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Pedra Filosofal de

António Gedeão

[Estudo de Dr. Abílio Alves Bonito Perfeito]

Compilação, montagem e tradução: Carlos M. Roberts Guarda, Portugal


“…O sonho é uma constante da vida…”

“…o sonho comanda a vida…”

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Pedra Filosofal Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer. Como esta pedra cinzenta em que me sento e descanso, como este ribeiro manso em serenos sobressaltos, como estes pinheiros altos que em verde e ouro se agitam, como estas aves que gritam em bebedeiras de azul. Eles não sabem que o sonho é vinho, é espuma, é fermento, bichinho álacre e sedento, de focinho pontiagudo, que fossa através de tudo num perpétuo movimento. Eles não sabem que o sonho é tela, é cor, é pincel, base, fuste, capitel, arco em ogiva, vitral, pináculo de catedral, contraponto, sinfonia, máscara grega, magia, que é retorta de alquimista, mapa do mundo distante, rosa-dos-ventos, infante, caravela quinhentista, que é Cabo da Boa Esperança, ouro, canela, marfim, florete de espadachim, bastidor, passo de dança, Colombina e Arlequim, passarola voadora, pára-raios, locomotiva, barco de proa festiva, alto-forno, geradora, cisão do átomo, radar, ultra-som, televisão desembarque em foguetão na superfície lunar. Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida. Que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.

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Philosopher's Stone They do not know that dreaming is a constant in life as concrete and defined as any other thing. Like this grayish stone where I sit to rest, like this calm creek in its easy startles, like these high pine trees that in green and gold sway, like these birds that crow in drunkenness of blue. They do not know that dreaming is wine, is foam, is yeast, a joyous thirsty little animal whose sharp snout pokes through everywhere in endless restlessness. They do not know that dreaming is canvas, is colour, is paintbrush, base, pole, shaft, ogive arc, stained glass window, a cathedral vault, counterpoint, symphony, Greek mask, magic, that it is the alchemist's retort, distant lands chart, compass, infant, sixteenth century vessel, that it is Cape of Good Hope, gold, cinnamon, ivory, a swordsman’s foil, it is backstage, it is dance step, Colombine and Harlequin, ‘passarola’ flying machine, lightning-rod, locomotive, a glorious prow boat, blast furnace, energy generator, splitting of the atom, radar, ultrasound, television, a rocket landing on the surface of the moon. They do not know, nor do they dream, that dreaming commands life. That whenever a man dreams the world leaps forth like a colorful ball into a child’s little hands.

“Pedra Filosofal” (Philosopher’s Stone), written in Portuguese, by António Gedeão, the pseudonym of Rómulo de Carvalho (1906-1997) was published in 1961. It was first sung by Manuel Freire. 4


NOTAS: 1. A tradução para inglês, feita por mim, é usada num vídeo legendado em inglês, também por mim concebido e montado e para o qual proporciono uma hiperligação. 2. Junto uma hiperligação para o mesmo vídeo, mas sem legendas. 3. Apresento aqui, também, o poema original manuscrito por António Gedeão (Rómulo de Carvalho). 4. Anexo um estudo de “Pedra Filosofal” feito pelo Senhor Dr. Abilio Alves Bonito Perfeito (Reitor que foi no Liceu Nacional da Guarda) e manuscrito pelo próprio. 5. Finalmente acrescento “Simbologia”, de Urbano Tavares Rodrigues.

Hiperligações Legendado: http://youtu.be/ACm6RZx4lbM Sem legendas: http://youtu.be/CrmWc95og1M

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Esta é a cache do Google de http://purl.pt/12157/1/poesia/movimentoperpetuo/pedra-filosofal5.html. É um instantâneo da página, tal como surgiu no dia 12 Mar 2010 05:35:26 GMT. Entretanto, a página actual poderá ter sofrido algumas alterações. Saiba mais Versão apenas de texto Estes termos de pesquisa estão realçados: alves perfeito pedra filosofal Estes termos aparecem apenas em links que apontam para esta página: abilio bonito

poema

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PERFEITO, Abílio Alves, 1923Pedra filosofal : [análise estrutural] / [Abílio Perfeito]. – [anterior a 1996]. 2 p. 2 f. : il. ; 30,4 x 21,4 cm Autógrafo a tinta castanha, azul, verde, vermelha e amarela. – Está junto a carta onde o autor (ex-colega de Rómulo de Carvalho no Liceu D. João III, em Coimbra), o questiona sobre este tipo de análise, explicando «Durante os meus anos de professor de português … fui encarregado de orientar vários cursos… Nos últimos, servia-me muito de textos seus, particularmente na análise estrutural... » e gostava de saber o que «pensava, como Autor, deste género de análise… motivada pelo disco do Manuel Freire e pela leitura de passos de Jorge de Sena». Refere-se à introdução deste autor às Poesias Completas de António Gedeão. BN Esp. E40/cx. 10

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PERFEITO, Abílio Alves, 1923Pedra filosofal : [análise estrutural] / [Abílio Perfeito]. – [anterior a 1996]. 2 p. 2 f. : il. ; 30,4 x 21,4 cm Autógrafo a tinta castanha, azul, verde, vermelha e amarela. – Está junto a carta onde o autor (ex-colega de Rómulo de Carvalho no Liceu D. João III, em Coimbra), o questiona sobre este tipo de análise, explicando «Durante os meus anos de professor de português

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… fui encarregado de orientar vários cursos… Nos últimos, servia-me muito de textos seus, particularmente na análise estrutural... » e gostava de saber o que «pensava, como Autor, deste género de análise… motivada pelo disco do Manuel Freire e pela leitura de passos de Jorge de Sena». Refere-se à introdução deste autor às Poesias Completas de António Gedeão. BN Esp. E40/cx. 10

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Simbologia "A veia de António Gedeão é órfica na busca da melodia e do ritmo e em parte por isso, mas sobretudo pela força e generosidade da mensagem, virá a ser mais tarde cantado por Manuel Freire e Carlos do Carmo, «Pedra Filosofal» pode considerar-se, no seu género, uma obra-prima, pela fluidez, pelas sonoridades luminosas, pela singeleza dos arranjos sintácticos e rítmicos, lineares, sem transportes, pela riqueza e originalidade das enumerações que lhe dão a respiração, a robustez e o alento, a força motriz, com qualquer coisa de primitivo, mas também de sofisticado, num trajecto que percorre a história da epopeia humana. Neste extraordinário poema, que é um cântico ao sonho, associado à ideia de progresso, combina-se a terminologia científica e a técnica (a cisão do átomo, o radar, o alto-forno, a geradora, o foguetão que desembarca na superfície lunar), com o vocabulário bucólico tradicionl (o ribeiro manso, os pinheiros altos), e ainda com a surpresa de certas antíteses e imagens (os serenos sobressaltos, as aves que gritam em bebedeiras de azul). A epopeia humana a que me referi inclui, decerto, privilegiadamente a aventura marítima dos portugueses; e as longas enumerações que estruturam o poema, após a descrição do locus amenus inicial, não deixam de incluir a rosa dos ventos, as caravelas e o infante, o Cabo da Boa Esperança, vários dos tópicos comuns a Camões e a Fernando Pessoa. Curiosamente o mestre trovador que é Gedeão escolhe como metro favorito a redondilha maior. Muito ligado à poesia dos cancioneiros medievais e ao romanceiro popular, consegue veicular no esquema aparentemente pobre do heptassílabo a grandeza da sua cosmovisão, em que o homem, o «animal aflito» que ele nos apresenta logo no começo do Movimento Perpétuo, vai reger ao longo dos séculos, entre civilização e barbárie, a poderosa orquestra do conhecimento ou, por outras palavras, vai dissipando as sombras, os véus que ocultavam a realidade, gerando assim novas artes e saberes, novas máquinas, dominado a Natureza, cobiçando o império do Universo." Urbano Tavares Rodrigues TAVARES RODRIGUES; Urbano, "Decifrados do mundo ,Alquimista do sonho" in Jornal de Letras, , 26 de Fevereiro, 1997

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