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AS

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PERGUNTAS MAIS IMPORTANTES

QUE VOCÊ DEVERIA FAZER A SI MESMO *

Planeta


ste livro vai ajudá-lo a ajudar a si mesmo. Você

E

entenderá alguns sentim entos - com o autossa-

botagem , estresse, ansiedade, depressão, am arras ao passado -, o m odo com o eles se desenvolvem e o que fazer para aplacá-los e dar a grande virada. A renom ada terapeuta Alyss Thomas concilia teoria e prática ao p ro p o r um a série de exercícios que o levarão a fazer um balanço da sua vida. Porque apenas ao tom ar consciência de suas atitudes e emoções você será capaz de m udar aquelas que o estão boicotando.


Talvez você faça ou já tenha pensa­ do em fazer terapia. Talvez prefira se aconselhar com os am igos. M uitas vezes, p ed ir ajuda é tran q u ilizad o r e reconfortante, e há ocasiões em que a experiência ou a op inião de o u tra pessoa realm ente nos auxilia a enfren­ tar problem as não resolvidos para que possam os seguir em frente. Mas será que alguém o conhece m elhor do que você mesmo? Se você aprender a fazer a si p ró p rio as perguntas certas - e respondê-las honestam ente -, será capaz de deixar a em oção de lado para avaliar as si­ tuações p o r que passa, com um a per­ cepção m ais realista de seus valores e atitudes. Neste livro, a psicoterapeuta Alyss Thomas reúne os tem as que m ais ouve em seu co n su ltó rio e o conduz à busca das respostas para que você não caia m ais em arm adilhas que o levam a um estado de ansiedade ou depressão ou a repetir co m p o rtam en to s que põem a perder alguns relacionam entos. A lgum as das 1000 perguntas m ais im ­ p o rtantes que você deveria fazer a si m esmo: •Você acha m u ito difícil dizer não? • Você sabe relaxar de verdade? • Você vive ansioso? • D o que tem m ais m edo, e p o r quê?


• Você é invadido por um a tristeza sem m otivo aparente? •Acha que precisa ser mais generoso com seus amigos do que eles são com você, para que continuem sendo seus amigos? • Você vive no passado? • Q ual foi a prim eira grande decepção ou desapontam ento que teve em seu relacionam ento? • Quais são as qualidades essenciais que você exige de um relacionamento?

ALYSS THOMAS e psicoterapeuta. C o m o integrante do G roup Analysis de Londres, trabalha tan to com adul­ tos com o com crianças. A tualm ente, vive em D evon, na Inglaterra. Alyss é tam bém poeta.


C opyright © Alyss T h o m as, 2005 T ítulo original: The 1000 most important questions you wül ever ash yourself

Coordenação editorial: D é b o ra G u te rm a n Assistente editorial: C ristian e P ero n i Preparação: F átim a C outo Revisão: Francisco Jo sé M. C outo Diagramação: G ustavo A b u m rad

D ados In te rn a c io n a is d e C atalo g ação n a P u b licação (CIP) (C âm ara B rasileira d o Livro, SP, Brasil) Thom as, Alyss As 1000 p erguntas mais im p o rtan tes que você deveria fazer a si m esm o / Alyss T hom as ; tradução Sonia P inheiro. - São Paulo : E ditora Planeta d o Brasil, 2009. T ítulo original: T h e 1000 m ost im p o rta n t questions you will ever ask yourself. ISBN 978-85-7665-457-5 1. A utoconfiança 2. A utodom ínio 3. C on d u ta de vida 4. C ontrole (Psicologia) 5. Emoções 6. M udança de vida - A contecim ento 7. Realização pessoal 8. Solução de problem as (Psicologia) I. Título. 09-06082

CDD-158

índices para catálogo sistemático: 1. M udanças na vida pessoal : Psicologia aplicada 158

2009 T odos os d ireito s desta edição reservados à E d it o r a P l a n e t a d o B r a s il L t d a .

A venida F rancisco M atarazzo, 1500 - 3 “ a n d a r - conj. 32 B E difício N ew York 05001-100 - São Paulo-SP w w w .editoraplaneta.com .b r ven d as@ ed ito rap lan eta.co m .b r


A gradeço a todos os m eus professores, passados e presentes, que m e ensinaram mais do q u e posso m e lem brar. O brigada tam bÊm a G areth e B enny p o r terem im aginado e to rn a d o possível este projeto.


Sumário 13

Introdução

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Um novo oráculo de m udança Porque você não precisa de conserto A arm adilha da negatividade, dos queixumes, da desesperança, da baixa autoestima, do rem orso e da culpa Mas por que devo fazer isso? Pensar Será que eu mereço? Negação e justificação Como funciona este livro

15 16

16 16 17 18

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CAPÍTULO 1 21 21 25 26 27 27 31 32 36 37 39 39 41 44

Pergunte a você mesmo O que eu realm ente quero? Perguntas vitais Ação O que você deseja esclarecer? Plano de ação Confiança e autoestim a Avalie sua autoestim a Sete exercícios para prom over a autoestima Exercício de autoconfiança Planejando o sucesso Treze resultados vitoriosos Autossabotagem Até que ponto você mesmo se sabota? CAPÍTULO 2

51

Escolha seus valores

51

Quais são os seus valores? Escolha seus valores A lista de valores

52 54


8 Sumário

63 Exercício com os valores 67 P ôr em prática os valores: to m ar decisões 69 U m a base ética CAPÍTULO 3

72 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento 72 T udo o que você precisa saber sobre estresse e adm inistração 72 74 74 75 76 78 80 81 83 84 85 89 91 93 94 96 98

100 101 103 104 105 106

do tem po A dm inistração do tem po Perguntas p ara a m a n h ã e p ara a noite E n co n tre a p e rg u n ta certa Estresse Q ual é o seu nível de estresse? C om o lidar com os fatores causadores de estresse Você é afetado p o r agentes in tern o s e invisíveis de estresse? C ontagem de pontos O que lhe ensinaram sobre o m odo de e n fre n ta r o estresse? Diga não Q uestionário do “n ã o ” A nsiedade - O que é isso? Para c o m p re e n d e r a ansiedade Você sofre de sintom as físicos de ansiedade? Sintom as m entais e em ocionais de ansiedade Você apresenta sintom as em ocionais e m entais de ansiedade? Você tem um co m p o rtam en to ansioso? Você sabe relaxar de verdade? P erguntas sobre relaxam ento M editação atenta Você é u m a pessoa atenta? Com o re c o n h ec er a m editação aten ta Exercício de visualização CAPÍTULO 4

110 Lidar com o passado 110 Você vive n o passado? 116 Sobreviver ao passado


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 9

117 Q ue tipo de talentos, p ercep ção e aptidões seu passado

lhe deu? 117 A transferência com o arm adilha 121 121 123 124

124 126 127 130 135 138

141 144

R ecordações difíceis ou desagradáveis P erguntas sobre recordações desagradáveis Seguir em frente: um m ito R epensar o passado A firm ações negativas de vida Identifique e reescreva suas afirm ações negativas de vida Ficar e m p erra d o D epressão Q uestionário sobre depressão Tristeza e p e rd a Você sofre de tristeza n ão resolvida ou oculta? Estresse pós-traum ático CAPÍTULO 5

147

Felicidade, alegria e criatividade

148 L iberdade 149 C uriosidade 150

151 152 153 155 161 162 164 166 170

171 173

A legria Q ual é o seu quociente de alegria? Você é infeliz? Tijolos p ara co n stru ir sua felicidade Até que p o n to você é feliz? Escreva um diário de felicidade C riatividade Q u estio n am en to criativo Q u estionário da criatividade A “p e rg u n ta m ilagrosa” C om o resolver problem as de form a criativa Bem -estar CAPÍTULO 6

176

Relacionamentos e comunicação

178 Q u estionário exploratório para casais


10 Sumário

185 187

193 196 200 201 204

As fases cíclicas de um relacionam ento Que fase você está atravessando? Avalie sua habilidade para se com unicar como casal Expectativas Com portam entos positivos e negativos em um casal Avalie a si mesmo e ao seu par Protesto saudável

206 C o m o a d m i n i s t r a r c o n f lito s 207 Com portam entos aceitáveis e inaceitáveis 210 Perdão e reconciliação 211 Diferenças de personalidade 212 Você é extrovertido ou introvertido? 215 Segurança e apego 217 Q u a l é s e u e s tilo d e a p e g o ?

220 Questionário do apego 223 Inteligência sexual CONCLUSÃO

226 Esperança 228 Notas, referências e leituras adicionais


... seja paciente com tu d o o que não está resolvido em seu coração. Tente am ar as próprias in te rro g a ­ ções, com o se fossem quartos trancados ou livros escritos n u m idiom a estrangeiro. N ão p ro c u re ago­ ra as respostas que não p o d em ser dadas, pois você não seria capaz de vivê-las. E o im p o rtan te é viver tudo. P or en q u an to , apenas viva as perguntas. Tal­ vez então, pouco a pouco, sem m esm o perceber, você possa, em um dia distante, conviver com as respostas. R ainer M aria Rilke, Carta a um jovem poeta, 1934


Introdução Aquele que s upera a si mesmo é um forte. Lao-tsé, Tao Te Ching

O c o n h ecim en to favorece o ser. A autoconsciência nos aju a evoluir, a te r u m m e lh o r d esem p en h o n a arte de viver e a nos co­ n e cta r aos outros. Perm ite-nos a p rim o ra r a qualidade de nossa vida e a das pessoas que nos cercam . Este livro o ajudará a desenvolver certos tipos de autoconsciência. Ao re sp o n d e r às perguntas, você am pliará sua p ercepção, chegará a conclusões, irá além de algu­ mas de suas atuais lim itações e fará novas descobertas a respeito de q u em você é e de quem p o d e vir a ser. N ão se obrigue a p e rc o rre r o livro do início ao fim; dê p refe­ rên cia às partes que parecem lhe falar neste m om en to . Mas, p o r o u tro lado, se p e rc eb e r que n ão q u e r de m aneira algum a ler d eter­ m in ad o trecho, talvez seja interessante investigar a razão dessa re­ sistência. Se reagir fo rtem en te a alguns tópicos, talvez haja u m a boa razão p a ra isso. Talvez eles façam p arte da história que você vem co n tan d o a si p ró p rio , a respeito de quem você é e do que p o d e ou n ão p o d e fazer - to m an d o p o r base o passado. Este livro se p ro p õ e a atualizá-lo n o aqui e agora de sua vida. No passado, limites foram traçados pai a cada um de nós, e aprendem os a fu n cio n ar d e n tro de u m d eterm in ad o código de norm as que nos indicava o que p o d ía­ mos o u não podíam os fazer, ousar ou acreditar. O que será diver­ tido neste livro e re p re se n ta rá u m desafio é o fato de lh e fo rn ecer ideias e ferram entas p ara abrir sua p ró p ria caixa de P an d o ra de atitudes, com portam entos, em oções, pensam entos e convicções. Você p o d e rá escolher quais deseja conservar, alterar o u descartar. P o d erá desafiar a si m esm o, crescer, m udar, p ro g re d ir - n o seu p ró ­ p rio ritm o. P oderá ad q u irir segurança, confiança e u m a elevada autoestim a. A qui você e n co n trará um tesouro de inform ações que lhe serão úteis, dadas de m an eira d ireta e com preensível.


14 Introdução

Superar a si próprio representa mais do que a m etade da luta con­ tra qualquer problem a. Somos m uito hábeis em criar problem as que levarão décadas para serem resolvidos p o r nós. O utras vezes, são os outros que nos causam problem as, especialm ente quando somos crianças, e leva m uito tem po até escaparm os da arm adilha específica em que nos encontram os. Com o psicoterapeuta, tive acesso privile­ giado ao universo interno de muitas centenas de indivíduos que me confiaram seus problem as, alegrias e segredos e, em lugar de culpar os outros, sentiram-se especialm ente interessados em descobrir o que eles mesmos estavam fazendo para que tudo desse errado. Este livro é o resultado de algumas perguntas persistentes que venho fazendo a m im m esm a durante todos esses anos em que ouvi pessoas que se sentiam , de algum a forma, insatisfeitas ou infelizes. C om o e p o r que as pessoas prejudicam a p ró p ria vida, e com o p o d em d eixar de fazê-lo? O que nos im pede de ser felizes e reali­ zados? O que nos im p ed e de alcançar o que realm en te desejamos? Existem, é claro, razões externas de vários tipos p ara que as coisas n ão d eem certo, e talvez o m u n d o seja um lugar ruim , perigoso e difícil. Em algum m om ento, coisas difíceis e até impossíveis suce­ d em a todos nós, e, nesse caso, nossa única opção é escolher que atitu d e to m ar q u a n d o algo desafiador acontece. Mas não é esse o assunto deste trabalho. Este livro existe p a ra ajudá-lo a viver m elh o r a sua vida, aconteça o que acontecer, e m ostra com o você p o d e rá evoluir a p o n to de ser você m esm o a solução infalível, p o r mais difícil q u e seja a situação - e que o to rn a rá capaz de sen tir tan to a alegria q u an to a felicidade.

Um novo oráculo de mudança M uitas vezes recorrem os a vários m étodos diferentes p ara ten ­ ta r p rev er o fu tu ro . A ntigos oráculos, com o o I ching o u o tarô, nos ajudam a o b te r esclarecim ento a respeito de questões e p ro b le ­ mas difíceis e com plicados. Esses antigos oráculos são a in d a m uito populares. E n tretan to , surgiram em culturas m u ito diferentes da nossa e rep resen tam valores que já não nos servem , tais com o o pap el das m ulheres, m ostrado com o im utável. Este livro nos con­


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vida a ver com novos olhos a nossa necessidade de fazer perguntas e de e n c o n tra r as respostas que nos são mais apropriadas. E m bora resp eitan d o e valorizando a sabedoria tradicional, o livro tam bém oferece um a visão d ireta e atualizada, baseada em princípios lógi­ cos e sólidos. Q u estionar a nós m esm os é um m éto d o m uito eficaz p ara fazer avançar nossa vida.

Porque você não precisa de conserto É fácil sentir-se vulnerável e inseguro, sen tir que deve existir alguém que tem as respostas certas p ara você. N ão é m uito difícil form ar-se com o terap eu ta, conselheiro ou líd e r de sem inários e o ferecer às pessoas soluções, m odelos e conselhos de com o refor­ m u lar sua vida. Será que essas pessoas o co n h ecem m e lh o r do que você m esm o se conhece? R ecrutar ajuda profissional p o d e às vezes ser tran q uilizador e reco n fo rtan te, e existem ocasiões em que vá­ rios tipos de terapia realm en te ajudam a e n fre n ta r problem as não resolvidos, p ara pod erm o s seguir em frente. As vezes a ex p eriên cia de o u tra pessoa é fu n d am en tal p a ra ajudá-lo a avaliar-se mais p re ­ cisam ente com m aior clareza. E n tretan to , é prejudicial im aginar que existe algo de e rra d o em você, algo que precisa ser consertado. M uitas pessoas ten tam convencê-lo de que p o d em lhe o ferecer algo que n in g u ém p o d e lhe dar: u m a boa atitude e a capacidade defazer a si próprio as perguntas certas. E é disso que tratam os neste livro. As 1000 perguntas mais importantes que você deveria fazer a si mesmo aborda a psicologia p o r um a via diferente daquela en co n trad a em outros livros e program as populares de autoajuda. Este livro não se refere apenas a m udanças de com portam ento o u à contestação de antigas convicções - em bora isso tam bém esteja incluído. E apresen­ tado em form a de questionário, para conduzi-lo a u m a m elh o r p er­ cepção de seus valores, atitudes e em oções inconscientes. A p ercep ­ ção é p o r si m esm a transform adora. Você perceberá que as perguntas continuarão a atuar m uito depois que tiver fechado o livro. Por isso, os questionários apresentam um form ato “leve” e não contêm as p er­ guntas rotineiras dos questionários psicológicos destinados a traçar u m perfil. Sua intenção é refrescar sua m em ória.


16 Introdução

A armadilha da negatividade, dos queixumes, da desesperança, da baixa autoestima, do remorso e da culpa C hega a ser im pressionante o simples fato de serm os capazes de levantar da cama. Para que se d ar a esse trabalho? V encer a si p ró ­ p rio já re p re se n ta mais que a m etade da batalha. C riar em si m esm o a atitude co rreta de m odo a estar p ro n to p ara as coisas boas que estão p o r aco n tecer pode exigir um trem en d o esforço. M uitas vezes não é o p ro b lem a que rep resen ta n a verdade u m problem a, mas sim as atitudes às quais estam os apegados. Será impossível ler este livro sem m u d a r de atitude, pelo m enos um p o u q u in h o . Se ain d a não está p ro n to , volte p ara a cam a, mas lem bre-se co n stan tem en te de que este livro a n im ad o r e d eterm in ad o estará à sua espera.

Mas por que devo fazer isso? P o r que deveria se d a r ao trabalho de se in teressar pelas p er­ guntas deste livro? Parece que custará m uito esforço, e com o saber se vai servir para algum a coisa? E xperim ente e tire suas conclusões. Tente aplicar o m éto d o a u m a p e q u e n a área d a sua vida. Tente algo que p areça fácil e pouco am eaçador. D epois vá em fren te, anim ado pelos resultados obtidos. N ão com ece p o r um g ran d e p ro b lem a c o n tra o qual ven h a lu tan d o h á décadas.

Pensar W illiam Bion, um psiquiatra n ad a convencional, criou seu m é­ todo em p arte p o r te r trab alh ad o com soldados traum atizados, d e­ pois d a Segunda G uerra M undial. Ele p e rc eb e u que algum as pes­ soas se esforçam ao m áxim o p a ra não p en sar a respeito de fatos que não desejam encarar. B loqueiam esses fatos e os en cerram em um d e p artam e n to isolado da m ente. Além disso, algum as pessoas im p ed em , de form a inconsciente, que os outros pen sem livrem en­ te o u os desafiem p o r m eio de ideias e pensam en to s que elas não desejam ouvir.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 17

Bion sentiu-se fascinado p elo processo do p e n sam en to em si m esm o. O que nos p e rm ite p e n sa r nossos p ró p rio s p en sam en to s originais e ch eg ar a nossas p ró p rias conclusões, e o que, pelo co n ­ trário, o im pede? P or q u e às vezes é tão difícil p e n sa r com clareza? Em p a rte p o rq u e na escola, p o r algum m otivo, não nos en sin aram a utilizar ferram en tas conceituais de p en sa m e n to - as crianças p o ­ deriam ch eg ar ã conclusão de que tin h am coisas m elh o res a fazer do que fre q ü e n ta r a escola. Em p a rte p o rq u e fom os trein ad o s a m a n te r em fu n c io n a m en to bloqueios ao p e n sam en to , p ara não serm os levados a q u e stio n ar dem ais a realidade. E em p a rte p o r­ q ue nos sentim os aterrorizados d ian te da possibilidade de saber o que re a lm en te desejam os. E provável q u e todos nós ten h am o s esses p en sam entos inconscientes, ou “im pen sad o s”, que estão logo ali, esp eran d o apenas q u e ten h am o s a p re n d id o a p e rm itir sua en trad a. A lguns desses p en sam en to s p o d e m ser lib ertad o res o u criativos. Bion criou um conceito, que d e n o m in o u “m enos K”, que re­ p resen ta a força que existe em cada um de nós e q ue gostaria de nos m a n te r n a ignorância. E o sabotador, o resistente, aquele que tem todas as desculpas e que deseja se m a n te r p e q u e n o e m edroso. Em oposição a esse, Bion form ulou o conceito “O ”, a força desco­ n h e cid a que leva a crescer e evoluir, que tam bém existe in te rn a ­ m en te - o incessante processo do potencial h u m an o , q u e o fam oso psico terap eu ta Carl Rogers descreveu com parando-o a brotos de b atata q ue crescem em um po rão escuro. In d e p e n d e n te m e n te da distância, com o tem po, esses b ro tin h o s en co n trariam o cam inho p ara a luz. Todos nós, se conseguirm os luz e espaço em q u an tid ad e suficiente, podem os crescer, am ad u rec e r e florescer.

Será que eu mereço? Buscar o que eu q u ero não seria u m a d em o n stração de egoís­ mo? Eu não m ereço; devo p en sar p rim eiro nos outros, co n sid erar em p rim eiro lugar a família; não sou bom o bastante p ara te r as coisas que desejo. Esta é um a velha m ensagem de m edo, restrição e lim itação. Os outros p o d em se sen tir invejosos se você levar um a


18 Introdução

vida feliz fazendo exatam ente o que acha m elhor. Talvez eles não o aprovem . Q uem você pensa que é p ara te r planos tão ambiciosos? Se algum dia se p e g a r p e n sa n d o coisas desse tipo, está na h o ra de p a ra r com isso. Você n ão veio a este p la n e ta p a ra realizar o q u e o u tra pessoa p ro g ra m o u p a ra você. Está aqui p a ra se sen tir realizado, e n in g u é m , a n ão ser você m esm o, p o d e sab er o que co n sid e ra “ser u m a pessoa realizad a”. Talvez seja algo m u ito dife­ re n te do q u e você pensava q u e e ra ser u m a pessoa feliz e realiza­ d a - o u m u ito d ife re n te da n o ção que outras pessoas têm disso. Existe u m a voz insistente d e n tro de você, q u e sabe o que você q u e r fazer e o tip o de pessoa q u e deseja ser. J á p a ro u p a ra escutar o q u e essa voz costum a dizer?

Negação e justificação Você certam en te j á ouviu outras pessoas d izen d o coisas assim, e, com certeza, tem suas versões favoritas delas: Você não tem tem ­ po. Vive o cu p ad o dem ais g an h an d o d in h e iro e sobrevivendo, não p o d e e n fre n ta r mais nada. Sua m ãe não gostaria disso. Os ratos ro eram seu dever de casa. N ão p o d e a p arecer n u m a academ ia sem antes em ag recer um pouco. Q ual é a sua desculpa favorita n o m o ­ m ento? De agora em d iante não vai mais precisar dela. Se isso o assusta, deixe o livro de lado p o r algum tem po, até se acostum ar com a ideia de que n ão vai mais te r que fingir ser alguém que não é. D epois que re sp o n d e r a todas as perg u n tas deste livro, você n u n c a mais vai te r que se defender, se explicar ou se ju stificar p ara o u tra pessoa. N egação é algo que todos nós praticam os. M uitas vezes é até saudável. Não querem os e n fre n ta r tu d o o tem p o todo, e afastar cer­ tos p en sam entos e realidades que nos causam ansiedade ajuda-nos a tocar a vida. P o r o u tro lado, a negação p o d e se to rn a r u m hábito. Você já deve te r en co n trad o m uita gente capaz de n eg ar verdades óbvias, sim plesm ente p o rq u e é inconveniente e doloroso dem ais p e rm itir que u m a certa verdade desagradável estrague o dia. N o e n ta n to , algum as pessoas p o d e m levar anos e anos n e g a n ­ d o algum a coisa q u e obviam ente as está in c o m o d a n d o . Em lu g ar


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 19

d e re c o n h e c e r q u e essa verd ad e lhes faz m al, têm e sp e ra n ça de q u e essa verd ad e deixe de existir. Essa estratég ia de n eg ação n ão fu n c io n a a lo n g o prazo. H á u m a lei da psicologia - e lab o rad a pelo p ró p rio F reu d - q u e diz q u e tu d o o q u e é n eg ad o , ig n o ra ­ do o u re p rim id o um dia h á de voltar. Os esqueletos g u ard ad o s d e n tro d o arm ário n ão se to rn a m invisíveis p o r m ilagre. Ficam lá, acu m u lan d o p o eira, e, ev en tu alm en te, alguém os e n co n trará. N ão é fisicam ente possível a p ag a r algo q u e nos aco n teceu . Esses fatos re to rn a m , talvez de um je ito q u e n ã o nos p e rm ite reco n h ecê-los im ed ia tam en te , tal com o n a fo rm a de dificuldades psicológi­ cas e em ocionais, ou de sintom as físicos de estresse. E em p a rte p o r isso q u e alguns m étodos terap êu tico s ou de a u to aju d a p o d e m fu n c io n a r bem a c u rto prazo, mas, a longo prazo, é preciso mais do que p e n sa m e n to positivo e m u d an ças de c o m p o rta m e n to p a ra m o dificar o m o d o com o você de fato se sente.

Como funciona este livro Este livro oferece um a caixa de ferram entas com conceitos e soluções originais, práticos e elegantes, que p o d em ser aplicados a todo tipo de situação. Você p o d e usá-las p ara analisar p o r que tudo d e u errado, mas, m elh o r ainda, p o d e usá-las p ara ap rim o rar e to rn a r mais claro seu p ró p rio estilo de vida, suas m etas e sonhos e p ara solucionar problem as cotidianos. Em lugar de convencê-lo a ter pensam entos positivos, sensatos e felizes, o m éto d o de fazer p erguntas a si m esm o perm ite-lhe solucionar as coisas de m an eira realista e prática. Você não tem que “te r pensam entos positivos”; pelo contrário, a p re n d e a abrir cam inho para os pensam entos posi­ tivos que teria n atu ralm en te se o seu nível de estresse, seu am biente e sua situação não o limitassem tanto. Você escolherá pensam entos positivos. E se to rn a rá mais positivo, cheio de energia e saudável, se estiver p re p a rad o para isso. Em cada capítulo, você passará p o r um processo n atu ral de p en sam ento. Fazendo perguntas, a p re n d e rá a tran sfo rm ar p ro b le­ mas em conceitos abstratos. Se for capaz de tran sfo rm ar um p ro ­ b lem a o u um a preo cu p ação em um conceito ad eq u ad o , será mais


20 Introdução

fácil enfrentá-los. Encarando-os de form a conceituai, n ão vai senti­ dos com o algo pessoal nem se envolver em ocionalm ente. Saberá sep arar o jo io do trigo. U m a vez transform ados em valores e p re ­ d icad o s ab stratos, é m u ito m ais fácil lid a r com os p ro b le m a s e dificuldades, que deixam de ser tão com plicados e p ertu rb ad o res. Você en tão fará o cam inho inverso, passo a passo, p a ra aplicar à situação que o p re o c u p a a resposta que d e u à p erg u n ta. Se isso lhe p arece difícil, n ão é não; mas re q u e r tem po e raciocínio, e é u m processo gradual. U m a b o a h o ra p ara trab alh ar com partes deste livro são os m om entos livres, talvez q u an d o você estiver afastado da sua ro tin a norm al. N ão se esforce p ara seguir o livro do p rincíp io ao fim. Escolha u m capítulo que lhe pareça interessante e com ece p o r aí. Se deseja trab alh ar apenas um capítulo, dê preferên cia ao capítulo 2: “Esco­ lh a seus p ró p iio s valores” - esse vai causar u m im pacto em todas as áreas de sua vida.


CAPÍTULO 1

Pergunte a você mesmo A vida é o que acontece enquanto estamos fazendo outros planos. A tribuído a Jo h n L ennon

O que eu realmente quero?

O que eu quero? Essa é um a p e rg u n ta boba. E claro que vo sabe o q ue quer. O u n ão sabe? Q uantas pessoas você co n h ece que decidiram o que queriam , trataram de consegui-lo e agora estão m u ito c o n ten tes consigo mesm as? P o r q u e será q u e algum as pes­ soas conseguem exatam ente o que q u erem e outras n u n c a che­ gam a isso? T ente fazer esta p e rg u n ta “sim ples” a algum as pessoas e verá que um a q u an tid ad e su rp re e n d e n te delas h á m uito tem po não p en sa nisso. D e te rm in a r o q u e re a lm e n te se q u e r p o d e ser m u ito assus­ ta d o r - talvez você o consiga, ou p o d e te n ta r e co rre r o risco de falhar; o u p o d e d a r certo, e você teria que m u d a r algum as coisas. Pode p a re ce r mais fácil ficar exatam ente no m esm o lugar e não te r que m u d a r nada. Só que isso é fácil a curto prazo, mas, a longo prazo, é m uito desagradável sentir-se frustrado com o fato de não haver realizado algo que p o d e ria te r alcançado p o r não ter p erce­ b id o as o p o rtu n id a d e s q u e teve a n ã o ser depois q u e elas passa­ ram - que só d e u valor ao que tin h a depois de perdê-lo. O que eu realmente desejo? é u m a p e rg u n ta assustadora, e ser mais confortável ignorá-la. Mas ela n u n c a desaparece. E u m a da­ quelas p e rg u n ta s insistentes - tal com o “existe vida após a m o r­ te?” - , que o seguem , com o um c ac h o rrin h o fiel, a o n d e q u e r que você vá. Ela está sem pre ali. O fato de não saber a resposta p ara essa p e rg u n ta conduz a m uitos conflitos e infelicidade. Você diz sim àquilo que não quer, e não àquilo que q u e r - sim plesm ente p o r não te r c o m p re en d id o que é necessário, todos os dias da sua vida, p restar atenção a essa p e rg u n ta crucial. Tente perguntar-se agora: O que é que eu quero?


22 Pergunte a você mesmo

Dê-se um tem po p a ra refletir sobre a p e rg u n ta com a m áxim a atenção. Respire, concentre-se e p e rc eb a o que lhe vem à m ente. A note as respostas à m ed id a que surgirem e espere p ara ver se não aparece mais u m a outra. Im agine-se em diversas situações de vida; n o trabalho, p o r exem plo, ou em férias com a pessoa am ada. Exa­ m ine a p e rg u n ta o u tra vez, em cada u m a dessas situações. P erm ita que as respostas b ro tem do íntim o do seu ser, e, m esm o que p are­ çam não fazer sentido nesse exato m om ento, anote-as. Im agine que tem u m p ropósito singular n a vida, que é só seu, e que você sabe exatam ente qual é. C om o se sente? O que isso lhe parece? Com o é ser u m a pessoa q u e sabe ex ata m e n te do que precisa e o q u e quer, e se sente confiante o bastante p ara ir em busca desse objetivo? O que importa é não parar de questionar. A lbert E instein Você pode utilizar este livro para en fren tar problem as e situa­ ções e p o d e tam bém utilizá-lo com o ajuda n a geração de novas ideias. Fazer a p e rg u n ta certa lhe servirá de base p a ra lid ar com questões que, de o u tro m odo, p a re ce ria m acim a d a sua capaci­ dad e. A m e n te h u m a n a n ão consegue lid ar com a co m p lex id ad e d o nosso dia a dia, a n ão ser que seja dividida em bocados deglutíveis. Fazer a p e rg u n ta certa é a p a rte m ais difícil n a solução de q u a lq u e r p ro b le m a o u processo criativo. D izem que A lb ert Eins­ tein, q u a n d o lhe pei'guntaram o que faria se tivesse u m a h o ra p ara salvar o m u n d o da d estru ição nuclear, re sp o n d e u q u e utilizaria os p rim eiro s 55 m inu tos p a ra analisar e c o m p re e n d e r o p ro b le ­ m a, e as ideias surgiriam nos cinco m in u to s finais. Talvez ele não conseguisse salvar o m u n d o a tem p o , m as teria ideias to ta lm e n te novas e originais. E instein disse tam bém q u e n e n h u m p ro b le m a p o d e ser resol­ vido se c o n tin u arm o s p e n sa n d o de aco rd o com o m esm o p ad rão inicial, que d e u origem ao p roblem a. Suas palavras textuais fo­ ram : n ão se p o d e resolver um p ro b le m a m a n te n d o a m esm a dis­ posição m ental que lhe d e u origem . Temos que passar a u m nível su p erio r de p e n sa m e n to p a ra te r u m a visão p an o râm ica, e u m a


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 23

das m elh o res m aneiras de fazê-lo é p o r m eio d e p erg u n tas. Fazer as p erg u n tas certas ajuda a descrever e analisar o p ro b le m a com precisão. Você com eça a se lib e rta r das ideias equivocadas q u e o ap risio n am e passa a p e n sa r de um m o d o novo, livre das ideias velhas e desgastadas. Fazendo perguntas, tem os certeza de estar focados n o p ro b le ­ m a certo. sn

3

Q s *

A nthea pega este livro porque está se se ntin do um pouco d ep rim id a , e acre­ dita que a causa disso é o relacionam ento que m antém há dois anos com o na­ m orado George, que fre qu e ntem e n te, dura nte o inverno, insiste em viajar com um grup o de am igos para esquiar. Ele deixa A nthea em casa porque ela não só não tem condições fin an ceira s de fazer a viagem com o não está m uito interessada em esquiar. Infelizm ente, ela costum a fic a r bastante d ep rim ida d ura nte o inverno (a síndrom e da d istú rb io afetivo sazonal afeta m uita gente, q ue passa por fases d e ­ pressivas porque o espectro da luz solar, que levanta o ânim o, fica m ais restrito). Isso reforça sua tendência a se sentir rejeitada e a faz pensar q ue o nam orado a deixou para trás porque se diverte m ais longe dela. Q uando ele voltar, pretende insistir com ele para que se com p ro m e ta a se casar com ela, ou ela porá um fim ao relacionam ento. Mas, ao chegar em casa com seu exem plar do livro, A nthea descobre que o ca pítulo “ R elacionam entos” fica lá no fin alzin h o, e que, antes de chegar lá, é preciso passar por questionários a respeito de sua autoestim a e seu grau de depressão. Isso altera seu estado de espírito, p erm itin d o-lh e e nca rar o pro­ blem a de um outro ponto de vista, isto é, ela pode fazer algum a coisa para se sentir m elhor em vez de fica r esperando pela volta de George. Com relutância, sente-se levada a a d m itir que o a m o r de George pelo esqui não é a causa da sua insegu­ rança. Essa sensação - q ue costum a sentir d ura nte seus relacionam entos - tem raízes próprias e precisa ser e ntendida e enfrentada para que ela possa m anter um relacionam ento do tip o daqueles em que duas pessoas reservam um espaço para explorar seus interesses independentes.

C om o saber se estam os fazendo as perg u n tas certas? É im pos­ sível te r certeza, mas u m a coisa que você p o d e fazer é ex am in ar todas as suas opiniões a respeito de um p ro b lem a o u a respeito de


24 Pergunte a você mesmo

algo que você gostaria de aprim orar. O talento consiste em saber d e tec ta r a causa exata do problem a.

George acha que gostaria de ser um escritor e acredita que seria m esm o um e scritor se tivesse te m po para escrever. 0 problem a é que ele não tem tem po, todo m un d o vive a requisitá-lo, inclusive sua nam orada, que é m uito possessiva. Sente-se tão estressado com tu d o isso que a única coisa que consegue fazer qua n do chega em casa depois do tra ba lho é preparar um café e sentir-se d e p rim id o por levar um a vida tediosa e banal. 0

que George deveria fazer para d esco brir por que desperdiça um te m

valioso é responder a todas as perguntas do capítulo 3, “ A d m in is tra r o seu te m p o ” . Por exem plo: ele pode chegar à conclusão de que perde um as cinco horas por sem ana dep rim ido , to m an d o café. Se fosse um a pessoa organizada, em dois anos essas cin c o horas sem anais seriam te m p o su ficie nte para escrever um livro, e ele tem que co nco rda r que te m po não é o verdadeiro problem a. O assunto é bem m ais com plexo, e George com eça a ponderar se realm ente deseja ser um escritor. Na verdade, esquiar é o que ele m ais gosta de fazer, e não está de m odo algum disposto a aba n do n ar essa atividade. Para ser sincero, seu em prego é que está lhe causando m al-estar, e ele gostaria m ais de ser um bom instrutor de esqui e, talvez, de escrever um livro destinado àqueles que desejam aperfeiçoar sua técnica e, com isso, sentir-se tão realizados q ua n to ele se sente em descidas livres, fora das pistas. George com eça a sentir-se a nim ado diante da possibilidade de seguir um novo cam in ho . O verdadeiro problem a, adm ite, é te r acreditado - por que foi isso o que disse seu pai, e ele detesta co ntra riar o pai - que é indispensável te r um em prego seguro, com o o seu cargo com o co nsu ltor h otline em um a com p a nh ia de software. Ele é eficiente no em prego e apreciado pelos clientes, mas, na verdade, só está ali pelo d in h eiro. Sua outra paixão é cria r program as de software, sua o cu ­ pação nas horas vagas. Surgem novas opções, e com eça a fica r claro que um a das coisas que precisa fazer é deixar de te n ta r agradar ao pai m antendo um “ em prego estável” ; falando fra nca m e nte , um em prego estável não faz o seu gênero, m as ele tem e co nfro n ta r a visão paterna de m un d o para c a m in h a r com as próprias pernas. M as será assim m esmo? Depois de co m p re e n d e r tu d o isso, talvez não seja tão d i­ fícil. É possível ganhar a vida de outras m aneiras, m ais de acordo com tu d o aquilo de que gosta, desde que esteja disposto a viajar e m ud a r de atitude.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 25

P o rtanto, acred itar que lhe falta tem po p ara se to rn a r u m es­ crito r é u m a desculpa conveniente p a ra o fato de te r m ed o d a liber­ dade resultante da aceitação dos riscos. N a verdade, p ara G eorge, “falta de te m p o ” significa relu tân cia em e n fre n ta r os problem as im plícitos. Ele está sim plesm ente se recusando a descobrir to d o o seu potencial. P ara G eorge, são duas as perg u n tas corretas a fazer: “Do que é que eu te n h o mais m edo?” e “Será que eu q u ero passar o resto da m in h a vida com essas lim itações?”.

Perguntas vitais Esta é a parte difícil. Você pode pular este capítulo, ou só voltar a ele q uando sentir vontade. No entanto, trata-se de um capítulo curto, e não vai to m a r m uito tem po. Você já respondeu since ram e nte a estas perguntas? Alguém já lhe fez estas perguntas? 0 q ue aconteceu q u a n d o lhe perguntaram ? Você pode aplicar estas perguntas a q ualquer área de sua vida, à sua escolha. ■

Sou feliz?

Com o seria a m inha vida se eu um dia acordasse e visse realizados todos os m eus sonhos m ais caros?

0 que faço na vida que im pede que isso aconteça?

Até que ponto sou positivo e otim ista?

°

Como expresso m inha criatividade e a ponho para funcionar?

0 que, especificam ente, desejei ser ou fazer desde meus tem pos de criança?

Sei o que realm ente quero?

Vivo de acordo com m eus próprios valores internos?

Meu estilo de vida m e perm ite realizar m uitas das coisas que realm ente

S into-m e ligado ao próxim o e a um a co m u n id a d e significativa?

Tenho um sentido de propósito ou rum o que m e m ostra quem sou e que

desejo?

a qu ilo que faço tem valor? Existem palavras que possam expressá-lo?


26 Pergunte a você mesmo

*

Aventura e risco fazem parte da m inha vida em q ua n tid a d e suficiente?

*

Qual é a m inha a titude típica d iante de um problem a sério?

De que m odo as decepções im portantes que tive na vida afetaram m inha ca pacidade de levar a vida do jeito que eu queria?

Desisto com facilidade?

Do que te n ho m ais m edo, e por quê?

*

A con te ce -m e com certa fre qu ê ncia chegar a um ponto do qual sei que posso ir m ais adiante, para e nco n trar apenas m ais um obstáculo no cam inho? Esse padrão costum a se repetir com frequência? Se esse padrão repetitivo pertencesse a um film e ou a um a canção, qual seria o título da canção ou do film e?

Em relação à vida cotidiana, o que me deixa m ais fru stra do ?

Em relação à vida cotidiana, o que é m ais im p ortante para mim ?

E x am in e d e m o ra d a m e n te cad a p e rg u n ta . R eflita a re sp eito delas p o r um d ia o u m esm o u m a sem a n a e p e rc e b a o q u e lh e vem à m e n te . N ão d eix e de a n o ta r as respostas, d e m o d o a p o ­ d e r c o n fe rir seu p ro g resso e as m u d a n ça s ao lo n g o d o te m p o . T en te d e sc o b rir com o se se n te com essas p e rg u n ta s a lh e m a rte ­ la r a m e n te . Veja o q u e a c o n te c e q u a n d o se esq u ece delas. T en te im p e d ir q u e essas p e rg u n ta s te n h a m algum im p a c to so b re sua vida - verá q u e é im possível.

Ação É o processo p elo qual tom am os algum as m ed id as p a ra p ô r em prática o que aprendem os. E nesse p o n to que m uitas vezes em ­ pacam os, p o r que é m uito difícil. P or m uito tem po nos acostum a­ m os a nos esco n d er debaixo das cobertas ou a nos distrair com atividades triviais em lugar de vivenciar a d o r de u m novo desafio. A ação d e p en d e de experiências vividas a n terio rm en te. A p ren d e­ m os com nossas experiências e depois agim os de acordo com elas. Sem a ação não ap ren d em o s n a d a de novo, a n ão ser com o conti­


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 27

n u a r sobrevivendo no m esm o estado em que estam os. D epois de te r resp o n d id o a u m a série de perg u n tas do livro, é preciso que você conduza sua p ró p ria experiência científica. Teste sozinho n o ­ vas atitudes e ideias e veja se são de algum a ajuda. Se as coisas não fu n cio n arem , volte ao início p ara um novo exam e.

Erros Q u an d o partim os p ara a ação, sem pre com etem os erros, e é im p o rtan te m a n te r um a boa atitude em face dos erros. Os erros são p a rte im p o rtan te do aprendizado: eles nos ensinam o que p re ­ cisamos aprender. O m úsico Miles Davis disse certa vez: “N ão te n h a m edo de errar; os erros não existem ”. Se você não co m eter erros, n ão a p re n d e rá n ad a de novo. A queles que acham que você deveria saber com o fazer algum a coisa com p erfeição com etem quase sem ­ p re u m erro fun d am en tal, que p o d e im p ed ir o p ró p rio ap ren d iza­ do e o dos outros. São inum eráveis as coisas que se p o d e a p re n d e r p o r in term éd io dos erros.

O que você deseja esclarecer? E x p erim ente passar em revista suas próprias ações e dê início a algum as novas atividades. E ntão avalie o efeito que tiveram sobre sua vida. Isso o ajuda a ajustar o foco, p ara que você d escu b ra o que deveria estar m e recen d o sua atenção em m eio a tan ta coisa banal que tem que fazer e às exigências que os outros lhe fazem de que você satisfaça às necessidades deles. O mais im p o rtan te é que as p rio rid ad es sejam as suas, e não aquilo que os outros acham que você deveria ser e que deveria fazer.

Plano de ação Q uando tive r organizado seu pla n o de ação, esse será seu contrato consigo m esm o, que servirá de guia para m antê-lo no ca m in h o certo e a ting ir suas p rio ri­ dades sem se deixar desviar por assuntos que distraiam sua atenção.


28 Pergunte a você mesmo

É preciso rever seu plano de ação co nstantem ente e fazer os ajustes neces­ sários q ua n do a situação m udar. O que você não conseguir realizar dentro de um determ ina do prazo deve passar para a lista seguinte, para não ser esquecido. Se seguir seu plano de ação dura nte um ano, ficará im pressionado com a q ua n tid a d e de coisas que com eçarão a se ajustar. Q uando decidim o s realm ente fazer algum a coisa e fazem os disso um a prioridade, ficam os espantados com o que se pode alca nça r passo a passo.

Escreva seu plano de ação Quais são as dez coisas que você m ais deseja m ud a r ou executar na sua vida e que são prioridades verdadeiras? A lgum as delas podem já estar acontecendo. Outras podem precisar de ajustes ou talvez sejam algo to ta lm e n te novo.

Agora 1 2

3 4 5 6

7 8

9 10 Nos próximos dois anos l

2

3 4 5 6


As 1000 perguntas mais im portantes que vocĂŞ deveria fazer a si mesmo 29

7 8

_________________ 9 1 0 __________________ Nos prĂłximos cinco anos 1 2 3

4 5 6

7 8

9 10

_________________

A longo prazo 1 2 3

4 5 6

7 8

9 10


30 Pergunte a você mesmo

Que ações específicas são necessárias para que você atinja essas prioridades? Data

Concluídas? Sim

Hoje

Esta sem ana

Este mês

Este ano

No próxim o ano

A longo prazo

Não


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 31

De que forma você poderia sabotar ou atrasar alguma dessas ações? 1

_______________________________________________________________

2

___________________________________________________________

3

4 5 0 que você poderia inventar para evitar sair da linha? (Por exem plo, m ostre seu piano de ação a um a pessoa am iga que possa ajudá-lo a se m anter firm e, ou diga a todo m un d o que você irá à academ ia três vezes por sem ana, de m odo que se sinta envergonhado se não for.)

1

2 3

4 5

Confiança e autoestima Autoestima e autovalorização Podem os d efinir autoestim a com o acred itar em si p ró p rio , ser autoconfiante, respeitar-se e te r um a atitude positiva em relação a você m esm o. U m a boa autoestim a é fun d am en tal. Trata-se de um a qualidade m ágica que atrai boas experiências e tu d o aquilo que você quer. U m a autoim agem negativa o im p ed irá de o b te r tu d o o que m erece e destrói relacionam entos, pois fica difícil p ara o u tra pessoa am ar ou resp eitar alguém que não se am a ou não se respei­


32 Pergunte a você mesmo

ta. U m relacio n am en to em que as duas pessoas têm baixa autoestim a p o d e ser m uito difícil. A autoestim a, com o o din h eiro , p o d e ocasionar dificuldades p ara q u em a tem em excesso: outras pessoas p o d em n ão gostar de você e achá-lo convencido ou presunçoso. P odem sen tir necessida­ de de forçá-lo a baixar um p o uco a bola. A lguns de nós a p re n d e ­ mos a p a ra r de “nos m o strar” e tentam os nos apagar u m pouco. Es­ condem os algum as das nossas qualidades e o apreço que sentim os p o r nós m esm os. Deixam os que os outros falem bem de nós e nos façam os elogios de que tan to precisam os. O im p o rtan te é desenvolver a autoestim a ao m áxim o. Se n receb eu estím ulo suficiente d u ra n te a infância, é difícil ad q u irir autoestim a n a idade adulta, mas esse trabalho é u m bom investi­ m en to em você m esm o. N inguém p o d e fazê-lo p o r você. N ão existe substituto p a ra um a b o a autoestim a. R oupas maravilhosas, acessó­ rios e viagens de férias p o d em fazer com que você se sinta bem , mas, se não houver u m a base de autoestim a, tu d o isso n ão passará de u m estím ulo tem porário. A autovalorização é sem elhante à autoestim a. É o valor que você m esm o se dá, e n ão d e p en d e das coisas q u e você faça o u al­ cance. É p arte do seu eu intrínseco, com o ser h u m a n o singular e especial. E algo que você possui e cuja ausência é n o ta d a q u an d o você n ão está presente.

Avalie sua autoestima Q uanto você acha que vale? Este questionário é d ividid o em A e B. Dê um a nota a cada pergunta traçando um círcu lo em to rno de 1 ou 2. 0 núm ero 1 significa eu concordo, e o núm ero 2 significa c o nco rdo plenam ente. Se d isco rda r totalm ente, escreva um zero.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 33

Seção A Você acredita que é um a pessoa fabulosa, dotada de qualidades singulares?

1 2

Você se am a, se aprecia e se preocupa consigo mesmo?

1 2

Sente prazer em passar um bom te m po em sua própria com panhia?

1 2

Fala a respeito de si m esm o com outras pessoas de form a respeitosa e apreciativa? Valoriza tu d o o que já realizou, sem se p reocupar com as atividades em q ue não é tão bem -su ce d id o - afinal, ninguém sabe fazer tudo? Valoriza a form a com o foi capaz de superar tantas dificuldades? Q uando alguém o critica , você ouve com atenção, pensa a respeito da crítica, incorpora tu d o o que lhe parecer útil e ignora o restante? Consegue se m anter calm o, d espreocupado e firm e q ua n do outros à sua volta agem de form a exigente, crítica ou difícil?

1 2 1 2 1 2 1 2 1 2

Sabe to m a r conta de si mesmo?

1 2

Q uando alguém lhe faz um elogio, sabe aceitá-lo com sim plicidade?

1 2

Seção B Dê as notas da m esm a form a nesta seção e som e separadam ente os pontos o b ti­ dos nas seções A e B. Acha que deve se co m p o rta r de um a m aneira específica d iante de outras pessoas, para que elas gostem de você? Precisa ser m ais generoso com seus am igos do que eles são com você, para q ue co ntin ue m sendo seus amigos? Acha que deve fazer coisas que não q u e r só para m anter um relacionam ento?

1 2 1 2 1 2

Veste-se de m odo a não d e sp e rta r m uita a tenção ou não parecer diferente? Ou, por outro lado, gasta m u ito te m p o e energia com sua apa rên cia p orq ue pensa q ue não seria aceito sem a m aq u ia g em , as

1 2

roupas, o carro, etc.? Acha m esm o m uito difícil dizer não? Se alguém o critica , sua reação é defender-se ou levar para o lado pessoal, sentindo-se ofendido e magoado?

1 2 1 2


34 Pergunte a você mesmo

Bem lá no fu n do , você se sente im p ro du tivo e inútil, e acha que, se as pessoas o conhecessem de verdade, ninguém gostaria de você? Detesta fic a r sozinho consigo mesmo? P articipa com fre qu ê ncia de atividades que sabe que são autodestrutivas ou nocivas à sua saúde e ao seu bem -estar?

1 2 1 2 1 2

Ao falar de si, você o faz de m aneira negativa, queixosa ou autodepreciativa, a tal ponto que as pessoas nem percebem suas boas qualidades e

1 2

podem chegar a te r má im pressão de você?

Pontuação A contagem dos pontos se faz separadam ente para as seções A e B.

Seção A 15-20 Você tem um a notável autoestim a e fu n cio n a m uito bem nesse quesito. Ou você teve um a excelente criação ou se esforçou m uito para chegar a esse ponto. M uito bem! É im p ortante lem b rar que poucas pessoas têm esse aito nível de autoestim a, e talvez lhe seja difícil e nten d er as necessidades e a titudes de pessoas q ue sim ­ plesm ente não acre d itam em si próprias da m esm a form a que você. 10-15 Você tem uma ótima autoestim a. Acredita de verdade em si m esm o, tem autoconfian­ ça e gosta de ser a pessoa que é. Talvez seja um pouco inseguro, mas isso é hum ano, e você quase sem pre sabe com o lidar com esse sentim ento. Sabe tam bém que preci­ sa trabalhar um pouco sua autoestima, que esta não surge por acaso, mas está disposto a fazer esse esforço para o seu próprio bem. Você não é do tipo que aceita por m uito tem po situações que tenham um im pacto negativo em seu am or-próprio. 5-10 Você se esforçou para te r um a boa autoestim a e está bem ciente do que é preciso para desenvolver segurança e autoconfiança duradouras. Talvez algum a experiência difícil em sua vida o tenha afetado de m odo adverso e provavelm ente, para seguir em frente, você precisa se esforçar um pouco para reforçar sua confiança. Você tem algum as boas atitudes básicas a seu próprio respeito e poderá reforçá-las se prestar m ais atenção ao processo de se autovalorizar.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 35

1-5 Em bora te n ha a lg u m a s a titu d e s básicas sadias a seu p ró p rio respeito, sua a u ­ to e stim a é m u ito baixa. C e rta m en te existe um a razão para isso, e você deve c o n h e cê -la m u ito bem . C o n tin u a r nesse estado de baixa a utoe stim a p re ju d ica sua saúde m ental e seu bem -estar, e pode se to rn a r parte de um c írc u lo vicioso q ue se a u to p e rp e tu a : você se sente pouco co n fia n te , então se retrai, se torna passivo ou esquivo e perde as ocasiões em q ue poderia a p re n d e r a ser m ais c o n fia n te . O segredo está em p ra tica r c o m p o rta m e n to s associados à a utoe stim a positiva; se fize r isso se m p re , eles se to rn a rã o m ais n a tu ra is e deixarão de ser exercícios.

Seção B 10-20 Você está batalhando contra a baixa autoestim a, e, às vezes, pode a cha r que a vida é m esm o m uito difícil. Talvez não tenha desenvolvido um forte sentido de identidade própria e, em algum as épocas, deve te r sido fa cilm e n te controlado ou in flu en ciad o por outras pessoas. É sensível à crítica ou a julg am e ntos negativos. Nem sem pre é confiante o bastante para co rre r os riscos inerentes à busca de uma situação m elhor e, provavelm ente, tem e fic a r sozinho. É um a luta te n ta r se livrar do hábito de pensar e agir negativam ente contra você m esm o. Há um a coisa que você pode fazer que lhe será de ajuda im ediata: id e n tifi­ car uma área na qual tem certeza de que se sente confiante. Passe em revista as habilidades, talento ou experiência que a d q u iriu em certas áreas - por exem plo, você sabe que cozinha bem . Pense em com o a d q u iriu a técnica necessária. Tente tra nsferir essa h abilidade para outra área na qual se sente m enos confiante, mas na qual deseja se sair bem . Por exem plo, se você é bom cozinheiro, sabe a p re n ­ der e arm azenar novas inform ações, tem talento para organização, tem o dom da criatividade, gosta de tra ta r bem os outros e sabe valorizar e a preciar o que é bom. Esses dons podem ser transferidos para algum a área que ainda não experim entou. Por exem plo, artesanato, um esporte coletivo ou co m e ça r um novo projeto no seu trabalho. A d q u irir novos talentos reforça a autoestim a e, a utom a ticam e nte, vai fa ­ zer com que você se torne m ais confiante. Um a dica valiosa é co m e ça r a a cre d itar que vale a pena o esforço - m esm o que nem sem pre saiba por que está fazendo isso e até m esm o sem ter vontade de fazê-lo.


36 Pergunte a você mesmo

Sete exercícios para promover a autoestima Se passar algum tem po fazendo estes exercícios - em bora inicialm ente eles possam parecer um pouco tediosos

focalizará sua m ente em algo que ela q ue r

m uito que você faça. Com certeza será bem -sucedido. Se alguns dos exercícios o fizerem lem brar-se de ocasiões em que se sentiu m al, não se preocupe com isso e acredite que este processo natural de cura vai d ar certo. 1

Pense nas atitudes e co m p ortam entos representados peias perguntas da Seção A do questionário sobre autoestim a. Se algum a delas lhe pareceu difícil ou estranha, com ece a praticá-la. Se já tem o costum e de fazê-lo, faça-o m ais um pouco. Por exem plo, tente a ceitar os elogios com sim p licid a d e e nunca finja que não se im porta com elogios. D urante as próxim as sem anas, tente a um e ntar a contagem de pontos da Seção A.

2 Procure a com p a nh ia de pessoas descontraídas e autoconfiantes. Aprenda algum a coisa com elas e tente copiar algum as de suas atitudes. Ao m esm o tem po, trate de passar um te m po proveitoso na sua própria co m panhia. 3 Isto é urgente: evite a com p a nh ia de pessoas q ue o fazem sentir-se mal consigo m esm o, ou que se sentem bem agredindo-o de algum a form a. N unca perm ita tal coisa. Se isso costum a lhe acontecer, seja enérgico e faça aigum a coisa a respeito. Pratique prim eiro os outros exercícios, até sentir-se m elhor. Não espere que aquele tip o de pessoa que gosta de vê-lo "para baixo” venha em sua ajuda. 4 Faça um lista de suas boas q ualidades e talentos individuais e dignos de a dm iração. Na lista podem ser incluídas coisas boas que outros disseram a seu respeito. Então com porte-se com o se realm ente acreditasse que todas elas são verdadeiras. Será que essa pessoa agiria de m odo diferente para com você se soubesse que essas coisas são verdadeiras? 5 Faça um á lb u m ou um c a d e rn in h o de a u to e s tim a . C o le cio n e aí to d o s os re fo rço s p o sitivo s q u e re ce b er, de q u a lq u e r fo n te : p or e xe m p lo , c a rta s e c a rtõ e s co m m e n sa g e n s p ositiva s, re fe rê n c ia s , te s te m u n h o s ou a v a lia çõ e s p o sitiva s em tra b a lh o s fe ito s d u ra n te a lg u m c u rs o . Não d e ixe de a n o ta r as co isa s p o sitiva s q u e as pessoas lhe d ig a m e g u a rd e -a s no seu á lb u m , para q u e lhe s irva m de e s tím u lo . C o le cio n e elogios. E scolha e m o n te c u id a d o s a m e n te seu á lb u m de m od o q u e fiq u e b o n ito e a tra e n te , q u e lhe seja p raze roso o lh a r e o e s tim u le a a u m e n tá -lo . Ele


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 37

será um re c u rs o va lio so s e m p re q u e se s e n tir d e p rim id o ou p re c is a r de e n c o ra ja m e n to . 6 Procure sem pre desenvolver novas habilidades e realizar coisas novas, de m odo a sentir-se orgulhoso de si m esm o. Receba e aceite elogios, reconheci­ m ento e honrarias. 7 Valorize, com em ore e expresse explicita m en te não só o que há de especial em você, quais os pontos em que é único e d iferente dos dem ais, assim com o tu d o o que tem em co m u m com os outros.

E x e rc íc io d e a u to c o n fia n ç a É correndo riscos e agindo que se a dq u ire co nfiança. E com o ganhar co n ­ fiança? Você é do tip o altam ente cauteloso, que tem e co rre r riscos, ou sente pra­ zer com a novidade e o entusiasm o inerentes a certa dose de risco e aventura? A rriscando-se pouco, será m enos capaz de se arriscar no futuro. Lem bre-se das coisas boas q ue já lhe a con te cera m . Pode ser q u a lq u e r coisa - um a viagem especial, um a am izade d u ra d o u ra , m u d a r para um novo em prego ou casa nova, te r um filho , um a realização im p o rta nte, a co n clu sã o de um projeto relevante. Perceba co m o sua p articip a çã o pessoal c o n trib u iu para que essas coisas a contecessem .

Faça uma lista de dez coisas boas que já lhe aconteceram Podem ser de q u a lq u e r época de sua vida.

1

2

3 4

5 6

7 8

9 10

_______________________________________________________


38 Pergunte a você mesmo

Coisas que você já fez Agora faça um a lista das coisas que realizou e das qualidades pessoais d em o ns­ tradas por você que co ntrib uíram para que essas realizações im portantes acontecessem. Terá que pensar m uito se acha que essas coisas "sim plesm ente acontece­ ra m ” . Qual foi a sua co ntrib uiçã o para que tu d o desse certo? 1 2

3 4 5 6

7 8

9 10

Qualidades pessoais que você demonstrou São qualidades pessoais a perseverança, a am izade, te r m ente aberta e ser e n tu ­ siasta, tra ba lha d or ou determ inado. 1

2

3 4 5 6

7 8

9 10 Sinta-se orgulhoso do que realizou e do m odo com o o fez. Você pode realizar m ais ainda, m uito mais, se c o n tin u a r pensando positivam ente a seu respeito.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 39

Planejando o sucesso Somos mais bem -sucedidos q u a n d o im aginam os que o resulta­ do será o m e lh o r possível e fazem os planos para que isso aconteça. Para tal, é preciso te r em m en te m etas ou resultados definidos. Se não tiver em m en te o resultado, é improvável que chegue lá. Para que resultados tem mais vontade de se esforçar? Leia n o ­ vam ente as perg u n tas vitais do início deste capítulo e preste a ten ­ ção à p e rg u n ta a respeito de valores, no capítulo 2.

Treze resultados vitoriosos 0

que o faria sentir-se feliz e satisfeito de verdade? Faça um a lista dos seu

desejos e sonhos para cada um dos tópicos desta seção. Não é preciso dem orar-se m uito pree nch e nd o a lista - trata-se apenas de um rápido inventário dos re­ sultados que você gostaria de alcançar. Se a cha r que algum dos seus desejos não é realizável, ponha-o na lista assim m esm o. Bastam um as poucas palavras para cada tópico. Isto não é o m esm o que seu plano de ação, que tem com o fin a lid a d e d e fin ir tarefas realistas e executá-las. 0 assunto aqui é o ca m in ho que você gostaria de seguir. Fique à vontade, seja inventivo e brincalhão, sonhe acordado. 1 Família e re la c io n a m e n to s :_______________________________________________ 2 Estilo de v id a :___________________________________________________________ 3 Viagens, lazer, recreação, d iv e rs ã o :_______________________________________ 4 Educação, aprendizado, novos co nh e cim e nto s e técnicas:

5 Dinheiro: 6 Sentido de realização ou propósito, seja individual, seja com outra pessoa:


40 Pergunte a você mesmo

7 C ria tiv id a d e :______________________ 8 S e xu a lid a d e :______________________ 9 F e lic id a d e :______________________ 10 Saúde e b e m -e s ta r:______________________ 11 C o m p ro m is s o s :______________________ 12 Trabalho e c a rre ira :______________________ 13 Lar e local de re s id ê n c ia :______________________ A esta altura você já deve te r escrito algum as palavras sob cada um dos tópicos referentes aos resultados que deseja alcançar. Essas m esm as palavras deverão ser copiadas para os tópicos a seguir. Para isso, decida quais são as mais im portantes para você e quais as m enos im portantes por enquanto. Só você pode d e c id ir a “ im p o rtâ n c ia ” - todas essas coisas são im portantes, m as algum as mais do que as outras.

Resultados mais relevantes l

_______________________________________________________________

2

3 4 5

6

Outros resultados importantes, que devem ficar em segundo plano por enquanto, mas que manterei em mente l 2

3 4 5

6 7


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 41

Parabéns! Você sim plesm ente e sem fazer m uito esforço acaba de organizar sua vida num q ua d ro e de d e c id ir qual o ca m in h o que deseja seguir quanto às coisas m ais im portantes para você. Agora que esses resultados foram claram ente definidos, sem pre que possível, você tom ará decisões e fará escolhas que o guiarão em direção aos resultados alm e­ jados. Ao m esm o tem po, deixará de lado as escolhas que ficaram para mais tarde. Podem su rg ir d ificu ld a d e s se os resultados forem conflitantes: por exem plo, se você quer, ao m esm o tem po, te r filhos e ganhar m uito d in h eiro. Q uando su rg i­ rem esses conflitos, a não ser que sua energia seja ilim itada, é preciso reform ular prioridades q ua n to aos resultados alm ejados para os próxim os anos, para focalizar ou os filhos ou o d in h eiro - mas, a longo prazo, você pode se esforçar por am bos.

Autossabotagem Será que, de algum a form a, você im põe lim ites ao p ró p rio su­ cesso e costum a a trap alh ar tudo? E um autossabotador? C ostum a adiar seus planos e d im in u ir o ritm o? O que isso significa? O u sua vida tom ou rum os m uito inespera­ dos, e nesse caso seus valores e metas m udaram radicalm ente, ou você tentou ir mais devagar devido a fatores de autossabotagem. Esses fato­ res não incluem , é claro, a sabotagem externa, que não é culpa sua.

Fatores de autossabotagem De quais desses fatores você p o d e dizer, h o n estam en te, que n u n c a foi culpado? ■ m onólogos negativos, do tipo “não consigo fazer isso”, ou “não sou bom o suficiente” ■ baixa autoestim a ■ falta de confiança ■ convicção de que n ão é dig n o ou de que n ão m erece o que é bom ■ baixo nível de expectativa ■ p rio ridades confusas


42 Pergunte a você mesmo

a B ■ B ■ B * ■ ■ B D ■ * * ■ ■ ° ■ ■ ■ ° ■ H ■

valores m al definidos desorganização procrastinação m ed o do sucesso m ed o do fracasso m ed o de to m ar decisões cu lp ar os outros ou as circunstâncias inventar desculpas e acred itar nelas fugir das pressões, com petição ou aborrecim en to s culpa m ed o de to m ar a decisão errad a m ed o de p e d ir o que deseja e precisa n ão p e d ir ajuda isolar-se dem ais e não com unicar seus pensam entos e senti­ m entos ser paciente dem ais, to lerar situações ruins ou que outros o m altratem m ed o do que os outros vão p en sar ser incapaz de dizer “n ã o ” m a n te r relações com pessoas que acham que sabem com o você deve passar o seu tem po p en sar em suas necessidades p o r últim o e n g an a r a si m esm o n e g ar que algum as coisas precisam de ajuste passar seu tem po com pessoas que não acred itam em você p e rm itir que tirem vantagem de você colocar-se no pap el de vítima, com portar-se de form a passiva ou d esam parada e achar que n a d a p o d e ser m elh o rad o

De quantos desses fatores você adm ite ser culpado? Esses fatores p o d e m ser os únicos culpado s p o r im p e d ir que você leve a vida que deseja e m erece. T om ar co nsciência deles p o d e fazer u m a g ra n d e d ife re n ç a e ser o com eço de u m a atitu d e to ta lm e n te nova. Esses são os b an d id o s da sua vida e você p o d e derrotá-los.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 43

Diz-se que a autossabotagem é muitas vezes o “pior inim igo”. É o resultado não só de toda a negatividade, dos sentim entos desagra­ dáveis e das experiências ruins de nossa vida, com o tam bém de tudo que dizemos a nós m esm os a respeito dessas experiências. C om ete­ mos autossabotagem quando ficamos presos a sentim entos negativos, dizendo a nós m esm os que tal coisa não vale o esforço e que coisas boas só acontecem aos outros. Isso é geralm ente o resultado de um condicionam ento que com eçou n a infância. A prendem os a esperar pouco, nos sentim os im potentes diante dos problem as da vida e ten ­ tamos nos consolar e nos distrair de m odo a não nos sentirm os tris­ tes, am argos ou zangados p o r causa das coisas que não temos. O tim ism o e esperança são o m e lh o r tratam en to p ara a autos­ sabotagem , com binados com a capacidade de e n te n d e r que, n a m aioria das vezes, o que nos d etém são nossas próprias atitudes d e­ pressivas, os constantes pensam entos negativos e as atitudes vindas da infância e não enfrentadas.

Linda trabalhava com o enferm eira odontológica. Fazia bem seu trabalho, e os pacientes gostavam m uito da sua personalidade cordial. Os dentistas gostavam de tra ba lha r com ela e se ofereceram para lhe pagar um curso que lhe perm itiria chefiar o dep a rtam e n to de cirurgia dentária. Ela conversou com o m arido a respei­ to da oferta, e am bos d ecidira m que não era um a boa ideia. Linda teria que viajar sem analm ente para as aulas, o que tom aria m uitas horas, e studar nos finais de sem ana e nem sem pre chegar em casa a te m po de fazer o jantar. Talvez o m arido tem esse que ela viesse a gan h ar m ais do que ele, e disse que ela precisava fica r em casa todas as noites com as crianças, já que ele teria que tra b a lh a r até tarde m uitas vezes.

Nesse exem plo, os dois parceiros estão sabotando o progresso e um a m aior in d ep en d ên cia financeira de Linda. E m uito mais côm o­ do p ara eles co n tin u ar vivendo em seu atual p adrão de vida e capaci­ dade. Anos mais tarde, ainda ocupam os m esm os em pregos e vivem no m esm o padrão. Precisam ser cautelosos com as despesas, e Lin­ da com eça a sentir os prim eiros sinais da síndrom e do n in h o vazio,


44 Pergunte a você mesmo

p o rq u e os filhos estão deixando a casa paterna. Foi isso o que Linda aceitou, m an ter o status quo sem co rrer o risco de virar o jogo.

Até que ponto você mesmo se sabota? Leia as perguntas seguintes e escolha as q ue m ais se parecem com você: A, B, C ou D. 1 Você d ecide econom izar para fazer um curso de capacitação que lhe perm itiria ganhar bem m ais do que ganha no m om ento. Seu te m p o ficaria sobrecarregado, e haveria um exam e no final. Qual seria sua a titude mais provável? a.

Você separa o dinheiro em uma conta à parte e trata de ajeitar as coisas antecipadamente, de modo a ter tempo disponível. Você completa o curso.

b.

Você poupa o dinheiro e reserva tempo para o curso, mas acha as aulas muito tediosas, então começa a faltar a algumas. Não faz todos os trabalhos de casa e passa com dificuldade nos exames.

c.

Tenta arranjar tempo para o curso, mas há muito mais coisas para fazer, então deixa o curso para outra ocasião.

d.

Seus amigos o convidam para participar de uma viagem maravilhosa, e você não quer perder a ocasião, então gasta na viagem o dinheiro que havia economizado para o curso.

2 Sua casa ou a pa rtam ento parece um ch iq ue iro, sua m ãe está chegando para passar uns dias, e você precisa fazer um a faxina. Como você provavelm ente resolveria a situação? a.

Você reserva duas noites e o dia todo de sábado, faz compras, liga o som e dá uma geral na casa.

b.

Deixa tudo para a última hora, mas acaba dando conta muito bem, embora, quando sua mãe chegar, talvez ela o encontre ainda com o espanador na mão e a roupa para passar empilhada no sofá. Quando ela chega, você a recebe alegremente, faz um café para ela e mostra que trabalhou bastante.

c.

Quando ela chega, a casa não parece muito melhor do que estava antes de começar a faxina, porque você iniciou pela limpeza do armário da cozinha


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 45

e encon tro u um m onte de coisas que nem lem brava que tinh a. Você pede d esculpas pela bagunça. d.

Você nem liga para o fato de sua m ãe ser uma fanática por arrum ação. Dá um a passada de aspirador, em pilh a os jorna is e pronto.

3 Você gostaria m uito de dar um a grande festa para co m e m ora r seu aniversário, que deve acontecer em breve. Adoraria co m e m ora r em grande estilo com os am igos, alguns dos quais m oram a uma distância de um dia de viagem . O que você faria com m aior probabilidade? a.

Reserva o local e m anda os convites com uns dois m eses de antecedência, para que todos possam reservar a data na agenda.

b.

C om unica a todos que vai d a r a festa e só reserva o local q ua nd o a m aioria dos

c.

Você dá a festa, mas não convida m uita gente porque acha que nem todos

que podem vir tive r respondido; então avisa por telefone a hora e o local.

viriam de tão longe só para um a festa de aniversário. d.

Você sonha em d ar a festa, mas ela nunca chega a se realizar porque daria m uito tra ba lho para organizar. Acaba saindo com alguns am igos para to m a r uns drinq ue s.

4 Você está se saindo m uito bem no trabalho, e o gerente dá a enten d er que você está em prim eiro lugar na fila para prom oção q ua n do um colega se despedir dentro de poucos meses. O que você faria? a.

Trabalha m ais ainda para provar que tem valor e que é indispensável.

b.

C ontinua agindo da m esm a form a, m as esforça-se para d ar um a boa im pressão às pessoas certas.

c.

C ontinua agindo da m esm a fo r m a - e espera que suas qua lida de s excepcionais sejam reconhecidas.

d.

Relaxa e com em ora a ntecip ad am e nte com a tu rm a do e scritório do a n d a r de baixo.

5 Você tem um desejo ou um a am b ição secretos. É algo que você sem pre quis. Ao planejar outra vez suas prioridades para o ano, nota que há algum te m p o já não se esforça para conseguir o que quer. O que você faz? a. b.

A rranja tem p o e trata de fazer o que é preciso. Com eça a co n ta r às pessoas qual é o seu projeto e, aos poucos, ele vai se torna nd o m ais real.


46 Pergunte a você mesmo

c.

Planeja cuidar do assunto, mas não se sente seguro quanto à melhor forma de começar e se distrai com muitas outras coisas que também precisa fazer.

d.

Fala muito no assunto, mas neste momento há coisas mais importantes ocupando seu tempo.

6 Você recebeu o fo rm u lá rio para a declaração de renda, m as havia se e sque­ cido to ta lm e n te do assunto, e agora tem poucas sem anas para entregá-la, ou pagará um a m ulta. O que você faz? a.

Começa o mais cedo possível.

b.

Preocupa-se em saber onde vai arranjar o dinheiro, e faz tudo no último instante.

c.

Coloca sobre sua mesa, na pilha de coisas a fazer, e torce para que tudo dê certo.

d.

Nem quer pensar em um assunto tão deprimente. Melhor pagar a multa do que se aborrecer com isso.

7 Um dia você nota que a ca ixa -d ’água da sua casa está vazando. Qual destas atitudes você adotaria? a.

Telefona para todo mundo até conseguir um encanador que possa vir imediatamente.

b.

Pede a seu irmão ou a um amigo que venha dar uma olhada.

c.

Tenta fazer sozinho um conserto provisório, mas não confia muito em suas habilidades de encanador e se preocupa com o que deve fazer.

d.

Coloca um balde sob o vazamento e torce para que o problema se resolva.

8 Você tem um prazo para fazer algo im portante. Qual desses roteiros se pare­ ce m ais com você? a.

Você está trabalhando nisso há tempos e acredita que deve terminar alguns dias antes do prazo.

b.

Entra num frenesi na última hora - fica duas noites seguidas sem dormir para terminar a tarefa e caí duro de exaustão.

c.

Fica morrendo de medo de não conseguir terminar a tempo e fica muito preocupado.

d.

Perde o prazo porque não gosta de se estressar. Inventa uma desculpa criativa e entrega tudo com uma ou duas semanas de atraso.

9 Um prim o m ais m oço vem e studar na sua cida de e você diz

à sua fam ília que

vai se e nco n trar com eie, convidá-lo para ja n ta r e se to rn a r am igo dele. No


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 47

entanto, você está m uito ocupado com um tra ba lho extra e sem em pregada em casa. O que provavelm ente faria? a.

Telefona para o prim o im edia ta m e nte e com b ina encon trá -lo daí a 15 dias.

b.

Liga assim que pode e explica que está m uito ocupado, mas gostaria de encon trá -lo em breve.

c.

Você acaba ligando fina lm en te, porque a essa altura está se sen tind o culpado; prom ete convidá-lo para sair um dia desses, e a prom essa se torna um a fonte de estresse.

d.

Sua intenção é tele fon ar para ele, mas esse dia nunca chega.

10 Com o você reage qua n do surge um a nova oportunidade? a.

Consegue a b rir um espaço para ela.

b.

Aproveita a o po rtun ida de , mas isso o deixa estressado porque já é ocupado

c.

Acha que deveria to m a r algum a atitu de - m as deixa a o po rtu n id a d e passar.

d.

Você não acha que é um a opo rtun ida de .

dem ais.

11 Um projeto im portante no qual você trabalha está chegando ao final. O que você faz? a.

C ontinua p articipa nd o do projeto, para vê-lo term ina do .

b.

R eclam a do estresse, sente-se cansado, mas consegue levá-lo até o fim .

c.

Começa a pensar em seu próxim o projeto, que lhe parece mais interessante.

d.

Sente-se entediado e não con tinu a no projeto - os outros têm que se encarregar dos detalhes finais.

12 Você delineou m etas para si m esm o, que deveriam ser atingidas no final da próxim a sem ana. Mas, inesperadam ente, alguns parentes ou am igos requisitam seu tem po. Eles nem parecem perceber que você está ocupado e sob pressão. O que você acha que faria? a.

Explica-lhes que está o cu pa do e que estará à disposição deles no final da próxim a sem ana.

b.

Tenta conjugar suas necessidades e as deles, e procura não perder o equilíbrio.

c.

Dá p rim e iro atenção à fam ília ou aos am igos e só depois cuida da sua obrigação - se sobrar tem p o. Fica exausto e um pouco m agoado porque ninguém se deu ao tra b a lh o de perg u ntar se está tu d o bem com você.

d.

Deixa o telefone desligado e não faz nada.


48 Pergunte a você mesmo

13 Seu nam orado/sua nam orada é cium e nto/a e faz questão de saber todos os dias onde você está e o que está fazendo. Ele/ela não gosta que você tenha um te m po só seu, e sem pre insiste em ca nce la r todos os seus encontros com am igos ou exige ir jun to . Como você resolveria isso? a.

Deixa claro que seu te m p o lhe pertence e que não vai to le ra r que ele/ela aja com o se não confiasse em você.

b.

Tenta c o m p re e n d e r e cede em alguns pontos, m as sente um a insatisfação cada vez m aior se, apesar da sua boa vontade, ele/ela insiste nesse com p or­ tam ento.

c.

Você se ressente, mas acaba ced en do e a ceitando levar um a vida mais reclusa.

d.

C oncorda e, aos poucos, perm ite que seu par decida com que m você pode se encontrar. A cha natural que, agora que form a m um casal, a outra parte não queira que ten ha m vida social ind e pe nd en te .

14 Que atenção você dá à sua saúde a longo prazo? a.

Você se exercita, tem um a dieta saudável, descansa ade qu ad am e nte e pro­ cura tra ta m e nto assim que nota algum problem a de saúde ou odontológico.

b.

Você se cuida e m antém um a atitu de d espreocupada. Às vezes com ete um excesso, mas m antém -se den tro de um lim ite razoável.

c.

Você se exercita ocasionalm ente, segue um a dieta saudável q ua n d o é possível e se cuida q ua nd o tem te m p o para isso. Sabe que deveria se c u id a r m elhor, mas, no m om ento, há coisas m ais im portantes em sua vida.

d.

Você fum a , bebe, com e tu d o o que quer, não sente necessidade de fazer exercícios regularm ente e raram ente dá atenção a sintom as físicos, m esm o q ua nd o eles lhe causam mal-estar.

15 Você costum a deixar coisas por fazer, tais com o não a b rira correspondência ou não responder e não pagar as contas em dia, de m odo que isso acaba cria n do um problem a m uito m ais dem orado para resolver? a.

R aram ente, isto é, quase nunca,

b.

O casionalm ente.

c.

Às vezes.

d.

Com fre qu ên cia.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 49

Classificação quanto a autossabotagem N úm ero de respostas: A______

B_______ C_______ D_______

É provável que suas respostas tenham sido um a m istura de A, B, C e D. Nes­ se caso, você deve ler os resultados da contagem de pontos para cada letra em que m arcou três ou m ais respostas.

Se a maioria foi A Você é m ais organizado que a maioria das pessoas e sente-se m uito satisfeito qua n ­ do vê tu d o resolvido. G eralm ente faz tu d o o que disse que faria, é eficiente e co n ­ fiável. Sabe que é responsável por si m esm o e não pode cu lp ar os outros quando falha. É exigente consigo m esm o. Talvez não lhe sobre m uito tem po para exam inar inform ações ou sentim entos, portanto não costum a parar para se questionar por que está fazendo algum a coisa. Você deveria relaxar um pouco de vez em quando e reavaliar seus valores e prioridades. Ou talvez suas m etas sejam bitoladas. Você costum a realizar o que se propõe a fazer, mas nem sem pre o faz com prazer.

Se a maioria foi B Em geral, você é um a pessoa o rga niza da e e fic ie n te , e, sem a la rd e , co stu m a realizar m uita s coisas. Prefere te r algum a a uton o m ia e não cede a u to m a tic a m e n ­ te às pressões externas. C uida bem de tu d o, in clu sive de si p róp rio , e gosta de co la bo ra r com o próxim o. Em algum as ocasiões talvez fiq u e m ais ansioso do que deveria, por exem plo, te n ta n d o a je itar as coisas para to d o m u n d o . Você às vezes se coloca em ú ltim o lugar em sua lista de p rio rid a de s. Talvez sofra de estresse e esgotam ento por excesso de obrigações, e deveria le m b ra r de tra ta r bem de si m esm o e tra ç a r m etas realistas e realizáveis para não se s e n tir fru s tra d o ou fracassado. Pode ser que, d isfa rça d a m e n te , você te n ha pouca a u to co n fia n ça , e deveria p erce be r co m o as pessoas o a pre cia m e valorizam sua ca p a cid a d e . Não perm ita q ue a busem de você.

Se a maioria foi C Parece q ue você está sem pre às voltas com projetos confusos ou inacabados, com m uitas coisas ainda por fazer. Por ser um a pessoa criativa - essa é sua m ar­ ca registrada - , que m antém m uitas opções em aberto, é flexível e espontâneo. Entretanto, seria m uito bom se pudesse d e fin ir suas m etas com m ais firm eza e


50 Pergunte a você mesmo

as reavaliasse a intervalos de alguns m eses. Caso co ntrá rio, co rre o perigo de não levar até o fim as coisas que são im p o rta ntes para sua vida. Existe ta m b é m a p ossibilidade de q ue sua autoestim a seja pouca e de que você seja pouco c o n ­ fia nte e d uvide de sua ca p a cid a d e de ser b em -su ce d id o . D uvidar de si m esm o pode sabotá-lo e solapar possíveis sucessos. Por causa disso, você pode estar se lim ita n d o em certas áreas - assim não terá que e n fre n ta r nem o m edo do fracasso nem o do sucesso. M uitas vezes subestim a seu talento e sente-se mais ansioso do que deveria. Pode ta m b é m sentir-se cu lp a d o e reagir às pressões de m odo c o n ­ fuso, o que co n fu n d e ta m b é m os dem ais, de m odo que as outras pessoas não sabem m uito bem q ue m você é. Desvia-se m uitas vezes do que é realm ente im ­ portante para você e se deixa guia r pelas c irc u n stâ n cia s. C uidado para não perder de vista seu próprio bem -estar e suas necessidades. Você se acom oda às neces­ sidades alheias, em lugar de ate nd e r às suas, e pode se ntir relutância em dizer “ não” a exigências absurdas, que coloca acim a dos seus próprios interesses.

Se a maioria foi D Em bora possua m uito ch arm e e tenha sem pre à m ão um a desculpa criativa, você não é a pessoa m ais confiável do m u n d o q u a n d o se trata de exigências e prio­ ridades, inclusive as suas próprias. É capaz de d e d ica r m uito te m p o ao que é im portante para você m esm o e se especializa nos vários m odos de desp e rd içar o tem po. Não aprecia exigências externas, p rin cip a lm e nte as que se referem às coisas que não são do seu interesse. Para se proteger, evita, sem pre que pode, o estresse e as pressões exercidas por outras pessoas. Costum a p raticar a negação e a procrastinação, e, por esse m otivo, perde m uitas o po rtunidades. Seria bom se você fosse capaz de d e fin ir seus próprios anseios e prioridades, já que não costum a c u m p rir inteiram ente as im posições dos outros. Ainda está se rebelando contra as expectativas que os outros tin h a m a seu respeito? Tem suas próprias ex­ pectativas realistas, ou coloca tão alto suas m etas que elas se to rna m inatingíveis, ou tão baixo que nem vale a pena se d ar ao trabalho? Está em luta contra valores e prioridades confusos? Culpa outras pessoas pelo fato de sua vida girar em torno de um círculo? Quais os resultados que deseja realm ente obter? O q ue você quer, sinceram ente, ser daqui a dez anos - e com o fará para chegar lá?


CAPÍTULO 2

Escolha seus valores O capítulo 1 foi dedicado a d e term in ar prioridades, m etas e planos de ação e a com o lidar com a autoconfiança e a autoestim a. As vezes fica m uito difícil e confuso equilibrar prioridades confli­ tantes e um a m escla de em oções, mais a ideia de que, às vezes, você m esm o sabota suas m elhores intenções. Este capítulo consiste em u m a longa série de perguntas fundam entais p ara ser bem -sucedido n o restante do trabalho que este livro vai ajudá-lo a p ô r em prática.

Quais são os seus valores? Talvez você já ten h a pensado de várias m aneiras a esse respeito, talvez não. Se souber definir bem quais são os seus valores, terá um noção clara de quais são suas prioridades. Você sabe m uito quem você é e do que precisa para m an ter um a noção exata de quem é. Assim, em um a situação difícil, provavelm ente saberá o que fazer. Q uando tudo na vida co rrer bem , você progredirá naquilo que con­ sidera realm ente im portante. Saberá viver a p ró p ria vida, e não a vida que os outros delinearam para você.

O que são valores? Um valor é uma convicção ou atitude que lhe servirá de guia na vida. Todos nós possuím os valores, e eles sustentam e dirigem a nossa vida. Se não conhecem os nossos valores, eles irão, d e to d a form a, dirigir a nossa vida, en tão é m e lh o r saber quais são eles. Você p o ­ d erá escolher positivam ente e o p ta r pelos valores que lh e agradam e o fazem sentir-se bem , em vez de o p ta r pelo tipo de valores com os quais acabam os nos c o n ten tan d o , q u e é o que aco n tece q u an d o não nos dam os ao trab alh o de d efin ir o que querem os. Muitos dos nossos valores são herdados - de nossos pais, p o r exem plo - e já não são mais relevantes ou úteis para nós. Pode ser m uito destrutivo agarrar-se a valores ultrapassados, que já não servem


52 Escolha seus valores

ou que não nos fazem justiça. Às vezes precisam os m u d ar nossos va­ lores. As vezes precisam os nos m an ter fiéis a nossos verdadeiros valo­ res - p o rq ue são um com ponente essencial de um a firm e noção de autovalorização. Diferentes instituições e religiões têm seus próprios sistemas de valores, que servem com o princípios organizadores, de tal m odo que cada um sabe o que se espera dele se quiser co n tin u ar per­ ten cen d o à instituição. No século XXI temos a possibilidade de esco­ lh er en tre a segurança que nos dá o fato de aceitarm os esses valores sem discutir ou o desafio criativo representado pelo questionam ento de valores já estabelecidos e pela criação dos nossos próprios. «-se-'»

Os valores na vida cotidiana Os pais de Jim estavam convictos de que as crianças, em bora devessem ser bem tratadas, não eram tão im portantes q ua n to os adultos, cujas decisões as cria n ças tin ha m que aceitar sem que stion a r ou discutir. Jim nunca havia per­ cebido a que ponto isso o havia afetado, até te r os próprios filhos e perceber que falava com eles exatam ente com o seu pai havia falado consigo. “ Obedeça e não d is c u ta .” Felizm ente, já que é um hom em bondoso, foi capaz de ouvir o que seus filhos diziam q ua n d o co ntinuavam a desafiá-lo, exigindo que ele ouvisse o que eles próprios tin h a m a dizer sobre o assunto. Aos poucos, Jim percebeu que fa la ­ va igualzinho ao pai, m as que não queria tra ta r os filho s do m esm o m odo, e sim te r com eles um a relação íntim a e encorajadora, em vez de ser um pai distante e autoritário, e ficou sinceram ente preocupado com a possibilidade de que os filhos o vissem dessa form a. Percebeu que agia assim sim p lesm e nte porque acreditava vagam ente que devia e du ca r os filhos do m esm o m odo que seu pai o havia e d u ca ­ do. Jim é um hom em q ue valoriza as relações pacíficas e harm oniosas e tem um forte sentido de igualdade entre as pessoas, inclusive as crianças. Portanto, agir de form a co nflita nte com esses valores não deixaria de lhe causar estresse. Os valores herdados estavam em perm anente co nflito com seus próprios valores pessoais.

Escolha seus valores Escolha-os nas listas a seguir, m as sinta-se à v o n tad e p a ra acresce n ta r os seus, se n ã o estiverem nas listas. Você tem d ireito


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 53

a apenas cinco valores prioritários, e a cinco de prioridade m é­ dia em cada categoria. Não pode haver mais do que cinco em cada seção. Isso pode ser difícil. Ser obrigado a escolher apenas dez valores o faz p ô r em foco aquilo que é realm ente im portante para você. O utra coisa que talvez aconteça é que você pode descobrir que alguns dos valores escolhidos são conflitantes entre si. Se isso acontecer, é um a indicação de em que áreas de sua vida você vem passando p o r confusão, sentim entos contraditórios ou obtendo maus resultados. Ao escolher sua lista de valores, perceberá que às vezes escolhe valores que se opõem entre si. Caso se sinta feliz com um estilo de vida ocupado, rico e complexo, tendo que se equilibrar entre dife­ rentes valores e prioridades, isso não tem im portância. Por outro lado, se quer m inim izar e m anter em foco a simplicidade, terá que restringir seus valores, de m odo que sejam compatíveis. Se você m antém um relacionam ento e está fazendo este exer­ cício ju n to com seu par, ambos aprenderão m uito a respeito um do outro. E im portante que cada m em bro do casal se sinta livre para escolher os próprios valores, mesmo que sejam diferentes dos escolhidos pelo parceiro. Se em seu relacionam ento a aceitação e o respeito dos valores de cada um forem valorizados, o relaciona­ m ento se aprofundará. Por outro lado, é preciso que alguns valores fundam entais sejam com uns aos dois, ou não terão um terreno co­ m um a ambos. Os casais que vivem bem geralm ente são influencia­ dos pelos valores um do outro, mas sem perm itir que eles anulem os seus próprios.

Q uando estudou a seção dedicada aos valores da fam ília, Barry refletiu sobre o tip o de vida dom éstica que gostaria de levar, m as nunca pudera. Seus pais eram pessoas caladas e trabalhadoras, que, percebia ele, nunca chegavam a gozar das coisas pelas quais haviam lutado tanto. Valorizavam a “ fam ília u n id a ” , mas, ape ­ sar disso, as refeições em fam ília eram apressadas e tensas, e todos tin h a m que a judar a tira r a mesa mal haviam acabado de com er. Raram ente ficavam algum tem po sem fazer nada, sim plesm ente gozando o prazer de estarem jun to s. União, para eles, significava tra ba lha r d uro em conjun to . Os fin s de sem ana eram reserva­


54 Escolha seus valores

dos a algum a tarefa. M esm o dura nte as férias, q ua n d o iam para a casa dos avós, a m aior parte do te m po se passava cozinhando, a rru m an d o a casa e levando os avós em viagens curtas. Barry escolheu com o as cinco prioridades para sua vida familiar.- felicidade, saúde, com partilhar, a bu n d â n cia e foco espiritual. As cinco prioridades m édias escolhidas foram sentir-se ligado aos outros, tra nq ü ilida d e, foco em atividades externas, educação sólida e atividades esportivas. Percebeu que alguns desses valores conflitavam ; por exem plo, tra n q ü ilid a d e e vida esportiva talvez fossem in­ com patíveis. Então foi preciso d e cid ir qual deles era m ais im portante. Precisou to m a r algum as decisões para organizar sua vida de m odo que suas prioridades coincidissem com as coisas que lhe davam prazer. Para consegui-lo, teve que reorganizar o m odo com o adm inistrava seu tem po. <^se^>

Todos esses valores se eqüivalem e são neutros. N ão existe res­ posta certa ou e rra d a a q u a lq u er dessas perguntas. Mas existem as que são certas para você. Com o tem po, vai n o ta r que seus valores evoluem e m udam , e será interessante rever este capítulo d e n tro de seis m eses ou um ano. R esponda à perguntas sobre valores e p e rc eb e rá que isso to r­ n ará mais eficiente o processo de perg u n tas e respostas usado neste livro. ........... *

*

A lista de valores Eis aí um a lista de 195 valores. Nos exercícios que se seguem , você deverá escolher alguns deles, incluí-los em sua vida e fazer deles um a prioridade, ou então recusá-los e descartá-los da sua vida. Você concordará com m uitos dos va­ lores da lista; com alguns concordará fortem ente, e outros lhe serão indiferentes, ou você vai d isco rda r deles. O im portante é d eterm ina r quais são os seus próprios valores, não porque acha que isso pode agradar a outra pessoa, ou porque isso pode fazê-lo parecer um a pessoa m elhor ou por achar que “ deve" se co m p o rta r de d eterm inada m aneira. Valores escolhidos dessa form a não o ajudarão m uito a criar para si o tip o de vida que deseja, porque, nos m om entos de tensão, não vai ser fiel


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 55

a eles. Um valor deve ser algo a respeito do qual você tenha sentim entos fortes ou que seja realm ente im p ortante para você. Os valores estão separados em diversas categorias, com e ça nd o pelos mais abstratos, que se referem a questões e spiritua is, passando dep o is a questões m ais pragm áticas, referentes ao estilo de vida. À m edida que fo r cu m p rin d o cada etapa, verá que certos valores em d eterm inada categoria se sobrepõem a outros. Isso o ajudará a d esco brir e to rna r m ais claras certas coisas a seu respeito. Por exem plo, você pode d esco brir q ue m uitos dos valores que escolheu nas diversas categorias incluem a criatividade, no entanto, você nunca pensou q ue pudesse fa ­ zer da cria tivida de um a p rioridade em sua vida cotidiana. Se não realizar algo que efetivam ente dê vazão a um valor im p o rta nte em sua vida, isso poderá se to rna r uma fo n te de tensão, estresse, depressão e outros sintom as. Este será o exercício m ais dem orado do livro - mas só precisa ser feito uma vez, e você com eçará a sentir os efeitos dentro de poucas sem anas ou meses. Os valores listados podem não incluir algum valor especial que lhe seja caro. Há um espaço para incluí-los. Ao final do exercício, você terá em cada seção suas listas individuali­ zadas. Utilize para isso os espaços do livro ou faça-o em um caderno à parte.

1. Valores individuais São m ais abstratos do que práticos e se referem a certos aspectos profundos de nós m esm os. Passe em revista seu passado rem oto e talvez chegue à conclusão de que desde a infância vem aspirando a esses valores. Talvez você não tivesse usado essas palavras, nem m esm o tivesse pensado nisso conscientem ente, mas os valores em si m esm os referem -se a q ualidades im em oriais co m p a rtilh ad a s por m ilhões de seres hum anos, in d e pe n de ntem e n te de época ou de cu ltura . A seção dedicada aos valores pessoais d ifere das outras seções pelo fato de não ser necessário escolher alguns valores e deixar outros de lado. Talvez você não queira deixar de lado n en h um deles, ou então apenas alguns. Entretanto, dura nte este exercício e nos dias subsequentes, tente co n ce n tra r a atenção em apenas dez, e perceba qual é o resultado. S u blinhe ou m arque com um asterisco seus dez valores, ou anote-os. Quais destes valores hum anos fu n da m en ta is são realm ente im portantes para você? 1 D ignidade 2 Respeito por si próprio 3 Respeito pela natureza e pelo m eio am biente


56 Escolha seus valores

4 Respeito pelo próxim o 5 Igualdade 6 Liberdade 7 A m or 8 Conexão com o próxim o ou interdependência 9 A utonom ia ou independência 10 A ceitação e tolerância 11 Com paixão 12 C onhecer a si m esm o 13 C onfiar em si m esm o 14 Viver de acordo com seus valores 15 Defender, por palavras ou ações, o que lhe parece certo 16 Bom h um o r 17 C om paixão 18 Pacifism o 19 S erenidade 20 Sabedoria 21 Outros, à sua escolha

2. Valores espirituais São apenas dez os valores espirituais de nossa lista. Quais você considera mais inspiradores ou elevados? A qui ta m bé m não é preciso e xclu ir n en h um deles, m as concentre-se nos cinco q ue lhe parecem m ais produtivos. Substitua um ou m ais deles pelos seus próprios. 1 Q uero que haja em m inha vida um fa to r espiritual e insp ira d or 2 Pratico a m editação ou participo de algum a tradição religiosa ou espiritual 3 A fé é im p ortante para m im 4 M inhas crenças são im portantes para m im , ou a noção de que as coisas acontecem com o deveriam 5 Gosto de m e sentir conectado a um todo m aior do que eu 6 A vida tem um propósito, um valor ou um a direção 7 A vida é curta - viva o m om ento 8 D epende de m im fazer da m inha vida algo m elhor 9 Não professo q u a lq u e r código espiritual 10 Não tenho interesse algum pela e spiritualidade


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 57

3. Qualidades pessoais Entre suas qualidades, quais são as suas preferidas, as que considera seu ponto forte? Esta seção se baseia em um a das p rincipais noções da psicologia positiva, que diz que seus resultados serão m elhores se você se a poiar em seus pontos for­ tes, em vez de se p reo cup a r com suas fraquezas. Escolha dez q ualidades que co n ­ sidera com o sua m arca registrada, depois escolha dez qua lid ad e s nas quais você gostaria de se c o n ce n tra r para desenvolvê-las m ais um pouco. Como são quarenta os itens da lista, pelo m enos m etade terá que fic a r de lado por enquanto. 1 Paciência 2 Tolerância 3 Força 4 Confiança 5 A titu de positiva 6 Ser enérgico 7 Ter a m ente aberta 8 Ter opiniões claras e d efinidas 9 Ser focado 10 Ser divergente, isto é, focado em várias coisas ao m esm o te m po 11 Ter um nítido sentido de direção 12 Ser dotado de visão 13 Ser d in â m ico 14 Ser dotado de m agnetism o pessoal, carism a ou autoridade 15 Ser atraente e te r charm e 16 Ser flexível ou espontâneo e seguir o fluxo 17 Ser sensível e realista 18 Ser pragm ático 19 Ser estim u lan te e encorajador 20 Ser d espreocupado e divertido 21 Ter senso de h um o r 22 Ser prestativo 23 Ser encorajador 24 Ser confiável 25 Ser inflexível q ua n d o necessário 26 Ser carinhoso


58 Escolha seus valores

27 Ser bom am igo 28 Ser eficiente e realizador 29 Ser instruído, perceptivo e bem inform ado 30 Ser capaz 31 Ser tra n q ü ilo e fácil de conviver 32 Ser gentil e considerado 33 Ser um bom m em bro da fam ília ou de um a equipe 34 Ser tra ba lha d or 35 Ser um a pessoa decidida 36 Ser gentil 37 Saber sentir em patia ou com paixão 38 Ser um bom ouvinte 39 Ser organizado e d isciplina d o 40 Ser original e inovador

4 . Valores referentes à imagem Com o você gosta que o vejam? O que prefere que outras pessoas a dm irem em você? Escolha, nesta lista de 25 sugestões, com o gostaria de ser visto, valorizado ou a dm irad o por outras pessoas. A crescente suas qualidades, as que considera m ais atraentes, caso essas não façam parte da lista, m as só é p erm itido escolher um total de dez qualidades - se a dicio n ar um a, será preciso tira r outra. 1 Popular entre as pessoas em geral 2 A m ado por algum as poucas pessoas especiais 3 M uito am ado e bem tratado, cercado por pessoas que o am am 4 Ser conh e cid o 5 Dono de um estilo reconhecível à prim eira vista

6 Um a pessoa valorizada ou reconhecida pelas coisas que faz 7 Um a boa pessoa, gentil, am orosa e útil na opinião dos q ue a conhecem 8 Um a pessoa forte 9 Divertido e bom com p a nh e iro 10 Bem ajustado e adaptado às pessoas que o cercam 11 Alguém que se destaca 12 Talentoso 13 Aventuroso 14 Um grande realizador


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 59

15 Um ótim o pai de crianças encantadoras 16 Receber reco n he cim e n to pelos tem pos difíceis que enfrentou 17 Ser fam oso ou te r um status elevado 18 Ser visto com o socialm ente refinado

19 Ser a quilo que mostra 20 Um especialista ou a utoridade em seu ca m p o de ação 21 Alguém que faz diferença 22 A lguém que atrai pela aparência 23 Ser a dm irad o por suas realizações 24 Um ótim o anfitrião, cujo lar é adm irado 25 Dono de um estilo de vida próprio

5. Valores a que você mais recorre como ajuda A vida, dura nte boa parte do tem po, exige esforço e disp ên d io de energia. Se não to m ar cuidado, perderá o controle e perceberá que está fu n cio n a n d o com o ta n qu e vazio. De onde você retira energia? Quais são suas p rin cip a is fontes de inspiração, encorajam ento e sustento? O que o faz sentir-se realm ente bem? Faça dez escolhas nesta lista de 25 fontes energéticas que m erecem prioridade em q ua lqu e r inspeção do seu estilo de vida.

1 Passar algum te m po em m eio à natureza 2 Solidão, ou passar algum te m po sozinho 3 O uvir m úsica 4 Ver film es 5 A d m ira r obras de arte

6 A ssistir a espetáculos artísticos 7 Ler

8 Passar o te m po com um par q uerido 9 Passar te m po com jovens ou crianças 10 Passar o te m po na com p a nh ia de parentes 11 Passar tem po com um m estre, um am igo inspirador, um terapeuta, um professor ou um grupo 12 Estudar e a d q u irir co nh e cim e nto s

13 A p re n d e r novas habilidades 14 Expressar-se c ria tiv a m e n te -fa ç a um a lista de atividades criativas que já lhe foram úteis


60 Escolha seus valores

15 R eceber de outras pessoas avaliações agradáveis e apreciativas 16 O cupar o te m po com atividades criativas, tais com o decoração do lar ou jardinagem 17 Ter sexo significativo 18 Levar vida social entre am igos 19 Exercitar-se para a prim ora r seu co nd icio na m en to físico e a saúde

20 22 23 24

Passar te m p o com anim ais Receber agrados Sair de férias ou viajar para longe de casa Estar ligado a um a grande rede de am igos, colegas e contatos

25 Alegrar-se com um a realização

6. Valores referentes ao estilo de vida Os valores a seguir se referem à pergunta: “ Como viver m elhor a m inha vida?" Eis m ais um a o po rtu nid ad e de parar para pensar em com o realm ente gostaria de viver a vida. É co m u m a cord ar certo dia e d esco brir q ue está agindo exatam ente com o esperam de você - m as será que foi você m esm o que escolheu esse estilo de vida? É o m elh or para você ou você apenas o suporta por enquanto, porque se sente preso a um com prom isso im portante, que você valoriza? Ou será que um a coisa levou a outra? Esta seção trará à tona problem as não resolvidos. Por exem plo: se não ganha o suficie nte para m anter um estilo de vida do seu agrado, pode ser que você tenha se co nform a do com um em prego não m uito exigente, m as que lhe d ei­ xa te m p o para outras coisas. Escolha, nesta lista de quarenta, dez estilos de vida. Infelizm ente não há te m p o para um núm ero maior. 1 Levar um a vida pacata

2 Ter um a vida m uito ocupada 3 Ter um estilo sim ples de vida 4 Trabalhar para te r o que é bom 5 Fazer tu d o para te r um a vida confortável e p roporcionar conforto à fam ília

6 Trabalhar para ser rico e te r segurança 7 Trabalhar para gozar de status e prestígio

8 E ducar seus filhos do m odo que lhe parece acertado 9 Viver pensando nos filhos 10 Colocar a fam ília e o lar em prim eiro lugar 11 E ncontrar o e qu ilíb rio entre lar e trabalho


As 1000 perguntas mais importantes que você deveria fazer a si mesmo 61

12 Dar prim azia ao trabalho 13 Colocar as necessidades dos outros à fre nte das suas

14 Dar preferência às próprias necessidades 15 Fazer uma co ntrib u içã o à sociedade 16 Trabalhar em prol das causas em que acredita 17 P rim eiro o trabalho, depois a diversão 18 P rim eiro a diversão, depois o trabalho

19 Fazer o que tem que ser feito 20 Ser organizado 21 S entir prazer com a ação 22 Gostar de passar te m po à toa 23 Ser espontâneo 24 25 26 27

A prim orar-se C uidar dos outros Possuir um a bela casa Possuir coisas belas

28 Gastar d in h eiro viajando 29 Gastar d in h e iro em program as 30 Ter m uitos am igos 31 Ter poucos am igos íntim os 32 M anter um relacionam ento responsável com um parceiro 33 Ser solteiro ou m anter vários relacionam entos passageiros 34 Fazer m uito sexo 35 Não desp e nd er m uito te m po e energia em sexo 36 P oupar d in h eiro 37 Gastar d inheiro 38 Investir em h obbies e coisas do seu interesse 39 Investir em educação e a prim ora m en to profissional 40 M ud a r seu estilo de vida

7. Valores que conferem poder Valores que conferem poder são aqueles que o fazem sentir-se livre, d inâm ico, forte e poderoso. Escolha cin co na lista abaixo. 1 A u todisciplina 2 Realizações


62 Escolha seus valores

3 Ser responsável por outras pessoas 4 Ter responsabilidades im portantes 5 Não te r responsabilidades 6 Ser saudável e ter bom preparo físico 7 Ser eficiente e com petente

8 Ser talentoso ou bem qua lifica do 9 Ter boa aparência 10 Ter d inheiro

11 Ter um a extensa rede de apoio 12 Ser livre para to m a r as próprias decisões

13 Ser intim a m e n te ligado ao seu par 14 V encer as próprias lim itações e os obstáculos 15 A cred ita r em si m esm o, apesar de tu d o

8. Valores referentes a atitudes São os valores que têm a ver com suas preferências q ua n to às atitudes básicas da vida cotidiana. É m uito m ais difícil m udá-los, já que fazem parte da sua personali­ dade e da sua co nstitu ição psicológica. Escolha dez, dentre estes vinte. 1 Ser confiante

2 Ser positivo e otim ista 3 Ser realista 4 Ter senso de h um o r

5 Ser tolerante 6 Ter a m ente aberta 7 Saber exatam ente qual é sua opinião em assuntos im portantes

8 Precisar de m uitas inform ações antes de to m a r um a decisão ou aceitar p articipa r de um projeto

9 Ser receptivo 10 Ser aventureiro e curioso

11 12 13 14

Ser am istoso Ser cauteloso A p re ciar os riscos Preferir m últiplos contatos e atividades estim ulantes

15 Preferir dedicar-se a um a coisa de cada vez 16 Dizer sim a um excesso de experiências novas


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 63

17 R ecusar um excesso de experiências novas 18 P referir segurança 19 Dar preferência a m udanças 20 Enfrentar a vida de peito aberto

Exercício com os valores Você agora já tem sua com b ina çã o própria e exclusiva de valores, em uma série de seis listas. Se você fez até o fim este exercício, perceberá q ue desencadeou um pro­ cesso de pensam ento que pode d em o rar a se com pletar. Não há necessidade de passar ao próxim o exercício e nq u an to não se sentir pronto para isso. Mas, q ua n do estiver, é por m eio deste exercício que aplicará seus valores a áreas específicas de sua vida. Utilize os espaços em branco ou um caderno e escreva um a lista de dez valo­ res para cada tópico. Será preciso reler co nstantem ente as oito listas já feitas. Verá que lhe é p erm itido selecionar apenas cin q ü e n ta valores ao todo, o q ue o obriga a escolher os que representam suas reais prioridades e a fo ca r nelas sua energia e atenção. Isso pode forçá-lo a algum as escolhas difíceis!

1. Valores pessoais que são fundam entais para mim Estes são os valores essenciais para m im , e não são negociáveis.

1

______________________________

2

3 4 5 6

;______________________________

7 8

9 10


6 4 Escolha seus valores

2. Quero que meu estilo de vida esteja de acordo com os seguintes valores 1 2

__ ______________________________________________________________ ______________

3

4

______________________________________________________

5 6

___________________________________________:_________________________

7

______________________________________________________

8

9 10

________________

3. Quero que minha vida cotidiana esteja de acordo com os seguintes valores 1 2 3

4 5

6

7 8

-________________

_____________________________________________________

9 10

________________________________________________________________

4 . Gostaria que minha relação comigo mesmo e com o próximo esteja de acordo com os seguintes valores 1 2


As 1000 perguntas mais im portantes que vocĂŞ deveria fazer a si mesmo 65

3

4 5

6

7 8

9 10

5. Valores que me representam Gostaria q ue as pessoas com as quais convivo m e vejam desta form a.

1 2 3

4 5

6

7 8

9

r_____________

10

6. Valores que conduzem ao aprimoramento pessoal e ao sucesso Quero enfatizar estes valores para que eles m e ajudem a ating ir m inhas prioridades oessoais e a me sentir bem com igo m esm o.

1 2 3

4 b

________________________________________________


66 Escolha seus valores

6 7

8

9 1 0 _______________________________________________________

7. Valores inspiradores Estes são os valores que m ais me inspiram e m otivam , que devo te r sem pre em m ente e quero que me sirvam de guia.

1 2

__________________________________________________________

3

4 5

Onde aplicar seus valores Já tendo d ecidid o quais são suas prioridades, o estágio seguinte é pensar em com o aplicá-los à sua vida cotidiana. Pense em dez m udanças práticas que pode adotar nos três próxim os m e­ ses, para que esses valores se enraízem m ais firm em e nte em sua vida cotidiana. Lem bre que essas m udanças devem ser m udanças de verdade, porém realistas. Talvez seja bom pensar de antem ão no que fará quando surgirem conflitos de in­ teresses. Eis a essência do exercício sobre valores? o que é realm ente im portante para você?


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 67

9

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Pôr em prática os valores: tomar decisões Você é incapaz de tomai' decisões? Elas são um teste para seus valores, prioridades, firmeza de propósito, clareza e discernimento. As vezes é difícil tom ar um a decisão porque isso exige que você saiba clara­ m ente quais são seus verdadeiros valores e objetivos e se m antenha firme em seu ponto de vista. Pode ser de grande ajuda recorrer a algum m étodo na hora de tom ar um a decisão, mesmo que peque­ na, que reforce sua escolha de valores. Seus valores são seus e não podem ser desprezados, contestados ou tirados de você. Se você sabe quais são e vive de acordo com eles, estará m enos sujeito a conflitos, procrastinação e confusões, e alcançará mais rapidam en­ te seus objetivos. Devo dizer tam bém que haverá decisões difíceis de tomar, e, em determ inadas situações, é mesmo muito difícil de­ cidir. As pessoas tom am suas decisões das maneiras as mais diversas. Talvez você seja um daqueles que decidem rapidam ente e partem logo para a ação, ou pode ser um daqueles que preferem ponderar o assunto durante um bom tem po. Tanto um quanto outro estilo têm suas vantagens, mas tam bém seus senões. Tente se lembrar de uma época em que tomou a decisão errada Decisão errada é aquela que, com o você veio a perceber depois, deu m aus resul­ tados. Você d e cid iu rápido dem ais ou dem orou dem ais? Pensou bastante - ou pensou pouco - no im pacto que essa decisão teria sobre outras pessoas? Tinha noção de quais seriam as co nseqüências a longo prazo? Ou a cu rto prazo?


68 Escolha seus valores

O que você acha que as pessoas im portantes para você pensavam a seu respeito e nquanto estava to m an d o essa decisão?

Quais foram os m otivos que o levaram a to m ar tal decisão?

Por que não voltaria a to m a r essa m esm a decisão?

Quais foram , na época, os valores que o levaram a fazer essa escolha?

Revendo os fatos, que outra decisão você teria tom ado?

Que lição você tira dessa experiência?

Tente se lembrar de uma época em que tomou a decisão certa Decisão certa é aquela cujos resultados o satisfazem até hoje. Você tom ou a decisão ra pida m e nte ou levou algum te m po pensando? Que valores o levaram a to m a r tal decisão? O que as pessoas do seu m eio pensaram da sua escolha?


As 1000 perguntas mais importantes que você deveria fazer a si mesmo 69

Como você soube na época que era a decisão certa?

Revendo os fatos, o que ihe m ostra q ue foi um a decisão certa?

Uma base ética

É muito estressante levar a vida sem ter em m ente um a base ética. Tudo que se faz provoca um efeito - não só sobre os outros, mas sobre você mesmo. Cada um a de suas ações contribui para a formação da pessoa que você se tornará. Na hora, você pode não perceber que as suas ações terão conseqüências sobre a pessoa que você vai ser. Q uando se é jovem, é com um pensar que o futuro se resolverá sozinho. Viver de acordo com um código de ética o livra da culpa ou da preocupação com as conseqüências de algumas de suas ações. E serve tam bém para facilitar a tom ada de decisão, já que, em determ inadas situações, você sabe qual é a coisa certa a fazer. Sem um código de ética pessoal, você pode se sentir perdido em um m ar de estados de espírito e impulsos passageiros e não tem como traçar um a diretriz para seu próprio com portam ento. O conceito budista de carma, a lei de causa e efeito, é muit útil neste caso. Segundo essa teoria, toda ação traz consigo um a conseqüência. Se aceitar a teoria de que não existe ação sem con­ seqüências, isso o ajudará a pensar a respeito dos resultados que realm ente deseja alcançar. Se deseja ser m agro, sempre que com­ prar um a barra de chocolate saberá que isso torna m enos provável que você atinja seu ideal de magreza. Com base nessa filosofia de causa e efeito, alguns budistas acre­ ditam que você passará p o r tudo aquilo que tiver causado ao pró-


70 Escolha seus valores

xim o - que a experiência voltará p a ra você p o rq u e som os todos p arte de um m esm o sistema n o qual tudo se com unica. E essa ideia conduz à crença de que é m e lh o r tra ta r os outros d a fo rm a com o gostaríam os que nos tratassem . Pense em algo que você fez no ano passado e que não o satisfez inteiramente. Pense nos efeitos causados a outras pessoas envolvidas. Que efeitos isso ainda tem sobre você? Como ainda o afeta? Pense em algum a ação positiva sua que o tenha deixado contente. Qual foi o efeito que essa ação teve sobre sua vida e sobre a vida de outra ou outras pessoas envolvidas? Com o essa ação ainda o afeta?

Princípios éticos P rin cípios éticos são os valores que nos servem de guia e q u e p o d e rã o ajudá-lo a p e n sa r q u a n d o estiver em m eio a u m a situação d ú b ia na q ual p o d e haver u m a c e n tu a d o co n flito d e in ­ teresses, o u q u e carreg a consigo um fo rte p o te n cial d e m a g o ar as pessoas. Q u a n d o su rg ir um p ro b le m a , te n te exam iná-lo seg u n d o a ó p tic a desses p rin cíp io s. N em to d o m u n d o resolve p ro b lem as s e g u n d o a ó p tic a dos p rin c íp io s da lista a seg u ir - p o r exem plo, os recu rsos são g e ra lm en te d istrib u íd o s de fo rm a in justa, e h á pessoas q u e agem de fo rm a ética p a ra com alguns, m as n ã o p a ra com ou tros. Para início de conversa, pense nos três prim eiros valores éticos: H Fazer o bem - o q u e prom overá o bem em m aio r escala? Pode ser o m aior bem para o m aior n ú m e ro de pessoas o u p ara u m a só. ■ R espeito pela au to n o m ia - o que p erm itirá às pessoas envolvi­ das fazer suas próprias escolhas? * C ooperação e ajuda ao próxim o. A seguir, faça suas escolhas d e n tre os valores da lista abaixo. Podem ser in ten sam en te pessoais ou servir com o guia geral.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 71

Respeito Evitar causar mal aos outros ou causar o m enor mal ou mágoa possível

versus desrespeito versus um a ação que faça mal ou magoe versus conversa que terá um efeito

Falar de form a positiva

negativo, ou conversa superficial, tal com o fofoca

F idelidade ou lealdade e c u m p rir os acordos Justiça Retidão

versus a cha r q ue há bons m otivos que ju stifica m q u e b ra r um acordo ou contrato versus injustiça ou ausência de justiça versus falta de retidão ou de generosidade versus co nside ra r que algum as

Igualdade e aceitação da diversidade

pessoas são m elhores ou piores do que as outras

Veracidade A gir positivam ente q ua n d o fo r necessário

versus d istorcer d eliberadam ente a verdade ou faltar com a verdade versus m anter-se à parte, não interferir ou agir apenas com o observador quando algo tem que ser feito


CAPÍTULO 3

Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento Tudo o que você precisa saber sobre estresse e administração do tempo Até mesmo as palavras estresse e boa administração do tempo po­ dem provocar ansiedade. Parece que elas só existem para fazê-lo sentir-se inadequado, e que todo m undo, m enos você, já resolveu esse impasse. De certa forma, tudo o que existe de prático a res­ peito desses assuntos pode ser escrito no verso de um envelope, e faz parte deste livro, apresentado de form a compreensível. Em bora adm inistrar o tem po, o estresse e a ansiedade sejam coisas total­ m ente diferentes, estão intim am ente ligadas entre si. A m aioria de nós sofremos de vez em quando de problem as de estresse e dificuldade de adm inistrar nosso tem po, resultantes da necessidade de nos equilibrarm os entre prioridades conflitan­ tes e o mal-estar universal que resulta de “coisas demais a fazer e tem po de m enos”. Somos pobres de tem po. E inevitável nos sen­ tirmos estressados, já que a vida é intrinsecam ente estressante, e isso não é culpa sua. Há m om entos em que tudo parece escapar ao controle, e para essas horas é ótim o ter algumas dicas de como adm inistrar o tem po. M elhor ainda seria familiarizar-se com as técnicas de adm inistração do tem po em épocas mais calmas, de m odo a ter algo em que se apoiar quando tudo parecer degringo­ lar inesperadam ente - o que não deixará de acontecer. O tem po é um recurso, e podem os usá-lo da form a que nos for mais ade­ quada, em vez de nos adaptarm os a ele e deixar-nos governar por um ritm o que nos é im posto.

Administração do tempo A m aior parte das técnicas de adm inistração do tem po se pare­ cem; pedem que você estabeleça prioridades e então faça a lista das coisas a fazer, p o r ordem de im portância, e vá riscando as que tiver


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 73

concluído. Você precisa de um a agenda, um cad ern o o u u m p ro ­ gram a de com putador. E im p o rtan te a n o ta r tudo, p ara que n ad a seja esquecido. O p ro b lem a com esse tipo de sistem a é que faz com que você sinta que fracassou, caso não consiga m arcar com o execu­ tadas algum as tarefas em sua agenda diária, sem anal o u m ensal. E a razão p ela qual nem sem pre podem os fazer algum a coisa que faz parte d a lista “p ara h o je” é que podem os estar ocupados fazendo o u tra coisa que p o d e ser igualm ente im p o rtan te, mas q ue não está n a lista. A técnica tradicional de adm inistração do tem po não leva em conta que tem os que lidar com in terru p çõ es constantes e um fluxo co n tín u o de com unicação e inform ações que nos chegam , mais o fato de term os que nos ajustar às necessidades de várias o u ­ tras pessoas além de nós. E, além disso, esse tipo de m éto d o se ba­ seia em m uitos “deve”, “tem q u e ” e culpa - u m m éto d o p u ra m e n te lógico, que não fu n cio n a bem p a ra m uita gente, p o rq u e não é um je ito divertido nem criativo de viver a vida. A noção de que não se deve deixar para am an h ã o que se pode fazer hoje é um a receita que ensina a agir com o o coelho em Alice no País das Maravilhas, que vivia afobado e c orrendo em círculos, ten tan ­ do ser cada vez mais rápido. N em sem pre é possível fazer tudo hoje, e m uitos assuntos im portantes terão que ser adiados para a próxim a sem ana, até m esm o para o próxim o ano. Leva tem po chegar aonde querem os. Se você trata o tem po com o um inim igo que tem que ser derrotado, ele tam bém não vai ser bom para você - sem pre vai existir algum a coisa que você terá deixado de fazer, alcançar o u or­ ganizar. Por que não se to rn a r amigo do tem po? E se você im aginar que tem o tem po exato para fazer tudo o que realm ente im porta? Muitas filosofias espirituais dão ênfase ao aqui e agoi'a. Basta viver o m om ento e fazer o que tem que ser feito agora. As vezes é m e lh o r n ão fazer n a d a até que te n h a estabelecido que valores, p rio rid ad e s e realizações são re a lm e n te im p o rta n ­ tes, p o r que, se n ão estiverem bem claros, você n ão será capaz de lu ta r p o r eles de fo rm a eficiente e p e rd e rá te m p o em táticas de ad iam en to . Você n ão vai q u e re r passar seu te m p o fazen d o coisas que ach a q u e é o b rig ad o a fazer, mas sim aquelas q ue q u e r fazer. E o resu ltad o será sentir-se u m fracassado desorganizado. Expe-


74 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento

rim e n te passar um dia em casa a cada sem ana o u a cada m ês, e n ão esp ere fazer m u ita coisa. Dê-se tem p o p a ra respirar, p e n sa r e d eix ar que tu d o se resolva. U tilize esse te m p o p a ra re fle tir so­ b re suas m etas, seus sonhos, valores e reais p rio rid ad es. Você vai p e rc e b e r que, em vez de d e sp e rd iç a r tem p o sem fazer nada, esse tem p o d a n d o tem p o a si m esm o p a ra sim plesm en te existir vai lhe d a r m ais ânim o p a ra e n fre n ta r o restan te da sem ana.

Perguntas para a manhã e para a noite Crie o hábito de fazer a si m esm o as perg u n tas certas todas as m anhãs. Algo com o o slogan da M icrosoft: “A onde você q u e r ir hoje?”. O u como: ■ Em que eu qu ero m e co n ce n tra r hoje? ■ Com o eu gostaria de m e sentir no final do dia? ■ Quais são as coisas que eu realm en te gostaria de resolver hoje? ■ O que posso fazer p ara m e sentir bem no dia de hoje?

Encontre a pergunta certa Só você m esm o pode saber qual é a pergunta certa para você. Essa pergunta pode m ud a r a cada dia, ou se m anter a m esm a durante meses a fio. Focalize a pergunta enquanto respira profundam ente e com calm a, e veja com o se sente. Se ela o faz sentir-se estressado e ansioso, isso é sinal de que não é a pergunta certa. A pergunta deve ser algo a seu respeito, sobre com o a ju d ar a si m esm o a atravessar o dia da m elhor m aneira possível, e deve fazê-lo sentir-se tranqüilo. Focar a pergunta certa o deixará relaxado, alerta e com a certeza de que está controlando um aspecto da sua vida. À noite, pouco antes de dorm ir, é m uito útil concentrar-se em um a pergunta, talvez algo que venha o cup a nd o sua m ente e que você gostaria de resolver. Por exem plo, com o dizer a sua m ãe que não vai passar o Natal com ela. Isso vai per­ m itir que a pergunta co n tin u e atuando e nquanto você dorm e.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 75

Ao acordar, reserve aiguns m inutos para escrever em seu diário algum a coisa a respeito da pergunta. E xperim ente fazer isso por alguns dias até esclarecer o pro­ blem a. Às vezes é possível acabar com o estresse sim plesm ente escrevendo sobre ele, refletindo de verdade sobre ele, descrevendo-o e esclarecendo-o por escrito. Anote algum as perguntas para fazer a si m esm o pela m anhã e à noite, para que sua m ente com ece a exam iná-las e nquanto você estiver o cupado com outras coisas.

Perguntas para a manhã 1

2 3

4 5

Perguntas para a noite 1

2 3

4 5

Estresse Por que ficar estressado? H á m uitas razões - que p o d em ser u m a característica só sua e da situação em que você se e n co n tra mas h á causas p ara o estresse que já foram claram ente entendidas. As pessoas que pas­ sam p o r situações de vida estressantes ten d em a ser mais ansiosas. U m a vida estressante q u e r dizer q u a lq u er coisa que altera sua vida


76 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento

de m o d o significativo, nem sem pre de m odo negativo - n a verda­ de, u m sucesso m arcante p o d e ser u m a grand e fo n te de estresse. E n tre os fatos causadores de estresse podem os citar o casam ento, um a separação ou divórcio, te r um filho, novas responsabilidades, p roblem as de saúde ou perdas. Os fatores de estresse a u m en tam o seu nível geral de estresse, prin cip alm en te se vários deles aco n te­ cem n u m intervalo de poucos anos. Talvez você os e n fren te bem n o m o m en to em que acontecerem - os outros p o d em até p en sar q ue você e n fre n to u tu d o m uito bem - , mas isso tem u m preço. Seu nível in te rn o de estresse p o d e ir au m en tan d o aos poucos, e essa ansiedade finalm ente virá à to n a q u an d o você tiver resolvido tudo e ach ar q ue já p o d e seguir em frente.

Qual é o seu nível de estresse? M arque quais desses agentes causadores de estresse aconteceram em sua vida nos últim os cin c o anos.

M orte de um a pessoa querida ^ Ser vítim a de um crim e

i ] A cidente ou traum a □

Divórcio

Separação

M u d a r de casa ] M udança para outra localidade

I— | Q ualquer perda ou m udança significativa, por exem plo, ser d em itido 1— 1 por ser considerado desnecessário ]

Problem as sérios de saúde - seus ou de alguém m uito próxim o

] Preocupação com algum m em bro da família - adolescentes, por exemplo


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo

Disputas ju d icia is ] Problem as com parentes ] D esentendim ento sério com pessoa da fam ília

Ser assediado ou m altratado

I— | Preocupações sérias com as fin an ças ou m udanças significativas de — situação financeira □

Preocupações sérias com o lar | Problem as de relacionam ento

I

| P roblem as com álcool ou drogas - seus ou de alguém m uito próxim o ] Perda de ind e pendência ] Perda da m obilidade

Perda de coisas que você considerava garantidas

I— | Um a grande conquista pessoal (sim , isso ta m bé m pode ser causa —

de m uito estresse)

Excesso de afazeres, m ais do q ue você pode e nfre n ta r fisicam ente

[ □

| Falta do que fazer, não te r um propósito, sentir-se entediado Problem as no trabalho | Sentir-se solitário ou isolado

Falta de tem po para relaxar ou se exercitar

Filhos que deixam a casa paterna | Apaixonar-se ] Um novo-m em bro na fam ília | Problem as causados por desastres naturais ou m eteorológicos

D ificu ld ad e constante de d o rm ir o suficiente

N úm ero de agentes causadores de estresse que você enfrentou:


78 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento

M esmo que te n h a m arcado apenas dois ou três dos fatores aci­ m a, você tem todo o direito de achar que a vida tem sido difícil. E n tretan to , terá o direito de sentir-se estressado? O estresse não é criado p ro p riam e n te p o r esse fatos - mas sim p o r nossa reação à situação e tu d o que dizem os a nós m esm os a respeito dela. E o m odo com o nos com portam os em face da situação que leva a p ro ­ blem as de longa duração induzidos pelo estresse. O q ue co n ta não é o p ro b lem a em si m esm o, mas o que nós dizem os a nós m esm os a respeito do problem a. E p o r isso que algum as pessoas se sentem tão estressadas p o rq u e têm que levar o gato ao v eterinário, e n q u a n ­ to outras são capazes de dirigir um a em presa, criar três filhos e ain d a arranjam tem po p ara ir à m anicure e fazer u m ja n ta r p ara oito pessoas. E n tretan to , se e n fre n to u cinco ou mais desses fatores geradores de estresse no espaço dos últim os cinco anos, você corre o risco de passar p o r vários problem as relacionados ao estresse, in clu in d o aí baixa autoestim a, depressão, ro m p im en to de u m relacio n am en to o u doenças relacionadas ao estresse. Pessoas que ten tam e n fre n ta r tu d o sozinhas sem buscar ajuda p o d em acabar p e rd e n d o o rum o, sentir-se incapazes p a ra o trabalho ou b e b er em excesso. Você é vulnerável e precisa de apoio e de m uito tem po p ara relaxar e se re c u p e ra r - tem po só p ara você, sem se sentir culpado p o r isso.

Como lidar com os fatores causadores de estresse Muitas pessoas o fazem de form a inteligente, o que exige algu­ m a presença de espírito. Talvez seja preciso m u d ar radicalm ente de vida p ara se d ar conta de seus verdadeiros problem as ocultos. Você não pode se d ar ao luxo de um a dose a mais de estresse, com o, p or exem plo, aceitar um cargo m uito trabalhoso ou d ar apoio a outras pessoas que não lhe retilb u em da m esm a form a. Até m esm o um p eq u en o estresse pode agir com o a gota d ’água que faz transbordar o copo e levá-lo a agir com o um a pessoa estressada: tenso, irritado, chorão, explosivo à m e n o r provocação, agressivo, exausto, sofrendo de dores de cabeça constantes e outros sintom as psicossomáticos.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 79

M uitas pessoas não são educadas p ara serem em o cio n alm en ­ te com petentes. São capazes de e n fre n ta r grandes desafios, mas jam ais a p re n d e ra m a lidar com suas em oções. Q u an d o se sentem vulneráveis, assustadas ou diante do desconhecido, a ú n ica coisa que sabem fazer é esco n d er seus sentim entos.

C harlie é um bom exem plo de pessoa que se sentiu excessivam ente estressa­ da de um a form a para a qual não estava preparada. Só pediu ajuda q uando tu d o desandou, a ponto de ele p erceber que não suportava m ais viver dessa form a. Charlie era jogador de rúgbi, e, na escola e na faculdade, seu fu tu ro parecia pro­ missor. Ele treinava assiduam ente. Além disso, gozava de grande p opularidade e levava vida social intensa. Treinava m uito, jogava m uito, fazia parte da tu rm a dos descolados e m ostrava um te m p e ra m e n to rebelde - achava q ue podia fu m a r e beber a noite toda, e que isso não prejudicaria seu desem penho. Sua vida m ud o u devido a c irc u n s tâ n c ia s sobre as q uais não tin h a co n tro le e q ue não tin h a a m en o r noção de com o enfrentar. C harlie perdeu o pai aos 19 anos de idade. Ele s im p le sm e n te se fe ch o u e não tocava nesse assunto com n in g ué m - não queria que os outros percebessem o que sentia. Para ele, era h u m ilh a n te p erce be r que estava inseguro e p erd id o sem o pai, e escondeu isso de to d o m un d o. De certa fo rm a, achava q ue a d m itir q u a lq u e r "fra q u e z a ” o faria p are cer um fracassado. Seu d ese m pe n ho com e ço u a ca ir porq ue com e ço u a beber ainda m ais e a usar q u a lq u e r droga q ue lhe oferecessem . Q uando percebeu que precisava desesperadam ente exam inar seus senti­ m entos, d e cid iu que afastar-se por algum as sem anas seria a solução. A fam ília lhe forneceu o d in h e iro para um a viagem ao exterior, e ele partiu, com três am igos da fa cu ld ad e , para um a viagem aventurosa à A m érica do Sul. Foram assaltados à m ão arm ada, e todos os seus pertences foram roubados. Charlie considerou-se h um ilh a do e violentado, com o se o tivessem estuprado. Achava que deveria ter enfrentado o pistoleiro - em vez disso, entrentanto, havia fica do sem ação. As férias que deveriam a judá-lo a recuperar-se converteram -se em m ais um fator de estresse que ele não conseguia resolver. C harlie d ecidiu aba n do n ar a fa cu ld a d e - não se sentia capaz de e nfre n ta r os colegas depois do que lhe havia acontecido. Não queria com paixão, e, de algum a form a, achava que o q ue havia a contecido tin ha sido culpa sua e que deveria ter sido capaz de se defender. Voltou a m orar com a mãe, um a m u lh e r com preensiva,


80 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento

m as ele não aceitou seus conselhos, e com eçaram a brigar. Para o cup a r a m ente, Charlie arranjou um em prego em um a fábrica e passava as noites e fin s de sem a­ na bebendo. Odiava o fato de te r perdido a opo rtu nid ad e de seguir um a brilhante carreira com o esportista, e isso o fazia beber ainda m ais, para não te r que encarar sua decepção. Um a figura salvadora surgiu na vida de Charlie, um a nam orada carinhosa e paciente que conseguiu fic a r ao lado dele - em bora não m orassem ju n to s - e que, aos poucos, persuadiu-o a buscar ajuda. Ela disse que ou ele buscava ajuda ou ela o deixaria, e ele aceitou fazer um a tentativa, com o ú ltim o recurso. Um m édico in d ico u -lh e um program a em que se ensinava a lidar com o estresse. No início, Charlie achava tu d o um a perda de tem po; nas prim eiras sessões, ficava em burrado e era pouco co m unicativo, m as insistia em dizer que estava tu d o bem . E chegou o dia em que se viu forçado a a d m itir que o curso fazia sentido. O m elhor de tu d o é que havia outros rapazes com os quais ele podia se ide n tifica r e que não se im portavam em falar das coisas ruins que lhes haviam acontecido. Percebeu que m uitos outros rapazes tin h a m um a vida difícil, que ele não era o único, que não era vergonhoso sentir-se mal consigo m esm o e que ninguém o julgaria mal por isso. Em bora Charlie levasse ainda algum te m po para resolver sua vida, com eçou a apre nd e r novas atitudes a respeito de si m esm o. O p rim eiro passo foi a d m itir que se sentia vulnerável e solitário. Suas ideias de com o deve ser um hom em - durão, distante, pouco em otivo - estavam p rejud ican d o sua vida tanto quanto os traum as que havia sofrido.

Você é afetado por agentes internos e invisíveis de estresse? A perda do pai, qua n do Charlie ainda era jovem e e m o cionalm ente d e p e n ­ dente dele, co ntin ua rá sendo um a fonte invisível de estresse por toda a vida. Isso afetará sua percepção de tu d o o que lhe acon te cer ao longo dela. Há coisas que nos acontecem q ua n do som os jovens que afetam para sem ­ pre, de m odo significativo, nossa vida. Há coisas que jam a is se apagam . E elas criam para nós um estresse adicional em situações ou em relacionam entos futuros que, de algum a form a, nos façam lem brar essa experiência precoce. Esses agentes de estresse internos acrescentam um peso extra a q ua lqu e r tip o de tensão que venham os a sofrer.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo

Você já passou por estas situações de estresse? □

Conflito com os pais ] Separação dos pais ou dissolução da fam ília ] Períodos em que fico u longe dos pais forçado pelas circu n stâ ncias

A usência persistente ou negligência por parte dos pais ] Violência ou m aus-tratos

S ituações de luto, p rin cip a lm e nte m orte de um dos pais ] Um evento tra um á tico

Longos períodos de doença ou hospitalização

Problem as na escola ou na fa cu ld ad e

Ter filhos sem estar preparado para isso Ser d iscrim in a d o de algum a form a pelos colegas (por exem plo,

por m otivo de raça, opção sexual, ca pacidade ou inca pacidade de aprendizado) ] Levar vida isolada ou solitária dura nte a infância ou a adolescência

Ter que c u id a r de um parente dura nte a infância ou a adolescência

I— | Ser obrigado a a ssum ir responsabilidade excessiva pelos irm ãos —

m enores ou te r um irm ão que precisava de atenção especial

I— I Ter que m ud a r de residência em um a hora ruim ou passar por —

m udanças fre qü e ntes de escola ou residência Ter que deixar a casa paterna sem estar pronto para isso ou, pelo ] contrário, ter que c o n tin u a r m orando com os pais m esm o sentindo-se pronto para m orar sozinho

Contagem de pontos Q uantos desses fatores causadores de estresse você e n fre n to u ? ________


82 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento

Se você enfrentou mais de um desses fatores, com o isso o afeta ainda hoje? Se você foi um adolescente solitário, essa experiência por acaso lhe deu uma percepção m aior da im portância que têm para seus filhos as am izades e a participação em grupos? Você deve ter aprendido m uita coisa que pode ser útil a você e a outras pessoas. Se você e n fre n to u dois ou três desses fatores, é provável q ue já os te n ha su p e ra ­ do em grande parte, m as eles ainda o afetem . Por exem plo, se um dos seus pais foi negligente e não havia n inguém m ais para protegê-lo, isso vai afetá-lo sem pre, até ce rto ponto. Tem noção de q u a n to isso o afeta a in d a hoje? Já conve rsou so bre isso com pessoas que o am am e o co m p re e n d e m atualm ente? Você pode d ize r m uita s coisas para a ju d a r na co m p re en são do p roblem a. Se não refletiu m uito sobre esses problem as, usando a co m p re en são q ue se atinge com a idade, já está na hora de d e d ica r algum te m p o a pensar em co m o lid a r com isso de um a fo rm a m ais de acord o com sua vida atual. Se passou por mais de três desses fatores causadores de estresse, você foi prem ia­ do com um a grande q ua n tid a d e de experiências causadoras de estresse. Talvez você tenha as tenha enfrentado e digerido bem , ou pode tê-las esquecido. Mas por toda a sua vida, sem pre que d eterm inadas situações ocorrerem , tu d o o que sentiu q ua n do era jovem pode ser e stim ulado novam ente, o que pode fazê-lo com portar-se de form a com plexa, nem sem pre com preensível para os outros. « 'Q

e . '3

Aos 14 e 15 anos, Hayley era m altratada na escola, e, q ua n do se queixou aos pais, eles lhe disseram que a vida é dura, que todos têm que a pre nd e r a lutar pelos próprios direitos e se m anter firm es. Hayley a prendeu que não adiantava correr para casa para que papai e m am ãe a apoiassem ou consolassem . Percebeu que ta m bé m os professores raram ente a apoiavam ou se davam ao tra ba lho de ajudá-la. Com isso, aprendeu a d esco nfia r de pessoas em posição de autoridade, que ditavam as regras, m as não se preocupavam realm ente em saber o que acontecia com as pessoas. Hoje em dia, q ua n do Hayley passa por situações em que precisaria se m os­ tra r firm e para obter a quilo que quer, chega a entra r em pânico. Volta a ra cio ci­ nar com o antigam ente: “ Tenho que fazer isto sozinha, ninguém vai me a ju d a r’’ . É com o se, bem lá no fundo, acreditasse que está sozinha no m undo, apenas com os recursos de um a m enina de 14 anos para enfrentá-lo. É preciso lem brá-la de


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 83

que ela hoje tem em sua vida pessoas que teriam enorm e prazer em ajudá-la a resolver seus problem as.

O que lhe ensinaram sobre o modo de enfrentar o estresse? Todos nós recebem os dicas daqueles que nos cercam p ara li­ d ar com o estresse. Dos pais, p o r exem plo - e elas p o d em ser de tal fo rm a absorvidas pelo inconsciente que nem percebem os q u a n ­ do u m a atitude nossa co rresp o n d e a u m a situação passada que d e­ flagra u m a reação de estresse. Algumas pessoas possuem tam bém traços in tern o s de p ersonalidade que as to rn am mais p ropensas a sofrer de estresse, e n q u a n to outras p arecem ser n a tu ra lm e n te mais pragm áticas e despreocupadas. Q uando estamos m uito estressados, regredim os a hábitos da in­ fância profundam ente arraigados ou a atitudes m entais inconscientes relacionadas ao nosso instinto de sobrevivência, que parece am eaça­ do. Assim, quando você se sente m uito estressado, pode agir de form a m enos racional. Pode se m ostrar irritado, m al-hum orado ou retraído. As pessoas podem dizer que essa pessoa nem parece você, e você sabe que isso é verdade, mas não consegue agir de form a diferente. Q ue m ensagens ocultas você in teriorizou sobre o m o d o de agir d ian te do estresse? Será que algum as destas lhe soam familiar, o u você tem sua p ró p ria versão delas?

Estilo estressado independente n T enho que resolver isso sozinho ■ Ser forte é não m ostrar sentim entos ■ M inha função é fazer com que todos se sintam bem ■ Nas horas críticas n ão posso confiar nas pessoas ■ As pessoas não estão aí para m e ajudar 0 D eixem -m e sozinho a Eu m esm o posso fazer isso m elh o r Q N ão q u ero falar nisso, p o d e deixar que eu resolvo


84 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento

Estilo estressado dependente ■ N ão sei fazer n a d a sozinho ■ E n trar em pânico - e atrair a atenção de alguém ■ Eu não aguento ■ Perdi o controle dos m eus sentim entos ■ Agir com o se fosse indefeso, p a ra que alguém ven h a em seu socorro * N ão m e a b an d o n e * T enho que c o n tro la r e m an ip u lar as pessoas, o u elas não m e d arão o que q u ero Q u an d o você age de acordo com essas afirm ações, sem o saber está reag indo ao que foi gravado em sua m en te em tem pos passa­ dos e será incapaz de p en sar com clareza. E possível substituir essas antigas form as de p en sar p o r outras mais realistas e úteis, tais como: ■ Posso e n fre n ta r isso se m e d erem a ajuda e o apoio de que necessito ■ Posso confiar em que outras pessoas m e ajudarão n a h o ra em que eu precisar ■ N ão é e rra d o p e d ir ajuda * N ão estou sozinho Q Posso te r certeza de que h á gente disposta a m e ajudar - o u escreva as suas próprias.

Diga não É m uito im p o rtan te na vida saber dizer n ão com firm eza. Sem isso, os desejos e caprichos de outras pessoas p o d em d o m in ar sua vida. Seja d o n o do seu tem po e evite o estresse com a palavra “n ã o ”. D izer não, de form a confiante e firm e, é u m a ótim a m an eira de m a n te r seus planos e projetos em m eta. Mas p o d e ser estressante dizer não, p o rq u e isso significa lidar com desejos, com prom issos e p rio rid ades conflitantes. Você é um capacho? D izer “n ã o ” lhe causa


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 85

ansiedade, ou você sabe fazer isso e se m a n te r firme? Você costum a ser bem -sucedido q u an d o diz “n ã o ”? Sua eficiência com o uso da palavra “n ã o ” é n ão apenas um in d icad o r de suas habilidades interpessoais, com o tam bém d a sua capacidade de cu id ar bem se si m esm o e de suas necessidades. M ui­ tas evidências reforçam e crença de que vivem mais e m e lh o r as pessoas que n ão se im portam com que os outros possam p en sar delas e que não se deixam co n tro lar e m an ip u lar mais do que o absolutam ente necessário. D entro de lim ites razoáveis, vivem a vida com o acham que devem - e isso ocasionalm ente significa saber dizer “n ã o ” de form a construtiva e amistosa. Saber dizer “n ã o ” sig­ nifica que você tam bém p o d e dizer “sim ” com sinceridade. Pensar mais a respeito do “n ã o ” leva tam bém a p en sar sobre o “sim ”. P o rtan to , o que sua capacidade de dizer “n ã o ” e o m odo com o você o faz lhe dizem a respeito de você mesm o?

I Questionário do “ não” Escolha a resposta - A, B ou C - que se parece m ais com seu estilo e depois som e os pontos no final.

1 Você havia planejado passar a noite resolvendo assuntos dom ésticos - há m uita coisa que você vem adiando e, fin alm en te , conseguiu arranjar tem po para isso. Um a am iga querida telefona e diz que precisa que você vá à casa dela essa noite, porque está passando por um a crise em seu relacionam ento e q u e r conversar com alguém im ediatam ente. 0 que você faz? a.

Sai corre nd o na m esm a hora.

b.

Fica preocupada por algum tem po, mas chega à conclusão de que o p roble­ ma dela é m ais urgente do que o seu, e acaba indo para lá, com um certo atraso.

c.

Diz a ela que irá, mas antes precisa de um as duas horas para resolver a lg u ­ mas coisas, e pede a ela que faça um ja n ta r para as duas.

d.

Diz que hoje está m uito ocupada, mas pode se encontrar com ela em outro dia.


86 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento

2 A vendedora de um a com panhia de telem a rke tin g telefona à noite para sua casa que ren d o vender-lhe um produto q ue você não quer. A m oça é ate n ­ ciosa e você não q ue r m agoá-la. O que você faz? a.

Conversa com ela d ura n te uns vinte m inutos.

b.

Conversa por alguns m in utos e, a seguir, diz q ue sente m uito, você precisa desligar porque o cachorro está vom itando.

c.

D epois de alguns m om entos você d iz que não pode conversar agora e que, não, não q ue r q ue ela torne a ligar.

d.

R esponde risp ida m en te e desliga.

3 Você está com m uita pressa no seu horário de alm oço porque precisa fazer várias coisas, com o desp a ch a r um a encom enda pelo correio. Um a am iga a convida para alm o çar com ela porque tem ótim as novidades para contar. O que você faz? a.

Vai ao alm oço, na esperança de que, de algum jeito, vai d ar tem p o para tudo.

b.

Vai ao alm oço m as fica estressada, o lhando o tem p o todo para o relógio.

c.

C oncorda em se e n co n tra r com ela, mas avisa que só pode fic a r meia hora.

d.

Diz que está m u ito ocupada hoje, m as pode m a rcar para outro dia.

4 Sua irm ã ou sua m elhor am iga tem um e ncontro com o novo nam orado e lhe pede em cim a da hora para to m a r conta do filho dela. O que você faz? a.

C oncorda im e diatam ente, com o sem pre.

b.

Sente-se usada, m as acaba concordando.

c.

Diz q ue está bem por esta noite, mas que não vai estar sem pre disponível.

d.

Diz que você tam bém é uma pessoa ocupada e que esta noite não é possível.

5 Um colega do escritório insiste há m uito te m po que vocês precisam alm oçar ju n to s um dia desses para conversar sobre o q ue os dois têm em co m u m . Um dia, os dois estão sozinhos no escritório, e ele volta a insistir para que m arquem um dia nesta m esm a sem ana. O que você faz? a.

C oncorda sem pensar.

b.

Fica em dúvida, mas con cord a , para não m agoar o colega.

c.

Vai ao a lm oço, m as m a ntém a conversa apenas em assuntos do escritório.

d.

Deixa claro que deseja m a nter uma distância profissional e não aceitará sair sozinho com ele.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 87

6 Você chega ao restaurante onde reservou uma mesa para um encontro. Você tem apenas um a hora disponível. Ao chegar lá, o garçom diz que houve um excesso de reservas e vai haver um a pequena dem ora. O restaurante está lotado. O que você faz? a.

Prefere aguardar, na esperança de que sua mesa não demore.

b.

Pergunta de quanto tempo vai ser a espera e explica que tem um horário a cumprir.

c.

Diz que não pode esperar e sai.

d.

Reclama e vai embora.

7 Você se inscreveu para um a aula noturna na qual está m uito interessada. Então fica sabendo que seu co m p a nh e iro pretende usar o carro exatam ente nessa noite e acha que precisa dele m ais do que você. O que você faz? a. b.

Desiste da aula, mesmo que se sinta desapontada. Explica que tem uma aula, e chegam a um acordo: ele irá buscá-la depois da aula.

c.

Diz que é sua vez de usar o carro e que, definitivamente, não vai abrir mão hoje.

d.

Nem se dá ao trabalho de discutir, pois já havia avisado da aula.

8 Você está tra ta nd o de um negócio que im plica vender com desconto cem exem plares do seu produto m ais caro. M esm o assim , o preço é conveniente porque esse produto tem tid o pouca saída. Mas, no ú ltim o m inuto, seu clie nte telefona dizendo que está atravessando um a crise fin an ceira e só pode pagar 6 0% do preço co m b ina d o. O que você faz? a.

Concorda em vender pelo preço oferecido pelo cliente.

b.

Negocia com ele o valor - por exemplo, dividir a diferença.

c.

Oferece negociar o valor do frete, e isso é tudo o que pode oferecer.

d.

Diz que o negócio será desfeito a não ser que ele pague o preço combinado.

9 Você está planejando um a viagem de férias com um grupo de am igos. Q uando com eçam a d isc u tir qual seria a m elhor data, fica claro q ue todos preferem ir alguns dias antes do que você gostaria. O q ue você faz? a.

Verifica a data em que os outros estão livres e se acomoda, mesmo que isso signifique perder duas entrevistas de negócios muito importantes.

b.

Reclama por ter que perder as entrevistas, mas acaba concordando em ir junto com o grupo.


88 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento

c.

Pede aos am igos que o a ju d em a resolver o problem a e chegam a um acordo que lhe agrada, para que você não tenha que perder as entrevista.

d.

Diz que não vai viajar se para isso tive r que falta r às entrevistas.

Contagem de pontos Contagem de “ nãos” : A _____ B_____ C _____ D _____

Se a maioria foi à Será q ue existe algum a coisa que você não co m p re en de a respeito de dizer não? Você é d ip lom á tico , sim , m as sem pre à própria custa. Os outros podem explorá-lo, e com certeza eles o fazem . M uitas vezes fica difícil respeitar alguém que não defende seus próprios interesses, e você tra nsm ite a ideia de que não passa de um capacho. Por que você tem m edo de dizer não? Pense em duas situações em que d e ­ testa te r que dizer não e peça a um am igo para pensarem ju n to s sobre os diversos m odos que você poderia usar para dizer um não firm e e definitivo. Escolha quais deies o deixariam m enos desconfortável e experim ente-os. Perceba com o se sente q u a n d o faz isso e ta m bé m o efeito que causa. Assum a de novo a direção.

Se a maioria foi B Você é um bom diplom ata e detesta m agoar as pessoas. Às vezes diz sim quando preferiria dizer não, e isso pode d ar um a im pressão d úbia. Você te n de a d ar pre­ ferência às necessidades alheias e deixar para pensar nas suas em outra ocasião. Sente-se exausto ou explorado e nunca tem te m po para si mesmo? Sente-se res­ sentido porque os outros parecem esquecer que você ta m bé m tem necessidades? Precisa de que gostem de você? Isso faz com que procure sem pre agradar aos outros? Costum a oferecer ajuda ou fazer prom essas que depois não pode cum prir? Já pensou em dar às suas necessidades pelo m enos a m esm a im portância que dá às necessidades alheias? Reserve algum te m po toda sem ana só para você e deixe bem claro que ta m bé m tem assuntos seus, im portantes, a resolver. O seu probiem a deve estar em com o e q u ilib ra r exigências conflitantes, e você precisa rever quais são suas reais prioridades.

Se a maioria foi C Você sabe dizer não com m uito tato, m as de m aneira firm e , e sabe com o e q u ili­ brar suas necessidades e as das outras pessoas. Você não tem m edo de dizer não


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 89

de m aneira firm e q ua n d o precisa. Sabe d e te rm in a r quais são suas prioridades e se m an te r fiel a elas sem ser inflexível. Dizer não não lhe causa estresse porque você já d e c id iu q uais são suas prio rid a de s e tem um a a titu d e realista a respeito de q uantas coisas pode fazer ao m esm o tem po. O casionalm ente você cede à pressão, m as d ecide q ue não voltará a fazê-lo, porém , na m aioria das vezes, sabe dizer não de form a clara e firm e sem se se ntir d esnecessariam ente cu lp a d o ou co nfuso por isso.

Se a maioria foi D Você vive segundo suas próprias regras. Não sente d ificu ld a d e em dizer não e em estabelecer lim ites entre o que considera aceitável e inaceitável. Deve tê-lo a pre n ­ dido há longo tem po, e isso é um a parte essencial do seu estilo, que o ajuda a se m anter focado e fazer as coisas a seu m odo. Por outro lado, existe algo nesse estilo que sugere que você às vezes é rígido sobre a questão do não porque q u e r estar sem pre no controle. Seus am igos talvez lhe tenham dado um apelido do gênero M otosserra. Que tal se de vez em q ua n do você concordasse com outra pessoa sobre o m odo de fazer as coisas?

Ansiedade - O que é isso? U m a p e q u e n a dose de ansiedade pode até ser útil e servir com o m otivação - p o r exem plo, preocupação em cu m p rir u m prazo, o que o faz trab alh ar até mais tard e algum as noites p ara n ão co rrer o risco de não te rm in a r u m trabalho. Mas se passar desse p o n to p o r exem plo, se ficar o tem po todo p re o c u p ad o ach an d o que não vai te rm in a r a tem po - , isso p o d e preju d icar sua saúde e deixá-lo m en talm en te desequilibrado. M uitas pessoas q ue se sentem m al de saúde estão, n a verdade, sofrendo de ansiedade sem o saber. Será que você é mais ansioso do que pensa q u e é? Seria m uito bom c o m p re e n d e r o que é ansiedade. A nsiedade em excesso p o d e causar coisas com o ataques de pânico ou de agorafobia - m edo de sair de casa ou de c o n h ec e r outras pessoas. Isso p o d e obrigá-lo a restringir sua vida p ara não te r que se ex p o r às coisas que o deixam ansioso. E, se não to m ar cuidado, p o d e fazê-lo


90 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento

p e rd e r inúm eras o p o rtu n id ad es im portantes. M uitas pessoas que sofrem de ansiedade levam u m a vida reclusa p a ra não te r que e n ­ fre n ta r seus m edos, e geralm ente põem em causas externas a culpa da ansiedade e de sua incapacidade de fu n cio n ar a contento.

Kelly sente-se m uito ansiosa em aviões. Diz a todo m un d o que “ o de ia ” voar e acom panha nos noticiários q u a lq u e r notícia sobre acidentes e desastres aeroviários, que reforçam sua opinião de que é m uito perigoso voar. M ark, irm ão de Kelly, se interessa por transportes e às vezes cita estatísticas que provam que voar é, na realidade, o m eio m ais seguro de transporte. E explica ta m bé m quais são as ca u ­ sas dos acidentes e com o elas são pouco prováveis. Q uando ele fala essas coisas, Kelly parece “ sair do a r” e não entende seus argum entos, e M ark já percebeu que ela está com um a aparência agitada, bebe m uito e insiste que as opiniões dele estão “ erradas” ; ela é que está certa. Ele gostaria m uito que ela aceitasse voar até a A lem anha para visitá-lo e à fam ília dele no Natal, m as ela insiste que ele é quem deveria vir com a fam ília para um Natal “ em casa” , em bora ele já viva na A lem anha há m ais de dez anos. Todas as vezes em que d iscutem o assunto, ela m enciona a história de com o ficou aterrorizada quanto enfrentou um a tu rbu lên cia em um voo transatlântico. Nessa ocasião, ela viajava sozinha pela prim eira vez e tinha sofrido um ataque de pânico, descontrolando-se. Pensou que ia m orrer e foi preciso sedá-la. Ela ficou m uito preocupada com o que os outros passageiros haviam pensado a seu respeito, e decidiu que tem que evitar de todos os m odos que o fato se repita, m esm o que isso sign ifiq u e perder um Natal com a fam ília. O sim ples fato de pensar em su b ir em um avião a faz sentir-se mal, e Kelly acha que a única solução é evitar co m p letam e nte as viagens aéreas, assim esse sentim ento desagradável acabará desaparecendo.

Na verdade, se Kelly sem pre evitar voar, isso não vai curar seu p ro b lem a - p o rq u e ela p o d e rá com eçar a sentir pân ico em outras áreas de sua vida. P or exem plo, p o d e passar a te r m ed o de viajar de trem e evitar isso tam bém . Isso acontece p o rq u e ela se convenceu de que seus sintom as de ansiedade têm um a causa ex tern a objetiva, e, p o rtan to , não h á n ad a que ela possa fazer, a não ser evitar a cau­ sa. E m bora, se levarmos em co n ta seu nível de desconforto e terror,


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 91

essa atitu de pareça com preensível, não é assim que funciona. Os sintom as de ansiedade se iniciam d e n tro dela e não são “causa­ dos” pelo voo, mas p o r seu p ró p rio m edo. Na realidade, Kelly tem m edo de te r m edo, e ligou essa ideia à experiên cia de voar. N unca se q u estionou a respeito da raiva que sente p o r seu irm ão m o rar em o u tro país ou p o r que se sentiu tão env erg o n h ad a d ian te dos outros passageiros. Se u m dia Kelly tiver coragem suficiente para procurar tratam en­ to, descobrirá que não precisa restringir sua vida p o r causa da ansie­ dade, mas que todos os que sofrem de ansiedade precisam de ajuda para se livrar dela. Mesmo que você não sofra de ataques de pânico tão severos quanto o de Kelly, os problem as de ansiedade são bastante comuns. Infelizmente, na escola não se ensina às pessoas o básico para en ten d er e lidar com a ansiedade, p o r isso os ataques de pânico não são entendidos pela maioria. Se e n ten d er o que é ansiedade e como lidar com ela , você assum irá o controle e o poder, e novas o p o rtu n i­ dades se abrirão.

Para compreender a ansiedade A nsiedade não passa de m edo com o u tro nom e. Se algo nos assusta, ficamos ansiosos. Se o cachorro do vizinho am eaça m ordê-lo sem pre que você passa, você com eça a se sentir um pouco p reo ­ cupado sem pre que sai de casa. E fácil e n te n d e r qual é a razão de sua ansiedade, e essa não lhe causará p reocup ação , pois é n o rm al sentir-se dessa form a. No en tan to , h á pessoas que passam a se sen tir ansiosas m esm o q u an d o n a d a de assustador lhes aconteceu. O u sentem -se estres­ sadas e ansiosas m uito depois que os fatos causadores de estresse aconteceram . Isso as faz p en sar que existe algo e rrad o com elas. A ansiedade afeta as pessoas de diferentes m odos: p o r m eio de sintom as físicos; p o r m eio de sintom as m entais e em ocionais; p o r m eio de m udanças de com portam ento. P o rtanto, o que lhe acontece no plan o físico q u a n d o você se sente ansioso? Im agine-se n a seguinte situação: é u m lin d o dia de verão e você passeia pela rua, relaxado e co n ten te, q u an d o ouve,


92 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento

bem atrás de você, o som da buzina de um carro e o ra n g e r de freios. U m carro estava n a contra-m ão - é u m a ru a de m ão única, e você sabe disso mas você vinha a n d an d o distraído pelo m eio da rua. A ntes m esm o de p en sar no que está aco n tecen d o , você corre o u p u la o mais ráp id o possível p a ia sair da fren te do carro. Isso leva apenas alguns segundos. Só depois de te r xingado o m otorista e co n tin u a r cam in h an ­ do p ara o café é que você com eça a p e rc eb e r suas reações físicas. N o seu cérebro instalou-se um a reação de ansiedade que p re p a ro u seu co rp o p ara um a reação im ediata ao perigo. Suas p ern as estão bam bas, e é preciso sentar-se, vem u m a vontade d a n ad a de ir ao b an h eiro . Q u an d o você está em perigo - p o r exem plo, sen d o perseguido p o r u m crocodilo - , seu ritm o cardíaco se acelera, p a ra que o san­ gue seja mais facilm ente enviado aos braços e pernas, pois é preciso q ue braços e pernas se m ovim entem mais rap id am en te p ara esca­ p a r ao perigo. Para m a n te r o coração fu n cio n an d o nesse m esm o ritm o, h á necessidade de mais oxigênio, e a respiração se acelera. Os m úsculos ficam p ro n to s p a ra a ação, e isso o deixa tenso, trêm u ­ lo e com form igam entos. Com o seus m em bros precisam de sangue extra, o sangue é desviado do estôm ago, e isso o faz sen tir enjoo ou o que p o p u la rm e n te cham am os “um bolo n a boca do estôm ago”. O sangue tam bém é desviado do cérebro, o que p o d e provocar to n tu ra. E n q u an to o coração bom beia sangue mais depressa p ara o corpo, sua te m p e ratu ra se eleva, p ro d u zin d o p rim eiro u m a sen­ sação de calor, depois o suor e, no final de tudo, talvez frio. T udo isso acontece p o rq u e essa reação de ansiedade existe p ara protegê-lo do perigo - in stan tan eam en te. A explicação mais com um é que a aptidão p ara reagir im ed iatam en te ao perigo, seja lu tan d o , seja fugindo, foi transm itida seletivam ente à nossa espécie p a ra que os indivíduos pudessem sobreviver, e todos nós a h e rd a ­ mos. Reagim os ao perigo da m esm a form a que reagiam nossos a n ­ cestrais, h á m uitos m ilhares de anos, em b o ra nossos estilos de vida e nossa m an eira de p e n sa r a respeito de nós m esm os p areçam tão diferentes. E q u a n d o isso acontece a um de nós, não é m uito difícil e n te n d e r p o r quê.


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No en tan to , m uita gente sente essa reação ansiosa de lu tar ou fugir quando não há qualquer ameaça de perigo externo à vista. Você p o d e sofrer um ataque de pânico sem m otivo ap aren te. O u sentir-se incrivelm ente p re o c u p ad o e ansioso p o r coisas sem im p o rtân ­ cia. Você passa p o r todas as alterações físicas e a agitação in eren tes a u m a reação de lu tar ou fugir, mas não sabe p o r quê.

Você sofre d@ sintomas físicos de ansiedade? Esses variam de pessoa para pessoa, mas alguns deles fazem parte da lista abaixo. Você passa, ocasionalm ente ou com frequência, por situações em que sente mais do que três dos seguintes sintomas? (Não leve em conta aqueles relacionados a algum a doença física de que sofra.) M uitas pessoas não com preendem que sofrem de ansiedade ou de síndrom e de pânico; acreditam que têm uma doença física.

Tonteira ou vertigem ] Trem ores

Calor e suor sem razão aparente, seguidos de sensação de frio

Fraqueza e instabilidade V ontade de ir ao banheiro com fre qu ê ncia m aior que o norm al [ M úsculos tensos ou retesados ] Respiração rápida ] Pressão no peito ] Boca seca [ Náusea

Trem ores ou queim ação no estôm ago

Sensação de form igam ento ] A u m e n to do ritm o cardíaco ou palpitações


94 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento

Contagem de pontos N úm ero de sintom as físicos de ansiedade ________ Se você sente m ais do que dois desses sintom as com fre qu ê ncia e tem cer­ teza de que não se devem a um problem a de saúde, isso indica que você sofre de ansiedade. Talvez já esteja a costum ado a esse nívei de ansiedade e isso não o preocupe. No entanto, se fatos estressantes acontecerem em sua vida, isso pode levá-lo a um a e spiral de ansiedade. É im p ortante tre in a r seu corpo para relaxar e não s u c u m b ir a pensam entos negativos ou irritantes.

Sintomas mentais e emocionais de ansiedade O que você pensa e sente q u a n d o seu co rp o p ro d u z os sin­ tom as físicos da reação de ansiedade? A não ser que c o m p reen ­ da o problem a, é m uito provável que você se sinta d escontrolado. Pessoas que passam repetidas vezes p ela experiên cia d a reação de ansiedade costum am ach ar que existe algo de e rra d o com elas. Po­ dem ficar com m edo de estar sofrendo de u m a d o en ça cardíaca, de m o rre r ou de estar en lo u q u ecen d o . Esses p en sam en to s j á são p o r si mesmos assustadores, e podem desencadear um a seqüência de sintom as físicos. E ntão você com eça a se p re o c u p a r com a pos­ sibilidade de que haja algo realm en te errad o aco n tecen d o . De re­ p en te, você se e n c o n tra sob um desagradável ataque de pânico. C om o vemos, pensam entos ansiosos e m edos p o d em d esen cad ear os sintom as físicos. A lém disso, algum as pessoas sofrem de fobias específicas, tais com o m edo de vomitar, m edo de insetos alados o u fobias sociais. Esses m edos p ro fu n d am e n te arraigados pro d u zem todos os desa­ gradáveis sintom as de ansiedade. As pessoas que sofrem de fobias p o d em sentir-se descontroladas e incapazes de aju d ar a si mesmas. C o n tin u am ten d o o m esm o pen sam en to negativo segundo o qual m o rrerão se ficarem expostas às coisas que as p ertu rb am . G eral­ m e n te são m uito resistentes a conselhos ou sugestões práticas. Até


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 95

que consigam c o m p re e n d e r qual a função d e sem p en h ad a p o r sua fobia, n ão é provável que se livrem dela.

Pam não se sente bem em a m bientes superlotados, com o a van t-prem ières e festas m uito concorridas. Um a amiga a convidou para um vernissage em um a galeria. Ela se sente insegura, m as vai assim m esm o, porque acha que deve en ­ fre ntar o problem a e não q u e r desapontar a am iga. Mas pouco antes de chegar lá, ao estacionar o carro, ela pensa: “ E se eu não conseguir aguentar e todos perce­ berem o m eu pânico?". No m om ento em que tem esse pensam ento, seu coração dispara. Ela o percebe im ediatam ente e passa a respirar m ais rápido. A seguir tem mais pensam entos assustadores: "Ai, m eu Deus! Vou entra r em pânico de novo” . Esse te m or a faz com eçar a e ntra r de fato em um a espiral de ansiedade. No fina l tem os sintom as exagerados de ansiedade ou um ataque total de ansiedade

P erdendo o controle

Mais sintom as físicos

Tudo com eça aqui, com um pensam ento negativo (aparentem ente) insig nifican te

Espiral de ansiedade: Como se produzem a ansiedade e os ataques de pânico


96 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento

Você apresenta sintomas emocionais e mentais de ansiedade? Todos nós sofrem os de algum a ansiedade m ental. Isso é norm al, e só se torna um problem a q ua n do pensam entos negativos, solapadores, que provocam ansiedade, com eçam a p re ju d ica r de m aneira regular sua q ua lid ad e de vida e você não consegue controlá-los.

Marque quantos destes sintomas você experimenta

Você sofre com pensam entos invasivos e preocupantes dos quais não consegue se livrar.

Confere tu d o co m p u lsivam e nte - por exem plo, preocupa-se, antes de dor­

É obsessivo quanto à lim peza e a lavar as mãos.

mir, em ve rifica r várias vezes se a porta dos fu n d o s está trancada.

Sente necessidade de co ntrolar com p letam e nte o am b ien te - por exem plo, não perm ite que ninguém desarrum e sua cozinha. Passa bom te m po im aginando coisas terríveis - por exem plo, tece

fantasias fre qü e ntes a respeito de catástrofes ou de coisas m uito ruins que podem lhe acontecer.

Tem pesadelos com frequência.

I— | As pessoas dizem que você é pessim ista ou que vê sem pre o lado negativo —

das coisas.

Há algum a coisa em sua m ente que o incom oda m uito. Você se ocupa com “ pensam entos negativos globais” - isto é, generaliza

I— | com base em um a experiência. Por exem plo, se chove d ura nte alguns —

dias, logo pensa que vai chover o verão inteiro, e você não poderá dar suas cam inhadas, o que o fará engordar e fic a r fora de form a.

| _ ] Você tem m edo de sair, ou, quando sai, geralm ente quer voltar logo para casa. Sofre, re conhecidam ente, de um a fobia ou m edo específico - tal com o □

m edo de locais fechados, ou m edo de contam ina ção - que reduz su bstancialm ente, de form a regular, sua q ua lid ad e de vida.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 97

Procura evitar cu idadosam ente as coisas que o preocupam , em lugar de □

e nfre n ta r o desafio - por exem plo, tem m edo de grupos, então evita ir para a fa cu ld ad e .

I— | Sofre com pensam entos invasivos e constantes de autocrítica ou —

autoacusatórios do tip o "Sou g o rd o /in ú til/b u rro e m ereço m e sentir m a l” .

I— | Se um ve ndedor se com porta de form a rude ou não vem atendê-lo, você —

passa dias pensando nisso.

Sente-se mal por dias seguidos q ua n do discu te com aiguém .

I— | Sente-se vulnerável ou tem m edo de não conseguir d ar conta da vida sem — 1 ajuda. | P reocupa-se dem ais com o q ue os outros vão pensar de você. □

Vive com m edo de perder o controle.

3 ] Frequentem ente deseja escapar para um lugar seguro ou voltar para casa. □

Tenta pôr a culpa nos outros pelo que está sentindo. Diz a si m esm o com fre qu ê ncia que está se portando com o um bobo.

Fica bravo com alguém por fazê-lo sentir-se assim .

I— | Desconfia fre qu e ntem e n te de estar tendo um ataque cardíaco ou um —

derram e.

J

A cha que está enlouquecendo.

J

Sente que sua m ente está em baralhada e confusa.

Contagem de pontos N úm ero de sintom as m entais de a n s ie d a d e :________ Se a p re s e n ta r de q u a tro a se is desses s in to m a s, com ce rteza , pode relaxar! Você g e ra lm e n te co n se g u e se m a n te r m e n ta lm e n te ca lm o q u a n d o é p rovo ­ cado. Sabe q u e a vida m u ita s vezes causa a n s ie d a d e e estresse, m as q ue o segredo está em co m o você se c o m p o rta . Talvez os o utro s pensem q u e você às vezes chega a ser d e sca n sa d o d em a is, co m o se “ não q uisesse se d a r ao tra b a lh o ” de se p re o c u p a r ta n to q u a n to eles. É bom va lo riza r q u e um estado de


98 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento

e sp írito relaxado é saud á ve l, e q u e as o u tra s pessoas p o d e ria m a p re n d e r com o seu exem p lo . Se apresentar regularm ente de seis a doze desses sintom as, seria bom prestar atenção a seu estado m ental e em ocional. Você se deixa levar m uitas vezes pelo hábito de pensar negativam ente? Lem bre-se de m anter para consigo m esm o uma a titude anim adora, positiva e respeitosa. Q uando fo r tom ado por pensam entos negativos e ansiedade, procure se co ntro lar e im p e d ir energicam ente que eles tom em conta de sua vida. Se apresentar m ais de quinze, sua qua lid ad e de vida está sendo seriam ente p reju ­ dicada por esses sintom as desagradáveis. Você precisa se esforçar para e nfre n ta r alguns dos seus m edos e fazer tu d o para que eles não o im peçam de viver bem a sua vida. Com ece por algum a coisa pequena e vá a u m e ntan d o aos poucos. Que tal p rocu rar ajuda profissional, com o um a terapia ou um program a para tra ta r da ansiedade? Você não deveria a ceitar ou tolerar esses sintom as.

Você tem um comportamento ansioso? Em que m u d a seu c o m p o rtam en to q u a n d o você se sente an ­ sioso? Pense em u m a situação que costum a deixá-lo ansioso e em com o você a enfrenta. M uita vezes o p io r que você p o d e fazer p ara m a n te r sua ansie­ dade em ação é te n ta r fugir da presença dos fatores individuais que fazem disparar essa ansiedade. Você evita situações que o fazem sentir-se ansioso p o rq u e acredita que, com o se sente tão ansioso, a ansiedade só p o d e ser causada pela situação. Isso significa, n a ver­ dade, render-se aos seus m edos e, com isso, p e rm itir que o m ed o passe a d itar as regras e a governar sua vida. O m ed o é um g ran d e tiran o que ad o ra nos transform ar em covardes. Q u an to mais p er­ m itim os que ele governe nossa vida, mais forte ele se torna. Mas q u a n d o decidim os enfrentá-lo, confrontá-lo ou m esm o ignorá-lo, nossa coragem aum enta. Se você n ão se sen te b em d e n tro de um su p erm erca d o cheio de g en te, obrigue-se a fazer com pras re g u la rm e n te em u m su p er­ m ercad o . Se evitar su p erm ercad o s e fizer as com pras em p e q u e ­


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 99

nas m ercearias de b airro , ou encom endá-las p a ra serem e n treg u es em sua casa, jam ais a p re n d e rá a lid ar com a an sied ad e em relação a su p erm ercad o s e re fo rç a rá p a ra si m esm o a m en sag em d e que lhe é im possível lid a r com isso. C onvoque am igos e p a re n te s p a ra ajudá-lo - e n tre ta n to , se eles se o fe re ce re m p a ra fazer as com pras em seu lugar, n ão estarão a ju d a n d o a resolver b em o p ro b lem a, mas ap en as ajudando-o a se m a n te r à m arg em d a vida. O q u e eles fazem , n a verdade, é c o n c o rd a r q u e seus m edos são dem ais p a ra você. Talvez eles p refiram vê-lo m ais d e p e n d e n te deles. A ansiedade tam bém p o d e se m anifestar de m aneiras mais su­ tis e estar ligada à autoestim a. e^ Claire é um a m oça divertida, de 29 anos, trabalhadora e atraente. Trabalha na área fin an ceira com o consultora de investim entos e pensões. É com petente, os clientes gostam do seu jeito sim p á tico e am istoso, e ela lhes dá conselhos sensa­ tos. Esforça-se m uito por esses clientes e procura estar em dia com novos produtos e atualizações. Conhece bem o m ercado de ações e gostaria m uito de tra ba lha r para uma em presa maior, que lhe desse a o p o rtu nid ad e de tra b a lh a r para clientes m ais ricos. Um a colega lhe fala na possibilidade de um em prego que parece bem te n ta do r - mas, qua n do o em prego é anu n cia do , haverá um teste para preencher a vaga, e a am iga diz a Claire que um hom em que am bas conhecem vai concorrer. Em bora m ais jovem e m enos experiente do que ela, ele é d in â m ico e confiante, e está certo de q ue vai conseguir o cargo. Ele até já está co m u n ic a n d o a todo m undo que esse será o próxim o passo em sua carreira. Claire não diz nada e vai para casa pensar no assunto, e se pergunta se deve ou não se inscre ver para o em prego. Ela re alm ente detesta e ntrevistas para em prego, p orq ue a deixam ansiosa e ela não sabe m u ito bem ve n d e r o seu peixe. A cred ita que sua a ptid ã o deveria ser julg ad a levando em conta seu d ese m pe n ho a n te rio r e q ue não deveria te r q ue provar q ue é boa n aq u ilo q ue faz. Chega a se s e n tir mal só de pensar q ue vai te r que se se ntar d ia n te de um a banca e xam i­ nadora. E se ela se s e n tir in tim id a d a , se lhe d er um branco na m em ória e não so ub e r o q ue dizer? Depois de d is c u tir o assunto com o nam orado, Claire se dá conta de que esse tip o de sentim ento já a prejud icou antes, e q ue não tem nada a perder


100 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento

ca ndidatando-se ao cargo. M esm o ansiosa por causa da entrevista, não q u e r que isso lhe sirva de desculpa, pois percebe que é ela m esm a quem se im pede de progredir. Sente-se ta m bé m m otivada pela possibilidade de um salário m elhor, a com p an h ad o de bônus por produtividade. Ao ch e g a r para a entrevista, Claire se m antém m uito ca lm a, p orq ue se preparou. Fez um a sessão de ioga, seguida de m assagem , no dia anterior, e reservou m uito te m p o para se preparar. A notou tu d o o que não q u e r esqu e ce r de d ize r e n úm e ros para d e m o n stra r seu h istórico de resultados com alguns clie ntes, e faz um a apre sen ta çã o co n vin ce n te . Não deixa de d ize r aos e n tre vis­ tadores q u e está nervosa e não é boa em entrevistas, m as sabe q u e é a pessoa certa para o cargo. P rocura usar sua g ran de fa c ilid a d e de c o m u n ic a ç ã o para se d irig ir às pessoas presentes na sala, em lugar de fic a r focada em sua ansiedade. Claire foi nom eada para o cargo porque se dispôs a se e sfo rça r para e n fre n ta r sua a nsied a de - e com isso todos os seus esforços fo ram reco m p en sad o s. 0 hom em que estava certo de c o n se g u ir o cargo não se preparou tão bem , e isso fico u bem evidente. s '©

Q s*

Você sabe relaxar de verdade?

O re la x a m e n to é a peça-chave p a ra u m a vida livre d e an si d a d e. Se você d e d ic a r algum te m p o a a p re n d e r co m o re la x a r p ro fu n d a m e n te , seu nível d e a n sie d a d e e sta rá b aix o q u a n d o você tiver q u e passar p o r a co n te c im e n to s estressan tes, e você n ã o e n tra rá em u m a espiral de an sie d a d e. Se o seu nível básico d e a n sie d a d e fo r sem p re elevado, q u a n d o tiver q u e e n fre n ta r alg u m desafio vai te r m ais d ificu ld ad e p a ra resolvê-lo d o q u e u m a p essoa q u e c o stu m a tre in a r p a ra se m a n te r calm a e d o n a d e si m esm a. U m a das razões q u e levou C laire a c o n se g u ir o em ­ p re g o foi o fato de ela - a p esa r de to d a a sua a n sie d a d e - te r se esfo rçad o m u ito , a n tes de c o m p a re c e r à entrev ista, p a ra m a n te r a m e n te relax ad a. Sua p rá tic a d a ioga j á lh e havia p e rm itid o a tin g ir níveis p ro fu n d o s de re la x a m e n to re g u la rm e n te , e u m a das razões iniciais q u e haviam levado C laire a p ra tic a r io g a foi o fato d e te r p e rc e b id o q u e ela, sua m ãe e sua irm ã tin h a m to ­ das u m a te n d ê n c ia à a n sie d a d e e a viver sem p re à b e ira d e u m


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 101

a ta q u e d e nervos. S em p re q u e u m a co isin h a à to a a c o n te c ia em casa, o fato e ra tra ta d o com o se fosse u m a c alam id ad e, e C laire j á estava can sa d a disso. V alorizava u m a vida d e paz e h a rm o n ia e c o m eç o u a re c u sa r deixar-se envolver. Talvez a m ãe e a irm ã te n h a m se se n tid o o fe n d id a s ao n o ta r q u e C laire se d eslig o u u m p o u c o delas, e a acu saram de p e rd e r te m p o “n ã o fa z en d o n a d a ”, m as C laire c o m eç o u a sentir-se m elhor. As vezes as pessoas p e n sa m q u e sabem re la x a r - p o r e x em ­ p lo, ficam m ais d e sp re o c u p a d a s q u a n d o b e b em , se ex ercita m o u cu id am do ja rd im e d o rm e m b em , p o rta n to ju lg a m q u e n ão têm p ro b le m a em relaxar. N em p e rc e b e m q u e o fato d e n ã o p o ­ d e re m ficar p a ra d as, com d ificu ld ad e de se c o n c e n tra r, e te re m sem p re q u e se o c u p a r com alg u m a coisa são sin to m as de g e n te q u e n ã o sabe relaxar.

Perguntas sobre relaxamento A quantas destas perguntas você pode responder “ S im ” ? 1 Você participa de algum a atividade com o fim específico de conseguir rela­ xar? (Tem que ser algum a coisa que não tenha q u a lq u e r outro fim , a não ser fazê-lo relaxar.) 2 Já treinou algum tip o de relaxam ento ou m editação? 3 Você procura relaxar, co nscien te m en te e de form a regular? 4 Você se esforça por se m anter calm o, e qu ilibra d o e focado sem pre que a vida se torna estressante? 5 Você tem te m p o e dispõe de um espaço para relaxar ocasionalm ente sem ser interrom pido? 6 Você se sente feliz em “ sim p le sm e n te ” relaxar sem te r que fazer ou p articipa r de algum a coisa ou de um a diversão?

Contagem de pontos A quantas dessas perguntas você respondeu s im ? ________


102 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento

Menos do que duas Talvez você não saiba bem o que é relaxar. Talvez não entenda para que serve - po­ rém , m ais cedo ou m ais tarde, será afetado pelo estresse e não terá a cum u la d o reservas em seu organism o. Aprenda a relaxar agora, qua n do ainda não precisa seriam ente disso.

2 -4 Você tem um ideia geral do que é relaxar e reserva te m po para esse fim , m as às vezes a vida o ocupa tanto q ue você não se perm ite usar o te m p o necessário para fazê-lo. Lem bre-se de que relaxar deve ser um a prioridade se deseja se sentir bem; portanto, não perm ita que as pressões ocupem seu tem po de relaxam ento.

Mais de 4 Você sabe m uito bem com o é im portante relaxar conscientem ente, e sabe c u id a r bem disso. C ontinue assim ! Não perm ita que pessoas agitadas, sem pre ocupadas, p erturbem sua paz de espírito; ela é preciosa e precisa de espaço e proteção.

Faça uma pausa Esta é um a técnica p a ra ajudar a aliviar os sintom as de todo tipo de estresse ou preocupação. 1 Preste atenção ao que está n a sua m en te e que o incom oda. C o n trole a respiração. Respire ab d o m in alm en te, com calm a e suavidade. Não respire com o diafragma, nem rapidamente. 2 P ro cu re p e rc eb e r como o p ro b lem a o está afetando. Sim ples­ m en te observe - não ten te m u d a r nada. Se puder, descubra em que lugar do seu corpo se localiza o problem a. P erceba ex atam ente com o é esse problem a, se ele tem form a, co r ou u m nom e. Perm ita-se sentir tudo o que vier. 3 P erg u n te a você m esm o o que pensa sobre o problem a. A pe­ nas p e rc eb a o que pensa. E ntão te n te in te rro m p e r qu aisq u er p en sam entos negativos e inúteis, e concentre-se em p en sa­ m entos construtivos e positivos. P o r exem plo: Se o pensam en-


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 103

to foi “A cho que vou m o rre r”, diga a você m esm o: “Sei que vou v encer isto”. 4 D ecida que vai d a r a você m esm o um tem p o antes de agir. C o n tinue respirando. 5 Faça o que precisa ser feito, cuidando bem de você mesmo e de suas necessidades d u ra n te o processo. C o n tin u e observando com o se sente e pensa en q u an to se esforça p a ra ch eg ar ao resultado. T ente a lte rn ar o foco de atenção - algum a atenção n a situação problem ática, algum a atenção em você m esm o. N u n ca dê toda a sua atenção ao problem a, e sem pre preste atenção em si m esm o e no m o d o com o está se saindo.

Meditação atenta É u m recurso para d e rro ta r o estresse m ental e em ocional e p ara m elh o rar sua qualidade de vida. Trata-se de u m a técnica que com bina autopercepção, viver o p resente e ficar atento. E ensinada em vários cursos de m editação e relaxam ento. Q uem se en co n tra nesse estado de m editação atenta se m antém relaxado, mas atento e p resente. A m editação aten ta consiste em prestar a q u an tid ad e certa de atenção em algum a coisa: o bastante p ara m antê-lo focado e alerta, mas suficientem ente relaxado p ara se sen tir calm o e equili­ brado, sem se deixar p re n d e r in teiram en te ao que se passa ao redor. A atenção se equilibra en tre estar atento ao que faz e, ao m esm o tem po, p restar atenção a si m esm o. Você tem consciência do estado da sua m ente, dos seus sentim entos e do seu corpo. (H á horas em que é totalm ente impossível praticar a m editação aten ta - q u an ­ do se está passando p o r em oções m uito fortes, d o r ou choque, p o r exem plo. Q uan d o alguém en tra em estado de choque, em estado de lu tar o u fugir, ou se sente entorpecido, seu corpo e sua m en te apenas lutam para sobreviver.) A palavra “aten ção ” tam bém p o d e significar consideração ou cuidado; p o r exem plo, ser atencioso com alguém em u m relaciona­ m en to , o u to m ar cuidado com suas opiniões, tal com o disco rd ar da m aioria só p o r discordar, em vez de p en sar bem n o assunto. T re in a r a m e d ita çã o a te n ta consiste em u sa r a re sp ira çã o


1 0 4 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento

co m o â n c o ra o u foco, p a ra a tin g ir a p e rc e p ç ã o d e c o rp o e m e n ­ te. E xercícios re sp ira tó rio s sim ples d a ioga p o d e m ser m u ito úteis, assim com o in s p ira r c o n ta n d o até três, p re n d e r a re sp i­ ra ç ão p o r um m o m e n to e a seg u ir e x p ira r c o n ta n d o até três. In sp ire p elas n a rin a s e e x p ire p e la boca. R e te n h a o a r n a reg ião em to rn o do um b ig o , e n ã o n o tó rax , e re sp ire suave e p ro fu n d a ­ m e n te . Se n ã o tiver o h á b ito de q u a lq u e r p rá tic a d a resp iração , é m e lh o r c o m eç a r d e ita d o , o u se n ta d o em u m a p o sição re la x ad a e con fo rtável. E possível q u e nas p rim eiras vezes você sin ta u m a leve to n te ira ; se isso a co n tecer, basta re s p ira r u m p o u c o m en o s p ro fu n d a m e n te . Este ex ercício serve p a ra to d as as h o ras. E m b o ­ ra p a re ç a sim ples, seria m u ito b o m você lem brar-se d e praticá-lo várias vezes ao dia.

Você é uma pessoa atenta? Faça o teste □

Sua atenção é dispersiva ou você tem d ificu ld a d e em se concentrar?

I— | Você se sente m al consigo m esm o de um m odo ind e fin ido ou gostaria de 1— 1 estar em outro lugar? □

Às vezes você é insensível às próprias necessidades, ou as ignora ou reprime?

I— | Você às vezes se desliga do que está a contecendo aqui e agora no m un d o 1— 1 à sua volta? Costum a pensar m ais em realizar ou em a tingir o resultado final em lugar ] de prestar atenção suficie nte à experiência presente e aos processos dos quais participa? Você se obriga a seguir pela vida em alta velocidade d ura nte a m aior parte I— | do tem po? Não se preocupa com quanto exige de si m esm o, só q u e r ver a '— ' tarefa te rm in a da , de m odo que, m esm o q ue esteja cansado ou com fom e, não se perm ite um descanso?


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 105

A cha que relaxam ento, m editação ou ioga são um a perda de tem po, ou só □

para m ulheres? Não concordaria em p raticar regularm ente algum a técnica ou fazer exercício de m editação atenta?

Contagem de pontos A quantas perguntas sobre a titu de atentiva você respondeu s im ? ________ Se disse sim a m ais de duas, seria m uito bom para você p raticar algum a técnica sim ples de relaxam ento atento, que pode co nsistir apenas em lem brar-se de respi­ rar e controlar-se antes de algum a situação estressante.

Como reconhecer a meditação atenta Você sabe que está em estado de m editação aten ta quando... ■ P ercebe que está em sintonia e respira de fo rm a ritm ada. ■ Sente-se equilibrado e atuante; p articipan te, mas calm o. ■ P erm ite que os pensam entos e sentim entos se to rn e m p e r­ ceptíveis sem reprim i-los, mas, ao m esm o tem po, não p erm ite q ue o distraiam . * E capaz de concentrar-se em algum a coisa, mas ao m esm o tem po se cuida. ■ Se fo r necessário, consegue m anter-se focado e co n cen trad o sem se distrair facilm ente. Estar em estado de m editação aten ta dá-lhe u m a base firm e p ara e n fre n ta r tudo o que vida lhe trouxer. Significa não te r que sucum bir às ansiedades e aos m edos e p o d e r e n fre n ta r as fontes constantes de estresse. Viver em estado de m editação aten ta signifi­ ca viver u m pouco desligado das p reocupações cotidianas, sabendo que h á d e n tro de você u m a reserva de tran q ü ilid ad e que não p o d e ser am eaçada p o r tudo de superficial que acontece n a vida. Com o se fosse u m lago p ro fu n d o cujas águas são encrespadas p elo vento.


106 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento

As cam adas superiores p o d em estar agitadas, mas lá n o fu n d o as águas p erm an ecem claras e serenas.

Exercício de visualização Algum as pessoas sabem que imaginar-se em u m a situação agra­ dável e relaxante realm en te as ajuda a relaxar p ro fu n d am e n te . Se isso acontece com você, sua im aginação p o d e ser de g ran d e ajuda. Você p o d e utilizar a visualização que sugerim os abaixo o u criar as suas próprias. Para algum as pessoas dá certo gravá-la an tecip ad a­ m en te em u m a fita, p ara não terem que se p re o c u p a r com d eta­ lhes. Você pode, inclusive, acrescentar um fu n d o m usical com u m a m elodia suave da sua preferência. Esse exercício com bina tradicionais técnicas budistas de trein a­ m en to d a m en te e técnicas atuais de relaxam en to e visualização.

Visualização Escolha u m a posição fisicam ente confortável, em u m lugar o n d e n in g u ém virá perturbá-lo p o r cerca de vinte m inutos a u m a h ora, d e p e n d e n d o do tem p o livre de que p u d e r dispor. Pode fazer isso p o u co antes de ir dorm ir. Evite usar roupas ap ertad as e p ro c u ­ re deitar-se ou sentar-se em um a posição confortável, com as costas e as p ern as retas e apoiadas. M elhor ain d a se você p u d e r fazer isso em u m aposento sossegado e p o uco ilum inado. Feche os olhos e com ece a se c o n ce n tra r em sua respiração. C om ece a p e rc eb e r o ar q u e e n tra p o r suas narinas e sai pela boca. O bserve sua respiração p o r alguns m inutos. Este exercício tem p o r finalidade focar sua atenção, p ara que ela não saia vagando p o r aí. Se em q u a lq u er m om ento, d u ra n te o exercício, você se distrair, seja com seus p róprios pensam entos ou com coisas que acontecem do lado de fora, traga sua m en te de volta, suavem ente. A p ren d a a se desligar de todos os pensam entos que afloram . Veja-os p a rtir com o trens que deixam a estação - mas não suba em q u a lq u er des­ ses trens, sim plesm ente veja-os passar. Sem pre que se distrair, use a respiração com o se fosse um a âncora que o m an tém n o lugar. Essa p arte do exercício é im p o rtan te, pois dela d e p en d e o relax am en to


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 107

tanto do corpo quanto da m ente. Por isso, não passe para a próxi­ m a etapa enquanto não se sentir à vontade. E im portante m anter o tem po todo a respiração abdom inal, de m odo que, se cruzar os dedos logo acima do umbigo, percebe que os dedos se separam ligeiram ente quando você inspira. Enquanto isso, relaxe a parte da frente do corpo e respire suavemente. Agora passe algum tem po exam inando e observando as sensa­ ções do corpo. Deixe vagar sua atenção por todo o seu corpo, da ponta dos dedos dos pés até o topo da cabeça. Perceba as sensações do seu corpo. Se ele estiver tenso, sucessivamente contraia e relaxe cada cadeia de músculos. Contraia ao inspirar e relaxe ao expirar. Se perceber desconforto, dor, ardor ou tensão em alguma área, passe algum tem po extra concentrando a respiração nessa área. Inspire ju n to com o ar um sentim ento de paz e bem-estar; ao expirar, ponha para fora as antigas tensões, preocupações e ansiedades. Você pode também visualizar-se inspirando um a luz vermelha, brilhante, energizante, que começa a enchê-lo e aquecê-lo a cada respiração. Deixe que essa cálida luz vermelha energizante o faça sentir-se confiante, relaxado e em paz. Volte agora a atenção para seus pensam entos e sentim entos. A m edida que prossegue com seu exercício de respiração, preste atenção ao tipo de pensam entos e sentim entos que lhe vêm à m en­ te hoje. Seja qual for seu estado de espírito, não se deixe dom inar m uito por ele. Apenas perceba-o; seja ele qual for - nebuloso, con­ fuso, facilm ente descartável, preocupante, n eu tro (norm alm ente podem os ser tom ados p o r estados de espírito de vários gêneros) -, não o leve m uito a sério. Sim plesm ente perceba que é assim que se sente hoje e reserve toda a sua atenção para seu exercício de respiração. Se um determ inado pensam ento ou sentim ento con­ tinuar particularm ente insistente, você p o d erá examiná-lo mais tarde, mas não se ocupe com ele neste m om ento. Agora, enquanto respira, preste atenção a sua testa, entre os olhos, e, com o olhar da sua m ente, comece a se im aginar em um lugar do qual goste m uito mesmo e onde se sinta contente, relaxa­ do e feliz. Escolha o lugar - um lugar onde gostaria de estar exata­ m ente agora.


108 Tempo, estresse, ansiedade e relaxamento

C on tinue resp iran d o e p erceb a d e talh ad a m e n te com o é estar nesse lugar. Perceba a tem p eratu ra, os sons, a sensação de a r ou água to can d o sua pele, as cores e tudo o que está à sua volta. Veja q u em está com você - se houver alguém ao seu lado. Preste atenção às roupas que usa e p erceb a que sensação elas lhe dão. Sim ples­ m en te goze o p razer de estar aqui. E u m lugar p articu larm en te es­ pecial e energizante, o n d e se sente co m pletam en te seguro, e p ara o qual você p o d e voltar sem pre que quiser. Você p o d e p re fe rir ficar aqui o n d e está, ou p o d e seguir ad ian ­ te. Se quiser continuar, visualize a si m esm o cam in h an d o em d ire­ ção a u m a p e q u e n a colina ou ladeira, o n d e h á belas construções que o atraem . C ontin ue a n d an d o - se estiver a n d an d o - , sinta o solo sob seus pés e lem bre-se de respirar. Ao se ap ro x im ar das construções, você se dá co n ta de que exis­ te alguém especial esperando-o. Você vai até o lu g ar o n d e está essa pessoa o u ser. Ao vê-la, p erceb e que ela traz u m a m ensagem p ara lhe entregar. Passe algum tem p o observando essa pessoa e conti­ n u e resp irando. A proxim e-se dela e n o te cu idad o sam en te os d eta­ lhes dos cum prim entos e as palavras que vocês trocam . Essa pessoa sabe que você veio buscar a m ensagem , p o rta n to você só tem que p e d ir e esperar. Aceite o que vier. Q u an d o a ch a r que chegou a h ora, despeça-se e volte ao p o n to de partida. D u ran te a viagem de volta, aproveite p ara refletir sobre o que lh e foi d ito o u e n tre g u e , s a b e n d o q u e p o d e v o ltar ali sem p re q u e precisar. Você está de volta ao seu p o n to de partida, em paz e energizado. Fique p o r aí o tem p o que ach ar necessário antes de com eçar a p restar atenção aos dedos dos seus pés. M exa os dedos, alongue-se e com ece, len tam en te, a e n tra r novam ente n o aposento. E im ­ p o rta n te que essa transição seja feita len tam en te, e que você leve consigo a sensação de paz relaxada e de bem-estar. Tente respi­ ra r e n q u a n to pensa: “Sinto-m e bem e feliz”. C o n tin u e resp iran d o e n q u a n to tom a consciência de sua presença no aposento; n o te os sons à sua volta e preste atenção ao que sente a respeito desse re­ to rn o . Só abra os olhos q u a n d o se sentir p ro n to p ara isso. Cuide-


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 109

-se bem até que se sinta co m p letam en te p resen te n o aqui e agora. N ão inicie im ed iatam en te algum a tarefa agitada ou estressante, mas perm ita-se relaxar. Q u a n d o te n ta r esse exercício pela p rim eira vez, talvez ele o faça dorm ir. Isso é ótim o, se fo r o que precisa, mas, voltam os a advertir, seja cuidadoso consigo m esm o q u a n d o acordar. Tente m anter-se conectado, em sua ro tin a cotidiana, com o exercício de respiração e o relaxam ento; reserve tem po p ara isso, em vez de p en sar que não p o d e se d a r ao luxo de sentir-se em paz, já que tem tantas coi­ sas p a ra fazer. A rranje tem p o e dê mais atenção à sensação de paz e bem-estar, e ela só fará aum entar.


CAPÍTULO 4

Lidar com o passado O passado nunca morre. Ele nem, mesmo é passado. William Faulkner

H á u m a p a rte sua que ain d a vive no passado? Sente-se condicio­ n a d o a reagir a situações presentes de acordo com aco ntecim entos passados? Infelizm ente o passado n ão desaparece sim plesm ente, só p o rq u e você deseja esquecê-lo. N a verdade, jam ais nos esquece­ m os de coisa algum a que nos te n h a acontecido. M esmo q ue já não ten h am o s um acesso direto a essas experiências e m em órias, elas estão guardadas d e n tro de nós. O c o n te ú d o deste cap ítu lo p o d e n ão p a re c e r a n im a d o r - e ta r p reso ao passado, d e p rim id o e te n ta n d o e n fre n ta r tristezas n ão resolvidas. Eu, com o p sico terap eu ta, desco b ri q u e as pes­ soas sen tem um g ra n d e alívio q u a n d o receb em as ferra m e n ta s q u e lhes p e rm ite m desligar-se do passado. S im plesm ente n e g a r o u n ã o p e rc e b e r que estam os ligados a ele é o q u e nos m a n té m em p acad os n o m esm o lugar. E nfrentá-lo abre novas possibilida­ des de m u d an ça, av en tu ra e otim ism o. A lgum as pessoas p en sam que aqueles q u e vivem n o passado são “au to in d u lg e n te s”: coisas ru in s aco n teceram , e elas insistem em se m a n te r am u ad as até que todos se d esculpem e virem a página. P refiro c o n sid e ra r essas pes­ soas com o g en te q u e n ã o sabe com o p ro c e d e r d e o u tra m an eira, p o r isso c o n tin u a m zangadas, vingativas ou traum atizadas. N ão se p o d e p ro g re d ir e n q u a n to sen tim en to s fortes com o esses blo ­ q u eiam o cam inho.

Você vive no passado? Antes de c o n tin u a r a leitura, responda a este q uestionário introdutório.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 111

1 Q uantas vezes você conta as m esm as histórias sobre o que lhe aconteceu em seus prim eiros anos de vida? a.

As pessoas ficam com os olhos parados e ouvem educadamente, mas você continua contando assim mesmo.

b.

Você conta histórias algumas vezes, quando elas servem para ilustrar algo que você está dizendo.

c.

Algumas pessoas lhe fazem perguntas sobre o passado, mas você prefere não falar nisso.

d.

Você às vezes fala sobre o passado, mas só quando isso é relevante.

2 Você costum a re clam ar que os preços su biram em com paração com os tem pos passados? a.

Com frequência.

b.

Às vezes.

c.

Você não se lembra muito bem de quanto custavam as coisas.

d.

Quase nunca.

Você perdeu um anim al de estim ação há m uitos anos? a.

Você nunca teve outro porque não suportaria a dor de perdê-lo.

b.

Você pode ter tido outros animais depois disso, mas não é a mesma coisa.

c.

Você nunca mais teve outro porque se desinteressou de animais de estimação.

d.

Você teve outros, e os ama da mesma forma.

4 Você gosta de e xpe rim e ntar coisas novas, tais com o com idas, m oda, viagens ou experiências? a.

Prefere se manter fiel àquilo que conhece e de que gosta.

b.

Às vezes experimenta coisas novas.

c.

Não é ligado a qualquer comida em especial, produtos ou experiências, você aceita o que vem.

d.

É eclético, curioso e aventuroso em seus gostos.

5 Seu professor de m atem ática lhe disse que você era incapaz em m atem ática e não adiantava nada co n tin u a r te n ta nd o e nsinar a você. Com o vem lidando com isso? a.

Acreditou e nunca mais foi adiante com a matemática.


112 Lidar com o passado

b.

Enfrentou a m atem ática até a p re n d e r o indispensável.

c.

Vem ten ta n d o evitar ao m áxim o a m atem ática, em bora isso lim ite suas o p ­ ções.

d.

Procura alguém que saiba ensinar, de m odo que a falta de aptidão para os n úm eros nun ca lhe crie problem as.

6 Você rem ói coisas dolorosas, ofensivas ou negativas que outras pessoas lhe disseram ou disseram a seu respeito? a.

Você tem m em ória de elefante, não esquece nunca.

b.

Tenta esquecer, m as às vezes volta a pensar nelas.

c.

Por que eu haveria de me preo cup ar com o que elas pensam?

d.

Pensa sobre todas essas coisas, até e nten de r bem o que houve.

7 Gosta de aprender, e studar e d escobrir novas inform ações e áreas do co n h e ­ cim e n to , ou de aperfeiçoar seus co nh e cim e nto s e aptidões? a.

Você ra ra m e n te lê livros, fre q ü e n ta c u rso s ou a ssiste a p rog ra m a s e d u c a ­ tivo s - p re fe re a vida p rá tica .

b.

Gosta de ler e de assistir à televisão.

c.

Acha que uma educação form al é irrelevante e um a perda de tem po.

d.

Tem m uito interesse pelos estudos, faz os cursos que pode e sem pre está lendo algum livro.

8 Aceita sem d ificu ld a d e novas inform ações? a.

As pessoas vivem se queixa nd o de que lhe contaram algum a coisa da qual você não se lem bra ou de que você não presta atenção q ua nd o lhe contam algum a coisa.

b.

Você às vezes acha m uito cansativo a ceitar novas inform ações.

c.

Nem sem pre se interessa o bastante para se d a r ao trabalho.

d.

Gosta de te r contato com ideias novas e se esforça para processar as novas inform ações.

9 Até que ponto você vive o m om ento presente? a.

M uitas vezes se surpree nd e son ha nd o acordado com o passado, ou planejando o futu ro .

b.

Vive o presente, mas, por outro lado, ta m b é m pensa m u ito no passado.

c.

Vive o presente; o que passou, passou.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 113

d.

Tenta viver o presente, mas aproveita algum as iições específicas que o pas­ sado lhe deu.

10 Você é m uito esquecido? a.

Sua m em ória de longo prazo é bem m e lho r que a m em ória recente; você ten de a esquecer detalhes e inform ações banais.

b.

Parece esq ue cer um as coisas e lem brar-se de outras.

c.

Acha difícil g ua rd ar inform ações se não ano ta r tu d o de form a organizada.

d.

G eralm ente se lem bra do que é im portante.

11 Você às vezes pensa que cai sem pre nas m esm as situações ou tem que e nfre n ta r os m esm os problem as, vezes sem conta, pela vida afora? a.

Sim, com certeza.

b.

Sim, há coisas que co n tin u a m aco nte ce nd o novam ente, sem que você queira.

c.

Não. Você tenta seg uir adiante, esq ue cer e nunca re pe tir o passado.

d.

Q uando isso acontece, você tenta c o m p re e n d e r quai o padrão que está re pe tind o para solucioná-lo.

12 Depois de algum te m po em um novo relacionam ento, este com eça a fazê-lo lem brar-se de antigos relacionam entos? a.

Você só teve um relacionam ento sério na vida; ou, sim , seus parceiros têm

b.

Você tenta e scolher pessoas diferentes, mas, às vezes, elas se parecem m ais

sem elhanças m arcantes.

do que a p rincípio se pareciam . c. d.

Todas as pessoas são diferentes. A lgum as coisas são diferentes, outras são iguais; você tenta e nten de r o que dirige suas escolhas.

Contagem de pontos Some quantos pontos m arcou em cada categoria: A : _____ B : _____ C: _____ D : _______ Até que ponto você vive no passado? M uito poucas pessoas m arcarão pontos em apenas um a categoria; leia os com entários a respeito de cada categoria em que m arcou dois ou m ais pontos.


114 Lidar com o passado

A As pessoas que m arcam prefe re ncialm e nte A são aquelas que passaram por ex­ periências m arcantes em seus prim eiros anos de vida, as quais, por algum m otivo, não conseguiram aceitar. Por exem plo, talvez você tenha m udado de residência e deixado sua vida para trás, talvez tenha sofrido perdas ou d ificu ld a de s sobre as quais ninguém falava ou que você não soube aceitar, ou teve q ue enfre n ta r m uitas coisas sozinho qua n do era ainda m uito jovem . Provavelm ente tem opiniões conservadoras e resiste a m udanças e novas inform ações porque isso pode lhe parecer incôm odo ou am eaçador. Você não deve gostar de que co ntra riem suas opiniões. Q uando se sente seguro, é capaz de a ceitar m udanças, m as não gosta de ser forçado.

B Provavelm ente você vive no passado m uito m ais do que pensa. Às vezes ele re­ torna sorrateiram ente e o distrai. Talvez existam coisas no passado que m ereçam toda a sua atenção e com preensão. Você procurou desligar-se delas, adorm ecê-las ou evitá-las dura nte anos? Ou disse a si m esm o para não ser tão bobo e seguir em frente? Você não é tão lógico q ua n to gostaria de ser e é afetado por em oções que não consegue controlar. P erm ita-se explorar seus verdadeiros pensam entos e sentim entos e talvez descubra que tu d o pode se resolver.

C Você te m um a a titu d e d e fin id a a re sp e ito do passado: o q u e passou passou, e você não q u e r se fix a r nisso. E n tretan to , boa parte de sua energia é u tilizad a para e s q u e ce r o passado e im p e d ir q u e ele o afete. Isso o im p e d e de a b so rver novas in fo rm a çõ e s , de se a d a p ta r a m u d a n ça s, e o faz in to le ra n te em relação a tu d o o q u e a m e a ce seu s ta tu s q u o cu id a d o s a m e n te e rig id o . O passado não vai m a tá -lo agora, se você b o tá -lo em dia, o q u e lhe p e rm itirá re la xar a re speito dele.

D Você é perceptivo e tem noção dos efeitos que o passado causa em sua vida. Tenta tira r lições das experiências passadas, e, sem pre que percebe q u a lq u e r padrão repetitivo, prefere enfrentá-lo. Conhece bem a própria história e com o esta fez de você a pessoa que é - isso tem o nom e de "co m p e tê n cia bio g rá fica ” . Você sabe de onde veio, e isso o ajuda a d e te rm in a r para onde vai. É capaz de fazer novas


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 115

escolhas porque tem perfeita noção das escolhas que fez no passado, e da razão pela qual as fez.

Linha do tempo Desenvolva sua com petência biográfica e p re e n c h a a sua lin h a do tem p o (logo a seguir). F unciona com o um currículo de vida, só que visual, mas, em vez de se c o n ce n tra r em sua carreira, m os­ tra todos os aspectos de sua vida. N a sua lin h a do tem po, registre todos os fatos significativos, relacionam entos, lugares, conquistas, perdas, recordações e datas dos quais consiga se lem brar. Dê u m a relevância especial a todos os p ontos de transição - concluir o e n ­ sino fu n d am en tal, deixar a casa dos pais, e n tra r p ara a faculdade, seu p rim eiro relacio n am en to sério, etc. Para cada fato, trace um lin h a vertical e, ao lado, um texto descritivo. T ente escrever u m a história com pleta de sua vida até os dias de hoje. Você p o d e, inclu­ sive, im aginar os possíveis d esdobram entos futuros.

Faça sua linha do tempo


116 Lidar com o passado

Sobreviver ao passado O que você pensa da seguinte frase: “Q u an d o a vida é dura, os durões seguem em fre n te ”? O u do que disse o filósofo Nietzsche: “O que não m e m ata m e fortalece”? Essa é u m a m an eira de en carar a d o r das m udanças e dos ro m ­ pim entos. A vida consiste em um a série de fases que term in am em ro m p im en to . Os rom pim entos fazem p a rte do ciclo d a vida; p o r exem plo, tornar-se adulto e d eixar a casa dos pais, te r filhos, atingir a m atu rid ade, e n fre n ta r os grandes desafios que todos nós tem os q ue encarar. C ada ro m p im en to é um corte com o que é velho p ara d a r lugar ao novo. Nessas ocasiões, as pessoas com o que se q u e­ bram e desintegram , para que possam se ex p an d ir a fim de acom o­ d a r e in te g ra r a nova realidade. M uitas vezes en co n tram o s pessoas que se sentem esm agadas p o r essa pressão, ou até adoecem . Todo processo de m u d a n ça é, p o r si m esm o, doloroso; p o r isso, deseja­ m os que o tem po pare e a vida não m ude, e que n a d a aconteça de errad o . Mas, n a vei'dade, não há n ad a de errad o nesse processo de m udança, a n ão ser a nossa aversão e resistência a ele. Nós so­ brevivemos. E, mais do que sobreviver, crescem os, evoluím os e nos aperfeiçoam os com o pessoas. Nós nos tornam os mais com plexos, adquirim os novas aptidões, talentos, sensibilidade e com preensão; nos tornam os pacientes e perspicazes. Pense em todos os cataclis­ m os a que já sobreviveu desde que deixou p ara trás a infância. Q ue coisas você a p re n d e u com eles? N osso crescim en to e desenvolvim ento c o n tín u o s d e p e n d e m de nossa capacidade de vivenciar co m p le tam e n te cada aco n teci­ m e n to d e nossa vida - sem nos sentirm os d e rro ta d o s p o r n ã o o term os evitado. O crescim en to se dá q u a n d o alguém consegue e n te n d e r o q u e lh e aco n teceu , e n c a ra n d o a b e rta m e n te o fato e resolvendo-o in te rn a m e n te . Assim, desenvolve-se a n o ção de com ­ p e tê n c ia e confiança de que p o d em o s e n fre n ta r tu d o o q u e a vida nos trouxer. E preciso te r esperança, senso de h u m o r, bons com ­ p a n h e iro s e u m p o u co de au to d iscip lin a q u e sirvam d e ap o io em nossa lo n g a jo rn a d a p a ra a fren te.


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Que tipo de talentos, percepção e aptidões seu passado lhe deu?

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A transferência como armadilha Dá-se o n o m e de transferência a um fen ô m en o que acontece em todo relacio n am en to e que consiste em o lh a r u m a pessoa com a qual nos relacionam os hoje através da len te de u m a ex p eriên ­ cia que vivemos no passado. N a m aioria das vezes, n em chegam os a percebê-lo, mas, no caso de relações íntim as, a transferência é m uito mais intensa. P ode levar a pessoa a não ouvir o que a o u tra pessoa diz, mas sim aquilo que p en sa que a pessoa disse, e h á u m a diferença sutil e n tre as duas coisas. O que você p en sa que a o u tra pessoa disse tem a ver com sua p ró p ria história e suas expectativas. Em um nível m uito sutil, podem os “e sp e ra r” que alguém se com ­ p o rte do m esm o m odo com o alguém se c o m p o rto u n o passado. Seus co m portam entos p o d em nos p a re ce r iguais, m esm o q u an d o não são. Esse tipo de m al-entendido de com unicação dá origem a brigas e infelicidade.


118 Lidar com o passado

As expectativas construídas com base no passado geram m ui­ ta negatividade: você sofreu u m ab an d o n o no passado e ficou só, assim, o fu tu ro será de solidão tam bém , com o sem pre tem sido, e você n ão acredita em n in g u ém que diz que q u e r ficar p ara valer. Situações assim é que deram origem ao conceito de profecias autorrealizáveis. e '- ©

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0 nam orado de Joanne pergunta-lhe se ela pode colocar o lixo lá fora, porque ele está m uito o cupado consertando o controle rem oto da televisão. A prim eira reação de Joanne é fic a r zangada. Fica m esm o ofendida - com o é que ele pode fic a r lá no sofá dando ordens? Então perde a paciência - é sem pre ela quem leva o lixo para fora, e ele quase nunca ajuda com nada. Ela trabalha em te m po integral e ainda faz um a fa cu ld ad e , m as ele acha que ela não tem nada para fazer à noite a não ser a rru m a r a bagunça que ele faz. Joanne tem 3 3 anos e ainda está vivendo um a história que aprendeu com seus pais, que não tin ha m m uito dinheiro, mas trabalharam duro para que ela e sua irmã Laura tivessem tu d o de que precisavam e um a boa instrução. Joanne e Laura tiveram aulas de m úsica e tu d o o que queriam e precisavam . Laura fez fa cu ld ad e de m úsica, mas Joanne se rebelou contra a expectativa dos pais de que ela fizesse o m esm o, e, em vez de se preparar para um a carreira ao te rm i­ nar o colegial, viajou para a índia e, durante alguns anos, trocou várias vezes de em prego e de nam orado. Joanne se lem brava dos prim eiros anos do casam en­ to de seus pais - achava que a m ãe sem pre trabalhava m uito e se sacrificava pela fam ília, enquanto o pai chegava em casa, sentava diante da televisão e ficava esperando que lhe servissem o jantar. Pedia que lhe trouxessem as bebidas na mão e nunca era visto ajudando no serviço dom éstico. Joanne lem bra-se de que ele fi­ cava insistindo para que ela fosse ajudar a mãe, mas ele m esm o ficava sentado. Ela odiava o m odo com o ele fazia a mãe dela trabalhar, e, qua n do descobriu o fe m in is ­ mo, tornou-se crítica e negativa em relação ao pai por ser tão distante e passivo. Q uando Steve, o nam orado de Joanne, lhe pede para levar o lixo para fora, o que ela ouve não é um sim ples pedido, mas sim todos os hom ens de sua vida, a com eçar pelo pai, que ela acha que eram todos uns preguiçosos, exploradores que aceitavam as gentilezas das m ulheres com o se fossem uma obrigação. Está decidida a não aceitar m ais esse tip o de coisa, e diz a Steve que vá colocar o lixo lá fora, ou vá em bora.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 119

Steve, que acabou de co lo car as baterias no controle rem oto, olha para ela. Não consegue enten d er direito o que ela disse, nem por que ela ficou tão hostil de repente, e pede-lhe q ue repita o que disse. “ Você e s c u to u ” , ela diz, "eu já cansei de ouvir você m e dizendo o que eu te n ho que fazer. Eu ponho o lixo para fora toda sem ana, e você nunca m e ajuda. Não é preciso você m e dizer qua n do eu te n ho que fazer isso! Você fica aí sentado a noite toda, assistindo a essa porcaria de futebol. Sou eu que faço as com pras e cozinho e a rru m o tudo, e você nem me pergunta se eu quero a ju d a .” “ Ei” , diz Steve, pegue leve. Eu só lem brei você de levar o lixo para fora porque você me pediu para lem brar. Eu consertei o co ntrole rem oto - só foi preciso tro car as pilhas. Pensei que íam os assistir àquele film e que você q u e r ver.” Ele fico u pálido; sem pre se sente m uito mal q ua n d o Joanne o acusa assim , e não consegue enten d er o que deu errado. Acha tu d o isso m uito estressante; seus pais brigavam m uito e acabaram se separando.

Se J o a n n e e Steve tiverem suficiente bom -senso, irão p ro c u ra r ajuda a essa altura, p o rq u e o conflito em que estão é g ran d e d e­ mais p ara q u a lq u er um deles e n te n d e r direito. Steve está sen tin d o algo p arecido com a sensação de catástrofe que sentiu q u a n d o sua m ãe exigiu que o pai dele saísse de casa. J o a n n e está vivenciando novam ente a raiva adolescente que sentia c o n tra o pai p o r tiran i­ zar a m ãe dela - com o ela vivenciava isso n a época. A essa altura, as reações de am bos p o d em acabar com o relacio n am en to se eles n ão fo rem capazes de o lh a r p ara trás e c o m p re e n d e r que seus sen­ tim entos de hostilidade não têm n a d a a ver com o p resen te. Estão am bos presos ao passado e nem o p erceb em - am bos pensam que a “cu lp a” é do outro. N ão é m uito fácil esquecer o passado e en x erg ar as coisas de m an eira diferente. Todos nós tem os histórias diversas de relaciona­ m entos, experiências e interações que c o n trib u íram p a ra fo rm ar e c o n d icio n ar nossa personalidade. E n tretan to , o passado nos im pe­ de de ap reciar o p resen te e de aproveitar o que tem os agora. Ficar preso ao passado é um hábito persistente, difícil de m udar. Existem m uitos program as de autoajuda que sugerem desligar-se e seguir em frente. Mas com o se desligar? N ão é tão fácil q u an to parece,


120 Lidar com o passado

p o rq u e nos agarram os tenazm ente ao nosso sentido de q u em so­ mos. M esm o que a vida possa ser m elhor, é mais seguro ficar o n d e estam os, em te rre n o conhecido, do je ito que sem pre fom os - e sim plesm ente não sabem os com o ser diferentes. A p re n d er a desligar-se de velhas m ágoas e seguir em fren te não é o m esm o que esquecer o que se passou. Esse negócio de es­ quecer, o u “eu n ão q u ero p e n sa r/fa la r nisso”, é u m m o d o de evitar algo q ue causa d o r ou estresse. A tática do avestruz não d á certo p ara sem pre. P odem os re p rim ir ou n eg ar o im pacto que certos tópicos exerceram sobre nós - ou nos torn arm o s irritáveis ou sen­ síveis q u a n d o outras pessoas tocam no assunto - , mas esses tópicos co n tin u am sendo um a fonte adorm ecida de estresse. J o a n n e e Steve conseguiram p e rc e b e r o que estava aco n tecen ­ do com eles, p o rq u e am bos discutiram o assunto com am igos ínti­ mos, e u m dos velhos am igos de Steve re c o n h ec eu q ue ele estava revivendo um p ad rão fam iliar: sentir-se assustado e desm oraliza­ do d u ra n te u m relacionam ento. Steve era o irm ão caçula e o mais am ed ro n tad o pelas brigas dos pais. C o n to u a J o a n n e com o se sen­ tia q u a n d o ela gritava com ele, e com o isso era injusto. C onsiderava que fazia a sua parte e dividia com ela as responsabilidades, mas que não tin h a je ito p ara cozinhar e a rru m a r a casa. Em sua fam ília, era a m ãe q u em fazia esses serviços, e ele n u n c a se sentia confiante em u m a cozinha. E J o a n n e tornava tudo mais difícil atacando-o de m an eira tão agressiva. J o a n n e c h o ro u m uito e n q u a n to conversavam , pois tocava em p o n to s im p o rtan tes e m uito dolorosos. Am bos co m p reen d eram que n ão precisavam co n tin u a r re e n c e n a n d o o m esm o dram a. E J o a n n e c o m p reen d eu , p ela p rim eira vez - j á q ue seus pais n u n c a haviam lhe dado u m a explicação - , que a m ãe fazia tu d o p ara o pai q u a n d o ele chegava em casa po rq u e ele estava exausto; ele sofria de encefalite m iálgica, e se sentia culpado ao ver a m u lh e r trab alh ar tan to , p o r isso m andava que as filhas adolescen tes a ajudassem . J o a n n e p e rc eb e u tam bém que Steve era sensível às suas m udanças de h u m o r e tin h a dificuldade de lidar com seu estilo beligerante. Ela gostava m uito de Steve e p a ro u de fazer suposições a respeito do co m p o rtam en to dele p a ia com ela; e ele co n co rd o u em aju d ar


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 121

u m p o uco mais n a cozinha, com a condição de que ela n ão criticas­ se dem ais os seus erros. Essa conversa os u n iu ain d a mais, p o rq u e fez com que se com preendessem m elhor.

Recordações difíceis ou desagradáveis Com o saber se você vive preso ao passado? Você processa suas experiências de vida de m o d o a p o d e r u m dia desligar-se delas, ou você as “esquece”, e p o r isso não p o d e reexam iná-las e colocá-las no devido lugar? Em diferentes m om entos da vida, olham os p a ra o passado de um novo p o n to de vista. Se esse p o n to de vista é fixo e im utável, só p o d e ser p o rq u e não foi exam inado. Se conseguim os in te g ra r o co n h ecim en to e a com preensão do passado, ficamos li­ vres p ara m u d a r e fazer novas escolhas. E as lem branças estressantes, dolorosas, até m esm o traum áticas que existem em sua vida? Elas p o d em n ão ser mais do que aconteci­ m entos banais da vida cotidiana, com o perdas e d esap o n tam en to s vividos d u ra n te a infância, ou u m a infância infeliz, ou dificuldade p ara se estabelecer na vida; ou p o d em ser realm en te sérias, com o traum as, luto, a b an d o n o , m aus-tratos ou traição.

Perguntas sobre recordações desagradáveis Quais são suas piores lem branças? Podem ser de q u a lq u e r época da sua vida. Não pense m uito, sim p lesm e nte anote as que lhe vierem à m em ória.

1 2 3 4 5


122 Lidar com o passado

Como se sente hoje a respeito dessas lembranças? Escolha uma resposta: a.

A conteceu, já me recuperei, não se pode viver no passado.

b.

A conteceu e às vezes ainda penso no assunto, m as isso já não m e afeta mais.

c.

Às vezes penso sobre as coisas e percebo que elas afetaram o m odo com o vivo m inha vida e algum as das escolhas que fiz.

d.

Não consigo esq ue cer o que aconteceu, e penso d em o ra da m en te no assunto todos os dias.

e.

A inda ten ho pesadelos ou relem bro cenas; e/ou ten ho m edos persistentes, tais com o fobias, ou sinto m uita d ific u ld a d e em ir a d eterm ina do s lugares ou realizar d eterm ina da s coisas.

Contagem de pontos Se você escolheu A ou B, isso q u e r dizer que experiências e relacionam entos pas­ sados deixaram em você alguns problem as mal resolvidos. Em bora você lide bem com isso, eles podem estar influ e n cia n d o alguns de seus com p o rta m e n to s e a titu ­ des. Isso pode acontecer de form a sutil a ponto de parecer que não -há q ua lqu e r ligação com os fatos de origem . No entanto, você pode fica r na defensiva q ua n do forem abordados d eterm inados tópicos. Em algum as ocasiões, as pessoas mais próxim as podem a cha r seu co m p o rta m e n to estranho ou im próprio. É com o se você não conseguisse p e rm itir que aquela parte sua que ainda está presa a essas m em órias am adureça. Se sua escolha foi C, você é um a pessoa reflexiva, que conhece m uito bem a si m esm a. Isso lhe tem sido útil, pois você consegue separar as coisas em sua m ente e, com o tem po, colocá-las em seu devido lugar. Essa percepção o torna capaz de a ju d ar outras pessoas. Se escolheu D, apenas algum as de suas lem branças foram parcialm ente resolvi­ das, e seria m uito bom se você pudesse, de algum a form a, apressar esse proces­ so, para não te r que carregá-las consigo por toda parte. Isso m elhoraria m uito a sua vida. Se e scolhe u E, isso in d ica c la ra m e n te q ue você precisa de ajuda para e n fre n ­ ta r esses p ro b le m a s do passado q ue , no seu caso, não fo ra m de m odo algum


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 123

resolvidos. Por q ue não p esquisa os tip o s de a ju d a d is p o n ív e is e e sco lh e o que lhe seria m ais útil? Por q ue d e m o ro u ta n to a p ro c u ra r ajuda? E n fre n ta r tra u m a s e m edos passados não é tão ru im , d esd e q u e escolha para a ju d á -lo um a pes­ soa capaz de a p o iá -lo co rre ta m e n te . O p io r já a c o n te c e u . Tirá-lo do fu n d o do a rm á rio e to rn a r a g u a rd á -lo c u id a d o s a m e n te no lug a r c e rto não vai to rn a r as coisas piores.

Seguir em frente: um mito E n fre n tar as lem branças do passado, as perdas e m udanças não é o m esm o que esquecer o passado e seguir em fren te, com o se n ad a tivesse acontecido. Mágoas profundas m igram do nosso pas­ sado p ara o presente, e curá-las e transcendê-las é um a tarefa séria. M uitas vezes, as pessoas pensam que o que têm a fazer é m u d a r de assunto e evitar tu d o o que provoque ecos ou m em órias penosas. Pensam que a coisa certa é seguir em frente. P o r exem plo: pensam que m o rar em um a casa que se parece um pouco com a casa em que viviam seus pais traria de volta, de algum m odo, os sentim entos da infância. O u então alguém lhes deu, q u a n d o eram crianças, u m a li­ m o n a d a que detestaram , e hoje em dia detestam tu d o o q ue te n h a o mais leve sabor de lim ão e tom am o m aior cuidado em rem over o lim ão de tu d o que lhe servem. Evitar o lim ão é evitar o verdadeiro problem a, que é: como pode essa lembrança ter ainda um efeito tão forte sobre você? Lem branças com o essa são cham adas de “lem branças encobrid o ras”. Trata-se de um tipo de lem b ran ça que serve de substitutivo a u m a variedade de sentim entos, ressonâncias e outras lem branças ligadas a experiências que não foram in te ira m e n te processadas e com preendidas. Essas experiências não foram exam inadas à luz da reflexão n em digeridas. Sim plesm ente “a co n teceram ”. São coisas que engolim os e que a in d a p e rc o rre m nosso organism o p o rq u e n ão fom os capazes de metabolizá-las. L em branças desse tipo re ­ q u e re m nossa atenção paciente e nossa com preensão; precisam os refletir sobre elas e p o n d e ra r sobre o m odo com o nos afetaram . Se


124 Lidar com o passado

o conseguirm os, nossa experiência de vida vai se to rn a r u m a fonte de força pessoal.

Repensar o passado Todos nós possuím os algum as convicções básicas q u e nos vêm d a in fâ n c ia lo n g ín q u a e q u e afetam nossa a u to e stim a e confiança em algumas situações. Não são coisas que pensam os co n s­ c ie n te m e n te , m as sim coisas q u e dissem os a nós m esm os em d e ­ c o rrê n c ia de e x p eriên c ia s pelas quais passam os, o u coisas q u e os ad u lto s nos disseram q u a n d o éram o s crianças. P a rte d o p ro ­ b le m a dessas convicções básicas ocultas é q u e n ã o p e rc e b e m o s c o m p le ta m e n te q u e elas estão ali. P e rm a n e c e m to ta lm e n te o cu l­ tas. A penas alguém q u e o c o n h e ç a m u ito b e m seria capaz de su sp e ita r de sua existência, e n q u a n to você m esm o ja m a is ch eg a a su sp e ita r de q u a n to se m a n té m fiel à velha m a n e ira de ver as coisas. O u tro p ro b le m a dessas convicções é q u e se tra ta de a n ti­ g u id ad es. São relíq u ias, in v en tad as p o r você q u a n d o a in d a e ra c ria n ça o u m u ito jo v e m , e sua visão de m u n d o exa m u ito m ais lim itad a. São decisões q u e você to m o u p a ra e n fre n ta r a vida. Elas o salvaram de te r q u e e n fre n ta r cada nova situ ação a p a rtir d e u m novo p o n to d e vista, e ag o ra im p e d e m efetiv am en te q u e você a p re n d a a resolver p ro b le m a s p o r si m esm o. D e n a d a lh e servem n a vida a d u lta em u m a re a lid a d e c o m p le x a c o m p o sta p o r m ú ltip las cam adas. Você conserva convicções básicas, originadas no passado, que acha que jam ais m udarão? Terá você recebid o n a infância m e n ­ sagens de que você era m au, m alcriado, feio, gordo, e não um a criança esperta; que n ão era um a criança bonita, que era p o uco p o p u la r e indesejada?

Afirmações negativas de vida S ecretam ente, m erg u lh ad o em seus m om entos mais som brios, você p en sa coisas assim a respeito de si mesm o?


As 1000 perguntas rnais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 125

0 ■ ■ ° D Q H ■ ■ ■ D B ° B ° B ° E ° ■ ■ ■

“N inguém m e am a.” “T enho que ser bom o tem po to d o .” “N em adianta ten tar.” “Sou sem pre aquele que vai e m b o ra /é deixado p ara trás.” “N ada do que eu faça vai d a r certo .” “N ão m ereço te r aquilo que tanto desejo.” “N ão te n h o am igos próxim os.” “N ão te n h o o direito de ser com o sou.” “N unca m e d arão a atenção de que preciso.” “T enho que ser sem pre b o n zin h o e to m ar co n ta dos outros p ara que eles m e am em .” “Sou b u rro , en tão não adianta ten tar.” “Os outros sem pre se dão m e lh o r/p o ssu e m mais do que e u .” “N unca vou te r o que q u e ro .” “N ão posso confiar em n in g u é m .” “T enho que fazer tu d o eu m esm o.” “T enho que ser sem pre sim pático e sed u to r p a ra conseguir a atenção de que preciso.” “No fim dá tu d o e rra d o .” “N ão sirvo para...” “Vou tentar, mas certam en te vou falhar.” “N u nca vou te r d in h e iro suficiente.” “N ão vou sobreviver.” “Sou in ú til.”

Essas afirm ações sobre a vida d itarão algum as de nossas ati­ tu d es e co m p o rta m e n to s se n ão p e rc eb e rm o s q u e elas q u e re m d irig ir o show. Elas te n ta m nos p ro te g e r - de c o rre r riscos dem ais, de agitação dem ais ou de um possível d e sa p o n ta m e n to o u fracas­ so. Elas tam bém nos im p e d e m de nos e m p e n h a rm o s a fu n d o em investir - em nós m esm os, em nossas ap tidões e talen to s, e em novos e fascinantes p rojetos e relacio n am en to s. D escu b ra quais são suas afirm ações negativas. M esm o q u e se sinta constrangido, você pode p e rg u n ta r a um a pessoa íntim a se n o to u em você alg u m a te n d ê n c ia a ser excessivam ente c a u te lo ­ so devido a convicções negativas a re sp e ito d e si m esm o. Essa


126 Lidar com o passado

pessoa po d e ter n o tad o coisas que você diz freq u en tem en te: que você “está cansado dem ais”, que você “não a g u en ta” ou que “não conseguiria” fazer d eterm in ad a coisa. D escobrir quais são suas afirm ações negativas de vida é m uito im portante. Depois que p erceb er quais são, elas com eçam a p e rd e r o p o d er que têm sobre você. Com ece a prestar atenção às coisas negativas que diz a si mesm o.

Identifique e reescreva suas afirmações negativas de vida

É im portante tra d u zir essas afirm ações negativas em positivas e re co n dicio ­ nar sua m ente para que acredite em coisas m ais favoráveis. Todas as opiniões que você tem a respeito de si próprio precisam ser: ■

úteis

práticas

realistas

construtivas

positivas Se não acredita em si m esm o, quem vai acreditar? Você não irá longe sem

afirm ações positivas. As pessoas que se recusam a a cre d itar em si m esm as ge­ ralm ente são co m p anheiros desagradáveis. A cre d ita r em si m esm o é a pedra fu n d a m e n ta l para relacionam entos bem -sucedidos, para o sucesso em geral e a felicidade.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 127

Traduza suas opiniões autolimitantes Escolha um a ou duas de suas afirm ações negativas de vida e reescreva-as em form a de afirm ações positivas a seu próprio respeito. Por exem plo: se você costum a afirm ar: "Eu sem pre acabo te n do que resolver sozinho os problem as d i­ fíce is” , pode tra n sfo rm a r essa frase em : "H á m uita gente a quem eu posso pedir ajuda e apoio, sem pre que d ese ja r” . Se um a convicção básica negativa é: “ N unca vou te r um a casa bonita que seja m in h a ” , você pode escrever: “ Ter um a casa bo­ nita é uma das m inhas prioridades, e vou tra b a lh a r m uito para conseguir isso” . A firm ações positivas de vida são m esm o m uito im portantes, portanto, não se apresse, para poder p rod uzir afirm ações que soem realm ente bem , sejam co ns­ trutivas e úteis.

Suas afirmações positivas

1

2

3 4 5

'

Ficar emperrado Todos nós ficamos ocasionalm ente em perrados. E aquele m o­ m ento em que parece que não podem os andar para a frente, como se forças invisíveis nos em purrassem para trás. A cada esforço para seguir adiante, acontece alguma coisa que nos im pede de fazê-lo. Algumas vezes é m elhor ceder, pois não se pode contrariar a maré. Às vezes é mais inteligente não fazer nada, para não correr o risco de piorar a situação. Mas às vezes é preciso fazer algo diferente para sair do atoleiro e continuar o cam inho. O que, no final das contas, exige m aior esforço, continuar no atoleiro ou sair dele? D epende da situação.


128 Lidar com o passado

B Pense em alguma época do passado em que ficou em perrado, mas conseguiu se livrar e seguir em frente. ra O que o ajudou a agir? ■ O que o faria decidir-se a agir agora? Toda saída é uma entrada para outro lugar Tom Stoppard, teatrólogo Maneiras de sair do atoleiro São coisas simples que podem ajudá-lo a seguir adiante quan­ do se sentir atolado. Todos têm suas favoritas - aqui estão algumas que podem lhe ser úteis: B M ude de localidade. Vá para um lugar diferente, seja um lugar onde nunca esteve, seja um lugar onde você tem certeza de que vai sem pre se sentir bem. Se não pode m udar de casa, tire umas férias. Se não pode tirar férias, passe um fim de semana fora. Se não p u d er passar um fim de sem ana fora, dê um jeito de fazer algo novo e diferente, p o r exemplo, algo desafiador ou que o faça adquirir novas aptidões. Não está com vontade? Essè é o problem a. ■ Faça um a arrum ação. Não na casa toda, mas num a área, mesmo que pequena, e transforme-a em algo novo, alegre e organizado. Coloque ali alguns de seus objetos favoritos, ou com pre novos. Então use esse espaço para atividades novas e agradáveis, para sonhar ou para fazer planos. E como se fosse um feng shui para a m ente. 0 Jogue fora algum a velharia. ■ Faça duas ou três coisas difíceis ou tediosas que vem adiando só um a ou duas por dia, mas não faça tudo imediatamente. Pelo menos coloque um a carta no correio. 81 Pratique algumas boas ações aleatórias. Dê a um a pessoa um a coisa que seja útil para ela. Isso será feito p or razões puram ente egoístas - para fazer com que você se sinta bem. a Sorria - existem pesquisas que dem onstram que as pessoas que sorriem m uito sentem-se m elhor internam ente.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 129

Faça a terapia do riso, tal como assistir a um filme m uito en­ graçado. Se a sua vida fosse transform ada em um roteiro de comédia, como seria o roteiro? Converse a respeito da situação com alguém que você ten h a certeza de que não está em p errad o no m om ento não com alguém que tam bém esteja, pois essa pessoa vai se identificar com você, encorajá-lo e lhe fazer com panhia. Tente falar com vários hom ens a respeito do pro b lem a eles estão mais habituados a oferecer soluções e tendem m enos a apoiar suas razões p ara co n tin u ar em pacado. Experim ente cercar-se de música inspiradora e elevada, e de fragrãncias ou aromas do seu agrado. Isso funciona para algumas pessoas. “Levante-se e sinta o cheirinho do café.” Trate de fazer mais exercícios, especialm ente ao ar livre, se for possível, a não ser que já faça exercícios diariam ente em um a academia. Arrisque-se. Faça algum a coisa difícil. Faça mais. Desafie mais a si m esm o. Faça algum a coisa que deixe as pessoas espantadas. Isso faz desaparecer a d o r que sente p o r causa de outras coisas difíceis, e faz com que se sinta mais com ­ peten te. M ude de paradigm a. Isto quer dizer ser criativo e redefinir o problem a. Q uer dizer exam inar o problem a de um novo ponto de vista. Descreva o problem a por escrito, usando a prim eira pessoa. Depois m ude, use o pronom e “ele” ou “ela” e tente descrevê-lo do ponto de vista de alguém totalm ente diferente de você. Por exemplo, se você é um a m ulher solteira de 32 anos e m ora em um a cidade grande, tente escrever sua história do ponto de vista de um bom beiro casado, de 55 anos de idade e que m ora em um a cidade do interior. Isso lhe parece ridículo? Ele certam ente veria a sua vida e seus problem as de m odo totalm ente diferente do seu. Pense em um a época da sua vida em que chegou a um beco sem saída. Como se sentiu ao retom ar o caminho? Como você fez para se reorientar? O que você gostaria mesmo de fazer, mas não faz?


130 Lidar com o passado

■ Pense nas coisas que realm ente o deixaram frustrado na in­ fância. Como as enfrentou? De algum a form a sem elhante ao m odo como enfrenta as frustrações atualm ente? Poderia enfrentá-las de m odo diferente? ■ Quais as circunstâncias que o fazem sentir-se em sua m elhor forma? ■ E, acima de tudo, invente seu próprio m odo criativo de sair do atoleiro.

Depressão Você é deprimido? A depressão é um a das principais razões que m antêm as pessoas presas ao passado. Muitas pessoas são deprimidas sem se dar conta disso. Um adulto em cada quatro sofre de depressão em alguma época de sua vida. Essa afirmação parece ser verdadeira para a maio­ ria dos países e culturas, em bora as estatísticas costumem ser mais elevadas nas áreas urbanas. Muitas pessoas são deprimidas e não o percebem. E é p o r isso que perm anecem em perradas e incapazes de seguir adiante. Hoje em dia a depressão é reconhecida como um a das doenças sérias dos nossos tempos, com milhões de pessoas afetadas em todos os países, e, no entanto, a doença nem sempre é reconhecida, diagnosticada e tratada. Ainda se considera vergo­ nhoso admiti-la, como se a depressão fosse um a espécie de fracasso. E muito com um em pessoas entre 25 e 44 anos de idade, e, em sua form a mais grave, pode levar o paciente a descuidar-se e a ferir a si mesmo e, às vezes, ao suicídio. O núm ero de m ulheres diagnostica­ das como deprimidas é ligeiram ente m aior que o de homens. Um a form a de depressão é ficar atolado em questões do pas­ sado, incapaz de se libertar delas. Vá você para onde for, essa coisa sombria não desgruda. A depressão é um a doença perigosa porque corrói o otimismo e a esperança e torna as pessoas passivas, im po­ tentes e incapazes de agir de form a eficaz para m elhorar a situação. Ficar deitado, recusar ajuda e p erd er a esperança parecem ser as únicas opções possíveis.


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A depressão corrói a m otivação e a força in te rio r das pessoas, que p arecem apáticas e agem com o se fossem seus piores inim i­ gos, levando a fam ília a p e rd e r a p aciência com elas. Se você estiver deprim ido, p e rd e todo o sentido de am bição o u desejo, e a única coisa q ue consegue é e m p u rra r p ara a fren te o dia e a noite. Sente-se in ad eq u ad o e subavalia sua capacidade, e talvez te n h a que traba­ lh a r mais para com pensá-lo. Sente-se len to e não q u e r saber de m o­ vim ento ou de exercitar-se. As pessoas lhe dizem p ara to car sua vida, ser mais alegre e p a ra r de incom odá-las com sua atitude soturna. N a verdade, a depressão é norm al. E um a reação in teiram en te lógica às condições difíceis da vida. Faz sentido desistir q u a n d o to­ das as portas parecem se fech ar p a ra você. Ficar d ep rim id o é sinal de que você atingiu um beco sem saída. N ão d á p ara seguir em fren te p o rq u e o cam inho que você seguia é com o se não existisse mais. A depressão é um a reação à dificuldade que tan to p o d e se e x tern a q u an to in tern a. M uita gente se d eprim e devido a fatos n e ­ gativos - p o r exem plo, p e rd e r o em prego ou u m a d o en ça séria. E n­ tretan to , as pessoas às vezes se d ep rim em sem u m a causa ex tern a ap aren te, p o rq u e têm u m a velha ten d ên c ia a fases de m elancolia, à introspecção, ao isolam ento ou à autocrítica. Ficamos deprim idos p o r razões de todos os tipos: te r que e n ­ fre n ta r u m a p e rd a ou m udança, doença, invalidez, o u e n fre n ta r que se é, de algum m odo, diferente; sentir-se irrealizado e sem o p o r­ tu n id a d e s de p a rtir em o u tra direção; estar e m p e rra d o em u m a situação ou em u m relacio n am en to que você não p o d e ro m p e r p o r causa da responsabilidade ou com prom isso; viver a vida dos outros em lu g ar de viver p ara si m esm o, ou viver segu n d o regras im postas p o r outros em vez de seguir as próprias; sentir-se isolado, sem p er­ te n c e r a um a co m u n id ad e que lhe dê a o p o rtu n id a d e d e in teração de alto nível e retribuição. Até boas notícias p o d em d eix ar alguém tem p o rariam en te d eprim ido, p o rq u e p o d em significar o fim do antigo e fam iliar estilo de vida. Existem vários tipos de depressão. As crianças às vezes se sentem deprim idas devido a algum a coisa que não conseguem en fren tar ou controlar, e ninguém percebe que elas precisam de ajuda. Isso pode evoluir e causar episódios de depressão na idade adulta. Pessoas que


132 Lidar com o passado

n a infância passaram p o r sérios agentes causadores de estresse com o a m orte de um dos pais ou a dissolução d a fam ília - são vul­ neráveis ã depressão n a idade adulta. Muitas vezes u m a pessoa está d eprim ida sem causa aparente, mas ela pode carregar d e n tro de si problem as com plexos que não consegue com preender. N o final das contas, só você p o d e e n c o n tra r u m a saída, e o m e­ lh o r que outras pessoas p o d em fazer é oferecer-lhe co m preensão e apoio em vez de ju lg am en to . Elas p o d e m fazer mais m al do que bem se te n ta rem persuadi-lo a sair da depressão antes que você esteja p ro n to p a ra isso, p o rq u e esse tipo de cura n ão passa de u m disfarce e não trata das causas ocultas. A causa in a p aren te p o d e ser o fato de você estar te n ta n d o aceitar algum a coisa difícil que aconteceu, ou algum a coisa im p o rtan te p ara o seu sentido de id en ­ tidade não está fu n cio n an d o n a sua vida.

Pete é ve nd e do r de carros e tra b a lh a para um a gran de co nce ssio n ária. É ele que sustenta sua fam ília e tem um a próspera carteira de clie ntes. É fe liz e b e m -su ce d id o , e tem com a m u lh e r três filh a s enca n ta do ras. Existe, no entanto, algo q u e poucos de seus am igos e colegas sabem - se cre ta m en te , desde os 6 anos de idade, ele sem pre desejou escrever poesia. Ele se lem bra bem de q ue o pai lhe disse um dia para não ser rid ícu lo, que n in g ué m ganha a vida escrevendo poesia. Pete fez o q ue todos q u e ria m q ue fizesse - e parte dele m esm o ta m b é m desejava: fez sucesso na ca rre ira e é ó tim o pai e m arido. Pete e a m u lh e r gozam de co n fo rto m aterial, e todos na fa m ília vão bem . 0 a ntigo desejo de escrever poesia co n tin u a insistente, m as ele diz a si m esm o q ue isso é um a in fa n tilid a d e rid ícu la. De vez em q u a n d o escreve um poem a, m as te m vergonha de m ostrá-lo às pessoas, até m esm o à m ulher. Surge a d ific u ld a d e q u a n d o ele envia se cre ta ­ m ente um poem a para um co n cu rso e é classificad o em se gundo lugar - nem m esm o a m u lh e r sabia q ue ele havia fe ito isso. Pete inveja as pessoas criativas e não consegue e n te n d e r co m o elas atingem o sucesso apenas b rin c a n d o com as palavras, a m úsica e as tin ta s em lugar de venderem objetos reais. Para fa lar a verdade, ele se m p re c ritic o u as pessoas q ue fica m em casa fa ze nd o coisas criativas em vez de te rem um e m prego de verdade. Com o o pai, ele d ese n co ra ­ jou a filha de “ p erd er te m p o " em a tividades não profissionais, e a fa m ília tem o d e se m p e n h o por m eta.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 133

Se Pete c o n tin u a r por m uito te m p o não ciando atenção ao desejo de escrever poesia, isso se tornará um sintom a que não o deixará em paz e lhe causará uma doença. Ele vai acabar se d ep rim in d o . O sintom a da depressão está ali para obrigá-lo a fazer as m udanças necessárias a fim de que ele possa expressar essa parte sua que foi deixada de lado - e que, no seu caso, poderia ser cham ada de “ poeta interior". 0 que acontece é que Pete com eça a piorar. Tem d ificu ld a d e de se le­ vantar pela m anhã, não se preocupa com sua meta de vendas, não responde aos telefonem as e se torna m al-h um o rad o e calado em casa. Gostaria de poder pedir d e m issão do e m p re go , de e n tra r para um a u n ive rs id a d e e e s tu d a r e scrita c ria ­ tiva - m as é o tip o de desejo que não pode confessar para ninguém . A m u lh e r e as filhas g rad ua lm en te se ajustam ao seu co m p o rta m e n to distante e co ntin ua m a se ocup a r com sua vida sem ele. A cham que ele está apenas atravessando um perío­ do de mau h um o r e o deixam de lado. N inguém percebe que Pete está descendo a ladeira rapidam ente, sem nada onde se segurar. Ele com eça a beber mais.

E possível p e rm a n e c e r anos a fio em um beco psicológico sem saída e realizar bem tu d o aquilo que os outros p lan ejaram p ara você. P o r exem plo, é possível d e se m p e n h ar o p ap el de m arid o e pai m odelo sem n u n c a e n c o n tra r tem po p a ra os p ró p rio s interes­ ses. Sua fam ília p o d e gostar que você co n tin u e assim, se isso fo r do interesse dela. Mas, p a ra você, isso significa m o rre r len tam en te, e você com eça a m ostrar sintom as com o d o r de cabeça ou problem as digestivos, a b e b er m u ito e a se distrair com vários projetos e o cupa­ ções, a te r casos que term inam mal. Você se to rn a irritadiço, ansioso o u retraíd o , sente-se confuso e p e rd e a autoconfiança. Você não tem u m m otivo q u e o anim e a levantar-se da cama. A depressão traz consigo um a o p o rtu n id ad e perigosa: ela lhe diz q ue o que você faz ou o seu estilo de vida não são in teiram en te d o seu agrado. M ostra que h á anseios e desejos n ão realizados, ou conflitos de interesse que você não reco n h ece n em p a ra si m esm o. O u que você está afu n d ad o em u m atoleiro que o sufoca len ta­ m ente. A depressão lhe dá a o p o rtu n id a d e de fazer algo radical p a ra m u d a r a situação. Existe algum a sabedoria n a depressão - ela n ão p erm ite que você co n tin u e ig n o ra n d o algum tipo de p ro b lem a oculto que está exigindo sua atenção.


134 Lidar com o passado

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No caso de Pete, sua depressão teve um resultado benéfico porque ele conse­ guiu um m eio de lidar com ela. Sua m ulher, Lindy, achou que Pete andava estressa­ do pelo trabalho e insistiu para que ele dim inuísse o ritm o. Para isso, foi preciso em atestado da m édica dele, que percebeu im ediatam ente que ele estava m elancólico e fora do seu estado norm al, e aconselhou um m edicam ento antidepressivo. Se por um lado Pete ficou contente por ela levar a sério seu estado de espírito, por outro lado a sugestão do rem édio não lhe agradou. Ele não gostava de to m ar remédios, nem m esm o um co m p rim id o para dor de cabeça, e desagradava-lhe a ideia de um a m edicação controlando sua m ente. A m édica concordou e sugeriu terapia. Isso tam bém não agradou a Pete - isso não servia para ele. A doutora o desafiou e disse que ele precisava pôr tu d o para fora em lugar de fica r guardando as coisas para si m esm o. Com quem ele poderia falar?, foi o que ele pensou. E chegou à conclusão de que não precisava falar com ninguém , m as podia escrever sobre tu d o isso. A doutora havia lido um artigo intitulado “ A escrita com o form a de terapia” , e deixou que Pete fizesse com o queria, com a condição de voltar dentro de um mês para m ostrar o que havia p ro d u z id o . Ela su g e riu ta m b é m q u e ele lesse a lg u n s livros de um a lista q u e havia no final do artigo, com a indicação “ Encontre sua voz interior” . O

resultado foi que Pete gostou dos exercícios de escrita, gostou tanto q

não conseguia parar, e escreveu ta n to que parecia estar hab itu ad o a isso. Com a justifica tiva de que se tratava de "te ra p ia ” , e de que ele estava fazendo aquilo em benefício de sua fam ília sofredora, ele não achava que era um a perda egoísta de tem po, com o teria achado em outros tem pos. Ele literalm ente descreveu sua cura da depressão, porque escrever era algo q ue ele sim p lesm e nte adorava fazer e nunca perm itira a si m esm o dedicar-se a isso. Com o tem po, voltou a escrever poesia e d ecidiu seguir um curso o nline para a pre nd e r a té cn ica . A m u lh e r e as filha s de Pete ficaram espantadas com sua tra nsform a ção em escritor com pulsivo, m as co nco rda ram que isso fazia bem a ele. A filha caçula, Lucy, encorajou-se a lhe m ostrar alguns contos que vinha escrevendo. Com o tem po, Pete com eçou a fazer m ais sucesso com os contos e poem as que produzia. Desde que lhe deram te m po para fazer o que gostava, passou a se ntir a vida de m odo m ais positivo.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 135

Questionário sobre depressão Aqui está um a lista de 26 sintom as de depressão. Todos nós sentim os a l­ guns deles ocasionalm ente. Estamos sem pre seguindo um fluxo. Você só deve se co nside ra r d e p rim id o se tiver sentido c in c o ou m ais desses sintom as ao longo dos ú ltim o s três meses. Um ou dois desses sintom as, por si m esm os, não indicam depressão.

1 Você teve que e nfre n ta r luto, m ás notícias, divórcio ou separação, m udança de residência, um a perda, alteração incôm oda ou falta da saúde nos últim os três anos.

2 Acha que não há m uito com que se alegrar ou já não sente prazer com as coisas de que gostava antes.

3 Passa parte do dia sentindo-se triste, infeliz ou m elancólico. 4 Sente-se pior pela m anhã. 5 Sente-se cansado, esgotado ou letárgico por m ais que descanse. 6 Evita todo tip o de exercício. 7 Está com excesso de peso ou m agro dem ais e não se sente capaz de fazer algo a respeito disso, e/ou está sem apetite, ou abusa de alim entos que levantam o â nim o, tais com o carboidratos ou chocolate.

8 Bebe de form a persistente, ou tem surtos de bebedeiras, num a q ua n tida de que sabe que é prejudicial.

9 Passa m uito te m p o preocupando-se com seus problem as, pensando ou fixado neles, sem chegar a um a conclusão. 10 Discute ou resiste q u a n d o as pessoas lhe dão um conselho, fazem sugestões construtivas ou lhe trazem soluções.

11 Você chora m uito. 12 Passa m ais do que um a hora por dia assistindo à televisão ou o cupado em outra coisa apenas com o intuito de escapar do que sente no m om ento presente.

13 Não se cuida bem - por exem plo, descuida da saúde ou da aparência. 14 Adia as coisas a ponto de cria r problem as. 15 Bem lá no fu n do , percebe que existe algo im portante que precisa m udar, mas não se sente com coragem para enfrentá-lo.

16 Sente que há sonhos e desejos irrealizados ou algo “ que deveria fa ze r” pesando em sua m ente.


136 Lidar com o passado

17 Im pede-se de se interessar a rde ntem e n te por algum a coisa ou de p articipa r de atividades das quais gostaria de to m ar parte. 18 Há algo que secretam ente deseja fazer, m as não se perm ite. 19 Tem a sensação de que tem que a tu ra r um co m p rom isso grande dem ais, tal com o um tra ba lho de q ue não gosta, em lugar de seguir o q ue lhe interessa p rofundam ente.

20 Você mora ou trabalha ao lado de alguém que não gosta de você ou não o trata com respeito.

21 Outras pessoas o consideram cínico, crítico ou negativo. 22 Passa m uito te m po só ou tem poucos am igos íntim os. 23 Sente-se in co m p re e n d id o com fre qu ê ncia , ou sente-se d iferente da m aioria das pessoas de um a form a que o incom oda.

24 Evita sair de casa a não ser que tenha que fazê-lo. 25 Sente-se aprisionado pelas circu n stâ n cia s da vida e que há pouca coisa, ou nada, que você possa fazer.

26 Sofre de baixa autoestim a ou é pouco confiante, o que o im pede de fazer m uitas coisas. Além disso, se seu m édico diagnosticou que você sofre de depressão e lhe receitou antidepressivos, podem existir m ais sinais clin ica m e n te perceptíveis e dos quais você não se dá conta.

Contagem de pontos A q uantas questões você respondeu s im :_______

5 -7 Talvez você esteja so fren d o de um a depressão leve ou m oderada. É m uito im ­ p orta n te e n te n d e r e avaliar os m otivos, para que isso não c o n tin u e assim . Talvez você deva d a r a si m esm o um a força para sair da situação. Pode ser algo com o um a viagem , um a m ud a n ça de a m b ie n te ou de c ircu n stâ n c ia s, ou a b a n d o n a r algum a coisa a q ue não deseja c o n tin u a r preso. Se acha que e nten d eu as causas e se sente capaz de e nfre n tá -la s com o te m p o , então não é nada sério.

7-12 É provável que você sofra de depressão m oderada, m esm o que não o perceba. (Às vezes as pessoas se a costum am tanto com a situação que não percebem que


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 137

há algo errado.) É m uito im portante buscar algum a ajuda - do seu m édico, por exem plo, de um bom am igo ou de um terapeuta bem escolhido, para co m eçar a e nfre n ta r a depressão. Se você a ignorar, ela não vai passar.

Acima de 12 Essa contagem é um sinal de depressão que vai de m oderada a grave. É im p o r­ tante co m e ça r a e nfre n ta r os problem as que o im pedem de sentir-se realizado. É possível que você esteja severam ente d e p rim id o e tenha perdido a esperança de que algo possa m elhorar em d eterm inadas áreas de sua vida. Mas você não es­ taria lendo este livro se não tivesse esperança algum a, portanto é im p ortante que encontre alguém para ajudá-lo a olhar as coisas com novos olhos.

Enfrente a depressão passo a passo Se está d e p rim id o , esta é a p rim e ira coisa a fa ze r para e n fre n tá -la . Per­ g u n te a si m esm o q u a is as c in c o coisas q ue você pode fa ze r e q u e o fa ria m sentir-se um pouco m elhor - hoje, am anhã, depois de am anhã até a próxim a se­ m ana. Que sejam só coisas p eq u e n a s, c o m o p re p a ra r um ja n ta r d e licio s o para você m esm o , m a rc a r um a sessão de m assagem ou m a rca r um e n c o n tro com um a m ig o de ve rd a d e . São passos p eq u en o s, m as são o co m e ço de um a nova jo rn a d a . O

que vale é o sim ples fato de te n ta r ajudar-se a sair da depressão. Vo

terá que ser paciente e com preensivo consigo m esm o. Não deve ser autopunitivo, descuidar-se ou ser autocrítico. Isso não ajuda em nada.

1

2

___________________________________________________________________

3

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4

_

5

_ Agora exam ine-se para ch eca r se está sabotando a si m esm o. A note cinco

razões que você tem para não poder ou não ser capaz de pôr em prática essas sugestões por pelo m enos cin co dias. Depois de anotá-las, exam ine-as bem . Quem ou o que poderia a judá-lo a vencer esses obstáculos?


138 Lidar com o passado

1

2 3 4 5 Dê um a ch an ce a você m esm o. Você m erece um a vida m elhor, m ais realiza­ da, mas, infelizm ente, você é a única pessoa que pode d ar esses pequenos passos iniciais para que tu d o isso aconteça.

O que a depressão está lhe dizendo? Em psicoterapia, diz-se que um sintoma contém a semente da cura. Ninguém se deprime sem que haja um a boa razão para isso. Quando as serpentes perdem a pele, diz-se que elas se recolhem e ficam irri­ tadas. Os sintomas da depressão são um meio de forçá-lo a se descartar da velha pele para revelar a vida nova que existe sob ela. A depressão é um aviso de que você precisa encontrar uma nova maneira de agir. Ás vezes um a parte de nós sabe disso, mas temos medo de seguir adiante porque isso implica mudanças, estresse e rompimento. Imagine que isso é um a verdade no seu caso: o que isso quer dizer? Quais são os sonhos, desejos e ambições que você abando­ nou? Você vem tentando suprim ir um a parte da sua vida? O que lhe acontecerá se não for fiel a si mesmo e deixar que os outros tom em as decisões em seu lugar ou o influenciem, mesmo que não conheçam um a história de vida que é só sua?

Tristeza e perda A depressão se assemelha à tristeza em suas manifestações - há muitos sintomas que são com uns a ambas, tais como sentir-se tris­ te, desanim ado, infeliz, desesperançado e letárgico. Uma diferença im portante entre a tristeza e a depressão é que existe quase sempre um problem a crônico de autoestim a que não foi considerado. As


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 139

pessoas deprim idas se culpam; têm baixa opinião de si mesmas e invariavelmente subestimam sua aptidão. Uma pessoa recentem en­ te enlutada tam bém se culpa e se sente responsável, e acha, por exemplo, que deveria ter feito mais pela pessoa que faleceu, ou mesmo que poderia ter im pedido sua m orte se tivesse agido de outro modo. Mas no luto isso é um estágio tem porário no processo de tristeza, e a pessoa enlutada geralm ente passa, com o tempo, a ver as coisas de m odo mais realista. A perda de um a pessoa am ada é um a das experiências mais desafiadoras que temos que enfrentar. Cada um lida com ela de form a diferente, em bora alguns especialistas em tristeza a descre­ vam como um processo que as pessoas atravessam por estágios, tais como negação, raiva, culpa, aceitação e recuperação. Na verdade as pessoas enfrentam a tristeza de form a individual, e não existe um a m aneira “certa” de sentir-se triste ou de se recuperar. Poucas pesso­ as estão realm ente preparadas para dar conselhos realm ente úteis a esse respeito, a não ser que tam bém tenham passado po r isso - e, mesmo assim, o jeito delas pode não ser o seu. Afirmações do tipo “o tem po é a m elhor cura” são mais que inúteis quando um a pessoa está em meio ao sofrimento. No entanto, conversar com pessoas que passaram por um a perda sem elhante pode ser confortador, se elas tiverem conseguido sobreviver bem ao processo. M uita gente acha que deveria “superar” a m orte de alguém próxim o ou im portante, e que é um a prova de fraqueza sentir-se triste e co n stern ad a depois de alguns anos. Diz-se às vezes que se deve deixar o m orto “p a rtir”. Isso é inútil e pouco realista. Sua relação com essa pessoa, viva ou m orta, é um a parte im portante de você, e não há com o erradicá-la - ou a pessoa - de sua vida simples­ m ente porque você não a vê mais. E preciso conservar sua relação com o m orto. A pessoa pode estar m orta, mas a relação continua bem viva, e não é preciso m atar tam bém a si m esm o abrindo mão da própria vida. Você precisa continuar m antendo um a ligação do seu próprio jeito, de m odo a p o d er viver de um a form a plena. Viver a vida pela m etade porque se p erd eu alguém especial é algo a ser combatido.


140 Lidar com o passado

Tristeza oculta ou não reconhecida Muitas pessoas sofrem dos sintom as de tristeza sem que esses sejam reconhecidos. E com plicado viver em um a cultura que va­ loriza seguir adiante, “acabar logo com isso”, en fren tar os fatos e evitar a vulnerabilidade ou a dem onstração de emoções. Tris­ teza, luto e p erd a não são facilm ente com preendidos - a não ser p or aqueles que têm que passar p o r essa experiência devastadora e dolorosa. Isso quer dizer que a tristeza de muitas pessoas nem é percebida e não é considerada. Fica subm ersa e tom a a form a de sintomas variados - que parecem não ter ligação com a situação que os originou. A tristeza não reconhecida inclui as perdas que não foram to­ talm ente lamentadas, e a tristeza duradoura é causada por um a perda significativa. Q ualquer perda significativa tem conseqüên­ cias imprevistas e complexas quanto à sensação de ego e identi­ dade, que será alterada para sem pre pela perda dessa relação e oportunidade. A tristeza oculta tam bém inclui as perdas que não foram corre­ tam ente identificadas ou percebidas. Como a “síndrom e do ninho vazio”, que é a tristeza dos pais quando os filhos deixam a casa paterna para, por exemplo, ir para a universidade. As razões que levaram os jovens a partir podem ser positivas, eles estão progre­ dindo na vida, mas seus pais se sentem abandonados. Não é apenas o fato de a casa já não ser ocupada pela desordem adolescente ou de os pais se sentirem solitários sem eles. Os pais são obrigados a enfrentar um a outra perda, mais interior, de serem pais de um jo ­ vem dependente. Ninguém mais precisa deles diariam ente. Parte da identidade dos pais foi construída em torno do fato de serem pais, e, po r algum tem po, podem não saber mais quem são ou para que vivem, sem filhos para cuidar. Precisam de algum tem po para reconhecer e vivenciar esse luto e poder criar outro espaço em que novas atividades e um novo sentido de identidade se enraízem. O utra fonte de tristeza oculta é a perd a da infância. Até a mais feliz e saudável das crianças é um pouco perdida pelos pais quando passa da infância à adolescência. A antiga relação nunca se restabelece. E os adolescentes tam bém sentem isso - ficam con-


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 141

fusos, sem saber se preferem a segurança da infância ou ser livres e independentes.

Moira sofreu de tristeza oculta q ua n do sua filha de 3 0 anos, Jacqui, fez um aborto. Em bora apoiasse a decisão da filha e cuidasse dela depois, M oira, em particular, calava, m as lam entava o aborto. Isso porque o aborto representou o fim de sua expectativa de se to rn a r avó, e porque alim entava a fantasia de d e d ica r aos netos o te m po que não tinha podido d e d ica r aos próprios filhos. O com p a nh e iro de Jacqui não estava interessado em te r filhos, e am bos levavam um estilo de vida agitado. O fato de Jacqui se sentir horrorizada ao d esco brir que estava grávida aborreceu M oira, m as ela sabia que não seria prud en te d ar sua opinião pessoal. E teve que conviver com a tristeza da ideia de que talvez nunca seria avó. e^>

U m a característica da tristeza oculta é que só pode ser com ­ partilhada com algumas poucas pessoas. Trata-se na verdade de tristeza pelo próprio futuro, um futuro perdido ou que m udou totalm ente.

Você sofre de tristeza não resolvida ou oculta? A quantas destas perguntas você responderia sim?

1 Você se sente ofendido, m agoado ou zangado por razões aparentem ente pequenas ou insignificantes - por exem plo, alguém esbarra em você na rua e você perde o controle?

2 Chora à toa, por exem plo, ao ler ou assistir a histórias, de pessoas que, ao que parece, não têm q u a lq u e r ligação com você?

3 Sente-se invadido por fortes sentim entos que brotam "sem m otivo a lg u m ” ? 4 Sente necessidade de e scon de ra lg u n sse n tim e n to s, tais com o vu ln era b ilid a de ou vontade de chorar?

5 Sente-se mal ou triste perto de pessoas que ina d vertidam ente o fazem lem brar-se de alguém que você perdeu? Evita situações desse tipo?


142 Lidar com o passado

6 Conta m uitas histórias a respeito do passado, às vezes repetindo a m esm a história que as pessoas já ouviram antes? 7 Tem uma sensação insistente de rem orso ou culpa que parece bloqueá-lo? 8 Você se tranca em si m esm o ou se refugia em um m undo de fantasia quase q ue diariam ente? 9 Acha difícil fazer planos construtivos e otim istas para o fu tu ro e pô-los em prática?

Contagem de pontos A quantas perguntas respondeu “ s im ’'? ______ 1 -3 Todos nós tem os q ue enfre n ta r co ntin ua m e nte perdas e m udanças, e, em bora essas já o te n ha m afetado, você está ciente do fato e lida com o problem a da m e­ lhor m aneira possível. Mas não se esqueça de se c u id a r nessa área. Não passe por cim a da sua se nsibilidade nem diga a si m esm o para deixar de ser tão bobo e não pensar nisso. Ouça o que seus sentim entos estão te n ta nd o lhe dizer nessas situações. Existem coisas de que você precisa ou pelas quais anseia? Precisa de te m po para dar atenção aos seus sentim entos e entendê-los?

Acima de três Você sofreu perdas e dificu ld a de s, e é possível q ue ainda não tenha se conform ado com algum as delas. Você pode até apa ren ta r ser forte d iante de tudo, m as será que está te n ta nd o ignorar alguns de seus sentim entos m ais profundos? Sente-se cu lp ad o ou zangado por algum a coisa que aconteceu no passado? Acredita que as coisas não podem m elhorar ou que você não tem ânim o para um recom eço? Você estaria, com efeito, im p edindo-se de levar a vida adiante porque velhas perdas e problem as ainda o bloqueiam ?

Dicas para sobreviver à tristeza E m u ito difícil e n fre n ta r u m a tristeza que custa a passar. E im ­ p o rta n te re c eb e r toda ajuda e todo apoio necessários e re c o rre r aos outros sem pre que precisar.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 143

É muito im portante enxergar benefícios em sua perda e com preender o que ganhou com isso; os que agem dessa form a recuperam mais facilmente o bem-estar. Conseguem superar m elhor a dor do que aqueles que se sentem vítimas ou se com portam de m aneira totalm ente negativa em relação à perda. Escreva a história da sua perda. E nfrente os sentim entos difíceis e traduza-os em palavras. R em em ore os fatos relativos a essa perda e escreva contando com o tudo aconteceu. O processo vai suscitar em oções negativas e, inicialm ente, pode fazê-lo sentir-se pior. E ntretanto, com o passar do tem po, você n otará que houve benefícios significativos. P oder contar a história da perda de form a coerente o ajudará a aceitá-la melhor. Fale sobre a sua perda, procure ter muitos contatos sociais e não se isole. Escolha amigos e com panheiros compreensivos com os quais se sinta à vontade para falar. Tire algum tem po para pensar em suas perdas, para poder estar sem pre em dia com seus sentim entos a respeito delas. Perm ita a si mesmo tirar algum tem po para sentir essa dor, de m odo que ela não o surpreenda quando você m enos estiver esperando. M antenha um diário com seus sonhos e lem branças e com suas reflexões sobre eles; sem pre que se lem brar de algo novo, dê-lhe tem po e espaço. Faça algum a coisa especial e significativa que funcione como um a reação direta e como um a afirmação a respeito do que aconteceu. Reserve um lugar em sua casa e em sua vida para reviver e celebrar suas lembranças. Por exem plo, um lugar especial para guardar objetos queridos. Não deixe de falar nas pessoas que m orreram e não deixe que elas sejam esquecidas. Faça algo criativo relacionado a certas características da pessoa que você perdeu e que m ostre o que sente e pensa dela. Escreva ou fale com elas.


144 Lidar com o passado

■ Seja paciente; esse é um processo para a vida toda e nunca termina. " Caso ainda se sinta culpado, peça ajuda, pois a culpa pode bloqueá-lo durante anos. H Invista em novas amizades e ocupações; utilize a oportunidade para realizar m udanças positivas e recom eçar a vida. ■ Também pode ser de grande ajuda procurar pessoas que passaram p o r problem as semelhantes.

Estresse pós-traumático Pessoas que passaram p o r experiências traum atizantes, como estupro, assaltos, tornados ou acidentes, podem se recuperar ra­ pidam ente dos efeitos físicos do traum a. E ntretanto, há pessoas que sentem mais dificuldade em se recu p erar dos efeitos em o­ cionais e psicológicos, que podem d u rar meses ou anos. Podem desenvolver um a síndrom e conhecida com o distúrbio de estresse pós-traumático (DSPT). Muitas delas apresentam um a versão leve e nem chegam a perceber que estão sob o efeito da síndrom e. E nfrentar os sintom as do DSPT é m uito sem elhante a lidar com os efeitos da perda. Pessoas traum atizadas necessitam en ten d er o que lhes aconteceu. Precisam encarar sentim entos difíceis, que podem ser de tristeza, desespero, culpa, vergonha, raiva, hum i­ lhação, im potência ou m edo. E im portante que reconstruam a história do que aconteceu, do m odo com o o enfrentaram na hora e de com o se sentem atualm ente. Precisam recu p erar a noção de controle sobre sua vida. Necessitam revelar e com partilhar os sentim entos dolorosos a respeito do que se passou e falar com pessoas solidárias e compreensivas. H á evidências de que o DSPT costum a ser mais grave em pes­ soas que já passaram p o r experiências perturbadoras antes desse incidente traumático, tais como perdas durante a infância. Nesse caso, os acontecim entos precedentes deverão ser relem brados e incluídos na história do que lhes aconteceu. E m uito bom ter com quem falar logo após o acontecim ento. Tal com o acontece quando se sofre um a perda, as pessoas encontram forças se p u ­


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 145

d e re m e n te n d e r o significado do incidente, e lucrarão m uito se tira­ rem disso algum e n sin am en to . R elem b rar um tra u m a traz com o resu ltad o m u ita p e rtu rb a ç ã o em ocional, o q u e o b rig a as pessoas a reavaliarem to d a a sua vida e a p e n sa r de fo rm a diversa sobre si m esm as. P ode tam bém fazê-las sentir-se m u ito isoladas, p o rq u e se sen tem sozinhas nessa ex p eriên cia. E screver o u falar sobre sua h istó ria é essencial p a ra que possam se re o rg a n iz ar e sentir-se li­ gadas às dem ais pessoas. O que não é entendido reaparece inevitavelmente sob a forma de um fantasm a esquecido e não pode descansar enquanto o mistério não fo r resolvido e o encanto quebrado. Sigm und F reu d (1909) Tal com o aco n tece com a p e rd a , o traum a, p a ra ser cu rad o , p e d e aten ção cuidadosa. Precisam os de te m p o p a ra la m e n ta r o q u e nos a c o n te c eu e p a ra c o m p re e n d e r com o m u d am o s em co n ­ seq ü ên cia disso. T udo in d ica que os q u e se re c u p e ra m b em de aco n tecim en to s traum áticos são os que co n seg u em c o m p re e n d e r b em os fatos e suas p ró p rias reações a ele. Essas pessoas sabem d a r u m sen tid o ao q u e aco n teceu .

Como reconhecer os sintomas do DSPT ■ ■ H ■ ■

Tem dificuldade em dorm ir? Você se irrita com facilidade? Sente dificuldade em se concentrar? Está sem pre vigilante? C ostum a reviver a experiência traum ática? P o r exem plo, tem sonhos, flashes de m em ó ria ou im agens re co rren tes que o fa­ zem sofrer? ■ Sente angústia física ou psíquica q u a n d o algum a coisa o faz lem brar-se do fato, m esm o que in d iretam en te? ■ Evita sentim entos, pensam entos, pessoas, atividades, lugares o u situações que o fazem lem brar-se do traum a? * Não consegue lembrar-se de um aspecto im portante do trauma?


146 Lidar com o passado

■ H ■ ■

R eduziu a variedade de seus interesses e atividades? P erd eu a esperança no futuro? Tornou-se mais desligado? Sua capacidade de se expressar em ocio n alm en te se to rn o u mais lim itada e restrita? ■ Passou a te r pensam entos e co m portam en to s obsessivos? Se você apresenta mais do que três desses sintom as de form a c o n tín u a e persistente, e se esses sintom as surgiram depois de você te r passado p o r um a experiência traum ática, seria b o m p ro c u ra r ajuda. Todos nós podem os a p re se n ta r esses sintom as tem p o raria­ m en te, mas se eles persistem d u ra n te meses, isso significa que você necessita de mais ajuda e apoio p ara se recuperar.


CAPÍTULO 5

Felicidade, alegria e criatividade A felicidade nos faz bem . Extensas pesquisas j á p ro v aram que p e n sa r positivam ente e sentir-se bem consigo m esm o nos faz mais criativos, nos dá m aio r capacidade de resolver p ro b lem as e co n ­ flitos e nos faz p e n sa r de m a n eira m enos rígida. As pessoas felizes são m ais generosas e solidárias com o p ró x im o e resolvem os p ro ­ blem as de m o d o m ais eficiente e com pleto. Existem algum as coisas que podem os fazer todos os dias, sem m u ito esforço, p ara elevar nosso nível de bem -estar e felicidade, e desse m o do a u m e n ta r nossa eficiência. Reagim os rap id am en te ao am b ien te que nos cerca e a peq u en o s fatos que m elh o ram nosso estado de espírito - pense em com o se sente d iferen te se alguém lhe diz u m a palavra gentil ou lhe dá u m p resen tin h o . A alegria é algo mais p ro fu n d o do que aquele tipo de felicida­ de que varia segundo as circunstâncias. E u m a q u alidade o u dom in trín seco que vem do fato de estarm os vivos e n ão d e p e n d e ap e­ nas das condições externas. Assim, podem os sen tir m o m en to s de alegria m esm o q u a n d o estam os passando p o r tem pos difíceis. Sen­ tir alegria é um direito humano, m uitas vezes negligenciado o u su­ bestim ado. C ostum am os achar que tem os que nos c o n te n ta r com algum as m igalhas, em lugar de nos sentarm os à m esa p a ra partici­ p a r do b a n q u ete com pleto. A alegria não é o tipo de coisa p ara a qual tem os tem po e disposição se apenas sobrevivemos, lutam os, “vamos in d o ” e “d a n d o co n ta do re c ad o ”. Será que é isso mesm o? Será que a alegria tem que d e p e n d e r das coisas que possuím os, ou d e p en d e da nossa disponibilidade p ara viver em estado de c o n ten ­ tam ento, assim com o fazer u m a pausa p ara sen tir o p erfu m e das flores en q u an to cam inha, sentir-se grato e ap reciar a co m p an h ia das pessoas que vê diariam ente e talvez n ão valorize devidam ente? Q uem decide o que tem os o direito de apreciar, e quando? Alguns de nós fom os criados em um am b ien te influenciado pelo p en sam en to calvinista ou p u ritan o . U m a das ideias centrais


148 Felicidade, alegria e criatividade

dessa filosofia, transm itida através das gerações, é a de que tem os que tra b a lh ar d u ro p a ra m e re ce r q u a lq u er coisa, e q ue a alegria, o descanso e o prazer, com o um fim em si m esm os, são coisas frívo­ las, u m a p e rd a de tem po ou auto in d u lg ên cia - isso se p arece com a opinião de que o sexo deve servir apenas à procriação, em vez de ser u m prazer.

Liberdade Q uantas vezes agim os livre e e sp o n tan eam en te e fazem os coi­ sas sem ser obrigados pela p reo cu p ação ou pela necessidade? U m ato e sp o n tân eo de vontade não é algo condicio n ad o pelo m edo, p ela expectativa ou pelo dever, mas serve com o form a de autoexpressão criativa (não m e refiro aqui a atos de p u ro egoísm o que incom odam , ab o rrecem ou prejudicam outras pessoas). Fazer u m a opção pessoal p ela liberdade exige coragem e decisão. P or exem ­ plo: d ecidir que deseja a b an d o n a r u m a carreira lucrativa, p o rém estressante, e a p re n d e r u m a profissão q u e lhe dê um m aio r sentido de realização e satisfação pessoal. O u tirar um dia de folga, não p o rq u e q u e r sim plesm ente m atar trabalho, mas p o rq u e q u e r m ui­ to passar esse dia com um a pessoa especial. O u dizer o u fazer u m a coisa p o u co convencional e inovadora, usar o p en sam en to criativo o u sugerir algo novo que p o d e m e lh o ra r a qu alidade de vida de todos. Muitas vezes, o que nos im pede de agir assim é o m edo de u ltra­ passar os lim ites da prisão que construím os p a ra nós m esm os. Nós nos to rnam os criaturas prisioneiras do hábito. A teo ria do falso ego é p o p u la r en tre os psicólogos. Segundo essa teoria, h á dois m étodos de educar. U m pelo qual o indivíduo é m old ad o e trein ad o p a ra “ser” e “fazer” o que se esp era dele; com o resultado, a pessoa desenvolve um ego falso e co m p lacen te que se am olda às exigências externas e, com isso, conquista aceitação, aprovação e a sensação de ser u m a pessoa ajustada e sem elh an te às pessoas do seu m eio. C rianças às quais só é oferecido am o r e acei­ tação condicionais - isto é, só se sentem v erd ad eiram en te am adas q u a n d o satisfazem certas condições que lhes são im postas, do tipo “Seja b o azin h a” ou “Fique q u ieta e m e deixe em paz” - p o d em


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 149

crescer p en san d o que não m erecem ser am adas e que devem se c o m p o rta r de d e term in a d a m an eira p ara o b te r o am o r e a atenção de que necessitam . P odem sentir-se m ortas e vazias p o r d e n tro , têm baixa autoestim a e esperam p o uco da vida. O o u tro tipo de educação oferece à criança, d e n tro de u m li­ m ite p ru d e n te , u m espaço livre de pressões externas, p a ra brincar, fantasiar e descobrir q u em é. Dão-lhe a o p o rtu n id ad e de ex p lo rar e a p re n d e r p o r si m esm a, e ela cria a certeza de que, m esm o que alguns dos seus co m portam entos sejam reprovados pelos adultos, é p ro fu n d am e n te am ada e amável pelo q u e é. E m b o ra u m a criança e d u cad a dessa form a tàm bém possa a p re n d e r a m entir, a ad ap tar seu co m p o rtam en to às expectativas de o u trem e a m an ip u lar pes­ soas p a ra o b te r o que quer, seu falso ego será m enos im p o rtan te p a ra ela e não d e term in a rá tan to seu co m portam en to . Talvez ten h am o s todos u m a p e q u e n a dose de falso ego, j á que precisam os re p re se n ta r u m p a p el em certas horas. N o ro m an ce Guerra e paz, Tolstói descreve um h o m e m q u e vive u m a vida de so frim en to , opressão e dificuldades. O q u e ele acaba a p re n d e n d o é q u e o mais im p o rta n te é e n c o n tra r a lib e rd a d e in te rio r p ara p o d e r d irig ir do seu je ito a p ró p ria vida e am ar. O p io r vai a co n te ­ c e r a todos nós: vam os todos m o rrer, e n a d a n e m n in g u é m p o d e a lte ra r isso. Se viverm os com essa ideia em m e n te , sab en d o que o tem p o p o d e nos faltar, serem os capazes de apro v eitar ao m áxim o o q u e tem os aqui e agora. Os filósofos existencialistas co n sid era­ vam q u e esta é a essência absoluta da lib erd ad e: fazer de nossa vida o q u e quiserm os.

Curiosidade As crianças vêm ao m u n d o p ro n tas p a ra fazer perguntas. São desbravadoras e aventureiras. Vivem cheias de curiosidade criativa e q u erem saber tudo. Com efeito, pesquisas m ostram que os bebês são excelentes aprendizes desde seu p rim eiro dia de vida. Tudo o q ue conseguem e realizam n a vida baseia-se nos con h ecim en to s e aptidões que acum ulam . U m pesquisador disse que as crianças buscam respostas a q u atro perg u n tas fundam entais:


150 Felicidade, alegria e criatividade

O que é isso ? Essa p e rg u n ta está ligada à exploração de cate­ gorias e conceitos. B Que coisa leva a outra coisa ? se refere à descoberta de seq ü ên ­ cias. * O que faz as coisas acontecerem ? refere-se à d escoberta de causa e efeito. s Que coisas podemos controlar? refere-se às aptidões.

Essa curiosidade n atu ral é um a excelente fe rra m e n ta p a ra a sobrevivência, que p erm ite que as crianças c o m p reen d am o seu m u n d o e o b te n h am o que precisam . P o r que tentam os lim itar as p erg u n tas das crianças o u nos sentim os entediad as p o r elas?

Alegria A felicidade, o p razer e o êxtase fazem p a rte d a alegria. En­ tretan to , alegria é mais do que sim ples prazer; n ela está im plícito tam bém o nosso direito de escolher e o p ta r pelo co n ten tam en to , a felicidade e o prazer. Sentir alegria nos dá a o p o rtu n id ad e de to m ar co n h ecim en to de um a faceta da nossa n atu reza que já está p resen te em nós. Escolhem os pessoas, atividades e objetos que nos p erm item sentir e particip ar da alegria, do êxtase, do p razer e do co n ten tam en to . C ada indivíduo é um canal individual p a ra a alegria e o co n ­ te n tam en to , que é revelado p o r suas relações e escolhas positivas de atividades e objetos externos de todo tipo, que ex prim em sua ideia de ego. E fácil percebê-lo em pessoas ocupadas com algum as atividades que causam p razer intenso e entusiasm o, tais com o surfe o u esqui, ou o p razer q u e sente um am ante desses esportes d ian te de u m a p ra n c h a ou um esqui novo. C rescer e evoluir trazem consigo m aior capacidade de sentir o p razer de viver. Schutz, u m psicólogo radical que escreveu n a d écada de 1970, descreveu a alegria com o “um p razer q ue b ro ta da realização do m eu p o ten cial”. As pessoas mais instruídas declaram , n a vida adulta, te r um m aio r sentido de realização do que os que rejeitaram a instrução ou a profissionalização, pois são reco n h eci­


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a sí mesmo 151

das e pagas de acordo com seu investim ento n a aquisição de sabe­ doria, c o n h ecim en to e com petência. Se passarm os tem p o suficiente nos divertindo, provavelm ente serem os m enos negativos, invejosos ou destrutivos. E ntão, p o r que isso seria considerado auto in d u lg ên cia ou p e rd a de tem po? Por que é “m e lh o r” fazer um trab alh o m açante do que o cu p ar o tem po fazendo aquilo de que se gosta? U m a das m elh o res coisas d o m u n ­ do é sentir-se to talm ente absorvido em fazer algo que realm en te se gosta de fazer.

Qual é o seu quociente de alegria? Pense cu idadosam ente nestas perguntas para a qu ila ta r se você reserva um espaço razoável em sua vida para a alegria espontânea e o prazer. M arque todas as perguntas às quais você respondeu "S im ” .

Tem certeza de que sabe atuar bem em seu a m b iente habitual?

A cha que consegue lidar de form a com p e te nte com várias situações?

A cha que tem ocasião de pôr em prática m uitos de seus talentos?

Tem a opo rtu nid ad e de expressar livrem ente seus sentim entos?

I— | Tem te m p o suficie nte para as coisas q ue considera m ais im portantes para —

você?

Tem am izades variadas, positivas e enriquecedoras?

Acha q ue participa significativam ente de sua c o m u n id a d e com o um todo?

Sente prazer e alegria regularm ente e tem te m po para se divertir?

Sente algum tip o de ligação espiritual com a vida?

I— | Você acredita q ue trabalha ativam ente para a lca nça r sua realização pessoal, — 1 em ocional ou criativa?


152 Felicidade, alegria e criatividade

Contagem de pontos Q uantos pontos você m arcou sobre 1 0 :______ O que você pode fazer para cria r em sua vida m ais opo rtu nid ad e s para se sentir alegre?

Você é infeliz? Por que tanta gente se sente infeliz ou não realizada? Antes de exam inarm os a fe licidade, vam os d ar um a olhada na infelicidade. A lgum as de suas causas bási­ cas já foram identificadas. Caso se ide n tifiq u e com q u a lq u e r das seguintes causas de infelicidade, você pode - com um pouco de esforço - alterá-las com pletam ente. Todos estes fatores podem ser alterados desde q ue você os ide ntifique. 1 Você é irracional? Baseia suas decisões e atitudes cotidianas em m otivos ilógi­ cos ou infundados? Suas atitudes e opiniões o enfraquecem ou prejudicam ? 2 Você projeta sua versão da realidade nas pessoas e nos fatos? Por exem plo, im agina que seu novo nam orado ou nova nam orada será seu par ideal para toda a vida antes m esm o de co n h e ce r bem essa pessoa? Você se recusa a perceber que seu novo e m aravilhoso sócio o está enganando? 3 Sua vida é lim ita d a pelo m edo? Você evita d e lib e ra d a m e n te ir em busca de seus valores e sco lh id o s ou suas m etas e p ro cu ra d e lib e ra d a m e n te e vita r q u a lq u e r esfo rço , m u d a n ç a , ro m p im e n to , perda e dece p çã o ? Você é m otiva d o por a lgum destes m edos: m ed o do novo, m edo de m u d a n ça s, do fu tu ro , da d ife re n ç a , de se r ju lg a d o ou c ritic a d o , de d e fe n d e r a si m esm o , m ed o do sucesso, do fra ca sso ou da d e c e p çã o , de e sta r e rra d o, de d iz e r a ve rd a d e , m edo da so lidã o , do e sfo rço ou d is c ip lin a , m edo do so frim e nto? 4 Você acha que não “ vale a p en a ” esforçar-se por um a coisa difícil? Vive de m odo a fazer o m enor esforço em certas áreas?


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 153

5 Não percebe que pode ganhar a própria fe licida d e por m eio de pensam ento e planejam ento, de acordo com seus próprios valores?

6 Tem má opinião de sua própria eficiência e habilidade? 7 Tem a im pressão de que seu estado de ânim o e suas atitudes são controlados por outras pessoas ou por a contecim entos externos?

8 Prefere fu g ir dos problem as que precisam ser solucionados e dos desafios que precisam ser enfrentados? 9 Tem um a a titude pessim ista a respeito da possibilidade de conseguir o que realm ente deseja?

Tijolos p ara construir sua felicidade De acordo com pesquisas recentes, há coisas específicas que você pode fazer para construir sua felicidade, e outras que redu­ zem suas chances de ser feliz. Por exemplo, na idade adulta, o dado mais im portante para determ inar até que ponto as pessoas são fe­ lizes é saber se m antêm um bom relacionam ento. Isso leva a crer que vale a pena fazer dos seus relacionam entos um a prioridade im­ portante. Esteja você m antendo ou não um relacionam ento a dois, os relacionam entos positivos são mesmo essenciais. Com efeito, um relacionam ento extrem am ente satisfatório pode com pensar outros fatores da vida ligados à infelicidade, como problem as financeiros. O utro fator que leva a prever felicidade e bem-estar é o grau de instrução de um a pessoa. Tudo leva a crer que quanto mais instruído você for, m aior será sua probabilidade de sentir que tem um propó­ sito na vida e que se considere realizado. Vamos supor que você tenha decidido que a felicidade é a sua m eta e o resultado que deseja obter dentro de cinco anos. Você estaria disposto a mudar? Acredita que pode ser feliz e que tem direito á felicidade? O questionário que virá a seguir é baseado nos fatores que aparecem em muitas pesquisas sobre a felicidade, os quais dem onstram que existem fatores definidos que influenciam as pessoas a se considerarem felizes ou não. Por exemplo: até certo ponto, o dinheiro faz as pessoas felizes. A falta de dinheiro também


154 Felicidade, alegria e criatividade

p o d e fazê-lo sentir-se infeliz. Mas, um a vez atingido u m nível de vida confortável, o au m en to da riqueza não traz mais felicidade. Sentir-se realizado e valorizado e p o d e r d ar contribuições à sua co­ m u n id ad e e à sociedade p arecem ser fatores m uito mais ligados à felicidade. As pessoas que construíram do n a d a u m a em presa bem -sucedida e depois a v enderam p o d em se sen tir desoladas sem ela e dizer que o d in h e iro n ão com pensa a p e rd a do sentido de valori­ zação e propósito. R esp o n d er a estas p erg u n tas - algum as das quais p o d em provo­ car m uita reflexão - vai forçá-lo a passar algum tem p o p e n san d o no que faz felizes as pessoas. E em particu lar o que o faz sentir-se feliz e com o conseguir au m en tar essa sensação. Algumas das perg u n tas n ão serão do tipo que lhe viriam logo à m en te ao p en sar n a palavra felicidade. Se p erguntarm os a várias pessoas o que as faria felizes, m uitas responderiam : “G an h ar n a lo te ria ”. N o en tan to , pesquisas com g an h adores da lo teria não m ostram que a m aioria delas esteja mais feliz do que o restante de nós. Talvez você possa se divertir fazendo estas perg u n tas a outras pessoas, além de a você m esm o, e com isso realizar sua p ró p ria pesquisa sobre felicidade. Parece que a felicidade consiste em te r condições razoáveis de vida e u m a atitude feliz. P or sua vez, u m a atitud e feliz é em g ran d e p a rte d e term in a d a p o r nossos valores e m etas e pelo co m p o rta­ m e n to que resulta disso. A felicidade tem a ver com o m o d o com o você se relaciona com o seu m undo. P or exem plo, pessoas m uito p obres do T erceiro M undo declaram que são m u ito felizes, j á que esse nível de po b reza é n o rm al e não in te rfe re com outros aspectos d a vida delas que influenciam o m o d o com o elas se en xergam q u e tem a ver com u m a vasta re d e social o u com cren ças e sp iri­ tuais. Essas pessoas aceitam sua situação e não p e rd e m m uito tem ­ p o desejando u m a vida diferente. E o fato de não aceitarm os a nós m esm os, nossa vida ou nossa situação que cria mais infelicidade, aliado a um a ausência de m etas positivas. Com efeito, podem os dizer que esta p o d e ser a arte da felicidade: atingir u m estado de aceitação daquilo que se tem , e, ao m esm o tem po, esforçar-se p ara alcançar m aior realização naquilo que fo r possível.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 155

Até que ponto ¥ocê é feliz? Questionário da felicidade Em cada pergunta, trace um círcu lo em torno de um núm ero, depois som e tu d o no final.

Dinheiro - Você possui o suficiente para satisfazer às suas necessidades e, conse­ quentemente, não se preocupa com ele? 4

No m eu caso, isso é um a verdade absoluta

0

Para m im é parcialm ente verdadeiro

2 1

Não é o m eu caso, m as estou m e esforçando para ganhar mais

Voc ê gasta dinheiro em loteria? 3

Não, nunca

O

oirn,

0

Sim, toda sem ana

a S V 6Z6S

Você aceita sua situação na vida e se sente feliz com ela? 4

Sim

n

Não

Sen te-se realizado em seu trabalho ou em sua ocupação rotineira, e utiliza nele mu tos dos seus talentos? 4 on

Lsse e em pane o m eu caso

2

Esse não é o m eu caso

Esse é bem o m eu caso

1 Não é de m odo algum o m eu caso. Trabalho para viver, não vivo para trabalhar

Você tem algum relacionamento com uma pessoa que você ama e na qual confia que o ajuda a sentir-se feliz? 4

No m eu caso, isso é um a verdade absoluta


156 Felicidade, alegria e criatividade

3

Para m im é p arcialm ente verdadeiro

2

Não é o m eu caso, m as eu gostaria que isso acontecesse

0

D efinitivam ente não é o m eu caso

Família - Minha vida familiar [incluindo as crianças, se você tem filhos] é rica e compensadora; adoro passar meu tempo com eles. 4

No m eu caso, isso é to ta lm e n te verdadeiro

3

No m eu caso, é parcialm ente verdadeiro

1 Não é verdade no m eu caso, m as eu gostaria que fosse 0

Não é verdade no m eu caso, nem sei com o poderia vir a ser assim

Amizades e apoio - Tenho muitos amigos, muitos dos quais diferem entre si, e culti­ vo ativamente essas relações. 4

Essa situação se parece m uito com a m inha

3

Essa situação se parece bastante com a m inha

1 Essa situação não se parece com a m inha 0

Essa situação não é nada parecida com a m inha - não te n ho m uita vida so­ cial nem m e relaciono com m uitas pessoas

Instrução - Minha instrução tem sido satisfatória até hoje e me ajuda a realizar meu potencial. 4

No m eu caso, isso é um a verdade, e investi m uito em instrução

3

No m eu caso isso é p arcialm ente verdade

1 Isso não é verdade no m eu caso 0

Isso não é verdade no m eu caso; não m e interesso m uito por cultura

Hobbies/atividades extraprofissionais/interesses: Participo de uma grande variedade de atividades e tenho muitos interesses ou hobbies dos quais gosto muito. 4

Isso se parece m uito com igo

3

Isso se parece um pouco com igo

0

Isso não se parece m uito com igo

0

Isso não se parece nada com igo; não cultivo m uitos interesses


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 157

Existe alguma coisa que você gosta de fazer - pode ser qualquer coisa que não seja prejudicial nem autodestrutiva - que lhe dá a maior adrenalina e para a qual você gostaria de ter mais tempo? 2

Sim

0

Não

Bem-estar - Como você descreveria o que considera bem-estar? Escolha a resposta que mais se aproxima da sua descrição. 5 Sinto-m e saudável, anim ado e adoro viver 4

Sinto-m e bem a maior parte do tem po e aproveito m inha vida

3

Às vezes me sinto desanimado, mas, em geral, procuro ver o lado bom das coisas

1 Eu não diria que me sinto bem a m aior parte do tem po

Saúde - Você goza de boa saúde e cuida bem de si mesmo? 4 3 2 0

Sou saudável e bem -disposto e prefiro um estilo de vida saudável G eralm ente cu id o bem de m im m esm o, m as gosto ta m bé m de gozar as co i­ sas boas da vida Tenho alguns problem as de saúde, m as esforço-m e para viver bem apesar disso Saudável ou não, não dou atenção à m inha saúde e faço regularm ente coisas que sei q ue não m e fazem bem

Televisão: quanto tempo em média você passa por semana vendo TV ? 4

M enos de q ua tro horas

3

De q ua tro a dez horas

2

Dez horas ou mais

0 Vejo TV quase que o te m p o todo

Noção de autonomia: até que ponto você acha que é dono da própria vida? 5 A cho que sou dono da m inha vida até onde isso é possível 3 2 0

Gozo de bastante autonom ia em m inha vida, em bora ainda perm ita que os outros m e influ en ciem m ais do que desejo Gozo de algum a autonom ia, m as ela é restrita Não te n ho o direito de o p in a r m uito sobre m inha vida, e não posso fazer nada para m ud a r isso


158 Felicidade, alegria e criatividade

As pessoas costumam descrevê-lo como uma pessoa alegre e animada? ¥ocê ri muito ou faz rir os outros? 4

G eralm ente sou m uito a nim ado e rio m uito

3

Sou a nim ado a m aior parte do te m po e rio às vezes

2 Sou do tipo norm al, m as não diria que rio tanto assim 0

Não acho q ue sou a nim ad o ou que tenho m uita coisa para m e fazer rir

¥ocê se culpa ou critica quando as coisas dão errado, quando comete um erro ou não acerta alguma coisa logo de saída? 4

Não

2 Sim , algum as vezes 1 Sim, m uitas vezes 0 Sim , o te m po todo

0 que aprendeu com a experiência: você diria que aprende muitas coisas com suas experiências de vida e que isso, com o tempo, provoca mudanças em seu modo de agir? 4

Sim , m uitas vezes; m udei m uito por causa das coisas que aprendi

3

Sim, aprendo com a experiência; costum o pôr em prática parte do que aprendo

2

Eu aprendo um as coisas, mas, na prática, isso não m uda m eu jeito de agir

0 ■Aprendo coisas, m as são outras coisas que têm que m udar, não eu

Autoimagem - Você diria que a imagem que tem de si mesmo se parece com a ima­ gem que os outros têm de você? Ou é diferente? 3 0

Pelo que sei, a m aneira com o os outros m e veem co in cid e m uito com a m a­ neira com o eu m esm o m e vejo A cho que há um a grande diferença entre a pessoa q ue sou interiorm e nte e a quilo que os outros veem

Nuni dia normal, quando não há nada realmente difícil a enfrentar, como você se sente? 4

A cho que o dia vai ser ótim o

O Eu m e sinto bem com essa possibilidade 0

Não acho que o dia vai ser m uito bom

0 A cho que vai ser um dia péssim o


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 159

Os outros diriam que você é um otimista ou um pessimista? 4 3

Um otim ista. Vejo o lado bom de quase tu d o e te n ho esperanças no fu tu ro ; as pessoas com entam o m eu jeito radiante e dizem que vejo tu d o cor-de-rosa Um otim ista, em bora seja tam bém realista q ua n d o necessário

1 Nem um a coisa nem outra; encaro a vida com o ela é 0

Há problem as sérios em excesso e não vejo m uita coisa q ue possa m e deixar otim ista

Quando tem que tomar uma decisão, quem você leva em consideração? 3

Faço o que é m elhor para m im , m as sem pre levo em consideração o ponto de vista dos outros, e de q ue m odo a m inha decisão irá afetá-los

1 Penso m ais nos outros do que em m im m esm o 0

Penso m ais em m im m esm o

Conseguiu realizar algum dos seus sonhos e desejos infantis? 4

M uitos deles

3

A lguns deles

1 N enhum 0

Não m e lem bro de te r tid o sonhos e desejos

Seu trabalho ou sua vida cotidiana lhe dão a oportunidade de ajudar outras pessoas? 4

Sim, passo m uito te m po cu id a n d o de outras pessoas e ajudando-as

3

Sim, passo parte do m eu te m p o cu id a n d o de outras pessoas e ajudando-as

0

Não o cupo m eu te m po cu id a n d o de outras pessoas e ajudando-as

Sente-se valorizado e apreciado tanto pelo que faz quanto pelo que é? 4

Sim, dura nte boa parte do tem po

3

Sim, às vezes

1 0

Às vezes me sinto apreciado, m as acho que os outros não m e valorizam o su ficiente M uito raram ente m e sinto apreciado ou valorizado pelo que faço

Tem um credo espiritual ou se interessa por assuntos espirituais, e isso o tem ajudado? 3

Sim

0

Não - ou eu não sei


160 Felicidade, alegria e criatividade

Contagem de pontos Escreva quantos pontos você m a rc o u :____

Mais de 70 Você é alguém excepcionalm ente feliz - e já deve saber disso. Todos nós com praríam os o que você tem , se fosse possível engarrafá-lo - um tem peram ento radiante somado a uma atitude positiva, m uita autoconfiança, acredita firm em ente nas coisas pelas quais se esforça e tem uma boa dose de sorte. Você foi m uito dinâm ico durante toda a vida e ama os dividendos que isso lhe trouxe. Sem querer deixá-lo m uito convencido, há m uita coisa que as pessoas podem aprender com você a respeito de com o conseguiu aprim orar a própria vida e fazer dela algo com pensador e divertido.

50-70 Você é um a pessoa e xcepcionalm ente feliz e geralm ente é anim ado, co nstrutivo e faz o m elhor que pode com o que tem . Aproveita a vida e não perde te m po com negatividade ou reclam ações. Você é um a influência positiva.

35-50 Você é geralm ente um a pessoa feliz e gosta de aproveitar a vida ao m áxim o.

Abaixo de 35 Existem períodos em que você não se sente p a rticu la rm en te feliz, e sua contagem de pontos indica que esta talvez seja a hora de fazer algum a coisa para m ud a r essa situação. Será que não encontra um m eio de a ceitar as coisas que não pode m o d i­ fica r e de fazer algo d iferente a respeito das coisas que d ependem de você? Talvez venha passando por tu d o isso m uito sozinho. Que tal escolher um am igo para ser seu “ co m p a nh e iro de fe lic id a d e ” - alguém com quem se a b rir e se divertir? Tente escolher suas atividades e relacionam entos com a intenção específica de aproveitá-los com o colaboradores na construção da sua felicidade.

0 que está atrapalhando sua possibilidade de ser feSiz?


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 161

Escreva um diário de felicidade U m projeto de pesquisa em que foi pedido aos participantes que escrevessem um diário de felicidade m ostrou que aqueles que escre­ veram o diário declararam que se sentiram significativamente mais felizes do que o grupo de controle, que não escreveu o diário. Esse é um m eio simples de se m anter focado em seu potencial de felicidade e de aumentá-lo. Em seu diário, faça a si m esm o perguntas do tipo: ■ O que significa para m im ser mais feliz e contente? a Q uais são os possíveis resultados positivos p ara os aconteci­ m entos desta sem ana? ■ Tornei-m e mais positivo? 13 Estou m e to rn a n d o mais positivo? ■ Sinto-m e mais confiante e criativo? B Estou vivenciando mais coincidências positivas? B C ostum o p re star atenção à m in h a intuição e aos m eus senti­ m entos interiores? H O que te n h o feito p a ra m u d a r positivam ente? H O que estou fazendo p ara te r u m a vida mais feliz?

Imaginação e diversão H á diversão suficiente em sua vida? P o r mais estran h o que p a­ reça, precisam os de diversão p ara serm os saudáveis, tan to n a in ­ fância q u a n to n a vida adulta. Algumas pessoas não têm n a infância o p o rtu n id ad es suficientes p a ra diversão e aventura, e isso p o d e li­ m itar seu re p e rtó rio no futuro. A diversão n ão tem que custar caro necessariam ente, mas exige im aginação, e ficar em casa d ian te da TV não é, definitivam ente, tão divertido assim. Você deixa em sua vida u m espaço p a ra a diversão, a aventura, a exploração e com pa­ nhias interessantes? Estas perg u n tas têm p o r finalidade au m en tar sua p ercep ção da q u an tid ad e de diversão que houve n o passado e que h á hoje em sua vida.


162 Felicidade, alegria e criatividade

1 2 3 4 5 6 1 8 9 10 11

N a infância, o que você fazia para se divertir? O que o fazia rir? Q uais eram suas aventuras mais em ocionantes? O que você mais gostava de fazer? Com que você se divertia e o que o deixava mais anim ado? Q ue tipo de com entário você ouvia dos adultos a respeito da diversão? C om o adulto, o que você considera divertido? Q uais são suas principais form as de se divertir? São bem variadas? Com o você passa a m aior p a rte do seu tem p o livre? Q uem seria um bom co m p an h eiro de aventuras? Se não houvesse problem as de tem p o e d in h eiro , o que você gostaria de fazer?

Criatividade A criatividade é um a m anifestação espontânea d o ego. A p ro p ria vida, vivida de form a autêntica, é um a arte criativa. O rom ancista Joseph C onrad escreveu n a introdução a um a de suas histórias q ue “o artista se dirige àquela parte do nosso ser [...] que é u m dom , e não um bem adquirido - e, p o r isso m esm o, mais d u ra d o u ra ”. Essa nossa parte criativa é um a parte nata do ser, e dura a vida toda. A criativi­ dade não é um a m ercadoria. Todo trabalho criativo é feito ten d o ele m esm o p o r finalidade. Se tem ou não um valor financeiro, isso não é autom aticam ente relevante para ju lg a r seu valor criativo. Até q u e p o n to você é criativo? Tem p o te n c ia l p a ra se to rn a r m ais criativo? As pessoas d ife re m m u ito q u a n to ao p o te n c ia l de criativ id ade q u e d e m o n stra m em sua vida d iá ria e q u a n to ao tip o d e c o n trib u iç ã o criativa q u e d ão ao m u n d o . P o r ex em p lo , h á d i­ feren ças n o tip o e n a q u a n tid a d e de obsessão, paixão e dedicação e m p re g ad a s p o r alg u ém q u e c o m p õ e m úsica co m o profissão e alg u ém q u e co m p õ e u m a can ção o c asio n a lm e n te. Pesquisas n o cam p o d a criatividade investigaram quais seriam as co n d içõ es q u e p ro m o v em a criatividade nos in d iv íd u o s e se a criativ id ad e p o d e ser d e lib e ra d a m e n te desenvolvida e a u m e n ta d a . E stu d a n ­


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 163

do as pessoas criativas, com eçam -se a d istin g u ir os tipos d e p e rso ­ n a lid a d e. Fica claro ta m b é m q u e a criatividad e p o d e ser in c e n ti­ v ada p o r d e te rm in a d a s co n d içõ es. S u rp re e n d e n te m e n te , m uitas pessoas e x tre m a m e n te criativas sobreviveram a co n d içõ es m u ito d istan tes do ideal, tais com o p o b re z a n a in fân cia, privação o u n eg lig ên cia, e u saram essas ex p eriên c ia s do lo ro sas co m o u m a espécie de fo rça m o triz p a ra sua vida e seu tra b a lh o . A b o a n o ­ tícia a esse re sp e ito é q u e n ã o é preciso sentir-se d e se n c o ra ja d o pelas d ificu ld ad es d a vida - p o r ex em p lo , a pressão d o te m p o m as é p reciso lu ta r p elo d ire ito a te r sua p ró p ria fo rm a d e ex­ pressão criativa. N ão é preciso e sp e ra r até “te r te m p o su ficien ­ te ”, o u “um lu g a r a p ro p ria d o ” - sim p le sm e n te faça o q u e p o d e fazer. Se você tem paixões ou obsessões pessoais, é im p o rta n te a rra n ja r te m p o p a ra elas. A criatividade é u m a fe rra m e n ta p a ra tu d o n a vida, n ão ap e­ nas p a ra a “a rte ”, e n ã o tem n a d a a ver com o a rq u é tip o d o “artis­ ta to rtu ra d o ”. As pessoas criativas m ostram possuir certo talen to p a ra viver e sobreviver que lhes p e rm ite p e n sa r p o r si m esm as e e n c o n tra r suas p ró p rias soluções. H á u m a certa ligação e n tre a criatividade e a capacidade de lid ar com os fatores g erad o res de estresse. Pessoas d otadas de p e n sa m e n to criativo sabem e n ­ fre n ta r a falta de a u to co n fian ça e a dúvida q u e sen tem a resp eito do p ró p rio valor, o u os pro b lem as e crises d a vida. E n c o n tra m soluções singulares, feitas sob m edida, p a ra situações q u e outras pessoas con sid erariam p re o c u p a n te s o u insolucionáveis. Se n ão co n seg u em um em p reg o , m o n tam um p e q u e n o negócio; se o n e ­ gócio d e m o ra a deslanchar, diversificam . C om o diz o d itad o , se a vida lh e d á lim ões, fazem u m a lim o n ad a - e a lim o n a d a é tão deliciosa q u e todos a q u e re m , e o p ro b le m a logo passa a ser com o e n c o n tra r u m a b o a e m p resa p a ra e n g a rra fa r o p ro d u to . As pes­ soas criativas p e rc eb e m que, e m b o ra a lim o n a d a te n h a p e rd id o a p o p u la rid a d e q u a n d o passou a ser u m p ro d u to com ercial insosso e fab ricado em massa, os tem p o m u d aram , e h á n o v am en te p ro ­ cu ra p o r ela. As pessoas criativas têm características com o: u m a fo rte n o ­ ção d e ego, autodisciplina, flexibilidade, m e n te ab erta, esperança,


164 Felicidade, alegria e criatividade

otim ism o e responsabilidade. Sabem que tu d o tem seu lado bom e que, c o n se q u e n tem e n te , haverão de d escobrir qual é. Em lu g ar de se sen tirem vítimas q u a n d o coisas ruins aco n tecem , aproveitam o fato com o u m a nova o p o rtu n id a d e de apren d izad o . São pessoas difíceis de rotular, que se reinventam p e rio d ic am en te e p o d em p a re c e r co n trad itó rias aos olhos dos dem ais - p o r exem plo, as m u lh eres criativas p o d e m tra b a lh ar de form a afirm ativa e in d e ­ p e n d e n te em carreiras dom inadas p o r ho m en s sem c o m p ro m e te r suas q ualidades m aternais e de em patia. Q u e r você se considere o u n ão p e rte n c e n te ao tipo criativo, é possível te r u m a atitu d e criativa d iante da vida. Cultive o h á b ito de fazer a si m esm o p e rg u n ta s criativas. Faça isso sem pre q u e tiver que e n fre n ta r u m p ro b lem a. Faça-o q u a n ­ d o sen tir a q u ela vaga im pressão de q u e as coisas n ão c am in h am e x ata m e n te do je ito q u e você quer. Fazer a si m esm o as p e rg u n ta s certas aju d a a to car a vida p a ra a fren te . P erg u n tas que o e n c o ra ­ je m a se m o stra r inventivo, im aginativo, polivalente, b rin calh ão , original, curioso e sem pre com a m e n te ab erta. P erg u n tas q u e o lib e rte m do velho estribilho: “O que será que os o u tro s vão p e n ­ sar disso?”.

Questionamento criativo Q uando fizer a si m esm o estas perguntas, leve o te m po que fo r preciso para estudá-las co m p letam e nte. Relaxe. Use a im aginação. Consulte seu eu interior e veja o que sente; ignore as repostas intelectuais autom áticas e su pe rficia is que vierem à m ente. 1 Qual é a oportunidade excepcional de aprendizado que esta situação me dá? 2 Im agine-se no fu tu ro . Exam ine a situação com o se a estivesse vendo daqui a dez ou m esm o vinte anos. 0 que você acha? O lhando para a situação com o se fosse um fato passado, o que você m udaria em seu m odo de agir? 3 Como posso a plica r m inhas q ualidades básicas a esta situação?


As 1000 perguntas mais importantes que você deveria fazer a si mesmo 165

4 Como posso agir para que tu d o dê certo para todo m undo? 5 Quais seriam as vantagens, a longo prazo, desta situação?

6 O que aconteceria se eu agisse da m aneira X? O que aconteceria se eu agisse de m aneira to ta lm e n te diferente? 7 M inha visão da situação é positiva e otim ista? Se não é, será que, com m inha expectativa negativa, estou im p ondo lim itações à m inha ca pa cid a de de resolver problem as de form a criativa?

Faça suas próprias perguntas criativas

Criatividade pessoal N in g u é m p o d e lh e e n sin a r q u al é o m o d o criativo d e viver sua p ró p ria vida, com o fazer as coisas o u com o ser a p en a s você m esm o. O im p o rta n te é você sab e r q u e p o d e a d o ta r u m a fo r­ m a criativa de a u to ex p ressão . N ão im p o rta se isso q u e r d izer passar h o ra s s o n h a n d o a c o rd a d o , ser u m a d o n a de casa c ria ti­ va, escrever u m d iário , c o n stru ir u m a c ab a n a d e tro n c o s, in ic ia r u m a co leção de objetos q u e você a p recia, c ria r u m a nova grife de acessórios, c ria r ciên cia ou in c en tiv ar a criativ id ad e de o u ­ tras pessoas - crianças, p o r ex em p lo . Isso d e p e n d e só d e você. Se a lg u ém te n ta r lim itar, q u e stio n a r o u c o n tro la r o te m p o q u e você d e d ic a à criatividade, você tem q u e se p ro te g e r fe ro z m e n te . Você n ã o tem q u e e x p lic ar a n in g u é m o q u e está fazen d o , pois


166 Felicidade, alegria e criatividade

p o d e d e m o ra r algum te m p o até q u e você re ú n a forças p a ra u m p ro je to , e e n q u a n to isso p o d e p a re c e r q u e você n ã o está fazen ­ d o n a d a. P o d em p e n sa r q u e você e n lo u q u e c e u , caso passe o dia d e s e n h a n d o luvas b o rd a d a s, m as, se os o u tro s n ã o c o n seg u em e n te n d e r p a ra q u e serve isso, p o d e ser q u e eles n ã o te n h a m d e ­ senvolvido a p ró p ria criatividade.

Questionário da criatividade Seção A M arq u e A, B, C ou D em cada pergunta (apenas um a resposta para cada per­ g un ta ). A = m uito parecido com igo B = parecido com igo na m aior parte C = não se parece m uito com igo D = não se parece nem um pouco com igo Você tem uma grande variedade de interesses?

A

B

C

D

Você tem um a grande variedade de hobbies?

A

B

C

D

Tem um forte sentido de identidade própria e única?

A

B

C

D

Você se considera ind e pe n de nte em sua m aneira de pensar?

A

B

C

D

Você se considera brincalhão?

A

B

C

D

Descreveria a si m esm o com o um a pessoa imaginativa?

A

B

C

D

Está aberto a uma grande variedade de novas experiências?

A

B

C

D

Você se considera pouco convencional ou convencional?

A

B

C

D

Já produziu m uitos trabalhos em seu cam po de atividade criativa?

A

B

C

D

É capaz de e nfre n ta r vários desafios diferentes?

A

B

C

D

Tem um a m aneira pessoal ou original de resolver problem as?

A

B

C

D

A

B

C

D

A

B

C

D

Já soube utilizar situações difíceis e sofrim entos pessoais com o estím ulo para um trabalho criativo? Sente-se fo rte m en te m otivado a e nfre n ta r desafios criativos?


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 167

Em sua infância, dera m -lh e o po rtu nid ad e para pôr em prática seus interesses criativos? Você, ou alguém da sua fam ília, já apresentou sintom as psiquiá­ tricos? O cupou-se em estudos intensivos em sua área preferida de c ria ­ tivid a de e os pôs em prática? Você é bom na geração de novas ideias em quase todas as si­ tuações? Gosta de usar a intuição, isto é, de descobertas feitas por acaso? Vive cercado por pessoas que o am am e respeitam e que o apoiariam e apreciariam suas co nquistas criativas? M esm o q u a n d o está m uito ocupado, arranja te m p o para se e n ­ tregar a atividades criativas?

A

B

C

D

A

B

C

D

A

B

C

D

A

B

C

D

A

B

C

D

A

B

c

D

A

B

c

D

Seção B M arque novam ente A, B, C ou D depois de cada pergunta, m as note q ue a ordem das respostas foi alterada, de m odo que: A = não se parece em nada com igo; B = não se parece m uito com igo; C = é parecido com igo na m aior parte; D = é m uito parecido com igo. Você tem um código de crenças firm e ou rígido, de m odo que

A

B

C

D

É m uito autocrítico?

A

B

C

D

Tem m edo de que c ritiq u e m seu trabalho?

A

B

C

D D

sabe quase sem pre com o interp retar fatos e inform ações?

Tem m edo do que possam pensar de você?

A

B

C

É o cupado demais?

A

B

C

D

A

B

C

D

A

B

C

D

A

B

C

D

A

B

C

D

Sente-se pressionado pela obrigação de te r que lidar com exi­ gências excessivam ente conflitantes? Q uando você era criança ou adolescente, seu te m po era m uito controlado? Tem problem as com a pressão exercida por pessoas da fam ília se você q u ise r se d e d ica r a algum a coisa? Você não se considera criativo?


168 Felicidade, alegria e criatividade

Contagem de pontos Agora som e os pontos:

A ____ B _____C _____D _____

Não é possível m arcar m ais do que 3 0 pontos em cada um desses.

Se você marcou uma maior quantidade de A Você é c ria tiv o de ve rd a d e e, p ro va ve lm e n te , já sabe disso. C e rta m e n te se sente m u ito d e s c o n fo rtá v e l, pode até se s e n tir m al, caso não te n h a co m o d ar vazão a p ro p ria d a à sua c ria tiv id a d e . Seu im p u ls o c ria tiv o é a m ola m estra do seu s e n tid o de ego, e isso o faz d ife re n te das pessoas q ue não se ntem o m esm o im p u lso . Você te m pelo m enos um a paixão cria tiva , e isso é o q u e m ais gosta de fazer. Sua co ntag e m de p ontos d e m o n stra até q ue p on to você se d e d ica a um a vida c ria tiv a . Q u a lq u e r c o n ta g e m a cim a de 2 0 s ig n ific a q ue você se d e d ica a suas paixões e obsessões c ria tiva s e a c o s tu m o u -se a a rra n ja r te m p o para elas, a co n te ça o q ue a con te cer. Talvez você possa g a n h a r a vida com um tra b a lh o c ria tiv o , se assim d e se ja r e se ta m b é m a c re d ita r firm e m e n te em si m esm o. Se a sua co ntag e m foi a ba ixo de 2 0, é possível q ue te n h a sid o fo rç a d o a lu ta r por seu d ire ito de ser um cria d or, e ta lvez essa luta não te n h a a ca b a d o a in d a. E speram os q ue este q u e s tio n á rio o te n h a levado de volta a fo ca r-se em sua id e n tid a d e c ria tiv a , q ue deve ser o fo c o p rim á rio de sua vida. P rocu re e stím u lo c ria tiv o de q u a lid a d e , em q u a n tid a d e s u fic ie n te , para não fic a r b lo q u e a d o ou d e ixa r se car sua c ria tiv id a d e .

Se marcou uma maior quantidade de i Você é, por natureza, um a pessoa criativa e deixa essa m arca em um a grande v a riedade de a tividades e situações. A onde você vai, leva ju n to um a c o n trib u i­ ção criativa personalizada, e tem fa c ilid a d e em resolver problem as e e n co n tra r novas soluções. Tem m uito senso de hum or. É provável q ue d em o nstre d ura nte toda a sua vida interesses criativos sérios. Tom ara q ue te n ha ta m b é m criado o p o rtu n id a d e s para a p rim o rá -lo s e reserve te m p o para eles se m p re q ue possível. Se ainda não o fez, seria bom para você re ce b er m ais fo rm açã o , e studo ou tre i­ n am ento em sua área, e a c o m p a n h ia de pessoas com as m esm as inclin a çõe s lhe seria m uito útil, para d is c u tir com elas seu tra b a lh o . Talvez ainda precise a p rim o ra r m ais alg u ns ta len to s ou g a n h a r m ais co nfia nça para poder m arca r um n úm e ro m aior de respostas com um A. P rocure estim u lar-se a pre cia n d o


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 169

tra ba lho s criativos de alto nível de pessoas de outras áreas, seja a ópera, seja a n e u ro p siq u ia tria .

Se marcou uma maior quantidade de C Dentro de você há um ser criativo que deseja aparecer - e você anseia por autoexpressão. É possível que tenha sido m uito re prim id o q ua n do criança, ou que lhe te ­ nham faltado o portunidades para cu ltiva r e desenvolver esse lado seu. Se algum as de suas respostas foram A ou B, é im p ortante levar esse seu lado m uito m ais a sé­ rio. A criatividade não expressada m uitas vezes cria um a sensação de frustração, de estar em pacado, sem saber o que fazer a seguir, ou de tédio. Com ece por algo sim ples, um passo a cada dia, e faça tu d o o que pud e r para arranjar te m po para novas atividades. Um a boa ideia é com eçar um caderno ou á lb u m de anotações anote por escrito todas as ideias que lhe vierem à cabeça, sem censurá-las. Vale a pena escrever pela m anhã, logo ao acordar. Seria bom esperar alguns meses antes de ler o que escreveu; então releia tudo, te n ta nd o d esco brir tem as e suas obsessões criativas ocultas.

Se marcou uma maior quantidade de D A criatividade não é sua linguagem preferida, e talvez você considere excêntricas as pessoas criativas e a criatividade. Entretanto, se leu até este ponto, isso mostra que deseja a pre nd e r a desenvolver sua criatividade. Experim ente conversar com pessoas criativas a respeito do tra ba lho delas, ou m atricule-se num curso sobre um assunto que sem pre lhe interessou. Siga o conselho dado aos C, logo acim a* e procure fazer todo o possível para a prim ora r sua confiança e sua autoestim a. Você sofre de ansiedade? Entre para um curso de relaxam ento ou de m editação, porque seu cérebro pensará com m aior clareza se você estiver relaxado. Procure adotar um a a titude flexível a respeito do trabalho criativo e procure p articip a r de um a va­ riedade m aior de atividades em geral, de m odo que os lobos esquerdo e direito do seu cérebro sejam estim ulados. A credita-se que a cria tivida de exige um a síntese da atividade dos dois lobos, o esquerdo e o direito. Se no seu trabalho d iário você se ocupa apenas com atividades q ue d ependem do lobo esquerdo, isso pode lhe dar um a visão lim itada. Um a boa m aneira de estim u lar seu centro de criatividade é ler rom ances e poesia, assistir a palestras e visitar galerias de arte, pois os artistas e as pessoas inovadoras enxergam as coisas de m odo d iferente e desafiam nossa percepção rotineira.


170 Felicidade, alegria e criatividade

A “pergunta milagrosa” Essa pergunta é utilizada em terapias focadas na solução de problem as, para ince ntiva r as pessoas e enxergarem além de suas restrições e lim itações co m u n s e para despertar sua im aginação criativa e assim ajudá-las a m udar. Im agine que am anhã de m anhã você vai acordar e e nco n trar tu d o m udado. A conteceu um m ilagre. Você se sente em paz, relaxado e feliz. As preocupações q ue o atorm entavam sim p lesm e nte desapareceram . Os sonhos que pareciam d is­ tantes ou m esm o im possíveis se realizaram da noite para o dia. Não falta nada em sua vida, e você se sente com pleto. Passe algum te m po exam inando com o se sente nessa situação e sentindo-se feliz. P rocure ca ptar todos os detalhes de com o se sente, e o que m udou. Agora olhe bem para o seu cenário m ilagroso. O que ele lhe diz a seu próprio respeito?

Que elem entos desse cenário já existem?

Quais são os elem entos desse cenário que você já vem tra ba lha n do para conseguir e para os quais vem se preparando?

O que ainda precisa fazer para co m p le ta r o cenário?


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 171

O que m ais tem que fazer ainda para que o cenário fiq u e o m ais parecido possível com o que você im aginou?

Dê a si m esm o um prazo para co m p le ta r todas as etapas.

Como resolver problemas de forma criativa Resolver problem as pode ser divertido se nos livrarm os dos sentim entos d i­ fíceis e desagradáveis que costum am acom panhá-los. A preocupação, o m edo e a ansiedade m uitas vezes nos im pedem de olhar com novos olhos o processo de resolver problem as. Pessoas que passam m uito te m p o fazendo palavras cruzadas não têm m edo de problem as, pelo contrário, gostam do exercício m ental que eles propõem . M uitas vezes a solução do problem a é algo original e surge devido a um a m aneira de pensar tota lm e n te diferente. Passe algum te m po exam inando um problem a atual. Utilize as perguntas para a judá-lo a e ncarar o problem a de form a d iferente e e ncontre um a variedade de soluções inovadoras. 1 Defina o problem a. Id e ntifiq ue e descreva com clareza o problem a tal com o você o vê no m om ento. 2 Inform e-se de tu d o o q ue se relaciona ao problem a. Pesquise e estude diferentes aspectos do problem a em geral. Por exem plo, se o seu problem a é sentir-se solitário, exam ine os m otivos da solidão em sua vida. Estude em p rofu n did ad e tu d o o que se refere à solidão, para co n h e ce r e e ntender realm ente o assunto. Procure saber com o diferentes pessoas em situações diferentes lidam com esse problem a. Não é preciso ju lg a r - apenas inform e-se. Fale com outras pessoas a respeito da solidão e de com o elas a e n fre n ta m . Tente m anter-se pessoalm ente desligado do problem a: o problem a não é apenas seu, é um a condição hum ana m uito m ais am pla. Escreva um diário co m e n ta nd o suas experiências e descobertas.


172 Felicidade, alegria e criatividade

3 Torne a d e fin ir o problem a. A definição está 100% exata? Por exem plo: o problem a não é o fato de eu m e se ntir solitário, e sim o fato de eu não ter m uitas opo rtu nid ad e s de e nco n trar pessoas que eu considere interessantes. Seja preciso e exato em relação à verdadeira origem do problem a. 4 Faça um lista de ideias novas em um a grande folha de papel. Anote todas as soluções que lhe vierem à cabeça (m e lh o r ainda se você pud e r fazer isso com um grup o de am igos). Por m ais ridículas que elas pareçam , não ce nsure ou esconda suas ideias - anote-as. Deixe que as ideias co ntin ue m flu in d o - você está p rocurando q ua n tida de , e não q ualidade. Não com ece a analisar ou c ritic a r as ideias, não com ece a achar que são bobas ou pouco práticas. É hora de b rin ca r com as ideias, e você se surpreenderá com a variedade q ue vai brotar da sua cabeça se você se soltar. Q uando term inar, deixe o papel de lado por alguns dias. Pense nelas. Esqueça-se do assunto e dura nte alguns dias deixe que o problem a tente e nco n trar a própria solução. M antenha-se receptivo a q u a lq u e r ideia inspirada que lhe venha à m ente. 5 Agora com ece a pensar em algum as soluções verdadeiram ente práticas. Quais são as soluções frívolas que você pode riscar da página? Separe dez soluções viáveis para o seu problem a, soluções que algum as pessoas poderiam adotar, m esm o que você não se sinta seguro a respeito delas. a.

b

.

-_____

c. _________________________________________________

d. e

.

_____________________ _______________________________

f. g.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------

h . ____________________________ -________________________________ j.

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

6 Exam ine sua lista de “ soluções” . Quais lhe parecem certas? Quais delas você estaria disposto a tentar? Exam ine todas elas e im agine-se te n ta nd o cada um a. V erifique com o se sente intern am e nte ao fazer isso. O que o im pede de se sentir bem e nq u an to explora as soluções? Enquanto faz esse exam e, poderá re de finir ainda m ais o problem a. A essa altura, ele parecerá diferente


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 173

de q ua n do você com eçou o processo. Esteja aberto a novas m aneiras de pensar sobre o problem a. Ponha em prática as soluções que lhe parecerem m ais agradáveis, e, se elas não fu n cio na re m , você tem ainda um a lista para tentar.

Bem-estar A ntigam ente, as pesquisas psicológicas se restringiam a sofri­ m entos psicológicos e doenças, e nossos m odelos de psicologia eram , até certo p o n to , mais baseados n a com p reen são das p ato ­ logias do que em c o m p re e n d e r o que ajuda ou o que faz com que as pessoas se sintam bem e gozem de bem -estar psicológico e em o­ cional. Isso m udou, e agora os pesquisadores de. psicologia positiva passaram a estu d ar os fatores que fazem as pessoas se sentirem bem n a vida e de que m odo podem os aproveitá-los p a ra otim izar nosso bem-estar. Podem os d efin ir o bem -estar com o u m estado geral de saúde e felicidade, levando em c o n ta os aspectos social, físico, am b ien tal e psicológico, que in terag em e n tre si.

Padrões de bem-estar A lguns pesquisadores criaram um a definição precisa de seis padrões m ensuráveis de bem -estar. Veja quantos pontos você m arca em cada um deles. Dê a si m esm o um a nota de 1 a 5.

Aceitação de si mesmo Este padrão m ede a a titu de positiva que alguém tem sobre si m esm o, se aceita a si m esm o tal com o é e reconhece todas as características que lhe são próprias e suas experiências passadas. Nota de 1 a 5 : _____


174 Felicidade, alegria e criatividade

Relacionamentos positivos Trata-se da ca p a cid a d e de m a n te r re la cio n am e ntos ternos, e ncorajadores, ín ­ tim os e baseados na co n fia n ça , de ser capaz de p rofu n da com p re en são , de se p re o cu p a r com o bem do p róxim o e saber co ne cta r-se p ro fu n d a m e n te com o utras pessoas. Em bora ta n to hom e ns q u a n to m ulh ere s d eclare m que isso é fu n d a m e n ta l ao seu bem -estar, parece que as m ulh ere s são m ais co m p e te n te s nessa área. Nota de 1 a 5 : _____

Autonomia Uma pessoa dotada de autonom ia em alto grau conduz sua vida segundo seus pró­ prios valores, não se d eixa,guiar por fatos externos e sabe tom ar as próprias de­ cisões. Sabe enfrentar as pressões para pensar nem se com portar segundo suas preferências pessoais, e não segundo o que é ditado pela sociedade. Nota de 1 a 5 : _____

Domínio do ambiente Isto q ue r dizer ca pacidade de aproveitar ao m áxim o as opo rtu nid ad e s e, ao m esm o tem po, m anter sob controle as atividades diárias. Trata-se de pessoas que se co n ­ sideram co m petentes para a d m in istra r seu m un d o externo e sabem c ria r ou optar por um am b ien te em que se sintam bem. Nota de 1 a 5 : _____

Noção de propósito Quem percebe q ue a vida tem um propósito possui valores e m etas; sabe que a vida tem um sentido, e tem um a d ire triz e um m otivo para viver. Nota de 1 a 5 : _____

Crescimento pessoal As pessoas em processo de crescim en to pessoal se interessam pela vida e pelo a prendizado. C om preendem que estão crescendo e se aperfeiçoando, e dura nte toda a vida se m antêm abertas a novas experiências. Percebem que seu co m p o r­ tam ento, suas aptidões, seus co nh e cim e nto s e suas atitudes m elhoram com o tem po, e a prim oram a própria eficiência e sabedoria. Nota de 1 a 5 : _______


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 175

Contagem de pontos De 1 a 30, sua contagem total de pontos q ua n to ao bem -estar é ______ Se suas notas foram m ais baixas em algum a área, é nessa q ue você deve c o n ce n tra r sua atenção. Pense em quais dos seus valores e m etas você pode buscar apoio para m elhorar seu bem -estar nessa área. Se tra b a lh a r com afinco, verá que sua contagem de pontos aum entará com o tem po. Volte a fazer essas perguntas a si m esm o ao final de algum as sem anas ou meses.


CAPÍTULO 6

Relacionamentos e comunicação Poucas coisas na vida nos trazem mais felicidade do que uma amizade íntima, duradoura, aconchegante e imparcial com nosso melhor amigo. David Myers, pesquisador da área da felicidade

Em m uitas nações e culturas, as pessoas q u e se descrevem com o “casadas” g e ra lm en te se c o n sid eram bem m ais felizes do q u e as n ão casadas. A lém disso, as pessoas casadas o u q u e vivem u m a u n iã o ou associação ro m â n tic a estável são m enos sujeitas à depressão, talvez p o rq u e u m a u n ião estável aju d e a u n ir as pes­ soas q u a n d o as coisas vão m al. C om o vimos n o cap ítu lo an terio r, u m casam ento feliz e saudável - o u o seu equivalente - c o n trib u i g ra n d e m e n te p a ra a felicidade. P o r o u tro lado, o ro m p im e n to de u m re la cio n a m e n to - com o aco n tece tantas vezes - provoca m u i­ ta angústia. Precisam os de re lacio n am en to s p a ra serm os felizes, m as n e m sem pre eles d u ra m m u ito tem po. Q u a n d o eles se ro m ­ pem , nós nos sentim os com o se tivéssem os falhado; m uitas vezes as separações são inam istosas, am argas e dolorosas. Você se sente feliz em seu relacionam ento? O que está e rra ­ do? O que to rn a tão difíceis os relacionam entos? Esse cam po exige u m g ran d e esforço - mas se você p ro c u ra r um te ra p eu ta de ca­ sais, ele d ará im p o rtân cia a aspectos específicos do relacio n am en to que a b o rd a rá com você. Isso p o rq u e as pesquisas vêm m o stran d o que certos co m portam entos e atitudes em um relacionam ento, tais com o, p o r exem plo, consideração, aceitação e respeito q u an to à individualidade e defeitos do o utro, predizem satisfação p o r m ui­ to tem po. Pelo contrário, existem atitudes e com p o rtam en to s, tais com o n ão d a r ouvidos ao outro, que dem o n stram a m á qualidade e fazem p rever a ru p tu ra do relacionam ento. Existem sinais típicos q u e indicam co m portam entos positivos e negativos em u m relacio­ n am en to . A boa notícia é que é possível a p re n d e r co m p o rtam en to s


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 177

ad eq u ad os p ara m a n te r um bom relacionam en to , o u m elhorá-los com o tem po. Você p o d e usar este capítulo com o um guia básico p ara m an ­ te r u m bom relacionam ento. Pode tam bém usá-lo p ara diagnosti­ car em q ue p o n to está seu relacio n am en to e q u e ru m o você q u e r q ue ele tom e. Se n o m o m e n to você não tem u m re la cio n a m e n to , p o d e rá u sar o q u e stio n ário p a ra avaliar o q u e a c o n te c eu de e rra d o n o a n te rio r e p a ra d e te rm in a r suas m etas e valores p a ra u m relacio ­ n a m e n to fu tu ro . De u m a fo rm a o u de o u tra , estes q u estio n ário s o aju d arão a c o m p re e n d e r q u e os re lacio n am en to s bem -sucedidos n ã o são u m a questão de sorte, com o p en sa m u ita g en te. Os rela­ cio n am en to s dão certo o u fracassam d e p e n d e n d o de com o as pes­ soas (a) en x erg am e (b) tratam u m a à o utra. Os relacio n am en to s bem -sucedidos aco n tecem q u a n d o os parceiro s sen tem ig u a lm e n ­ te, u m p elo o u tro , u m alto grau de envolvim ento, confiança, d e d i­ cação e sin cerid ad e em o cio n al e estão am bos dispostos a assum ir a resp o n sab ilid ad e p o r cultivar e p ro te g e r esse re lacio n am en to . Isso exige u m esforço c o n tín u o dos dois lados. A m bos devem d a r e re c e b e r ig u alm en te, e m b o ra cada q ual c o n trib u a com atri­ bu to s e d ons d iferentes. Você co n h ec e algum casal cujo re la c io n a m e n to co n sid era bem -sucedido? O u um casal q u e p a re ce estar sem p re em crise, ou algum o u tro que vive brigando? O bserve o c o m p o rta m e n to deles. O que d á certo e o q u e n ã o dá? Q u a n d o ela o critica, q u e efeito isso provoca nele? Q u a n d o ele a agride, qual re c ad o está d a n d o p a ra ela? Esta p arte do livro se aplica igualm ente a to d o tipo de relacio­ n am en to sexual e de com panheirism o, h étero ou hom ossexual. N ão acreditam os que o casam ento tradicional seja o ú n ico tipo “n o r­ m al” de relacionam ento. Todos estes processos o ajudarão a focar a atenção e a p en sar em seu relacio n am en to e fazê-lo progredir. E possível q ue tragam à to n a as diferenças e n tre vocês. Q u an d o essas diferenças forem reveladas, estabeleçam quais serão as regras p ara lid ar com esses conflitos.


178 Relacionamentos e com unicação

Questionário exploratório para casais Este questionário deve ser respondido in d ivid ua lm e n te e pelo casal. Isso a b ri­ rá vários cam pos para reflexão, exploração e discussão individual ou conjun ta . Não tente responder a todas as perguntas de uma vez só - é um questionário longo, e m ais im p ortante do que escrever as respostas é o processo de refletir e passar a co m p re e n d e r m elhor o seu par. Vocês se amam ? Parceiro 1 _________ _____________________ ______________________________________________ Parceiro 2 ______________________________________________________________________________

Como descreveria seus se n tim e n to s em relação ao seu par? Parceiro 1 _____________________•________________________________________________________

P arceiro 2

Com o descreveria o que seu par sente em relação a você? P arceiro 1 _____________________________________________________

Parceiro 2

Descreva o re la cio n am e nto entre seus pais enq u an to você era cria n ça. Do que você se lem bra? Parceiro 1 ______________________________________________________________________________

Parceiro 2

O que você aprendeu sobre a d ife re n ça entre os papéis m a s cu lin o e fe m in in o ? P arceiro 1 ____________________________________________________________________________


As 1000 perguntas mais importantes que você deveria fazer a si mesmo 179

P arceiro 2

R elem bre e descreva um a cena típ ic a de seus pais. Por exem plo, com o eles e nfre n ta vam os c o n flito s ou d ese n te n d im e n to s. Eles lhe deram um bom m odelo do papel que cabe a você em seu re la cio n a m e n to atual? Parceiro 1 .................................. .............................................................. ..................... .....................................

P arceiro 2

Em seu re la cio n a m e n to a tu a l, o que é igual e o que é d ife re n te em sua m aneira pessoal de e n fre n ta r c o n flito s e dese n te nd im e n tos? P arceiro 1 .._ .... .................................... ................... .._............................................. .............................. ........

Parceiro 2

Como seus pais resolviam a questão da in tim id a d e e do afastam ento? Parceiro 1 ........... ........................................ ...................... ....................... ......... .........................

P arceiro 2

Pensando no re la cio n a m e n to e n tre seus pais, o que a a titu d e deles lhe ensinou sobre relacionam entos? Parceiro 1 ............_ ...._.._ ................................................. ......... ........................ .............................................

Parceiro 2

Vê algum a sem elhança com o modo com o você vive seus próprios relacionam entos? Parceiro 1 ............................................................................ ........ ........................................................................

Parceiro 2


180 Relacionamentos e com unicação

0 que lhe parece m ais co m pensador em seu re la cio n a m e n to atual? P arceiro 1 _____ __________________________________________________________

P arceiro 2

Quais as q u a lid a d e s do seu par que você m ais aprecia? P arceiro 1 __________________________________________________

P arceiro 2

A m bos se esforçam para c o n s tru ir e su ste n ta r o rela cio n am e nto? Fazem isso igualm ente? P arceiro 1 _____________________________________________________________________________

P arceiro 2

Cada um in ce n tiva o cre s c im e n to e o d e se n vo lvim e nto do outro? Parceiro 1 -----------------------------------------------------------------------------------------------------

Parceiro 2

Qual fo i a p rim e ira grande decepção ou d esapontam ento que vocês sentira m em seu relacionam ento? Parceiro 1 ______________________________________________________________________________

Parceiro 2

De que fo rm a cada um de vocês lid o u com isso na época? P arceiro 1 ______________________________________________________


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 181

Parceiro 2

O que vocês pensam a re speito disso hoje? P arceiro 1 ____________________________________

P arceiro 2

Descreva um a cena típ ic a do m odo com o vocês dois lid a m com os problem as, d e se n te n d im e n to s e d ific u ld a d e s no seu re la cio n am e nto. P arceiro 1 __________________________________________________ __________________________

Parceiro 2

O que vocês acham disso? G ostariam de agir de outra form a? P arceiro 1 _____________ ,___________________________________________

P arceiro 2

O que vocês acham m ais desafiador ou d ifíc il em seu relacionam ento? P arceiro 1 _______________________ ____________________________________________

Parceiro 2

Existe algum a coisa que você gostaria de m ud a r em seu par? Se fo r o caso, exis­ te a lgum a coisa em que você se dispõe a m ud a r em troca? Parceiro 1 _____________________________________ ;_______________________________________

Parceiro 2


182 Relacionamentos e com unicação

Você se s e n te seguro para se m o s tra r a b e rto , v u ln e rá v e l, fra n c o e para re ve ­ lar fa c e ta s se nsíve is a seu par? Seu par pode fa ze r o m esm o em re la çã o a você? P arceiro 1 ........................................................................................................................... ..................................

P arceiro 2

Em que vocês d ois são iguais ou parecidos? P arceiro 1 ______________________________________

P arceiro 2

Em que vocês são d ifere ntes? Como fazem para a ce ita r as diferenças? P arceiro 1 ________________________________________________________________-—

Parceiro 2

Q uais são as d ife re n te s aptid õ es, h a b ilid a d e s e vantagens que cada qual tra z para o rela cio n am e nto? Parceiro 1 ______________________________________________________________________________

P arceiro 2

Acha que existe um a tro ca ju s ta e igual em seu rela cio n am e nto? P arceiro 1 ____________________________________________________________

Parceiro 2

É fá c il ou não para você d is c u tir sexo e suas p refe rê ncias sexuais com seu par? P arceiro 1 ________________ ______________________________________________________________


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 183

P arceiro 2

É fá c il ou não para você d is c u tir d in h e iro e sua situ açã o fin an ceira ? P arceiro 1 _____________________________________________________________ ___

P arceiro 2

Em que você acha que seu par poderia a ju d a r mais? P arceiro 1 ___ ______ __ __________________________________

P arceiro 2

A cha que seu par lhe dá atenção su ficie n te ? Do que você sente falta? P arceiro 1 ___________________________________________________________________

P arceiro 2

O que você m ais a precia e valoriza em seu re la cio n am e nto? Quais as c a ra c te rís ­ tic a s que você gostaria de ver m ais desenvolvidas? P arceiro 1 ______________________________________________________________________________

P arceiro 2

Vocês se d ive rte m com o casal por te m p o su ficie nte? P arceiro 1 _______________________________________________

P arceiro 2


184 Relacionamentos e com unicação

Vocês tê m com p ro m issos conjun to s? Como eles afetam o relacionam ento? P arceiro 1 ...............................................................................----------------------------- _ .... ...................

Parceiro 2

Você passa algum te m p o fazendo coisas sem a co m p a nh ia do seu par? Como cada um se sente a re speito do fa to de o outro te r a tivid a d e s separadas? P arceiro 1 .......................................-............. ................... ....................... .................. -..................................... ..

Parceiro 2

Conseguem m an te r am izades e interesses separados? Parceiro 1 ........................................................ .........................................

P arceiro 2

Vocês estão de acordo a respeito de questões básicas, ta is com o cria çã o dos filh o s , ou a respeito de assuntos com o fazer com pras, ta refas d om é sticas, fin a n ­ ças e refeições? Parceiro 1 .......................______ ______________________________________________ ____________

P arceiro 2

Na sua o p in iã o , qual é o p ropósito do re la cio n a m e n to de vocês? P arceiro 1 ..................... ................. ......................................-______ ______________

Parceiro 2

Quais são suas m etas para o próxim o ano em relação ao relacionam ento? Parceiro 1 ................... .......-_________ ______________ ___ ___________________________ _


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 185

Parceiro 2

E q uais as m etas para os próxim os cin c o anos? E depois? P arceiro 1 _____________________________________________________

P arceiro 2

Q uais são suas m etas para você m esm o para o ano próxim o e para os cin co seguintes? Com o elas afetarão seu rela cio n am e nto? Que im p a cto terá seu re la c io ­ nam ento sobre essas metas? Parceiro 1 ______________________________________________________________________________

P arceiro 2

As fases cíclicas de um relacionamento C ada relacio n am en to é um a jo rn a d a que passa p o r u m a série n atu ral de fases e se transform a à m edida q u e evolui e am adurece. Q u a n d o c o n h ec e r todas as fases, o lh an d o de fora, saberá reconhecê-las facilm ente em outros casais, mas não é assim tão fácil e n te n d e r q u a n d o estiver passando p o r urna delas. Esses estágios de evolução p o d em ser com parados às fases de crescim ento e evolução atraves­ sadas pelas criancinhas e pelos jovens até atingirem a m atu rid ad e. Estamos sem pre crescendo e am ad u recen d o , e essas fases n u n c a são p erfeitam en te com pletadas. As vezes tam bém regredim os, p ara co m p letar algo que não pudem os co m p letar a n terio rm en te. C ada estágio, e n tre tan to , se apoia no estágio anterior, e é impossível sal­ ta r u m a fase. Sua evolução d u ra n te a p rim eira infância tam bém p o d e afetar seu relacionam ento, p o rq u e os problem as pelos quais passou em cada fase d a infância p o d em ser reativados q u a n d o atin­ gir a fase equivalente em seu relacionam ento.


186 Relacionamentos e com unicação

Se so u b er em que fase do relacio n am en to você se en co n tra, p o d e rá e n te n d e r m uitas das dificuldades que está atravessando e o q u e fazer a resp eito delas. C ada fase traz consigo seus desafios e conflitos. C ada fase da jo rn a d a do relacio n am en to tem seus desafios p ar­ ticulares, que têm que ser resolvidos antes que o casal siga adiante. As fases vão da euforia ao se ap aix o n ar até alcançar a p ro fu n d eza d a verd adeira intim idade - isso se as tarefas de cada fase forem concluídas com sucesso. C ada fase tem sua finalidade. C ada fase tem tam b ém u m li­ m ite d e te m p o - depois de algum te m p o é preciso c e d e r espa­ ço ã fase seguinte. N ão existe u m te m p o p a d rã o p a ra a d u ração de cada fase, e às vezes elas levam anos p a ra se com pletar, m as pode-se p e rc e b e r q u a n d o u m a fase esgotou seu p ró p rio lim ite de tem p o . As coisas n ã o p a re ce m c am in h a r tão b em com o antes, e você p e rc eb e q u e é preciso m u d a r algum a coisa p a ra q ue tu d o c o n tin u e sen d o b o m e saudável p a ra am bos. E preciso fazer novos acordos a resp eito de alguns aspectos do re la cio n a m e n to . E n tre ­ ta n to , se você p ro g re d iu e a p re n d e u m u ita coisa n a fase an terio r, isso lh e será útil n a nova fase. Q u an d o a transição de u m a fase p ara o u tra com eça a acon­ tecer, os casais p o d em se sentir confusos e inseguros, ou p o d em e n tra r em conflito p o r não e n te n d e re m as m udanças que estão o co rren d o . As transições e n tre as fases são a épo ca em que os casais en fren tam as m aiores dificuldades e é q u an d o m uitos relaciona­ m entos term inam . Essas transições n u n c a são fáceis o u claras p ara ninguém . N o en tan to , será m uito útil e a n im ad o r e n te n d e r que a transição faz p arte de u m a evolução saudável. O u tra com plicação possível é que u m a pessoa p o d e atingir a fase seguinte do relacio n am en to em u m a época d iferen te d o seu par. O relacionam ento, então, ap resen tará características típicas das duas fases, e q u a n d o isso acontece h á dificuldades especiais a serem ajustadas, e costum a haver conflito e um a sensação de desen­ ten d im en to , traição ou p erda. P or exem plo: o m em b ro do casal que não m u d o u e co n tin u a no estágio sim biótico inicial p o d e não c o m p re e n d e r ou se sentir am eaçado pelo que lhe p arece u m a m u ­


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 187

d an ça súbita em seu par, que, de re p e n te, não q u e r que fiquem ju n to s sozinhos tan to tem p o e sente vontade de sair p ara outros com prom issos sem o outro. Em qual dessas fases se e n co n tra seu relacionam ento? Você e seu p a r estão am bos n a m esm a fase ou em fases diferentes? Se estiverem em fases diferentes, será preciso e n tra r em acordo p ara resolver o conflito, levando em c o n ta as diferen ças e individuali­ dades de cada um . Escolha um a das fases que vêm a seguir. Pode ser q u e você e seu p a r estejam em diferentes fases de evolução; p o rta n to , seria bom ex am inarem essas perg u n tas de fo rm a in d e p e n d e n te , assim com o fazê-lo em conjunto.

Que fase você está atravessando? Fase 1 do relacionamento - Só nós dois Esta é a fase inicial de um relacionam ento que costum am os cha­ m ar de “apaixonar-se”. Vocês não se cansam um do outro e vão para todo lado de mãos dadas - isso se conseguirem sair da cama. H á paixão e rom ance, e os desejos de am bos são atendidos ao m áxim o, já que cada um está recebendo do outro tanta atenção. N en h u m dos dois pede ao outro que m ude em algum a coisa. Tudo é tão em o­ cionante e prazeroso que n e n h u m dos dois q u e r p ô r em risco o relacio n am ento m ostrando com portam entos que possam ser inacei­ táveis p ara o outro. Ambos adoram e são adoráveis. Nesta fase, prefe­ rem enfatizar as sem elhanças e tudo que têm em com um . É com o se, de rep en te, você tivesse finalm ente en co n trad o alguém que e n ten d e p ro fu n d am en te quem você e é tudo que você precisa. Se, depois de alguns meses, cada um decide que vale a p e n a c o n tin u a r o relacionam ento, vocês terão u m a base sólida p a ra sua construção. Essa fase sim biótica tem u m a finalidade: é o que p er­ m ite criar um vínculo forte ou u m a ligação afetiva. M uito tem p o é passado o lh an d o o o u tro nos olhos e criando te rn u ra e in tim id a­ de. Isso será um a fonte de força e união q u a n d o passarem à fase seguinte. Sem pre será possível re le m b ra r esse sen tim en to de acei­


188 Rei acionam entos e com unicação

tação e fam iliaridade em que se baseia o relacio n am en to . O tem po q ue se leva nessa fase é um tem po bem gasto, se o relacio n am en to fo r p a ra d u ra r m uito tem po. Se a in ten ção não era de que fosse durável, os conflitos vão surgir q u a n d o essa fase term inar, e talvez seja a h o ra de te rm in a r tudo. Se você vive hoje u m relacio n am en to em que faltou essa fase, o u ela n ão se com pletou, p o r exem plo, devido à distância geográ­ fica o u p o rq u e acontecim entos da vida o im pediram , a ligação e n ­ tre vocês p o d e n u n c a chegar a ser tão forte. Se u m dos parceiros o u am bos têm m edo da intim idade verdadeira, essa fase p o d e não aco n tecer ad eq u ad am en te, e o relacio n am en to vai sofrer p o r isso nos estágios posteriores. Se n e n h u m dos dois consegue realizar p le n am en te esse está­ gio, h á o perigo de ficarem em pacados nesse p o n to . O p a r conti­ n u a n a fase sim biótica, mas de m an eira pouco sadia, o que p o d e levar a relacionam entos com plicados - ou de c o d ep e n d ê n cia - no qual ten tam co n tin u a r fundidos um no o utro , e p ara isso evitam conflitos ou ex p rim ir diferenças. U m dos motivos que leva a não q u e re r passar ao estágio seguinte é a existência de u m a relação de d e p en d ê n c ia hostil, em que os casais ficam presos u m ao o u tro em ciclos constantes de conflitos e de dor. N ão sup o rtam viver separa­ dos e in d e p en d e n te s, mas tam bém não suportam ficar ju n to s de fo rm a harm oniosa.

Fase 2 do relacionamento - Só eu e você Esse estágio p o d e co m eçar poucos m eses depois d o estágio 1. O u p o d e d e m o ra r mais u m p o u co a acontecer. M uitas vezes traz d esco n fo rto , p o rq u e é nesse m o m e n to que você p e rc eb e que você e a pessoa am ada são d iferen tes e até existem algum as coisas nessa pessoa que você n ão aprecia! Isso p o d e ser u m ch o q u e, e você se p erg u n ta : “O q u e aco n te c eu a nós, àq u ele sen tim en to de serm os u m só?” P ode ser um te m p o de d e sa p o n ta m en to e desi­ lusão, a d e sc o b e rta d e p rim e n te de q u e u m a das prom essas feitas n a fase 1 - “Vou cu id ar de você p a ra se m p re ” - é p o u c o realista. C ada u m p e rc eb e que tem q u e cu id ar de si, pois o o u tro tem u m a vida p ró p ria separada.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 189

Se o casal conseguiu ultrapassar bem esse estágio e co n tin u a u n id o , está na h o ra de com eçar a discutir coisas tais com o as ex­ pectativas e necessidades individuais de cada um , e d ar início a u m acordo a respeito do relacionam ento. M uitos relacionam entos não sobrevivem a essa transição, pois é q u a n d o p o d em p e rc eb e r que as diferenças en tre am bos são g ran ­ des dem ais, e vocês n ão e n te n d e m com o não p erceb eram isso an ­ tes. U m de vocês - ou am bos - com eça a q u e re r passar m enos tem ­ p o ju n to com o o u tro - p o r exem plo, deseja sair em sep arad o com os p ró p rio s amigos, em vez de fazer tudo em co n ju n to , o u p o d e q u e re r u m tem po só p a ra si, de privacidade. O o u tro p arceiro p o d e ach ar isso m uito difícil, considerando-se excluído o u rejeitado. Se u m dos parceiros - ou am bos - é u m a pessoa insegura, com po u ca autoestim a, pode ser um a época perigosa. A seg u n d a fase tam bém tem sua finalidade: cada um re e n c o n ­ tra a si m esm o e redescobre que existem um “e u ” e u m “você”, que haviam sido suplantados pelo “n ó s”. C ada qual tem que se d efin ir novam ente com o pessoa à p a rte e in d e p e n d e n te . Sem isso, o rela­ cio n am en to ficaria estagnado, e n e n h u m dos dois p o d e ria co n tin u ­ a r a m ad u rec e n d o e se desenvolvendo com o um indivíduo d o tad o de vida própria.

Fase 3 do relacionamento - Eu sou eu D u rante esse p erío d o , um ou os dois p o d e m com eçar a p ar­ ticipar mais de atividades separadas. Os indivíduos com eçam a se red esco b rir com o pessoas separadas. R etornam aos velhos am igos o u reto m am atividades que não são com partilhadas pelo o u tro , e p o d em até e n c o n tra r novos interesses e o p o rtu n id ad es interessan­ tes. P o r u m certo tem po, cultivar o “e u ” se to rn a mais im p o rtan te do que cultivar o “eu e você” ou o “nós”. E nessa h o ra que as pessoas com eçam a ach ar que o o u tro está se p reo cu p an d o em excesso consigo m esm o e se to rn a n d o egoís­ ta. A necessidade de autonom ia, autoexpressão e realização parece passar a ser mais im p o rtan te do que o relacionam ento, e o antigo sentim ento de segurança aconchegante dá a im pressão de estar tem ­ p o rariam en te perdido. Pode p arecer que algo precioso se p erd eu , e


190 Relacionamentos e com unicação

que não estão mais apaixonados. Pode ser um a época complicada, pois há muitos interesses conflitantes. Cada m em bro do casal está lutando por sua independência e liberdade, porém , ao mesmo tem­ po, quer que a outra pessoa esteja ali quando precisar dela - mas segundo seus próprios termos e quando se sentir pronto. Se um dos dois entra nesse estágio antes do outro, isso vai ser um choque para quem ficou para trás, que pode ver nisso um abandono. Se ambos passam por esse estágio ao mesmo tem po, podem se encontrar ape­ nas rapidam ente. Casos e atração por outras pessoas podem ame­ açar a integridade do relacionam ento e causar tanto sofrimento e raiva que não dá para entender o que está acontecendo. Essa é mais um a transição à qual muitos casais não sobrevivem. Cada qual pode estar sinalizando “Não preciso mais de você”, e se sentir preso e limitado se o outro não lhe dá o espaço necessário. Por outro lado, algumas pessoas podem se sentir carentes e se tornar pe­ gajosas, se acham que seu am or as está trocando por outros interes­ ses e preocupações, e que não é mais núm ero 1 na vida do outro. Essa fase do relacionam ento se parece com a da criança de 2 para 3 anos de idade que quer ap ren d er a fazer as coisas de form a independente e quer fazê-las sem ajuda. Mas, se alguma coisa não dá certo, quer que a m am ãe apareça im ediatam ente. Os adoles­ centes voltam a passar por essa fase quando exigem alta dose de autonom ia e independência, mas querem que os pais arrum em suas coisas e paguem as contas deles. Nesses jovens, as afirmações de independência chegam a ser cômicas ou absurdas para os adul­ tos. Da mesma forma, algumas pessoas, durante essa fase, parecem estar dizendo: “Deixe-me em paz, mas fique por perto para o caso de eu precisar”. Depois que o casal tiver entendido e resolvido essa questão e tiver estabelecido seu grau de independência e união, essa fase faz com que cada um possa realizar m elhor seu potencial do que conseguiria sozinho. Podem se apresentar ao m undo de um a nova forma, confiantes de que seu par estará ali, nos bastidores, quando for preciso. O casal aprende a im portância da confiança, do per­ dão e da tolerância.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 191

Fase 4 do relacionamento - Voltando ao “nós” Depois que cada m em bro do casal houver restabelecido um a noção mais firme de sua identidade no m undo e com eçado a se esforçar com afinco em prol dos próprios interesses e da própria evolução, já pode com eçar a voltar a pensar em termos de “nós”. O casal pode se u n ir novamente, sabendo valorizar e com preender m elhor as necessidades e a diversidade individual de cada um. Pas­ sam mais tem po ju n to s conversando sobre o relacionam ento e o que esperam dele. Nessa fase, o esforço e a atenção são mais dirigidos ao equi­ líbrio entre o “nós” e o “e u ”. O casal oscila entre períodos de p rofunda intim idade e períodos de separação e independência, época em que um a ênfase excessiva no “nós” ainda parece am ea­ çadora ao sentido de ego dos indivíduos. O casal se sente dividido entre o m edo de subm ergir no “nós” ou ser cada um in d ep en d en ­ te e sozinho. Alguns casais podem testar se podem mesmo contar com o outro, ou se poderão m anter um a vida p rópria sem sofrer recrim inações. Os problem as desse período podem levar a conflitos e sofri­ m ento, já que os relacionam entos podem levar à polarização. Um dos parceiros pode m ostrar necessidade de se sentir independente e terá m edo de ser abafado pelo outro, enquanto o outro sentirá falta de um a intim idade constante e ficará carente e exigente. Pro­ blemas inconscientes com respeito à segurança e à independência, originados na infância, podem vir à tona. «^ 6

A mãe de Joe foi abandonada pelo m arido, o pai de Joe, q u a n d o ele tinha cerca de 4 anos. Ela dependia do apoio em ocional de Joe, e q u a n d o ele foi fica nd o m ais velho, tentou su tilm e n te co ntro lar e restringir suas atividades fora de casa, para que ele ficasse em casa com ela à noite. 0 resultado é que Joe sente alergia a m ulheres q ue dão a im pressão de q ue rer co ntro lar sua vida, e faz questão de sair todas as noites. Esse co m p o rta m e n to resulta naquilo que ele tanto detesta - um a m u lh e r exigente, que vive reclam ando e esperando por ele em casa. Isso o convence de que todas as m ulheres são choronas e dependentes, e ele d ecide que prefere viver sozinho para poder “ te r seu espaço” .


192 Relacionamentos e com unicação

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Se os problem as da fase 4 forem resolvidos com sucesso e os dois entrarem num acordo - isso leva algum tem po o casal che­ gará a um a m aior satisfação e profundidade. Fase 5 do relacionamento - Interdependência Depois de alguns anos, o casal já atingiu algumas certezas bá­ sicas: os dois sabem que se amam, mas seguem tam bém com sua própria vida pessoal. Esses aspectos são igualm ente im portantes para eles e não representam ameaça. Cada parceiro é um indiví­ duo satisfeito com a própria vida e seguro, ao mesmo tem po que encontra profunda satisfação no relacionam ento. Esse é o estágio do pacto realista. Ambos já desistiram da ideia de um parceiro idealizado que preencheria todos os seus desejos. Cada qual está disposto a se dedicar ao outro, desde que seja um compromisso de parte a parte. Por interm édio de conversas, o ca­ sal se esforça m uito para m anter o relacionam ento, cum prir seus compromissos e levar adiante seus planos. Os dois tornaram-se rea­ listas e não esperam que o relacionam ento se resolva sozinho. Se um dos parceiros atinge esse estágio antes do outro, esse parceiro pode desejar mais intim idade e contato, enquanto o outro ainda está tentando afirm ar a própria independência. E preciso ter paciência. Este é, acima de tudo, o estágio da m aturidade, baseado na va­ lorização e no respeito mútuos. Cada um encoraja o outro a evoluir e crescer, em vez de tentar, p o r m eio de controle e m anipulação, que o outro realize todos os seus desejos. A franqueza e a vulnerabi­ lidade aum entam . A essa altura, cada indivíduo atingiu a com pre­ ensão de que há pontos em que deve ceder, mesmo quando isso não lhe agrada, e geralm ente se esforça para que o relacionam en­ to dê certo, sem sentir ressentim ento pelas obrigações inerentes. Ambos reconhecem o valor profundo do relacionam ento. Em bora nenhum relacionam ento possa ser considerado como garantido para sempre, o casal terá construído algo sólido, e ambos se sentem prontos para enfrentar ju ntos o futuro.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 193

Em qual dessas fases você está? Sabe identificar os desafios particulares que está enfrentando nessa fase do seu relacionam ento?

Avalie sua habilidade para se comunicar como casal A boa co m u n ica çã o é a essência de um bom relacionam ento. Prestando atenção ao m odo com o um casal se co m u n ica , podem os prever com precisão sua p robabilidade de sucesso. A co m u n ica ção inclui o m odo com o se cu m p rim e n ta m ou se despedem , dem onstrações de aceitação, se ouvem um ao outro, com o co n ­ to rna m conflitos e conseguem que seus desejos sejam satisfeitos, com o enfrentam diferenças e desavenças, o m odo com o d em onstram com preensão e em patia e com o vivem a vida cotidiana. Se os parceiros dem onstram h abilidade interpessoal um para com o outro, cada um deles se sente respeitado, valorizado e c o m p re e n ­ dido, e suas necessidades pessoais são levadas em conta. O questionário servirá para a ju d ar vocês a avaliarem e pensarem se, com o casal, são hábeis co m u n ica d ore s. Essa é um a boa previsão de com o será seu relacionam ento a longo prazo - e que aspectos da co m u n ica çã o podem ser tra b a ­ lhados para obter um bom resultado. Pensem em qual seria a reação provável de vocês com o casal nas seguintes situações: 1 Depois de um dia longo, trabalhoso e estressante, vocês se reencontram . Como seria a prim eira parte da noite que vão passar juntos? a.

Um dos parceiros está preocupado e não presta muita atenção ao outro.

b.

Um de vocês, ou ambos, entra em um estado de espírito negativo.

c.

Um tenta tratar bem o outro, mas acha que isso não é justo.

d.

Antes de mais nada, vocês se sentam e passam algum tempo entrando novamente em sintonia.

2 Q uando entram em co nflito ou há um dese n te nd im e n to a respeito de algo im portante, a a titu de m ais provável seria: a.

Não entender qual é o verdadeiro motivo do conflito ou não aceitar a versão do outro?


194 Relacionamentos e com unicação

b.

Permitir que a conversa se torne negativa ou crítica, dando origem a discussões?

c.

Vai cada qual para um lado, para evitar uma discussão?

d.

Trocam muitas ideias até chegarem a um acordo aceitável para ambos?

3 A m bos precisam desesperadam ente de um as férias. Um q u e r ir para uma praia, para relaxar e esfriar a cabeça. O outro prefere um a viagem m ovim en ­ tada. Qual seria o resultado m ais provável? a.

Vocês viajam para o lugar preferido pelo parceiro mais persuasivo e dominante; o outro não gosta muito, mas tenta se conformar.

b.

Vocês viajam para o lugar preferido pelo parceiro mais persuasivo e dominante, mas o outro não para de reclamar.

c.

Viajam para lugares diferentes.

d.

Escolhem um lugar onde cada um pode fazer algumas coisas sozinho, mas podem também passar parte do tempo juntos.

4 Se vocês m oram jun to s, com o fica resolvida a questão das com pras? a.

Fazem as compras juntos - às vezes a situação fica tensa, mas vocês dão um jeito.

b.

Cada qual faz parte das com p ra s ind ividu alm e nte , q ua nd o quer, e brigam por causa das coisas escolhidas,

c.

Um dos dois fica quase sempre com essa responsabilidade.

d.

Discutem como vão fazer, e ou fazem um rodízio ou encontram outra maneira de dividir as obrigações, o tempo e a despesa.

5 Vocês têm opiniões diferentes a respeito de um assunto delicado e discordam to ta lm e n te da opinião um do outro. O que aconteceria m ais provavelm ente? a.

Evitam discutir e fingem estar de acordo.

b.

Criticam um ao outro e se sentem infelizes.

c.

Decidem que um dos dois é superior e tem o direito de decidir.

d.

Cada qual ouve e admite a opinião do outro, mesmo que continue não concordando.

6 Seu par se em briaga em um a festa e se com porta de form a inconveniente. O que você provavelm ente faria? a.

Tentaria fingir que nada está acontecendo.

b.

Faria críticas e ficaria com raiva.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 195

c. d.

Acharia que o problem a não é de seu e voltaria para casa sozinho. Levaria a pessoa para casa em segurança e esperaria um a o po rtun ida de para fa la r do aco nte cid o e de com o se sentiu no dia seguinte.

7 Seu parceiro anda ocupado e estressado e lhe faz m uitas exigências. Você ta m bé m está atarefado. Você, provavelm ente, agiria deste m odo: a.

Deixaria tu d o para a judá-lo e faria tud o o que pudesse.

b.

A judaria, mas se sentiria exausto e explorado.

c.

Daria bons conselhos sobre a m e lho r m aneira de ele a d m in istra r o tem po.

d.

Você se ofereceria para a ju d a r no que fo r possível, porque sabe que o outro faria o m esm o por você.

8 Você já decidiu o que q u e r fazer no fim de sem ana. Seu par ta m bé m decidiu o que q u e r fazer, e isso exige sua participação. Qual seria a saída provável? a.

Os dois acham que vão passar o fim de sem ana juntos.

b.

U m de vocês se zanga porque o outro não q u e r fazer a m esm a coisa e vai estragar seu fim de sem ana.

c.

U m de vocês faz exatam ente o que pretendia e, se o outro não q u is e r ir jun to, tu d o bem.

d.

D iscutem o assunto bem antes do fim de sem ana e chegam a uma solução que os dois con sid e ram razoável.

Pontos Maioria de respostas  Em geral vocês acham que a relação de vocês é de intim idade. Às vezes acham q ue é m uito íntim a e que têm m uita coisa em co m u m . Entretanto, isso nem sem ­ pre facilita a com u n ica ção . Talvez estejam negando ou evitando as diferenças en ­ tre vocês. Talvez não percebam que veem as coisas através de dois telescópios to ta lm e n te diferentes. Vocês podem a cha r que sabem quem é o seu par e o que esse está pensando, mas, na verdade, ele ainda pode surpreendê-lo. Seria bom ouvirem um ao outro com m aior atenção, sem se fiarem em suposições, e aceita­ rem m elhor as diferenças entre as personalidades dos dois.

Maioria de respostas B Em bora baseada no bom com p a nh e irism o , há m uita co m u n ica ção negativa na relação de vocês, e isso poderia vir a reduzir para am bos o valor e a longevidade


196 Relacionamentos e com unicaçao

do relacionam ento. Nota-se uma te n dê n cia ao afastam ento, a ficarem am uados ou a p u n ir um ao outro. Ou então um dos dois acha justo com portar-se m al. Vocês perm item que a conversa a dquira um tom negativo, e isso prejudica a confiança e o sentido de segurança entre am bos. Seria bom cu ltiva r um clim a m ais am istoso e de m ais aceitação, e não expressar tanta crítica nem pôr a culpa no outro.

Maioria de respostas C Esse relacionam ento não parece su ficie ntem e nte justo em certo aspecto. Trata-se do fato de um de vocês se esforçar m ais sinceram ente? Ou um de vocês é m uito possessivo? Um dos dois m ostra m aior cu id ad o e interesse do que o outro? Um de vocês acha que o outro se sente tão seguro do relacionam ento que não acha ne­ cessário se esforçar? Vocês ficam rem oendo problem as e ficam parados no m esm o lugar? De que form a esse relacionam ento poderia se to rna r um a am izade entre iguais? Seria bom colocar as cartas na mesa e d e c id ir se estão prontos, decididos e preparados para d ar um ao outro o que cada um precisa.

Maioria de respostas D Vocês dem onstram que existe um relacionam ento social positivo entre am bos. Sa­ bem consertar com entários negativos, am e n iza r situações tensas e e ntab u la r uma discussão positiva dos problem as delicados, de form a am istosa, franca e dem o ns­ tradora de aceitação. Escutam atentam ente um ao outro, de form a respeitosa. C om preendem e co nco rda m que para m anter esse relacionam ento é preciso es­ forço, e fazem isso com o bons co m p anheiros em pé de igualdade. Consideram um ao outro parceiros e co m p anheiros confiáveis. Sabem chegar a acordos que sejam bons para os dois, respeitam e encorajam o crescim en to e a evolução do parceiro, que não veem apenas com o parceiro, m as sim com o pessoa independente. Dão um ao outro gratificação, com p a nh ia e apreço, e isso faz com que o re lacionam en­ to seja um a experiência agradável a m aior parte do tem po.

Expectativas O que você espera do seu par? E o que ele ou ela espera de você? Esclarecer o que cada um espera do outro perm ite dar um tom construtivo ao seu relacionam ento. E preciso haver um equilíbrio


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 197

de expectativas. Não há equilíbrio quando se espera que um a pes­ soa faça todo o trabalho doméstico enquanto a outra fica sentada, esperando ser servida - a não ser que tenha havido um acordo claro quanto a essa expectativa, e os dois tenham concordado que isso é justo e desejável. Esse é um exem plo óbvio, mas existem ex­ pectativas bem mais sutis, que são difíceis de abolir, pois acabam se integrando à estrutura do relacionam ento.

Q uando A m anda e Dan com eçaram a nam orar, ele logo descobriu que ela cozinhava m uito bem . Em um de seus prim eiros encontros, ela sugeriu que ele fo s­ se um dia ao seu apartam ento, e ela faria um ja n ta r para ele. Ela tratou de m ontar um cenário m uito sedutor. Além de velas, luz indireta, flores, m úsica rom ântica, incenso e roupa de cam a nova, houve um ja n ta r delicioso, feito por ela. Claro que ela já havia se inform ado com antecedência de quais eram os pratos preferidos dele e das respectivas com binações, e passou a m aior parte do dia preparando tu d o para a noite. Q uando Dan chegou, adorou tu d o e aceitou prazerosam ente o clim a de se­ dução. Com entou várias vezes a com ida gostosa, perguntou com o ela havia des­ coberto que bouillabaisse era um dos seus pratos favoritos - e disse que a dela era m uito m elhor do que um a, deliciosa, que havia co m id o na Provença. A m anda per­ cebeu que ele gostava de boa com ida e co ntin uo u a co zin ha r para ele, co nvidando-o para ja n ta r várias vezes por sem ana. Ele não podia re trib u ir a gentileza porque ainda morava com a m u lh e r e nquanto tom avam providências para o divórcio. Além disso, ele estava sem d in h e iro porque a m u lh e r o tinha deixado sem nada. Quando A m anda não estava em casa, ou não podia co zin ha r por algum m otivo, ele com ia fora e a encontrava depois. Então A m anda fazia para si m esm a um sanduíche ou um a sopa q uando chegava em casa. Q uando o divórcio foi assinado, ele não tin ha lugar para morar. Am anda achou norm al que ele fosse m orar na casa dela por uns tem pos. Ele aceitou assim que ela ofereceu, e, com seis meses de nam oro, estavam m orando jun to s. Ele ofereceu um a ajuda para as despesas da casa, mas ela disse que por e nquanto não se im portava que ele fosse apenas um convidado. Por algum te m p o tu d o co ntin uo u a ser com o antes, e eles eram felizes. Dan saía cedo para o trabalho; A m anda lavava a louça do ja n ta r da véspera e arrum ava o a pa rtam ento antes de ir para o trabalho, poucas horas depois. 0 em prego dela era de m eio expediente,


198 Relacionamentos e com unicação

porque ela estava m ontando em casa um pequeno negócio próprio. E percebeu q ue já não se dedicava ta n to a isso desde que Dan viera m orar com ela, já que ele ocupava a m aior parte do seu tem po. Ao fin a l de d ezo ito m eses, esse e stilo de vida havia se to rn a d o um h áb ito , e A m a n d a co m e ço u a s u g e rir q ue Dan aju d asse um p ouco na c o zin h a , m as ele e x p lic o u q u e não era bom c o z in h e iro e q u e c o z in h a r o deixava nervoso, p o rq u e achava q u e não estava à a ltu ra dela. Ele até fazia a lg u m a coisa, m as era co m o se não servisse para nada - ligava o fo rn o m u ito a lto e q u e im a va a c o m id a , em p arte p o rq u e ficava e s p e ra n d o q u e ela tira sse as coisas do fo rn o na hora certa. Só aos poucos A m anda foi percebendo que Dan esperava que ela cozinhasse para ele todo dia, com pouquíssim a ajuda da parte dele. De vez em q ua n do ele dava d in h eiro para as despesas da casa, mas, na m aioria das vezes, sim plesm ente se esquecia disso e dava a im pressão de não te r um a noção m uito realista do preço das coisas. Parecia a cha r que, já que ela já com prava as coisas "para si m esm a ” e teria q ue pagar as contas de todo jeito, não havia necessidade de que ele co n ­ tribuísse com m uito. Q uando, um dia, ela o interpelou sobre a expectativa dele de que ela fosse a única encarregada da cozinha, ele fico u m uito ofendido e se recusou a d is c u tir o assunto. Deu a enten d er que não queria ser incom odado com coisas assim e que tinha preocupações m aiores e m ais im portantes, tais com o seu divórcio e seu novo trabalho com o sócio em um a firm a de advocacia. E m udou de assunto, elogiando sua beleza e dizendo que gostava m uito dela. A m anda percebeu, tarde dem ais, que tin ha sido um a boba e que o fato de ter se apaixonado por Dan e fazer tu d o para lhe agradar a havia im p e did o de pensar direito. Ela m esm a havia co ntrib u íd o para que Dan criasse a expectativa de que ela agisse com o a sua m ãe e resolvesse todos os assuntos dom ésticos. Dan e A m anda nunca haviam falado das expectativas de cada um q ua n to a um relacionam ento, e a situação havia sim p lesm e nte acontecido. A expectativa de Dan - sobre a qual ele nunca havia pensado m uito - era de que as m ulheres se encarregavam dos banais assuntos dom ésticos e o hom em batalhava fora de casa. Esperava que ela lhe servisse com o base de apoio. E, com o A m anda o havia seduzido com seus dotes culinários, esperava e nco n trar co m ida do m esm o nível na mesa todas as noites. A lgum as das expectativas de A m anda co m binavam bem com as de Dan. Ela esperava apoiá-lo e ser um a boa dona de casa, e ser solidária sem pre q ue Dan precisasse dela. Mas, por outro lado, esperava que Dan contribuísse com algum a


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 199

coisa, de form a justa e igualitária, e ficava esperando por algo que nunca a conte­ cia. Ela, por seu lado, ta m bé m esperava apoio q ua n do estava com m uito trabalho ou enfre n ta nd o problem as em seu negócio. Mas percebeu que, q ua n do estava cansada, estressada ou ocupada, Dan se m ostrava e specialm ente exigente. Se ela não conseguisse te r o ja n ta r pronto na hora que ele queria, ele saía para co m e r fora sozinho e nunca a convidava para ir junto. Q uando percebeu tu d o isso, A m anda ficou m uito aborrecida, m as Dan nunca estava disposto a d is c u tir o assunto. Depois de alguns meses de estresse, em que pensava no que fazer, ela pediu a ele q ue fosse em bora. Dan ficou m uito ofendido e falou pouco, m as m an d ou -lhe m uitos e belos buquês de flores, com cartões ro­ m ânticos em que a cham ava de “ m inha c o e lh in h a ” . A m anda não teve coragem de exigir que discutissem os problem as que precisavam ser resolvidos se quisessem co n tin u a r jun to s, e o relacionam ento fracassou. Dan quase que im ediatam ente arranjou outra pessoa, e A m anda preferiu c o n tin u a r sozinha por algum te m po até pensar bem nos m otivos pelos quais o relacionam ento tin ha sido um a sucessão de erros. < ^ s e-^ >

Se Am anda e Dan tivessem desde o início deixado claras quais eram suas expectativas, talvez o relacionam ento nunca tivesse de­ colado. Quem seria capaz de dem onstrar que queria para com pa­ nheira um misto de mãe, m ulher sedutora e capacho? Era mais fácil cam uflar os problemas. E fácil criticar Dan, mas, na verdade, ele apenas agiu de acordo com o m odo como estava condicionado a agir - queria um a vida pacata, e A m anda jam ais havia desm entido seriam ente a ideia dele de que era um a coelhinha trabalhadora que havia aparecido na hora certa. Esclarecer logo no início quais são suas expectativas faz toda a diferença no tipo de relacionam en­ to que você acabará tendo. Quais são suas expectativas em um relacionamento? ■ Quais são as qualidades essenciais que você exige em um relacionam ento? ° Quais são as qualidades que você gostaria de encontrar em um parceiro ideal?


200 Relacionamentos e com unicaçao

■ O que você acha que espera do seu par? ■ O que ele ou ela espera de você? ■ De ambos os lados, quais dessas expectativas desagradam ou não correspondem à realidade? ■ O que cada um espera do outro é justo, realista e equitativo? Fazer um contrato Um contrato é um acordo que duas (ou mais) pessoas estabe­ lecem em conjunto e que ambas concordam em cumprir. Pode ser muito útil estabelecer um contrato para o seu relacionam ento, que não precisa ser rígido e deverá ser revisto regularm ente. E um a boa m aneira de conservar a saúde do relacionam ento e ajuda a não es­ quecer o que cada um espera do outro e como isso está sendo cum­ prido. Não se trata de um contrato legal, mas sim de um acordo explicitam ente discutido, de form a que as duas pessoas envolvidas saibam exatam ente o que é esperado delas e o que podem esperar em troca.

Comportamentos positivos e negativos em um casal Comportamentos que dão certo Casais bem-sucedidos costumam m onitorar quase que con­ tinuam ente seu relacionam ento e procuram agir de um a form a que leve igualm ente em conta as necessidades de cada um. Casais bem-sucedidos podem ap ren d er a ser ainda mais bem-sucedidos e a superar dificuldades de com unicação se forem capazes de identificá-las e superá-las. Alguns com portam entos dem onstram ao outro que é amado, que você é sensível às necessidades dele e que pode contar com você quando precisar. Daremos a seguir um a lista de com portam entos que, combinados, servem para criar um relacionam ento sadio e feliz. A prender e colocar em prática esses com portam entos não é falta de sinceridade, mas, pelo contrário, vai dem onstrar ao seu par que você está se esforçando para tornar tudo melhor.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 201

Avalie a si mesmo e ao seu par Comportamentos positivos em um casal

Q uando seu par aborda um tó p ico desagradável, ele/ ela o faz de form a am ável e gentil e escolhe a hora apropriada para isso? Seu par trata você em pé de igualdade? Seu par trata você com respeito? Ele ou ela se interessa e se preocupa sinceram ente com seu bem -estar? Ele ou ela faz coisas para você espontaneam ente e com prazer? Seu par leva em consideração tanto as próprias neces­ sidades q u a n to as suas? Seu par encoraja você a crescer e evoluir? Seu par lhe dá satisfação sexual? Ele ou ela cham a sua atenção de form a gentil e a pro ­ priada q ua n d o necessário? C om preende você? Escuta com atenção o que você lhe diz? Aceita você do jeito q ue você é? Está ao seu lado q ua n do você precisa? A um enta sua autoestim a? D em onstra visivelm ente que o/a am a e aprecia?

Parceiro 1

Parceiro 2

□ □ □ □ □ □ □ □ □ □ □ □ □ □ □

□ □ □ □ □ □ □ □ □ □ □ □ □ □ □


202 Relacionamentos e com unicação

Parceiro 1 Faz dem onstrações físicas de carinho, e não apenas □

as sexuais? Seu par tem te m p o para você? Seu par sabe deixar para trás os problem as, desaven­ ças e erros passados? Ele ou ela parece sem pre te r um a visão positiva a seu respeito? É sincero e honesto com você? Tem interesse de saber m ais sobre você? A m bos já falaram a fu n d o do passado de ambos? A cha que seu par sabe quais são alguns de seus so­ nhos e m etas e os co m p re en de e apoia? Seu par perm ite que você influ en cie a vida dele/dela e adapta os próprios planos para ate nd e r à sua co n ­ veniência?

□ □ □ □ □ □ □ □

Parceiro 2

□ □ □ □ □ □ □ □ □

Q uantos desses com p o rta m e n to s positivos de um casal você m arcou com o seus? Parceiro 1 _____

P arceiro 2 _____

Comportamentos negativos em um casal Quantos dos com p o rta m e n to s descritos abaixo são seus tam bém ? E do seu par? Esta lista pode ser encarada com o um m anual de com o te r um re la cio n am e n ­ to horrível! São coisas que não se deve fazer. Cada um desses co m p ortam entos serve com o aviso de que o relacionam ento vai mal se co n tin u a r assim . Se você perceber que costum a adotar regularm ente um desses com portam entos, está na hora de parar e pensar. Parceiro 1 Com eçar um a discussão de form a agressiva ou crítica. C riticar com fre qu ê ncia . R eclam ar de tudo.

□ □ □

Parceiro 2

□ □ □


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 203

Parceiro 1

Parceiro 2

□ □ □ □ □ □ □ □ □

Queixar-se.

Não tra ta r o outro em pé de igualdade, co nsiderando-o

□ □ □ □ □ □ □ □ □

rença ou falta de interesse.

Calar-se ou e m b u rra r para p u n ir o outro.

M anter-se distante com fre qu ê ncia .

Tom ar certas atitudes por causa de ciúm e.

Q uerer m an d ar no outro.

Q uerer co ntro lar o outro.

o outro esteja doente ou ocupado.

Fazer m enos que a m etade do trabalho.

Recusar-se a falar de d eterm ina do s tópicos.

seja superior, seja inferior a você. Não atender a pedidos razoáveis. Ceder com fa cilida d e a pedidos pouco razoáveis. C oncordar em aceitar com p o rta m e n to s inaceitáveis do seu par. C ulpar seu par pelo que você sente. Reagir mal ou ficar na defensiva quando seu par discorda de você ou faz uma crítica construtiva de form a gentil. Não escutar. Não p e rm itir que ele/ela o influencie, ou, pelo co n trá ­ rio, adaptar seus planos de acordo com a conveniência do outro. Im p ed ir o progresso do outro. Dem onstrar, por m eio da linguagem corporal, ind ife ­

Exigir que seus desejos sejam atendidos, m esm o que

Fazer coisas que estão em desacordo com seu co n tra ­ to de casal.


204 Relacionamentos e com unicação

Recusar-se a a ceitar responsabilidades. Não valorizar ou não notar as coisas. G uardar ressentim ento. Sabotar sua confiança e sucesso. A outra pessoa q u e r q ue você cu id e dela - m as não faz o m esm o por você. D esentendim entos e brigas constantes por causa de assuntos corriqueiros. Falar m al do parceiro para os outros.

Parceiro 1

Parceiro 2

n

□ □ □ □ □

□ □ □ □ □

Q uantos desses co m p o rta m e n to s positivos de um casal você m arcou com o seus? Parceiro 1 _____ Parceiro 2 _____

0 que você gostaria de mudar?

Protesto saudável Saber protestar q ua n do um a coisa não lhe agrada é m uito saudável. Todos nós precisam os nos zangar e nos a firm a r de form a apropriada para que nossas necessidades sejam respeitadas e para que não passem por cim a de nós nem


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 205

nos tratem m al. As perguntas abaixo vão fazer com que você perceba m elhor os problem as que precisam ser tratados com firm eza saudável. Q uando era criança, você era ouvido q ua n do dizia o que queria?

P e rm itiam -lhe dizer "n ã o ” q ua n d o você não queria algum a coisa?

Q uando estava com raiva ou zangado, com o você o expressava? A lguém o levava a sério?

Hoje, com o age q ua n do se zanga?

Se o seu par faz algum a coisa que realm ente o aborrece, com o você age? (Por exem plo, você m ostra sua raiva abertam ente, se retrai, fica de m au hum or, castiga o outro de m odo que se sinta tão mal q ua n to você, prefere a passividade?)

Sabe com o dizer ao seu par e às pessoas à sua volta o que você quer?


206 Relacionamentos e com unicação

Acha que seu par ou as outras pessoas próxim as não lhe dão o devido valor, ou o exploram ?

Acha que às vezes perde o controle devido à raiva? Ou que sua raiva é expressada de m odo m uito indireto ou passivo?

Essas perguntas e respostas lhe m ostram um pouco do que você aprendeu na infância e vem pondo em prática desde então a respeito de regras para ex­ pressar seu direito de protestar de form a apropriada, pedir o que quer, dizer não e im p o r seus lim ites às outras pessoas.

Como administrar conflitos C onflitos existem em todos os relacionam entos. Se de vez em q u a n d o surgirem conflitos ou você tiver sentim entos negativos a respeito do seu par, isso não q u e r dizer que exista algo de errado. U m relacionam ento bem -sucedido não q u e r dizer ausência total de negatividade ou diferenças, mas sim um relacio n am en to em que a negatividade e as divergências de opinião são tratadas e resolvidas fran cam en te e com delicadeza. Os conflitos surgem p o r m uitas razões, todas elas devido ao fato de as pessoas terem p o ntos de vista diferentes: diferenças de personalidade, a m an eira de am ar e a história pessoal de cada um , o fato de estarem atravessando fases diferentes do relacio n am en to (ver capítulo 4), falhas de com unicação e o fato de as pessoas dese­ ja re m coisas diferentes ou terem um a ag en d a p ró p ria que faz com que ten tem con d u zir u m a situação de m odo a que ela se ad ap te às


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 207

p ró p rias necessidades. M uitas vezes nem percebem os q ue fizemos algo que a b o rreceu ou m agoou a o u tra pessoa p o rq u e estam os to­ talm en te ocupados com o u tra coisa. U m relacio n am en to no qual os conflitos não p o d em ser ex­ pressados geralm ente não é um relacionam en to saudável. No e n ­ tanto, conflitos tratados com agressividade e de form a desastrada são causa de m uitos sofrim entos. O que é um a briga justa? Para te r um relacio n am en to sau vel e durável é preciso que concordem em se gu iar p o r algum as di­ retrizes com uns aos dois. P or exem plo, algum as pessoas cresceram em famílias b aru lh en tas e agitadas, e falar alto é n o rm al para elas. O utras pessoas, criadas em lares tranqüilos, nos quais ra ra m e n te se levantava a voz, a não ser para expressar raiva o u frustração ex­ trem a, p o d em consid erar inaceitável que o o u tro grite com elas p o rq u e se esqueceram de c o m p rar cebola.

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Comportamentos aceitáveis e inaceitáveis Pense nesses co m p o rta m e n to s q u e podem su rg ir em situações de co n flito e decida q uais são aceitáveis para você ou não. Se você e seu par d isco rda m , então precisam ch eg a r a um a cord o q ue a m bos sejam capazes de respeitar. Usar q u a lq u e r um a destas estratégias d im in u i as ch an ces de resolver bem um co nflito . 1 G ritar ou levantar a voz. 2 Falar palavrões ou usar linguagem injuriosa. 3 R ecorrer à agressão física. 4 Usar com o a rgum ento o passado ou assuntos que não têm a ver com o tó p ico em questão. 5 Iniciar a discussão critica n d o o parceiro ou usar a crítica para in tim id a r o outro, para que ele m ude.

6 Ficar calado ou recusar-se a d isc u tir o problem a, m ud a nd o de assunto ou não prestando atenção ao que é dito. 7 Não e scutar q ua n do o outro levanta um a questão im portante.


208 Relacionamentos e com unicação

8 Tratar o assunto num tom de voz ofensivo ou agressivo. 9 Jogar no outro a culpa por seus m aus sentim entos. 10 Q ualquer outro co m p o rta m e n to que seja desagradável para você. D urante um a briga ou d e se n te nd im e n to de quais dos com p o rta m e n to s acim a você seria capaz?

Quais deles você aceitaria no seu par?

Quais deles o seu par acha aceitáveis?

Quais deles são inaceitáveis para o seu par?

Que tip o de acordo vocês precisam firm a r para terem certeza de que seus d esen­ te n d im e n to s serão justos?


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 209

Como administrar conflitos com habilidade G eralm ente um conflito adm inistrado com habilidade, usan­ do a com unicação de m an eira correta, tem m aio r c hance de levar a u m a solução razoável - o u as pessoas envolvidas a co n co rd arem em aceitar suas diferenças. As pessoas são capazes de aceitar u m certo nível de d esen ten d im en to , mas não o desrespeito, acusações ou hum ilhação. Resolver um conflito de m an eira habilidosa re q u e r estas seis técnicas de adm inistrar conflitos: *

* ■

■ ■

Escolham de com um acordo um lugar e u m a h o ra ap ro p ria­ dos p a ra discutir, q u a n d o n e n h u m dos dois estiver cansado, estressado ou p reocupado. C om binem um lim ite de tem po - n ão esten d am a discussão p o r horas a fio. Pensem antes, m uito bem , n o que vão dizer; p o r exem plo, não aproveitem a ocasião p ara p ô r p a ra fora seus piores e mais negativos sentim entos, tais com o hostilidade e ressentim ento. U m a discussão proveitosa não é um a livre expressão de negatividade, mas sim u m a form a ad ulta de negociar. D eem tem po a cada um p a ra ouvir aten tam e n te o p o n to de vista do outro. C ada qual deve re p e tir o que o o u tro disse, d a fo rm a com o o co m p reen d eu , u sando o mais possível o m esm o tipo de lin­ guagem utilizada pelo o u tro , sem acrescen tar distorções di­ tadas pela raiva. P or exem plo: “A cho que você está q u e re n d o dizer que não aceita q ue eu fique fora tanto tem p o e que q u e r que eu ajude mais com as crianças” soa m u ito m e lh o r do que “Você vive reclam ando que eu n u n c a estou aqui. Você devia saber que eu estou sem pre o c u p ad o ”. Cada um deve ter sua chance de expor o que o está aborrecendo e o que gostaria que mudasse. Isso deve ser dito de form a respei­ tosa, sem acusações. Por exemplo: “Q uando você bate a p o rta é com o se m e rejeitasse e m e botasse para fora”. E não: “Por que você vive batendo a porta? Será que não sabe fechar direito?” Tudo aquilo que você gostaria que a o u tra pessoa m udasse n o c o m p o rtam en to dela deve ser exposto com o u m p ed id o


210 Relacionamentos e com unicaçao

positivo, com o: “Eu ficaria m uito c o n ten te se antes de sair de m a n h ã você m e trouxesse o c h á ”, m uito m e lh o r do que: “Você n ã o liga m ais p a ra m im , você n u n c a faz o m eu chá de m a n h ã ”. A ntes de e n ce rra re m a discussão, ten tem ch eg ar a u m acordo que seja razoável p ara am bos, m esm o que te n h am que deixar p a ra depois a solução ideal. C om binem o que cada u m vai fazer p ara m e lh o ra r a situação e m arq u em u m a nova discussão p a ra daí a algum tem po a fim de discutir com o vão as coisas. Em qual dessas técnicas você se sai m elhor? E pior?

Perdão e reconciliação Às vezes, esquecer o que passou - ou p e rd o a r o que alguém nos fez - é a ú n ica m an eira de nos lib ertar e seguir em fren te. M esmo n ão p a re ce n d o um a b o a ideia esquecer as m ágoas q ue outras pes­ soas nos causaram , isso nos deixa pro n to s p ara u m fu tu ro m elhor, em vez de nos sentirm os p e rm a n e n te m e n te infelizes o u deixarm os q ue o acontecido m arq u e p ara sem pre o relacio n am en to . E m bo­ ra tirar a desforra possa de algum a form a fazer-nos sen tir m elh o r tem p o rariam en te, o p e rd ã o parece ser mais benéfico à saúde da vítima. Pessoas que sabem p e rd o a r sofrem m enos de ansiedade e depressão, têm m enos co m portam entos hostis e são, g eralm ente, mais saudáveis. A capacidade de p e rd o a r p o d e estar relacio n ad a ao grau de satisfação e intim idade que sentim os em u m relaciona­ m en to - isto é, é mais fácil p e rd o a r q u a n d o co m p reen d em o s o que levou a pessoa a co m eter o ato que nos aborreceu . E interessante n o ta r que a dificuldade em p e rd o a r a si p ró p rio está associada à baixa autoestim a, à raiva e à ansiedade. O processo de p e rd o a r passa p o r três estágios:

1 Você se sente capaz de reconhecer e discutir o que houve? Isto q u e r dizer: não n eg ar nem deixar de falar n o que aco n te­ ceu, e m o strar que acredita que a culpa é d a o u tra pessoa - do con trário, n ão haveria o que perdoar.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 211

2 Você consegue se desligar? P o r exem plo: seria capaz de sentir em patia e c o m p re e n d e r o que a o u tra pessoa estava sentindo naquele m o m en to , e de te n ta r e n te n d e r o que a motivou? Se ficar com raiva, use isso com o com bustível p a ra levá-la a u m a m u d an ça positiva, se possível. 3 Sente-se capaz de discutir o fato de maneira franca e honesta? Para que seja possível perdoar, é preciso que a o u tra pessoa esteja disposta e re c o n h ec er a gravidade do que fez e e n te n d a bem com o fez você se sentir. (M uitas vezes, as pessoas negam ou m inim izam a im p o rtân cia do que aconteceu.) Se o o u tro n ão consegue ver as coisas do seu p o n to de vista, você não terá com o perdoá-lo com pletam ente.

Diferenças de personalidade Elas são responsáveis p o r m uitos conflitos, p o rq u e tem os a te n ­ d ên cia a im aginar que todo m u n d o é igual a nós e p en sa ex atam en ­ te com o pensam os - ou en tão que, se as pessoas são d iferentes de nós, elas estão erradas. M uitas vezes não nos dam os co n ta de que as outras pessoas n em sem pre estão ligadas na m esm a o n d a que nós e que, nesse caso, não conseguim os e n te n d e r au to m aticam en te qual é a delas. A m aior e mais básica é a diferença e n tre extroversão e in tro ­ versão. E m bora todo m u n d o saiba disso, essa diferença ain d a causa m uitos d esen ten d im en to s e n tre casais. Isso p o rq u e esses dois tipos fu n d am entais veem o m u n d o e se relacionam com ele de form a diferente. Se você é um introvertido, dificilm ente conseguirá ver as coisas do p o n to de vista de um extrovertido. N ão q u erem os di­ zer q ue u m tipo é m e lh o r do que o outro, eles sim plesm ente são diferentes. Extroversão e introversão são com o as duas p ontas de u m a vara, e nós todos estam os em algum p o n to e n tre esses dois ex­ trem os. A m aioria das pessoas tem características p e rte n ce n te s aos dois tipos, mas com a p red o m in ân cia de um deles. Sabe-se que ser extrovertido ou introvertido faz p arte do seu te m p e ram en to nato,


212 Relacionamentos e com unicação

p o rta n to é algo que não p o d e ser fu n d a m e n talm en te alterado. No en tan to , as vivências e as situações p o d e m nos fo rçar a ad o tar ca­ racterísticas do tipo oposto ao nosso. Se você é introvertido, n ad a o im p ed e de ad o tar n a vida social as cai'acterísticas de u m ex tro ­ vertido. Assim m esm o, você n u n c a será n atu ra lm e n te do tipo que cham am “a alm a da festa”, com o são os en tu rm ad o s extrovertidos. E talvez prefira, secretam ente, passar a noite n a co m p an h ia d e um bom livro ou de apenas u m a ou duas pessoas.

Você é extrovertido ou introvertido? M arque A ou B em cada pergunta, depois som e seus pontos no final.

1 Se receber um convite para um a festa para m uitos convidados, você a.

Sente-se coagido a comparecer?

b.

Sente-se animado e cheio de energia, e espera ansiosamente pelo dia?

2 Como é o seu círcu lo de am izades? a.

Tem um grupo pequeno de amigos leais, que conhece bem e com os quais

b.

Tem um vasto círculo de amizades, que inclui pessoas de tipos variados,

adora se encontrar? amigos, colegas, conhecidos, e considera a todos como amigos?

3 Você: a.

Sente-se mal e cansado quando passa tempo demais na companhia de outras pessoas?

b.

Sente-se mal e cansado se passar muito tempo sozinho ou com um grupo pequeno de pessoas?

4 Você: a.

Gosta de verdade de estar consigo mesmo e acha que ficar algum tempo sozinho lhe faz bem?

b.

Sente que pode ficar um tempinho consigo mesmo?


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 213

5 Se fic a r sozinho em casa num final de sem ana, você: a.

Se sentiria bem em ficar em casa?

b.

Sentiria necessidade de sair, encontrar os amigos ou arranjar alguma diversão?

6 Você: a.

Se sente cansado se é obrigado a passar o dia trabalhando intensivamente com outras pessoas?

b.

Sente-se cheio de energia pelo contato com outras pessoas no trabalho?

7 Assim que chega em casa vindo do trabalho, você: a.

Prefere uma atividade sossegada, quieta e relaxante?

b.

Quer logo conversar com alguém, ligar a TV ou o rádio?

8 Sua te n dê n cia é: a.

Interessar-se intensamente e se envolver com seus assuntos e atividades favoritas, de modo que chega a perder a noção do tempo?

b.

Tem uma grande variedade de interesses, mas salta facilmente de um para o outro?

9 Você: a.

Acha difícil concentrar-se em um ambiente barulhento ou quando é interrompido?

b.

Gosta de ver muita atividade ao seu redor e adora ser interrompido?

10 Você diria que: a.

É muito difícil as pessoas chegarem a conhecê-lo de saída; elas só o apreciam e o compreendem inteiramente depois de conhecê-lo por algum tempo?

b.

É muito fácil conhecê-lo?

Contagem de pontos A _____ (introvertido) B _____ (extrovertido) Com pare sua contagem de pontos com a do seu par e conversem sobre isso.


214 Relacionamentos e com unicação

Comunicação e preferência quanto a estilo de vida Essas perg u n tas certam en te ilustraram algum as diferenças q u an to ao estilo de vida p referid o p o r extrovertidos e introverti­ dos. E m bora cada qual possa conviver com o o u tro , é exaustivo viver o tem po to d o de form a d iferente daq u ela que se p refere. Se você é u m introvertido e trab alh a o dia todo na c o m p an h ia de o u ­ tras pessoas, precisará passar algum tem po sozinho ao ch eg ar em casa, o u q uem sabe u m a conversa a dois lhe dê a o p o rtu n id ad e de a p ro fu n d a r u m a questão. Se você é um extrovertido m as n ão faz m uitos contatos d u ra n te o dia, ao chegar em casa estará fam into p o r co m p anhia, diversão e estím ulo. Os introvertidos obtêm sua en erg ia in sp irad o ra do seu m u n ­ do interior, ao passo que os extrovertidos receb em do ex terio r a e n erg ia e a inspiração; dessa form a, tem os necessidades d iferen ­ tes q u an to a estím ulo externo. Além disso, o intro v ertid o p refere tem p o p a ra p e n sa r com p ro fu n d id ad e antes de a p re se n ta r o que resu lto u do seu pen sam en to - e p o d e estar certo de que ele p e n ­ sou cu id adosam ente e p o n d e ro u d em o ra d am e n te tudo. P o r o u tro lado, o extrovertido costum a p en sar em voz alta p ara ch eg ar a u m a opinião, mas isso certam en te n ão será a sua palavra final sobre o assunto. Dessa form a, um introvertido p o d e d a r u m a im p o rtân cia indevida aos com entários aleatórios de um extrovertido, ao m esm o tem p o que um extrovertido p o d e não se d ar co n ta de que o in tro ­ vertido acabou de dizer algo m uito im p o rtan te que talvez ten h a levado sem anas p ara pensar. Assim, os introvertidos têm a certeza de que disseram algum a coisa - mas, n a verdade, apenas p en saram n ela e nem se lem braram de a b rir a boca p ara com unicá-la. E os ex­ trovertidos p o d em dizer a m esm a coisa tantas vezes q ue você deixa de p re star atenção. Essa diferença n o m odo de se com unicar e de p referências q u an to ao estilo de vida não são apenas superficiais, mas resultam de duas m aneiras in te ira m e n te distintas de p e n sa r e de a p re e n d e r


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 215

a realidade. Ser capaz de en ten d er, aceitar e valorizar as diferenças en tre vocês to rn a mais forte um relacionam en to . M uitas vezes os introvertidos e os extrovertidos se atraem , j á que suas diferenças, u m a vez com preendidas, são co m plem entares e reforçam a rela­ ção. U m relacio n am en to que re ú n a am bas as características é mais equilibrado.

Segurança e apego Considera-se que o apego é um dado fu n d am en tal d a vida em o­ cional adulta. Desde o nascim ento, nossa segurança e nossa saúde física e em ocional se baseiam nos laços que criam os com outras pessoas. A autoestim a e a segurança em ocional estão in tim am en te ligadas. N a p rim eira infância, essa segurança d e p en d e d a p ro x i­ m idade física; n a idade adulta, precisam os de p ro x im id ad e em o­ cional e carinho, em patia e com preensão. H á m uitas evidências de q ue u m apego seguro n a infância p ropicia u m c o m p o rtam en to saudável tanto em ocional q u an to psicológico n a vida adulta, assim com o relacionam entos m enos problem áticos. Os adultos capazes de se ap eg ar fo rtem e n te dem o n stram m aior capacidade de estabe­ lecer relações de com panheirism o. Jo h n Bowlby foi um psicólogo e pesquisad o r inglês, p io n eiro , nos anos 1950 e 60, n o estudo dos transtornos do apego, d a sepa­ ração e d a perda. Ele p e rc eb e u que as crianças separadas p o r m ui­ to tem p o de suas m ães (ou da cu id ad o ra principal) com eçavam a m o strar sintom as de vários distúrbios psicológicos que in titu lo u transtorno do apego. Ele concluiu que, na infância, nós nos sentim os bem a respeito de nós m esm os e do m u n d o à nossa volta q u an d o tem os adultos confiáveis a quem podem os recorrer. Pesquisas feitas pelos in ú m eros seguidores de Bowlby d eram origem a p ro c e d im en ­ tos com uns em centros infantis de saúde, tais com o p e rm itir que os pais p erm an eçam no hospital com os filhos. A ntes disso, não eram bem c o m p reen d id o s a d o r e o sofrim ento indescritíveis das crianças ao se verem separadas dos pais p o r razões diversas - com o doença, dificuldades financeiras da fam ília, evacuação em caso de guerra. M uita gente cresceu sem u m a base segura e p o d e atestar


216 Relacionamentos e com unicação

com o isso sem pre as fez sentir-se infelizes, inseguras e incapazes de m a n te r relacionam entos satisfatórios. As crianças que ex p erim en taram u m a forte sensação de apego estão bem preparadas p ara desfrutar de relacio n am en to s estáveis e seguros n a idade adulta. A queles que confiam m enos nos outros sentem mais dificuldade em se ap eg ar a outras pessoas. E com o se esperassem o tem po todo que algum a coisa dê errad o , e não con­ seguem se soltar em u m relacionam ento p o rq u e estão sem pre um po u co ansiosas, n a expectativa de mais a b an d o n o , falta d e seguran­ ça, p e rd a e até m esm o hostilidade. Todo m u n d o tem u m estilo p ró p rio de dem o n strar apego, que é um a fusão de suas experiências de infância, dos padrões de ape­ go em sua fam ília e de sua personalidade e preferências. H á quatro padrões diferentes de apego: seguro, ansioso, evasivo e ambivalente. N en h u m deles é constante, e a m aioria das pessoas m ostra diferen­ tes com binações desses atributos em m om entos diversos. Se em um casal pelo m enos um dos parceiros dem onstra u m estilo seguro de apego, o relacionam ento tem mais probabilidades de ser estável do que relacionam entos em que am bos os parceiros m ostram te r ca­ racterísticas do tipo de apego ansioso ou evasivo. N a idade adulta, as pessoas se sentem m uito mais autoconfiantes se m antêm u m re­ lacionam ento que lhes dá a sensação de segurança. N o entanto, as pessoas inseguras ten d em a rep etir o passado: escolhem parceiros segundo seus m odelos do passado, e podem atu ar segundo padrões de ansiedade, hostilidade e m edo do ab an d o n o ou de se sentirem aprisionados. Desse m odo atraem a atenção e se sentem vivos. Os relacionam entos dão certo q u a n d o neles está su b en te n d i­ d a u m a sensação de segurança e estabilidade. Isso não q u e r dizer que se to rn a rã o relacionam entos convencionais e tediosos, mas sim que, n o final do dia, você p o d e co n tar com seu p a r à sua espera. Q ue ele não vai fugir com a pianista do clube n o tu rn o ! As pessoas seguras de si m esm as te n d em a estabelecer relacionam entos segu­ ros. N ão gostam de provocar ansiedade e hostilidade o u de fazer com que o o u tro se sinta inseguro. E, provavelm ente, j á que não tem em a in d e p en d ê n c ia dos filhos, d arão a eles condições q ue lhes p erm itam sentir-se seguros.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 217

Qual é seu estilo de apego? Com qual destes você se parece? (Seria útil lem brar-se de relacionam entos anteriores, assim com o pensar em seu relacionam ento atual, para perceber que padrões vão se to rna n do m ais evidentes com o te m po .) São apenas três seções; escolha em cada um a delas qual das q ua tro “ respostas” é um a descrição m ais fiel do seu jeito de ser. Elas representam q ua tro estilos de apego, que serão descritos ao final. 1 Até que ponto você precisa de intim ida d e com seu par o te m po todo, e até que ponto prefere m an te r certa distância? a.

Você gosta de se sen tir íntim o do seu par. Confia nele e lhe dá m otivos para co n fia r em você.

b.

Você gosta de in tim id a d e e de sentir-se ligado ao seu par, mas às vezes tem e que o relacio na m en to não dure.

c.

Você gosta de sexo e in tim id a d e às vezes, mas prefere m a nter sua in d e pe nd ên cia e seus sentim entos sob controle.

d.

Você gosta de in tim id a d e e de sentir-se ligado ao seu par, mas isso às vezes lhe dá claustrofobia ou a im pressão de estar preso. Você nem sem pre tem certeza do que pensa a respeito de sentir-se dep en de nte do seu par, ou a respeito de a outra pessoa d e p e n d e r tan to de você.

2 Q uando seu par sai ou se ausenta por longo tem po, qual dessas atitudes se parece mais com a sua? a.

Você sente saudades, mas se m antém em contato d ura n te a ausência dele e espera com ansiedade a sua volta. Porém aproveita o tem p o para fazer outras coisas, tais com o e nco n tra r os am igos ou a d ia n ta r seu trabalho.

b.

Sente saudades e não se sente bem por algum tem p o. Acha d ifícil c o n tin u a r vivendo sua vida e pensa m u ito na pessoa ausente.

c.

Quase não sente a falta da pessoa ausente e se ocupa m uito com outras coisas; talvez ten ha e ncontros com outras pessoas d ura n te essa ausência.

d.

No com eço sente m uitas saudades da pessoa ausente, mas, q ua nd o eía volta, você já se a costum ou a ter um a vida ind e pe nd en te e custa a se reacostum ar


218 Relacionamentos e com unicação

a te r essa pessoa por perto. Falando fra n ca m e n te , não se sente 100% feliz com o reencontro.

3 Você está esperando que seu par volte para casa, m as ele/ela chega m uito m ais tarde do que você previa. Por algum m otivo, ele/ela não teve com o telefonar para explica r por que se atrasaria. Q uando ele/ela chega, com o você reage? a.

D urante a espera, você com e çou a fazer outra coisa. Sente-se con ten te e aliviado porque seu par chegou, em bora, obviam ente, queira saber o que aconteceu. Mas q ua nd o ele/ela chega você lhe dá um grande abraço.

b.

Você se preocupa, sente m edo e ansiedade, não consegue se c o n c e n tra r em nada e passa várias horas te n ta n d o d e sco b rir onde está seu par, para saber o que está ocorrendo. Im agina diversos desastres que podem te r acontecido. Q uando ele/ela entra pela porta, você com eça a fala r im e dia ta m e nte da sua p reocupação e exige que a pessoa diga onde estava.

c. d.

Q uando ele/ela chega, você age com o se nada tivesse acontecido. Q uando eçe/ela chega, fina lm en te, você já passou por todo tip o de em oção, e seus sentim entos podem estar confusos. Talvez prefira não fala r no assunto. Pode sen tir raiva ou rejeitar e ind ire tam e nte tra ta r mal a pessoa por te r fica d o longe, ou agir com o se não se im portasse com o atraso.

Quatro estilos diferentes de apego A Trata-se do apego seguro, q u a n d o existe um a base de segurança. Vocês se se n ­ tem seguros e co nfiantes em seu relacionam ento, e isso porque, provavelm ente, desenvolveram em seu íntim o uma noção de segurança. Não são especialm ente cium e ntos ou possessivos em relação um ao outro e aceitam que cada qual tenha te m p o e interesses separados, em bora, por outro lado, valorizem intensam ente a relação de intim id a d e que existe entre vocês. A m bos se sentem com o indivíduos autônom os, capazes de levar vida autônom a, m as de serem , ao m esm o tem po, in ­ te rdependentes. Sabem exam inar com olhar objetivo seu relacionam ento e pensar e falar de form a clara sobre isso. A ceitam o fato de que, com o adultos, ainda ne­ cessitam de um a base segura - não precisam lutar contra esse fato, nem negá-lo. A lgum as pessoas chegam a pensar q ue é um estilo seguro ou tedioso dem ais para elas. Mas, na verdade, é um estilo m uito saudável e não obriga ninguém a evitar m udanças e aventura.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 219

B Esse estilo de apego é m ais ansioso. Você sente d ific u ld a d e em co nfia r totalm ente em seu parceiro, e coisas sim ples, com o um atraso ou um aparente interesse do o utro em m ais alguém , podem deixá-lo m uito inseguro. Você tem e a rejeição. Seu c o m p o rta m e n to pode ser do tip o pegajoso e possessivo e talvez você seja c iu m e n ­ to. Às vezes não consegue evitar com portar-se assim , m esm o que isso possa levar a outra pessoa a se afastar. Leva te m po para a pre nd e r a sentir-se seguro, e você vai precisar do apoio e da com preensão do seu par. Se ele ta m bé m é inseguro, pode ser difícil para vocês darem um ao outro a segurança de que am bos precisam . C Vamos falar do estilo evasivo de apego. Você diz a si m esm o que deve se m anter distante, não se envolver dem ais, fica r de pé atrás. Tem a te n dê n cia a se sentir aprisionado ou enrolado em um a teia, e não gosta de se sentir responsável pelos problem as de outra pessoa. Em um relacionam ento, lança m ão de táticas varia­ das para m anter um a distância segura do seu par, pois acha que um excesso de intim ida d e e proxim idade é sufocante ou am eaçador. A um a certa altura, pode pôr fim a um relacionam ento porque prefere sentir que m antém o controle sobre sua própria vida. Talvez use a rejeição ou a crítica com o tática para não co rre r o risco de ser você o rejeitado.

D Trata-se do estilo am bivalente de apego. Isso que dizer te r ocasionalm ente se nti­ m entos confusos a respeito do seu par, o que pode levá-lo a m ud a r de opinião com fre qu ê ncia a respeito do relacionam ento. Ora é caloroso e carinhoso, ora q u e r fica r só e critica m uito o seu par, para quem é m uito difícil e nten d er o q ue representa para você. Às vezes você se sente ansioso e solitário, em outros m om entos sente-se abafado e prefere ser deixado em paz. Você sofre m uito q ua n d o as pessoas o d ecepcionam . Talvez exigissem de você, q ua n do ainda era jovem dem ais para isso, que fosse ind e pe n de nte e autossuficiente, o que o deixou um pouco confuso, de m odo que nem sem pre sabe o que quer. Sabe que deseja um re la cio n am e n ­ to íntim o e é capaz de perm a ne cer em um relacionam ento assim , m as precisa co m p re e n d e r suas inseguranças m ais profundas antes de se p e rm itir ser mais vulnerável.


220 Relacionamentos e com unicação

Questionário do apego Esta é um a boa m aneira de explorar ainda m ais sua história de apego, e de perceber m elhor com o ela influencia seu relacionam ento. Pesquisas vêm m ostran­ do que faz m uita diferença em seu m odo de e nfre n ta r a vida ser capaz de e ntender e refletir sobre a própria situação em ocional e de exam inar e expressar os próprios s entim entos quanto a isso. Este é um questionário im portante, e pode provocar sensações fortes. É m elhor levar um bom te m p o exam inando estas perguntas e só voltar ao questionário depois de ponderar suas respostas. Você pode fazer isso ju n to com seu par, q ua n d o tiverem te m p o bastante para ponderar profu n da m e nte os problem as envolvidos, o que dará a am bos a o po rtu nid ad e de perceber com o o passado e o presente estão conectados ao seu relacionam ento, e o que podem fazer para a p rim o ra r seu relacionam ento atual. Do que você se lem bra qua n to ao seu estilo de apego na infância? Por exem plo: Sentia-se seguro? Era co nfia nte ou carente? Ficava ansioso, reservado, ou sentia-se a ba n donado q u a n d o sua m ãe o deixava em algum lugar? Tinha certeza de que ela voltaria e se sentia feliz ao reencontrá-la?

Quem eram as pessoas, lugares ou anim ais aos quais você se sentia apegado q ua n do era criança? O lhando para o passado, o que esses relacionam entos signi­ ficavam para você?

Quem você acha que o entendia m elhor q ua n do você era criança? A quem você recorria q ua n do estava preocupado?


As 1000 perguntas mais importantes que você deveria fazer a si mesmo 221

Cite algum as palavras que descrevam com o se sentia a respeito de seus cu id ad o res q ua n do você era criança.

Você passou pela perda de algum a figura im portante à qual era apegado? Como isso o afetou?

Você passou por algum a experiência tra um á tica ou assustadora associada a algum dos seus p rin cip a is cuidadores? Em caso afirm ativo, com o isso o afetou? A lgum de seus cu idadores representava um a ameaça?

Com o você enfrentava as coisas que não saíam do jeito que você queria, e com o se consolava?

Com o se sentiu no prim eiro dia em que foi deixado na escola?

Com o foram seus prim eiros dias na escola, no colegial ou em novos em pregos depois disso?


222 Relacionamentos e com unicação

Como você se conforta ou se acalm a hoje em dia, qua n do está aborrecido, cansa­ do ou deprim ido?

O que o faz sentir-se relaxado e seguro atualm ente?

Quais são as coisas que o fazem sentir-se mais am ado, seguro e confiante em um relacionam ento?

Tem m edo de ser abandonado? É do tip o pegajoso ou possessivo, m esm o que isso torne difícil para outras pessoas fica re m com você?

Você fica aflito e distante, e ocasionalm ente se sente desligado das pessoas m ais próxim as de você?

Costum a c u id a r de outras pessoas m ais do que elas cu id am de você? D esem pe­ nha um papel específico nos relacionam entos?


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 223

Inteligência sexual Sexo é u m a ocasião de prazer, alegria, c o n ta to e d e u m a liga­ ção sig n ificante. O fe re ce re la x a m e n to físico e lib eração . O sexo é essencial p a ra a m a io ria de nós com o fo n te de cu ra, bem -estar, re la x a m e n to , au to ex p ressão , c a rin h o , êxtase, sen su a lid ad e , in ti­ m id a d e , fusão, lib e ra çã o das ten sõ es e do estresse, e u m a fo rm a d e re c rea ç ão p le n a de significados. N ossa p e rc e p ç ã o d e id e n ti­ d a d e sexual é essencial à nossa p e rc e p ç ã o d a nossa id e n tid a d e m ais p ro fu n d a e ao nosso bem -estar. M uitas vezes p ag am o s u m alto p re ç o p a ra o b te r o sexo q u e desejam os, pois a n ecessid a­ de de atividade sexual é m u ito im p o rta n te p a ra nós. N ad a m ais nos d á essa sensação. Q u e m j á n ão se m o stro u até c erto p o n to tra n sig e n te só p a ra c o n se g u ir sexo? (Mas essa tra n sig ê n c ia vale sem p re a pena?) Em u m relacionam ento de casal, o sexo é m uitas vezes o adesivo d a relação, p re n d e n d o um ao outro com o ímãs atraídos p o r um a força p ro fu n d a e misteriosa. Sexo de boa qualidade confere signi­ ficado, vitalidade e união, e a m aioria das pessoas concorda que o m elh o r sexo acontece d e n tro de um a relação íntim a e amorosa. Inteligência sexual é p en sar de fo rm a inteligente e criativa a respeito de sexo. Isso é m uito difícil d e n tro do co n tex to d a nossa cu ltu ra atual, em que se c o n fu n d e sexo com sexualidade. Com o a religião, o sexo é um a dessas áreas em que recebem os m uitas inform ações prejudiciais, tais com o a associação e n tre sexo e p e­ cado o u culpa, em que tu d o é ju lg a d o de u m a perspectiva de cer­ to /e rra d o , em que as pessoas fingem que o sexo não acontece ou n eg am sua im portância. H á tam bém a atitude seg u n d o a qual sexo lh e faz bem e deve ser p raticado o mais possível, co m b in ad a com todos os com plexos problem as da exploração sexual, do abuso, das doenças sexualm ente transmissíveis, da aids, dos debates acerca da m o ralid ade das pessoas públicas que m an têm casos, e d a in to le râ n ­ cia q u an to às cham adas m inorias e preferências sexuais. Tudo isso


224 Relacionamentos e com unicação

co m b in ado ao fato de m uitas pessoas se consid erarem sexualm en­ te inadequadas. Nossa energia sexual é m uitas vezes rep rim id a e distorcida: as m ulheres se p reo cu p am com sua im agem co rp o ral o u dificilm ente se sentem sexualm ente estim uladas; os ho m en s são obcecados com p en etração sexual e desem p en h o . Os terapeutas se­ xuais geralm ente dão conselhos sobre técnicas sexuais q ue p o d em ajudá-lo a relaxar e sentir-se mais confiante, tais com o d ed icar tem ­ p o a toques afetuosos e se fixar m enos em sexo genital. E n tretan to , essas técnicas não atingem o âm ago d a sua id en tid ad e sexual. O sexo é um recurso im portante e criativo a ser utilizado do m od que lhe agradar, mas é difícil olhar com clareza tudo o que se refere a ele. A energia sexual de um a pessoa está intim am ente ligada à sua força vital e deve ser respeitada e cultivada. A m aneira de encarar o sexo define quem as pessoas são com o indivíduos - gay o u hétero, m acho ou fêmea, passivo ou dom inante, conservador ou aventurei­ ro. O tan tra é um a tradição que encara a sexualidade de um a form a diferente, segundo a qual a visão ocidental do sexo é considerada m uito limitada. Os casais são encorajados a utilizar a energia sexual existente entre eles com o um a ferram enta criativa para construir um sentido de expansão e gozo. O foco não é conseguir um orgasmo, e encoraja-se um a abordagem mais fem inina, isto é, prestar mais aten­ ção ao que se sente e ao que lhe dizem seus cinco sentidos, ao m esm o tem po p erm anecendo em paz e atento durante toda a experiência.

Explore sua inteligência sexual Pense em u m a ex periência sexual m em orável. O uais foram os co m p o n en tes q u e a deixaram m arcada em sua m em ória? ■ ■ ■ ■ ■ ■

Para você, o sexo é u m a expressão de p razer e alegria? Você se sente sexualm ente ex p erien te e confiante? C onsidera o sexo com o u m a aventura e u m a realização? Sua sexualidade exprim e seus valores fundam entais? Já discutiu suas necessidades e expectativas sexuais com seu par? Você leva em consideração as necessidades do seu par? Para você, elas são tão im portantes q u a n to as suas? O u m enos im ­ portantes?


As 1000 perguntas mais importantes que você deveria fazer a si mesmo 225

Se o seu p a r fizesse sexo com o u tra pessoa, o que você sentiria? E o que você pensa a respeito de fazer o m esm o? J á p en so u em com o m a n te r viva a atração sexual em seu relacionam ento? Existem aspectos do seu eu sexual ou fantasias que você ainda não explorou? O que o im pede? Existem aspectos que você considera em baraçoso m encionar? Em caso afirm ativo, com o p o d eria tocar no assunto? Sente-se feliz e confiante em relação ao seu co rp o e à sua sexualidade? Em caso negativo, quais seriam os próxim os passos p ara rem ed iar isso? Até q ue p o n to a sexualidade e a espiritualidade estão ligadas p a ra você? Se você já sofreu abuso sexual de q u alq u er tipo, com o isso ain d a afeta seu relacionam ento? Sente-se capaz de discutir o assunto com seu par? J á e x p erim en to u rejeição ou discrim inação devido à sua o rien tação sexual? Com o isso afetou sua relação com sua p ró p ria sexualidade? C om o seria a experiência sexual dos seus sonhos?


CONCLUSÃO

Esperança Por meio da esperança conseguimos realizar grandes coisas.

Pense na vida que tem agora. Responda a estas perguntas e dê a si m esm o um a nota segundo a seguinte escala: A = o te m po todo B = quase o te m p o todo C = m uitas vezes D = algum as vezes E = só um as poucas vezes

j | Expresso de m aneira ativa os valores que escolhi. j | Embora nem sem pre saiba explica por quê, sinto-m e esperançoso e otim ista. | | Estou a pre ndendo, crescendo e m e desenvolvendo com o pessoa. | | Busco energicam ente as m etas que escolhi. | Vejo a m im m esm o com o um a pessoa b em -sucedida e eficiente.

j

| | Sei que posso e nfre n ta r os problem as pelos quais estou passando agora. ! | A cho que m inhas experiências passadas deram -m e sabedoria para o futuro. | | Sei que, se eu for persistente, um dia atingirei m inhas m etas. I [ Percebo e ponho em prática m eu potencial de fe licida d e e criatividade. [ _ ] M eus relacionam entos são um a fonte de consolo, ca rin ho e inspiração. j

[ Reflito a respeito de m im m esm o e expresso meus valores e meus sentimentos.


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 227

Q u an d o ousam os so n h ar e viver segundo nossos valores pes­ soais mais caros, estim ulantes e revigorantes, p o dem os trab alh ar ju n to s im buídos de esperança. A esperança é um do m fantástico do espírito h u m an o , facil­ m en te su plantado pelo peso m orto do cinism o e d a negação e que, n o en tan to , revive q u an d o lhe é dada a o p o rtu n id ad e de respirar e crescer. e-^

Q ue suas esperanças e seus valores possam criar asas, voar alto e e n c o n tra r a p ro fu n d id ad e e a am plidão de u m a atitude esp eran ­ çosa, positiva, livrem ente escolhida p ara servir à sua vida pessoal e tam bém à vida de todos nós.


Notas, referências e leituras adicionais Capítulo 1 A relação en tre autoestim a, sentim entos positivos a respeito de si m esm o e do m u n d o ao re d o r e u m a vida mais b em resolvida está ex tensam ente d ocum entada. C om o exem plo, ver A. Isen, “T he Facilitating Influence of Positive Affect on Social Behaviour and Cognitive Processes” (Influência facilitadora do afeto positivo sobre o com por­ tam en to social e os processos cognitivos), em C. R. Snyder & S. J. Lopez, Handbook o f Positive Psychology (M anual de psicologia posi­ tiva) (Nova York: O xford Press, 2002). Capítulo 2 M uitos trabalhos no cam po da psicologia positiva focalizam os valores - a com eçar p o r A. H. Maslow, Motivation and Personality (M otivação e personalidade) (Nova York: H a rp e r an d Row, 1970). P odem os d efin ir os valores com o fu n d a m e n talm en te m orais, adotados p o r escolha e um código que guia as escolhas de alguém e p re e n c h e suas necessidades. N ão existem duas pessoas com valo­ res idênticos. V ictor Frankl, sobrevivente de u m cam po de co n cen tração , q ue descreveu com o algum as pessoas sobreviveram e o u tras não, afirm o u que, p a ra sobreviver a ex p eriên cias difíceis, precisam os d e sc o b rir seu sentido. Os valores são a p rin c ip a l fo rm a de sen ti­ do. E n tre ta n to , n ão chegam os hoje em dia a u m consenso social a resp eito dos valores, e recai sobre nós, indivíduos, o ônus de defini-los p a ra nós m esm os e e n c o n tra r m eios p a ra vivenciá-los e realizá-los. Ver V. E. Frankl, M a n ’s Search for M eaning (Nova York: P ocket Books, 1976), edição em p o rtuguês: Em busca de sentido (Petrópolis: Vozes, 1986). O capítulo trata tam bém da capacidade de escolher p a ra si m esm o e p ô r em prática d eterm inadas m etas ligadas aos valores. Veja mais em:


As 1000 perguntas mais importantes que você deveria fazer a sí mesmo 229

Snyder, C. R., Thepsychology ofHope: You Can Get Therefirom Here (A psicologia da esperança - com o chegar lá) (Nova York: Free Press, 1994). M cD erm ott, H. D. & Snyder, C. R., The Great Big Book ofHope: Help Your Children Achieve TheirDreams (O p e q u en o g ran d e livro da esperança: ajude seus filhos a realizarem seus sonhos) (O akland: New H arbinger, 2000).

Capítulo 3 Em nossos dias, novas abordagens da psicologia positiva a respeito do estresse e de como lidar com ele são m uito mais otimistas e m enos fatalistas do que eram no passado. Elas mostram como algumas pessoas conseguem ser versáteis e adaptativas em reação aos agentes causado­ res de estresse. Essas pessoas, consequentem ente, se tom am mais fortes e eficientes e percebem m elhor o sentido das coisas. Veja mais em: Seligm an, M. E. P., Learned Optimism: Hoiv to Change Your Mind, and Your Life (O tim ism o ap rendido: com o m u d a r sua m en te e sua vida) (Nova York: Pocket Books, 1998). Capítulo 4 Existem num erosas técnicas, livros e terapias com diferentes abordagens psicoterapêuticas p a ra lidar com o passado. N o e n ta n ­ to, a questão central p arece ser a distinção e n tre o q ue constitui u m a fo rm a d o e n tia de autopreocupação, auto in d u lg ên cia e autop ied ad e e o que constitui negação, fuga e u m a falta generalizada de co m p etência em ocional ou percepção. Parece ser consenso ge­ ral que as experiências têm que ser in teiram en te conscientizadas e co m p reendidas antes de deixá-las p a ra trás. Para u m a lista com pleta dos critérios p ara u m diagnóstico ofi­ cial de distúrbio de estresse pós-traum ático (D SPT), assim com o de depressão e de q u a lq u er o u tro p ro b lem a psicológico, leia mais em Diagnostic and Statistic M anual of MentalDisorders (M anual estatístico e diagnóstico de doenças m entais), 4a ed. (W ashington: A m erican Psychiatric A ssociation, 1994). A inda é b o a leitu ra o artigo sem inal de Sigm und Freud, “M ourn in g an d M elancholia”, que p o d e ser e n co n trad o n o vol. 14 da


230 Notas, referências e leituras adicionais

Standard Edition of the Complete Psychological Works of Sigmund Freud (Londres; H ogarth, 1971), edição em português: Sigm und Freud, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas (Rio de Ja n e i­ ro: Im ago, 1980). A citação de Freud, de 1909, está em “Analysis o f a P h o b ia in a Five-Year-Old Boy” (“Análise de u m a fobia em u m m en in o de cinco anos”), da Standard Edition, vol. 10. W innicott, D., Playing and Reality (L ondres: P enguin, 1971) edição em portu g u ês O brincar e a realidade (Rio de Jan eiro : Im ago, 1975) - é o u tro texto clássico que descreve em cores vivas com o a evolução da relação e n tre a criança e a m ãe é a base da criatividade e d a saúde. C apítulo 5 Pesquisas sobre felicidade e criatividade m erecem hoje m aior atenção. Veja mais em h ttp ://w w w .e u r.n l.fsw /re sea rc h /h a p p in ess, site da W orld D atabase o f H appiness, da U niversidade Erasmus, R oterdã, H olanda. Algumas das sugestões sobre o bem -estar foram en co n trad as n a pesquisa citada p o r Keyes, C. I. M. & Lopez, S. J, em “Toward a Science o f M ental H ealth: Positive D irections an d In terv en tio n s” (P or u m a ciência da saúde m ental: instruções p ara o diagnóstico e in terv en ção), n o Handbook of Positive Psychology (M anual de Psicolo­ gia Positiva) (Nova York: O xford Press, 2002). Veja tam bém : Csikszentmihalyi, M., Flow: The Psychology of Optimal Experience (Nova York: H a rp e r P erennial, 1991), edição em português: A psicologia da felicidade (São Paulo: Saraiva, 1992). _______________ , Creativity (Criatividade) (Nova York: H a rp e r Collins, 1996). _______________ . Beyond B oredom a n d A nxiety (Além do tédio e d a ansiedade) (San Francisco: Jossey-Bass, 2001). C apítulo 6 A n o ta in tro d u tó ria foi re tira d a de D. G. Myers, The Pursuit of Happiness: Who Is Happy and Why ? (A busca da felicidade: q u em são as pessoas felizes, e p o r quê?) (Nova York: Avon, 1992).


As 1000 perguntas mais im portantes que você deveria fazer a si mesmo 231

Ver tam bém : Beck, A., Love Is N ever E nough (O am o r n u n c a é bastante) (Nova York: H a rp e r & Row, 1998). G ottm an, J., Why Marriages Succeed and Fail (Nova York: Fireside, 1995), edição em português: Por que os casamentos fracassam ou dão certo (São Paulo: Scritta, 1995). Esse pesquisad o r realizou estu­ dos fascinantes u sando um apartam ento-laborató rio p a ra observar com o se com unicavam os casais. Schwartz, P., Peer Marriages (C asam entos igualitários) (Nova York: Free Press, 1994). Esse a u to r in tro d u ziu a ideia de que os casam entos m o d ern o s bem -sucedidos m u d aram substancialm ente e hoje em dia se baseiam m uito mais n a am izade. T annen, D., YouJustDon’t Understand: Wotnen andM en in Conversation (Nova York: Morrow, 1990), edição em português: Você simples­ mente não me entende, (São Paulo: Best Seller, 1992). Esse livro é m uito citado, e as observações de T annen a respeito das expectativas cie hom ens e m ulheres em um a conversa são um a ótim a leitura. Wcl wood. J., fourney of the Heart: The Path to Deeper Fulfillment in Relationships (Nova York: H a rp e r Collins, 1985), edição em p o rtu ­ guês: A viagem do coração - o relacionamento íntimo como caminho para o amor (São Paulo: Siciliano, 1991). E u m livro fácil de se ler, sobre os aspectos espirituais de u m a relacionam ento, assim como: _______________ (O rg .), Challenge o f the Heart: Love, Sex and Intimacy in Changing Times (Desafios do coração: am or, sexo e intim i­ dade em tem pos de m udança) (Boston: Sham bhala, 1985) - u m a co letân ea de artigos de diversos autores. O In d ic a d o r de Tipos de Briggs, que inclui a escala de ex tro ­ versão e introversão, e n tre outras qu atro escalas de p erso n alid ad e que, n o total, som am dezesseis tipos - , p o d e ser en co n trad o em, p o r exem plo, Kroeger, O. & Tuesen, J. M., Type Talk: The 16 Personality Types that Determine how We Live, Love and Work (Falando de tipos: os 16 tipos de p ersonalidade que d eterm in am com o vivemos, am am os e funcionam os) (Nova York: B antam Doubleday, 1998). U m a in tro d u ção à teoria do apego p o d e ser en co n trad a em H olm es, ].,John Bowlby and Attachment Theory (John Bowlby e a teo­ ria do apego) (L ondres: R outledge, 1993).

As 1000 perguntas alyss thomas  
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