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ESTADO DE SANTA CATARINA SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE SUPERINTENDÊNCIA DE PLANEJAMENTO E GESTÃO DIRETORIA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE ESCOLA DE FORMAÇÃO EM SAÚDE - EFOS Eduardo Pinho Moreira Governador do Estado de Santa Catarina Acélio Casagrande Secretário de Estado da Saúde Marcelo Lemos dos Reis Secretário Adjunto para Assuntos Finalísticos Grace Ella Berenhauser Superintendente de Planejamento e Gestão do SUS Paulo Luiz Cantanhede Orsini Diretor de Educação Permanente em Saúde Andiara Sopelsa Gerente da Escola de Formação em Saúde


Conselho Editorial Alessandra Dias da Silva Ascendino Roberto dos Santos Andréa Aparecida de Moraes Cândido de Carvalho Giliaine B. Vargas Schaf Marcos A. Meira Petrocelli Fabiano Marcelina

ENDEREÇO: RUA DAS TULIPAS 236 BAIRRO - BELA VISTA III CEP: 8811 0-81 3 SÃO JOSÉ/SC FONE: (48) 3665-4660 E-MAIL: revistaefos@gmail.com

A Revista EFOS – Educação & Saúde é uma publicação da Escola de Formação em Saúde – EFOS. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.


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AP RE S E N TAÇ ÃO

com grande satisfação que apresentamos a primeira edição da Revista da Escola de Formação em Saúde – EFOS, em comemoração aos seus 25 anos de atuação em Santa Catarina. Trata-se de uma publicação eletrônica que tem por finalidade divulgar estudos, pesquisas e ensaios desenvolvidos pela comunidade escolar nas áreas da Educação e da Saúde, notadamente no campo de atuação da EFOS, a saber, formação técnica e qualificação dos trabalhadores que atuam no SUS. A EFOS, entidade pública do setor da saúde, mantida e subordinada pela Diretoria de Educação Permanente em Saúde/Secretaria de Estado da Saúde - SES/SC, oferece cursos reconhecidos pelo Conselho Estadual de Educação/SC, destinados aos profissionais do SUS, com escolaridade de ensino fundamental e médio, a serem realizados na sua maioria em serviço. A EFOS cresce e evolui a cada dia e, ao longo da sua história já formamos e qualificamos cerca de quarenta mil trabalhadores do SUS. Destes, 3 mil, nos últimos três anos, além de, frente à crise que o país ainda se encontra, estarmos sempre buscando novas parcerias para fomentar o ensino e não dependermos somente dos recursos oriundos do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde. Temos, também, a preocupação de fazer a nossa responsabilidade social como cidadãos; por isso, criamos um projeto intitulado “EFOS DE PORTAS ABERTAS” que tem o objetivo de trazer a comunidade até a Escola, trocar e transmitir ensinamentos, tudo feito de forma voluntária.

Em 201 6, conseguimos concluir a obra da nova Sede da Escola que trouxe mais qualidade para o ensino oferecido e mais conforto aos nossos alunos. Ademais, agradecemos ao belo trabalho realizado pelos servidores da Escola, pois sem a parcela de cada um não seria possível crescer como estamos crescendo. A Revista EFOS – Educação & Saúde, portanto, pretende ser mais que um mero veículo informativo, mas, acima de tudo, ser um meio capaz de fomentar a discussão acadêmica e técnica e, assim, colaborar para que avanços significativos sejam conquistados no exercício profissional de seus professores, alunos e colaboradores. Boa leitura! Andiara Sopelsa Gerente da EFOS/SC Marcos A. Meira Setor de Comunicação da EFOS/SC

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PALAVRAS D O D I RE TO R

m 201 8 comemoramos 25 anos de existência da Escola de Formação em Saúde (EFOS). Apenas cinco anos mais jovem do que o próprio Sistema Único de Saúde (SUS), a EFOS foi concebida para fazer parte de uma das primeiras estruturas de funcionamento em rede do SUS. No intuito de se construir uma rede para formação dos quadros técnicos que suprisse a necessidade do então recém constituído SUS, atrelado as discussões do Ministério da Saúde e das primeiras Conferências Nacionais de Saúde, propôs-se a implantação da Rede de Escolas Técnicas do SUS (RETSUS). Nos primeiros tempos a EFOS funcionou em estruturas provisórias da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina e posteriormente em uma estrutura própria, porém subdimensionada pois a demanda de formação técnica crescia na mesma proporção que as necessidades de saúde da população brasileira. Ao longo dos anos foram se desenvolvendo rotinas e processos pedagógicos de formação técnica específicos para atendimento da demanda do SUS, que apresenta diferenças fundamentais dos sistemas privados de cobertura em saúde. Essa diferença somada as peculiaridades de um sistema de saúde que se propõe universal afirma cada vez mais a necessidade das unidades de formação profissional técnica. Desde 201 6 em um novo edifício construído especificamente para esta finalidade, a EFOS vem implementando a formação de técnicos em saúde em diversas especialidades; oferecendo formação

complementar de especialização técnica, participando em discussões dos processos pedagógicos de Educação Permanente e, com participação efetiva na Comissão Permanente de Integração Ensino-Serviço de Santa Catarina. Nesses tempos em que o SUS vem sofrendo sucessivos questionamentos daqueles que aproveitam momentos difíceis para sugerir a insustentabilidade de um sistema de saúde de tanta abrangência quanto o nosso, a RETSUS e as Escolas de Formação em Saúde Estaduais como a EFOS seguem demonstrando a cada ano não só a absoluta viabilidade mas a necessidade de se manter este que é o maior programa social existente no país. Paulo Orsni Diretor de Educação Permanente em Saúde

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E QU I PE E FOS

G e re n te Andiara Sopelsa sopelsaa@saude.sc.gov.br As s i s te n te Alessandra Dias da Silva direcaoefos@saude.sc.gov.br Ap oi o Ad m i n i s tra ti vo Karin Torri Borba da Costa efos.sc@gmail.com C oord e n a çã o Té cn i ca Patrícia Lopes Dadam

P l a ta form a Ava ta r Gustavo Blosfeld avatarefos@saude.sc.gov.br S e cre ta ri a E s col a r Juliana Camargo M. Athayde Sandra Regina Brito secretariaefos@saude.sc.gov.br C oord e n a çã o Ad m i n i s tra ti va Petrocelli Fabiano Marcelina Ana Antunes dos Santos Pierdoná

Carolina Francisco de Melo

Elisangela da Cunha Martins efos@saude.sc.gov.br

Giliaine B. Vargas Schaf efostecnica@gmail.com

E s ta g i á ri a s Carolina Mattos

C oord e n a çã o P e d a g óg i ca Ascendino Roberto dos Santos Susana Maria Polidório dos Santos

Luana Melo

S e to r d e C o m u n i c a ç ã o E F O S / B i b l i o te c a Marcos Antônio Meira Andréa Aparecida de Moraes Cândido de Carvalho pedagogiaefos@gmail.com

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I N O VAN D O E M TE M P O S D E C RI S E : RE LATO D E E XP E RI Ê N C I AS D E U M A E S C O LA D E F O RM AÇ ÃO E M S AÚ D E Alessandra Dias da Silva 1 Andiara Sopelsa 2 Ascendino Roberto dos Santos 3 Marcos A. Meira 4 Petrocelli Fabiano Marcelina 5

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inda que o Estado de Santa Catarina apresente indicadores sociais e econômicos mais favoráveis do que vários Estados brasileiros, é inegável que, ao longo dos últimos anos, a crise econômica tem dificultado o investimento público em ações imprescindíveis para a população catarinense nas áreas da educação e da saúde.

1 Administradora. Especialista em Micropolítica da Gestão e do Trabalho em Saúde – UFF; Especialista em Acompanhamento, Monitoramento e Avaliação na Educação em Saúde. Coletiva – UFRGS. Assistente Gerencial da EFOS/SC – alessandra@saude.sc.gov.br. 2 Psicóloga. Mestre em Psicologia Escolar e da Educação e Especialista em Neuropsicologia. Gerente da Escola de Formação em Saúde EFOS/SC – sopelsaa@saude.sc.gov.br.

Assim, é justamente, em tempos de crise que o gestor, aquele que está alinhado com as tendências modernas da administração pública revela a sua capacidade inventiva, pois não basta um creditando nisso, e a fim de não depender exclusivamente dos recursos de produzir novas ações e, a partir dessas experiências, agregar novos valores e conceitos para continuar oferecendo cursos de qualidade na área da Saúde. É a partir dessa perspectiva que, ao longo deste trabalho, relataremos as ideias inovadoras que surgiram e estão sendo colocadas em prática na Escola de Formação em Saúde para aproximar a EFOS da comunidade catarinense, consolidando a posição da EFOS como um centro de referência em educação permanente de profissionais em nível técnico na área da saúde no Estado de Santa Catarina, capaz deformá-los e qualifica-los a partir de competências, habilidades e atitudes específicas e interdisciplinares no seu campo de atuação. 4 Pedagogo. Especialista em Serviço Social no Trabalho – marcosmeira@saude.sc.gov.br. 5 Bibliotecário. Especialista em Gestão em Saúde - IFSC. Coordenador Administrativo da EFOS/SC – petrocelli@saude.sc.gov.br

3 Pedagogo com Habilitação em Supervisão Escolar. Coordenador Pedagógico da EFOS\SC – beto@saude.sc.gov.br

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H i s tóri a d a E s col a d e F orm a çã o e m S a ú d e Para entendermos a relação existente entre tempos de crise e a implantação de novas experiências na Escola de Formação em Saúde – EFOS, é necessário discorrermos sobre o seu histórico. A Escola de Formação em Saúde (EFOS) foi fundada em 09 de julho de 1 993, sob a Lei Complementar nº 091 /93, através do Ato nº 873/93, publicado no Diário Oficial do Estado de Santa Catarina (DOE) em 07/1 0/93, que criou o Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos em Saúde (CEDRHUS) e alterou a estrutura organizacional da Secretaria de Estado da Saúde nessa área. (SANTA CATARINA, 201 6). Em 2005, a estrutura organizacional da já então denominada Escola de Formação em Saúde (EFOS), figurava como gerência subordinada à Diretoria de Recursos Humanos (DIRH) da Secretaria Estadual de Saúde (LC nº 284, de 28/02/2005). E no início do ano de 2007, a EFOS ficou vinculada à recém-criada Diretoria de Educação Permanente em Saúde – DEPS. (SANTA CATARINA, 201 6). A Escola de Formação em Saúde (EFOS) está subordinada à Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina - SES/SC, sendo uma entidade pública do setor da Saúde, que oferece cursos aos profissionais da saúde que são em sua maioria financiados pelo Ministério da Saúde. No entanto, há ocasiões em que os recursos vêm através de outras parcerias realizadas, incumbindo ao Estado à contrapartida de 30% do valor total dos recursos. As diretrizes e orientações para a formação dos trabalhadores de nível técnico no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) estão descritas na Portaria GM/MS nº. 1 .996, Anexo III, de 20/08/2007, salientam que:

A formação dos trabalhadores de nível técnico é um componente decisivo para a efetivação da Política Nacional de Saúde, capaz de fortalecer e aumentar a qualidade de resposta do setor da saúde às demandas da população, tendo em vista o papel dos trabalhadores de nível técnico no desenvolvimento das ações e serviços de saúde. A referida legislação observa ainda que a formação desses trabalhadores deve ser executada preferencialmente pelas Escolas Técnicas do SUS (ETSUS). Desse modo, as ETSUS precisam atuar como instâncias de articulação da Educação Permanente em Saúde (EPS), envolvendo os diversos atores na condução dessa Política. Em meio a muitos desafios, a EFOS se mantém ativa e inserida nas questões relacionadas à EPS nas treze Regiões de Saúde de sua abrangência: Extremo Oeste, Xanxerê, Oeste, Alto Uruguai Catarinense, Meio Oeste, Alto Vale do Rio do Peixe, Grande Florianópolis, Laguna, Carbonífera, Extremo Sul, Nordeste, Planalto Norte e Serra Catarinense. As demais três Regiões de Saúde são abrangidas pela Escola Técnica do SUS vinculada ao município de Blumenau. No momento, a Escola de Formação em Saúde possui três turmas do curso Técnico em Enfermagem em sua Sede, uma no município de Criciúma (Região Carbonífera) e outra no município de Joaçaba (Região Meio Oeste). Há, também, uma turma de Especialização Nível Médio em Urgência e Emergência em sua Sede, uma turma de Especialização Nível Médio em Saúde Mental no município de Concórdia (Região Alto Uruguai Catarinense) e uma turma de Especialização Nível Médio em Saúde do Idoso em Criciúma (Região Carbonífera).

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Além dos cursos Técnicos e Especializações, a EFOS é responsável pela realização de diversos aperfeiçoamentos e capacitações nas 1 3 Regiões de Saúde de sua abrangência. E já iniciou o Projeto Itinerários do Saber, nova proposta de cursos nas modalidades presencial, semipresencial e/ou a distância, visando a qualificação dos profissionais do SUS. Conforme a demanda encaminhada pela EFOS à coordenação do Projeto, a Escola dispõe de 5.598 vagas previstas para cursos nos eixos de Acolhimento em Saúde; Saúde Mental; Segurança do Paciente e Vigilância em Saúde (ITINERÁRIOS DO SABER, 201 7). Atualmente, após a inauguração da nova Sede em 201 6, a EFOS conta com uma estrutura moderna de cinco andares, distribuída em quatro salas de aula, um auditório, sete salas administrativas, uma biblioteca, laboratórios (enfermagem, odontologia e de informática), além de refeitório para os alunos e outro para os funcionários. A nova Sede da Escola vem proporcionando uma maior qualidade de ensino aos alunos, permitindo à EFOS oferecer cursos de nível médio, especialização técnica nível médio e qualificações de acordo com as necessidades do SUS no Estado de Santa Catarina, a serem desenvolvidos, prioritariamente, em serviço, concretizando os objetivos específicos da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. As novas instalações da EFOS estão a serviço de nossas aspirações em atender com mais efetividade as proposições da política voltada à Educação Permanente em Saúde (EPS). Nos mantemos constantemente empenhados em valorizar o trabalhador e o trabalho em saúde, em valorizar práticas educacionais no espaço de trabalho , em promover a aprendizagem significativa, na adoção do ensino balizado pela

aquisição de competências. São alguns exemplos do nosso esforço em estarmos alinhado com as diretrizes dadas pela legislação instituinte da Política de Educação Permanente em Saúde. No mesmo sentindo, a EFOS valoriza os espaços colegiados de discussão da política a citar a Comissão de Integração de Ensino em Serviço (CIES), estadual e regional. Leva a discussão às Comissões Intergestores Regionais, se e quando necessário. Faz isso por meio de uma participação efetiva e propositiva voltada ao fortalecimento da EPS. Investimos muito nas ações regionalizadas, pois a entendemos como uma opção eficaz a dar capilaridade a formação e qualificação dos profissionais da assistência em saúde em todo o nosso estado, e, dessa forma, adquirir visibilidade. Outro ponto é nossa preocupação com a identidade pedagógica pensada para a rede de escolas técnicas alinhada as diretrizes ministeriais. A portaria GM 278/201 4, em seu artigo 2, inciso II, conceitua aprendizagem ativa da seguinte forma: “Aprendizagem significativa: processo de aprendizagem que propicia a construção de conhecimentos a partir dos saberes prévios dos sujeitos articulados aos problemas vivenciados no trabalho”. Com base nesse conceito, estabelecemos uma agenda permanente de discussão, voltada para obter a melhor prática possível fazendo uso da aprendizagem significativa e a necessária difusão de conteúdos imprescindíveis à formação. Isso é um enorme desafio dada uma situação real onde o quadro docente é rotativo. Enfrentamos tal desafio como algo a nos provocar o debate e o empenho A EFOS, para alcançar tal excelência no ensino de educação e saúde, somou esforços para que não faltem recursos. E, no momento em que percebeu a dificuldade de novos investimentos,

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sejam por parte do Ministério da Saúde ou da própria Secretaria de Estado da Saúde, a gestão atual optou por reformular o seu campo de ação, dando ênfase na busca de alternativas que, além de aproximar a comunidade da Escola, oportunizassem aplicabilidade prática da teorização construída em sala da aula. Ora, uma escola, qualquer escola, não pode estar dissociada do lugar em que se insere, nem mesmo pode se afastar dos anseios da população que atende. E é essa, segundo Paulo Freire, uma das condições necessárias para que nos tornemos um intelectual que não teme a mudança é a percepção e a aceitação de que não há vida na imobilidade. De que não há progresso na estagnação. De que, se sou, na verdade, social e politicamente responsável, não posso me acomodar às estruturas injustas da sociedade. (1 993). Fazendo isso a escola atende uma orientação dos Parâmetros Curriculares Nacionais que assevera: “Para isso é preciso buscar formas de a escola estar mais presente no dia-a-dia da comunidade e também o inverso, isto é, a presença da comunidade no cotidiano da escola (pais, pessoas ligadas a associações e instituições, profissionais que possam demonstrar o trabalho que realizam etc.), de modo que a escola, os estudantes e os professores possam se envolver em atividades voltadas para o bemestar da sua comunidade, desenvolvendo projetos que repercutam dentro e fora da escola” (BRASIL, 1 998, p.32). E, assim, passamos a demonstrar as ações que foram efetivadas ao longo dos últimos anos, permitindo que a Escola, além de cumprir a sua função social, cumprisse o que preconiza o seu Projeto Político Pedagógico.

P roj e to “ E F O S - P orta s Ab e rta s ” Considerando que, no Brasil, como na maior parte dos países, o envelhecimento da população é uma preocupação coletiva, onde promover o bem-estar dos idosos é mais que uma tarefa do Estado (BRASIL, 2008); considerando, também, que para o Ministério da Saúde (2006, p.7), a longevidade é, sem dúvida, um triunfo. Há, no entanto, importantes diferenças entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento. Enquanto, nos primeiros, o envelhecimento ocorreu associado às melhorias nas condições gerais de vida, nos outros, esse processo acontece de forma rápida, sem tempo para uma reorganização social e da área de saúde adequada para atender às novas demandas emergentes. Considerando, ainda, que se estima para o ano de 2050 a existência de cerca de dois bilhões de pessoas com sessenta anos e mais no mundo e, especificamente, no Brasil, estima -se, cerca de 1 7,6 milhões de idosos, conforme dados apresentados pelo IBGE. A EFOS, no ano de 2008, percebeu a necessidade de atender este público, abrindo as portas da Escola para encontros, desenvolvimento de atividades e planejamento de ações que possibilitassem integração, lazer e, principalmente, o viver com limitações e restrições que a idade condiciona. No ano de 2009, então, a Escola ofereceu à comunidade idosa a possibilidade de ter o primeiro contato com o conhecimento de informática. Servidores, imbuídos do sentimento altruísta, valeram-se de suas experiências em prol daquele

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grupo que aos poucos foi descobrindo o mágico e fantástico mundo virtual. É nesse ambiente de descoberta que novos conhecimentos foram sendo incorporados à experiência de vida dos alunos que, na busca permanente de qualidade de vida, permitiram a constante evolução da mente com novos conhecimentos. Além disso, a Escola de Formação em Saúde buscou conhecer as principais necessidades e/ou dúvidas dos idosos, realizou palestras que proporcionaram ao grupo identificar sua realidade e conviver da melhor maneira possível com suas limitações. Assim, foi disponibilizada aos idosos a oportunidade de conhecerem o real benefício de se ter uma alimentação adequada e balanceada, apresentando na prática a riqueza nutricional que os alimentos podem lhes proporcionar e, principalmente, quais as melhores combinações alimentares que devem consumir para uma vida saudável e um envelhecimento tranquilo. Dando continuidade a essas ações, em abril de 201 7 criou-se uma comissão, nomeada “EFOS - Portas Abertas”, que ficou responsável pela elaboração e ação de projetos que trazem a comunidade para dentro da Escola, assumindo a responsabilidade social e contribuindo para uma sociedade melhor. O projeto piloto foi realizado, tendo como público-alvo os idosos do município de São José/SC. No mês de maio de 201 7 foi elaborado o projeto “EFOS - Portas Abertas”. O objetivo do projeto centrou-se na promoção e na troca de informações entre a EFOS e os vários atores que permeiam o espaço geográfico da Escola. Os idosos continuaram a ser o públicoalvo de nossas ações através de múltiplas atividades, que proporcionaram mais atenção às estratégias de prevenção de doenças, confirmando a responsabilidade social desta instituição.

Uma tarde muito proveitosa foi preparada no dia 1 6 de maio de 201 7, juntamente com a Semana da Enfermagem, a fim de os alunos praticarem os ensinamentos dados em sala de aula, e contou com a exposição de stands, além de atividades relacionadas aos cursos oferecidos pela EFOS, tais como: Educação Ambiental (doação de mudas de árvores), Nutrição, Saúde Bucal, Sexualidade, verificação da Pressão Arterial/Glicemia e Bingo Educativo, com prêmios doados pela comunidade e pelos próprios colaboradores da Escola. As atividades propostas nesse projeto, além do cunho social já mencionado, vieram ao encontro das políticas públicas de saúde, a saber: promover a saúde da população mediante a integração e a construção de parcerias com os órgãos federais, as unidades da Federação, os municípios, a iniciativa privada e a sociedade, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e para o exercício da cidadania, seguindo o PPP da EFOS. O projeto foi desenvolvido com a ajuda de Também foi servido um lanche durante o evento, proporcionando uma interação maior entre os participantes. Para isso, a Escola contou com a ajuda de padarias e supermercados da comunidade. Na esteira desse projeto, foi criado o “EFOS – Portas Abertas para Crianças”. Marcada para o dia 07 de outubro de 201 7 a ação será realizada em um lar de acolhimento com crianças que estão institucionalizadas porque sofreram algum tipo de negligência ou foram abandonadas. A ação será novamente realizada com recursos arrecadados de forma voluntária e contará com palestras sobre higiene do corpo e saúde bucal, sexualidade e meio ambiente. Além disso, as crianças e adolescentes terão um momento lúdico onde será oferecido um lanche. Além dos benefícios sociais e pessoais dos

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educadores da EFOS que poderão colocar em Gráfico 1 : Relação de serviços prestados à EFOS prática assuntos estudados em sala de aula, responsabilizando-se com discussões sobre um tema tão crucial nos dias de hoje – a infância. P roj e to d e Re s s oci a l i za çã o e m p a rce ri a com a C e n tra l d e P e n a s e M e d i d a s Al te rn a ti va s Por meio de convênio firmado entre o Poder Executivo Estadual e o Departamento Penitenciário Nacional, com o aval do Poder Judiciário Catarinense, foram criadas, em 2008, as Centrais de Penas e Medidas Alternativas (CPMA) de Florianópolis e de São José. O Programa, que tem como objetivo obter melhores resultados na fiscalização e aplicação das penas e medidas alternativas, fundamenta-se na ideia de que os beneficiários podem ter direitos restritos no meio em que vivem, ser punidos e, ao mesmo tempo, ressocializados, sem afastá-los da convivência social e familiar. (SANTA CATARINA, 201 7). Alinhada a essa proposta, a Secretaria de Estado da Saúde, em 201 6, firmou parceria com a Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania para a implantação do Programa Central de Penas e Medidas Alternativas (CPMA). E a EFOS, reconhecendo a sua responsabilidade social, tem envidado esforços para dar continuidade ao programa, além de, num futuro próximo, ampliar a parceria com a CPMA de São José. Em relação à Escola de Formação em Saúde, especificamente, a CPMA de São José encaminhou à EFOS quatorze beneficiários, conforme descrito no gráfico 1:

Fonte: elaborado pelos autores Ressaltamos que a EFOS, amparada em seu Projeto Político Pedagógico, entende que a prestação de serviço à comunidade é uma modalidade de pena alternativa, que consiste na atribuição de tarefas gratuitas de acordo com os conhecimentos e habilidades do beneficiário, contribuindo, assim, para a prevenção da criminalidade e a ressocialização do infrator. (SANTA CATARINA, 201 6). Vislumbrando disponibilizar uma opção de recomeço para estes cidadãos, a EFOS tem buscado participar neste processo de emancipação e de acesso a cidadania de forma efetiva, facilitando a inserção deles na sociedade, proporcionando o estabelecimento de novos vínculos com a comunidade por meio da prestação

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de serviços. Percebemos que a realização de algumas demandas suscitadas na Escola, tem sua execução efetivada com o apoio dos beneficiários, que dentro de um ambiente amigável e de mútuo respeito sentem-se capazes de colaborar com afinco e eficiência. Dentre as demandas atendidas citamos os serviços de construção civil, serviços administrativos, recepção e serviços gerais, conforme apresentado no gráfico abaixo. Gráfico 2: Horas de serviços dos beneficiários

do exercício da exercício da competência comum relativas à proteção das paisagens naturais notáveis, à proteção do meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer de suas formas e à preservação das florestas, da fauna e da flora. (BRASIL, 2011 ). A Fundação do Meio Ambiente financiará o projeto com recursos de multas ambientais. No momento, estão criando uma comissão para submissão dos projetos a serem aprovados. A preocupação com o meio ambiente impacta diretamente na proteção à saúde da população e está intimamente relacionada à qualidade de vida, sobretudo quando lembramos o conceito de saúde preconizado pela Organização Mundial de Saúde que é “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades”. (BRASIL, 1 948). P roj e to I ti n e rá ri os d o S a b e r: a p rove i ta n d o a s op ortu n i d a d e s ofe re ci d a s p e l o M i n i s té ri o d a S a ú d e e m te m p os d e cri s e

Fonte: elaborado pelos autores P roj e to e m P a rce ri a com a F u n d a çã o d o M e i o Am b i e n te – FATM A Um terceiro projeto introduzido foi a parceria com a Fundação do Meio Ambiente (FATMA) para a efetivação de duas capacitações em Resíduos de Serviços de Saúde para profissionais da saúde e para alunos de cursos na área da saúde. A proposta está amparada na Lei Complementar n. 1 40, de 08.1 2.2011 , que, nos termos dos incisos III, VI e VII, do artigo 23 da Constituição Federal, sugere a cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas ações administrativas decorrentes

Por fim, e como devemos complementar a educação presencial com os recursos atuais de tecnologia, a EFOS está realizando cursos de Educação a Distância. Uma importante parceria entre as Escolas Técnicas do SUS, Departamento de Gestão da Educação na Saúde da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação da Saúde do Ministério da Saúde - DEGES/SEGETS/MS, Instituto de Comunicação e Informação Científica ICICT e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz - FIOCRUZ. (ITINERÁRIOS DO SABER, 201 7). O objetivo desse projeto é promover o desenvolvimento de estratégias para a qualificação dos profissionais de saúde de nível médio/técnico, visando o aperfeiçoamento do Sistema Único de Saúde. (ITINERÁRIOS DO SABER, 201 7).

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Destacamos, assim, o Curso de Atualização em Saúde Mental, Álcool e outras Drogas - CASMAD, que contempla todos os profissionais da equipe da Atenção Básica de Saúde, de modo a garantir informações homogêneas que poderão, durante o curso, serem aprofundadas de acordo com o grau de interesse, conhecimento e necessidade sentida por cada profissional. O curso é realizado na modalidade Educação a Distância (EAD), com carga horária de 60 horas. Os alunos têm o acompanhamento por um tutor, que atua como facilitador do processo de ensino e aprendizagem. Os objetivos do Curso são: - Desmistificar o cuidado em saúde mental, facilitando que os trabalhadores da ABS reconheçam e intervenham sobre quadros de sofrimento psíquico, aqui incluída a atenção a pessoa em uso prejudicial de álcool e outras drogas, identificando competências de cuidado que já são utilizadas e construindo novas ferramentas que auxiliem nos desafios apresentados pelo campo. - Qualificar ao nível de atualização trabalhadores de nível médio e superior das Equipes da Estratégia da Família. (ITINERÁRIOS DO SABER, 201 7). Dessa forma, a EFOS mantém o seu papel educador de qualificar os profissionais inseridos no SUS, se dedicando ao fortalecimento da proposta de EPS nos seus aspectos éticos, políticos e pedagógicos e no seu valor estratégico como canal de fortalecimento do Sistema Único de Saúde. Assim, busca, continuamente a melhor interação, a melhor articulação entre ensino, trabalho em consonância com a política vigente. O ensino e serviço são indissociáveis e, ao qualificar profissionais da área da saúde, é necessário valorizar o conhecimento apresentado por cada aluno no espaço escolar.

A formação em saúde é contínua, é permanente, é cotidiana e que sua potência pode emergir das próprias situações vivenciadas e experimentadas pelos trabalhadores [...] por isso o cotidiano do trabalho precisa ser construído como um potente espaço de ensino-aprendizagem coletivo em que se levem em consideração saberes, fazeres e problemas surgidos no próprio trabalho em saúde. (OBSERVATÓRIO CAMINHOS DO CUIDADO, 201 6, p. 8).

Assim, são oportunizados diferentes olhares, fazeres e conhecimentos, construindo um importante espaço coletivo para o entendimento da importância de nos mantermos em constante sintonia com a EPS. C on s i d e ra çõe s F i n a i s Por se tratar de uma escola de formação em saúde pública, a EFOS tem peculiaridades que vão além de uma escola regular. A maioria de seus discentes já atua na área da Saúde; os docentes são contratados de forma temporária; os servidores são funcionários públicos ou terceirizados; os recursos para mantê-la em atividade vêm do setor público, basicamente do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde. A EFOS é, portanto, uma escola técnica pública que forma profissionais que atuarão sobre aquela parcela da população que depende de assistência à saúde gratuita e de qualidade, conforme rege a Constituição Federal. Por mais que esforços sejam envidados para que o atendimento na área da saúde seja de qualidade.

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Desejando, então, inverter esse cenário, a EFOS entende que se faz necessário quebrar paradigmas; creditar seus esforços na profissionalização dos trabalhadores do SUS, transformando a realidade com a responsabilidade que a universalidade, integralidade e a gratuidade do Sistema orientam. A tarefa não é fácil, mas não é impossível. E a prova concreta está nas atividades inovadoras que a EFOS vêm desenvolvendo e que foram abraçadas por todos os colaboradores da Escola. A EFOS tem buscado na inspiração do confronto responsável de ideias, e na confiança de que podemos mudar uma “coisa” de cada vez, sem o indelével medo de acreditar que as consequências serão parte dos resultados que incansavelmente buscamos serão positivos. Percebemos que as transformações sempre ocorrerão independentemente do método que utilizamos. Entendemos que somos cada vez mais o que nos dispomos a ser, e a certeza de nossa responsabilidade é o que torna a mudança um ato fácil de concretizar, no entanto, difícil é a coragem de continuar no caminho da mudança onde cada um de nós é parte indispensável neste mover A Educação Permanente em Saúde, ao mesmo tempo em que disputa pela atualização cotidiana das práticas segundo os mais recentes aportes teóricos, metodológicos, científicos e tecnológicos disponíveis, insere-se em uma necessária construção de relações e processos que vão do interior das equipes em atuação conjunta, – implicando seus agentes –, às práticas organizacionais, – implicando a instituição e/ou o setor da saúde –, e às práticas organizacionais e/ou intersetoriais, – implicando as políticas nas quais se inscrevem os atos de saúde [...]. (CECCIM, 2005, p.1 61 ).

Por fim, a EFOS tem buscado interagir com as evoluções nos campos da educação, da saúde e do conhecimento em geral e a educação a distância (EAD) tem se mostrado uma forma dinâmica e eficiente que utiliza diferentes recursos tecnológicos, a partir de uma integração virtual entre o aluno e a escola. O ensino EAD tem provocado várias discussões no âmbito acadêmico, e a EFOS vem se inserindo neste contexto capacitando seus servidores e oferendo cursos em nível de capacitação a distância. Além disso, as parcerias concretizadas e o trabalho social que vem sendo desenvolvido têm enriquecido a missão da escola, firmando assim, o seu papel também na comunidade. A busca por uma gestão pública de qualidade que tenha excelência nos serviços prestados, especialmente quando se trata da área da saúde, é um desejo incansável de muitas pessoas que lutam por uma gestão participativa, que se concretize o que está estabelecido pela legislação e que se faz necessário o acompanhamento e avaliação contínua, a fim de garantir uma melhor qualidade de vida aos cidadãos. Ao abrir as suas portas, a EFOS não está apenas se aproximando da comunidade. Está, também, demonstrando que a educação e a saúde são conceitos amplos, e que implicam em assumir responsabilidades, sem a qual teremos uma sociedade menos participativa e mais suscetível às doenças. Eis aí a nossa inovação!

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REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos. Brasília: MEC/SEF, 1 998. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/ttransver sais.pdf>. Acesso em: 03 abr. 201 8. ______. Ministério da Saúde. Cadernos de atenção básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília, 2006. Disponível em: <http://1 89.28.1 28.1 00/dab/docs/ publicacoes/cadernos_ab/abcad1 9.pdf >. Acesso em: 1 5 set. 201 7. ______. Ministério da Saúde. Portaria n. 278 de 7 de fevereiro de 201 4. Brasília, 201 4. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/201 4/prt0278_27_02_201 4.html>. Acesso em: 03 abr. 201 8. ______. Ministério da Saúde. Portaria N. 1 996, de 20 de agosto de 2007: Dispõe sobre as diretrizes para a implementação da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. Brasília, 2007. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm /2007/prt1 996 _20_08_2007.html>. Acesso em: 1 5 set. 201 7. ______. Presidência da Republica. Lei Complementar nº 1 40, de 08 de dezembro de 2011 . Brasília, 2011 .Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ LCP/Lcp1 40.htm>. Acesso em: 11 set. 201 7.

______. Presidência da Republica. Decreto n. 26.042, de 1 7 de dezembro de 1 948. Rio de Janeiro, 1 948. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1 9401 949/decreto-26042-1 7-dezembro-1 948-455751 publicacaooriginal-1 -pe.html>. Acesso em: 1 5 set. 201 7. CECCIM, RB. Educação Permanente em Saúde: desafio ambicioso e necessário. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, Botucatu, v.9, n.1 6, p.1 61 -1 68, 2005. FREIRE, P. Política e Educação. São Paulo: Cortez, 1 993. ITINERÁRIOS DO SABER. Sobre o Itinerários do Saber. Rio de Janeiro, 201 7. Disponível em: <https://itinerariosdosaber.org/ sobre>. Acesso em: 03 abr. 201 8. OBSERVATÓRIO CAMINHOS DO CUIDADO, EDUCASAÚDE. Eixo avaliação e práticas participativas na produção do cuidado em saúde.Material Pedagógico do curso de Especialização em Acompanhamento, Monitoramento e Avaliação na Educação em Saúde Coletiva.Porto Alegre, 201 6. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. IBGE lança perfil dos idosos responsáveis pelos domicílios. Disponíve l em: <https://ww2.ibge.gov.br/home/ presidencia /noticias/25072002pidoso.shtm>. Acesso em: 1 5 set. 201 7.

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P r o d u ç ã o D id á t ic a E F OS

SANTA CATARINA. ALESC. Lei Complementar N. 91 de 20 de julho de 1 993. Florianópolis, 1 993. Disponível em: <http://leis.alesc.sc.gov.br/html/1 993/91 _1 993_lei_ complementar.html >. Acesso em: 1 5 de ago. 201 7. ______. ALESC. Lei Complementar nº 284, de 28 de fevereiro de 2005. Florianópolis,2005. Disponível em: <http://leis.alesc.sc.gov.br/html/2005/284_ 2005_lei_complementar.html>. Acesso em: 1 3 set. 201 7. ______. Secretaria de Estado da Saúde. Diretoria de Educação Permanente em Saúde. Escola de Formação em Saúde. Projeto Político Pedagógico. São José: EFOS, 201 6. ______. Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania. Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina. Centrais de Penas e Medidas Alternativas do Estado de Santa Catarina. Folder informativo. Disponível em: <http://www.sjc.sc.gov.br/index.php?option=com _docman&task=doc_view&gid=4&Itemid=499>. Acesso em: 1 5 set. 201 7.

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DEPOIMENTO A escola EFOS é uma das melhores escolas da Região da Grande Florianópolis. Recentemente, conclui o curso de técnico em enfermagem e tenho muito agradecer à escola, pelo apoio enorme e pela qualidade dos professores, tanto nas aulas práticas como nas teóricas. A direção é nota dez, pois sempre estão dando o melhor apoio possível aos alunos e organizando grandes projetos na escola, como palestras e teatros, que ampliam ainda mais o conhecimento dos alunos. Aprendi muito na EFOS, não apenas em termos de conhecimento na área técnica, mas como pessoa também, graças ao apoio de todos. Deixo meu total agradecimento, que a escola melhore cada vez mais e que forme vários profissionais com qualidade na área da saúde. Robson Filipe Machado Pereira Aluno do Curso Técnico em Enfermagem EFOS VI

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AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: UMA PROPOSTAPARA O SUCESSO ESCOLAR Andréa Aparecida de Moraes Cândido de Carvalho “A avaliação da aprendizagem escolar auxilia o educador e o educando na sua viagem comum de crescimento’’. (Luckesi, 2002). O ato de avaliar a aprendizagem escolar implica em dois processos articulados e indissociáveis: diagnosticar e decidir. Não é possível uma decisão sem um diagnóstico, e um diagnóstico sem uma decisão é um processo incompleto! Eis a importância da avaliação! A palavra avaliar vem do latim a + valare, que significa “dar valor a...”; atribuir mérito, juízo. Nesse sentido, avaliar implica em atribuir, aferir, emitir julgamento a algo ou alguém, sendo a avaliação um posicionamento positivo ou negativo em relação ao que se pretende avaliar. Em especial, na educação formal, a avaliação abarca diferentes dimensões: a avaliação de aprendizagens (focada no diagnóstico do ensino e das aprendizagens dos alunos); avaliação de programas e projetos educativos (focada nos propósitos e estratégias dos projetos); avaliação de currículo (focada na análise do valor psicossocial dos objetivos e conteúdos de um curso); avaliação sistêmica e/ou educacional (focada nas políticas públicas educacionais) e avaliação institucional (avaliação de uma instituição em si, que permite também analisar o cumprimento de sua função social). A avaliação do ensino e aprendizagem faz parte do trabalho diário do professor e está condicionada a organização do docente e ao mesmo tempo vinculada a reformulação do

conhecimento. Libaneo (1 994), nos confirma ao dizer que a avaliação da aprendizagem é uma tarefa didática necessária e permanente na rotina do professor. Da mesma forma, Luckesi (2011 ) e Hoffman (2009), têm o entendimento de que a “ação avaliativa é uma das mediações pela qual se encoraja a reorganização do saber”. Então, a avaliação como prática diária deve ser inclusa e alicerçada no planejamento do docente a fim de que ele possa acompanhar passo a passo os processos de ensino e aprendizagem, para isso se faz necessário assistir e mediar os resultados obtidos dos alunos aos objetivos propostos nos planos de aula, no Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola, no currículo, entre outros documentos norteadores dos fazeres didáticopedagógicos. Entretanto há uma trajetória a ser atentamente observada que segue desde a elaboração do plano de aula até chegar aos resultados, aos feedbacks, as devolutivas dos alunos, o que permite ao professor identificar progressos, avanços, problemas e dificuldades ao longo dos processos de ensinar e aprender. Essa trajetória equivale ao que Hoffmann (2009) pontua ser a avaliação: uma reflexão permanente do docente sobre sua práxis e o acompanhamento do educando em sua trajetória de aprendizado escolar. Mesmo assim, na área da educação, a concepção de avaliação ainda está atrelada ao ato único de medir, mensurar e classificar. Há professores que utiliza a avaliação como ferramenta para polarizar os alunos em bons e ruins; certos e errados; aprovados e reprovados, revelando um lado negativo dessa prática, a exclusão! Para Hoffman (2009), isso acontece pela falta de compreensão de alguns professores sobre o sentido mais amplo da avaliação da aprendizagem, com isso praticam exames classificatórios como se estivessem praticando avaliação.

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Mas afinal, quando surgiu essa preocupação em relação a avaliação na educação brasileira? No Brasil, é a partir da década de 80 que as discussões mais calorosas sobre “avaliações escolares” ganham maior impulso. Com a intenção de minimizar e/ou romper com a avaliação na perspectiva positivista, autoritária, meritocrática, de caráter provavelmente quantitativo, emergem estudos e propostas para a construção de práticas avaliativas com viés mais democrático, visando à inserção e o aprimoramento das concepções qualitativas, dialéticas e dialógicas da avaliação escolar. É nesse contexto que despontam importantes pesquisadores, autores em sua maioria que fazem parte da literatura dessa temática, tais como: avaliação emancipatória (SAUL, 1 988), avaliação diagnóstica (LUCKESI, 1 992), avaliação mediadora (HOFFMANN, 1 991 ), avaliação dialógica (ROMÃO, 1 998), avaliação dialética-libertadora (VASCONCELOS, 1 998). Assim, em oposição aos modelos clássicos e engessados dos fazeres pedagógicos, a avaliação ganha foco como um instrumento fundamental para o diagnóstico e acompanhamento do processo de ensino e aprendizagem cujo reflexo incide na melhoria da qualidade do desempenho de cada educando. Assim, (...) a primeira coisa a ser feita, para que a avaliação sirva à democratização do ensino, é modificar a sua utilização de classificatória para diagnóstica. (Luckesi, 2011 ,p. 11 5). Luckesi esclarece que a avaliação com função classificatória é um instrumento estático sobre o que é examinado; é um ato centrado no julgamento de aprovação ou reprovação; visa somente examinar, classificar, selecionar e não investe na construção de melhores resultados possíveis, por isso mesmo é excludente, portanto não serve como instrumento dinamizador dos processos de ensino e aprendizagem, e não atende aos processos que

levam ao avanço e crescimento dos alunos e professores. O autor reforça a importância da avaliação diagnóstica, ao dizer que, Esta forma de entender, propor e realizar a avaliação da aprendizagem exige que ela seja um instrumento auxiliar da aprendizagem e não um instrumento de aprovação ou reprovação dos alunos. Este é o princípio básico e fundamental para que ela venha a ser diagnóstica. Assim como é constitutivo do diagnóstico médico estar preocupado com a melhoria da saúde do cliente, também é constitutivo da avaliação da aprendizagem estar atentamente preocupada com o crescimento do educando. Caso contrário, nunca será diagnóstica. (LUCKESI, 2002, p. 82, grifos do autor). A avaliação diagnóstica sinaliza a presença ou ausência dos pré-requisitos necessários para que os novos conhecimentos possam se efetivar de maneira a “[...] identificar as dificuldades de aprendizagem, tentando discriminar e caracterizar suas possíveis causas”. (HAYDT, 1 988, p. 23). Nesse caso, a avaliação fornece ao professor condições para uma análise mais ampla dos conhecimentos alcançados pelos alunos, incluindo raciocínios, atitudes, e estratégias espontâneas em relação a apreensão e formulação dos saberes, permitindo ao docente adequar as aulas às necessidades e dificuldades dos estudantes, e para estes, possibilita a conscientização de que suas dificuldades expressas nas avaliações possam ser o ponto de partida para a melhoria da própria aprendizagem. Ao conceber a avaliação como instrumento que propicia a aprendizagem é assumir a

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de que essa atividade não tem fim em si mesmo, principalmente por possibilitar ao educando confrontar seus conhecimentos para (re) formulálos, ao mesmo tempo em que fornece ao professor o suporte para atingir seus propósitos através de sua práxis. Porém, para romper com o modelo de avaliação usada como recurso de autoridade cujo caráter punitivo atinge os destinos dos alunos é preciso uma inversão no papel da avaliação, ou seja, tornar a prática avaliativa uma ferramenta auxiliar, norteadora do processo construtivo do saber e não tomá-la como uma medição da aprendizagem de cunho repreensivo. Para tanto, é necessário clareza na concepção de educação que rege a instituição de ensino, articulada a fundamentação do fazer didático-pedagógico, incluindo conteúdos, grades curriculares, avaliações, entre outros. Quanto a isso, Romão (2011 ), conclui que a concepção que se tem de educação fatalmente determina a concepção que se tem de avaliação! Voltando um pouco na história da educação brasileira, vale muito dizer que, em oposição ao modelo de educação tecnicista, autoritária e alienante, o educador Paulo Freire arduamente defendeu a escola democrática, cidadã, capaz de construir uma educação emancipadora voltada ao conhecimento mediatizado também pelo diálogo entre professor e aluno. Para ele, as transformações só seriam possíveis se o docente (re) orientasse sua práxis e revisse conteúdos para então ampliar e/ou criar novas formas de avaliações. O professor Freire complementa que a avaliação dialógica é como uma prática pedagógica transdisciplinar, que leva em conta o desenvolvimento dos alunos na pluralidade integrada das disciplinas do currículo escolar como um todo, capaz de transformar a avaliação num momento de aprendizagem para alunos e professores.

Contudo, a avaliação dialógica segundo Hoffmann (2009), vai contemplar o conhecimento como apropriação do saber pelo aluno e pelo professor, numa relação de ação-reflexão-ação, na qual o conhecimento é construído em estreita relação com o contexto, levando em conta os aspectos cognitivos, emocionais e sociais que os envolve. Sendo assim, a avaliação dialógica existe nas interatividades que são condições essenciais para que se alcance a dialogia na construção da aprendizagem, ou seja, as trocas, as reciprocidades, a colaboração entre os sujeitos são peças-chave nos processos construtivos dos saberes. É daí que a concepção pedagógica sociointeracionista e socioconstrutivista de Vygotsky vem auxiliar para compreensão sobre o desenvolvimento intelectual e o aprendizado que ocorrem numa relação dialética, interativa entre sujeito e a sociedade, possibilitando ao homem novos conhecimentos e com condições de modificar a realidade que o cerca. Atrelada a prática dialógica, temos a avaliação formativa, fundamentada nas teorias socioconstrutivistas, sociointeracionistas e sociocognitivas, com função de regular as etapas das aprendizagens significativas inscritas em um projeto educativo, que visa construir um ensino mais abrangente, com maior alcance possível às aprendizagens significativas e efetivas. Essa forma de avaliação permite ao professor rastrear e identificar as deficiências nos processos de ensino e aprendizagem incluindo sua práxis, a fim de reformulá-la, aperfeiçoá-la para atender as necessidades de cada aluno. A avaliação formativa fornece ao professor condições de compreender e analisar os processos cognitivos e Lev Vygotsky (1 896-1 934), psicólogo, foi pioneiro no conceito de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e condições de vida.

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metacognitivos dos alunos juntamente às estratégias de ensino, ou seja, através da avaliação formativa o professor analisa se o aluno domina gradativamente cada fase daaprendizagem antes de avançar para outras etapas subseqüentes de ensino. Detalhe: um dos instrumentos que não pode faltar na avaliação formativa, é a autoavaliação! Já a avaliação somativa, tem a finalidade de verificar o que os alunos efetivamente aprenderam para então “classificá-los” de acordo com os níveis de aproveitamento das aprendizagens previamente estabelecidas. É uma avaliação classificatória que visa atribuição de notas, ainda assim, deve essa avaliação fornecer o feedback ao aluno, apresentando o seu nível de aproveitamento alcançado, para tanto, devese associar suas devolutivas/resultados aos métodos, materiais pedagógicos entre outros instrumentos necessários para avaliar. Todavia, as práticas avaliativas e educativas são complementares e constituem um conjunto de ações que se suplementam ao longo dos processos de ensinar e aprender, dessa forma, a avaliação é percebida como instrumento de intervenção no planejamento da escola, culminando nas diretrizes e encaminhamentos do seu Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola cujo comprometimento com a concepção emancipatória consente a importância da complementaridade entre as avaliações quantitativas e qualitativas necessárias aos processos de escolarização/formação dos alunos. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB nº 9394/96, (art. 24, inciso V), a avaliação da aprendizagem deve ser um processo contínuo, sistemático e cumulativo do desempenho do aluno, vinculando a avaliação na forma qualitativa, priorizando um ensino que valoriza os resultados acumulados ao longo de

todo o processo educacional e não somente os resultados de provas, testes realizados no final de cada ano letivo, ou ao final de cada curso (grifos nosso). Em outras palavras, remete avaliação da aprendizagem à finalidade diagnóstica do conhecimento do aluno, afastando a ideia de avaliação como algo simplesmente burocrático, técnico, tópico e estático. No caso, o professor deve fazer um diagnóstico do aluno, demarcar a presença ou ausência de habilidades e conhecimentos, identificar e levantar as causas das dificuldades nas aprendizagens dos alunos. O diagnóstico apresenta uma projeção que oferece elementos para verificar o que o aluno aprendeu e como aprendeu, porém, cabe também ao aluno assumir o compromisso de empenhar-se para o sucesso de sua aprendizagem! Assim, para uma avaliação segura, o professor dispõe de várias maneiras e ferramentas que diversificam as formas de ensinar e aprender: Jogos, filmes, músicas, plataformas virtuais, revistas, internet, jornais, poesias, teatro, fotografias, artes plásticas, mapas-múndi, mapas conceituais, debates, textos, hipertextos, entre tantas outras ferramentas que possibilita ao aluno a busca; a composição e a (re) formulação de seus conhecimentos, questionamentos, argumentos e conceitos. O uso desses recursos muito contribui para ampliar interpretações, leituras, comunicações, interações linguísticas e culturais que ocorrem nos processos de aprendizagens, abrindo canais interdisciplinares, de conhecimentos diversos, tais como contextos históricos, sociológicos, geográficos, científicos, técnicos, linguísticos, culturais, étnicos, estatísticos... Oportunizando aos alunos práticas mais criativas, dinâmicas e interativas, o que faz desses recursos, instrumentos transformadores, interventores dos processos de ensino e aprendizagem!

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E a escola, qual seu papel frente à avaliação da aprendizagem? A escola, através da sua equipe pedagógica deve propiciar condições necessárias para o bom andamento dos processos didático-pedagógicos, especialmente no que diz respeito à avaliação da aprendizagem. Nesse caso, é tarefa primordial e rotineira da equipe acompanhar atentamente os rendimentos escolares dos alunos, seus resultados, os fazeres didático-pedagógicos dos professores, entre outros dados que servem à equipe se inteirar, avaliar e fazer uma análise situacional dos processos de ensino e aprendizagem na escola, para sempre que necessário intervir e buscar melhores condições e bons resultados, com foco especialmente no avanço das aprendizagens dos alunos. Portanto, a equipe deve garantir o suporte necessário aos professores e alunos, mantendo-os próximos, numa relação de parceria, confiança e colaboração. Lembrando que a avaliação da aprendizagem está intrinsecamente ligada a trajetória escolar que vai do planejamento de aula ao feedback do aluno, seus resultados, suas devolutivas e isso reafirma a importância da avaliação como processo e não como uma ferramenta de mensuração de notas. Assim, convém frisar o compromisso da equipe pedagógica em todo o processo de formação escolar, isso exige da equipe empenho, dinamismo, clareza e sólido domínio de conhecimentos para refletir e dialogar junto à comunidade escolar, especialmente junto aos docentes sobre planos de aula, currículos, conteúdos, formas de avaliação e estratégias a serem trabalhadas, com o objetivo de intervir para o sucesso escolar dos alunos e o bom andamento do ensino da escola. Isto posto, vale dizer que avaliar é um ato moral, requer ética, compromisso e respeito, portanto não deve ser uma via de mão

única, pois várias são as formas e ferramentas que ampliam as possibilidades de realizar avaliações mais seguras. Portanto, vale observar que a avaliação é o reflexo da práxis docente, das condições de aprendizagens e empenho do aluno. Entretanto, a fim de ajustar os processos de ensino e aprendizagem com objetivo de alcançar o sucesso escolar dos alunos e da própria escola é necessário o entendimento, vontade, potência e o comprometimento não somente do professor, mas também da comunidade escolar que tem o nobre dever de primar, contribuir e criar circunstâncias a fim de que o estudante tenha condições reais para desenvolver conhecimentos, competências e habilidades necessárias para sua formação. REFERÊNCIAS

BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei 9394, 20 de dezembro de 1 996. HAYDT, R. C. C. Avaliação do processo ensinoaprendizagem. São Paulo: Ática, 1 988. HOFFMANN, Jussara. Avaliar para promover: as setas do caminho. Porto Alegre: Mediação, 2009. LÉVY, Pierre. A ideografia dinâmica: rumo a uma imaginação artificial. São Paulo, SP: Loyola, 1 998. LIBÂNEO, José Carlos. Didática. Cortez Editora: São Paulo, Coleção Magistério 2° Grau Série Formando Professor, 1 994. LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 22 ed. São Paulo: Cortez, 2011 . ________.Avaliação da aprendizagem escolar. São Paulo: Cortez, 2002

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PADILHA, Paulo Roberto. Planejamento dialógico: como construir o projeto político pedagógico da escola. 7 ed. São Paulo: Cortez; Instituto Paulo Freire, 2007.

P r o d u ç ã o D id á t ic a E F OS

PERRENOUD, Philippe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens – entre duas lógicas. trad. Patrícia Chittoni Ramos. Porto Alegre: Artmed, 1 999. ROMÃO, José Eustáquio. Avaliação dialógica: desafios e perspectivas. 9 ed. São Paulo: Cortez, 2011 . SAUL, A.M. Avaliação emancipatória: desafio à teoria e à prática de avaliação e reformulação de currículo. 5. ed. São Paulo: Cortez, 1 988. VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Avaliação da aprendizagem: Práticas de mudança por uma práxis transformadora. 11 ª ed. São Paulo: Libertad, 201 0.

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D E P OI M E NT OS C o m a le g r ia a t u o h á 5 a n o s n a E s c o la d e Formação em Saúde. Desde os primeiros d ia s f u i d ir e c io n a d a a S e c r e t a r ia E s c o la r , iniciei como auxiliar da Secretária e hoje sou a S e c r e t á r ia E s c o la r , r e s p o n s á v e l p e la emissão de Diplomas e Certificados. Para mim, é gratificante fazer parte desta e q u ip e , f a z e r p a r t e d e s t a h is t ó r ia . S o u responsável pelo primeiro contato do aluno que faz a matrícula até a tão esperada c o n c lu s ã o d e c u r s o , c o m a e n t r e g a d o diploma. M u it o b o m p o d e r a ju d a r n a c a p a c it a ç ã o d e profissionais que saem para o mercado c a p a c it a d o s e s e d e s t a c a n d o p o r t e r t id o u m a p r e n d iz a d o d if e r e n c ia d o n a E F OS . Qu e venham mais comemorações, mais alunos. Que possamos sim, fazer a diferença formando profissionais de excelência. J u lia n a A t h a y d e S e c r e t á r ia E s c o la r É gratificante participar e comemorar com esta e q u ip e os 25 anos da E F OS . S a n d r a R e g in a B r it o S e c r e t a r ia E s c o la r

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A I M P O RTÂN C I A D A F O RM AÇ ÃO P E D AG Ó G I C A D O P RO F I S S I O N AL E N F E RM E I RO PARA A D O C Ê N C I A E S E U I M PAC TO N A QU ALI D AD E D A F O RM AÇ ÃO D O S TÉ C N I C O S E M E N F E RM AG E M Débora de Cássia Ferreira A responsabilidade pela formação dos técnicos em enfermagem é em grande parte dos enfermeiros graduados, que exercem ou não atividades pertinentes ao cargo em hospitais e outras instituições de saúde. Muitos destes profissionais recém-formados buscam na docência a remuneração esperada com o término da graduação, quando não conseguem uma colocação profissional em âmbito assistencial. Pois bem, o contingente que presta a maior parte da assistência de enfermagem oferecida nos hospitais se dá desta forma, preparados por enfermeiros com ou sem experiência assistencial e sem formação pedagógica em sua grande maioria. Isso se dá devido ao fato de que essa não é uma exigência prevista em lei e tão pouco uma condição imposta pelas escolas técnicas de saúde. Freitas (2009), nos alerta sobre a urgência em romper paradigmas e práticas pedagógicas onde o aluno é depositário passivo dos conhecimentos, modelos mecanicistas baseados no pensamento newtoniano-cartesiano que postula a racionalidade, a objetividade e a medição como únicos meios de se chegar ao conhecimento. A consequência é que estamos rodeados e programados para aceitar e realizar toda espécie de reducionismo, ou seja, reduzir os fenômenos complexos a seus componentes mais simples e considerar estes últimos como mais fundamentais que os fenômenos complexos observados.

O autor nos alerta sobre práticas onde o aluno é apenas depositário de conhecimentos, questionando modelos educacionais que devem ser modificados. Sendo assim retomo então a questão da ausência de formação pedagógica do profissional enfermeiro na atuação como docente. Para que tais paradigmas sejam quebrados é preciso trabalhar em cada docente a pedagogia e as novas metodologias de ensino utilizadas. Na educação profissional em saúde considero um tanto quanto mais severo tal problema e o quanto o aprendizado pode ficar comprometido uma vez que o professor da educação profissional em sua maioria não tem formação pedagógica e como profissional técnico que é, ensina a fazer, repetindo a frase acima: “o aluno se torna depositário passivo dos conhecimentos”. O profissional que se coloca na posição de docente pode e deve, é claro, ter domínio sobre a técnica a qual está ensinando, porém isto não é suficiente. É importante formar seres humanos pensantes, criativos e críticos na realidade em que estão inseridos. O “saber fazer” nem sempre pode ser igualado ao “saber ensinar a fazer”. Ramos (201 0), nos traz em um dos capítulos de seu livro “Trabalho, educação e correntes pedagógicas no Brasil: um estudo a partir da formação dos trabalhadores técnicos da saúde” uma reflexão sobre a pedagogia tradicional. A autora coloca que esta tem o essencialismo como base e suas afirmações elementares implicam a subordinação do homem aos valores e aos princípios tradicionais. A educação profissional tem o objetivo de formar profissionais capacitados tecnicamente a executar determinadas tarefas, operar equipamentos, entre outros. Porém, é preciso abranger patamares mais altos principalmente quando falamos em educação

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profissional em saúde. A responsabilidade a que submetemos um técnico de enfermagem na execução de suas atividades precisa ser trabalhada ao longo de toda a formação, desde o primeiro dia. É uma profissão de risco para si e para o outro, e esta consciência precisa ser colocada à prova no momento em que se opta por uma profissão / formação como esta. Então, quem deverá informar, advertir, orientar, esclarecer e conscientizar este estudante da responsabilidade que está prestes a assumir e realizar todos os dias? O enfermeiro, que em sua maioria também teve uma educação profissional, preparado para inúmeras situações críticas, difíceis e complexas, mas, não preparado para essa atividade de formação. Em sua designação mais genérica, chama-se de educação uma atividade social tão antiga quanto a própria instituição de uma sociedade minimamente organizada, assim como considera Werner Jaeger (1 995) “todo povo que atinge certo grau de desenvolvimento inclina-se naturalmente à prática da educação”. Morosini, M. V.; Fonseca, A. F. e Pereira, I.B., nos convidam a uma localização temática da educação em saúde como um campo de concorrências de projetos de sociedade e visões de mundo que se inovam nas formas de configurar e organizar os discursos e as práticas que dizem respeito à educação no campo da saúde. (Verbete educação em saúde, 2009). Ainda sobre metodologias de ensino, Marise Ramos também nos contempla com um texto que faz esta junção entre conteúdo e método: O trabalho educativo tem por finalidade produzir, direta e intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto dos homens. Para isto,

são objetos da educação, por um lado, os elementos culturais que precisam ser assimilados pelos indivíduos da espécie humana para que se tornem humanos – elementos culturais aqui devem ser entendidos como aqueles produzidos pela intervenção humana (conhecimentos científicos, éticos e estéticos). De outro lado, e concomitantemente, estão as formas mais adequadas para atingir esse objetivo, ou seja, os métodos. O trabalho educativo se constitui nesta unidade de conteúdo e método. Ao conteúdo correspondem os conhecimentos a serem ensinados e aprendidos, e ao método, a forma de ensinar e aprender. (Ramos, 201 0, pg. 226). A autora afirma que o alcance dos objetivos educativos requer partir e tomar como referência o conhecimento objetivo produzido historicamente. A mesma coloca que, o essencial deve ser distinguido do acidental, o principal do secundário e o fundamental do acessório. A autora continua afirmando que a escola é uma instituição que tem o papel de socializar o saber sistematizado. “Não se trata, pois, de qualquer tipo de saber, nem mesmo do espontâneo, posto que a escola tem a ver com o problema da ciência, à qual corresponde o conhecimento sistematizado.” (RAMOS,201 0). Quando falamos em educação profissional em saúde, além do ambiente escolar temos o ambiente hospitalar como local de aprendizado. Há uma junção inevitável da figura enfermeiro/a x professor/a. O profissional da saúde (enfermeiro) precisa incorporar o profissional educador, pois no momento em que transmite conhecimentos, ensina algo, se torna um professor.

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Em uma perspectiva ainda mais abrangente podemos incluir em todo este contexto educacional e operacional uma questão extremamente importante que é a humanização. Ao ingressar no campo da saúde, inevitavelmente os estudantes / profissionais lidarão com vidas nas suas mais variadas formas de fragilidade. O profissional que transmite os conhecimentos, ensina técnicas, mostra como operar máquinas, equipamentos e realizar procedimentos ainda precisa lembrar continuamente ao aluno que nosso maior instrumento de trabalho é o corpo humano. São várias as teorias pedagógicas e formas de produção de conhecimento. Os trabalhadores técnicos em saúde e mais precisamente a formação desses trabalhadores, precisa ser pensada, uma vez que, transmitir ou construir conhecimento são necessários ao processo de aprendizado, porém a particularidade a que somos submetidos pela área a qual atuamos, faz muita diferença. Não estamos operando máquinas ou equipamentos sofisticados apenas, não trabalhamos com os bancos e/ou bolsa de valores, não estamos administrando recursos financeiros, capital estrangeiro, ou politicando em determinada cidade ou país, estamos trabalhando com pessoas, com vidas. Sendo assim, a graduação em enfermagem não se mostra suficiente para atender as demandas educacionais e de formação da sociedade, sobretudo na formação do técnico em enfermagem. A educação utiliza-se de uma gama de ferramentas metodológicas que os profissionais da saúde sequer imaginam existir, assim como a enfermagem também vivencia situações e formas de trabalho que os profissionais da educação nem imaginam em conhecer.

Pois bem, saber ser enfermeiro, saber ser ao mesmo tempo professor, esse é o desafio. Atuar com qualidade técnica e sensibilidade, fazer da formação um ofício e passar esse sentimento para o educando, futuro profissional da saúde. O trabalho do técnico em enfermagem não pode ser considerado um trabalho simples, uma vez que lida frequentemente com a vida e a morte, com eventos e intercorrências imprevisíveis que podem acontecer em qualquer momento da assistência e nos mais variados ambientes. Outro ponto importante a ser discutido é o perfil deste estudante que procura através da educação profissional tornar-se um trabalhador da saúde. As questões que o levam a procurar esta formação, seja pela empregabilidade acessível, necessidades familiares, influências, condição financeira, etc., são fatores que precisam também serem analisados durante a formação objetivando como fruto desta experiência, profissionais comprometidos, capacitados e que realmente incorporem o perfil desejado e esperado de um profissional de saúde. Nos deparamos então com mais uma responsabilidade a ser colocada sobre o profissional formador. A sensibilidade de perceber as limitações e intenções do aluno também não se restringem como tarefa fácil. A abordagem deve ser precoce no intuito de mostrar logo a responsabilidade que a profissão exige, ou encaminhar talvez este estudante para outra direção, fazendo com que ele não tenha sensação de tempo perdido. É claro que a formação se dá ao longo do curso, porém algumas observações acerca do perfil do estudante já podem ser identificadas nos primeiros dias / meses de aula. O importante é que o enfermeiro / professor tenha consciência de sua grande responsabilidade

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nesta formação, disponha de conhecimento suficiente para transmitir habilidades técnicas e possua discernimento para lidar com situações como acima descrevi, quais sejam as pedagógicas. Conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em enfermagem, o perfil do formando egresso é: Enfermeiro, com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva. Profissional qualificado para o exercício de Enfermagem, com base no rigor científico e intelectual e pautado em princípios éticos. Capaz de conhecer e intervir sobre os problemas/situações de saúdedoença mais prevalentes no perfil epidemiológico nacional, com ênfase na sua região de atuação, identificando as dimensões biopsicossociais dos seus determinantes. Capacitado a atuar, com senso de responsabilidade social e compromisso com a cidadania, como promotor da saúde integral do ser humano. (Portal MEC). Seguindo no estudo, ainda temos a questão do professor como facilitador no processo de ensinoaprendizagem. Líbaneo (1 994), afirma que são fundamentais as relações democráticas entre educador e educando e os métodos de ensino ativos, uma vez que o papel do estudante é de coparticipante no processo de construir conhecimentos. Uma das metodologias que iniciam com o aluno inserido na realidade é a metodologia da problematização, incluída entre as metodologias ativas.

É fundamentada em abordagem pedagógica crítica, bastante utilizada hoje no campo da saúde. Tais metodologias buscam desenvolver o compromisso social do estudante com a transformação da realidade. Também se mostra de extrema importância a preocupação com o profissional enfermeiro que assume a tarefa que por hora a ele é confiada utilizando-se de ferramentas que cria para realizar uma formação digna e benéfica para o aluno e para a sociedade. Um mundo que gira cada vez mais rápido, onde a tecnologia nos permite acessar a informação a qualquer tempo e em qualquer lugar é benéfico, porém não pode substituir o diálogo e o contato pessoa/pessoa, pois a experiência e a diversidade de personalidades se fazem ricas na troca de informações que não alcançamos através das redes sociais. Sendo assim a educação é um pilar que nos proporciona olhar para o horizonte com vistas no passado. De onde viemos e para onde estamos caminhando. A educação é transformadora, precisa ser de qualidade e aprimorada todos os dias com o intuito de formar cidadãos transformadores do conhecimento, envolvidos em pesquisa, inovação e tecnologias. O processo de ensino-aprendizagem precisa caminhar alinhado a esta nova forma de se fazer educação. Cidadãos mais conscientes do seu papel na sociedade e convictos de que a educação de qualidade e envolvente é o melhor caminho. A educação precisa respeitar a individualidade, as crenças, os valores e princípios que regem a dignidade humana, visando, contudo, ser um processo de desenvolvimento integral do ser humano.

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Os docentes da educação profissional sobretudo na saúde, necessitam de capacitação pedagógica, habilidade para o exercício da docência, além de possuir experiência na área de atuação em que ministram suas aulas, seja em teoria ou prática. Sendo assim, se faz necessário uma conscientização da importância da capacitação para início das atividades educacionais e o desafio é alinhavar de forma que todo profissional que adentrar em uma sala de aula tenha plena consciência do seu papel como educador. São muitas as questões e muito se tem a fazer para melhorar este ponto que refletirá sobre maneira na qualidade dos cursos técnicos e na formação desses profissionais. A pesquisa realizada no campo da Educação Profissional em Saúde nos remete necessariamente a três categorias distintas: os estudantes, os docentes e os trabalhadores. A educação profissional em saúde não se distancia da educação profissional, nem tão pouco da educação regular, apenas nela existem particularidades que precisam ser pensadas, como o fato de os profissionais já estarem inseridos no mercado de trabalho muitas vezes, e estarem pretendendo uma profissionalização ou uma complementação de sua formação de base. A maioria dos alunos da EFOS de SC são trabalhadores do SUS e já vivenciam alguma experiência nesse mercado de trabalho, seja ligado a saúde direta ou indiretamente atuando em outras atividades como administrativas, zeladoria, serviços gerais, entre outras. A formação holística se mostra indispensável para este público de trabalhadores em busca de profissionalização e novas oportunidades de trabalho. A EFOS e seus colaboradores buscam incansavelmente a melhoria de suas práticas

profissional para excelência nos diversos cursos que oferece. Tais medidas visam um compromisso com os usuários do SUS, profissionais atuantes ou não e com a sociedade em geral. RE F E RÊ N C I AS FREITAS, Aldrey Denise de; JUNGES, Kelen dos Santos; MACHADO, Mércia Freire Rocha Cordeiro. Os Paradigmas Educacionais na Organização do Processo educativo. IX Congresso Nacional de Educação, 2009. Disponível em: <www.pucpr.br/eventos/educere/educere 2009/anais/pdf/3456>. RAMOS, Marise. Trabalho, educação e correntes pedagógicas no brasil: um estudo a partir da formação dos trabalhadores técnicos da saúde. Rio de janeiro: EPSJV / FIOCRUZ. UFRJ Editora, 201 0. MOROSINI, M. V.; Fonseca, A. F. e Pereira, I.B., Dicionário da Educação profissional em Saúde – verbetes. Disponível em: www.epslv.fiocruz.br/dicionario/verbetes.html. Acesso em LIBÂNEO, José Carlos. Didática. Cortez Editora: São Paulo, Coleção Magistério 2º Grau Série Formando Professor, 1 994. JAEGER, W. Paidéia: a formação do homem grego. São Paulo: Martins Fontes, 1 995. Diretrizes curso técnico em enfermagem. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne /arquivos/pdf/Enf.pdf. Acesso em: 04 abr. 201 8.

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Projeto Político Pedagógico da Escola de Formação em saúde – EFOS. Santa Catarina – Secretaria de Estado da Saúde. São José 201 6 / 2020.

P r o d u ç ã o D id á t ic a E F OS

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O S TO M I ZAD O S E s col a d e F orm a çã o e m S a ú d e - S ã o J os é P rofe s s ora E n e l i ce Te re zi n h a d e S ou za e S i l va Muitas vezes, nós professores, preocupamo-nos em fazer uma aula prática diferente e rica em conteúdo com a intenção de propiciar o aprendizado de maneira mais satisfatória e efetiva aos estudantes. Por isso, é importante criar estratégias que garantam o aprendizado. Pensando nisso, os alunos das turmas de Técnico em Enfermagem EFOS 7 e EFOS 8 participaram de uma experiência iniciada em sala de aula com o objetivo de vivenciar as dificuldades dos pacientes ostomizados. Os mesmos passaram um período de 24h com uma bolsa de colostomia/urostomia e puderam experimentar algumas situações rotineiras na vida de um paciente que passa por esse procedimento. Alguns pontos em comum foram observados pelos estudantes quanto a situação delicada dessas pessoas na sociedade e mesmo no âmbito familiar, visto que, passam por constrangimentos e desconfortos perante a adaptação da nova realidade. Algumas dificuldades encontradas: • Rejeição de cônjuges, filhos, parentes e amigos; • Dificuldade para manusear a bolsa; • Prurido no local da bolsa coletora; • Constrangimento em locais públicos. A oportunidade dessa aula prática mostrou que após a experiência, os alunos adquiriram uma visão mais ampla sobre o tema abordado, e acima de tudo, tiveram a oportunidade de estar no lugar do “outro”, vivenciando suas dificuldades, suas necessidades e conhecendo as limitações de uma pessoa ostomizada.

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D I F I C U LD AD E S D E AP RE N D I ZAG E M – QU AN D O A FALH A É N A F O RM AÇ ÃO D O C E N TE SCHAF, Giliaine Betel Vargas 1 ROCHA, Lia Beatriz Silva Munhoz da ² 1 I N TRO D U Ç ÃO Tem-se presenciado inúmeras discussões, debates, temas de artigos dos mais variados possíveis sobre as dificuldades de aprendizagem nas suas mais diferentes formas. Mas apesar de todos os estudos, pouco se analisa acerca do fator conduta do professor, o que recai na sua formação e práticas pedagógicas. Este trabalho busca fazer uma relação entre as dificuldades de aprendizagem que consecutivamente levam ao fracasso escolar, e as condutas não apropriadas dos professores. Sabe-se que a aprendizagem ocorre em função de um conjunto de fatores, sejam internos procedentes de aspectos cognitivos, afetivos, motores, como também externos e diga-se, a família, a comunidade e a escola. O que nesse caso será estudado o fator escola, representado pelo professor. Pode-se usar como exemplo neste trabalho, a formação do profissional de poderá aprender com os equívocos cometidos no passado, investindo na 1 Graduada em Pedagogia. Artigo para obtenção do título de especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional. 2 Professora Orientadora, Fonoaudióloga especialista em Psicopedagogia, Administração Educacional e Metodologia do Ensino Superior; Mestre em Educação com foco em aprendizagem; Coordenadora do ensino fundamental I no Colégio Nossa Senhora de Sion; Professora do Curso de Pedagogia na Faculdade São Braz; Professora na Pós Graduação do Isal e professora orientadora de trabalho de conclusão de curso na pós graduação da Facinter.

sua própria formação para dirimir o seu principal fracasso enquanto educador, da mesma forma, em que busca ser um agente que contribuirá para as transformações necessárias da sociedade por por meio da educação. 2 O S C O N H E C I M E N TO S D O P E D AG O G O O Pedagogo teoricamente traz em sua bagagem de estudos, um conjunto de saberes que lhe possibilita fazer uma leitura efetiva de mundo, da mesma forma a agir sobre ele. Esses saberes encontram-se interligados nos campos da Sociologia, Psicologia, Antropologia, Filosofia, História, Linguagem, Ciências Exatas, da Saúde e da natureza. O campo científico da pedagogia não necessariamente representa o domínio de todas essas áreas, porém a partir da transdisciplinaridade, o pedagogo é capaz de atuar construindo saberes e transformando realidades. Não se pode esquecer da educação continuada, imprescindível ao exercício do magistério e segundo Perrenoud, (2002, p. 1 2). A Formação, inicial e contínua, embora não seja o único vetor de uma profissionalização progressiva do ofício de professor, continua sendo um dos propulsores que permitem elevar o nível de competência dos profissionais. Além de aumentar seus saberes, ela pode transformar sua identidade, sua relação com a aprendizagem. De acordo com o autor supracitado, a formação continuada possibilita profissionalizar o professor, mudando sua práxis e sua postura, ou seja, fará com que o professor ao dar prosseguimento em seus estudos, consiga elevar seu nível de competência, proporcionando, com isso, a transformação de sua própria identidade.

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2 . 1 O D O M Í N I O D O S C O N TE Ú D O S Dominar os conteúdos que serão ensinados é questão imprescindível. Porém, o conhecimento dos conteúdos e todas as informações pertinentes deverão estar em consonância com a realidade vivenciada pelos alunos, para isso, esses conhecimentos deverão estar continuamente atualizados. O professor não deve se posicionar alheio à realidade em que vivem os estudantes e apenas se preocupar com os conteúdos propriamente ditos. Deverá levar em consideração, a classe social e econômica desses alunos, condições de acesso à informação, moradia, estrutura familiar, transporte, entre outros. Por essa razão, alguns autores frisam que mais do que conhecimento, o professor precisa estar sempre atualizado, mas de nada adiante saber sem o saber fazer de acordo com Freire (1 996, p. 29) “não apenas ensinar os conteúdos, mas também ensinar a pensar certo”. Dessa forma, é salutar dizer que aprender significa “poder dar sentido a uma realidade complexa” (Altet, 1 997, p.1 47). Infelizmente, muitos professores não sabem, ou não se dão conta disso, principalmente no final de carreira ou no início dela quando anda não ficou claro a dimensão política e transformadora que a profissão docente proporciona. Igualmente, faz-se presente o hábito de simplesmente transpor conteúdos. Por essa razão, muitos alunos ficam sem assimilar aquilo que é pertinente aprender e o porquê aprender, como esse aluno vai compreender essa nova situação de aprendizagem, se não sabe por que está diante dela. Demo (1 998, p.21 3) vem confirmar o que foi dito anteriormente, “aprender a aprender indica uma visão didática composta de dois horizontes entrelaçados pela competência de

construir a competência em contato com o mundo, com a sociedade, num processo interativo produtivo”. É essa competência que a sociedade espera do profissional da educação. Não basta saber, é preciso saber fazer, ou seja, colocar em prática o conhecimento de acordo com as exigências que o momento requer. 3 A P RÁTI C A C O N S TATAÇ ÃO

P E D AG Ó G I C A:

UMA

e acordo com o parecer do CNE/CP (Conselho Nacional de Educação/ Conselho Pleno) 9 /2001 , trabalhar com competência exige uma mudança de perfil profissional do professor. Competência é a qualidade de quem é capaz de resolver determinado assunto independentemente da situação. Para Perrenoud (2000b,p.1 5), competência significa “a capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos para enfrentar um tipo de situação”. Em outras palavras, ser competente é mobilizar na hora apropriada, um leque de saberes tendo em vista a resolução de uma situação. A LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) no seu artigo 62 determina a formação em nível superior dos docentes para atuar na educação básica. Mas o que dizer quando a pessoa que está à frente de uma classe, não possui sequer formação mínima para o exercício do magistério? Como terão o olhar que somente o profissional capacitado terá? Como identificarão sujeitos que apresentam alguma dificuldade de aprendizagem? Tem regredido, a educação? Talvez em alguns aspectos sim, pois como nos anos que antecederam à Proclamação da República, o exercício do magistério era praticado por profissionais liberais, conforme Romanowski (2009, p.71 ) “Nesse período, a formação do

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professor não era considerada vital para o exercício do magistério [...], geralmente nomeando pessoas de prestígio social na comunidade”. Um artigo da revista Nova Escola (março, 201 2, p. 26) discorre dessa problemática pelo que relata: Pelo menos 1 60 mil docentes brasileiros que estão em atividade não têm formação adequada, segundo dados do Censo Escolar 201 0, conduzido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Não há consenso sobre esse número, e outros levantamentos indicam que ele pode ser ainda maior. Com essa constatação fica difícil imaginar crianças sendo totalmente preparadas para assumir seu papel de sujeito ativo na sociedade, pois cada vez mais o que se observa é um desnível total em se tratando de educação. Se de um lado as escolas particulares na sua grande maioria investem na seleção dos melhores professores, por outro lado a rede pública de ensino tem deixado de observar certos critérios imprescindíveis para que de fato ocorra a aprendizagem eficaz. Como se não bastasse, a formação ineficiente dos professores, ainda se constata o despreparo emocional de alguns, o que torna nesse caso, o educador como um entrave no que diz respeito ao processo ensinoaprendizagem. Às vezes quase que ingenuamente são utilizadas pelo professor condutas destrutivas o que pode ser explicitado como: • Queixas particulares na frente dos alunos; • Discussões com outros professores; • Xingamentos desnecessários e perda do controle emocional durante as aulas. Ao analisar essas condutas na ótica de alguns dos grandes nomes da educação como Piaget, Vygotsky e Wallon verifica-se o quanto ainda se tem que percorrer para chegar ao nível de

desenvolvimento capaz de tornar o educando um ser completo e apto a desenvolver todas as suas aptidões e habilidades. Segundo Piaget (1 972, p.20), “a função do professor é criar condições para que o aluno possa construir conhecimentos”. Por essa razão, ensinar compreende mais do que simplesmente tratar o objeto ou o conteúdo de maneira superficial, mas entende-se à produção das condições em que é possível aprender e apreender o conhecimento. Essas condições exigem a presença de professores investigadores, criadores e acima de tudo, que não pararam de aprender. Desse modo, o que cabe aos educadores é ter uma visão emancipadora capaz de proporcionar aprendizagem. Sabe-se que a aprendizagem ocorre de várias maneiras e cada sujeito aprende de uma maneira diferente, portanto não se deve seguir apenas uma regra para comparar os estudantes e sua evolução. O que o educador teve ter em mente é que o ambiente escolar faz parte da aprendizagem e este deverá ser o mais adequado possível. Para Vygotsky (2003) o meio social em que o indivíduo está inserido, influência nas suas experiências e aquisição de conceitos a respeito do mundo que o cerca. Ele vai se desenvolver e perceber o mundo à sua volta, de acordo com esse aprendizado. Wallon (1 968) faz referência à afetividade como ponto fundamental da sua teoria psicogenética. Para ele, o desenvolvimento da inteligência também ocorre por ocasião das relações com o meio e com o outro. A criança passa para o estágio seguinte na medida em que forem supridas suas necessidades cognitivas e afetivas; este é o papel do outro na relação e este outro é o professor. Cury (2003, p.1 40) dá uma grande contribuição de

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como agregar valores muitas vezes tidos como ultrapassados, mas que fazem grande diferença na vida nos nossos alunos. Encontrem algumas janelas dentro da sala de aula para falar por alguns minutos sobre os problemas, metas, fracassos e sucessos que tiveram na vida. O resultado? Vocês educarão a emoção. Os seus alunos irão amá-los, vocês serão mestres inesquecíveis. Eles os identificarão com a matéria que vocês ensinam, terão apreço por suas aulas. Ouçam também seus alunos. Penetrem no mundo deles. Descubram quem são. Um professor influencia mais a personalidade dos seus alunos pelo que é do que pelo que sabe. É necessário atribuir à Educação o valor que ela tem não apenas ficar esperando reformas e mudança política, isso é salutar, mas não pode vir primeiro. A necessidade de aprendizagem eficiente é urgente e mais do que nunca precisamos explorar o enorme potencial dos estudantes. A aprendizagem, segundo Vygotsky 2003 inicia bem antes da criança frequentar a escola, nas primeiras interações sociais, ainda bebê, quando internaliza significados de objetos de sua vivência, a partir do significado atribuído pelo adulto àquela situação. Na escola, o aprendizado é fruto da análise e compreensão das relações reais entre o processo de desenvolvimento e a capacidade de aprendizagem. O professor precisa ter claros conhecimentos dos níveis de desenvolvimento real e potencial, determinado pela solução de problemas através da mediação de outras pessoas, incluindo seus colegas, pais e os professores. Pode-se dizer, com isso, que quando o educador, envolvido no processo ensino-aprendizagem percebe a importância das relações afetivas no desenvolvimento cognitivo, este irá facilitar as relações afetivas, sendo estas imprescindíveis conforme os autores supracitados, ao

ao amadurecimento e consecutivamente à aprendizagem dos alunos. 3 . 1 O p a p e l d a a v a l i a ç ã o n o â m b i to e s c o l a r A Avaliação pode ser entendida como constituidora e subsidiadora do processo de ensino e aprendizagem e consiste em uma prática pedagógica que norteia a ação do educador, indicando-lhe os caminhos coerentes a serem seguidos e fazendo com que o professor reflita constantemente sobre a sua ação junto aos alunos. Os professores e alunos devem aprender juntos com a avaliação e não ser apenas uma devolução por parte dos estudantes, o conhecimento repassado pelo professor. Faz-se necessário que a escola, os professores e os alunos possam agregar à avaliação, o seu verdadeiro papel, ou seja, que esse processo possa contribuir para melhorar as decisões de ordem educacional através da inter-relação entre o sujeito que aprende o sujeito mediador (o que ensina) e o conhecimento (objeto da aprendizagem). Estas relações tecidas no ambiente escolar, faz com que a trama acima citada, possa se transformar em um pano de fundo por meio do qual se desenvolve a ação pedagógica eficaz. "O entendimento errôneo e a desobediência a esse princípio tem sido, em grande parte, causa de frustração de alunos e professores, da insuficiência da aprendizagem escolar e, sobretudo, da falta de motivação para aprendizagem, como facilmente são constatáveis", (TURRA, 1 982, p. 1 89) É preciso fazer mais do que tem sido feito até agora pela educação refletida na pessoa dos estudantes. Os alunos necessitam mais do nunca de atenção especial, respeito e compreensão. É imprescindível compreender a realidade a qual eles pertencem e valorizar suas experiências

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e seus conhecimentos prévios. Os docentes devem planejar suas aulas a partir desses princípios e avaliar sem medir, avaliar incluindo refazendo com o estudante o caminho que ele ainda não conseguiu concluir. Assumir-se como educando significa reconhecer-se como sujeito que é capaz de conhecer e que quer conhecer em relação com outro sujeito igualmente capaz de conhecer, o educador e, entre os dois, possibilitando a tarefa de ambos, o objeto de conhecimento. Ensinar e aprender são assim momentos de um processo maior – o de conhecer que significa reconhecer. No fundo, o que quero dizer é que o educando se torna realmente educando quando e na medida em que se conhece, ou vai conhecendo os conteúdos, os objetos cognoscíveis, e não na medida em que o educador vai depositando nele a discrição dos objetos, ou dos conteúdos (FREIRE, 1 992,p.47). Quando se faz algumas ponderações sobre o ensino escolar, não se pode esquecer que muitos desses sujeitos aprendentes, têm estado pouco tempo na escola ao se verificar que o tempo em que estiveram foi repetindo a mesma série ou ano escolares e por muitas vezes terem sido objeto de avaliações não coerentes. Segundo o Plano Decenal de Educação para todos (1 993), as reprovações sucessivas sofridas por alunos de nossas escolas nunca significaram qualidade ou melhoria de ensino. A qualidade de ensino é verificada pela aprendizagem alcançada pelos alunos, na medida em que o estabelecimento de ensino se torna capaz de auxiliar seus alunos a superar suas dificuldades vislumbrando o êxito escolar. Ao avaliar, o professor deve fugir da ilusão do sucesso escolar por meio dos números, avaliar significa mais do que atribuir valor a alguns conhecimentos internalizados, mas é verificar

diariamente se o conhecimento realmente fez sentido da vida do estudante. Avaliar para transformar a realidade pode ser utopia particular, porém quando sonhada coletivamente, pode ser transformada em realidade. Compete aos educadores, incrementar e atualizar sempre os conhecimentos, por meio de práticas pedagógicas que utilizem novos métodos avaliativos com clareza e transparência, visando sempre a compreensão da realidade e não a repetição ou memorização de conteúdos. 4

O

PAP E L D A P S I C O P E D AG O G I A

Apsicopedagogia é uma área interdisciplinar por possuir um conhecimento independente e complementar o qual o objetivo de análise é o processo de aprendizagem, como também possuiu os meios para diagnosticar, prevenir e corrigir as dificuldades e obstáculos no processo de aprender. O Código de ética da Associação Brasileira de Psicopedagogia, no Cap. 1. – Art. 1 º coloca que: a Psicopedagogia é um campo de atuação em Educação e Saúde, que lida com o conhecimento, sua ampliação, sua aquisição, suas distorções, suas diferenças e seus desenvolvimentos, por meio de múltiplos processos e estratégias, considerando sempre a individualidade do aprendente, comprometida com a melhoria das condições de aprendizagem, revelando sempre as condições pessoais de quem adquire o conhecimento. Portanto, a contribuição da psicopedagogia é imensurável, por ser abrangente e por propor mudanças de paradigmas tanto por parte dos professores, como ao que diz respeito ao núcleo escolar como um todo, e nisso reside a

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psicopedagogia com o seu olhar institucional. Por isso, a sua importância dentro de uma instituição educacional. Sabe-se que a Psicopedagogia ainda está construindo seu corpo teórico, mas nem por isso deixa de participar ativamente do processo de ensinoaprendizagem, uma vez que tem contribuído imensamente para o desvelar de outras possibilidades de abordagens e reflexões. A questão central da Psicopedagogia, não é tão somente o fracasso escolar e os distúrbios de aprendizagem. Hoje a Psicopedagogia está também preocupada em dar a sua contribuição para a constituição de uma sociedade mais justa, onde os indivíduos, mais integrados, possam manifestar plenamente sua condição de eternos aprendizes frente à realidade em constantes mudanças. Formar cidadãos, eternos aprendizes, é condição vital para qualquer sociedade que deseje autonomia e independência (RUBINSTEIN, 1 999, p.28). Portanto, a Psicopedagogia se ocupa da aprendizagem humana, que procedeu de uma demanda, ou seja, o problema da aprendizagem, que vai além dos limites da Psicologia e da própria pedagogia, por assim dizer. Hoje, um dos grandes desafios da escola, é aprender a lidar com crianças que apresentam algu ma dificuldade de aprendizagem. E muitas vezes pelo desconhecimento ou despreparo acabam por cometer mais erros do que acertos, reforçando na criança o auto-conceito negativo, a desmotivação e a falta de interesse pelas aulas. Essas crianças, para chamar a atenção se tornam agressivas e rebeldes. Entende-se que a criança em qualquer etapa do seu desenvolvimento, pode apresentar algum tipo de atraso em seu aprendizado, e isso se deve a vários fatores, dentre estes, podemos destacar

motores, cognitivos, ou externos, por uma mediação inapropriada e excludente por parte dos professores, por condutas inadequadas dos pais, família de um modo geral e comunidade. De acordo com Bossa (2000, p. 11 ) “a aprendizagem se inicia, nos primeiros instantes de vida do bebê, quando este aprende o que é necessário para garantir a sua sobrevivência”. Prova disso é o choro para solicitar a amamentação. Para Bossa (2000, p.11 ), “a aprendizagem e a construção do conhecimento são processos naturais e espontâneos na espécie humana”. A aprendizagem escolar também deverá ser assim. Se não acontecer algo pode estar errado. A aprendizagem é um processo que se desenvolve por meio do organismo, do corpo, do desejo e da inteligência, por isso pode-se dizer que toda aprendizagem passa pelo corpo e só é efetivada se todas essas instancias estiverem em harmonia. De acordo com Fernandes (1 991 , p. 48), “a aprendizagem é um processo cuja matriz e vincular e lúdica e sua raiz corporal; seu desdobramento criativo põe-se em jogo através da articulação inteligência – desejo e do equilíbrio assimilação – acomodação”. A autora ainda enfatiza que os problemas de aprendizagem podem ser abordados sob dois aspectos, respondendo as ordens de causa interna e externa à estrutura familiar e individual do sujeito. Para a compreensão do processo de aprendizagem, devem-se buscar elementos indicadores tanto no que aprende como no que ensina, pois, a forma de se ensinar pode estar dificultando de certa forma a aprendizagem. A Psicopedagogia Escolar surge para dirimir esses entraves no processo de ensino – aprendizagem, pois ao se fazer o diagnóstico psicopedagógico e

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levantadas as hipóteses buscar-se-á a junto a todos os elementos envolvidos, alternativas para solucionar ou diminuir as dificuldades encontradas. C O N S I D E RAÇ Õ E S F I N AI S Diante de toda essa problemática abordada, não se pode deixar de concluir dizendo o quanto é preciso que o olhar inclusivo esteja sempre direcionado em nossas escolas hoje. Não bastam bons professores, se o estigma da segregação e da avaliação quantitativa se fizer presente. É inviável ter boas escolas, se os parâmetros que as norteiam não forem adequados à realidade social em que está inserida. Enquanto a escola não for lugar onde se consolide uma educação integral, onde hoje é concebida por aquela que abrange todas as dimensões humanas, com uma proposta pedagógica que contempla os quatro pilares da Educação; Aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser, essa escola estará produzindo fracassos ao invés de conhecimento. A sociedade hoje pede docentes com formação acadêmica mais coerente com a realidade, efetiva e de qualidade e que possam quando no exercício de suas funções, contestarem e denunciarem as práticas excludentes e inapropriadas, mas para que isso aconteça, o mesmo deverá cuidar da sua própria formação fazendo a diferença em sala de aula, consolidando a busca pelo saber. É preciso também que haja envolvimento dos diferentes segmentos da sociedade, e que se coloque em prática o fazer pedagógico em todas as suas dimensões, não basta apenas teorizar sobre o assunto de produzir políticas públicas para melhorar a educação, pois na maioria das vezes não passam de amontoados de papel, de letra

morta empilhados nas secretarias de Educação. Somente com uma boa dose de conscientização e desejo coletivo, é possível romper com o paradigma posto e consolidar novas perspectivas educacionais que permitam o avanço, a retirada dos entraves e consecutivamente a concretização de uma nova Educação. RE F E RÊ N C I AS ALTET, Marguerite. As pedagogias da aprendizagem. Lisboa; Instituto Piaget, 1 997. BOSSA, Nádia A. Dificuldades de Aprendizagem: o que são? Como tratá-las? Porto alegre: Artmed: 2000. BRASÍLIA, Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, n° 9394 de Dezembro de 1 996. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Plano decenal de educação para todos. Brasília: MEC,1 993. CÓDIGO DE ÉTICA DO PSICOPEDAGOGO. Disponível em: [http:///www.abpp.com.br/códigode ética do psicopedagogo] Acesso em 20 julho 201 2. CURY, Augusto. Pais brilhantes, Professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2003. DEMO, Pedro. Desafios modernos da educação. Petrópolis: Vozes, 1 998. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1 996.

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______. Pedagogia da esperança: um encontro com a pedagogia do oprimido. 7ª ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1 992. FERNANDES A. A inteligência aprisionada: Abordagem psicopedagógica clínica da criança e sua família. Porto Alegre: Artmed; 1 991 ,48. NICOLIELO, Bruna. Formação desencontrada. Revista Nova Escola, n° 250, pág. 26-27, 201 2. PERRENOUD, Philippe. A prática reflexiva no ofício de professor: profissionalização e razão pedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2002. PIAGET, J. A representação de mundo da criança. Rio de Janeiro: Record, 1 972. RUBINSTEINS, Edith. Psicopedagogia um Prática, Diferentes Estilos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1 999. TURRA, Clódia M. G. et al. Planejamento de Ensino e Avaliação. Porto Alegre, RS: EMMA, 1 982. VYGOTSKY L. S. A formação social da mente: O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 6ª ed. São Paulo: Martins Fontes; 2003. WALLON Henri. A Afetividade: A evolução Psicológica da Criança. São Paulo.

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DEPOIMENTOS Saber que transforma. Ao começar minha fala sobre experiência essa é a frase que me vem à mente. Há um ano cheguei aqui na EFOS, aos poucos o dever foi me chamando e eu correspondi sem medo. Os saberes acumulados foram colocados em prática e apesar de ainda ter muito a aprende e fazer, posso dizer que esse local mudou a minha vida e meu jeito de compreender o mundo. A principal tarefa a mim incumbida e que me fez sentir uma imensa satisfação, foi a de acompanhar alunos em defasagem nos estudos do curso Técnico em Enfermagem. Essas aulas no laboratório, o contato com os alunos, as trocas de experiências, a práxis, me fizeram um bem enorme. Portanto hoje entendo que nada é em vão, nenhum conhecimento é perda de tempo, e na hora e tempo oportunos será aproveitado. Giliaine Schaf DIVISÃO TÉCNICA Quando entrei na SES, a EFOS ainda não havia Pude, então, mesmo de longe, acompanhar a sua essa razão, sinto­me satisfeito em poder juntamente com os demais colaboradores, os Escola.

sido criada. História. Por comemorar, 25 anos da

Marcos A. Meira Divisão Pedagógica/Comunicação­EFOS

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A M E TO D O LO G I A D A P RO B LE M ATI ZAÇ ÃO

O

Susana Mª Polidório dos Santos

comportamento do indivíduo na sociedade é associado à sua cultura. Todas as pessoas são diferentes, cada uma carrega consigo uma bagagem de conhecimentos, valores e anseios. A comunicação entre mediadores e alunos envolve uma postura de respeito, cooperação e tolerância, oferecendo oportunidades uns aos outros. Para os mediadores se faz necessário a consideração e a consciência dos valores, sendo que, ao mesmo tempo, saibam lidar com as diferenças. O importante é reconhecer que os alunos aprendem uns com os outros proporcionando experiências que envolvam a criatividade, a reflexão e a criticidade. Paulo Freire sempre defendeu o direito de sermos sujeitos de nosso conhecimento, de conquistarmos liberdade e autonomia, sejamos alunos ou mediadores. Para isso, é preciso aprender a pensar, a refletir e a rever posições e julgamentos. Capacidades dificilmente adquiridas num ambiente chato, sem estímulos e sem diálogo. O pensar exige exercício, não só de fórmulas matemáticas ou regras gramaticais, mas de improvisos e proporcionando discussões, raciocínio e reflexão. O professor deve ser visto pelo aluno, como um mediador/facilitador do processo de ensino e aprendizagem, respeitando os esquemas de assimilação, os padrões culturais do educando, estabelecendo-se enfim, uma troca de conhecimentos, em que ambos aprendam na medida em que se aproximam do objeto (LOPES, 1 996). Pedagoga, especialista em Saúde Pública, Gestão Pedagógica nas ETSUS e em Acompanhamento, Monitoramento e Avaliação na Educação em Saúde Coletiva.

A Metodologia da Problematização derivada da Educação Libertadora surgiu em 1 968, na Conferência Episcopal de Medellin, Colômbia, que tinha como pressuposto básico que: “a educação pode e deve contribuir num processo maior de libertação das classes subalternas das condições de miséria em que vivem no Brasil e na América Latina. A educação pode atuar na área da conscientização, ou seja, na afirmação da vocação de sujeito do ser humano”. (GANDIN, 2000, p. 87). Esta metodologia busca ensinar os conteúdos e ao mesmo tempo formar sujeitos críticos e reflexivos, portanto quanto mais o professor possibilitar que os alunos se sintam inseridos no mundo, mais se sentirão desafiados a responder aos novos desafios e sobre tudo mais se sentirão capazes de conviver em sociedade e cooperar frequentemente para sua melhoria. Bordenave e Pereira (1 986), baseados em Freire apresentaram a Metodologia da Problematização como uma estratégia inovadora na área educacional. Sugeriram o Método do Arco de Charles Maguerez que possibilita uma análise da “realidade circundante do indivíduo, suas vivências e experiências, seus saberes e conhecimentos apriorísticos; por objetivar o desenvolvimento cognitivo, crítico, reflexivo e autônomo dos educandos e do educador”. (SCHAURICH; CABRAL; ALMEIDA, 2007, p. 320).

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A formação do Arco utilizada pela Metodologia da Problematização tem seu ponto inicial na realidade, seguindo uma trajetória de observações e focalizações do problema, reflexões, teorizações, hipóteses de solução e proposições para, desta maneira, chegar novamente à realidade e poder transcendê-la, transformá-la, alterá-la (SCHAURICH; CABRAL; ALMEIDA, 2007). Para Berbel (1 998, p. 1 44), a problematização "constitui uma verdadeira metodologia, entendida como um conjunto de métodos, técnicas, procedimentos ou atividades intencionalmente selecionadas e organizadas em cada etapa, de acordo com a natureza do problema em estudo e as condições gerais dos participantes”. Berbel (1 995), utiliza a metodologia dos desafios, que está fundamentada na Metodologia da Problematização, ou seja, para ela os alunos devem ultrapassar o Exercício intelectual, considerando sempre a possibilidade de aplicação à realidade. Para ela, quando os alunos problematizam a sua realidade identificam situações-problema concretas, ressignificando o sentido e assumindo compromissos de mudança com seu meio. A seguir descrevo sucintamente as etapas da Metodologia da Problematização. A primeira etapa é a Observação da Realidade social que se dá a partir de um tema de estudo ou um problema. Neste momento o papel do mediador é orientar aos educandos que olhem ao redor e registre de uma forma organizada o que observam. Tal observação permitirá aos educandos identificar dificuldades, carências, discrepâncias, de várias ordens, que serão transformadas em problemas, ou seja, serão problematizadas. As discussões entre os componentes do grupo e com o mediador ajudarão na redação do problema, como uma síntese desta etapa e, que, passará a ser

referência para todas as outras etapas do estudo. Na segunda etapa localizam-se os pontos-chave. Nesta etapa os educandos buscam identificar os condicionantes e determinantes do problema em questão. Nesse momento cabe ao mediador auxiliar e direcionar o processo de reflexão na busca dos pontos-chave. Os alunos, com as informações que dispõem, passam a perceber que os problemas de ordem social (educação, saúde, cultura, relações sociais, etc.) são complexos e geralmente multideterminados. Sendo assim, os alunos percebem que existem variáveis menos diretas, menos evidentes, mais distantes, mas que interferem na existência daquele problema em estudo. A partir dessa análise reflexiva, os alunos são estimulados a uma nova síntese dos pontos essenciais que deverão ser estudados sobre o problema, para compreendê-lo mais profundamente e encontrar formas de interferir na realidade para solucioná-los. Podem ser listados alguns tópicos a estudar, perguntas a responder ou outras formas. São esses pontos-chave que serão desenvolvidos na próxima etapa. A teorização é a terceira etapa. Neste momento, acontece à busca da explicação teórica para o problema em questão. Essa busca acontece em bibliotecas, entrevistas, internet, visando à resposta aos pontos-chave selecionados para a resolução do problema em questão. As informações obtidas são tratadas, analisadas e avaliadas quanto a suas contribuições para resolver o problema. Tudo isto é registrado, possibilitando algumas conclusões, que permitirão o desenvolvimento da etapa seguinte. A quarta etapa acontece quando se busca as hipóteses de solução. Estas hipóteses devem

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necessariamente ser baseadas no conhecimento adquirido na teorização. Aqui o problema deve ter solução observada dos diversos ângulos possíveis de uma forma bem aprofundada. Segundo Berbel e Giannasi (1 999, p. 5-6), a quarta etapa “deve ser bastante criativa. Essa criatividade deve ser estimulada” para que esse processo percorrido até esse momento “supere os conhecimentos e as ações anteriores” que visam à realização de alguma mudança daquela parcela da realidade estudada. Na quinta e última etapa acontece a aplicação à realidade. Neste momento os educandos devem identificar dentre as soluções apresentadas as que são mais viáveis; identificar os responsáveis para solucionar os problemas e a governabilidade, ou seja, os limites que se apresentam a cada cidadão, aluno, mediador, gestor e quais encaminhamentos dar. Neste sentido, esta metodologia propicia aos educandos e mediadores uma formação cidadã, na medida em que exercita a autonomia, a cidadania e a reflexão. A finalidade maior desta etapa é promover, a partir das hipóteses já elaboradas, “uma transformação, mesmo que pequena, naquela parcela de realidade”. (BERBEL; GIANNASI, 1 999, p. 6). Sendo assim, é possível afirmar que o participante da Metodologia da Problematização, ao desenvolver as cinco etapas do Arco de Maguerez, envolve-se numa ação pedagógica de transformação e não de adaptação, possibilitando um olhar cada vez mais crítico para atuar na realidade social. A metodologia da problematização permite que ocorra uma transformação do sujeito que dela participa. A relação professor-alunos nestes casos tem que ocorrer de forma que o professor instigue a participação dos alunos, evitando que permaneçam somente como observadores e não discutam os problemas. O interessante é que

busquem formas e soluções para resolver os problemas apresentados, tornando-se agentes participativos em sala de aula. O professor é responsável para que ocorra o processo de discussão, provocando e questionando. Cabe aos alunos buscarem o conhecimento já adquirido e levantarem reflexões e soluções para os problemas apresentados. A metodologia da Problematização parte de uma crítica do ensino tradicional e propõe um ensinodiferenciado, em que a problematização da realidade e a busca de soluções, possibilite o desenvolvimento do raciocínio crítico do aluno. A problematização é voltada para a transformação e conscientização dos direitos e deveres dos sujeitos. A metodologia da problematização dá sua contribuição à educação, ao possibilitar aplicação à realidade, pois desencadeia uma transformação do real, acentuando o caráter pedagógico na construção de profissionais críticos e participativos. Portanto, “dessa maneira, completase o ‘Arco’ de Maguerez, cujos resultados podem estar sugerindo o reiniciar de muitos outros arcos.” (BERBEL, 1 995, p. 1 6). Para Freire (1 980), uma educação problematizadora só acontece quando os seres humanos envolvidos desenvolvem consciência crítica da realidade vivenciada, deixando de vê-la como algo isolado e passando a vê-la como parte integrante de um todo político, social, econômico, dentre outros. Assim, a consciência crítica permite aos seres humanos a compreensão de que a realidade construída e, como toda construção humana, pode ser transformada. Para Freire (2005, p. 11 4), o homem pode pensar o mundo de forma “estática” ou “dinâmica”, a depender da concepção de educação que vivência. Nesta perspectiva, a abordagem problematizadora está ancorada em uma visão dinâmica do mundo, pois se preocupa com a construção progressiva do

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conhecimento pelo próprio indivíduo, através da ação-reflexão-ação, e da prática teoria-prática, a partir da sua realidade, de seus padrões culturais e de suas formas de pensar e agir. Ao considerarmos que um processo educativo pode ser dinâmico ao ponto de desenvolver e fortalecer seres humanos no que se refere ao despertar para a consciência crítica, nos remetemos sem nenhuma dúvida a Freire (1 980, p. 25), quando ressalta, com sabedoria, que “a educação como prática de liberdade é um ato de conhecimento, uma aproximação crítica da realidade”, ou seja, ele argumenta que para se conquistar o pensamento crítico sobre algo ou sobre determinada realidade é necessário questionar, dialogar, buscar novos conhecimentos e refletir sobre as ações desempenhadas frente a essa realidade. Quanto mais se reflete sobre algo, mais se analisa mais se compreende e mais se pode contribuir para a transformação. Portanto, uma das características deste estudo é compreender que a realidade é algo inacabado, que pode ser melhorada constantemente. Sendo assim, procurar alternativas para solucionar problemas criando caminhos para resolvê-los (BORDENAVE, 1 986). Para Meurer, Rezende e Monticelli (1 998), quando os seres humanos encontram caminhos alternativos para resolver problemas, esses desenvolvem consciência da realidade que os cerca e das possibilidades de transformação da mesma e, para tal, acredita ser fundamental questionar, dialogar e refletir sobre as ações realizadas na prática diária constantemente. Nesta perspectiva, para Freire (2005) o diálogo se faz fundamental; não um diálogo alienado, sem compromisso, mas real, transformador. Então, dialogicidade, neste sentido, passa a ser o exercício da palavra para todos. “Um lugar onde todos tenham as mesmas oportunidades de ‘ler’ e

‘escrever’ o mundo: um espaço de trabalho, pesquisa, exposição de práticas, dinâmicas, vivências e que possibilitem a construção coletiva do conhecimento”. (FREIRE, 1 999, p. 83). Sendo assim, “toda ação educativa deve ser precedida de uma reflexão sobre o homem e de uma análise do meio de vida concreta do homem concreto a quem queremos educar”. (FREIRE, 1 980, p. 34). Desta forma, a partir da pedagogia libertadora, os problemas da realidade são identificados e através da reflexão, soluções criativas e originais são encontradas pelos próprios sujeitos envolvidos. A construção do conhecimento efetivamente ocorre quando é realizada de forma dialógica, com participação ativas dos sujeitos, com eles e não para eles. O ser humano é um ser histórico e social que, ao relacionar-se com o outro e com o mundo, tem capacidade de refletir, criar, recriar e transformar a si próprio e a seu mundo. É inconcluso e em permanente processo de construção. É um ser que, ao educar-se busca constantemente transcender, libertar-se (FREIRE, 2005). Além disso, é um ser crítico e reflexivo que, através do diálogo, está sempre disposto a rever seus posicionamentos. Procura se inserir e se integrar na realidade para transformá-la. Para Freire (2005), sendo o ser humano sujeito de sua história, ele toma decisões à medida que vai construindo o conhecimento que julga importante, participando através da ação-reflexãoação e interferindo na realidade para transformála. A problematização encontra nas formulações de Paulo Freire um sentido de inserção crítica na realidade para dela retirar os elementos que conferirão significado e direção às aprendizagens. No movimento açãoreflexão-ação são elaborados os conhecimentos, considerando a rede de determinantes contextuais, as implicações

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pessoais e as interações entre os diferentes sujeitos que aprendem e ensinam. Diante desta perspectiva concordo com Paulo Freire que conceitua a educação como um “ato político” afirmando que ela sempre esteve a serviço das classes dominantes. Ao mesmo tempo, também a define como um “ato de amor”, afirmando que “não há educação sem amor”. (FREIRE, 1 981 ).O amor implica na luta contra o egoísmo. Quem não é capaz de amar os seres inacabados não pode educar. Não há educação imposta, como não há amor imposto. Quem não ama não compreende o próximo, não o respeita (FREIRE, 1 981 , p. 29). O conhecimento requer e está presente na prática diária das ações. A equipe de formadores precisa estar devidamente capacitada e habilitada, necessitando para isso de uma constante atualização de conhecimentos para manter a qualidade do trabalho prestado, concretizando assim o ideal de formação em saúde. Neste cenário considero a metodologia da problematização como a estratégia mais adequada para discutir o mundo do trabalho e para ser utilizada como estratégia de ensinoaprendizagem nos cursos desenvolvidos pela EFOS, evitando a absolutização da ignorância conforme Freire (2003) afirma, uma vez que seus alunos, na sua grande maioria são trabalhadores da área da saúde, portanto conhecem as luzes e sombras do mundo do trabalho.

______. A problematização e a aprendizagem baseada em problemas: diferentes termos ou diferentes caminhos? Interface: Comunicação, Saúde e Educação, Botucatu, v. 1 , n. 2, mar. 1 998.

ERBEL, N. A. N; GIANNASI, M. J. Metodologia da problematização: fundamentos e aplicações. Londrina: Ed. UEL, 1 999.BORDENAVE, J. D. Curso de capacitação pedagógica para instrutores/supervisores de saúde. In: BRASIL. Secretaria de Modernização Administrativa e Recursos Humanos (Org.). Alguns fatores pedagógicos. Brasília: Secretaria de Modernização Administrativa e Recursos Humanos, 1 986. FREIRE, P. Conscientização: teoria e prática de libertação: uma introdução ao pensamento de Freire. São Paulo: Cortez & Moraes, 1 980. ______. Educação e mudança. 3. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1 981 . ______. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1 996. ______. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. 6. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1 999.

REFERÊNCIAS

_____. Pedagogia do oprimido: Rio de Janeiro: BERBEL, N. A. N. Metodologia da Paz e Terra, 2003. problematização: uma alternativa metodológica adequada ao ensino superior. Semina: Ciências _____. Pedagogia do oprimido: Rio de Janeiro: Humanas e Sociais, Londrina, v. 1 6, n. 2, p. 9-1 9, Paz e Terra, 2005. out.1 995.

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GANDIN, D. A prática do planejamento participativo. 8. ed. Petrópolis: Vozes, 2000. LOPES, J. Vygotsky teórico social da inteligência. Nova Escola, ano 11 , n. 99, p. 33-38,dez. 1 996. SCHAURICH, D.; CABRAL, F. B.; ALMEIDA, M. de A. Metodologia da problematização no ensino da enfermagem: uma reflexão do vivido no PROFAE.

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D E P OI M E NT O Trabalho na EFOS há 14 anos e minha maior preocupação sempre foi a realização de uma formação de qualidade do profissional na área da saúde, por se tratar de uma profissão onde diariamente somos direcionados a busca de preservar a vida e o bem­estar do ser humano. Desde que me formei no curso técnico em enfermagem e após t r a b a lh a n d o p e r c e b i q u e , a lg u n s c o le g a s d e p r o f is s ã o a p r e s e n t a v a m c e r t a s d if ic u ld a d e s e m r e la ç ã o a e x e c u ç ã o das técnicas e ao comprometimento, foi então que busquei a formação de Pedagogia com o objetivo que me trouxesse conhecimentos referentes ao processo de ensino e aprendizagem, d id á t ic a e t e o r ia s p e d a g ó g ic a s . Sinto­me muito feliz em trabalhar na EFOS na coordenação pedagógica, pois me proporciona auxiliar os nossos d o c e n t e s e d is c e n t e s n o p r o c e s s o d e e n s in o e aprendizagem e no comprometimento com a profissão do p r o f is s io n a l de saúde. Realizamos c a p a c it a ç õ e s pedagógicas periodicamente e é um momento que discutimos e esclarecemos dúvidas dos docentes. O apoio aos discentes também se faz muito importante em todo o processo. Gostaria muito de agradecer a Deus por essa oportunidade e a cada dia busco me aprimorar cada vez mais para que todos juntos possamos realizar um trabalho com excelência e fortalecer o nosso Sistema Único de Sa ú d e – S US . S u s a n a M a r ia P o lid ó r io d o s S a n t o s Técnica em enfermagem e Pedagoga D iv is ã o P e d a g ó g ic a

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D E P OI M E NT O Particularmente sinto grande satisfação em poder colaborar com as centenas e mais ainda...milhares de pessoas que já passaram pela Escola de Formação em S a ú d e ­ E F OS , s e c o lo c a n d o n a c o n d iç ã o d e a lu n o , disposto a qualificar­se para atuar no Sistema Único de Saúde de forma mais responsável e comprometida. Dos 25 anos de existência da EFOS, estou acompanhando por mais de 10 anos os desafios que uma Escola Pública em funcionamento na área da saúde enfrenta no seu c o t i d i a n o . C r i a r e ma n t e r d i v e r s o s c o n t a t o s n a s 1 3 R e g i õ e s de Saúde, ou seja, nos 242 municípios abrangidos pela Escola; estabelecer parcerias municipais, estaduais e nacionais; elaborar projetos nos diversos temas da saúde; planejar, acompanhar e avaliar os cursos oferecidos; valorizar cada recurso recebido, seja financeiro, material ou humano, este último a meu ver é especialmente fundamental para que todo o restante aconteça. Os p r o f is s io n a is q u e n e s t a E s c o la e x e r c e m o s e u p a p e l enquanto agente público carregam uma importante missão de acreditar e fazer os demais envolvidos perceberem o quanto a educação é importante para uma saúde efetiva e d e q u a lid a d e . Cada aluno, professor, coordenador de turma, colaborador e gestora que por aqui passou e que por aqui permanece, está de parabéns por uma Escola Técnica do SUS que se mantém fortalecida e firme em seu propósito educacional, cada vez mais buscando fazer mais e melhor!

A le s s a n d r a D ia s d a S ilv a A s s is t e n t e d a Ge r ê n c ia

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EQ U I P E


E EF O S


REVISTA EFOS 25 ANOS  
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