimpos clandestinos. Mas é com a geração de energia elétrica, fonte de desenvolvimento, riqueza, conforto e qualidade de vida, que as águas do Brasil adquirem importância muito maior para todos os que se beneficiam delas. Essa lição volta a ser lembrada em função do início da construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no Rio Xingu, numa área que abrange 11 municípios. Mas entre as vozes que se ouvem agora, há um coro de 175 mil pessoas que já foram beneficiadas com a Operação Cidadania Xingu, uma das frentes do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu - PDRS Xingu, realizada entre agosto e outubro de 2011. Não é pouco: para uma comunidade estimada em 360 mil habitantes, o resultado é cerca de 48% da população. Essa ação deu início à série de políticas públicas de estímulo a um modelo de produção sustentável e de prestação de serviços públicos. Com o suporte financeiro exclusi-

Foto: Vagney Santos

Alexandre Accioly

vo de R$ 2,6 milhões da Norte Energia S/A, empresa responsável pela construção da Usina e que tem a participação da Eletrobras Eletronorte entre seus principais acionistas, essa iniciativa do Governo Federal foi desenvolvida em parceria com o Governo do Estado do Pará e com as respectivas prefeituras dos 11 municípios da região: Altamira, Anapu, Placas, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Brasil Novo, Medicilândia, Pacajá, Uruará, Vitória do Xingu e Gurupá. A Operação Cidadania Xingu levou à população do oeste paraense treinamentos, ca-


Mutirão oferece serviços de emissão de documentos

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Atendimento nos estandes foi intenso em Vitória do Xingu

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Foto: Paulino Menezes

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pacitação, atendimento médico e dentário, além de fornecimento de documentos básicos de cidadania (certidão de nascimento, carteira de identidade, CPF, título de eleitor). Em pouco menos de 90 dias foram realizados 12 mutirões itinerantes quando se deu andamento a ações ligadas à regularização de terra, emissão de carteiras de pescador, regularização perante a previdência social e ações de empreendedorismo. Terra Legal - A Operação foi iniciada na cidade de Altamira, maior município da região, onde os resultados foram surpreendentes. O mutirão programado para durar dois dias foi estendido por mais dois a fim de acolher todos os interessados. Um dos programas mais procurados pelos altamirenses e nos demais municípios foi o Terra Legal Amazônia, que cadastrou 1.513 ocupantes de terras federais na região. No total, as equipes de campo do Terra Legal já cadastraram 7,8 mil famílias que vivem em áreas da União. O georreferenciamento desses imóveis começou em 2010 e está programado para terminar em março de 2012. Em seguida, começa o processo de titulação e adequação da produção a processos de desenvolvimento sustentável. O Terra Legal também está digitalizando todo o acervo fundiário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - Incra na região, o que vai permitir maior conhecimento sobre o território e o planejamento de diferentes políticas públicas de ordenamento territorial, cidadania e infraestrutura. A regularização fundiária de imóveis de até 15 módulos fiscais, ocupados por agricultores familiares, será acompanhada de assistência técnica e de uma linha de crédito especial do Programa de Desenvolvimento Sustentável da Unidade de Produção Familiar - o Pronaf Sistêmico.

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Foto: Evair Almeida

Carreta itinerante da Operação Cidadania Xingu

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Durante a Operação Cidadania Xingu foram oferecidos cursos e capacitações sobre sistemas de cooperativismo e produção sustentável (Ministério da Agricultura); sistemas agroflorestais (Ministério do Desenvolvimento Agrário); e de aquicultura e pesca (Ministério da Pesca e Aquicultura). Técnicos da Embrapa estiveram à disposição para esclarecer dúvidas sobre tecnologias adequadas à região. A mobilização do Governo Federal envolveu ainda outros órgãos, como o Incra, a Fundação Nacional do Índio - Funai, a Fundação Nacional de Saúde - Funasa, o Banco do Brasil e a Secretaria de Direitos Humanos. Estradas - Dez dos 11 municípios atendidos pela Operação Cidadania Xingu - com exceção de Altamira, por ter mais de 50 mil moradores -, serão os primeiros da Região Norte a receber retroescavadeiras pelo Programa de Aceleração do Crescimento - PAC 2. As máquinas serão destinadas às prefeituras para melhorar a infraestrutura e a recuperar estradas vicinais para o escoamento da produção e a circulação da produção rural. Além disso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama emitiu licença de instalação para que o Departamento Nacional de InfraFoto: Vagney Santos

População aguarda início do atendimento em Altamira


estrutura de Transportes - Dnit realize obras de pavimentação em um trecho de 359 km da BR - 230, a Transamazônica, entre os municípios de Pacajá e Medicilândia.

Operação beneficia cidadãos da região de Belo Monte

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Luz para Todos - A Operação Cidadania Xingu também serviu para que o Ministério de Minas e Energia identificasse 21.291 famílias aptas a participar do programa Luz para Todos. O investimento previsto é da ordem de R$ 270 milhões e a expectativa é que as obras sejam iniciadas ainda este ano. Serão 10,5 mil km de rede elétrica e o contrato já foi assinado pela Eletrobras. Da mesma forma, foi assinado o termo de compromisso com a concessionária estadual, Rede Celpa, que já providenciou a aquisição do material necessário às obras. Uma fábrica de postes será instalada em Altamira. O Luz para Todos já beneficiou em todo o Brasil 2,8 milhões de famílias, ou 14,1 milhões de pessoas, com investimentos de R$ 19 bilhões. No Estado do Pará, são 316 mil famílias beneficiadas, ou 1,5 milhão de pessoas, com investimentos de R$ 2 bilhões. A cidade de Altamira receberá também a Casa de Governo, para materializar as iniciativas estatais, efetivar o diálogo interinstitucional e monitorar a implementação do PDRS Xingu.

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R$ 15 milhões para 30 projetos O Comitê Gestor do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu - PDRS Xingu aprovou 30 projetos que vão receber cerca de R$ 15 milhões em investimentos, de acordo com o subchefe adjunto para assuntos governamentais da Casa Civil da Presidência da República, Johannes Eck. Elaborado numa parceria entre cerca de 40 órgãos federais, do governo paraense e das prefeituras municipais, o PDRS Xingu visa a complementar as exigências do processo de licenciamento ambiental, unindo políticas públicas dos três níveis de governo para a capacitação de mão de obra, ampliação de escolas e universidades, e a organização de um sistema de transportes rodoviário e hidroviário. A Norte Energia S/A vai investir, em 20 anos, R$ 500 milhões nesse Plano, uma das condicionantes do processo de licenciamento ambiental de Belo Monte. Somente em segurança pública, o governo do Pará investirá R$ 1,6 milhão. Outros objetivos são incentivar as atividades econômicas com ordenamento fundiário e investimentos em infraestrutura. A partir de 2012, por exemplo, a Universidade Federal do Pará - UFPA oferecerá, em Altamira, o curso de Medicina, com parte das vagas destinadas aos estudantes da região. O curso receberá um investimento inicial

de R$ 2 milhões, com valor final de R$ 30 milhões. Outro exemplo: as novas creches terão capacidade para até 240 vagas e R$ 1 milhão para equipamento social. As atividades produtivas sustentáveis terão acesso ao crédito e à assistência rural, como a cadeia produtiva do cacau, a pesca e a aquicultura. A geração de emprego e renda é ação prioritária no PDRS Xingu. Em Porto de Moz, por exemplo, serão investidos R$ 900 mil em um abatedouro e frigorífico. Em Brasil Novo, R$ 600 mil serão usados em piscicultura familiar. Já a Coopatrans irá potencializar a fábrica de chocolate de Medicilândia, com investimentos de R$ 294 mil.

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Deslocamento de carreta itinerante incluiu uso de balsa

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Cidadania Xingu: “Encontrei muita pobreza, o que sugere que o projeto implantado na década de 1970 foi desastroso. Já se passaram 40 anos e essa área deveria ter se desenvolvido, pois apresenta muita mão de obra e excelente qualidade de solo e clima. A instalação de Belo Monte está revalorizando a região, que tem um ponto muito favorável que é a organização do seu povo. Devido às enormes dificuldades que enfrentaram e enfrentam, têm se organizado em associações, sindicatos e cooperativas. A Operação Cidadania Xingu mostrou que é necessário fortalecer as políticas públicas ali, e que é possível integrá-las entres os três níveis de governos e com a sociedade. Todos querem o desenvolvimento, mas talvez tenhamos conceituações diferentes de desenvolvimento. Por isso é que precisamos dar continuidade aos processos participativos de elaboração e avaliação das políticas públicas, já iniciados com a elaboração do PDRS Xingu e com a instalação do seu Comitê Gestor”.

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O coordenador-geral da Operação Cidadania Xingu, Paulo Guilherme Cabral, do Ministério do Meio Ambiente, afirma que todos os objetivos buscados com os 12 mutirões realizados foram alcançados e, alguns, superados: “Nós acreditávamos que a população buscaria esses serviços, mas chegar a mais de 175 mil atendimentos foi, sem dúvida, uma surpresa muito bem-vinda”. Segundo ele, a Operação foi proposta pelo Governo Federal aos governos estadual e municipais, visando fortalecer as políticas públicas nos municípios da área de influência da futura Usina Hidrelétrica Belo Monte. “Nós superamos a nossa expectativa em atendimentos para emissão de documentos pessoais, que são necessários para acesso às políticas públicas. Foi muito gratificante profissionalmente contribuir para inovar no processo de implantação de grandes obras na Amazônia. Temos a certeza de que contribuímos para preparar as pessoas e as instituições a aproveitarem as oportunidades que surgirão com a instalação dessa obra, como também para minimizar as pressões decorrentes da instalação do empreendimento. Do ponto de vista pessoal também foi uma grande satisfação, pois facilitamos o acesso das pessoas que vivem nessa região às ações dos governos, que na verdade são direitos fundamentais de todos os cidadãos brasileiros”. Sobre os movimentos contrários a Belo Monte, Paulo Guilherme acredita que é preciso diferenciar algumas lideranças das comunidades locais. “A percepção de algumas lideranças está referenciada nos projetos anteriores, que previam a instalação de várias usinas. Muitos que se manifestam contra Belo Monte argumentam com base nos projetos anteriores. Por outro lado, muitas comunidades vêem Belo Monte com boa expectativa, mas também reclamam por problemas que decorrem da época da Transamazônica, ou seja, dos anos 1970”, avalia. É sabido que a área de influência de Belo Monte apresenta problemas estruturais históricos, como a ausência de regularização fundiária. Paulo Guilherme destaca a situação que encontrou durante a Operação

Foto: Vagney Santos

Surpresas e oportunidades

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Fotos: Evair Almeida

Mutirão em Senador José Porfírio aconteceu à beira do Xingu

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Norte Energia quer garantir melhores condições de vida A Norte Energia S/A foi a patrocinadora exclusiva da Operação Cidadania Xingu. Com o tempo exíguo uma vez que a ideia da Operação foi apresentada pelo Governo Federal em abril de 2011 para ocorrer ainda 2011, antes da estação das chuvas – a empresa destinou R$ 2,6 milhões para a contratação da logística, montagem e desmontagem dos estandes nos 12 mutirões realizados, além de todos os trabalhos de divulgação nas rádios de todas as 11 cidades, com o objetivo de atrair um grande número de habitantes. Durante a Operação, a empresa também montou seu próprio estande para prestar esclarecimentos sobre a obra e programas socioambientais e de reassentamento. De acordo com o diretor de Relações Institucionais da Norte Energia, João dos Reis Pimentel, “a receptividade da população foi extremamente alta. Conseguimos superar em muito nossa meta inicial de atendimento, prevista para 10% da população, ou 36 mil pessoas, e chegamos a quatro vezes mais. Também superamos alguns desafios, como o transporte do pessoal da Marinha - médicos, dentistas e paramédicos -, em Senador José Porfírio, quando não foi possível navegar com o barco principal e os profissionais tiveram de ser transportados em botes”.

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Morador de 13 anos recebe carteira de identidade

Segundo Pimentel, jamais houve um movimento que beneficiasse tanta gente naquela região como a Operação Cidadania Xingu. “Nós nos associamos a uma atividade que teve a maior repercussão na história do Xingu em todos os tempos. Para começar, tivemos a adesão imediata das prefeituras e a população rechaçou qualquer movimento contrário. Um dos objetivos da Norte Energia é elevar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), nesses municípios e acho que demos um passo importante ao associar Belo Monte ao benefício social das políticas públicas do Governo Federal. Porque Belo Monte foi o catalisador da Operação Cidadania Xingu, incorporando nas pessoas o espírito da cidadania”. A Norte Energia já investiu R$ 100 milhões em obras sociais de novembro de 2010 a outubro de 2011, como unidades básicas de saúde, construção e recuperação de escolas, construção de poços artesianos e redes de água. Somente em Altamira foram investidos, no período, R$ 30 milhões, e Vitória do Xingu recebeu R$ 23 milhões.


Carlos Nascimento: “o que se busca é o desenvolvimento do nosso povo”

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Muito se fala das condicionantes ambientais impostas pelo licenciamento da obra. Afinal, a Norte Energia está ou não está cumprindo tais condicionantes? As condicionantes são de vários tipos, seja em áreas indígenas, seja nas sedes dos municípios diretamente afetados pela obra. Nessas, por exemplo, estamos encontrando dificuldades com a pouca disponibilidade de áreas urbanas para fazer determinados empreendimentos. Por exemplo, temos que construir hospitais o mais próximo possível das comunidades, para que o acesso seja

Uma mensagem para três públicos especiais da região: a comunidade indígena, os produtores e empreendedores, e a população a ser reassentada. Com as comunidades indígenas fizemos um grande programa a partir do conhecimento do modus vivendi e da cultura deles, para melhorar as condições de vida da maneira que eles escolheram para viver. Estamos trabalhando com nove etnias em 12 terras indígenas e 28 aldeias. No total são 2.770 índios atendidos por vários programas. Em relação aos produtores, por meio do PDRS Xingu, o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica estão possibilitando linhas de crédito para ampliação e construção de empreendimentos comerciais e industriais, e projetos agrícolas. O Comitê Gestor do PDRS Xingu já está selecionando projetos e programas que se coadunem com a filosofia do desenvolvimento maior de toda a região. Para as pessoas que hoje vivem sobre os igarapés em péssimas condições de vida, temos até 2014 para concluir os estudos e pesquisas e fazer o reassentamento. Temos que nos perguntar: por que essas pessoas vivem ali? Porque as relações sociais que realizam, os serviços, as escolas dos filhos, o centro comercial, tudo isso está ali próximo. Então temos que ter a sensibilidade de procurar meios para que fiquem o mais próximo possível desses locais, sem desestruturar socialmente a sua maneira de vida. E podemos assegurar que todos terão condições dignas de moradia.

Eletrobras

Qual é a importância de a Norte Energia destinar R$ 500 milhões para o Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu? Todas as hidrelétricas e demais empreendimentos de energia elétrica são fruto de concessão do governo e um dos pilares do atual modelo do Setor Elétrico brasileiro é a modicidade tarifária, o que ajuda a melhorar a vida do nosso povo. Os acionistas da Norte Energia, quando destinaram R$ 500 milhões para que, ao longo do desenvolvimento do empreendimento Belo Monte, pudessem ser gastos com a melhoria da vida da população da região, tiveram não apenas uma iniciativa altruísta, mas que se reveste de uma importância ímpar em relação a outros empreendimentos implantados na Amazônia. É importante destacar que, mesmo antes dos leilões, as empresas responsáveis pela construção e operação de hidrelétricas já cuidavam do que chamamos hoje de responsabilidade socioambiental. Um exemplo são os programas que a Eletrobras Eletronorte desenvolveu com as comunidades indígenas Waimiri Atroari e Parakanã. Com Belo Monte não poderia ser diferente e esses recursos destinados ao PDRS Xingu terão uma abrangência muito grande para atender às demandas da região, que são muitas. Muitos desses problemas serão tratados de maneira mais técnica, para que alcancemos um nível de bem-estar, de saúde e educação para uma população que durante muito tempo foi colocada lá e desde então passa por uma série de vicissitudes que precisam terminar. Para todos nós, da Norte Energia, é um dever contribuir para a melhoria socioeconômica do nosso povo.

facilitado; as escolas devem ficar próximas a áreas onde haja demanda para estudantes. Temos procurado obter um relacionamento mais próximo possível com municipalidade para resolver questões como essa e temos encontrado cooperação por parte dos gestores municipais. Mas, às vezes, os problemas são difíceis de serem resolvidos em curto prazo ou no prazo estabelecido para uma condicionante. O que fazemos é buscar soluções, alternativas para cumprir determinadas etapas, mas temos que entender as dificuldades em liberar áreas, aprovar projetos num certo tempo. Muitos municípios, por exemplo, não têm o quadro técnico necessário para analisar os nossos projetos e ainda têm os seus próprios para tocar. Mas não existe problema de recursos financeiros. O que existe são entraves normais num grande empreendimento. Temos apenas oito anos para implementar o maior empreendimento genuinamente brasileiro e há pessoas que, aparentemente estão na periferia do processo, e que não conseguem enxergar que os benefícios de Belo Monte são para o bem de todo o povo brasileiro. Foto: Victor Soares

Num pingue-pongue com a Revista Corrente Contínua, o presidente da Norte Energia S/A, Carlos Nascimento fala sobre os investimentos e a importância do Cidadania Xingu e de Belo Monte.

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Cultura

Na telona, a energia do Cinema Brasileiro

Reinventado, o 44º Festival de Brasília se adapta aos novos tempos

Eletrobras

Eletronorte

Byron de Quevedo

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O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro-FBCB, um dos mais antigos e festejados do País, a cada época cumpre uma missão diferente. Lá pela década de 70 mostrava a luta da sociedade para sobreviver num regime de exceção, espelhando-se nos filmes de Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos; na década de 80, a temática da luta pela redemocratização do País. E, mais recentemente, “Tropa de Elite”, “Carandiru”, e “Bicho de Sete Cabeças” pluralizaram a linguagem do cinema brasileiro. Em 2011, o Festival se reinventou, com a disseminação em massa do

seu conteúdo e com a quebra do ineditismo, possibilitando que filmes “engavetados” pudessem ser vistos pelo grande público. Nessa trajetória tem muito de energia. Mas não só aquela que roda o projetor e lança na tela uma imensidão de sonhos e verdades. Tem muita energia de empresas e pessoas que acreditam que o sonho é um caminho. E nessa lista está a Eletrobras. “Carandiru”, “Eu Tu Eles”, “A Festa da Menina Morta”, “Lisbela e o Prisioneiro”, “Guerra de Canudos”, “Deus é Brasileiro”, “Tainá 2”, “Casa de Areia’, “Benjamim”, “Amarelo Manga”, “Copacabana”, “O Caminho das Nuvens”, “O Coronel e o Lobisomem”, “Bicho de Sete Cabeças”,


Melhor ator, Rodrigo Santoro (à esquerda) Melhor atriz, Denise Fraga (ao lado)

Elenco indígena do filme As Hiper Mulheres, premiado com melhor trilha sonora

tival de Sundance de 2010 e os prêmios da Anistia Internacional e de público na mostra Panorama, durante o Festival de Cinema de Berlim de 2010. E tem mais. A Eletrobras também teve presença na evolução e consolidação do Festival de Brasília como patrocinadora do evento em várias edições. No caso de “A Festa da Menina Morta”, de Matheus Nachtergaele, um

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“Ó Paí, Ó”, “Amores Possíveis”, “Zico na Rede” e “Lixo Extraordinário” são exemplos de produções patrocinadas pela estatal. “Lixo Extraordinário” concorreu ao Oscar 2011 de melhor documentário. O longa-metragem, que mostra o trabalho do artista plástico Vik Muniz com os catadores de lixo do Jardim Gramacho (RJ), recebeu o prêmio de público na competição de documentários internacionais do Fes-

Melhor atriz coadjuvante, Gilda Nomancce

Eletrobras

Melhor ator coadjuvante, Ramon Vane

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Performance notável do dos filmes mais premiados no Brasil e no exuruguaio César terior, o patrocínio da Eletrobras Eletronorte Troncoso, no também é uma aposta na cultura brasileira. filme “Hoje” Com a abertura na Sala Villa Lobos, no

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Teatro Nacional, o 44º Festival de Brasília começou no dia 26 de setembro e aconteceu até 3 de outubro. Tudo começou ao som da Orquestra Sinfônica Claudio Santoro, sob a regência do maestro Cláudio Cohen, executando entre outras, a música “Eduardo e Mônica”, de Renato Russo; e com a exibição do filme “Rock Brasília - Era de Ouro”, de Vladimir de Carvalho. E democratização foi a palavra. Os dias subsequentes cederam espaço à mostra competitiva pelos cobiçados Troféus Candango, no Cine Brasília, em Sobradinho, Taguatinga e Ceilândia. O FBCB transformou-se então no mais abrangente evento cultural do Distrito Federal. Enquanto isso, nas salas, o debate entre os cineastas e produtores, mostrou que as rupturas também são bem vindas. De um lado, o cinema comercial, rentável; do outro, a atenção ao substrato da sociedade tanto nos seus pontos positivos quando nas suas mazelas, fontes de belas imagens e, também, daque-

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las denunciativas ou desconfortáveis. Em 2011 o Festival foi polêmico. O fim da exigência do ineditismo na escolha dos longas-metragens, e a antecipação do FBCB no calendário do ano cinematográfico nacional, nortearam os debates. A Secretaria de Cultura do Distrito Federal anunciou as mudanças a quatro meses da abertura do Festival, sob a alegação de se ter em Brasília uma programação mais expressiva. A medida desagradou a quem via o Festival como uma alternativa para a exibição dos filmes excluídos dos outros festivais. Os vencedores foram escolhidos pelo júri formado pelos diretores Toni Venturi, Vladimir Carvalho e Ana Luíza Azevedo; pelo jornalista Artur Xexéo; pelos atores Roberto Bomtempo e Hermila Guedes; e pelo ex-presidente da Embrafilme e da Riofilme, Arnaldo Carrilho. Século 21 - O secretário de Cultura do Distrito Federal, Hamilton Pereira, rebateu as críticas feitas por produtores locais, afirmando que as alterações tem o objetivo de dar maior relevância ao Festival e de adequá-lo às novas mídias. “Essas medidas, fruto do diálogo entre governo, a sociedade e cineastas, buscou sintonizar o Festival com o século 21. O FBCB vinha perdendo relevância no contexto dos demais festivais. Não fizemos mudanças arbitrárias, ao contrário, buscamos democratizar o acesso aos recursos, descentralizar a oferta de bens culturais, e ainda, ter multiplicidade da produção cultural. Outra mudança foi a de abrir o festival para as mídias digitais. Antes, o critério para inscrição exigia a bitola (largura do filme) 16 milímetros ou 35 milímetros; com as novas regras, 90% das 624 inscrições foram de filmes digitais”, disse Hamilton. Democratização - O ator Roberto Bomtempo (à esquerda com Murilo Grossi e Renata Navega) acredita que a quebra do ineditismo foi positiva. “Não faz sentido deixar de ver bons trabalhos só porque já foram vistos em outros festivais. Esta é a amostragem do que está se fazendo pelo Brasil. O aumento do número das salas de exibição puxando mais público também foi bom. Estamos tendo duas seções - no Plano e nas cidades satélites - lotadas. A qualidade dos trabalhos foi de ótimo nível: filmes autorais, com temáticas próprias, com abordagens diversas. E os diretores, roteiristas, atores e demais técnicos mostram-se cada vez mais profissionalizados;


Cinema, histórias e desencanto Mas nem tudo foram aplausos. Da Mata é um pioneiro da cinematografia candanga. Iniciou sua carreira como projetista, com equipamentos importados da antiga União Soviética em plena ditadura militar, e fez eventos culturais diversos, tendo como parceiro o brasiliense Renato Russo. Hoje é um especialista em cinema. E cético. Ele diz que antes, as pessoas jantavam, andavam três quadras e estavam no cinema. Hoje as pessoas só vão ao shopping. “Quem não tem carro que se lasque. O povo “chinelo de dedo” há mais de 30 anos que não sabe o que é um cinema. O cineasta está acomodado. Mazzaropi fazia filmes e saia pelas cidades do interior mostrando sua obra. O cineasta hoje não corre atrás da distribuição. O Geraldo Moraes tem seis filmes, sem ter distribuído nenhum. O filme da Arnaldo Jabor “Suprema Felicidade” foi visto por 100 mil pessoas, isso não é nada. Ou seja, são gastos que não retornam como benéficos culturais para o dono do dinheiro: o povo”. Joel Barcelos (abaixo, à esquerda com Da Mata), outro artista-cineasta em desencanto, iniciou sua carreira em 1957 e influenciou a formação de muitos atores e diretores. Joel conta a sua história. “Quando eu comecei, o Alberto Cavalcanti, ‘o genialito’, estava radicado na Europa. Tínhamos admiração por ele, menos os cineastas invejosos. E a inveja

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Mulheres e terror - O filme sobre a temática indígena “As Hiper Mulheres” levou o público a momentos de diversão. Muitas pessoas disseram-se surpresas ao ver o bom humor dos índios, como a sua cultura se manifesta de forma espontânea e a riqueza das imagens e dos relacionamentos interpessoais. “Nunca pensamos que os índios pudessem ser tão engraçados e sensíveis”, disse um grupo que assistia. Ao final da sessão, aplausos generosos. A atriz Denise Fraga (à esquerda) surpreendeu com performance impecável e quebrou o preconceito contra os atores de humor em papéis dramáticos. Ela mesma terminou a seção do filme “Hoje” em lágrimas. Ao agradecer o trabalho da diretora Tatá Amaral, Denise disse que “Deus mora nos detalhes”, e que o filme era rico principalmente pela quantidade e sutileza dos seus recortes. “Hoje” faz um recall aos anos da ditadura, com um clima de tensão no ar. Mas é temática compreensível às novas gerações? Denise diz que sim. “É necessário falarmos dessa época, pois é difícil digerir essa parte da nossa história atualmente. Minha personagem delata o marido. Mas quem sob tortura não delataria? Isso deve ser terrível para quem viveu esses tempos. É inacreditável que tudo isso tenha acontecido”. Em entrevista à Corrente Contínua, Denise definiu ‘Hoje’ como um filme muito instigante. “Quando se aborda uma temática forte assim, sempre se acha que não estamos honrando tal dor. Tomara que eu tenha conseguido dar uma ideia do que foi tudo aquilo. Chorei durante a exibição, pois a sofisticação dos métodos de tortura é algo aterrorizador. Eu era criança ainda, mas o que ouvi, estudei e pelo contato que tive com pessoas dessa época, vi que elas ainda cultivam seus ideais. Existe uma luz dentro delas: fizeram um movimento importante e merecem o nosso respeito. O público assistiu ao filme em absoluto silêncio e aplaudiu no final. Foi lindo! Adorei tudo”. “Hoje” foi baseado no livro de Fernando Bonar e fala de ausências, explicou a diretora Tatá Amaral (ao lado). “Há nele um pavor que toma as pessoas de uma casa. Na maioria

das vezes o medo existe pelo temor emanado de toda aquela situação. É o horror pela possibilidade da chegada do horror. O Público do FBCB é exigente e mostrou profundo respeito pelo filme. Então eu agradeço. Foi um grande elogio”.

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e ainda houve renovação, ideal para qualquer cinematografia”.

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é uma madrasta cruel que trata muito mal quem é por ela adotado. Conseguimos, em 1961, fazer uma mostra que tinha “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, “Vidas Secas”, e “Os Fuzis” e, levados pelo Genialito, fizemos mostras na Europa com enorme sucesso. Mas veio a dominação americana ao ponto de transformar a nossa ararinha azul numa ave babaca que é salva por uma arara americana, como fez o Walt Disney com o Pato Donald e o Zé Carioca no filme “Você já foi à Bahia”, onde o nosso louro imponente virou vagabundo. São coisas subliminares”. Alberto de Almeida Cavalcanti foi um diretor, roteirista e produtor cinematográfico brasileiro que projetou cenários para cineastas experimentais franceses na década de 20 e dirigiu seu primeiro filme em 1925. Em 1949, retorna ao Brasil e ajuda a organizar a Companhia Cinematográfica Vera Cruz.

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Com a palavra...

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Vários cineastas reclamaram que não há renovação, que as salas dos cinemas estão abandonadas, os cineclubes são poucos, e que não há uma política cultural promovendo a circulação dos filmes, razão pela qual a produção é escassa. Mas a artista plástica Adriana Vinhoni (à esquerda) faz uma ressalva: “A minha geração usava câmera Super 8, e agora os meninos usam celulares. Creio que para os interessados há possibilidades: os festivais, os prêmios da Funarte, entre outros. As empresas estatais e privadas patrocinam as artes como nunca. Só que o filme é exibido nos festivais e depois some. Há aí um mundo virtual, trocam-se informações, clips, e isso é democrático. Antes só alguns cineastas faziam filmes. Nada se acabou, as respostas estão aí. Achei muito interessante o filme “O Homem que não dormia”. Segue a linha glauberiana dos anos 70. É um misto de muitas coisas nossas, e não resolvidas, como a religião, o amor, o ódio”. José Eduardo Fittipaldi (foto acima, à esquerda), com Lorena Quintas, arquiteto, 29 anos, disse que os filmes atuais comunicam com a sua geração pelos roteiros ‘quebradões’, pois são histórias com imagens dinâmicas. “Acho que os filmes atuais são contemporâneos, alegóricos e mesclam passado

e futuro. Acho isso muito moderno. No filme “O Homem que não Dormia” você nunca sabe se os personagens são reais, fantasmas ou entidades, ou se é uma loucura de alguém. É na cara, bem Brasil. Os atores mandaram firme, as cenas são fortes, viscerais”, comentou. Beatriz Ramos, 18 anos, estudante de cinema, foi aos debates no Kubitschek Plaza, com os diretores dos curtas e dos longas, após assistir a Mostra Brasília. “Chamaram-me a atenção os filmes caseiros sem muita qualidade. Ficou misturado. Acho injusto especialista competir com quem não sabe fazer filme. A exibição nas satélites foi positiva, democrática. Creio que o público passou a entender um pouco mais, pois a qualidade técnica dos filmes profissionais melhorou. Hoje os jovens têm acesso à tecnologia e exigem mais qualidade”. Natália Sueiro (ao lado), estudante, 18 anos, delogiou a organização do Festival. Ele deveria se expandir para os cinemas do entorno, reativando as salas de exibição, num movimento de retomada dos espaços culturais perdidos. Seria ótimo para as faculdades, cursos de cinema e audiovisual que cresceram nos últimos anos, com o aumento da produção de filmes”.

E mais...

Cinema Nosso

ema Nosso ras, a ONG Cin ob tr le E da o over a inCom o apoi isual para prom ov di au do as 69 filmes usa as técnic ram produzidos fo , 9 0 0 2 m E ão de 324 clusão social. m a participaç ra ve ti e qu s, promoveu em 19 oficina o, a entidade od rí pe o m es rticipação de alunos. No m ção, com a pa ra du or ai m calizada oito cursos de la de cinema lo sa a N . ns ve jo o Cinema 158 crianças e io de Janeiro, R do o tr en C que conem sua sede, no 276 sessões, , 9 0 0 2 em , eu pessoas. Nosso promov rca de 8.300 ce de ça en es taram com a pr


Abre aspas

“Um exemplo de prática sustentável é o programa Educacional para Uso Racional de Energia nas Escolas Públicas de Tucuruí. Você estimula que, tendo uma racionalidade econômica, temos uma melhor prática ambiental. A questão ambiental é basicamente mudança de comportamento”

“Se tivesse optado por não construir Belo Monte, o País teria apenas duas opções: investir na geração de energia térmica, mais cara e poluente, ou impor um racionamento; ou mesmo privar parte da população do benefício da eletricidade”

Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente, durante a entrega do Prêmio de Melhores Práticas Ambientais – A3P à Eletrobras Eletornorte, na categoria de usos sustentáveis de recursos naturais

Edison Lobão, ministro de Minas e Energia

“O Brasil assumiu um papel de destaque no cenário energético mundial, notadamente no que se refere às energias renováveis e limpas” Maria van der Hoeven, diretora executiva da Agência Internacional de Energia – AIE, em visita ao Ministério de Minas e Energia

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Márcio Zimmerman, secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia na abertura do XXI SNPTEE

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“Teremos desafios para dobrar a capacidade instalada e o Sistema vai ficar mais complexo, porque a sociedade está demandando energia, cobrando qualidade e gestão eficiente das empresas, com o menor custo possível”

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Transmissão

Eletrobras vai investir R$ 11,9 bilhões em 9.908 quilômetros de linhas de transmissão entre 2011-2015

Eletrobras Eletronorte projeta construção de novos 5.700 quilômetros de linhas

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Capazes de interligar todo o sistema de energia de norte a sul de um país com imensas dimensões territoriais, as linhas de transmissão são cada vez mais estratégicas para o Setor Elétrico. Pelo Brasil são mais de 100 mil quilômetros de uma extensa malha de linhas que possibilitam o transporte de energia das grandes usinas geradoras até os centros consumidores. Tudo isso sob os critérios de confiabilidade, sustentabilidade e qualidade. Esse trabalho, no entanto, requer muita tecnologia e grandes investimentos. Sem falar nas pesquisas, estudos e responsabilidade com os impactos ambientais. Referência nesses empreendimentos, a Eletrobras vem investindo fortemente no Setor. A Estatal é responsável por 58.361,32 quilômetros de linhas de transmissão, o que corresponde a cerca de 57% do total das linhas do Brasil,

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além de 247 subestações. Por meio de suas empresas controladas, investirá nos próximos anos R$ 11,9 bilhões na construção de 9.908 quilômetros de linhas de transmissão - LT. Os projetos relativos à geração, transmissão e distribuição de energia são fiscalizados e regulamentados pela Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel e, até chegarem à fase de implantação, passam por um longo processo que compreende disputas de leilões, contratos de concessões e licenciamentos ambientais. A Eletrobras Eletronorte, por meio de uma capacitada equipe, tem se destacado como forte concorrente nos leilões de transmissão. Hoje a Empresa conta com mais de 9.888,02 quilômetros de linhas, e a expectativa é de que nos próximos três anos sejam construídos cerca de 5.700 quilômetros.


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Pesquisa Energética - EPE, no âmbito do Programa de Expansão de Transmissão – PET, os projetos que incluem a construção de novas linhas e subestações, deverão receber investimentos de, pelo menos, R$ 8,5 bilhões nos próximos cinco anos. Até 2015, o volume previsto deverá ser ainda maior, uma vez que não foram incluídos neste ciclo grandes empreendimentos como os sistemas de transmissão vinculados às usinas hidrelétricas de Belo Monte e Teles Pires. De acordo com a mais recente versão do Programa de Transmissão, o subsistema Norte concentrará a maior parte dos investimentos, com um total de R$ 2,8 bilhões, seguido pelo Nordeste (2,4 bilhões), Sul (R$ 2 bilhões) e pelo Subsistema Sudoeste/Centro-Oeste (R$ 1,3 bilhão). Os empreendimentos listados no Programa serão licitados a partir deste ano. Eletrobras

A Empresa tem aumentado sua pasta de investimentos e está com uma quantidade de projetos crescentes em geração e transmissão. Para o gerente da Assessoria de Coordenação de Implantação de Empreendimentos de Transmissão da Eletrobras Eletronorte, José Henrique Machado Fernandes, a ampliação decorre de uma engenharia e uma área de negócios bem preparada, que vem alcançando sucessos nos leilões e na implantação dos empreendimentos. Ainda segundo José Henrique, a perspectiva é seguir com esse ritmo de crescimento. “Grandes sistemas ainda podem ser leiloados, como é o caso do sistema de transmissão das usinas de Teles Pires (MT), e Belo Monte (PA). O objetivo é dar continuidade aos excelentes trabalhos que estão sendo realizados”, afirma. Segundo levantamento da Empresa de

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O gráfico abaixo mostra os resumos, por região geográfica, dos principais investimentos em linhas para os próximos cinco anos. As tabelas não incluem as obras de reforço das instalações existentes que constam do PET. Brasil: investimentos nas principais linhas de transmissão entre 2011e 2015 Extensão Investimentos

Sudeste

543 km R$ 393 milhões

Sul

1.286 km R$ 696 milhões

Centro-Oeste

403 km R$ 249 milhões

Nordeste

1.641 km R$ 1,288 bilhão

Norte

1.582 km R$ 1,839 bilhão

Total

5.454 km R$ 4,4 bilhões

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Região

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Expansão - A extensão do sistema de transmissão interligado, da ordem de 100 mil quilômetros em 2010, evoluirá para cerca de 142 mil em 2020. Ou seja, o equivalente a quase metade do sistema hoje existente será construído nos próximos dez anos, segundo dados do Plano Decenal de Expansão de Energia - PDE 2020, realizado pela EPE. Grande parte dessa expansão virá com os troncos de transmissão associados às interligações das usinas da região Norte – entre as quais Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, e Belo Monte - com o resto do País. A estimativa total de investimentos no período decenal atinge cerca de R$ 46,4 bilhões, sendo R$ 30 bilhões em linhas de transmissão e R$ 16,4 bilhões em subestações, incluindo as instalações de fronteira. Além de operar e manter este sistema dentro dos padrões de desempenho e qualidade exigidos pela Aneel, a Eletrobras tem participado ativamente da expansão do setor de transmissão por meio de concessões nos leilões, isoladamente ou por meio dos consórcios, bem como por meio de autorizações para reforços do sistema atual. Ainda com base no PDE 2020, nos próximos dez anos, a demanda total de energia do país deverá crescer em mais de 60%. Em 2020, 2/3 do consumo total virão dos setores industrial e de transportes. No que diz respeito especificamente à energia elétrica, o Plano Decenal considera que a eletricidade economizada nos próximos dez anos será equivalente à produção de uma hidrelétrica


de 7.000 MW (capacidade superior a das usinas do Complexo Rio Madeira). Na opinião de José Henrique (abaixo), o modelo do sistema elétrico brasileiro é um grande sucesso. “O setor é atrativo, disputado e bem planejado. Não se fala mais em racionamento, nem perspectiva de racionamento. Os órgãos atuam adequadamente e a inadimplência é praticamente desprezível. Hoje, a demanda de energia gerada está sendo compatível com o crescimento do país. A ideia é continuar evoluindo cada vez mais”.

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Desafios - Atualmente, uma das maiores dificuldades na implantação das linhas de transmissão são os prazos nos processos de licenciamentos ambientais. Eles têm demandado um tempo acima da expectativa das empresas. O prazo médio para a licitação é de sete a oito meses. Segundo levantamento da Associação Brasileira das Grandes Empresas de Transmissão de Energia Elétrica – Abrate, a obtenção da Licença Prévia tem sido de 17 a 18 meses, ou seja, o tempo para execução das obras se torna bem menor. Para José Henrique, outra dificuldade na implantação das linhas é o grande volume de trabalho. “Os projetos são bem criteriosos, pois envolvem pessoas de diversas áreas da Empresa para trabalharem em atividades de estudos, engenharia, pesquisas e análises desses empreendimentos”. No que depender das empresas Eletrobras, as dificuldades serão mais um motivo para reafirmar seu compromisso com o Brasil. Ética, transparência, qualidade, e responsabilidade com o meio ambiente são valores que compõem os seus empreendimentos. “Dessa forma, a Eletrobras Eletronorte busca também contribuir para assegurar à sociedade brasileira uma energia limpa e renovável, preservando sempre a natureza. A missão é vencer os desafios com sabedoria, perseverança e disciplina”, destaca José Henrique. Colaborou Núzia Araújo Macêdo

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Corrente Alternada

Seminário Nacional de Grandes Barragens destaca as conquistas e desafios nos 50 anos do CBDB Érica Neiva

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O Comitê Brasileiro de Grandes Barragens - CBDB realizou, de 25 a 28 de outubro de 2011, o XXVIII Seminário Nacional de Grandes Barragens – SNGB, no Rio de Janeiro. No mesmo período aconteceu o II Simpósio Internacional de Barragens de Enrocamento – Sibe, em parceria com o Comitê Chinês de Grandes Barragens. Paralelamente aos eventos houve exposição técnica de produtos e serviços relacionados a projetos, construção e operação de barragens, com a participação de empreendedores, projetistas, construtores, montadoras de equipamentos, centros de pesquisa, universidades, consultores e prestadores de serviços. A mesa de abertura (abaixo) foi formada pelo presidente do CBDB, Erton Carvalho; o presidente de Furnas, Flavio Decat; o presidente da Icold, Jia Jinsheng; o vice-presidente da Icold América, Alejandro Pujol; e o diretor de geração da CEEE, Carlos Fernandes. O presidente do CBDB mencionou o aniversário de 50 anos da entidade e as suas grandes conquistas na disseminação de conhecimento. Destacou, ainda, a conscientização dos profissionais sobre a importância do trabalho de barragens no

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desenvolvimento do País e a segurança das obras, especialmente no que se refere ao desenvolvimento sustentável do Brasil. Em seu discurso, Erton Carvalho enfatizou as grandes realizações do CBDB, com publicação de livros técnicos e a realização de seminários, congressos, workshops e cursos especializados: “O Comitê caminha na direção da consciência e do conhecimento. Estamos trabalhando para que o Brasil possa se desenvolver com energia limpa e as hidrelétricas são a base do sistema brasileiro. A energia limpa evita que gerações térmicas possam contribuir de maneira forte no efeito estufa, que gera mudanças climáticas”. O presidente da Icold, Jia Jinsheng, abriu seu discurso lembrando: “Na China, se você tem 40 anos pode entender melhor as palavras, se você tem 50 pode entender o mundo”. Com esta frase, Jia Jinsheng recordou a contribuição do CBDB junto à Icold, mencionando os ex-presidentes brasileiros na instituição, destacando também a importância do Comitê Brasileiro na organização de diversos congressos no Brasil e no mundo, e a capacidade dos engenheiros brasileiros que construíram barragens como Irape e Itaipu.


Em sua apresentação, apontou que existem novas exigências no mundo em relação às barragens, como crescimento populacional, recuperação econômica e exigências severas na segurança ecológica: “O mundo tem diversos desafios na segurança e recursos hídricos. O Brasil já tem uma solução muito melhor quando comparado à China. Se analisarmos a taxa de retorno energético, veremos a vantagem da energia elétrica. As maiores barragens construídas estão no Brasil e na China. Como desafios, precisamos de um trabalho mais atualizado sobre as construções para dar resposta à sociedade sobre o remanejamento das pessoas, biodiversidade e segurança”. Durante os quatro dias do Seminário foram discutidos temas como reabilitação, reforma e melhoria de barragens; segurança e controle de riscos na realização e operação de barragens; formas de contratação de serviços de engenharia e construção de barragens e obras hidráulicas; soluções técnicas compatíveis com a proteção e melhoria do meio ambiente e soluções técnicas compatíveis com a proteção e melhoria do meio ambiente. Foram expostos 70 trabalhos, 29 apresentações, sete palestras e uma mesa-redonda. O Simpósio Internacional de Barragens de Enrocamento teve a participação de 36 empresas expositoras. A quantidade de inscritos saltou 73% nesta edição, passando de 400 para 695. Das 27 unidades federativas do País, o evento teve a presença de representantes de 16 delas. O seminário ofereceu três visitas técnicas às usinas de Santo Antônio e Jirau, à de Itaipu e à de Simplício. As visitas tiveram duração de um a três dias, e foram realizadas dos dias 29 a 31 de outubro. Entre os participantes, a predominância de visitantes foi de brasileiros (597), seguida por chineses (35) e colombianos (11). No total, especialistas de 18 países compareceram ao evento.

Meio ambiente e desenvolvimento sustentável - O diretor de Planejamento e Engenharia da Eletrobras Eletronorte, Adhemar Palocci, esteve presente no encerramento do XXVIII SNGB. Disse que os 50 anos do Comitê são sinônimo de sua maturidade e ingresso na “fase de sabedoria”. Para o Diretor, a agenda de debate do País mudou completamente no período de 20 anos. “Hoje não se discute mais se o Brasil crescerá ou não, mas, sim, a melhor forma de crescimento. Há duas décadas, o País estava estagnado, com problemas econômicos e, consequentemente, ficaram parados projetos de infraestrutura”, destacou Adhemar. Para o diretor, o desafio na área hidrelétrica é explorar ao máximo o potencial energético da região amazônica, porém de forma sustentável. Ele afirma que é inviável que o País sustente o atual crescimento se não investir mais em energia. “Nenhum país do mundo cresce sem energia. Para o Brasil dar uma vida digna para a maior parte de sua população, que ainda vive aquém de uma qualidade de vida razoável, não podemos desperdiçar os seus potenciais. Não há contradição em construir grandes usinas na Amazônia e preservar a riqueza natural. Aprendemos a erguer grandes empreendimentos conservando o meio ambiente”. Segundo o participante do Seminário e gerente de Segurança de Barragens da Eletrobras Eletronorte, Gilson Machado da Luz, o evento foi extremamente significativo. “Além do encontro com técnicos de outras empresas do Setor Elétrico, que ocasiona uma vasta e valiosa troca de informações sobre assuntos das nossas rotinas diárias de trabalho, as palestras apresentadas e os debates nas mesas-redondas abordaram temas atualizados, especialmente aqueles referentes à regulamentação da nova Lei de Segurança de Barragens, que estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens”.

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Presidente da Icold, Jia Jinsheng

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Presidente do CBDB, Erton Carvalho

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Cultura

Casa Cor Brasília 2011 Arquitetura, decoração e sustentabilidade no Espaço Eletrobras Eletronorte, em Brasília Byron de Quevedo A Casa Cor Brasília, eleita pelos franqueadores da marca como a melhor de todas do País no ano passado, quis repetir o feito em 2011, quando celebra o seu 20º aniversário. O evento foi realizado entre os dias 14 de setembro e 25 de outubro, no espaço Eletrobras Eletronorte, na Quadra 904 Sul, em Brasília, onde será construída a sede da Empresa. O tema escolhido para a edição 2011

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Tadeu Filippelli, Carlos Zarur e Silvana Lorenzi

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foi ‘Dia a dia com tecnologia’, com foco na sustentabilidade e no uso dos recursos tecnológicos no cotidiano das pessoas. Foram 65 ambientes com programação de eventos durante os 42 dias de atividades. O público pode conferir projetos de 97 arquitetos, decoradores, designers e paisagistas que assumiram o compromisso de criar espaços atraentes, funcionais e confortáveis. A abertura da Casa Cor aconteceu no dia 13 de setembro, com a presença de autoridades do cenário político e social da capital. A fita inaugural foi descerrada pelo vice-governador de Brasília, Tadeu Filippelli, que lembrou o fato da Casa Cor ser uma marca consolidada ao longo de 20 anos, com proposições criativas e agradáveis, sempre abraçando temas importantes, como o atual sobre tecnologia, suas soluções e usos de materiais. “O esforço de seus organizadores proporcionou avanços em iluminação, decoração e materiais. E neste ano, mirando no Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica - Procel, aqui representado no estande da Eletrobras Eletronorte. Tenho certeza que os ganhos na economia de energia nos ambientes será significativo. Além de


Brasília: Sheila Podestá Matim, Eliana Moreira Martins, Moema Leão e Silvana Lorenzi

contribuir para a sustentabilidade. A nossa futura sede, que será aqui neste espaço, já é projetada com base nos preceitos de eficiência energética, segurança, fucionalidade e acessibilidade”, comentou Zarur. A edição foi duplamente comemorativa já que a mostra de Brasília homenageará, ainda, os 25 anos da marca CASACOR©. A ideia, segundo as organizadoras Moema Leão, Eliana Martins e Sheila Podestá, é mostrar como a tecnologia pode ser integrada à rotina das pessoas trazendo conforto, economizando tempo e ainda colocando a casa em sintonia com o meio ambiente. “O resultado possibilita aos visitantes a experiência de desfrutar a beleza e a inteligência de espaços. O mote da Casa Cor é também promover o profissional de decoração e a arquitetura de interiores”, comentou Eliana Martins. Com 45 mil m², o espaço franqueado pela Eletrobras Eletronorte abrigou confortavel-

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Protótipo de Casa Eficiente, no estande da Eletrobras Eletronorte

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ser este um belo e prestigiado evento, já faz parte do nosso cenário cultural”. A Copa do Mundo tem sido o foco dos veículos de comunicação e Filippelli também teceu comentários sobre o tema. “Para nós, ela já começou. Não vamos esperar o dia do jogo de abertura para agir. As expectativas de negócios movimentam o País e Brasília esta neste contexto fazendo a sua parte. Há uma infinidade de demandas e a Casa Cor traz boas soluções. As obras do nosso estádio são as mais avançadas entre todos em construção. Temos um parque hoteleiro com facilidade de transporte, podendo os turistas e brasilienses se deslocar com segurança entre os hotéis, o estádio e os pontos de visitação. As embaixadas aqui sediadas têm condições de abrigar até trinta delegações de chefes de estado, algo impossível em muitas de nossas cidades”. A Presidência da Eletrobras Eletronorte foi representada pelo assessor de Diretoria, Carlos Zarur, que destacou a conexão da Empresa com o evento. “Esta é a segunda vez que apoiamos, e neste ano trazemos um programa importante como o Procel. A Casa Cor também traz formas de usos ecológicos de materiais, sugerindo soluções e práticas para nossas subestações e para os vários tipos de edificações, principalmente no momento em que a sustentabilidade das construções é cada vez mais trabalhada junto aos profissionais. O processo de etiquetagem de edificações eficientes, do ponto de vista energético, é um bom exemplo de como podemos

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Inovações na decoração do Hall Principal, de Daniel Cavalcante

mente o evento numa área construída de 17 mil m², com amplo estacionamento. Sheila Podestá afirma que, seguindo o conceito da sustentabilidade, incorporado ao evento em suas duas últimas edições, a Casa promove a inclusão, de forma prática e didática, de itens a serem observados pelos profissionais na concepção, implantação, exposição e montagem dos ambientes. “A Casa Cor Brasília tem dado novos rumos aos conceitos de morar e de bem viver, influenciando a paisagem, reinventando usos, lançando produtos e, sobretudo, propondo soluções para melhorar o dia a dia das pessoas com diversos estilos de vida. Ela cumpre o objetivo de apresentar o novo, o criativo e o ousado”.

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A história da Casa - O evento foi criado quando a brasileira Yolanda Figueiredo e a argentina Angélica Rueda se encontraram, em Buenos Aires, com seus amigos Javier Campos Malbrán e Ernesto Del Castilho. Lá

Piscina interna no loft de Hélio Albuquerque e Sonia Peres

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Conforto em dois ambientes na Sala com Varanda, de Elizabeth Rosso

idealizaram organizar uma mostra inspirada na Casa FOA, da Fundação Oftalmológica Argentina, de caráter benemérito, cuja ideia é escolher uma residência, chamar os decoradores e arquitetos para decorá-la. No Brasil, a primeira aconteceu em 1987, na residência da família Forbes, no bairro do Jardim Europa, em São Paulo. Lá foram expostos 19 ambientes, criados por 25 profissionais e visitados por sete mil pessoas. A partir daí, não parou mais de crescer tornando-se referência mundial, influenciando formadores de opinião e agregando valor às marcas associadas. A diretora de Franquia da CASACOR©, Silvana Lorenzi, diz que o evento desperta o interesse de bons patrocinadores, pela sua receptividade. “A Casa Cor mudou o mercado de materiais de decoração no Brasil, pois se tornou uma vitrine, reunindo vários itens de materiais e de produtos que são vistos por milhares de pessoas. As empresas partici-

Soluções também para pequenos ambientes (kits)


Antevisão e tendências - Leo Romano diz ainda que a ideia é semelhante ao que acontece no mundo da alta costura, com antevisões do que virá. “Muitas dicas iniciam aqui. Fazemos uma interpretação do que tem lá na Feira de Milão, mas temos nossa identidade, prova disso é que o mobiliário brasileiro já é reconhecido mundialmente. Sergio Rodrigues, por exemplo, tem os móveis mais va-

Loft do Hóspede - A arquiteta Sara Volpato o criou inspirada em suítes de hotéis seis estrelas, trazendo o verde e a água de pequenas fontes, para amenizar o clima de Brasília.

Loft of the City - André Alf e equipe aliam móveis de alto nível inspirado no movimento modernista brutalista (anos 60), baseando-se no conceito de loft de New York (anos 80), com tecnologia e detalhes com foco na sustentabilidade

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Cinema - O arquiteto e projetista da Sala Cinema em Casa, Leo Romano (à esquerda), disse que a sua preocupação é fazer um show, pois crê que a Casa Cor é um lugar para se mostrar ideias, conceitos, cenários. “O que faço aqui pode ser diferente do que farei na casa de um cliente. Aqui é como se fosse um desfile de alta costura. Coloco a grife que acredito. E aí, é claro, as pessoas interpretarão cada um à sua maneira e, por conseguinte, vão sugerir os caminhos que a arquitetura e os designers de interiores tomarão. São sementes jogadas para construir uma identidade, um conceito, um trabalho autoral. A minha busca pessoal é esta: fazer um espaço criativo acima de tudo. Tanto o arquiteto como o decorador têm o mesmo papel. A Casa Cor é bem democrática nesse sentido. O mercado seleciona naturalmente e vai abrindo espaço ora para um decorador, ora para um arquiteto, mas as oportunidades são as mesmas”.

lorizados do mundo; Oscar Niemayer dispensa apresentações, Paulo Mendes da Rocha e Vannini também são grandes designers. A tendência é a casa ficar com a cara do dono”. Segundo ele, a decoração voltará a ser mais humanizada. “O período minimalista, onde o menos era mais, está acabando, porque as pessoas querem se reconhecer no espaço que habitam, levando para lá souvenires, objetos de memória, e outros detalhes personalizados. E isto valoriza as artes; em consequência, volta a ser inserido o trabalho dos artistas plásticos e dos artesãos. Esta é a essência da Casa Cor: ao mesmo tempo em que precisam dos profissionais para trabalhos estruturais, precisam também dos designers, artistas e das indústrias colocando os seus lançamentos”.

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pam, pois seus produtos passam a serem vistos por decoradores, arquitetos, por consumidores específicos e pelo público, que querem construir ou reformarem suas casas”. Eliana, Sheila e Moema são as franqueadas de Brasília. Segundo Silvana, tanto as Casa Cor do Brasil como as do exterior fazem a divulgação das coisas locais. “Os industriais entendem a importância da Casa Cor. Para se ter uma ideia, a Deca está conosco há 16 anos. Ela aproveita a ocasião para lançar os seus produtos. A Suvinil também tem trazido suas novidades no mercado de tintas. E nos últimos dois anos, tivemos o apoio de parceiros de setores fundamentais, como o da Eletrobras Eletronorte, que expõe interesses específicos de sua atividade econômica, como as conquistas do Procel na economia de energia elétrica, configurando uma vitrine de divulgação das políticas públicas para energia”, afirma Silvana Lorenzi.

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Segundo Sara, a ideia é que se tenha uma varanda no espaço com a presença do verde, numa área aberta para o jardim, com muros baixos para ter a noção de espaço externo, com a visão de árvores e do céu. “É possível ser feito em coberturas. Já fiz vários projetos para coberturas para amenizar o calor e o sol, uso água e plantas. Meu trabalho é contemporâneo, buscando sempre materiais sustentáveis. Fazer coberturas em Brasília é proibido, mas algumas construtoras utilizam uma brecha na legislação para fazê-la individual. Este é um espaço integrado de convivência. Aqui se tem a cozinha, a sala de estar, o quarto e o banheiro num só ambiente. As pessoas podem jantar, fazer um lanche ou se reunir para um drinque tendo ainda a parte de fora, a varanda, com churrasqueira elétrica. É um espaço democrático”.

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A Suíte do Rapaz - a arquiteta Juliana Santana, também usa a água para construir micro climas agradáveis. Sua suíte tem na entrada uma grande janela para umidificar e criar a refrigeração natural no ambiente, “A ecologia está mais ligada à arquitetura rural e a minha ideia é mais ligada à sustentabilidade; ou seja, busca o conforto com eficiência energética e reduzir os impactos ambientais. Meu projeto usa grandes vãos de vidro, aberturas para os jardins, o sombreamento e a refrigeração natural, reduzindo gastos com ar condicionado. Uso lâmpadas fluorescentes que são mais econômicas. O conforto com a economia é o fundamental. E a Casa Cor é a grande vitrine da decoração onde se pode ver as tendências para o mobiliário. Não é uma arquitetura cara, é de bom gosto, acessível. A ideia aqui é ter a qualidade, independentemente do bolso. A Casa Cor preocupa-se com os resíduos; os ambientes são adaptados para o cadeirante, com a utilização das regras da ABNT, para se ter conforto e acessibilidade”.

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Sala do Colecionador - O arquiteto e projetista deste espaçoso ambiente, Geovanini Lettieri, disse ter um vínculo marcante com a Eletrobras Eletronorte. “Na época o Humberto Martins, então presidente da Associação do Empregados da Eletronorte - Aseel contratou-me para remodelar a sede da Associação no Lago Sul. Então fizemos uma piscina, sauna, a academia de ginástica, ou seja, um complexo esportivo bom. Este é o oitavo ano participando da Casa Cor. Somos 10 arquitetos, e a minha esposa, Dora Lettieri, é

a designer de interiores. Faço o projeto, ela desenha os detalhes e manda fabricar. O espaço foi bolado para o colecionador de carros que queira dividir este prazer com os amigos. Então eles vêm para tomar uns drinques, fumar charutos, ver bons filmes, ler bons livros ou trocar ideias sobre este tema. Ou seja, é um living onde o carro vira o ornamento, mas pode ser adaptado para colecionadores de motos, jet sky, canoagem etc, em casas com amplas garagens. É fácil construir um espaço como esse com churrasqueira, o bar, entre outros. Este tem 140 metros quadrados, mas posso reduzi-lo para 50 metros quadrados ou ampliá-lo. Temos aqui o Brasília Fashion Day, um evento no Autódromo Internacional Nelson Piquet aberto aos amantes do automobilismo. É impressionante a quantidade de amantes de corridas automobilísticas na cidade, e a minha proposta vem atender a esse mercado sempre crescente”. Visitar a Casa Cor é sempre fazer um roteiro divertido e instrutivo. Nessa edição saltaram aos olhos a preocupação com a sustentabilidade e acessibilidade. Para quem esteve lá, o quarto ergonômico do cadeirante e o do doente em reabilitação (foto abaixo), deixaram a certeza de que é possível criar um espaço bonito, aconchegante e adaptado às normas de acessibilidade. E teve mais: Quarto do Casal Jovial, dos Apaixonados, do Casal de Trabalhadores Compulsivos, do Casal Descasado, do filhinho Príncipe Herdeiro, da vovó e do vovô ainda apaixonados, dos gênios-cabeças e absolutamente geniais, a garagem Band dos Roqueiros (inclusive com shows ao vivo) e a Casa da Árvore dos Baderneiros. Entre os jardins do Espaço Eletrobras Eletronorte, a Casa Cor fez bonito e apresentou soluções que vão do bebê à babá, mostrou que a arte pode estar bem perto do seu café da manhã, e que vale se inspirar para deixar a sua casa mais sustentável e com o seu jeito.


César Fechine Mais de oito mil pessoas se emocionaram com o show do cantor e compositor Milton Nascimento, realizado na comercial da quadra 312 Norte, em Brasília, pelo projeto 30ª Noite Cultural T-Bone, em setembro. O cantor levou o público ao delírio ao fazer uma retrospectiva de sua carreira, interpretando clássicos como Canção da América, Coração de Estudante, Travessia, Nos Bailes da Vida e Maria Maria, entre outros. A Noite Cultural T-Bone tem como objetivo principal democratizar o acesso à população do Distrito Federal em atividades musicais gratuitas. O show de Milton Nascimento teve o patrocínio da Eletrobras Eletronorte, Petrobras e Governo do Distrito Federal. Leia a seguir a entrevista do cantor à revista Corrente Contínua. muito emocionado quando participa de eventos em que todas as classes sociais podem se divertir juntas. Não se consegue fazer show sem energia, nem a física, nem a elétrica. Energia é fundamental para tudo. Como vê os esforços das empresas na busca de formas limpas de geração de energia, como a eólica e as fontes hidráulicas? Eu acredito muito na busca por fontes naturais de energia. E eu tenho muita fé de que este é o caminho certo para o futuro dos nossos filhos. O Brasil está se tornando um país pioneiro na busca por uma energia que não cause danos ao meio ambiente. Por isso mesmo, é preciso que governos e empresas invistam somente neste tipo de empreendimento, que gere energia de uma forma limpa e sustentável. Uma mensagem para os quase quatro mil empregados da Eletrobras Eletronorte - uma das patrocinadoras deste evento, que trabalham todos os dias para garantir a geração de mais energia para o País. Gostaria de dizer a todas essas pessoas para que elas continuem seguindo seu próprio caminho, fazendo as coisas do jeito que elas considerarem certas, mas sem nunca deixar de ouvir o coração, nunca.

Público no show do cantor Milton Nascimento

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Milton Nascimento, é verdade que houve um professor durante a sua infância que o reprovou num teste de música? Essa história aconteceu quando eu tinha por volta de 12 anos de idade, e morava na casa da minha madrinha, no Rio de Janeiro. Era fim do meu primeiro ano no ginásio, e eu tinha que fazer uma prova na escola, que era o Colégio Tijuca Uruguay. E, nessas provas, eu acabei sendo reprovado em desenho e canto. Em seguida, eu me lembro também que isso enfureceu tanto meu pai, que eu tive que voltar para Três Pontas (MG). Chegando lá, fui fazer as mesmas provas de canto e desenho para entrar no Ginásio São Luis. Na primeira, de desenho, fiz a serra de Três Pontas, que depois ficou famosa na capa do meu disco “Geraes” (1976). E depois, na prova de canto, eu escolhi a música “Riders in the sky” (Stan Jones). Acabei passando nas duas e o professor que fez meu teste ficou muito emocionado, pois, por coincidência, essa também era a música preferida dele. Qual a importância dos sonhos para você? Nada na vida dá certo se a pessoa parar de sonhar. E eu levo isso comigo, sempre. Todos os nossos objetivos devem estar focados na busca de nossa realização pessoal. Você continua, como todo artista, “nos bailes da vida, indo onde o povo está”. O que significou para você cantar nas ruas da cidade criada por JK? Eu tenho uma relação com a cidade de muitos anos. Já participei de tudo quanto é evento na cidade, de protestos até posse de presidente. Brasília faz parte da minha vida. É importante o apoio das empresas públicas a artistas e eventos culturais populares, como o realizado em Brasília? Com certeza! Ainda mais quando as empresas fazem um evento gratuito para o público, em espaço aberto, como foi esse que eu participei agora promovido pelo T-Bone. Isso sim é demais! E a gente fica

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Cultura

“Nos Bailes da Vida”

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Corrente Alternada Eletrobras

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XXI SNPTEE discute os desafios do setor elétrico

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César Fechine “O futuro das organizações e das nações dependerá cada vez mais de sua capacidade de aprender coletivamente.” A lição é do engenheiro, filósofo e professor Peter Senge, do Massachusetts Institute of Technology, autor do best-seller “A Quinta Disciplina”, que aborda os conceitos da organização em que as pessoas expandem continuamente a sua capacidade de criar os resultados que realmente desejam. O conceito da “organização que aprende” estimula o trabalho em equipe e sintetiza os objetivos do XXI Seminário Nacional de Produção e Transmissão de Energia Elétrica - SNPTEE, realizado entre os dias 23 e 26 de outubro, no Costão do Santinho Resort, em Florianópolis (SC). Realizado pelo Cigré-Brasil, e coordenado este ano pela Eletrobras Eletrosul, o SNPTEE promove a cada dois anos a troca de experiências técnicas e o intercâmbio de informações entre profissionais de empresas públicas e privadas, centros de pesquisa, universidades e empresas fornecedoras. O evento contou com a participação de 1.600 congressistas e teve 493 informes técnicos apresentados em 15 grupos de estudo. Esses grupos abordam temas como a geração hidráulica, estudos de linhas de transmissão, planejamento de sistemas elétricos, impactos ambientais, sistemas de informação e telecomunicação para sistemas elétricos, entre outros. A primeira edição do Seminário foi realizada no ano de 1971, em São Paulo, e desde então vem cumprindo um papel relevante na melhoria dos serviços energéticos à população brasileira. “A razão de ser do Cigré, presente há 40 anos no Brasil e há 90 anos no mundo, é esta: produzir o conhecimento coletivo”, diz Antônio Varejão de Godoy (à esquerda), presidente do Cigré-Brasil. Representando o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, na abertura do evento, o

secretário-executivo Márcio Zimmermann (à direita), falou dos desafios enfrentados pelo Setor, como a otimização dos custos. Segundo o secretário, cerca de 99% da população brasileira é atendida hoje com energia elétrica e, até 2014, deve-se atingir os 100%. “O País está com um consumo per capita de energia de 2.300 kWh/ano e terá que dobrar isso nos próximos 10 ou 12 anos, como decorrência dos fatores de desenvolvimento. E teremos desafios para dobrar a capacidade instalada, o sistema vai ficar mais complexo, porque a sociedade está demandando energia, cobrando qualidade e gestão eficiente das empresas, com o menor custo possível”, declarou. O Seminário foi considerado bastante oportuno pelo diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS, Hermes Chipp (à direita), para enfrentar os crescentes desafios do setor, como os sistemas de corrente contínua em grandes distâncias, a produção de carro elétrico e a energia distribuída. “Temos que trabalhar uma estratégia de capacitação e de transferência do conhecimento para manter a qualidade e a eficiência. E precisamos estudar e trabalhar cada vez mais as alternativas de geração, as novas tecnologias de transmissão e as redes inteligentes.” As boas-vindas aos participantes ficaram por conta de Eurides Mescolotto (abaixo), diretor-presidente da Eletrobras Eletrosul. “O País só cresce na sua infraestrutura diante de congressistas como vocês, que vêm aqui para trabalhar, estudar e pesquisar. Nossa


Expansão - Após participar da cerimônia de abertura, o presidente da Eletrobras Eletronorte, Josias Matos de Araujo (abaixo, à esquerda), fez coro com os colegas de Mesa e disse que o Seminário apresentaria resultados importantes para o desenvolvimento do País e do setor elétrico nacional. “Tenho a certeza de que as contribuições serão muito importantes e vão abordar temas de interesse nacional, como a parte da automação, das redes inteligentes, a questão do HVDC, considerando que as grandes interligações estarão, a partir de agora, com o advento do Rio Madeira, tomando um impulso maior no País.” Foi consenso entre os presentes que o Brasil está vivendo um momento ímpar no setor elétrico, com a implantação de novos empreendimentos, como Belo Monte, Teles Pires e Sorriso, a produção de energia eólica a R$ 100

o megawatt-hora, o linhão Porto Velho-Araraquara e com as futuras interligações com a Venezuela, por meio da ligação Manaus-Boa Vista, e com o Uruguai, entre outras. Mas os desafios são grandes no Brasil e no mundo. “Eu tive a oportunidade de representar a Eletrobras no encontro E-8 da ONU para discutir o problema do subatendimento de energia. No mundo, 2,5 bilhões de pessoas não têm energia de qualidade e 1,5 bilhão não tem qualquer energia. E o Brasil praticamente eliminou este problema”, declarou José Antonio Muniz Lopes, diretor de Transmissão da Eletrobras. O executivo anunciou o lançamento do programa Luz para Todos 2. “Se nós já atingimos mais de 14 milhões de pessoas, vamos buscar agora as pessoas em situação de miséria”, informou Muniz Lopes (ao lado). Nesta nova fase, a meta do Programa é atender aos cidadãos que vivem em áreas de extrema pobreza, em assentamentos da reforma agrária, as minorias raciais, como quilombolas e indígenas, os atingidos por empreendimentos do setor elétrico e os moradores de áreas isoladas. Criado pelo Governo Federal em novembro de 2003, o Programa Luz para Todos já beneficiou mais de 14,2 milhões de pessoas em todo o Brasil, até setembro de 2011.

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Senhora do Desterro, o primeiro nome da Ilha de Santa Catarina, os recebe de braços abertos. Façam aquilo que é fundamental para que a infraestrutura de energia continue firme, forte e contribuindo para o desenvolvimento do nosso País.”

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fotos: herminio nunes /eletrosul

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O presidente da Eletrobras Eletronorte, Josias Matos de Araujo, preside a mesa coordenadora do Grupo de Estudo de Desempenho de Sistemas Elétricos

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Sessão Técnica - Foi na manhã de uma segunda-feira (24/10), que o presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto (à esquerda), abriu os trabalhos técnicos do XXI SNPTEE com a palestra Desafios da Geração e da Transmissão no Brasil. “O setor elétrico brasileiro terá que investir cerca de R$ 450 bilhões, nos próximos 20 anos, e a geração de energia deverá passar de 109.500 MW, em 2010, para 236 mil MW, em 2030”. Outro desafio, na opinião do presidente da Eletrobras, será a expansão do sistema de transmissão, que deverá passar de 96 mil quilômetros para 182 mil quilômetros. Ele falou também sobre as metas da ONU para 2030, desafios associados à introdução de eólicas, energia distribuída, ampliação das fontes renováveis na matriz energética brasileira, que chega a 45,5%, e sobre a necessidade de melhorar a operação e manutenção. “Nós temos hoje uma perda de 17% e este valor deveria estar muito menor”, declarou. José da Costa Neto também defendeu a renovação das concessões no setor elétrico. Entre 2015 e 2017, vencem as concessões da Eletrobras equivalentes a 14 mil MW de geração e a cerca de 60% das linhas de transmissão. “No mundo inteiro, o bom concessionário, que está prestando um bom serviço, deve continuar. É lógico que nós defendemos também que uma parte do ganho seja repassado para o consumidor”, acrescentou.

Depois da palestra do Presidente da Eletrobras começaram as sessões de apresentação dos informes técnicos. A Eletrobras Eletronorte participou do evento com 46 artigos, 45 autores, quatro relatores e um membro na Comissão Técnica. A ExpoSNPTEE, uma feira realizada em paralelo ao Seminário, e que reuniu 50 expositores, mostrou produtos e serviços oferecidos pelas empresas fornecedoras. Transmitir - O livro “Projeto Transmitir Alternativas Não-Convencionais para a Transmissão de Energia Elétrica em Longas Distâncias” foi lançado no primeiro dia do XXI SNPTEE. O livro é resultado de um projeto de Pesquisa e Desenvolvimento - P&D coordenado pela Eletrobras Eletronorte e registra o estado da arte com as alternativas técnicas, econômicas e ambientais que ajudarão a superar o desafio de transmitir grandes blocos de energia, em especial a energia potencial das bacias hidrográficas da Amazônia. Entre as tecnologias não-convencionais para transmissão de energia em longas distâncias em estudo estão: Transmissão em Corrente Contínua; Transmissão em Ultra Alta Tensão (UAT) em Corrente Alternada (acima de 1.000kV); Sistemas de Transmissão em Meia Onda; Sistemas Hexafásicos; e Transmissão de Hidrogênio e Supercondutores. Participam do Projeto Transmitir as empresas cooperadas Eletrobras Furnas, Cemig, CTEEP e EATE, especialistas das fundações Coppetec, da Universidade Federal do Rio de


minha equipe para estudarmos mais o assunto e verificar a aplicabilidade em nossa Empresa. Por sua vez, quero ressaltar que os trabalhos apresentados pelos nossos empregados mostrando as nossas melhores práticas fizeram uma grande diferença, ou seja, os trabalhos que eu tive a oportunidade de assistir da Eletronorte me orgulharam muito. Pelos comentários que a platéia fazia me deu como resultado que estamos no caminho certo. Parabéns aos autores de trabalho da Eletronorte que estão fazendo um novo acontecer e compartilhando com as demais empresas o nosso sucesso”.

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Belo Monte - O painel técnico Aspectos ambientais com a introdução da Usina de Belo Monte (foto abaixo) foi um dos eventos mais concorridos do XXI SNPTEE. Cassandra Molisani, superintendente de Meio Socioeconômico da Norte Energia S/A, explicou como está sendo feito o atendimento dos migrantes e disse que o fluxo ainda não é elevado, até porque a obra está no ritmo inicial. “Atualmente, há quase 18 mil cadastrados. O Plano de Relacionamento com a População já vem sendo desenvolvido na região há algum tempo e o trabalho é feito família por família. O Fórum de Acompanhamento Social também foi implantado este ano e está sendo realizado o Plano de Articulação Institucional, que prevê a capacitação de 500 agentes municipais, com cursos da Escola de Gestão Pública”, informa.

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Janeiro, e FDTE, da Universidade do Estado de São Paulo, além de representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica - Aneel, Ministério de Minas e Energia e Empresa de Pesquisa Energética - EPE. Ainda no primeiro dia do Seminário, o presidente da Eletrobras Eletronorte, Josias Matos de Araujo, presidiu a mesa coordenadora do Grupo de Estudo de Desempenho de Sistemas Elétricos. “É preciso buscar uma remuneração adequada à instalação de equipamentos no sistema. Também estamos começando a integração das fontes alternativas e eólicas e isso vai exigir um trabalho não somente na área de controle, mas de qualidade, pois teremos também as fontes distribuídas. E, mais cedo ou mais tarde, teremos também o advento, no nosso País, das cargas móveis, um conceito totalmente diferente, mas que já é um problema mundial e que deverá ser tratado também com dedicação pelos especialistas nacionais”, esclareceu Josias. No segundo dia do SNPTEE, o diretor de Operação, Wady Charone Júnior, presidiu a mesa do Grupo de Estudos de Aspectos Técnicos e Gerenciais de Manutenção. “O SNPTEE é um seminário rico em potencializar melhorias nas empresas do Setor Elétrico. No grupo em que fui convidado a presidir a Mesa, ao qual agradeço a honra do convite, tive a felicidade de ter contatos com várias práticas de sucesso de outras empresas. Algumas dessas práticas observadas fizeram com que eu reunisse algumas pessoas de

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Moara Giasson, analista ambiental e assessora técnica da Diretoria de Licenciamento do Ibama, explicou que o processo de licenciamento ambiental de Belo Monte começou em 2006. As primeiras reuniões públicas para a discussão do termo de referência do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto ambiental - EIA/Rima foram realizadas em 2007, nas cidades de Altamira e Vitória do Xingu. No mesmo ano foram realizados diversos workshops com a participação da Agência Nacional de Águas - ANA, Secretaria de Vigilância Sanitária, Funai, Iphan, órgãos estaduais de meio ambiente e saúde. Em maio de 2009 começou a apresentação do EIA-Rima em audiências públicas, que reuniram milhares de pessoas em Altamira, Brasil Novo, Vitória do Xingu e Belém. Finalmente, em fevereiro de 2010, houve a emissão da Licença Prévia. “É importante salientar que a bacia hidrográfica do Rio Xingu possui 60% de suas áreas protegidas. Entre as exigências dos estudos estão a ampliação da Área de Proteção Permanente no entorno do reservatório de 100 para 500 metros, estudos de compensação ambiental, conservação das espécies e implantação de um mecanismo para a transposição de embarcações. Os estudos indicam a vazão mínima de 700 m³/seg na época de seca na Volta Grande do Xingu”, explicou Moara.

O saneamento básico será feito em 100% nas cidades de Altamira e Vitória do Xingu, além da melhoria e ampliação do sistema de abastecimento de água e diversas obras nas áreas de saúde, educação e de infraestrutura. O Ibama faz vistorias mensais para acompanhar as reuniões do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu - PDRSXingu e monitorar as ações socioambientais. O empreendimento possui um total de 45 programas ambientais, com 87 ações atualmente em andamento. “É importante frisar que todo esse processo envolve uma equipe técnica enorme e a articulação com vários órgãos governamentais, além dos agentes sociais”, acrescenta Moara. Os estudos que tratam da ampliação das interligações da Região Norte com as regiões Nordeste e Sudeste, após a construção de Belo Monte, foram apresentados por Maria Alzira Noli, consultora técnica da Superintendência de Transmissão de Energia da Empresa de Pesquisa Energética - EPE. As alternativas consideradas como as mais prováveis para a interligação de Belo Monte são: três linhas em 500 kV até Miracema (TO) para a interligação Norte-Nordeste, com 2.000 km; e dois bipolos em +800 kV CC com 2.575 km para a interligação Norte-Sudeste. “A previsão é de que essas linhas entrem em licitação para operação em

O diretor de Operação da Eletrobras Eletronorte, Wady Charone, presidiu a Mesa do Grupo de Estudos de Aspectos Técnicos e Gerenciais de Manutenção

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Melhores trabalhos - A Eletrobras Eletronorte teve quatro informes técnicos entre os melhores avaliados no XXI SNPTEE. Os trabalhos são analisados primeiramente

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Potencial - O diretor de Planejamento e Engenharia, Adhemar Palocci, também participou do painel técnico sobre Belo Monte e da presidência da Mesa do Grupo de Estudo de Planejamento de Sistemas Elétricos. “Eu quero destacar alguns pontos para reflexão: que país no mundo teria a coragem de abrir mão de 11 mil MW de energia hidráulica? E que país no mundo com um potencial conhecido de mais de 100 mil MW de energia hidráulica não exploraria esta fonte?”, indagou”. Então, nós estamos numa discussão de 1975 com uma realidade de 2011”, afirma. Quanto à obra, não há nada que a engenharia brasileira não conheça, segundo Palocci. São três grandes projetos: a barragem principal, a cerca de 40 km de Altamira; a região do canal, que envolve aproximadamente 20 km de escavação e que, por questões de engenharia e ambientais, tornou-se apenas um canal; e a casa de força principal, depois da Volta Grande do Xingu. A casa de força contará com 18 unidades com potência de 615 MW e a barragem principal terá cerca de 90 metros de altura. Sobre o valor da obra, o Diretor disse que o investimento total será em torno de R$ 25 bilhões. “Não são os R$ 19 bilhões inicialmente previstos, mas também não chega aos R$ 30 bilhões que andam falando.” Palocci ressaltou que se hoje é preciso investir uma parcela maior na compensação ambiental, a sociedade precisa saber que isso representa um aumento na tarifa de energia elétrica, ao custo que todos nós vamos pagar. “Eu até hoje não vi ninguém dizer que não quer mais energia ou que não quer mais a Amazônia. Então, precisamos ter a sabedoria de explorar o potencial que nós temos, e que nenhum outro país tem, com preservação. E reafirmo: energia hidrelétrica é a mais limpa, renovável e a mais barata”, completou.

pelos relatores com uma nota com peso 3. Posteriormente, na apresentação do informe técnico no Seminário, os congressistas fazem uma avaliação, com uma nota que tem peso 1. No Grupo de Estudos de Geração Hidráulica - GGH, a Empresa ficou em terceiro lugar com o trabalho de Classificação de Padrões Operacionais do Atuador Hidráulico do Distribuidor de um Hidrogerador Utilizando Técnicas de Estimação Paramétrica e Lógica Fuzzy, de autoria de Marcelo Nascimento Moutinho (abaixo). “Os resultados indicam que os modelos utilizados são boas representações da dinâmica do equipamento e podem ser aplicados como modelos preditivos em técnicas de manutenção”, informa Marcelo. A Empresa também ficou em segundo lugar no GGH com o trabalho Validação do Sistema de Instrumentação para Monitoramento e Análise de Descargas Parciais-IMA DP em Laboratório e na UHE Samuel. Esse sistema, projetado e desenvolvido pelo Cepel com a participação da Eletrobras Eletronorte, está sendo utilizado no monitoramento dos geradores 1 e 2 da UHE Tucuruí. No Grupo de Estudos de Operação de Sistemas Elétricos - GOP, a Eletrobras Eletronorte ficou em segundo lugar com o trabalho de Análise para Indicadores de Desempenho Preventivo Focado na Disponibilidade das Funções de Transmissão, Considerando a Confiabilidade e Mantenabilidade, apresentado por Antônio Júlio de Almeida Amoras (ao lado). “Este processo de gestão de desempenho permite a tomada de decisão junto às equipes de operação e manutenção, buscando a eliminação de defeitos ou falhas, o aumento da disponibilidade e permitindo compor o indicador preventivo para a disponibilidade das funções de transmissão”, resume Amoras. Finalmente, uma equipe da Eletrobras Eletronorte ficou em segundo lugar no Grupo de Estudos de Aspectos Técnicos e Gerenciais de Manutenção - GMI, com o trabalho Métodos Quantitativos Aplicados na Otimização da Manutenção realizando Previsão Orçamentária para Troca de Componentes Buscando Confiabilidade, Mantenabilidade e Disponibilidade de Equipamentos, apresentado por Lílian Ferreira Queiroz. “A Engenharia de Manutenção da Eletronorte desenvolveu conjun-

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2014. São mais de 12 mil km de linhas, há um aumento grande das interligações e o sistema vai operar completamente diferente depois da entrada de Belo Monte”, explica Maria Alzira.

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tamente com o Cepel o programa Conweib, que analisa as falhas dos componentes e calcula a probabilidade de a próxima falha ocorrer, por meio de um histórico de dados. Com este trabalho, a equipe de manutenção conseguirá dimensionar os sobressalentes necessários em cada subestação e o momento que deve ser feita a previsão orçamentária e a compra dos componentes”, explica Lílian (ao lado).

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Planalto Central - O trabalho de organização do SNPTEE começa quando o último evento termina. A Comissão Técnica tem a responsabilidade de selecionar os resumos dos trabalhos, que, nesta edição, chegaram a 1.600. Durante o evento, a comissão elabora as constatações técnicas, que são apresentadas na sessão de encerramento, e define os três melhores trabalhos de cada grupo, totalizando 45 premiados. “São dois anos de intensa atividade. O nosso objetivo foi trazer satisfação a todos e, até o momento, a nossa percepção foi bastante positiva. Agradeço a todos que nos auxiliaram na realização do evento”, diz Adriano Pauli, coordenador-geral do XXI SNPTEE. A

relação dos melhores trabalhos e as constatações técnicas estão disponíveis no sítio www.xxisnptee.com.br. Ao receber “as chaves” da 22ª edição do Seminário, que acontecerá em Brasília, em 2013, sob a coordenação da Eletrobras Eletronorte, Josias Matos de Araujo lembrou que o SNPTEE se confunde com a história da Empresa. “A Eletrobras Eletronorte realizou o VII SNPTEE em 1984, uma data extremamente significativa, quando entrou em operação comercial a Usina Hidrelétrica Tucuruí. Posteriormente, realizamos o XIV SNPTEE em Belém do Pará, quando iniciamos as obras da Interligação Norte-Sul. E o próximo evento será em 2013, no Planalto Central, quando estaremos comemorando os 40 anos da nossa Empresa.” E o XXII SNPTEE já tem data marcada para começar: outubro de 2013. “Já foi formada a comissão que vai coordenar o evento e tenho a certeza de que alcançaremos o sucesso técnico e de infraestrutura para os autores, apresentadores e participantes do Seminário”, antecipa Antônio Simões Pires, integrante da Comissão Técnica do XXI SNPTEE e chefe do Gabinete da Presidência da Eletrobras Eletronorte.

Parte da equipe Eletrobras Eletronorte presente no XXI SNPTEE, em frente ao estande das empresas Eletrobras

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Ketamyna Atroari simboliza a superação, deixa no passado o risco da extinção e confirma o recado do seu povo: “Digam ao mundo que vivemos”

idealizado para compensar os impactos provocados pelo alagamento de 30 mil hectares das terras indígenas - hoje demarcadas em 2.585.911 ha - pela Hidrelétrica Balbina. Saúde - Um dos principais fatores responsáveis pelo crescimento populacional desses índios é o subprograma de saúde. O objetivo é garantir boas condições de vida à população Waimiri Atroari, valorizar a medicina tradicional e repassar conhecimentos das outras formas de medicina. Na reserva existem 19 postos de saúde e oito laboratórios. As atividades são realizadas por uma médica, enfermeiras, odontólogas, 18 agentes técnicos de saúde, um motorista, com o apoio de 39 agentes técnicos de saúde e 12 laboratoristas indígenas. No início todos os laboratoristas eram brancos, mas depois os primeiros Waimiri foram sendo treinados e repassaram os conhecimentos para outras pessoas da comunidade. Hoje são 12 escolhidos pelo povo.

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O dia 4 de novembro de 2011 ficou marcado na história do povo Waimiri Atroari. Nasceu Ketamyna Atroari, a milésima quingentésima índia da comunidade que vive na divisa dos estados do Amazonas e Roraima, próxima ao lago da Usina Hidrelétrica Balbina. Com quatro quilos e 49 centímetros, a pequena Ketamyna (pronuncia-se quetamuná) é uma prova de vida para um povo que, em 1988, somava apenas 374 indivíduos. Ketamyna nasceu na Aldeia Paryry (pronuncia-se paruru) e é filha de Djawaky Atroari e Minywa Atroari. Os Waimiri Atroari sobreviveram à extinção - morriam em média 20% ao ano e hoje têm taxa de natalidade de 6% ao ano - graças ao programa Waimiri Atroari, implementado pela Eletrobras Eletronorte, em parceria com a Funai, sob a orientação do indigenista Porfírio Carvalho. Segundo ele, “os índios estão todos muito bem, vivendo em suas terras sem invasores, sem perturbação, de acordo com sua cultura”. Mas nem sempre foi assim. “Em 1986 reencontrei os Waimiri numa situação muito difícil. Estavam doentes, tristes, perambulando pela rodovia BR-174, pedindo carona a caminhoneiros, dependentes de alimentação e doações. Morriam, em média, 20% ao ano. Podia-se dizer que estavam caminhando para o extermínio. Aquele povo que conheci em 1969, guerreiros altivos, defensores do seu território e de suas vidas, estava triste, aguardando algo que não sabia exatamente o que era. Ainda não havia demarcação nem definição dos limites de suas terras”, explica o indigenista. Reconhecido como referência mundial, o Programa inspira políticas públicas, investe na valorização étnica e faz a diferença na história das comunidades indígenas da Amazônia.Homens, mulheres, crianças e idosos caminham saudáveis pelas aldeias onde a comida é farta e, o sistema de organização social, uma aula de cidadania. Tudo por meio do Programa

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Meio Ambiente

Nasce Ketamyna, a 1500ª Waimiri Atroari

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Educação - Na educação não é diferente. O método é único no mundo, desenvolvido exclusivamente para eles. Primeiro, aprendem a escrever na língua própria e, quando já estão interpretando a escrita, começam a aprender o português e a matemática. São bilíngües. As aulas não se limitam à escola, mas podem ser explorados outros espaços como recurso didático, a exemplo de caçadas, pescarias, construção de malocas. São 22 escolas, 54 professores Waimiri Atroari e sete não-índios que auxiliam em disciplinas como ciências, geografia e matemática. No

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início do Programa não havia professores da etnia, o que foi acontecendo com a realização de cursos de capacitação e formação. Produção - A valorização da capacidade de produção dessa comunidade também fez a diferença. Antes do Programa, os Waimiri Atroari viviam um processo de desagregação de seus processos produtivos passando para uma dependência alimentar. Com o Programa, os índios voltaram a realizar seus roçados tradicionais e sua independência alimentar foi resgatada.


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Para Porfírio Carvalho, idealizador do Programa Waimiri Atroari, o trabalho mudou a vida dessa comunidade indígena. “Não é um trabalho qualquer, mas de sentimento, de amor. Hoje, os Waimiri Atroari são um povo orgulhoso da sua vida, do seu território e da sua cultura”, enfatiza Carvalho. Em 2003, nas festividades do nascimento do 1000º Waimiri, o cacique Mario Pawere comemorou o fim da ameaça de extinção, saudou os convidados brancos e deixou o recado dos Waimiri Atroari : “Digam ao mundo que vivemos!”

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Uma festa para Ketamyna - As aldeias Waimiri Atroari impressionam pelo tamanho, pela limpeza e magnitude das malocas. Em breve uma delas receberá a festa de comemoração pelo nascimento de Ketamyna Atroari e, durante dias, eles cantarão, dançarão e beberão uma de suas originais preparações culinárias, o mingau de buriti. O coco do buriti é coletado na mata, triturado e misturado à tapioca. Na cozinha, as mulheres também preparam peixes, caças e mingau de banana. Os Waimiri Atroari não consomem álcool nem qualquer outro tipo de droga.

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Tecnologia

Em Belém, Infocentro Eletrobras Eletronorte aposta em capacitação Em 2010, fase experimental do projeto, 297 alunos concluíram o curso de software livre, e 12, o de manutenção de computadores. Em 2011, somente no primeiro semestre, já se formaram 356 alunos

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Capacitação é a palavra chave para quem deseja adentrar o mercado de trabalho. A falta de oportunidade e a exclusão social levam milhares de jovens a trilhar caminhos turbulentos. Mudar essa realidade não é fácil. Mas há bons caminhos para fazer a diferença na vida das comunidades. Um deles é o das ações que a Eletrobras Eletronorte desenvolve nas áreas em que atua, pautadas pelo compromisso com a sustentabilidade, com investimentos em qualificação dos moradores do entorno. Isso significa inclusão, cidadania e estímulo à geração de trabalho e renda. Um desses investimentos é o Infocentro, resultado de uma parceria entre a Eletrobras Eletronorte e o Governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia - SEDECT e Empresa de Processamento de Dados do

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Turmas de informática são formadas mensalmente

Estado do Pará - Prodepa. O programa do Governo Federal foi bem recebido pela Empresa e, desde 2010, está em pleno funcionamento nas instalações da Eletrobras Eletronorte no Bairro do Barreiro, em Belém, considerado um dos de maior vulnerabilidade social, com altos índices de violência. Mensalmente são formadas quatro turmas de informática básica para atender as comunidades do bairro. Diariamente, cerca de 40 pessoas passam pelo local para realizar pesquisas e acessar gratuitamente a internet e, desde junho de 2011, para realizar cursos a distância disponibilizados pela Universidade Corporativa da Empresa. Atualmente é o maior Infocentro do Pará aberto ao público. São mais de 30 comunidades cadastradas e assistidas em um ambiente climatizado com 34 computadores,


Equipe Infocentro

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Público aguarda para acessar computadores

por meio do Navega Pará; manutenção dos equipamentos quando necessário; e o fornecimento dos certificados. O Navega Pará é um programa de inclusão digital resultado da parceria entre a Eletrobras Eletronorte e o Governo do Estado do Pará. Em 30 de março de 2007, foi assinado um convênio de cooperação técnica com o objetivo de incrementar a infraestrutura de telecomunicações do Estado por meio do compartilhamento de cerca de 1800 quilômetros de rede de fibras ópticas da Empresa. Diante da grande procura no bairro do Barreiro, a Eletrobras Eletronorte acrescentou mais cinco computadores completos na sala de acesso livre e outros quatro na sala

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sendo 24 em sala para aula e 10 em sala para acesso livre. Em 2010, fase experimental do projeto, 297 alunos concluíram o curso de software livre, e 12 o curso de manutenção de computadores. Em 2011, somente no primeiro semestre, foram formados 356 alunos. Na parceria realizada para implantação do Infocentro, coube ao Governo do Estado o fornecimento de 20 computadores completos, mesas e cadeiras, para a sala de aula; cinco computadores completos para a sala do acesso livre; uma impressora; um datashow; dois instrutores para as turmas (manhã e tarde); câmera filmadora instalada para monitoramento da sala de aula; acesso à internet

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de treinamento, além de um completo para o instrutor. A Empresa também contribuiu com a infraestrutura de apoio para a secretaria com dois computadores, bebedouro, cafeteira, espaço físico, climatização em todas as salas, serviço de vigilância, limpeza, conservação, água e iluminação. A Eletrobras Eletronorte contribui ainda com dois estagiários que auxiliam os instrutores, assim como atendimento e dedicação integral de uma pessoa do quadro de empregados. Para quem frequenta o Infocentro, fica a certeza de que, ali, jovens e adultos ocupam o seu espaço e procuram muito mais do que um passatempo, uma oportunidade para mudar de vida. Com ar sério e cabelos brancos, o administrador de obras Rui Nelson Taveira da Silva, 65 anos, chama atenção em meio à juventude. Os olhos fixos no monitor de-

monstram o interesse de quem sabe o valor do conhecimento. Ele começou a frequentar as aulas incentivado pelo enteado, David Cruz, 18 anos, que já participava há algum tempo. Ambos são moradores de um bairro vizinho, Telégrafo, por não terem acesso à internet, vão ao Infocentro realizar pesquisas e aprender um pouco mais. “Não tinha nenhuma noção de informática. No meu tempo fazia tudo datilografando na máquina de escrever. Com o que aprendi aqui, melhorou e ajudou muito o meu desempenho no trabalho. Além disso, gosto de pesquisar sobre a vida marinha e ajudar nos trabalhos de pesquisa do David. Essa iniciativa da Eletronorte é muito importante para as crianças se aperfeiçoarem de forma gratuita. É muito bom, desde que usem a informática para assuntos úteis”, afirma.

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Mais inovação. Mais diferencial Inovar para se manter é o lema do Infocentro, que se diferencia dos demais pelas atividades e melhorias que vem implementando aos cursos, de forma que o aprendizado no Barreiro seja cada vez mais reconhecido e confiado pela sociedade. Ao iniciarem as turmas, é realizada uma aula inaugural em que as regras da Eletrobras Eletronorte e as de utilização do Infocentro são divulgadas, evitando assim que qualquer ato de vandalismo possa ocorrer dentro da Empresa. Os cursos, que têm duração de um mês, ensinam acesso à internet, processador de texto, planilha e apresentação, com avaliação ao final de cada módulo. A presença é cobrada e os alunos só recebem o certificado se tiverem boa avaliação e 75% de frequência. Na metade do curso é realizada uma palestra pela manhã e outra à tarde, ministrada pela Área de Responsabilidade Social da Empresa, com temas atuais e de interesse da comunidade. Quando se aproxima o período de seleção para novos instrutores pela Secretaria de Estado e Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia - Sedect, o Infocentro convida os alunos que mais se destacaram para se tornarem voluntários como monitores das turmas, oportunizando assim, além da aquisição de didática para o ensino, o aperfeiçoamento do conhecimento e a possibilidade de passarem no concurso que seleciona os novos instrutores. No último concurso, seis desses ex-alunos foram aprovados e serão instrutores em algum Infocentro do Pará,

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inclusive no da Empresa. Ao término do curso, todos estão entrosados socialmente e motivados a ponto de não dispensarem uma confraternização que acontece após o último dia de aula, com direito a refrigerante e docinhos fornecidos pela própria turma. A presença de uma pessoa dedicada em tempo integral ao Infocentro, além de viabilizar um bom relacionamento com os alunos, ajuda a zelar pelo patrimônio da Empresa, mesmo com a circulação de mais de 120 pessoas por dia, de segunda a sexta-feira. Como a demanda do Infocentro é muito grande, Catarina Fernandes (acima) tem a árdua e emocionante tarefa de conviver no dia a dia com a ansiedade e a busca de conhecimento da comunidade, com as diversas situações e histórias de vida. Catarina afirma que, depois da implantação do Infocentro, houve redução de 60% dos assaltos sofridos pelos empregados da Eletrobras Eletronorte. “A maioria desses jovens tem uma história de vulnerabilidade, marginalização e risco de vida. Eles vivem em situação de risco, em um dos bairros mais perigosos de Belém. Desde cedo, convivem com as mazelas sociais, exclusão, violência, drogas e abandono. Ninguém trabalha com a comunidade sem conhecê-la, eles vêm onde sabem que serão atendidos. Não procuram apenas o curso, mas atenção, pessoas que os olhem sem discriminação”, destacou.


Em tão pouco tempo foram realizados cerca de 1240 acessos, que fizeram que o DTCom batesse o record de utilização. A maioria das famílias na região vive com menos de um salário mínimo e aposta na melhoria do currículo para conquistar um emprego. Outro aluno que chegou ao Infocentro em busca dos cursos da TV Educativa é Elielson Rodrigues (acima, à esquerda), 31 anos. Desempregado há meses, sentiu falta de algo que deixasse seu currículo mais atrativo para as empresas. “A gente vive em uma sociedade informatizada, que exige cada vez mais conhecimento. Estou há um bom tempo sem emprego, não tive como competir por uma vaga e muito menos pagar por qualificação. Por não acompanhar esse ritmo global, fiquei para trás, mas estou aqui para reverter essa situação”, desabafou. A implantação dos cursos aproximou da Eletrobras Eletronorte, o Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) e o Centro Especializado de Assistência Social (CREAS), ambos coordenados pela Fundação Papa XXIII- Funpapa. Nestas instituições os menores que cometem algum tipo de delito passam por processo de ressocialização como medida socioeducativa de liberdade assistida. São encaminhados para o Infocentro, onde dedicam parte do tempo aos estudos, evitando assim a ociosidade e as atividades de rua. Esta é uma penalidade decretada pelo Juizado da Infância e Adolescência, por um período de seis meses, em assistência com terapia (psicólogos e assistentes sociais) e atividades educativas. Ao longo dos seus 38 anos de atuação na Amazônia, a Eletrobras Eletronorte tem como diferencial na sua política e cultura organizacionais a responsabilidade socioambiental e o compromisso com as comunidades. Hoje, ações como o Infocentro fortalecem as metas estabelecidas pelo Governo Federal, promovendo o combate à miséria e a inclusão digital. E isso faz a diferença na vida de pessoas como Elielson, Suany (acima, à esquerda) e David (ao lado, à direita da foto com Rui Nelson). Como disse Catarina, no Bairro do Barreiro, em Belém, há muitas histórias a contar e o Infocentro fará parte de muitas. Colaborou Leila Cruz

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A Educação Corporativa Eletrobras Eletronorte, em parceria com a Rede DTCom, oferece à força de trabalho da Empresa um completo sistema de educação corporativa online, que converge TV digital via satélite e Internet, possibilitando o acesso integral aos dois pilares da educação à distância: conteúdo e tecnologia. A TV Educativa Digital, agregada aos outros recursos tecnológicos da Ucel, propicia a gestão do conhecimento e o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias ao negócio da Eletrobras Eletronorte e conta com três canais exclusivos de treinamento: Canal Autodesenvolvimento - desenvolve as competências gerenciais e de suporte; Canal Gestão Corporativa - desenvolve as competências estratégicas, e Canal Gestão Pública - desenvolve as competências gerenciais. A área de Educação Corporativa e a DTCom oferecem programas contínuos de aprendizagem, de acordo com as necessidades de treinamento do mercado e das mudanças e tendências em gestão empresarial, para aprimoramento das habilidades individuais e aumento da produtividade. A Eletrobras Eletronorte expandiu, desde julho, a utilização dos mesmos cursos disponibilizados para os empregados aos alunos do Infocentro. A aceitação foi tão surpreendente, que a sala de acesso livre passou a ficar ocupada 90% do tempo disponível. Hoje são mais de 498 inscritos, e alguns deles já fizeram mais de 50 cursos, demonstrando que a comunidade recebeu de braços abertos essa iniciativa da Empresa. A estagiária do Processo de Desenvolvimento de Automação e Monitoramento - Deam, Suany Reis Miranda, 18 anos, voluntária no Infocentro, realizou 50 cursos e convidou os irmãos Faustino Silva e Miranda (15) e Elder Machado Palheta (19) para se inscreverem nas atividades do DTCom. “Meus irmãos são esforçados. Ter cursos de qualidade disponíveis gratuitamente é uma boa oportunidade para a capacitação”. Elder afirma orgulhoso que realizou 36 cursos. “As videoaulas e as apostilas ajudam muito na compreensão do conteúdo. Os exercícios permitem avaliar o quanto aprendi. Eu me empenhei muito. Os cursos são muito bons, e fundamentais para que eu possa conseguir um emprego no futuro, pois o meu currículo ficou mais interessante”.

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Educação Corporativa e DTCom viabilizam novos cursos via internet

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Cultura

A música sem fronteiras

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Arícia Figueiredo

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Em uma sala, pessoas de diversas idades e gostos se reúnem para simplesmente viajar. A viagem sem destino ocorre numa questão de segundos, onde é possível ir ao inimaginável, ao infinito, andar descalço pelo espaço, passar pelas sete maravilhas do mundo em um piscar de olhos. Sob os acordes de violinos, violoncelos e instrumentos variados, é possível imaginar estar ao lado de Beethoven, Villa Lobos e muitos outros artistas consagrados da música erudita. O passaporte para essa viagem é oferecido pela Orquestra do Estado de Mato Grosso, onde os passageiros são protagonistas de suas histórias mais íntimas. Criada em 2005, a Orquestra do Estado de Mato Grosso já ocupa um lugar proeminente na música de concerto produzida no País. Em sete temporadas, o grupo já foi aplaudido por meio milhão de pessoas em mais de uma centena de cidades brasileiras de todas as regiões do Brasil. Até agora, foram 62 programas ou repertórios apresentados, incluindo o resgate da obra de mestres da música de Mato Grosso e composições de destaque da literatura universal. Regida pelo maestro Leandro Carvalho, a Orquestra traz em suas raízes a lucidez erudita que mantém o clássico, toques da marcante cultura de Mato Grosso, como o som inconfundível da viola de cocho - instrumento musical parecido com uma viola - e os traços inconfundíveis da musicalidade brasileira. São essas e outras misturas que proporcionam ao público viajar sem limites em cada música apresentada. Em sua série de concertos, a Orquestra traz não apenas ao povo matogrossense, mas a todos os brasileiros, a musicalidade do erudito com adequações contemporâneas, tendo sempre como norte a universalização da música, da arte e da oportunidade de sonhar ao ouvir os acordes. As apresentações se dividem em três: Concertos Oficiais, Concertos Didáticos e Concertos Populares..

Em viagens musicais, Orquestra do Estado de Mato Grosso democratiza o acesso à cultura e lota praças e escolas por onde passa Homenagear e emocionar - Ao entrar em um teatro, o burburinho. A iluminação sutil e a atmosfera carregada de expectativa para o início do grande espetáculo fazem sentir o peso e a responsabilidade que a música de concerto traz consigo. São inúmeros os compositores que mudaram a forma de percepção da música e a trilha sonora de séculos, traçando um longo caminho de história musical até os dias de hoje. A série de Concertos Oficiais, patrocinada pela Eletrobras Eletronorte, tem como principal característica a apresentação de repertórios muito elaborados e inventivos, em que novas experimentações combinam-se com o repertório tradicional da música de concerto de vários países e períodos criativos. A série sempre conta com a colaboração e virtuosismo de renomados artistas de vários lugares do mundo, com carreiras reconhecidas pelo público e pela crítica. Em seis anos de atuação, foram vários os profissionais não só do Brasil, mas de todo o mun-


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grupo. “Hoje em dia, quando recebo uma partitura para viola de chocho, não preciso adaptar tanto quanto antigamente. Nos primeiros anos, os arranjadores escreviam para viola de cocho pensando violão. Era um problema porque há notas que a viola de cocho não alcança”, explica o violeiro. “O grupo é muito autêntico e criativo, é notável perceber a façanha realizada pela Orquestra nesses últimos anos, inserindo a viola de cocho e outros instrumentos pantaneiros em apresentações muito eruditas, caso de As Quatro Estações de Vivaldi, com a viola no papel do cravo”, complementa. Mas o grupo não impressiona somente artistas. Quando a estudante Cristiane Lima foi, pela primeira vez, ao Cine Teatro de Cuiabá assistir uma apresentação de música clássica, a Orquestra conseguiu entrar para a história de vida da jovem. Ela relata que estar na plateia, ouvindo o som dos instrumentos, foi ter a sensação de permanecer junto aos músicos. “Quase não acreditei que estava no teatro assistindo à apresentação. Me senti tão à vontade, como se o lugar onde me sentei fosse sempre meu. Tive a sensação de que os músicos tocavam para mim, como se conhecessem o que eu sentia naquele momento. Me senti livre como em uma música”.

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do, que colaboraram com o compromisso de emocionar plateias. Ricardo Tacuchian, compositor brasileiro que teve suas composições apresentadas pela Orquestra em 2010, pôde conhecer o grupo ao participar dos ensaios para os concertos. “Foi uma grata surpresa. Vi um grupo de músicos jovens e extremamente talentosos, que mostram garra, disposição, musicalidade e fluência. O resultado é surpreendente. Uma boa orquestra é resultado de muito esforço de bons músicos e de um bom maestro. Leandro Carvalho é um regente muito musical e tem uma coisa que não se aprende nas escolas: a musicalidade. A Orquestra de Mato Grosso é voltada para a realidade cultural brasileira. É muito difícil ver orquestras brasileiras programando autores brasileiros, ainda mais quando o autor é vivo. E a Orquestra de Mato Grosso é uma das poucas que faz isso”. Da sua criação até hoje, a Orquestra evoluiu muito na organização dos concertos, processos logísticos e formações. O veterano Bruno Pizaneschi (foto acima), violonista e violeiro da Orquestra desde sua formação, lembra um momento curioso na história do

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Na escola ou na praça, a cultura Acordes, ritmos e melodias estão invadindo salas, pátios e ginásios de escolas de Mato Grosso com outra atuação marcante da Orquestra: os Concertos Didáticos. Nessa série, os concertos são direcionados ao público escolar, onde professores são capacitados e alunos têm contato direto com a cultura erudita. A série atende por ano 30 instituições de ensino da rede pública e privada das cidades de Cuiabá, Várzea Grande e Nobres. As apresentações são realizadas no ambiente escolar, em quadras esportivas, pátios e auditórios, mas também levam milhares de jovens às salas de concertos em Cuiabá, a grande maioria, pela primeira vez. Além de apresentar a música de concerto para os alunos, a série prepara professores para lidar com a música no ambiente de ensino. “As Oficinas de Capacitação instruem os professores a trabalhar a música como ferramenta pedagógica. Por ano, 200 professores são capacitados e aproximadamente 15 mil pessoas são favorecidas pelas apresentações didáticas”, explica Érika Lustosa, coordenadora dos Concertos Didáticos. Depois de passarem pelas oficinas, os professores são estimulados a criar ações transversais que possam incorporar o conteúdo oferecido em suas disciplinas. Para Murilo Alves (à esquerda), regente da Orquestra Jovem, que apresenta alguns dos concertos da série, os Didáticos são uns dos mais importantes. “O ser humano tende a não gostar daquilo que não conhece. Muitas pessoas acham que não gostam de música erudita, mesmo sem nunca ter assistido um concerto. Essa série vem suprir essa carência de informação, de um primeiro contato para estudantes e professores”. O maestro explica que, além de levar a cultura erudita para o cotidiano das escolas, os concertos didáticos criam novas oportunidades à medida que o contato com os alunos desperta o interesse para a música e para os instrumentos. “É comum, após todo o trabalho de capacitação e das apresentações nas escolas, alunos nos procurarem interessados em aprender a tocar algum instrumento”, afirma Murilo. E a iniciativa está dando bons frutos. Wilma Regina de Amorim (à direita), diretora do Centro de Educação de Jovens e Adultos Professor Antônio Cesário Neto, uma das instituições beneficiadas pelo programa em 2011, destaca os ganhos da

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escola com a presença da Orquestra. “Foi uma grande contribuição. Em nossa proposta pedagógica temos a cultura como eixo norteador, e ter acesso a concertos eruditos foi esplêndido. A grande maioria do alunos, mesmo os adultos, nunca tinham tido a oportunidade de assistir a um concerto”. A diretora ressalta ainda a importância não só das apresentações, mas do trabalho realizado de capacitação. “O material utilizado, a metodologia e a forma de atuação foram oportunidades únicas, que certamente mudaram a forma como a música é encarada pelos professores e alunos. A iniciativa contribui para despertar a sensibilidade para a cultura, para os alunos realmente assimilarem a música como uma ferramenta de mudança social. Só temos a agradecer”, completa. Praças - Muitas vezes, o acesso à cultura encontra grandes barreiras. Apreciar uma apresentação de música clássica era um programa para pessoas de maior poder aquisitivo em locais que somente um público selecionado poderia frequentar. Mas isso é passado. A Orquestra do Estado de Mato Grosso quebrou paradigmas e mostra agora que música clássica é para todos e para qualquer lugar. Com os Concertos Populares, os ingressos são apenas a boa vontade e o coração aberto. Os locais são democráticos, como as praças, ícones da reunião popular. A cena é inesquecível: de olhos e corações atentos, homens e mulheres, jovens e crianças ouvem o som de artistas consagrados sob a luz do luar, em um banco da praça. E quando não sobram bancos, vale levar a cadeira e sentar junto com toda família ao som de violinos, violoncelos, violão e demais instrumentos que se casam no concerto apresentado. Com o Concertos Populares, a Orquestra do Estado de Mato Grosso realizou, somente em 2010, exibições em 95 municípios de 21 estados brasileiros, além do Distrito Federal. Na plateia, mais de 200 mil pessoas. Na temporada 2011, o grupo percorreu oito cidades de três importantes Estados brasileiros: Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. Antes disso, em 2008, a peregrinação por 22 estados brasileiros além do Distrito Federal, com mais de cem apresentações no ano, renderam uma importante indicação ao Prêmio Carlos Gomes. “Tivemos a oportunidade de levar a música e a cultura de Mato Grosso para os quatro cantos do Brasil, dando uma contribuição efetiva para a construção de uma imagem mais positiva do nosso Estado no imaginário dos


para todos

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gional Pescuma, Henrique & Claudinho. Dos cinco álbuns, o primeiro foi gravado em Recife, Pernambuco, em 2008, exibindo a música sinfônica de Heitor Villa-Lobos. O segundo e terceiro álbuns gravados em 2009, passeiam pela obra de José Bragato e Radamés Gnatalli e dos mestres do rasqueado: Tote Garcia, José Agnelo e Albertino. O quarto disco da Orquestra, O Berrante Pantaneiro, lançado em 2011, apresenta obra homônima do compositor cacerense Guapo, em que a Orquestra utiliza um berrante de boiadeiro em meio aos instrumentos tradicionais. Ainda neste ano, a Orquestra de Mato Grosso lança o álbum que exibe parte da obra de Villa-Lobos para violão, gravado em 2010, com um dos mais importantes violonistas brasileiros, Turíbio Santos. Todos os álbuns da Orquestra estão disponíveis para download gratuito no blog www.musicotecaoemt.wordpres.com. “Essa é apenas mais uma forma de democratizar a música de concerto, disponibilizando nossos álbuns e apresentações para um público incomensurável ao redor do mundo”, diz o maestro Leandro Carvalho.

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brasileiros”, explica Leandro Carvalho. A série de Concertos Populares é responsável por levar a música de concerto para praças públicas de cidades brasileiras com pouco ou nenhum acesso à música erudita. “Um marco histórico aplaudido de pé por dezenas de milhares de pessoas que, em sua grande maioria, jamais tiveram a oportunidade de observar, de perto, concertos tão sérios quanto empolgantes”, afirma o regente da Orquestra. Mas não são só as barreiras sociais que distanciam a música clássica das pessoas. A suposição de que os acordes musicais do clássico não agradam aos jovens também tem sua parcela de culpa. Mas isso também mudou. O adolescente Artur Arvelos mostra que a música não tem idade. Com 14 anos, ele conta que, apesar dos colegas da sua faixa etária definirem os concertos como ‘coisas chatas’, sente-se realizado com a apresentação que assistiu na Praça Santa Luzia, na cidade de Patrocínio, Minas Gerais. “Realizei um sonho. Eu garanto que se as pessoas da minha idade vissem e ouvissem o que eu presenciei, certamente mudariam de ideia. É um sonho”. O chef de cozinha Lúcio de Almeida diz que “a música desperta sensações na alma humana que tem o poder de transformar pessoas”. Ele assistiu ao concerto de música da Orquestra no teatro municipal em Anápolis, Goiás. “O repertório apresentado nos mostra a diversidade da cultura brasileira. Realmente, a música, a apresentação, tudo isso é um néctar para alma”. Para o maestro Leandro Carvalho, viabilizar o acesso das pessoas à música erudita significa valorizar a autoestima de uma população. “É a mudança de paradigma que se dá na cabeça dos adolescentes que ingressam em nossos programas de educação musical, o apoio que os professores da rede pública recebem para ministrarem novos conteúdos em sala de aula, a repercussão silenciosa que isso gera, e tantos outros aspectos que dão ao trabalho da Orquestra do Estado de Mato Grosso uma dimensão profunda e necessária”, destaca Carvalho. A Orquestra já gravou quatro DVDs e cinco álbuns em sua trajetória. Entre os DVDs, destaque para o concerto gravado, em 2007, em São Paulo; e o DVD gravado ao vivo em 2008, na Praça das Bandeiras, em Cuiabá, com o Trio Re-

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Ciranda de oportunidades A Orquestra de Mato Grosso não se preocupa apenas com a formação de novas plateias. Investe também no desenvolvimento de jovens instrumentistas. Criado para desenvolver ações nas áreas da educação e cultura, utilizando a música como ferramenta de cidadania, o Projeto Ciranda - Música e Cidadania é o “braço social” da Orquestra. Reconhecido como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP pelo Ministério da Justiça, o projeto foi criado com o objetivo de ensinar música às crianças em situação de vulnerabilidade social, dando-lhes uma oportunidade de inserção no meio cultural. “Percebemos logo que estávamos criando oportunidades e encontrando talentos que precisariam no futuro de um encaminhamento profissional”, explica o maestro Murilo Alves. Uma importante parceria entre a Orquestra do Estado de Mato Grosso e o Projeto Ciranda resultou então na Orquestra Jovem do Estado de Mato Grosso, que proporciona a novos talentos em início de carreira, suas primeiras experiências musicais antes de chegarem ao nível profissional. “Os instrumentistas que mais se destacam no projeto integram a Orquestra Jovem”, explica Elisangela Passos, coordenadora do Ciranda. Atualmente o projeto atende 250 crianças e oferece aulas de quatro famílias de instrumentos: cordas, madeiras, metais e percussão sinfônica, além da musicalização, com o coral infantil. Segundo Jorge Moura, ex-aluno e atual co-

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“Meu dom é deixar a música me tocar” Quem assiste os Concertos Oficiais da Orquestra do Estado de Mato Grosso pode ter certeza que, em algum lugar do teatro, está um senhor de aparência introspectiva, que ouve as músicas com os olhos fechados como se estivesse dormindo. “Não estou dormindo. Com os olhos fechados, deixo que a música me embale e me leve a outros mundos e outras épocas. Deixo a música exercer seu poder”. Este é José Damasceno Albues (à direita), mais conhecido como Seu Zelito, que de introspectivo só tem a aparência. O primeiro contato com a música clássica foi marcante e decisivo. No Rio de Janeiro, em 1953, na época com 20 anos, ele andava com um grupo de amigos no bairro da Penha. Ao virar uma esquina, se deparou com um carro de som tocando uma música nunca ouvida antes. Tinha uma melodia clara e limpa que chegava aos ouvidos tocando o

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Alunos do Projeto Ciranda Música e Cidadania

ordenador pedagógico do projeto, a meta é ampliar o atendimento para 500 crianças até o final de 2012. “Todo ano tentamos aumentar o número de vagas, pois a demanda é muito grande. Para alcançar esse objetivo, temos projetos para compra de novos instrumentos e uma nova estrutura física”. As aulas ofertadas são regulares, e compreendem os estudos práticos e teóricos, sem custo algum para os alunos que recebem ainda todo o material didático, métodos, livros específicos de música, e a possibilidade de um contato maior com tecnologia e cultura musical, utilizando a biblioteca do projeto. “É gratificante ver o rumo que o coração. Frederic Chopin. Perdeu-se dos amigos ao ficar para trás e apreciar a música que nunca mais deixou de ouvir. Chopin é seu favorito. Extrovertido, o cuiabano de 78 anos marca presença em todas as apresentações da Orquestra e, até hoje, só perdeu três. “Desde a criação da orquestra, em 2005, eu perdi apenas três apresentações. Fui a São Paulo para a gravação do CD e DVD, e também a Campo Grande, onde foi apresentado um repertório exuberante para mais de 900 pessoas. Mesmo quando a apresentação se repete no sábado e domingo, vou nos dois dias. As três que perdi foram por eu não estar na cidade e não conseguir voltar a tempo”, lamenta. O apreciador de músicas clássicas afirma que a afinidade com a Orquestra e os Concertos Oficiais aconteceu com naturalidade, por ser um apaixonado por música e por encontrar na orquestra jovens dispostos, dinâmicos e interessados não só em tocar, mas em fazer a diferença na história da música em Mato Grosso. No meio do jardim bem cuidado de sua casa, Seu Zelito conta que nunca tentou tocar nenhum instru-


mento, pois afirma não ter a habilidade necessária, mas se orgulha de não ter inveja de quem toca. “Meu dom é deixar a música me tocar, e ela realmente toca muito profundamente. Talvez se fosse eu a tocar os instrumentos, esse sentimento não seria o mesmo”.

Com um livro na mão, “Música Clássica - Guia Ilustrado”, Seu Zelito identifica e ilustra a época em que seus compositores preferidos viveram, além de suas principais obras. E nem precisa abrir o livro para isso. Ao falar sobre a viola de cocho, faz uma revelação: “Ah, a viola de cocho! Há suas vantagens morar em Mato Grosso. Há 30 anos, se você dissesse que a viola de cocho tocaria com uma Orquestra, seria chamado de louco. Considerado um instrumento rudimentar, quem imaginaria que hoje seria a protagonista de várias peças, acompanhada de toda uma orquestra. É um privilégio poder assistir tal feito”. E faz uma promessa: se ganhar na mega sena já tem um presente programado para o grupo. “Quero comprar uma Harpa e contratar o artista para acompanhar a orquestra. Seria magnífico. Eu gostaria de poder contribuir com a Orquestra de alguma forma, poder retribuir o que a música tocada por eles faz por mim”. Com os 78 anos de muita música na vida, seu Zelito não pretende deixar que a conta de espetáculos perdidos aumente. “Sem sombra de dúvidas, nas próximas apresentações você já sabe onde me achar”, diz sorrindo.

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Passos. E a experiência da Orquestra Jovem mostra que ela está certa. Hique Gomez, multi-instrumentista idealizador do espetáculo Tangos & Tragédias, em cartaz há mais de trinta anos, foi convidado especial da Orquestra Jovem, em 2010. “Logo na primeira música, no primeiro dia de ensaio com a Orquestra Jovem de Mato Grosso, eu já fiquei arrepiado. De obra para obra, são novas interpretações construídas, com um nível de detalhamento muito grande, ainda mais se tratando de um grupo de instrumentistas tão vasto. O trabalho que vem sendo realizado é muito bom. Sinto que é um dos projetos musicais mais bem sucedidos no Brasil”.

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projeto tomou, começando como um pequeno projeto e se tornado um programa de educação musical. Em Nova Mutum, por exemplo, foi criado um projeto nos moldes do nosso, onde hoje promovemos até o intercâmbio de estudantes”, destaca Fernando Pereira, professor de violino do Ciranda. Mas ainda há desafios. “É preciso que haja uma conscientização de que a música é uma profissão, que tem meios para crescer, principalmente no Estado. O terreno cultural de Mato Grosso é muito fértil e foi pouco explorado, então há sim muitas possibilidades para os músicos que estamos formando”, destaca Elisangela

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Novos talentos Dedicação e esforço são essenciais na construção de um sonho. E quando ele vira realidade se transforma em inspiração. É o caso de Caroline Kelly (acima), que aos 22 anos já ocupa cadeira no naipe de primeiros violinos. Ela está entre os instrumentistas que se destacam na Orquestra Jovem e passam a integrar a Orquestra de Mato Grosso. “Quando eu comecei a estudar violino no Projeto Cirandas, já sabia onde queria chegar. Estudei muito, e ainda estudo, e isso me levou a realizar o sonho de ser musicista profissional na Orquestra de Mato Grosso”. Instrumentista mais jovem do grupo, Caroline exalta a possibilidade de tocar ao lado de músicos muito respeitados no mundo da música de concerto. “Toda essa experiência culmina nos meus planos futuros, quero continuar estudando, fazer mestrado e doutorado nos Estados Unidos, voltar para Cuiabá e retribuir tudo que a Orquestra fez por mim, formando novos profissionais da música de concerto”, declara. Outro talento refinado no projeto é Jasson André Ferreira Sobrinho (acima, à direita), saxofonista que aos 22 anos faz mestrado em música e integra o grupo Ciranda Sax, despontando no cenário musical matogrossense. “Desde pequeno eu já queria ser músico e não me via

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fazendo outra coisa. Na hora de optar pelo curso no vestibular, eu tinha que escolher a segunda opção, caso não passasse na prova de aptidão musical. No momento eu não tive dúvidas e não optei por nada. Eu sabia que estava destinado a ser músico”, conta. Assim como Caroline, Jasson pretende proporcionar as oportunidades que teve no projeto para aqueles que estão chegando. “Comecei pequeno, aos oito anos, e na minha época não havia muita oportunidade de estudos, havia poucos professores e e eu não podia pagar. Hoje, com os ensinamentos que tive no projeto, pretendo dar essa oportunidade para os novos que estão começando”.


Projeto Procel nas Escolas “Mais Economia, Arte e Educação em Timon” leva cidade maranhense a conquistar Prêmio pela segunda vez Arthur Quirino Pela segunda vez consecutiva, a parceria entre o Ministério de Minas e Energia, a Eletrobras Eletronorte e a Prefeitura de Timon rendeu à cidade maranhense o “Prêmio Procel Cidade Eficiente em Energia Elétrica’’, distinção concedida anualmente às experiências locais de maior destaque em ações e iniciativas eficientes no uso de energia elétrica. Em sua 8ª edição, a cerimônia de entrega dos prêmios ocorreu em Goiânia (GO) e fez

de Timon, a terceira cidade mais populosa do Maranhão, a vencedora na Categoria Educação com o Projeto Procel nas Escolas “Mais Economia, Arte e Educação em Timon”. Distante geograficamente, mas ao lado de Timon na disputa pelas premiações, Tucuruí (PA) também marcou presença, ficando com o Prêmio Destaque em Promoção dos Conceitos de Eficiência Energética pela sua participação no Projeto “O Procel Educacional como Ferramenta de Combate ao Desperdício de Energia Elétrica nas Escolas Municipais de Tucuruí-PA”.

Cerimônia de entrega dos prêmios ocorreu em Goiânia (GO)

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A história da sede do município começa a partir da fundação de Teresina, quando foi aberta uma estrada para ligar a capital piauiense à cidade de Caxias. Em frente a Teresina, no lado maranhense do rio Parnaíba, foi estabelecido um ponto de travessia que, inicialmente, tomou o nome de Porto das Cajazeiras e, mais tarde, o de São José do Parnaíba. Em 1890 foi denominada Flores e, 1924, foi elevada à categoria de cidade, recebendo o nome de Timon.

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Tecnologia

Timon recebe Prêmio Procel Cidade Eficiente

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Atividades ludopedagógicas em escolas de Timon (MA)

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A prefeita de Timon, Socorro Waquim, ressaltou a importância do Prêmio para a cidade, afirmando que a iniciativa é um grande estímulo para os gestores. “Ações como essa refletem não só na economia de energia das cidades participantes, mas também na melhoria de gestão pública como um todo”, disse. Ela assumiu o compromisso de buscar o tricampeonato da cidade no próximo ano. A Eletrobras Eletronorte, por meio de convênios firmados com a Eletrobras, atua na

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implantação do Procel Educacional em mais de mil escolas em sete estados. “A Empresa tem realizado uma série de ações do Procel Educacional, que tem como objetivos principais conscientizar a população para a importância do uso eficiente de energia elétrica, reduzir o consumo e contribuir para a preservação do meio ambiente”, afirma a superintendente de Gestão da Inovação Tecnológica e Eficiência Energética da Eletrobras Eletronorte, Neusa Lobato. A secretária de Educação do Município de Timon, professora Suely Almeida Mendes, explica que a conquista do bicampeonato é reflexo de uma mudança de mentalidade. “Timon ganhou um novo espaço, oferecendo uma melhor qualidade de vida à sociedade. O Procel chegou nas escolas e mostrou que é possível realizar transformações na educação. Os recursos economizados são aplicados nas reformas das escolas e capacitação de professores”. O Procel Educacional envolve professores de todas as

O Zé Pereira é uma tradicional festa de carnaval que conta com três blocos sistematizados e que movimentam a cidade com prévias antes do evento. Outro evento de destaque na cidade é o Festival Junino, com apresentações de quadrilhas e do Bumba-meu-boi, com enfoque para o Grupo Riso da Mocidade, do Mestre Maleiro, que já conta com 30 trinta anos de tradição.


A devoção a São José, figura paterna de Jesus Cristo e operário de carpintaria, deve-se à informação de que nas proximidades de onde hoje se encontra a Igreja Matriz São José, foi encontrado uma imagem do santo por viajantes. A partir daí, nasceu a devoção popular ao santo. disciplinas aplicadas nas escolas. As ações do programa incluem sensibilização de gestores escolares, capacitação de professores, realização de atividades ludopedagógicas e medição do consumo de energia nas escolas e residências dos estudantes. Todo o material didático utilizado é doado pela Eletrobras Eletronorte e Eletrobras. Na cidade de Timon, as ações de 2012 vão contar com a participação de docentes

e alunos das 35 escolas atendidas pelo Procel. “O desafio é buscar novas parcerias, disseminar nossas melhores práticas em outros municípios, a exemplo do uso de garrafas pet no telhado, possibilitando uma luminosidade mais eficiente do que as lâmpadas. A nossa meta é conquistar o tricampeonato do Prêmio Procel, em 2012, e nos tornarmos o único município com esse título no Brasil”, afirma Suely Almeida.

biente e economia de energia elétrica, que acontecem em 35 unidades escolares da rede municipal de Timon. “Tive interesse pelo Procel quando o Programa chegou na minha escola e os professores explicaram que, além de economizar energia, nós precisamos preservar o planeta”, conta orgulhoso. Nas palestras, seu Antonio José faz a leitura de uma carta que escreveu para os alunos de sua escola, falando da importância de estudar e de aprender a ler e a escrever. “Nunca mais ficarei envergonhado por não saber assinar meu próprio no nome”.

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Aos 57 anos, Antonio José de Almeida Sousa (foto ao lado), mora no povoado Cabeceira da Inhuma, em Timon, no Maranhão. Com uma história de superação, Antônio José descobriu o prazer de ler e escrever quando tudo não parecia mais ter significado. Convites para ingressar no mundo da leitura não faltavam. Professores da Unidade Escolar Municipal Juremil da Silva Gedeon insistiam para que Antônio José se matriculasse nos cursos de Educação de Jovens e Adultos - EJA. Mas a resistência ainda era grande. O sentimento de incapacidade afastava o sonho de aprender a ler e escrever. Mas um dia essa história precisava mudar. Convidado por agentes comunitários a fazer o cadastro do Programa Bolsa Família, na própria escola, ele precisou assinar um documento. Ao confessar que não sabia assinar o próprio nome, tomou uma decisão. No mesmo dia, matriculou-se naquela unidade escolar e começou a estudar. Casado com Rosilda Gomes de Oliveira, com quem tem sete filhos, seu Antonio José é aluno na mesma escola onde estuda sua filha Camila. Hoje, ele já lê, escreve e participa, com ela, das atividades educativas do Programa Procel Educação. E a história mudou mesmo: agora ele ministra palestras educativas na área de preservação do meio am-

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“Aprendi a dialogar, aprendi muito mais sobre a minha família”

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A prefeita de Timon, Socorro Waquim, recebe o Plamge de Jussara Trajano, da Eletrobras Eletronorte

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Plano Municipal de Gestão Energética busca economia Timon também faz parte da lista de 941 cidades brasileiras que já descobriram como economizar dinheiro, e de maneira sustentável, por meio da Rede Cidades Eficientes - RCE, uma das linhas de trabalho do Procel GEM - Gestão Energética Municipal, fruto da parceria entre a Eletrobras e o Instituto Brasileiro de Administração Municipal - Ibam. Segundo a Eletrobras/Procel, os municípios que aderiram ao projeto podem reduzir em até 20% o gasto com energia elétrica. Representada pela prefeita da cidade Socorro Waquim, a Prefeitura Municipal de Timon recebeu o Plano Municipal de Gestão de Energia Elétrica - Plamge, elaborado por técnicos da Eletrobras Eletronorte e do Ministério de Minas e Energia. Desenvolvido em parceria com o Instituto Brasileiro de Administração Municipal - Ibam, o Plamge é um instrumento que busca levantar e organizar as diferentes atividades desenvolvidas pelas prefeituras municipais, permitindo a implementação de atividades com eficiência energética, além de discriminar gastos com energia do município. O Plamge também identifica os pontos de desperdício e oferece propostas de ações corretivas. A prefeita Socorro Waquim agradeceu a parceria do MME e da Eletrobras Eletronorte com a Prefeitura de Timon, afirmando que a iniciativa irá trazer propostas e soluções que apontarão os novos caminhos para a admi-

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nistração pública. “O Plamge veio complementar a conscientização que começamos com o Procel Escolas, com uma nova caminhada rumo à economia. Agora, aceito também o desafio de concorrer à premiação nos próximos anos como cidade eficiente em energia elétrica, na modalidade Gestão Energética Municipal - GEM’’. O GEM é um subprograma no âmbito do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica que tem como missão ajudar as prefeituras a gastar menos com energia elétrica e consiste, basicamente, de um levantamento de todas as unidades consumidoras das prefeituras, incluindo Iluminação Pública, seguida do monitoramento do consumo e dos gastos de cada unidade. Redução de despesas - Este monitoramento permite a identificação dos pontos de maior consumo e desperdício de energia, permitindo a elaboração de projetos de eficiência energética com vistas a reduzir o consumo e os gastos da prefeitura com energia elétrica. Em Timon, o potencial de redução de despesas com energia elétrica é de R$ 439.406,52/ano (16,27% de redução dos gastos); e a de redução do consumo, de 810,785 MWh/ano até o final de 2014 (9,12% de redução do consumo). O investimento total estimado para implantação do Cenário de Eficiência Energética é de R$ 735.478,74, o que apresenta um tempo de retorno simples de 20 meses (um ano e oito meses).


Segunda-feira, 17 de outubro 6h - Hoje será um dia diferente, pois irei a uma cidade que ainda não tive a oportunidade de conhecer. Vou a Jauru dar apoio no comissionamento do AT6-02 para sua energização prevista para o dia 23 de outubro. Só de pensar em ficar uma semana longe da Ellen e do nosso filho Enzo, o coração fica apertado, mas o profissionalismo sempre fala mais alto e vamos em frente. Antes de sair, despedi-me da esposa com um beijo e também no pequenino que ainda dormia. 7h30 - Eu e o colega Ozenil Peixoto saímos de Rondonópolis, inicialmente com destino a Cuiabá (210 km). Esta é a terceira vez que vou trabalhar em outra divisão. Já trabalhei em Coxipó, Sinop e agora em Jauru. Quando surge uma solicitação de apoio para outras divisões,

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“Para os colegas que não me conhecem sou Fernando Ricardo Rodrigues, técnico do Sistema de Proteção, Controle e Supervisão - SPCS da Divisão de Transmissão de Rondonópolis, onde estou desde outubro de 2005, quando entrei na Eletrobras Eletronorte. Nasci no dia 31 de outubro de 1977, na cidade de Umuarama, no Paraná, e aos três anos de idade nos mudamos para Ariquemes, Rondônia, onde ficamos até 1991. Minha mãe, Neuza Ricardo Rodrigues, é servidora pública federal, atuava na área da educação em Ariquemes e solicitou transferência para Cuiabá, para a Escola Técnica Federal do Mato Grosso, onde está até hoje. Meu pai João Carlos Rodrigues Napolitano, autônomo apaixonado por carros, é mecânico de automóveis desde sua juventude. Em Cuiabá me formei em Eletrônica no ano de 1996, que desde a infância era meu hobby. Nesse mesmo ano passei no concurso para a extinta Telemat (Telebras). Após a privatização pedi demissão para trabalhar na Usina de Manso, como terceirizado de Furnas. Recebi proposta para voltar para a área de telecomunicações em uma empresa israelense chamada Innowave, com sua sede no Brasil, localizada em Curitiba. Nessa empresa fizemos a implantação de todo o sistema de telefonia wireless da Global Vilage Telecom – GVT, que era concorrente da então Tele Centro Sul (Telemat após a privatização). Com o término do contrato entre Innowave e a GVT, passei a fazer parte do quadro de funcionários da GVT onde fiquei até 2003. Em 2003, recebi proposta para trabalhar na Usina Itiquira, a cerca de 70 quilômetros de Rondonópolis. Saí da casa dos meus pais, em Cuiabá, e fui morar em Rondonópolis. Em Itiquira aprendi muito sobre SPCS e foi onde adquiri muitos conhecimentos que contribuíram para que eu passasse no concurso da Eletrobras Eletronorte, em outubro de 2005. Neste mesmo ano, no dia 2 de abril, me casei com Ellen Karine de Oliveira Rodrigues, formada em Direito. Chegou 2008 e tivemos o nosso querido filho Enzo Pinheiro Rodrigues, que depois de muita luta por sua saúde, hoje é um menino saudável e muito esperto. Neste diário descreverei uma parte das atividades realizadas por nós da equipe de SPCS de Rondonópolis. Não direi rotina, pois nosso trabalho nunca é o mesmo. Sempre estamos enfrentando novos obstáculos e aprendendo mais a cada dia”.

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Amazônia e Nós

Diário de Fernando Ricardo Rodrigues

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nosso coordenador Lucival Lobato pergunta quem está disposto a ir, claro que de acordo com a disponibilidade de cada membro da equipe e das programações locais. 11h - Chegamos a Cuiabá. Como sempre o trecho da estrada entre Rondonópolis e Cuiabá estava muito movimentado e perigoso. Agora vamos almoçar para continuar nossa viagem até Jauru. 14h - Saímos de Cuiabá com destino a Jauru (aproximadamente 400 km). 18h30 - Após rodar mais de 600 km, finalmente chegamos a Jauru e nos hospedamos no Hotel Hastra. Agora vou tomar um banho e descansar um pouco. 20h - Saí para jantar na companhia de Ozenil, João Egídio e Jhonnattann e, em seguida, retornamos ao hotel para descansarmos para o dia de amanhã.

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Terça-feira, 18 de outubro 6h - Acabei de acordar e daqui a pouco, após o café da manhã, irei para a Subestação Jauru. 7h30 - Chegamos na SE Jauru. 8h - Antes do início das atividades, participamos de uma reunião de nivelamento com os colegas Marcos Nonato, Edmilson, Ary, Willian e Ozenil sobre os trabalhos em andamento e as atividades que realizaremos durante as próximas duas semanas. Nessa reunião ficamos sabendo que a energização foi adiada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) para o dia 30, devido à realização do Enem. 08h30 - Iniciamos os trabalhos realizando adequações em paineis da proteção de barras para a entrada do AT6-02. Hoje serão liberados os demais paineis para trabalharmos. 11h30 - Encerrando as atividades da manhã, saímos para almoçar e, em seguida, vamos para o hotel. 13h00 - Após um breve descanso, saímos do hotel para a SE Jauru. 13h30 - Retomamos os trabalhos de adequação de painéis. 17h30 - Ao final de um dia de trabalho, voltamos ao hotel, jantamos às 20h e repousamos para estarmos prontos para mais um dia amanhã. Hoje minha esposa ligou e fiquei sabendo que o meu filho Enzo de três aninhos chorou, sentindo minha falta. Conversei com ele por telefone para matarmos um pouco da saudade.

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Quarta-feira, 19 de outubro 6h - Acordei como de costume, sempre sentindo muita falta da família, principalmente do Enzo falando “Papai vamos tomar café da manhã?”. Mas vamos lá, matamos a saudade no retorno ao lar, após cumprir nosso dever.


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Quinta-feira, 20 de outubro 6h - Acordo para mais um dia de trabalho. Estou mais descansado, porém, as dores abdominais continuam e estão mais fortes. 7h - Tomamos o café da manhã no hotel e estamos no aguardo da viatura que nos conduzirá até a SE Jauru. Enquanto esperamos, conversamos sobre as atividades do dia. 8h - Hoje, com os equipamentos do pátio liberados para testes, começaremos a fazer testes funcionais e verificar a recepção dos eventos e alarmes para os operadores (IHM SAGE), onde o Edmilson estará confirmando os textos. Nesses testes verificamos a posição dos equipamentos de pátio, das seccionadoras e disjuntores, simulando os pontos de supervisão de cada equipamento, como falta de tensão, falta de fase, chave local remoto, aberto/fechado, baixa pressão de SF6 (gás isolante do disjuntor), entre outros. Com esses testes

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7h - Tomamos o café da manhã no hotel, eu e Ozenil, e estamos no aguardo do carro que nos conduzirá até a SE Jauru. 8h - Na chegada, como sempre, há um breve momento de descontração com os colegas e, logo em seguida, iniciamos nossos trabalhos com os testes da nova base de dados do SAGE para atender a entrada do AT602, simulando nos painéis do pátio a subida dos eventos e alarmes (possíveis ocorrências) para a IHM (operação), sempre tendo aulas de SAGE e aprendendo mais com o Professor Edmilson. 11h30 - Fizemos uma pausa para o almoço. 13h30 - Retornamos à Subestação e reiniciamos as atividades, estendendo-se até as 17h. 17h - A partir de hoje, vou me hospedar em um hotel em Araputanga, pois lá ficarei no mesmo local que o restante da equipe, facilitando o apoio do transporte e melhorando sensivelmente a qualidade do repouso. Hoje comecei a ter dores abdominais, acho que algum problema na alimentação. Conversei com minha esposa pelo Skype e tive notícias que o Enzo estava bem.

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asseguramos que as informações de falha e/ou estado dos equipamentos estão chegando de forma correta ao operador, bem como checando se os desenhos funcionais estão corretos. 11h30 - Durante toda a parte da manhã estivemos envolvidos com os testes funcionais e agora vamos almoçar. 13h30 - Retornamos para a Subestação e retomamos as atividades dos testes funcionais dos equipamentos do pátio, sendo 24 seccionadoras e 2 disjuntores. 17h - A realização dos trabalhos está acontecendo de acordo com o cronograma, salvo alguns contratempos encontrados e contornados. Retornamos para o hotel em Araputanga. 20h - Novamente entrei em contato com minha família e graças a Deus está tudo bem.

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Sexta-feira, 21 de outubro 8h - Como nesta manhã a maioria dos componentes da equipe está descansando devido aos testes ocorridos durante a madrugada, vou procurar uma falha de fuga à terra com o colaborador Ary Miranda, na tentativa de localizar o ponto onde está sendo aterrado o positivo do serviço auxiliar de corrente contínua. 11h30 - Pesquisamos o defeito por toda a manhã e ainda não localizamos a falha. Paramos para o almoço. 13h30 - Retornamos para a Subestação Jauru 14h - Recomeçamos nossas atividades de busca da falha à terra analisando pontos que foram conectados no mesmo dia em que aconteceu a ocorrência, a fim de localizar algum ponto que tenha sido conectado erroneamente. Nada foi encontrado. 17h - Concluímos mais um dia de trabalho e estou indo para o hotel, sempre pensando onde a falha pode estar. Hoje as dores abdominais pioraram, fui a uma farmácia comprar medicação.

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Sábado, 22 de outubro 6h - Acordei sem sentir dores, a medicação funcionou. 7h30 - Hoje iniciaremos os testes funcionais do autotrafo 2, realizando ensaios em suas proteções internas, subida de alarmes para IHM SAGE de


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Domingo, 23 de outubro 0h50 - Acabo de chegar ao hotel e agora vou dormir para estar de pé as 5h30. 5h30 - Acordei ainda um pouco cansado e vou me preparar para mais um dia. 7h - Novamente estamos na Subestação (eu e o Willian) e desta vez fomos autorizados a começar os trabalhos. 9h - Finalmente resolvemos o problema de fuga à terra, tirando um peso dos ombros. A falha estava num cartão de proteção de surtos da unidade de controle da fase reserva do autotrafo. Substituímos o módulo eliminando a anomalia. Passar o resto do domingo longe da família não é nada bom, não paro de pensar no Enzo, nas artes dele, mas a semana passará rápido e na semana do dia 31, estarei com eles em nosso lar. Finalizo meu diário hoje, mas ficarei mais esta semana em Jauru. Retorno para Rondonópolis no dia 31, segunda-feira (meu aniversário), pois o desligamento previsto para o dia 30 da linha Coxipó I, onde eu realizaria modificação na lógica de proteção das unidades de proteção digital para evitar desligamentos indevidos da linha, também foi cancelado pelo ONS devido a outras atividades (de outras empresas) programadas para este mesmo dia. Portanto ficarei em Jauru para a energização do autotrafo 2, no dia 30 de outubro. Agradeço a todos os envolvidos neste comissionamento e citados anteriormente, pela troca de experiências e conhecimentos. Se Deus assim permitir, no dia 31 à noite estarei com minha família, poderei comemorar o restinho do meu aniversário e soprar as velinhas do bolo de aniversário com o Enzo, o que ele tanto adora.Um cordial abraço a todos os colaboradores da família Fernando com sua esposa, Ellen Karine, e seu filho Enzo Pinheiro Rodrigues Eletrobras Eletronorte.

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mini-disjuntores, alarmes sobre temperatura de óleo e do enrolamento, nível de óleo, entre outros. 14h30 - Terminamos os ensaios funcionais do AT602, e estou voltando ao hotel para descansar até as 22h, e então retornaremos (eu e o Willian) para continuarmos com a pesquisa da falha à terra que deve ser realizada em horário de carga leve do sistema (das 22 até as 6 da manhã). 23h - Estamos novamente na SE Jauru aguardando liberação do documento pelo ONS para recomeçarmos as atividades conforme programado anteriormente. 23h40 - O ONS nos informa que não poderemos trabalhar devido a outra atividade estar sendo executada em Nobres e que, portanto, só poderemos iniciar os trabalhos a partir das 7h do domingo. Retornamos ao hotel.

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Correio Contínuo

Parabéns a todos pela edição da Corrente Contínua. Sempre acompanho a revista e gostei muito da nova coluna de frases. Continuem fazendo a diferença no Setor Elétrico e contribuindo para a pesquisa na área de energia. Parabéns! Rogério Santos - Brasília-DF Agradecemos a doação e o recebimento da Revista Corrente Contínua, v.33, n.237, mar./abr.2011, v.33, n.238, maio/jun. 2011, v.34, n.239, jul./ago. 2011. Sua doação é muito importante para os estudos e pesquisas de nossos usuários. Solicito a continuação da doação desta revista. Agradeço pela ajuda e colaboração. Rosa Elena Leão Miranda - Biblioteca da Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Estado do Pará Érica, Linda tua poesia. Tua sensibilidade captou maravilhosamente bem o sentimento ali presente. Poucos o conseguem. Parabéns. “Que sussurra a canção da vida de cada dia”. E o rio que mansamente ali dentro corre, De nascente que o tempo quase esconde, Sentimento que por vezes se fez náufrago, Hoje dorme? E em que margem se perderam, Os sonhos que em teu leito floresceram”? Jose Alberto Mascarenhas Rocha - Brasília-DF Parabéns pela inovação “folhear eletronicamente” as edições da Corrente Contínua. Ficava sentida quando não conseguia ler as publicações, pois fico muito feliz ao ver minha Empresa a frente de grandes projetos, recebendo vários prêmios, inclusive rever amigos ao menos por foto, etc. É com muito orgulho que faço parte da família Eletronorte desde 23.4.1979. Guardo com muito carinho meus diplomas de 10 (também PIN) e 20 anos. Gostaria imensamente de receber também o comemorativo aos 30 anos para fazer parte de minha história. Desde já meus agradecimentos, Maria da Conceição Costa Monteiro - Eletrobras, Rio de Janeiro Parabéns pela versão digital, muito interessante. Márcio Barbosa de Macedo - Brasília-DF Muito bom!!!!! Meus parabéns a toda equipe. Maria Margarida Mariani - Brasília-DF Parabéns, a Corrente Contínua está maravilhosa, interessante e gostosa de ler! Cristina Ferreira Coimbra - Brasília-DF Adorei a minha história na Corrente Contínua! Érica, parabéns pela condução na entrevista que resultou em uma excelente reportagem! Fiquei orgulhosa e muito feliz de como ficou emocionante minha trajetória ao longos desses trinta anos na Eletronorte; meus filhos, os colegas de trabalho, inclusive colegas das regionais me falaram quanto ficou boa a reportagem, como também a disponibilização das fotos. Obrigada mais uma vez, por ter conduzido a matéria da minha história na Eletronorte, de forma tão brilhante! PARABÉNS!!!! Sonia Maria de Sousa Barros - Brasília-DF

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Excelente a versão digital. A revista está cada vez melhor e é referência para pesquisas. Parabéns! Mariana Silva - Universidade Federal do Rio de Janeiro Vi através do site a nova edição da Corrente Contínua que, como sempre, vem surpreendendo com seu conteúdo excelente. Parabéns a todos que fazem dessa revista não só um canal de comunicação da Eletronorte com a sociedade, mais sim uma parte do coração e da alma do Setor Elétrico Brasileiro. Vinycius Kaiser - Energética Águas da Pedra

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Toda tarde tem um tom de despedida um apreço de saudade uma porta para a noite aberta Toda tarde é um convite ao pensamento um passeio absorto escondido na sombra penumbra Toda tarde é um convite a enterrar o dia atrás da serra onde os raios saem vermelhos Toda tarde tem calor de rodamoinho canto de passarinho poeira no caminho rastros

Poema: Jaider Esbell, do livro Tardes de Agosto, Manhãs de Setembro, Noites de Outubro. Foto: Rony Ramos.

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Toda tarde é gostosa pra rede delícia pra água curta pro ócio nostalgia

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