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Maria Publicação Comemorativa dos 15 Anos da Maria Comunicação / Ano 2010

Pensar o novo! 15 anos da Maria Comunicação Tecnologia

Automação do marketing revoluciona a comunicação

Perfil

As artes do rei da noite de Brasília

Cultura

A eterna resistência do cinema baiano

Entrevista

Juca Ferreira fala sobre Brasil e grandeza cultural


ALEGRIA: É ANIVERSÁRIO DA MARIA NO ANO DE MIL NOVECENTOS E NOVENTA E CINCO,

CHEIO DE ENERGIA E INTELIGÊNCIA. NOS PEDIDOS

NASCEU MARIA. QUEM É MARIA? ! A MÃE DE JESUS.

QUE EU FAÇO AOS ORÍSA . PARA QUE O BEM APAREÇA

MAS TAMBÉM A MÃE DE JOÃO SILVA. TODA MÃE A

E PERMANEÇA ENTRE NÓS, O MAIOR TEMPO POS-

QUEM SE DEVE CONSIDERAÇÃO É UMA MARIA. A

SÍVEL, ESTÁ INCLUÍDO O TRABALHO DE JOÃO, QUE

EMPRESA DE PUBLICIDADE “MARIA” NASCEU DA

CARINHOSAMENTE É CHAMADO POR NOSSA COMU-

INSPIRAÇÃO DE JOÃO SILVA, E TEM TRAZIDO MUITAS

NIDADE DE “JOÃO DA MARIA”. O BOM PUBLICITÁRIO É

ALEGRIAS AO SEU FUNDADOR, SÓCIOS E, COM CER-

RESPONSÁVEL PELO CRESCIMENTO DE SEUS CLIEN-

TEZA, SEUS FUNCIONÁRIOS E CLIENTES. É UM NOME

TES, POR ISSO É QUE EU PEÇO PELA CONSTRUÇÃO

CONHECIDO NO BRASIL PELA SUA EFICIÊNCIA, CLA-

DE BELOS COMERCIAIS, QUE DÊEM LUCROS AOS

REZA DE OBJETIVOS E ÉTICA PROFISSIONAL. DES-

CLIENTES E À EMPRESA “MARIA”, SEM ESQUECER O

TE ESCRITÓRIO É DE ONDE SAEM AS INSPIRAÇÕES

COMPROMISSO SOCIAL. QUINZE ANOS DE TRABALHO

PARA AS BELAS LOGOMARCAS QUE DÃO CREDIBI-

E SUCESSO PROGRESSIVO DEMONSTRAM A SOLIDI-

LIDADE COMERCIAL, PROMOVENDO OS PRODUTOS

FICAÇÃO DESSA EMPRESA, E EU ROGO AOS DEUSES

DA CLIENTELA QUE O PROCURA. TUDO QUE É FEITO

QUE A ALEGRIA E A PROSPERIDADE (CONSTRUÍDA

COM AMOR, COM DEDICAÇÃO, É BELO E GRANDIO-

COM RESPONSABILIDADE) ENTREM E DANCEM NO

SO. QUEM OLHOU COM ATENÇÃO OS OUTDOORS

SEU CAMINHO E NA CASA DE TODOS QUE ESTÃO A

FEITOS PELA EMPRESA MARIA, ESPALHADOS PELA

ELA VINCULADOS. AJÓ BÒ JÒ . ILÉ.

CIDADE, VALORIZA A CRIATIVIDADE DE UM MOÇO

Mãe Stella de Oxóssi Ilê Axé Opô Afonjá


Sumário

Editorial

8 58 Maria 15 Anos

66

Maria Comunicação festeja 15 anos esbanjando vitalidade, conquistando novos clientes, ampliando a sua ação no país Pág. 8 5 16 20 24 26 30 36 40 42 68 70 74 82 84 86 88 90

Expediente Editorial Aspas Tecnologia Mudança de Cultura Casos da Maria Jacques Janine Pensar o novo! Maria, sai da lata! Empreendedorismo No ritmo do berimbau Perfil Jorge Ferreira Casos da Maria Governo da Bahia Pensar o novo! O Brasil mestiço Pensar o novo! Brasil na muxima de Angola Cultura Vida ao cinema baiano Casos da Maria Abrigo D. Pedro II Casos da Maria Teatro Vila Velha Causo De como Val desasnou Tabuleiro da Maria Crônica Zig-zag Humor Nildão

46

João Silva O fundador da Maria conta a história de muitos anos de sucesso e quase 1.000 marcas.

62

Maragojipe O carnaval da pequena cidade baiana é patrimônio imaterial da Bahia.

76

Juca Ferreira O ministro da Cultura do Brasil defende uma agenda pró-ativa.

4 Maria

Publicação anual da Maria Comunicação.

Edição | Antônio Moreno e Iuri Rubim Textos | Graça Filadelfo, Iuri Rubim e Antonio Moreno Produção | Laís Furtado Revisão | Érica Silva Fotografia | Almir Bindilatti, Di Souto, Jr Major, Ricardo Prado e Graça Filadelfo Capa | Tela de Ed Ribeiro Ilustração | Cau Gomez Design Editorial | Alan Alves e Daniedson Rios Colaboradores | Emmanuel Publio Dias, Valéria Torres, Raimundo Lima, Nivaldo Lariú e Vicente Cecim (Textos) | Maria Geruza, David Glat, Adenor Gondim, Sérgio Guerra e Pedro Meirelles (Fotos) | Lage* e Nildão (Ilustração) Impressão | Gráfica Santa Bárbara Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores, não refletindo necessariamente a opinião da revista. * In Memoriam

Salvador/BA – Av. Tancredo Neves, 3343 – Torre A – 11º andar – 71 3341-0520 Brasília/DF – SRTVS Quadra 701 – Bloco O, nº 110 – 1º andar – 61 3223-9996 São Paulo/ SP – Rua Funchal, 418 – 35º andar – Vila Olímpia – 11 3521-7307 www.mariacomunicacao.com.br maria@mariacomunicacao.com.br

Pensar o novo! O sucesso de tudo o que fizemos nestes 15 anos de Maria só foi possível graças a combinação de três ingredientes fundamentais: confiança, tesão e trabalho. Foram muitas marcas, inúmeras campanhas e ações de comunicação que ficaram na cabeça dos cidadãos brasileiros. Isso porque acreditamos que a peça publicitária pode e deve fazer mais do que vender. A comunicação tem que fazer pensar. E pensar o novo. Há 15 anos, colocávamos em outdoor de pós graduação da Ufba um ator negro, algo visto como estranho na época, apesar de a Bahia ser o estado mais negro do Brasil. Estranho porque todas as instituições de ensino só utilizavam na sua comunicação, até então, modelos loiros, de olhos azuis, usando lap tops em cenários europeus. A Maria ajudou a levar para as ruas a cara da Bahia. Hoje, quando vemos na publicidade baiana a cor da cultura local, nos orgulhamos muito de poder ter contribuído para isso. Nos orgulhamos também de ter feito a campanha: Não deixe o Abrigo D. Pedro II morrer de velho. Exatamente porque acreditamos que pensar o novo é também cuidar e valorizar a sabedoria e a experiência dos mais antigos. É trabalhar para a cidadania, a favor do respeito pelas mais diferentes formas de pensamento e em prol da igualdade social. A primeira edição da revista Maria – que

a partir de agora torna-se uma publicação anual - tem o propósito de reafirmar esses princípios e comemorar uma trajetória que, acreditamos, vitoriosa. Uma vitória que é de todos: chegamos até aqui graças ao talento e cooperação de clientes, fornecedores e, claro, de nossos colaboradores. Sem a dedicação, postura firme e serena de pessoas como Jussara e Vicente, a Maria não seria a mesma Maria. É uma edição que reúne parceiros de muitos tempos, como Mano, Raimundo Lima, Vicente Cecim, Valéria, Lariú, Lage, Nildão e Cau. Que abre espaço para a arte de fotógrafos especiais, como Adenor, Almir, David, Guerra, Gerusa, Pedro e Ricardo. E que destaca os novos amigos que a Maria fez e passou a admirar, como Jorge Ferreira e Marcus Hadade, dois empresários de sucesso. A impressão em papel reciclado é uma opção coerente com o compromisso socioambiental que a Maria defende e recomenda a todos os seus clientes. A revista é também uma maneira de preservar a nossa memória. Afinal, como já disse Mãe Stella: “O que não se registra o vento leva!” E se ela nos dá a sua benção é porque estamos no caminho certo. Que venham novos marcos na trajetória da Maria! João Silva Sócio-presidente da Maria

Maria 5


IRMANDADE

DA

BOA MORTE - CACHOEIRA

© RICARDO PRADO - WWW.FLICKR.COM/PHOTOS/RICARDOPRADO8


15 Anos

João | pequenas verbas resultam em grandes ações

ções práticas associadas à pereni-

de mercado, com-

zação de uma marca, de um projeto.

prova com idéias e

Transformou em capital social peque-

fatos que veio para

nas verbas. Usou da criatividade para

ficar. Sua trajetória,

ajudar a construir algo que vai muito

iniciada numa salinha no bairro do

além da peça publicitária: a imagem

Itaigara, em Salvador, reflete a matu-

institucional. Desta forma, ajudou a

ridade de uma agência que, desde o

pensar novas e – às vezes – inusita-

início, destacou-se não só pela criati-

das estratégias para conseguir atingir

vidade posta a serviço do cliente, mas

um objetivo. Fez pensar o novo!

por sua visão bem particular do que é

Foi assim que a Maria viu a perso-

ser cliente: aquele que demanda pro-

nalidade transformar-se em seu maior

jetos e soluções; alguém que precisa

cartão de visitas. Questões cruciais

ser entendido como parceiro, cujos

como combate ao racismo, respeito

anseios devem ser interpretados nos

às minorias, tolerância religiosa, de-

contextos macros do momento eco-

fesa do meio ambiente e atenção ao

nômico, do comprometimento social,

idoso entram no portfólio da agência

das oportunidades e do bom senso.

como um trunfo de sua atuação no

Graças a esta compreensão, a

mercado, dando suporte às criações

Maria vem fazendo de sua atuação

e estruturando a base ética de seu

um diferencial no mercado baiano e

desempenho. Inovação mercadoló-

nacional e conseguiu formar um fã

gica? Tendência? O termo pode até

clube de políticos, empresários, ativis-

variar, mas o certo é que a Maria é

tas sociais e gestores públicos. Para

uma agência diferente!

Inauguração | festa conta com presenças de José Sérgio Gabrielli, Walter Queiroz...

1

Maria, uma agência diferente!

Diretoria | Jussara e Vicente comemoram resultados

Começo | entusiasmo da primeira equipe

© R. SOTERO

seus clientes, buscou sempre solu-

completar 15 anos

© R. SOTERO

A

Maria cresceu. Ao

Ao completar 15 anos, a Maria Comunicação conquista definitivamente espaço no mercado baiano e nacional. E o que é melhor: sem abrir mão do seu jeito muito particular de ser e atuar, transformando pequenas verbas em grandes resultados, atenta para a ética e antenada com as questões mais nobres do interesse coletivo.

Andreia Velame e Nilza Barude

Nova sede | bênção de D. Gregório Paixão

8 Maria

1 – Campanha de outdoors para Maria Comunicação

Maria 9


O cliente tem razão... em confiar na Maria

2

Para o Teatro Vila Velha, que

11

renascia para a cultura baiana após anos de decadência física e

Maria é João. João é Maria. A

programação de gosto duvidoso,

associação da agência ao nome do

a Maria foi igualmente ousada e

seu criador, o publicitário João Silva, é algo notório desde o começo

3

participativa. Entrou em cena lite-

12

ralmente para investir em um novo

dessa história de 15 anos. Profis-

conceito que revertesse a imagem

sional reverenciado pelo mercado,

que a casa de espetáculos vinha

conhecido por suas centenas de

tendo junto ao público – no que

marcas – que hoje beiram a casa de mil, recorde internacional – João

4

pese o seu passado de glórias.

13

Criou campanhas para os novos

não poderia querer que a agência

espetáculos e, sobretudo, um novo

surgisse de modo independente da

posicionamento frente à sociedade,

carreira profissional bem sucedida

despertando, com a originalidade

que construiu ao longo de décadas, em diferentes organizações

5

de um slogan que pegou, o desejo

14

do público de voltar à frequentar o

do meio publicitário baiano. Assim,

teatro: Vá ao Vila, Velho!

ao assumir o novo desafio, trouxe

Novos clientes e desafios pon-

para a Maria um conjunto de boas

tuaram, a partir daí, a trajetória da

realizações que, logo de cara, credenciaram a agência no mercado.

6

O segundo passo dessa trajetória

Maria, sempre expressando a filosofia básica da agência: pensar a

15

comunicação a partir do simples,

foi fazer com que este mercado en-

procurando agregar valor às peças e

tendesse, que a Maria não era uma

marcas criadas e, sempre que pos-

agência como as outras. Por sua

sível, indo além das expectativas.

estrutura enxuta e o foco máximo sobre os resultados, a agência des-

7

8

tacou-se já nas suas primeiras investidas profissionais, nos idos de 1995. Para o cliente Jacques Janine, que enfrentava dificuldades de posicionamento, criou uma série de spots que, baseados mais na criatividade do que em recursos financeiros, reforçou a marca e trouxe de volta uma

Um exemplo disso teve como foco o cliente Promoexport. A demanda

posicionamento da marca. O cliente

feita pelo então diretor, Geraldo Ma-

levou um susto. Mas adorou a ou-

Essa dobradinha esteve presente

chado, era a criação de uma mar-

sadia. Transformou a Maria em sua

em outros momentos da Maria, que

ca. Rápida e certeira, a Maria surgiu

agência e, com a ajuda dela, operou

apesar de ter canalizado os seus

com uma campanha inteira: filme

as mudanças que transformaram o

trabalhos para os mais diferentes

para televisão, campanha de outdo-

Promoexport em Centro Internacio-

segmentos da economia (da cultu-

or, anúncio em revista, proposta de

nal de Negócios.

ra ao turismo, da saúde ao varejo),

16

Ousadia

com

oportunidade.

17

clientela que debandava. De cara, a solução pensada pela Maria ganhou o prêmio de melhor fonograma da década, gerando reconhecimento e mídia gratuita para o cliente, ainda hoje um destaque no Top of Mind. 9

10

18

10 Maria

2 – Filme 30” para Fundação Cultural Palmares/AMAFRO; 3 – Filme 30” para Fórum de Entidades Negras da Bahia; 4 – Filme 30” para Hospital Oftalmológico DayHORC; 5 – Filme 30” para Shopping Top Mall; 6 – Filme 90” para Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia; 7 – Cartaz para Promoexport; 8 – Marca para Teatro Vila Velha; 9 – Outdoor para Gelo Pioneiro; 10 – Outdoor para Refrigerante Fricote

11 – Filme 30’ para Refrigerante Fricote; 12 – Filme 30” para Prefeitura de Jequié; 13 – Filme 30’ para Promoexport; 14 – Filme 30’ para Tribuna da Bahia; 15 – Filme 30” para Baldacci; 16 – Marca para Fórum de Entidades Negras; 17 – Outdoor para Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia; 18 – Outdoor triplo para Fenagro

Maria 11


nunca abriu mão da confluência de

19

24

25

20

27

28

26

três vertentes básicas: a questão racial, o combate à intolerância religiosa e a valorização do idoso. São elementos que perpassam, aqui e ali, a sua atuação nesses 15 anos. Definem e consolidam o lastro de sua personalidade. “Eu sempre achei que a gente tem obrigação de contribuir com a sociedade. Sem isso, eu acho que o nosso trabalho não é completo”, justifica João Silva.

Beleza pura Atendendo a clientes como o Grupo Cultural Olodum, Fórum das Entidades Negras, Ilê Aiyê ou Fundação Palmares, a Maria tem

destaque, símbolos representati-

pontuado o seu posicionamento

vos de várias religiões. A marca fez

a favor da integração do negro e

tanto sucesso, que a Fundação

de sua cultura na sociedade baia-

Palmares resolveu adotá-la, dando

na, brasileira e mundial. O ponto

à mandala, o status de símbolo de

de vista da agência é muito claro:

tolerância religiosa no país.

cultura é uma só. As influências africanas existentes na cultura

CHAPADA DIAMANTINA.

AQUI, VOCÊ É NATURALMENTE BEM RECEBIDO.

Velho é o mundo!

brasileira (baiana em particular) não podem ser entendidas como

Por acreditar que a experiência Destino privilegiado pela exuberância de sua rica natureza, a

partes de um todo. Elas se fundi-

Chapada Diamantina tem se consolidado como um local susten-

ram – e se fundem - de tal forma

mo Empreendedor, pequenos empresários da região estão

às heranças portuguesas e indí-

das pessoas mais velhas deve ser respeitada e valorizada, a Maria

tável, com serviços à altura dos mais exigentes visitantes. Com o estímulo e o apoio do Sebrae e seus parceiros no Projeto Turisinvestindo cada vez mais em qualificação para fazer o que a natureza faz sem nenhum esforço: receber bem e conquistar você.

comprou a briga pela recuperação

www.ba.sebrae.com.br 0800 570 0800

do Asilo D. Pedro II, construído no

genas que passaram a representar uma nova e forte referência

21

século XIX, uma das mais antigas

22 29

para a sociedade.

casas de recolhimento de idosos do país. Além de fazer a campanha, propagou a ideia e obteve uma

Tolerância dez!

resposta à altura da importância da

É ponto pacífico: os homens

causa: o apoio de todas as mídias

precisam aprender a conviver em

na veiculação das peças criadas

suas diferenças religiosas. A Ma-

pela agência. A causa logo ganhou

ria entende muito bem isso e co-

23

a adesão da própria comunidade,

locou esse pensamento em pra-

que se mobilizou em favor da recu-

tica em diversas oportunidades.

peração do abrigo. Com esse tra-

Chamou a atenção a marca que

balho, a Maria deu sua parcela de

criou para comemorar o Dia Mu-

contribuição em prol de uma cons-

nicipal Contra a Intolerância Re-

ciência maior de respeito aos mais

ligiosa. Uma mandala que expõe

velhos, seguindo o exemplo da cul-

num mesmo espaço, e com igual

tura oriental ou mesmo africana.

12 Maria

19 – Cartaz para Secretaria de Cultura do Estado da Bahia; 20 – Anúncio para Sebrae - Bahia; 21 – Anúncio para Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia; 22 – Marca para Teatro Castro Alves; 23 – Marca para Unesco/Escritório de Referência do Centro Antigo de Salvador

24 – Cartaz/Poster para Ministério da Cultura; 25 – Cartaz para Olodum; 26 – Cartaz/Poster para Fundação Cultural Palmares/AMAFRO; 27 – Cartaz para Fórum de Entidades Negras da Bahia; 28 – Cartaz para Vereadora Olívia Santana; 29 – Anúncio para Mural

Maria 13


Os muitos lados da Maria

2 (projetos de música). No turismo

30

de Desenvolvimento e Ação Regio-

de negócios, a agência desenvolveu

nal - CAR, para a Empresa Brasileira

Maria tem diversos lados. E pode

campanhas e ações para o Conven-

de Desenvolvimento Agrário/EBDA e

ser entendida por diversos ângu-

tion Bureau, sempre destacando as

para a Fenagro.

los também. Ou seja, o portfólio da

qualidades e diferenciais de Salva-

No varejo, fez a marca do refrige-

agência é rico em exemplos de ações

dor e da Bahia como polos de even-

rante Fricote virar sucesso na Bahia e

bem sucedidas nos mais diferentes

tos e convenções.

ajudou a lançar e a projetar shopping

36

centers, como Top Mall e Quê Park

campos da economia e das relações

No segmento agropecuário, a Ma-

humanas. Da Cultura ao Turismo, da

ria atuou durante quatro anos junto à

Saúde ao Varejo. Em cada cliente, um

Agência de Defesa Animal do Esta-

Finalmente, na área de saúde, a

desafio: descobrir a estratégia ideal,

do da Bahia- ADAB e à Secretaria

Maria colaborou com o reposiciona-

condizente com sua filosofia e carac-

de Agricultura, Irrigação e Reforma

mento da marca do Hospital oftal-

terísticas particulares, para a solução

Agrária do Estado da Bahia/Seagri,

mológico DayHORC, na Bahia, e do

das demandas recebidas.

ajudando a ampliar a cobertura da

Hospital Anchieta, em Brasília, sem-

Na área cultural, além do Teatro

vacinação contra a febre aftosa e de-

pre respeitando as orientações do

Vila Velha e grupos Olodum e Ilê

mais zoonoses. Além disso, desen-

Cremeb no sentido de evitar apelos

Aiyê, destaca-se também Caderno

volveu trabalhos para a Companhia

de venda e clima de mercantilismo.

31

35

Center, ambos no Distrito Federal. 37

32 38

39

40

42

41

34

33 43

14 Maria

30 – Postais para Cantina Cortile; 31 – Anúncio para Iphan; 32 – Outdoor para Cantina Cortile; 33 - Cartaz/Poster para Irmandade da Boa Morte; 34 – Anúncios para Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia

35 – Anúncio para Orient Filmes; 36 – Anúncio para Jornal Bahia Hoje; 37 – Anúncio para Salvador Convention Bureau; 38 – Marca para projeto da Fundação Odebrecht; 39 – Marca para Faculdade Católica de Salvador; 40 – Camisa para Bloco Ilê Aiyê; 41 – Anúncio para Salvador Convention Bureau; 42 – Cartaz para Casa de Cinema da Bahia; 43 – Marcas para Secretaria de Cultura e Turismo/Bahiatursa

Maria 15


Aspas

“Este é um caso em que Maria é João e João é inspiração, simplicidade, pertinência e empatia com os clientes e suas causas.” Bruno Silveira (Fundação Odebrecht)

“Falar de João Silva é fácil: talentoso, um dos melhores designers que conheci. Pensa estrategicamente, joga no meu time por isso. Não bastasse, é leal, bom caráter, qualidades hoje em dia, infelizmente, rarefeitas”. Fernando Barros (Propeg)

“João Silva representa o melhor da criação da Bahia. À frente da Maria Comunicação, ele tem me surpreendido pela facilidade do atendimento, de acesso ao cliente. Os trabalhos da Maria que nós produzimos só têm me dado alegria, porque têm o toque de genialidade do meu amigo João Silva”. Wesley Rangel (WR)

“Conheço muito o João Silva. João é um craque. Diretor de Arte de mão cheia, publicitário de cabeça cheia, João foi dos poucos de nós que resistiu aos apelos do Sul Maravilha. Ainda bem. Assim, ele consegue ter na Bahia uma agência de ponta. João poderia trabalhar onde quisesse. Para o seu bem, ele trabalha na Maria, ele trabalha na Bahia”. Sérgio Valente (DM9DDB)

“A Maria está completando 15 anos, idade da adolescência, mas, mostra que tem maturidade e conhecimento sobre os assuntos que envolvem o Brasil, sem violentar a cultura negra e sem se isentar da sua responsabilidade social. Mostra que tem ousadia, que sabe pensar em projetos grandiosos, inovando sempre e compreendendo o povo brasileiro e sua cultura.” Olívia Santana - Vereadora de Salvador

“O que me impressiona em João é a sua energia e a parceria profissional. Ele realmente aporta material criativo e sonha junto o sonho do cliente”. Geraldo Machado (Ex-Diretor Superintendente do Promo/BA)

16 Maria

“O trabalho e a criatividade de João Silva, ajudaram a construir a imagem gráfica e de símbolos do Olodum. É importante a criação de instituições com velocidade pra fazer coisas novas e singulares como a Maria. O Bando de Teatro Olodum é um dos grandes beneficiados do talento da Maria”. João Jorge (Olodum)

“A marca do Olodum é sem sombra de dúvidas a marca brasileira mais conhecida lá fora”. Paulo Gaudenzi (ExSecretário de Cultura e Turismo da Bahia).

“Quando Maria nasceu o que me deixou entusiasmado foi a escolha do nome da agência: Maria. Curioso, novo e revelador do talento do João, forjado na luta do dia-a-dia pela sobrevivência em busca da construção de uma marca e de um sonho. João e Maria ou Maria e João são vencedores e merecem todo o nosso respeito e admiração”. Sérgio Amado (Grupo Ogilvy no Brasil)

“João Silva é mais do que um dos melhores publicitários da Bahia, ele faz parte da família Ilê Aiyê e é um dos orgulhos da raça.” Vovô (Ilê Aiyê)

Maria 17


MIRAGEM

© MARIAGERUSA - WWW.MARIAGERUSAFOTOGRAFIA.COM.BR


Tecnologia

Mudança de Cultura

“Todo início de ano a gente traça objetivos. Eu preciso aperfeiçoar esse produto, preciso construir um novo que já sei qual é, e preciso descobrir um novo que nem sei o que é.” “A gente simplesmente deixou a máquina fazer o trabalho braçal.”

Arizona, a empresa que inaugurou o mercado de gestão de ativos de marketing no país, preconiza a integração inteligente das máquinas nas práticas de comunicação.

E

mpresa líder de mercado no país, com

© EDU MENDES

pelo menos o dobro do tamanho do

primeiro ano, de 96 para apenas 9, a quantidade de erros nesses impressos.

concorrente mais próximo. Dona de

Mais importante que os ganhos dos clientes é a mu-

uma carteira de clientes que inclui Na-

dança de conceito promovida pela Arizona. No novo

tura, Carrefour, Mitsubishi, Coca-Cola,

mundo vislumbrado pela empresa paulista, qualquer

Danone, Santander, dentre outros. É

investimento gera ativos que poderão ser geridos e uti-

com esse lastro que a arizona.com.br provoca mudan-

lizados no futuro.

ças radicais nos processos que envolvem comunica-

- O fotógrafo tira 20 fotos, aí o cliente usa uma, depois

ção e marketing no Brasil.

de um ano quem acha as outras 19? Nem o fotógrafo

O novo padrão para o mundo do marketing está rela-

guarda. Mas você gastou dinheiro para 20 fotos. O Carre-

cionado à colaboração, ao aproveitamento máximo de

four economizou 473 mil reais em desembolso com foto-

todos os ativos digitais (fotos; vídeos; áudios; layouts;

grafia no primeiro ano que a Arizona estava lá, comenta o

etc.); ao uso intensivo de tecnologia para a gestão des-

presidente da empresa.

ses ativos; e à qualificação da gestão através de com-

A robustez dos recursos economizados é, inclusive,

preensão holística dos processos de comunicação e

motivo de brincadeira para Hadade. “Os clientes falam

do seu acompanhamento.

que não dão todos os dados de economia para a gente

Através de uma plataforma Visto, que integra diver-

porque acham que a Arizona vai subir o preço. (risos) Se

sos serviços customizáveis (incluindo armazenamento,

eu fizesse um acordo deles me darem metade da eco-

customização de peças; pré-impressão; gestão de flu-

nomia, acho que ganharia o triplo do que a gente ganha

xos; etc.), a Arizona tem conseguido ganhos formidá-

hoje (mais risos).

veis para seus clientes. “A gente simplesmente deixou

O episódio da fotografia pode ser aplicado a

a máquina fazer o trabalho braçal”, diz o presidente da

todas as outras áreas relacionadas com o marke-

empresa, Marcus Hadade.

ting. A automação e a digitalização dos processos

Os números são impressionantes. “O Carrefour fazia

transforma a atividade de produzir um anúncio, por

700 páginas de tablóide por semana com 45 pessoas,

exemplo, em parte de um processo que gera ativos

hoje ele faz 1500 páginas por semana com 23 pesso-

para a companhia.

as”, relata Hadade. Além disso, usando as ferramentas

Dessa forma, fotografias viram bancos de imagens;

da Arizona, a rede de supermercados reduziu, já no

layouts viram templates; produtos viram ativos digitais.

20 Maria

Maria 21 Hadade | brincando na mesa de bilhar da sede da empresa


© EDU MENDES

Além da organização desses ativos, a Arizona dá aos clientes a possibilidade de uma gestão inteligen-

Coca-Cola pensa em Arizona. Arizona pensa em soluções

te dos processos de marketing. Todos os envolvidos

participam desses processos e é possível realizar cruzamentos de informações das atividades, com os resultados de cada cliente. - Antigamente, a Mitsubishi chegava para um conces-

A Coca-Cola é nosso cliente.

Ela contratou uma empresa fora do

sionário de Salvador e dizia: “Você precisa vender 30 car-

Brasil pra desenvolver uma solução

ros por mês”. Hoje não. Hoje ela vê o que ele faz e diz:

dela, pra ela usar mundialmente.

“Olha, o cara lá de São Luís do Maranhão, que é um mer-

O Brasil não só não usa, como

cado parecido, está fazendo isso e está vendendo mais.

contratou a Arizona.

Ou então está caindo a venda e não recomendo a você

Quando contratou a Arizona, Atlanta

fazer. Tem muito mais interesse de negócios do que uma

(a sede da empresa) questionou: Por

pressão por vender mais – conta Marcus Hadade.

quê vocês estão contratando algo que a gente tem próprio? Aí eles

Início

foram justificar o porquê. Porque a

Tudo começou quando a empresa passou a gerir

Arizona atendia e trazia muito mais

os arquivos da Natura. Como a demanda por fotos era

benefícios e melhorias do que a

constante, surgiu a figura carinhosamente cunhada por

solução própria que eles têm.

Hadade de “jpegman”.

É aquela velha história, Coca-Cola

- Naquela época, em 2003/ 2004, era tudo em CD/

pôs uma solução, ela é estática,

DVD. Esse rapaz ia lá, buscava o arquivo em nosso

ninguém tá pensando em melhorar,

acervo e depois mandava um jpeg para o cliente, por

em evoluir, tem aprendizado em

isso “jpegman”.

outros clientes, marketing. Tentou e

Por conta da quantidade de arquivos existentes, a

conseguiu a aprovação de Atlanta pra

gestão desses arquivos beirava o caos. “Aí a gente fa-

nos contratar.

lou: peraí, precisamos nos organizar, organizar o fluxo

É um exemplo real.”

entre agência e cliente. E isso virou uma baita oportuni-

Expansão | entrar nos EUA é meta da Arizona

dade de negócios”, conta Marcus Hadade.

Marcus Hadade

Nas palavras de seu presidente, “a Arizona é hoje uma – Eu quero até estudar o caso de vocês, porque ele

empresa que automatiza processos de marketing, fazendo a gestão dos ativos de marketing dos clientes”.

não conhecia, primeiro porque eu não sabia que exista

Como os serviços da Arizona participam da confecção e

uma empresa no Brasil que faz isso hoje e, dois, eu não

impressão dos catálogos da Natura, pergunto a Marcus

sabia que você tinha um modelo diferente do que o mun-

Hadade se eles também administram a solução de incluir

do faz hoje – disse o consultor.

nos impressos as fragrâncias da empresa de cosméticos.

- Você tem um excelente software de armazenamen-

A empresa, que possui quatro escritórios no Brasil, 214

- É impossível. Não somos nós, é a Natura, né? Mas a

to, excelentes softwares colaborativos, excelentes lo-

funcionários, e espera faturar entre 40 e 50 milhões em

gente tem que pensar nisso, tem que pensar em coisas

gísticas digitais de distribuição, uma série de verticais.

2010, tem no horizonte conquistar o mercado externo.

que são impensáveis. E é assim que a Arizona sempre

Só que você não tem ninguém na horizontal, vindo aqui

Trazer alunos de MBA do Massachusetts Institute of Tech-

cresceu. “Ah, mas isso não dá”. “Por que é que não dá?

desde o briefing, da estratégia da concepção até a aná-

nology e da Wharton School (Estados Unidos) para fazerem

Vamos tentar!” – conclui.

lise, passando pelo armazenamento, fluxo colaborativo,

estudos na empresa. Assim, agrega conhecimento estrangei-

distribuição; enfim, passando por todas as verticais e

ro e torna-se conhecida pelos profissionais do exterior.

Internacionalização Segundo o presidente da Arizona, executivos da

chegando aqui numa análise sobre retorno de investimento – diz Marcus Hadade.

Planeja também, comprar uma empresa norte-americana para entrar naquele mercado. “A gente pensou, já

empresa viajaram o mundo para conhecer soluções

Houve, inclusive, um consultor americano que pediu

que vamos gastar tempo e dinheiro, vamos pro país mais

parecidas às que ela oferece. “Não encontramos nada

para estudar a experiência da Arizona. Hadade repro-

difícil, vamos pros EUA. Mas sabemos que é um proces-

similar”, diz. E explica:

duz suas palavras.

so de médio e longo prazo”, explica.

22 Maria

SAIBA MAIS: www.arizona.com.br

Maria 23


Casos da Maria

Jacques Janine

A marca que não sai da cabeça do consumidor.

Q

© ARQUIVO / MARIA

uando a Maria foi chamada pelas empresárias Gisele Chalub e Eliane Dittebrandt, do

Centro de Estética Jacques Janine, o cenário era assustador. O faturamento da empresa caía em ritmo acelerado, enquanto a clientela mudava-se para outro salão na mesma rua. Uma antiga cliente havia aberto a nova loja e contratado os melhores profissionais do Jacques Janine, motivo da debandada dos fregueses. Gisele e Eliane estavam certas que uma campanha de TV na principal emissora do Estado, durante 30 dias, resgataria a clientela perdida. Entretanto, o que seria uma simples campanha de TV tornou-se uma ação bem mais ousada. Depois de estudar o caso, a Maria sugeriu às empresárias o treina-

Anúncio

mento imediato de outros dois pro-

muito bem humorados, defendiam

fissionais à altura dos que saíram.

o conceito de que “Frequentar o

Com a participação de Adriane Nunes e Mônica Moura, foi então pla-

24 Maria

Jacques Janine é in. Não frequentar é out”.

nejada uma campanha que associas-

“Eu não conheço ninguém que

se a marca, Jacques Janine, à quali-

goste de ser ‘out’”, comenta João

dade e diferenciação.

Silva, criador da campanha.

No lugar da campanha de

Além de mobilizar as pessoas

30 dias na TV, a agência prefe-

que não queriam ser vistas como

riu distribuir a mesma verba em

“out”, a campanha obteve outro ga-

12 meses para uma campanha

nho fundamental: o reconhecimento

de rádio, reforçada pelo apoio de

deixou de estar ligado a um ou outro

quatro quinzenas de outdoors ao

dos profissionais do Centro de Esté-

longo do ano.

tica e passou a ser um ativo da mar-

Os comerciais de rádio, sempre

Anúncio

Prêmio Top of Mind

Outdoor

ca Jacques Janine.

O resultado foi o sucesso absoluto. Além de recuperar os clientes

pelos profissionais do seu segmento, quanto pelo seu público.

antigos – seu objetivo inicial –, o

A campanha da Maria foi pre-

Jacques Janine conquistou e fide-

miada como o melhor material de rá-

lizou novos clientes.

dio da década; ganhou o IV Prêmio

Tanto que surgiu a necessida-

Fonograma e o cliente, as páginas

de da abertura de duas novas uni-

dos jornais e uma enorme visibilida-

dades na cidade. Nesse período, a

de em mídia gratuita e espontânea.

lucratividade da loja baiana só pode

O Jacques Janine venceu seis

ser comparada à unidade do Jac-

edições consecutivas do prêmio

ques Janine do Shopping Morumbi,

Top of Mind, na categoria Salão

em São Paulo.

de Beleza, uma prova de que sua

A marca Jacques Janine passou a ser respeitada e reconhecida tanto

Outdoor

Durante nossa longa parceria, a Maria nos ajudou a consolidar nossa marca, o que se refletiu na premiação do Top of Mind por anos consecutivos. Nosso relacionamento sempre foi além do comercial e a Maria passou a fazer parte da nossa família”. Eliane Dittebrandt - diretora do Jacques Janine.

marca foi definitivamente fixada na mente do consumidor.

Anúncio

Maria 25


Pensar o novo!

“Maria, sai da lata!” O velho slogan do óleo Maria me vem fácil à cabeça, quando recebo o pedido de meus amigos da Maria para escrever sobre comunicação.

E

u era pequeno quando mi-

quele sentimento que o consumidor

nha mãe trazia para casa

tem no mais fundo de seu coração e

aquela lata de óleo, que

que só os mais talentosos profissio-

não era uma lata de óleo

nais sabem perceber e traduzir.

qualquer, mas que, estimulada pela

O que vemos hoje e veremos no

propaganda do tubo mágico das TV´s

futuro é a busca, cada vez mais difícil

de válvulas, tinha uma outra vida, uma

de criar valores relevantes para o con-

outra leitura, um outro significado. Pois

sumidor, de forma que ele se sinta gra-

de todas as latas de óleo que existiam,

tificado e disposto a retransmitir estes

uma, e apenas uma, tinha uma Maria

valores em suas redes sociais, digitais

que podia, a qualquer momento, sair

ou do mundo físico. Falamos de uma

da lata, sabe-se lá para que, mas com

“moeda social”, cunhada nas propostas

toda certeza para ajudar minha mãe a

de comunicação das marcas e que se

fazer as deliciosas refeições com que

tranforma em valor de troca para o con-

nos encantava todos os dias.

sumidor. E à medida que a transmitem,

Sem nem pensar no que estava

transmitem também os valores associa-

acontecendo, eu simplesmente rea-

dos às marcas e produtos anunciantes.

gia a uma estratégia de comunicação

Sem maiores segredos: comuni-

que os velhos publicitários da época

cação fundada na cultura popular,

elaboraram, criaram e produziram tão

no consciente e inconsciente coletivo

bem, que resiste até hoje.

das paixões que são relevantes para

Por isso, muito antes de João

as pessoas; informação útil e hones-

criar a Maria, a receita já estava pron-

ta; criação e produção desta mensa-

ta: vamos contar uma boa história e

gem com criatividade e talento; uso

associá-la a uma marca. Depois, é só

de suportes e pontos de contato re-

criar os comerciais, anúncios, spots,

levantes para o consumidor.

sites e cartazes. Tanto para a Maria da lata e a da agência, existe uma proposta de co-

Segredos que as Marias e Joões de todos os tempos sabem como usar. E continuarão sabendo.

municação que prescinde de plataformas, revoluções digitais, tecnologias e modismos: falar ao coração, excitar a imaginação e promover o diálogo baseado nos valores culturais e na-

EMMANUEL PUBLIO DIAS, DIRETOR DE ASSUNTOS CORPORATIVOS DA

ESCOLA SUPERIOR DE PROPAGANDA E MARKETING (ESPM)

26 Maria

Salvador 3HOPPING "ARRA    s 3HOPPING )GUATEMI   


AMANHECENDO - RIO PARAGUAÇU

© ADENOR GONDIM - WWW.APENASBAHIA.BLOGGER.COM.BR


Empreendedorismo

Capoeira regional Em outro espaço de Salvador, Edson Luiz Ribeiro dos Santos, o Mestre Trovão, repassa conhecimentos de capoeira regional - eternizada por Mestre Bimba – a crianças, jovens e adultos. Vários deles, em oficinas que chegam a ter 50 participantes, se interessam pelos segredos da arte

No ritmo do berimbau

S

A capoeira está se transformando numa alternativa de renda em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). O município ganhou o Polo de Capoeira, na forma de cooperativa, que já resultou na criação de loja temática em moda esportiva

de fabricar berimbau. Por dia, nas

e de praia - inspirada nos trajes

aulas, são produzidos cerca de sete

dos capoeiristas -, e na Orquestra

instrumentos. O preço do berimbau,

de Berimbaus. Uma novidade é a

acompanhado de baqueta e caxixi,

pesquisa de um perfume com a

oscila entre R$ 40,00 e R$ 50,00. A

essência extraída da biriba, madeira

vendagem ajuda a complementar a

usada no fabrico do instrumento.

renda dos fabricantes.

O superintendente de Promoção da

O ideal para a tonalidade adequa-

Igualdade Racial de Lauro de Freitas,

da do berimbau é medir sete pal-

Eriosvaldo Menezes, informa que dos

mos. “Não basta só formar o arco-

cerca de quatro mil capoeiristas do

íris. A afinação também depende da

município, 2.800 estão cadastrados

cabaça. E a de tamanho médio é a melhor”, ensina mestre Trovão. As oficinas constam de aulas teórica e prática sobre afinação e toques, sequência de movimentos, treinamento de charanga (um berimbau e

Símbolo baiano, instrumento une tradição e musicalidade

Alternativa de renda

na prefeitura - e 50% deles participam do Polo de Capoeira. Inaugurada em setembro de 2006, a loja temática deixou de funcionar no Complexo Hoteleiro Costa do Sauípe, primeiro endereço. Reabre, em dezembro deste ano, no Centro de Referência da

dois pandeiros), quadras e corridos

Cultura Afro-Brasileira, a ser instalado

(cânticos), fabricação de berimbau,

no Terminal Turístico Mãe Mirinha de

pandeiro e caxixi.

Portão, final de linha do bairro.

© JOÃO RAIMUNDO DECOM, L.F

alvador

tem

in-

contáveis cartões-

roda de capoeira, um dos mais fortes símbolos da cultura afro-brasileira.

Em outro box, instalado à esquerda, as turistas e irmãs Elisa Souza

© GRAÇA FILADELFO

A Prefeitura de Lauro de Freitas e o Serviço Brasileiro de Apoio

Variedade | no Mercado Modelo, diversos tamanhos e cores

às Micro e Pequenas Empresas

postais. Desenha-

No Mercado Modelo (Cidade Baixa),

Pinto, do Rio de Janeiro, e Lúcia

(Sebrae) apoiaram a organização

dos pela natureza

os berimbaus logo atraem o turista. De

Martins, moradora de João Pessoa,

da cadeia produtiva. O Sebrae Bahia

ou

de

R$ 5,00 a R$ 30,00, os vendedores

compravam berimbau numa quarta-

traços arquitetôni-

oferecem desde instrumentos peque-

feira ensolarada de maio. Elas obser-

cos, o Elevador Lacerda, o Merca-

nos - para crianças - até os adequados

vavam a demonstração do vendedor

do Modelo, o Porto da Barra, a Lagoa

a profissionais. O vendedor Miguel Dal-

Osmar dos Santos, Mestre Marzi-

do Abaeté, o Pelourinho, o Forte São

tro trabalha no box à direita da entra-

nho, de uma família de capoeiristas.

Marcelo e seculares igrejas, espalham

da principal, há mais de 20 anos. “Se

O propósito de Elisa era levar dois

a fama da cidade emoldurada pela

o freguês quiser também levar a capa

berimbaus para os netos cariocas

Baía de Todos os Santos. Mas quem

do berimbau, o valor passa para R$

que fazem capoeira. Segundo Mar-

empreendedor individual tem direito

chega a Salvador também é seduzido

50,00”, informa. Ele lembra que a maior

zinho, os instrumentos vendidos ali

ao Cadastro Nacional de Pessoa

por outro ícone emblemático: o berim-

parte dos berimbaus é procedente de

são produzidos pelo pai, Mestre Ola-

Jurídica (CNPJ) e aos benefícios da

bau, instrumento de rica sonoridade

fábricas do município de Simões Filho

vo Paixão dos Santos, no bairro de

Previdência Social.

que impulsiona os giros e saltos na

e da área suburbana da capital.

Santa Mônica/ IAPI.

30 Maria

nascidos

©

desenvolveu o treinamento para formar a cooperativa de instrutores de capoeira e fabricantes de berimbau. Agora a instituição divulga, junto ao segmento, a possibilidade desses profissionais se tornarem empreendedores individuais. Quem se registra na condição de

Maria 31


© DIVULGAÇÃO

Lourimbau, eterno artesão

©

Ciência | fabricação depende de um jeito especial.

Ele sempre resistiu em participar da roda de capoeira. Seu maior interesse era fazer berimbau e descobrir sons. Da dedicação ganhou o nome de guerra, que incorpora parte da denominação do instrumento. Lourival Santos Araújo – Mestre Lourimbau – tem 61 anos. Ainda produz berimbau, mas ensina a arte agora apenas quando recebe algum pedido. Ele une ao dom de artesão o talento de músico, compositor e cantor.

anos atrás, no Teatro Vila Velha, o primeiro ano de atividades da Maria Comunicação.

Por onde anda, no Brasil ou exterior, Lourimbau leva o instrumento. E vende. Já tocou no Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Alemanha, Suíça... Personagem emblemático, autodidata, tocou o instrumento com a desenvoltura de sempre na festa que comemorou, 14

De 1982 a 1994, Lourimbau teve atelier no Forte de Santo Antônio Além do Carmo, onde ensinava a turmas, em geral, de 25 alunos. Hoje o espaço das aulas é a casa do cliente. Às vezes a pessoa quer saber como fazer um berimbau. Em outras, o desejo é aprender a tocar.

Lourimbau conta que fez o primeiro berimbau quando tinha 10 anos e nunca abandonou o trabalho de artesão. O mestre tem condição de fazer, em média, dez instrumentos por semana. O preço varia de R$ 25,00 (mais simples) a R$ 250,00 (com melhor acabamento, incluindo verniz).

© ABIMAEL

Fusão | força, equílibrio e ritmo no centro da roda. Sedução | berimbau encanta turistas e baianos famosos como o cantor Tonho Matéria

32 Maria

VÁ AO VILA, VELHO. Av. Sete de Setembro, Passeio Público - Campo Grande , s/n - Salvador - Bahia - Tel: 71 3083.4600 - www.teatrovilavelha.com.br


MATRIZES

© SÉRGIO GUERRA - SGUERRA@MAIANGA.COM.BR


Perfil

Espelho de Brasília Ele é o grande nome da noite de Brasília. Dono de dez empreendimentos na capital federal, frequentados pelos políticos e empresários mais poderosos do país, Jorge Ferreira esbanja uma simplicidade incomum. E sabe disso.

S

© DIVULGAÇÃO

ou um empresário que tem 550 funcionários e não tem escritório. Meu escritório é nos bares. Eu não tenho secretária. Minha secretária é o celular, entendeu? E eu despachava muito lá no Feitiço, debaixo de uma árvore, porque sou um

empresário atípico – diz. Nossa conversa, portanto, acontece num de seus “es-

critórios”, mais precisamente no Mercado Municipal , talvez a maior “jóia” da coleção do empresário. Inaugurada em 2006, a casa é inspirada no Les Halle

© DI SOUTO

Caçula | Bar do Ferreira é destaque do shopping Quê, lançado pela Maria, em Águas Claras (DF)

de Paris e em outros mercados do país, onde se vende de tudo e, à noite, a boêmia se reúne. Goza do charmoso paradoxo de chamar-se “Mercado Municipal” no único local do país onde não existem municípios.

grande amigo do empresário-artista e responsável por

tem cem, duzentas pessoas dependendo de mim.

cerca de metade das marcas dos bares e restaurantes

Para “sobreviver”, Jorge Ferreira abre, em 1989, o Feitiço Mineiro. Era a época da primeira eleição presiden-

de Jorge. “Ziraldo é um grande amigo, muito presente na minha vida”, diz.

- Isso aqui é uma obra de arte – o primeiro no mundo,

cial direta após a ditadura, e logo o “Feitiço” tornou-se

Fundador do PT e da CUT quando ainda morava em Juiz

acho, a ter um dono só. Eu trouxe 40 toneladas de grades

um ponto de encontro de artistas, intelectuais e políticos

de Fora, Jorge Ferreira também tem um grande leque de ami-

antigas, revitalizei as coisas todas, fiz um pé direito altís-

de esquerda. “Não posso falar do meu empreendimento

gos na política, especialmente no campo da esquerda.

simo... O mercado é todo dia. Me emociona porque virou

sem esse caldo cultural”, comenta.

um ponto turístico da cidade. Eu não imaginava isso.

Tanto que a posse de Lula foi comemorada pelo grupo

No pequeno palco do restaurante, apresentaram-se

de José Dirceu no Bar Brasília, outro dos estabelecimen-

Logo depois de declarar-se ao Mercado, Jorge co-

nomes como Francis Hime, João Bosco, Beto Guedes,

tos de Ferreira. “Eu nunca vi Brasília com tanta festa; era

menta que está triste, pois um garçom acabara de que-

Lô Borges, Nelson Sargento e Dona Ivone Lara. Foi lá que

operário, o bar todo cantando... Esse foi um momento

brar um vitral de mais de 100 anos. “Vou ter que restau-

aconteceu o último show de Baden Powell no Brasil – faz

muito marcante”, lembra.

rar”, comenta, balançando a cabeça.

questão de lembrar um emocionado Jorge Ferreira.

De repente, empresário Ferreira conta que só se tornou empresário “pela incompreensão da burguesia”. Explica:

36 Maria

de sobrevivência. Eu me achei empresário e, de repente,

Nas mesas – literalmente – do Feitiço Mineiro foi escrita

O dono da noite brasiliense também é amigo do presidente Lula há mais de 20 anos. Aliás, de Lula.

e editada durante 12 anos a revista literária “Tira Prosa”,

- Agora ele virou presidente. Presidente não tem ami-

que chegou a ser considerada uma das três melhores re-

go. Mas as oportunidades que a gente tem de se en-

vistas culturais do país.

contrar, é uma coisa muito carinhosa, era uma vida muito

- Onde eu trabalhava, eu fazia greve, aquelas coisas, e

Entre um chope e outro, escreviam na revista 13

eu sempre era demitido. Então a burguesia não me queria

pessoas, entre elas, além do próprio Jorge Ferreira, no-

Entretanto, engana-se quem acredita que a proximi-

como trabalhador, né? Aí eu tive que arrumar uma forma

mes como Val Santana, Jaguar e Ziraldo. Este último,

dade com os poderosos favorece de alguma forma os

junta antes dele ser presidente – diz.

Maria 37 Ferreira | a simpatia faz as honras da casa


empreendimentos de Jorge Ferreira. “Eu tenho uma van-

Num bar de Natal O espaguete não serve meio, só inteiro. E o amor, como será? No meu bar é ao dente.

tagem muito grande: eu nunca vendi nada pra governo, não vivo do governo, não tenho nada com o governo”, afirma, enfaticamente, o empresário. Seu mais recente empreendimento é o Bar do Ferreira, no Shopping Quê (Águas Claras/DF), cuja nome, marca e lançamento foram responsabilidade da Maria Comunicação. Ao saber disso, Ferreira reaje: - E esse canalha do João Silva até hoje não foi lá! Fiz um bar maravilhoso, à altura do nome que ele pensou para o Shopping. É uma mistura do Armazém com o Bar Brasília. E fiz uma torteria lá também, retomando a raiz italiana de minha mulher. © DI SOUTO

Origem | a aventura de Jorge começou pelo Feitiço Mineiro

Brasília

Poema do livro “Fazimento”

Embora tantas personalidades frequentem seu circuito gastronômico, Ferreira gosta sempre de lembrar que os

são representativos, porque traduzem a alma do brasi-

parecido com aquele (referindo-se ao êxito do go-

bares e restaurantes que administra são feitos para o pú-

liense, que é uma alma universal. O brasiliense não é pau-

verno Lula).

blico de Brasília.

lista, não é carioca, não é do Piauí, ele não é do Amapá,

- Fiz o bar, na verdade, pra Brasília. Não fiz pro político

o brasiliense está se formando – diz.

Como este mineiro da pequena Cruzília foi morar lá? Perseguindo um grande amor. “Algumas pessoas

CASAS DE JORGE FERREIRA Bar do Ferreira: Shopping Quê - Águas

que frequenta Brasília. Eu sempre falo o seguinte, que a

Para Jorge, é preciso dissociar a ideia de foco da cor-

chegam a Brasília porque o pai foi transferido pra cá,

cidade primeiro tem que ser boa pro morador e não pro

rupção nacional da imagem de Brasília. “Brasília não pode

por razões de trabalho, por razões de arquitetura, ou

Claras, Tel: (61) 3042-5585

turista. Todos os meus bares foram feitos para essas pes-

ser penalizada como se fosse a síntese do mal”, opina.

por qualquer motivo né? Eu não, eu vim por amor”,

Tratoria Peluso: Ac rua 36 norte lote 5

afirma, orgulhoso.

bloco 06 loja 36/37 - Águas Claras

Para definir a capital do país, Ferreira evoca novamen-

soas que gostam de morar aqui – afirma. Ferreira usa uma expressão de Darcy Ribeiro, “fazimento”

te Darcy Ribeiro.

O motivo de tamanha devoção é a esposa Denise,

– o fazer com sentimento –, para caracterizar a relação entre

- O Darcy Ribeiro dizia que tinha Brasília como

com quem é casado há 25 anos e tem três filhos, todos

Armazém do Ferreira: SCLN 202 - Bloco A -

seu trabalho e os moradores da capital federal. “Fazimento”é

se fosse um espelho quebrado, refletindo várias ima-

brasilienses. “Para mim, três coisas fundamentais mo-

Loja 1 - Brasília, DF - Tel: (61) 3327-8342/ 0167

também o nome do livro de contos e poemas que o empre-

gens e que com o tempo ia se juntando. Eu acho que

vem a vida de uma pessoa: trabalho, família e amigos. O

Pizzaria Gordeixo: CLN 306 Bloco B, Lojas

sário lançou em 2009, quando completou 50 anos.

entrei nesse momento, na montagem desse espelho.

resto, eu não me preocupo”, assegura.

13/29 - Asa Norte - Brasília/DF - Tel: (61)

- Foi nesse “fazimento” que eu fui compreendendo a

Brasília foi a grande epopéia do povo brasileiro. E

Empresário, militante, marido, poeta. Jorge Ferreira

cidade, e por isso que eu acho os meus bares são cheios,

acho que agora nós vivemos um grande momento

faz realmente com que todos se sintam em casa. “Minei-

Momento de repensar, refletir, tomar rumos!

João (Silva) foi amor à primeira vista. Eu fiquei impressionado como é que uma pessoa pode ter tanta criatividade com tanta energia. Inclusive no primeiro contato que tive com ele, terminei me despedindo: “Ô, João, você é um gênio!’. Eu fico muito feliz desses 15 anos da Maria, por ter sobrevivido a esse mercado competitivo e essa figura ter mantido uma marca tão forte que é hoje a Maria no Brasil, com presenças que foram marcantes na história brasileira,

38 Maria

ro mantém essa coisa ampla de mundo, da conversa, da

Bar Brahma: 201 Sul, bloco C, loja 33, Asa

conciliação”, justifica.

Sul - Brasília – DF, Tel: (61) 3224-9313

E a nossa conversa acaba porque a “secretária” de Jorge toca. Do outro lado da linha, a esposa de um mi-

com marcas - até discordando ideologicamente -, mas aquela marca do Collor é genial né, foi criada por ele.

será sem dúvida nenhuma, uma legenda pro publicitário brasileiro, pela criatividade e pela seriedade com que ele trabalha.

Eu acho que é muito bom pro João fazer 15 anos, porque é um momento de repensar, refletir, de tomar rumos. Acho que o João agora tá num momento bom da vida dele, de definir com a sua criatividade e sua personalidade o que é que será a Maria nos próximos 15 anos.

Como eu sou contador de casos, tem uma história do João que já virou um “causo” meu. Ele já tá puto comigo, porque conto tudo diferente (risos). É sobre um anúncio que ele fez na Copa de 1986, quando o Duda Mendonça era chefe dele. Eu já tô contando até melhor do que ele!”

Agora cabe a ele definir esse outro passo, e eu acho que o João

Jorge Ferreira

3273-8525

Mercado Municipal: W3 Sul, Quadra 509, Brasília, DF, Tel: (61) 3442-4500

nistro quer saber qual dos bares vai estar mais animado para a comemoração do aniversário do marido. Enquanto Ferreira disserta calmamente sobre as atrações

Feitiço Mineiro: CLN 306, Bloco B, Lojas 45/51, Brasília, DF,

da noite em seus bares, José Oscar

Tel: (61) 3272-3032

Pelúcio, seu sogro (que acompanhou

Bar Brasília: 506 Sul, Bloco A, Brasília, DF,

boa parte da entrevista), comenta: “ele não quer isso, mas poderia se

Tel: (61) 3443-4323

candidatar para depu-

Bar do Brasil: 202 Norte, Bloco A, Loja 21,

tado que ganhava fá-

Brasília, DF, Tel: (61) 3327-8342

cil. Tem gente demais que gosta dele. E de todos os partidos”.

Chopp Brahma Express: 306 Sul, Bloco, A Loja 2, Brasília, DF, Tel: (61) 3442-4677

Maria 39


Casos da Maria

Governo da Bahia Contra a febre aftosa, os bois invadem a cidade.

B

©

asta a ocorrência de um caso de febre aftosa para

destres, reconhecida por eles como um mata-burro.

que toda uma região seja

Apesar de toda a dificuldade, o

penalizada com enormes

filme foi um sucesso.

prejuízos aos pecuaristas e à econo-

A campanha foi apoiada num ar-

mia dos Estados produtores e ex-

rojado plano de mídia, com anúncios

portadores de animais, carne, leite e

nos principais jornais da capital e do

produtos derivados.

interior, outdoors, busdoors, spots

Em 2001, a Bahia obteve a Cer-

nas rádios de maior alcance e nas

tificação de Zona Livre da Aftosa

rádios comunitárias, carros de som,

com Vacinação. Dois anos mais tar-

internet, lembretes em contas de luz

de, o índice de vacinação no Estado

e extratos do Banco do Brasil, carta-

chegou a 93% do rebanho.

zes e panfletos.

Entretanto, era necessária a

O esforço de comunicação ga-

imunização regular de todo o re-

nhou cobertura da imprensa e uniu

banho. Uma tarefa difícil, especial-

todo o mundo rural em torno do

mente a de superar as resistências

mesmo objetivo.

dos pequenos produtores, que não

O acerto na escolha da estraté-

tinham a cultura da vacinação, di-

gia ficou evidente logo nos primeiros

nheiro para comprar as vacinas nem

resultados. Após a primeira cam-

eram alcançados e sensibilizados

panha, o índice de vacinação subiu

pela comunicação.

para 95%. E, apesar da ocorrência

Quando, em 2004, a Maria assumiu as campanhas de vacina-

Pedro Barbosa – Ex-Secretário da Agricultura da Bahia.

a Bahia intensificou suas campanhas

vizinhos da sua propriedade”, con-

ficava verde para o boi vacinado”,

belecida. “A gente percebeu que

ta João Silva.

explica João.

A produção teve ainda que, literalmente,

e manteve os criadores mobilizados,

enxugar o asfalto por

chegando a 97% de cobertura vaci-

boa parte dos produtores rurais

Essa constatação gerou a

Para fazer o filme, dezenas de

conta da chuva e “convencer” os

nal em 2007, garantindo a certifica-

está nos grandes centros, e não

ideia de fazer um filme de TV com

bois nelore foram trazidos de Feira

animais a passarem pela faixa de pe-

ção de Zona Livre da Febre Aftosa.

estão na zona rural. E são eles que

bois parando uma grande avenida

de Santana para Salvador e foi ne-

dão o tom da vacinação. Quando

da cidade. “Fizemos a boiada pas-

cessário construir um curral em ple-

o grande produtor está envolvido,

sar exatamente na faixa de pedes-

no bairro do comércio, para que os

ele influencia o pequeno e médio,

tres. Os carros paravam e o sinal

bois pudessem descansar.

40 Maria

A Maria mostrou que competência e criatividade é o que faz a diferença num mercado tão competitivo”.

da doença no Mato Grosso do Sul,

Making-of da filmagem

ção, uma nova estratégia foi esta-

FIlme 30’

Outdoor

Maria 41


Pensar o novo!

O Brasil mestiço: do mito à utopia

E

SAIBA MAIS:

“O Brasil com o qual sonhamos é mesmo um Brasil com brancos de um lado e negros do outro?”

A Utopia Brasileira e os Movimentos Negros Antônio Risério EDITORA 34 (440

lor talvez não seja mesmo o melhor

afro-americanos, esse percentual

caminho para combater o racismo

sobe para 24,7%. Os casamentos

ou a desigualdade racial. Primei-

interétnicos no Brasil atingem uma

militantes comprometidos com a cau-

ramente, como diz o intelectual e

taxa de apenas 20% do total de ca-

tifundiária. Porém, em sentido contrá-

sa negra, eleger a mestiçagem como

militante negro Paul Gilroy, usar o

samentos contraídos na população.

ciais para ingresso nas universidades

rio à separação, à violência e à exclu-

valor nacional é um discurso bonito,

conceito de raça para combater o

Nos Estados Unidos, essa taxa é de

públicas. Trata-se do exemplo mais

são, ter-se-iam forjado, no cotidiano

mas na prática, não só invisibiliza o

racismo serve para dar sobrevida ao

apenas 2%.

conhecido e polêmico das políticas

promíscuo da casa-grande, hábitos,

preconceito racial, como dificulta

paradigma que divide a humanidade

Assim, a reflexão que se levanta

de ação afirmativa, que vêm sendo

valores, crenças e sensibilidades mis-

a articulação de ações efetivas de

em categorias essenciais, conforme

é de ordem estratégica: por que, ao

implementadas no Brasil, em escala

turados, vitalmente contaminados e

combate ao mesmo e de promoção

a cor da pele. Depois, a opção por

invés de procurar espelhamento em

crescente, ao longo da última déca-

impuros. Essa tendência para a im-

de uma maior igualdade social entre

um modelo estrangeiro de combate

um modelo que não solucionou o

da. O tema é estratégico justamente

pureza é o que caracteriza o Brasil

as raças. Do ponto de vista histórico,

ao racismo é complicada, justamen-

racismo e as desigualdade raciais,

porque no fundo diz respeito a nosso

mais profundamente, de acordo com

não deixam de ter razão. Aliás, não

te porque tenta ignorar especificida-

o Brasil não procura, dentro de sua

projeto de nação. Em texto publicado

a interpretação de Gilberto Freyre.

creio que qualquer dos intelectuais

des das relações raciais no Brasil:

própria tradição, formas criativas

recentemente, defendo o argumento

Tudo muito próximo ao ideário antro-

e artistas modernistas citados acima

na prática, como separar o que está

para resolver um problema que pa-

de que um mito nacional se desen-

pofágico, como muito bem apontou o

fosse ingênuo ou cínico o suficiente

misturado, não só biológica, como

rece incomodar os brasileiros em

volveu e se tornou dominante, no

mestre José Guilherme Merquior.

para negar a existência do precon-

social e culturalmente?

geral? Todos desejamos uma nação

ste ano, o Supremo Tri-

sa, assim como a economia assen-

Brasil contemporâneo ainda opera.

bunal Federal deve emitir

tou suas bases sobre os horrores do

No entanto, alegam intelectuais e

pronunciamento definidor

trabalho escravo e da monocultura la-

a respeito das cotas ra-

PÁGINAS)

A Modernidade nos Trópicos: Gilberto Freyre e os Debate em Torno do Nacional Valéria Torres da Costa e Silva CARPE DIEM EDIÇÕES (422 PÁGINAS)

E

PRODUÇÕES

Brasil, entre os anos 1920 e o fim da

Felizmente, Gilberto Freyre, Mário

ceito racial no Brasil. Do mesmo

Por fim, se ao menos se pudes-

mais justa. Mas o Brasil com o qual

Ditadura de Getúlio Vargas, em 1945.

de Andrade e parte da trupe moder-

modo, não podem ser simplesmente

se constatar o sucesso estrondoso

sonhamos é mesmo um Brasil com

Esse mito centrou-se na ideia de uma

nista, que, inclusive, assumiu postos

tachados de conservadores, elitistas

do modelo americano de combate

brancos de um lado e negros do ou-

miscigenação inicial de portugueses,

de comando da política cultural na-

ou racistas, os intelectuais que con-

às desigualdades raciais, valeria a

tro? Creio que o Brasil pode escolher

índios e africanos, para se tornar, ao

cionalizante da Era Vargas (dentre os

temporaneamente se posicionam de

pena reproduzí-lo. No entanto, a

entre acompanhar o ritmo e assumir

Meu Tempo é Agora

longo dos anos, uma asserção bem

quais, citem-se Villa-Lobos, Carlos

maneira crítica quanto às políticas

sociedade americana está longe de

a agenda da globalização planejada

Mãe Stella de Oxossi

mais genérica sobre a habilidade da

Drummond de Andrade e Rodrigo

de ação afirmativa. A questão le-

ser um protótipo de igualdade racial.

por outros, ou pode abraçar o legado

cultura brasileira, para a assimilação e

Melo Franco de Andrade, além do

vantada pelos críticos da ação afir-

Boa parte da população afro-ameri-

da mestiçagem, da plasticidade, da

EDITORA EMPRESA GRÁFICA DA BAHIA (182 PÁGINAS)

a integração de todo tipo de diferença.

próprio Mário), ganharam o embate

mativa é outra, é séria e precisa ser

cana vive em guetos que se formam

antropofagia, não como mito, mas

Na construção desse mito nacional,

entre as várias ideologias que nos

honestamente debatida: recuperar a

nas principais cidades do país. Em

como caminho para a realização de

Gilberto Freyre participou tanto quanto

anos 1930 concorriam pela definição

noção de raça e escolher o caminho

sua ampla maioria eles moram nas

uma utopia de fraternidade.

os grandes e celebrados modernistas,

do que o Brasil havia sido, do que era

da oposição entre brancos e pretos,

casas mais pobres e estudam nas

Mário e Oswald de Andrade.

e do que deveria vir a ser. Graças a

adotado alhures, é mesmo a melhor

piores escolas, e por isso mesmo

VALÉRIA TORRES DA COSTA SILVA,

Na interpretação gilbertiana do

eles, vingou um projeto cultural de

solução para resolver o problema do

têm muito mais dificuldade de che-

MESTRE EM ANTROPOLOGIA SOCIAL E COLÍDER

Brasil, a força democratizante não é,

nação não-branco e não-europeu,

preconceito racial no Brasil?

gar à universidade. De acordo com

DO

obviamente, política, mas cultural. A

que elegeu como valores centrais: o

São vários os argumentos que

os dados do Censo de 2004, 12,7%

MINALIDADE,

vida política brasileira foi fundada pelo

mestiço e o potencial de plasticidade/

nos sugerem cautela e prudência.

da população americana vive abai-

DE

arbítrio de minúscula elite portugue-

antropofagia. É com esse mito que o

Abrir mão da mestiçagem como va-

xo da linha de pobreza. Entre os

PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIOLOGIA DA UFPE.

42 Maria

NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM CRIVIOLÊNCIA

E

POLÍTICAS PÚBLICAS

SEGURANÇA (NEPS),

DO

PROGRAMA

DE

Aqui ninguém é branco Liv Sovik EDITORA AEROPLANO (176

PÁGINAS)

Maria 43


44 Maria

Maria 45 CARDUME

DE

QUATINGAS

NOS RECIFES DO

PARCEL

DOS

ABROLHOS

© PEDRO MEIRELLES - WWW.PEDROMEIRELLES.COM


Entrevista

“O que o cliente precisa é de uma boa estratégia” Em entrevista, o publicitário baiano João Silva fala de sua trajetória no mundo da propaganda, foca seu entusiasmo à frente da Maria Comunicação – empresa que criou há 15 anos –, relembra histórias do passado e revela suas maiores expectativas em relação ao futuro.

46 Maria

Maria 47


a agência no mercado baiano e

Tem uma característica muito

depois no brasileiro?

presente nos trabalhos da Maria, que é essa perenidade, a possibi-

JS - Nós não tivemos nenhuma estratégia pré concebida. A gente

lidade das coisas serem usadas e

imaginava que havia possibilidade

reutilizadas. Por quê? JS - Eu convivi com muitos pro-

de transformar pequenas verbas em Lembrança | trajetória da Maria reconstituida

grandes resultados. Sabíamos que

fissionais talentosos e tive a sorte de

as agências do mercado não teriam

trabalhar com os melhores do Brasil

interesse, ou não teriam como

em um mercado, que é a Bahia, onde

Como foi sua trajetória no mundo da publicidade

que poderia, com isso, ter um

atender essa faixa de mercado, com

você tinha que fazer a coisa aconte-

antes da Maria?

diferencial. Como já me conhe-

a mesma agilidade. Sabíamos que

cer. Não tem coisa pior pra mim, não

ciam, todos tinham interesse

poderíamos oferecer um trabalho

tem investimento mais jogado fora

em trabalhar comigo, porque o

com qualidade, com know-how,

do que um anunciante colocar uma

eu fui pra D&E, que era um resultado da fusão entre

que a gente fazia normalmente

por um custo mais acessível, já que

puta grana na mão de uma agência,

a Divisão e a Engenho. Entrei para a Propeg no ano

dava certo, gerava muita mídia

nossa estrutura era enxuta.

ela ir lá fazer um anúncio bonitinho

em que nós ganhamos três medalhas de ouro do

espontânea. Nós conseguimos

prêmio “Colunistas Nacional”. Foi uma premiação

fazer campanhas, transformar em

importante: essas foram as únicas medalhas de ouro

anunciante muita gente que não

propaganda tem que ter a capacida-

que alguém ganhou fora do eixo Rio e São Paulo.

poderia ser anunciante e muito

de de agregar valor à marca.

Saí da Propeg e fui pra DM9, onde eu conheci Duda

menos estar usando fornecedo-

(Mendonça). Da DM9 eu voltei pra D&E, que, depois,

res de primeira linha. E tivemos

fundiu-se com a DM9 e virou DS2000, onde, depois

muita sorte, os primeiros clientes

de dois anos, eu me tornei um dos sócios. Em 1995,

foram: o Teatro Vila Velha (que

saí para fazer a Maria.

renascia com o espetáculo Zumbi

João Silva - Eu comecei na Engenho, que nessa época ainda não se chamava Engenho Novo. Depois

© ISABEL GOUVÊA

“A melhor marca é a que vou fazer amanhã”

Top dos Tops de Marketing | Comemoração com Dinha e Kátia Silveira

e no dia seguinte não tem ninguém 1

que lembra quem era o anunciante. A

Colunistas Nacional | Premiação em Recife

dos Palmares), o Jacques JaniComo nasceu a Maria? Quem foram os primeiros

ne, Promoexport, Refrigerante

parceiros, onde é que ficava, como era a Maria,

Fricote, o shopping Top Mall e o

qual era a sua estrutura nesse início?

Hospital Anchieta em Brasília.

JS - A Maria começou numa salinha lá no Edifício

48 Maria

Joventino Silva, no Itaigara, e os primeiros parceiros

Depois desses primeiros passos

da Maria foram os fornecedores e veículos do mer-

projetando a Maria na cidade,

cado. Eu tentei me cercar dos melhores. Acreditava

o que foi feito para consolidar

Vila | Márcio Meirelles recebe artistas como Daniela Mercury

1 - Cartaz para o Teatro Vila Velha

Maria 49


países distintos e aquela batida do

Vender mais e ter a sua marca no coração do consumidor é o desafio.

Olodum me marcando.... Depois ainda fui a Manaus, gravar o lançamento do Amazonas Shopping Center. Quando eu cheguei a Salvador, recebi a notícia que um membro do Olodum havia sido baleado por um policial no Pelourinho. O Olodum foi em peso pra frente da Secretaria de Segurança Pública, em Salvador, espalhou todos os tambores e os músicos ficaram agachados, com a cabeça baixa, em dia de tráfego normal... aquele mar de tambores. Quando eu vi a foto e o protesto silencioso eu tive a certeza de que o Olodum precisava de um símbolo da paz. Na hora me veio a cabeça o símbolo de paz e amor do festival de Woodstock, nos anos 60. Pensei: Já o que o Olodum tá indo pra uma

Dasafio | melhor marca será feita amanhã

Quais são as marcas criadas por você que

do pela batida do seu tambor, nada

Fui pro hotel em São Paulo pra dormir um pouco, com a marca do

melhor que levar um discurso de paz,

Olodum na cabeça, só lembran-

porque isso é que o mundo precisa

vou fazer amanhã. Já fiz marcas para as mais diversas

do da batida do Olodum. Liguei a

no momento. Eu só fiz pegar o sím-

áreas, de baiana de acarajé a produtos de consumo e para

televisão e havia cenas de violência,

bolo de paz e amor e redesenhá-lo,

uma centena de políticos de todos os partidos. Obviamen-

se não me engano em Paris, onde

colocando as cores do movimento

te que tem marcas que ficaram conhecidas, como a do

estudantes estavam sendo espanca-

pan-africano, que são o amarelo, o

Olodum, a de Collor...

dos por policiais. Isso me marcou.

verde, o vermelho e o preto.

mais fizeram história? JS - Eu costumo dizer que a melhor marca é a que eu 2

excursão na Europa e já é conheci-

Quando João Jorge falou comigo sobre a marca

Depois João Jorge me ligou pra

No dia seguinte, quando acabei de

do Olodum, eu pedi a ele um tempo, pois eu estava

gravar com Cláudia, voltei para o ho-

dizer que onde o Olodum passava

pré-produzindo dois filmes. Estava gravando com Silvia

tel e vi outra caso de violência, desta

era a primeira página nos principais

Pfeiffer em São Paulo e no dia seguinte iria gravar com

vez na Alemanha, também envolven-

jornais, por conta da assimilação

Claudia Raia, no Rio.

do estudantes. Essas duas cenas em

imediata de que as cores do movi3

Michael | vestindo a camisa do Olodum

mento pan-africano estava sendo

do Estadão, alguém me perguntou se eu achava que

enxergado, na Europa, como

Michael Jackson usara a camisa por conta da marca

uma proposta de paz. Quando o

ou por conta do Olodum... confesso que até hoje eu

Olodum retornou ao Brasil, a marca

fico sem saber, mas prefiro acreditar que foi pelas duas

estava consolidada.

coisas. A batida do Olodum é uma coisa que contagia todo mundo, claro.... mas é bom lembrar que Michael

Depois foi usada até

Jackson naquela época já atuava fortemente com o dis-

por Michael Jackson....

curso de paz no planeta. Então eu acredito que a marca

JS - Quando Michael Jackson

50 Maria

2 – Marca para Olodum; 3 – Outdoor para Olodum

do Olodum também contribuiu para isto, para esse en-

esteve aqui com Spike Lee para

contro de som, de batida, de coreografia com o discurso

gravar o videoclipe com o Olodum,

de paz para o mundo. Foram as duas coisas, mas acho

alguém, não sei se foi da Folha ou

que foi um pouco de sorte também, concorda?

Maria 51


© FOTO ARQUIVO REVISTA VEJA

Collor | marca difundida nos comitês...

Collor | marca focada na oportunidade do momento político

4

Gazeta e fui escolher o local para a

dou o marketing político nacional,

foto da capa. Quando terminou a

porque foi a primeira vez que um

foto, Cláudio Humberto e eu fomos

candidato teve uma marca tratada

jantar... eu peguei o guardanapo e

como grife.

desenhei. Na hora, percebi que os dois O´s e os dois L´s do nome Collor

O que é a Propaganda

poderiam me dar a configuração do

para você?

Congresso Nacional. E qualquer pesE Collor? Como surgiu essa marca... JS - Em 1986, a convite de Duda, atuei nas campanhas de Geraldo Mello, para governador do Rio Grande do Norte e de Fernando Collor para governador de Alagoas. As duas campanhas obtiveram sucesso, e eu continuei ajudando na comunicação estratégica do governo de Alagoas. Uma das decisões que tomamos, no primeiro ano de governo, foi pichar as capitais de cada Estado com o nome de seu governador recém eleito como candidato a presidente e o de Collor como vice. Era uma forma de tornar o nome Collor conhecido em todo o Brasil. O sucesso foi tão grande no País inteiro, que, em 1988, a revista Veja fez a matéria de capa “Collor, o caçador de marajás”. Eu estava com ele lá na

52 Maria

JS - Ser publicitário pra mim é

soa, mesmo não alfabetizada, mais

a mesma coisa de ser engenhei-

humilde e mais simples, consegue

ro, de ser arquiteto, advogado...

enxergar no Congresso, o símbolo

é profissional como em qualquer

máximo de poder no Brasil.

outra área.

Eu desenhei uma tipologia que

A gente precisa ter sempre a

parecia com helvetica italic... E

capacidade de se emocionar, de se

era italic porque Collor era jovem,

envolver com questões sociais e de

dava uma idéia de dinamismo, de

colocar a comunicação a serviço

modernidade. Lembro que na festa

da sociedade. Você vai vender o

de entrega de um prêmio colunistas,

produto, mas vai vender uma ação,

em 1989, um ano antes, Nizan me

vai vender um comportamento, vai

perguntou: “ô João, porque você

vender uma melhoria. Isso se aplica

não diz ao Brasil inteiro que foi você

na propaganda para uma calcinha,

que criou os dois eles ( LL ) de

um automóvel, ou um político.

Collor?”. Eu ri... Duda dizia que essa marca mu-

4 – Marca para Fernando Collor

Tem um amigo meu que dizia o seguinte: - Olha João, o mau

...e usada de variadas formas

médico enterra seus erros, o mau advogado põe na cadeia, e o mau publicitário põe na rua. Então eu sempre achei que a gente tem obrigação de contribuir com a sociedade. Isso é verdadeiro, não é conversa mole não, a gente pratica isso todos os dias. Eu lembro que o primeiro portfólio que a Maria fez tinha uma citação de Huntington: “Faremos aqui bons navios, com lucro, se possível, com prejuízo

A gente precisa ter sempre a capacidade de se emocionar

se preciso, mas sempre bons navios”. Como se dá esta preocupação da Maria com as questões sociais? JS - Me chocava muito quando eu só via na Bahia, alguns anos atrás, outdoors de faculdades com modelos loiros, de olhos azuis, com laptop nos Alpes, parecendo que estávamos na Suíça. Eu achava, e continuo achando, uma irresponsabilidade dos profissionais de comuni-

Maria 53


5

pequenas empresas que, na nossa

ontem e a Maria sempre está junto com o cliente. Hoje,

opinião, precisam de estímulos e es-

o nosso sonho é poder ampliar esta nossa experiência e

tratégias de comunicação arrojadas

poder contribuir com o Sebrae nacional.

neste mercado tão competitivo. Quando veio a licitação de 2007,

A Maria está entrando em dois mercados altamen-

a Maria já estava apta. Nos prepa-

te competitivos e, ao mesmo tempo, saturados

ramos, investimos em pesquisas,

pela concorrência, que é Brasília e São Paulo. O

levantamentos de dados e cases

que você pensa em lançar mão para a agência se

em todo o Estado e conquistamos a

firmar nesses ambientes?

conta do Sebrae Bahia, onde atua-

JS - Foram muitos convites pra sair da Bahia, e eu

mos com muito afinco e dedicação

achava que era possível permanecer aqui e trabalhar

por termos uma identificação bas-

para o mundo. E continuo achando e defendendo isso.

tante elevada e conhecimento da

Óbvio que a gente começou a perceber a necessidade

missão do Sebrae, além, é claro, da

por conta de estarmos sendo muito solicitados, tanto

agilidade e experiência que o atual

em Brasília, quanto em São Paulo, de abrir um escri-

superintendente, Edival Passos, e

tório em cada uma dessas praças e passar a conviver

sua estrutura de comunicação pre-

um pouco mais com essas culturas locais – da mesma

cisam. Às vezes as coisas são para

forma que podemos fazer com outras praças do país. 7

Me chocava muito quando eu só via na Bahia outdoors com modelos loiros, de olhos azuis

cação que realizam materiais como esse, como também

Cite um cliente atual

dos responsáveis por essas instituições de ensino.....

que merece destaque. JS - Todos merecem e têm toda

Imagine na Bahia, a população com mais de 70% de negros, vendo branco, de olho azul, em tudo quanto é

a atenção da Maria. Mas temos

outdoor na cidade, como se aqui fosse o Paraná ou a

uma satisfação especial em aten-

Suíça? Eu acho isso pouco inteligente. O empresário

der o Sebrae. Atender o Sebrae da

que faz isso, porque ele tem que entender que o seu

Bahia sempre foi um sonho nosso,

público-alvo não é aquele. Sempre achei que, o cara que

todos os superintendentes que

é negro, ele vai ao Shopping, ele consome, ele compra

passaram por lá, sempre me diziam

carro, ele compra celular. Isso é óbvio, ele consome, é

que adorariam trabalhar com a

ele quem faz a economia girar nessa terra, nessa cidade.

Maria, mas nunca acontecia. Sérgio

Quer dizer, negão da Bahia não estuda, não pode fazer

Gomes, Mizael Aguilar, Lomanto,

pós-graduação? É um atraso, eu sinto que a Maria veio

e eu sempre dizia para eles: “é um

pra poder mostrar esses diferenciais no mercado.

absurdo o Sebrae fazer licitação para escolher a agência que vai cui6

dar de sua comunicação e o edital sempre impedir a participação das pequenas empresas, e dizia a eles que isso era no, mínimo, contraditório, por falta de alinhamento com a missão do Sebrae. O Sebrae era um cliente que muito nos fascinava pela sua capilaridade e papel relevante no desenvolvimento das micro e

54 Maria

5 – Anúncio para NPGA/UFBA; 6 – Outdoor para Fórum de Entidades Negras da Bahia

7 – Anúncio para Sebrae - Bahia

Maria 55


O formato das agências de propaganda tem que se modificar. Esses formatos tradicionais estão falidos

Embora sejam os maiores mercados do país, eu não

marca, se você é uma marca

acho que Brasília e São Paulo sejam mercados satu-

nacional, eu proponho um desafio:

rados – ainda mais se considerarmos que, segundo a

vamos reduzir entre 10% a 20% do

The Economist, o Brasil vai ser uma das cinco maiores

seu investimento em propaganda

economias do mundo em poucas décadas. Estamos

durante um determinado período.

levando para Brasília e São Paulo uma coisa que não

Eu lhe garanto um acréscimo nos

existe, que é uma nova visão de se fazer comunicação.

seus resultados de venda e que, de-

Quando fizemos a Maria é porque não acreditá-

pois de um ano ou dois de trabalho,

vamos no formato das agências de propaganda que

poderemos fazer uma pesquisa que

existiam na época. E continuo hoje afirmando, que

comprovarar o valor agregado a sua

o formato das agências de propaganda tem que se

marca. Vender mais, com menor

modificar. Esses formatos tradicionais estão falidos. O

custo, e ter a sua marca no coração

cliente precisa é de estratégia, bom conceito e capaci-

do consumidor é o desafio.

Destaque | João recebe o prêmio Profissionais do Ano

Premiação | refrigerante Fricote no Top de Marketing

dade operacional para produzir o que for feito. E você Por que Brasília e São Paulo?

pode ter tudo isso sem ter estruturas gigantescas que

JS - A intenção é disponibilizar

onerem os seus custos. Acho que essa é a tendência da comunicação no mundo.

para todo o Brasil, através destes

Se você é um grande anunciante, um gerente de

escritórios, a nossa experiência de

8

Mas anunciantes nacionais só

e que pode e deve ser tratado com responsabilidade

querem grandes agências...

pelos publicitários, empresários e gestores públicos.

JS - Os anunciantes sabem

30 anos de atividade e o que a Ma-

que no mercado competitivo

percebido é que a maioria dos gestores utiliza muito

ria vem fazendo há 15 anos. Quan-

como o atual, é preciso ter um

mal a comunicação porque esquece que o objeti-

do a Maria nasceu, a idéia era criar

bom produto com o melhor pre-

vo principal é informar a população dos serviços

três Marias: na Bahia, em São Paulo

ço, senão perde para a concor-

que ela dispõe. Um novo hospital, por exemplo,

e em Nova York. Mas quis o destino

rência. Já há algum tempo, os

quando inaugurado, deveria ter como prioridade

que para chegar lá começássemos

anunciantes vêm se recusando

informar à população sobre o serviço, onde fica,

por Brasília. Estamos identificando

a pagar a conta que as grandes

quantos leitos, procedimentos executados etc...

parcerias para levar a Maria para

agências sempre tiveram, com

Isso é comunicação social, mas não é o que se vê

onde possamos contribuir.

estruturas gigantescas e um mon-

por aí. Especialmente aqui na Bahia onde o governo

te de executivos que na maioria

gasta em publicidade para dizer apenas que fez x

O que você espera desses dois

das vezes não acrescentarão

hospitais. Qual o ganho que a população tem desta

mercados?

nada à sua comunicação, além

informação? Isso me parece mais um desserviço do

do “show off”.

que comunicação social.

JS - Gostaria de ter como desafio um grande anunciante nacional,

A saída é ter uma empresa com

Do mesmo jeito, quando se fala do patrimônio

qualquer um, de qualquer área,

experiência, tesão e que de fato

público aqui no Brasil, tenta-se transferir para o cida-

seja de varejo, produto ou serviço.

trabalhe para o negócio do cliente. A

dão o estado depredado dos equipamentos. Repare:

Anote aí: depois que eles conhe-

equação é simples: vende-se mais;

quando alguém diz que o baiano faz xixi na porta de

cerem a Maria vão crescer com

paga-se menos e tem a sua marca

um prédio, no Pelourinho, os governantes vêm logo

investimento menor.

melhor identificada com o seu pú-

com um: “Povo mal educado, sem educação, etc...”

blico alvo. O trabalho da Arizona no

quando o correto seria dizer o seguinte: precisamos

Se tivesse que fazer um anúncio

mercado de São Paulo, já indica que

informar a população da importância deste patrimônio

para a Maria, em Brasília ou São

o modelo de agência atual está com

histórico, origem, data, quem morou, o que aconteceu

Paulo, qual seria o título?

seus dias contados.

naquele local, ou seja, precisa promover a educação

JS - Procura-se empresário que

patrimonial... Tenho certeza que depois disso, a popu-

queira transformar sua marca/produto

Isso vale para a comunicação

lação terá consciência que se trata de verdadeiro te-

ou serviço, em grande sucesso de

governamental?

souro de nossa história e ninguém fará xixi na porta da

vendas, investindo menos do que in-

56 Maria

Tenho viajado bastante pelo país e o que tenho

JS - Principalmente. Até porque

Casa de Rui Barbosa. E isso vale para todo o Brasil.

veste hoje. Ou: Quem confia na Maria

acreditamos que a comunicação

O governante que sacar isso estará prestando um ver-

tem mais chance de sucesso.

é um instrumento transformador

dadeiro serviço à população através da comunicação

8 – Marcas para Torneio Nacional de Snooker, Promoexport, Shopping Iguatemi de Salvador, Bloco Camaleão, Prefeitura de Salvador, Escola Contemporânea de Dança, Amazonas Shopping Center, Minas Shopping, Restaurante Casa da Dinha, Restaurante Alaíde do Feijão, Hospital Oftalmológico DayHORC.

A saída é ter empresas com talento, tesão e que de fato trabalhe para o negócio do cliente.

Maria 57


Especialmente aqui na Bahia onde o governo gasta em publicidade para dizer apenas que fez x hospitais. Qual o ganho que a população tem desta informação?

e, com certeza, vai entrar para a história. O Governo

o Guiness Book e eles alegaram

Federal tem avançado muito neste sentido.

uma série de dificuldades para aceitar a categoria. Uma delas na

Mais isso não foi sempre assim no País inteiro...

época era como catalogar para

JS - Repare, nós estamos em 2010, início do século

proceder a avaliação. Agora,

XXI , as necessidades e exigências da sociedade mo-

estamos fazendo contato nova-

derna também evoluem, antigas práticas não podem

mente para registrar a milésima

servir de desculpa para os dias atuais. Antigamente

marca, o que deve acontecer nos

se trocava tijolo e dentadura por voto e não acontecia

próximos meses.

nada. Hoje já acontece. Antes uma carta levava até E a Capital Branding, o que faz?

quinze, vinte dias para chegar ao seu destino; hoje,

JS - A Capital Branding é um

com a internet, pode chegar no mesmo instante. Por isso é importante pensar o novo.

Qual a fórmula para criar sempre

serviço de consultoria que nasceu

marcas e slogans que fazem tan-

da evolução natural do negócio

São centenas de prêmios conquistados ao longo

to sucesso e ficam para sempre?

da comunicação, onde a necessi-

da sua vida profissional, dentre regionais, nacio-

JS - Experiência, tesão e trabalho.

dade de agregar valor e inteligên-

nais, internacionais. Isso lhe deixa envaidecido? JS - Quem não gosta de prêmios? Todo mundo gosta

cia estratégica às marcas, vem se Já chegou a Mil Marcas?

consolidando como fundamental

de prêmios, só que a premiação tem que ser o reconheci-

JS - Faltam poucas...(risos).

para as decisões de comuni-

mento por algo que você fez e que alcançou seu objetivo

Quando chegamos a 500 há dez

cação, porque aumentam as

prioritário que é fazer a máquina registradora do cliente

anos, ficamos sabendo que este

chances de sucesso. E o melhor

tilintar, como dizia David Ogilvy. Agora, um dos títulos mais

número poderia ser recorde no

é que o cliente pode contratar os

importantes com certeza, foi a medalha Zumbi dos Palma-

mundo, realizado por uma única

serviços de consultoria da Capital

res, entregue pela Câmara Municipal de Salvador.

pessoa. Aí fizemos contato com

Branding, independente de ter sua própria agência. E o futuro? JS - Como está se desenhando que o Brasil será uma grande potência mundial nos próximos anos, acredito que o papel da comunicação que valorize a criação estratégica será importantíssimo, porque ninguém vai querer brincar de jogar dinheiro pela janela. A competitividade será cada vez maior e a necessidade de redução de custos também. Para enfrentar estes desafios, vamos precisar de marcas fortes, produtos e serviços de qualidade e de profissionais preparados para atuar com experiência, competência e responsabilidade. A minha maior alegria será poder contribuir com este processo.

Marco | medalha Zumbi dos Palmares reconhece trabalho

58 Maria


PRAIA

DA

REDONDA

© ALMIR BINDILATTI - BINDILATTI@POETICAPHOTO.COM


Patrimônio

A mistura de história, alegria e o colorido dos mascarados seduzem os turistas, enchendo de orgulho os moradores.

© JR. MAJOR

Folia gera trabalho Nas épocas da folia carnavalesca – e também do São João e da Festa de São Bartolomeu - o comércio triplica as vendas, beneficiando outros setores e gerando trabalho temporário. Erialdo Pereira dos Santos, conhecido por Lico, 52 anos, aproveita bem a oportunidade. Ele desenha e produz fantasias conforme o desejo do cliente. Também possibilita alternativa de renda para quatro costureiras auxiliares. Já a irmã Eronildes Santos da Cruz, a Ninio, 55, e a sobrinha Milena Marcela, 29, se empenham na confecção de máscaras.

A outra cara do Carnaval da Bahia

©

Em Maragojipe, caretas, pierrôs e colombinas provam que Veneza também pode ser aqui!

C

© JR. MAJOR

aretas, pierrôs e tantas outras fanta-

ser Patrimônio Imaterial da Bahia em fevereiro de 2009.

escravos que habitaram a região.

sias de um passado um tanto remo-

O tombamento como bem intangível foi determinado

Com 450 Km² de extensão, Maragojipe recebe na

to, ganham vida quando chega a folia

pelo Governo do Estado, após estudos feitos pelo Ins-

época da folia cerca de 30 mil pessoas, segundo o pre-

em Maragojipe. Ao invés dos trios

tituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC),

feito Sílvio Santana, 39 anos. Como a oferta de pousa-

elétricos e dos gigantescos blocos

autarquia da Secretaria de Cultura (Secult). As pesquisas

das na sede não atende a todos que chegam buscando

da capital baiana -, a festa nessa cidade, a 133 quilô-

desenvolvidas levaram ao reconhecimento das caracte-

essa festa original, animada e tranquila, os turistas são

metros de Salvador, mistura história, alegria e o colorido

rísticas tradicionais da festa, cultivadas até hoje. A folia

acolhidos em casas de parentes e amigos. Outras op-

dos mascarados, que seduzem os turistas enchendo de

do município, onde residem 43 mil pessoas, é inspirada

ções são os leitos da rede de hospedagem nos distritos

orgulho os moradores. Único do Recôncavo Baiano reali-

no Carnaval europeu do Século XIX. E também preserva

- Nagé, Coqueiro, Guaí, São Roque e Guapira -, além de

zado na época oficial, o Carnaval de Maragojipe passou a

costumes e cantos afro-descendentes, herdados dos

São Félix e Cachoeira, cidades próximas.

62 Maria

Um mês antes do Carnaval, Lico já recebe encomendas. E temas que povoam a imaginação dos foliões ganham forma. São noivas, odaliscas e personagens de sucesso no mundo das telenovelas. As fantasias simples (mortalhas e pierrôs) saem por R$ 15,00 cada. As mais trabalhadas custam em média, R$ 250,00. Na Rua General Pedra, 22, endereço de moradia e trabalho, ele faz cerca de 60 fantasias por ano. Nos outros meses, borda tecidos e tapetes, confeita bolos, decora ambientes para festas e corta cabelos. Ninio mora na Rua J. J. Calazans, 12. Em casa se dedica à produção de máscaras, que expõe na garagem ao lado quando a festa se aproxima. Qualquer peça em tecido ou malha de algodão é vendida por R$ 10,00. Careta tradicional, palhaço e nega maluca são as preferidas. Ela confecciona geralmente 100 máscaras. Agora planeja criar caretas no formato de chaveirinho, que podem se transformar em lembrança da festa de Maragojipe.


© JR. MAJOR

Forró e São Bartolomeu O São João, no ritmo pé de Alegria | na praça Antônio Rebouças, todos os mascarados se encontram

© JR. MAJOR

Travestidos, palhaços, pierrôs Praças e avenidas são ornamentadas e a programação do Carnaval inclui concursos de fantasias e de marchinhas. O principal cenário da festa é a Praça Antônio Rebouças, onde as atrações locais revivem antigos carnavais ou axé music dos anos 80. Das filarmônicas Terpsícore Popular e Dois de Julho nascem artistas que depois formam bandas. Os grupos musicais embalam mascarados, travestidos, pierrôs, ou mesmo quem prefere sair de cara limpa, mas entregue à animação.

© JR. MAJOR

SAIBA COMO CHEGAR A MARAGOGIPE

Raimundo Carneiro Carvalho, o “Patrão”, 58 anos, que atualmente trabalha como motorista, todo ano marca presença, fantasiado ou não. O gosto pela festa ele herdou do pai. “Se o Carnaval tivesse acabado por aqui, Maragojipe seria uma cidade morta”, observa o folião. Ele sai, ao menos um dia, vestido de “Zorro”. O domingo é o dia mais animado. Tanto que às 8h tem mascarado na rua fazendo a alegria até de crianças no colo. Há 14 anos, todo sábado, o prefeito participa de um grupo de “baianas”. Na segunda-feira, o traje é o de mulher grávida. Teve época em que, inclusive, simulava um parto em plena festa. Da barriga onde portava uma grande bola, “nascia” o anão Marivaldo Barbosa, o Samuca, 24 anos. Ao ficar adulto, Samuca desistiu do papel de bebê. Em Maragojipe nem todos pagam pela fantasia. Muitos preferem dar asas à imaginação e improvisar.

64 Maria

© JR. MAJOR

serra, é também animado em Maragojipe. Até hoje os moradores cultivam o costume de receber visitantes para saborearem licores e quitutes típicos da ocasião. O Forró do Cais, que acontece próximo do dia 24, se destaca na programação. As festividades são abertas reverenciando Santo Antônio, no dia 13, e só terminam na data consagrada a São Pedro, 29 de junho. Agosto é reservado para São Bartolomeu, o padroeiro da cidade. A saída do Bando Anunciador, no primeiro final de semana, marca o início da festa. Depois, as atenções se voltam para o ritual religioso da lavagem da igreja; lavagem das escadarias do templo – lembrando a Festa do Bonfim, em Salvador; missas e procissão. No último sábado do mês, a Regata Aratu/ Maragojipe aumenta a presença de turistas na cidade. Os visitantes de origens diversas chegam de carro, ônibus e embarcações.

Participação | festa atraí público de todas as partes, inclusive do exterior

Maria 65


LADEIRA

DA

CONCEIÇÃO

DA

PRAIA

© DAVID GLAT - WWW.DAVIDGLAT.COM.BR/PROJETOS


Pensar o novo!

Brasil na muxima de Angola

U

ma constatação empíri-

De resto, pode-se dizer que há

tações e de 90 % nas exportações.

Mas é bom destacar que, as-

ca no dia-a-dia do con-

um sentimento recíproco: primeiro

De qualquer forma, a mudança do

sim como a presença brasileira

tato com os angolanos

Estado a reconhecer a Independên-

intercâmbio comercial é significati-

tem aumentado cada vez mais

agora passou a ter ca-

cia de Angola. O Brasil é um dos

va. Lembro que, em 2000, quando

em

ráter científico: o País que eles mais

maiores investidores em terras an-

cheguei a Luanda para fazer desta

também tem havido crescimen-

gostam – depois do seu, é claro - é o

golanas e o único país a instituir a

terra minha segunda pátria, o Brasil

to significativo dos investimen-

Brasil. De acordo com pesquisa reali-

obrigatoriedade do ensino de Histó-

exportava apenas US$ 106 milhões

tos angolanos no Brasil, mesmo

zada pela empresa Audit, nosso país

ria da África nos currículos da edu-

por ano para Angola. No mesmo

sendo num patamar bem inferior,

mora na muxima dos moradores da

cação básica.

ano, o Brasil importou de Angola

evidentemente. O Banco Central

US$ 31 milhões.

do Brasil registra que, em 2007,

investimentos

em

Angola,

capital, Luanda, especialmente dos

Ao assumir o Governo em 2003,

mais jovens. “Muxima” significa co-

o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Não obstante a crise econômica

cerca de USD 13 milhões provi-

ração em kimbundo, uma das sete

ressaltou que o estreitamento das re-

internacional, os recursos da linha de

nham de Angola. No ano seguin-

línguas nacionais que são faladas

lações com a África constituia para o

crédito aberta pelo Brasil em favor

te, já praticamente quadruplicou,

em várias regiões (subdivididas em

Brasil uma obrigação política, social,

de Angola foram ampliados em US$

atingindo USD 50 milhões.

26 dialetos), paralelamente ao portu-

moral e histórica. E, efetivamente, ele

500 milhões, há poucos meses. Os

Entretanto, entendo que ainda

guês, a língua oficial.

tem demonstrado que esta tem sido

recursos dessa linha são utilizados

há um bom espaço aberto para

uma das prioridades da política ex-

no financiamento de projetos esco-

a ampliação das exportações de

terna do seu governo.

Na geografia do coração dos luandenses, o Brasil aparece com 17,5%,

lhidos pelo Governo angolano nas

serviços do Brasil para Angola,

seguido de Portugal (12,9%), Estados

O intercâmbio comercial de Ango-

áreas de infra-estrutura física e so-

bem como para exportações, no

Unidos (9,4%), Inglaterra (6,8%), Ho-

la com o Brasil intensificou-se tanto

cial. Nos últimos anos, esse meca-

futuro, no sentido inverso. Afinal,

landa (5,5%) e África do Sul (5,1%),

nesta década que, mesmo com uma

nismo soma quase US$ 3,5 bilhões

em termos de serviços, Brasil e

de acordo com a pesquisa Audit pu-

queda drástica em função da crise,

de créditos.

Angola são países que têm, ain-

blicada pelo Jornal de Angola.

a corrente de comércio entre os dois

Essa linha de crédito constitui

da, uma balança deficitária. Nos

Os homens hierarquizam suas pre-

países no ano passado, foi o terceiro

o principal instrumento para a am-

últimos anos, o saldo líquido de

ferências de modo diferente das mu-

maior da história, atingindo 1 bilhão

pliação e adensamento constantes

serviços de Angola tem sido ne-

lheres. Estas têm o Brasil bem mais

471 milhões de dólares - ficou abai-

das relações entre os dois países.

gativo em cerca de USD 12 bi-

perto do coração. Entre os homens,

xo apenas do valor alcançado nos

Porém, além dessa facilidade, os

lhões, enquanto no Brasil, foi de

Brasil empata com Portugal em ter-

dois anos anteriores.

exportadores brasileiros de bens e

US$ 9 bilhões.

mos sentimentais. Pela sondagem, a

Em 2009, as importações de pro-

serviços para Angola e, consequen-

preferência pelo Brasil independe de

dutos brasileiros totalizaram US$ 1

temente, suas contrapartes angola-

RAIMUNDO LIMA,

nível de escolaridade e condições so-

bilhão 300 milhões, enquanto as

nas podem ter acesso a outros pro-

JORNALISTA E PRESIDENTE DA

cioeconômicas. Seja rico ou pobre, le-

exportações de produtos angolanos

gramas como o Proex, o Seguro de

ASSEMBLEIA GERAL DA AEBRAN – ASSO-

trado ou não, o verde-amarelo já con-

para o Brasil foram de 138 milhões,

Crédito às Exportações e o Fundo

CIAÇÃO DOS

quistou o coração dos angolanos.

com queda de um terço nas impor-

de Garantia à Exportação.

68 Maria

EMPRESÁRIOS E EXECUTIVOS BRASILEIROS EM ANGOLA

Maria 69


Cultura

Vida ao cinema baiano Novos longas marcam atual ciclo, trazendo esperança de renascimento

O

cinema baiano experimentou vários ciclos desde que o primeiro curtametragem feito no Estado foi exibido em outubro de 1910. O marco deste século de história é Regatas da Bahia, assinado por Diomedes Gramacho e José Dias da Costa. Entre períodos de efervescência e outros de desânimo, a produção teve momentos áureos – a exemplo da fase imortalizada por Glauber Rocha, na década de 60 -, e outros de crise, como a registrada no início dos anos 90.

© HENRIQUE ANDRADE

70 Maria

A sétima arte na Bahia completa 100 anos vivenciando novo clico de expansão. Além dos filmes Jardim das Folhas Sagradas, do cineasta Pola Ribeiro, e O Homem que Não Dormia, de Edgard Navarro, outros longas nasceram em 2009 e 2010. Escutando Tom Zé (de Jorge Alfredo Guimarães), Estranhos (de Paulo Alcântara), Trampolim do Forte, (de João Rodrigo Mattos) e Os Filhos de João (de Henrique Dantas) são alguns títulos.


© DIVULGAÇÃO

Jardim das Folhas Sagradas, primeiro longa metragem de Pola, e O Homem que Não Dormia, segundo longa da carreira de Edgard, viajam

Barão desencarnado

no gênero ficção. Ambos enveredam

O desejo e esforço de Edgard Navarro é fazer o lançamento de O Homem que Não Dormia até o final deste ano. Em paralelo à busca de recursos para fechar o orçamento, a equipe providencia edição de imagem e som, trilha sonora, liberação do direito autoral de músicas não originais e animação. A primeira versão do roteiro de O Homem que Não Dormia data de 1978. Nesses 32 anos o processo de criação evoluiu numa sincronia com as descobertas interiores do cineasta.

pelo mundo místico, mas abordam temas distintos. Jardim... fica pronto em setembro. O diretor se articula para lançar o filme em 5 de novembro, Dia Nacional da Cultura. No momento, o filme passa pelos processos de mixagem de som, cópia, estratégia de comunicação e distribuição. Após cerca de 40 filmes em Super-8, produzir curtas em 35 mm e realizar o meia A Lenda do Pai Inácio, Pola quer levar seu primeiro longa a salas do Brasil e até fora do País. Porém a ideia é fazer isso, gradual-

Diretor de Eu me Lembro – sua estreia em longa - premiado sete vezes, no Festival de Brasília de 2005, Edgard recorda experiências gratificantes na realização do filme, onde também atua. Conhecer de perto Luiz Paulino dos Santos, contemporâneo de Glauber Rocha, foi um desses momentos especiais. Os dois interpretam o mesmo personagem. Edgard faz o “Barão”, e Paulino o carma dele.

mente, começando por Salvador. De acordo com ele, quando se fala de produções mais independentes, um desafio é driblar os obstáculos nos

Ação | Pola e Antônio Mendes (diretor de fotografia) em processo de filmagem

sistemas de comunicação, distribuição e exibição.

Visita ao jardim

as pessoas”. O ponto principal das locações foi o Terreiro Ilê Axé Opô Aganjú, em Lauro de Freitas. Ce-

A estratégia de divulgação traçada

nas também aconteceram no Forte

para o filme inclui o Projeto Visita ao

do Barbalho (centro da produção),

Jardim. O objetivo é identificar parcela

Curuzu, Comércio, entre outros lu-

da população interessada em ver o fil-

gares de Salvador.

me, mas sem costume de ir ao cinema.

O ator Antônio Godí interpreta

Em duas reuniões com representantes

o principal personagem, “Miguel

de terreiros, organizações do movimen-

Bonfim”, negro baiano que tem a

to negro, blocos afro e de samba, além

vida “virada pelo avesso”, confor-

de afoxés, foi possível saber que 15

me a sinopse, ao revelar o desejo

mil pessoas desejavam assistir Jardim

de abrir um terreiro de candomblé.

das Folhas Sagradas. “Vamos viabilizar

Com os espaços disponíveis cada

isso”, adianta o cineasta.

vez mais raros, ele procura um lugar

O longa - com investimento de

na periferia. Afastado da tradição e

R$ 3 milhões - aborda religiosidade,

questionando fundamentos como o

preconceito e ecologia. “Pedi licença

sacrifício de animais, “Bonfim” cria

para trazer isso à tona”, afirma o di-

um terreiro moderno e longe das ca-

retor. “Não os segredos do Candom-

racterísticas tradicionais. O enredo

blé, mas a contribuição da religião a

se desenvolve ao som de músicas

esse mundo que busca sustentabili-

de Gerônimo e Ildásio Tavares, sob

dade e convivência harmoniosa entre

direção de Pedro Augusto.

O ator, como elogia Edgard, proporcionou grande harmonia ao filme e ao elenco. A trilha sonora leva a assinatura de Tuzé de Abreu e André T. Rodado em Igatu, no município de Andaraí (Chapada

Lançamento | cartaz criado pela Maria © DIVULGAÇÃO

72 Maria

Diamantina), o longa tem orçamento de R$ 3,6 milhões. Os patrocínios já obtidos somam pouco mais de R$ 2,2 milhões. O diretor espera que o filme conquiste o público, “mas será muito gratificante se cumprir essa promessa, tão antiga, de que vou encontrar o meu eixo”. O Homem que Não Dormia é a parábola, de um barão desencarnado, simbolizando a decadência de um coronelismo escravagista. Numa noite cinco pessoas, de uma cidadezinha do interior, têm o mesmo pesadelo envolvendo um homem sinistro e um tesouro enterrado. Com a chegada de um misterioso peregrino, muda a rotina do vilarejo e os personagens são lançados em acontecimentos insólitos. Assim cada um é trazido à luz e se liberta do jugo das hipocrisias, medos e doenças.


Casos da Maria

Abrigo Dom Pedro II O Abrigo que se recusou a morrer de velho.

A

os 122 anos, o Abrigo

detentores da experiência e guias

cia. A campanha foi formulada por

nobreza da causa determinou o

é uma das mais antigas

das gerações seguintes.

Amaral, em conjunto com João Sil-

seu envolvimento na empreitada.

casas de recolhimento

“As culturas orientais e africa-

va e contando com a participação

Em pouco tempo, a iniciativa

de idosos do país e fun-

na nos ensinam a estimar a ances-

amiga de José Armando Nogueira

obteve uma resposta à altura do

ciona num belo conjunto de cinco

tralidade. Daí o conceito ‘Respeito

e Maria Gerusa.

desafio: a mídia local aceitou vei-

casarões coloniais do século XIX,

é bom e eu gosto’”, conta Vicente

Nogueira e Gerusa não faziam

inspirado no Palácio de Versailles e

Amaral, diretor de criação da agên-

parte do quadro da Maria, mas a

cular gratuitamente as peças produzidas pela Maria. Assim que foi para a rua, a

tombado pelo IPHAN. Em 2006, veio o grito de so-

campanha provocou uma gran-

corro. O Abrigo D. Pedro II, em Sal-

de mobilização social, envolven-

vador, estava abandonado e sendo

do desde políticos, até empresas

solapado pelas ondas do mar, que

como construtoras, que se ofere-

corroíam a sua estrutura física.

ceram a reformar setores da casa de recolhimento.

Em estado precário, seis das oito alas do estabelecimento ha-

Hoje, o Abrigo D. Pedro II ain-

viam sido interditadas pela Defesa

da enfrenta muitas dificuldades.

Civil. O mofo e os cupins dividiam

Deixou para trás, no entanto, a

o espaço do abrigo com os seus

tristeza da invisibilidade.

114 ocupantes, todos com mais de 60 anos. A Maria reverberou o pedido de

Anúncio

ajuda do Abrigo D. Pedro II, transfor-

A iniciativa da Maria em ajudar o Abrigo foi fundamental. Foi a partir dessa iniciativa que o Abrigo teve visibilidade na mídia e assim as contribuições puderam chegar até nós”.

mando-o numa campanha publicitária. Além de sensibilizar a população para as condições precárias do Abrigo, a campanha idealizada pela Maria foca na valorização das pessoas mais velhas enquanto

Ana Valéria Souza Santos – Outdoor

74 Maria

Anúncio

ex-Gerente do Abrigo D. Pedro II.

Maria 75


Entrevista

“Precisamos nos preparar para a grandeza”

“Os interesses culturais do Brasil ultrapassam as fronteiras brasileiras”.

Latinos | expectativa de atuação positiva do Brasil

da cultura no plano internacional.

M

Nesta entrevista, o ministro da

poucos anos vai se tornar a quinta economia do mun-

Então o mundo tem um interesse enorme sobre o

JF - Quer dizer, se tem divergência com a Bo-

do. A sua importância cultural que já é histórica, a

Brasil, isso é comprovado por qualquer pessoa que

lívia, aventam logo a possibilidade de invadir a

ultrapasse a fronteira do país. Às vezes, aqui dentro

Bolívia; se tem divergência com a Venezuela, a

– talvez por esse complexo de vira-lata que Nelson

mesma coisa.

Desde 2008 à frente do Ministério da Cultura do Brasil, o sociólogo Juca Ferreira fala à revista Maria sobre a liderança da pasta

Cultura que sucedeu Gilberto

os outros países têm do Brasil,

música brasileira já é reconhecida no mundo inteiro,

A bola está quicando pro Brasil. Mas muitas vezes

mos constantemente o Brasil

várias práticas culturais brasileiras são reconhecidas

eu percebo no país um espírito ainda muito voltado

ocupar um papel de liderança

no mundo inteiro como de qualidade.

pra dentro. Ou então percebo em alguns empresários

nos Fóruns internacionais de

Além disso, e muito importante, temos a presen-

cultura. A que o senhor atri-

ça do presidente Lula no cenário internacional. É um

bui esse protagonismo?

país que vem, através do seu líder, verbalizando a

Juca Ferreira - Isso reflete, em primeiro lugar, o

crescimento de importância do Brasil. O Brasil em

Gil explica os motivos dessa liderança, comenta a imagem que

aria: Nos últimos anos, ve-

© RICARDO PRADO

necessidade do respeito de negar as práticas predatórias e bélicas.

Rodrigues falava – nós não temos consciência da importância internacional do Brasil.

e líderes políticos uma idéia de repetir essa prática predatória dos grandes países... Maria: Quer dizer, um império regional, né? O desejo de ser império regional...

Nós sempre fomos um pouco deslumbrados, antes com a França e agora com os EUA. Há uma certa

Regional nem se fala. Na America Latina, o afeto,

subserviência. É bom não esquecer a experiência da

o carinho, a expectativa que o Brasil estabeleça uma

ALCA, como a grande imprensa brasileira quis obrigar

relação positiva com os países vizinhos e admiração

o governo brasileiro a entrar na ALCA. E é só olhar

cultural brasileira e os laços que

pelo Brasil é enorme. Nos países africanos também

agora a consequência que isso teve sobre a econo-

vêm sendo construídos, em

é enorme. No âmbito da União Africana, o Brasil foi

mia do México. O México está absolutamente subal-

definido como um país africano fora do continente.

ternizado pelos EUA, absolutamente dependente da

as prioridades da cooperação

especial com a América Latina e a África. “Esses processos

Numa reunião de ministros da cultura dos países africanos e da diáspora negra do mundo, o presidente

economia americana, perdeu parte da sua autonomia política em função disso.

do Senegal me chamou pra ter uma audiência com

Enquanto isso o Brasil cresce, exatamente porque

têm que ser voluntários e

ele. E ele me disse o seguinte: “O Brasil precisa ocu-

o presidente Lula teve a coragem de liderar o Brasil

par o seu lugar no mundo. O Brasil é muito importan-

para não entrar na ALCA e constituir uma relação di-

baseados na confiança mútua

te para o hemisfério sul, particularmente para África

versificada com o mundo inteiro. Quando nós come-

- vocês são parte da África. Nós, africanos, quando

çamos esse processo, no início do governo Lula, a

olhamos para o Brasil, é como se olhássemos pra um

grande imprensa brasileira ridicularizava o presidente

espelho, e a gente gosta da imagem que a gente vê.”.

por estar constituindo processos comerciais com a

Eu fiquei comovido na hora que o presidente disse

America Latina, com a África, com a Ásia, dizendo:

isso. Ele ainda recomendou: “Vocês precisam ser me-

“O que é que o presidente quer, será que ele não co-

nos tímidos”.

nhece a economia mundial?”, quando na verdade...

e na generosidade, e não na mesquinharia”, opina.

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Maria 77


sileiros e baianos. Teve um que pegou na minha mão chorando e batia no peito e dizia chorando: “Eu sou baiano”. E com uma ênfase assim, inacreditável, que, pela característica dolente do baiano, eu não vejo ninguém lá falar com tanto orgulho assim que é baiano. Eu estava no mercado tradicional do Benin quando um barraqueiro falou: “Você é o ministro da cultura no Brasil? Eu lhe vi na televisão. Ele pegou na minha mão, levou pra dentro da barraca e, muito emocionado, disse assim: “Descobrimos nossos parentes no Brasil, os filhos e netos dos que foram escravos”. São vínculos inquestionáveis. E fora a presença africana na nossa cultura, na nossa identidade, na nossa imagem: carnaval, futebol, em tudo isso eles se reconhecem e é um cartão de visitas assim, fantástico, independente de outras questões. Ainda tem os países do BRIC, a Índia, a África do Sul, a China... As possibilidades são maiores do que a capacidade de realização, aí que entra a importância de aumentar o orçamento do Ministério da Cultura. A gente não tem condições de dar atendimento à demanda de intercâmbio e de contato, é o mundo inteiro, a Europa... tem uma cacetada de pedidos que a gente não tem condição de atender. Vamos atender © RICARDO PRADO

Internacionalização | cultura brasileira ultrapassa fronteiras

alguns, o que for possível. O Brasil tem que incorporar que virou um país importante.

Maria: Ele conhecia mais do que a imprensa.

leiras. Não só no sentido do fluxo de mão dupla (inter-

Então são questões que inevitavelmente nos levam

JF - Essa diversificação foi o que possibilitou que

câmbios bilaterais), como nas grandes instituições de

a interferir no cenário internacional. Não bastam as

Maria: Parece-me que essa pauta internacional

de fato o Brasil tenha uma estabilidade. Porque a crise

governança mundial, recolocando a questão cultural e

relações geopolíticas e comerciais, as relações cultu-

da cultura acaba levando esses outros países a

dos ricos afeta o Brasil, mas afeta menos porque a

a necessidade de um reordenamento, de uma redefi-

rais são estratégicas para o mundo e, particularmen-

fazerem essa revisão conceitual que o Brasil fez a

gente tem uma diversidade de relações hoje constitu-

nição dessas relações.

te, pra um tipo de diplomacia que o Brasil faz, que é

partir de 2003 também. Isso tem acontecido?

ídas nos últimos oito anos.

Nós somos profundamente insatisfeitos com as

construção de um ambiente de paz, de igualdade, de

Juca Ferreira: A gente tem exercido uma lideran-

Isso associado a um processo de constituição de

relações na área de direito autoral no mundo. O di-

aceitação do outro, de convivência respeitosa – e não

ça. Os pontos de cultura abrem os olhos de outros

um mercado interno com a inclusão de quase 40 mi-

reito autoral das comunidades e povos amazônicos,

há aí dimensão mais importante do que a cultural.

países de que há uma produção cultural ali no fron-

lhões de brasileiros na economia, na formação dessa

por exemplo, é diariamente ferido pela rapinagem das

nova classe média, que também é outro paradigma

grandes empresas de biotecnologia que mandam an-

Maria: Além do MERCOSUL e da America Lati-

onde a pobreza, a exclusão, a violência estão estabe-

que o presidente Lula quebrou: que desenvolvimento

tropólogos – não botânicos nem biólogos pra estudar

na, o MinC se relaciona bastante com a Comuni-

lecidas. E, apesar da ausência do Estado, essas co-

nada tem a ver com justiça social.

a floresta. Mandam antropólogos para saber o que

dade de Países de Língua Portuguesa e também

munidades produzem cultura, se organizam cultural-

com alguns outros países da África, não é?

mente, pra ter acesso ao deleite estético, à afirmação

tline da sociedade, onde a miséria está estabelecida,

Isso não é nem Marx, isso é Adam Smith, é do te-

aquelas populações conhecem da biodiversidade. Daí

órico do capitalismo, que dizia que o mercado precisa

levam o material para fazer estudos genéticos, con-

Juca Ferreira: Essa é outra cartografia que não

cultural, às praticas tradicionais ou contemporâneas.

da inclusão das pessoas... Vai vender pra quem?

firmando ou não os efeitos que são do conhecimento

pode ser esquecida. Com os países africanos, a liga

E nisso o Brasil teve o mesmo papel que o revelador

da população local, patenteiam e a partir daquele mo-

é imediata. Na região ali em torno do Golfo do Benin,

tinha na época da fotografia analógica, o revelador é

mento se torna um ativo econômico dessas grandes

parte dos africanos que vieram ao Brasil como escra-

que puxava a imagem e lhe dava visibilidade. É mais

empresas. Isso é uma pirataria de um grau de ilegiti-

vos vieram dali.

ou menos esse o processo: as pessoas percebem

Maria: Qual a justificativa para essa ênfase na atuação internacional do MinC? JF - Nós tínhamos consciência – e o ministro Gil

midade monstruosa. E nós, por um certo academicis-

Eu estive lá no Benin e uma parcela minoritária,

que dentro dos seus países há processos culturais

falou várias vezes sobre isso – de que os interesses

mo, nunca reconhecemos esse conhecimento adicio-

mas significativa da população são de escravos que

importantíssimos e que não tinham nenhum atendi-

culturais do Brasil ultrapassavam as fronteiras brasi-

nal como parte do cabedal da sociedade brasileira.

retornaram pra lá. E eles se consideram até hoje bra-

mento do Estado.

78 Maria

Maria 79


“Seria péssimo que o Brasil do século XXI fosse um país economicamente forte, povoado por uma comunidade de boçais.”

Maria: O Brasil assume um pouco a responsabilidade por outros países que não t��m tanta capacidade institucional, técnica e de recursos? JF - É, sem paternalismo, a gente tem ajudado os países africanos, particularmente os de língua portuguesa, e temos tido uma relação muito fraternal com os países da América do Sul. A gente quer fazer da assimetria – de tamanho, de importância econômica – um instrumento de ampliação da cooperação, e não de hegemonia, de domínio. Então esses processos têm que ser voluntários e baseados na confiança mútua e na generosidade, © RICARDO PRADO

não na mesquinharia. É importante compreender isso porque o padrão de relação internacional tende a re-

Maria: E quando elas têm essa visão elas se

petir os erros do passado. Eu já vi, já participei de de-

obrigam também a beber a noção de cultura e

legações brasileiras com empresários e políticos que

como o Estado trabalha a cultura.

muitas vezes o comportamento não é o melhor, não

JF - Exatamente. Amplia o conceito de cultura. O vale cultura está despertando um interesse monstruoso, porque todos esses países têm condições semelhantes de exclusão cultural, dificuldade de acesso.

está dentro desse contexto para onde o Brasil está tendendo a se definir nas relações internacionais. Portanto, acho que a gente tem que compreender que precisamos nos preparar para a grandeza. A grandeza

Então percebem que não basta produzir e finan-

de espírito. Não basta ser poderoso economicamente.

ciar a produção cultural, mas é necessário parale-

Seria péssimo que o Brasil do século XXI fosse um país

lamente financiar o acesso. E percebem que isso é

economicamente forte, povoado por uma comunidade

viável, que o Estado pode, que não é despesa, é

de boçais. Eu acho que a gente tem que fugir disso.

investimento. Que roda a economia da cultura do

Nós temos que ser povoados de pessoas sofisticadas,

país, cria possibilidade dos artistas sobreviverem da

complexas, generosas, espiritualizadas, afetivas com as

sua atividade, cria um vínculo mais forte entre quem

outras culturas do mundo e com as necessidades dos

produz e quem consome.

outros povos, principalmente os que estão juntos da

Então todos esses processos que estamos vivendo no

gente aqui na América do Sul, na América Latina, com

Brasil estão gerando referências que a gente tem dispo-

os irmãos africanos. Eu acho que a constituição dessa

nibilizado com a maior delicadeza, porque cada país tem

consciência é parte desse Brasil que está emergindo,

suas condições, suas realidades, suas institucionalidades.

senão não vai dar certo essa experiência brasileira.

80 Maria


Casos da Maria

Teatro Vila Velha Vá ao Vila, Velho.

O

Teatro Vila Velha ocupa um lugar especial no imaginário baiano. Símbolo de ousadia e resistência cultural, o Vila já revelou para o Brasil artistas que revolucionariam o cenário nacional, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa, Tom Zé, Lázaro Ramos, entre outros. Em 1994, o diretor teatral Márcio Meirelles, atual Secretário de Cultura da Bahia, assume o Vila Velha e começa a mobilização por uma grande reforma no espaço, que se encontrava em franco abandono. Inaugurada no ano seguinte, a Maria receberia do diretor a sua primeira “conta”. Conta assim, entre aspas, porque simplesmente não havia dinheiro para um contrato. - Márcio Meirelles me contou que havia procurado diversas agências de publicidade, mas quando ele contava qual era o negócio dele, um teatro e tal, e que não havia grana, todo mundo dizia: Tchau. A gente disse Seja Bemvindo! – conta João Silva. A remuneração dos profissionais da Maria, na época, vinha quando o Vila conseguia emplacar um projeto. “Toda vez que Márcio conseguia recursos para um espetáculo, alocava parte dele para a comunicação”, lembra João Silva. O maior desafio para a Maria, naquela época, era mobilizar a população a freqüentar um teatro que, embora bem conceituado, encontrava-se, literalmente, em obras. Tanto que, constantemente,

Filme 30’

82 Maria

Um teatro como o Vila Velha, que tem uma proposta muito maior do que simplesmente abrir pauta para espetáculos, precisava de uma identidade visual. A Maria sabe traduzir visualmente o que a gente faz de uma maneira muito bacana.”.

Cartaz

artistas como Daniela Mercury, Maria Bethânia, Gil, Caetano, Lucélia Santos, Paulo Betti e Carlinhos Brown apresentavam-se no espaço para arrecadar recursos para a compra de cadeiras, luzes, equipamento de som, etc. João Silva, então, apareceu com a sua pedra filosofal: o slogan Vá ao Vila, Velho. Gravado por Gilberto Gil e Caetano Veloso em comerciais de 15 segundos, nos quais os artistas apenas repetiam essa mesma frase de diversas maneiras e entonações, o slogan logo tornou-se mote de toda a campanha pela recuperação do teatro.

Até hoje, quinze anos depois, Vá ao Vila, Velho convoca a população baiana a frenquentar o famoso teatro. - Às vezes o cliente tem uma grande idéia na mão, mas ele não consegue enxergar que aquilo é um ativo que vai render para ele grande recall. No caso do Vila Velha, Márcio e toda a equipe do Teatro perceberam que tinham um poderoso ativo, que utilizam até hoje com bastante sucesso – argumenta Silva. Desde então, grande parte das peças promocionais dos espetáculos e grupos residentes do Vila Velha passaram a ser produzidas pela Maria.

Márcio Meirelles - ex-diretor do Teatro Vila Velha Cartaz

Outdoor

Maria 83


Causo

De como Val desasnou (Adaptação do autor)

E

ça. (“Nada de tira-gosto. Tira-gosto pra quê? Eu bebo porque gosto!”). Val ficou logo pronto, mas toda mão dizia que ia se picar. Ai Zé Mário (hum,

Comer água e depois pegar um buzú... qual é a de mermo?

Zé Mário é graça?) vinha com umas

comer água

beber

ra dia de sexta-feira de

conversas de tomar a saideira, a ante-

enfusado

preso, limitado

tardinha.

Valdelício

penúltima, a de cortesia, a da dolorosa,

Bispo dos Santos, o Val,

a de comemoração, a de Jair, e o tem-

trompaço

porrada, pancada

tava desmilinguido ali na

po passando. Quando Val viu, já era de

caía na taca

apanhava, levava uma surra

janela de sua casa no Bairro Ma-

manhã. “Ai, meu São Longuinho, é hoje

virada na porra

brava

chado, agoniado, seco pra comer

que eu vou me campar! Aquela bozen-

carne-de-pescoço

pessoa difícil, temperamental

água com a galera, mas enfusado

ga vai me engarguelar, tá rebocado!”

corda de caranguejo

forma de venda dos

E

dentro de casa.

Meio azuado, comprou a corda

caranguejos, amarrados com

É que Floripes, a dona Encrenca,

de caranguejo e foi pra casa. “Hoje

tratava ele na corda curta e às vezes

eu me lenho, com certeza, sem

na base do trompaço. A cada vacilo

medo de errar! A sacrista vai me pi-

passo a porra

bater, dar porrada

ele caía na taca. E Flor pra ficar vira-

car a porra”, sofria Val.

pongou

tomou (o ôníbus)

humilhante

ônibus

fudeu maria preá

acabou-se tudo, me dei mal

da na porra era daqui prali, a bicha era carne-de-pescoço.

Mas no que ele despongou do buzu ele desasnou. Ali defronte da

cerca de dez unidades

E tava Val nessa consumição

oficina estrela de Vadinho Biela, de

quando Flor, que bulia nuns caquei-

junto de sua casa, ele desamarrou

corrente

amigo

ros no quintal, gritou de lá de dentro:

os caranguejos, arranjou uma vari-

qual é a de mermo

tudo bem?

“Beinho, dê um salto ali na Feira de

nha e foi guiando os bichinhos até

balaios

bundas

São Joaquim e compre uma corda

em casa, falando alto pra Flor ouvir;

de caranguejo pra eu fazer um escal-

“caranguejo, diabo, rumbora, ôxe,

se picar

ir embora, se mandar

dado pra você mais eu!”.

é por aqui!”. Flor, que já esperava

vou me campar

vou me dar mal

“Oxente, beinho, só se for agora”,

na porta, retada, foi logo dizendo :

bozenga

mulher feia

respondeu Val. E Flor de lá: “Mas ói sua

“seu descarado, filho de mulé dama,

engarguelar

esganar

vida, hem, não vá demorar não senão

se prepare que vou lhe bater fixe! E

eu lhe passo a porra, viu?” E Val saiu

nem abra a boca, que você calado tá

tá rebocado

pode crer, tenha certeza!

picado, pongou no primeiro humilhante

errado!” E Val: “Oxen, beinho, você

picar a porra

bater, dar porrada

e saltou na Feira de São Joaquim.

pensa que é moleza vir de São Jo-

buzu

ônibus

Malmente ele chegou encontrou a

aquim até o Bairro Machado, na pa-

desasnou

teve uma boa ideia

raça: Beto Bozó, Del, Das Águas, Geni-

leta, tangendo essa ruma de caran-

nho e Zé Mário. “Êta zorra, agora fudeu

guejo, fazendo o bicho andar pelo

oficina estrela

oficina pequena, de rua

maria-preá”, pensou Val. “E aí, corrente,

passeio, descer meio-fio, atravessar

de junto

ao lado, próximo

qual é a de mesmo?”, saudou.

rua, correr de cachorro, e parar em

retada

brava

sinaleira? Demora como um corno!”

bater fixe

bater com força, com firmeza

na paleta

a pé

ruma

um monte

sinaleira

sinal de trânsito

E tome a comer rama, dizer dixote um pro outro e olhar os balaios das

Ô, retchado!...

meninas feito abelha de padaria. De vez em quando uma passarinha ou

NIVALDO LARIÚ

um caldo de sururu pra dar sustan-

DICIONÁRIO DE BAIANÊS

84 Maria

Maria 85


Tabuleiro da Maria

É só um jeito de corpo O corpo em sintonia com a saúde, a harmonia interior e a boa forma. O tripé de benefícios do método Pilates Allegro é, hoje em dia, fato consumado. Por acreditar muito nessa nova forma de cuidar e ver o corpo, a professora baiana Verônica Fonseca estudou e aplicou o método em Caracas, na Venezuela, durante dez anos. Agora, retorna a Salvador para fundar o Vero 3 Centro de Movimento, que se destina tanto ao atendimento do público, como à formação de novos profissionais. Trata-se de um espaço de reeducação corporal, onde são exercitadas técnicas que buscam o equilíbrio entre o corpo e a mente para alcançar a longevidade e desfrutar a alegria de viver. Como base, o centro utiliza-se de uma metodologia criativa baseada nas técnicas ou disciplinas do Pilates Allegro, Feldenkrais e Gyronkinesis.

Imagens de uma líder

Orixás descem no Louvre O artista plástico baiano Ed Ribeiro, um dos mais renomados da arte brasileira contemporânea, dá mais um salto na sua carreira internacional. De 17 a 19 de setembro, ele integrará a mostra Exposition Internacionale d´Art Contemporain, que ocupará as dependências do Museu do Louvre, em Paris. Em junho, foi condecorado com a Médaile De Vermeil 2010, pela Academia de Artes, Ciências e Letras de Paris. Ed Ribeiro é um artista único na Bahia e no Brasil. Sua arte, carregada de traços da cultura afrobrasileira, com destaque especial para os orixás e o sincretismo religioso, é também destaque pelo uso de uma técnica inovadora, que troca os pincéis e espátulas pela tinta derramada sobre tecido. Conteúdo e técnica fazem a fama de Ribeiro - um apaixonado confesso por Jackson Pollock - inicialmente na Bahia, depois no mundo.

Aos 13 anos de idade, Maria Stella de Azevedo Santos foi iniciada no candomblé. Era o ano de 1925. Trinta e sete anos depois, ela seria escolhida ialorixá do tradicional Ilê Axé Opô Afonjá, um dos mais tradicionais terreiros baianos. Hoje, Mãe Stella de Oxóssi é uma das líderes religiosas mais importantes e influentes do Brasil (e do mundo). O passo a passo dessa rica trajetória pode ser deliciosamente apreciado no livro Mãe Stella de Oxóssi, escrito pela psicoterapeuta Vera Felicidade, autora de vasta e conceituada literatura científica. Trata-se de um relato envolvente feito por quem entende do assunto – Vera é “filha” do terreiro – e que procurou analisar, além da personalidade, aspectos ligados à liderança no Candomblé e à cultura religiosa afro-baiana. Mãe Stella de Oxossi – Perfil de uma liderança Religiosa. Autora: Vera Felicidade de Almeida Campos/ Jorge Zahar Editora/RJ 92 pgs

Ed Ribeiro - www.edribeiro.com.br

África, moda e criatividade Jimmy Cliff se vestia com ela. Seus panos já fizeram a ambientação do Itamaraty em recepções internacionais. Painéis de sua autoria compõem a decoração de instituições como Fundação Palmares (Brasília) e The Ford Foundation (Nova Iorque). Está presente em feiras de moda e vestuário nas cidades mais elegantes do mundo. Artista Plástica formada pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, com especialização pela Universitá Internazionale Dell’Arte de Firenze, Itália, Goya Lopes é, sem dúvida, uma das maiores designers brasileiras. Artista com um pé no empreendedorismo, fundou a Didara, empresa que tem hoje 23 funcionários e duas lojas em Salvador. Seu grande mérito, no entanto, é ter desenvolvido uma original linha de criação alimentada pelas raízes culturais africanas sem cair nos clichês que povoam este segmento. Didara by Goya Lopes – Rua Gregório de Mattos, Pelourinho, Salvador – Aeroporto Internacional de Salvador, Salvador 86 Maria

Vero 3 Centro de Movimento - Rua Alexandre Herculano, 18, Esquina Boulevard, loja 02, Itaigara, Salvador - Bahia – Brasil Telefax::71 3351.4536 - pilates.ve@gmail.com - www.vero3.com.br

Ócio criativo dos baianos A fama de preguiçoso dos baianos, difundida Brasil afora, é encarada pelos próprios com a sabedoria de quem considera a tal preguiça um “pecado” necessário para se viver melhor. Dito isso, fica fácil entender o bom humor que está por trás do principal guia cultural de Salvador, o Guia do Ócio. Criado em 1999 pela Companhia de Comunicação, a publicação permanece ativa no seu propósito de facilitar a vida dos turistas, (também dos baianos), com informações da programação cultural e de lazer de Salvador e redondezas. Por ser inteiramente feito por baianos, enumera aqueles locais e atrações que fogem aos roteiros convencionais, desvendando o que está por trás dos cartões postais. Além da versão impressa – lançada anualmente – oferece site próprio com a programação do dia a dia. Guia do Ócio – Autor: Companhia de Comunicação/ Editora Fábrica das Letras 264pgs - www.guiadoocio.com

Beleza negra que encanta o mundo

Pelas lentes de Glat

Definitivamente bonito de se ver, o Ilê Aiyê ganha a Europa em 2010. De 12 de junho, até meados de julho, o primeiro e mais importante bloco afro da Bahia levou sua música e seu gingado para Festivais e centros culturais de cidades como Barcelona, Zaragoza, Granada, Marselha e Paris. Uma excursão estratégica na trajetória do grupo não só pelo número de shows programados – cerca de 15 – como pela importância dos eventos em que participa como convidado especial. O Ilê viajou com cerca de dez componentes, entre músicos, cantores e dançarinos, e encontrou com mais cinco na Europa, incluindo os mestres Marivaldo e Mário Pam.

Carioca de nascimento, baiano de formação e coração. De tão baiano, o fotógrafo David Glat resolveu apresentar uma nova e inusitada visão de algumas das mais conhecidas referências históricas e arquitetônicas da cidade de Salvador. O resultado é a exposição “Pérolas Imperfeitas”, que depois de estrear na capital baiana, segue para diversas cidades brasileiras ao longo do segundo semestre de 2010. A programação inclui cidades como Fortaleza (8 de junho a 25 de julho), São Paulo (19 de junho a 22 de agosto) e Recife (10 de agosto a 5 de setembro). A mostra transgride a estética da tradição, propõe novos olhares sobre a cidade, vista sob efeitos ilusionistas ou de maneira retorcida. David Glat - www.davidglat.com.br/projetos

Ilê Aiyê – Senzala do Barro Preto, Rua do Curuzu, 62, Liberdade - www.ileaiye.org.br Maria 87


Crônica

A BAHIA É BICAMPEÃ

Zig zag Para João da Maria

N

a Amazônia, onde nasci, não temos ladeiras. Vivemos numa

planície,

mas

como ela é toda tecida de rios, e está numa bacia, já nascemos sabendo descer correntezas. Então, descer eu já sabia. Mas não sabia subir quase como quem desce. Sem cansar. Isso aprendi na Bahia. A Bahia me ensinou a subir ladeira em zig zag. A gente não enfrenta a subida de frente, fica indo de um lado ao outro dela, atenuando a inclinação. Claro que demora bem mais, e se dá muitos mais passos, e a ladeira parece que vai subir

nos dá a sensa-

até o céu, e não acabar nunca.

ção de que podemos su-

Além disso, a gente vai sentando aqui e ali,

bir qualquer altura: até o alto do

para se restaurar e seguir subindo. É uma

Himalaia com o Monte Fugi por cima.

arte que pede paciên-

Quando voltei da Bahia para cá, após

cia. Aliás, artimanha.

13 anos vivendo lá, aprendi a misturar em

Sentar em de-

mim Amazônia e Bahia. E usar as subidas

grau de ladeira é diferente de sentar no fundo de barco na correnteza: na ladeira, a pessoa

fica

sentadinha onde

sen-

tou, não sai do lugar. Na correnteza, a gente descansa em movimento, vendo as margens passar por nós. E, imóvel, vai indo em frente. Uma vez sentei sozinho no meio de uma ladeira infernal, na Bahia. E sonhei que estava descendo uma correnteza. Fiquei tão leve, subi como um balão e num piscar de olhos, já estava no alto da ladeira. Subir ladeira sonhando que se está descendo correnteza

baianas e descidas amazônicas, conforme o caso. Onde eu quero chegar com essa história, que não sobe nem desce? Bem. Se vocês querem uma moral da história, fiquem com esta: - Por mais dura ou mole demais que esteja à vida, subindo ou descendo ao nosso redor, a gente sempre pode inverter e amolecer ou endurecer as coisas, passando de fora dos olhos abertos para dentro dos olhos fechados. E se imaginar subindo ladeiras descendo correntezas ou descendo correntezas subindo ladeiras. A vida pode ser vice versa. VICENTE FRANZ CECIM, ESCRITOR E PUBLICITÁRIO CECIMVOZESDEANDARA.BLOGSPOT.COM

88 Maria

os

 e  Edival  Pass

 Paulo  Okamoto

Antônio  Marcos,

A FEIRA DO EMPREENDEDOR - BAHIA FOI ELEITA A MELHOR DO BRASIL PELA SEGUNDA VEZ CONSECUTIVA.

Maria 89 0800 570 0800 | www.ba.sebrae.com.br


Humor

mariapreta.org 90 Maria


Foto:  blog.estadao.com.br

Pensar  o  novo!

José  de  Souza  Saramago,  16/11/1922  -­  18/06/2010


Revista Maria