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Lembrança de um tempo feliz. Obrigada. Ana Eu me olho no espelho. Um assombrado fantasma pálido me olha de volta. Eu escovo meu cabelo em um rabo de cavalo e ignoro como as minhas pálpebras estão inchadas de chorar. Meu subconsciente concorda em aprovação. Mesmo ela sabe que não deve ser sarcástica agora. Eu não posso acreditar que meu mundo está desmoronando ao meu redor em uma pilha de cinzas estéreis, todas as minhas esperanças e sonhos cruelmente frustradas. Não, não pense sobre isso. Não agora, não ainda. Respirando fundo, eu pego minha bolsa, e depois de colocar o kit planador e minha nota em seu travesseiro, eu me dirijo para a grande sala. Christian está no telefone. Ele está vestido com calças pretas e camiseta. Seus pés descalços. — Ele disse o que! — ele grita, me fazendo pular. — Bem, ele poderia ter nos dito a porra da verdade. Qual é o número dele, eu preciso ligar para ele... caralho, isso está realmente fodido. — Ele olha para cima e não tira seus olhos escuros e taciturnos de mim. — Encontre-a, — ele estala e pressiona o telefone. Eu ando até o sofá e pego minha mochila, fazendo o meu melhor para ignorá-lo. Eu tiro o Mac para fora e ando de volta em direção a cozinha, colocando-o cuidadosamente na mesa do bar, junto com o BlackBerry e a chave do carro. Quando eu me viro para encará-lo, ele está me olhando, estupefato, com horror. — Eu preciso do dinheiro que Taylor deu pelo meu fusca. — Minha voz está clara e calma, desprovida de emoção... extraordinário. — Ana, eu não quero essas coisas, elas são suas, — ele diz incrédulo. —Por favor, leve-as. — Não Christian, eu só as aceitei sob resignação, e eu não as quero mais. — Ana, seja razoável, — ele me censura, mesmo agora. — Eu não quero nada que me lembre de você. Eu só preciso do dinheiro que Taylor deu pelo meu carro. — Minha voz está muito monótona. Ele suspira. — Você esta realmente tentando me ferir? — Não. — Eu franzo a testa olhando para ele. Claro que não... eu amo você. — Eu não estou. Estou tentando me proteger, — eu sussurro. Porque você não me quer da forma que eu quero você. — Por favor, Ana, leve essas coisas. — Christian, eu não quero brigar, eu só preciso do dinheiro. Ele aperta os olhos, mas eu não estou mais intimidada por ele. Bem, só um pouco. Eu olho impassivelmente de volta, sem piscar ou recuar. 447

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