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Lagomar: de balneário a aglomerado urbano Situado no ponto extremo norte de Macaé, o bairro Lagomar sofre há mais de 15 anos, por falta de infraestrutura adequada que dê qualidade de vida aos mais de 20 mil moradores (dados do IBGE), na sua grande maioria, advindos de outros lugares. O Lagomar ainda não oferece qualidade de vida à população moradora. Falta educação de qualidade para crianças e jovens, saúde curativa (o bairro possui apenas um posto de saúde que não atende as necessidades emergenciais dos cidadãos) e preventiva/saneamento básico, água potável e urbanização na maioria das ruas, além de um transporte que não supre a demanda. Veja nas Pág. 4.

Usuários do transporte coletivo reclamam do serviço oferecido O bairro concentra milhares de moradores

População vive sem saneamento básico e água potável Os usuários do transporte estão insatisfeitos com o serviço Centenas de usuários do transporte coletivo que serve o Lagomar estão insatisfeitos com o serviço oferecido pelo Sistema Integrado de Transportes de Macaé (SIT). Ônibus lotados, horários incertos, parcos ônibus no horário de pico, o alto custo das viagens e roletas problemáticas, entre outras, geraram insatisfação geral nos moradores. Pág.5.

Moradores do brejo “Lagoa dos Patos” fazem carta aberta aos poderes constitutivos sobre o despejo de 10 famílias. Leia mais sobre este assunto na página 02.

Dos três serviços essenciais, básicos e imprescindíveis utilizados pela população urbana (porque dizem respeito ao bem-estar, à saúde, ao saneamento básico), apenas um é realizado no Lagomar – a coleta de lixo. As coberturas de redes de abastecimento d’água e de esgotamento sanitário continuam sendo esperadas pelos moradores. Pág. 08.

João mostra a cor da água que utiliza em sua residência


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Opinião Editorial

Palavra da editora

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ustentabilidade! Esta é a palavra que buscamos para desenvolver a primeira edição do “Lagomar tem jeito”, um jornal com a cara dos milhares de moradores, na sua grande maioria, advindos de outros lugares e que foram se instalando ao logo de quase 20 anos, numa área de 3.239.000 metros quadrados, margeada pela Rodovia Amaral Peixoto e o Engenho da Praia de um lado e pelo Oceano Atlântico do outro. Assim como há 189 anos, neste sete de setembro, D. Pedro I conclamou o povo a lutar pela independência do Brasil, o lançamento do tablóide na mesma data caracteriza o grito dos oprimidos que não contam com políticas públicas referentes a muitos serviços de infraestrutura urbana do tipo pavimentação na maioria das ruas, drenagem, abastecimento de água, saneamento e esgotamento sanitário, entre outras, que geram a qualidade de vida. Considerado o bairro mais populoso da Capital do Petróleo, com mais de 20 mil moradores, segundo dados do IBGE, o balneário que hoje virou um aglomerado, ainda possui um clima de interior contrastando com o crescimento acelerado que sofreu nos últimos anos, provocado pelo aumento do contingente de população pobre, num processo denominado de inchaço urbano. É isso que voce irá ler nas páginas do “Lagomar tem jeito”. E, como há no planeta a urgência em equilibrar a balança do tripé da sustentabilidade, onde a economia não deve pesar mais que o social e o ambiental, e onde devemos garantir para nossos filhos uma qualidade de vida, surgiu a necessidade de mostrar o retrato da comunidade. O recado está dado. Boa leitura! Maria Estrela

Macaé/RJ Setembro de 2011

Carta aberta ao prefeito e ao secretário de Ambiente Senhor Prefeito Riverton Mussi e senhor secretário de Ambiente, Maxwell Vaz, Nós, moradores do entorno da antiga Lagoa dos Patos, no bairro Lagomar continuamos e estamos assustados com a possível remoção de nossas casas. Somos 10 famílias (50 pessoas entre adultos e crianças) residentes neste local e que há cerca de dez anos vieram para Macaé por causa da oferta de trabalho que a cidade oferece. Como todos nós não tivemos condições de adquirir imóveis em outros bairros, construímos nossas casas nesta área que, na época, nos parecia ser sobra de terra deixada pelo proprietário do lote e não invadimos como muitos o fizeram aqui próximo. Então, como ninguém e nem a prefeitura não se manifestou contra continuamos a morar aqui por ser próximo da área urbana e de fácil acesso para o trabalho de muitos de nós. Depois, com o tempo ficamos sabendo que o brejo (antes alagadiço, hoje seco) se tratava de área de preservação ambiental. Então perguntamos: Por que naquele período não nos informaram isso? A prefeitura ficou calada e no seu silêncio entendemos que poderíamos ficar. Depois nos disseram que a prefeitura tinha um projeto para este lugar e aí vocês tentaram outras vezes intervir aqui para nos tirar... Quando viemos pra cá – Rua W18 com a Avenida Atlântica, a prefeitura não nos impediu de construir nossas casas. Agora querem tirar nossas famílias que não vão ter onde morar? Para onde vamos? O senhor Prefeito vai fazer alguma coisa para que não fiquemos desamparados?... Prefeito, o senhor lembra que

da última vez que as máquinas da prefeitura vieram até aqui para derrubar nossas casas, muita gente passou mal? São vidas, senhor prefeito! As pessoas dizem que o senhor que se preocupa tanto com o social! O senhor tem solução para nós? Se a prefeitura tem interesse de fazer a drenagem das águas pluviais de todo o bairro para este brejo cheio de taboas, onde havia a Lagoa dos Patos, ou se há algum projeto para revitalizar, nesse caso a desapropriação é de interesse público. Infelizmente o desenvolvimento capitalista irá promover um impacto social, pois 10 famílias podem ser removidas a qualquer momento. O que nos intriga é que outras edificações que foram feitas também nesta área não irão sair daqui... Pois bem, depois de tanto susto e insegurança que estamos passando pedimos uma solução para o nosso caso. Nós investimos muito na construção de nossas casas. Não temos dinheiro, mas temos muita disposição para trabalhar. Não iremos impedir a derrubada de nossas casas desde que na desapropriação, o município pague uma indenização justa aos respectivos proprietários ou nos dê outras habitações dignas para

morar! O que não pode acontecer é sermos “jogados na rua” perdendo nossas casas construídas com o suor do nosso rosto... Quanto ao senhor, secretário de Ambiente, Maxwell Vaz, cabem as seguintes perguntas: O senhor está de acordo com a remoção de quase 10 famílias deste local para tentar revigorar uma lagoa que já está morta há muito tempo? A secretaria ambiental quer agora reparar um erro do passado quando permitiu a degradação ambiental sem nada fazer? O volume d’água que o local irá receber, principalmente nos dias chuvosos não poderá causar maior proliferação dessas ervas típicas de pântano? Queremos lembrar as poucas vezes que o senhor esteve aqui (inclusive com um antigo presidente da Associação do bairro) pedindo o apoio da população lagomaense para se eleger o senhor prometeu fazer todo o possível para que tivéssemos o básico de uma sobrevivência. Ter uma casa pra morar, ter uma habitação senhor secretário é um direito básico de cidadania... Aguardamos o senhor de novo, pois vem mais um ano eleitoral aí, senhor secretário!... Macaé, 2 de setembro de 2011.


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Macaé/RJ Setembro de 2011

Política

Site carioca destaca Dr. Aluízio como um dos políticos mais populares

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Quando se trata de saúde o deputado está no topo do ranking

site Repolítica desenvolvido por quatro jovens do Rio de Janeiro, que mostra a cara dos políticos através da opinião pública destacou o deputado federal Dr. Aluízio Junior (PV), como o parlamentar mais popular do estado na avaliação dos participantes. Através de questionamentos como “Qual é o seu candidato ideal em oito perguntas”, “Quais candidatos combinam com seu perfil” e “você gosta dele?”, o site coletou respostas de centenas de internautas. A pesquisa aponta que 72 por cento das opiniões gostam do perfil político do deputado macaense, sua ideologia e prioridades. Dr. Aluízio também está no topo do ranking quando se tratam de assuntos como saúde e infraestrutura. O site procura mostrar que a opinião dos eleitores/

internautas ajuda a descobrir o político mais parecido com você. Na avaliação online, mais objetiva do que as que são feitas pelos institutos de pesquisas nas ruas, o deputado segue na frente numa relação de nomes quando são combinadas questões como ética, competência e relação com a sociedade. Ao escolher em qual área o político mais demonstra atuação, 21% reconhecem que Dr. Aluízio dá prioridade a saúde e 18% identificam que o deputado se dedica também a área de infraestrutura, com ações nas questões de energia e transporte. Em apenas oito perguntas, como o cargo do político pesquisado, Estado, partido, ideologia, valores, prioridades, popularidade - ética e competência e atuação parlamentar, Dr. Aluízio aparece na lista como primeiro em popularidade. Essa avaliação é o resultado da nota dada pelo internau-

ta pelo desempenho do deputado em campos como transparência, finanças, equilíbrio social, saneamento básico, carisma, inteligência, combatividade e articulação política.  Apoiado por entidades como o Movimento Pró-Democracia, organização civil e voluntária, o site Repolítica surgiu pouco antes das últimas eleições no Brasil para ajudar o eleitor a escolher o candidato com perguntas simples.  Dessa forma os indecisos podiam encontrar o candidato ideal de acordo com suas próprias posições políticas. Ao fim das perguntas o site oferecia um ranking de quem tinha ideias e propostas mais semelhantes ao que o cidadão procurava. Hoje em dia, o site oferece uma lista atualizada pelo próprio internauta com o perfil do seu político ideal de acordo com a atuação parlamentar.

OAB observa a corrupção e acompanha denúncias

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á está vigorando desde o final de agosto o site Observatório da Corrupção, lançado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) com o objetivo de fazer pressão junto ao Poder Judiciário para priorizar os processos envolvendo mal uso de recursos públicos, tráfico de influência e outros desvios que caracterizam a corrupção, julgando e punindo com maior celeridade os envolvidos. O site pretende ser um canal perene entre a sociedade e a OAB para o envio de denúncias de casos de corrupção. Além disso, irá acompanhar os processos judiciais que tratem de desvios de recursos públicos. As denúncias recebidas serão monitoradas pela Comissão Nacional de Combate à Corrupção e os denunciantes têm

a garantia do anonimato. Na página do Observatório da Corrupção na internet, além de denunciar, o cidadão também vai poder acompanhar o andamento dos casos de corrupção noticiados pela mídia. O portal também divulga uma relação dos principais processos que tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal) e no STF (Superior Tribunal de Justiça). - A sociedade pode transformar, sim, por meio da legitima pressão que ela exerce nos poderes públicos. E ela (sociedade) deve mobilizar-se no sentido de combater essa pandemia que é a corrupção. Em paralelo, nós vamos fazer visitas ao promotor, ao juiz, ao delegado responsável e cobrar providencia – disse o presidente da OAB, Ophir Cavalcan-

te. Ele lembrou que a sociedade brasileira precisa se conscientizar de que é a protagonista no combate a corrupção. Cavalcante informou ainda que a OAB vai ajuizar no Supremo uma Adin (ação direta de inconstitucionalidade) contra os mecanismos da Lei Eleitoral que permitem o financiamento de campanha por empresas. “O embrião da corrupção reside no financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas”. O internauta que quiser fazer a denúncia no site encontrará um texto com 18 artigos, que são os termos de usos para poder participar e ao se inscrever poderá acompanhar as ações tomadas pela OAB em relação ao processo alvo de denúncia. O sigilo do denunciante será mantido.


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Cidade/Bairro

Lagomar: de balneário a aglomerado urbano

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ituado no ponto extremo norte de Macaé, o bairro Lagomar sofre há mais de 15 anos, por falta de infraestrutura adequada que dê qualidade de vida aos mais de 20 mil moradores (dados do IBGE), na sua grande maioria, advindos de outros lugares. Essa região costeira da cidade, caracterizada nos anos 90 como um balneário de lazer, onde as pessoas que possuíam sítios e chácaras utilizavam-nas para congratulações familiares, hoje, está transformada num aglomerado urbano, fruto de especulação imobiliária ocasionada pela corrida ao ouro negro - o petróleo. O fato da sede da Petrobras se instalar em Macaé atraindo centenas de empresas do setor offshore para subsidiá-la e o município ceder áreas em condomínio industrial próximo ao Balneário afim de que as empreiteiras do petróleo se acomodassem fez com que os empregados e prestadores de serviço também quisessem ficar próximo do trabalho, comprando pequenos lotes e construindo suas residências. Assim, nasceu o bairro, ocupando uma área de 323 hectares (3.239.000 metros quadrados), com 54 quilômetros de ruas, margeado pela Rodovia Amaral Peixoto e o Engenho da Praia de um lado e pelo Oceano Atlântico do outro. O subúrbio é plano e possui áreas com características ambientais - o Baixio das Rãs e o brejo Lagoa dos Patos. Uma das principais avenidas é a Quissamã, que corta o Lagomar desde as proximidades do Terminal Rodoviário até a área de amortecimento do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba (área de preservação ambiental, onde as construções são proibidas). As carroças que passam nas ruas dão um clima de interior ao lugar, contrastando com o crescimento acelerado que o bairro sofreu nos últimos anos, provocado

pelo inchamento urbano. Retrato atual do bairro O Lagomar ainda não oferece qualidade de vida à população moradora. Falta educação de qualidade para crianças e jovens do ensino fundamental maior (da 5ª à 8ª série), saúde curativa (o bairro possui apenas um posto de saúde que não atende

as necessidades emergenciais dos cidadãos) e preventiva/saneamento básico, água potável e urbanização na maioria das ruas, além de um transporte que não supre a demanda. “Nós não temos parques ou praças para o lazer de nossas famílias e para que nossos filhos possam brincar. Isso é função do poder público”, disse Paulo Andrade, residente na W 20.


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Usuários do transporte coletivo reclamam do serviço oferecido

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entenas de usuários do transporte coletivo que serve o Lagomar estão insatisfeitos com o serviço oferecido pelo Sistema Integrado de Transportes de Macaé (SIT). Ônibus lotados, horários incertos, parcos ônibus no horário de pico, o alto custo das viagens e roletas problemáticas, entre outras, geraram insatisfação geral nos moradores. Quer nos pontos de ônibus do bairro ou aguardando o coletivo nas paradas da cidade para poder retornar, as pessoas ficam impacientes com a demora. Longe de garantir um atendimento que respeite quem necessita do transporte, “a prefeitura disponibiliza, através do SIT, 14 ônibus para os moradores do Lagomar”, diz o site do município. “Os gestores públicos nem se preocupam com os impactos eleitorais que os ônibus lotados e as demoras podem causar na hora do voto. Parece até uma

A quantidade de ônibus não supre a demanda no horário de pico aliança, esse monopólio da empresa Macaense. O que não dá é para ficar mais de 40 minutos num ponto para embarcar no ônibus superlotado e ainda chegar atrasado ao trabalho”, lamentou a auxiliar de enfermagem Alice Brito, utilizadora do

coletivo que passa pela W 5. Descaso e desrespeito ao usuário do transporte - É o que pensa o trabalhador da construção civil, Antonio da Silva (54 anos). Ele relata que todos os dias pela manhã dezenas de pessoas saem em comboio das Ruas W 14, W

16, W 18 e de outras, em direção à W 28, onde fica localizado o ponto final dos ônibus para garantir uma vaga no coletivo. “É uma verdadeira procissão. Logo cedo, a gente vê as pessoas andando depressa para pegar um lugar no ônibus e poder sentar

e olha que são de 20 a 25 minutos de caminhada”, disse, completando que são pouquíssimos ônibus passando pela W 5. Além da superlotação nos ônibus o trânsito caótico na cidade do petróleo muito contribui para o estresse diário das pessoas, principalmente, nos horários de entrada e saída do trabalho e da escola. Já nos outros horários a demora entre um coletivo e outro ocasiona impaciência em quem precisa cumprir um compromisso. “Não dá para programar horário com ninguém, pois o péssimo serviço nos faz perder nossos compromissos”, protesta o inspetor de colégio José Luiz (45), morador da Rua W 16. Ele que pega ônibus às 5h50 no bairro só chega ao trabalho às 7h20 diariamente. “O serviço de transporte oferecido não permite que a gente descanse um pouquinho no intervalo do almoço, pra ter mais qualidade de vida”, assegurou.

População vive sem saneamento básico e água potável

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os três serviços essenciais, básicos e imprescindíveis utilizados pela população urbana (porque dizem respeito ao bem-estar, à saúde, ao saneamento básico), apenas um é realizado no Lagomar – a coleta de lixo. As coberturas de redes de abastecimento d’água e de esgotamento sanitário continuam sendo esperadas pelos moradores. Se levarmos em consideração que a água é um elemento essencial para a vida, o abastecimento de água potável é uma das necessidades mais urgentes no local. Para não ficar sem esse líquido precioso, a maioria dos moradores durante longos anos, perfurou poços tubulares. No entanto, a furação indiscriminada de poços e a construção de fossas residenciais muito próximas contaminaram os lençóis freáticos de superfície, ocasionando sérios riscos à saúde. A nutriz Elizete Matos (30), que amamenta um bebê de cinco meses e moradora da Travessa dos Amigos - na Rua W 22, utiliza água do poço de sua residência para lavar louça, roupas

e tomar banho há mais de cinco anos. Ela informou que também possui uma fossa, como a maioria da comunidade, para despejar dos dejetos de sua habitação. Há exatamente um mês, começou a sentir enjoos, diarréia e outros sintomas causados pelo verme parasitário Tênia (acusado num exame laboratorial de fezes) e, para poder fazer o tratamento à base de antibiótico teve que diminuir a amamentação. “Já comecei o tratamento há três semanas, conforme indicação médica. Depois disso começamos a tratar a água do nosso poço com cloro”. De acordo com o pedreiro João Lima também morador da Travessa dos Amigos, há 11 anos, outras pessoas já adquiriram doenças infecciosas e parasitárias aqui na rua, através da utilização da água dos poços. “Nós não temos condições de comprar água potável toda a semana. Por isso, utilizamos a água do poço (apesar da cor amarelada) para o banho, cozinhar, lavar as roupas e trabalhamos duro para poder comprar a água mineral para bebermos”, revelou. Abastecimento d’água -

Segundo informações no site da prefeitura da cidade, após a inauguração do novo reservatório da Cedae, que aconteceu em dezembro do ano passado, a rede de distribuição aumentaria com a expansão da adutora de água bruta e de água tratada, beneficiando bairros como o Lagomar e a região da Linha Azul. A obra feita pela Cedae em conjunto com a prefeitura deveria acontecer no primeiro semestre deste ano e até agora, nada. Esgotamento sanitário Quanto ao serviço de esgotamento sanitário, o lagomaense ainda não utiliza, porque somente agora, a prefeitura está concluindo a rede de águas pluviais e de esgoto que começou em 2006. Nesta fase, além da colocação dos canos para escoamento da água pluvial em direção ao mar e dos dejetos em direção à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) que está sendo construída no Engenho da Praia, o Poder Executivo está recolocando a rede de abastecimento de água que foi tirada e pavimentando algumas ruas. Juarez Pavuna, de Santo Antonio de Pádua e que reside há

Vanusa mostra a cor amarelada da água do poço, mesmo com cloro 10 anos na W 22, contou que durante todo esse tempo possui fossa comum e que quando não tem como pagar o caminhão limpa-fossa, deixa correr na rua. Desconfiado com a ação do Poder Público que está fazendo as ligações domiciliares de esgoto desabafou: “Agora estão colocando os canos, mas será que vai mesmo funcionar?”.

Na opinião do bombeiro hidráulico Carlos Mota, essa obra está muito demorada. “Parece até uma novela com capítulos picantes. Quando está próximo das eleições ou um ano antes, as obras ficam aceleradas e após o pleito os capítulos (obras) esfriam, pois não tem mais dinheiro pra tocar a empreitada”, disse.


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Geral

Porto do Lagomar vai escoar petróleo e gerar emprego na região

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agomar vai abrigar o mais novo empreendimento petrolífero – o Terminal Logístico Portuário de Macaé (Terlom). Trata-se de um projeto de investimentos na ordem de R$ 350 milhões, que será construído pela Petrobras, através da iniciativa privada com a parceria do governo municipal, visando desafogar o Porto de Imbetiba, além de gerar milhares de empregos. O maior Porto Naval da região irá abarcar mais de um milhão de metros quadrados e mais de mil contratações de empregos. A localidade foi definida pensando no futuro e na logística de entregas de materiais, pois está próxima ao aeroporto, ao terminal ferroviário e a área industrial de Cabiúnas, onde novas indústrias estão se instalando. A região também possui três formas de acessos, através da Via Industrial, da BR 101 e da Rodovia Amaral Peixo-

to, e isso facilita a circulação dos produtos. A Petrobras é a única empresa de exploração de Petróleo que possui porto em Macaé. As outras, como a Shell e Sinopec realizam operações de apoio as suas unidades através de Niterói. O calado (profundidade média do porto) será de 10 a 11 metros. Dentre a sua dimensão, o TERLOM vai contar ainda, com uma área alfandegária, Centro de Negócios e Retroárea de Movimentação de Cargas. O TERLOM objetiva ainda complementar outros portos da região, pois ele será todo voltado para o petróleo, não compete com o Porto do Açu (minério), nem com o de São João da Barra (que tem como viés a construção naval). A dimensão do projeto é muito grande, porém o tempo de conclusão previsto é de 18 meses para o TERLOM começar a operar, a partir da Licença de Insta-

lação (LI), que depende do governo federal. No entanto, o projeto já foi apresentado oficialmente aos órgãos envolvidos - Instituto Estadual do Ambiente - INEA, Marinha e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio. Empregos à vista – A construção, o futuro porto possibilita a geração de emprego e renda para os profissionais qualificados. Durante a assinatura do protocolo de intenções ficou acordado que para consolidar o equilíbrio econômico da cidade, a mão de obra utilizada deverá vir das localidades próximas ao porto, como: Lagomar, Aeroporto, Engenho da Praia, Ajuda, entre outras. Dentre as vagas de emprego estão as áreas de logística de cargas e materiais, montador de peças, automação industrial, soldador, pintura industrial e área administrativa.

O porto ficará localizado no litoral Lagomar

Feirinha do Engenho gera renda familiar

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erca de 10 microempreendedores resolveram se juntar e montar barraquinhas de alimentação (doces e salgados) e artesanato, na principal rua do Engenho da Praia. A feira que acontece sempre às sextas-feiras e sábados, a partir das 17h teve início em meados de agosto. A intenção é gerar renda familiar para quem está desempregado e contribuir no desenvolvimento econômico dos pequenos produtores. Durante a feira são comercializados lanches (sanduiches, pastéis, sucos), bolos,

bombons de fabricação caseira, produtos de artesanato e outros. Os empreendedores contam com o apoio da prefeitura (que fornece a montagem das barraquinhas), de iniciativas comunitárias e do comércio local, a exemplo do Supermercado Macaé que disponibilizou o carro de som para fazer divulgar o evento em todo o bairro. - Qual é o trabalhador informal ou pequeno empresário que não sonha em ter o próprio negócio? São iniciativas como essas emanadas da comunidade que dão oportunidade para muitos

A Feira informal do Engenho acontece sempre às sextas e sábados empreendedores de crescer economicamente, contribuir com a renda familiar e realizar seus planos. Eu também comecei com muita luta e agora dou a maior força para quem quer e precisa

viver dignamente – disse o empresário Thiago Silva, do Supermercado Macaé. Segundo Rosangela Campos, que faz churrasquinho e molho à campanha, a feirinha veio em boa

hora na sua vida. “Essa oportunidade de trabalhar aqui vai salvar minha vida, pois sem emprego há meses não sabia como fazer para obter uma renda e manter minha família”.


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Região

UPA: A cara do abandono

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nstalada na Avenida Quissamã, a principal e próxima ao Terminal Rodoviário do bairro, a Unidade de Pronto Atendimento 24 horas – UPA do Lagomar, que deveria oferecer aos moradores um atendimento especializado de saúde e de emergência está abandonada. A obra construída numa área de 1000 metros quadrados é fruto de parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Macaé e seria inaugurada no final de março deste ano. No local, nossa reportagem apurou que além do abandono por parte dos poderes constitutivos, o prédio está sofrendo ação de vândalos que destruíram a porta principal. Além disso, toda estrutura lateral já apresenta pontos de ferrugem. Preparada para realizar de 200 a 300 atendimento/dia (clínico, de emergência, de raio-x e ultrassonografia), a UPA foi construída pelo Estado, cabendo ao município equipar (móveis,

Abandonada, a Upa sofre ação de vândalos equipamentos e utensílios) e contratar o pessoal para trabalhar na Unidade de Saúde composta por cinco consultórios, dez leitos, sala de espera e de acolhimento, cozinha, banheiros e outras. Segundo o comerciante Luiz Carlos (47), que trabalha nas pro-

ximidades, se a UPA do Lagomar estivesse funcionando iria favorecer a milhares de pessoas com atendimento de saúde. Durante entrevista à nossa reportagem, Carlos alertou que a caixa d’água aérea pode cair a qualquer momento e enumerou os danos que

estão acontecendo no local. - A caixa d’água está por um fio, pois quando dá um vento mais forte ela balança muito, a porta principal escancarada, o resto do material que os construtores deixaram coloca em risco

a vida das crianças que brincam no entorno do prédio. Além disso, a UPA está sendo frequentada pelos cachorros durante o dia e à noite, servindo de motel ou quem sabe de esconderijo de usuários de drogas - lamentou.

Moradores do bairro correm o risco de contrair cólera A água não tratada pode transmitir bactérias que matam em 24 horas. de pesquisa. A forma mais efetiva de impedir a instalação da cólera em uma localidade é a existência de infraestrutura de saneamento básico adequada, o que não é o caso do Lagomar. Os especialistas advertem que em caso de utilização d’água de poços ou coletada diretamente de rios ou lagoas, as pessoas devem estabelecer (com

As pessoas constroem as fossas por falta de saneamento público

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ma dessas bactérias transmitidas através do consumo d’água não tratada e pela ingestão de alimentos contaminados é a cólera. De acordo com especialistas no assunto, a bactéria provoca febre, diarreia e vômitos, levando o indivíduo à desidratação severa. A doença pode matar em 24 horas, se não for tratada,

mas pode ser controlada por meio de reidratação e de antibióticos. - A cólera é uma infecção intestinal aguda causada pelo Vibrio cholerae - uma bactéria capaz de produzir uma enterotoxina que causa diarréia. A doença é de transmissão fecal-oral e os fatores essenciais para sua disseminação são as condições de-

ficientes de saneamento, particularmente a falta de água tratada. Entretanto, o risco de aquisição da doença para quem mora em bairros com saneamento básico adequado é relativamente menor e, basicamente, está mais relacionado aos  alimentos, uma vez que podem estar contaminados na origem e o seu preparo exige higiene adequada – explica um site

supervisão técnica especializada) uma vigilância domiciliar mínima que permita o tratamento (cloração) da água utilizada para consumo e preparo de alimentos. “Quando não houver um sistema público de saneamento, as pessoas devem construir uma fossa séptica que permita a coleta e o tratamento de esgotos, sem contaminação do lençol freático”.


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Nos Bastidores...

Maria Estrela jornalista.star@globo.com

Eleição de conselheiros

Flagrante ambiental

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em aí um dos pleitos eleitorais mais democráticos do país – a eleição dos conselheiros tutelares para o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente (CMDDCA). O conselheiro, entre outras atribuições, zela por crianças e adolescentes que foram ameaçados ou que tiveram seus direitos violados, cumprindo o que determina o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). A eleição está programada para acontecer no próximo dia 25 (domingo) de 9 às 17h. O eleitor do Lagomar, Engenho da Praia, Barreto, Parque Aeroporto e outros da área norte da cidade deverão votar na escola municipalizada Leonel de Moura

Militância do PV discute estratégias R

ecentemente, cerca de 250 filiados do PV discutiram estratégias para as eleições municipais do próximo ano. Durante o encontro ocorreu um workshop sobre políticas públicas, com objetivo de avaliar o crescimento da sigla na cidade e ao mesmo tempo definir com suas bases as estratégias para o avanço do partido. O evento faz parte de uma programação que tem levado à população, informações relacionadas aos seus direitos e deveres diante do poder público. O resultado foi que os filiados saíram ainda mais motivados com a militância política, sintonizados com a proposta do partido e com a forma de participar e praticar políticas públicas. Não é todo partido político que qualifica seus filiados para o embate nas urnas. Nossos aplausos aí para os organizadores da cidadania política!... A foto é do empresário Thiago Silva, morador do Lagomar e filiado ao PV que participou do evento.

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Brizola, na Estrada do Aeroporto, 146, Barra de Macaé. Fique ligado e vote em pessoas idôneas

e de caráter ilibado. Não se esqueça de levar o título de eleitor e um documento com foto!...

ma área de restinga (fragmento de Mata Atlântica) localizada no Barreto, entre a Avenida Amaral Peixoto e a orla marítima está sendo invadida!... Ou será que foi adquirida e teve licenciamento ambiental para construir? É preciso que a secretaria de Ambiente (Sema) fiscalize aquele local a fim de manter o ecossistema natural e de importância para o meio ambiente. Nossa reportagem flagrou um muro

sendo erguido naquela área, que representa um fragmento do ecossistema de restinga ainda bem preservado em nosso município com reconhecida função ecológica. A restinga que fica próxima a Apa do Barreto (Área de Proteção Ambiental) é prioritária para a conservação e impõe ao poder público o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Estamos de olho!...

Ensino fundamental maior O

artigo 11, inciso V, da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) diz que é competência do município oferecer obrigatório e gratuito a Educação Infantil (creches de 0 a 3 anos e pré-escolas de 4 e 5 anos) e ressalta que em prioridade deve ser oferecido o ensino fundamental (anos iniciais do 1º ao 5º ano e anos finais do 6º ao 9º ano). Com relação à educação, o Lago-

mar possui apenas duas escolas de Educação Infantil (maternal e pré-escolar) e ensino fundamental (1 à 4ª séries) com salas de aula, insalubres e sem conforto, algumas com ventiladores danificados e quadros negros em péssima qualidade. É preciso que se construam escolas para o ensino fundamental maior, pois muita gente se queixa que seus adoles-

centes têm que estudar noutros locais, longe de casa...


Lagomar Tem Jeito - Setembro 2011