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— Eu tomarei uma taça de vinho branco. Você quer uma? — Sim, obrigada. — Murmurei. Sentia-me incômoda neste enorme salão. Aproximei-me da parede de cristal e me dei conta de que a parte inferior do painel se abria a sacada em forma de acordeão. Abaixo se via Seattle, iluminada e animada. Volto para a área da cozinha, demorei uns segundos, porque estava muito longe da parede de cristal, onde Christian abria um vinho. Retirou sua jaqueta. — Acha que está bem um Pouily Fumei? — Não tenho a menor ideia sobre vinhos, Christian. Estou certa de que será perfeito. Falei em voz baixa e entrecortada. Meu coração batia muito depressa. Queria sair correndo. Isto era luxo de verdade, de uma riqueza exagerada, tipo Bill Gates. O que estava fazendo aqui? Sabia muito bem o que estava fazendo aqui, logrou meu subconsciente. Sim, quero ir para cama com Christian Grey. — Toma. — Disse-me ao estender uma taça de vinho. Até as taças são luxuosas, de cristais grossos e muito modernos. Tomei um gole. O vinho era ligeiro, fresco e delicioso. — Você está muito quieta, e nem mesmo está corada. A verdade é que acredito que nunca te vi tão pálida, Anastásia. — Murmurou. — Está com fome? Neguei com a cabeça. Não de comida. — Que casa tão grande. — Grande? — Grande. — É grande. — Admitiu com um olhar divertido. Tomei outro gole do vinho. — Sabe tocar? — Perguntei-lhe apontando para o piano. — Sim. — Bem? — Sim. — Claro, como não. Há algo que não faça bem? — Sim... umas duas ou três coisas. Tomou um gole de vinho sem tirar os olhos de cima de mim. Sinto que seu olhar me seguia quando me virei e olhei o imenso salão. Mas não deveria chamar-lhe "salão". Não é um salão, a não ser uma declaração de princípios. — Quer te sentar? Concordei com a cabeça. Agarrou minha mão e me levou ao grande sofá de cor nata. Enquanto me sentava, assaltava-me a ideia de que pareço Tess Durbeyfield observando a nova casa do notário Alec d'Urbervile. A ideia me fez sorrir. 86

50 tons de cinza