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dinheiro

Fernando Schmitt

Cada vez mais a arte retrata as pequenas coisas da vida, sugerindo novos significados e novas leituras para o nosso cotidiano. Dinheiros seduz por sua simplicidade ilusória, um olhar astuto do fotógrafo sobre pequenos detalhes que geralmente passam despercebidos por olhos menos inquietos. Neste ensaio, ao se apropriar dos rostos dos ilustres personagens históricos impressos no nosso dinheiro, Fernando Schmitt desarticula a noção clássica de portrait existente no universo da fotografia. O artista transfigura os personagens num jogo ótico que combina foco Fernando cria portraits diecrítico e angulações improváveis. As cédulas, géticos, carregados de uma aparentemente objetos banalizados pela alta alucinação verdadeira: “Meus circulação e pelo manuseio diário, são reordemodelos estão cristalizados nadas digitalmente através de uma fotografia como imagem impressa, mas de autor, extrapolando o mero exercício plása interferência fotográfica, tico formal e provocando uma reflexão sobre fundada em um processo de o dinheiro como símbolo. apropriação e reconfiguração, faz com que eles abandonem seu caráter funcional e absorvam um sentido ficcional, como autores que incorporam um personagem”, ele explica.

Dinheiros foi exposto este ano durante o IV FestfotoPoa (Festival de fotografia de Porto Alegre), com curadoria de Jacqueline Joner, com uma montagem que interrogava as noções de escala por intermédio de enormes cópias. Estas imagens constituem um recorte de uma série maior, desenvolvida pelo fotógrafo desde 2007, batizada como Ready Model, numa referência explícita a Duchamp, cujo trabalho, ao ressemantizar objetos banais, encontra ressonância nas imagens produzidas por Fernando. 

EDU MONTEIRO, FOTONAUTA

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SAIBA MAIS flickr.com/fximiti 38


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+SOMA #19 - artigo de curadoria do ensaio - dinheiros - Fernando Schimitt