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aproximando-se muito ao sol. Fecho a porta da rua, enquanto se mete em seu carro esportivo. Sinto uma irresistível necessidade de chorar. Uma triste e solitária melancolia me oprime o coração. Volto para meu quarto, fecho a porta e me apoio tentando racionalizar meus sentimentos, mas não posso. Deixo-me cair no chão, cubro o rosto com as mãos e as lágrimas começam a descer. Kate bate na porta suavemente. — Ana? — ela sussurra. Eu abro a porta. Ela me olha e me abraça. — O que está errado? O que lhe fez esse bastardo repulsivo? — Oh, Kate, nada que eu não quisesse que me fizesse. Ela me empurra para a cama e nos sentamos. — Você está com o cabelo horrível. Embora esteja desconsolada, rio-me. — O sexo foi bom, não foi terrível em nada. Kate sorri. — Melhor. Por que você está chorando? Você nunca chora. — Ela pega a minha escova na mesa em frente, senta atrás de mim, e muito devagar escova para tirar os nós. — Eu só não acho que nosso relacionamento está indo a lugar nenhum. — Olho para os meus dedos. — Você não disse que ia vê-lo só na quarta-feira? — Sim, foi o que combinamos. — E por que ele apareceu hoje por aqui? — Porque lhe mandei um e-mail. — Pedindo para que ele viesse? — Não, lhe dizendo que não queria voltar a vê-lo. — E ele veio até aqui? Ana, você é genial. — A verdade é que era uma brincadeira. — Oh, agora sim não estou entendendo nada. Pacientemente, lhe explico essência do meu e-mail, sem entrar em detalhes. — Pensou que responderia por email. — Sim. — Mas isso fez com que ele viesse aqui. — Sim. — Eu diria que ele está completamente apaixonado por você. Franzo o cenho. Christian apaixonado por mim? Dificilmente. Ele só está procurando um novo brinquedo, um novo e adequado brinquedo para deitar-se e lhe fazer coisas indescritíveis. Meu coração se aperta. Essa é a verdade. — Ele veio só para foder-me, isso é tudo.

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