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sob o espelho proposta para convocatória da exposição Vias da Dúvida

edu monteiro


“Ensaio distorcido pelo espelho da autorepresentação, a fotografia como experiência de catarse, que pode ajudar a ultrapassar os impasses, seja lá quais forem.“ Foi vendo e revendo o aquele espelho côncavo no fundo do famoso quadro “Casal Arnolfini” de Jan Van Eick que veio a inquietação. Afinal, porque eu não consigo desgrudar o olhar daquele espelho? Algo acontece – olhar que pulsa. Sob o Espelho é uma encenação alegórica de um ser panóptico, mas ao contrário do que se refere Foucault em sua “Sociedade Disciplinar” a intenção aqui não é normalizar o sujeito através de dispositivos de vigilância, fazendo com que desta forma seja interiorizada a culpa que causa o remorso pelos seus atos, a idéia aqui é libertá-lo. Ao vestir uma máscara de espelho côncavo, construída com aquele espelho de segurança utilizado nos botequins e mercearias, busco a liberdade de exercitar o desvio diante da norma. Através de apropriações, personifico o próprio espelho de Jan Van Eick, ou os espelhos côncavos e convexos de Olafur Eliasson, ou de Anish Kapoor, ou os espelhos distorcidos de André Kertész, ou também pode ser o espelho citado por Freud e Lacan na formação do eu, ou o espelho como fenômeno semiósico de Peirce e Humberto Eco. Uma reflexão confusa sobre signos: imagem muro, imagem furo e imagem reflexo. Olhos furados – mimese rasgada. Trata-se de um olhador olhado, uma ironia sobre o próprio ato fotográfico e a ilusão de capturar o real, uma auto-sátira sobre o ser fotógrafo. Fotografia sem studium nem punctum. Mutante como os espelhos, e coerente como eles, que só refletem o que está `a nossa frente, assim era para ser este ensaio, mas espelhos também podem mentir, magicizar o mundo. A falta de rosto, a máscara de espelho, quebra a narrativa, convida a um delírio místico causado pelo efeito de metáforas óticas. É a realidade como ilusão, o caos do espaço refletido e intensificado. Pura inquietação – poesia refletida. Utilizo a fotografia como objeto ato, que quer quebrar o espelho. Como um mito de Narciso `as avessas, sou reflexo de uma ilusão, o objeto que vejo está em mim. Sou uma nova Alice no país das maravilhas, entro no espelho, saio dele, miro-me nele, discuto com ele – desejos e angústias – escondo-me e reflito-me nele – sou ele – o objeto que me achou.


proposta para convocatória da exposição Vias da Dúvida.

sob o espelho edu monteiro Sob o espelho é meu atual trabalho em desenvolvimento, começado no início deste ano. É um ensaio quase inédito, explico: participei em março da mostra coletiva “Verão” na galeria da Gávea. Uma ocupação de uma semana com curadoria de Greice Rosa e Marco Antônio Portela, a idéia da mostra era justamente apresentar: “ trabalhos recentes, frescos, verdadeiros work in progress de diferentes artistas, trabalhos novos que ainda serão vistos e circularão pelo sistema de arte, algo a ser visto, algo que todos verão.” (texto dos curadores). Esta imagem na página ao lado foi a apresentada na mostra Verão. Agora com o trabalho mais desenvolvido, eu gostaria de apresentar novas imagens desta série. proposta para exposição - 2 a 5 fotografias ampliadas em papel algodão canson barita. - tamanho 66 cm x 60 cm.- montadas em moldura de madeira com vidro.


edu monteiro edu@fotonauta.com.br www.edumonteiro.com UFF - Estudos Contempor창neos das Artes 21-88740890


sob o espelho edu monteiro