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REPÓRTER Livre

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Filiado:

João Pessoa - PB, novembro de 2016

Editorial

Dinheiro, ganância e poder

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escritor Marcos E. Fink certa vez escreveu: “Use o conhecimento para ajudar pessoas, nunca para explorá-las; use o dinheiro para suprir necessidades das pessoas, nunca para comprá-las; use o poder para servir às pessoas, nunca para dominá-las”. Essas práticas poderiam ser aplicadas no tratamento aos jornalistas no Sistema Correio de Comunicação, mas não é isso o que vemos. A realidade é bem diferente, com os profissionais sendo explorados com jornadas de trabalho aos domingos e feriados sem nenhuma compensação. O lema da empresa é lucrar, lucrar e lucrar. Os proprietários não controlam o poder de ganância, se negando a pagar o mínimo ao que os abnegados profissionais têm direito. O Sistema Correio aumentou seu poderio no setor de comunicação e, graças a isso, expande também seus negócios no segmento de carros e motos em todo Estado. Diferentemente das demais empresas de comunicação, o Correio da Paraíba se nega a pagar o reajuste da categoria dos jornalistas, que venceu no dia 1º de abril desse ano. Os jornalistas são submetidos a uma jornada excessiva, com a prática de assédio moral sem precedentes na história da Imprensa paraibana.

Além do dinheiro e do poder, o Sistema Correio só visa se beneficiar às custas de pessoas que estudaram e fazem jus ao que é seu. Está escrito na Bíblia que o homem é digno do seu salário. Diariamente homens e mulheres exercem nas redações o mister de levar o melhor da noticia ao público. Os jornalistas têm atitudes relacionadas a ajudar, suprir necessidades e servir, mas os patrões tem outro lema, que é explorar, oprimir e dominar. O que está acontecendo no Sistema Correio é uma prática desumana, com uma política de arrocho salarial. O representante do Correio da Paraíba submete os jornalistas à situação vexatória durante as mesas de negociações. O Correio da Paraíba é a única empresa a deixar de reconhecer o valor e os direitos da categoria. Neste ano, o lema que norteou a jornada mundial foi: “Um basta na ganância corporativa” do mundo. No caso do Correio da Paraíba o que salta aos olhos é a ganância desmedida. O Sistema contribuiu para esse cenário de horror, que massacra os jornalistas com sua ganância corporativa, onde o acúmulo de capital, o lucro a qualquer preço, não respeita ninguém. Essa prática é um atentado contra os jornalistas e requer medidas e ações enérgicas, por isso o Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Paraíba não recuará da luta para fazer valer o direito de quem é merecedor dele.

SISTEMA CORREIO

Quem te viu e quem te ver Q

uem conhece a história do Correio da Paraíba, hoje denominado de Sistema Correio de Comunicação, deve se espantar com o grau de crescimento permanente que vem abarcando através dos tempos. Atualmente, ele reúne um pool de quase trinta empresas no ramo da comunicação. Infelizmente, apenas os seus proprietários lucram, em detrimento de sua mão de obra que está cada vez mais pobre.

REPÓRTER Livre

Órgão de divulgação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Paraíba

paraíba, novembro de 2016 - sindicato dos jornalistas profissionais DO ESTADO da paraíba

CAMPANHA SALARIAL 2016

SINDICATO FECHA ACORDOS DE 8% A 10%

A campanha salarial do período 2016/2017 está se configurando como uma das mais longas da história dos jornalistas da Paraíba. Mas mesmo numa conjuntura difícil, o Sindicato dos Jornalistas PB conseguiu fechar Acordos Coletivos de Trabalho, através da livre negociação, ou seja, negociação individual por empresas, com percentuais que variam

de 8% a 10%. Para o Sindicato dos Jornalistas, foi uma vitória conseguir avançar no reajuste com todas as grandes empresas de comunicação do Estado, com exceção do Sistema Correio de Comunicação, cujo presidente que também acumula o cargo majoritário do Sindicato patronal, Alexandre Jubert, desde o início obstruiu a Convenção Coletiva.

Presidente patronal quebra a palavra por duas vezes PÁGS. 2 e 5

Representação dos jornalistas e do sindicato patronal em uma das várias reuniões de negociação frustada no SRTE/PB

VEJA O PASSO A PASSO DA CAMPANHA Editorial

Dinheiro, ganância e poder

PÁGS. 2 e 5

A carta dos empresários da Comunicação: quem assinou e quebrou a palavra

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SISTEMA TERROR DE COMUNICAÇÃO

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REPÓRTER Livre

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PROPOSTA AOS JORNALISTAS As empresas de comunicação signatárias do presente documento assumem entre si o compromisso de negociarem conjuntamente o acordo salarial dos jornalistas referente ao biênio 2016/2017. Este compromisso se faz necessário diante das condições adversas da economia do país e do Estado da Paraíba. É indiscutível que os trabalhadores paraibanos enfrentam dificuldades crescentes, em função da progressão da inflação, que ao final do ano passado ultrapassou a barreira de um dígito e atingiu 10,6% no acumulado janeiro a dezembro (IPC-A). Mas é inegável que a crise na economia atinge também em cheio e coloca em risco a sobrevivência das empresas. São alarmantes os índices de queda de faturamento desde 2014, sistematicamente crescentes, e o que é pior, sem perspectivas de reversão no médio prazo. Diante das nuvens negras que pairam sobre empresas e trabalhadores, o recomendável é se ter cautela e bom senso nas negociações trabalhistas, com vistas a se estabelecer reajustes que possam ser cumpridos. Se assim não for, fatalmente as empresas serão obrigadas a fazer ajustes operacionais ainda mais rigorosos aos que estão executando, com reflexos diretos na empregabilidade, dada à significativa representatividade dos custos de pessoal e dos encargos trabalhistas. Por isso é indispensável que nas negociações sindicais deste ano as partes envolvidas acordem em dar um passo menor à frente, acertando um percentual de reajuste inferior ao da inflação, mas que reponha pelo menos parte da perda dos trabalhadores. Nesse contexto de dificuldades crescentes é importante salientar que os reajustes salariais acordados desde 2002 superam em 27% a inflação acumulada no período (IPC-A). Esse resultado, sem dúvida positivo, é fruto do respeito com que as principais empresas de comunicação têm tratado os jornalistas. A proposta do sindicato patronal para o acordo coletivo do biênio 2016/2017 é a que se segue, à qual aderem as empresas abaixo relacionadas, por seus representantes credenciados: . Reajuste salarial de 5% na data base, extensivo a pisos e demais cláusulas econômicas: . Renovação em iguais bases das demais cláusulas do acordo 2015/2016.

honrou a palavra não honrou a palavra honrou a palavra honrou a palavra honrou a palavra honrou a palavra Presidente do Sindicato Patronal: Henrique Kirilauskas de Souza

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a segunda quinzena do mês de fevereiro de 2016, foi entregue ao presidente do Sindicato Patronal, Sr. Henrique Kirilauskas, a pauta contendo as reivindicações para o período 2016/2017, construída em Assembleia Geral da categoria. No ofício entregue ao presidente também constava o pedido de uma mesa de livre negociação. Estava dado o pontapé da campanha salarial 2016/2017... No dia 02 de março de 2016 foi realizada a primeira reunião entre o Sindicato dos Jornalistas e o Sindicato Patronal, este último representado pelo Sr. Henrique Kirilauskas do Sistema Tambaú de Comunicação. Nessa reunião, Henrique entregou uma carta compromisso assinada pelos representantes das maiores empresas de comunicação do Estado da Paraíba. A carta apresentava a primeira proposta de aumento salarial de 5% (cinco por cento). O documento estava assinado pelos representantes da Rede Paraíba de Comunicação, Sistema Correio de Comunicação (Alexandre Jubert), Sistema Tambaú de Comunicação, Sistema Opinião de Comunicação, Sistema Arapuan de Comunicação e o Sistema Itararé de Comunicação... No dia 18 de março o Sindicato dos Jornalistas pediu uma “mesa redonda” intermediada pelo Ministério do Trabalho, com o objetivo de garantir a data base e aumentar a proposta dos empresários... No dia 31 de março às 10h30, na sala de reuniões da Seção de Relações do Trabalho,

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Presidente do Sindicato Patronal envergonha a própria categoria

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Presidente do Sindicato Patronal: Alexandre Jubert assume a Presidência do sindicato patronal Alexandre Jubert... oi com muita dificuldade que a diretoria do Sindicato dos Jornalistas conseguiu realizar a primeira reunião com o Sr. Alexandre Jubert. No seu gabinete, localizado no Sistema Correio de Comunicação, em rápida reunião, ele ignorou a carta proposta pelos empresários, argumentando que naquele momento o aumento seria de 0%, quando seria mais razoável a garantia da manutenção dos empregos. Estavam presentes os diretores Land Seixas, Franco Ferreira e Luiz Conserva... Depois de muito tempo e de várias tentativas para conseguir contato com o Sr. Alexandre Jubert, com a finalidade de marcar uma nova reunião, que teria como objetivo sair do aumento zero, o Sindicato recorreu ao Ministério do Trabalho. Foi através do ofício de nº 014, de 27 de junho, que reivindicou uma nova mesa redonda...

No dia 08 de junho, às 10h30, na sala de reuniões da Sessão de Relações do Trabalho, aconteceu uma nova mesa redonda, quando o Sr. Alexandre Jubert compareceu só. Durante a reunião ele reprisou a mesma proposta: 0% (zero por cento) de aumento. Para tentar conciliar as partes, o mediador ainda tentou ajudar, lançando a proposta do INPC do período. Outra reunião foi marcada para o dia 25 de julho de 2016... No dia 25 de julho de 2016, às 14h00, no mesmo local, o mediador iniciou a reunião. Estavam presentes os jornalistas Land Seixas e Antônio Nunes, que tinha assumido a presidência do Sindicato dos Jornalistas PB. Mais uma vez Alexandre veio só. O presidente do Sindicato Patronal pediu o adiamento daquela reunião, sem apresentar nenhuma proposta nova. Land perguntou ao presidente do Sindicato Patronal pelos seus pares. Ele afirmou que iria convocar para a próxima mesa. As partes concordaram e o mediador marcou mais uma “mesa redonda” para o dia 15 de agosto de 2016, às 14h30... No dia 15 de agosto de 2016, às 14h30, na sala de reuniões da Sessão de Relações do Trabalho, foi dado início a mais uma reunião. Estavam presentes Alexandre Jubert, Guilherme Lima e Henrique Kirilauskas, representando as empresas, e, Land Seixas, Antônio Nunes e

Franco Ferreira o Sindicato Laboral. Alexandre apresentou pela primeira, vez uma proposta acima de 0% (zero por cento). Talvez aconselhado por seus colegas do Sindicato Patronal, ofereceu 3% (três por cento). O Sindicato dos Jornalistas não aceitou. O mediador lançou mais uma vez o valor do INPC acumulado nos últimos doze meses. Não havendo concordância as partes resolveram marcar uma nova reunião. Nesse momento Alexandre queria encerrar as negociações. Mas, Guilherme Lima com argumentos convincentes e a experiência acumulada em negociações, interferiu para que fosse marcada mais uma mesa redonda. A reunião ficou para o dia 1º de setembro de 2016, às 14h30... No dia 1º de setembro de 2016, foi iniciada mais uma “mesa redonda”. Os representantes do Sindicato Patronal, Alexandre Jubert, Guilherme Lima e Cacá Martins apresentaram a seguinte proposta: 3% (três por cento) em setembro de 2016; 2,9 em março de 2017, e o INPC do período 2016/2017, para a próxima data base. Os representantes do Sindicato dos Jornalistas, Land Seixas, Antônio Nunes, Luiz Conserva, Gerson Marques, Cida Mélo, Lúcia Figueiredo e Izaíra Jacó, embora não tenham aceitado, mas decidiram consultar a categoria. E, uma nova rodada de negociações ficou agendada para o dia 09 de setembro de 2016...

No dia 09 de setembro de 2016, às 10h00, na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego PB (Ministério do Trabalho), foi iniciada mais uma reunião em “mesa redonda”. O Sindicato dos Jornalistas da Paraíba tinha ficado de dar uma resposta da categoria aos empresários sobre o que eles ofereceram na última reunião. Land Seixas, Antônio Nunes, Lúcia Figueiredo, Franco Ferreira, Luiz Conserva, Marcos da Paz, Izaíra Jacó, Cida Mélo, Gerson Marques, Cícero Silvestre e Josinaldo Freitas, argumentaram que a categoria não concordava com a proposta de 3% em setembro de 2016 e mais 2,9% em março de 2017. Os sindicalistas propuseram 8,5% (oito e meio por cento) para o reajuste da data base do período 2016/2017. O representante do Sindicato Patronal, Alexandre Jubert, não concordou com a proposta apresentada. O mediador perguntou as partes se ainda havia a possibilidade de se chegar a um acordo. O representante do patronato acenou negativamente, enquanto os representantes dos trabalhadores responderam que a proposta patronal era insignificante, com perdas salariais irrecuperáveis. O mediador perguntou se havia aprovação entre as partes para entrar com Dissídio Coletivo no Tribunal Regional do Trabalho. Alexandre Jubert respondeu que não, enquanto o Sindicato dos Jorna-

listas aceitava a mediação da Justiça Trabalhista para resolver os conflitos. Dessa forma foi lavrada a “Ata Negativa”, e, encerradas as negociações na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego na Paraíba.

Sistema Terror de Comunicação

s empresas do Sistema Correio de Comunicação da Paraíba adotam uma velha e sucumbida forma de tratar seus empregados. Seus mandatários ainda não despertaram para a prática moderna adotada por empresas, que fazem investimentos no seu quadro de funcionários para ter uma boa mão de obra. Desconhecem totalmente o que é gestão de competências no atual mercado de trabalho. Na verdade esses empresários temem deixar de ganhar cada vez mais. A ordem é que o Sistema cresça, seguindo o que determina o Capitalismo: o que importa é o lucro. Por isso, seus proprietários desprezam o tratamento humanitário, empregando o antigo sistema autoritário e escravista, como resultado de rentabilidade e produção. Com isso, a pressão surge de cima para baixo passando por todas as diretorias. Os subordinados empregam a linha dura, para obedecer, agradar e bajular, rezando na mesma cartilha, para garantir os seus empregos, oprimindo desta forma os operários que são os responsáveis pelo sucesso daquelas corporações no mercado de trabalho. No Sistema Correio, muitos já pediram para deixar a empresa por não mais suportar tanta pressão. Esquecem os patrões e seus auxiliares que nos empreendimentos modernos o tratamento dado ao empregado é de respeito e dignidade, pois reconhecem que é a peça mais importante da engrenagem para alavancar e fazer as empresas crescerem. Elas já perceberam que o seu maior colaborador é o trabalhador. Por isso, são oferecidos shows, palestras, apresentações de peças teatrais, aulas de artes e até sessões de massagens. Mas, no Correio da Paraíba retiraram até a ginástica laboral, único ingrediente para melhorar o ambiente e acabar com o estresse do dia a dia. Mas, não para por aí. A coisa é muita mais séria do que se imagina. Além desse quadro nefasto que se apresenta, somam-se as reincidências no descumprimento da lei, com direitos trabalhistas garantidos aos trabalhadores sendo ignorados, a exemplo do não pagamento de horas extras, da falta de depósito do FGTS, o excesso de carga horária, férias que são pagas muito depois de serem gozadas, mas assinadas retroativamente, a realização de bancos de horas sem acordo previsto em lei e tantos outros direitos ceifados pelos empresários daquele conglomerado de comunicação. Entretanto, poderíamos detalhar muitos outros direitos retirados dos trabalhadores, mas decidimos apontar nessa edição, apenas os mais graves. Por isso, não poderíamos esquecer o assédio moral praticado dentro das redações e a humilhação por que passam os jornalistas para realizar os seus lanches e refeições, tendo que utilizar as mesas dos computadores ou embaixo de uma escadaria que dar acesso à redação. Além disso, vários jornalistas que assumiram editorias e subeditorias trabalham mais de 5 horas por dia, não tendo o direito ao intervalo de 1 hora, que é previsto por lei. O Sindicato dos Jornalistas está em alerta e não vai deixar tudo isso passar em branco. A Justiça será acionada. Essa rotina infernal nas redações do Correio vem consagrando esse sistema como o mais perverso para um jornalista profissional trabalhar. É tanto que ele já começa a ser conhecido nos meios jornalísticos como “O Sistema Terror de Comunicação”.

Sindicato dos Jornalistas da Paraíba fechou a Convenção Coletiva de Trabalho com o Sindicato Patronal, um dia depois da reunião entre os maiores representantes da comunicação Paraibana, quando ficou acertada entre eles a última proposta discutida entre patrões e empregados. Quando tudo parecia estar bem, que a Convenção coletiva de Trabalho seria protocolada no Ministério do Trabalho, o Presidente do Sindicato Patronal, Sr. Alexandre Jubert, negou-se a assinar o que já estava decidido e acordado entre as partes. E, os jornalistas que esperavam receber o mês de setembro, já com o reajuste, ficaram a ver navios. Essa complicada situação que vivenciam hoje os jornalistas, sem aumento de salário, vem se arrastando desde o mês de abril, além do repasse dos valores dos meses anteriores. Alexandre negou-se a assinar o documento, mesmo depois de participar da reunião com os seus colegas empresários, quando confirmou o acordo entre as partes. Pior que isso, fez chantagem com a diretoria do Sindicato e com os jornalistas, dizendo que só assinaria o documento se fossem incluídas algumas cláusulas para o Sistema Correio de Comunicação, a exemplo do banco de horas. A diretoria da entidade respondeu que não aceitava chantagens, pois o acordo sobre a Convenção Coletiva de Trabalho já estava apalavrado e documentado, faltando só a assinatura do Presidente do Sindicato Patronal, Sr. Alexandre Jubert. Alexandre Jubert do Correio, atual A quebra de palavra do Presidenpresidente do sindicato patronal te do Sindicato Patronal, Sr. Alexandre Jubert, além de envergonhar a sua classe, fez com que os demais empresários da área de comunicação, que participaram da reunião que culminou com o fechamento da Convenção Coletiva de Trabalho, divergissem de sua posição, passando a negociar e fechar acordos individuais por empresas com o Sindicato dos Jornalistas da Paraíba. Essa decisão por parte da maioria dos empresários resgatou a palavra de um compromisso que já estava acertado e anunciado aos jornalistas paraibanos. Para explicar melhor a Campanha Salarial 2016/2017, a mais longa da história, pois a data base dos jornalistas é no dia 1º de abril, vamos demonstrar como ela se desenvolveu passo a passo. Além disso, mostrar a atuação do novo presidente do Sindicato Patronal, Sr. Alexandre Jubert, que deixou todos os jornalistas do Sistema Correio de Comunicação sem receber aumento salarial no ano de 2016, embora já tenha contemplado outras categorias de trabalhadoSistema Correio de Comunicação na Av. Dom Pedro II, em João Pessoa - PB (sede central) res das empresas, onde ocupa o cargo de superintendente.

Henrique Kirilauskas não compareceu à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, mas mandou ofício justificando a ausência por motivo considerado justo e garantindo a data base da categoria dos jornalistas. O acordo assinado pelas empresas ainda estava mantido...

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O passo a passo da Campanha Salarial

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As negociações individuais

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a semana posterior ao encerramento das negociações no Ministério do Trabalho, o Superintendente do Sistema Paraíba de Comunicação, Sr. Guilherme Lima, convidou Land Seixas para uma reunião, com o objetivo de recomeçar uma nova etapa de negociações. O evento aconteceu na Televisão cabo Branco Ltda, às 10h00. Depois de muita conversa foi construída uma nova proposta, que seria levada pela diretoria do Sindicato dos Jornalistas PB, para aprovação em assembleia dos jornalistas daquele sistema de comunicação. Os representantes Guilherme Lima e Land Seixas sentaram e construíram uma proposta, que de antemão seria para acordo entre o Sistema Paraíba de Comunicação e o Sindicato dos Jornalistas da Paraíba. Mas, Guilherme Lima resolveu levar a proposta elaborada para uma discussão com todos os representantes das maiores empresas de comunicação da Paraíba.

Os empresários concordaram em discutir a proposta, que culminou com a aprovação do novo documento construído por Guilherme Lima e Land Seixas. O representante do Sindicato dos Jornalistas e da Rede Paraíba de Comunicação voltaram a se reunir, apenas para revisar o documento normativo da Convenção Coletiva de Trabalho, que já tinha o aval de todos os empresários da comunicação. Depois disso, seria assinado pelo presidente do Sindicato Patronal, e enviado para o Ministério do Trabalho, quando seria oficializado o processo. Mas, ao receber a documentação no seu gabinete de trabalho, Alexandre Jubert, mais uma vez deu para trás, se negando em assinar o que já estava apalavrado e convencionado entre todas as partes. É preciso lembrar que Jubert representa um sistema de empresas de comunicação, colocando em descrédito a marca e o slogan “Jornalismo com ética e paixão”.


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Empresas de comunicação aumentam negócios mas não reconhecem trabalho dos Jornalistas

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a década de noventa, os jornalistas do Estado da Paraíba percebiam menos que um salário mínimo. As discussões entre patrões e empregados nas mesas de negociações não avançavam, pois os empresários da área de comunicação não aceitavam sequer pagar o valor do mínimo referencial para o Nordeste, por sinal o menor de todas as regiões brasileiras. Naquela época o presidente do Sindicato Patronal era o Sr. Teócrito Leal, que durante muitos anos representou os empresários da área da comunicação com mão de ferro. Teócrito pertencia ao maior conglomerado de comunicação do Estado da Paraíba: os Diários Associados que tinha como chefe maior o Sr. Marconi Góes. A postura desse senhor era de enfrentamento com a classe trabalhadora, pois não negociava com o sindicato da categoria, e não admitia qualquer percentual de aumento para os jornalistas. Além disso, por pertencer aos Diários Associados, maior e mais poderoso sistema de comunicação da Paraíba, exercia

grande influência sobre os demais empresários do Estado da Paraíba. Nenhum avanço aconteceu por reconhecimento dos empresários ao trabalho desempenhado pelos profissionais da imprensa, naquela década. Mas, a luta incansável do Sindicato na busca por melhores salários e condição de vida digna aos familiares dos jornalistas, culminou com a primeira greve geral da classe no ano de 1998. Embora os 16 dias de paralisação tenham resultado em muitas demissões, o movimento paredista ficou conhecido politicamente como o grito de independência dos jornalistas paraibanos. A luta da entidade e dos jornalistas não parou por aí. Até que em determinado momento foi conquistada uma remuneração que podia ser equiparada a quatro salários mínimos da época. Esse piso salarial foi alvo de atuações impetradas na Justiça Trabalhista, por meios de Ações Judiciais e de Dissídios Coletivos ganhos no Tribunal Regional do Trabalho. Se esse valor fosse reajustado para hoje, teria equivalência a R$

3.500, podendo ser comparado ao piso de R$ 3.700,00, que está sendo reivindicado pela Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ, através do Projeto de Lei nº 2960/11 de autoria do Deputado Federal André Moura (PSC-SE), que tramita no Congresso Nacional. Mas, infelizmente essa situação não durou muito. Alguns gestores que governaram o nosso país, se encarregaram de achatar os salários dos trabalhadores, permitindo que a inflação chegasse a patamares inacreditáveis, atingindo percentuais de mais de mil por cento ao ano. Por isso, os nossos pisos e salários, tão corroídos, se tornaram quase impossíveis de serem recuperados naquela época. E, as perdas salariais chegaram a patamares inconcebíveis. Hoje, o piso salarial pago no Estado da Paraíba é de R$ 1.649,20 (hum mil seiscentos e quarenta e nove reais e vinte centavos), com pequenas alterações em algumas empresas, que não chegam a modificar a situação caótica por que passam os jornalistas paraibanos.

Precarização ameaça e toma conta do mercado de trabalho do jornalista

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mercado de trabalho dos jornalistas na Paraíba não difere muito da realidade nacional. Além de enfrentar o arrocho salarial imposto pelos patrões, os jornalistas ainda têm que conviver com precárias condições de trabalho e com a pejotização (profissional sendo obrigado a trabalhar como pessoa jurídica, isso acontecendo mais no mercado de assessoria de imprensa). Nas redações da denominada grande mídia, é onde se visualiza a maior exploração. É demissão em massa, jornalista sendo obrigado a extrapolar a carga horária, são companheiros que trabalham para mais de um CNPJ, registro de práticas de assédio moral, não pagamento das horas extras, acúmulo de funções, invasão do mercado por pessoas não habilitadas, ou seja, sem registro profissional, meio ambiente insalubre, sem a devida proteção e instrumentos de trabalho inadequados para o serviço diário, ferindo todos os princípios que regem um trabalho decente. Os princípios que caracterizam um trabalho decente, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho-OIT, são“ remuneração adequada, exercício em condições de liberdade, equidade e segurança, capaz de garantir uma vida digna”. Condição em que os jornalistas paraibanos estão distantes de alcançar.

3 Pingo D`água Sem feriado e com escravatura O dono do Sistema Correio de Comunicação defende o fim dos feriados no Brasil por considerar que o país perde com o calendário atual. Se com os feriados, os jornalistas já são ‘escravos’ imagine se essa ideia fosse colocada em prática? Os jornalistas só têm obrigações. Seus direitos são ignorados e o trabalho é marcado pelo assédio moral. Teria que surgir uma nova Princesa Isabel para socorrer nossa categoria da exploração.

Redação funciona em calabouço A legislação manda que todo profissional tenha um ambiente de trabalho adequado. No Correio da Paraíba essa regra fica apenas no papel. A Redação do jornal fica num calabouço. Em caso de acidente, um incêndio, por exemplo, os profissionais correm sérios riscos porque não há nenhuma saída de emergência. O local é um porão com escadas sem nenhum meio adequado para salvamento. Enquanto isso, outros setores são ornamentados com tapetes e outros acessórios, como se a Redação fosse parte de outra empresa.

Empresa de reciclagem atinge lençol freático

O mais lamentável é que as perspectivas diante da conjuntura política de retrocesso instalada no país, que está impondo uma pauta conservadora à sociedade são as piores possíveis para toda classe trabalhadora e particularmente para a categoria dos jornalistas, que há muito já vem sendo assombrada pelo fantasma da terceirização. Em outubro, a nossa federação, a FENAJ em parceria com a OIT, lançou a agenda do Trabalho Decente no país, mas o que estamos vendo acontecer é o contrário. É a retirada de direitos trabalhistas, ou seja, estão rasgando a nossa Constituição e desmontando a Consolidação das Leis Trabalhistas - CLT e todas as políticas

sociais a exemplo da educação, saúde e a previdência social. O golpe à democracia feriu de morte a classe trabalhadora e a categoria dos jornalistas já foi afetada drasticamente com esse Governo que está acabando com o sistema público de Comunicação, trazendo mais desemprego aos jornalistas . Para o enfrentamento a esta situação, o Sindicato dos Jornalistas da Paraíba estará sempre a postos na defesa da dignidade no mercado de trabalho para os jornalistas e na luta por melhores condições salariais, mas vamos precisar de todo mundo. A categoria não pode ficar de braços cruzados. Sindicato somos todos nós.

No próximo número publicaremos reportagem que aborda uma empresa de lixo reciclável que está contaminando lençol freático em determinada região do Estado da Paraíba. A matéria já foi publicada, mas ouve censura em determinado veículo de comunicação da Paraíba. É só aguardar o próximo número para conferir a reportagem completa.

Sanitários dentro da redação do Correio Muita gente não sabe! Mas, os sanitários da redação do Correio da Paraíba ficam instalados no espaço de trabalho da própria redação. Além de um ambiente totalmente insalubre, os jornalistas ainda têm que aguentar um aroma não muito agradável. É preciso ser muito profissional para aguentar e suportar tanto sofrimento. E, haja perfume!

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TIGOARTIGOARTIGOARTIGOARTIGOARTIGOARTIGOA

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oi-se o tempo em que a palavra dada valia mais do que um papel assinado. Os tempos mudaram e, com as mudanças, na sociedade atual, nem documento assinado tem mais valor imagina palavra dada. O mundo moderno deixou de valorizar o que os nossos pais e avós consideravam de grande valor. Hoje, são cada vez mais raros os homens ou mulheres que honram a palavra dada e, bem poucos, os que cumprem ou respeitam o que antes foi tratado, acordado ou assinado. Ao analisar esses fatos me vem a pergunta: por que isso acontece? Imagino que seja porque o tempo passou, a palavra dada pereceu, o compromisso assumido foi esquecido e o desrespeito prevaleceu. Ou quem sabe foi o caráter das pessoas que mudou? Nos dias atuais, muitos acordos mesmo escritos são esquecidos e ignorados. Muito comum na prestação de serviço ao consumidor desde planos de saúde, telefonia móvel e fixa ou entre empresas e sindicatos. E não poderia esquecer que, especialmente neste período eleitoral, candidatos prometem ‘mundos e fundos’ e depois esquecem, totalmente, os compromissos assumidos; suas promessas de campanha; suas plataformas de governo logo que ascendem ao poder. E esse descumprimento registramos nesta longa campanha salarial dos jornalistas da Paraíba. O tratamento recebido pela categoria de jornalista por parte do presidente do Sindicato dos empresários do setor não é diferente do que abordamos anteriormente. No início deste ano, a direção do Sindicato das Empresas de Comunicação elaborou uma proposta ao Sindicato dos Jornalistas da Paraíba, onde os

VALORIZAÇÃO TV Itararé eleva piso acima da inflação

O tempo passa A porém a palavra fica empresários se comprometiam a pagar um aumento de 5% para a categoria, a partir de abril de 2016, período da nossa data-base. No entanto, logo após a eleição da nova diretoria do sindicato patronal, a proposta para o aumento dos jornalistas foi esquecida. Sem aumento a categoria jornalística ficou prejudicada, já que sua data base é 1º de abril. E tentando reaver as perdas acumuladas cuja inflação do período chegou aos 9,8%, o Sindicato dos Jornalistas buscou uma negociação com Alexandre Gilbert, o presidente do Sindicato patronal e também mandatário do Sistema Correio de Comunicação, sem sucesso. Por isso recorreu à representação na Paraíba do Ministério de Emprego e do Trabalho para mediar a mesa redonda. Na ocasião, Alexandre Jubert acenou com zero por cento de aumento justificando que o mais importante para os jornalistas na atualidade era a manutenção dos empregos. Vale ressaltar que, mesmo depois de várias tentativas de negociação entre o Sindicato patronal e o dos Jornalistas,

Para os outros, Natal pela Vida; para os jornalistas, Natal com fome

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odos os anos, o Sistema Correio lança o “Natal pela Vida”, uma campanha de arrecadação de alimentos não perecíveis para famílias carentes. Com o conceito “Veja além do óbvio”, o intuito da campanha é levar a uma reflexão sobre quais presentes realmente são valiosos no Natal, e, consequentemente, ajudar a transformar a realidade de milhares de famílias. Há de se reconhecer que algo bonito existe nesse tipo de campanha. O que é feio e injusto é o tratamento que a mesma empresa dispensa a seus profissionais jornalistas. Enquanto o Sistema Correio de Comunicação faz festa para outros, com muitos convidados, fartura e abundância, os jornalistas ganham salários de fome e, pela ética e o compromisso profissionais produzem textos expondo o brilho do Natal e vivem à mercê da boa vontade dos patrões, que lhe negam o mínimo e bradam aos quatro cantos que se não quiser que seja assim têm outras pessoas para exercer a mesma função. E tem mesmo, mas são pessoas inescrupulosas que não têm compromissos com a verdade, com o leitor que é o alvo fim da notícia. Os jornalistas verdadeiros não se dobram e mantêm a luta por seus direitos.

EXPEDIENTE REPÓRTER Livre PUBLICAÇÃO DO SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS DO ESTADO DA PARAÍBA – GESTÃO Linha Independente EDIÇÃO SOB A RESPONSABILIDADE DA DIRETORIA DE COMUNICAÇÃO CONSELHO EDITORIAL: Antônio Nunes, Franco Ferreira, Izaíra Jacó, Land Seixas, Lucia Figueiredo, Luiz Conserva, e Rafael Freire Rua da Areia, nº 735, Centro, João Pessoa - Paraíba

no Ministério do Trabalho, só foi oferecido um aumento fatiado que, seria pago de duas vezes, o primeiro, agora em setembro de 3% e, o restante 2,9, em março de 2017, sem a reposição do pagamento retroativo dos meses anteriores. Como o Sindicato dos Jornalistas percebeu que dessa mata não sairia coelho, ou seja, Alexandre Jubert não estava mesmo querendo negociação e nem fechar acordo, uma vez que já tinha colocado na lata de lixo o documento assinado por todos os empresários, inclusive por ele, e desrespeitado a palavra empenhada pelo seu antecessor, Henrique Kirilauskas, resolveu apelar para o instrumento de dissídio coletivo, que não foi aceito pelo Sindicato patronal. Então foi em busca da negociação por empresas, onde obteve ganhos interessantes conforme mostra matéria de capa, ficando de fora apenas o Sistema Correio de Comunicação. Mas, o pano de fundo é justamente a quebra de compromisso, que mostra a falta de caráter e de seriedade com os trabalhadores jornalistas.

direção da Televisão Itararé, de Campina Grande, foi a primeira a negociar com o Sindicato dos Jornalistas. Contrariando os argumentos dos dirigentes patronais, a emissora concedeu o maior aumento, elevando 10% o piso salarial da categoria, índice superior à inflação do período. O novo valor já foi pago aos profissionais de imprensa da Itararé de uma só vez, na folha de agosto, retroativo a abril, data base da categoria. A diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Paraíba, que tem sempre como bandeira de luta a melhoria salarial e o respeito aos profissionais, pleiteava um piso superior, tendo em vista perdas anteriores. Porém, considerando a atual situação por que passa o país, reconhece o esforço dos dirigentes da TV Itararé, que promoveram um reajuste superior aos índices inflacionários. “Entendemos que quem valoriza o profissional, também zela pelos bons serviços prestados à comunidade. Nossa pretensão é manter sempre o diálogo com os empresários da comunicação, na busca de melhorias salariais e nas condições de trabalho”, ressaltou o vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas, Antônio Nunes. Os dirigentes do Sindicato dos profissionais asseguram que a luta vai continuar, na defesa dos profissionais, inclusive mantendo fiscalização rigorosa e exigindo respeito no cumprimento da legislação e em defesa do bom jornalismo.

Não à reforma autoritária do ensino e todo apoio às ocupações estudantis! A Medida Provisória 746/2016 foi publicada no dia 23 de setembro e contém bruscas alterações na estrutura do ensino médio brasileiro. Mesmo havendo diversos fóruns permanentes de especialistas e das categorias que trabalham na educação, o presidente Michel Temer, autoritariamente baixou uma MP, cuja vigência é imediata. Na verdade, a chamada Reforma do Ensino Médio visa a fragmentar o processo de ensino-aprendizagem, impedindo que os estudantes tenham acesso a todo o atual conteúdo de três anos. Deixam de ser obrigatórias disciplinas essenciais para a formação do jovem como indivíduo crítico, saudável e sociável, como educação física, artes, sociologia e filosofia. As escolas, que hoje já não têm a mínima estrutura de funcionamento, teriam também que ofertar cursos técnicos e aumentar a carga horária para funcionar no modelo de “tempo integral”. Deixamos aqui nosso repúdio a esta aberração e nos solidarizamos com o movimento estudantil combativo que tem promovido ocupações de escolas e universidades contra esta reforma e contra a PEC 241(55), num claro exemplo de que é preciso lutar para barrar o pacote de maldades que vem sendo implementado por este governo ilegítimo e golpista.


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