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— O que te parece tão divertido? Estava sentado ao meu lado, me olhando. Descansava a cabeça sobre a mão direita e o cotovelo estava apoiado na parte de trás do sofá. — Por que me deu de presente precisamente Tess, de D'Urberville? — Perguntei-lhe. Christian me olhou fixamente um momento. Acredito que lhe surpreendeu minha pergunta. — Bom, disse-me que gostava de Thomas Hardy. — Só por isso? Até eu sou consciente de que minha voz soava decepcionada. Apertou os lábios. — Pareceu-me apropriado. Eu poderia te empurrar para algum ideal impossível, como Angel Clare, ou te corromper completamente, como Alec d'Urbervile. — Murmurou. Seus olhos brilharam impenetráveis e perigosos. — Se apenas houver duas possibilidades, escolho a corrupção. — sussurrei enquanto o encarava. Meu subconsciente me observava assombrada. Christian ficou boquiaberto. — Anastásia, deixa de morder o lábio, por favor. Desconcentra-me. Não sabe o que diz. — Por isso estou aqui. Franziu o cenho. — Sim. Desculpa-me um momento? Desapareceu por uma grande porta no outro extremo do salão. Voltou em dois minutos com uns papéis nas mãos. —Isto é um acordo de confidencialidade. — Encolheu os ombros e pareceu ligeiramente incômodo. — Meu advogado insistiu. Estendeu-me os papéis. Fiquei totalmente perplexa. — Se escolher a segunda opção, a corrupção, terá que assiná-los. — E se não quiser assinar nada? — Então fica com os ideais de Angel Clare, bom, ao menos na maior parte do livro. — O que implica este acordo? — Implica que não pode contar nada do que aconteça entre nós. Nada a ninguém. Observei-o sem dar crédito. Merda. Tem que ser ruim, ruim de verdade, e agora tenho muita curiosidade por saber do que se trata. — De acordo, assinarei. Estendeu-me uma caneta. — Nem sequer vai ler? — Não. Franziu o cenho. 87

50 tons de cinza  
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