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— Ana, adeus, — ele diz suavemente, e ele parece completamente, totalmente quebrado, um homem em uma dor agonizante, refletindo como eu me sinto por dentro. Eu desvio o meu olhar para longe dele antes que eu mude de ideia e tente confortá-lo. As portas do elevador fecham, e me leva rapidamente para o térreo e para o meu inferno pessoal. Taylor segura à porta aberta para mim, e eu entro no banco traseiro do carro. Eu evito contato visual. Constrangimento e vergonha me lavam. Eu sou um completo fracasso. Eu tinha a esperança de arrastar meu Cinquenta Sombras para a luz, mas provou ser uma tarefa além das minhas pobres habilidades. Desesperadamente, eu tento manter as emoções depositadas em um compartimento. Quando no dirigimos em direção a 4th Avenida, eu olho fixamente para fora da janela, e a enormidade do que eu tinha feito lentamente me lava. Merda, eu o deixei. O único homem que eu amei. O único homem com quem eu já dormi. Eu suspiro e as barragens estouram. As lágrimas escorrem espontaneamente e indesejáveis pelas minhas bochechas, e eu as enxugo apressadamente com meus dedos, lutando com a minha mala pelos meus óculos de sol. Quando nós paramos em algum semáforo, Taylor segura um lenço de linho para mim. Ele não diz nada e não olha na minha direção, e eu tomo isso com gratidão. — Obrigada, — eu resmungo, e esse pequeno ato discreto de bondade é a minha ruína. Eu sento de volta no assento luxuoso de couro e choro. O apartamento está dolorosamente vazio e desconhecido. Eu não vivi aqui por tempo suficiente para me sentir como em casa. Eu me dirijo diretamente para meu quarto, e lá, pendurado frouxamente no final da minha cama, está um balão de helicóptero muito triste e murcho. Charlie Tango, parecendo e sentindo exatamente como eu. Eu o agarro com raiva e tiro da minha cama, tirando a gravata e abrançando-o. Oh, o que eu fiz? Eu caio na minha cama, de sapato e tudo, e uivo. A dor é indescritível... física, mental... metafísica... está por toda parte, penetrando na medula óssea. Luto. Isso é luto, e eu o trouxe para mim. Bem no fundo, um pensamento desagradável e sem ser solicitado vem da minha deusa interior, seu lábio enrolado com um rosnado... a dor física da mordida de um cinto não é nada, nada comparado com essa devastação. Eu me enrolo, desesperadamente agarrando o balão de alumínio e o lenço de Taylor, e me entrego a minha dor.

Fim da Parte Um

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