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Imigrantes e refugiados buscam recomeçar a vida no Brasil

ENIGMA AREIA DE MALANA PRONTA

Estudantes embarcam cada vez mais cedo em programas de intercâmbio para aprender outro idioma e conhecer uma nova cultura IMAGINE SE TODO O LIXO FOSSE RECICLADO

APRENDA A INVESTIR SEU DINHEIRO

AO PONTO: COMBATE À FOME E AO DESPERDÍCIO

33203 – CONEXÃO 04/2015

Out-Dez 2015 – Ano 8 no 36

Exemplar:7,40 – Assinatura: 23,50

ENTENDA. EXPERIMENTE. MUDE

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Da redação

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Editor Wendel Lima

É HORA DE EMBARCAR William de Moraes

O IDIOMA É O ELEMENTO MAIS FORTE de identificação de uma cultura e de segmentação étnica. Afinal, uma língua não é apenas um conjunto de códigos, fonemas e símbolos. É, sobretudo, a expressão de um modo de enxergar o mundo, de organizar a sociedade e de perpetuar a história de um povo. Por isso, desde que Deus confundiu a comunicação verbal da humanidade na Torre de Babel, a fim de espalhar os seres humanos, a diversidade cultural tem unido os que falam a mesma língua e separado os demais. Porém, com o advento da globalização da economia, dos transportes e da tecnologia de comunicação, o mundo ficou menor e os povos foram aproximados. Esse fenômeno gerou uma demanda de aprendizado de novas línguas. É verdade que, se o diálogo internacional dependesse de um idioma comum, as nações nunca se entenderiam. Afinal, cerca de 7 mil línguas e dialetos são falados pelos mais de 7 bilhões de habitantes da Terra. O que ameniza essa confusão é que 90% desses idiomas são utilizados por grupos étnicos bem pequenos, que somam apenas 100 mil pessoas. A maior parte da humanidade fala uma das 11 línguas mais populares: chinês, inglês, espanhol, hindi, árabe, bengali, russo, português, japonês, alemão e francês. Se você ainda não começou a estudar uma delas, deveria iniciar pelo inglês. Esse é o terceiro idioma mais falado no mundo e a língua universal dos negócios, da ciência e da indústria cultural. O fato é que, se você não foi introduzido a uma segunda língua na infância, a aquisição de outro idioma se tornará mais difícil a medida que o tempo passa. Outra variável importante é qual língua deseja aprender. Em tese, para um brasileiro é mais fácil se dar bem no espanhol, romeno, italiano e francês, idiomas da mesma “família”, do que dominar o inglês ou alemão. A coisa piora mesmo quando vai para línguas que utilizam outro alfabeto, como o russo, chinês e árabe. Apesar de não existir milagre para aprender outro idioma, a não ser aquele mencionado na Bíblia (At 2), a boa notícia é que os alunos dos colégios adventistas podem aproveitar os internatos da rede ao redor do mundo para fazer intercâmbio num ambiente seguro e que segue a mesma filosofia das escolas adventistas brasileiras. Para contar na reportagem de capa como funciona esse programa, a jornalista Rebbeca Ricarte embarcou com uma turma que passou duas semanas na Flórida (EUA). Eles foram à Disney, claro, mas a viagem e toda essa edição renderam muito mais do que isso. Boa leitura!

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5 CONECTADO

A OPINIÃO DE QUEM SEGUE E CURTE A REVISTA

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GLOBOSFERA

DROGAS INTELIGENTES, VIOLÊNCIA, ASTRONOMIA E VOLUNTARIADO

10 ENTENDA

O QUE ACONTECERIA SE A LUA SE AFASTASSE DA TERRA

22 PERGUNTAS

PROFETAS MODERNOS, PREDESTINAÇÃO, ONOMÁSTICA E BRUXAS

30 APRENDA

A INVESTIR SEU DINHEIRO

8 AO

COM ALIM NO

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18 REPORTAGEM

SAIBA O QUE A IGREJA ADVENTISTA TEM FEITO PARA ACOLHER IMIGRANTES E REFUGIADOS NO BRASIL

26 M

A S N


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S

IRO

SE TODO O LIXO FOSSE RECICLADO

8 AO PONTO

COMO O CONCEITO DE SEGURANÇA ALIMENTAR PODE AJUDAR NO COMBATE À FOME

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CAPA

VIAJAMOS ATÉ A FLÓRIDA PARA CONHECER UM PROGRAMA DE INTERCÂMBIO DIFERENTE

Revista trimestral – ISSN 2238-7900 Outubro-Dezembro 2015 Ano 8, no 36 Ilustração da capa: Rogério Chimello

CASA PUBLICADORA BRASILEIRA

Editora da Igreja Adventista do Sétimo Dia Rodovia Estadual SP 127 – km 106 Caixa Postal 34 – 18270-970 – Tatuí, SP Fone (15) 3205-8800 – Fax (15) 3205-8900 Site: www.cpb.com.br / E-mail: sac@cpb.com.br Serviço de Atendimento ao Cliente Ligue grátis: 0800 9790606 Segunda a quinta, das 8h às 20h30 Sexta, das 8h às 15h45 Domingo, das 8h30 às 14h

O PARA E L

Editor: Wendel Lima Editores associados: Eduardo Rueda e Wellington Barbosa Projeto Gráfico: Marcos Santos e Éfeso Granieri Designer Gráfico: Fernando Santana Diretor-Geral: José Carlos de Lima Diretor Financeiro: Edson Erthal de Medeiros Redator-Chefe: Marcos De Benedicto Redator-Chefe Associado: Vanderlei Dorneles Gerente de Produção: Reisner Martins Gerente de Vendas: João Vicente Pereyra Chefe de Arte: Marcelo de Souza Colaboradores: Edgard Leonel Luz, Almir Afonso Pires, Almir Augusto de Oliveira, Antônio Marcos Alves, Douglas Jeferson Menslin, Eder Leal, Marco Antonio Leal Góes, Orlando Mário Ritter, Pedro Renato Frozza, Raquel Xavier Ricarte, Alexander dos Santos Dutra e Rérison Alfer Vasques.

26 MUDE SEU MUNDO

A GINCANA SOLIDÁRIA QUE SE TORNOU MOBILIZAÇÃO NACIONAL

Assinatura: R$ 23,50 Avulso: R$ 7,40 www.conexao20.com.br Tiragem: 29.000

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LIÇÃO DE VIDA

A HISTÓRIA EM VERSO E PROSA DA CANTORA ROBERTA SPITALETTI

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GUE

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9117/33203 Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio, sem prévia autorização escrita do autor e da Editora.

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Informação Conectado & Opinião Globosfera Ao ponto Entenda

conexao20@cpb.com.br

Desabafos, sugestões, interação e dúvidas para a seção Perguntas? É por aqui mesmo!

Devido à correria da vida acadêmica, fiquei algum tempo sem ler a revista. Entretanto, com a chegada das férias de julho fiz questão de colocar a leitura em dia. A edição do primeiro trimestre deste ano trouxe um tema incrível para ser discutido: a sick-lit. Destaco também as seções “Perguntas”, “Ponto de vista”, “Tudo ligado” e “Imagine”, que são minhas favoritas; e o perfil da Fernanda Lima, autora do livro Um Passo a Mais, obra que li e recomendo. Na edição de abril-junho, gostei da capa super-personalizada e das dicas da seção “Globosfera”, incluindo a do livro Os Escolhidos, que fiquei com muita vontade de ler. Também curti bastante, como estudante de Publicidade, a conversa com o Dr. Jung Mo Sung, além dos textos com uma veia mais missionária como “Brazucas na terra dos faraós”, “Aventura na selva” e “Uma vida em missão”. E depois de quase citar a revista inteira, destaco a criatividade do Eduardo Rueda, sempre dou altas risadas com o “Tudo ligado”.

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Perdeu alguma edição ou deseja reler uma matéria que gostou muito?

Acesse nosso arquivo e folheie todas as edições da Conexão 2.0

Por fim, sobre a última edição, fiquei encantada com a perfeição do texto da jornalista Mariana Venturi, que me prendeu do começo ao fim. Destaco também a reportagem esclarecedora sobre extremismos. Tem sido difícil assumir qualquer posição sobre temas polêmicos hoje em dia. A equipe está de parabéns! A revista é completa e agrada qualquer leitor. Gladys Angélica Excelente, informativa, interativa, com linguagem atual e contemporânea Paulo Laurentino A Conexão 2.0 é a cara da juventude cristã. Super moderna, atual, inteligente e fala a linguagem que o jovem entende. Investimento certo! Giovanna Eugênia de Lima

Cínthia Santos: Enriquecedora a reportagem intitulada “Mundo dos extremos”. Gostei da frase: “... para ser cristão não há meio-termo”. Ótimo texto, com leitura envolvente e esclarecedora.

Bruno Esequiel: Preciso voltar a assinar essa revista. Faz dois anos que parei e estou perdendo matérias boas.

Ana Cláudia Carvalho Gonçalves: Realmente, o material da revista está melhor a cada edição! Continuem nessa progressão e alcançarão grande êxito.

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facebook.com/conexao20

Saiba o que vai ser publicado, opine sobre as matérias que já saíram e compartilhe os conteúdos com os amigos que não têm a revista.

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twitter.com/conexao_20 @jersicalins: Precisa viajar no sábado? A melhor companhia é uma revista Conexão 2.0. Que revista incrível! Li todinha de uma vez.

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________ Ger. Didáticos

11.000 seguidores

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Texto Wendel Lima Colaboradores Bianca Lorini, Jefferson Paradello e Pictures C. Cozzi

DE OLHO NAS ESTRELAS

Em 2016, não apenas atletas poderão conquistar medalhas para o Brasil, estudantes também. Da Rede Educacional Adventista, dez alunos foram pré-selecionados para concorrer com outros mil estudantes para entrar na seleção brasileira que vai disputar duas competições acadêmicas no próximo ano: a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica, na Índia, e a Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica, no Chile. Esses alunos deixaram outros 20 mil para trás e vão agora encarar, até março, três provas online e uma presencial. Pietro Bello Torman, do Instituto Adventista Cruzeiro do Sul (IACS), internato localizado em Taquara (RS), é um deles.

U m e id e n p

DOPING ACADÊMICO

A onda que começou entre universitários americanos de tomar psicoestimulantes para conseguir estudar por mais tempo sem perder a concentração, já chegou ao Brasil. A venda dessas substâncias aumentou 25% nos últimos cinco anos. O ponto é que não existem estudos conclusivos que confirmem a eficácia das chamadas “drogas inteligentes” nem o risco de seus efeitos colaterais. Alguns questionam também o aspecto ético desse hábito, comparando-o ao doping dos atletas. O que parece certo é que exercício físico, palavras cruzadas e relacionamentos presenciais colaboram para a saúde do cérebro. Ou seja, não é uma pílula que vai tornar você um gênio.

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Marketing | IACS

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D d p g “ n d e 3 s

BRASILEIROS NA SUÍÇA

Cerca de 60 mil dólares. Foi essa quantia, em tempos de desvalorização do real, que um clube de desbravadores de Goiânia investiu para participar de um acampamento de sete dias na Suíça, no início de agosto. Boa parte do dinheiro veio de doações, inclusive do líder do grupo, Daniel Narciso Oliveira. A intenção do empresário é fazer com que adolescentes carentes tenham uma experiência transcultural e entendam que fazem parte de uma agremiação mundial com mais de 1,5 milhão de participantes. Porém, a fim de embarcar para a Europa, os desbravadores tiveram que alcançar boas notas na escola. O campori europeu (aycamporee.org), que foi realizado às margens do Lago Neuchâtel, atraiu 2.300 jovens de 20 países. O próximo destino internacional do clube brasileiro é a Inglaterra, em 2016.

FÉRIAS DO BEM

Em julho, em todo o Brasil...

45.600 61 13.400 calebes ajudaram a plantar

igrejas e a levar ao batismo...

pessoas

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Divulgação | EUD

Fontes: Folha.com e BBC.com


YOUTUBERS CRISTÃOS

Esse fenômeno tem chamado a atenção da imprensa secular. A temática foi pauta do portal R7, que destacou cristãos populares na web como a jornalista e escritora adventista Fabiana Bertotti. Seus vídeos já receberam mais de 6,3 milhões de visualizações no YouTube. Os mais acessados, claro, são sobre sexualidade, mas ela também fala sobre comportamento em geral, dá dicas de maquiagem e de turismo na Europa (Fabiana vive em Londres). A jornalista recebe, em média, 500 mensagens por dia de gente que pede oração e conselhos. A partir de outubro, ela pretende criar grupos online de estudo da Bíblia.

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Uma pesquisa feita pelo Ibope e o serviço PiniOn mostrou que o desjejum do paulistano e do carioca está longe do recomendado: 54% acham que não é o ideal, principalmente pela ausência de frutas (43%) e a pouca variedade de alimentos (27%); 13% apenas acreditam que estão comendo corretamente na primeira e mais importante refeição do dia.

Divulgação

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LONGE DO IDEAL

MAIS DE UM MILHÃO Em apenas um mês, o clipe “Acredito”, do cantor adventista Leonardo Gonçalves, passou de 1,4 milhão de visualizações no YouTube. Apesar de ser a música-tema do filme evangélico Você acredita?, que estreou no início de setembro, o clipe teve mais repercussão do que o próprio trailer do filme (184 mil). O longa-metragem é dos mesmos autores de Deus não está morto (2014). Desde que assinou contrato com a Sony Music, Leonardo tem ampliado sua influência sobre o público evangélico e secular.

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ÚLTIMAS PALAVRAS

No leito de morte, o ser humano costuma aconselhar. É o que mostra uma pesquisa divulgada pelo jornal britânico The Daily Telegraph feita com 2.198 pessoas que haviam perdido um parente recentemente. Resultado: 83% delas haviam recebido algum tipo de conselho. As principais recomendações dadas pelos pacientes terminais foram sobre amor (62%), carreira (56%) e família (43%). Esse estudo nos faz pensar sobre a fragilidade da vida e o propósito dela. Fonte: Veja.com

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Depois de estudar o tema por quatro meses, uma CPI da Câmara dos Deputados criou o Plano Nacional para Enfrentamento da Violência Contra Jovens Negros. O relatório dos parlamentares classifica como “genocídio” a violência cometida contra esse grupo no Brasil. O plano prevê reduzir o número de homicídios de 70 para menos de 10 por 100 mil habitantes e esclarecer pelo menos 80% dos crimes. Hoje, apenas 3% das pessoas que cometem crimes contra a vida são punidas e só 8% dos crimes vão a julgamento.

Divulgação

A COR DA VIOLÊNCIA

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Ao ponto

Texto Wendel Lima Ilustração Marcello Filho

Luta contra

a fome

INCONFORMADA COM O fato de que seres humanos passam fome, a maranhense Osvaldinete Lopes de Oliveira Silva, 47 anos, se especializou numa área ainda quase desconhecida no Brasil: a segurança alimentar. Professora do curso de Nutrição da UFMS, em Campo Grande, ela cursa o doutorado na USP. Mas seu interesse pela dignidade humana vai além do acadêmico. Por 12 anos ela atuou no conselho de segurança alimentar do seu estado, propondo e fiscalizando políticas públicas. Numa entrevista curta, a professora explica como o assunto que ela estuda tem que ver com o prato do nosso semelhante.

O que é segurança alimentar e nutricional?

É uma condição em que a pessoa tem garantido seu direito humano mais básico de ter uma alimentação saudável, de boa qualidade e em quantidade suficiente, todos os dias, adquirida de forma digna, e preferencialmente produzida e consumida de forma segura e sustentável. Apesar de ser um direito universal e garantido pela constituição brasileira, segundo a ONU, 795 milhões de pessoas no mundo e 6,5 milhões no Brasil não desfrutam dele.

E no outro extremo temos o problema da obesidade... Sim. E o índice de obsesos vem crescendo assustadoramente: 39% da população adulta mundial têm sobrepeso ou é obesa e, no Brasil, isso representa 55,6% dos adultos e 42 milhões de crianças. Consumo excessivo e não balanceado de 8 |

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alimentos também é um tipo de insegurança alimentar.

O conceito de segurança alimentar abrange mais o quê?

A sustentabilidade, o uso de agrotóxicos na lavoura e a agricultura familiar, por exemplo. Especialmente esse modelo de agronegócio apresenta algumas vantagens: (1) os pequenos produtores rurais tendem a abastecer o mercado interno e não a exportação, usando menos ou nada de agrotóxicos, e ajudando a manter um preço acessível para os alimentos; (2) empregam mais trabalhadores usando menos terra (12,3 milhões de pessoas para 80,1 milhões de hectares), enquanto a agricultura em larga escala emprega 4,2 milhões de pessoas em 253,6 milhões de hectares; (3) além disso, o modelo convencional utiliza muitos agrotóxicos, o que faz do Brasil o

maior consumidor mundial desses produtos. O desperdício de alimentos também é outro problema que compromete a segurança nutricional global. Estima-se que cerca de 30% dos alimentos produzidos sejam desperdiçados (1,3 bilhão de tonelada e 750 bilhões de dólares por ano). Cerca de 54% do desperdício acontece nas etapas da produção, manipulação e armazenamento, e 46% ocorrem no processamento, distribuição e consumo.

E como está o prato do brasileiro?

Apesar de ter havido uma diminuição de 12,6% da insegurança nutricional no país (2004 a 2013), 22,6% das famílias ainda apresentavam algum nível de deficiência na dieta: 14,8% não podiam adquirir uma alimentação variada e de boa qualidade (leve); 4,6% comiam menos para poder alimentar as crianças (moderada) e 3,2% passavam

fome (grave). O quadro mais preocupante é no Nordeste e Norte e entre pessoas com menor escolaridade e renda, negras e indígenas.

Para mudar esse quadro, como os cristãos podem contribuir?

Individualmente, mobilizese para ajudar as famílias pobres da sua comunidade a gerar a própria renda e a fazer escolhas saudáveis. Como igreja, podemos identificar as famílias carentes do entorno do templo e encaminhá-las para o serviço social, manter um “banco de empregos”, usar a cozinha do templo para cursos de culinária saudável e de aproveitamento integral dos alimentos e participar dos conselhos municipais de segurança alimentar ou de assistência social. A igreja não pode se omitir diante da violação de um direito humano básico como o da alimentação.


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Entenda

Texto Carolina Donatilio e Emily Martins Ilustração Marcello Filho

O que aconteceria se a Lua se afastasse da Terra

É muito provável que você não tenha percebido mas, a cada ano, a Lua se afasta 3,8 centímetros da Terra. Essa taxa é precisamente medida pela NASA desde 1969, quando as missões Apollo deixaram unidades retrorefletoras cheias de pequenos espelhos no solo lunar. Porém, como esse processo é lento, não observamos resultados drásticos. O fenômeno ocorre porque os efeitos da maré transferem a energia de rotação da Terra para a energia orbital da Lua. Assim, nosso planeta gira mais lentamente e a Lua se afasta cada vez mais dele. Atualmente, a Lua está a uma distância média de 384 mil km da Terra (a órbita não é circular, mas elíptica). Cientistas estimam que há 3 bilhões de anos, o satélite estava bem mais próximo do nosso planeta e que o dia por aqui durava 18 horas. Hoje, uma volta

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completa da Terra em torno de seu eixo dura 24 horas, porém, com o afastamento da Lua, é provável que esse tempo se altere significativamente. Por exemplo, se a Lua chegar a 560 mil km de distância da Terra, daqui 4 bilhões de anos, os dias vão passar a ter 1.152 horas e nosso planeta se tornará um caos inabitável. Num hipotético cenário com dias mais longos, a temperatura iria variar de extremo calor durante o dia e frio congelante à noite. Ventos violentíssimos causariam grandes estragos, fazendo as atuais tempestades parecerem uma leve brisa. Vida? Nada além de bactérias e vermes super-resistentes e adaptados para condições extremas.

Criacionistas e evolucionistas divergem em alguns pontos sobre esse fenômeno. O primeiro grupo entende que o sistema Terra-Lua é mais recente do que o defendido pela visão tradicional, não ultrapassando 1,2 bilhão de anos. Enquanto o segundo afirma que no passado a taxa de afastamento pode ter sido menor. A Bíblia indica que Deus manterá a Terra habitável (Ap 21:1-4). Ele morará com a humanidade aqui e a luz de Sua glória vai exceder, mas não necessariamente dispensar, o brilho do Sol e da Lua (Ap 21:23; Is 60:19, 20). Para quem acredita no Livro Sagrado, não há o que temer sobre o futuro da Terra, pois a intervenção final de Deus em nosso planeta está próxima (Ap 22:12; 2Pe 3:9-13) e Sua presença garantirá nossa sobrevivência (Is 60:21). Fontes: Eduardo Ferreira Lutz, doutor em Física pela UFRGS e pesquisador de desenvolvimento e tecnologia de software na HP; Urias Echterhoff Takatohi, doutor em Física pela USP e professor do Unasp, campus São Paulo; “Por que a Lua está se afastando da Terra”, em BBC Brasil (adv.st/1En8ubW); “Lua está se distanciando da Terra, indica estudo”, em History Channel (adv.st/1hIAH35); e “O que aconteceria com a Terra se a Lua se afastasse?”, em revista Mundo Estranho (adv.st/1JAwqJd). out-dez

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A razão para essa possível bagunça é que a Lua exerce influência gravitacional sobre a rotação da Terra em torno do próprio eixo. Se ela saísse de órbita completamente, após muito tempo o eixo de rotação do nosso planeta poderia acabar mudando de direção e se alinhar ao plano da órbita da Terra em torno do Sol. Isso poderia ocorrer pela influência gravitacional de outros objetos do sistema solar e dos movimentos internos das camadas da Terra. Num cenário extremo como esse, seria dia o tempo todo num hemisfério e noite na outra metade do planeta. Sem a luz solar, a vida humana, animal e vegetal seriam inviáveis. Por isso, um grande afastamento da Lua traria consequências drásticas para a Terra.

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Interpretação Capa & Reflexão Reportagem

Texto Rebbeca Ricarte Design Fernando Santana e Renan Martin

Perguntas Imagine

FUTURO A BORDO Embarcamos para a Flórida com uma turma que não viajou apenas a fim de passear na Disney. Esses estudantes experimentaram um intercâmbio que serviu de preparação para o mercado e a vida

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MEU NOME É Laiz Fernandes*. Tenho 16 anos e estou concluindo o 3º ano do Ensino Médio no Colégio Adventista de Santo Amaro, em São Paulo. Várias coisas passam pela cabeça de uma garota da minha idade. Mas, com certeza, o vestibular e meu futuro profissional são minhas maiores preocupações no momento. Ainda estou definindo qual carreira seguir, porém, independentemente disso, sempre soube que dominar um segundo idioma é importante. Desde cedo meus pais investiram nisso. Durante quatro anos fiz um curso de inglês, mas não posso dizer que estava totalmente satisfeita com meu aprendizado. Falar outra língua requer mais do que livros e diálogos com professores. É preciso conviver no dia a dia da cultura em que se fala esse idioma.

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Foto: Adalto de Paula Santos

Você vai entender quanto acre#INTERCÂMBIOADVENTISTA dito nos programas de imersão O programa é direcionado a alucultural depois que ler a matéria a nos dos colégios adventistas do Brasil, assim como para jovens seguir. Ela é resultado de dois intercâmbios. O primeiro foi ainda adventistas que não estudam nas no 1º ano do Ensino Médio. Estava instituições da rede. Com modaliprestes a completar 15 anos, e trodades que contemplam desde o Enquei minha festa de aniversário por sino Fundamental II até cursos de essa experiência. Fui à Inglaterra, idiomas e de especialização para o França e Itália, onde vivi os dias nível superior, o intercâmbio abre as “Há dois anos, recebemo s mais inesquecíveis da minha vida. portas para 12 destinos diferentes. a primeira turma de alunos brasileiros, que passou Agora, estou prestes a embarcar Anualmente, 2.500 brasileiros 15 dia s no cam em mais um intercâmbio, dessa participam do programa. A imersão pus. Desde então a experiênvez para os Estados Unidos, e por pode durar de duas semanas a um cia tem sido ótima! Nosso isso, estou deixando para trás a ano. Um dos grandes diferenciais é campus está aberto para formatura e a viagem de concluo fato de o intercambista ser acoestudantes do Intercâmb io lhido num internato da igreja, onsão de curso com minha turma. Adventista. Vamos sempre de ele se hospeda, recebe refeições O intercâmbio começa daqui recebê-los com muita balanceadas, tem acesso a estrutua três dias. Vamos visitar a Flórialegria.” Franck Jones, vice-diretor ra acadêmica e de lazer e contato da durante as férias de verão dos do Forest Lake Academy com professores que têm a mesma norte-americanos. Vou ter aulas de inglês e momentos de lazer em filosofia da rede escolar no Brasil. O visitas a parques e museus. E se programa é certificado pela Greeks, você está lendo até agora, deveria uma modalidade de ensino de idiocontinuar, pois essa é apenas a primeira página do ma validada pela Universidade Andrews (EUA). O meu scrapbook de férias. Daqui para frente, vou colar certificado de 60 horas é reconhecido no Brasil e no fotos e trechos desse meu diário de bordo, mostranmundo e a formatura ocorre no próprio internato que recebe os alunos. do os melhores momentos da viagem. E então, que Sei que o intercâmbio é uma grande oportunidade tal viajarmos juntos? #PartiuIntercâmbioAdventista de me preparar para o mercado de trabalho e para a vida. Uma pesquisa realizada pela empresa de educação EF (Education First), em 2014, avaliou o nível de

#FICADEOLHO – PA

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Não tinha co mo deixar de passar na Dis ney

SSAPORTE E VI O passaporte fu STO nciona como um documento de identidade internacional. É concedido pela Polícia Fede ral, tem validad e de cinco anos e o proces so de requerim ento exige apresentação de documentação, pagamento de taxa e entrevis ta pessoal agen dada (para saber mais, aces se dpf.gov.br/se rvicos). Alguns países ex igem visto. No caso dos Estados Unidos , o processo po de ser realizado pela inte rnet (usavisa.cc ), e consiste no pr eenchimento de formulário, paga mento de taxa e entrevista no co nsulado com o passaporte em mãos. Os 27 países da Un ião Europeia não exigem visto.

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m a d b a o d c O P p p c t


Eduardo Brito, 12 anos, Colégio Adventista de Rio Branco (AC)

A NASA é uma agência do governo federal dos Estados Unidos responsável, desde 1958, pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial. A ida do homem à Lua foi a conquista mais histórica da NASA. O projeto Apollo, como foi nomeado, funcionou de 1961 a 1972. Foi esse empreendimento que levou os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin a pisar na Lua em 1969, com a Apollo 11.

A agência também tem desenvolvido vários programas com satélites e sondas que viajaram até outros planetas. A meta agora é enviar equipamentos de sondagem para fora do sistema solar e uma viagem tripulada até Marte. O Centro Espacial Kennedy, na Flórida, é a base de lançamento de veículos espaciais da NASA. Cerca de 17 mil pessoas trabalham no local, que fica no Cabo Canaveral, na Ilha Merritt. A base possui um centro de visitação, o que a torna um dos principais pontos turísticos da Flórida. A região também é um santuário ecológico, onde 91% da área são preservados e é possível se deparar com jacarés e tartarugas no caminho.

Vista ao Centro Espacia l

Kennedy

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“Fui o único aluno da minha escola a vir para o intercâmbio. Estou muito feliz, pois essa viagem representa um desafio, que é a responsabilidade de viajar sozinho. Agradeço aos meus pais pela oportunidade, que aproveitei ao máximo. Todo dia ligava pra minha mãe, senão chorava. Já sabia falar inglês, mas não entendia direito, agora volto enxergando o que preciso melhorar. Adorei a experiência! Ficaria mais tempo, mas também estou com saudade de casa.”

#SEMANA1 Estamos no Forest Lake Academy, um colégio em regime de internato, no qual iremos morar e estudar durante todo o intercâmbio. A instituição fica numa reserva florestal, bem ao lado de um lago imenso. A estrutura é bem diferente. Além das salas de aula, com as bandeirinhas americanas por toda parte, e os famosos lockers, que são aqueles armários nos corredores, tem um complexo esportivo em que podem ser praticadas quatro modalidades ao mesmo tempo. O grupo está alojado nos dormitórios feminino e masculino. Em cada quarto se hospedam três pessoas, e os banheiros são coletivos, no fim do corredor de cada andar. Manter os quartos limpos e organizados, além de lavar as próprias roupas, são algumas de nossas responsabilidades. Temos horários certos para a rotina diária, que começa com o desjejum e o momento devocional, passa pelas aulas e passeios, e finaliza com as atividades noturnas e o bed time, que é quando todos precisam ir dormir.

NASA, VIAGENS PARA A LUA E PROGRAMAS ESPACIAIS

Fotos: Rebbeca Rica rte

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#PARTIDA Finalmente, chegou o dia de embarcar! Acordei super cedo, pois moro na Zona Sul de São Paulo, e o voo para o intercâmbio sai do aeroporto de Guarulhos, a duas horas de carro da minha casa. Quando vamos viajar para o exterior, é bom ter alguns cuidados redobrados. Em caso de voos internacionais, é preciso se apresentar no aeroporto com duas horas de antecedência. Não podemos esquecer o passaporte com o visto, ambos dentro da validade. Também é prudente cuidar das malas. No caso dos Estados Unidos, em voo comercial classe econômica, temos direito a dois volumes de até 35kg cada. O momento de se despedir da família, com certeza é o mais difícil! Principalmente porque no nosso grupo tem muita gente viajando pela primeira vez sozinho. Com 10h de duração, nosso voo vai direto para a Flórida. Chegando lá, um ônibus vai nos levar até Apopka, cidade vizinha de Orlando, onde ficaremos hospedados, e também teremos aulas. Ansiosa pela próxima parada... #USA #LáVamosNós

Foto: Adalto de Paula Santos

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fluência na língua inglesa em 63 países. Nesse ranking, o Brasil ocupa a 34º posição, sendo enquadrado na categoria “proficiência baixa”. Por isso, o domínio do idioma é um diferencial tão importante na carreira. A mesma pesquisa indica que 75% das empresas brasileiras consideram o uso do inglês muito útil no dia a dia.

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Aulas em gr upo n a Flór ida

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Fotos: Adalto de Paula Santos

“Ensinar inglês para esses alunos foi um desafio, pois eu não sei nada da língua portuguesa. Para as turmas de nível mais básico é preciso usar mímicas, desenhos, música e brincadeiras. Isso é muito legal. Você aprende junto com eles. Adorei a experiência, e espero que eles voltem para casa sabendo que o que aprenderam e colocaram em prática aqui, podem potencializar no Brasil.” Heather Hepkins, professora de inglês no Forest Lake Academy 16 |

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“Sempre sonhei em fazer er um intercâmbio e conhec tei Gos s. ido Un s ado Est os s muito de passar esses dia ran mo to, rna aqui no inte do com outros meninos. Eles se tornaram um tipo de família para mim. Um u dos monitores me ensino ito mu sou e pa, rou a lavar grato a ele por isso. Também descobri que inglês , não é tão difícil. Por mim i!” aqu a morav s, Moacir Quaresma, 10 ano da ista ent Colégio Adv Liberdade (SP)

A rotina está bem puxada. Tem dias que temos aula em tempo integral, manhã e tarde. Mas o programa ainda intercala passeios pela cidade para conhecer alguns parques temáticos, afinal, Orlando é a capital da diversão nesse sentido. São mais de 80 opções de parques para visitar. E mesmo quando o tempo livre é dentro do campus, não faltam opções. Toda a área de lazer fica disponível, e até alguns alunos aqui do colégio aparecem e aproveitamos para praticar o idioma.

“Um dos nossos programas do sábado, o CAYA (Come As You Are, algo como “venha como você está”), é a oportunidade de sensibilizar o aluno para que ele enxergue que Deus o ama como e onde ele está. Resta a ele somente aceitar esse amor.”

#SEMANA2 Quando fui à Europa, no primeiro intercâmbio da rede que realizei, cresci culturalmente com Rafael Cabral, diretor do a visita ao Museu do Louvre, Torre Intercâmbio Adventista Eiffel, Palácio de Buckingham, Big Ben e o Coliseu. Um verdadeiro passeio cheio de história e arte. Aqui em Orlando não foi diferente. E destaco um momento especial dessa semana. Foi quando conhecemos a NASA. Uma das bases da agência especial americana fica a menos de duas horas do Forest Lake Academy. Lá, pudemos ver astronautas, conversar com eles, observar foguetes e assistir a filmes sobre programas espaciais. Em um dos pontos do passeio, pude tocar em um fragmento lunar. A lua tem cheiro de moedas de níquel! E por falar em viagens espaciais, até a comida dos astronautas estava disponível na visita. Pudemos experimentar os sanduíches e até o sorvete que eles consomem em órbita. E não é que, mesmo sem ser gelado, parece sorvete de verdade? #ENCONTROCOMDEUS Ao voltar da NASA para o Forest Lake Academy, comecei a refletir: somos tão pequenos diante do universo que nos cerca! Ver de perto a grandiosidade do que é feito para se conhecer aquilo que é imensamente maior do que podemos mensurar, me fez pensar no Criador. Voltamos da NASA no fim da sexta-feira, e o sábado nos esperava. E assim como na rede escolar no Brasil, no Intercâmbio Adventista aprendemos a viver o sábado de uma forma especial. Foi o dia de vestir a melhor roupa, estar com os amigos, comer uma boa refeição e adorar a Deus. A programação do último sábado, e penúltimo dia do intercâmbio, foi marcante para mim. Eles chamam o programa de CAYA, e tem um formato bem descontraído, como se estivéssemos dentro de uma casa, com poltronas e uma programação bem dinâmica. Tem música, encenações, atividades que envolvem todo o grupo e uma mensagem bíblica. Foi um jeito diferente de passar o sábado.

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Foto: Adalto de Paula Santos

Durante o verão, os americanos tiram férias, logo, a escola é só nossa! Mas temos suporte o tempo todo. Além dos monitores do intercâmbio, somos acompanhados de perto, desde o Brasil, pelos nossos professores. O Intercâmbio Cultural e Linguístico conta com um programa fixo de aulas de inglês, seja nos Estados Unidos ou na Europa, onde participei quando tinha 15 anos. Assim que chegamos aqui, passamos por um nivelamento, que serviu para nos separar em cinco turmas conforme a fluência no idioma. Funciona assim: em cada turno, cada uma das turmas tem cinco aulas com professores diferentes. Em cada aula é trabalhada uma habilidade específica, como pronúncia, compreensão e leitura. Uma das aulas do turno da manhã ou da tarde é sempre no ginásio, com a primeira parte do período destinada à teoria sobre a modalidade e, a segunda, para mostrar o talento brasileiro nas diversas modalidades que eles praticam por aqui!

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Acabamos orando juntos no gramado do colégio, agradecendo pela oportunidade de ter estado nesse lugar, conhecido essas pessoas e por sermos amados pelos nossos familiares que ficaram no Brasil. E por falar neles, no fim da programação do sábado, recebemos, como à moda antiga, uma cartinha dos nossos pais. Chorei muito quando li a dos meus. Sou muito grata a eles por tudo que fazem por mim, e por terem se esforçado tanto para que pudesse realizar meus sonhos, aspirações que estão só começando a se concretizar. Mas, agora, é hora de voltar pra casa. #Brazil #IamComingBack.

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Foto: Adalto de Paula Santos

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NA TELINHA

O programa semanal e inédito Educação vai ao ar aos domingos, às 21h30 (horário de Brasília), pelo canal Novo Tempo. Os episódios sobre o Intercâmbio Adventista estão disponíveis em novotempo.com/educacao.

ONDE ESTUDAR E QUANTO CUSTA Conheça os colégios e universidades adventistas ao redor do mundo que possuem programa integrado para receber alunos brasileiros por modo do Intercâmbio Adventista. Além do ensino do inglês, existem instituições especializadas no espanhol, italiano e alemão. Todos os programas incluem aulas, hospedagem, traslado, alimentação, seguro saúde, alguns passeios e atrações, menos as passagens aéreas. Gem State Academy Caldwell, Idaho (EUA) Curso semestral para Ensino Médio A partir de 6.400 dólares gemstate.org

Stanborough School Watford (Inglaterra) Curso semestral (Ensino Médio) e de férias A partir de 950 libras (15 dias) e 6.400 dólares (semestral) spsch.org

Forest Lake Academy Apopka, Flórida (EUA) Curso de férias (15 dias) A partir de 1.650 dólares forestlakeacademy.org

Newbold College Bienfied (Inglaterra) Curso semestral e de férias (universitários) A partir de 2.800 dólares (21 dias) e 7.500 dólares (semestral) newbold.ac.uk

Mount Ellis Academy Bozeman, Montana (EUA) Curso semestral (Ensino Médio) e de férias A partir de 6.400 dólares mtellis.orgt

Villa Aurora College Firenze (Itália) Curso trimestral e de férias (6 semanas) A partir de 1.600 euros (6 semanas) e 4.000 dólares (3 meses) villaaurora.it

Highland View Academy Hagerstown, Maryland (EUA) Curso semestral para Ensino Médio A partir de 6.400 dólares highlandviewacademy.com

Escuela Superior de Español de Sagunto Sagunto (Espanha) Curso trimestral e de férias (6 semanas) A partir de 1.600 euros (6 semanas) e 4.000 dólares (3 meses) esdes.eu

La Sierra University Riverside, Califórnia (EUA) Curso trimestral de inglês (universitários) A partir de 4.200 dólares lasierra.edu Kingsway College Oshawa, Ontario (Canadá) Curso de férias (15 dias) A partir de 1.800 dólares kingswaycollege.on.ca

Bogenhofen College Peter and Hart (Áustria) Curso anual de alemão e de férias (6 semanas) A partir de 1.600 euros (6 semanas) e 14.880 dólares (12 meses) bogenhofen.at Asia-Pacific International University Lamplaya Klang (Tailândia) Curso semestral e de férias (Ensino Médio) (semestral) A partir de 2.000 dólares (21 dias) e 5.000 dólares

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*Laiz Fernandes foi acompanhada pela reportagem da Conexão 2.0, que produziu diálogos com base em acontecimentos e declarações reais.

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Reportagem

Texto Gabriel Stein Ilustração Thiago Lobo

Rota de migração Procurando novas oportunidades ou refúgio, latinoamericanos e árabes têm migrado para o Brasil. Esse novo fluxo de estrangeiros desafia as políticas públicas e os cristãos que desejam servir quem precisa recomeçar a vida

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MIGRAÇÕES ENTRE OS povos sempre ocorreram, mas o fenômeno tem alcançado novas configurações por fatores recentes como a globalização, conflitos étnicoreligiosos e o movimento de urbanização crescente na Ásia. O Brasil tem se destacado nesse cenário como uma das rotas de fluxo migratório. As estatísticas revelam que o país recebe um número cada vez maior de imigrantes, tanto dos que buscam trabalho e melhoria de vida, como dos refugiados que, a princípio, procuram apenas sobreviver.

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De acordo com dados do Registro Nacional de Estrangeiros (2014), o Brasil possui 1,7 milhão de imigrantes permanentes, sem contar as colônias mais tradicionais – de portugueses, japoneses e italianos – formadas ao longo do século 20. Contudo, o número de refugiados de guerra e pessoas que pedem asilo político tem aumentado: de acordo com o Departamento de Estrangeiros do Ministério da Justiça, de 2010 a 2014, esse número saltou de 1.165 para 25.996 solicitações. Segundo o Ministério da Justiça, atualmente, o país conta com 7.700 refugiados. Entre eles, destaca-se a grande porcentagem de sírios, colombianos e angolanos. Outro grupo que tem encontrado abrigo no território nacional são os haitianos. Desde 2010, quando um terremoto devastou o país pobre do Caribe, milhares têm migrado para o Brasil. Contudo, devido a razões humanitárias, eles têm recebido o visto de permanência no país e não são contabilizados como refugiados. Somente em 2015, mais de 7 mil entraram pelo Acre, o que, aliás, fez o pequeno estado se tornar a segunda unidade da federação a receber mais refugiados nos últimos anos. São Paulo aparece na primeira posição. Apenas em 2014 recebeu 3.600 pedidos de refúgio, um recorde na América Latina. Até mesmo uma agência oficial da Organização das Nações Unidas para refugiados (Acnur) foi estabelecida na capital paulista. Segundo o Ministério do Trabalho, de 2010 a 2013 houve um aumento de 50,3% no número de imigrantes registrados como trabalhadores no país. De acordo com o coordenador científico do Observatório das Migrações Internacionais, Leonardo Cavalcanti, essa mão de obra estrangeira é dividida em dois grupos distintos. O primeiro, e menor, é formado por profissionais qualificados e bem remunerados, geralmente contratados por grandes corporações privadas ou pelo governo federal para programas específicos como o Mais Médicos e Ciência sem Fronteiras.

De 2010 a 2014, aumentaram de 1.165 para 25.996 os pedidos de asilo político O segundo grupo, mais comum, consiste de pessoas que atuam em áreas que não exigem muita qualificação técnica, como o comércio de rua, serviços de limpeza e o cuidado de crianças e idosos. Segundo o levantamento de Cavalcanti, que também é professor da UnB, apesar de quase 40% dos imigrantes possuírem formação superior completa e 30% terem ao menos o Ensino Médio concluído, 53% deles ganham de um a três salários mínimos, e 40% recebem de um a dois. A constatação é de que, provavelmente, eles estejam realizando atividades profissionais que exigem menos qualificação do que possuem. Diante desse quadro complexo dos fluxos migratórios, governo, sociedade e igrejas são desafiados a lidar com 20 |

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essa nova demanda. No restante dessa reportagem, você vai conhecer algumas iniciativas da Igreja Adventista para ajudar os imigrantes e refugiados em sua sobrevivência e mostrar a eles algo maior: a salvação. BASE GENÊSIS No coração da cidade de São Paulo, foi inaugurado em maio o Instituto Base Gênesis. É um espaço para serviços voluntários com o foco no desenvolvimento humano e empreendedorismo social. Localizado na Praça da Sé, marco zero da capital paulista, em poucos meses de atividade, o instituto beneficiou 200 pessoas, especialmente estrangeiros. Estima-se que, somente na região da Sé, trabalham 100 mil imigrantes, vindos principalmente de 12 países: Bolívia, China, Coreia do Sul, Gana, Haiti, Iraque, Japão, Líbano, Peru, Portugal, Senegal e Síria. O levantamento preliminar da Base Gênesis também apontou que, diariamente, cerca de 75 imigrantes chegam a São Paulo. A razão para esse fluxo, segundo o pastor Wallyson Silva, diretor do instituto, é que o Brasil apresenta alguns fatores que atraem estrangeiros, inclusive refugiados. “Somos conhecidos internacionalmente por ser o povo da paz. As nações não têm resistência político-militarreligiosa em relação ao Brasil”, avalia. Esse traço cultural e histórico do país se mostra especialmente interessante para quem deixou o Oriente Médio, como os sírios, que buscam refúgio dos conflitos enfrentados em sua terra natal. Para que, com o tempo, eles sobrevivam aqui e ganhem o próprio sustento, uma das principais atividades realizadas no Base Gênesis são as aulas de português. Sem o domínio da nossa língua, os refugiados estão excluídos do mercado de trabalho e da nossa convivência. São oferecidos também cursos sobre cuidados básicos com a saúde (em árabe e francês), além de orientação para o primeiro emprego, culinária e informática. O objetivo é colaborar para a autosuficiência dos imigrantes. Mohamad Alsaheb foi atendido no local. Refugiado da Síria, ele conheceu o projeto por meio da internet. Ficou interessado em aprender português e percebeu que também poderia ajudar sendo um voluntário. Atualmente, ele oferece aulas de inglês e já está elaborando um projeto de produção de vídeos para mídias sociais, área na qual é especialista. “Essa oportunidade é ótima, pois tenho a chance de fazer contatos e conhecer muitas pessoas”, declara. Na Base Gênesis, a abordagem valoriza o poder transformador dos relacionamentos desinteressados, servindo de cartão de visita e porta de entrada para outras frentes de atuação da Igreja Adventista na cidade. UMA CIDADE, MUITAS CULTURAS “As ruas das cidades do Brasil estão cheias de cores, sons e cheiros de dezenas de culturas asiáticas, andinas, africanas e árabes”, observa o pastor Emílio Abdala, diretor do departamento de Missão Global da sede paulista da igreja. Segundo o doutor em Ministério pela Andrews University (EUA), é por causa desse novo cenário que está ultrapassada a definição clássica de missionário, como alguém que deixa sua cultura para servir em algum rincão do mundo. Com a formação de metrópoles que são verdadeiros caldeirões culturais, o campo missionário não mais está somente do outro lado do oceano, mas do outro lado da rua.

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Esse é o contexto de São Paulo e é por isso que lá a igreja atua, há décadas, com várias colônias de imigrantes, como japoneses, árabes, judeus, coreanos, africanos e latinos. Em 2011, havia apenas uma igreja para falantes da língua espanhola. Hoje, são 2 mil pessoas que se reúnem semanalmente em 14 congregações hispanas em todo o Estado de São Paulo. Em Ferraz de Vasconcelos, região metropolitana de São Paulo, a Igreja de Jardim Bandeirantes é formada majoritariamente por bolivianos. Devido à pobreza e desemprego na Bolívia, muitos deles vieram para o Brasil com a intenção de conseguir uma vida melhor. Porém, trabalhando em condições subumanas em oficinas de costura em São Paulo, as necessidades deles são múltiplas. As jornadas de trabalho são abusivas, mais de dez horas diárias, e o salário é irrisório. Foi por isso que o pastor Mário Augusto, que liderou essa igreja por um ano, mobilizou vários adventistas para que visitassem o local de trabalho e moradia dos bolivianos a fim de identificar o que precisava ser feito com mais urgência. “Compreender as necessidades humanas é algo que vai além das barreiras culturais”, afirma Augusto. Resultado: os fiéis passaram a distribuir alimentos e remédios para os imigrantes, além de prestar assistência em questões trabalhistas e legais. Cíntia Ramirez, professora de música que atua em comunidades hispanas na capital, descreve melhor como vivem seus compatriotas. “Às vezes, a humildade deles, por não estarem em sua terra natal e não terem muito dinheiro, é confundida com tolice”, lamenta Cíntia. Ela diz que os imigrantes sofrem com o preconceito e tratamentos racistas, mas que a situação tem melhorado para os bolivianos que conseguiram estabelecer o próprio negócio. Por isso, Cíntia vê nas igrejas étnicas um refúgio para os imigrantes. “Como os costumes das pessoas são mantidos nesses locais, sinto como se estivesse em casa, no meu próprio país”. A situação dos refugiados sírios tem mobilizado outra igreja adventista étnica da cidade. Desde o ano passado, a Comunidade Árabe de São Paulo tem amparado imigrantes do Oriente Médio. Atualmente, 22 pessoas de três famílias estão recebendo assistência médica, escolar, capacitação profissional e ajuda com a documentação para imigrantes. Acima de tudo, a igreja procura oferecer uma comunidade de convívio social em que o amor cristão é praticado e a Bíblia é estudada. “Quando eles chegaram em São Paulo foram rejeitados por muitos, até mesmo por seus próprios conterrâneos mas encontraram abrigo na comunidade adventista”, conta Gustavo Portes, hoje missionário na Ásia, e líder do projeto em 2014. Ele acredita que essa iniciativa aproximou os brasileiros de uma realidade que para nós parece distante: a luta pela paz. “Diante desse cenário, o mínimo que todo cristão pode fazer é demonstrar uma ação intencional de amor e cuidado ao próximo”, afirma. Apesar do crescente fluxo migratório para o Brasil, o país está longe de receber tantos estrangeiros e refugiados como os Estados Unidos e as nações da União Europeia. Mesmo assim, essa nova realidade tem exigido do poder público políticas mais eficientes de acolhimento desses imigrantes; e dos cristãos, gestos mais concretos de compaixão. Assim desafiou o pastor Wallyson Santos: “Está na hora de a igreja mostrar para que existe.”

TRABALHO

Há dois anos no Brasil, Camillo Oliveira viu no país uma oportunidade para ele. Desempregado e sem chances de crescimento na Colômbia, onde nasceu, o comerciante de 36 anos fez as malas para tentar a vida na terra do futebol. Foi para São Paulo e logo conseguiu se estabelecer no ramo de venda de sapatos e roupas. Durante dois anos, Camillo economizou uma boa quantia para buscar a esposa e a filha. Para ele, a economia brasileira é uma das mais fortes da América Latina. “Aqui em São Paulo só não trabalha quem não quer. Não nos importamos em fazer trabalhos pequenos. Só queremos nos sustentar e dar educação para nossos filhos.”

VOLUNTARIADO

Cíntia Ramirez divide seu tempo entre os estudos de música e a atuação nas comunidades hispanas da cidade de São Paulo. No Brasil há nove anos, a jovem planejava terminar seu curso e voltar para o Peru. Porém, ela decidiu ficar porque conheceu a mensagem adventista, se envolveu nas atividades da igreja e deseja contribuir com o ministério de evangelização de imigrantes. Ela faz sua segunda especialização na área, atua como missionária voluntária em Tatuí (SP), além de trabalhar com a iniciação musical para crianças e adolescentes na capital paulista.

ESTUDO

Ramage Maher cursa Tradutor e Intérprete no Unasp, campus Engenheiro Coelho. Egípcia, preferiu estudar no Brasil por influência dos amigos e facilidades pessoais. Ela conta que no Egito os brasileiros são conhecidos pela habilidade no futebol e o gosto pelo café. Depois de enfrentar muitas dificuldades de adaptação cultural, ela brinca que até já se considera brasileira.

AMIZADE

Quem não passou por dificuldades para se acostumar com a cultura brasileira foi Shellson Pierre-Louis. O haitiano conta que, quando decidiu estudar Engenharia Civil em outro país, temeu vir para o Brasil por achar difícil a língua portuguesa. Mesmo assim encarou o desafio, que foi mais fácil do que imaginava. Completando seu quarto ano por aqui, também estuda no campus do Unasp em Engenheiro Coelho. Além de conhecimento, Shellson encontrou novas amizades e pronta aceitação.

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Básica

PREDESTINADOS

Texto Fernando Dias Imagem © Gajus | Fotolia

Deus predestinou pessoas para a salvação. Isso está na Bíblia (Rm 8:28-30). Mas, e quem se perde? Foi predestinado para a perdição? Para João Calvino, reformador do século 16, sim. Porém, antes de acusá-lo de apresentar Deus como autoritário, devemos saber que ele só queria ensinar que Ele era totalmente responsável pela salvação de cada um. Isso numa época em que a crença popular era que a salvação dependia dos próprios méritos. Outros estudiosos, como Armínio e Wesley, também tentaram explicar o conceito bíblico de predestinação. O problema era harmonizar duas doutrinas aparentemente inconciliáveis: (1) nossa salvação depende só de Deus (At 4:12); e (2) podemos aceitar ou rejeitar a salvação (Js 24:15). Assim: Deus escolhe salvar você, e você escolhe ser salvo, mas não é seu ato de escolha que salva você, é Deus. Complicado? Segundo a Bíblia, o pecado escraviza as pessoas desde o nascimento (Sl 51:5; Jr 4:22) e a vontade humana é só para o mal (Gn 6:5; 8:21). Nenhum ser humano pode, por si mesmo, regenerar-se (Rm 3:12; Rm 7:14-24). Nessa condição, acha-se toda a humanidade destinada à perdição e morte eterna (Rm 3:23; 6:23). No entanto, Deus enviou Seu Filho ao mundo para morrer por toda a humanidade (Jo 3:16). Por causa disso, cada pessoa é destinada por Deus à salvação (Ef 1:3-14). Assim, todos acham-se, portanto, duplamente predestinados: por Deus, para a vida eterna, e pelo pecado, à morte eterna (Rm 5:12, 15). Deus quer que cada pessoa seja salva (2 Pe 3:9), mas a vontade humana tem uma inclinação quase irresistível para o mal (Jr 13:23). Para resolver qual predestinação vai valer, Cristo oferece ao pecador a capacidade de arrepender-se do pecado (At 5:31). Segundo a escritora adventista Ellen White: “O pecador pode resistir a esse amor, pode recusar ser atraído para Cristo, mas, se não resistir, será atraído a Ele.” O evangelista Wilbur Chapman dava a seguinte explicação: “A votação está em andamento; Deus está votando a nosso favor; o diabo está votanto contra nós; do lado em que pusermos nosso voto, esse ganhará a eleição.” Questão de destino ou de escolha?

Fontes: Ellen G. White, Caminho a Cristo, (CPB, 2013) p. 27; Estudos Bíblicos – Doutrinas Fundamentais das Escrituras Sagradas (CPB, 1979), p. 96-98; Norman Geisler, John Feinberg, Bruce Reichenback e Clark-Pinnock, Predestinação e Livre-Arbítrio, (Mundo Cristão, 1989), p. 1-30; e Samuele Bacchiocchi, Crenças Populares, (CPB, 2010), p. 293-320

Curiosa Texto Eduardo Rueda

A ORIGEM DOS NOMES Grandes ou pequenos, bonitos ou feios, os nomes surgiram da necessidade de classificar e diferenciar os seres. Em praticamente todas as culturas, o nome é reconhecido como um símbolo de grande importância. Ele ajuda a formar o senso de identidade e a personalidade. A onomástica é o ramo da linguística que estuda os nomes próprios e sua origem. Segundo a Bíblia, Adão foi o primeiro a nomear os animais (Gn 2:19, 20) e depois deu um nome também à sua companheira (Gn 3:20). Para os antigos egípcios, o nome era uma das partes que copunham a alma. Na cultura do Antigo Oriente, especialmente para os hebreus, os nomes tinham significados específicos que, geralmente, refletiam a circunstância do nascimento da pessoa (Gn 25:26), sua missão ou seu futuro (Mt 1:21), suas características individuais (1Sm 25:25), eventos 22 |

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marcantes de sua vida (Rt 1:20) ou uma expressão de louvor a Deus (exemplos: Elimeleque, “Meu Deus é Rei”; Uriel, “Deus é minha luz”). Quando alguém tinha o nome mudado, isso representava uma transformação de vida, de caráter ou de status. Essa mudança podia ser positiva, como no caso de Jacó (Gn 32:28), ou negativa, como na história dos jovens hebreus que receberam nomes pagãos para adequá-los à cultura babilônica (Dn 1:7). A Bíblia diz que os salvos receberão um novo nome (Ap 2:17).

Em hebraico, o nome de Deus é Yahweh ou Javé, embora não se tenha certeza da pronúncia. Seu significado expressa a eternidade e existência soberana de Deus (Êx 3:13-15). O nome “Jesus” significa “Yahweh é salvação” e define muito bem a natureza e a missão de Cristo (Jo 10:30; Mt 1:21; Lc 19:10). Fontes: Regina Obata, O Livro dos Nomes (Nobel, 2002); Orlando Neves, Dicionário de Nomes Próprios (Oficina do Livro, 2002); Dicionário Bíblico Strong (SBB, 2002); L. S. Baker Jr., “Covered with blood: a better understanding of Exodus 12:7”, revista Ministry, setembro de 2009, p. 6, 7.

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Texto Wellington Barbosa Imagem © Sergey Nivens | Fotolia

Tudo ligado Texto Eduardo Rueda

DA BRUXA À BUCHA Bruxa

PROFETAS

MODERNOS Entre os cristãos, parece não haver dúvidas de que Deus se comunicou com a humanidade por meio do dom de profecia durante os tempos bíblicos. Guiados pelo Espírito Santo, os profetas escreveram a Bíblia (2Pe 1:21), livro que revela quem é Deus e o que Ele deseja para nós. Porém, há divergência quando o assunto é se Deus falou (ou fala) por meio de profetas, mesmo após a conclusão do livro sagrado. Essa questão, que tem sido discutida ao longo de séculos, tem relação direta com nosso modo de entender o processo de comunicação entre Deus e nós. Sim Para o pentecostalismo ou carismatismo, a manifestação profética contemporânea e frequente é algo aceitável e reconhecível. Esses cristãos acreditam que qualquer fiel pode receber mensagens diretas de Deus para orientar, animar e repreender indivíduos e comunidades cristãs. Não Cristãos reformados, como os presbiterianos, acreditam que a manifestação profética cessou com o fim da formação da Bíblia. Chamados de cessacionistas, eles defendem que o dom de profecia, entre outros dons chamados “miraculosos”, foram dados apenas no período apostólico, a fim de confirmar a pregação inicial do evangelho. Logo, esses dons se tornaram desnecessários já no segundo século da era cristã. Depende O terceiro grupo entende que Deus continua a usar profetas depois dos tempos bíblicos, mas de maneira cíclica, para orientar Seu povo nos momentos decisivos da história, especialmente antes da volta de Jesus. O próprio Cristo disse que surgiriam falsos profetas, o que indica, pelo contraste, que teríamos profetas verdadeiros (Mt 24:11, 24; Mc 13:22). O apóstolo João escreveu que esse dom seria uma marca distintiva da igreja de Deus nos últimos dias (Ap 12:17; 14:12; 19:10). Contudo, para que não houvesse engano, a vida e a mensagem do profeta deveriam ser avaliadas segundo critérios bíblicos (Dt 18:21, 22; Is 8:20; Jr 28:9; Mt 7:20; 1Jo 4:1, 2). É por isso que a Igreja Adventista reconhece no ministério de Ellen White a manifestação moderna do dom de profecia, e entende que a função dos escritos da pioneira não é substituir a Bíblia nem acrescentar algo a ela, mas ajudar seus leitores a compreender e aplicar as Escrituras à própria vida.

Enrugada, de cabelos longos e desgrenhados, com uma enorme verruga no nariz (também enorme!) e uma gargalhada sinistra, voa em vassouras, usa um chapéu em forma de cone e prepara feitiços em seu caldeirão. É assim que a imagem das bruxas é retratada no imaginário popular. Durante a Idade Média, a Inquisição caçava de forma implacável todos que fossem suspeitos de praticar bruxaria. Geralmente, a pena era a morte na fogueira. O Halloween ou Dia das Bruxas é comemorado em 31 de outubro, véspera do Dia de Todos os...

Santos É o maior município do litoral paulista e possui o maior porto da América Latina. Ao mesmo tempo, abriga também a maior favela de palafitas do Brasil. A cidade dá nome a um dos times de futebol mais antigos do país, fundado em 1912, berço profissional de Pelé, o “rei do futebol”, que em 2005 declarou ser mais conhecido do que...

Jesus Messias, Filho de Deus, Criador, Salvador e Mestre, Cristo é o personagem mais influente da História, e Seus ensinos ainda servem de guia e inspiração para milhares de pessoas. Sua imagem ilustra o famoso quadro A Última Ceia, de Leonardo Da Vinci que, além de pintor, foi um dos inventores mais prolíficos de todos os tempos. Semelhante à sua criatividade é a do alemão Artur Fischer, dono de mais de mil patentes e criador da...

Bucha Pequena peça de náilon, lançada em 1958, utilizada para afixar parafusos e que revolucionou o ramo da construção. Também recebem esse nome uma planta do gênero luffa, que serve como esponja natural e geralmente é usada para se esfregar no banho; uma cidade do estado de Turíngia, na Alemanha; e uma antiga sociedade secreta estudantil do século 19, fundada em São Paulo. Com tanta bucha nesta vida, nem as bruxas nem os santos podem ajudar: só Jesus!

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Ponto de vista

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Fontes: Marcos De Benedicto, O Fascínio dos Milagres (Unaspress, 2006); Wayne Grudem, O Dom de Profecia (Vida, 2004) e Manual de Teologia Sistemática (Vida, 2001); declaração “A inspiração e a autoridade dos escritos de Ellen G. White”, disponível em centrowhite.org.br.

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Imagine

Texto Edmilson Ribeiro e Maria Caroline Zimermann Colaboração Márcio Tonetti Ilustração Rogério Chimello

... se todo o lixo fosse reciclado VOCÊ JÁ PENSOU em quanto lixo produz todos os dias, desde a primeira refeição até aquele papel da bala que é consumida entre uma tarefa e outra? Em média, calcula-se que cada ser humano gera um quilo de lixo por dia, descarte que nem sempre tem a destinação adequada. No caso do Brasil, em 2013, a geração de resíduos sólidos urbanos superou 76 milhões de toneladas, o equivalente a 211 estádios do Maracanã. Além disso, 41% desse total foram descartados de maneira imprópria. O que fazer para mudar esse quadro? Seguem algumas possibilidades.

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CONSCIENTIZAÇÃO A geração do lixo é um problema que está intimamente ligado ao incentivo do consumo. Temos consumido muito além do necessário e apenas por prazer. De 2010 a 2014, por exemplo, a população brasileira cresceu 6% enquanto a produção de lixo aumentou 29%. À vista disso, é importante compreender e transmitir os valores de uma vida mais simples, que inclui redução de consumo e preservação da natureza. Além de cooperar com a causa ambiental, o consumo consciente evita o endividamento familiar. 24 |

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O CAMINHO DA RECICLAGEM Quando se trata da gestão de resíduos, pequenas iniciativas fazem toda a diferença. Se cada pessoa assumir a responsabilidade de separar o próprio lixo e consumir de maneira consciente, pensando desde a embalagem até o descarte, os impactos ambientais, de fato, serão reduzidos. Nesse sentido, a reciclagem tem potencial transformador. Com ela, haveria preservação dos recursos naturais, diminuição do lixo aterrado e das despesas com coleta, redução dos custos com matérias-primas industriais e geração de empregos a partir da reciclagem. Contudo, apenas 26% dos brasileiros têm o hábito de reciclar.


VIDA ÚTIL DOS ATERROS Os aterros sanitários são hoje o destino mais comum (58%), mas não o mais inteligente, para o lixo urbano. Boa parte do que vai parar lá poderia ter sido reciclada. Outro problema dos aterros é a produção de chorume, substância derivada da putrefação do material orgânico que, se não for tratado, pode causar impactos ambientais graves nos lençóis freáticos. Pior do que isso, é que ainda 42% dos resíduos vão para lixões, o que está proibido por lei desde 2 de agosto de 2014. Se uma porcentagem maior do lixo fosse reciclada, a vida útil dos aterros aumentaria e o volume de resíduos que podem poluir o solo e os rios diminuiria. Apesar de exigir um investimento de 1 a 2 bilhões de dólares por ano até 2030, o uso inteligente do lixo poderia resultar em 110 mil empregos nos próximos 18 anos e num aumento de 35 bilhões de dólares no PIB brasileiro. Nada mal para tempos de crise ambiental e econômica! Fontes: Patrícia Iglecias, secretária do Meio Ambiente do Estado de São Paulo; Sílvio Barros, engenheiro ambiental e ex-prefeito de Maringá (PR), Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2014 (Abrelpe), disponível em http://bit.ly/1EADVu4; Compromisso Empresarial para Reciclagem (cempre.org.br); “Apenas 26% dos brasileiros reciclam, segundo Ibope”, revista National Geographic Brasil, disponível em http://abr.ai/1NhNXZ2; “Lixões, aterros sanitários e incineradores”, site da rede Autossustentável, disponível em http://bit.ly/1JfvPrP. out-dez

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COLETA SELETIVA O Brasil está longe de reciclar todo o seu lixo. Apenas 927 dos seus 5.570 municípios operam programas de coleta seletiva. O principal entrave é o custo desse tipo de serviço, que é 4,6 vezes maior que o convencional. Assim, o ideal seria que cada família começasse a selecionar itens recicláveis e entregá-los para catadores autônomos, associações de moradores ou ONGs. Por outro lado, cabe ao governo incentivar o descarte inteligente do lixo, fazendo com que as iniciativas voluntárias não se limitem a estabelecer pontos de coleta. Além disso, é responsabilidade do poder público fiscalizar o processo de reciclagem a fim de garantir que o descarte esteja sendo feito adequadamente.

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Ação Mude seu mundo Lição de vida Aprenda

Texto Jéssica Fontella Colaboração Ana Paula Ramos, Andréa Figueiró, Dina Karla Miranda e Jeanne Moura Fotos ASN

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Natal solidário

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Conheça o projeto que proporcionou um fim de ano mais digno para 7,2 milhões de pessoas nos últimos sete anos

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em Literatura e História e hoje é um professor da rede educacional adventista”, relata Maria da Guia, citando o exemplo de uma criança beneficiada. O projeto liderado por ela é um dos beneficiados pela campanha do Mutirão de Natal, iniciativa que anualmente une igreja e comunidade para arrecadar roupas, alimentos e brinquedos. Apoiado há sete anos pela sede sul-americana da Igreja Adventista, a campanha que surgiu em 1994 com um casal de empresários do Rio de Janeiro, hoje faz parte do calendário anual de boa parte das igrejas do Brasil. Somente de 2007 para cá, os voluntários do projeto arrecadaram 40 milhões de quilos de alimentos, beneficiando 7,2 milhões de

pessoas. “Quando as doações do Mutirão de Natal começaram a ser repassadas para nos ajudar, nem acreditei por causa do tamanho da bênção. Tudo começou a mudar”, reconhece Maria da Guia. A campanha não se limita ao Natal, porque as doações repassadas para as instituições de caridade auxiliam pessoas ao longo do ano. “O Mutirão de Natal traz esperança de que existe amor genuíno e desinteressado. O projeto mostra que ainda há pessoas dispostas a sair da rotina para demonstrar preocupação pelos que estão ao redor, esperança de que apesar dos desafios, é possível transformar vidas”, destaca o pastor Paulo Lopes, coordenador da campanha em nível sul-americano.

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A INFÂNCIA É o momento em que as crianças deveriam receber mais carinho e cuidado dos pais. Contudo, nem sempre é assim. Pensando nisso, Maria da Guia iniciou na cidade-satélite de Samambaia, no Distrito Federal, um projeto que já amparou, por meio da oferta de reforço escolar e alimentação complementar, centenas de menores cujos pais não podem ou não querem cumprir com esse papel. Com a ajuda de voluntários, o projeto cresceu e completou 26 anos. Atualmente, 200 crianças são atendidas, sendo que 24 delas moram na sede da ONG. “Lembro-me bem do Fernando. Ele tinha muitos problemas familiares, mas com nossa ajuda e a de Deus, ele se formou

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IDEIAS DO BEM Em diversas regiões, o Mutirão de Natal tem sido realizado de forma criativa e efetiva. Em Natal, no Rio Grande do Norte, por exemplo, um grupo de amigos que pratica rapel promoveu um dia de aventuras radicais em favor da campanha de 2014. Para experimentar a adrenalina de descer de uma ponte usando cordas, os aventureiros tiveram que doar alimentos e brinquedos. A ação foi divulgada nas redes sociais e pela imprensa, o que acabou atraindo muitos curiosos para o rapel solidário. Teve gente que provou e aprovou o esporte. “Adorei a emoção da descida, mas gostei ainda mais de poder contribuir com o Natal de uma família”, garantiu Vanderson Lima, que viu por outro ângulo a ponte Newton Navarro, na Praia do Forte. No coração do Brasil, a Igreja Central de Sobradinho, no Distrito Federal, organizou uma ceia de Natal para famílias carentes no pátio do templo. Os 260 convidados foram os amigos dos membros da igreja e moradores de rua da região. “Gostei muito de participar. Aqui me senti muito bem e em paz”, compartilhou Helena, entre uma garfada e outra. Enquanto Helena participava com a família do momento de confraternização, a professora Kelly Freitas e outros fiéis da igreja trabalhavam para organizar as mesas e servir cada um dos convidados. Foram os voluntários que montaram o cardápio, prepararam a refeição e receberam a comunidade como se os desconhecidos fossem um parente próximo.

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ALÉM DA CESTA A história de Rosângela Santiago, viúva e moradora do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, mostra que o Mutirão de Natal não se limita ao assistencialismo. Em 2013, ela, que já havia perdido o pouco que tinha durante um período de fortes chuvas, sonhava com uma nova casa para abrigar melhor sua família com sete pessoas. Para complicar, Rosângela não podia trabalhar por ter que cuidar da filha Leilane, na época com 15 anos, que tem necessidades especiais. Para proporcionar um Natal diferente para essa família, os voluntários da campanha construíram uma casa de 34 m2 no mesmo local. A nova residência foi entregue para Rosângela no dia 21 de dezembro de 2013, em fase de acabamento. “Nunca imaginei que meu sonho seria realizado e que neste ano eu teria um Natal diferente e feliz na minha própria casa, com minha família. Recebo apenas um salário mínimo que gasto com os remédios da minha filha e nosso sustento.

Por isso, jamais conseguiria ter uma nova casa”, afirmou Rosângela na época. Do bairro do Brooklin, em São Paulo, vem outra história de “adoção”. O casal Maria Celeste de Almeida e Nilton Melo, coordenadores da campanha na igreja local, tem uma relação muito forte com o projeto. Por isso, eles decidiram “adotar” Steferson de Andrade, quando o garoto tinha 11 anos e era atendido por um dos núcleos infantis da ADRA Brasil. No fim de semana de encerramento da campanha, em dezembro de 2010, os pais “adotivos” acompanharam a formatura dele em Comunicação Social no Unasp, campus Engenheiro Coelho. “Ele está aqui hoje se formando porque um dia o Mutirão de Natal me trouxe para essa igreja. Através do serviço, do amor ao próximo demonstrado aqui, pude conhecer um Deus maravilhoso e decidi ajudar outras pessoas. Digo que o Mutirão me deu nova oportunidade de vida e uma chance para o Steferson também”, resumiu Celeste. O que essas histórias indicam é que ao procurar suprir as necessidades imediatas do próximo por meio de campanhas como a do Mutirão de Natal, muitos voluntários podem acabar desenvolvendo um estilo de vida solidário. Experimente! Passo a passo da campanha • Acesse as orientações do site mutiraodenatal.com.br. • Mobilize sua sala, escola, igreja e vizinhança. • Doe itens em bom estado. • Divulgue a campanha nas redes sociais com a hashtag #MutirãodeNatal. • Faça parcerias com supermercados para abordar os clientes próximo aos caixas. • Consiga apoio público de autoridades e celebridades. • Inove com um flash mob sobre solidariedade. • Celebre os resultados com uma cantata ou dramatização. • Continue servindo aos necessitados com um projeto de longo prazo. OUT-DEZ

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Segundo a ONU, 795 milhões de pessoas no mundo e 6,5 milhões no Brasil passam fome. “Agradeço a Deus porque existe esse projeto. Posso falar da alegria que é receber uma cesta básica, quando no seu armário você não tem nada para comer”, emociona-se Iraildes Bispo, uma das beneficiadas pela campanha em Salvador (BA). No ano passado, em todo o Brasil foram arrecadados 5.535 toneladas de alimentos para o Mutirão de Natal. Mesmo com os índices de insegurança alimentar no país em queda, os números ainda são altos: 22,6% dos brasileiros têm algum tipo de deficiência na dieta. Outro fato preocupante é que mais da metade dessas pessoas (54,7%) está empregada, mas não ganha o suficiente para comer bem e regularmente.

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Lição de vida

Texto Bárbara Oliveira e Jenny Vieira Foto Hemille Frasson

Canção da vida A história em prosa e rima de Roberta Spitaletti, a cantora que trocou a fama pelo louvor

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ROBERTA NASCEU EM UM LAR CRISTÃO e, desde pequena, frequentou a igreja, participou de programações religiosas e foi educada nas normas cristãs. Contudo, algumas coisas não faziam sentido para ela. Nunca chegou a ver Deus como um castigador, mas sentia que Ele estava um tanto distante. “Era como o sol. Eu sei que o sol existe, eu o aprecio, mas ele está bem longe de mim. O meu relacionamento com Deus era assim, bem distante”. Com uma religião um pouco clichê, ela cresceu observando e imitando comportamentos, sem saber ao certo a razão de algumas crenças e hábitos. Uma situação específica fez a família dela se decepcionar com a igreja que frequentava semanalmente. Em consequência, afastaram-se primeiramente da congregação e, posteriormente, de Deus. “A gente se esquece de que todo mundo erra, e que o mais importante é nosso relacionamento com 28 |

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Deus. Costumamos achar que a igreja é para quem é perfeito, mas não é. Eu acho que o que mais afasta as pessoas da igreja são as decepções”, reflete. O contato com a música começou cedo. Roberta estava com 12 anos e seu irmão 14 quando resolveram pegar um violão que o pai guardava em casa. Colocaram corda e, com auxílio de algumas revistas de cifras, começaram a tocar, fazendo daquilo uma brincadeira. O tempo passou e a música ganhou espaço na vida dos irmãos Spitaletti. Na adolescência e início da juventude, Roberta e o irmão participaram de uma banda de rock. Ela tocava baixo, mas também descobriu que podia cantar. Foi quando decidiu abandonar o grupo para seguir carreira solo tocando e cantando em bares e restaurantes do bairro Vila Madalena, região boêmia de São Paulo. Dois anos depois veio a proposta para tocar profissionalmente. A escolha pelo gênero sertanejo foi mercadológica:

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“EU NÃO SEI PRA ONDE VOU, COMO VOU FAZER?” Nessa época, com um bom trabalho numa instituição financeira e novas amizades, ela intensificou a frequência a festas e baladas. Contudo, Roberta evitou alguns hábitos que poderiam fazê-la perder o controle de si mesma. Ao refletir sobre esse período, ela avalia que esses ambientes de curtição são como válvulas de escape para muitos jovens que buscam atenção e a descoberta do valor próprio. Por isso, nesse contexto, drogas, bebidas e sexo livre são apresentados numa embalagem de felicidade. “No outro dia você acorda de ressaca, talvez tenha ficado com uma pessoa, mas não lembra do nome dela. Você se sente pior por isso e a insatisfação com sua vida continua. Então, sabe o que acontece? Você vai sair cada vez mais à procura de algo bom que nunca vai acontecer”. Sua carreira musical estava começando a ganhar forma quando conheceu a Comunidade Adventista da Vila Olímpia, em São Paulo. Como cantava, foi convidada a participar do grupo de louvor, mais conhecido como TAL (Time de Adoração e Louvor). “O que me marcou nessa igreja quando comecei a frequentá-la foi o fato de que as pessoas não mostraram nenhum preconceito com a forma de eu me vestir, falar ou cantar. No primeiro momento, eles me convidaram do jeito que eu estava. Isso é importante porque as pessoas precisam sentir que são aceitas”, enfatiza. Nesse tempo, conheceu Flávio e Luciana Jacobsem, um casal de amigos que começou a estudar a Bíblia com ela, num grupo de jovens e pela internet. Foi por meio de algumas mensagens no Facebook que ela teve seu primeiro estudo bíblico. Isso mudou sua vida. Apesar de fazer parte da igreja desde pequena, tinha um relacionamento superficial com Deus e não tinha o costume de ler o Livro Sagrado. Sabia apenas o que outros lhe contavam. Roberta começou a estudar a Bíblia e não parou mais. “Para mim, ler a Bíblia é como me olhar no espelho. Não fico sem ela. Suas mensagens me acalmam e me trazem paz”, comenta. O retorno para a igreja aconteceu aos poucos. Naquela época, sua vida ficou dividida entre o louvor e as apresentações na noite paulistana. Roberta pensou nas plateias que já estava atraindo em algumas participações em bares e shows. Ela ficava fascinada com a aceitação do público. Hoje entende que havia uma guerra espiritual sendo travada naqueles lugares. Mas, por estar “dando tudo certo”, achava que essa fosse a vontade de Deus. Já era seu sexto show como cantora solo. O que não imaginava é que seria o último. Naquele dia, Roberta começou se sentindo feliz, mas um pouco incomodada. As músicas do repertório que mais agradavam o público eram ofensivas, falavam de homens que se aproveitavam de mulheres. Todos esses assuntos não tinham muito que ver com o que estava aprendendo sobre Deus na Bíblia.

“É MELHOR SE PREPARAR, SUA VIDA VAI MUDAR” Ao subir no palco daquela vez, algo mudou na sua vida. Ela observou o público com outros olhos. As pessoas estavam bêbadas e fora de si, como em uma madrugada, no fim de uma balada, quando muitos perdem a razão. Por um momento, Roberta se deu conta de que sua música não iria acrescentar nada para ninguém e que a vida não deveria se resumir a fazer coisas sem objetivo, apenas para ganhar fama e dinheiro. Ela se identificou com o olhar daqueles jovens, um olhar vazio e confuso, procurando na agitação uma forma de fugir da realidade. Diante daquele grupo de pessoas bebendo, fumando e se divertindo destrutivamente, Roberta sentiu que Deus tinha outros planos para sua vida. Diz ter ouvido uma voz lhe dizendo “não é pra isso que Eu te dei esse dom”. Assim que pôde, saiu dali e foi para casa pensando no assunto. Como um desabafo, escreveu a letra da música “Meu Senhor”, que tem mais de 1,2 milhão de visualizações no YouTube. A composição foi rápida, porém as palavras fluíram carregadas de significado. Esse momento marcou uma nova fase na vida de Roberta. Sua vida foi sendo reestruturada com base no estudo da Bíblia e no relacionamento com Deus. Ela passou a colocar a vontade dEle como parâmetro para cada decisão, a cada dia. Sem contar para ninguém, Roberta começou a compor músicas. A primeira que mostrou para os amigos foi “Estrangeiro”. Canção feita alguns anos antes quando sua mãe enfrentou um câncer de mama. O trecho “mostra-me o quanto a vida é curta e o quanto eu sou frágil”, revela um pouco do desafio encarado pela família naquele contexto. Roberta demorou para apresentar suas músicas na igreja. Não se sentia capaz nem merecedora disso. Temia ser julgada pelos erros que até ali havia cometido. Posteriormente, ela entendeu que Deus aceita Seus filhos do jeito que estão. Superar a vergonha não foi fácil, mas Roberta começou a cantar as próprias músicas e não parou mais. Formada em Publicidade e Propaganda, ela deixou a carreira estável de nove anos num banco para se dedicar a um ministério musical que testemunha sobre o que Cristo fez em sua vida e proclama a promessa do retorno dEle à Terra. Roberta garante que não tomou essa decisão por impulso. “Deus permite que tomemos decisões, abençoa as corretas e intervém nas erradas. Ele quer nossa autonomia”, justifica. Há dois anos, ela canta em igrejas e congressos em todo o Brasil. Até o fim de 2015, Roberta deve lançar seu primeiro CD, Meu Canto, com 14 músicas autorais. Para terminar, perguntei acerca de sua percepção sobre Deus. De maneira direta, deixando transparecer uma crença com base num relacionamento real com Ele, ela disse confiante: “Eu me sinto uma ovelhinha e Jesus é meu Pastor. Gosto de pensar que Ele sabe meu nome e é meu melhor Amigo. Não sei o que vai ser do meu futuro, mas a gente está junto nessa.” Falar com autenticidade sobre sua experiência com Deus por meio da poesia talvez seja a marca do ministério da Roberta Spitaletti e a razão para milhares de pessoas se identificarem com sua história de reconciliação com Ele.

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o estilo era (e ainda é) a preferência musical dos jovens. Foram aproximadamente três meses de participações em shows.

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Para saber +

fb.com/rspitaletti youtube.com/robertaspitaletti out-dez

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Aprenda

Texto Delton Unglaub Ilustração Fotolia

A investir

seu

dinheiro VOCÊ JÁ DEVE TER OUVIDO alguém mais velho dizer que, se pudesse voltar no tempo, mudaria muitas coisas. Como a máquina do tempo não existe, a decisão mais inteligente para quem é jovem é aprender com o erro alheio e planejar o próprio futuro, principalmente no que diz respeito ao dinheiro. Seguem algumas dicas para ajudar você a poupar e investir.

PLANEJE PARA LONGO PRAZO Lembre-se de que um investimento não vai aumentar seu patrimônio da noite para o dia. Por isso, mantenha seu dinheiro investido por, pelo menos, cinco anos. O melhor mesmo é não contar com ele por dez anos. É POSSÍVEL Não espere ter dinheiro sobrando para investir, se não, talvez nunca tenha essa quantia extra. Em vez disso, guarde um valor na poupança ou compre ações. Cada uma dessas opções oferece riscos e lucros distintos. POUPE A poupança é um investimento seguro com baixos rendimentos. Se o banco falir, o governo vai lhe restituir até 60 mil reais. Por isso, a rentabilidade mensal é pré-determinada, e o rendimento anual gira em torno de 6% mais a variação da TR (Taxa Referencial de Juros). INVISTA EM AÇÕES A bolsa de valores possui investimentos mais arriscados e rentáveis. Primeiro procure uma corretora para se informar sobre os custos da aplicação. Depois você precisa comprar ações de uma empresa quando esses papéis estiverem baratos a fim de vendê-los por um preço maior. Você ainda pode receber os dividendos da empresa, ou seja, uma porcentagem sobre os lucros dela. SIMULE Teste suas habilidades como investidor em simuladores virtuais, como o da Folhainvest (folhainvest.folha.com.br). Nele, você recebe um capital fictício de 200 mil reais e alguns lotes de ações para compra e venda. Depois, quando se sentir seguro, faça seus primeiros investimentos de verdade. PENSE NA APOSENTADORIA Complementar a aposentadoria do INSS é uma necessidade. Se a empresa em que você trabalha ou seu banco oferecem um plano de previdência privada, analise a proposta na primeira oportunidade. Acredite ou não, o quanto antes você começar a pagar isso, menos precisará investir mensalmente. Por exemplo: se você investir 200 reais por mês durante 30 anos, com um rendimento anual de 6%, a projeção é que você receba 1.500 reais mensais na aposentadoria. Contudo, se você começar a pagar dez anos mais tarde, terá que desembolsar 390 reais por mês para obter o mesmo benefício. Por isso, a melhor maneira de investir é aumentar a cada ano o valor mensal da parcela.

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Fontes: sites bcb.gov.br/?indeco e infomoney.com.br


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Conexão 2.0 - De mala pronta  

Estudantes embarcam cada vez mais cedo em programas de intercâmbio para aprender outro idioma e conhecer uma nova cultura

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