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D e s i g n d e ma r c a s o b a e s té ti c a mi n i ma l i s ta

UFPel

Ed u a r d o F a r i n a

Ba n c a a v a l i a d o r a

C e n t r o d e A r te s

P e l o ta s

Professor convidado

De s i g n G r á fic o

2 01 9


(ONE TEA)

Resumo

(ONE TEA) refere-se a uma pesquisa realizada no Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas cuja temática compreende a condição do luxo em tempos hipermodernos e suas relações com o minimalismo. A investigação - de cunho qualitativo e subjetivo - aborda, ainda, questões de temporalidade especificamente no que se refere à experiência de consumo de chás, analizando este objeto em diacronia. O aporte teórico problematiza, enfim, a prática projetual da pesquisa sobre a qual se debruça seu principal objetivo: a apresentação do design de uma marca de chás brasileiros que responde à proposta de desacelerar, desconectar, sensificar e contemplar. Palavras-chave: Identidade visual, livro de marca, chá, tempo, luxo.


(ONE TEA)

Abstract

(ONE TEA) is a research developed at Cento de Artes of Universidade Federal de Pelotas whose theme includes the luxury condition in hypermodern times and its relations with minimalism. The qualitative and subjective research also addresses temporal issues speciďŹ cally related to the act of drinking tea as a ritual, and analyzes the beverage diachronically. The theoretical contribution problematize, ďŹ nally, the design practice of this research which focuses on its main aim: the the design of Brazilian brand for teas that proposes to decelerate, disconnect, sensitize and contemplate. Key-words: Visual identity, brand book, tea, time, luxury.


(ONE TEA)

Lista de Figuras

15

Fig. 22 Logotipos de título descritivo ................................................................... 90

Fig. 02 Peças atreladas ao chá em ordem cronológica ............................. 27-30

Fig. 23 Quadro de análise da tipografia Aperçu ................................................ 93

Fig. 03 Quadro de palavras que descrevem luxo .............................................. 33

Fig. 24 Geração de alternativas para logotipo ................................................... 97

Fig. 04 Gráfico de pesquisas on-line relacionadas ao Minimalismo ......... 40

Fig. 25 Geração de alternativas para ícones de sabor.................................... 97

Fig. 05 Imagem por satélite da cidade de Shinjuku ......................................... 42

Fig. 26 Assinaturas prioritária, horizontal e abreviada .................................. 98

Fig. 06 Ruas da cidade de Shinjuku ....................................................................... 43

Fig. 27 Assinaturas associadas aos sabores........................................................ 101

Fig. 07 Tempoespaço de Augusto de Campos .................................................. 45

Fig. 28 Plantas de referência para ícones de sabores .................................... 103

Fig. 08 Screenshots de marcas similares

56-57

Fig. 29 Assinaturas em grid ....................................................................................... 105

Fig. 09 Screenshots de marcas tangíveis ....................................................... 58-59

Fig. 30 Assinaturas com área de proteção .......................................................... 106

Fig. 10 Screenshots de marcas para referência visual

60-61

Fig. 31 Geração de alternativas para ícones de sinalização ......................... 109

Fig. 11 Screenshots da marca Andorinha ............................................................ 66

Fig. 32 Ícones para sinalização ................................................................................ 110

Fig. 12 Screenshots da marca Leeds Juicery ..................................................... 67

Fig. 33 Orientações para criação de padronagem ........................................... 114

Fig. 13 Screenshots da marca Sundaze................................................................ 68

Fig. 34 Painéis de imagens para referência de cor ................................... 117-118 Fig. 35 Paleta de cores primárias ..................................................................... 117-120

Fig. 01 Outdoor em branco alugado pelo artista Maciej Ratajski ..............

......................................................

.............................

Fig. 14 Painel de pessoas ...........................................................................................

71

Fig. 15 Painel de ambientes ..................................................................................... 72 77

Fig. 36 Paleta de texturas .......................................................................................... 121 Fig. 37 Gradientes institucionais ........................................................................... 123 Fig. 38 Cores vetadas .................................................................................................. 124

Fig. 18 Desenvolvimento de formas chá, tempo, caracol, flor e água ..... 83

Fig. 39 Aplicações de papelaria .............................................................................. ..... 127

Fig. 19 Prática de pintura do símbolo Ensô ....................................................... 85

Fig. 40 Aplicações de utensílios .............................................................................. 128

Fig. 20 Desenvolvimento de formas para símbolo Ensô ................................ 86

Fig. 41 Estilo fotográfico Flat Lay ............................................................................ 132

Fig. 21 Obras da vanguarda Minimalista de título descritivo ....................... 90

Fig. 42 Fotografias institucionais .................................................................... 134-153

Fig. 16 Painel de objetos ........................................................................................... 73 Fig. 17 Mapa mental: Animal, vegetal e mineral ................................................


(ONE TEA)

Sumário

Introdução ........................................................................ 13

3. Criação ....................................................................... 79

1. Fundamentação ........................................................ 19

3.2 Nome ........................................................................ 87

3.1 Síntese gráfica

.......................................................

81

1.1 Chá ................................................................................. 21

3.3 Tipologia .................................................................. 91

1.2 Luxo .............................................................................. 31

3.4 Assinaturas.............................................................. 95

1.3 Minimalismo .............................................................. 37

3.5 Ícones ....................................................................... 107

1.4 Identidade Visual ..................................................... 47

3.6 Padronagem

.........................................................

111

3.7 Cores e texturas ................................................... 115 2. Projeto

....................................................................

51

3.8 Aplicações .............................................................. 125

2.1 Taxonomia ................................................................ 53

3.9 Estilo fotográfico

................................................ 129

2.2 Fatores Projetuais ................................................ 63 2.3 Painéis semânticos............................................... 69

Conclusão ...................................................................... 155

2.4 Atributos conceituais.......................................... 75

Bibliografia ..................................................................... 157

11


Introdução

FOMO A aceleração mecânica, provocada pela evolução tecnológica iniciada no

Esta fobia por desconexão tornou-se uma tendência social denominada

século XIX junto à industrialização, incide hoje sobre o setor digital. A

FOMO1 que caracteriza-se pelo sentimento de angústia motivado pelo

programação de computadores e o advento da internet proporcionam

receio de desperdício de informações ou oportunidades de interação.

vasto acesso à informação, conectam as pessoas e encurtam caminhos

Dados da empresa americana Norton2 apontam para a presença desta

para a conclusão de tarefas, tornando o mundo metaforicamente menor.

necessidade de pertencimento entre os brasileiros: segundo ela, 44%

Entretanto, segundo o sociólogo alemão Hartmut Rosa (2013), apesar da

dos internautas precisam das redes sociais para manter suas amizades.

intenção de se criar mais tempo disponível para o indivíduo, nossa

Além disso, a população do país passa aproximadamente trinta horas

sociedade moderna não desfruta do luxo de ter mais tempo de lazer,

semanais conectada, tempo superior à média global. (NORTON, 2015)

pois apresenta uma ânsia de experimentar ao máximo as opções disponíveis da infinita paleta de possibilidades que nos é apresentada

Como percebido, as informações midiáticas, de modo geral, estimulam

(ROSA, 2013).

este tipo de comportamento. A sociedade de consumo, frequentemente influenciada pela publicidade, é estimulada a tomar ações impulsivas

Neste sentido, o espaço comercial e o ambiente das redes sociais

através da oferta de produtos, serviços e experiências ditos

estimulam um comportamento de exposição assim como a comparação

“imperdíveis". Segundo Toscani (1996), de modo inconsciente, a

de escolhas e ações e estabelecem, desta forma, um conceito de

publicidade impõe seus critérios, sua normalidade, molda nossos gostos

felicidade não relacionada ao desejo pessoal, mas ao contentamento

e nossos reflexos.

pelo outro. O fotógrafo Toscani (1996, p.167) critica este conceito: “É preciso parecer-se com o mundo de imagens dos anúncios para ver-se classificado dentro das normas sociais, reconhecido conforme, integrado.”

1

Sigla inglesa para fear of missing out, ou “medo de estar por fora”.

2

Disponível em <https://us.norton.com/cyber-security-insights-2016>, acesso em 4 de fevereiro de 2017. 13


Introdução

Intervenções urbanas As atitudes impensadas estimuladas pelos meios de comunicação através

Figura 1

de informações imediatas levam as pessoas a consumir e a agir

Página 15

rapidamente, desprezando um tempo de espera fundamental para a

Outdoor em branco alugado pelo artista Maciej Ratajski.

valorização dessas aquisições e dos próprios momentos. Incapazes de

Fonte: Pinterest (2018)

refletir, tornam-se insensíveis e constantemente desejosas daquilo que não possuem. Em resposta à isto, o artista polonês Maciej Ratajski criou uma série de intervenções urbanas, onde espaços destinados à publicidade são despidos de informações, transmitindo serenidade e contraste com o entorno.

14


15


Introdução

JOMO Para o escritor português Mia Couto3 (2016), a sociedade do efêmero

simplificar nossas atividades; todavia, acredita que devemos saber se

vive à espera de que chegue a última versão dos produtos, algo mais

continuamos ou não a ser autores da narrativa de nossas próprias vidas.

leve, mais veloz, mais atualizado. O autor acredita que estamos em uma

Além disso, aponta para a necessidade de regressar. Para a necessidade

espécie de corrida infrutífera para não ficarmos desatualizados, onde

de reumanizar. (COUTO, 2016).

tudo é simultâneo, imediato, voraz e veloz. (COUTO, 2016) Em tempos desafiadores como os de hoje, designers e profissionais de Em contraponto a estes fatos nasce uma nova linha de pensamento que

criação precisam ter a responsabilidade de provocar mudanças para

caracteriza-se pela satisfação em evitar os lugares comuns, em vivenciar

melhorar o bem-estar humano. Este trabalho idealiza uma intervenção

algo único, em seu próprio ritmo, com tranquilidade para aproveitar

ao contexto vigente.

cada segundo e sem a preocupação de descartar outras opções. Este conceito é identificado pela sigla inglesa JOMO4, que abrevia a expressão “prazer em ficar de fora” e em resumo, trata-se de apreciar um tempo só para si. Para Couto, não precisamos de mais tempo, precisamos de um tempo que seja somente nosso; nele, precisamos encontrar intimidade com as coisas que nos são próximas, e isso requer um vagar. Entretanto, o escritor reconhece as vantagens das tecnologias atuais, capazes de

3

Palestra em vídeo disponível em <https://youtu.be/_FTXYwW9X90>, acesso em 4 de fevereiro de 2017.

4

Sigla inglesa para “joy of missing out”, ou “prazer em ficar de fora”. 16


Introdução

Ideação No atual cenário conturbado, caminha-se de modo automatizado.

identifico-me com a ideia de "regressar para reumanizar" e acredito na

Frente à isto, este projeto propõe um tempo de pausa. De forma prática,

necessidade de se reservar um tempo para si. Em segundo plano,

pretende-se apresentar a concepção do design de identidade de uma

importa contar que possuo o hábito de consumir o produto

casa de chás brasileira e sugerir aplicações. A produção deste material

mencionado, entretanto, não me satisfaço com as ofertas do mercado

especificará os dados técnicos de uma marca planejada para a empresa,

regional. Geralmente, os chás mais acessíveis são mal apresentados

tais como construção, proporções e margens, além de retratar sua

visualmente ou, ainda, são de baixa qualidade: utilizam-se de sabores,

personalidade através da demonstração das possibilidades gráficas do

corantes e aromas artificiais; em contrapartida, os de melhor qualidade

projeto de uma forma “inspiracional”, explorando aspectos mais

são importados e consequentemente, de custo elevado.

subjetivos e sentimentais, utilizando de recursos visuais e táteis. A imagem desta marca terá a intenção de traduzir o posicionamento da

De modo específico, esta pesquisa organiza-se nos seguintes passos: a)

empresa, atendendo a proposta de desacelerar, sensificar e contemplar

examinar as diferenças entre chá e infusão e investigar suas origens; b)

por meio do entendimento da simplicidade enquanto luxo. O ritual de

dar a conhecer as ervas brasileiras; c) analisar a cultura de consumo do

consumo do chá, em minha compreensão, oportuniza esta perspectiva

produto e sua relação com o tempo; d) pesquisar definições para o

pois constitui uma experiência sensorial elementar. O chá valoriza a

conceitos de luxo e minimalismo, estudar a história destes temas, como

beleza do simples.

eram compreendidos no passado e como manifestam-se hoje; e) definir e explorar os aspectos técnicos de brand books e marcas cambiantes; f)

O objetivo de projetar material de design que atue como veículo para

desenvolver o processo de taxonomia; g) realizar uma análise de

comunicar o conceito exposto, justifica-se, primeiramente, pois

conotação de projetos próximos à este; h) elaborar arranjos de imagens

17


Introdução

Ideação em painéis semânticos que retratem o estilo da marca; i) definir

Kreutz e Cecilia Consolo. O segundo capítulo traz a etapa projetual do

palavras-chave como atributos conceituais e criar um mapa mental com

trabalho. Inicialmente, realiza-se o processo de taxonomia e, a partir

figuras relacionadas à estes termos; j) desenvolver uma síntese gráfica

deste, desenvolve-se o método de leitura dos fatores projetuais

com esboços de imagens extraídas desse mapa; k) definir e justificar a

propostos pelos autores Joaquim Redig, Luis Gomes e Lígia Medeiros. No

escolha de um nome para a empresa idealizada; l) estipular um alfabeto

terceiro capítulo, como contribuição, desenvolve-se a marca de chás e

institucional, analisando e indicando os usos de uma família tipográfica;

aplicações.

m) gerar alternativas para um conjunto de assinaturas e ícones para sinalização de produtos, utensílios e ambientes; n) sugerir usos destes ítens; o) orientar em relação à geometria, padronagens, paleta de cores, texturas e estilo fotográfico e; p) apresentar aplicações de papelaria e embalagem. Sendo assim, este trabalho se divide em três capítulos. O primeiro possui caráter teórico e apresenta a fundamentação, explorando os temas chá, luxo, minimalismo e identidade visual por meio de uma pesquisa do tipo bibliográfica e documental com os autores Sérgio Panizza, Martin Lindstrom, Hugo Braibante, Gilles Lipovetsky, Domenico de Masi, Pamela Danzinger, Danielle Allérrès, Simon Wilson, Elizabete

18


Fundamentação conceituação do tema chá e análise diacrônica desta bebida definições da palavra luxo e ressignificação deste termo acepção de minimalismo enquanto vanguarda e estilo de vida citação sobre identidade visual e seus formatos atuais


Chá Camellia sinensis / Infusões Plantas brasileiras Experiências sensoriais Análise diacrônica Hugo Braibante L. Di Stasi C. Simões Sérgio Panizza Martin Lindstrom Marcel Proust


1.1 Chá

Camellia sinensis / Infusões A palavra chá denomina uma planta específica chamada Camellia

efetiva nesse continente só ocorre no início do século XVI em virtude do

sinensis; todavia, popularmente reconhecemos como chá qualquer

comércio estabelecido entre a Europa e o Oriente. Os holandeses foram

infusão de ervas, como a camomila, erva cidreira, capim-santo, etc. A

os primeiros a negociar o produto que, em seguida, difundiu-se na

rigor, as infusões que não incluem esta erva em específico não deveriam

cultura inglesa e estendeu-se aos países sob sua influência, ou seja,

ser chamadas de chá, pois originalmente esta é uma palavra chinesa que

Estados Unidos, Austrália e Canadá. Desde então, a bebida

designaria exclusivamente a planta acima citada.

popularizou-se pelo mundo, sendo uma das mais consumidas na atualidade.

As origens do uso da Camellia sinensis datam do século III d.C. Entretanto, apenas durante a dinastia Tang, a partir de um tratado

Em contrapartida, vários fatores têm contribuído para a procura de

técnico sobre a planta, a China passa a ser considerada mundialmente

infusões feitas a partir de outras plantas, que não o chá. As más

responsável pela sua introdução. Posteriormente, monges budistas

condições dos trabalhadores em países onde ele é produzido, a

levaram suas sementes para o Japão, incorporando, com êxito, a cultura

mão-de-obra infantil, a aplicação regular de pesticidas e as doenças da

do seu consumo. Nestes dois países - China e Japão - o chá obteve

população nos campos de cultivo recentemente deixam chocados

grande prestígio, abrangendo não só os meios técnicos e econômicos,

muitos consumidores do produto. Além disto, um crescente número de

como também artísticos, poéticos, filosóficos e até religiosos.

pessoas que prezam por hábitos saudáveis evitam a ingestão de cafeína e teína, estimulantes encontrados em chás e ausentes nas infusões

Na literatura européia, as referências mais antigas em relação ao chá são

(BRAIBANTE et al., 2014). Portanto, a empresa idealizada prioriza o uso

atribuídas a Marco Pólo em seus relatos de viagem. Porém, sua inserção

de plantas nativas brasileiras.

23


1.1 Chá

Plantas brasileiras O conhecimento relativo ao mundo vegetal com o qual as sociedades

A medicina popular brasileira baseia-se no acúmulo secular de

humanas estão em contato tende a aumentar com a mistura de culturas.

conhecimentos empíricos sobre as ações destes vegetais, e sua função

No Brasil, evidencia-se um acervo de uso popular imenso, com

não se restringe apenas às zonas rurais ou regiões desprovidas de

influências tanto trazidas pelos negros da África e pelos europeus com o

assistência médica; ao contrário, estende-se ao meio urbano como

comércio de especiarias, quanto pela atividade dos índios nativos que já

forma alternativa ou complementar aos medicamentos industrializados

possuíam sua farmacopéia particular guardada com o pajé de sua tribo.

(SIMÕES, 1996).

5

Devido à extensão territorial e à diversidade de climas, este país detém a maior biodiversidade vegetal do mundo, seguido por China, Indonésia,

Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu

México e África do Sul. Ao todo, o Brasil possui mais de cinquenta mil

regulamentar a produção e a comercialização de sessenta e seis

espécies de árvores e arbustos conhecidas e dentre estas, quarenta e

espécies orgânicas para fins fitoterápicos, além de estabelecer o modo

três por cento são exclusivas do território nacional (DI STASI, 1996).

correto de utilização de acordo com comprovações científicas em estudos que informam para o que servem e quais os possíveis efeitos colaterais (PANIZZA, 2010).

A análise das tradições no uso de plantas para fins medicinais faz parte do conjunto de objetivos do estudo da etnobotânica. Esta disciplina ocupa-se das conceituações desenvolvidas por toda e qualquer

O uso destas infusões não é limitado à melhoria das funções vitais, mas

sociedade a respeito do mundo vegetal, englobando tanto a maneira

caracteriza-se, também, como um elemento cultural, compreendendo

como um grupo social classifica as plantas quanto os usos a elas

um ritual que envolve todos os sentidos, do preparo ao consumo.

atribuídos.

5

Repositório de receitas de medicamentos gerais. 24


1.1 Chá

Experiências sensoriais O autor dinamarquês Martin Lindstrom (2009), em suas pesquisas no

nuance e sabores únicos, configurando um momento singular. Acredito

campo do neuromarketing, estabelece que rituais de consumo

que estar envolvido com este tempo e presente através dos sentidos

constituem "marcadores somáticos". Estes marcadores desencadeiam

contribui com uma noção interna própria e, então, com a

reações físicas aos estímulos emocionais e podem influenciar nas

auto-construção.

decisões que tomamos em um momento determinado, produzindo uma Para o escritor francês Marcel Proust (1913), a percepção do tempo

reação emocional subjetiva.

transcende o tempo social e cronológico, estando em uma escala Existem dois tipos de marcador somático: os primários, que se referem

subjetiva que recorre a experiências vividas para compreender as

aos inatos e instintivos; e os secundários, que se aprendem ou se

sensações do presente; não é um tempo exterior, linear e homogêneo

modificam com a aprendizagem, podendo se relacionar com o marketing

mas, sim, um tempo-duração, qualitativo e vivido. O autor narra que

através de estratégias que envolvem desde o arranjo dos produtos no

retorna ao tempo de sua infância ao mergulhar um biscoito em uma

estabelecimento, as cores, a música, os cheiros, até a iluminação

xícara de chá e saboreá-lo derretendo na boca.

escolhida. Neste sentido, considera-se a amamentação como o primeiro input sensorial no qual além da ingestão de carboidrato, proteína e

Para potencializar e enriquecer as vivências que podemos ter é preciso

gordura, desenvolvemos as capacidades perceptuais.

conter nossos impulsos utilitaristas, pois a experiência é algo que se desdobra e demanda uma observação cuidadosa para que seja envolvente.

Desta forma, as circunstâncias em que nos alimentamos determinam a qualidade da experiência. A degustação do chá adquire tonalidade,

25


1.1 Chá

Análise diacrônica do chá Como observou-se, o consumo do chá constitui um hábito de

No processo de síntese destas imagens para o desenvolvimento da

importância cultural. Além disto, o objeto deste estudo possui grande

apresentação cronológica, verificou-se frequente associação da bebida

expressão visual e as imagens relacionadas à este produto podem indicar

com o conceito de tempo e nostalgia em peças com características

o contexto em que estão inseridas.

visuais de períodos anteriores às suas criações. Entetanto, apresenta-se aqui apenas as imagens que melhor representam o momento à que pertencem.

A seguir, analisa-se esta visualidade em peças de design e objetos que contêm o chá, como jarros, latas, caixas, anúncios etc; e cria-se uma linha de tempo dividida entre períodos definidos pela variação de estilos gráficos, desta forma, os objetos mais rudimentares e similares agrupam-se nos intervalos de tempo iniciais, mas a partir do início do

Figura 2

século XX, no calendário gregoriano, observa-se cada década

Páginas 27-30

individualmente. Em concordância com o trajeto da difusão do chá, os

Peças atreladas ao chá e principais estéticas em ordem cronológica.

artefatos encontrados que datam de 350 d.C. ao fim do século XVI são de

Fonte: Pinterest (2018)

origem asiática; nos séculos XVII e XVIII, a maior parte é européia e depois disso, norte-americana.

26


350 d.C.

1000

1500

1600

Primeiros relatos

Cultivo do chá

Cerimônia do chá evolui

Popularização na Inglaterra

Vasilha de cerâmica preta

Jarro de cerâmica

Recipiente para chá

Baú de madeira

China

Japão

Recipiente para beber chá feito

Baú de madeira encrutrado de

Utilizada por imperadores, monges

Jarro de cerâmica para

de cerâmica esmaltada.

madrepérolas com representações

e populaçao em geral.

armazenamento de ervas.

Primeiros relatos sobre o chá

Japão começa a cultivar chá. A

A cerimônia japonesa do chá

A portuguesa Catarina de

enconcontrados em um dicionário

bebida vira cerimônia religiosa:

evolui para seu formato atual de

Bragança, traz chá de seu país e

chinês: a bebida é descrita pelo

uma forma de encontrar a paz.

estética simples, com utensílios,

ensina a corte inglesa a

pinturas e arranjos de flores .

prepará-lo, tornando-o popular.

de deuses romanos.

nome de “Erh Ya”.

27


1700

1800

1900

1910

Revolução Americana

Venda à varejo

Arts and Crafts

Art Nouveau

Chaleira de prata

Caixa de chá

Caixote

Prataria

Estados Unidos

Rússia

Estado Unidos

Inglaterra

Chaleira de prata com brasão

Embalagem de chá selada com

Caixote de madeira feito à mão

Conjunto de prataria para servir

gravado e detalhes em madeira.

chumbo.

com impressão da marca Thomas

chá com bandeja.

Wood Co.

EUA se revoltam com as taxas do

O Inglês Quaker John Horniman

Difusão do movimento Arts and

Surgimento do movimento Art

chá impostas pelo Reino Unido.

apresenta o primeiro chá para

Crafts

Nouveau (formas orgânicas,

Em protesto, jogam tudo no mar.

venda direta ao consumidor final

(trabalhos artesanais, formas

fluidez).

Começa a Revolução Americana

em embalagens seladas com

simples e românticas).

que, três anos mais tarde, culmina

chumbo.

na independência do país. 28


1920

1930

1940

1950

Art Déco

Art Déco / Streamline

Pós-guerra

Tecnologia e celebração

Lata de chá

Bule em porcelana

Recipiente de latão

Máquina de bebidas quentes

Inglaterra

Estados Unidos

Estados Unidos

Austrália

Caixa metálica em duas cores de

Bule de porcelana esmaltada com

Lata de chá impressa em cores

Aparelho em metal e baquelite

estrutura geométrica e elementos

detalhes em dourado, linhas retas

quentes e vivas.

para o preparo de bebidas

simétricos.

e simétricas.

quentes.

Nascimento da estética Art Déco,

Variante do estilo Art Déco,

Segunda Guerra Mundial

Acesso à tecnologia doméstica,

ou arte decorativa (geometria e

caracterizada por tons neutros,

Romantização do pós-guerra:

forte publicidade, juventude,

simetria)

funcionalidade e linhas limpas.

cores ricas, aparência ensolarada

excitação, celebração e diversão.

Imagens motivacionais

29


1960

1970

1980

1990

Modernismo

Movimento Hippie

Ousadia

Cultura pop

Bule pintado à mão

Pote de chá

Recipiente para chá

Lata de chá gelado

Estados Unidos

Estados Unidos

Inglaterra

Estados Unidos

Objeto de porcelana produzido

Embalagem de metal em forma

Lata de chá reutilizável com

Lata descartável de grande volume

em série com acabamento em

cilíndrica com pintura impressa

impressão que simula uma

para consumo imediato do

pintura manual.

em motivos florais.

colagem.

produto.

Uso recorrente de tons pastéis,

Tipografia chamativa, cores

Ousadia, excesso, cores saturadas,

Cultura pop, mídia televisiva,

valorização do ambiente

berrantes, extroversão, elementos

neon, colagem.

cartoons, ênfase à tipografia

doméstico.

florais.

30


Luxo Definição popular atual Definição histórica Ressignificação Pamela Danziger Bastien e Kapfere Gilles Lipovetsky Domenico De Masi


1.2 Luxo

Definição popular atual A palavra “luxo" deriva da raiz latina Luxus, que significa “excesso”,

Figura 3: Quadro de palavras que descrevem luxo

“extravagância”, “magnificência”. No entanto, segundo a autora e

Fonte: do autor, adaptado de Danziger (2005).

consultora de marketing Pamela Danziger (2005), ela não suporta uma definição singular, pois trata-se de um conceito livre e abrangente,

Conforto

Bem executado

Mais conveniente

envolvendo uma grande variedade de áreas de pesquisa (economia,

Caro

Qualidade

Aspecto bonito

filosofia, história, sociologia, marketing, etc). Desta forma, cada autor,

Mimo

Design

Torna a vida fácil

entidade ou dicionário interpreta este termo de forma diferente. Em seu

Nada Prático

Não essencial

O melhor

livro “Let Them Eat The Cake”, Danziger (2005, p. 27) apresenta as

Extravagante

Reputação

Sensual

palavras mais utilizadas para se referir a ideia de luxo atualmente. São

Único

Sem problemas

Privilegiado

elas:

Extraordinário

O que eu quero!

Indulgente

Artesanal

Agradável

Difícil de encontrar

Sedutor

Além do básico

Exclusivo

Especial

Suavidade da vida

Liberdade

33


1.2 Luxo

Definição histórica Em conformidade, os autores Bastien e Kapferer (2012) salientam que

entre ricos e pobres. Naquele novo momento, passa-se a dedicar

este conceito integra um número ilimitado de atributos, entretanto,

objetos de grande valor aos mortos como forma de estabelecer um elo

nenhuma destas características é forte o suficiente para descrever a

entre o mundo terreno e o espiritual. Do mesmo modo, o luxo torna-se

noção de luxo em sua totalidade.

uma maneira de traduzir a superioridade dos reis, figurando a linha que diferenciaria os ricos dos pobres em seus modos de viver, de se

O filósofo francês Gilles Lipovetsky (2004), um dos maiores pensadores

alimentar e até de morrer. Assim, definiu-se a idéia de que os soberanos

atuais sobre o tema, relata que o homem apresenta comportamentos

deveriam se cercar de belos pertences como forma de exibir seu poder

ligados ao luxo que datam do período paleolítico. De acordo com ele,

(LIPOVETSKY, 2004).

nessa época não havia ainda o enaltecimento de bens materiais, mas o costume de esbanjar, consumir com fartura e despender com o gozo

Na sequência, a burguesia, surgida no século XVIII, copia os hábitos da

presente sem se preocupar com as conseqüências futuras, o que indica

aristocracia, adquirindo objetos de distinção no intuito de estabelecer

uma mentalidade de luxo anterior à criação de objetos luxuosos

vínculos em relação às classes dominantes. Com as fortunas ganhas pela

(LIPOVETSKY, 2004).

classe trabalhadora, o luxo deixa de ser exclusividade da nobreza e passa a ser adquirido por quem pode comprá-lo. Entretanto, somente com o

O nascimento deste conceito precede os processos industriais e é

desenvolvimento técnico alcançado pela Revolução Industrial o luxo

vinculado a uma ideia religiosa, como uma forma de estabelecer uma

passa a ser associado a valores de satisfação pessoal e ao desejo

aliança com outra dimensão da realidade. A partir do surgimento da

motivado pelo prazer de se desfrutar de objetos preciosos, moradias

imagem do Estado, 4.000 anos a.C., manifesta-se a diferenciação social

luxuosas ou equipamentos mais confortáveis (LIPOVETSKY, 2005).

34


1.2 Luxo

Ressignificação No século XX, o nascimento de uma nova classe social ganha importância

As novas formas de compreensão do luxo em associação com o tempo

pública e econômica em virtude de suas atividades profissionais,

presente são abordadas por diferentes autores sob as denominações

possibilitando a escolha de suas aquisições de forma seleta,

“novo luxo”, “luxo contemporâneo”, “luxo pós-moderno”, etc. Delas,

considerando aspirações e sonhos pessoais, em função de um estilo de

destacam-se os principais aspectos em comum: a) a responsabilidade

vida próprio (LIPOVETSKY, 2005).

socioambiental com a busca por produtos menos agressivos ao meio ambiente, valores e atitudes éticas e uso dos recursos naturais de forma

Estas transformações reconfiguram o conceito de luxo relacionando-o

otimizada; b) a busca pela saúde física e emocional, em um sentido

ao bem-estar físico e emocional. A nova dimensão assumida pelo luxo

privado e de sensações, buscando-se um luxo associado a expectativas

desenvolve-se ao mesmo passo em que a sociedade evolui, ou seja,

centradas no corpo e no bem-estar; c) a democratização das melhores marcas, estendendo a qualidade dos bens produzidos e dos serviços ofertados, anteriormente reservados à elite, para outras camadas da

O consumo de luxo está em via de desinstitucionalização, paralelamente ao que está em ação nas esferas da família, da sexualidade, da religião, da moda e da política. Por toda parte verifica-se a emancipação dos indivíduos em relação às antigas imposições de dependência e pela correlativa erosão da autoridade das normas coletivas. (…) A busca dos gozos privados ganhou prioridade sobre a exigência de exibição e de reconhecimento social: a época atual vê afirmar-se um luxo de tipo inédito, um luxo emocional, experiencial, psicologizado, que substitui a primazia da teatralidade social pela das sensações íntimas. (LIPOVETSKY, 2005, p. 53)

sociedade, tornando estas empresas mais acessíveis, globalizadas; d) a elegância com simplicidade em uma crítica ao excesso e em uma forma de se manter menos dependente dos bens oferecidos, menos subordinado a falsas necessidades; e) a busca por experiências sensoriais individualizadas onde as vivências pessoais criam concepções próprias, genuínas e de caráter mais filosófico e emocional, direcionadas a parâmetros íntimos e f) a valorização do saber sob a ótica de um luxo

35


1.2 Luxo

Ressignificação que valoriza mais o “ser” do que o “ter”, conhecendo-se e identificando-se como pessoa única, entendendo o que precisamos e o que realmente nos serve (ALLERES, 2000; LIPOVETSKY; ROUX; DANZIGER, 2005). Por meio de uma análise contemporânea do tema o sociólogo italiano Domenico De Masi (1999) propõe, ainda, que o tempo, a autonomia, o espaço, a beleza e o silêncio representam algo raro e desejado pela presente sociedade e que, consequentemente, constituem grandes manifestações de luxo. Isto posto, em atenção ao objeto de estudo desta pesquisa e à relação do seu consumo com a idéia de pausa, enfatizo a primeira das expressões elencadas por De Masi, ou seja, o tempo. De acordo com o autor, embora a média de vida do homem tenha dobrado em duas gerações e hajam instrumentos para economizar tempo, um grande número de pessoas possui a impressão de nunca tê-lo disponível (DE MASI, 1999).

36


Minimalismo Vanguarda Estilo de vida Relação com o Concretismo Simon Wilson


1.3 Minimalismo

Vanguarda A popularidade do termo “minimalista” o levou ao senso comum, de

Na vanguarda minimalista, os artistas rompem com o conceito de arte

modo que seu uso corriqueiro desgastou seu significado original. Por

enquanto ilusão no qual um objeto representa outra coisa; para isto, as

vezes, de forma pejorativa, esta palavra é associada à displicência, à

obras são despidas de artifícios e reduzidas à pura essência de modo

escassez e ao simplorismo, além disto, uma visão preconceituosa a

que o espectador perceba o que é exposto de fato, a veracidade da

relaciona ao sentido de pretensão: "uma filosofia que se aproxima do

matéria, a natureza em si. Além desta maneira “crua” de apresentar os

nada como se fosse algo” (WILSON, 2008).

elementos, a repetição simétrica destes, é outro recurso recorrente e através dela busca-se aludir ao aspecto austero das reproduções em série industriais (WILSON, 2008).

De acordo com Simon Wilson (2008), autor do livro “Tate Guide to Modern Art Terms”, o Minimalismo, enquanto vanguarda artística, nasce nos Estados Unidos entre o final dos anos de 1950 e o início da década

As características desta vanguarda não se restringem ao meio das artes

de 1960 e, para uma maior compreensão, precisa ser observado através

plásticas, ao contrário, estendem-se aos campos do design, arquitetura,

deste viés histórico, no qual, ao suceder o caráter emocional e subjetivo

música etc. Além disto, proporcionam experiências calmantes, reflexivas

do movimento expressionista, posiciona-se como forma de reação e

e até mesmo hipnóticas que assemelham-se à prática do Zen, um

avanço. Naquele momento, as linhas retas, a repetição e o planejamento

conceito oriental de busca por um estado de concentração e iluminação

com precisão matemática estabelecem lógica e ordem, contrapondo a

pessoal por meio de meditação contemplativa e autodisciplina.

espontaneidade impulsiva expressa pelos borrões de tinta de uma

Metaforicamente, Zen pode ser compreendido pela idéia de “aguardar a

estética caótica.

estabilização da água, que turva ao ser pisada, para enxergar de forma clara o reflexo de si e do entorno” (WILSON, 2008).

39


1.3 Minimalismo

Estilo de vida Em função destas associações, atribuiu-se ao termo “minimalismo” o

Figura 4: Gráfico de pesquisas on-line relacionadas ao Minimalismo

status de “estilo de vida”, considerado uma ferramenta facilitadora para

Fonte: do autor, adaptado de Google Trends (2017).

o desprendimento de excessos, em favor de uma maior liberdade, 100

auto-reflexão e realização pessoal uma vez que, no mínimo, podemos ler a nós mesmos. Assim, apesar de (teoricamente) considerar-se encerrada

75

a vanguarda artística minimalista, (tecnicamente) este conceito ainda está em voga.

50

No gráfico ao lado, criado com a plataforma Google Trends, analisou-se o número de pesquisas on-line relacionadas ao tema no decorrer do

25

tempo e verificou-se grande crescimento, recente, do interesse pelo assunto. 0 2004

1

2007

2010

2013

2016

Representação das médias anuais entre pesquisas na internet pelos termos mais populares para

o conceito de Minimalismo: “minimalist”, “minimalism”, “minimalismo”, “ミニマ リスト”, “minimaliste”, “minimalisme” e “minimalismus”. 2

Escala relativa ao ponto mais alto do gráfico, onde o valor “100” representa o pico de

popularidade do assunto, e “0” corresponde a menos de 1% da popularidade equivalente ao pico.

40


1.3 Minimalismo

Estilo de vida As informações obtidas consideram as consultas realizadas por

Figura 5

internautas do mundo todo; entretanto, ao analisar diferentes territórios

Página 42

individualmente, coletando dados de forma proporcional ao número de

Imagem por satélite da cidade de Shinjuku, Japão.

habitantes de cada lugar, observou-se que o maior interesse pelo

Fonte: Google Maps (2017).

assunto se dá em regiões orientais populosas e, dentre estas, a cidade

Figura 6

japonesa de Shinjuku apresentou o maior número de pesquisas.

Página 43 Ruas da cidade de Shinjuku, Japão.

Desta forma, constato que o excesso de informação nestes lugares

Fonte: Gaijinpot Travel (2017).

conturbados fundamenta a urgência pelo silêncio, pelo espaço e pela simplicidade.

41


42


43


1.3 Minimalismo

Relação com o Concretismo A vanguarda Minimalista assemelha-se ao movimento do Concretismo

Figura 7

pela tendência reducionista; pela valorização da geometria; pela ênfase

Página 45

nas relações entre corpo, tempo e experiência; e pela proximidade do

Tempoespaço - Augusto de Campos, 1958.

período de tempo em que desenvolve-se. O Concretismo tem início na

Fonte: Redsearch (2019).

área das artes plásticas em 1930; manifesta-se na música na década seguinte e nos anos 1950, possui a poesia como maior veículo de sua expressão. Na poesia concreta, os aspectos semânticos, sonoros e visuais dos vocábulos são explorados de modo experimental através de decomposições, neologismos e efeitos gráficos próximos à linguagem do design. A poesia propõe diversos ritmos e ângulos de leitura através de variações na forma, tamanho, peso e disposição dos tipos nas áreas em branco da página. Com a utilização destas manipulações, o espaço da página torna-se agente estrutural.

44


um de

tempo espaço

um de

espaço tempo

um um

tempo espaço

um em

espaço tempo

45

em um

espaço tempo

em um

tempo espaço

de um

tempo espaço

de um

espaço tempo


Identidade visual Marca cambiante Brand book Gestalt Elizete Kreutz CecĂ­lia Consolo Max Wertheimer


1.4 Identidade visual

Marca cambiante / Brand book As marcas utilizam-se de valores e imagens para expressar e dar vida a

conservam elementos que as mantém reconhecíveis como parte de uma

empresas e produtos. Através da exposição repetida de símbolos com

mesma identidade, quer sejam palavras, cores ou formas.

conceitos precisos, as marcas criam valores psicológicos. Neste sentido, por meio de uma comunicação regular e sólida, transmite-se

Firmar identidades em um mercado ruidoso é certamente um desafio.

estabilidade, conserva-se notoriedade e inspira-se confiança no público,

Uma ferramenta para viabilizar este trabalho é o brand book, ou "livro

criando sensação de familiaridade.

da marca”, uma publicação que apresenta o conceito e o posicionamento da marca aos gestores, colaboradores de criação e

As imagens aplicadas na representação de entidades com base no

demais funcionários de uma empresa. Este tipo de livro tem sido

imaginário coletivo adáptam-se à novas necessidades. Sistemas de

projetado como um aprimoramento do manual de identidade —

identidade visual dinâmicos favorecem a identificação do usuário com as

publicação esta com um maior enfoque técnico, incluindo a construção

ideias transmitidas. Neste sentido, o formato de marca “cambiante” ou

do logotipo, proporções, área de reserva e aplicações finais — que,

“mutante” é considerado uma expressão mais aberta das organizações

apesar da principal utilidade de preservar unidade na comunicação,

contemporâneas. A pesquisadora gaúcha Elizete Kreutz (2005) afirma

estipula uma normatização excessiva, limitando as possibilidades de

que estas marcas caracterizam-se por participar da globalidade das

expressão e articulação, “engessando” a comunicação. Como vantagem,

organizações que representam e por romper com a visão estática de

o brand book agrega as caraterísticas do manual tanto relacionadas à

uma imagem unívoca, pois possuem uma estrutura envolvente (KREUTZ,

apresentação da marca quanto ao design, porém com uma maior

2015).

liberdade em seu uso, pois, através da exposição das possibilidades gráficas do projeto e do estilo de comunicação visual, este livro tem por

De modo prático, marcas cambiantes são assinaturas que apresentam

finalidade orientar acerca da personalidade da marca e inspirar acerca

alterações parciais na composição visual e, em alguma medida,

de seus usos (CONSOLO, 2015).

49


1.4 Identidade visual

Gestalt As identidades visuais transmitem informações com o auxílio de um

Sendo assim, no capítulo seguinte são analizados projetos de marcas

conjunto de recursos gráficos fundamentais ao design e às artes. A

que utilizam estes mesmos recursos gráficos para comunicar conceitos

teoria da Gestalt, fundada pelo psicólogo Max Wertheimer, interpreta

próximos aos pretendidos neste trabalho.

detalhadamente como o cérebro humano enxerga as coisas e, com este estudo, são estabelecidos estes princípios essenciais às áreas da criação. Com a finalidade de transmitir os conceitos anteriormente expostos — associação do chá com o tempo; ressignificação do luxo; e minimalismo enquanto estilo de vida —, na construção da visualidade deste projeto, serão analisados os aspectos da teoria gestáltica relativos à: a) homogeneidade e a harmonia, que propiciam alta pregnância, pois ocasionam assimilações visuais rápidas e claras; b) semelhança estética e proximidade das formas, que as tornam reconhecíveis como partes de um conjunto; c) variação estética das formas, que permite a identificação isolada e evidente de objetos em uma composição; e d) contraste visual, que influi na hierarquia de importância dos elementos.

50


Projeto desenvolvimento de taxonomia de projetos com afinidade leitura de fatores projetuais de marcas pertinentes arranjo de painéis semânticos que compõem a atmosfera da marca definição de atributos conceituais norteadores do projeto


Taxonomia Identificação de identidades visuais para direcionar a prática do design da marca de chás. Apresentação de imagens que contemplam assinaturas, papelarias e embalagens com conceitos próximos ao deste projeto. Classificação de marcas similares (comercializam o mesmo produto), tangíveis (comercializam outras bebidas) e projetos para referência imagética.


2.1 Taxonomia

Hungry beast

C’est ça

Chás

Bar e café

Sabonetes

Andorinha

J+

You & Oil

Chás

Águas saborizadas

Hidratantes

Bonnard

Jrink

Sisters

Chás

Sucos

Camellia Chás

Casa Pujol Tequilas

Jimmy-cha

Greenhouse Juice Co.

Chás

Sucos

Referências visuais

Teaspira

Tangíveis

Similares

Legenda

Roupas

Sundaze Protetores solares

Green House Cosméticos

Mayde-tea

Dose

Balsem

Chás

Águas

Sabonetes

Omacchaya

Leeds Juicery

Peet Rivko

Chás

Sucos

Hidratantes

55


Embalagem

Papelaria

Taxonomia / Similares

Assinatura


Embalagem

Papelaria

Taxonomia / TangĂ­veis

Assinatura


Embalagem

Papelaria

Taxonomia / ReferĂŞncias visuais

Assinatura


Fatores projetuais Definição de um método de análise. Leitura de fatores dos projetos Andorinha, Leeds Juicery e Sundaze com enfoque em aspectos filosóficos, antropológicos e perceptivos. Joaquim Redig Luis Gomes Lígia Medeiros


2.2 Leitura de fatores projetuais

Definição Para a tomada de decisões criativas em um projeto é necessário refletir

performance, qualidade, durabilidade e aparência; g) ergonômico,

e equacionar diferentes elementos que contribuirão para um

abrange a interação entre homem e produto motivada pelas

determinado resultado. O designer brasileiro Joaquim Redig (2005) em

necessidades do uso; h) econômico, resultante de dados objetivos e

seu livro ”Sobre Desenho Industrial”propõe que a área do design envolve

valores quantificáveis, como o preço, a produtividade, a concorrência e a

seis fatores projetuais distintos, e os professores Luis Gomes e Lígia

economia; i) tecnológico, associado à indústria e às máquinas, que

Medeiros (2010), em uma revisão recente à este estudo, apontam para

contribuem no resultado e na qualidade de um processo ou produto,

mais três variáveis.

atendendo a demanda de necessidades do homem (REDIG, 2005; GOMES; MEDEIROS, 2010).

Segundo estes autores, o conjunto de fatores é constituído pelos seguintes aspectos: a) antropológico, relacionado à comunicação

Dos nove fatores projetuais citados, a proposta da empresa idealizada

existente no uso e interação com os objetos, neste sentido, deve-se

neste trabalho contempla especialmente o filosófico, o antropológico e o

observar as ideias e comportamentos culturais das sociedades

perceptivo. Sendo assim, a seguir, analisa-se três das marcas

pertencentes ao lugar específico a que o produto se dirige; b) filosófico,

apresentadas anteriormente que priorizam estes mesmos pontos. São

definido pela união dos valores ética e estética, está relacionado à

elas: Andorinha, Leeds Juicery e Sundaze.

verdade e autenticidade do projeto; c) ecológico, ligado à atuação do objeto no ambiente, ao ciclo de vida e ao uso de recursos naturais; d) perceptivo, relativo à percepção do usuário provocada pelo uso de estímulos visuais de modo criativo; e) geométrico, contempla o uso do espaço para dispor informações através de princípios de composição; f) mercadológico, referente ao custo de um produto em razão da

65


2.2 Leitura de fatores projetuais

Projeto similar / Andorinha

Conotação

Fatores filosóficos

Fatores antropológicos

Fatores perceptivos

Antropológico

Andorinha é um projeto de design para

O trabalho desenvovido visa estimular os

Atributos conceituais

Aplicação

uma marca de chás fictícia. Através da

sonhos e as recordações dos usuários.

exploração de elementos visuais e

Através da aplicação de cores, formas e

Limpo

Áreas “vazias”

táteis, a designer austríaca Sabina

materiais condizentes com estes

Loacker criou a identidade visual de

conceitos, a designer propõe a

Claro

Tons pastéis

um produto que propõe a experiência

“autocontinuidade”, uma reconexão com

Leve

de momentos nostágicos para serem

Transparência

o passado que ajuda a encontrar

vivenciados no curto período de

propósito para seguir no presente.

Suave

Textura macia

Simples

Geometria

Delicado

Material frágil

Filosófico Ecológico Psicológico Perceptivo Mercadológico

consumo do chá que, segundo autora, varia de cinco à dez minutos.

Ergonômico Econômico Tecnológico

66


2.2 Leitura de fatores projetuais

Projeto tangível / Leeds Juicery

Conotação

Fatores filosóficos

Fatores antropológicos

Fatores perceptivos

Antropológico

Leeds Juicery é uma marca de suco prensado

A empresa empenha-se em criar uma ampla

Atributos conceituais

Aplicação

a frio. Sua direção de arte concentra-se em

conexão com seus clientes, para isto, elabora

capturar os conceitos de pureza, natureza,

frases personalizadas escritas a mão aplicadas

Puro

Tom claro

meditação, saúde, e a antiga ciência

em embalagens e demais pontos de contato.

medicinal indiana de Ayurveda, que norteia o

Além disto, ela estabelece uma comunicação

Leve

Cor natural

estilo de produção da bebida.

no dialeto próprio de sua região de

Orgânico

Textura natural

Ecológico

Borda redonda

Humanizado

Interação

Saudável

Escrita à mão

Filosófico Ecológico Psicológico Perceptivo Mercadológico Ergonômico

distribuição - Yorkshire, Leeds - UK. O caráter ecológico da empresa manifesta-se também na criação de suas peças gráficas:

O produto é destinado à jovens profissionais

Todo material impresso e promocional é

e indivíduos ocupados que buscam na marca

risografado em papel de açúcar reciclado.

um momento detox, em vista disto, a companhia enfatiza a utilização de

Econômico

ingredientes puros.

Tecnológico

67


2.2 Leitura de fatores projetuais

Projeto referência visual / Sundaze

Conotação

Fatores filosóficos

Fatores antropológicos

Fatores perceptivos

Antropológico

Sundaze é uma marca de produtos para a pele

A empresa pretende modernizar o mercado

Atributos conceituais

Aplicação

que tem como foco principal a produção de

por meio de escolhas de design com

protetores solares. A filosofia da empresa

aplicações pontuais e através do

Moderno

Geometria

valoriza a simplicidade e a naturalidade e,

impulsionamento de uma nova onda de

com isso, se faz bastante conceitual e

protetores solares orgânicos que

Conciso

Assimetria

moderna: por meio de elementos gráficos

proporcionam um efeito de brilho e

Sólido

Cor branca

simples, a marca sintetiza idéias complexas.

hidratação. Com isso, à Sundaze promove

Seu logotipo composto por poucos

cuidado pessoal e bem-estar.

Limpo

Cor salmão

Claro

Textura natural

Orgânico

Vegetação

Filosófico Ecológico Psicológico Perceptivo Mercadológico Ergonômico Econômico Tecnológico

elementos, por exemplo, simboliza um eclipse parcial com raios solares, aludindo ao conceito de proteção, bloqueio. Outro diferencial se dá na formulação dos produtos, que possuem ingredientes de origem natural escolhidos um a um e são completamente isentos de parabenos.

68


Painéis semânticos Organização de painéis semânticos referentes à este trabalho, que apoiam a criação de uma “atmosfera”. Arranjos de imagens com os temas: pessoas, ambientes e objetos. Extração de referências de cor, forma, textura, símbolos, estilo de vida e emoções.


2.3 Painéis semânticos

Pessoas

71


2.3 PainÊis semânticos

Ambientes

72


2.3 Painéis semânticos

Objetos

73


Atributos conceituais Analisando os painéis semânticos, define-se os atributos conceituais “mínimo” e “natural”. A partir destas palavras norteadoras do projeto cria-se um mapa mental com imagens de animais, vegetais e minerais que expressam os conceitos delineados. A proporção áurea é outro fator coincidente nestas figuras. Esta razão descrita pelo matemático Leonardo Fibonacci pode ser encontrada por aproximação nas medidas das formas de muitos organismos na natureza, como plantas, animais e até constelações. O número áureo é utilizado nas artes desde a Antiguidade até os dias atuais, servindo de referência em projetos de design (ELAM, 2010).


2.4 Atributos conceituais

MĂ­nimo / Natural Animal

Vegetal

Mineral

77


Criação desenvolvimento de síntese gráfica com ilustrações que convergem à um símbolo conceituação do nome da marca de chás realização de tipologia da família Aperçu Pro introdução às assinaturas e seus usos definição de ícones para sinalização construção de padronagem institucional sugestão de cores e texturas para os pontos de contato especificação do estilo fotográfico escolhido produção de aplicações finais da marca


Síntese gráfica Esboço de formas relativas ao chá, ao tempo e aos elementos “caracol”, “flor” e “água”extraídos do mapa mental de atributos conceituais “mínimo” e “natural”. Assimilação do símbolo Zen Ensô e geração de variações desta imagem.


3.1 Síntese gráfica

Desenvolvimento de formas Chá

Tempo

Caracol

Flor

Água

83


3.1 Síntese gráfica

Ensô Analisando as estruturas representadas anteriormente, atenta-se para

Na pintura Zen budista, Ensô é um elemento sagrado que traduz um

um padrão de movimento circular — a propriedade de ondulação nos

momento quando a mente está livre para simplesmente deixar os

líquidos; a relação de infinitude associada ao formato de círculo; a

sentidos criarem. Com uma pincelada de tinta, a forma do círculo

construção concêntrica da forma espiral no caracol; e a disposição

geralmente é feita sobre seda ou papel de arroz em apenas um

radial nas pétalas. A partir destas relações, identifica-se um símbolo

movimento e não há possibilidade de modificação. Alguns artistas

que sintetiza estas coincidências visuais e associa as idéias que este

praticam o desenho do Ensô diariamente, como uma espécie de

projeto pretende comunicar.

exercício "espiritual", e ele é frequentemente utilizado pelos mestres Zen como uma forma de assinatura das artes religiosas.

Ensô é o símbolo que representa a palavra "círculo" na caligrafia japonesa. Esta forma é considerada um dos objetos mais comuns nesta

Em referência à construção deste símbolo, a seguir, são desenvolvidas

escrita, mesmo sendo um símbolo e não um ideograma. Ela representa

formas vetoriais de variações de seu desenho. Estas representações servirão

a iluminação, a força, a elegância, o universo e o vazio, e estes

de apoio à geração de alternativas para assinaturas da marca de chás.

conceitos são fortemente associado à filosofia Zen. Figura 19 Página 85 Prática de pintura do símbolo Ensô. Fonte: Modernzen (2019).

84


85


3.1 Síntese gráfica

Ensô / Desenvolvimento de formas

Ensô

86


Nome Conceituação dos nomes da marca. Concretismo / Minimalismo / Zen. Referências visuais de nomes descritivos de outras marcas e de obras da vangurda Minimalista.


3.2 Nome

(ONE TEA) / (1T) Um dos primeiros passos na estruturação da identidade de uma marca é

O emprego do numeral inglês “one” e do algarismo “1” remete a ideia de

o naming. Esta palavra designa o processo da criação de um nome. Nesta

singular, inteiro, pleno e mínimo. Estas qualidades também são

etapa, intenta-se traduzir a essência, os princípios, o posicionamento e

associadas ao Minimalismo — que possui origem estado-unidense — e à

os valores de empresas, produtos ou serviços.

filosofia oriental Zen — que propõe o conceito de estar em uno consigo mesmo e com o universo.

A marca deste projeto reporta às características dos movimentos artísticos Minimalismo e Concretismo através do nome (ONE TEA) e da

Reforçando a expressão destas ideias, as palavras que descrevem a

versão abreviada (1T). Estas palavras em inglês podem ser traduzidas como

marca possuem o mesmo número de letras, compondo uma mancha

“um chá” e este significado descritivo literal remete aos títulos de mesma

gráfica simétrica, equilibrada. Além disto, estes elementos tipográficos

característica frequentemente empregados nas obras destas vanguardas.

são escritos entre parênteses, sugerindo unidade, isolamento, introspecção.

Figura 21

O nome abreviado (1T) reduz a grafia do nome extenso com caracteres

Página 90

que representam sua sonoridade, aludindo à recorrente exploração dos

Obras da vanguarda Minimalista com títulos descritivos.

aspectos sonoros dos vocábulos na Poesia Concreta — expressão

Fonte: Pinterest (2019).

contemporânea à vanguarda Minimalista.

Figura 22 Página 90 Logotipos de título descritivo. Fonte: Behance (2019).

89


3.2 Nome

(ONE TEA) / (1T) Logotipos de nome descritivo

Obras da vanguarda minimalista de nome descritivo

Logo da marca Zero-Cal

Logo da marca Contém 1g

Logo da marca Banco do Brasil

O “X” - Ronald Bladen, 1967.

Logo da marca Whole Foods

Logo da marca The Body Shop

Logo da marca The Weather Channel

Estrutura de Três Torres - Sol LeWitt, 1986.

“Alimentos Integrais”

“A Loja do Corpo”

“O Canal do Tempo”

90

Cículo Vermelho - Jiro Yoshihara, 1965.

Peça Amarela - Ellsworth Kelly, 1966.

Arcos de Quatro Cantos - Sol LeWitt, 1986.


Tipologia Apresentação da família tipográfica Aperçu. Análise de sua liguagem visual, amosfera e função. Apresentação do alfabeto institucional, suas aplicações, estilos e tamanhos. Colophon


3.3 Tipologia

Linguagem visual

Aperçu Pro Simetria de

Neutro

espaçamento

Aperçu é uma tipografia não serifada do estilo Grotesque

constante

lançada pela Colophon (2010), uma fundação independente criada pelo estúdio britânico The Entente.

Espaço

O nome de origem francesa “Aperçu” significa exame, pesquisa, estudo. Este conceito é representado pela

Cor Organizado

Amplo

caracteres apresentados em quatro variações — leve,

Confiança

regular, médio, negrito e mono — cada uma com o efeito

Legibilidade

entretanto, o design desta fonte apresenta peculiaridades que a torna distinguível de outras famílias do mesmo estilo

Discreto

Simples

Tipografia versátil para múltiplos usos Sóbrio

tipografias ITC Johnston, Gill Sans, Neuzeit e Franklin Gothic,

Puro

Preciso

Importância

uso é frequentemente associado a designs minimalistas. A empresa Colophon descreve a Aperçu como uma fusão das

Informativo

Função

simplicidade, elegância e expressividade da forma dos

itálico correspondente. Devido à estas características, seu

Sólido

Atmosfera

Estável

Simples mas elegante

Suave

Cantos retos Uniforme Geometria consistente

Elegante

Limpo Nítido

Grotesque, caracterizado pela aparência geométrica pouco

Calmo

polida, espessura de traçado uniforme e ausência de serifa.

Forma

Movimento Inclinações não

Figura 23

convencionais no topo

À direita

de algumas letras

Análise da tipografia Aperçu Fonte: Do autor, adaptado de Medium Co. (2019).

93

Equilibrado Estruturado


3.3 Tipologia

Alfabeto institucional6 Caracteres

A

B

C

D

E

F

G

H

I

J

K

L

M

N

O

P

Q

R

S

T

U

V

W

X

Y

Z

a

b

c

d

e

f

g

h

i

j

k

l

m

n

o

p

q

r

s

t

u

v

w

x

y

z

1

2

3

4

5

6

7

8

9

0

!

@

#

$

%

ˆ

&

*

(

)

-

=

_

+

<

>

Aplicações

Estilo / Tamanho

Display

Light 76pt Regular 32pt

Título Subtítulo

Bold 12pt

Corpo

Light 9pt

Legenda

Light 7pt

Rodapé

Light Italic 6pt

Etiqueta

Light 6pt

6

As fontes oferecidas nesta mídia têm o único intuito de servir como material de demonstração, sendo necessário licenciamento para serem utilizadas. 94


Assinaturas Geração de alternativas para logotipo e ícones da marca. Apresentação e orientações de uso das assinaturas prioritária, horizontal, abreviada e cambiate (associada aos sabores). Orientações quanto à geometria, grade de construção, e área de proteção.


3.4 Assinaturas

Geração de alternativas Logotipo

45º

Ícones para os sabores do produto

97

90º

135º


3.4 Assinaturas

Assinaturas A (ONE TEA) dispõe de quatro formatos de assinatura: prioritário, horizontal, reduzido e cambiante que é associado aos sabores do produto. As diferentes disposições e dimensões destas marcas conferem responsividade, ou seja, aplicabilidade fácil e clara em múltiplas mídias.

1. Prioritária

2. Horizontal

3. Abreviada

O logotipo prioritário deve ser utilizado preferencialmente em

Esta versão deve ser aplicada em espaços horizontais restritos

O modelo abreviado deve ser empregado em avatares para

mídias externas à empresa e quando associado à outras

do layout ou em conjunto com outras marcas que também

web, materiais gráficos de pequenas medidas e sempre que o

marcas. Esta assinatura utiliza o nome extenso (ONE TEA) para

apresentem disposição horizontal. Nesta assinatura, as

tamanho mínimo da marca for necessário. Este logotipo utiliza

a melhor compreensão de seu significado. As letras da palavra

palavras do nome (ONE TEA) são dispostas de modo linear,

o nome reduzido (1T), que facilita a leitura em pequenas

“one” são alinhadas acima das letras de “tea” ocupando um

lado a lado.

dimensões.

espaço retangular conveniente às principais aplicações.

5 mm

2.5 mm

2.5 mm

98


3.4 Assinaturas

Assinatura associada aos sabores A assinatura cambiante vinculada aos sabores dos chás destina-se às

Figura 27

embalagens dos produtos e às peças gráficas em que um sabor de chá é

Página 101

apresentado. Esta marca é constituída por logotipo7 fixo e ícones8 mutáveis.

Versões de assinatura da marca associada aos sabores do produto. Fonte: Do autor (2019).

O logotipo apresenta os nomes nas versões abreviada e extensa interligados por segmentos de círculo iguais aos parênteses das outras assinaturas,

Figura 28

estabelecendo uma correlação. Estes elementos são dispostos em sentido

Página 103

horário em alusão à leitura por ângulos não-convencionais da poesia

Plantas de referência para ícones de sabores.

concreta e em concordância com os repetidos componentes formais

Fonte: Do autor (2019).

delineados na etapa de Síntese Gráfica (chá, tempo, caracol, flor, água e símbolo Ensō. Página XX) A parte cambiante dessa marca compreende dez ícones que figuram plantas nativas brasileiras selecionadas em razão do uso no preparo de infusões, do consumo pelo prazer e do grafismo expressivo para a indicação de sabor do produto. Em referência à estética minimalista, os ícones são formados apenas pelos elementos necessários para a identificação da vegetação, formas reduzidas as configurações não mais que essenciais às suas funções.

7

Elementos tipográficos de uma assinatura institucional.

8

Signos visuais que representam outros objetos por força de semelhança. 99


3.4 Assinaturas

Assinatura associada aos sabores


Cambará

Pariparoba

Marcela

Alpínia

Umbu

Lantana camara

Pothomorphe umbellata

Achyrocline satureioides

Alpinia speciosa

Spondias tuberosa

Amora Verde

Castanha do Brasil

Guaraná

Quixaba

Pitanga

Rubus erythrocladus

Bertholletia excelsa

Paullinia cupana

Sideroxylon obtusifolium

Eugenia uniflora


3.4 Assinaturas

Geometria Os elementos gráficos nos logos da (1T) atendem à padrões que expressam a personalidade minimalista da marca com inspiração na geometria da natureza. As especificações relativas às medidas das assinaturas são:

1. Espessura do traçado

2. Grid

3. Área de proteção

4. Área de proteção reduzida

Todas

Todas

Todas

Abreviada

Todas as formas são traçadas por linhas de

Os logotipos são justapostos à grid9 formada

A área de proteção10 dos logos é delimitada

A assinatura abreviada permite o uso da altura

mesma espessura.

por módulos quadrados de dimensões iguais

pela medida relativa à altura de dois

de um caractere como espaço de respiro

à altura dos caracteres dos nomes.

caracteres.

excepcionalmente quando aplicada em tamanho mínimo.

5. Razão áurea

6. Razão áurea

7. Simetria radial

8. Simetria / Equidistância / 45°

Prioritária

Abreviada / Horizontal / Cambiante

Sabores - Logotipo

Sabores - Ícones

Na assinatura prioritária, a altura do nome e a

Nas demais assinaturas, a proporção é

Nas assinaturas vinculadas aos sabores dos

Os ícones das marcas cambiantes são

altura dos parênteses são relacionadas pela

aplicada em duas medidas da Série Fibonacci,

chás, os nomes são dispostos em simetria

compostos de modo a priorizar por simetrias,

razão áurea — proporção de 1 : 1,618

1 : 2,618.

radial triangular.

espaçamentos uniformes e ângulos com variação de quarenta e cinco graus.

encontrada por aproximação em formas da natureza e na Série Fibonacci.

9

Malha de linhas composta por módulos para guiar o arranjo das formas na construção de peças gráficas.

10

Área em volta do logo mantida em branco para garantir legibilidade e destaque nas aplicações em meio à outros elementos. 104


3.4 Assinaturas

Grid

Horizontal 2.618

1.0

Associada aos sabores / Ă?cones

2.618

1.0

Reduzida

105

2.618

1.0

2.618

1.618

Associada aos sabores / Logotipo

1 .0

PrioritĂĄria


3.4 Assinaturas

Área de proteção Prioritária

Associada aos sabores

Horizontal

Reduzida Tamanho mínimo

106


Ícones Geração de alternativas para ícones de sinalização. Definição das categorias “sabor”, “institucional”, “utensílio” e “comida”. Descrição das finalidades dos ícones.


3.5 Ícones

Geração de alternativas

1T

1T

1T

1T

1T

1T

1T

1T

1T

1T

1T

1T

109

1T

1T


3.5 Ícones

Categorias e finalidades Sabor

Institucional

Utensílio

Comida

1T

1T

MARCELA

PARIPAROBA

COZINHA

AVENTAL

CHALEIRA

POTE

BOLO

GELO

PITANGA

CASTANHA

MESAS

CRACHÁ

LOUÇA

SACHÊ

TORTA

LEITE

MENU

BANDEJA

COPO

TORRADA

MEL

1T

GUARANÁ

CAMBARÁ

ATENDIMENTO

1T AMORA

ALPÍNIA

BANHEIRO

SACOLA

TALHERES

GARRAFA

BISCOITO

LIMÃO

UMBU

QUIXABA

SAÍDA

ENVELOPE

GUARDANAPO

XÍCARA

BISCOITO

CRAVO

110


Padronagem Apresentação do tema e conceituação do padrão. Orientações de construção.


3.6 Padronagem

Ondulações A padronagem, ou pattern, é uma técnica versátil para comunicar a

Sua construção se dá a partir de quatro módulos constituídos por

personalidade de uma marca e ajudar na construção de uma identidade

conjuntos de elipses centralizadas. Para o emprego da padronagem,

visual forte. Através da repetição de elementos gráficos, os patterns

criou-se quatro orientações relativas à distribuição destes módulos:

possuem um papel importante no reconhecimento das marcas, pois

a) a relação da largura pela altura e a variação entre os tamanhos das

nossos cérebros tendem a reconhecer padrões mais rapidamente. Além

elipses de um módulo deve ser proporcionalmente igual à 1 : 1,618 (razão

disto, confiamos na repetição como uma maneira de lembrar as coisas,

áurea); b) o número de elipses de cada módulo não deve ser superior à

desta forma, estas padronagens tornam as marcas memoráveis.

quatro, para que o espaçamento entre as linhas que as constituem proporcione aparência de leveza; c) o espaço de intersecção entre dois

O pattern da marca 1T apresenta certa liberdade de aplicação e grande

módulos deve ser menor que 50% de suas áreas, para que sejam

adaptabilidade à diferentes espaços. Embasado nos atributos

percebidos individualmente; d) módulos grandes devem conter mais

conceituais definidos, seu grafismo simula o efeito de ondulações em

elipses e, do mesmo modo, módulos pequenos devem possuir menos

expansão que remetem à cena de gotas de chuva em contato com a

elipses para estabelecer equilíbrio visual.

superfície da água, ou mesmo tremulações em uma xícara de chá.

Figura 33 Página 114 Orientações para criação de padronagem. Fonte: Do autor (2019).

113


3.6 Padronagem

Orientaçþes

a)

b)

Y=1.618

1 .0

X=1.0

Z=2.618

X

Y

c)

1

2

3

d)

< 50%

4

Z

1 .618

>4

> 50%

114


Cores e texturas Apresentação de cores e gradientes primários e secundários. Associações e referências visuais. Orientação quanto ao uso. Tons vetados. Sugestão de texturas.


3.7 Cores e texturas

Cores Associações

Aplicações

Códigos RGB 0 0 0

Profundo

Preto

CMYK 100 100 100 100

Impressão Assinaturas, corpo de texto, tampas plásticas,

Elegante

Puro

PANTONE Process Black

molduras, fitas e fivelas

Branco

RGB 244 244 244

Fundo

CMYK 5 4 4 0 Fundo das peças em papel, fundos de madeira,

Leve

fundos de pedra, tampas metálicas, padrongem de

PANTONE 52-1 C

ondulações, cordões, fitas e velas.

(LABRECQUE et al; 2012)

Calmo

Creme Elementos secundários

RGB 245 237 223

Tecidos, sementes, fitas e papéis.

Natural

CMYK 5 7 14 0 PANTONE 8-9 C

120


3.7 Cores e texturas

Texturas Veludo preto

Papel cartão preto

Papel linho preto

Mármore sintético

Acetato fosco

Papel poliéster

Veludo branco

Papel couché fosco

Papel linho branco

Papel linho fino

Pátina branca

Pluma branca

Veludo creme

Papel arroz

Papel fibras naturais

Papel pólen

Papel reciclado escuro

Papel reciclado claro

121


3.7 Cores e texturas

Gradientes O gradiente de cinzas é restrito às peças independentes dos sabores dos chás da marca. Para os fundos associados às variações do produto, sugere-se os gradientes de tons pastéis, que possuem harmonia análoga.

#E2E2E2

#CBCADB

#D4C3D4

#E2C7D2

#E9C3C3

#D7C9C5

#E8DAE8

#EEDADA

#F2E5DF

#EEE1DE

#ECE3D9

#ECE8ED

#F8E8F1

#F7EBEC

#F4EBE7

#EEE9E5

#DBD2BF

#EDE5D1

#D2D5C0

#D6DBC8

#E1E2DE

#F1E5D6

#EFECDC

#EEEBDD

#EEEFEA

#EEEEE9

#F4EFE4

#F7F4EB

#EBEEE9

#F1EFE3

#F3F4ED

#AFAFAF

#000000

123


3.7 Cores e texturas

Tons vetados Na natureza, as cores muito saturadas frequentemente indicam ameaças e pelo processo evolutivo ainda estamos “programados” para prestar atenção nos tons que podem transmitir agitação e ansiedade (LABRECQUE et al; 2012). Sendo assim, as cores utilizadas nas peças gráficas e nos elementos que compõem os ambientes da (1T) devem ser de tonalidade rebaixada.

124


Aplicações Indicação de aplicações da marca em papelaria, embalagens e utensílios. Definição de tamanhos, volumes e proporções.


3.8 Aplicações

Papelaria Tag

Cartão de visita

Ø 6 cm

9 X 5,84 cm

Crachá

Cartão

Envelope transparente

Marca páginas

16 X 11 cm

9 X 5,84 cm 15 X 9,7 cm

2’’ X 6’’ (5,8 X 15,24 cm)

Prendedor

Rolo de fita

Menu

Papel timbrado

Pasta

Papel de seda

Larg. 2,5 cm

15 X 6,8 cm

15,53 X 24 cm 19,22 X 29,7 cm

21,22 X 32,8 cm 20’’ X 15’’ (50,8 X 38 cm)

127


3.8 Aplicações

Utensílios Avental

Pote 200 g

Copo 250 ml

6,5 X 10 cm

8 X 10,5 cm

Xícara 100 ml

Caneca 250 ml

Caneca 400 ml

10 X 13 cm 11 X 8 cm

12 X 5,5 cm

30 X 15 cm Ø 8 cm

Ø 6,5 cm

Guardanapo aberto

10’’ X 10’’ (25,28 X 25,28 cm)

Sachê

Canudo

1,5 cm X 8,5 cm

20 cm

Ø 9,5 cm

Porta-copos

Ø 8 cm

Ø 6,5 cm

Guarda-sol

Ø 8,5 cm

Ø 0,58 cm

300 X 300 cm

128


Estilo fotográfico Conceituação. Apresentação do estilo da fotografia institucional. Orintações técnicas. Apresentação de fotografias.


3.9 Estilo fotográfico

Conceituação A papelaria e as embalagens da 1T não apresentam-se em mockups11

A paleta de cores institucional aplica-se, além do material impresso, em

predefinidos ou modelos de renderização 3D, ao invés disto, mostra-se

elementos auxiliares como folhas, sementes, fitas, velas, livros etc.

os produtos em fotos de iluminação natural do tipo “dura”(hard light).

Por padrão, utiliza-se a cor branca no plano de fundo (background) em

Estas imagens representam os atributos conceituais com detalhamento,

superfícies de mármore, madeiras claras e papéis.

pois agregam informações visuais sutis. O posicionamento da câmera no ângulo de noventa graus em relação aos A luminosidade em uso provoca sombras de longa projeção com bordas

objetos (plongée) é uma característica do estilo Flat Lay: uma tendência

definidas e evidencia as texturas, sendo assim, estes elementos são

de fotografias minimalistas inspirada em um médoto de organização de

analisados enquanto componentes compositivos. A sombra dos objetos

objetos sobre superfícies planas. Além de evidenciar o background e as

nas fotografias da marca salienta as formas, traz ambiência à cena e,

sombras projetadas, este estilo transmite ordem, controle e conforto.

conceitualmente, indica a ideia de passagem do tempo pela posição solar. De modo similar, o uso de texturas orgânicas contribui para uma aparência natural, com profundidade, tátil. Com o intuito de aparentar leveza, a luz natural é rebatida, minimizando áreas escuras da superfície

Figura 41

dos objetos, mas mantendo as sombras projetadas. Ainda ao harmonizar

Página 132

as composições, as texturas de maior ruído intercalam-se com as mais

Estilo fotográfico Flat Lay

homegêneas.

Manifesto do artista Tom Sachs narrando o método de organização que inspira o estilo fotográfico Flat Lay. Fonte: Medium (2019).

11

Simulações digitais da apresentação final de um produto. 131


132


www.onetea.com

Av. Paulista, 1102 / São Paulo - SP, Brasil

Seg - Dom: 09:00 - 21:00 +55 12 3456 7890

Após sete campos marcados, você receberá uma bebida gratuitamente na apresentação deste cartão.

07

Cartões de visita Apresentam as informações para contato com a empresa e servem para registro de consumo, com bonificação por fidelidade.

06

05

04

03

02


Copos de papel Possuem o gradiente de cores associado ao logo da empresa, permitindo o uso para todos os sabor de chรกs quentes.


Garrafas de vidro Devem ser utilizadas para armazenar chĂĄs gelados. O vidro transparente mantem a bebida aparente e o logo associaodo ao sabor do produto ĂŠ aplicado na tampa sob fundo branco.

Guardanapos de papel Possuem cor branca e barra de assinaturas horizontais.


+55 Av.

12

Pau

34

list

56

789

a, 1 12

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ete

Pau

a@

lo

1t.c

- S P

om 1t.c Bra

Papéis timbrados Possuem as informações para contato com a empresa dispostas horizontalmente na margem inferior da página.

sil

om


Potes Apresentam corpo semitransparente de poliéster com degradê relativo ao sabor. As informações do produto são impressas em adesivo fosco. As assinaturas da marca são estampadas em tampa plástica.

Alpínia Alpinia speciosa

Sachês São envoltos em papel vegetal colorido com gradiente de cores do sabor e fechados com adesivo fosco.


Tags para sachês O verso do cartão de visita da (1T) apresenta as informações para contato com a empresa e também serve para registro de consumo, com bonificação por fidelidade.


Padronagem de parede O verso do cartão de visita da (1T) apresenta as informações para contato com a empresa e também serve para registro de consumo, com bonificação por fidelidade.


(ONE TEA)

Conclusão Constantemente, a publicidade e as informações midiáticas atuais

Tendo em vista que a comunicação de qualquer entidade — mesmo

estimulam o consumo de bens materiais, serviços e informações que não

quando estabelecida pela percepção visual — parte de um lugar de fala e

condizem com as reais necessidades dos usuários, deste modo, incitam

revela um posicionamento social, projetou-se materiais gráficos, sob a

um ritmo frenético (FOMO) que compromete a apreciação dos

ótica da estética minimalista, para instigar experiências sensoriais

momentos (JOMO). Na produção desta pesquisa, acessou-se uma melhor

individuais que promovam o bem-estar através da ideia de regressar

compreensão sobre estas questões contemporâneas relacionadas à

para reumanizar.

temporalidade e ao excesso. Em resposta ao contexto mencionado, criou-se o design da marca de chás (ONE TEA).

Com bases na teoria gestáltica e inspirado em novos formatos de apresentação de marca, como os brand books e as assinaturas

Com a definição e investigação do objeto de estudo chá, efetuou-se uma

cambiantes, explorou-se um conjunto de efeitos estéticos, que apoiam

análise diacrônica de imagens do produto e observou-se a frequente

uns aos outros com coerência, para criar uma “atmosfera" que inspira à

correlação deste assunto com a ideia de tempo, tanto nas embalagens

contemplação e ao consumo reflexivo, proporcionando experiências

quanto no ritual de seu consumo. Em continuidade à este conceito,

ricas.

pesquisou-se novas definições para a palavra luxo e também verificou-se a associação deste termo com o tempo, além do espaço e do silêncio. De

Para além de um logotipo, valorizou-se os demais elementos para

modo similar à esta interpretação, ao analisar o tema minimalismo

comunicação de marca, descentralizando a informação, abrangendo

enquanto estilo de vida, identificou-se qualidades em comum, além das

sensorialidades de modo mais amplo com a finalidade de traduzir

noções de contemplação e simplicidade.

experiências, compartilhar percepções e aproximar-se do público.

155


(ONE TEA)

Bibliografia e referências

ALLÉRÈS, Danielle. Luxo...Estratégias, Marketing. São Paulo: FGV Editora, 2000. BRAIBANTE, Mara; SILVA, Denise; BRAIBANTE, Hugo; PAZINATO, Maurícius. A química dos chás. São Paulo: Química Nova Escola, 2014. CONSOLO, Cecilia. Marcas: design estratégico. Do símbolo à gestão da identidade corporativa. São Paulo: Blucher, 2015. COUTO, Mia. O nosso tempo é um bicho que só tem pescoço. Disponível em: <https://youtu.be/_FTXYwW9X90>. Acesso em: 4 de fevereiro 2017. DANZIGER, Pamela. Let Them Eat The Cake: Marketing Luxury To The Masses: As Well As The Classes. Londres: Kaplan Business, 2005. DE MASI, Domenico. O futuro do trabalho: fadiga e ócio na sociedade pós-industrial. Rio de Janeiro: José Olympio, 1999. DI STASI, L.C. (org.). Plantas Medicinais: Arte e Ciência - Um Guia de Estudo Interdisciplinar. São Paulo: Ed. UNESP, 1996. ELAM, Kimberly. Geometria do design: estudos sobre proporção e composição. São Paulo: Cosac Naify, 2010.

GOMES, Luiz; MEDEIROS, Ligia. Nine Factors Guiding the Theory in Design Education. Cape Town: Cape Peninsula University of Technology, 2007. KAPFERER, J. ; BASTIEN, V. The Luxury Strategy: Break The Rules Of Marketing To Build Luxury Brands. Londres: Kogan Page, 2012. LABRECQUE, LAUREN, & MILNE, GEORGE. The importance of color in marketing. Londres: Journal of the Academy of Marketing Science, 2012.

157


(ONE TEA)

Bibliografia e referências

LINDSTROM, Martin. A lógica do consumo: Verdades e mentiras sobre por que compramos. São Paulo: Harper Collins, 2009. LIPOVETSKY, Gilles, CHARLES, S. Os Tempos Hipermodernos. São Paulo: Barcarolla, 2004. LIPOVETSKY, Gilles. O luxo eterno: da idade do sagrado ao tempo das marcas. Tradução de Maria Lúcia Machado. São Paulo: Companhia da Letras, 2005. NORTON. Cybersecurity Insights Report. Disponível em: <https://us.norton.com/cyber-security-insights-2016>. Acesso em: 4 fev. 2017. PANIZZA, Sérgio. Anvisa regulamenta produtos fitoterápicos. Disponível em: <http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/Anvisa+Regulamenta +Medicamentos+Fitoterápicos.html>. Acesso em: 20 de julho 2017. PROUST, Marcel. Em busca do tempo perdido. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.

REDIG, Joaquim. Sobre desenho industrial. Porto Alegre: Editora UNIRRITTER, 2005. ROSA, Hartmut. Alienação e aceleração: esboço de uma teoria da temporalidade moderna tardia. Berlim: Suhrkamp Verlag, 2013. SIMÕES, C.M.O.. Plantas medicinais do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 1996. TOSCANI, Oliviero. A publicidade é um cadáver que nos sorri. Tradução de Luiz Cavalcante de M. Guerra. Rio de Janeiro, RJ:Ediouro, 1996. KREUTZ, Elizete. Identidade visual mutante: uma prática comunicacional da MTV. Porto Alegre: PUCRS, 2005.

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Profile for Eduardo Farina

(ONE TEA) : Design de marca sob a estética minimalista  

As informações midiáticas atuais estimulam o consumo de bens, serviços e informações que não condizem com as reais necessidades dos usuários...

(ONE TEA) : Design de marca sob a estética minimalista  

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