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Visão Antes de tudo, marginais é um laboratório de experiências em comunicação. Pretende produzir conteúdo que informa e instiga, à margem da lógica já pré-estabelecida. Entendemos que a crise de representatividade hoje é um fenômeno global, devido a construção de informação cada vez mais banalizada e nada transparente. Buscamos um novo posicionamento através da implementação de uma lógica em comunicação atual, assim cooperando na construção de cidadania. Queremos dar voz a vários bairros do RJ, ampliar a consciência pública do que é viver na "Cidade Maravilhosa". Assim, daremos espaço para a divulgação da cultura carioca. Aqui divulgaremos ensaios fotográficos, artigos e entrevistas. Buscaremos independência financeira, para que possamos ser o mais fiel possível ao público que busca cada vez mais uma informação e conteúdo marginais.


O ensaio fotográfico que possuo tem a intenção de sensibilizar para a diferença, para uma melhor aceitação e coexistência dos cidadãos cariocas. Todos que têm uma memória da cidade, ainda lembram vivamente do rapaz chamado de "menor" pelos veículos de comunicação que foi preso ao poste no Flamengo por uma tranca de moto. Esse ensaio artístico realizado por profissionais e cidadãos cariocas tem o intuito de fazer refletir sobre a cidade e o tempo em que vivemos, tão marcado pelo ódio e o justiçamento, o ensaio tem por objetivo final a harmonização de nossas diferenças. Seu roteiro é uma jornada de libertação da modelo Stefanie Durval personificando a beleza negra, presa ao poste com a mesma tranca. Mais que uma critica artística é um apelo a esperança e a liberdade dos cidadãos vitimados pelo estado e também pelo preconceito nas ruas cariocas. A critica social que leva à prática do justiçamento com as próprias mãos tem raízes mais profundas. De um lado ela se manifesta como deterioração de uma hierarquia social pré-estabelecida (como podemos perceber nas jornadas de 2013) e a redução das condições de vida de uma parcela da população (no caso, branca, proprietária e poderosa economicamente). Ao contrário dos EUA no auge de sua violência racial, no Brasil o negro não é linchado por ser negro, mas a intensidade e prontidão do ódio durante o ato de violência é maior, no conjunto de vitimados 48,1% são brancos e 51% são negros ou pardos Mas entre os que morrem nas mãos dos linchadores mostra-se algo revelador e significativo, apenas 29,2% são brancos, enquanto 70,1 são negros e pardos, o ódio se acentua mais com o negro. Em síntese, estudar o aumento do número de linchamentos no Brasil é confrontar-se da maneira mais crua a face da crise de representatividade que enfrentamos como democracia. E com a face mais cruel do racismo ao negro, esse fenômeno que tem suas raízes nas estrutura de nossa sociedade permeada de cidadãos de bem, muito bem representados pelas bancadas no Congresso Nacional.


Equipe Diretor e Idealizador: Eduardo Fraga Maquiadora: Agatha Copetti Fotógrafo: Márcio Romano Stefanie Durval: Modelo

Referencial Teórico Linchamentos: a justiça popular no Brasil Autor: José de Souza Martins

Marginais  

Projeto em comunicação.

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