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Vol. 02 Pequenas histórias, grandes amizades

8º ano – Turma 2011 Colégio Adonai


Introdução Após apreciação do livro, nossa diretora: Jossane Déborah César Nascente sugeriu que aguardássemos os trabalhos da turma de 2011 para editarmos tudo em um só exemplar. O projeto foi muito bem aceito pelos “jovens escritores” deste ano. São doze histórias carinhosamente construídas por trios, duplas ou individualmente. Em “Amigos de Longa data”, Júlia, Carla e Murillo retratam o cotidiano de jovens oriundos de famílias financeiramente abastadas, mas carentes de atenção e carinho. Manuela e Catarina se unem no firme propósito de ajudar Paulo a se recuperar do vício que bate a sua porta. Gabriel Andrade nos conta a aventura de Leonardo: jovem envolvido no mundo do crime, mas com personalidade sensível não resiste em defender dois adolescentes que sofrem bullying. Em “Amizade Perigosa”, Júlia e Felipe vão provocar uma mudança total na vida de Leonardo. Mellissa, Koihime e Carol são adolescentes em pleno amadurecimento em suas relações interpessoais. A Carol não suporta “patricinhas” e não se dá muito bem com Koihime, a Mimi. Carol fica no meio desse fogo cruzado. Mas uma boa programação em um acampamento faz milagres não é mesmo? Walycia, Quéren Hapuque e Jennifer nos conduzem por essa trama de conflitos e paixão em “Amizade Inesperada”. O cientista Carlos Almeida está muitíssimo preocupado em salvar a natureza, mas precisa passar por uma experiência profunda para compreender como realmente a sociedade precisa ser liberta para vislumbrar novos horizontes. Victor Borges e Richaell construíram essa aventura onde o cientista, um paquistanês e um jovem assassino terão um encontro inesquecível, leia mais em “Decisão Humanitária”. Pablo passa por um momento muito difícil: a perda do seu pai. Confuso e aturdido o jovem envereda no mundo das drogas. Brian torna-se um forte aliado construindo uma amizade capaz de mostrar que enfrentar a realidade pode ser bem melhor do que fugir. Ilson e Caio Lima capricharam nesse enredo: “De repente amigos”. O Bullying, sempre recorrente nas escolas foi o tema escolhido por Matheus Lopes e Filipe em: “Dois garotos. Uma Aventura”. Ana Tereza em sua história: “Amizade com o diferente”, também abordou a questão. São narrativas leves que descrevem exemplos da prática do bullying no cotidiano escolar. Os autores entendem que os laços da amizade podem cercar e fortalecer os que seriam alvos fáceis. Isabelly, garota enfastiada da vida abastada que leva “Nem Sonhava” que a horrível tarefa designada pela professora Camila, a que ela menos suportava, transformaria Beatriz: recém-chegada de Bogotá e Kelly, a outra novata e provavelmente também “Metida” modelo Parisiense em suas melhores amigas. Muito mais que isso faria com que todas as três pudessem descobrir mais sobre os seus valores antes adormecidos. 1


Nara Lizandra nos conta em “Amizade constante, mesmo à distância” sobre Ana Klara e Bianca, amigas de infância sofrendo com o aumento da distância geográfica, que pode dificultar o encontro, mas é incapaz de afastar grandes amizades. Matheus Wilton nos conduz por uma aventura enigmática até “O Núcleo Galáctico”. Filosofia e ficção científica se misturam à criatividade do autor. Com a presença garantida de extraterrestres e até de anjos! Será essa uma amizade possível? Os problemas foram “responsáveis” pelo fortalecimento das amizades entre: Francis, Anderson e Ricardo. Em “Unidos pela bola”, Rafael, Káliston e André Felipe contam sobre Francis, garoto pobre que sonha conseguir uma alta quantia para pagar uma cirurgia que poderá salvar sua mãe. Um encontro casual com dois outros garotos trará uma oportunidade sonhada por muitos: ser um jogador profissional. Iasmine, Júlio e Samara, contam sobre Mabi, garota órfã, que sofre maus-tratos por parte de sua tutora. Mirella e Cassiandro se unem para investigar e ajudar sua mais nova amiga. Sensibilidade e companheirismo a toda prova estão presentes em “Unidos pelo problema”. Para não ficar diferente do ano anterior, alguns de nossos escritores deixaram de participar do projeto a partir da etapa de envio do arquivo digital com as correções. Talvez prefiram editar suas histórias individualmente não é mesmo? Gostaria muito que vocês também pudessem ler as histórias escritas pelo Cléssio Héctor , Matheus Carvalho e Samuel Roberto. Não é um trio, são três histórias escritas por esses diferentes autores. Ufa, como vocês me deram trabalho... quero dizer: histórias para revisar. Aproveitem-nas.

Professora Elaine Batista Corrêa Leite Outubro de 2011.

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Agradecimentos Louvamos ao Senhor Deus, autor da vida e de nossas vida, conforme canta o Salmista:

histórias de

“Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia.” Salmo 139:14-16 Agradecemos àqueles que participaram conosco a escritura dessas histórias. Não é tão fácil escrever uma história, desafio maior é escrevê-la a duas ou três mãos. Gratos à administração do Colégio Adonai representada pela diretora Jossane Déborah César Nascente e Pastor José Clarimundo César por nos apoiar na realização desse projeto.

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Índice Amigos de longa data......................................................................................05 Amizade perigosa ...........................................................................................30 A amizade inesperada.....................................................................................41 Decisão Humanitária.......................................................................................55 De repente amigos...........................................................................................63 Dois garotos. Uma Aventura ..........................................................................74 Amizade constante, mesmo à distância .......................................................84 Amizade com o diferente ...............................................................................90 Nem imaginava ...............................................................................................97 O Núcleo Galáctico .......................................................................................108 Unidos pela bola ………………………………………………………………….117 Unidos pelo problema …………………………………………………………...131

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Amigos de longa data

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Parte I - Conhecendo

Capítulo 1 - Simplesmente minha realidade “Última chamada para o voo 4867 com destino a Porto Alegre...” __Vamos logo meu amor por que senão perderemos o voo! Essa é a minha deixa, hoje é o dia em que eu mudo radicalmente a minha vida. Meu nome é Manuela Jorgen e tenho 16 anos. A razão de eu estar mudando de São Paulo é porque minha mãe: Raquel Jorgen, foi transferida para um hospital de Porto Alegre que está precisando de neurologistas. Então meu pai, Filipe Jorgen conseguiu um lote na cidade e está construindo um novo escritório: ele é advogado. A família Jorgen é bastante conhecida. Esse sobrenome veio da parte do meu pai. Os Jorgen são famosos por sair do poço, renascer das cinzas. Meus bisavôs paternos eram ricos demais, mas deram uma bobeira e perderam toda a fortuna. Na geração do meu pai eles já estavam morando na favela, mas meu pai nunca perdeu as esperanças. Quando meus pais se conheceram descobriram que tinham o mesmo sonho: crescer na vida, e conseguiram! Só que desde então nunca mais pararam de pensar em trabalho e se esqueceram de mim. Minha babá Carmen está mudando junto conosco para Porto Alegre. Nas minhas lembranças, não vejo os meus pais, só vejo a Carmen. Meus pais nunca foram presentes em minha vida, já estou acostumada. Já tem uns dois anos que a Carmen está bem distante, eu fico com medo de estar na hora de ela ir, já é idosa, é como se fosse a mãe que eu nunca tive. Pra mim é bem mais fácil mudar, porque eu não tive que despedir de ninguém. Nunca fui muito de ter amigos. Na minha escola eu nunca me importei com isso, também ninguém nunca se aproximou de mim. Acho que agora eu vou ter que me despedir da minha querida cidade: São Paulo é muito importante para mim, não sei por que mais eu gosto daqui. __Eu vou sentir sua falta. - Suspirei __Em quem você está pensando flor? Arranjou um namorado? Perguntou Carmen. __Só estou despedindo de São Paulo tia. __Mas eu aposto que você vai gostar de Porto Alegre, é sua cara... Nem respondi. Tô com raiva dos meus pais, porque eles me avisaram de última hora essa mudança. Não sei como é que vai ser lá em Porto Alegre, mas não estou com muitas expectativas, me parece que não vai ser legal. O pior é que estou mudando para lá no último ano da escola. É bem mais difícil de adaptar. Os grupos estarão formados: os populares, as 6


patricinhas, os CDFs, as tribos diferenciadas, e a rapa, onde aposto: vou me encaixar muito bem. Fico pensando como que meus pais tiveram a coragem de fazer isso comigo! Mudança de cultura, clima, cotidiano, casa, etc. Chegando a Porto Alegre a minha visão da cidade mudou. Achei que lá seria uma cidade muito sem graça, pacata e sem fluxo de pessoas e carros, me enganei, Porto Alegre é lindo e parece ser bem legal. O caminhão de mudança já estava em frente à nossa nova casa, ele já havia saído há muito tempo, o resto que ficou em casa trouxemos no avião. A casa é linda. Na frente, há um jardim maravilhoso, bastante colorido. Depois de passar pela sala de estar já é possível visualizar uma linda piscina. O meu quarto é extraordinário, tem um closet enorme, a vista é esplêndida. É bem mais linda do que a minha casa de São Paulo. Vizinhança agradável. Amei! O quarto dos meus pais é no mesmo andar que o meu, o quarto da Carmen é embaixo. O começo da minha nova vida está bom, vamos ver se vai melhorar.

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Capítulo 2 - Meu jeito de ser Paulo, levanta! Já temos que ir! __Ah, já tô indo. Bom, como vocês já devem ter percebido, meu nome é Paulo. Paulo Skeeter, da família Skeeter obviamente, moro em Porto Alegre, tenho 16 anos e daqui um dia vou iniciar a 3ª série do Ensino Médio. Fala sério! Cara, isso dá o maior tédio, pra que estudar? Acho um pouco perda de tempo, deveríamos estudar só o básico, penso assim. E falar em estudar, vou ali me arrumar, pra comprar o resto do material escolar. __Anda logo menino! __Calma aí mãe _ Nossa, que enjoo! Ela veio aqui encher o saco de novo. Ah é, agora vou apresentar minha família. Essa mulher que tá enchendo o saco é minha mãe Olívia, meio que dona de casa, mas na verdade ela só fica mandando: na cozinheira Shirlene, como ela cozinha bem! E nas duas faxineiras: Maria da Penha e Maria José. A casa é grande, por isso o número de funcionários. Eu vivo fazendo piadas com as Marias, duas Marias, quanta coincidência. Gosto demais delas, e da Shirlene também é claro! Minha mãe é formada em enfermagem, mas não exerce a profissão. Meu pai, Cláudio Skeeter, é presidente de uma multinacional, e deve acordar daqui a uns 45 minutinhos. O velho é de boa, mas quando tá nervoso cara, sai de perto! Eu não quero seguir essa profissão, um dos motivos: ele se estressa demais com muitos de seus funcionários e o outro é que rouba muito seu tempo, saca? E falando em tranquilo, cheguei em casa à uma da madrugada, a tá saquei o motivo da ressaca. A vida continua. Pra terminar na parte aqui de casa, tenho um irmão, com 19 anos. O idiota deve tá dormindo. Cássio estuda Administração para seguir a carreira de papai, só vai pra faculdade à noite, uma das melhores daqui de Porto Alegre. Cássio Skeeter, o queridinho da família. Sei lá, penso às vezes que por ele querer seguir a carreira do papai, acaba sendo ‘o cara’ aqui na família. Nem recebo muita atenção de meu pai, e quando recebo é mais da minha mãe, mas não dou à mínima. Bom, aqui em casa são esses, mas fora são familiares, amigos... Em especial dentro dos familiares, cito minha bisavó parte de mãe, eu a amo demais, muito legal. Agora em relação a amigos, até que me considero um pouco popular. O ano passado foi show. Tô super ansioso pra reencontrar a galera amanhã. __Mãe, cadê aquela blusa vermelha que gosto tanto? __Tá aqui seu enjoo. Como disse, vou comprar o resto do material, numa papelaria lá no centro. Minha mãe vai comigo pra me ajudar no que precisar. Amanhã é ‘o dia’!

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Cspítulo 3 - Família Miller Um sol radiante surgiu por trás da cortina, um perfeito dia para ir à praia, é o que mais gosto de fazer quando o tempo está assim, mas minha praia vai ficar pra depois. Hoje tenho que comprar materiais escolares com minha mãe e Clarinha, o ano letivo começa daqui a uma semana e precisamos organizar tudo. Pensei em mudar de escola este ano, mas essa ideia ficou apenas entre mim e meu computador, até porque meus pais não iriam concordar com essa ideia. Sei que serão como os outros anos: sem muitos amigos, professores que me incomodam e sendo sempre a mesma nerd da sala com quem todos querem sentar junto para tirar 10 no trabalho, já estou acostumada. Não sou muito de forçar simpatia, fico sempre no meu canto, que é o melhor que faço. Minha mãe já está parada lá fora e acabou de derrubar a lata de lixo, não entendo como essa lata ainda está aí, todas as vezes que minha mãe sai com o carro ela derruba a coitada. Ela sai com o carro só quando necessário o negocio dela é a Gertrude, é assim que ela chama sua moto. Minha mãe é uma pediatra bem sucedida, Dra. Marta Miller, há um ano ela realizou seu sonho de ter sua própria clínica aqui perto de casa, ficou linda. __Vamos Catarina! – Grita ela já dentro do carro. __Já estou indo mãe! Ela me olha da cabeça aos pés e diz: __Tem certeza que você vai com essa bolsa? Não está combinando nada com esse sapato! Se minha mãe não fosse pediatra aposto que ela seria consultora de moda. Ela sempre gostou de se vestir bem e opinar no que estamos vestindo. Mas a única pessoa que segue ‘’a moda’’ de dona Marta é a Clara, que ainda não tem idade suficiente para se vestir como bem entender como eu e meu pai. Clara tem apenas 10 anos, seu nascimento foi uma vitória para meus pais, pois quando minha mãe estava no quinto mês de gestação enfrentou uma doença gravíssima, a qual deixou as duas entre a vida e a morte. Meu pai, Daniel Miller trabalha o dia inteiro, ele é chefe de cozinha tem seu próprio restaurante e é bastante conhecido por preparar buffet de grandes eventos em Porto Alegre. Ele é um pai e um marido muito presente, sempre diz que eu, minha irmã e minha mãe somos as mulheres de sua vida. Ele se preocupa com sua forma e gosta muito de futebol, sempre que posso o acompanho nas peladas com os amigos. Tenho que admitir: ele joga muito! Já que estou apresentando minha família, a última componente da família Miller sou eu: Catarina Miller, tenho 16 anos e estou me preparando para a terceira série do Ensino Médio. Orgulho da família, pelo menos é isso que espero ser. Não tenho muito que reclamar sobre minha família, afinal é como qualquer outra com suas discussões cotidianas e os altos e baixos, normal. Apenas uma cobrança muito grande dos meus pais em relação aos estudos, exigem muito de mim. Faço tudo para nunca ser chamada atenção, até me privo de ter tantos amigos, mas nunca é o suficiente o que faço, eles sempre acham algo que 9


possam reclamar! Fazer o quê? Não somos perfeitos, mas às vezes tento ser. O critério que eles usam para explicar tanta exigência é porque o estudo será a única herança que ninguém poderá tirar de mim, nesse ponto eu concordo e não acho ruim, mas às vezes acho que algumas coisas que eles falam já são demais, mas para eles nunca é. Gosto muito de praticar esportes, meu preferido é vôlei, é o que faço quando não estou com a cara nos livros. Hora de escolher os materiais. Já que não presto atenção na opinião da minha mãe, ela poucas vezes sugere alguma coisa. Então escolher os materiais está por minha conta, ela vai ajudar a Clarinha. Comigo não tem frescura de sair com a mochila combinando com o uniforme. Tendo onde levar meus livros pra mim está ótimo. Mas não quer dizer que não goste de me vestir bem, pelo contrario, não é porque costumo ser rotulada como uma nerd que me visto como tal. Passamos o dia inteiro organizando tudo, agora é só esperar de cabeça fria as aulas começarem. Não vejo a hora. Com tanta cobrança sempre gostei muito de estudar. Quando chegamos em casa meu pai já esperava por nós. Papai pergunta: __Como foi o dia? Sem muito que falar, respondo: __Normal pai. Mas o dia estava perfeito para ir à praia. Animado ele diz: __Então você vai gostar do que tenho pra dizer. Como essa é a última semana de férias eu resolvi tirar uma folga do trabalho e dedicar esses últimos dias a vocês! Sem dúvida ficamos muito felizes com a surpresa! Era difícil meu pai tirar folga do trabalho. Mas com certeza será incrível! Começamos a nos programar. __Então, o querem fazer primeiro? Pergunta meu pai com um belo sorriso no rosto. __Por que não ir à praia amanhã? __Combinado, vamos à praia! Fomos correndo arrumar as coisas para o dia seguinte, sem dúvida seria incrível. Pronto, os dias agora correm. Contagem regressiva, as aulas começam daqui a dois dias.

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Parte II - Primeira Impressão Capítulo 1 - Vida nova __Bom dia raio de sol. __Bom dia Carmen. __Você não vai se arrumar pra ir pra escola não? __Nossa a escola, quase esqueci, obrigada Carmen. Levantei correndo e fui direto pro banheiro, tomei um banho, escovei os dentes e fui para o closet. Essa sim é a parte mais difícil, escolher a roupa do primeiro dia de aula. Tenho que causar uma primeira impressão boa. Escolhi uma aqui e desci para cozinha, a Carmen já havia arrumado o café da manhã para mim. Meu pai saiu para arrumar o escritório, e minha mãe já havia saído pro hospital. Aneim, vou ter que ir pra escola com o motorista. Chegando à escola São Rodolfo, uma das melhores da cidade, não fiquei muito impressionada, era o esperado. O diretor Natan chegou e me abraçou, quase divulgou para todos da escola que alguém da família Jorgen havia chegado, eu fiquei rosa de tanta vergonha. Ele me mostrou toda a escola, gostei do que vi. Então, me direcionou para a minha sala e voltou para suas obrigações, também era o primeiro dia de aula. Não fiquei dentro da sala, fui para o jardim. Alguns meninos mexeram comigo, lesados. Eu reparei em alguns alunos da escola. Três me chamaram a atenção: Uma menina loira se acha, também todos os meninos olharam para a bunda dela, ridículo; Um menino também me chamou a atenção, acho que o nome dele é Rogério, Paulo alguma coisa assim, quando ele passava todas as pessoas mexiam com ele ou com um “OI” ou com apertos de mão do povo daqui, mas ele não dava muita moral; um menino ruivo também me chamou a atenção, esse eu sei o nome, é Micael, ele é misterioso, lindo. E também muitas meninas mexeram com ele, mas ele não deu moral. O sinal tocou, entrei na sala de aula, mas já estava muito cheia, tinha uma cadeira na frente, ao lado de uma menina. Antes de eu conseguir sentar a professora de biologia me chamou à frente, perguntou meu nome e: __Nossa então você é a Manuela Jorgen? __Sim sou eu professora. __E sua mãe como tá? E seu pai? __Estão bem. __Todos recebam a Manuela muito bem, ok? Sentei na cadeira, vermelha de vergonha, olhei para os lados, todos dando risadinhas para mim, fazendo piadas com minha cara. Que tédio. Meu dia não estava começando muito bem. A aula começou, a professora apresentou todas as pessoas da sala, e o nome do menino é Paulo mesmo, a aula não foi muito legal foi um pouco 11


cansativa, quase que eu gastei uma matéria do meu caderno, do tanto que a escola é puxada. Toca o sinal, o intervalo começou e todo mundo levantou parecendo que estava distribuindo dinheiro no refeitório. As tribos se formaram e todos se separaram. As patricinhas entraram no banheiro para retocar a maquiagem. Os puxa-sacos formaram uma barreira em volta daquele menino lá, o tal de Paulo. A menina que estava sentada do meu lado saiu sozinha. E o Micael também saiu da sala com um monte de pessoas na sua cola. Eu vou direto para a cantina, estava servindo hambúrguer, comi um pedaço e fui sentar em um banco no jardim. A escola é muito maneira, tinha pessoas tocando violão, cantando, dançando, alguns CDFs mexendo no computador, etc. Nunca imaginei que um intervalo poderia demorar tanto, eu acho que é porque eu não faço nada na hora do recreio. O resto da aula eu gostei. O restante dos professores é legal e a aula deles eu prestei atenção. A melhor parte foi quando um menino dormiu na sala, o professor tirou o tênis e jogou nele, eu ri demais. A aula acabou e antes mesmo de eu sair na porta, lá estavam os meus pais dando entrevista para o diretor, patético. Cheguei em casa e fui fazer o dever, não estava muito empolgada. Acho que já sei por que, sinto falta dos meus pais. O nosso pet shop foi enchendo de animais, as pessoas passaram a adotar os animais para os filhos, ou para dar de presente à namorada ou ao namorado. Fiquei muito feliz, pois aqueles animais iriam ter uma casa e também iriam ser felizes por ter uma nova família e por poder passear na rua e brincar... As pessoas pegavam os animais com tanto carinho e amor para cuidar de cada um, que nem tinha como negar nenhum, por fim, o fluxo de animais era intenso, na medida em que chegavam uns, saíam outros. Estávamos cada vez mais experientes em cuidar de animaizinhos doentes ou atropelados, e já não víamos mais animais abandonados pelas ruas. As campanhas e ações comunitárias divulgaram o nosso sonho: animais bem cuidados, seres humanos mais conscientes!

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Capítulo 2 - O trabalho Finalmente o dia mais esperado, início das aulas. Como todos os anos nos reuniram no pátio da escola para um discurso prévio do diretor Natan. Logo em seguida nos direcionaram para as salas de aula onde fomos conhecer os novatos e rever veteranos. Sem dúvida este ano teve muita gente nova por aqui, mas atenção de todos ficou voltada para uma novata, que eu não lembro muito bem o nome dela, disseram apenas que ela pertencia à família Jorgen, que também nunca tinha ouvido falar. Alta, magra e não pude deixar de perceber como ela ficou vermelha de vergonha quando a professora anunciou em alto e bom som sua chegada em nossa escola. Mas seu perfil é como as de outras patricinhas que chegam por aqui. Um trabalho logo no primeiro dia de aula? __Sim, trabalho em dupla! Eu irei formar as duplas de acordo com a lista de chamada. Era só o que faltava, um trabalho aonde a professora vai formar as duplas. Não conheço ninguém por aqui além do Paulo, mas não quer dizer que queria sentar com ele. Já fomos mais amigos um dia, mas algo nele nos distanciou e hoje ninguém conhece mais ninguém. As meninas estavam loucas para saber se a sua dupla seria Paulo. __Ludmila e Roberta. __Murillo e Tarsila. __Paulo e Thayane. Já acharam a “sortuda”. __Catarina e... Tanto faz com quem vou sentar, sou eu quem vai fazer o trabalho mesmo. __Catarina e Manuela. Manuela? – Pensando quase alto. Em meio a tanta patricinha fui procurar com qual delas iria sentar. Até que alguém apontou e disse quem era Manuela. __Ali está ela. E não é a novata que ficou vermelha de vergonha? A Jorgen! __Manuela? __Oi. __Prazer Catarina, vamos fazer dupla no trabalho. __Ah, prazer Manuela. Não conversamos muita coisa, nossa prioridade era o trabalho. Então marcamos de fazer na casa da Manuela.

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Capítulo 3 - Fuga Finalmente. Acordei e já estou chegando aqui no colégio São Rodolfo. Um dos melhores colégios de Porto Alegre. O dia tá lindo. Tem um sol maravilhoso e um friozinho bem gostoso. Reencontrei o pessoal, muito bom rever a galera. E por um momento vi duas garotas, as únicas da sala, sem mentira, as únicas... que não me disseram nem um simples ‘oi ’. Uma já foi minha amiga, eu me distanciei dela já faz uns anos, se não me falha a memória ela se chama Catarina, poxa, mas custava dar um ‘oi’? A outra nunca vi na vida, tinha cara, tinha cara... Ai! Sei lá do que ela tinha cara. E o sinal toca aquela enrolação de primeiro dia de aula, professores se apresentando, blá, blá. Termina o primeiro horário, fiquei toda essa aula de Biologia olhando para as duas garotas que não me cumprimentaram, e no intervalo para a troca de professores, me aproximo da que nunca vi. __Oi, você é nova aqui? Prazer, Paulo. __Sim. - Ela respondeu toda seca. __Hum, veio de que Colégio? __Eu vim de São Paulo. __Nossa interessante. __Bom qualquer coisa que precisar estou aqui. - E saio, mas no momento em que estou voltando para o meu lugar, passo pela cadeira daquela garota, acho que se chama Catarina, já fomos inclusive amigos. __Oi. Catarina. __Ah, oi Paulo! Tudo bem? __Tudo sim. Opa, a professora chegou. A gente se fala... __Olá pessoal, sou Juliana, a professora de Português, pra quem não me conhece. Nossa, que saco, mais uma aula. Mas já que tá o maior tédio, vou contar uma de minhas grandes aventuras que vivo fazendo: Fugir da escola, já tentou? Nossa é mágico, muito bom, chega na hora do recreio, passo pela secretaria e saio do Colégio, é fácil. Uma ótima ideia vou fugir hoje, a aula tá chata e eu já vi a galera, o que era a minha intenção. É sempre muito bom fazer isso, muito bom mesmo, relaxa, muito joia! Mas voltando pra aula né, já que vou fugir somente no momento em que o recreio começar, a professora tá aqui se apresentando ainda, querendo saber nomes dos alunos novatos. Ai que chato!

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Parte III - Novas Experiências

Capítulo 1 - Casa da Manuela __Pai o senhor pode me levar na casa de uma colega? A professora marcou um trabalho em dupla pra essa semana e combinamos de fazer na casa dela. __Hum. Sua mãe não pode te levar lá? __Pode pai, mas como a casa dela fica na mesma direção que o restaurante, achei que o senhor pudesse me levar. __Está bom então, vai pegar suas coisas que deixo você lá. Não sei o que vinha pela frente, mas espero que ela não me convide para tomar chá das 17:00 horas, se bem que é a cara dela. Até agora nada de achar a casa da Manuela. Meu pai já estava atrasado para chegar ao restaurante e sua cara não estava nada agradável. Quadra 34, lote três é aqui! __Na casa da família Jorgen? Meu pai pergunta surpreso. __O senhor sabe quem é essa família? - Mas claro, se mudaram pra cá tem pouco tempo, mas todos aqui conhecem a família por ser uma das mais bem sucedidas de São Paulo. __Nossa então pelo visto eu era a única por aqui que não os conhecia. Fiquei surpresa com o que meu pai disse. Isso explica a bela casa que eles têm. Despedi-me de meu pai e Manuela veio até a porta para me receber. Entramos, passamos por uma sala enorme e fomos direto para a biblioteca começar a fazer o trabalho. __Pode ficar a vontade, as únicas pessoas que ocupam essa casa no momento sou eu você, meia dúzia de funcionários e a Carmem, que considero como minha mãe. __Porque considera como sua mãe? - Curiosa perguntei. __Minha mãe trabalha muito, é isso. Percebi que ela não queria falar sobre o assunto, por isso resolve sentar e começar o trabalho. Foram horas e horas de pesquisas, perguntas e respostar, mas enfim terminamos. E pela primeira vez fiz um trabalho em dupla de verdade. Quando terminamos, ela me levou para conhecer sua casa. Simplesmente uma casa maravilhosa, desde a piscina até os moveis. Subimos para seu quarto, que também era esplendido. __Topa ir tomar um sorvete? - Pergunta Manuela já se arrumando para sair. __Claro! Ela deu um berro para a sua suposta mãe Carmem dizendo que iríamos sair. Depois me levou para conhecer o quarteirão. 15


Capítulo 2 - Paulo Bêbado Pelo jeito a Catarina gostou bastante da minha casa. Eu também gosto bastante da minha casa. Convidei a Catarina pra ir tomar um sorvete, por que aqui perto de casa tem uma sorveteria que é uma delícia, o que eu mais gosto é de maçã do amor. Ela topou. Eu dei um grito avisando a Carmen. Quando saímos, demos uma passadinha no quarteirão todo, para Catarina conhecer. Quando estávamos chegando perto de um bar de esquina, eu vi o Paulo, o menino da minha sala, bêbado e debruçado na mesa. O dono do bar não estava gostando nem um pouco, porque ele estava arrumando confusão com alguns clientes. __Olha ali Catarina, é o Paulo! __Nossa, deve ser por isso que ele fugiu da aula hoje! __Mas como que ele bebeu? Ele é menor de idade. __Será que o dono do bar sabe disso? __Acho que não. Então a gente saiu correndo pra ajudá-lo. O dono perguntou quem era a gente, a doida da Catarina falou que éramos amigas dele. Eu ri dessa. Nós o carregamos até um táxi. Ela queria que nós o mandássemos sozinho para a casa dele. Eu falei que não. Então nós o acompanhamos. Tivemos que bolar um plano pra entrar na casa dele sem que seus pais percebessem o que estava acontecendo. A Catarina como sempre teve uma ideia. Eu seria sua cobaia. Teria que distrair os pais dele para eles entrarem pelos fundos. E não é que o plano deu certo? Só que eu tive que arrumar uma desculpa para entrar também. __Bom dia, Sr. Skeeter. __Bom dia moça. __Posso falar com a Catarina? __Que Catarina? __É uma amiga minha e do Paulo, eles estão aqui fazendo um trabalho. __Mas nem o Paulo está aqui... Só um segundo. Paulo. __ O que pai? __Sua amiga Manuela está aqui na porta... ela disse que a... como que é o nome dela mesmo? __Catarina. – Eu estava com muito medo dele descobrir. __A Catarina está aí com você? __ Tá sim pai. __Sobe lá. 16


__Ok. Prazer em te conhecer, Sr. Skeeter. __O prazer é todo meu. Nossa como a casa do Paulo é bonita! O quarto dele é muito legal! Quando vi, a Catarina acudia Paulo, que estava dando uma de doido. Nessa hora, achei que foi uma sorte o fato de os pais dele serem “tão distraídos” em suas ocupações a ponto de nem notarem o que se passava com o filho, chegando bêbado em casa daquele jeito. Como é que pode? Nem posso falar muito, será que os meus pais notariam? Pelo menos tenho a Carmem. Tenho certeza que ela não seria tão desatenta! Ah, esses pais modernos, até que ponto isso é realmente bom? Depois que conseguimos acalmar a fera saímos de fininho pelos fundos. Ufa!

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Capítulo 3 - Ressaca Eu posso ter bebido um pouquinho a mais, agora ser trazido em casa pelas únicas garotas que mais me ‘ignoraram’ no primeiro dia de aula, é demais! Como elas puderam me ajudar? Além disso, elas entraram no meu quarto! Mas agradeço pelo cuidado que tiveram. Sei lá, é muito estranho! Agradeço e elas vão embora, entro, fecho a porta, e logo vou tomar um banho. Ai que água fria, nada como uma boa ducha fria pra melhorar meu estado. Com muito sono, eu vou é dormir. Estamos aqui em Foz do Iguaçu. É tudo muito lindo, só nós três, uma viagem inesquecível, só não sei o que tô fazendo aqui com essas garotas, mas sei que tá lindo. Estamos nos divertindo demais! Mas deixo de lado, nem quero saber, é muito gostoso estar com elas, opa, calma ai, me lembro desses rostos, Manuela e Catarina? Como? Nós parecemos tão... amigáveis. __Paulo você tá bem?- Minha mãe me acordando, ufa! Era tudo um sonho. Meu Deus como poderia? Eu, amigo daquelas duas?- Você parecia estar sonhando, falou um pouco sozinho, muito estranho, você tá bem filho? __Tô sim mãe, foi só um sonho. Sonho estranho, mas só um sonho, nada mais. Fica tranquila. __Então tudo bem né? __Tudo. - E minha mãe sai do quarto mais calma. - Olho no relógio, já são 19h30min, nem reparei em que horário as meninas me trouxeram. Estou com fome, vamos ver o que temos na geladeira. Hum... Temos leite, tá ótimo! Com um pouco de achocolatado, fica muito bom! Vou lá ver o que Cássio está fazendo, aposto que deve tá no computador pesquisando, estudando. É o que ele faz de melhor. Também né, isso que dá querer ser sucessor de um homem tão rico e poderoso feito meu pai. __E ai Cássio, fazendo o quê? __Pesquisando algumas coisas bem interessantes, por quê? __Só por curiosidade. __Mas e você? Como foi seu primeiro dia de aula? __Ah, foi o de sempre Cássio, teve aquela reunião antes de irmos para a sala de aula, onde o diretor fica falando, falando e falando... Um saco, tu sabe como é. __É verdade, é um saco!- Cássio não é de estudar assim também não, mas eu posso dizer que ele gosta e se esforça mais nos estudos, com certeza. __Então ok, pois é, vou lá pro meu quarto e ligar pra Thayane, minha parceira de dupla de um trabalho que a professora passou pra gente. Acredita? Primeiro dia de aula, e já têm trabalhos. __É difícil de acreditar, mas acredito sim. Vai lá ligar pra ela vai. __Vou sim, boa noite. 18


__Boa noite. Retiro-me do quarto de Cássio, e vou pro meu, ligar para Thayane pra gente combinar um dia pra gente fazer o trabalho. __Alô. __Alô, Thayane? __Sim, é ela mesma. __Bom aqui é o Paulo, da sua sala, e eu tô ligando rapidinho pra gente combinar um dia pra gente fazer aquele trabalho que a professora passou hoje. - Eu pergunto com pressa. __Bom Paulo, fica bom pra você amanhã à tarde? Onde? __Tá ótimo pra mim, então combinado? __Combinado, até amanhã! __Até, beijos. - E desligo. Então tá né, amanhã à tarde, tá ótimo! Nossa já são 20h45min, mesmo que eu tenha dormido aquele tanto agora a pouco, já vou dormir novamente, pra acordar mais facilmente amanhã e ir pra aula. Então até amanhã! E espero ter melhores sonhos durante esta noite.

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Parte IV – Amizade Improvável Capítulo 1 - Ajudando no “problema” Nunca tinha me encontrado em uma situação assim, tendo que ajudar um amigo alcoólatra. Mas acho que agora eu entendo o motivo que nos distanciou um do outro. Não esperava essa atitude do Paulo, pelo que o conheci ele nunca teve motivos para se envolver com álcool ou com qualquer outra coisa do tipo. Mas não posso tirar conclusões precipitadas sobre o que o levou a fazer isso. Preciso, junto com a Manuela, resolver como ajudá-lo a sair dessa. E o mais difícil é que não podemos pedir ajuda, temos que nos virar sozinhos, pra Manu não vai ser difícil essa parte. Já que ela sempre resolveu seus problemas por conta própria. Acho que já sei como ajudar o Paulo! Mas não sei se ele vai concordar, não deve ser fácil para um adolescente ter que lidar com um problema como esse. A única forma que encontrei para ajudar é levá-lo a um psiquiatra, é o que está ao nosso alcance e fora isso não poderemos fazer mais nada. Então está nas mãos dele querer ser ajudado. Logo que tive essa ideia fui correndo para o telefone avisar Manuela. __Acho que já sabemos como ajudar o Paulo! __Estava pensando nisso, mas não cheguei a lugar nenhum. Alguma sugestão? __Sim, mas não sei se ele vai concordar. __Ele não tem escolha Catarina! __Pensei em levá-lo a um psiquiatra, o que acha? __Ótima ideia! __Tendo em mente o que fazer, temos agora que pensar em como. __É. A gente termina de ver isso amanhã na sala. __Ok. Algo me diz que não vai ser fácil convencê-lo a se tratar.

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Capítulo 2 - Não precisa! Como assim? Manuela e Catarina acham que eu estou com algum problema relacionado ao alcoolismo. Eu simplesmente acho exagero da parte delas. Vou até Cássio perguntar seu ponto de vista em relação a isso. __Cássio, você acha que eu sou um... Alcoólatra? __Que isso menino? Tu tá doido hein?! – Ele falou todo assustado. __Calma, é porque algumas pessoas me disseram que bebo muito, que talvez isso seja alcoolismo, e então o que você acha? Qual sua opinião a respeito? –procurei tranquilizá-lo. __Ah... entendi. Você quase assim me mata de susto! Olha Paulo, você às vezes bebe um pouco mais, contudo não penso que você seja um... Alcoólatra. O que a gente sempre ouve falar é que não é possível traçar um limite certo antes de o vício tomar conta da pessoa. Procura aí um desses testes psicológicos pela internet. __Muito obrigado Cássio, apesar deu não me agradar nem um pouco de você, você é um bom irmão. __Obrigado Paulo. Traduzindo, ele com certeza não quis dizer claramente, mas estou começando a me convencer que é verdade os pensamentos de Catarina e Manuela. Catarina me ofereceu ajuda, disse que ela e Manuela, poderiam me ajudar. Eu não aceitei, mas refletindo a respeito, estou começando a me convencer de que realmente tenho sentido “necessidade” do álcool cada vez mais. Tenho perdido o controle desde que bebo até não conseguir mais me lembrar de nada! Cheguei a ser “carregado” para casa. É... preciso tomar uma atitude, rápido, antes que seja tarde! A amizade que estou criando com essas garotas vem sendo muito importante, elas já diagnosticaram que tenho algum problema. Sinal que elas se preocupam comigo. Elas me convenceram, vou aceitar a ajuda.

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Capítulo 3 - Pais presentes Depois que tudo aconteceu, comecei a acreditar um pouco mais na minha vida. Sabe por quê? Eu vou te falar, porque do nada minha vida começou a ter sentido, e nem te digo, os meus pais me chamaram para ir à praia. Fiquei tão alegre, nem acreditei, achei que era “Pegadinha do Malandro”. Mas não era. À tarde, meu pai chegou do trabalho e começou a se arrumar para ir à praia. Eu só de rabo de olho. Passou um pouco, minha mãe chega e coloca um biquíni. Não acreditei. Minha mãe não usa biquíni nem se pagassem ela. Até a dona Carmen tratou de colocar um maiô. Estava chegando a minha vez. Liguei pra Catarina, eu tinha que contar o que estava acontecendo com os meus pais. Quando desliguei o telefone, apareceu a minha mãe na porta do quarto com um biquíni lindo. __Esse é pra você minha filha. - Fiquei muito assustada __Aaaah, o que vocês fizeram com os meus pais? __Nossa filha, a gente era tão distante assim? __Na verdade, eram sim mãe. __Então nós vamos consertar. Nossa o biquíni ficou lindo em mim. Amei. Antes de sair, liguei pro Paulo pra saber como que estava a nova vida dele. Ele me disse que estava bem. E também perguntei se ele sairia no domingo, por que eu estava combinando com a Catarina da gente sair, ele falou que estava livre. Nesse dia, parei para repensar a minha vida, como estava, e como ela iria ficar. Até que eu não enrolei muito, porque meus pais me chamaram para jogar vôlei. Imagina quem estava lá... O Micael. A gente conversou um tempão. Ele me chamou pra sair. Depois que a gente terminou de conversar eu liguei pra Catarina e pro Paulo. A Catarina adorou a ideia, e o Paulo falou que é perda de tempo. Perda de tempo é eu ter ligado pra ele, mas sempre vale a opinião dos amigos. A única coisa que eu tenho pra falar sobre esse dia é que foi extraordinário, um pouco estranho, mas extraordinário.

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Parte V - Começo de uma longa história

Capítulo 1 - Estamos torcendo por você Catarina! Tá tudo muito lindo! Eu aceitei a ajuda das meninas na boa e nós estamos super bem. Pra mim amizade verdadeira é assim, feito a nossa. A gente já até combinou de viajar quando as férias começarem, o que não tá nem um pouco longe. É claro, que vou me distanciar um pouco de meu tratamento do alcoolismo, mas quando chegar vou voltar com tudo. Porque quero me livrar o quanto depressa desse vício que é a bebida alcoólica. Eu já falei com meu pai que faremos uma viagem, só ainda não disse o lugar. As meninas pediram para eu escolher pra onde iríamos. Então escolhi: será Foz do Iguaçu no estado do Paraná. Vou falar com meu pai, que já selecionei o local para onde iremos. __Pai, posso falar com o senhor agora? – Ele estava na biblioteca lá de casa, lendo algum livro que nem me interessei em perguntar qual era o nome. Eu queria mesmo é falar com ele sobre a viagem, pro coroa liberar logo a grana. __Sim, o que quer? __Lembra daquela viagem que comentei com o senhor que iria fazer com umas amigas minhas? __Lembro sim, mas você ficou de me falar pra onde vocês iriam pra eu organizar tudo. __Então pai, é justamente isso. Decidimos. Será pra Foz do Iguaçu, em Paraná. – Ele se interessou pelo assunto agora olhando pra mim e dizendo: __Hum, Foz do Iguaçu, bem interessante. Já fui pra lá em diversos negócios. __É pai, eu sei que o senhor já foi pra lá diversas vezes, e deve ser mesmo um lugar muito lindo pelo que eu vi. As Cataratas... Tudo muito lindo mesmo, mas e ai o senhor pode resolver tudo pra mim? __Ah, claro filho. É só? __Sim pai. Muito obrigado viu?! __Que isso, de nada. – Ele sorriu e voltou a ler seu livro. Pronto, por minha parte está tudo ok, pela parte da Manu também, só tem um curto problema, Catarina palpitou, conversou, também achou justo que eu escolhesse o lugar para onde iríamos, mas seus pais não querem deixá-la ir, ou seja, mesmo ela não indo ela curte essa parada de ajudar no que pode. Torço muito para que os pais dela a deixem ir. Liguei para Manuela, e falei pra ela que tinha conversado com meu pai e que estava tudo certo. Ela ficou feliz, mas lembrou que Catarina não 23


confirmou sua presença nessa inesquecível viagem, inesquecível se Catarina for é claro e logo começou a falar que queria muito que Catarina fosse. ... É também quero muito que Catarina vá. Mas, pois é a gente se vê. __A gente se vê Paulo, beijos. Bom, agora vou ligar pra Catarina pra ver se ela conseguiu convencer seus pais. __Alô. Catarina? __Ela mesma. __Eu tô ligando pra saber se você conseguiu convencer seus pais. __Não Paulo, eu ainda estou tentando convencê-los. __Nossa Catarina, vai firme, estamos torcendo muito por você! __Obrigada. __De nada Catarina, até mais. __Até. – E ela desligou. Mesmo que ela “ainda” não tenha conseguido, é “ainda” sim, porque tenho certeza que ela vai conseguir! Nós, eu e Manuela, estamos torcendo muito por ela. E é isso. Alguns ansiosos para a viagem, e outros querendo ficar ansiosos para a viagem. Força Catarina!

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Capítulo 2 - Foi tudo o que eu sempre quis! Ainda bem, final do semestre, as férias estão vindo, essa é a melhor parte. Eu nunca tive amigos, nunca tive a atenção dos meus pais e do nada tudo muda. O melhor é que no começo do ano eu nem imaginava que iria para uma escola ótima com pessoas legais, iria encontrar os amigos que vou levar para toda a vida e teria a atenção dos meus pais. Quando acabar as aulas eu, a Catarina e o Paulo temos uma programação marcada. Iremos a uma viagem, ainda não estou sabendo pra onde é, falando nisso tenho que ligar pro Paulo pra saber aonde que a gente vai e pra Catarina pra saber se os pais dela liberaram para ela ir com a gente. Vai ser muito bom, nem dá pra acreditar. Também tem o semestre que vem que vai ter a formatura. O mais importante, o Paulo está largando o vício. A cerveja não é mais importante pra ele depois que eu e a Catarina encontramos uma psiquiatra. A Catarina está nos ajudando a estudar algumas matérias. O Paulo está ajudando as “suas garotas”, eu e a Catarina com o povo da escola e euzinha estou curtindo a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida. Minha mãe está me ajudando com as malas, o meu pai, apoio moral, a Carmen tá doidinha! __Parece que foi ontem que você estava no berço falando suas primeiras palavras, parece que foi ontem que a gente te ensinou a andar! – Quase que eu chorei junto com ela. __Não se preocupa Carmen. Não vou mudar de casa. – Ela riu de mim. Vê se tem jeito! A gente vai viajar para Foz do Iguaçu aqui perto, nem tão perto mas na mesma região, e também nem vamos ficar assim tanto tempo. Mas vai ficar na memória pra sempre. E se for ruim, nem tem jeito de reclamar, vou estar com os meus amigos de longa data. A minha família é especial. Meus amigos são mais do que especiais. Era tudo o que eu sempre quis!

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Capítulo 3 - Momentos decisivos Meta alcançada até aqui! Fim do bimestre, que venham as férias. Na escola já brindamos por todas as conquistas alcançadas até aqui por nós, que por sinal foram muitas! Para ficar ainda mais perfeito eu, Manuela e Paulo combinamos de fazer uma viagem, destino Foz do Iguaçu, semana que vem. Sem dúvida estamos bastante animados com essa viagem que tem tudo para ser maravilhosa. Só não sei como vou comunicar meus pais sobre essa viagem. Seja o que Deus quiser! Chegando em casa fui procurar primeiro meu pai, vamos começar pela parte mais difícil. Nunca viajei sem meus pais, nem mesmo com parentes mais próximos, então não seria nada fácil. __Já estou de férias pai. __Que bom princesa! Passou direto né?! __Passei sim pai, estou muito feliz por isso e pelas novas amizades que eu fiz. __Fico feliz também minha filha. Como vai o Paulo e Manu? __Estão bem. Estamos pensando em fazer uma viagem. __Uma viagem? Como assim dona Catarina? Quem lhe deu permissão? __Calma pai. É porque estávamos pensando em fazer viajar para Foz do Iguaçu nessas férias. Ninguém me deu permissão, só é um sonho nosso, fazer uma viagem junto com os amigos e conhecer Foz do Iguaçu pai. __Quando seria essa viagem Catarina? __Semana que vem pai. __Catarina, não tenho como deixar você sair com uns amigos e uma mochila nas costas para Foz do Iguaçu. __Poxa pai, o senhor sabe que sempre tive minhas responsabilidades e nunca trai sua confiança, nem a de minha mãe. Então pensei que não seria difícil o senhor me deixar ir... __Não posso dar essa resposta pra você agora, preciso também conversa com a sua mãe! __Tudo bem pai. Só peço que o senhor confie em mim como sempre confiou. __Eu confio minha filha. Como eu disse, não seria fácil. Mas pelo menos ele não disse não. Minha mãe já está pra chegar do trabalho, irei esperar. O Paulo e a Manu estão ansiosos para saber a resposta. Paulo já me desejou boa sorte e está torcendo por mim. É bom ter o apoio deles.

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Minha mãe acabou de chegar, hora da conversa que decidirá tudo. Que tensão. Quando a conversa acabar eles virão me avisar. __Catarina? __Pode entrar. __Eu e sua mãe conversamos e... __Antes de vocês darem o decreto final eu só queria agradecer por vocês serem os melhores pais que alguém poderia ter e sei que tudo o que vocês decidirem será o melhor pra mim. __E é por você sempre ser essa filha compreensiva e responsável que resolvemos deixar você ir para Foz do Iguaçu com seus amigos. __Sério? Não acredito! __Pode acreditar! Quase cai pra trás com a notícia. Não tenho nem palavras para dizer o quanto estou feliz por meus pais, mais uma vez, confiarem e mim. Foz do Iguaçu aí vamos nós! Preciso agora avisar a Manu e o Paulo. Sonhos se realizando, não somente os meus, mas também o dos meus amigos.

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Os autores

Júlia Carolina Rocha Azevedo Essa vai ser uma experiência inesquecível, poder escrever um livro. Mais legal é que pude escrever o livro com meus amigos. Tenho 13 anos. Gosto muito de literatura, porque os livros nos mostram muitas coisas do nosso cotidiano. Não foi muito fácil escrever o livro em trio, mais foi muito gratificante no final, ver o nosso trabalho pronto. A personagem Manuela não tem muito a ver comigo, só o fato de que é uma garota guerreira, e que ajuda seus amigos sempre que precisarem. Eu a criei me baseando no que acontece muitas vezes com muitos adolescentes e jovens. Tomara que todos tenham gostado da nossa história.

Murillo Ribeiro Moreira de Lima Bem, sou Murillo, tenho 13 anos e fiz parte desse projeto da professora de literatura Elaine. Foi muito legal ter essa experiência de eu e mais duas garotas escrevermos esse livro, e ainda mais quando você gosta dessas outras pessoas. Foi muito interessante. Penso que me esforcei por fazer uma escrita bem formal para que a leitura fique mais fácil para o leitor. Eu criei um personagem mesmo, não me identifiquei nem um pouquinho com ele, a não ser pelo fato deu ter duas melhores amigas, como consta no livro. Foi muito bom mesmo, curti pra caramba!

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Carla Caroline Maia Fiel Nasci em 1996, na cidade de OiapoqueAP, onde vivi por 11 anos. No ano de 2008, juntamente com meus irmãos, vim para a cidade de Anápolis-Go, onde ainda moro. Tive que deixar minha cidade natal por vários motivos, o primeiro e principal deles, foi ter vindo para Anápolis em busca de um bom centro de ensino. Pois em Oiapoque infelizmente não tinha e ainda não tem, um ensino de qualidade para oferecer a seus habitantes. Diante dessa situação meus pais, José Carlos e Maria do Socorro, decidiram que eu e meus quatro irmãos: Ilson, Denilson, Emerson e Anderson viríamos para Anápolis estudar. Por que Anápolis? Foi por influência de amigos dos meus pais, que já tinham filhos morando aqui. Quando foi confiado a mim e aos meus companheiros a tarefa escrever este livro, eu, particularmente, pensei não dar conta do recado. Mas não demorei muito para mudar de opinião. Logo me vi mergulhar em um mar de ideias legais. O primeiro passo era criar um personagem, foi então que criei Catarina Miller, no começo apenas porque gostava deste nome, mas depois que comecei a escrever vi que poderia ir muito além, acabei me envolvendo na história e criei um personagem que me marcou. A experiência de escrever este livro entre amigos, sem dúvida, foi incrível para cada um de nós! Gostei muito de experimentar a sensação de ser uma escritora. Levarei essa experiência para sempre comigo.

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Amizade perigosa

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Capítulo I - Conhecendo Leonardo Meu nome é Leonardo, quando eu era bebê meus pais morreram e fiquei órfão, quatro anos depois o orfanato pegou fogo. Um traficante chamado Mano me resgatou e quer que eu me torne um futuro traficante; aos oito anos comecei a sofrer bullying físico na escola. Hoje estou com vinte e cinco anos e passeio pelas favelas do Rio de Janeiro, mas certo dia eu vi duas crianças sendo ameaçadas. Lembrei-me de quando eu tinha oito anos e sofria bullying. Eu realmente não gostei daquilo.

Capítulo II - Conhecendo a Júlia Meu nome é Júlia, tenho 13 anos e por morar perto de uma favela, todos pensam que eu e meu irmão Felipe somos pobres. Também sou a única menina, lá na escola, que gosta de futebol. Felipe tem 16 anos, mas não é um irmão muito protetor, apesar de fazer questão de me acompanhar sempre, acredito que seja porque ele se preocupa com as intimidações que sofro, principalmente por parte de outras garotas. E além do mais morar próximo à favela dá nisso: as pessoas por fora da realidade em que vivemos são preconceituosas, generalizam todos, e muitos dos que vivem essa realidade, procuram uma forma de descontar em algo ou alguém. Hoje cheguei em casa e reclamei para os meus pais: __Eu quero me mudar de escola! Filha, mas não temos condições de pagar outra escola! – respondeu meu pai. Emburrada sai de casa, e como sempre meu irmão me vigia

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Capítulo III - Irmãos em perigo Quando saímos de casa, começamos a passear pela favela. rapazes nos pararam e começaram a nos ameaçar. Gritei:

Dois

__Socorro! Um homem me ouviu e correu para ajudar. Ele começou a bater nos rapazes, que amedrontados fugiram. Nós agradecemos e eu perguntei __Qual seu nome? __Leonardo! Felipe me cutucou e me disse baixinho: “__ Júlia ele deve ser um traficante!”. __Ou um pedófilo. __ brinquei com ele, só pra dizer que não estava com medo. __Já imagino o que estão cochichando, não se assustem, nem se preocupem. Cansei de ser traficante, agora em vez de correr somente da polícia, tenho que me defender daqueles que um dia foram meus parceiros. Sabem como é a regra: nada de abandonar os mano, ou eles se encarregam de apagar o cara. Por isso e muito mais é que sei me defender.

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Capítulo IV - O começo Por ter salvado a pele daqueles irmãos, aos poucos nos tornamos amigos, eles me pediram que eu sempre os esperasse na saída da escola, porque a Júlia estava sofrendo ameaças de umas garotas. Eu tava mesmo precisando me exercitar um pouco, se é que me entendem: sofri bullying, e não suporto ver ninguém passar pelo mesmo, tenho contentamento em ajudar. É uma coisa louca aqui dentro de mim. Por isso que me desentendi com o Mano e me afastei: não consigo praticar mais o mal. Fico como que amarrado, com vontade de ajudar. Eu ficava por ali, sentado numa praça em frente à escola, vendo aquela galerinha passar. Certo dia, ouvi uma menina cochichando dizendo: __Além de pobre é louca! Nesse ponto me intrometi: __Se você continuar a falar demais poderá arrumar confusão garota! A menina começou a chorar e saiu correndo. Certo dia, a turma do Filipe estava numa quadra ali pertinho da escola e jogamos queimada. A turma já estava acostumada comigo. Certo dia os garotos de outro setor chegaram e, como se fossem donos da quadra, começaram a exigir que a turma “debandasse dali”, pois eles queriam bater bola. O Filipe, muito esquentado disse que não sairiam. Menino do estopim curto aquele, eu ainda tenho que ensinar muito a esses garotos. Mas naquela hora não havia mais tempo. Dois valentões partiram pra cima dele e tive que defender. Quando os grandões viram que eu estava com os garotos, recuaram. Depois chamei a turma para conversar. Aproveitei o ocorrido e ensinei a eles técnicas de defesa, demonstrei que muitas vezes é preciso ceder ou negociar com esse tipo de gente, já que para eles, a vida do próximo não vale nada. Bater nem sempre é sinal de valentia, muitas vezes nos expõe. É preciso que o grupo esteja disposto a se fortalecer não para prevalecer, mas para permanecer. Ganhar respeito. Nesse ponto da conversa vi ao longe um badboy tentando encantar a Júlia, eu conheço esse tipo de cara, então concluí: __É isso galera! Tô chegando ali. Fui pra perto da Júlia com passos largos e firmes. O carinha era tão fracote que não esperou nem eu chegar. Esperto o malandro! Foi logo dando uns dois beijinhos no rosto da garota e cascou fora, nem olhou pra trás. Ela ficou furiosa, virou-se e me fuzilou com olhos e palavras: __Eu não quero mais ser sua amiga, você é um idiota! Percebi que seria melhor com a Júlia depois, quem sabe ela mesma tiraria suas conclusões? Naquele dia deixei que eles fossem embora sem mim. Quem sabe eu estivesse interferindo demais na vida dos garotos?

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Capítulo V - A Revolta O Leonardo é até legal, mas age como se fosse meu pai, não posso nem namorar quem eu quero! Chamei o Filipe para irmos embora. No caminho descontei toda minha raiva no Filipe: __Você é um... um... __Chato? __Não, um... um.. Indiota! __Idiota. – ele me corrigiu. Então a fúria aumentou ainda mais. Filipe ria de mim, pois no fundo sabia que eu estava era com raiva do Leonardo. A gente voltava meio distraído, não percebemos quando um carro parou muito rápido em cima da gente e um cara estranho ordenou: __Entrem no carro, moleques! __Você não era aquele cara que nos ameaçou? __Isso não vem ao caso agora Júlia! Faça o que ele mandou. – Disse o Felipe. Entramos no carro. Eu não sei o que deu no Filipe, era tão corajoso, agora se intimidou de primeira. Tô mal de guarda-costas mesmo. Acho que meu irmão está desaprendendo a nos defender, o que será que o Leonardo está tramando? Depois que ele se aproximou de nós o Filipe anda muito mudado. Uns papos estranhos.

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Capítulo VI - A descoberta Eu estava passeando pela favela até que recebi um bilhete dizendo: “Amigos hoje, amigos deixados, mas não se preocupe, só foram sequestrados. Assinado: Mano”. Para tentar saber onde o Mano estava procurei por pistas que ele pudesse ter deixado. Aquele doente estava querendo me dizer algo. Mas, o quê? Eu o conhecia bem, sabia como “trabalhava”. Então pensei bastante e não mordi a isca de cara: Procurei um dos contatos do Mano que ultimamente estava sendo ameaçado por ele. Inclusive o Mano exigiu que eu o “apagasse”, foi por isso que caí fora. Quando me aproximei dele, nem foi preciso dizer nada. Ele se adiantou dizendo: __Antes que você acabe comigo é preciso que pegue um papel que guardo comigo há anos. É por isso que o Mano que apagar. Você também não terá muita chance daqui há pouco tempo, mas é direito seu saber sobre sua verdadeira história. Sem explicar a ele meu real objetivo ali, peguei logo o tal papel. Afinal poderia ser tudo armação do Mano. Era uma “declaração de nascido vivo”, um documento que os pais recebem na maternidade para ir até o cartório registrar a criança. Os dados eram sobre o meu nascimento. Comecei a juntar um tanto de peças e como num quebra-cabeças, muitas coisas começaram a se encaixar: por isso que o Mano sempre evitava o assunto. __Aí cara, valeu! Fica na paz, não sou mais capacho do Mano, quero me libertar dessa vida entende? Cair fora. __Então se cuida, já sabe o que te aguarda né? Eu também não posso continuar por aqui. Se você não quis o serviço, ele arruma outro pra me apagar. Por enquanto ele ainda tem interesse em você, tem muitos planos. Mas se agora é do jeito que você me falou e com essa descoberta aí não quero nem imaginar o que vai acontecer! Vou é sumir. Faz bem Toupeira. Cava fundo dessa vez. Se eu te achei, ele pode de encontrar bem mais fácil. Só mais uma coisa: você sabe tudo sobre os cativeiros usados pelo Mano, passa ai as coordenadas. Ele sequestrou uns amigos meus certamente pra que eu “coma na mão dele.”. Depois que me passou diversas rotas com possíveis esconderijos arrisquei perguntar ao Toupeira onde tinha conseguido aquele papel: ele me contou que já era comparsa do Mano quando o malvado matou a atriz, que o desprezou quando soube realmente quem ele eram, e o cara com o qual ela havia se casado. __A tarefa de eliminá-lo era minha. Disse ele. Mas achei covardia demais, não pude. Então peguei o papel para confirmar pra ele que tinha asfixiado a criança certa, e saímos dali. Não adiantou. Os jornais noticiaram que a criança estava viva e, por mais que eu tentasse tirar da cabeça dele a ideia de perseguir uma criança não conseguia. Então foi no orfanato. Dessa 35


vez ele mesmo disse que faria o serviço. E sacrificou todos aqueles inocentes. Ele parecia meio sem juízo, disse que queria ver a cara daquela infeliz se desfigurando. Tivemos que tirá-lo de lá à força. Na última hora ele te agarrou tirando do meio das chamas. Ele ficou transtornado muitos dias não falava coisa com coisa, fazendo planos para o seu futuro. Ele deseja que você seja o contrário do que seus pais sonharam pra você, ainda na maternidade. Então ele tomou coragem e arrancou do outro bolso um bilhete, que minha mãe teria escrito agonizando. Ela implorou para que o Mano me entregasse e lhe suplicou, que deixasse a criança viva, disse ainda que acreditava ter algo de bom nele. Ela era um anjo, Leonardo. Eu estava aliviado por não ter feito “o trabalho”. Um dia, já depois que você estava bem vivo e conosco ele achou o velho bilhete na carteira e jogou fora, com medo de que você o encontrasse algum dia. Eu o guardei todos esses anos. O bilhete dizia: “Filho, você foi o que de melhor me aconteceu, cuide do nosso maior tesouro!” A letra era trêmula, havia marcas de sangue e ela não conseguiu terminar de assinar. Havia apenas o início do que deveria ser um “M” de Maria Lúcia. Agora eu tinha mil motivos para entregar o Mano à polícia, ainda que eu também tivesse que pagar pelas coisas erradas em que já me envolvi. Guardei aqueles únicos pedaços de meu passado, depois eu procuraria por mais, agora era preciso preservar vivas as verdadeiras amizades. Fui caminhando até a delegacia mais próxima da casa dos meus amigos para denunciar o Mano, enquanto isso eu colocava as ideias no lugar, precisava colocar em ordem as ideias sobre o que havia acabado de descobrir. Próximo ao meio fio parece que vi algo conhecido. Abaixei para confirmar: o pequeno estojo que dei à Júlia, ou o que sobrou dele. Lembro direitinho que ela reclamou tanto por ele não ter espelho e disse que era inútil... então ela arrumou utilidade pra ele não é mesmo? Garota esperta! Aquela informação era muito útil, já não perderíamos tempo procurando em qual dos cativeiros eles estavam, e eu ainda tinha as coordenadas que o Toupeira me passou sobre os códigos que usavam. Pobre Júlia, mal sabia que aquela informação seria inútil, inclusive para mim, caso não tivesse a ideia de procurar pelo Toupeira. Que reviravolta! Já na delegacia denunciei que o Mano tinha sequestrado dois menores a fim de forçar-me a trabalhar para ele. Deixei claro que estava disposto a pagar pelos meus erros. Prestaria um depoimento completo depois, naquele momento precisávamos agir rápido. Os meninos corriam perigo. Como eu previ, os pais do Felipe e da Júlia haviam feito o B.O ali. Os policiais ficaram muito desconfiados pensando ser uma emboscada, mas como segundo o depoimento dos próprios pais eu seria um dos suspeitos. Eles então entenderam que seria uma possibilidade eu realmente querer cooperar, mas como era de se esperar: uma vez suspeito, as sombras nos perseguem. Eles não tiraram os olhos de mim. E provavelmente se preveniram. A movimentação e reuniões rápidas na outra sala me fizeram deduzir tudo isso. Paciência.

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Capítulo VII - S.O. S Resgate __Está ruim sentada nesta cadeira, além disso, este lugar está uma catinga! __Vou ao banheiro! –disse Mano Eu sussurrei: __Não te perguntei se você vai ou não para algum lugar! Pensei que ia morrer por causa daquele cheiro horrível, parece até que tinha bilhões de Marias-fedidas. Eu queria que alguém nos salvasse. Deixei uma pista: enquanto fingia que passava batom escrevi na tampa interna do estojo que o Leonardo me deu: “ARU OÃS OJÃO”. Foi o que deu tempo. Tínhamos ouvido o infeliz conversar com o outro pelo telefone: __Vai lá pro apoio da São João, por volta das oito horas, pra me dar cobertura. Tenho que voltar pra falar com o besta do Leonardo. Dessa vez ele vai fazer exatamente o que eu mandar. De repente ele se voltou com raiva pra mim e disse: __Por que a boneca está se enfeitando? Não vou levá-la a nenhuma festa. Nessa hora, aproveitei que ele abriu o vidro para jogar fora o toco de cigarro, fechei rapidamente o estojo e fiz que queria jogar na cara dele. Deu certo! Ainda estávamos perto de casa. Agora era torcer pro Leo achar e aguentar a ira do Mano, que xingou o outro de incompetente por não ter nos amarrado. Ao mesmo tempo ria histericamente, se divertindo com tudo. O cara é paranoico! E eu sussurrei: __Que nojo, ele nem deu descarga! __Por que está fazendo isso? Nossos pais não têm dinheiro para pagar resgate, você deve ter nos confundido com outras pessoas. ? – Felipe procurou conversa com o Mano. __Graças a vocês Leonardo está muito agradável! Quer levar outra vida, não me obedece mais. Tá certo que ele sempre foi molenga pro serviço sujo mesmo, mas eu sempre conseguia convencê-lo a traficar pra mim. Nem provar da droga ele jamais quis. Isso é bom por um lado. O cara parece mesmo é com a cabeça dura da mãe dele! Mas isso vai mudar. Quero ver ele bem corajoso agora! Se vocês quiserem se unir a nós tenho trabalho pra vocês também. Só depende de como seu novo amiguinho vai reagir agora.

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Capítulo VIII - O resgate A operação foi um sucesso! Os policiais ficaram à distância, corri para perto do casebre onde eles estavam, percebi pela fresta que o Cutia dormia profundamente, Mano entrou pro banheiro. Os meninos estavam amarrados. Era a minha chance. Entrei de fininho fazendo gesto para que a Júlia não abrisse a grande boca dela. Como os caras são idiotas. Nem pra amordaçar aquela matraca! Com uma pancada surda na cabeça do Cutia, garanti-lhe um sono mais profundo, descarreguei a arma que o Mano deixara sobre a pança do dorminhoco e me imprensei na parede, ao lado dum armário velho. Seria por pouco tempo, assim que ele fizesse um movimento contrário ao de saída do banheiro me veria. Não havia lugar ideal para se esconder naquela espelunca. A deixa do Filipe foi demais. Garoto esperto! Aprendeu logo. Provocou o Mano com algumas perguntas e eu gravei tudo pelo meu celular. Ele mal terminou de falar e se voltou, assim que me viu, colocou a arma na cabeça da Júlia e me perguntou: Enquanto eu entrei, com as mãos para o alto fingindo que me arrependi e que estava disposto a negociar a vida dos garotos, ele desconfiou apontando-me a arma: __Algum último desejo ou sugestão? __Sim. Desejo que você apodreça na cadeia e pague por tudo de ruim que já fez a mim e a muita gente. Seu canalha! Você matou os meus pais, queria me matar e não vai fazer isso com meus amigos, enquanto você estava no banheiro, descarreguei sua arma. Ele jogou a arma no chão, e começou a enforcar a Júlia, enquanto gritava o Cutia que acordasse. Estrategicamente, entram vários policiais, a equipe do Bope e o imobilizaram com a ordem: __Mãos ao alto! Logo havia barulho de helicópteros, lá fora já havia várias viaturas, estávamos cercados! Aproximei dos meus amigos e, enquanto os desamarrava dissemos ao Mano: __Perdeu Playboy! Xeque-Mate! Não tínhamos ensaiado nada, éramos jogadores de xadrez. Uma das formas de desenvolver o raciocínio rápida e silenciosamente, sem perder a concentração. Mano foi preso, a Júlia e o Felipe ficaram bem. Fomos entrevistados. Atualmente respondo em regime de liberdade condicional por ter traficado tanto tempo. As provas que reuni contra o Mano ajudam a aliviar a barra. O pessoal até está me ajudando a descobrir pistas sobre os meus avós, quem sabe eu ainda os encontre? Fui “adotado” de coração é claro, pela família dos meus amigos. Eles ficaram muito agradecidos e retribuem com muito carinho e consideração verdadeiras. Coisas preciosas que nunca tive.

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Capítulo IX – Epílogo Tudo terminou bem, as meninas do colégio me trataram como se eu fosse uma atriz muito famosa. Meu irmão Felipe ganhou um monte de amigos. Leonardo tornou-se nosso “irmão mais velho”, ficou super amigo do pessoal lá do Bope, está inclusive fazendo curso e assim que for julgado inocente, terá ficha limpa para se tornar um policial. Está tudo bem, estamos felizes, todos estão bem. Por enquanto...

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Conhecendo o autor Meu nome é Gabriel de Andrade, nasci e moro aqui em Anápolis. A experiência de escrever essa história foi bem legal, você pode descobrir pessoas que gostem de suas ideias. Como gosto de ação e aventura criei o Leonardo ele é um anti-herói: um cara que quer fazer o bem, mas nem sempre de acordo com o que esperamos. Criei também o Mano e os dois simpáticos irmãos para dar mais aventura à história. A professora Elaine andou incrementando umas coisinhas aqui ou ali, pois conforme ela me disse, não daria tempo de eu fazer uma terceira correção. Mas os direitos autorais não divido com ninguém é claro!

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A amizade inesperada

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Capítulo I – Quem é quem Koihime Hayashi Olá 12 anos. considero nasceram cachorro.

sou Koihime Hayashi, tenho 16 anos, vim da Coréia para o Brasil há Demorei muito para me adaptar à cultura daqui, mas hoje já me uma verdadeira brasileira. Minhas duas irmãs mais novas, já no Brasil. Moro com meus pais, minhas irmãs e o Ted, meu

Sou de tamanho médio, tenho os olhos escuros, meu cabelo é curto e todo repicado, minha pele é bem clarinha, tenho algumas sardinhas no rosto e sou magra. Sou o tipo de garota que não é muito ligada em moda, e não suporto essas garotas patricinhas e nojentinhas. Gosto muito de fazer novas amizades, conhecer gente nova. Sou super extrovertida, mas também, segundo meus amigos, sou ‘’estressadinha’’ e às vezes ignorante, porém depois me arrependo e acabo me desculpando. E estou á procura de um amor será esse ano que meu príncipe vai aparecer? Bom, vamos ver. Hoje é meu último dia de férias. Estudo em uma escola de elite no Rio de Janeiro. Estou ansiosa para retornar as aulas, fazer amizade com os novatos, reencontrar meus amigos. Poxa já estou na segunda série do Ensino Médio, esses dias eu ainda estava no maternal e agora já estou às portas de um vestibular. Espero que este ano seja o melhor da minha vida, quero tirar as melhores notas da sala, e claro encontrar meu príncipe e novas amizades. Esse ano também quero ser um pouco mais rebelde com meus pais, quer saber já estou cansada deles me tratarem como se eu fosse uma criancinha, não aguento mais isso, lá em casa parece uma prisão eu não posso fazer nada, mas minhas irmãs podem tudo. Se elas quiserem ir pra uma festa heavy pode na hora, mas se fosse eu certamente meus pais me expulsariam de casa, fariam uma cessão de tortura comigo e me deixariam de castigo o resto da eternidade. Nesse ano vou mudar minha vida por completo na parte familiar. Então fico pensando não sou eu a irmã mais velha? Mas isso tudo vai mudar. Ou meus pais me tratam como eu devo ser tratada ou eu viro rebelde.

Melissa Drummond Olá, meu nome é Melissa Drummond, tenho 16 anos sou filha única, tenho o cabelo longo, castanho e anelado, tenho olhos verdes e não sou muito alta, também adoro um salto! Gosto muito de animais, inclusive tenho um cachorro da raça York Shire fêmea, seu nome é Lola. Moro com os meus pais Gisela Drumon e Rodrigo Drumon. Eles não são de ficar muito em casa, embora isso me faça falta eu entendo, pois eles têm muitos afazeres. Moro em Nova York, mas sou brasileira, amanha estarei mudando para o Brasil, pois ficaremos alguns anos por lá, porque meu pai fechou um contrato com uma empresa de cosméticos.

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Logo começarão as minhas aulas, em uma escola de elite do Rio de Janeiro estou super empolgada porque vou conhecer pessoas diferentes, fazer novas amizades e sem contar, que por eu ter chegado recentemente preciso atualizar meu guarda-roupa então assim que me acomodar irei às compras. Afinal para mim não há coisa melhor para se fazer, mal posso esperar.

Carol Meu nome é Ana Carolina Almeida, tenho quinze anos, mas podem me chamar de Carol. Sou uma carioca que gosta bastante de ler, costumo me dar muito bem com as pessoas, tenho facilidade em fazer amigos. Tenho três irmãos, dois homens e uma mulher, nós costumamos brigar bastante principalmente por causa da TV e algumas vezes por falta de privacidade, mas no fundo nos amamos. O Marco é o primogênito apenas três anos mais velho do que eu ele tá todo metido e mandão só porque tem 18 anos acha que já é grande o bastante para tomar conta do seu próprio nariz. Ainda mais agora que tirou a carteira de motorista! É muito paquerador, toda semana está com uma namorada diferente, penso que isso é só mais uma fase que vai passar; pelo menos ele é organizado. Às vezes irritante, mas na dele! E, se tem uma coisa que todo mundo aqui em casa tem é honestidade. Ele é alto, de cabelos e olhos castanhos escuros e, modéstia à parte é muito bonito! Acho que é até por isso que faz tanto sucesso com as meninas. Sou a segunda filha e depois a Priscila, a gente costuma chamá-la de Pri, nós nos damos muito bem. Ela é só um ano mais nova do que eu. Dividimos o mesmo quarto, o que fica mais fácil, pois somos bastante organizadas. Ela é pouca coisa mais baixa do que eu, tem os cabelos louros, os olhos castanhos e a pele branca, assim como a minha, só que eu tenho o cabelo castanho e os olhos como os da minha mãe: azuis. A Pri é legal, porém um pouco rebelde, ou ao menos acha que é! O Gustavim, na verdade Gustavo, é o caçula da família por isso o mais mimado também, tem apenas onze anos e gosta mesmo é de irritar, tirando todo mundo do sério com aquelas piadinhas ridículas. Ele tem o cabelo loiro e os olhos azuis. Meu pai se chama Luis Almeida um homem trabalhador que rala pra nos sustentar. Ele trabalha em um grande açougue como gerente. O dono confia bastante nele, o que inclusive tem nos ajudado bastante, se bem que agora o Marco passou na faculdade de medicina veterinária e vai aproveitar que já é maior de idade e vai começar a trabalhar com o meu pai no açougue para ajudar nas despesas. Eu também pretendo contribuir. O meu pai diz que a gente tem mais é que estudar para conseguir ser alguém melhor na vida. Mas o que ele não sabe é que eu tenho muito orgulho dele. Tem cinco anos que minha mãe faleceu. Ela tinha câncer. Todos nós ainda sofremos com isso, principalmente o Gustavinho. Por ser muito pequeno na época, guarda poucas lembranças. Ela era muito bonita, sempre atenciosa 43


e carinhosa com todo mundo. Acho que meu pai deve se casar de novo e ser feliz, mas ainda não consigo pensar em ter uma madrasta. Hoje é o último dia de férias, amanhã vou para uma escola nova, num colégio de elite, um dos melhores daqui do Rio de Janeiro onde é tudo diferente, com pessoas diferentes. Consegui ganhar uma bolsa de estudos, a minha nota foi uma das maiores! Estou feliz por isso, um tanto ansiosa, com um pouco de medo de não conseguir amigos e das pessoas não gostarem de mim. Só resta esperar e ver no que vai dar!

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Capítulo II - O primeiro dia na escola __Bom dia pai, bom dia gente! __Bom dia minha filha! Então, animada para o primeiro dia de aula? Estou super animada, êbaaa! Volta às aulas! Meu dia já começou animado como pode ver, papai me levou hoje para conhecer melhor o lugar e saber onde fica, se bem que poderia ser assim sempre. A partir de amanhã irei para a escola de transporte coletivo, mas eu entendo que meu pai não pode se atrasar para o trabalho dele. Quando chegamos papai me deixou na porta e foi embora; me deu um frio na barriga, toda aquela gente arrumada, os corredores tão grandes e são tantas salas que fiquei confusa, mas acabei encontrando a minha. O professor me apresentou para a classe, me sentei e fiquei quieta até que bateu o sinal para o recreio. Peguei o meu lanche e fui procurar um lugar para sentar até que uma menina me chamou para sentar com ela e seus amigos. No começo achei estranho porque ela é da turma dos populares. Quando me sentei perto dos amigos dela eles começaram a me olhar estranho, acredito que descobriram que eu era bolsista, havia uma certa conversa atravessada entre eles, e com certeza era a meu respeito. Koihime era legal, ela se levantou e foi lanchar comigo em outra mesa, ela é da minha classe, uma oriental muito bonita! Veio da Coréia, gente boa, mas meio estressadinha, uma mistura de estilo rebelde e fashion. Tem jeitinho de rica, acho que fiz uma amizade! De repente uma menina muito bonita se aproxima da gente e diz: __Posso me sentar e lanchar com vocês? É que sou novata e ainda não fiz nenhuma amizade! __Claro! Como você se chama? - Respondi: __Melissa Drummond, mas pode me chamar apenas de Melissa. Vocês também são novatas? __Eu já estudava aqui. Me chamo Koihime, mas pode me chamar de Mimi, segundo a Carol fica mais fácil! A Carol é novata também. Gostei da Melissa ela é bastante legal. A Mimi disse que ela é muito patricinha. Para mim ela tem classe, pelo que vi ela adora maquiagem e fazer compras, só fala de sapatos e de roupas de grife, os pais dela são donos da rede de empresas Drummond. Estou tão feliz logo primeiro dia de aula! Já fiz amizades tão legais, eu amei a Mimi e a Melissa!

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Capítulo III - Acontecimentos Bom hoje foi o primeiro dia de aula. Conheci duas garotas, a Melissa e a Carol, elas agora me chamam de Mimi, gostei muito da Carol, mas aquela Melissa fala sério! Que menina mais mimada, patricinha, só fui legal com ela porque no primeiro dia de aula já gerar conflitos não é legal, nem pra mim, principalmente pra ela, ‘’a novata encrenqueira’’ nem rola! Duas semanas depois... 08h30min e parece que essa aula chata de biologia não acaba nunca! Esse professor é muito sem graça você não acha Carol? Melissa diz: __Com certeza esse professor não tem o menor censo de moda meu Deus! __Bom eu acho que falei não foi com você né? Acho que foi com a Carol! __Nossa! Desculpa, eu só queria dar a minha opinião. Então eu disse: __ Pois é, quando alguém pedir a sua opinião, você pode dar. __ Ela ficou caladinha! Mas bem feito! Que menina mais chata, nem foi com ela que eu falei e já vem se intrometendo. Não estou mais suportando essa garota. Estava sentada curtindo meu tédio na aula de biologia até que: PÉÉEEEEEEEEÉ ! O sinal toca para o recreio, vou andando em direção à mesa de umas pessoas e me sento. Chamo a Carol para vir lanchar com a gente. __Ah, nem Mimi vamos sentar em outra mesa! __Mas por quê ? Você tem que se enturmar garota! __Ai! Mimi você sabe que não gosto de me sentar junto com aqueles seus amigos. Eles ficam me olhando de um jeito tão estranho. __Ok! Tudo bem vou sentar com você em outra mesa, mas você promete que amanhã vai sentar com a gente? __Tudo bem, eu prometo. E nós nos sentamos em uma mesa e começamos a lanchar, mas estava bom de mais para ser verdade, olho pra frente quem eu vejo? Aquela patricinha ridícula se aproximando e sentando-se à mesa; não aguentei e falei em um tom bem alto e grosseiro : __Sai daqui garota ninguém te chamou pra vir sentar aqui, que saco! E me retirei da mesa pisando fundo. Todos estavam me olhando, não muito assustados, mas um pouco indignados porque eu tinha gritado tão alto 46


com ela. E o clima na escola ficou muito tenso, até que o sinal bateu, e a Carol com seu jeitinho delicado de lidar com os problemas veio falando comigo. __Nossa Mimi, eu sei que você não gosta de patricinhas, mas não precisava ter tratado a Melissa daquela forma. Ela ficou muito chateada mesmo, ela só queria pedir perdão por causa daquela hora na aula de biologia, você deveria dar uma chance a ela e ver como ela é legal. Abaixei a cabeça me senti mal depois que a Carol me disse isso e só consegui responder: __Vou tentar prometo. Entramos pra sala, e adivinha, mais uma aula insuportável de biologia, mas dessa vez acompanhada de um trabalho imenso sobre genética, e Carol convidou a mim e á Melissa para nos reunirmos na casa dela. Com muito custo acabei topando. Paixão a primeira vista... Bom hoje é o dia de fazer o trabalho na casa da Carol, acho que vai ser legal vou aproveitar e pedir desculpas á Melissa, por que desde semana passada reconheço que a estou implicando demais. Nossa, estou em um lado do Rio em que nunca estive antes simples, mas ‘’arrumadinho’’, viro a rua e vejo Carol na calçada, dou um berro. __CAROL ! - minha mãe quase me bate por ter gritado perto da orelha dela. Desci do carro, dei um abraço na Carol e minha mãe perguntou: __ Que horas venho te buscar? __ Ah sei lá na hora que a gente terminar te ligo. __ Ok se cuida viu? __ Tá bom mãe, já sei me cuidar muito bem. Ela me olha com uma cara, e vai embora. Eu e Carol nos sentamos na calçada e esperamos por Melissa, demorou uns 35mim pra chegar. Quando ela chegou, nós entramos, cumprimentamos toda a família e fomos direto para o quarto dela, ligamos o computador e começamos a fazer o trabalho. O clima entre eu e Melissa fica meio tenso, não resisto e acabo dizendo: __Melissa, você está muito chateada comigo por ter gritado com você aquele dia, daquele jeito na hora do recreio? __Quando você me falou aquelas coisas obviamente, eu fiquei arrasada, você me fez passar um dos maiores vexames da minha vida, e não esperava que estivesse tudo ás ‘’mil maravilhas’’ entre você e eu né?! __Poxa me desculpa, não queria ter te falado aquilo, mas é que no primeiro dia, eu não tinha ido com a sua cara, e acabei te rotulando sem saber quem você realmente é por dentro, estou te pedindo perdão por ter falado assim com você, me perdoa ? __Hum, ok te desculpo __ demos um abraço apertado. Passaram uns 40mim e o portão se abre e Carol fala: 47


__É o Marco meu irmão mais velho, hoje ele chegou mais cedo em casa. Vocês querem vê-lo? __Por mim tudo bem. __Por mim também. __MARCO! __O QUÊ?! __VEM AQUI! __O que foi pirralha? __Quero te apresentar minhas novas amigas, essa é a Melissa. __Oi tudo bem ? Prazer Marco. __Prazer Melissa. __E essa é Koihime, mas pode chamá-la de Mimi. __Prazer Mimi tudo joia? __Tudo e você? __Estou bem. __Bom agora que vocês já se conhecem, você já pode sair do meu quarto né? __ Já estou saindo, sem educação. Quando vi o irmão da Carol babei no garoto, nunca vi na minha vida alguém tão perfeito! Na hora em que ele entrou no quarto meu coração disparou, e minha Mão começou a suar, meu cérebro parou de funcionar. Meu Deus como pode caber tanta perfeição em apenas uma pessoa, ele é tão educado! Será que estou apaixonada por um cara que não conheço a mais de 40 segundos? Só sei que ele é muito perfeito. Cheguei em casa, fui para escola. E não tiro esse garoto da cabeça. Semanas depois... Já se passaram semanas e ainda não tirei o Marco da cabeça. Quer saber, já chega! Vou falar com a Carol ainda hoje na hora do recreio que estou gostando do irmão dela. E o sinal do recreio bate. Vou correndo falar com a Carol. __Amiga tenho que te falar uma coisa. __Pode falar. __Sabe aquele dia que fomos fazer o trabalho de biologia na sua casa? __Sei, o quê que tem? __Você lembra que nos apresentou seu irmão? Pois é desde aquele dia não consigo mais tirá-lo da cabeça, já não sei mais o que fazer, ele tomou conta de meus pensamentos, acho que estou apaixonada! 48


__Nossa! Ele me disse que achou você muito bonita. Mas ele tem um grande problema: é galinha, já teve várias namoradas, e com todas ele namorou por muito pouco tempo. O namoro que mais durou foi de dois meses. Ele não é menino de compromisso sério. Pode ser que ele mude e que esta seja apenas mais uma fase. __Mas amiga, eu gostei muito dele eu queria vê-lo de novo! __Tá bom, mas lembre-se ele é galinha. __Quando nós vamos encontra-lo novamente? __Vai ter um acampamento daqui a duas semanas, vamos eu e ele da nossa família e alguns primos, tios e vários amigos dos primos, se você quiser ir conosco pode, mas eu vou chamar a Melissa também, por que iria ficar muito na cara que você esta gostando dele. __ Aiaiaiaiaiaiai a Melissa?! Não tinha ninguém pior pra chamar, não é? __É, ela é muito gente boa deveria dar uma chance pra ela, pois ela gosta de você. __Tudo bem, mas não vou fazer muito esforço pra me controlar. __Vai sim, já estou me cansando dessa sua implicância boba com ela. __Então é assim vai ficar do lado dela? Isso é ser amiga de verdade, muito obrigada por não me apoiar viu. Saí de perto dela com a cabeça fervendo, pensando como pode minha melhor amiga fazer isso comigo. A primeira rodinha de amigos que vi já fui entrando, qualquer coisa é melhor do que falsos amigos, pensei. Mas durante a conversa fui sentindo uma coisa estranha, sentia falta de alguma coisa, e essa tal coisa era a Carol e a Melissa. Desde então comecei a refletir a respeito do que Carol tinha me falado, e ela estava certa. Como posso ser tão egoísta, a Melissa é até gente boa, porém eu não consigo gostar dela por alguma razão. Mas vou me esforçar para gostar dela, e no mesmo instante fui falar com a Carol: __Carol eu queria que você me perdoasse. Eu fui muito egoísta falando aquilo pra você. Você é uma amiga e tanto, apenas estava fazendo seu papel. Na verdade, você é minha melhor amiga. __Tudo bem, Mimi, está perdoada, na verdade já estava até fazendo contagem regressiva pra você vir pedir perdão. Todas as vezes você faz isso. __ Risos__ É verdade, também quero começar a ser mais legal com você e Melissa, ela é gente boa, mas é que eu não consigo gostar dela, contudo eu juro que vou esforçar, e quero que ela vá para o acampamento são só dois dias de acampamento. __Como você consegue mudar de ideia tão fácil assim? __Não sei só sei que quero mudar e ser mais legal com você e a Melissa, e a verdade é que quando estou longe de vocês, sinto um vazio muito profundo.

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Capítulo IV - O dia do acampamento... Hoje é o dia em que iremos ao acampamento, estou muito contente com tudo isso, além do mais estou bem com a Mimi, Carol como sempre feliz e autoconfiante, gosto muito dela ela é muito especial pra mim; acho que se não fosse por ela eu seria uma excluída dentro daquele colégio. Bom, estou quase me descabelando para escolher e arrumar minhas coisas para eu levar. Quero levar um tênis allstar que ganhei da minha avó, mas não consigo achar uma roupa que combine, iremos sair às 15h00min horas e ainda nem terminei. __Triiiiimmm! __Alô, quem fala? __Oi Miguxa é a Carol! Preparada para a viagem? Daqui a 10 minutos estamos passando ai tá bem?! __Tudo bem vou andar mais rápido. Beijos! Tchau! My God! O que é que eu faço, eles já estão vindo! Pensei: Tudo bem Melissa, sem pânico vamos com calma! __Biiiibiii foonfonn, Carol grita pra fora da janela do carro: __MELISSAAAAA! VAMOSS! Eu respondo: __JÁ ESTOU INDOOO! __Oi gente e ai joia? Carol e Mimi respondem: __Estamos e você? __Estou! __Então vamos! No caminho conversamos, brincamos, contamos piadas. Foi muito divertido. Chegamos ao acampamento... Carol: __Enfim chegamos! Depois que a Carol nos apresentou para sua família fomos até o quarto para arrumar as coisas no lugar. Enquanto arrumávamos o quarto Marcos, irmão da Carol chegou para ver como estávamos, quando ele veio nos cumprimentar percebi que a Mimi reagiu de uma forma estranha. 50


Vou perguntar para ela quando formos jantar. Depois de tudo arrumado escutamos um sininho: __TRIIIINMM! Era o sinal para irmos jantar, logo após o jantar chamei Mimi e perguntei por que ela agiu daquela forma quando o Marcos a cumprimentou. Ela respondeu: __Tá bem Melissa, eu confesso estou apaixonada pelo irmão da Carol! __Mas a Carol já sabe disso? __Claro que ela sabe. __Menos mal! Como isso aconteceu? __Sabe aquele dia que fomos fazer o trabalho na casa da Carol? Então, desde a primeira vez que o vi tive certeza de que tinha me apaixonado e estou com esperanças. __Éééé Mimi! Cuidado para você não se machucar, estou falando isso por experiência própria, mas vamos voltar para mesa? __Meninas, vamos pro quarto porque amanhã teremos muito para nos divertir! – convidou-nos Carol. __Então vamos. Último dia do acampamento... Nosso dia já começou bastante agitado, tomamos o café da manhã e fomos para as gincanas. Tínhamos que formar grupos de quatro e o nosso ficou: eu, a Carol, o Marcos e a Mimi. Nossa primeira gincana foi a teia de aranha elétrica. Tínhamos de passar todos os componentes do grupo em cada espaço da teia amarrada com barbante. Tivemos dificuldade no início, mas depois conseguimos com facilidade. Quando chegou a vez da Mimi, somente o Marcos conseguiu atravessá-la, e enquanto ele fez isso os dois trocaram olhares. Então depois de várias e várias brincadeiras chegou o momento do resultado. E adivinha só nos ganhamos! Eu gritei: __Uuuuhuuuu! Conseguimos! Fomos trocar de roupa, pois estávamos imundas. Onde tudo aconteceu... De noite tivemos a reunião na fogueira para depois irmos embora. Quando estávamos à volta da fogueira, a palestrante nos pediu que pegássemos uns espetos de pau. Depois explicou como seria a dinâmica: Deveríamos nos dirigir ao centro, pedir perdão às pessoas, presentes ou não expressando nossas faltas que simbolizadas pelo graveto, deveria ser jogado na fogueira. Então foi a hora da verdade: primeiro foi a Carol quem levantou. Pediu perdão ao seu irmão Marco e por qualquer coisa que ela tivesse feito com a gente. Depois eu me levantei e pedi perdão para a Mimi por toda má 51


impressão que passei pra ela no primeiro dia. Depois a Mimi também me pediu perdão e se declarou pro Marcos. Enquanto ela se declarava Marcos disse: __Mimi nunca pensei que iria ouvir isto de você! Estou muito surpreso ninguém nunca tinha dito isto antes para mim. Ele se dirigiu até ela e deu-lhe um grande beijo. Depois pusemos nossas bagagens no carro e seguimos viagem de volta pra casa. Na estrada cantamos, brincamos, choramos, mas tudo acabou bem. Eu, Carol e Mimi mais unidas do que nunca e a Mimi feliz com o Marco que finalmente criou juízo em sua vida amorosa. Segunda-feira o reencontro no Colégio... No recreio foi muito bom, nós nos reencontramos, Mimi só falava do Marco, ela nos contou que ele a pediu em namoro, ficamos todas muito felizes! Bate o sinal e temos que ir para a péssima e tediosa aula de biologia. Em pensar que eu nem acreditava nessa amizade, olhe só no que deu, não deu, pois não é só uma simples amizade, mas uma amizade para a vida inteira.

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As autoras

Olá! Me chamo Walycia Victoria Vilela Alves, tenho 13 anos, nasci em Filadélfia cidade de Pensilvânia nos Estados Unidos. Para mim foi muito bom escrever este livro, pois me diverti bastante. Trata-se da história de três amigas adolescentes, que tem personalidades totalmente diferentes. Eu criei a personagem Melissa Drummond, uma patricinha mimada, que ao longo da narrativa se desentende com uma de suas amigas: Koihime, mas no final tudo acaba bem. Koihime descobre que está apaixonada pelo irmão de sua amiga Carol e os dois vivenciam uma linda paixão. Queridos leitores, espero que aproveitem bastante esta história.

Olá, me chamo Jennifer Nayane Souto das Neves, tenho 13 anos, nasci na cidade de Anápolis GO. Eu aprendi muita coisa escrevendo o livro Amizade inesperada, às vezes é aquela pessoa que pensa, age e se veste totalmente diferente de você que vai fazer toda diferença em sua vida se tornando uma de suas melhores amigas. Eu criei a personagem Koihime Hayashi, uma adolescente rebelde e arrogante, que não gosta de ‘’patricinhas’’ e não dá a mínima para o que os outros pensam. Mas no decorrer da história ela percebe que sua forma de pensar é errada e abre um espaço em seu coração para a amizade inesperada da ‘’patricinha’’ Melissa Drummond.

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Olá, meu nome é Quéren Hapuque de Souza Lima, tenho 13 ano, nasci em Anápolis GO, no ano de 1998. Pra mim foi um privilégio muito grande poder fazer parte da produção deste livro. Fui eu quem criou a personagem Carol, uma menina simples e estudiosa, que faz grandes amizades realmente inesperadas. O mais interessante é que muitas vezes pude me identificar com algumas atitudes das personagens, sem falar que foi ótimo escrever o livro em trio: a Jennifer e a Walycia são grandes amigas!

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Decisรฃo Humanitรกria

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Contexto Em um mundo, onde as decisões boas são poucas e as ruins a maioria, as pessoas não entendem umas às outras e, por isso estão sempre em guerra. Muitas pessoas querem ajudar, mas ninguém sabe por onde começar. O estrago está demais, talvez não tenha volta. A vida do planeta está morrendo. E a última esperança é de que a humanidade só resista mais alguns anos... E talvez esta última esperança nem aconteça. No entanto, o que eles mais temem é a falta da água e das árvores. Não há árvores o suficiente para produzir o oxigênio necessário. A fauna e flora estão quase extintas. Noventa e nove por cento da água doce do planeta está contaminada.

Capítulo I - O Cientista Olá, vou contar- lhes a minha história: Sou o cientista Carlos Almeida. Formado em Harvard University Boston, Massachusetts, em Ciências de Gestões Ambientais. Como cientista tentei já, por várias vezes, incentivar a reforma econômica e social para dar à humanidade mais 100 anos de futuro, no mínimo. Ainda não consegui apoio suficiente para o projeto, pois sempre me perguntavam que conceitos deveriam seguir, ou qual religião deveria ser a principal. Eu jamais soube responder! Tenho como base à ciência e não fundamentos religiosos. Eu estava andando na rua quando, sem querer, esbarrei em um sujeito. Percebi que não era americano. Ah! É mesmo, desculpem... Esqueci-me de falar que sou americano, nasci em Massachusetts, mas vim para Nova York quando meu pai, que era cristão, morreu. Voltando ao imprevisto: notei-lhe lhe os traços fisionômicos e perguntei se era americano. Ele disse que sim, mas percebo fortes traços dos árabes. Seguimos nossos destinos e continuei refletindo no que eu faria para incentivar as pessoas, depois de ter perdido todos os meus argumentos por causa de uma só pergunta: “Qual religião devemos seguir...?”

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Capítulo II - O Paquistanês Bom, onde estou agora, não é o começo e também nem é o fim da minha história. Então vou tentar explicá-la a vocês, minha história... Nasci em Nawabshah, Paquistão. Morei com meus pais até os cinco anos. Quando a salvação dos Estados Unidos estava chegando, Infelizmente eles foram confundidos com terroristas, quando eram na verdade agricultores. Fui criado por missionários da Europa. Vivi com eles até dois anos atrás, hoje estou com 21 anos. O talibã descobriu o nosso templo, houve extermínio de milhares e dentre eles, meus pais adotivos. Fugi num barco onde o próprio talibã carregava drogas e armas para os Estados Unidos. Ainda bem que não me encontraram... Quando cheguei, desci do barco e bem perto da maior estátua que já vi. Ela estava segurando um livro, tinha uma coroa na cabeça e era todinha verde. Havia várias pessoas lá, mas não liguei muito para isso. Eu já estava muito cansado da viagem, então comecei a procurar algum lugar para dormir, mas sem querer eu esbarrei em um cara, que parecia estar falando sozinho. Fazer o quê, não é? Eram os Estados Unidos: um país com muitas pessoas agitadas. Caminhei até chegar em um templo. Não encontrei ninguém, então deitei em um dos bancos e comecei a cochilar. Quando acordei encontrei um jovem rapaz. Fiquei até com medo, porque ele estava todo vestido de preto e estava chorando, ajoelhado, provavelmente orando. Ali havia a estátua do tal “JESUS”, que os missionários sempre me falavam. Esperei até que ele se levantasse e perguntei: __Jovem, por que você está aqui? O jovem não me deu muita atenção, mas continuava com olhos fechados. Esperei que ele abrisse os olhos. E novamente perguntei: __Por que você está aqui? __Não te interessa! E saiu correndo para fora do templo.

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Capítulo III - O Bullying __Cala boca moleque! Não é pra fala nadinha einh?! Pra ninguém! Agora, me dá essa grana logo! Dá aí! __Desculpa! Não, não falei nada para ninguém! Eu prometo! Toma aqui minha mesada. Toma! Já passô da hora. Faz três meses que ele não me entrega é nada. Vichi! Aqueles caras de novo não! Vô fugir. Não quero mais que eles peguem meu dinheiro, e nem eu! Não quero mais essa vida não! O que eu vou fazer dessa vida minha?! Meu Deus! Me ajuda! __“Vinicius. Não é essa vida que eu quero para você, filho meu.”. __O quê?! Quem é você, cadê você?! Ah...! Foi outra daquelas vozes esquisitas. __“Se você quer mesmo que eu te ajude, fala comigo, ore a mim que eu te ajudarei.”. __Deus?! É você mesmo? Você existe! Eu... Me desculpe... Não sei nem o que falá, eu vô lá no templo! Peraí que já tô indo falar com você! Na correria esbarrei em um homem. Irritado falei: __Ai! Sai daqui, seu véi barbudo! Entrei no templo, e comecei a orar, quando eu terminei, tinha um cara lá, esquisitão, mas não dei moral pra ele não. O atrevido estava me perguntado por que eu estava ali. Ele não sabe o que as pessoas vão fazer num templo? Sai correndo novamente, queria fugir de todos os lugares, não podia ficar quieto nem ali? Esbarrei de novo em alguém, o mesmo velho barbudo! Assim parece perseguição. Não quis dar moral, mas não teve jeito.

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Capítulo IV - Indivíduos diferentes, Opiniões semelhantes... Enquanto eu refletia sobre todas aquelas perguntas que me fizeram, me veio à mente que havia esquecido minha maleta no auditório. Então dei meia volta, acelerei o passo e fui buscar meus pertences. De repente, eu trombei com um jovem, vestido todo de preto, correndo na minha direção. Nós dois caímos. Quando fui me desculpar, ele gritou e disse: __Sai do meu caminho, seu vei barbudo! Então ele correu para o lado oposto ao meu, em direção ao Snackbar. Foi quando ele se chocou com o sujeito que eu tinha visto anteriormente. Os dois se trombaram, e bateram as cabeças. Fui-lhes ajudar, e perguntei: __Vocês estão bem? O sujeito, que me parecia árabe, respondeu: __Sim. Mas se você quiser nos ajudar... Ajudei, mas o jovem de preto não aceitou minha ajuda. Percebi que os dois já se conheciam. Eu me apresentei a eles, e perguntei seus nomes. Então o árabe disse: __Meu nome é Mohamed, tenho 21 anos e vim do Paquistão. Saí de lá, pois estou fugindo. Minha família inteira foi morta pelo talibã e pelos Estados Unidos. __Poxa, mas que história! E você menino, qual sua história? __Já que vi que não posso fugir de vocês! Ainda não tenho história para contar, só posso falar que fugi de casa, pois ninguém mais me aceita como filho. Eu, curioso, perguntei: __Qual o motivo de não te aceitarem em sua própria casa? __Bom, fui praticante de Bullying, quase matei um garoto e fui só não fui preso porque meus pais pagaram a fiança. Mesmo assim não me aceitaram de novo como filho. Então fugi de casa, tô nas ruas, hoje fui falar com o único que diz que me aceita do jeito que sou... Deus. Eu decidi levá-los para comer alguma coisa naquele mesmo Snackbar. Falamos muito sobre nossas vidas e concordamos que o mundo estava acabando e que precisava de uma reforma urgentemente.

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Capítulo V - O dia em que dois invisíveis acabaram sumindo Naquele mesmo dia em que conheci as duas pessoas que pensavam igual a mim, enquanto conversávamos, dois homens brancos entraram na lanchonete e anunciaram o assalto. Todo mundo se deitou, Mohamed fez um movimento: pretendia pegar um lenço para uma mulher que, descontrolada, chorava muito. Um dos bandidos notou o movimento e atirou nele. Certamente pensando, que o pobre coitado tinha alguma arma no bolso. Vinícius tentou impedir, indo para cima do bandido e acabou sendo morto também. A polícia chegou tarde demais para intervir no que aconteceu. Quando aconteceu o funeral daqueles homens apenas eu compareci. Mohamed certamente não tinha ninguém para chorar sua partida, mas e os familiares de Vinícius? Eu estava perplexo! Fiquei pensando muito sobre isso, como é que ninguém dá importância para um fato como esse? Fiquei com insônia naquela noite até que uma voz suave e calma me disse: __Carlos não se preocupe, eu me lembro deles, são meus filhos. Eu os preparei, eles cumpriram seus desígnios aqui. __Quem é você? __Sou seu pai Carlos, EU SOU O QUE SOU. Depois daquela noite fiz meu primeiro contato com Aquele que chamam de Deus. Também foi naquela noite quando comecei a crer que alguém me dava atenção, me dava afeto e cuidava de mim. Eu me converti.

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Capítulo VI - A volta por cima Tive uma palestra no dia seguinte, só que algo me pareceu diferente, era como se eu tivesse a certeza que cativaria a todos naquela plateia. Eu falei as mesmas coisas que dizia em todas as outras palestras sobre a situação do mundo, só que agora eu havia encontrado a resposta para a célebre pergunta: e lá vem ela: __Qual religião devemos seguir...? __Não é preciso seguir religião. Durante muito tempo isso, para mim, era impossível de se responder, até que tive minha experiência pessoal e sou agradecido a Deus por ter se revelado especialmente a mim. Não é nada complicado ou impossível. Mas devemos respeitar o próximo, caso ainda não lhe tenha acontecido algo semelhante. Naquele momento todos me aplaudiram e o dono da C.T.V. (Centro de Tecnologias Verdes) me ofereceu o cargo de Diretor de Pesquisas. Atualmente sou um dos mais renomados empresários que ajudam o mundo a ser um lugar melhor para se viver, pois abrimos várias ONGs, inclusive internacionais. Essas organizações ajudam aquelas pessoas que necessitam sem preconceito sobre sua origem, modo de ser ou classe social. Até hoje aconselho a todos com apenas uma frase: “Não importa quem você é ou qual o tamanho do seu problema, tem alguém que cuida de você

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Sobre os autores Sabe pessoal, em minha opinião é mais difícil falar de mim do que de outras pessoas, por isso vou escrever apenas um pouco sobre mim: Sou um aluno entre muitos do colégio Adonai, tenho 14 anos, vivo em Anápolis. Escrever esse livro foi muito inspirador, pois pode se notar que em nessa história trabalhamos com alguns dos temas mais comentados no mundo, portanto essa história se baseia em “fatos reais”. Espero que vocês tenham gostado de ler mais um livro. Pode não ser o maior ou o melhor, mas esperamos que seja um livro que os faça refletir e discutir.

Meu nome é Richaell Elias Serbêto Ribeiro, nasci na cidade de Worcester, Massachusetts nos Estados Unidos. Desde abril de 2009 moro em Anápolis, Goiás no Brasil. Tenho 13 anos, e curso no 8° Ano no Colégio Adonai, onde entrei no 7° Ano. Passei minha infância quase toda que sem amigos na escola, somente na família. Eu era gordo e nerd, sofri muito bullying em relação a isso. Cheguei ao Brasil com esperanças de melhorar o físico e ter amigos verdadeiros. Hoje, ainda sou solteiro, evangélico e congrego na igreja Assembleia de Deus SEDE em Anápolis. Ao escrever essa história com meu amigo Victor Borges, aprendi primeiramente, que não é nada fácil fazer algo desse tipo em pouco como o que nos foi dado. Segundo: que fazer um livro curto desses é mais fácil individualmente, pois trabalhar em grupo em um só livro não é nada simples, são pensamentos, ideias e linguagens diferentes que precisam se encontrar.

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De repente amigos

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Capítulo I - O humilde Brian Mais um dia de aula, tenho que acordar cedo, pois moro longe da escola, minha mãe também acorda cedo para trabalhar, meu pai leva pra escola porque aqui em Jabaquara, favela de São Paulo, é muito perigoso. Meu nome é Brian de Souza tenho 17 anos, estudo em uma escola pública e não tenho muitos amigos, não sou muito inteligente, mas faço de tudo para que meus pais tenham orgulho de mim. Aqui em Jabaquara já vi muita violência. A polícia vive subindo o morro para pegar traficantes de drogas. Eu nunca vi e nem toquei em drogas, meu pai disse que isso pode levar à dependência química e até à morte, não entendo por que as pessoas se envolvem comesse mal. Meus pais sempre estiveram presentes na minha vida, meu pai Carlos Souza, trabalha em um restaurante, ele é garçom e minha mãe Cristina Oliveira, ela é cabeleireira, trabalha em um salão muito longe de casa. Eu faço a 3ª série do Ensino Médio e ainda não sei o que quero ser, penso em ser médico, mas só Deus sabe. Gostaria muito de fazer algo que me desse a oportunidade de bem sucedido e assim ajudar meus pais. As férias vêm aí, mal posso esperar! Geralmente minha família vai para o Rio de Janeiro visitar a vovó, mas neste ano não vai dar, porque o dinheiro tá pouco, tá bom pelo menos ficaremos todos juntos. Eu acho que quando acontece alguma coisa errada é porque essa não era a vontade de Deus ou Ele tem algo especial em nossa vida. Um dia voltando da escola vi um jovem, acho que era da minha idade, estava brincando com seu irmão pequeno, eu sempre quis ter um irmão para cuidar, proteger, ajudar, estar por perto quando ele precisar. Na verdade eu já tive um irmão, ao menos o considerava como um. É que antes de fazer parte da família Souza, eu vivia em um orfanato. Meus pais me adotaram quando eu tinha 7 anos, aquilo foi muito legal, e, dali em diante, tive uma família de verdade, apesar de ter me separado do Marcos, um dia ainda espero reencontrá-lo!

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Capítulo II - A virada na vida de Pablo Estou indo visitar meu pai no hospital. Ele luta contra um câncer no estômago e passa por muitas dificuldades. A cada dia o estado do meu querido senhor Roberto Santos está piorando! Eu gosto muito dele e espero que saia dessa. Chego ao quarto, meu pai está deitado na cama, ele parece triste, mas quando me avistou abriu um largo sorriso! Era tudo o que eu gostaria de ver. Chego em casa e minha mãe pergunta como meu pai estava, já que ela não pôde ir porque estava trabalhando, digo a ela que estava melhor. Meu pai e minha mãe sempre se deram bem, eles se amam. Minha mãe se chama Lucia Guimarães, ela é médica e não tem muito tempo livre. Mas chega de tristeza. Meu nome é Pablo Souza, tenho 16 anos e estou na segunda série do Ensino Médio, estudo no Liceu Coração de Jesus, um dos melhores colégios aqui de São Paulo. Tenho muitos amigos, mas desde o dia em que meu pai ficou doente não tenho mais saído com eles. Na verdade minha vida está muito complicada depois que tudo isso aconteceu, está tudo mais difícil. Tenho que acordar cedo para ir à escola, depois vou ao hospital ver meu pai. Fico por lá para almoçar e ficar mais perto dele, depois vou para casa tomar banho e ir para aula de inglês. Chego à noite pra comer alguma coisa e ir dormir. Depois quando cheguei ao hospital minha mãe estava conversando com o médico, perguntei para ela o que ele queria, ela disse que o meu pai não estava apresentando melhoras. Eu estava inconformado, esperando que no dia seguinte ele se levantasse e saísse daquele hospital, então fui até o quarto dele e lhe dei um abraço forte. __Papai, você vai vencer, seja forte! Eu o amo demais e preciso muito de você! __Oh, filhão, eu também o amo demais! Não pense que se livrará de mim assim tão fácil. No dia seguinte enquanto eu estava na sala de aula recebi uma ligação da minha mãe, ela me disse que fosse imediatamente ao hospital. Sai correndo com medo de que estivesse acontecendo algo de ruim com ele. Chegando ao hospital entrei no quarto e o vi muito fraco, ele repetiu mais uma vez, que me amava muito, pediu para eu cuidar da mamãe e nunca esquecer dele. Eu me aproximei e abraçando-o lhe disse que ele viveria muito, ele sorriu, passou a mão em minha cabeça e fechou os olhos. Foi quando aquelas máquinas que estavam ali começaram a apitar. Os médicos tentaram de tudo, mas ele não resistiu. Saí do quarto, vi minha mãe chorando muito e a abracei, não sei por quanto tempo ficamos ali. Não estava mais em mim... mil lembranças à mente! Esperava ter acordado de um sonho, que o meu pai ainda estivesse no hospital e com possibilidades de voltar para casa. Mas acho que devo aguentar firme, pois ele pediu que eu fosse forte e que não ficasse triste. Levantei da cama querendo saber como eu fui parar em casa, minha mãe estava sentada à mesa com olhos vermelhos, deveria ser de tanto chorar, quando me aproximo ela diz: 65


__Bom dia filho, quer café? Sem saber o que estava acontecendo, respondo: __Bom dia, o que aconteceu? __Você estava dormindo no meu colo, então eu pedi a ajuda de um enfermeiro para que o levasse até o carro. Você vai à aula hoje? __Não eu vou dar uma volta. __Filho tome cuidado, estou muito preocupada com você... Não deu tempo de ouvir tudo, sai triste de cabeça baixa tentando achar motivos para continuar a viver.

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Capítulo III - Ajuda de Brian Toca o último sinal. Finalmente férias! Mal posso esperar para chegar em casa, já na entrada do morro vejo um cara de cabeça baixa, parecia que estava chorando, então cheguei mais perto e perguntei: __Oi, tá tudo bem? Ele com uma voz bem triste respondeu: __Está tudo sim. Não sei por que, mas eu sabia que não estava tudo bem, então eu resolvi ir atrás dele. Depois de muito caminhar ele chega ao campinho de futebol e se senta, em seguida resolvo sentar ao lado dele e pergunto novamente: __Está tudo bem mesmo? Com uma cara triste ele começa a chorar e diz: __Meu pai morreu, não sei o que faço! Fiquei surpreso, perguntei onde morava e levei-o até a casa dele, quando chegamos uma mulher perguntou-me: __O que houve? Não sei, ele estava perto da minha casa, chorando a perda do pai. Ela agradeceu e o seguiu. Fiquei pensando a noite toda como estaria a vida daquele cara, como seria perder um pai. Não dormi direito pensando nisso. Na manhã seguinte decidi ir até a casa daquele cara para ver o que havia acontecido. Chegando lá a mesma mulher me entendeu e disse: __Obrigada por trazido meu filho para casa. __De nada, só fiquei preocupado, ele está ai? __Sim, vou chamar. Pablo me pareceu com um aspecto bem melhor. Eu o convido para dar uma volta, o que foi aceito. No caminho ele começou a desabafar, falar sobre o seu pai. À tarde fomos até o morro onde eu moro. No caminho de casa tinha uns daqueles caras que a polícia vivia perseguindo. Eu falei pro Pablo não olhar e passar direto. E passei, mas quando ele passou, um deles ficou na frente dele, e ofereceu um pequeno objeto que tinha na mão. Tentei fazer gestos para ele não aceitar, mas os outros se aproximaram e insistiram mostrando como era usado. Pablo e pegou o pó e cheirou. Depois os caras saíram da frente dele e permitiram que ele continuasse a me seguir, mas não entendi: meu pai disse que droga prende as pessoas, vicia e mata, eu só o vi passar e ir embora como se nada tivesse acontecido! Também não importa, passamos a tarde toda em minha casa.

Capítulo IV - Uma sensação diferente 67


Chego em casa tarde e minha mãe pergunta: __Pablo onde você estava? __Fui andar com o Brian. Ela não me faz mais perguntas, vou tomar um banho e fico com uma sensação de querer algo, acho que estou com fome. Depois do banho fui jantar. Minha mãe pergunta como foi meu dia, ela pensa que ainda tenho 12 anos, mas deixa pelo menos ela saber de mim, porque depois da morte do papai anda tão triste! Apesar de ter devorado uma boa porção, ainda estou com aquela sensação de querer algo, de estar precisando de algo, acho que depois dormir isso melhora. No dia seguinte aquela vontade não passou. Então voltei para o morro tentando achar aqueles caras que me deram o pó branco. Procurei, procurei e nada! Até que vi um deles em uma laje. Resolvi subir até lá. __Você se lembra de mim? __Claro, mano! Chega mais, senta aí! __Que bagulho é aquele que vocês me deram ontem, tô a fim de mais um pouco. __Aí irmão, é o paraíso, a melhor coisa do mundo! Na moral, cê tem algum aí? A gente não consegue coisa boa assim de graça toda hora né cara? Coisa fina, tá entendendo? Então dei todo o meu dinheiro, quando sai percebi que já era tarde: eu estava preso às drogas, sem controle. Eu não conseguia parar, quando o Brian vinha me visitar, eu não dava atenção, pedia para ele ir embora, minha mãe se preocupava muito comigo, ela estava com medo de que acontecesse algo de ruim, ela já estava desconfiada, sabia que alguma coisa estava errada. Um dia ela foi arrumar meu quarto e acabou encontrando um papelote. Quando cheguei ela me perguntou o que era aquilo, tentei disfarçar, mas ela já sabia. Ela brigou comigo e chorou demais. Eu prometi que ia parar. Depois me perguntou há quanto tempo eu estava naquele vício, não queria mentir, então disse que fazia duas semanas, ela continuou a chorar. Saí do quarto e perguntei a mim mesmo o que eu tinha feito da minha vida.

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Capítulo V - O propósito de Brian Não sei o que aconteceu com o Pablo, ele não quer mais minha ajuda, quando vou a sua casa ele não me entende. Estou com o pressentimento de que algo está acontecendo com ele, mas não sei ao certo o que é. No dia seguinte ao sair de casa vi Pablo saindo da casa de um dos caras que a polícia persegue, então corri até ele e perguntei: __O que você estava fazendo lá? Olhei para ele e percebi que seu semblante era de quem não dormia há dias. Então ele respondeu: __Não é da sua conta, cara! Sai da minha cola. E saiu correndo. Sabia que havia algo de errado e fui até a casa dele falar com sua mãe, ela também estava triste, perguntei o que tinha acontecido, ela me abraçou e disse! __Pablo está envolvido com drogas! O que fizeram com meu filho? Eu não cuidei dele como deveria, ele está procurando fugir da dor, estava fragilizado pela perda do pai! Brian ele me prometeu que não faria de novo, que não voltaria mais naquele maldito lugar, mas eu sei, ele veio de lá, subiu ofegante para o quarto e se trancou. Não acreditei, no momento me senti culpado por levá-lo até Jabaquara aquele dia, por ele ter conhecido todo aquele mundo para o qual ele não estava preparado para enfrentar, especialmente naquele momento. Mil coisas passaram por minha cabeça: O fato de não ter viajado para o Rio de Janeiro, ter conhecido Pablo, é... afinal eu o encontrei antes daqueles caras, não, definitivamente eu não era culpado. Deus quer que eu ajude Pablo a sair desse vicio, já sabia o que o fazer. Minha tarefa era ajudá-lo agora. Parece que voltei a mim, era como se tivesse viajado no tempo naquela fração de segundos. __Dona Carmen, a senhora me permite subir? Gostaria de tentar ajudar. A senhora sabe, ele tem me evitado ultimamente, mas não vou simplesmente me afastar na hora em que ele mais precisa. ___Claro Brian, eu o agradeço muito, pode subir. Só não sei se ele será rude com você. Por favor, eu já peço antecipadamente que você o perdoe e não desista de ajudá-lo! Subi as escadas e bati de leve à porta do quarto, falei baixo, mas com firmeza: __Pablo, sou eu. Não adianta correr cara! Vamos conversar um pouco. Você não vai me deixar aqui plantado vai? A porta se abriu duma vez, quase caí, ele estava realmente péssimo. As mãos trêmulas procuravam algo no bolso da calça imunda, com muita raiva ele finalmente falou: __ Eu não consigo cara! Eu prometi a ela, mas eu não posso, é mais forte do que eu. Como você pode viver ali e não ter se envolvido com isso? Me responde!

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__Sabe Pablo, é simples: eu procuro obedecer o que o meu pai me pediu, ele falou para eu ficar longe das drogas, porque viciam e matam. Na verdade eu ainda não havia entendido direito como era isso, eu me concentrava em atendê-lo e ficava longe daqueles e de outros tantos caras, sem ignorá-los, na moral, como o meu velho mesmo me ensinou. Agora é que estou começando a entender por que meu pai sempre insiste em reforçar o pedido. Será que é isso o que seu pai queria para você? __Você não sabe de nada sobre mim e menos ainda sobre meu pai, vá embora! __Tá bom, mas olha em volta, olha o que você está fazendo com a sua vida, com sua mãe, não vê que ela está sofrendo muito mais agora, já não é o bastante ela ter perdido o marido, você vai se deixar destruir pelas drogas? Com certeza seu pai esperava que você fosse forte, superasse as coisas como um homem, e não se entregasse fácil para o que a vida oferece de ruim. Ele me olhou com um ódio mortal, fechou os punhos e veio em minha direção fuzilando-me com o olhar. Fiquei paralisado, sabia que poderia ser esmurrado, mas respondi olhando também firmemente para o resto do que havia sido meu amigo, procurei não demonstrar meu temor. Então ele se jogou de joelhos, lançou a cabeça rente ao chão, abriu forçosamente a mão que segurava o papelote já suado e gritou: ___Tira isso de mim, Brian me ajuda, por favor! Eu não posso sozinho. A mão trêmula, os dedos forçavam por continuar abertos lutando contra outra vontade que queria fechá-los. Rapidamente eu peguei a droga, joguei no vaso e dei descarga. Dona Carmen já estava abraçada a ele quando voltei, os dois choravam! __ Me desculpa, não queria que a senhora sofresse, prometi ao papai que cuidaria bem da senhora. Mãe cuida de mim, preciso de ajuda, eu não consigo mais cumprir o que prometi. O que quero fazer... é mais forte que eu mãe! Dona Carmen agiu rápido. Levamos o Pablo para o carro, antes que ele piorasse e antes que pudesse desistir da ideia de fazer um tratamento. Ele ainda reuniu forças para me dizer: __Se você não tivesse me seguido naquele dia eu nunca ia ter um amigo de verdade! Depois ficou meio desacordado, falando coisa com coisa, tremendo e suando bastante.

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Capítulo VI – Recomeçar As lembranças são meio confusas. Mas agora posso reconstruir um pouco do que aconteceu: cheguei à clínica em que ia passar as minhas férias, já na recepção me deitaram em uma maca, enquanto minha mãe conversava com algumas pessoas, Brian estava perto de mim, depois de algum tempo apaguei. Depois disso meu cotidiano era assim: cuidava do meu quarto, arrumava as minhas coisas, depois participava de reuniões em grupo, que fazia a gente pensar em tudo que a gente fez antes de virar dependente de drogas e como seria nossa vida se não tivéssemos entrado nessa. Era incrível, todos choravam, quando de repente estavam em silêncio do nada começavam a chorar outra vez. Eu ficava quieto, pensando em meu pai. Às vezes falava também. Mas não era só conversar não, tínhamos que cumprir uma rotina que incluía além das reuniões e refeições: atividades físicas, de arteterapia, mas tudo de acordo com a necessidade de cada um. Ainda bem que decidi cair fora logo, pude conhecer outras realidades bem piores que a minha, o que só me deu forças para persistir na firme ideia de me fortalecer para não cair nessa outra vez. Havia também os dias e horários para as visitas e para a terapia familiar. Minha mãe participava das terapias e aproveitava cada minuto dos horários de visita, Brian também dedicou a mim seu tempo de férias, fazendo planos para o vestibular, conversando sobre os cursos que gostaríamos de fazer. Depois, dizia ele, poderíamos prestar provas também no Rio de Janeiro, ficaríamos na casa de seus avós e de quebra curtiríamos um pouco das praias cariocas. Nada mal! O tempo todo que fiquei lá aprendi muito com os internos. Conheci um cara, que também como eu, perdeu o pai e ficou desamparado, pois não teve a sorte de conhecer um amigo como Brian. O ‘amigo’ dele lhe ofereceu o pó. Houve também uma mulher que parecia ter uma vida perfeita: era casada, tinha dois filhos, vivia muito bem, até que uma ‘amiga’ lhe apresentou as drogas. Sua vida desmoronou: separou, perdeu a guarda dos filhos, ainda bem que sua mãe a acolheu e uma amiga de verdade fez com que ela aceitasse o tratamento. Passaram-se dois meses. Hoje faço as malas e me sinto bem melhor. Tenho certeza de que vou levar essas experiências comigo pelo resto da vida. Minha mãe está na porta da clínica me esperando. Não vejo o Brian, acho que por ser domingo, ele deve estar com a família na igreja. Ele já me falou que sempre participa de tal de Escola Dominical, onde estudam a Bíblia. Mas está bom, pelo menos vou voltar para casa e para uma nova vida. Minha mãe me dá um abraço forte e diz: __Filho eu te amo, quero que saiba que estou orgulhosa de você, nós vamos continuar juntos, toda essa experiência me fez repensar em muitas coisas: já organizei minha vida profissional, agora teremos um tempo de qualidade, afinal você logo estará prestando vestibular é preciso retomar os estudos. A coordenadora de sua escola já elaborou um plano de ação e você terá aulas extras. Quero participar ativamente, quem sabe 71


logo teremos um novo médico na família? Enfim, qualquer que seja sua escolha profissional quero apoiá-lo. Eu ainda não sei que curso quero fazer, se quero ou não ser médico. Mas tenho certeza de que muitos jovens lá fora não tiveram a mesma oportunidade que eu. É quem sabe mamãe tenha razão, quem sabe não seria interessante que, como médico eu pudesse me especializar para trabalhar como aqueles profissionais que me ajudaram. Também é preciso pensar em atendimento aos menos favorecidos. Tenho certeza que minha mãe deve ter gastado uma nota preta nesse tratamento. A clínica em que fiquei nem atendia a convênios! No caminho continuei pensando muito a respeito de tudo o que me aconteceu nos últimos três meses. É verdade que perdi meu velho, mas entendi que por isso não posso me perder de mim mesmo, agora, mais do que nunca minha mãe precisa de mim. Serei forte e darei muitas alegrias a ela, também honrarei a memória de meu pai. Engraçado isso: foi o Brian que me ensinou, ele disse que é especialmente quando nossos pais não estão por perto que devemos fazer as coisas certas, pois assim os honraremos. Achei muito maneiro isso. Agora que meu pai não está mais entre nós, vou dar o melhor de mim, vocês ainda ouvirão falar muito bem do filho de Seu Roberto Santos. Ah, não pude ficar só pensando, Dona Carmen logo me perguntou se eu tinha perdido a língua então contei sobre as histórias que ouvi das pessoas que estavam em situação semelhante ou pior que a minha. Chegamos. Minha mãe me pediu para abrir a casa primeiro, depois pegaríamos as malas. Abro a porta, lá estava o Brian e seus pais que me recepcionaram: __Bem vindo de volta! Fiquei emocionado ao ver o meu melhor amigo e sua família. Seu Carlos fizera questão de trazer um prato especial para o almoço, Dona Cristina foi para a cozinha auxiliar minha mãe. Parecia que eles já se conheciam há algum tempo. Com certeza planejaram tudo! Abracei forte meu o Brian e agradeci por tudo o que ele fez por mim. Percebi que ter um amigo ao seu lado pode trazer benefícios ou malefícios, depende do tipo de amizade que você escolhe.

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Quem são os autores Meu nome é Ilson Fiel, tenho 13 anos, nasci no dia 12 de abril, cidade de Oiapoque no Amapá. Vim para Anápolis com meus irmãos em 2008, quando tinha nove anos. Dali para frente não tinha mais meus pais por perto, era apenas eu e meus quatro irmãos. Ainda bem que sou número quatro da turma, o menor é o Denilson. Temos os maiores para nos cuidar: Anderson, Emerson e Carla. Nossos pais continuam lá para nos manter estudando aqui. Quando chegamos conhecemos várias pessoas, passamos por muitas dificuldades e hoje estamos seguindo a vida do mesmo jeito: Apenas nós e Deus.

Olá, meu nome é Caio Lima, tenho 12 anos, moro em Anápolis (GO). Nasci em Imperatriz (MA) e vim para Anápolis em 2000, com 2 anos. Tenho 1 metro de altura e 52 cm, gosto de viajar, jogar vídeo game e futebol: minha grande paixão. Minha primeira escola foi o Jeová Jiré, depois Colégio Carvalho e hoje Colégio Adonai.

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Dois garotos. Uma Aventura

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Capítulo I – Primeiro Dia de Aula O sol já estava aparecendo, já sabia que estava no horário de acordar. Primeiro dia de aula do ano, não podia faltar. Levantei da cama e fui direto ao banheiro, depois que sai e estava pronto, fui tomar café da manhã correndo pra ir já pro Colégio, como sempre estou atrasado. Eu estudo no Colégio Dom Macedo há três anos, agora em 2013 será o quarto ano seguido. Estou a caminho do Colégio. É comum todos os dias ser levado ao colégio pelo meu pai, também é ele quem me busca. Os primeiros dias de aula são um saco! Sempre alunos novatos e novos professores ficam fazendo perguntas pessoais, talvez seja porque queiram nos conhecer. Então eu digo que sou um cara bacana, que curte sair com os amigos, às vezes tiro umas notas ruins, mas nunca são péssimas. Pode-se dizer que sou um cara comum. E como todo cara comum, gosto de jogar videogame, navegar na internet, jogar um futebol com os amigos. Talvez eu não seja aquele cara que é bom em tudo, mas sei fazer um pouco de cada coisa. Sempre digo isso, repito a mesma coisa. Não sei se todo mundo ama ir à escola, mas este dia de aula parecia ser especial, estava mais bacana. Havia vários novatos na minha sala. Tinha um menino muito estranho, mas parecia ser legal, me aproximei dele e perguntei: __Qual é seu nome? __Lucas, mas todos me chamam de Luquinhas. E qual é teu nome? __Pedro. Quem sabe seremos amigos? __Sim Pedro, quem sabe! A hora de acabar a aula já estava chegando, então comecei arrumar meus materiais e ouvi aquele barulho alto e irritante do sinal tocando. Despedi dos meus amigos e Lucas me disse: __Até mais Pedro. __Até amanhã Lucas. Naquele momento achei Lucas legal, assim que o vi, achei um cara meio estranho, sei lá, mas já mudei de ideia a respeito dele.·. Meu pai já estava ali me esperando na porta do colégio. Corri pro carro. Fomos para casa, no caminho lembrava como a aula foi legal. Nem sempre era desse jeito no colégio, mas hoje foi um dia bacana. Lucas não parecia ser daqueles garotos populares, irados, que gostam de aventura, mas parecia ser amigável.

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Capítulo II – Nova Amizade Mãe, ontem na escola foi super legal, conheci um cara muito gente boa. Ele se chama Pedro. __Que bom filho! __Pedro foi muito bacana comigo. __Filho, então se apressa que já está chegando a hora de te levar pra aula. Cheguei à escola e logo que passei pelo corredor vi um cara daqueles grandões vindo em minha direção. Estava assustado. Ele chegou e falou com um jeito meio estranho: __Quem é você moleque? Eu pensei que talvez pudesse fazer amizade com ele e comecei a falar: __Para quem não me conhece sou Lucas, mas pode me chamar de Luquinhas. Minha mãe se chama Eliane. Meu pai morreu num acidente de carro, não gosto muito de falar disso, então vamos parar por aqui sobre esse assunto. Também não gosto de pessoas mandonas. __Cala boca cara! Você hein? __Qual é seu nome? – Perguntei __Só fique sabendo que vai me chamar de Sir. Caruzo. Ele falou num tom ameaçador. Depois disso saiu correndo pelo corredor. Não sabia o que fazer e entrei aflito na sala de aula. Não percebi como se passaram todas as aulas. Foi rápido, só fiquei pensando no que o tal Caruzo poderia fazer comigo. Logo já ouvi o último sinal tocando, era uma longa caminhada até a minha casa. Eu odiava voltar a pé, pelo menos na vinda meu pai me trazia de moto todos os dias. Quando cheguei minha mãe olhou, mas olhou de uma forma diferente, então me perguntou: __Filho como foi na escola? Foi ruim? __Foi normal. __É porque você está muito diferente de ontem pra cá. Não sei o que aconteceu. Mas, se você diz que está bem... qualquer coisa me chama aqui no meu quarto. Seu lanche já está pronto. E não se esqueça de antes de dormir escovar os dentes. __Tá bem mãe.

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Capítulo III – A descoberta Desde o primeiro dia de aula fico pensando naquele novo amigo que fiz na escola, o Lucas. Ele parece ser muito triste, não entendo por que ele só anda com a cabeça baixa e é de poucos amigos, antes me pareceu que seria tão diferente! No recreio ele só anda comigo. Quando, porém estou na rodinha dos meus amigos do ano passado, ele fica distante talvez tenha problema em se enturmar e fazer novos amigos. Passei a observar bem o Lucas, durante as primeiras aulas ocorreu tudo bem, exceto o problema de ser solitário. Tocou o sinal pro recreio e a galera toda desceu lá pro pátio. Vi que Lucas não chegou até o pátio, fui até o corredor e descobri o que ocorria com o coitado. Ele estava entregando o dinheiro do lanche ao valentão do colégio. Assisti tudo aquilo escondido, não poderia fazer nada, então esperei o marmanjo ir para o pátio, me aproximei de Lucas e perguntei como se não soubesse de nada: __Cara por que você não lancha? __É pooorquee ... Pedro. __Pode falar Lucas. __Ah, não interessa não cara, tô sem vontade, só isso! Achei Lucas muito estranho, ele não era desse jeito estressadinho ou valente. Muitas pessoas que sofrem bullying se negam a revelar e isso é muito pior. Pensei em contar à Diretora, mas resolvi conversar melhor com ele pessoalmente. As horas passavam e já se aproximava o final da aula. Quando ouvi aquele barulho irritante cheguei perto do Lucas e falei com um tom firme: __Lucas você está escondendo algo de mim, pode se abrir comigo. __Nós nem nos conhecemos e você se preocupa comigo. Peço que pare de me encher. __Lucas, amigos existem para trocar ideias e ajudar quando necessário. Posso ter te conhecido há alguns dias, mas sou seu amigo e pode confiar em mim. __Não tenho nenhum problema, se puder me ajudar poderia me dar licença, preciso ir embora, tenho um longo caminho pela frente, não vou de carro como você! Ele realmente não queria papo, nunca vi alguém tentar fugir de um assunto daquela forma. Lucas saiu correndo como um cego perdido em tiroteio. Como também tenho minhas obrigações fui embora, meu pai estava furioso me esperando. Cheguei em casa e decidi deixar o garoto na dele, não vou mais perder tempo tentando resolver a vida de uma pessoa que mal conheço. Seríamos amigos, mas não intrometeria na vida pessoal dele.

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Capítulo IV – Cabeça dura, braço quebrado O final de semana já havia acabado, mas eu só tinha desejo de ficar em casa quietinho. Não tenho vontade de ir à escola. Mesmo porque quebrei o braço e o gesso incomoda demais! Pesa, coça dá agonia. O pior é ficar mentindo para minha mãe e para meu único amigo. Caso eu conte a verdade Caruzo me mata, é o que ele sempre diz. Como hoje não vai ter nada de importante na escola, tenho quase certeza que vou poder faltar aula. Invento uma desculpa para minha mãe. __Ô manhê, deixa faltar aula hoje? __O que foi filho, seu braço está doendo? __Ah... é a senhora adivinhou, além disso, também estou com uma dor de cabeça terrível! __Tá bom Lucas, hoje vai faltar aula. Isso é uma exceção, pois amanhã você não faltará, é prova! Prepare-se parar em breve e estudar bastante! Então aproveitei para descansar. Dormi bastante até não poder ter mais sono ou até quando minha mãe berrou: __Lucas agora acorde. E gostaria que você me explicasse como foi mesmo que machucou seu braço. __Mãe é que... __Garoto não minta para mim. __Eu caí de bicicleta na rua. Comecei a correr demais, perdi o equilíbrio e caí, em cima do braço. __Ah táa. Então vai assistir Tevê. Ainda bem que não foi taão grave, daqui a vinte dias tiraremos o gesso.

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Capítulo V – O perdão Outro dia, na escola, Lucas se aproximou caladão, parecia que ele queria falar algo comigo. Então puxei assunto: __Ei Lucas, porque você anda meio sumido? __Você sabe né cara, andei me machucando e estava meio doente. __Mas como se machucou? __Depois eu posso te contar tudo tá? Mas me machuquei num tombinho de bike. __Ahaam. – Respondi como se acreditava. __Pedro eu queria mesmo era te pedir perdão. Acho que podemos ser grandes amigos. Então se puder me desculpar ficarei muito feliz. __Claro Lucas, podemos ser amigos. Você está desculpado, se precisar de qualquer coisa conta comigo. Foi aquela a única conversa que tivemos naquele dia de aula. Lucas parecia mais sozinho ainda. Ele estava se isolando cada vez mais, nunca tinha o que falar. No recreio vi o idiota do Caruzo atormentar o coitado do Lucas. Quase cheguei perto para ajudar o indefeso do Lucas, mas não iria resolver. Seria um a mais na mão daquele troglodita! E foi desta forma todo o restante da aula. Lucas na dele e eu na minha. Eu não suportava mais essa situação: decidi que no dia seguinte faria algo. Contaria toda a verdade que sabia sobre as agressões que ele sofria do Caruzo. Fui embora, no caminho fiquei pensando em um monte de coisas. Como eu poderia ajudar o Lucas? Chegando em casa perguntei: __Pai quando precisamos ajudar alguém, mas essa pessoa não se abre conosco a respeito de seus problemas, parece que teme por algum motivo expressar-se, o que devemos fazer? __Filho o que deve se fazer por um amigo é o melhor que vem a ser para a vida dele. __Está bem pai, obrigado pela ajuda. __Mas por que a pergunta filho? __É porque tenho um amigo que está sendo agredido lá na escola: um valentão faz ameaças ao coitado. Toma-lhe o dinheiro... eu até já vi, mas esse amigo não se abre comigo, e o pior: sozinho não podemos enfrentar o problema. __Então Pedro, pense em uma maneira segura de ajudar o seu amigo. E, se por acaso precisar conte comigo! __Obrigado Pai.

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Capítulo VI – Poder da Amizade Eu não poderia suportar mais aquelas agressões do Caruzo. Então decidi: logo que chegasse à escola contaria tudo ao Pedro. E depois da aula, quando eu estiver em casa conto também para minha mãe. Resolvi esperar a hora do recreio para falar com Pedro, seria a última agressão. Nunca mais seria uma vítima de bullying. As aulas passavam. A primeira foi a da professora Tereza. Não curto muito a aula dela. Bate o sinal e entra na sala professor Geraldo, ele ensinou várias fórmulas estranhas. A terceira aula era da professora Carla. É a melhor! Então o tempo passou voando. Chegou a hora do recreio. Quando desci, já veio o chato do Caruzo atrás de mim ameaçando: __Ei moleque, amanhã você vai trazer todo o dinheiro da sua mesada para mim, caso isso não ocorra já sabe o que te acontecerá! __Tá b-bem. – Comecei a gaguejar. Dentro de mim uma vontade de enfrentá-lo, gritar que não, não estava disposto a entregar o dinheiro. Mas o medo foi maior. Estava imobilizado. Voltei a mim quando ele falou entre os dentes: __Então agora passa dinheiro do lanche! __Só isso que trouxe. E é tudo. Então eu saí correndo. Fui logo atrás do Pedro. Quando o vi disse de uma vez: __Pedro desculpa ter escondido isso de você, tenho que te falar: o Caruzo me agride, ameaça, exige que lhe dê o dinheiro do lanche. Caso possa me perdoar por todo esse tempo que te escondi, eu tenho muito medo. Ele disse que me mata se eu contar pra alguém. __Lucas, os amigos são para isso, para perdoar. __Estou muito feliz por saber disso. – Eu disse com um entusiasmo. __Mas devemos fazer alguma coisa. Isso não pode continuar assim. – Pedro usou um tom de voz superior. __Sim, mas agora ele exigiu que eu trouxesse toda a minha mesada amanhã e entregue a ele. __Então traga o dinheiro. Sei o que iremos fazer. Não contei ao meu amigo qual era o meu plano, mas ele parecia confiante! Isso era bom, muito bom, mas também era preocupante para mim, será que daria certo?

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Capítulo VII – A revolta Caruzo morava perto da minha casa. Pensei então levar meu pai até a casa dele. Fiz assim: cheguei até a porta da casa e chamei pelo interfone o Caruzo. Ele apareceu e logo disse: __O que você está fazendo por aqui seu idiota? __Quero que você não encoste mais nenhum dedo no Lucas. Entenda isso como uma ordem! - Falei com firmeza. __Como se você fosse fazer alguma coisa. - Ele já partia pra cima de mim. Assim que Caruzo disse isso, meu pai saiu detrás das árvores e já foi me proteger ordenando: __Ei, rapazinho, você não vai agredir mais ninguém. Nem meu filho nem o amigo dele. Caso faça isso mais uma vez comunicarei a policia, farei uma denúncia. __Está bem meu senhor. Não faço mais nada. – Caruzo todo assustado corre para dentro da casa. Como faltavam poucos minutos para abrir o colégio meu pai me levou à escola. Lucas já estava ali com o dinheiro na mão. Então contei a ele sobre o que tinha acontecido há pouco. E combinei que esperaríamos o Caruzo ali. Também iríamos dizer assim: “Caruzo não faça mais essas brincadeiras de mau gosto; respeito é bom e você nunca teve. Por favor, não chegue mais perto de mim nem do meu amigo!”. Nós vimos o valentão chegar com a cabeça baixa. Então Lucas foi lá e disse tudo aquilo ao Caruzo, num tom muito maneiro, estava firme, confiante. __Está bem. Vocês são muito encrenqueiros mesmo, não quero conversa com nenhum dos dois, saiam logo da minha frente!

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Capítulo VIII - Hora da alegria Ao final da aula, Pedro me convidou para ir até a casa dele. Como o pai dele sempre vinha buscá-lo chegaríamos a tempo de ligar para minha mãe antes que ela se preocupasse. Então aceitei o convite. Liguei para minha mãe: primeiro avisando que eu estava bem, e que meu amigo Pedro havia me convidado para almoçarmos juntos comemorando uma vitória. Ela ficou super feliz: __Até que enfim filho, que bom! Você parece tão contente! Conte-me: vocês venceram o jogo? Então com muito cuidado fui contando sobre o que vinha sofrendo na escola. Pedi perdão por ter escondido e confessei que até a forma como machuquei o braço: foi no dia em que levei lanche de casa, para evitar dar-lhe o dinheiro. Então ele ficou furioso, comeu o lanche e ainda correu atrás de mim para me bater no final da aula, foi quando caí. Do outro lado ela soluçava baixinho, tentando se conter. certeza de que está realmente tudo bem com você?

Filho, tem

Então a mãe do Pedro pediu para falar com minha mãe. As mães se entendem né? Ela disse que estava muito feliz com a nossa amizade, que nós nos fortalecemos um ao outro nessa história toda. E que se minha mãe quisesse, poderia vir me ver, ou então, mais tarde o marido dela me levaria pra casa, evitando que eu andasse só para evitar dar brecha ao menino malvado. Elas se entenderam muito bem. Dona Lourdes me disse que eu ficasse tranquilo, que mamãe já estava tranquila. Depois do rango a exploração do território: a casa dele era muito maneira, bem diferente da minha, era enorme. Aliás, todas as casas daquele bairro tinham porte semelhante à dele. Os moradores usufruíam de uma praça bem planejada, onde havia até quadra de futsal. Foi uma tarde incrível! Como fosse uma sexta-feira, Pedro ainda me convidou para dormir na casa dele. Eu duvidava que minha mãe deixasse. Ele usou bons argumentos e convenceu minha mãe. Ela, muito esperta, pediu o endereço e veio com meu pai trazer umas roupas e agradecer ao Pedro e a seus pais pelo apoio. No fundo, ela queria mesmo era me ver: são e salvo. Fiz que não prestava atenção quando ela disse à Dona Lourdes que estava muito alegre com a mudança positiva do meu comportamento, e que por isso aprovava que eu passasse o final de semana ali. No domingo à tarde eles me buscariam. Mas que se eu desse trabalho: blá... Blá... essas coisas de mãe. No final, nossa amizade aproximou nossas famílias. Isso foi muito legal! O Pedro não é um cara orgulhoso. Ele também vai a minha casa e acha o máximo brincar no corregozinho, balançar nos pneus, subir em árvores, comer fruta no pé. O Caruzo? Bem, o Caruzo passa bem longe da gente, só cumprimenta. Mas estamos de olho nele, pois não queremos que aconteça com outros e estamos dispostos a ajudar. Aproveitamos uma proposta que a professora de português apresentou e sugerimos a criação do esquadrão antibullying. Alunos e professores têm suas ações direcionadas no combate ao Bullying e se depender de nós isso não acontecerá de novo em nossa escola. 82


Quem são os autores

Eu sou o Matheus Lopez, nasci em Anápolis e tenho 14 anos. Escrever uma história é complicado para quem não está sempre praticando, mas é divertido viver um mundo que se cria a partir de um fato que é narrado. Escrever a história “Dois Garotos. Uma Aventura.” não teve um elevado grau de dificuldade, pois é uma história curta em que é narrada a vida de dois novos amigos, que devem aprender a confiar na amizade. Assim a partir da escrita de uma história, é uma porta para outras várias.

Eu sou Filipe, tenho 13 anos, nasci em Brasília. Estou no oitavo ano, e fiz esse trabalho com meu colega Mateus Lopez. Construímos nossa história depois de ter lido o livro Amizade Improvável e foi muito legal, uma experiência a mais na minha vida.

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Amizade constante, mesmo à distância

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Capítulo I - Quem é Bianca Na rua cruzeiro do sul do bairro São Jorge, casa 101 mora uma menina chamada Bianca. Ela é amiga de Anna Klara, As duas se conhecem desde pequenininhas, pois suas mães também já eram amigas. Anna Klara mora longe da casa da Bianca, então estava ficando muito difícil se encontrarem, elas praticamente só se viam na escola. Bianca é uma menina muito delicada e estudiosa. Ela tem 14 anos e mora com os pais e um irmão: o Vítor, garoto muito bonito cobiçado por todas as meninas, até mesmo por sua melhor amiga, a Anna Klara. Bianca gosta de um garoto muito bonito de sua sala, o Gabriel, mas tem um problema: ele não gostava dela. A Bianca é assim muito “magricela”, não tem tantas voltas no corpo para chamar a atenção, por isso ela era às vezes excluída por seus colegas. A única que nunca a deixava de fora era a Anna Klara, que vivia colada com ela procurando sempre enturmá-la. __Bianca, por que você fica assim se afastando de todo mundo? Perguntou Anna Klara preocupada. __Não é nada não. Mas tem algumas pessoas aqui na sala que não gostam de mim! __Bianca para de bobeira, ninguém te exclui aqui! Você é que fica saindo de nosso meio todas as vezes.

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Capítulo II - Conhecendo mais sobre Ana Klara Ana Klara também é uma menina delicada, estudiosa e ama fazer compras no shopping. Ela tem 14 anos, mora com os pais e seu maior sonho é ter um irmãozinho. Sua mãe porém, teme outra gravidez pois teve sérios problemas no nascimento de Ana Klara. Seu pai é um homem muito dedicado ao trabalho; às vezes nem dá muita atenção para Anna Klara e sua mãe, isso a deixa um pouco triste, mesmo assim ela ama seu pai. De vez em sempre a Anna Klara telefonava a mãe de Bianca pedindo para que a amiga passasse um tempo em sua casa. __Mãe, posso ligar para casa da Bianca? __Mas, pra que minha filha? A Bianca está morando muito longe daqui! __Deixa? Não custa nada tenta, a mãe dela pode deixá-la vir, sempre eu vou pra lá! __Está bom Anna Klara. Pode ligar. - Ah! Obrigada mãe, sabia que você ia deixar. Então a Anna Klara liga para a casa da Bianca. __Bianca? __Não, Não é a Bianca. Aqui é o irmão dela o Vitor. Você quer falar com ela é? __É , É, é sim , ela está? __Está sim, vou chamá-la pra você. __OK! Obrigado Vitor! Depois de um breve tempo: __Oi Anna, tudo bem contigo? __Tudo em paz amiga e você? __Estou bem também graças a Deus. __O que foi que aconteceu Bianca? Você está tristinha hoje. __É porque aqui em casa está tão ruim, não tem nada pra fazer... __Ah, por isso que eu liguei pra você, queria ver se sua mãe deixa você vir pra minha casa e dormir também! __ Não sei, mas não custa tentar. Se eu não te retornar é porque deu certo! __ Vou te esperar amiga, pensamento positivo! Às 16h00 a mãe da Bianca foi levá-la na casa da Anna Klara. A garota estava muito feliz. Assim que se encontraram foram logo correndo pro quarto para colocar suas conversas em dia. Enquanto as mães também estavam conversando na sala. Depois de algum tempo a mãe de Bianca foi embora e no dia seguinte, depois da aula as amigas se separaram. 86


Capítulo III - Surpresa desagradável O pai da Bianca recebeu uma nova proposta em seu emprego e não sabia como dar essa notícia, então ele pediu para que a sua esposa falasse com os filhos. __ Bianca e Vítor, seu pai recebeu uma excelente proposta para trabalhar no exterior, nós vamos nos mudar para os Estados Unidos. Como era esperado pelos pais, quem mais sentiu foi a garota. Vítor até tentou ajudar contando vantagens de morar fora, conhecer novos lugares, outra cultura, mas a Bianca só sabia choramingar: __Mãe, e minha amiga Anna Klara? O que eu faço mãe? __Calma filha, eu sei que ela é uma grande amiga sua desde infância, mas você vai ter que aceitar, liga para ela o quanto antes, já está tudo programado para viajarmos na próxima semana! __Ah, não mãe, por favor! Vamos ficar. implorou Bianca. __Minha filha, isso é impossível, tem tanta gente querendo uma oportunidade dessa! Não vou deixar seu pai ir sozinho. Onde já se viu? A firma ofereceu todo o suporte para que nós o acompanhemos, foi uma condição que ele impôs, inclusive na tentativa de que eles negassem e o deixassem trabalhando aqui, mas eles aceitaram a proposta de seu pai.

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Capítulo IV - A despedida Quando percebeu que não tinha jeito Bianca ligou para a amiga: __Anna Klara? __Que foi Bianca? O que aconteceu? Perguntou Anna Klara preocupada, você está chorando! __Tenho uma noticia muito ruim pra te dar amiga: vamos embora do Brasil, vou morar nos Estados Unidos. __O que amiga? Não pode ser, você está brincando não é? __Não, não estou! Meu pai foi transferido para a matriz da empresa em que trabalha. Eles ofereceram inclusive todo o suporte para que a família vá junto. __E a gente reclamando da distância... agora só falaremos pela internet. Vejamos por outro lado: terei uma amiga nos Estados Unidos! Depois de alguns dias Bianca foi até a casa da amiga para se despedir: __Anna Klara, vim aqui para despedir de você: __Amiga quero que saiba que gosto muito de você, nunca se esqueça de mim por que eu amo você muito. Bianca não estava nem conseguindo falar direito de tanto chorar. As duas choravam se abraçavam, só não deu para tirar fotos, pois ficaram de olhos inchados de tanto choro! No mais foram promessas, recordações e mais choro. __Também te amo muito amiga, nunca vou esquecer de você, viremos sempre que possível nas férias, meu pai prometeu! Vamos nos falar sempre viu? __Tchau amiga, te amo muito. Não é pra perder o contato comigo não. Disse Bianca. Então Bianca partiu para fora do Brasil com seus pais e seu irmão Vitor. E elas ficaram sendo amigas mesmo à distância. Depois de dez anos a família de Bianca retornou ao Brasil, agora outra vez as oportunidades de estarem mais próximas aumentaram. E o que é melhor: parece que o Vítor gostou muito mais de reencontrar Ana Klara, quem sabe agora as duas não se tornam cunhadas?

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A autora Olá meu nome é Nara Lizandra tenho 13 anos estudo na escola Adonai e gostei muito de escrever este livro, agradeço à professora Elaine por ter nos ajudado.

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Amizade com o diferente

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Capítulo I Olá meu nome é Thainá, tenho 12 anos, meus pais são gerentes de uma empresa e eu sou filha única, moro em Anápolis. No colégio onde estudo tem um índice muito grande de Bullying. Eu procuro ajudar essas pessoas porque já sofri bullying e sei como é ruim. Outro dia entrou uma menina especial para a nossa turma: a Beatriz. Os meninos zombam porque ela demora para fazer as tarefas, não é porque ela queira, mas porque ela não consegue fazer com tanta agilidade. Para piorar a sua aparência não é muito agradável

Capítulo II Outro dia os meninos começaram a chamá-la de feia e dentuça. Ela não sabia como reagir. Eu fui à frente da sala e falei: __ Gente, não aceito que vocês façam isso! Nem parecem estudantes! Aqui mesmo nessa sala já debatemos sobre respeito às diferenças. Muitos até falaram bonito, expressaram boas opiniões e sugestões. Agora é hora de viver o que foi falado! Todos ficaram com vergonha. A professora entrou, deu sua aula normalmente e o fato não se repetiu mais durante os outros intervalos. Também não ouvi mais indiretas.

*Imagens criadas pelo buddyPoke® 91


Capítulo III No outro dia, porém alguns insistiram nesta prática. Então resolvi agir diferente e fiz um convite à Beatriz: __ Minha mãe tem uma amiga que é cabeleireira. Hoje tenho hora marcada, que tal você também ir e repaginar o visual? Não se preocupe, é tudo por minha conta! Corte de cabelo e limpeza de pele. __Nossa, que legal Thainá! Vou pedir para minha mãe assim que chegar em casa e te ligo. Qual o seu telefone? __Ih, perigo! Passe a sua agenda, a professora está entrando na sala. Vou anotar para você amiga. Não se esqueça de me retorn

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Capítulo IV Assim que chegar em casa falo com a mamãe, acho que não terei problemas, eu espero! __Mamãe, convidei a Beatriz, aquela novata sobre quem contei ontem, para ir ao salão comigo. Alguns garotos ainda insistem na prática do Bullying e quero contra atacar! Penso que se ela mudar o visual, descobrir como pode valorizar seus traços terá mais autoconfiança para enfrentar esse problema. Tudo bem para você? __Claro minha filha fico muito feliz de ver você querendo ajudar os outros, diz para ela que vou pagar tudo ok? __Obrigada mãezinha, me antecipei e disse que iríamos pagar, porque se a senhora não pagasse eu mesma ia pagar da minha mesada só para ver a Beatriz mais feliz! __Muito bem filha, mas pode contar comigo, faço questão de participar contribuindo dessa forma, sua avó vai passar aqui para pegar vocês às 14 horas. __Tudo bem mãe, vou me aprontar. Subo pra o quarto torcendo para que a mãe de Beatriz concorde. Logo escuto o barulho do telefone, apresso o passo enquanto grito esbaforida lá pra baixo: __Deixa que atendo, estou esperando uma ligação... – Alô? Sim Beatriz, sou eu... hum, ah, que ótimo! Então passe para sua mãe o endereço que já anotei na sua agenda e venha pra cá rapidinho. Minha vó que vai nos levar. Ela é muito gente fina, mas não gosta de atrasos! Depois de uma meia hora a Beatriz já tocava a campainha lá de casa. Eu a recebi cheia de revistas, páginas impressas da internet com sugestões de cortes, penteados e tratamentos para o tipo de cabelo dela. Mal começamos a análise e vovó buzinou lá fora. Super pontual como sempre. Pegamos nossas coisas e pelo caminho trocamos ideias incríveis. Ela é uma garota muito legal, um pouco tímida, sem muita vaidade. Assim um pouco largadinha. Mas tudo isso vai mudar. Serei sua consultora e amiga.

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Capítulo V Quando chegamos no salão apresentei a Beatriz às profissionais de Beleza. Ainda bem que a Lúcia estava lá. Ela é a dona e gerente do Salão. Nem precisei explicar muito. Ela já preparou todo um ritual para iniciar a nossa amiga no mundo de uma adolescente atualizada com as maravilhas dos produtos de beleza. Passamos o resto da tarde: corte, hidratação, aulinha de como secar e manter a cabeleira, um leve peeling, dicas de auto maquiagem... foi o máximo. Vovó só olhava de longe, enquanto era atendida pela manicura. Houve um momento em que brincou de lá. __Essas meninas estão incríveis! Acho que terei trabalho extra ! Realmente a Beatriz estava irreconhecível, ficou com um visual super moderno. Trouxe leveza ao seu rostinho. Quero só ver a reação dos meninos! Esta é a nova Beatriz

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Capitulo VI

No outro dia na escola assim que a Beatriz chegou os meninos babaram. Ela entrou caminhando firme, sorrindo e cumprimentando a todos. Que bom, pensei. Estaremos mais fortes para outros enfrentamentos. Sei que a batalha ainda não terminou. Pode ser apenas o começo. Mas estarei aqui, sempre atenta para ajudar minha nova amiga. Eu também me senti mais forte. Sei que não é apenas o visual exterior que nos fortalece, mas que isso espanta um bocado de oportunidades para o deboche isso é verdade! Além de melhorar nossa autoestima. Talvez alguns até parem definitivamente com os comentários maldosos, mas outros poderão tentar de outras formas ou até insistir. Não importa, pensarei em outras formas de ajudar. Muitas vezes coisas ruins acontecem porque nos omitimos ou até negamos ajuda àqueles que sofrem Bullying. Coisa pior acontece quando reforçamos a prática, repetindo ou concordando por meio de sorrisos. Não devemos criticar o outro. Muitas vezes pessoas que sofrem tentam tirar sua própria vida. Outras adoecem ainda mais, a ponto de se vingarem. Se você leitor conhecer alguém que pratica ou sofre o Bullying, não a julgue e sim ajude. Há muitos que praticam porque de alguma forma também sofrem com o problema. Seja inteligente:

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A autora Olá meu nome é Ana Tereza, tenho 13 anos moro em Anápolis, filha de Amarildo José da Mota e Marilza Laet Pereira da Mota. Escrever este livro foi muito legal, esta história se baseia em fatos reais, pois hoje em dia o que mais acontece é a prática de Bullying. Não adianta as escolas alertarem se cada um não fizer sua parte. Essas pessoas precisam de nossa ajuda.

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Nem imaginava

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Capítulo I - Beatriz Oi meu nome e Beatriz, tenho 15 anos, sou mais conhecida como Bia. Sou filha de empresários. Moro em Bogotá e daqui há alguns dias vou para o Brasil, pois aqui está um pouco complicado. Apesar de não estar gostando nem um pouco de me mudar para um país onde não conheço ninguém, tenho que me conformar. Em Bogotá tenho vários amigos e estudo em uma das melhores escolas da região, aqui já tive vários amores só que até hoje não quis ficar com nenhum deles, não quero pensar em namorar agora, pois quero me dedicar somente aos estudos. Em minha opinião namorar agora não compensa, porque os meninos são muito infantis e não querem nada sério. Meus pais são praticamente ausentes na minha vida, só pensam em trabalhar e trabalhar. Quando completei meu primeiro ano de vida minha mãe contratou uma babá para cuidar de mim, ela só saiu este ano, ainda sinto muito a falta dela. Não tenho irmãos, mas gostaria muito de ter, para compartilhar brincadeiras, conversas, amor, e também para ter alguém sempre ao meu lado. Trocaria todos os meus bens para ter um irmãozinho. Já perguntei aos meus pais discretamente se eles gostariam de ter mais um filho e eles me respondem “NÃO”. Minha mãe sempre fala: ___ Filha, já temos você que é a nossa princesinha, primogênita, então deixe quieto. Sou alta, magra, morena dos olhos azuis. Estou pensando em prestar vestibular para medicina, para cuidar das pessoas do Brasil, que será o meu futuro país. Vou deixar uma listinha das coisas que eu gosto e das coisas que odeio. Coisas que gosto

Coisas que odeio

Estudar.

Racismo

Ler.

Desigualdade social.

Ir para festas.

Brigas.

Jogar vôlei.

Fofocas.

Ir ao shopping.

Mentiras.

Desfiles de moda

Mau gosto

Leo, Clara, Ana, Guilherme, Victor, Raquel eTatiana são meus melhores amigos, eles se identificam muito comigo, acho que é pelo fato de gostarem das mesmas coisas que eu. Todas as tardes nos encontramos, para conversarmos. Não sei como arrumamos tantos assuntos assim, vou sentir uma baita falta desses momentos. Só de pensar meu coração já começa ficar apertado, não me imagino sem a amizade deles.

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Meus avós são muito legais, pena que só os vejo uma vez no ano porque eles moram em Nova Iorque. Meus tios e primos também são de lá. No Brasil espero fazer grandes amizades, mas não vou deixar de me comunicar com os amigos daqui de Bogotá. Já combinamos de conversar e nos ver pela Web todas as tardes. Já está quase no dia irmos para o Brasil, a ansiedade e a tristeza vai começando a tomar conta de mim. Eu sou uma menina meiga, educada, mas também de atitude. Às vezes um pouco difícil de fazer amizades, pois espero as verdadeiras, não sei como vai ser no Brasil, no entanto juro que adoraria prever o futuro! É difícil deixar de uma hora para a outra minha casa, amigos, escola, igreja, professores, cultura e a minha cidade natal, mas sei que Deus tem o melhor para mim. Tenho muita vontade de evangelizar pessoas que ainda não conhecem a Deus. Minha avó sempre fala que lá no Brasil tem crianças, jovens e adultos que não conhecem a Deus e que eu vou ter a oportunidade de ensiná-los. Há momentos em que tenho medo de ir para lá, porque as pessoas falam que é um lugar violento, ruim de viver, mas quero conhecer, porque assim vou saber se o que dizem é verdade ou mentira. Pesquisei muito sobre o Brasil: dados principais, geografia, economia, cultura em geral e curiosidades. Fiquei empolgada! Estou pensando que até poderei encontrar um grande amor. Povo bonito. Especialmente os rapazes! Agora quero aproveitar cada minuto, cada paisagem, cada encontro com a turma e tirar trilhões de fotos!

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Capítulo II - Isabelly Oi eu me chamo Isabelly, tenho 15 anos, faço aniversário dia 18 de maio. Minha mãe disse que ainda vai me dar um notebook de aniversário, nós temos um só que é da minha irmã então ela quase não deixa mexer. Sou loira, meu cabelo é comprido, quase chega à cintura, tem algumas mechas escuras naturais, é liso na raiz e um pouco enrolado nas pontas. Tenho olhos verdes, sou baixinha das pernas grossas, mas não sou gorda. Eu me acho legal, bonita, uma ótima filha, às vezes resmungo, mas faço a maioria das coisas que a mamãe pede, não sou ótima aluna, mas tento ficar dentro da media, mas tem hora que é impossível. A professora, que eu, mas odeio é a de física eu não gosto dela e nem ela de mim, mas temos que aguentar e respeitar uma a outra. Sou carioca, nasci no Rio de Janeiro, mas moro em São Paulo há treze anos. Quando mamãe descobriu que estava grávida da minha irmã teve que vir para São Paulo, não sei por que, mamãe nunca quis falar. Gosto muito daqui de São Paulo, tenho várias amigas e amigos. Tenho um namorado: Pedro Augusto, ele é muito legal atencioso, brincalhão, sorridente, divertido, cheiroso e muito bonito. Ele tem olhos azuis, seu cabelo é castanho claro. Nosso namoro não anda muito bom, ele tem muitas amigas. Eu também tenho muitos amigos e somos muitos ciumentos um do outro. Mas quero manter nosso namoro, porque gosto muito dele. Quase ninguém me chama de Isabelly chama de Isa ou Cely, o Pedro me chama de Isa, usamos uma aliança é um namoro muito sério estamos juntos há um ano e meio. Minha mãe se chama Suzana, tem 33 anos, cabelos curtos e loiros, seus olhos são castanhos claros, cor de mel, ela é muito bonita, inteligente, legal, divertida, sorridente e liberal. É dona de uma loja de roupa muito famosa aqui na cidade, está sempre cheia de gente, algumas vezes venho ajudá-la na loja. O caixa da mamãe é muito bonito, ele tem 18 anos sou amigona dele, o nome dele é Vitor, me considero sua melhor amiga. Todos o chamam de farinha não sei por que, mas às vezes vou na onda deles e o chamo assim. Ele é muito legal e todas as vezes que estou triste ele me fala palavras que me alegram. Às vezes fico com ciúmes dele, pois ele tem muitas amigas e constantemente sai com elas. Tenho uma irmã que se chama Gabrielly, ela irá completar 14 anos nos próximos dias, somos muito parecidas. Ela esta namorando o irmão gêmeo do meu namorado que se chama Yago, há três meses, mas só agora é que eles resolveram falar para minha mãe. Ah... Já ia me esquecendo de falar do meu pai, ele morreu num acidente de carro quando voltávamos de um passeio. 100


Papai tentou desviar e conseguiu, salvando nossas vidas, mas infelizmente bateu de frente e não sobreviveu. Tenho muitas saudades dele, dos momentos, que passávamos juntos, todos os dias cantávamos uma música antes de dormir. Parece coisa de criança, mas eu só conseguia dormir depois que cantávamos. Todos os dias peço a Deus para falar com o meu pai através dos meus sonhos, pois sinto muito sua falta. Queria que o tempo voltasse para que aquele acidente nunca tivesse acontecido.

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Capítulo III – Kelly Olá meu nome é Kelly, tenho 14 anos moro em Paris com a minha família. Vou explicar resumidamente sobre cada membro. Começando por mim: sou a filha do meio. Tenho de 1,65 de altura, peso 48 kg. Mesmo não sendo tão alta, sou modelo. Gosto muito daqui de Paris, só estou um pouco triste porque meu pai foi, de certa forma, obrigado a voltar para o Brasil. Ele tem uma empresa aqui em Paris e outra lá, onde pensou ter deixado um administrador confiável. Infelizmente papai descobriu que ele estava desviando dinheiro da empresa e foi preciso demiti-lo. Aqui em Paris, ele tem um grupo de gerentes liderados por um amigo de confiança que vai ficar cuidando de tudo, enquanto iremos para o Brasil. Minha mãe se chama Lia é linda, na verdade me pareço com ela. Papai se chama Guilherme e também é muito bonito, alto e forte. Tenho dois irmãos Rafael, de 16 anos e Igor está com 19, eu os adoro eles são muito bonitos. O Rafa também está muito triste porque ele tem uma namorada e vai ter que terminar o namoro por causa da mudança. Para mim o pior é ter que deixar a agência de modelos para qual trabalho, deixar a minha igreja e meus amigos. Mas este é o propósito de Deus para a minha vida então tenho que seguir em frente com a certeza de que vou ser muito feliz lá no Brasil. Ouço um barulho de salto subindo as escadas e, de repente, minha mãe entra no quarto e se assusta! __ Kelly até agora você não arrumou as malas! Esta madrugada vamos deixar Paris! Mamãe grita Jô para vir até meu quarto e pede para que ela me ajude a arrumar as minhas coisas. Jô ouve tudo em silêncio e no final diz: __ Yes mamy. Jô veio dos Estados Unidos já tem um ano e até hoje não consegue falar Francês. Começo a arrumar minhas malas, Jô vai tirando as roupas do guardaroupa e me dando. Ah, sem essa ajuda eu jamais conseguiria. Enfim estão prontas. __Rafa, Igor! Ajudem-nos a descer as malas, por favor! ... Estamos indo para o aeroporto. Fico olhando Paris pelos vidros do carro e já me dá uma baita saudade! Que pena nem deu tempo de me despedir direito dos meus amigos. Mas lá também vou fazer muitas amizades, eu creio!

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Capítulo IV - Mudando de ares Papai nos avisou que o avião faria escala no Rio de Janeiro e para não ficarmos esperando ele contratou um voo particular para São Paulo. Eu até sugeri um passeio: __ Ouvi dizer maravilhas sobre essa cidade! Por que não aproveitamos a oportunidade papai? Ele respondeu apressado: __ Não, minha filha. O nosso avião já estará à espera. Mas teremos tempo de sobra para conhecer todo esse Brasil! Rafa pediu meu notebook emprestado e passou a teclar enquanto aguardava a chamada do voo. Igor lia um livro tranquilamente, nada parece abalar esse leitor compulsivo. Igualzinho a papai. Mamãe se distraía vendo as vitrines ali por perto. Depois que embarcamos, dormi profundamente, acordei quando chegamos ao Rio. Logo chegamos ao nosso destino: São Paulo. Adaptações, mudanças, ainda há tanto para organizar... principalmente em minha cabeça. Fiquei sentada na porta de minha nova casa pensando em tudo isso, quando se aproximou uma garota e começou a conversar. Pareceu gente boa, mas falava meio arrastado, diferente: __ Oi qual é o seu nome? __ Oi me chamo Beatriz, e você? __ Sou Kelly, cheguei hoje aqui no Brasil. E você já tem tempo que mora aqui? __ Não que coincidência, também cheguei hoje aqui; morava em Bogotá. E você onde morava? __ Em Paris! __ Nossa! Meu sonho é conhecer Paris. __ Se algum dia você for lá vai gostar muito. __ Você foi à primeira amiga que eu fiz aqui no Brasil! Gostei muito de você só que agora vou ter que entrar, acabei de chegar nem conheço minha nova casa. __ Eu também. Então até mais. __ Até mais. Mais tarde nos encontramos para conversar mais, descobri que ela tem dois irmãos lindíssimos e que estudaremos no mesmo colégio, menos o Rafael, ele já é universitário!

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Capítulo V - Distantes possibilidades Eu estava no aeroporto super triste, quando uma invasão de cores, gritos e abraços me alcançaram. Papai combinou com a turma uma última surpresa. __Traidores, disseram que não poderiam vir! - Falei entre sorrisos e lágrimas. __Jamais a abandonaremos Beatriz! __É ela acreditou mesmo que estivesse livre da gente Léo! completou Clara. __A Tati realmente não poderá vir. Está acompanhando a irmãzinha que passa por uma cirurgia de emergência, nada grave tombo e fratura, tudo sob controle. Por isso atrasamos um pouco. – Explicou Ana. __Vamos lá pessoal, alegria! venham! - Convidou Guilherme.

Pose para as fotos, Victor, Raquel

__Papai, por favor, pegue a câmera! Vítor você não vai ficar de fora. Obrigado pessoal! Amei! Tiramos poucas fotos, logo o voo foi anunciado. “Passageiros com destino a São Paulo, favor dirigir-se ao portão cinco, piso superior.” A voz repetia insistentemente. Desgrudei de um longo abraço coletivo e literalmente corri sem olhar pra trás. Já no avião minha mãe procura me consolar: __ Filha, você vai adorar São Paulo! aguarda?

Sabia que uma limusine nos

Tudo aquilo parecia um sonho misterioso. No trajeto para a nova morada meus olhos cresceram para tentar alcançar a imensidão do lugar, a rapidez dos movimentos, a quantidade de pessoas! Foi até assustador! __ Nossa pai, aqui tem muita gente hein! __ É aqui é um formigueiro humano! Chegando a nossa nova casa desci do carro correndo, e ao invés de entrar fui em direção aos portões imensos que já se movimentavam mecanicamente para me trancafiar na imensidão daquela casa estranha. Eu queria ver a rua, as pessoas. Fiz que não ouvi quando minha mãe ensaiou um grito, acredito que para me impedir, depois ouvi a voz de papai falando algumas coisas com ela. alguém interrompeu os portões. Depois mamãe pediu: __ Filha entra! Vem ver sua nova casa. __Mamãe a casa ao lado é muito linda também! Fiquei curiosa, vi uma garota sentada lá na porta. Posso ir até lá para conhecê-la, não quero perder essa chance! Depois venho conhecer a nossa casa! Por favor! Ah deixa? __Tudo bem Beatriz, mas toma cuidado o perigo mora em toda parte! 104


Capítulo VI – Aula Marcante, aprendizado para a vida Logo na aula da Camila, professora de física, a dona Eleonora entrou em nossa sala e apresentou duas novatas. Elas devem ser irmãs, super chatas e exibidas. A professora estava introduzindo um assunto muito importante, segundo ela, eu nem sei do que se trata: parece que tem a ver com Trabalho e Energia. Puxa, que inspirador, em plena segunda-feira! Pois é e como a chata da Camila é toda metódica, pediu à coordenadora que marcássemos para o dia seguinte, durante o momento da devocional a apresentação das garotas. Argumentou que ficaríamos curiosos. Dona Eleonora sorriu concordando. Como se não bastasse disse que “confiava a mim”, expressão esquisita danada, anotei correndo pensando se tratar de um erro, mas papai explicou com estava corretíssimo. Bem então traduzindo: Ela deixou sob minha responsabilidade conversar com as duas durante o intervalo do recreio para então apresentá-las à turma. Só podia ser coisa daquela neurótica, ela estava mesmo me marcando. Mas decidi que mostraria a ela que sou muito sociável, inteligente e boa em relacionamentos. Ela é que fica pensando só em física e é muito azeda! As aulas transcorreram quase dentro da normalidade. Depois da proposta da Camila as novatas se sentaram e ficaram mudas, quietíssimas e a turma toda na maior curiosidade. Á tarde no pelo facebook havia mil hipóteses e até apostas. Só eu sabendo de tudo. Morrendo de rir. A parte que eles estavam curiosos para saber você já sabe. Então vou logo ao assunto mais importante: Conhecer essas garotas mudou minha cabeça. A Beatriz é uma garota incrível e me tornei como uma irmã para ela. A irmã que ela nunca teve. Kelly também é sensacional, apesar de ter trabalhado como modelo em Paris, consegue ser uma pessoa natural e super pé-no-chão. Ela sabe o que quer. Nós nos tornamos grandes amigas. E hoje agradeço à Camila, que agora é minha professora preferida. É, muita coisa mudou... não brigo tanto com o Pedro Augusto. Estou mais segura de mim mesma e aprendi a não ser doentiamente ciumenta. Estamos frequentando um grupo de estudos bíblicos especiais para jovens. A ideia foi da Beatriz. O pastor lá da igreja que ela passou a frequentar disse que foi uma bênção pra eles a vinda dela, pois antes não havia muitos jovens por lá. Até os pais da Beatriz estão diferentes! Houve um dia que ela contou pra todos nós o quanto Deus tem agido no lar dela depois que ela passou a ministrar nessas reuniões. Os pais dela vieram algumas vezes para ouvi-la. Eles têm passado mais tempo junto da filha. Disseram que ela puxou a avó. Agora, temos aprendido bastante. E não vamos parar por aqui. Começamos algumas ações lá na escola. A Kelly disse que se inspirou em mim e na própria situação que viveu em Bogotá: Muitos de nós estamos 105


sufocados por uma vida abastada, financeiramente falando, e miseravelmente carentes do verdadeiro amor que vem de Cristo. Aprendemos que mesmo quando nossos pais não são tão presentes em nossas vidas, mesmo quando não estamos como ou com quem gostaríamos de estar, existe algo muito mais importante com o que se preocupar: “alguém verdadeiramente se importa conosco?” E a resposta é SIM! Encontrei alguém que me ajudará a ser melhor, a pensar maior, a deixar de ser tão ciumenta e egoísta.

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As autoras Sou a Mariana Morais tenho 13 anos, autora da personagem Beatriz. Essa história foi feita com incentivo da Nathália e da Anna Victória. Foi muito bom, um momento de reflexão e de diversão. Aprendemos muito e conseguimos fortalecer uma amizade improvável.

Oi, meu nome é Nathália tenho 13 anos. Criei a personagem Isabelly. Eu a fiz bem parecida comigo. Aprendi várias coisas ao escrever o livro. Inventar histórias é muito bom e inventar uma história com a parceria de amigas é melhor ainda!

Eu sou Anna Vitória. A experiência de ter feito esse livro foi muito boa, não foi fácil, mas no final deu tudo certo. Aprendi muito sobre uma amizade e os seus valores.

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O Núcleo Galáctico

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Capítulo I - O Incrível Marcos Na minha humilde casa, eu descobri que estudar é muito bom, mas Deus vem em primeiro lugar. Tendo fé e ao mesmo tempo responsabilidade, sou o futuro da família, pelo menos me considero isso, já que eu sempre estou pronto para qualquer tipo de trabalho. Tenho 16 anos, sou o caçula da minha família, nunca fomos ricos nem famosos, só o meu primo de quarto grau participou uma vez daquele tal BBB, odeio aquilo, é tão... sem motivo! Mas admiro meu primo por ser um cara muito honesto e legal, quase ganhou! Pelo menos conseguiu um emprego muito bom, dois carros e uma casa nova. Vai se casar! Minha mãe vive doente. Tem alguns problemas de coluna, mas nada que uma boa internada num hospital não resolva! Tenho dois irmãos que são bem legais um estuda na UFG, em Brasília. O outro está na Terceira Série do Ensino Médio, eu os admiro muito! Meu pai é o cara! Trabalha bastante, mas quando está livre brinca, ajuda e até faz favores para nós! Ele trabalha na NASA. Daqui a um tempo vai ser promovido, trabalhará na Área 51! Imagina um brasileiro na Área 51! Muito legal! Bem, agora vou falar do último representante local da minha família: eu, o famoso, lindo, inteligente, fabuloso, magnífico e Jouer: Marcos! Marcos Jouer, o mais novo representante da família Jouer, se bem que minha prima está grávida, mas como o bebê ainda não nasceu, eu sou o mais novo dos Jouer! Meu irmão Lucas Jouer tem 19 anos!

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Capítulo II - O Notável Rodrigo SOUZA. Rodrigo Souza, devia me considerar rico, não em dinheiro! Como alguém que mora num barracão alugado no fundo da casa de outra pessoa pode ser rico? Rico, eu digo em Fé, em Compaixão, Paciência, Amor, essas coisas! Meu pai sempre me ensinou a ter Atitude e Humildade! Uma vez me levaram à delegacia dizendo que a camiseta que eu estava usando era roubada. Meu pai fez o maior barraco: __Vê se eu tenho cara de pai que deixa os filhos ser ladrões! Temos dignidade! Garanto-lhe que meu filho passaria fome e frio, mas jamais perderia sua honra. O garoto é estudioso, bom filho e posso provar: o que ele veste é digno, é fruto do meu suor. O Delegado me liberou, lógico! Por que percebeu nossa índole! Meu pai me admira muito, pois sou estudioso e nas horas difíceis sempre peço ajuda a Deus! Sou filho único. Às vezes é legal ser filho único pois não há brigas ou desentendimentos, mas queria ter irmãos! São tão legais, ajudam, brincam... meu pai faz isso, mas sabe, não é a mesma coisa. Minha mãe, ah, a mulher que tenta me disciplinar. Na escola nunca tive problemas, mas em casa encho a paciência de qualquer um. Fico na frente do computador o tempo todo, umas oito horas por dia. Há dias em que só paro para almoçar, lanchar, jantar e dormir logicamente! Gosto de ciências, cada coisa engraçada! Tipo: “Anticorpos”, muito maneiro isso, eles guerreiam, gosto de ação, aventura! Sou eu, Rodrigo Souza!

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Capítulo III - Emprego Novo, Pai Novo Eu estava no Zoológico, fazendo um passeio com a escola. De repente chega meu pai gritando e pulando feliz da vida! __Pai o que foi? __Fi-filho, consegui o em-emprego-go na Área 51! – falou sendo travado algumas vezes pela pressão de seus pulos. __Sério?! – ele fez um “sim” com a cabeça. __Venha filho, vamos! Já pedi autorização à coordenadora para levá-lo para casa, vamos pros Estados Unidos da América! __Vamos morar lá? __Não! Apenas eu! Todo ano eu terei dois meses de folga para ver vocês! Vem! Depois de algumas horas, fomos para o aeroporto, eu estava todo feliz! Tinha um avião só pra gente lá, pois a Área 51 é muito secreta! Decolamos. A bordo tivemos atendimento VIP, pedi peixe assado e eles trouxeram! De repente olho para baixo e vejo um deserto, o deserto de Nevada! Nós pousamos. Um homem interrompeu nossa entrada, e disse: __Veir ti uns pay you mai enter oun de rum! Foi o que eu entendi! Mas acho que ele falou algo sério, depois de uns vinte minutos veio um cara de capuz, um cara todo coberto, como se estivesse queimado. E não queria mostrar isso. Ele nos levou até um cara poliglota, que nos cumprimentou: __Olá, bem vindos à Área 51, não posso levá-los ao hangar principal, pois é restrito, e muito secreto! Mas vou contar sobre a base: a Área 51 é uma base militar dos Estados Unidos onde se desenvolvem tecnologias novas como o avião usado para encontrar Bin Laden, que era invisível aos radares. Eu mandei logo minha dúvida na lata: __Alienígenas, conversa com eles? O homem parou, voltou-se para mim e disse: __Histórias, mitos e invenções! A maior parte dessas histórias são mentiras, mas aqui já dissecamos Extraterrestres, eu mesmo dissequei um, isso responde a sua pergunta? __Sim! Então eles existem? __Claro, e em grande escala! O homem continuou falando e meu pensamento voando, fiquei imaginando em como seria a terra se tivéssemos contato com outros seres! __Então é isso pessoal! Devem ir embora a pé... – de repente o alarme toca e todos ficam aflitos! – Sigam-me, sigam-me! – repetia o homem. Por todos os lados, pessoas gritando e se escondendo! Eles começam a trancar os portões, no telão a imagem de uma mulher que diz: 111


__Golpe 951! Escondam-se! As criaturas se soltaram, as criaturas fugiram! O teto começa a despencar! Ouvi um rugido muito alto! Criaturas pequenas como lêmures, mas coloridas como o arco-íris passam correndo ao meu lado! Fico surpreso! Alienígenas ao meu lado! Maneiro! De repente uma criatura de quase 6 metros de altura, marrom, com dentes de cerca de 40 centímetros e unhas de aproximadamente 30 centímetros, toda troncuda e de olhos vermelhos sai de uma sala quebrando totalmente a parede! __Atirem nele! Alguns homens começam a atirar. A criatura fica furiosa, pega um dos soldados e com as enormes garras o arremessa à parede. O homem morre na hora! A criatura vai para o pátio da base onde se há aviões e tanques estacionados. Ela pega um tanque de guerra e o arremessa direto num dos aviões. Um robô do mesmo tamanho da criatura aparece e os dois começam a lutar! O robô comandado por um homem percebeu a criatura distraída e lhe deu um golpe elétrico, a criatura caiu morta. __Meu Deus! – disse meu irmão – Isso foi incrível! Depois de uma amenizada nos levaram para uma sala, onde fomos entrevistados: __Vocês viram muitas coisas hoje por aqui, coisas que não deveriam ter visto. Nunca devem falar para ninguém sobre isso, sob o risco de perderem suas vidas. Em respeito à postura exemplar de seu pai, e esperando que vocês sigam o exemplo dele precisamos que vocês participem, cada um da forma que for determinado, de um experimento. O Sr. Joeur está a par de tudo. __Como assim?! – disse minha mãe desconfiada – Meus filhos devem voltar comigo! __Senhora, sua parte na missão, para o bem de sua família é retornar a sua casa juntamente com o jovem primogênito. Notamos grande interesse do seu filho menor em assuntos que temos interesse de explorar sob um novo foco. Daqui a três dias ele será encaminhado a sua casa com segurança e em perfeito estado. Tem a nossa palavra. __Bem, se meu marido aprova! Papai sabe dos meus sonhos, mas nunca tínhamos imaginado que eu participaria daquela experiência secreta. Eles partiram. Lucas pareceu um pouco frustrado, mas decidiu acompanhar mamãe em silêncio. Em silêncio também ficarei sobre o que aprendi e vi naqueles dias. Como eles mesmos me orientaram. “Se você quiser preservar a integridade de sua família jamais, em tempo algum fale a respeito dessa experiência a ninguém!" Desde então limito-me e luto para respeitar essa regra. .

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Capítulo IV - Algo Inesperado acontece! Tia Karina tem uma fazendinha numa cidade no interior de Goiás, onde planta milho, soja, trigo, tomate e outros. Assim que cheguei dos Estados Unidos fomos até lá passear, eu gosto muito daquele lugar! É legal e me deixa feliz! Mas essa viagem foi diferente, assim que chegamos vimos carros de emissoras de TV e muita gente! Minha tia veio até nós, dizendo: __Vocês não vão acreditar, corram! Fomos até a cozinha, que estava repleta de gente. Na mesa, um ser não humano, que não era uma cabra, nem um cachorro, era sim um E.T! Minha tia disse para vermos o campo onde haviam sinais de círculos por todos os lados! __Ah meu Deus, é o fim dos tempos! - o povo dizia. De repente, algo se movimenta no céu. Um OVNI aparece! Emissoras começam a filmagem! É uma correria geral. Da nave lançam algo, vai caindo devagar e chega ao chão! Deixa uma pequena cratera. __É um homem! Nu! – exclamo. __Ah meu Deus! __Vejam, ele é mole, não tem ossos! – disse alguém – não tem nem órgãos! Diante daquilo, o mundo se chocou! No planeta todos sabiam que E.T’s realmente existiam! De repente o homem se levanta! O povo se afasta dele! __Tomem cuidado, ele pode ser perigoso! __Vejam, ele anda! __Sofrimento, dor! – Disse o ser humano que não parecia humano. __Ele fala ah meu Deus! Precisamos de mais! Nós precisamos! Ele correu em minha direção, me agarrou e pulou muito alto, cerca de 100 metros! E nós dois sumimos no ar! O mundo se chocou diante daquilo! O ser me levou até um lugar no oceano, e disse: __Bem vindo ao Triângulo das Bermudas! E uma nave me abduziu.

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Capítulo V - Saindo de Órbita! Levaram-me para um OVNI, dentro dele, tudo! Mais do que a terra acha ter! Até banheiro com papel higiênico tinha, somos tão iguais! Eles me deixaram sozinho lá dentro, me disseram para fazer e mexer numas parafernálias , eu estava chocado! Um deles ordenou: __Se piscar um ponto vermelho no radar, avise-nos! __Sim senhor Fiquei lá, durante umas duas horas, até que o ponto aparece! __Ei! Olha aqui apareceu! __Este radar é de tela touch screen! Bata o dedo no ponto e você será levado até lá! Eu obedeci, a nave começou a tremer, como nos filmes Star Wars e Star Trek! Por dentro da nave, eu parecia estar a dois quilômetros por hora, mas na verdade estava a quase mil! A nave para de repente. Um painel se abre na minha frente, mostrando por uma câmera externa, o que está havendo: uma outra nave está voando e um telão desce ao meu lado, o rosto de um ser não humano aparece dizendo: __Acha que não sei falar sua língua? Tenho um tradutor universal e vou te dizer: tenho um humano! Me dê agora seus suprimentos necessários à manutenção do nosso planeta e você será liberto! Se não eu o matarei! Não sabia o que fazer, recebi uma transmissão da base da Área 51, apesar da firmeza e impessoalidade daquela voz, para mim era inconfundível, me senti mais seguro, era papai: __Senhor Jouer, ouvimos a mensagem. Dê o que ele pede! À esquerda, tem uma sala onde está tudo isso, na porta tem um controle com três botões, aperte o verde e ele vai perguntar “Um ou Dois?” Diga dois, e os suprimentos serão teletransportados para a nave dele e ao mesmo a nave será reconduzida em segurança a nossa base. Fiz o que ele mandou, deu tudo certo, mas a outra nave começou a atacar! Eu gritei: __Quem é você? __Meu nome é Rodrigo! __Sabe como mexer numa nave igual a essa? __Sei sim! Faço parte da experiência, também colocaram um chip em mim! Vamos comandar em defesa do Planeta. Concentre-se em abater as naves inimigas. Eles não cumprirão sua parte no trato. Nos capturaram para chantagear nossos pais, por isso fomos preparados! __Beleza! Durante algum tempo, que para mim pareceu uma eternidade louca, abatemos naves, comemoramos, passamos instruções um ao outro. O sinal

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com a base caiu. De repente, quando pensávamos que tudo havia terminado surgiram mais duas naves vindas em nossa direção! __Atira! – gritei. Abatemos outra! E depois mais outra! Rapidamente nossas naves começaram a ser sugadas por alguma coisa. Saímos da órbita da terra! Estávamos no espaço, automaticamente fomos revestidos por roupas e capacetes especiais. Pelo monitor assistíamos um ao outro. A comunicação era intermitente. De longe, avistei outra nave, só que bem maior! Logo recebemos uma transmissão: __Nossas últimas naves foram abatidas por humanos?! Achei que fossem os Sulains! De qualquer modo: Atacar!! Começamos a fugir! Atacando e fugindo! Até que nos aproximamos de uma estrela, quase três mil maior que o nosso Sol! Em torno dele havia um anel feito não por coisas gasosas e sim por uma luz. Havia seres gigantescos semelhantes a humanos, porém com asas! Eu disse: __Anjos! __Impossível! – Disse Rodrigo. Tentando nos atingir, a nave-mãe inimiga atira e atinge a estrela, causando uma pequena erupção, fazendo-a entrar em colapso! As pessoas que estavam lá saíram. Eu percebi que aquilo era o Núcleo Galáctico, o ponto de onde a galáxia surgiu, o ponto sensível ao fim! Aquela estrela começou a perder o brilho! Um buraco surgiu e começou a sugar tudo! Sugou as naves, sugou o Sol, sugou o Sistema Solar e foi sugando tudo, até não sobrar mais nada. De outras galáxias se tinha a visão da destruição em massa que aconteceu. Mas de outros planetas, em outras galáxias no final, só se via uma estrela, era, para outros seres, uma simples estrela! Mas nós que tivemos nossa memória preservada compartilhamos, agora como anjos numa nova criação, somente o fim deste que é o começo de uma nova história.

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Sobre o autor Mateus Wilton Bandeira dos Santos, nasceu em 27 de Fevereiro de 1998, em Minaçu, GO. Filho de Samuel José dos Santos e Silvânia Moreira dos Santos. Irmão mais novo de Samuel Bandeira dos Santos Júnior. Estudante do oitavo ano do Ensino Fundamental dois no Colégio Adonai em Anápolis, GO; onde reside atualmente. Seu maior passatempo é estar sempre em busca de novas ideias e invenções. Já escreveu vários livros que aguardam publicação. É um adolescente que contagia qualquer ambiente com sua alegria e simpatia. Seu maior sonho é ser cineasta, inventor e artista.

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Unidos pela bola

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Capítulo I - Vida no Rio Acordo quase sempre com o barulho da sirene de viaturas policiais, o que me deixa preocupado e com saudade do meu pai. Meu nome é Francisnéio, mas todos me chamam de Francis. Moro no Rio de Janeiro no morro do Carioca, numa casinha muito pequena que meu pai construiu. Não gosto muito de falar do meu pai porque ele era da polícia e foi morto por traficantes, os mesmos que hoje vivem em volta de mim. Outra coisa sobre a qual eu não gosto de falar é de futebol. Ah! Não suporto decorar nome de times e muito menos os nomes dos jogadores. Muitos garotos têm o sonho de ser um jogador profissional, mas eu não. Meu sonho mesmo é de ser um astronauta e ganhar muito para cuidar da minha mãe Maria, que tem um problema muito sério no coração e sem dinheiro não tem como ser tratada. Ontem, arrumei um emprego de sacoleiro em um pequeno mercado aqui da região. Eu sei que não vou conseguir arranjar todo esse dinheiro sozinho, por isso conto com a ajuda de algumas pessoas aqui do bairro para que um dia eu consiga pagar essa cirurgia para minha mãe a fim de que ela tenha saúde e viva mais tempo. Amanhã irei para Ipanema ver se consigo algum dinheiro para ajudar no pagamento dessa cirurgia, eu sei que lá vai ter alguém de bom coração para me ajudar e além do mais é possível que eu faça novas amizades.

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Capítulo II - Rumo ao Brasil Tudo se encaminhava para minha ida ao Brasil com a esperança de eu ter mais futuro no futebol. Chamo-me Anderson e irei ao Brasil com a minha família; meu pai Tyler e minha mãe Edna. Meu pai é rico e ainda não sei bem como ele ganha esse dinheiro todo, sempre que eu lhe pergunto ele rapidamente muda de assunto e nunca responde. Minha mãe não trabalha, só fica em casa gritando com as empregadas caso façam algo errado. Atualmente moro na Espanha, mas sou brasileiro. Vim para cá por causa dos ‘’negócios’’ de meu pai, e desde pequeno meu pai viu meu potencial para o futebol e me colocava em várias escolinhas. Aqui na Espanha não foi diferente e logo que cheguei, ele me colocou nas categorias de bases do FC Barcelona. Estou indo para o Brasil porque não estou sendo muito bem aproveitado no Barcelona, pelo o menos é o que meu pai pensa. Ele pensa que no Brasil terei mais chances de aparecer para o mundo no futebol. Mesmo sendo o meu país e o país do futebol, não sei se realmente quero ir. Sentirei falta de tudo daqui; de meus amigos, da escola, da comida e de várias outras coisas. Meu pai diz para não me preocupar porque será bom para todos nós, fala que as coisas e lá também são boas e poderei fazer vários novos amigos. Mas eu sempre digo que amigo a gente não encontra todos os dias e em qualquer lugar, não amigo de verdade. Estou indo para o aeroporto, no caminho vou pensando nas Espanha.

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Capítulo III - Despedida dos Estados Unidos Acaba de começar a minha época preferida do ano, todo dia eu vou à praia pegar a minha prancha de surf e faço o que eu mais gosto de fazer; surfar. Meu pai me apoia, pois acha que sou bom de verdade, mas minha mãe não gosta que eu faça isso, ela acha que eu posso me machucar não sei por que, ela fala que quando eu tinha 4 anos meu pai me pôs na minha primeira grande onda e quando estava bem no alto me desequilibrei, cai e quebrei o braço, desde então ela me incentiva a parar de surfar. Nasci em um país da América do sul: o Brasil, meus pais me ensinaram também a falar o português. Eu gosto, acho diferente. Meu pai é dono de uma grande rede de lanchonetes aqui nos Estados Unidos e no Brasil. Estou triste porque teremos que fechar a lanchonete daqui e mudar para o Brasil. Meu pai fala que lá no Rio de Janeiro também tem como surfar, mas não é só por isso, eu não tenho nenhum amigo lá e não conheço ninguém. Ah eu não falei da minha família ainda. Meu nome é Ricardo tenho 12 anos e moro nos EUA há seis anos. Tenho um irmão. O nome dele é Paulo, mas gosto de chamá-lo de chatinho porque ele só me atrapalha em tudo que eu faço: tudo ele conta para os meus pais, depois finge que está chorando e meu pai fala que ele é meu irmão mais novo e eu não devo brigar com ele. O que eu mais queria é que meu pai pegasse ”o chatinho” mentido pelo menos uma vez, eu ia ficar muito feliz. O nome do meu pai é Frederico, mas todo mundo o chama de Fred. Ele tem 36 anos, eu o acho legal, mas só quando não está brigando comigo. A minha mãe é Selena eu a acho muito bonita. Ela tem 34 anos. Hoje é meu último dia no Alasca, mas meu pai disse que eu surfaria se terminasse as malas a tempo. Ele sabia que eu não conseguiria fazer isso, eu tenho muitas roupas. Então ontem foi o meu último dia de surf nos Estados Unidos.

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Capítulo IV - Chegada em Ipanema Logo na chegada eu já tive uma impressão de que faria alguns amigos e também encontraria pessoas que contribuiriam com dinheiro para ajudar a minha mãe. __Olá. Será que o senhor poderia me dar um pouco de dinheiro para ajudar a pagar uma cirurgia que a minha mãe vai fazer? – era como eu pedia dinheiro aos que passavam ao meu lado – Por favor, meu senhor! __Não. Todos me disseram a mesma coisa, até que cheguei em uma praça e vi um garoto que me parecia ser rico. Fui falar com ele: __Olá. Qual é o seu nome? – perguntei ao garoto que logo se espantou. __Oi. Meu nome é Anderson e o seu? __Meu nome é Francis. – fiquei com vergonha de falar que meu nome era Francisnéio – Você mora aqui? __Não, acabei de chegar da Espanha. E assim eu e Anderson fomos levando a conversa até que eu perguntei se ele poderia me dar algum dinheiro para ajudar a minha mãe. Ele logo se espantou, falou que não dava nada para estranhos, mas que queria ser meu amigo. Logo que ele falou já abri o maior sorriso. Não seria mais um garoto que vivia trancado em casa por falta do que fazer, agora eu teria alguém com quem brincar e me divertir. __Claro que eu quero ser seu amigo – respondi todo feliz. __Está bem. Amanhã a gente se vê. Tchau. Quando eu estava indo embora vi que tinha um menino que não parecia nem ser rico e nem ser pobre, mas que olhava para os meninos que estavam jogando futebol como se aquilo fosse uma coisa mágica, que ele nunca tinha visto. Me aproximei do garoto e perguntei: __Você quer jogar? Todo espantado disse que não, pois não sabia como jogar aquilo. __Se você quiser eu posso te ensinar o que é, mas eu não jogo bem não. __Tá legal. Ah, meu nome e Ricardo. __O meu é Francis. Assim eu ganhei duas pessoas, as quais desejo chamar de amigos.

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Capítulo V - Cidade Nova: Rio de Janeiro Logo que eu cheguei comecei a notar as diferenças entre o Brasil e a Espanha. Mas estava sentindo que tudo daria certo na minha nova vida no Rio de Janeiro, em Ipanema. Vou morar em uma casa bem mais simples do que a da Espanha, porém é bem aconchegante. Desfiz minhas malas depois fui correndo até meu pai e perguntei se poderia sair para conhecer o lugar e talvez até fazer amigos. Perto da minha casa tem uma praça bem legal. Estava sentado em um banco observando as pessoas e as coisas quando um garoto se aproximou e disse: __Olá. Qual é o seu nome? Espantei-me, mas respondi: __Oi. Meu nome é Anderson e o seu? Ele disse que era Francis, achei o nome estranho. Contei que estava chegando da Espanha. Ficamos conversando durante um bom tempo até ele começar a falar de sua vida. Mesmo sendo uma história comovente eu não dei o dinheiro que ele me pediu, meu pai me mataria se descobrisse que eu dei dinheiro para um garoto que eu nem conheço direito. Mas disse que queria ser seu amigo e ele gostou da ideia. Depois disso pensei que fosse o bastante e estava na hora de voltar para casa, no caminho fui pensando na vida e veio a minha mente o pensamento de que as coisas aqui no Brasil seriam melhores do que eu pensava. Quando cheguei em casa minha mãe perguntou onde havia ido e o que vi de bom. Contei tudo com todos os detalhes, muito empolgado por já ter feito um amigo.

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Capítulo V - Conhecendo o futebol

Fomos para o aeroporto ontem, estava animado por estar mudando e conhecendo um novo lugar, meu pai falou que a casa que ele comprou lá é muito boa ele disse que fica em Ipanema, parece legal, mas espero que seja perto da praia. Cheguei no Brasil. É lindo! Amei só que estava preocupado porque tinha medo de não encontrar nenhum amigo, mas não foi difícil logo que cheguei, falei para os meus pais que ia procurar alguma praia lá perto, mas bem na hora que sai de casa vi um monte de garotos correndo atrás de uma bola não sei por que, mas acho que aquilo era um esporte. Enquanto eu via aqueles garotos jogando, percebi que tinham dois garotos observando o jogo e conversando. Felizmente um deles chegou perto de mim e me perguntou se eu queria jogar, eu disse que não sabia, mas aceitei o convite. Ele se chama Francis. Eu gostei, achei muito legal até que percebi que tinha um garoto que era muito bom, ele conseguia driblar todos os meninos que chegavam perto dele e fiquei admirado, então me aproximei e falei: __Oi. Meu nome é Ricardo. Eu também já conheço aquele garoto com quem você estava conversando: o Francis. __Prazer, meu nome é Anderson. Então agora somos um trio de amigos. Fiquei muito feliz porque no meu primeiro dia já tinha conhecido dois caras super legais . Quando eu estava jogando com o Anderson, notei que os olhos do Francis começaram a brilhar, acho que ele estava começando a gostar desse tal futebol.

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Capítulo VI - Ensinando o que não sei Chegando no campinho onde marquei que iria ensinar Ricardo a jogar bola, vi que tinha um garoto sozinho chutando a bola para o gol. Parecia que eu o conhecia, mas fiquei observando de longe para já pegar o jeito de como iria ensinar Ricardo. Pouco tempo depois escuto alguém me chamando: __Francis! Francis! Cadê você? Assustado, fui ver quem era e vi que era Ricardo me procurando para começar a aula de futebol. __E ai? Vamos? – disse ele com uma cara de alegre. __Vamos. Entrando na beirada do campo, vi que era realmente o Anderson que estava chutando a bola no gol. __E ai Anderson. Beleza? – falou o Ricardo – Só jogando bola né? __Pois é rapaz. Eu achei estranho que eles se conhecessem, mas não queria dar uma de enxerido: __E ai Anderson. Você pode me ajudar a ensinar o Ricardo a jogar futebol e conhecer um pouco a respeito? __Claro! Afinal, para que servem os amigos não é? Depois disso eu e o Anderson ensinamos Ricardo a jogar bola e eu passei a gostar de futebol.

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Capítulo VII - Professor dos meus amigos Já conheci dois amigos aqui no Brasil. Eu nem cheguei direito e já tenho duas pessoas que eu posso chamar de amigos. A experiência aqui está sendo muito boa, está superando expectativas. Meus amigos são Francis e o Ricardo, os conheci na praça perto de casa. Desde que cheguei aqui não fiquei muito ligado ao futebol e achei que estava na hora de começar. Só para ganhar ritmo de jogo novamente, decidi ir ao campinho para jogar com os brasileiros. Mas ao chegar lá me assustei, não havia ninguém. Por ser próximo à minha casa voltei correndo e peguei minha bola. Voltei na mesma velocidade para ir me aquecendo, porque joguei sozinho. Treinei cruzamentos, remates e dribles. Pelo menos era o que eu pensava; quando olho, que surpresa! Primeiro avisto o Ricardo que logo me cumprimenta. Depois o Francis que me pede para ajudá-lo com o treinamento do Ricardo. Achei que era a oportunidade perfeita para conhecer melhor os dois e para jogar futebol que é a coisa que eu mais gosto de fazer. E disse: __Claro! Afinal, para que servem os amigos não é? Eu e o Francis ensinamos tudo. Como jogar, os dribles e as regras. Todos nós no final do dia estávamos super cansados, mas estávamos alegres. E naquele dia percebi que o Francis passou a gostar de futebol, e isso foi o mais gratificante para mim.

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Capítulo VIII - Caminho para a fama O que nós não percebemos ontem é que por algum acaso um olheiro do flamengo estava passando em frente ao campinho e começou a nos observar escondido atrás da árvore. E logo no outro dia ficou nos esperando no campinho o dia todo para falar conosco e bem na hora que aparecemos ele disse: __Ontem observei vocês e notei que têm um grande potencial para se tornarem grandes jogadores. __Obrigado meu amigo. – respondi com gratidão, mas ele insistiu. __Eu sou olheiro do Flamengo e quero que vocês joguem no meu time nas categorias de base com um salário de 20 mil para cada um. Neste momento Francis pulou de alegria e nos contou que a cirurgia de sua mãe custaria exatamente 60 mil e com nossa ajuda ele conseguiria salvar a sua mãe. Mas infelizmente o olheiro do flamengo nos deu um, porém. Ele nos disse assim: __O salário é bom, mas vocês só poderão receber se ganharem o campeonato carioca. Então o Francis disse: __Nós aceitamos. Então desde aquele dia, mesmo tendo acabado de aprender a jogar já fui chamado pelo Flamengo para ir jogar com os meus grandes amigos, e com a meta de vencer o campeonato e salvar a mãe do Francis.

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Capítulo IX - Uma esperança Ontem foi o melhor dia da minha vida. Tive realmente esperança de que minha mãe poderá ficar comigo por muito mais tempo. Aquele olheiro do Flamengo falou que eu, o Ricardo e o Anderson jogávamos muito bem. No mesmo momento em que ele disse isso percebi que um esporte que eu não suportava nem ouvir falar seria a luz no fim do túnel para minha mãe. Logo depois que o olheiro foi embora do campinho, eu dei o grito mais alto da minha vida: __Yeeeees! Ricardo e Anderson compreenderam a minha alegria e não disseram nada, mas eu sei que no fundo pensaram que eu tinha algum tipo de problema mental. Depois de quase perder a voz, já fui chamando os meninos para que nos pudéssemos começar a treinar e vencer o campeonato carioca, já que o olheiro só pagaria os 20 mil reais prometidos, se nós vencêssemos o campeonato. Agarrei a bola e falei: __É agora que nós vamos conseguir salvar a minha mãe. O que seria de mim e de minha mãe se não fossem vocês, hein meus amigos? __Ah! Isso não é nada. – disseram eles. Assim eu tive certeza de que seriam meus melhores amigos pelo resto da minha vida.

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Capítulo X - O campeonato carioca Mesmo que eu já tenha feito vários jogos pela categoria de base do Barcelona que é muita pressão, ontem eu fiquei mais surpreso e mais feliz do que qualquer outro momento da minha vida. Quando chegamos no campinho um olheiro nos abordou pedindo que jogássemos em seu time, o Flamengo. A proposta era muito boa e com ela poderíamos ajudar a salvar a vida da mãe do Francis. Nós três ficamos muito felizes, principalmente o Francis. Que não conseguia parar de falar de salvar sua mãe. Mas devíamos nos preparar e ficar focados porque poderia ser nossa única chance. Naquela semana treinamos todos os dias ininterruptamente, queríamos salvá-la e poderíamos aparecer para o mundo da bola ganhando fama e sucesso. Íamos para o primeiro jogo, e mesmo com toda minha experiência eu estava nervoso porque tinha uma vida em jogo. Naquele dia orei muito para Deus nos ajudar na nossa caminhada e que ele nos capacitasse a ultrapassar os obstáculos que estivessem pelo caminho. Minha mãe e meu pai estavam confiantes no nosso potencial e acreditavam que a vitória era certa. Antes de nos separarmos eu disse: __Me desejem boa sorte! __Boa sorte! – disseram os dois. Aquele jogo nós dominamos e ganhamos com facilidade, mas não deixei que eles ficassem muito animados e muito confiantes, porque era apenas um adversário de muitos. Porém no fundo sabia que o título seria nosso.

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Capítulo XI- Pressão total Quando conseguimos ganhar a fase de grupos ficamos muito felizes: o Francis nem conseguia dormir, pois ele estava cada vez mais perto de salvar sua mãe, mas o Anderson nos avisou que a fase de grupo era a mais fácil e que não seria tão fácil como daquela vez. Mas nós não ficamos desanimados, com esse alerta nós treinamos intensivamente e ficamos com muito mais habilidade e calma, pois sob pressão o Anderson falou que você não consegue jogar direito. Está no dia do jogo pelas quartas de final. O nosso técnico disse que o time sempre chegava nas quartas, mas nunca passava disso, ficamos mais motivados ainda porque a mãe do Francis saiu do hospital e foi torcer por nós. Ficamos calmos, mas não foi um jogo muito fácil, ficou 3 a 2 para o nosso time com um gol de cada: um meu, outro feito pelo Anderson e o último pelo Francis. Ganhamos! Estamos na semifinal estávamos com muito medo, mas nós conseguimos vencer. Ficou 1 a 1 e na prorrogação o Francis fez um golaço e dedicou o gol para sua mãe. Nós também ganhamos e estamos na final. Esse jogo foi o mais difícil de todos, pois o nosso técnico disse que o outro time estava invicto por 4 anos e estava com todo favoritismo, mas o pior é que exatamente no dia do jogo a mãe do Francis teve uma recaída e estava internada na UTI muito mal, Francis estava apavorado, mas com o nosso incentivo ele ficou bem e jogou toda a partida para a sua mãe. O outro time era muito bom. No primeiro tempo o Anderson fez um gol com direito até a “bonezinho no goleiro”, mas no segundo tempo o outro time fez um gol e foi para os pênaltis. No começo estava tudo igual até que um jogador do outro time errou e era a nossa chance, fui em direção à bola e chutei de cavadinha... é goooooool. Nós nos abraçamos e fomos direto para o hospital entregamos o dinheiro para o médico e imediatamente ele fez a cirurgia. Ficamos apreensivos, mas de repente o médico chega à sala e fala que foi tudo bem. Ela estava salva. Depois disso nós a conhecemos verdadeiramente e percebemos que ela é uma maravilhosa pessoa. E agora estamos aqui todos jogadores e felizes, eu não sei se vou ser jogador para sempre, mas eu quero manter as minhas amizades para sempre.

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QUEM SOMOS: Sou o André Felipe, tenho 12 anos e nasci na cidade de Anápolis-GO. Eu achei muito bom fazer o livro porque foi uma oportunidade de melhorar minha capacidade de escritura, e pude aprender muito com isso. A experiência em escrever meu primeiro livro e em trio foi boa e prazerosa. A história é diferente e divertida. Eu sou o autor do personagem Anderson.

Eu sou Káliston: autor do personagem Ricardo. Nasci em Brasília DF, tenho 13 anos e estudo no colégio Adonai, em Anápolis. Adorei fazer esse personagem, pois além de ser em uma história divertida, o meu personagem é muito legal e descontraído. Eu não sou um escritor, mas desenvolvi a proposta de escrever esse livro e achei legal a experiência. Espero ter outras chances de escrever.

Meu nome é Rafael, responsável pela criação do Francis. Tenho 13 anos e fazer esse livro foi uma grande oportunidade de exercer a nossa linguagem e ainda me mostrou como é importante ter muito conhecimento nessa área. Para mim isso foi uma experiência e tanto. Eu ri, pensei e cheguei à criação do meu personagem, que passa por situações que transformam sua vida e com isso eu também fui enriquecido.

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Unidos pelo problema

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Capítulo I - Mirella Sou Mirella Lira. Nasci no México e por negócios do meu pai, tivemos que nos mudar para o Texas. Foi meio que complicado para mim, porque fui criada em um rancho pequeno no México e no Texas é bem badalado. Na escola, era muito criticada pelo meu sotaque da roça, enquanto eu não me importava e achava ridículo esse povo fresco, mas foi difícil até para achar um colégio por aqui, então de qualquer forma tive que me acostumar. Apesar de eu ser linda, modéstia à parte, era considerada cafona. Não sei por que, mas falam que eu era metida e insuportável, e não queria fazer amizade com ninguém. Todos que chegavam pra conversar comigo, eu tirava ou ignorava. Sabe esses dias de tédio? Pois é. Um dia meu pai não quis me dar dinheiro pra comprar sapato. Ele disse que sou parecida com minha mãe, infelizmente ela morreu quando eu ainda era um bebê. Nossa, certamente ela era muito linda, ainda mais meu pai com essa pinta que ele tem, não para de namorar. Amanhã vou ter que enfrentar a escola. Tomara que esse ano seja diferente

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Capítulo II - Cassiandro Meu nome é Cassiandro Hector Souza, tenho 16 anos. Minha família é de ciganos. Já morei em vários lugares, este ano estou no Texas. Minha mãe disse que nasci no México. Não tenho amigos pelo fato de todo ano mudar de cidade. Sou alto, moreno, olhos castanhos claros, cabelo arrepiado, sempre com um olhar vago, vivo voando. As pessoas me chamam de “atoa”. Moro em um trailer. Sou filho único, o que não é muito bom, porque já não tenho amigos, pelo menos queria ter um irmão ou uma irmã para conversar. Minha mãe se chama Laura Souza, ela é minha melhor amiga. Às vezes ela fala pra eu sair, andar, passear, mas não tem graça sair sozinho. Meu pai se chama Eduardo Souza. Não o vejo muito, só de manhã, quando ele me acompanha até a escola. Todas as tardes ele sai, mas não me pergunte o que ele faz. Tenho um hamster, o nome dele é Bolinha, passo horas e horas conversando com ele, mas não é como conversar com uma pessoa, ele não me responde. Não queria ir para a escola, mas minha mãe fala que vai ser bom pra mim: __Você precisa ter um bom futuro menino! E o único meio é estudar! Sempre ouço essa mesma frase! Estudo no Colégio Forkes, um colégio público aqui da cidade. Minha professora quer fazer um show de talentos e quer que todo mundo cante. Eu não sei cantar. Ela propôs que façamos grupos para cantar, mas como não tenho amigos, vou acabar fazendo sozinho ou melhor, não participando. Minha mãe fala pra eu socializar com as pessoas de minha sala, mas eles são muitos metidinhos, não gosto de pessoas assim. A professora avisou que chegará uma aluna nova amanhã! Será que ela vai ser igual às outras meninas? Tomara que não!

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Capítulo III - Maria Beatriz, a Mabi Meu nome é Maria Beatriz Duarte, tenho 17 anos. Moro no fim de mundo, mais conhecido como Texas. Moro aqui desde antes dos meus pais morrerem em um acidente carro. Não me lembro muito deles, as fotos que meu avô me mostrava são lembranças menos distantes. Moro com a “senhora” Alana, minha tutora. Mudei-me para um apartamento do lado do asilo que meu avô está abrigado, assim fica mais fácil de visitá-lo. Ele se chama Charlie, tem 79 anos. Charlie se fechou depois da morte de seu filho e da minha mãe. Eu sou reservada, muito na minha, mas não tanto quanto meu avô. Minha tutora me enche a paciência 24 horas, ela começa logo cedo reclamando de minhas notas, horário de chegar em casa e responsabilidades. Meu avô é a única família que eu tenho, e o amo muito, mas infelizmente não tenho condições de tê-lo perto de mim. Estudo em Forkes, escola chata... Ultimamente tenho faltando muito, motivos pessoais. Ainda tem a insuportável professora que me odeia, mas sou daquelas alunas que aprende rápido a matéria. Já chega, odeio falar de mim!

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Capítulo IV - Meu primeiro dia na escola Fui dormir cedo na segunda-feira, porque estava ansiosa para o primeiro dia na escola, e não queria me atrasar! Meu despertador tocou às 06h10min e logo pulei da cama! Arrumei-me rapidamente, desci correndo para tomar café junto com meu pai! A comida da Zuleide estava um pouco queimada, como sempre! Mas não seriam as torradas que iam estragar meu dia! O ônibus atrasou 5 minutos, mas tudo bem! Dei um beijo no meu pai e embarquei. O Nicolau, descobri pelo crachá, é um motorista que corre pra caramba! Tive que apertar o cinto. Chegando ao colégio, vi um monte de alunos sentados na grama. Havia vários grupos aqui e ali: “as panelinhas”, mas não gosto muito disso. Fiquei observando alguns “emos” que estavam conversando e nem percebi um menino alto e moreno se aproximar de mim, só senti o esbarrão: __Olha pra onde anda bonitinha! – ele disse. __Desculpa! – respondi envergonhada. “Nossa, que menino chato” pensei. O sinal tocou e corri para o colégio, porém não sabia onde era minha sala. Também aquele colégio era maior que a cidade onde eu morava! Saí perguntando: __Onde fica a sala do 1ºano A? – muitos me ignoraram, até que perguntei a uma menina que me orientou: __Fica ali, logo à direita. __Obrigada! Assim que entrei, todos já estavam na sala, o professor me apresentou: __Essa é a Mirella Lira, hoje e o primeiro dia dela neste colégio. Espero que a recebam muito bem. – Fiquei vermelhinha e quando fui me sentar na primeira carteira, vi aquele menino chato que esbarrou em mim sentado lá no fundão! Tentei ignorá-lo, mas ele era muito bonitinho. Às vezes dava uma disfarçada e olhava pra trás. Era aula de Química. Odeio Química, mas tentei prestar atenção nessa aula! Depois teve aula de Física e de Biologia, e logo bateu o sinal para o intervalo. O tempo passou mais rápido ainda.

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Capítulo V - No intervalo Chegou uma novata na minha sala, a Mirella. Logo quando cheguei no colégio eu esbarrei nela, até que a garota é bonitinha. Na aula de química ela me olhou torto, mas nem liguei. Dormi na aula de física e a aula de biologia foi um saco. E estava ansioso para o intervalo. Comprei meu lanche, e sentei embaixo de uma árvore. Vi Mirella sentada no banco sozinha, comendo uma maçã. Três idiotas chegaram perto dela e começaram a conversar. Ela tentou fugir dos chatos, mas eles a seguraram brutalmente. Quando vi isso, levantei em um salto e corri na direção dos caras: __Deixa a garota em paz! __Hum... o ciganinho tentando proteger a novata! – Os outros meninos começaram a rir, mas não achei a menor graça. __Eu já falei, solte-a! – Não sabia muito o que estava fazendo, peguei no braço dela e a puxei. __Não vamos soltá-la, a não ser que queira brigar. __É? Então vem branquelo! Neste momento, a coordenadora chegou a tempo de eu não pular em cima deles: __Oque está acontecendo aqui? – Ela perguntou __Eles deram em cima de mim, tentei sair de perto, mas me seguraram. Esse menino ai veio me defender. – Disse Mirella, percebi que ela estava quase chorando. __Isso é verdade? – a coordenadora me perguntou __É sim senhora. Falei para soltá-la, mas eles quiseram caçar encrenca. __Vocês três! – Ela fez um gesto com a cabeça em direção aos três meninos que tentaram dar em cima de Mirella.- Para minha sala agora! Andem, rápido! – Fiquei observando eles se afastarem. Percebi que a escola inteira estava olhando. Mirella, vermelha de vergonha agradeceu: __Obrigada por me defender. __Que é isso! Eles são uns otários. Prazer, sou Cassiandro. __Prazer. E eu sou... __Mirella, sim, eu sei. Depois a gente se vê. – e fui me afastando... __Mas por que você me defendeu? – Ela perguntou. Fingi que não escutei. Neste momento o sinal tocou e fui para sala. 136


Capítulo VI - Voltando para a tortura Isso é uma tortura, aula de artes, a professora “EU TE ODEIO’’ passou uma tonelada de tarefas. Quando entrei na sala o Mike, um garoto idiota que estuda comigo há um tempo, gritou lá do fundo: __Chegou a esquisitona! Deu vontade tacar o fichário, mas ignorei . Cheguei na sala e sentei ao lado de uma menina irritante, super cafona que pelo visto gosta de sertanejo. Antes de terminar a aula a professora avisou sobre um show de talentos e que se alguém não participasse ficaria sem nota. Pensei: “Essa mulher é louca, só pode! Só um fugitivo do hospício para pensar em algo assim!” Mas graças a Deus a próxima aula é de história, o sobrenome da professora é astro, nós a tratamos de Senhora Castro, ela é muito legal. Talvez nós iremos a uma cidade histórica em setembro só que não é certeza, está em fase de aprovação pela direção da escola. A Aula começou e o tema era Iluminismo. Adoro a senhora Castro, ela explica super bem. Enquanto respondíamos ás atividades pensei no que Alana faz comigo, estou com uma queimadura no braço. Ainda bem que da pra esconder por causa das luvas que eu uso. Mas, já me acostumei, são o que? Dez anos aturando a psicopata. Enquanto eu não completar dezoito anos, preciso aturá-la. Nossa eu nem percebi que o tempo passou tão rápido. A aula já acabou. Aula de Espanhol. Gosto de escrever besteiras no caderno nessa aula, o professor é muito sonso. Ele nem briga quando o povo conversa, e nem presta atenção no que os alunos estão fazendo. Tocou o sino. Hora do intervalo.

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Capítulo VII - Trabalho em grupo No intervalo não vi Cassiandro o bonitinho da escola, que me defendeu naquele dia, por isso fiquei meio com medo daqueles garotos se aproximarem de novo. Comi uma barra de cereal na solidão, que tédio! Fiquei ouvindo música sertaneja e observando algumas pessoas que passavam. Logo depois desse momento triste, toca o sino e volto pra aula de artes. Professora Nirandra, tirando a parte que ela passou um trabalho no meu segundo dia de aula, até que ela é gente boa, mas se vacilar perdeu! Voltando a parte do trabalho, ela disse: __Formem grupos de três. “Nossa e agora?” - Pensei. Ouvi barulhos de carteiras se arrastando, mas a minha estava no mesmo lugar. Vi Cassiandro se aproximar, será que ele vai me convidar pra ficar no grupo dele? __Mirella, vamos formar um grupo? – Disse timidamente. __Uai, pode ser. __Alguém ainda está sem grupo? – Perguntou Nirandra. __Eu professora. – Disse a menina sinistra de preto. __Algum grupo está incompleto? – perguntou a professora. __O nosso professora. – Cassiandro respondeu. Então a Maria Beatriz entrou no nosso grupo. Não acredito que vou ser obrigada a fazer trabalho com a estranha. __Gente esse trabalho está relacionado à música, o que também é uma arte. Hoje darei alguns minutinhos para se organizarem. – Disse a professora. __Então gente o que vamos fazer? – Perguntei: __Não faço a mínima ideia, vocês cantam ou tocam, sei lá? Cassiandro perguntou:

__Eu toco guitarra. – Maria Beatriz disse – E podem me chamar de Mabi. __Eu canto, e toco violão – disse eu. - E você Cassiandro? __Eu sei cantar, mas não muito bem. Dá pro gasto! __Mas que estilo de música? Eu gosto de sertanejo. – Informei. __Sertanejo? Eca! – Disse Mabi. __Sertanejo? Acho que não! – Disse Cassiandro – Gosto de Reggae, Bob Marley. __Reggae? Ah! Não, odeio! – Eu disse. __Não gente, vamos cantar rock. ACDC é muito show!’ 138


Começou a maior discussão. Mabi discorda de tudo! Ela é muito chata. Já vi que esse trabalho não vai prestar.

Capítulo VIII - Conhecendo Melhor Era só o que me faltava. Um trabalho em que eu tenho que cantar! Ainda mais com a estranha da Mabi, não sei o porquê, mas decidimos cantar uma mistura de sertanejo, rock, reggae. O ensaio seria na casa de Mabi, começaremos o ensaio amanhã à tarde. E decidi sair com o Bolinha, passear um pouco pelo parque. Gosto de conversar com ele. Adivinha quem eu encontrei no parque? A Mabi e fui conversar com ela: __Olá Mabi, você vem sempre aqui? – Ela se surpreende, pois não me viu chegar. __Oi! Não só ás vezes. – Falou naquele som sarcástico dela. __Você está bem? __Na verdade não. – E meio que desanimada se virou querendo chorar, foi quando vi o braço queimado dela. __O que é isso no seu braço? __Nada, nada. – disse tentando esconder o braço, mas a desculpa não colou. __O que está fazendo? Nunca te vi aqui antes, não é mesmo Bolinha? Sempre passeamos neste parque. __Só pensando na vida. – Seus olhos começaram a lacrimejar. – Estou indo Cassiandro. Até amanhã. __Tchau. Depois a gente conversa mais. Observei enquanto ela se afastava. Tem alguma coisa estranha nela: __ “Você não acha Bolinha? Esta menina é muito estranha.” Bolinha andou da esquerda para a direita. Acho que isso foi um sim. Tenho que falar com a Mirella, precisamos descobrir o que a Mabi tem. E eu acho que não é coisa boa.

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Capítulo IX - A máscara Estava no parque, tentando fugir da Alana e pensar um pouco na vida. Ai vem aquele Cassiandro com umas perguntas. Odeio aquele menino. Ele está começando a desconfiar algo, tenho certeza. O que eu vou fazer? Será que aquele teatrinho vai funcionar novamente? Pensei, pensei e pensei no que falar, mas nada parecia bom. Lembrei de Charlie no asilo, comecei a chorar, a me desesperar. E se o Cassiandro conta pra diretora? Ou pra coordenadora? Estou ferrada. Chorei muito, até que dormi. Acordei com a Alana batendo na porta: __Acorda preguiçosa. Você precisa ir pra escola! Que saco. Não quero ir pra escola, quero fugir daquele Cassiandro e daquela menina insuportável que é a Mirella, mas se eu não for será pior, porque ficarei aqui com a Alana. Toca o sino, vou direto pra sala e sento longe de Cassiandro e Mirella. Fico calada a aula inteira, pensando o que falar se eles me perguntarem algo. Isso! Ótima ideia.

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Capítulo X - Suspeitas Durante a troca de professor Cassiandro sussurrou perto do meu ouvido: __Preciso falar com você. Debaixo da árvore no intervalo. – E voltou ao seu lugar. Será que é grave? Desse jeito esse garoto me assusta, tudo bem que tenho até uma queda por ele. Mas será que ele está a fim de mim? Nossa o tempo parece que não passa. O que será que ele quer me contar? Quando bateu o sinal para o intervalo, fiquei até aliviada. Nem quis saber de lanche, corri direto pra debaixo da árvore. Fiquei esperando uns 5 minutos por Cassiandro. É, estou obcecada por esse menino. Ah! Não, o tempo agora parece uma eternidade! Até que vejo aquela “paisagem” vindo em minha direção. Era ele enfim. __Oi Mirella. __Oi, então o que queria falar comigo? __Ah, é sobre a Mabi. – Que decepção, é o fim. Eu aqui achando que ele estava gostando de mim. E ele vem falando dessa intrusa. __Ah tá, o que tem ela? __Encontrei-a no parque ontem, disse que estava pensando na vida. Então de repente ela começou a chorar e vi que tinha uma queimadura em seu braço. Achei muito estranho. Quando perguntei o que aconteceu ela falou que não era nada e foi logo embora. __E então? __Você não acha esquisito? Ela é muito estranha, penso que deveríamos averiguar sobre isso. O que você acha? __É, hoje no ensaio vamos observá-la. __Só isso Mirella. Tenho que ir. __Tudo bem, até mais tarde. Tchau! O Cassiandro está certo. O que será que a Mabi tem?

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Capítulo XI - No ensaio Acabou a aula. Vou rápido para minha casa, porque preciso me preparar para o ensaio na casa de Mabi. Chegando em casa, almoço, tomo banho, me arrumo e saio. Passo pela pracinha e me lembro da conversa que tive com Mabi, mas logo fiquei mais atento, porque uma bicicleta quase me atropelou. Quando chego à casa de Mabi, toco a campainha. Ninguém atende. Ouço passos na escada. Toco a campainha e Mabi abre o portão para eu entrar. Neste momento um carro encosta na calçada. Mirella tinha chegado. Mabi convidou-nos para entrar e sentar. Ouvi uma mulher gritando: __Mabi? Quem chegou? __Os meninos que vão fazer trabalho comigo! – Disse em um tom calmo, que nunca a tinha ouvido falar. __O quê? Vem cá agora! – Disse a mulher brava. Olhei para Mirella e ela olhou pra mim também. __Só um minutinho. – Disse Mabi com uma voz um pouco amedrontada. Chego mais perto de Mirella e falo baixo: __Ela está mais estranha ainda! Nunca a vi falando nesse tom. __Verdade. E quem é essa mulher? A mãe dela? __Não. A mãe e o pai morreram quando ela era pequena. Pelo menos foi isso que ouvi falar. __Então essa deve ser a tutora. – Ouvimos som de passos vindo em nossa direção e eu volto para o meu lugar. Quando Mabi voltou à sala vi que tinha colocado uma blusa de frio. E estava muito quente, então resolvi perguntar: __Aconteceu alguma coisa Mabi? Por que colocou essa blusa? Está o maior calor aqui dentro! __Aconteceu nada não Cassiandro – falou em um tom arrogante – e coloquei a blusa porque estou com frio. Acho que estou com febre. __Hum... Então vamos começar a ensaiar? – Mirella sugeriu – Meu pai disse que vem me buscar às 16h00min. __Vamos sim. Aqui mesmo ou no meu quarto? __No seu quarto. – Respondi rapidamente. Mirella olhou pra mim com um olhar de punição. __Ok. É por aqui. – Mabi foi nos guiando. Quando entrei no quarto pensei que iria encontrar bagunça, porém estava tudo arrumadinho. Pensei que iria ver pôster de bandas de rock na parede, mas não tinha nenhum. Os CDs de rock estavam empilhados, ao lado de um som em uma mesinha. 142


Nossa ideia é cada um cantar a música que escolher em uma parte do palco. Eu escolhi “Is this love” do Bob Marley, e já decorei a música. Não entendi o nome da música da Mabi, só sei que é do ACDC. Mirella não sabe que música vai cantar ainda. Então eu e Mabi começamos a ensaiar. Mabi não sabe cantar. Mirella até tampou os ouvidos sem que ela percebesse, mas também o estilo da música não ajuda muito. Cantei a música para elas verem. Mabi parece que não gostou muito, mas Mirella disse que eu cantava muito bem. Fiquei corado. Então perguntei pra Mirella que música ela iria cantar: __Não sei ainda, gosto de tantas. Mas vai ser essa mesmo. “Without You do Keith Urban”. __Canta pra gente então. __Ai que vergonha – ficou um pouco corada, mas começou a cantar. Ela canta muito bem. Mil vezes melhor que eu.

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Capítulo XII - Perguntas e mais perguntas Depois de termos ensaiado um pouco, quase na hora que o pai de Mirella viria buscá-la, fizemos uma pausa para conversar. Cassiandro, aquele chato, que começou o interrogatório: __Ainda está com frio Mabi? __Estou sim. – disse tentando escapar do assunto – Mas... __Mas Mabi, você está suando! Tire essa blusa. – Disse Mirella. __Não pessoal, está tudo bem. É só uma febre passageira. – tentando argumentar, mas acho que não estava conseguindo. __Você nem está muito quente, só está suada. Será melhor pra você. – Disse Mirella. Neste momento Cassiandro veio atrás de mim e tirou a minha blusa. __O que é isto Mabi? – Cassiandro apontava para meus braços, estavam cheios de machucados. Comecei a chorar. Era só o que me faltava. Descobriram meus machucados. Não vão demorar descobrir que é a Alana que faz isso, e ela disse para eu não contar pra ninguém. Estou muito encrencada. __Quem faz isso com você Mabi? Pare de chorar. Fale conosco, nós somos seus amigos. – Disse Mirella tentando me acalmar, mas não funcionou e comecei a gritar: __Eu não tenho amigos. Saiam da minha casa agora! - Alana gritou perguntando o que estava acontecendo, mas eu a ignorei. – Eu mandei vocês saírem! Cassiandro e Mirella ficaram com uma cara de aterrorizados e de medo ao mesmo tempo. Não sabia o que estava fazendo, estava fora de mim. Provavelmente irei apanhar, ou levar um castigo bem longo por ficar gritando aqui dentro de casa. Eles saíram, levei-os até à porta e eles foram embora. Fui correndo para o meu quarto e comecei a chorar, chorar, chorar e quando eu vi, estava dormindo. Acordei às 22:00. Na verdade, fui acordada às 22:00. Ouvi Alana gritando e xingando. Fiquei no meu quarto, o que seria melhor pra mim. Estava com muita vontade de ir no banheiro, não dava para aguentar tentei dar uma fugidinha, mas quando estava na porta do banheiro, ouço a voz de Alana: __Ora, ora. A Bela Adormecida acordou? – Fiquei encarando-a. – E que gritaria foi aquela à tarde? __Desculpe Alana, eram meus amigos. – Com aquele tom de coitadinha que sempre uso para falar com ela. __Seus amigos? Mas ouvi somente sua voz. Você está muito encrencada mocinha.

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Capítulo XIII - No caminho certo Quando saímos da casa de Mabi, Cassiandro me chamou para passear na pracinha, e aceitei. Ficamos falando do que havíamos visto na casa de Mabi e resolvemos nos encontrar no MSN, para nos comunicar. __O que será que acontece com ela? – Perguntou Cassiandro furando o silêncio – Não é a primeira vez que a vejo machucada. Aquilo não parece meros acidentes. __Concordo plenamente – eu disse – Mas acho que tem alguma coisa a ver com a tutora, porque a Mabi estava normal, então ela foi falar com sua tutora, e voltou com a blusa, provavelmente já estava machucada. __Tenho que ir agora Mirella, a gente se encontra às 19h30min no MSN. __Tudo bem. Tenho que ir também, meu pai já deve estar chegando – Cassiandro levantou para me abraçar, então levantei também, mas tropecei e quase cai em cima dele. Ele me segurou quando nossos rostos já estavam bem próximos, quase encostei meu nariz no dele – Opa. Desculpe, sou uma desastrada mesmo. __Tudo bem Mirella. Até mais tarde. – Ele desistiu ou esqueceu do abraço, fiquei com raiva de mim mesma por ter tropeçado. Às 19h25min estava no MSN só esperando o Cassiandro entrar. Os minutos se passavam, e nada de Cassiandro. Até que às 20h30min cansei de esperar e fui pesquisar sozinha. Achei coisas interessantes. Deixarei um recado mesmo ele estando OFF, mas acho que mais tarde ele entra e vê: “Cassiandro. Cansei de te esperar e fui procurar sozinha. Achei coisas muito interessantes, e queria que você soubesse também para ajudarmos a Mabi. Pode ser embaixo da árvore no intervalo novamente?” Está tarde. Preciso ir dormir, porque amanhã haverá aula, Lembra?

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Capítulo XIV - A Grande Descoberta Recebi a mensagem no MSN que a Mirella me deixou. Esqueci legal do encontro. Dei uma pesquisada também e logo fui dormir. Acordei cedo, me arrumei para ir ao colégio. Cheguei mais cedo pra ver se a Mirella podia dar uma adiantada no assunto, mas ela chegou bem na hora que o sinal tocou, só deu tempo dela me perguntar: __Recebeu minha mensagem? __Sim e desculpa, me esqueci completamente. __Tudo bem! – Nesse momento o sinal tocou. __Te espero embaixo da árvore. - e entramos na sala. As aulas demoraram séculos e séculos para passar, mas finalmente chegou a hora do intervalo. Saí correndo e já sentei no local combinado. Mirella não demorou a chegar: __Ontem pesquisei sobre os maus tratos no Google, e encontrei vários casos de agressão à crianças e adolescentes, porém nenhum envolvendo tutoras. Fiquei um bom tempo pesquisando, demorei bastante. Quando estava quase desistindo achei um. Falava de um menino. Ele contou que se não fizesse o que sua tutora mandasse ele apanhava. – Mirella se arrepiou, mas continuou falando: – E quando a tutora estava com raiva, descontava tudo no pobre garoto. – Fiz uma careta, imaginando. __Nossa Mirella! E o que ele fez? __Esse é o problema Cassiandro, ele não fez nada. Ficava com medo de contar a alguém, até que um dia o Conselho Tutelar foi na casa dele e perceberam os machucados. Examinaram melhor e havia hematomas por todo o corpo da criança. Então o menino contou para o conselho tutelar tudo que ele sofria. Acho que acontece a mesma coisa com a Mabi, porque ela não contou pra ninguém. Talvez seja até por isso que ela é tão “esquisita”. __Deve ser mesmo. Ontem, depois que li seu recado, fui pesquisar descobri como denunciar. É só ligar pro 100 que denunciamos anonimamente – falei com um tom de esperança. __Mas Cassiandro, não podemos sair assim denunciando. Acho que deveríamos falar com a Mabi, pra ela denunciar. Teríamos mais chances de convencer, porque teríamos provas. – Mirella fez um movimento com a cabeça, na direção da Mabi que tentou desviar o olhar. __Acho que ela desconfia de que estamos tramando algo. Ela fica nos olhando o tempo todo, até na hora da aula, quando você não está olhando, ela já te fuzila com um olhar! __No final da aula abriremos o jogo com ela. – disse Mirella decidida – Vou comprar meu lanche, ontem eu não jantei.

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Capítulo XV - A hora da revelação Eles estão tramando alguma coisa, eu tenho certeza. Às vezes eles me olham com um olhar estranho, não gosto disso. Acho que eles descobriram o que eu sofro. Mas o que eles vão fazer? Tomara que nada, porque senão vai acabar sobrando pra mim. Ai meu Deus, o que eu faço? Na hora do intervalo estavam falando sobre mim, eu sei. Teve até uma hora que a Mirella fez um movimento com a cabeça em minha direção, e o Cassiandro olhou também. Acho que consegui disfarçar que não estava olhando para eles. As aulas demoraram a passar, como sempre, mas finalmente acabou a tortura. Hoje já é sexta-feira, ainda bem. Amanhã nem depois de amanhã tem aula, mas tem aquele show de talentos à noite. Acho que aquilo vai ser um desastre. Quando estava indo para casa, vi aqueles dois na minha frente. Eles me perseguem: __Hum... Mabi, queremos falar com você. – Disse Mirella um pouco sem jeito. __Desculpe garota, mas preciso ir pra casa. – Queria sair correndo dali. __Não, vai demorar só um minutinho. _ Cassiandro disse, estragando tudo, como sempre. __Falem rápido. – disse, mas torcendo para não ser nada de mais. __Bem... Eu e Cassiandro, nós... nós... descobrimos, quer dizer, achamos que descobrimos... - Mirella cutuca Cassiandro e implora: – Fala você, por favor. __Eu? Tudo bem. – Disse ele, mas com vontade de não falar também. __ Nós achamos que sabemos o que você sofre Mabi. Gelei. Fiquei calada, praticamente petrificada! Eles descobriram, e agora? O que será de mim? O que eles vão fazer? __Pode falar pra gente Mabi, nós queremos te ajudar, queremos ser seus amigos, o que a sua tutora faz com você é crime, ela pode ser presa. – Disse Mirella __É Mabi, se junta a nós. Se você topar, nós a denunciamos agora. Com você fica mais fácil. – Disse Cassiandro. __Gente! – Comecei a chorar –Alana me ameaça, diz que mesmo se for presa um dia sairá de lá e acabará comigo! __Mabi, se você denunciar, isso que ela diz não vai acontecer. Você só precisa dizer o que acontece. Você não quer se ver livre disso? – Mirella questionou. __É o que mais quero, mas eu tenho medo. – Falava e chorava ao mesmo tempo. 147


__Não fique com medo, tudo acabará bem.

Capítulo XVI - Hora da Mudança Depois de conversarmos com Mabi, fomos para a delegacia falar com o delegado. Nós não sabíamos o que tínhamos que fazer muito bem, mas tínhamos que fazer algo. Chegamos à delegacia, tinha um policial na porta e já foi logo perguntando: __O que essas três criancinhas estão fazendo aqui na delegacia? Delegacia não é lugar de para crianças. – Disse sarcasticamente. __Temos que falar com o delegado, para resolver uma coisa muito importante. – Disse Cassiandro. Entramos e logo vimos uma porta, onde estava escrito: “Delegado”. Rumamos pra lá. Dei leves batidas na porta e disse: __Com licença. Podemos entrar? – enquanto abria a porta. __Claro que podem, entrem crianças. – Disse o delegado em um tom amigável – Sentem-se. Nós três sentamos em cadeiras em frente ao delegado. __O que vocês vieram fazer aqui? – Perguntou o delegado. __Bem... é que nos queríamos denunciar uma pessoa. – Disse Cassiandro. __ É a tutora da Mabi. – eu disse e fiz um gesto para indicar Mabi, que só balançava a cabeça confirmando, parecia que estava em outro mundo. __Mas o que essa tutora faz? – O delegado já ficando preocupado com a situação. __Mostre para ele Mabi. – Disse Cassiandro, mas Mabi fez uma cara de desaprovação e disse não com a cabeça. __Mostre Mabi, é para seu bem. – procurei convencê-la. __Não precisa ficar com medo e nem vergonha. Mostre, isso vai te ajudar. Eu posso te ajudar. – Afirmou com propriedade o delegado. __Tudo bem, tudo bem. – Disse Mabi chorando, então se levantou e tirou a blusa. O delegado fez uma cara de espanto e ficou com a boca aberta, não sabia o que dizer, então eu resolvi falar: __A tutora bate, intimida, ameaça e a obriga a trabalhar pra ela. Ela tinha medo de contar para alguém, então eu e Cassiandro descobrimos e resolvemos tomar uma providência.

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__Você fez certo menina. Mostre-me onde essa tutora mora, ela será presa agora mesmo. – Disse o delegado em uma mistura de determinação e raiva ao mesmo tempo. Saímos e fomos para a casa de Mabi, sendo guiados por ela. Pelo interfone Mabi se anunciou, Alana abriu o portão e gritou de dentro de casa: __Entre pirralha! Por que demorou tanto para chegar da escola? Vai ficar de castigo! __Dessa vez não, sua bruxa. Nunca mais! – Disse Mabi determinada e chorando ao mesmo tempo. __Do que você me chamou? O que você disse? – disse Alana com raiva. __Temos um mandato de prisão para a senhora Alana Medeiros por maus tratos à menor de idade. – disse o delegado em um tom alto. Silêncio por um tempo, escutamos apenas movimentos dentro da casa. __Não adianta fugir, o quarteirão está cercado! –avisou o delegado. Alana sai com uma cara de má. Estava com um vaso na mão, então o delegado grita: __Afastem-se crianças. – E já nos empurrava para trás. __Sua pirralha! – Gritou Alana para Mabi. – Como pode fazer isso? Você ainda vai se ver comigo, aaah se vai! Alana pegou o vaso com as duas mãos e jogou em nossa direção, mas especificamente em Mabi. Quando vi isso, empurrei Cassiandro e Mabi para o lado. Afastei, mas já haviam cacos e mais cacos perfurando minhas pernas. A última coisa de que me lembro é que estavam sangrando. Desmaiei e não me lembro de mais nada que aconteceu.

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Capítulo XVII - Mirella no hospital Quando vi Mirella caindo, avancei e a segurei em meus braços. Olho para suas pernas, que estavam cortadas. Olho Alana no portão da casa e grito: __Sua bruxa! Como você tem coragem de machucar um menor de idade? – Eu disse chorando em um tom alto. Mabi ficou chocada, olhando para Alana com um olhar de nojo. Quando percebeu o que havia acontecido com Mirella, correu para cima dela também. O delegado e dois policiais prenderam Alana e a colocaram na viatura. Um dos policiais chamou uma ambulância que não demorou a chegar. Os médicos a colocaram na ambulância e perguntaram se alguém queria acompanha-la, então eu e Mabi respondemos que sim e fomos para o hospital. Mabi começou a falar na ambulância, que era tudo culpa dela, mas eu disse: __A culpa não foi sua Mabi. Foi daquela louca da Alana. Você não tem culpa de nada. –Tire isso de sua cabeça. Logo chegamos ao hospital, então não deu tempo de falar mais com Mabi. Peguei o celular no bolso da Mirella e liguei para seu pai, para informar o que aconteceu. Levaram–na para uma sala, onde não podíamos entrar. Eu só queria que ela ficasse bem. O pai de Mirella chegou rapidamente e começou a perguntar, eu fui respondendo calmamente. Vi que ele estava muito preocupado com sua filha. Cerca de 20 minutos depois a porta da sala abriu e Mirella veio caminhando ao lado do médico ao nosso encontro. O pai de Mirella foi correndo e abraçou-a, eu fui logo atrás. Mabi só se levantou, mas ficou no mesmo lugar. Vi vários curativos nas pernas de Mirella. Assim que recebeu nossos abraços ela foi em direção de Mabi, para abraçá-la: __E então? Correu tudo bem? – Perguntou feliz.- Porém Mabi não soube o porquê de sua felicidade. __Não, você está ferida por minha causa. – Culpou-se novamente. __Foram só alguns cortes, nada grave. Desmaiei porque não consigo ver sangue. Tudo bem Mabi, a culpa não foi sua. Mas a Alana foi presa né? – Disse em um tom sério essa última parte. __Foi sim, ainda bem, porque se não tivesse, eu dava uns tabefes dela. – Eu disse. __Cassiandro e Mirella, queria agradecer a vocês por tudo que fizeram por mim. Vocês realmente são meus amigos. – Mabi começou a chorar. __Não foi nada amiga. – Disse Mirella. __É para isso que servem os amigos, não? – Eu disse. Sorrimos, todos até mesmo Mabi.

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Capítulo XVIII - O grande show Chegou o dia do show de talentos, mas eu não estava mais com preguiça, estava com meus amigos e acho que vai ficar muito boa nossa apresentação. Mirella ainda estava com alguns curativos em sua perna, mas dava para esconder debaixo do jeans. Eu fiquei na guitarra, Cassiandro na bateria e Mirella no vocal, pois sua voz é magnífica cantando. Decidimos que Mirella cantaria a música que ela havia escolhido, mas em um estilo diferente. Ficamos na plateia até chegar a nossa vez. Antes de começar a apresentação do grupo que nos antecedia fomos para os bastidores. Estava muito nervosa, acho que os dois também estavam. O outro grupo terminou sua apresentação, ouvimos som de aplausos. Essa era a deixa, era a nossa vez. Fomos recepcionados com aplausos. Fui logo para a guitarra, o Cassiandro para a bateria e Mirella para a boca do palco, onde estava o microfone e começou a falar: __Cantaremos uma música em dois estilos: Rock e Reggae. Espero que gostem! – Disse sorrindo. Comecei a tocar e Cassiandro também. Em seguida Mirella soltou sua linda voz. Quando terminamos a apresentação fomos muito aplaudidos, havia algumas pessoas em pé. Acho que gostaram mesmo! Quando voltamos para a plateia, várias pessoas que estavam perto nos cumprimentaram parabenizando-nos. Estava na hora de anunciarem os vencedores, então a professora de artes, que eu nem odiava muito agora, subiu no palco e começou a falar: __Muito bem. Estou muito orgulhosa de vocês alunos, realmente foram muito bem, porém somente um grupo pode ganhar o primeiro lugar. Vamos ao nosso pódio: “Em terceiro lugar, Lucas e Camila”! – várias pessoas aplaudiram. Eles se dirigiram ao palco, pegaram o seu troféu e saíram. A professora continuou: __Em segundo lugar, fica Mateus e Leandro, nossa dupla sertaneja! Parabéns aos dois, a apresentação foi realmente muito boa! – Disse a professora sorrindo. A dupla subiu no palco, pegou o troféu e tornou a descer, sem falar nada. __E agora, o primeiríssimo lugar... Antes, queria parabenizar a todos novamente... __Anda logo professora! – Disse um garoto que estava atrás de nós. __Ok, então, nosso primeiríssimo lugar fica com... – suspense... deu para perceber que várias pessoas cruzaram os dedos, inclusive nós. Cassiandro, Maria Beatriz e Mirella! A apresentação foi ótima, digna do primeiro lugar. Venham, subam no palco!

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Eu, Mirella e Cassiandro estávamos em estado no choque, mas Mirella levantou e nos empurrou para o palco. Pegamos o troféu e eu, decidida, comecei a falar ao microfone: __Eu queria agradecer esse troféu aos meus dois melhores amigos: Mirella e Cassiandro. Eles estavam comigo quando eu mais precisei. – Lágrimas surgiram em meus olhos, mas não eram lágrimas de dor nem medo, eram de felicidade. – E eu quero falar para todo mundo o quanto é bom ter amigos. – me virei para Mirella e Cassiandro e os abracei – Eu amo vocês!

Capítulo XIXI - Tudo estava bem Ganhamos o concurso de talentos. Fomos esplêndidos. Comemoramos muito, e até me emocionei com o que a Mabi disse. Eu também amo muito aqueles dois. São realmente amigos de verdade. Nós estamos juntos sempre. Tudo estava bem. Finalmente as coisas estavam tomando o rumo certo. Mabi conseguiu um emprego e está trabalhando como garçonete em uma lanchonete que passamos a frequentar. Com o dinheiro que ganha no trabalho, tirou o avô do asilo e o trouxe para morar com ela. Cassiandro e eu começamos a nos encontrar mais, acho que aqui ainda vai rolar alguma coisa. Ele até pediu aos seus pais para ficarem morada aqui e deixar dessa vida de cigano. Para nossa sorte ele conseguiu convencêlos, ainda bem. E eu? Bem, eu continuo amiga desses dois malucos aí. Mas são os melhores malucos do mundo! Passamos a fazer várias coisas juntos. E sempre recordamos de como nos conhecemos: - É... O problema realmente nos uniu.

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Cohecendo os autores Meu nome é Iasmine, tenho 12 anos. Nasci e Moro em Anápolis. Eu criei a Maria Beatriz, a garota que sofria abuso da tutora. Gostei de fazer este projeto, foi divertido mesmo com um pouco de dificuldade, em relação à escrita. Mas foi muito gratificante. Gostei porque mostra um pouco do que crianças e adolescentes do mundo passam. Foi muito legal.

Meu nome é Júlio Wilson. Tenho 13 anos. Nasci em Goianésia, Goiás, e atualmente moro em Anápolis, Goiás. Estudo no colégio Adonai faz três anos. Eu criei Cassiandro, o menino cigano. Gostei muito de escrever esse livro, pois ele fala muito da realidade de algumas crianças. Foi muito importante, pra mim, fazer esse trabalho.

Sou a Samara, nasci em Brasília DF, mas atualmente moro em Anápolis GO, tenho 13 anos. E com esse trabalho aprendi que não são só em histórias fictícias, em livros ou mesmo em lendas que conhecemos pessoas por acaso, porque na construção desse trabalho me envolvi com duas pessoas totalmente diferentes com atitudes totalmente inversas os conheci melhor. Apesar de que amigos são poucos, Deus preparou o bastante pra me ajudar a levantar quando cair, para me apoiar. Mas tenho passado por experiências, convivido com algumas pessoas difíceis e aprendido que não só nas ‘’amizades’’ mas na nossa vida nada acontece por 153


acaso, porque tudo que Deus permite que aconteça é por algum motivo. Nesse livro quisemos mostrar exatamente isso: o papel da Mirella, Patricinha da roça, que conheceu o Cassiandro e a Maby, e adota um papel de companheira. Por mais que eles briguem, ela sempre procurou saber se seus amigos estavam bem, mesmo sendo adolescentes procuram com responsabilidade o bem uns dos outros. Entendo que preciso melhorar em algumas coisas como por exemplo: aprender a ver os dois lados de uma situação, analisar, confiar menos em todo mundo e apenas nos mais próximos. Que essa história também possa ajudá-lo a refletir a respeito do valor de boas amizades! Bibliografia: Imagens a partir do - BuddyPoke – Orkut.

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Pequenas histórias, grandes Amizades