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Os jornais publicam, quase que diariamente a iminente guerra entre Israel e Irã. Sabem desde quando? Pelo menos há uns três anos. Os governantes iranianos anunciam aos quatro ventos que irão atacar em 2014, o que elevaria esta guerra fria para cinco anos. Convenhamos, um prazo mais do que dilatado nesta época em que vivemos, em que decisões em todos os campos são decididas num clique, num telefonema, num piscar de olhos. Uma ação israelense contra o Irã não seria tão simples quanto a realizada em 1982, contra o reator de Osirak, no Iraque, ou contra uma enigmática instalação localizada na hoje conturbada Síria, há dois anos. Ocorre que nestes dois casos, havia apenas um alvo perfeitamente localizado em cada país. Presentemente, no Irã, os alvos estão espalhados em localidades distantes umas das outras. Segundo Anthony Cordesman, do Centro para Estudos Estratégicos Internacionais, Israel teria como foco a usina nuclear de Natanz, onde há milhares de centrífugas para enriquecimento de urânio, além dos reatores de Arak e Bushehr. Essas instalações estão distantes dois mil quilômetros dos outros alvos de Israel, e a logística não seria assim tão simples. Outro complicador para um ataque pelos aviões israelenses, seria a necessidade de reabastecimento (sobre países que dificilmente concordariam em liberar seu espaço aéreo) para chegar ao Irã. O conhecimento sobre a construção de uma bomba atômica não se perde com o eventual bombardeio das instalações físicas por Israel. Centrífugas podem ser obtidas por ai. Como se sabe, existe mercado negro para tudo, de pendrive até motores para foguetes. Por que não haveria para centrífugas? Mas o grande trunfo iraniano, enquanto não enriquece seu urânio, é o temor mundial de uma disparada do preço do petróleo. A produção dos cinco maiores países exportadores de petróleo estabelece o preço mundial do produto. E, o Irã, é um destes produtores. No caso de uma guerra com Israel, sairia todo mundo comprando petróleo por aí, a qualquer preço. E o preço estouraria. Para um mundo que ainda se encontra em recessão, seria um desastre total. O caos econômico gerado levaria anos para ser anulado. Tudo parece conspirar contra Israel nesta autêntica guerra fria sem limites mas, o que no parágrafo anterior apontamos como trunfo iraniano - o petróleo - pode voltar-se contra o país do falastrão Mahmoud Ahmadinejad, num autêntico “o feitiço virar-se contra o feiticeiro”. Os países vizinhos, árabes e/ou muçulmanos, apesar do apoio dado a Ahmadinejad, não vêem com bons olhos a possibilidade do Irã transformar-se numa potência nuclear, o que, no futuro, poderia desencadear ideias expansionistas. E todos sabem, que daquela mente megalômana, tudo pode se esperar. Por outro lado, o Presidente Obama, lutando pela reeleição, e que vem esforçando-se, empenhando-se, enfim, apostando todas suas fichas na recuperação da economia americana, jamais permitirá que esta briga chegue aos finalmentes, pois além dos Estados Unidos, a grande perdedora seria a Europa e sua combalida situação financeira. Portanto, o equilíbrio entre os dois lados, precisa mais do que nunca de um mediador confiável, que possa influenciar de forma decisiva o resultado desta disputa. E este é, sem sombra de dúvidas, o Presidente Barak Obama. Caso sua retórica não seja convincente, a humanidade poderá estar a beira de uma guerra sem limites. Que responsabilidade!

O Centro Hebraico Riograndense tem o doloroso dever de participar o falecimento de Mayer Menda, aos 86 anos, ocorrido dia 25 de fevereiro último, em Israel, onde residia. Era natural da Turquia, filho de Mari e David Menda, tendo vindo na década de 20 para o Brasil. Mayer Menda era uma pessoa dotada de um extraordinário senso de humor; mesmo nos momentos mais difíceis, enfrentava-os desta forma. Suas cartas eram sempre divertidas e inteligentes, fruto de muita leitura e seu jeito particular de ver e viver a vida. Seu hobby principal era o piano, que tocou até os últimos dias, num instrumento que o acompanhava desde a juventude. Graduou-se pela URGS com o título de Engenheiro-Arquiteto, como a profissão era conhecida na época. Corajosamente, fez aliá em1969, juntamente com a esposa e quatro filhos, enfrentando um idioma novo e costumes bem diferentes. Em Israel, deu continuidade a uma bela e grande família, netos e bisnetos, que sentirão muito sua falta. Era viúvo de Evinha Kelbert e deixa os filhos Gil, Luiz, Marisa e Solange, além dos irmãos Luna e Eliezer. Seus sobrinhos o lembrarão como aquele cuja presença era sempre entremeada de alegria.


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