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— Ok, — concordo prontamente, sorrindo para ele, aliviada. Não quero nem pensar em Kate cortando as bolas de Christian. Ele franze os lábios e sacode a cabeça. — Quanto antes se submeta para mim melhor, assim acabamos com tudo isto — ele murmura. — Acabamos com o que? — Com seus desafios. — Passa-me uma mão pelo meu queixo e me beija rapidamente nos lábios. As portas do elevador se abrem. Agarra-me pela mão e me leva para a garagem no subsolo. Eu o desafio... como? Perto do elevador vejo o Audi 4x4 negro, mas quando aperta o comando para que se abram as portas, acendem-se as luzes de um esportivo negro reluzente. É um desses carros que deveria ter uma loira de pernas longas, deitada no capô, vestida apenas com uma faixa. — Bonito carro, — eu murmuro secamente. Ele levanta o olhar e sorri. — Eu sei, — responde-me, e por um segundo volta a ser o doce, jovem e despreocupado Christian. Inspira-me ternura. Está entusiasmado. Os meninos e seus brinquedos. Rolo os olhos, mas não posso ocultar meu sorriso. Abre-me a porta e entro. Uau... é muito baixo. Ele se move em volta do carro com graça fácil e dobra seu corpo longo elegantemente ao meu lado. Como ele faz isso? — Então, que tipo de carro é esse? — Um Audi R8 Spyder. Como faz um dia lindo, podemos baixar a capota. Há um boné de beisebol aí. Na verdade, deve haver dois. Ele aponta para uma caixa. — E óculos de sol se você quiser. Ele dá partida na ignição, e o motor ruge a nossas costas. Deixa a bolsa entre os dois assentos, aperta um botão e a capota retrocede lentamente. Aperta outro, e a voz do Bruce Springsteen nos envolve. — Vai ter que gostar do Bruce, — Sorri-me, e tira o carro do estacionamento e sobe a rampa, onde nos detemos, esperando que a porta levante. E saímos para a ensolarada manhã de maio em Seattle. Abro a caixa e pego os bonés de beisebol. São da equipe dos Mariners. Ele gosta de beisebol? Passo-lhe um boné e ponho o outro. Eu passo o rabo de cavalo pela parte de trás do meu boné e puxo a viseira para baixo. Pessoas nos olham quando nos dirigimos pelas ruas. Por um momento penso que olham para ele... e logo tenho um paranóico pensando que me olham porque sabem o que estive fazendo nas últimas doze horas, mas ao final, me dou conta de que o que olham é o carro. Christian parece alheio a tudo, perdido em seus pensamentos. 132

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