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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação Projetos Integrados de Pesquisa Online Núcleo de Pesquisa PIPOL

ανατροπή Reviravolta

Projeto de Conclusão de Curso em Design Leandro Adad Jammal Orientação: Dorival Campos Rossi

Ternura, amor, transformações Instalação, Projeção Mapeada, Storytelling

Novembro - 2012


ο]ϋ δύναμαι, ψυχ[ή,] ιτεφυλαγμένος eftjvai όττηδόςχρυσώπιν δέ Δίκ[ην αζ]ομαι άχνΰμευο?, έ]ξ ου τα πρώτιστα νεο[τρεφέ]ων άττο μηρώ[ν ή]μετέρη9 εΐδον τέρμ[ατα πα]ιδέη?, κ]υά[ν]εον δ’ έλεφαντίνεόν [τ’ άνεμί]σγετο φε[γγος .....] δ’ έκ νιφάδων [..... ....(. ) ί]δεΐν. άλλ’ aiôjà)? ήρυκε, véou δ .[..]. ι [ ] ΰβριν


Eu não posso, minha alma, ser o teu companheiro atento. Mas a Justiça de olhos de ouro eu temo (?), com aflição, desde que nas minhas coxas juvenis eu vi os primeiros limites da nossa meninice, e que o azul anil manchava o fulgor do marfim, [e eu dizia] ver [a erva] por entre os flocos de neve... [Mas o pudor] mantinha-me afastado, de um jovem... a insolência...

Simónides, (fr. eleg. 21 W = P. Oxy. 2327 fr. 1 + 2 (a) col. i.3-9)


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Dedicatoria Epis贸dio de linguagem que acompanha todo presente amoroso, real ou projetado, e, ainda, mais geralmente, todo gesto, efetivo ou interior, pelo qual o sujeito dedica alguma coisa ao ser amado. Barthes, R. 1977, 66.

Ao leitor.


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Agradecimentos


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Gostaria de agradecer ao meus familiares mais próximos, meus pais. Obrigado por se dedicarem ao meu futuro e por me darem tantas oportunidades. Obrigado por tudo, desde as aulas de conservatório que não duraram 1 mês até a mamadeira que me acordava até meus 8 anos de idade. Agradeço aos meus irmãos, Alessandro e Marcos - em ordem alfabética pra não brigarem pela companhia de sempre e pelas dúvidas respondidas, vezes com educação, vezes com grosseria, essa última que me ensinou responder e a persistir. Aos meus avós, tanto os avôs que nunca conheci pessoalmente, cujo conhecimento foi repassado pelos seus filhos, quanto as ‘Vós’, Nadegded e Duxinha, que amo intensamente, pela liberdade de pensamento, conhecimento passado e tradicionalismos nas comidas que sempre me alimentaram. Obrigado também a minha madrinha pelo mimo e obrigado a todos os tios, tias, primos e primas. Aos amigos, Pedro Feres, obrigado por me fazer entender o que é amar alguém e por permanecer comigo em uma ternura eterna. À Ana Paula, ao Ivan e à Tatiana, sinceros agradecimentos a vocês pelas dicas e pelos desabafos sem querer, que nunca se tornaram tão formal quanto conselhos. Aos Meninos, que me ensinaram a divertir, a esquecer preconceitos e a continuar amando. Às Meninas da Esquina que me ensinaram a entender e a surpreender-me com vocês mulheres e até a me identificar em partes. À Síssi por revisar esse relatório e ao Pedro Pinhata por me ajudar na criação da música. À Isabella Vido e ao Lourenço por me trazerem novas filosofias e serem coautores indiretos. Aos meus amigos de Uberaba pelo companheirismo. Ao meu orientador Dorival Rossi, por ter me apresentado um mundo novo e assim ter me convencido, penso que sem saber, a continuar com a faculdade de Design. A todos os outros professores, pelo conhecimento passado e aos colegas de sala pelas ajudas intermináveis e pelos ótimos trabalhos que fugiam dos temas propostos. A todas as pessoas que eu já relacionei, conversei, obrigado. Um dia eu poderei não lembrar o nome de vocês, mas podem ter certeza que me ensinaram alguma coisa e levarei o que me ensinaram. Obrigado pela vida me ensinar, obrigado por poder amar.


Indice

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INTRODUÇÃO ‹› SENSAÇÃO ‹› SENTIMENTO ‹› TRAJETÓRIA ‹› O PROJETO ‹› SOM ‹› INS


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STALAÇÃO ‹› PROJEÇÃO ‹› CONSIDERAÇÕES FINAIS ‹› REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


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P

or se tratar de uma vida exposta em forma de Storytelling, grande parte desse projeto terá características de um desabafo, uma conversa. A vontade contida de exprimir sentimentos e percepções são estimuladores para a criação e todas as inspirações e influências desse trabalho são extremamente individuais e pertencentes até agora a uma única pessoa, eu. Pretendo, desse modo, transcrever o projeto com o coração. Cada parte dele, será um reflexo das sensações que aprendi e das novas conexões criadas durante a faculdade. O design e seu novo modo de pensar são responsáveis pela maneira na qual tudo está escrito. Minha vontade de comunicação e a expressão desenvolvida, durante a adolescência com o teatro, são corresponsáveis por esse trabalho de conclusão de curso.

…sou o poeta (o recitante) apenas do começo; o final dessa história, assim como a minha própria morte, pertence aos outros; eles que escrevam o romance, narrativa exterior, mítica. Barthes, R. 1977, 86

Anatropí é a sequência do projeto de revista “Hymn” criada durante o penúltimo semestre da academia. Essa revista tem como conceito a história do Deus grego Apollo e seu relacionamento com o Herói Jacinto. A mitologia conta que, certa vez, ambos se divertiam com um jogo. Apolo lançou o disco para o céu e Jacinto, olhando admirado, correu para o apanhar. Zéfiro, o vento oeste, também amava o jovem e, enciumado, mudou a direção do disco para que esse o atingisse. Ao bater na testa de Jacinto, o disco fez com o jovem caísse morto naquele instante. Apolo se sentiu tão culpado por sua morte que prometeu que Jacinto viveria para sempre com ele, na memória do seu canto. Sua lira celebraria-o, seu canto entoaria a canção de seu destino e ele se transformaria numa flor. Assim, o sangue de Jacinto, se transformou numa flor de um colorido mais belo que a púrpura tíria. Nela foram gravados a saudade e o pesar de Apolo.


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Este relatório está dividido em quatro partes ou capítulos. Com base nas novas teorias estudadas, a segunda parte desse relatório, apresenta a realidade do universo amoroso, a qual ainda não conhecia suficientemente e não tinha classificado até ocorrerem mudanças no meu modo de pensar durante a faculdade. Os conflitos em nossa mente e a trajetória do sentimento serão expostos na primeira parte utilizando como referência o livro Fragmentos de um discurso amoroso, de Roland Barthes. Ao mesmo tempo, a expressão humana será apresentada pela conexão do projeto com o Designer, teorizando as percepções de cada indivíduo e suas vontades baseando na filosofia de Merleau-Ponty. A terceira e principal parte de Anatropí está em forma de diário. Ela pode ser interpretada de diversas maneiras e julgada por diferentes pessoas, possibilitando ao leitor uma liberdade de identificação com uma história não muito diferente de todos os seres. Já no último capítulo, fazendo uma ligação entre a teoria estudada e a trajetória vivenciada, descrevo o processo de pensamento e a criação de todos elementos pertencentes ao projeto. Proponho então, nesse projeto, apresentar um Storytelling não linear, em projeção mapeada transpassando pelo amor, desde o estar sozinho, as transformações súbitas do indivíduo até a ternura. A tradução dos sentimentos e valores em linguagem audiovisual, resgatando e fortalecendo os laços pessoais.


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Sensacao


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H

á alguns anos atrás, eu não sabia sobre os sentimentos que me envolviam ou o quanto a minha percepção era importante e que ambos realizavam escolhas em toda minha vida, principalmente na profissional. Porém, após o contato com o universo de design, a proximidade com o que existia em minha volta tornou-se maior. Era preciso observar tudo. Perceber o que tinha em minha volta e em tudo que estava raciocinando. Um filósofo já tinha pensando em sua utilidade:

O mundo é não aquilo que penso, mas aquilo que eu vivo; eu estou aberto ao mundo, comunicome indubitavelmente com ele, mas não o possuo, ele é inesgotável. Ponty, M Ponty descreve no seu livro Fenomenologia da Percepção, 1994, a importância da vivência para a análise e a criação do pensamento de um indivíduo. Ele argumenta também a influência dos símbolos. Nem tudo que a gente realmente vê, será reproduzido ou interpretado por nós da maneira codificada. A informação só teria sentido, quando fosse inserida e analisada por nosso corpo. Ou seja, sentiremos somente parte de algum fato existente se houver uma interação com a informação.

Tudo aquilo que sei do mundo, mesmo por ciência, eu sei a partir de uma visão minha ou de uma experiência do mundo sem a qual os símbolos da ciência não poderiam dizer nada. Ponty, M Outro ponto discutido em sua filosofia, é a experiência sensível na percepção. Não seria somente o toque para relacionar a textura, a temperatura, iria além disso. Estavam em questão todos os elementos do corpo, desde os sentidos até as oportunidades vivenciadas por isso.

“A experiência sensível é um processo vital, assim como a procriação, a respiração ou o crescimento” Ponty, M …conduzir por ordem meus pensamentos, iniciando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para elevar-me, pouco a pouco, como galgando degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e presumindo até mesmo uma ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros. René Descartes


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Ficava curioso em saber até que ponto minha vontade poderia ser um argumento para justificar o porquê da escolha da forma de um objeto ou o não querer ir a um lugar movimentado. Se o julgamento por querer alguma coisa ou preferir uma cor a outra era algo fútil ou necessário pra nossa vida. Ao ler citações de Nietzsche, me deparei com uma que explicava grande parte de todo esse conflito e, conectando essa teoria com o que Alan Kay fala sobre o futuro, tive mais certeza dos meus pensamento. Percebi então que grande parte de nosso pensamento tem uma justificativa com a finalidade de proteger-nos e amadurecer-nos.

E sabeis… o que é pra mim o mundo”?… Este mundo: uma monstruosidade de força, sem princípio, sem fim, uma firme, brônzea grandeza de força… uma economia sem despesas e perdas, mas também sem acréscimos, ou rendimento,… mas antes como força ao mesmo tempo um e múltiplo,… eternamente mudando, eternamente recorrentes… partindo do mais simples ao mais múltiplo, do quieto, mais rígido, mais frio, ao mais ardente, mais selvagem, mais contraditório consigo mesmo, e depois outra vez… esse meu mundo dionisíaco do

eternamente-criar-a-sipróprio, do eternamentedestruir-a-si-próprio, sem alvo, sem vontade… Esse mundo é a vontade de potência — e nada além disso! E também vós próprios sois essa vontade de potência — e nada além disso! Nietzsche A melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo Alan Kay Ou seja, concluí com a associação dessas teorias que o nosso papel como pessoa seria naturalmente de gerar experiências novas a cada momento, de obter momentos únicos e marcantes, pois são com as percepções adquiridas a partir das sensações que acontece a criação.

Pensamos saber o que é sentir, ver, ouvir, e essas palavras agora representam problemas. Somos convidados a retomar às próprias experiências que elas designam para defini-las novamente. Ponty, M


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Sentimento

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amor, a ternura e as sensações não passavam de palavras quando criança. Quando participei de um grupo de teatro tive que passar por entendedor de vários sentimentos e convencer pessoas de que o que elas estavam sentindo era o ódio de um vilão, o empolgamento do narrador e assim por diante. Mas, na realidade, eu acreditava que tudo o que eu tinha aprendido era amor para loucos. Isso me deixava confortável. Era positivo por saber que isso existia na ficção, por exemplo da televisão, com suas novelas sentimentais da seis e o ódio incitado após os telejornais.


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Durante a leitura de Fragmentos de um discurso amoroso, de Roland Barthes (1977), fiz associações com Ponty e com as percepções e experiências que tinha obtido até hoje. Percebi que não sabia nada de amor e/ou, ao mesmo tempo, que já tinha passado pelos momentos mais marcantes dele. Alguns anos de convivência com amigos, famílias e relacionamentos sérios realizavam uma mudança de pensamento. Desde o primeiro encontro, o imprevisível encontro, a participação na vida do próximo e até a separação, morte ou distanciamento para aflorar os sentimentos, tinham suas explicações. Assim como Barthes não entrarei na discussão do que é o amor. Seguem citações do livro Fragmentos de um discurso amoroso, colocados em ordem de acordo com minhas experiências pelo mundo amoroso. Preferi reorganizar cada citação, ao invés de reescrever cada uma em minhas próprias palavras. O medo de distorcer o que já foi escrito foi maior. Espero que nesse relatório, as minhas ideias sejam melhores ilustradas e que estimulem a identificação do autor com o contexto do projeto.


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Encontro pela vida milhões de corpos; desses milhões posso desejar centenas; mas, dessas centenas, apenas amo um. O outro pelo qual estou apaixonado mostra-me a especialidade do meu desejo. (…) Foram precisos muitos acasos, muitas coincidências surpreendentes (e talvez muitas procuras), para que eu encontre a Imagem que, entre mil, convém ao meu desejo. Eis um grande enigma do qual nunca terei a solução: por que razão desejo eu aquele Tal?” Barthes, R. 1977, 14 O coração é o órgão do desejo (o coração dilata, falha, etc., como o sexo) …, o que é que o outro vai fazer do meu desejo? Barthes, R. 1977, 60 Essa revolta é, às vezes, tão intensa que o sujeito pode chegar a sair da realidade e a se agarrar ao objeto perdido graças a uma psicose alucinatória do desejo” Barthes, R. 1977, Freud, Metapsicologia, 193 … Faço discretamente coisas loucas; sou a única testemunha da minha loucura. O que o amor descobre em mim, é a energia. Tudo que faço tem um sentido (posso então viver, sem me queixar), mas esse sentido é uma finalidade inatingível: é somente o sentido da minha força. Barthes, R. 1977, 17 Escrutar que dizer vasculhar: vasculho o corpo do outro, como se quisesse ver o que tem dentro, como se a causa mecânica do meu desejo estivesse no corpo adverso. Barthes, R. 1977, 62 Chorando, quero impressionar alguém, fazer pressão sobre ele (“ Veja o que você está fazendo comigo”). Pode ser - e é comumente - o outro que coagimos assim a assumir abertamente


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sua comiseração ou sua insensibilidade, mas pode ser também eu mesmo: obrigo-me a chorar para provar a mim mesmo que minha dor não é uma ilusão; as lágrimas são signos, não expressões. Barthes, R. 1977, 42 Ser ciumento é o comum. Recusar o ciúmes (“ser perfeito”) é, portanto, transgredir uma lei. Barthes, R. 1977, 47 Reviravolta: “ Não consigo te conhecer” quer dizer: “ Nunca saberei o que você pensa verdadeiramente de mim.” Não posso decifrar você, porque não sei como você me decifra. Barthes, R. 1977, 134 Que quer dizer isto, “pensar em alguém”? Quer dizer: esquecêlo (sem esquecimento, não há vida possível) e despertar muitas vezes desse esquecimento. Muitas coisas, por associação, inserem você em meu discurso. “Pensar em você” não quer dizer nada mais do que esta metonímia. Pois, em si, esse pensamento é vazio: não o penso; simplesmente, faço-o retornar (na medida mesma em que esqueço). É a esta forma (a este ritmo) que chamo “pensamento”… Barthes, R. 1977, 32 O prazer sexual não é metonímico: uma vez alcançado, é cortado: era a Festa, sempre restrita, pela suspensão temporária, vigiada, da interdição. A ternura ao contrário é somente uma metonímia infinita, insaciável; o gesto, o episódio de ternura (a deliciosa concordância de uma noite) só pode ser interrompido dolorosamente: tudo parece começar novamente: retorno do ritmo - vritti (movimento das ondas, para Zen) -, afastamento do nirvana. Barthes, R. 1977,


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Trajetoria


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T

erceiro ano do ensino médio, 19 anos. Chegava a hora (ou o momento) de decidir o futuro. Qual profissão escolher? Qual unidade de ensino? Qual cidade escolher? Fiquei confuso como a maioria dos estudantes recém-formados do Ensino médio, a insegurança era imensa. Mas a vontade de mudar, criar a minha própria vida, ser independente pelo menos de pensamento pelo menos era do mesmo tamanho. Por essas vontades, tinha a certeza de uma única coisa que eu gostaria de vivenciar. A vontade de morar em outra cidade, onde essas inquietudes poderiam se sanar. O primeiro pensamento que tive foi de escolher cursos que não teria em minha cidade natal, uma cidade de porte médio, porém com pessoas com pensamentos um pouco limitados e vontades quase sempre fúteis. Cinema e Design eram as principais graduações. Lembro de querer criar, inventar coisas novas, não deixar tudo somente no pensamento. Querer dar vida e tomar conta de um projeto. Após alguns meses, os resultados chegaram e Design no interior de São Paulo era o futuro. Morar quatro anos nessa cidade, não era o desejo mais intenso. Queria a movimentação da capital, a beleza da universidade particular e todos os outros prós que naquela época completavam meu pensamento.

Por mágoa ou por felicidade, sinto às vezes vontade de me abismar. Manhã (no campo) cinzenta e amena, Sofro (desconheço o motivo). Surge uma idéia de suicí-

dio, desprovida de ressentimento (sem chantagem com ninguém); é uma idéia neutra; não rompe nada (não “quebra” nada); combina com a cor (com o silêncio, o abandono) dessa manhã. Barthes, R. 1977, 09 Três anos sozinho em um pequeno apartamento em frente a faculdade também não era o que eu queria, mas eu estava extasiado de um sentimento de novidade que me fazia refletir muito sobre todas as vontades. Internamente eu crescia, amadurecia, tudo bem devagar e silenciosamente e que, sem saber, me distraía de todos os conflitos, principalmente os familiares. Foi um dos maiores crescimentos o qual consegui sozinho. Primeiro ano. Tudo era novidade, pessoas não tinham defeitos e éramos unidos pelo fato de sermos desconhecidos. Sabíamos muito pouco uns dos outros. Festa, trabalhos com grupos diferentes, noites viradas fizeram que aumentassem as proximidades entre todos. Era uma oportunidade. Uma tentativa minha de impor vontades no meu caráter, sentir que eu poderia criar uma nova imagem minha, ter uma profissão e seguir com minha vida.


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Interpretação: não é isso que quer dizer seu grito. Esse grito, na verdade, ainda é um grito de amor: “ Quero me compreender, me fazer compreender, me fazer conhecer, me fazer beijar, quero que alguém me leve com ele”. Isso que significa o seu grito. Barthes, R. 1977, 51 Ter vontade de amar e ter amor pela profissão. Profissão essa que trazia, ao mesmo tempo, tantas visões novas e métodos tão antigos. Era o que eu queria para o meu futuro. A partir do momento em que fazia mais coisas, eu me tapeava cada vez mais. Eu errava, mas nem percebia. Sentia-me bem, não sei se feliz. Foi um ano diferente de todos os outros da vida. Um ano de pensamentos conflitantes. No ano seguinte tudo parecia que iria se manter do mesmo modo. Sem estágio, indo para a faculdade toda manhã, passando toda a tarde em casa, vivendo do ócio criativo. Porém me incomodava essa rotina de contar tudo no Twitter® e fazer blogs e vlogs para me manter ativo, ocupado e reafirmando uma personalidade criada no primeiro ano. Um sentimento mais profundo e escondido ia se apossando da minha felicidade, apegando as coisas mais caseiras, introvertendo a personalidade e desmotivando cada vez mais. Eu me testava, tentando descobrir cada ponto de mim. Até então eu não sabia qual cor era a minha favorita, o que eu gostava mais, o que eu já tinha experimentando, os julgamentos que fazia com as pessoas e coisas ao meu redor. Desse modo, minha cabeça foi reformulada, um leque de oportunidades se abriu em minha mente. Descobri que a partir daí eu poderia me entregar mais a tudo, pois minha meta era explorar.

“ Quero parar de achar as pessoas legais e ficar com uma pessoa em que tenho orgulho de olhar todos os dias! Cansei de conversar, eu quero é diversão e todas as suas irresponsabilidades, quero alguém louca, que minha família desaprove e que não tenha família.” Post do Blog “casacomigoeroupalavada” - Desativado desde 2010 Ao mesmo tempo em que a oportunidade de conhecer coisas novas apareceu, uma revolta e necessidade extrema de entregar minha vida a outra pessoa. Tudo isso pelo o intuito de compartilhar os momentos pelos quais eu estava passando, dividir experiências e diminuir as responsabilidades por mim.


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Um sentimento desentendido: era uma coisa nova. Uma reviravolta: eu não sabia que estava descobrindo, o que era amar alguém. Foi despreparado, repentino e intenso. Foi um ano de pura imersão, descobrimento de outra vida, mais uma transformação. A concentração para realizar qualquer coisa era gigantesca, a vontade de ajudar o próximo era de mesma intensidade. Notas altas na faculdade. O “melhor estágio do mundo”, novos meios de inspiração, profissionalismo. Novos projetos florescendo, perspectivas grandiosas para minha mente. Era amor, amor a tudo. Movido por amor, brigas por amor. Um sentimento complexo e que deixa fora da sanidade mental. Aceitar coisas que até alguns meses atrás não passavam pela cabeça. Eu estava conhecendo a vida, novas pessoas e experiências. As lembranças são poucas. Foi como se a adrenalina e a preocupação com o próximo fossem tão intensas que a memória não suportava momentos tão bons.

“ Vivo dias tão felizes quanto aqueles que Deus reserva a seus eleitos; e aconteça o que acontecer não poderei dizer que não provei das mais pura alegrias da vida.” Goethe, 28 O amor continuou, até se transformar em ternura, um sentimento que reescreve o que é amor de verdade.Voltava a minha sanidade, sofria ao mesmo tempo. Aprendia a viver de outra maneira. Continuar querendo alguém, mas sabendo agora quem você é. O momento de exclusão já havia passado, o conhecimento adquirido com uma outra pessoa ao seu lado poderia ter continuado, mas acabou para se transformar em uma outra forma de afeto. A amizade eterna em forma de amor consciente. Um reconforto: a volta de um indivíduo ao seu lugar de sempre, agora com mais força, conhecimento e controle. Aprender a divertir, amar não só um relacionamento, mas os familiares e amigos. Chorar para o que for necessário, expor seus sentimentos nem que seja uma lágrima escorrendo quando se identifica com um filme, seja qual for o estilo.

“Palavras, que são palavras? Uma lágrima dirá bem mais” (Schubert).


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O Projeto


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A Concepcao O

design me trouxe a liberdade de mostrar realmente quem eu sou e transferir isso pra cada projeto realizado. Desse modo, todo e qualquer ponto desse projeto tem com base as minhas vontades, meu conhecimento e minhas vivências durante os meus 22 anos de idade. Desde o começo eu nunca soube sobre o que se trataria esse projeto. Havia experimentado varias áreas do design, desde a minha forte ligação aos projetos extensão de cinema desde o segundo ano até a minha paixão por diagramação e revistas que descobri durantes os outros anos. Desse modo eu sentia que eu deveria criar algo que ambos se relacionassem, onde todos os meus pensamentos e vontades pudessem conversar. Após um semestre, tive que realizar uma proposta inicial do TCC, com a linha base as relações sociais e os principais pontos da vida de um jovem e pretendia transcrever isso em música. Cada faixa simbolizaria partes da vida e quando colocadas em sincronia se transformaria em uma música. Um videoclipe seria produzido em conjunto com o álbum, traduzindo uma das faixas em, de fato, linguagem audiovisual.

Todas as músicas do álbum contariam com participação direta das pessoas de quem falam, que foram integrantes da matéria prima por trás da composição e influenciariam de forma direta e final no trabalho. Descartei esse projeto por não conseguir me visualizar elaborando o mesmo. Sentia que algo estava faltando. A ligação Design, música e audiovisual, não se passava de um videoclipe, com uma interação mínima. Durante as férias, sem uma data exata por se tratar de ligações de pensamentos atemporal, percebi que o processo de elaboração desse projeto era inconsciente. Precisava de um tempo em que eu não tinha nada concreto, nenhum comprometimento e ao mesmo tempo várias oportunidades. Durante o estágio na empresa Júnior de Design da UNESP, Design Júnior, tive um contato maior e mais aprofundado com o universo das “Instalações”. E foi durante visitas e viagens a São Paulo e a outros museus da Austrália e Estados Unidos que descobri o estilo de obras de arte do início do século XX, que transformavam as expressão artística e interseccionavam os campos da escultura, da fotografia, da


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música, do cinema e do vídeo incluindo até manifestações performativas. Percebi um universo ilimitado de formas e escalas. Todo o projeto anterior de TCC não passava de uma vontade de contar uma história para as pessoas. Logo descobri que grande parte de todos os meus projetos durante a faculdade giravam em torno do mesmo pretexto. Dessa maneira, após uma oficina no evento nacional de Design (Ndesign Belo Horizonte) descobri o Storytelling. Na verdade o conhecimento já existia dentro de mim, pela vivência acumulada, o conhecimento de narração de histórias para dormir, os ‘causos’ do interior de Minas Gerais, fofocas e telejornalismo. Refleti então, que tudo não se passava de contos, histórias ou narrativas com a necessidade de serem compartilhadas. Repassar conhecimento e cultura em forma de entretenimento, educação ou de adiantar valores era o que importava. Consistia ainda em transmitir um acontecimento na forma de palavras, imagens, e sons usando muitas vezes a improvisação e/ou supervalorização da informação.

Faltava eu escolher qual seria a história a ser contada. Precisava relacionar áreas nas quais todos os meus pensamentos e vontades pudessem conversar. Desse modo, percebi que o elemento que ligava as partes era eu mesmo, fazendo que a antiga proposta de TCC voltasse de uma forma mais madura, um Devir, na qual o projeto era uma imagem refletora de mim e não somente uma desculpa ou personagem criado. Eu não precisava criar uma história, precisava somente viver e relatar o ocorrido. Os sentimentos seriam descritos, as pessoas seriam citadas e os lugares detalhados para que a informação necessária não se perdesse. O foco não seria o fim da história, o resultado. O ‘como’ foi feito, o processo era que importava. As mudanças repentinas eram um dos fatores mais visíveis durante a reflexão dos últimos anos de minha vida. As causas quase sempre eram emotivas, de amor, amizade e profissão. Provavelmente, os pensamentos sempre presentes em qualquer fase da vida. Tornando assim, uma história envolvente e que todos os públicos se identificariam com alguma parte.

Repentina durante o NDesign BH 2012


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Mapa das Sensacoes

Havia uma necessidade de saber exatamente os meus gostos. Precisava listar todas as minhas vontades para servir como fonte base de inspiração e projeto. Desenvolver cada parte do projeto a partir de mim mesmo.

Mapear um indivíduo não parecia fácil, no entanto não era necessária muita reflexão. Tudo que estava em minha volta, o que tinha no meu quarto era o que agradava. As cores e formas dos meus pertences são as minhas favoritas.


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Uma análise do dia a dia transformou no que eu chamo de mapa das sensações. Cada item só pertence a esse mapa pelo motivo que ele traz surpresas, felicidade e expressam a sua melhor sensação.


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Divisoes do projeto Com o Mapa das Sensações desenvolvido e em constante crescimento era hora de estipular as características do projeto. Cada item do mapa foram dividas em sete grupos. Em cada um estava descrito o que deveria conter sendo que os itens poderiam pertencer a mais de uma. Todas fazem parte do TCC por inteiro, sejam as características usadas tanto no som, quanto na projeção, na instalação ou identidade visual, no branding e no relatório do projeto.

Sentimento Trata do sentir, a interação projeto/pessoa. Amor, ternura, solidão.

Sensação Mostra a interpretação, o que está oculto, subliminar. Força, beleza, sexy, calor, adrenalina.

Forma Passar a percepção, delimitar e ao mesmo tempo expandir o espaço e ambiente. Diamante, profundidade, transparência, envolvente, ouro.


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Cor Visão, expressão da história, os elementos extras. Duotone, amarelo, laranja, branco, preto, lilás, bege.

Narrativa O conto, o como. Não linear, altos e baixos, calmaria, pausas fortes, grave.

Som O tom de voz, o modo de contar, a entonação. Dubstep, Alex Clair.

Estética O detalhe, a parte positiva, complemento da forma. Stiaan Louw, James Blake, Futurismo, Casper Balslev.


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Parede do meu quarto, com as sete classificaçþes


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As tres partes

Momento 1 Sozinho Autoconhecimento tranquilidade depressão felicidade próxima amigos

O projeto, após se dividir em sete grupos de características, se divide também em três momentos independentes contendo os sete grupo previamento delimitados e que contemplam três momentos marcantes e resumidos do Storytlling apresentado anteriormente. Cada momento possui palavras chaves que foram usadas como base para transmitir a entonação necessária para a história, utilizando como linha guia e sendo os elementos principais. Ou seja, essa divisão permanece por todos os elementos descrito asseguir que compõem o projeto, contêm as referências, os materiais e programas utilizados.

Momento 2 Reviravolta Se entregar viver intensamente, amor paixão

SOM INSTALAÇÃO ANIMAÇÃO

Momento 3 Ternura Purificação amadurecimento ternura mais amigos


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SOM


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Um dos tópicos mais importantes para o projeto. O som é a parte que transmitirá a história, que influenciará e inspirará a projeção. O som tem que ao mesmo tempo conversar com a forma da instalação, oferecer possibilidades de criação e passar cada sentimento estipulado para a sua parte. Por esse motivo, pedi ajuda ao meu amigo Pedro Pinhata (Avatar) para que me ajudasse com a criação do som. Já conhecia seu trabalho e sabia que, o que eu tinha em mente, ele conseguiria transformar em Sound Design.

Eu ficava na dúvida e confundia realmente qual parte devia ter qual característica. Até que cheguei, com a ajuda do meu amigo Pedro, às três fases mais definidas do Som: Momento 1 A Introdução, onde a calmaria e solidão caminhavam juntos. É um sentimento confuso, onde a felicidade conflitava com a depressão. Onde deve transferir a felicidade contida.

Momento 2 A reviravolta, o som do estilo Dubsteep. Para oferecer exatamente o que queria, Onde tudo ficaria descontrolado e frenético. passei vários dias tentando escutar com Não teria pudor, delimitações e padrões. O outros olhos as músicas que mais gostava, descobrimento do amor. tentando leigamente pegar partes técnicas, para usar no som que seria elaborado. Eu Momento 3 precisava ter a certeza do que eu realmente O filtro da alma. O contemplamento das queria transmitir. informações durante a Reviravolta da parte Expliquei os três momentos, os quais 2, interseccionando com a calmaria da tinham a seguinte descrição: primeira parte. Sobriedade e ética. Potencial • primeiramente a calmaria, onde em alta. A conclusão, a ternura. seria uma breve introdução, • logo em seguida o “choque” onde acontece pausa rápida, dramática e o som mais pesado, • o terceiro momento seria onde acabaria com tudo, frenético, queria que o eletrônico misturasse com baterias.


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As referências principais dos sons, vinham de músicas mais atuais, artistas mais alternativos e DJs que usam o Dubstep como parte principal de suas composições, independente do estilo musical. O principal ponto aqui era o estudo da composição e instrumentos. Sabia também que as músicas de referência possuiam estilos diferentes, mas eu tinha a certeza de achar uma conexão entre elas. Um dos meus pedidos enquanto a música era criada, era que deveríamos prestar atenção na sensação que seria passada. Ou seja, não eram necessários todos os elementos da referência, e que estaria sempre aberto a novas referências que o Pedro poderia trazer, aliás isso trariam novas experiências

Primeiro desenho de como deveria ser o som

As REFERENCIAS: - Alex Clare Um artista em crescimento. Ele consegue em suas músicas misturar percussões/tambores com o dubstep, tornando um som mais dinâmico e com um sentimento mais revoltada. O que seria bom para a terceira parte.


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- Nelly Furtado - Parking Lot Cantora pop e já conhecida, porém tem uma batida que assimila com os sentimentos passados. Sons bem marcados e graves. Portanto seria a batida principal de todo o som. - Outro elemento trazido por Pedro foi Butch Clancy, com novas visões do dubstep e efeitos anormais que encaixariam perfeitamente na segunda parte.

- CSS - City Grrrl Essa música possui batidas diferenciadas em instrumentos, criando uma identidade única, podendo ser utilizada em todo o som da projeção.

Com o software Fruit Loops Studio criamos a música. Prestando atenção em cada elemento de cada parte. Distorcendo instrumentos, sobrepondo efeitos e suavizando transições. Desse modo, o som se transformou pouco a pouco no Storytelling de aproximadamente um minuto e meio.

Screenshot da música finalizada


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Screenshot da mĂşsica finalizada no programa Fruit Loops

Momento 1


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Momento 2

Momento 3


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INSTALAcaO


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Era necessário um suporte para a projeção mapeada. Não queria fazer na fachada de alguma residência ou comércio, pelo motivo do projeto não ser comercial e de querer novos desafios, novos suportes. Olhando interminavelmente os vídeos de projeção na internet, percebi que todas tinham uma mesma característica: ou eram fachadas de prédios ou instalações de arte, não variavam muito além disso. Primeiramente pensei em fazer em algo mais orgânico,como projetar em uma árvore, trabalhar com elementos da natureza, como água e fogo. As possibilidades seriam imensas e a interação seria muito maior. Porém devido algumas limitações de local onde o projeto seria apresentado, o tempo necessário para a realização, a tecnologia envolvida e orçamento, decidi deixar um pouco de lado essa ideia. No entanto, tentei trazer esses elementos naturais para a projeção. Trabalhar com o homem, com o corpo.

Primeiros Sketches

Grande parte do meu processo criativo é a reflexão. Não desenho muito, não escrevo quase nada, alguns meros tópicos para não deixar a memória responsável. Analisei o que realmente eu queria, as possibilidade que tinha e quais as características eram necessárias serem passadas. Módulos e simetria eram elementos muito utilizados e não faziam parte do meu universo. Foram elaborados alguns sketches rápidos com os primeiro elementos que achava necessário, como uma instalação envolvente, que linhas e curvas conversariam. Precisava criar então uma instalação que demonstrava força. Foi daí que primeiramente, diamante e ouro me vieram à cabeça. O diamante, algo tão resistente, simples, translúcido e de grande valor monetário e de status. O ouro, algo brilhante, que ainda gera cobiça e um sinônimo de poder.


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Por outro lado, me lembrei que o poder pode trazer o medo, um receio de perder tudo. Ao pensar nisso, voltei a minha parede (onde encontrava o Mapa das Sensações) e observei ali a palavra adrenalina bem perto de montanha russa. Fiz então a conexão desses dois elementos. A pesquisa pelas formas das montanhas russas foi intensa.Tentava tirar da lembrança as montanhas que já tinha experienciado e o que me atraía mais nelas era uma fase divertida, que me forçava a olhar fotos de viagens antigas, reviver bons momentos da infância.

O Looping era o elemento essencial para a forma da instalação. Ao analisar o movimento, percebi que haveria um pequeno problema de sobreposição, que poderia atrapalhar no posicionamento do projetor, mas logo foi acertado com o uso da perspectiva, gerando ainda a sensação de que a instalação estava dando uma volta para cima.

Primeiros Sketches


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Sketch Final


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Vista Lateral Direita

Vista Lateral Esquerda

Vista Superior


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Render da Instalação final


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O nome grego Anatropí - Reviravolta (Ana = Cima; Tropí - trôpicos = Volta) veio após a concepção do sketch final da instalação. Tudo faria sentido agora, uma história sobre o amor e ternura, com uma instalação inspirada em Looping e um nome que amarrava e retorcia tudo. Era definitivamente uma associação do Mapa de Sensações, uma intersecção das minhas vontades.

essas placas de acrílico? Era um material com as características que eu queria, porém não sustentável, nem um pouco.

Tomei conhecimento então do Bioplástico, um plástico obtido de matériasprimas vegetais - milho, gramíneas, cana-deaçúcar e até batata doce. Além de dispensar o petróleo, o bioplástico tem a vantagem de que se degrada rapidamente, levando apenas 18 semanas. Ele, como o próprio nome Faltava então escolher o material que indica, consiste num plástico produzido seria o suporte da projeção. Tecido, lona por biopolímeros. Dependendo do amido e isopor estavam fora da lista de materiais utilizado, as características mudam. Com que poderiam ser usados.Voltando então ao tapioca fica mais transparente, já com o pensamento dos valores de um diamante, amido de milho fica mais opaco. Adaptei percebi que o que me impressionava era então uma receita achada na internet de a transparência do material. Ficava minha acordo com as propriedades que precisava. dúvida de como eu poderia então encontrar Quanto mais amido, mais branco e rígido. essas características em outro material. Se colocar mais glicerina, faz com que o A minha paixão por acrílicos já não plástico tenha mais elasticidade e deixa era novidade. Copos, cadeira, luminosos, menos quebradiço. tudo me impressionava pela estética e segurança do material. Desse modo, os No entanto, na criação das quatro grande primeiros testes foram feitos em acrílicos placas de bioplástico encontrei um erro. de diferentes características. Desde Todos os testes realizado foram elaborados totalmente transparente, até foscos, em pequena escala. Ao fazer em tamanhos espelhados e coloridos. Pela necessidade da maiores, o problema de rompimento projeção se manter na instalação, e manter do material durante sua secagem era parte da transparência, o acrílico fosco foi bem maior. Ou seja, todas as placas de o que obteve a maior satisfação para ser biopolasticos foram descartadas e um novo projetado. material foi substituidos. Poliestireno cortados no tamanho de Outro problema foi encontrado. Eram cada placa e ripas de madeira compensado quatro placas de aproximadamente de 5mm de espeçura e 50cm de largura 2x1metros e um centímetro de espessura, para o suporte da instalação era o produto o que era além de pesado, muito caro final. Resultando em uma instalação leve, também. Outro problema constado era o resistente e de bom resultados para a futuro da instalação. O que eu faria com projeção de imagens.


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Receita Bioplástico 7 partes de água 1 parte de vinagre ½ parte de glicerina 1 ½ parte de amido de milho Misture tudo em uma panela até o amido ser dissolvido e tomar as características de um leite. Leve ao fogo e continue mexendo ate o líquido começar a ficar mais grosso e transparente Não pare de mexer ate começar a ferver um pouco. Despeje sobre o uma placa rígida, espalhe e espere secar. *O tempo de secagem depende da espessura da camada de plástico que deseja. Para uma secagem fina são necessárias 48h, já para placas ou moldes maciços o tempo de secagem completa pode chegar a 1 semana. *O processo de secagem pode ser acelerado usando um secador de cabelo ou colocando ao sol de hora em hora.


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PROJEcaO


Sobreposições, transparências, movimentos e reflexos eram características certeiras e que eu sempre emprego em meus trabalhos. A força e cortes bem marcados e mutação de cores eram outros elementos que completavam todas as projeções. A projeção foi o último elemento a ser criado, pela sua dependência com outras partes do projeto, a forma e proporção da instalação e os sentimentos e batidas que a música trariam. Por outro lado, a demora para realizar as primeiras projeções fez com que a reflexãodeixasse todas as minhas vontades de transcrever a música em algo visual mais intenso. Tornou-se um pensamento mais maduro e certeiro sobre o que realmente devia passar e quais técnicas iriam ser usadas na projeção. Primeiramente, devido à grande pesquisa de instalação e projeção mapeada já realizada, desenhos em vetores e geometrias eram os elementos mais utilizados. Logo inconscientemente pensei que isso era uma regra, desse modo comecei as primeiras ideias com formas geométricas em preto e branco. Ao mesmo tempo, lembrava que em grande parte dos projetos da faculdade eu optava por não fazer a animação tradicional, com desenhos e concepts criados para ela. Percebi então, que por se tratar de um projeto em que devo me transcrever, a filmagem de objetos e materiais já existentes, porém observado de outro ponto de vista, deveria ser grande parte de toda a projeção.

Realizei novamente a divisão da projeção em três partes de acordo com o Storytelling trazido com a música. Cada parte teria as suas próprias características, referências e os rascunhos básicos de como ficariam na instalação. Momento 1 Contorno, formas geometricas - losangos, degrade de cores; Momento 2 Filmagens, flashes, sair variedades de cores;

da

instalação,

Momento 3 Fumaça, corrida de cores, sobreposições. Desse modo, todas as três partes desse projeto juntas formam a projeção final.


Início Parte 1

Início Parte 3


Fim Início Parte 1 Parte 2

Fim Parte 2

Fim Parte 3

Frames por segundo da animação.


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Consideracoes Finais


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A

natropí seria somente um nome grego e mais sucinto (talvez mais complexo) para o que realmente é traduzido, reviravolta.

Transformações eternas e frequentes, mudanças de opiniões, opções e pensamento. Uma volta por cima de tudo que previamente me foi ensinado. Anatropí é amadurecimento. Descobri durante a execução desse, que isso não é o projeto da minha vida. Não estou duvidando da capacidade de aperfeiçoamento do mesmo. Pelo contrário, qualquer pessoa poderia aperfeiçoar eternamente para que a cada dia pudesse ficar melhor. Porém, acredito que esse projeto, por ser criado por mim e ser um reflexo de minhas experiências, não tem o poder de ficar melhor, enquanto eu como pessoa não crescer mais, amar, sentir coisas novas, descobrir o inesperado. Somente parte do que vivi até hoje, está aqui. Alguns fatos da infância foram apagados do meu consciente, outros acontecimentos preferi deixar de lado. A seleção não foi um raciocínio trabalhoso, aconteceu pelo momento que passei e das percepções que vivenciei. Tento com isso deixar o sentimento principal desse projeto mais universal. Onde cada um conseguisse se identificar com o Storytelling passado. Criar uma interação através de uma instalação, traduzir todos os meus sentimentos e valores em linguagem audiovisual.

A linguagem é uma pele: fricciono minha linguagem contra o outro. Como se eu tivesse palavras à guisa de dedos, ou dedos na ponta de minhas palavras. Barthes, R. 1977, 64


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Referencias Bibliograficas BARTHES, Roland, Fragmentos de um Discurso Amoroso, 1977. BRESLAU, Frederico, Subjetividade e Complexidade em Design: Um mapeamento acerca do design de relações. Tese (Mestrado em Design), Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Bauru, 2010 FLUSSER,Vilém, O Mundo Codificado. São Paulo: Cosac Naify, 2007. CONDILLAC, Étienne Bonnot de, Resumo do Tratado das Sensações. Tradução de J. Guinsburg. In:___Ospensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973. MERLEAU-PONTY, Maurice, Fenomenologia da Percepção. São Paulo: Martins Fontes, 1999. NAKAO, Jum, A Costura do Invisível. São Paulo: Senac, 2005.


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Links & filmofrafia Anatropí - Reviravolta. Disponível em http://eleajota.tumblr.com/anatropi. Com va la vida,Video Mapping TV3, Disponível em https://vimeo.com/35460189. Acessado em 10/10/2012. Eleajota. Disponível em http://eleajota.tumblr.com/. Acessado em 15/11/2012. Figure Scrub, Disponível em https://vimeo.com/33005159. Acessado em 3/11/2012. ZENZILE - STA, Disponível em https://vimeo.com/50059860. Acessado em 15/10/2012. John Cameron Mitchell, 2006. Shortbus, Fortissimo Films. Julie Taymor, 2007. Across the Universe, Revolution Studios. Marcos Prado, 2012. Paraisos Artificiais, Zazen production.



Aνατροπή - Reviravolta