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Terra dos faraós: os brasileiros que estão fazendo a diferença por lá

Ter boa saúde agora e na fase adulta depende mais de você do que de sua genética. Saiba por quê

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Exemplar:7,40 – Assinatura: 23,50

Abr-Jun 2015 – Ano 8 n o 34

Entenda. Experimente. Mude

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Ao ponto: Quando o consumo perde o encanto

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eNTENDA O SONHO DO JOVEM PARA A POLíTICA 2015 | 1 abr jun

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Da redação

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Editor Wendel Lima

CAUSA E EFEITO

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William de Moraes

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NA DÉCADA DE 1930, o que matava no Brasil eram as doenças parasitárias, como o mal de Chagas, e as infecciosas, como a tuberculose. Já na última década do século passado, as grandes inimigas da longevidade e saúde do brasileiro eram as chamadas doenças crônicas ou do estilo de vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde, elas são responsáveis por 63% das mortes no mundo; no Brasil, são ainda mais fatais: respondem por 74% dos óbitos. O ponto é que os hábitos da vida moderna são doentios: rotina estressante; ambiente com poluição sonora, visual e do ar; alimentação rápida, artificial e saturada de gordura, sal e açúcar; sedentarismo; relacionamentos frágeis e pressão para o consumismo formam o retrato da rotina de muita gente. O resultado não poderia ser outro: hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade. Detalhe, essas doenças estão sendo observadas mesmo entre os jovens. Para viver mais e melhor é preciso quebrar esse ciclo insano, estabelecendo outro, mais saudável. A matéria de capa desta edição sugere o desenvolvimento de dois hábitos fundamentais, embora existam outros importantes como sono, ingestão suficiente de água, abstinência de qualquer tipo de droga e confiança em Deus. Nossa reportagem desafia você a suar a camisa e a controlar o que entra na sua boca. Para mostrar que isso é possível, apresentamos dicas simples e contamos histórias de jovens, como você, que estão experimentando essas mudanças. A coisa é tão séria que o governo brasileiro, em parceria com as principais universidades do país, está concluindo um estudo com 75 mil estudantes de 124 cidades, que deve pintar o quadro da saúde desta geração. Mais do que isso, o projeto Erica (Estudo sobre Riscos Cardiovasculares em Adolescentes) servirá de base para reorientar políticas públicas de saúde e educação. Como o alerta é urgente e não pode esperar a publicação dos dados da pesquisa, escolhemos esse tema para lembrar você de que sua saúde e longevidade dependem mais de suas escolhas do que de sua genética. Essa é a boa notícia! Podemos fazer valer a nosso favor a lei da causa e efeito. Basta desenvolver bons hábitos, a começar por uma boa leitura.

5 CONECTADO

A OPINIÃO DE QUEM SEGUE E CURTE A REVISTA

6 GLOBOSFERA

CIEN A SO RES

SUPERAÇÃO, JOGO DE TABULEIRO, SEXO, APLICATIVOS

10 ENTENDA

O QUE OS JOVENS ENGAJADOS SONHAM PARA O PAÍS

22 PERGUNTAS

INFERNO, LUZ, FEMINISMO, MENTIRA

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APRENDA

COMO CONQUISTAR O PRIMEIRO EMPREGO

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A EXPERIÊNCIA MISSIONÁRIA DE QUEM TROCOU O BRASIL PELO EGITO

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O H S

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18 REPORTAGEM

Dica: Pegamos carona também num projeto da Igreja Adventista em nível sul-americano. No fim de maio, milhares de igrejas e centenas de escolas estarão envolvidas na distribuição do livro Viva com Esperança, que ensina como podemos ter mais qualidade de vida. Para que a coisa não fique apenas no papel, os adventistas estão organizando feiras de saúde para mostrar na prática o quanto vale a pena mudar os hábitos. Participe com seu colégio ou numa igreja mais próxima de você e acesse a versão digital do livro em vivacomesperanca.com.br. 2 |

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AJADOS

SMO,

SE PROTESTANTES TIVESSEM COLONIZADO O BRASIL

8 AO PONTO

CIENTISTA DA RELIGIÃO DEFENDE A SOLIDARIEDADE COMO RESPOSTA AO CONSUMISMO

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CAPA

OS BONS HÁBITOS DA ADOLESCÊNCIA GARANTEM A SAÚDE DA VIDA ADULTA

Revista trimestral – ISSN 2238-7900 Abril-Junho 2015 Ano 8, no 34 Ilustração da capa: Thiago Lobo

CASA PUBLICADORA BRASILEIRA

Editora da Igreja Adventista do Sétimo Dia Rodovia Estadual SP 127 – km 106 Caixa Postal 34 – 18270-970 – Tatuí, SP Fone (15) 3205-8800 – Fax (15) 3205-8900 Site: www.cpb.com.br / E-mail: sac@cpb.com.br Serviço de Atendimento ao Cliente Ligue grátis: 0800 9790606 Segunda a quinta, das 8h às 20h30 Sexta, das 8h às 15h45 Domingo,das 8h30 às 14h

NÁRIA RASIL

Editor: Wendel Lima Editores Associados: Eduardo Rueda e Wellington Barbosa Projeto Gráfico: Marcos Santos e Éfeso Granieri Designer Gráfico: Renan Martin Diretor Geral: José Carlos de Lima Diretor Financeiro: Edson Erthal de Medeiros Redator-Chefe: Marcos De Benedicto Redator-Chefe Associado: Vanderlei Dorneles

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GUE E

24 IMAGINE

Gerente de Produção: Reisner Martins Gerente de Vendas: João Vicente Pereyra Chefe de Arte: Marcelo de Souza Colaboradores: Edgard Leonel Luz, Almir Afonso Pires, Almir Augusto de Oliveira, Antônio Marcos Alves, Douglas Jeferson Menslin, Eder Leal, Marco Antonio Leal Góes, Orlando Mário Ritter, Pedro Renato Frozza, Raquel Xavier Ricarte, Alexander dos Santos Dutra e Rérison Alfer Vasques.

26 MUDE SEU MUNDO

O RELATO DE UMA AVENTURA HUMANITÁRIA NO MEIO DA SELVA AMAZÔNICA

Assinatura: R$ 23,50 Avulso: R$ 7,40 www.conexao20.com.br Tiragem: 29.000

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LIÇÃO DE VIDA

A HISTÓRIA DA PIONEIRA DA MISSÃO CALEBE, PROJETO QUE MOBILIZA 100 MIL JOVENS

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Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio, sem prévia autorização escrita do autor e da Editora.

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Informação Conectado & opinião Globosfera Ao ponto Entenda

conexao20@cpb.com.br

A revista está mesmo conectada com o mundo atual e, consequentemente, com os jovens e com os que são jovens há mais tempo (risos). Quando recebo essa revista, penso como seria bom se mais estudantes universitários – adventistas ou não – tivessem acesso a ela. Eles seriam beneficiados e animados a enxergar a vida sob outro prisma.

Desabafos, sugestões, interação e dúvidas para a seção Perguntas? É aqui mesmo!

alceu nunes

A edição 33 (janeiro-março) trouxe, no geral, matérias bem interessantes, mas a seção “Ao ponto” me chamou mais a atenção. Antes de entrar na faculdade, sempre me perguntei: “Por que será que os cristãos abandonam a fé quando ingressam na universidade?’’ Particularmente, eu temia perder a fé, pois ouvia pessoas falando sobre como os conceitos científicos substituíram as crenças que tinham antes. Confesso que não é nada fácil ser cristão adventista praticante da Palavra em ambientes seculares. Você é visto como apático, fanático, legalista, porém, também vejo a oportunidade de fazer a diferença no falar gentil, na maneira de comer, de se comportar e se vestir, enfim, nos princípios que nos tornam diferentes no ser e fazer. Além disso, a compreensão que temos de Deus por meio de Sua Palavra é superior a tudo que aprendemos na universidade. Isso me faz pensar num texto da escritora Ellen G. White: “Aqueles que se aplicam a conhecer os caminhos e a vontade de Deus estão recebendo a mais alta educação que é dada aos mortais receber. Estão edificando sua experiência, não nos sofismas do mundo, mas em princípios eternos’’ (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 36).

conexao20.com.br

No site da revista você tem acesso ao conteúdo integral desta e de outras edições.

cínthia santos

facebook.com/conexao20

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Saiba o que vai ser publicado, opine sobre os conteúdos que já saíram e compartilhe com os amigos que não têm a revista.

israel benhur: As matérias da revista sempre estabelecem um elo com as anteriores e com as futuras. É o caso dos temas criacionismo, drogas, universidade e outros. São os mesmos assuntos abordados com visões complementares. Pense numa revista invocada!

________ Designer

twitter.com/conexao_20 @c_cinthia1307: Oba! Chegou a melhor revista jovem de todos os tempos a @conexao_20! Mais conhecimento para este trimestre.

________ Editor

@gabrieltorezan: Para pensar @conexao_20 [sobre a

matéria “Imagine se o brasileiro fosse vegetariano”]

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© Michael Brown | Fotolia

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Texto Wendel Lima Colaboração Ayanne Karoline, Felipe Lemos, Isadora Schmitt e Jefferson Paradello

da mão

Tira-dúvidas

O app Ano Bíblico Desbravador (Android) é uma boa opção para quem deseja ler a Bíblia ao longo de um ano. Além da leitura de três a cinco capítulos por dia, o programa oferece atividades complementares. Em bre­ ve, disponível para iOS.

A série Eu Penso Assim oferece um bate­ papo semanal e ao ponto sobre sexualidade e comportamento. Os vídeos de quatro minutos produzidos pela Igreja Adventista são apre­ sentados num formato de mesa-redonda, em que o pastor Lélis Silva conversa com cinco jovens. A ideia é que os argumentos ofereci­ dos fortaleçam a fé das pessoas que assistem e sirva de ponto de partida para debates em grupo. Os vídeos são publicados no site eupensoassim.com.br todas as sextas, às 19h (horário de Brasília).

Foto: Wikipedia

Divulgação DSA

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Na palma

Divulgação NT

Espaço para as religiões

A r d c d fi e m 2 (O

No game Você na Mira, o jogador está num labirinto e precisa correr contra o tempo para achar respostas para sua busca espiritual. Para isso, ele precisa confiar nas dicas e usá-las da melhor maneira. O jogo tem por base o programa de TV Na Mira da Verdade.

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Divulgação NT

Redação

exemplar

Jefrey Sobreira Santos, 18 anos, fez 920 pontos (do total de 1.000) na redação do Enem de 2014. O estudante adventista de Vitória (ES), aluno da rede públi­ ca, dissertou sobre a publicidade infantil usando argumentos dos livros Nos Bastidores da Mídia e Como Formar Filhos Vencedo­ res, ambos da editora CPB. 6 |

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Conhecida como Terra de Calebe, a primeira rede social adventista nasceu para conectar os voluntários do projeto Missão Calebe, gente que dedica as férias para fazer o bem.

Cláudio Stering

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O Brasil é terreno fértil para as religiões. É o que mostra os 26 capítulos da série Retratos da Fé, produzida pela TV Brasil. A produção estreou em dezembro e já apre­ sentou inclusive um programa sobre a Igreja Adventista. A ideia da emissora estatal é oferecer um espaço para que as religiões apresentem sua mensagem sem intervenções dos editores. O episódio sobre os adventistas retrata personagens e histórias de São Paulo, Paraná, Bahia e Amazonas.

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Divulgação TV Brasil

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HERÓI DE GUERRA

SUPERAÇÃO

Divulgação ACP

Cláudio Stering

NA LINGUAGEM DE HOJE Valeu a espera. Lançado no início do ano em português, Os Escolhidos é o primeiro volume de uma série de cinco livros que conta, segundo a Bíblia, a história do conflito universal entre o bem e o mal. Escrito há mais de cem anos pela norte-americana Ellen G. White e conhecido como Patriarcas e Profetas, o livro de 512 páginas tem agora uma versão em linguagem atualizada. A adaptação promete “fisgar” os leitores mais jovens. O próximo número da coleção deve sair em agosto.

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Divulgação NT

Na região Sul do Brasil, os jovens adventistas estão se reunindo semanalmente para orar, estudar a Bíblia e jogar. Isso mesmo. O game de tabuleiro G148 – A Missão foi lançado em março para promover mais interação nos grupos que se encontram para fortalecer a amizade e servir o próximo. Inspirado em produtos conhecidos como War, Imagem e Ação, Banco Imobiliário e Jogo da Vida, o jogo envolve perguntas sobre a Bíblia e a história da Igreja Adventista, além do cumprimento de metas evangelísticas reais. Ganha a partida quem consegue enviar e manter um missionário em cada continente do tabuleiro. G148 – A Missão pode ser jogado por duas a seis pessoas/equipes e cada partida dura em média 1h30. Mais informações: fb.com/geracao148oficial.

Divulgação AP

MISSÃO EM JOGO

Sonho que acaba de ser realizado por Douglas Domingos da Silva, o primeiro surdo da América Latina a se tornar ministro adventista. Graduado no fim de 2014 pela Faculdade Adventista da Amazônia, ele trabalha na evangelização de deficientes auditivos em São Paulo.

Divulgação CPB

Divulgação NT

A história de Desmond Doss, o adventista que se tornou o primeiro soldado a não pegar em armas e ainda ganhar uma medalha de herói da II Guerra Mundial vai virar um filme dirigido pelo católico Mel Gibson e protagonizado por Andrew Garfield, estrela de O Espetacular Homem-Aranha I e II. A produção deve ser filmada a partir de setembro na Austrália, terra natal de Gibson, e custará 45 milhões de dólares. Na vida real, Doss serviu como médico e salvou 75 homens em Okinawa, Japão. Ele morreu em 2006, aos 87 anos. O documentário The Conscientious Objector (O Objetor de Consciência) conta a história dele.

ASN

Foto: Wikipedia

David Ariel Souza Araújo, de 16 anos, foi um dos 50 mil voluntários da Missão Calebe em janeiro. Ele pregou e ministrou palestras no interior do Piauí. Além de lidar com a malformação das pernas, David teve a infância marcada pelo suicídio da mãe e o abandono do pai. “Se eu, com essas limitações, faço minha parte, outras pessoas também podem”, desafia o rapaz que sonha em ser pastor

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Ao ponto

Texto Rodrigo Follis e Ruben Santana Ilustração Paula Lobo

QUANDO O CONSUMO PERDE O ENCANTO

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Você fala em reencantar a vida. O que pretende dizer? Em primeiro lugar, é preciso entender a teoria do “desencantamento do mundo”, que diz que, com a modernidade, a religião perdeu sua importância. Assim, a sociedade deixou de ver a natureza e a vida de forma encantada – com certa magia – e reduziu tudo à frieza da razão e das fórmulas matemáticas. Com isso, passamos a pensar nossa vida a partir do valor material do que conseguimos ostentar. Quais as implicações disso para a vida diária? Como uma vida totalmente desencantada não é “vivível”, no capitalismo ocorreu um processo de encantamento dos produtos. Sonhamos em 8 |

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comprar determinadas mercadorias, como, por exemplo, o iPhone recém-lançado. A vida necessita de um sentido mais profundo, um encanto, e hoje esse encanto é buscado nos objetos que desejamos consumir. O que é um erro grave, pois há uma troca de valores. Isso fez com que perdêssemos a noção de solidariedade e o encanto de viver com outras pessoas em relação de amizade e comunidade. Como resolver esse problema? A minha proposta é de desencantar as mercadorias – isto é, vê-las como objetos úteis para nossa vida, mas que não servem para dar sentido a ela. Precisamos recuperar o encanto de viver e de aprender na relação com outras pessoas.

É necessário entender que não podemos reduzir a vida ao aspecto financeiro, algo importante mas que não realiza o ser humano enquanto ser humano. E isso só é possível por meio de um pensamento voltado para a solidariedade. O que seria essa solidariedade de que você tanto fala? Há duas ideias que precisamos diferenciar no conceito de solidariedade. Primeiramente, o que acontece a um afeta também o outro, pois vivemos em um sistema global. Devemos nos preocupar não somente com nossos interesses, mas também com os de outros, porque estamos no mesmo “barco”. Em segundo lugar, a solidariedade é um valor ético. É preciso ajudar

Douglas Assunção / Imagem: Fotolia

FERRARI, BMW, VICTOR Hugo, McDonald’s e Outback. Marcas e produtos conhecidos e cobiçados. Alguns deles podemos ter, outros apenas sonhamos em um dia consumir. É sobre esse cenário que conversamos com Jung Mo Sung, doutor em Ciências da Religião e professor na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp). Ele sugere que devemos ir na contramão do sistema capitalista, que torna o ser humano uma mercadoria, desvalorizando aspectos importantes das relações.

as pessoas em dificuldades, não pensando no que ganharemos em troca. Isso nos faz mais humanos. Poderia exemplificar? Claro! Os efeitos da morte de uma criança por inanição, na África, vão levar muito tempo para chegar até mim. Por causa da distância, posso chegar à conclusão de que isso não me afeta ou de que não é minha responsabilidade e, com isso, não deixarei minha zona de conforto. Mas, eu também posso tomar a decisão de fazer algo pelas crianças que passam fome. A mudança só é possível quando procuro assumir minha responsabilidade pessoal de fazer algo, agora ou durante toda a vida, para melhorar o mundo.

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Com novo projeto gráfico, a revista ficou mais ________ Designer

moderna e arejada, facilitando a leitura e deixando-a mais bonita. O conteúdo ganhou novas

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seções e infográficos que vão enriquecer ainda

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mais seu conhecimento sobre vida saudável. Assine e conheça a nova Vida e Saúde. A revista que traz boas ideias para viver bem.

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Texto Wendel Lima Ilustração Paula Lobo

o quE o JoVEm sonha para a política o BraSILeIro anDa pessimista com a política tradicional. não é para menos: o ano mal começou e sobram aumentos, reajustes e denúncias de corrupção. em fevereiro, o Datafolha quantificou essa insatisfação: 71% dos brasileiros não se sentem representados por qualquer partido e a avaliação deles sobre os governos federal, estadual e municipal despencou. essa crise de representatividade, que levou milhões de pessoas às ruas em junho de 2013 e novamente nos dias 13 e 15 de março de 2015, foi o start para o revelador estudo O Sonho Brasileiro da Política. a pesquisa mostra que, ao contrário do senso popular, os jovens não apenas se interessam por política e a consideram um assunto cool, mas estão encontrando novos caminhos para transformar a sociedade. Saiba como essa mudança está acontecendo. o JoVEm E a política

Os indiferentes ainda são maioria, mas surge um novo perfil de engajamento dos jovens na vida pública.

39% não têm interesse em questões coletivas.

16% têm interesse, mobilizam e agem.

17% têm interesse, estão abertos, mas ainda são passivos.

28% são beminformados, refletem e usam a web para mobilizar.

50%

50%

Esses são chamados de hackers porque (1) entendem e decodificam o processo político, (2) aprendem a usar os instrumentos públicos e (3) criam novos caminhos de participação.

usam canais alternativos

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atuam por vias institucionais (ONGs, igrejas, partidos)

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Filhos da dEmocracia

A geração entrevistada pelo estudo cresceu na democracia, acompanhou o desenvolvimento da internet e testemunhou ou participou de grandes mobilizações.

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1985 Fim do regime militar

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1988 Constituição

Diretas Já 1984

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1989 1ª eleição presidencial direta e queda do muro de Berlim

2008 Crise financeira mundial

1992 Impeachment do Collor

1994 Plano real

2011 Occupy Wall Street

2010 Primavera árabe

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entenda


Em favor de causas do cotidiano deles e que envolvem questões que eles acreditam que precisam mudar. Podem ser transitórias e múltiplas, como a dinâmica da vida.

com protagonismo. São responsáveis, autônomos, dedicam tempo, põem a mão na massa e acompanham o processo. Abrem mão de alguns interesses pessoais pelo bem coletivo.

partidos x causas

Eles querem votar em ideias e não em pessoas e partidos: 77% dos hackers não se sentem representados e 66% cobram mais transparência na política.

quais são as causas?

on E oFFlinE

61% cultura da paz 60% inclusão/igualdade social 58% ambiental 58% cultura da periferia 55% internet livre

Eles identificam uma causa, executam uma ação nas ruas e divulgam a mobilização na web.

noVo orGanismo

Tudo isso resulta na formação de células democráticas: o sonho brasileiro para a política. Elas são descentralizadas, horizontais, articuladas, adaptáveis e tendem a se multiplicar. t

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ativismo da profissão

empreendedorismo político

participação pública, popular e privada

91%

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mobilizações cívicas

ocupação do espaço público

souberam das manifestações

18% foram às ruas 18% passaram a se interessar mais por política disseram que os protestos aproximaram

26% pessoas com interesses em comum.

cÉlula

ferramentas digitais

o lEGado dE 2013

2013 Protestos de junho

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PARTIDO POLÍTICO

31% acham que eles incentivaram ações coletivas.

Segundo a pesquisa, as células democráticas são o sonho político de uma juventude emergente no Brasil. não se sabe ainda os efeitos positivos e negativos deste fenômeno mas, diante da atual crise de representatividade, células novas e saudáveis podem ser um sinal de vida para um tecido que apodrece. Fontes: A pesquisa O Sonho Brasileiro da Política (sonhobrasileirodapolitica.com.br) foi divulgada em setembro de 2014. O estudo envolveu 1.400 jovens de 18 a 32 anos, das classes A, B e C, de todo o Brasil, e contemplou levantamento quantitativo e análise qualitativa. abr-jun

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tuam? Es a l E

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Interpretação Capa & Reflexão Reportagem

Texto Rebbeca Ricarte Ilustrações Thiago Lobo e Paula Lobo

Perguntas Imagine

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v e a n c e c c s t d a b

Bons hábitos na adolescência são o start para você viver muito e bem na próxima fase da vida. Conheça dois deles

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Problema que entra pela boca Samuel se sentia indisposto e muito cansado. Todos os dias ele ia malhar na academia, mas os resultados não apareciam. Só perdia peso e vivia bocejando. A rotina dele, que mora no interior de Pernambuco, era a mesma de segunda a sexta: acordar

cedo, gastar uma hora na condução para chegar ao colégio, assistir aulas a manhã inteira e retornar para casa somente no meio da tarde. Samuel não costumava tomar o desjejum, comia um sanduíche por volta das 10h, beliscava algum fast­ food na volta para casa, onde chegava sem fome para almoçar e só iria fazer uma refeição caseira na hora do jantar. Resultado? Além da indisposição física e da insatisfação com o corpo, Samuel começou a perder massa muscular, render menos nos estudos e a cada dois meses visitar o médico por estar com a imunidade baixa e adoecendo facilmente. “O público adolescente hoje tem consumido muito fast-food, essa comida rápida e de péssima qualidade. Comidas gordurosas, com muito açúcar e sal. Tem sido uma constante notar várias patologias se manifestando nesse grupo que, anteriormente, não tinha diabetes, pressão, colesterol e triglicerídios alterados”, explica a nutricionista Sarah Melo. Durante alguns meses, Sara acompanhou de perto Samuel Santos, que tem 17 anos. A proposta foi mudar o cardápio e os horários das refeições dele. E os resultados não demoraram a aparecer. “Eu vim morar e estudar no IAPE [Instituto Adventista Pernambucano de Ensino], e aqui a alimentação é diferente. Carne, não tem. Refrigerante? Nem pensar! Nada de frituras nem gorduras. A comida vegetariana e a refeição feita no horário certo – café, almoço e jantar – me ajudaram a mudar minha saúde. A indisposição foi embora, comecei a comer saladas, sinto mais sede, bebo mais água, consegui ganhar o peso que desejava e até meu desempenho nos estudos melhorou”, conta Samuel. Mudança de hábitos O último ponto da declaração do Samuel não é exagero. O desempenho escolar pode, sim, melhorar depois que alteramos nosso cardápio e outros hábitos, como a prática regular de atividade física. A psicopedagoga Charlene Quinto explica que, para entender essas conexões, é preciso enxergar o desenvolvimento individual como um todo. “O exercício físico favorece não só o bem-estar, a saúde física, mas também melhora as funções cognitivas. A aprendizagem é um processo f ísico, acontece no sistema biológico e envolve conexões entre os neurônios, função realizada pelos neurotransmissores”, explica. Ao detalhar o processo, Charlene diz que a atividade física contribui para o aumento dos níveis de neurotransmissores e de endorfina. “A endorfina promove bem-estar, diminui o estresse e a ansiedade, uma grande vilã da atenção – e nós precisamos da atenção para aprender. A endorfina também ajuda a regular o sono, o que ajuda na oxigenação do cérebro e na assimilação de informações”, completa. Mas se você está disposto a transformar seu sedentarismo em vitalidade é bom conhecer os tipos de exercícios físicos e os resultados que proporcionam. Victor Tarini, doutor em ciências da saúde pela Unifesp com especialidade em fisiologia do exercício, pode ajudar você. De acordo com ele, existem duas formas de se exercitar: aeróbica e anaeróbica. “Essa classificação é meramente fisiológica. Cada modalidade tem seus benefícios. Os aeróbicos são de duração prolongada e ajudam a adquirir resistência, aumentar a frequência cardiovascular e contribuem para dar mais disposição no dia a dia. Os anaeróbicos são exercícios resistidos, conhecidos como musculação. Eles são intermitentes, com curta duração, responsáveis pelo aumento da força e desenvolvimento muscular. Os benefícios, em ambos os casos, podem ser de saúde e estéticos”, esclarece (veja o quadro “Opções para suar a camisa”). No entanto, para conquistar esses objetivos, é preciso não apenas disposição, mas regularidade. “Fazer exercício uma única vez na semana quase não contribui para a saúde. As mudanças são muito discretas, muito rapidamente o corpo se acostuma com elas e você não percebe melhoras”, orienta o especialista. O mínimo recomendado são três vezes por semana, sendo de 30 a 40 minutos para abr-jun

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Imagine um grupo formado por cem pessoas em que 23 delas estão acima do peso, 25 apresentam riscos de doenças cardíacas, oito são hipertensas, três são diabéticas, cinco são fumantes, 26 bebem regularmente e sete já usaram drogas ilícitas pelo menos uma vez. Nesse grupo de cem pessoas, apenas três escaparam de alguma complicação imediata ou posterior em relação a saúde. Parece assustador? Pois esse é o retrato da juventude brasileira. Todos os dados citados acima foram retirados de oito diferentes pesquisas feitas com adolescentes e jovens até os 30 anos de idade pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e o Ministério da Saúde, entre 2010 e 2014. Com o objetivo de ajudar a reorientar as políticas públicas de educação e saúde voltadas para os jovens, em parceria com as principais universidades brasileiras, surgiu o projeto Erica (Estudo sobre Riscos Cardiovasculares em Adolescentes). Para tanto, o grupo de pesquisa está avaliando as entrevistas com 75 mil estudantes de 12 a 17 anos, de 1.251 escolas públicas e particulares, distribuídas em 124 cidades – incluindo todas as capitais. Beatriz Schaan, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e uma das pesquisadoras do programa, alerta para o fato de que o estilo de vida na adolescência é o start para as doenças crônicas e evitáveis. Segundo explica a endocrinologista, em um vídeo promocional do projeto, a doença cardíaca não começa na fase adulta, ainda que costume se manifestar nesse período. Além do fator genético, existem fatores ambientais desenvolvidos ao longo da vida, como a alimentação não saúdável, obesidade, diabetes e o hábito de fumar.

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exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida ou até mesmo aulas na academia. Já o programa de musculação precisa ser progressivo, de modo que o praticante se adapte sem sofrimento. “Normalmente quando nos exercitamos com carga e realizamos um movimento novo, durante um período, o corpo sinaliza com dor muscular na sequência. Isso não é normal, como muita gente trata. É como quando exageramos na comida e sentimos mal-estar. Devemos tratar o exercício físico com essa mesma preocupação”, alerta o professor.

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Cuidado com o lanche No começo da vida escolar, a lancheira é uma grande amiga da criança. Nessa fase, o lanche é geralmente selecionado pela mãe e tende a ser mais saudável. O ponto é que, na adolescência, levar a lancheira se torna uma “pagação de mico” e a escolha do que comer no intervalo fica por conta do estudante e do que oferece a cantina. Massas, frituras, doces, refrigerantes estão disponíveis na prateleira. Somos colocados diante de uma vitrine e de um dilema: escolher com base na aparência, sabor ou nutrientes? O ideal é combinar as três características. Milene Launes é nutricionista especialista em alimentação na escola. Ela sugere que a refeição tenha três elementos básicos: uma fruta, como alimento regulador; uma proteína, na função de alimento construtor (castanhas, nozes ou uma bebida com leite); e, por último, um energético, como pão integral, biscoito de água e sal, barrinha de cereal ou granola. “O lanche precisa ser leve, em quantidades pequenas, e não deve ultrapassar 300 calorias, pois é apenas um complemento das refeições principais”, completa Milene. A nutricionista alerta também para o perigo de um doce vilão: o açúcar. Chocolate, balas, jujubas e tortas oferecem alívio imediato, por exemplo, para as meninas que estão na TPM, porém o açúcar está bem longe de ser um santo remédio. Nos colégios adventistas da região do Vale do Paraíba, no interior paulista, Milene desenvolve diversos projetos de orientação 14 |

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em relação aos hábitos saudáveis, que vão desde oficinas e palestras, até a avaliação nutricional e o acompanhamento clínico da condição de cada aluno. “Quando consumimos alimentos com grande quantidade de açúcar, estamos atrapalhando nosso desenvolvimento como um todo, inclusive nossa capacidade cognitiva de aprender os conteúdos passados na aula”, garante a nutricionista. Corpo, mente e espírito A preocupação da rede educacional adventista com a saúde dos alunos tem que ver com o valor que a Igreja Adventista dá ao desenvolvimento integral do ser humano. Quem explica um pouco dessa visão é a professora Lanny Cristina Burlandy Soares, doutora em ciências médicas pela Unicamp e docente do Unasp. “Os adventistas enxergam o ser humano de uma perspectiva holística, como um ser que precisa se desenvolver em todas as dimensões. Por isso, valorizamos o cuidado com o corpo. Por essa razão, o ambiente das instituições de ensino adventistas favorecem a prática do exercício físico e o contato com o ar puro e a luz solar. Além disso, os alunos têm aulas de princípios de vida saudável para que possam entender a relação da saúde com o desenvolvimento cognitivo”, exemplifica. Nos Estados Unidos, há mais de 40 anos os benef ícios do estilo de vida adventista são estudados pela Universidade de Loma Linda, com o apoio do governo norte-americano. A novidade é que um levantamento inédito semelhante às pesquisas americanas está sendo realizado no Brasil pela Universidade de São Paulo (USP). O estudo Advento é coordenado pelo médico Dr. Everton Padilha e visa a analisar qual é o impacto dos hábitos alimentares de três grupos de adventistas (vegetarianos, ovo-lacto-vegetarianos e onívoros) na prevenção de doenças cardiovasculares em pessoas de 35 a 74 anos. “Certamente a escolha por hábitos saudáveis apresentará resultados imediatos, no entanto, os resultados positivos são crescentes no decorrer do tempo em que se permanece num estilo de vida

Prato colorido

Você deve ter ouvido que para ser saudável, seu prato tem que ser colorido. É verdade. A variedade de tons da sua refeição pode indicar o quanto sua dieta é equilibrada. Por isso, fizemos uma tabelinha abaixo para ajudar você a montar um prato bonito e nutritivo, a começar pelo vermelho do tomate e o verde do brócolis. Bom apetite!

Branco/marrom Eles auxiliam na produção de energia, inibem a formação de coágulos, atuam contra processos inflamatórios e alergias e fortalecem o sistema imunológico e circulatório. Eles têm vitaminas do complexo B e os flavonoides, que atuam na proteção das células.

Verde Ricos em cálcio, fósforo e ferro. Promovem o crescimento e ajudam na coagulação do sangue, evitam o cansaço mental, auxiliam na produção de glóbulos vermelhos do sangue, além de fortalecerem ossos e dentes.

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amarelo/laranja Possuem caratenoides, mas também são ricos em vitamina C, um antioxidante fundamental para a proteção das células. Ajudam a manter a saúde do coração, da visão e do sistema imunológico.

roxo Contêm niacina (vitamina do complexo B), minerais, potássio, vitamina C e antioxidantes que previnem doenças do coração. Mantêm a saúde da pele, nervos, rins e aparelho digestivo e retardam o envelhecimento. Fonte: Milene Launes, nutricionista abr-jun

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Vermelho Fontes de carotenoides, elementos essenciais para a síntese da vitamina A, esses alimentos beneficiam o coração, a memória, os olhos e a pele. O licopeno encontrado em alguns deles ajuda na prevenção do câncer de próstata.

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saudável. Vários estudos científicos publicados mostram que essa seguir o horário de estudos e, no fim da tarde ou à noite, praticar escolha está relacionada à maior longevidade e menor incidência alguma atividade física oferecida no campus”, descreve Lilian Alves de doenças que acometem o sistema circulatório, como diabetes, Barcelos, uma das monitoras da instituição. colesterol alto, hipertensão arterial, aterosclerose Bruna Oliveira, 16 anos, participou do proe até mesmo as doenças coronarianas”, ressalta jeto. “Eu estava com notas muito baixas no primeiro semestre. O ‘Superação’ veio no Vandeni Kunz, doutora em fisioterapia e integrante do grupo de pesquisa. segundo semestre e foi o que alavancou Morte que pode ser minhas notas. Em física, matéria em que Apesar de os pesquisadores só contarem evitada eu tirava nota 5 e 6, passei a tirar 8 e 9. ainda com dados preliminares da pesquisa, Vandeni adianta que o estudo indica O projeto organizou meu tempo e, cuiAs Doenças Crônicas Não que um estilo de vida saudável favorece a dando da saúde, estou cuidando do Transmissíveis (DCNT) são longevidade. “Isso inclui a prática de atimeu desempenho escolar”, relata. multifatoriais e se desenvolvem no vidade física regular, alimentação sauAntônio Soares, 15 anos, também decorrer da vida, principalmente como observou mudanças nos seus hábidável, exposição diária e por curtos resultado dos maus hábitos. Segundo a tos: “Eu estava um pouco acima do períodos ao sol, beber pelo menos Organização Mundial de Saúde (OMS), peso, mas com o projeto comecei a oito copos de água por dia, ter um elas são responsáveis por: jogar na quadra todos os dias, o que período regular de descanso e lazer, me fez perder peso. Passei a dormir respirar ar puro e procurar ter uma melhor e agora consigo acordar mais vida equilibrada”, enfatiza Vandeni. cedo e ter meu momento de comunhão com Deus antes de qualquer Teoria e prática outra atividade.” Entre o conhecimento e a prática Até os professores e funcionários existe uma lacuna que precisa ser preense envolveram. Lilian deixou de apenas chida com a vontade. O esforço é a condisupervisionar os alunos e entrou em ação ção para obter bons resultados quando o com eles. “Como poderia ensinar algo assunto é vida saudável. Isso é verdade para se eu mesma estava agindo errado em um grupo que ensina sobre saúde integral algumas coisas? Estava acima do peso e há 150 anos, como os adventistas, e para durante o projeto emagreci dez quilos!”, qualquer pessoa que deseje viver mais e comemora a monitora. melhor. Para a professora Lanny, informaEntrar para a turma do natureba e fazer ção sobre saúde é o primeiro passo, mas não parte da geração saúde exige conhecimento é tudo. É preciso praticar o que se conhece. e força de vontade, mas os resultados pareNa Facudade Adventista da Bahia, em cem compensar enquanto se é jovem e mais Cachoeira, por exemplo, os alunos foram Fonte: Portal Saúde / Governo Federal ainda na vida adulta. Aliás, cuidar da saúde desafiados a experimentar essa mudanças por meio de uma gincana. O projeto não é apenas uma boa opção, é uma escolha que favorece outras mais importantes. “Es“Superação” tem ajudado os estudantes que tudos indicam que princípios de vida saudável favorecem uma vivem no internato a incorporarem hábitos saudáveis. “Fizemos um cronograma de atividades. Cada etapa cumprida parte importante do cérebro: o lobo frontal. Ele é o responsável pelo aluno gerava pontos para que ele concorresse a um prêmio pela nossa conexão com o espiritual, pois é o ponto de saída para final. Para ganhar essa pontuação, ele precisava fazer seu devo- o caráter, a personalidade e a vontade. Logo, se temos hábitos cional pela manhã, comparecer ao desjejum, almoço e jantar saudáveis, estamos favorecendo nossa conexão com Deus”, ganos horários certos. No contraturno, esse estudante precisava rante a doutora Lanny.

63% das mortes

no mundo 74% dos óbitos

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no Brasil

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Na telinha

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O programa Educação da TV Novo Tempo viajou por oito cidades e dedicou três episódios para mostrar a relação entre corpo e mente na aprendizagem. Confira os programas em novotempo.com/educacao.

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Aumento de força Definição corporal Ganho de massa muscular

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Fonte: Victor Tarini, doutor em ciências da saúde pela Unifesp

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Reportagem

Texto Ana Paula Ramos Ilustração Carlos Seribelli

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BRAZUCAS NA TERRA DOS FARAÓS

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Em projetos de curta e longa duração, eles já reformaram o internato adventista e lideram o colégio e um clube de desbravadores no Egito ano De Copa, 2014. Dessa vez no Brasil. Desde de que o local foi anunciado, o desejo do sociólogo marcos eduardo gomes de Lima, meu marido, era estar bem longe durante os jogos, em outro país, para não vivenciar a “muvuca” prevista para a congestionada capital paulistana. no começo de 2014, marcos e eu fomos parar no egito. não por causa do campeonato de futebol, que resultou em péssimas recordações aos brasileiros, mas para iniciar um projeto voluntário para adolescentes. algo que nós jamais havíamos imaginado fazer. na primeira semana no egito, descobrindo um novo idioma, novos sabores e amigos, começamos a postar nas redes sociais os primeiros registros com a hashtag #Brazucasnoegito. a frase com base no nome da bola da copa se tornou uma assinatura para as experiências dos brasileiros que vivem lá e serviu para conectar também as histórias dos voluntários que participaram das duas primeiras missões de curta duração, em junho de 2014 e janeiro de 2015. mas para você entender a contribuição dos missionários brasileiros para o egito, é interessante ter uma ideia de como está o país hoje e onde se encaixam os voluntários que atuam lá.

o EGito dE hoJE Segundo o The World Factbook (o Livro dos Fatos mundiais), o egito é o 16o país mais populoso do mundo, com 87 milhões de habitantes. mesmo ocupando parte do vasto deserto do Saara, é um lugar de terras férteis, graças ao mais famoso rio do planeta. De fato, como registrou Heródoto, o pai da história, o egito continua sendo “uma dádiva do nilo”. apesar dos recursos existentes e de ser um dos destinos turísticos mais conhecidos, o egito sofre com instabilidades políticas e abismos sociais. a megalópole de Cairo possui o conforto dos hotéis de luxo para turistas e empresários internacionais, bem como comunidades com milhões de habitantes em áreas de invasão. no caminho para o shopping em que você encontra produtos da Victoria’s Secret e as principais redes de lojas norte- americanas, é possível passar por um bairro formado por famílias refugiadas das guerras civis do Sudão. o país sofre também com questões de higiene e grande quantidade de lixo que se acumula pelas ruas, principalmente na periferia das cidades, trazendo doenças e riscos à saúde. o modo de vida é bem distinto entre o alto e Baixo egito. a primeira região é formada basicamente por vilas, algumas com milhares de habitantes, mas ainda vivendo com

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mudança dE planos pela nossa experiência em liderança de desbravadores, em abril de 2013 fomos procurados pelo pastor Berndt Wolter, então diretor de uma agência missionária, para indicar um jovem solteiro que iniciasse uma agremiação no egito. na época, marcos e eu nos preparávamos para um ano de estudos fora do país, justamente com o objetivo de aprimorar nosso inglês e servir com mais eficiência a igreja adventista. no dia em que recebemos o telefonema desse amigo, entendemos que Deus estava nos dando essa missão. oramos. Tentamos apresentar a ideia para alguns, mas nenhum deles se interessou pelo desafio. oramos novamente e três dias depois tomamos a decisão de deixar tudo. precisamos reajustar completamente nossos planos. um ano de estudos virou seis meses, e um ano fora do país se tornaram dois. para tanto, vendemos praticamente todos nossos bens: carro, móveis, roupas e solicitamos uma licença não remunerada do emprego. a ideia do projeto foi apresentada ao Serviço Voluntário adventista (SVa), departamento da Igreja adventista que administra o envio e recebimento de missionários. por meio da plataforma do SVa, instituições adventistas do mundo todo que necessitam de voluntários divulgam suas vagas. os pro-

jetos de curto prazo podem variar de um dia a dois meses e os de longo prazo de dois meses a dois anos ou mais. o voluntário que deseja se candidatar precisa se registrar no site e enviar os documentos solicitados. o programa prevê os recursos mínimos para a realização do trabalho, como moradia, alimentação e um seguro-saúde emergência por todo o período em que o voluntário estiver em missão. recursos adicionais são oferecidos de acordo com a possibilidade de cada instituição e apresentados na descrição da vaga. o custo de passagens e demais despesas não especificadas na vaga são de responsabilidade do missionário. em nosso caso, inicialmente recebemos a informação que teríamos os recursos básicos e mais uma pequena ajuda de custo mensal de 82 dólares para o casal, ajuda que precisou ser cancelada por falta de recursos da pequena escola em que moramos, o nile union academy (nua). para estabelecer o clube de desbravadores, uma atividade extracurricular no internato, teríamos que levantar doações. por providência de Deus, ao aceitarmos o desafio, logo recebemos o apoio do departamento de desbravadores da sede sul-americana da Igreja adventista. a Igreja do unasp, campus São paulo, nossa congregação no Brasil, envia uma oferta mensal e familiares, amigos de longa data e alguns que não conhecemos pessoalmente, também nos ajudam a manter o projeto a todo o vapor no egito. dEsbraVando... o Clube pioneiros do nilo começou suas atividades no dia 9 de março de 2014 com 60 desbravadores do nua; teve seu primeiro acampamento no fim do ano e realizou sua primeira investidura de uniforme e lenço na semana em que completou um ano de existência. a cerimônia foi coroada com o batismo de quatro desbravadoras que estudaram a Bíblia com meu esposo, que atua como diretor e capelão da escola. pela necessidade local, os voluntários e outros missionários ocupam diversas funções na instituição. “este foi um dos melhores programas que iniciamos no último ano no egito, pela força do movimento em si e porque esse programa lida diretamente com a maior necessia megalópole do cairo dade que tíreúne hotéis de luxo, as nhamos famosas pirâmides, áreas de invasão e muito lixo aqui:

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estrutura rudimentar. Lá, as famílias mais conservadoras mantêm tradições milenares que remetem aos tempos bíblicos. o egito reconhece o cristianismo, o judaísmo e o islamismo como religiões legais. Cerca de 90% da população são muçulmanos e 10% são compostos pelas demais denominações autorizadas pelo governo. “as identidades muçulmana e cristã, e a separação entre os dois grupos, são nítidas”, aponta Clifton maberly, antropólogo e missionário australiano que serve a Igreja adventista no país.

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envolver e preparar os jovens para servir a Deus e, consequentemente, sua igreja”, resume o presidente da Igreja adventista no egito, Kleyton Feitosa. mais um brazuca que mudou com sua família para lá há cerca de um ano. Há quase um século, a denominação mantém uma pequena estrutura no egito. no país vivem 750 adventistas, em sua maioria adultos e idosos, e cerca de 50 jovens. entre as igrejas, a mais animada está no pequeno internato adventista localizado na periferia da região metropolitana de Cairo, onde se encontra a maior concentração de jovens adventistas. o nile union academy, que completou 60 anos em 2014, é o nosso atual endereço e lar. uma escola de ensino médio com 125 alunos vindos de famílias cristãs das vilas do alto egito e de bairros de refugiados sudaneses. o colégio, que nunca foi autossustentável financeiramente e sempre contou com ajuda externa, segue um currículo norte-americano adaptado à precária realidade da educação local. nesse caso, o inglês é pré-requisito obrigatório, não o árabe.

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missõEs dE curta duração estar no egito poderia ser o começo de uma parceria de trabalho com agências missionárias brasileiras, como o núcleo de missões e Crescimento de Igreja (numci), sediado no unasp, campus engenheiro Coelho. Logo que o clube começou a funcionar em gabal asfar, saiu do papel o plano para trazer o primeiro grupo brazuca de voluntários. em junho de 2014, o nua recebeu o primeiro grupo com 16 voluntários para projetos de reforma e ações comunitárias que envolveram as crianças e famílias dos arredores da escola durante o período de férias local. a repercussão positiva motivou os voluntários a fazer, posteriormente, viagens semestrais ao egito. o segundo grupo foi em janeiro de 2015: com 17 brasileiros e a egípcia ramage maher, que cursa Tradutor e Intérprete no unasp, campus engenheiro Coelho. em duas semanas de trabalho intenso, com uma equipe multidisciplinar engajada, o

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grupo realizou a pintura do prédio central administrativo e de aulas. os voluntários também ofereceram orientação médica e atendimento odontológico, programas motivacionais e espirituais na escola e uma feira de saúde voltada para a comunidade. em sua primeira experiência de missão transcultural, algo ficou muito claro para o pastor elivelto Vital, de São paulo: “nos lugares em que não se prega o evangelho, só nos resta viver o evangelho. não há espaço para encenar o cristianismo. ‘eu sou a mensagem’ deixa de ser um slogan bonito para ser a maneira mais direta de falar sobre o amor de Deus e de quebrar preconceitos.” Segundo o experiente missionário e antropólogo australiano, o grupo brasileiro alcançou os principais objetivos de uma missão de curto prazo. marberly pontua que essas missões têm objetivos importantes, levar entusiasmo e apoio para um projeto local; ampliar o relacionamento com a comunidade; engajar pessoas de diferentes culturas numa experiência intercultural única e fortalecer a identidade cristã dos envolvidos. “o que os brasileiros realizaram aqui em duas semanas, nós jamais poderíamos ter feito sem a ajuda deles. Temos uma escola cristã muito mais bonita e apresentável em uma comunidade muçulmana. Durante esse período, eles atraíram muitas pessoas que não teriam vindo aqui de outra forma”, ressalta marberly, membro do conselho administrativo do nua.

há um ano, o clube pioneiros do nilo começou com 60 desbravadores

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Fachada do nile union academy, internato que completou 60 anos em 2014 e onde estudam 125 alunos

noVas VaGas a boa notícia é que o egito ainda precisa de mais voluntários como a Lívia e a Thalyta. gente com disponibilidade para projetos de curto, médio e longo prazo. “os egípcios convivem bem com missionários e os brasileiros são muito queridos por eles”, informa o pastor Kleyton Feitosa, líder da Igreja adventista no egito. Segundo ele, mesmo os que passam pouco tempo no campo missionário acabam se tornando “embaixadores” do local em que serviram, divulgando por onde andam as necessidades daquela região e inspirando o envio de mais recursos e pessoas para lá. “eles levam o egito no coração; falam das necessidades reais que encontraram aqui. os que percebem a grandeza de servir, passam a viver com um propósito de vida diferente. eles vivem a missão, não apenas esprEcisa-sE dE brazucas peram pelas próximas férias para dedicar-se a um projeto”, avalia o brasileiro. os que ficam por mais tempo A hashtag #BrazucasNoEgito foi criada para conectar como missionários, completa ele, também recebem todas as iniciativas em favor da missão adventista. uma injeção de ânimo e o trabalho local continua Abaixo, você pode descobrir como nos ajudar e com foco no treinamento e discipulado. utilizar essa assinatura digital nas redes sociais. “a força dos jovens adventistas brasileiros é sem igual. nosso país tem grande potencial para a mis(1) Ore com seus amigos pelos missionários no Egito. são, porque tem gente nova, com conhecimento e Registre o momento e compartilhe. desprendimento. Se esse pessoal se organizar e mais agências passarem a funcionar gerenciando recursos, (2) Planeje participar de uma missão de curto prazo. pessoas e projetos, é possível que falte local para re(3) Se você é desbravador, envie uma mensagem da ceber tantos jovens brasileiros”, projeta. em outras sua unidade ou clube para os Pioneiros do Nilo. palavras, que venham mais brazucas para o egito! (4) Para fazer doações acesse nuasda.com.

para saber +

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adventistas.org/voluntarios numci.org nuasda.com

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aprEndizado aos 45 do segundo tempo, como ela mesmo descreve, Lívia Longo conseguiu os recursos para sua terceira viagem missionária de curto prazo. a jovem dentista deixou de ganhar o salário do mês, precisou faltar às aulas da pós-graduação e levantar doações para a viagem. “Deixei nas mãos de Deus. Tenho certeza de que minha decisão de ir ao egito foi primeiramente dele”, avaliou. para Lívia, a missão de curto prazo tem a vantagem de gerar uma transformação positiva na vida do voluntário e no local em que ele realiza um projeto. “esse foi o meu caso. Deixamos uma boa impressão por causa dos nossos atos de amor”, declarou a profissional, que faz planos de voltar em julho para a terra dos faraós. em janeiro, a psicóloga Thalyta padula gerodo também embarcou em sua primeira missão transcultural. Formada há três anos, ela também sentiu o impacto positivo causado pela experiência. “muita coisa mudou em minha vida e visão de mundo. Todos os dias eu oro para ser como Cristo e nessa oportunidade tive a chance de servir, compartilhar o amor dele e ser útil ao meu próximo.”

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Básica

Texto Eduardo Rueda Imagem © rolffimages | Fotolia

O inferno será quente, mas não eterno

Inferno Sombras, caldeirões ferventes, demônios vermelhos com chifres e tridentes pontiagudos, e muito, muito fogo! É assim que geralmente se imagina o inferno – lugar de tormento eterno para onde se crê que vão os maus depois da morte. Recentemente, o Pew Research Center divulgou uma pesquisa em que 71% dos brasileiros entrevistados, entre católicos e protestantes, disseram acreditar na existência do inferno. Mas será que, de fato, ele existe? O que a Bíblia diz? As principais palavras bíblicas traduzidas como “inferno” são she’ol, em hebraico, e hadēs, em grego. Ambas se referem, basicamente, à habitação dos mortos, e o contexto em que são utilizadas nas Escrituras indica, em grande parte dos casos, simplesmente a ideia de “sepultura”. Como vimos na edição anterior, o conceito de espíritos desencarnados ou “alma penada” não tem base bíblica, porque os mortos permanecem inconscientes até o dia da ressurreição (Ec 9:5, 6; Jo 5:28, 29). Após o milênio e a ressurreição dos maus, é dito que o fogo de Deus cairá do Céu e exterminará Satanás e os ímpios (Ap 20:9; 2Pe 3:7). Assim como na destruição de Sodoma e Gomorra (Jd 7; 2Pe 2:6), esse fogo não queimará para sempre, mas até que não reste vestígio do mal (Ml 4:1). A ideia é de um fogo que não se apaga enquanto o objeto não se consome (Jr 17:27). Nos Evangelhos, Cristo ilustra a realidade do verdadeiro inferno com a palavra grega geenna, que originalmente designava um vale, ao sul de Jerusalém, onde o lixo e os animais mortos da cidade eram queimados (Mt 18:9; Lc 12:5). Além disso, quando a Bíblia menciona o fogo eterno, isso tem que ver mais com o resultado do que com a duração do fogo – Deus destruirá para sempre os maus (Sl 145:20; 37:9, 34). A doutrina de um inferno em que os ímpios são atormentados para todo o sempre é incompatível com o caráter de um Deus de amor, que não tem prazer na morte – muito menos no tormento – de ninguém (Ez 33:11). E certas partes da Bíblia que parecem apoiar essa doutrina (como a parábola do rico e Lázaro, em Lucas 16) devem ser devidamente estudadas à luz de seu contexto bíblico, gramatical e histórico. Fontes: Dicionário Bíblico Strong (SBB, 2002); Filipe André Schifino Santos Jardim, “O rico e Lázaro: uma interpretação histórico-exegética de Lucas 16:19-31” (revistas.unasp.edu.br/kerygma); e Nisto Cremos (CPB, 2008), p. 444-457

Curiosa

Texto Eduardo Rueda Imagem © jamesbin | Fotolia

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Luz

Sem ela você não veria o mundo ao redor; não distinguiria as cores e as formas dos objetos (a não ser pelo tato); e não poderia postar selfies no Face nem bater papo no WhatsApp. Ficar sem ela não é fácil. Também não é fácil entender a luz, nem mesmo para os cientistas. A luz são as radiações eletromagnéticas que nossa visão é capaz de captar. Para serem enxergadas,

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essas ondas precisam ter um comprimento entre 400 e 700 nanômetros, aproximadamente (um nanômetro equivale à bilionésima parte de um metro). Existem também as radiações ultravioletas e infravermelhas que, embora não sejam visíveis, também são chamadas de luz. Apesar de sua natureza eletromagnética, às vezes a luz se comporta como matéria, o que levou cientistas como Isaac Newton e Albert Einstein a considerar a possibilidade de ela também ser formada por partículas ou fótons. Os físicos modernos admitem essa dupla natureza da luz. Uma das coisas mais intrigantes a respeito das radiações luminosas é sua velocidade – aproximadamente 300 mil quilômetros por segundo (no vácuo)! Nada no Universo é tão rápido. Mesmo

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assim, devido à imensidão do espaço, muitas vezes a luz se “atrasa”. Cada raio do Sol, por exemplo, demora cerca de oito minutos para chegar ao nosso planeta. Além disso, quando olhamos uma estrela no céu, o que vemos, na realidade, é a luz que ela emitiu muitos anos atrás. A luz é um elemento misterioso e essencial ao mesmo tempo. Na Bíblia, ela acompanha as manifestações da Divindade e é um símbolo da obra realizada pelo Espírito Santo na mente humana (Gn 1:3; 1Jo 1:5; Jo 8:12; Ef 1:18; Sl 34:5).

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Fontes: Alfredo Roque Salvetti, A História da Luz (Livraria da Física, 2008); Craig Freudenrich, “Como funciona a luz” (hsw.uol.com.br); Salvador Nogueira, “O que é a luz?” (super.abril.com.br); Dicionário Eletrônico Houaiss, “luz”

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Texto Sandson Magalhães Imagem © vladimirfloyd | Fotolia

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FEMINISMO Com raízes na Revolução Francesa do século 18, o movimento que defende a ampliação dos direitos e do papel da mulher na sociedade tem ganhado espaço em todo o planeta, com destaque para o mundo ocidental. O feminismo reivindica a plena igualdade entre homens e mulheres, e sua pauta tem sido elogiada por alguns e criticada por outros.

sim

No fim do século 19, nos Estados Unidos, Elisabeth Cady Stanton, líder feminista, publicou a Woman’s Bible [Bíblia da Mulher], um projeto no qual as passagens que aparentemente discriminam as mulheres foram reinterpretadas de acordo com a filosofia do feminismo. Esse foi o embrião da Teologia Feminista, que se desenvolveu a partir da década de 1960. Uma das propostas dessa teologia tem que ver com a ordenação de mulheres ao ministério (ou sacerdócio) – questão que tem sido discutida por católicos e protestantes e aceita em alguns círculos.

não

Em algumas religiões, como o islã, há limitações quanto aos direitos das mulheres. Embora o Corão, livro sagrado dos muçulmanos, deixe claro em várias passagens que, aos olhos de Alá, homens e mulheres são iguais (Alcorão, sura 33:35; 43:70; 16:97; 4:19), em certos segmentos do islamismo se proíbe, por exemplo, as meninas de ir à escola e as mulheres de trabalhar e andar sozinhas. Alguns grupos pentecostais também mantêm restrições ao papel feminino na esfera da igreja. A Congregação Cristã no Brasil, por exemplo, requer o uso do véu por parte das mulheres como símbolo de submissão, com base em 1 Coríntios 11:2-16, e restringe sua atuação na igreja ao ministério da música e de assistência social.

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A Igreja Adventista do Sétimo Dia reconhece que todas as pessoas são criadas iguais, à imagem de Deus (Gn 1:27), e que a mulher, assim como o homem (Gl 3:28), tem um valor inestimável e uma parte importante no plano da salvação e no cumprimento da missão da igreja. Ao mesmo tempo, reconhece também que as Escrituras atribuem à figura do esposo e pai um papel funcional de liderança, à qual a mulher deve se submeter, mas num contexto de amor e companheirismo (Ef 5:22-28; Cl 3:18). Fontes: Maria José Rosado, “O impacto do feminismo sobre o estudo das religiões” (scielo.br); Drucilla Cornell, At the Heart of Freedom: Feminism, Sex, and Equality (Princeton University Press, 1998); Janaína da Silva, “A questão de gênero na Congregação Cristã no Brasil”, Revista Brasileira de História das Religiões, v. 1, n. 3, 2009; Declarações da Igreja (CPB, 2012), p. 218; e Nisto Cremos (CPB, 2008), p. 377, 378

Ela tem pernas curtas e seu aniversário é 1o de abril. Segundo especialistas, aprendemos a mentir cedo, quando ainda bebês, e episódios que envolvem mentiras – grandes ou pequenas – fazem parte da História desde os tempos antigos. Para a Psicologia, o ato de mentir não é necessariamente ruim, desde que não se torne compulsão; mas, na Bíblia, é considerado pecado e sua origem é atribuída ao diabo (Êx 20:16; Jo 8:44). Na literatura, o símbolo mais conhecido da mentira é o nariz do personagem Pinóquio, famoso boneco de...

madeira Mil e uma utilidades, ela é um dos materiais mais antigos utilizados em construções e artesanato, além de servir como combustível (desaconselhável, por ser poluente). Sua vantagem é ser relativamente leve e resistente ao mesmo tempo. A arca de Noé, o cavalo de Troia, a cruz do Calvário e outros símbolos famosos da História eram feitos de madeira. Dela vem também a celulose, matéria-prima do papel, amigo inseparável da...

caneta Antigamente era feita de pedaços pontiagudos de madeira ou osso, de bambu ou pena, especialmente de ganso. Depois, no século 19, surgiu a caneta-tinteiro com um reservatório onde se injetava a tinta. A atual caneta esferográfica, com uma pequena esfera de metal na ponta, foi popularizada apenas no fim da década de 1930, pelo húngaro Lazlo Josef Biro. A invenção tomou conta da vida cotidiana e passou a ser utilizada principalmente na escola – instituição à qual nem sempre tem acesso o...

caipira Camponês, sertanejo, matuto, caboclo, roceiro, capiau, babaquara, guasca. Com várias denominações, o indivíduo que nasce afastado da cidade grande é geralmente alvo de preconceitos. O sotaque arrastado, o desconhecimento das novidades tecnológicas e a baixa escolaridade são frequentemente considerados como ignorância. Mas, no cabo (de madeira) da enxada, o caipira, sem caneta, escreve lições de honestidade que muitos mentirosos deviam aprender. abr-jun

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Texto Eduardo Rueda

da mEntira ao caipira

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Tudo ligado

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Imagine

Texto Jessica Manfrim Ilustração Paula Lobo

... se protestantes tivessem colonizado o Brasil E não é que eles colonizaram! Franceses calvinistas se estabeleceram na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro (1555-1560), enquanto os holandeses aportaram no nordeste do Brasil e fizeram de Recife sua capital (1630-1654). Essas experiências transformaram o Brasil daquele tempo e teriam mudado nosso país de hoje se a empreitada tivesse se consolidado. Mas se você acredita que seríamos colônia de povoamento, sem escravidão e maior índice de riqueza, talvez deva rever seus conceitos. Colonização tardia

Inglaterra, França e Holanda enfrentavam disputas políticas internas e guerras religiosas quando Portugal e Espanha, com governo e religião estabelecidos e novas técnicas de navegação, estavam dividindo o mundo entre si. Isso dificultou o estabelecimento de colônias protestantes, pois, no começo da tarefa, era a metrópole que fornecia dinheiro, mão de obra, alimentos e armas. Além disso, em muitos casos, a colonização não era um bom negócio. Era mais vantajoso praticar pirataria ou ser intermediário no comércio triangular (entre Europa, América e África) transportando açúcar, bebidas e escravos.

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Esqueça o sonho americano

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Nosso país não teria sido colonizado como os Estados Unidos. Aliás, essa divisão entre colônias de exploração e de povoamento é apenas didática. Na prática, franceses e holandeses estavam interessados em partilhar do lucro que Portugal estava conseguindo por essas bandas. Mas vir para o Brasil, ou para qualquer parte da América, era um ato de coragem: não se sabia quando nem como seria possível voltar para a Europa. As dificuldades incluíam fome, falta de recursos financeiros e materiais, e ataques indígenas. Além de tudo isso, era necessário investigar o que a terra poderia oferecer. Cruzar o Atlântico demorava meses. Tudo demandava tempo, ou a vida inteira.

Mais liberdade, menos sincretismo

Os holandeses, com a intenção de ganhar adeptos, ofereceram liberdade religiosa. Resultado: ingleses, franceses, escoceses (protestantes) e muitos judeus vieram para o Brasil. Duas sinagogas foram construídas em Recife. Mas isso não impediu conflitos entre católicos, judeus e protestantes. Os holandeses fizeram tentativas para evangelizar os índios, sem muito sucesso, mas não se interessaram em converter os escravos africanos. Estavam preocupados com a organização econômica da colônia. Talvez, com maior tolerância religiosa desde o período colonial, não fosse necessário mesclar práticas religiosas e o Brasil não seria tão sincrético. Por outro lado, o racismo aqui poderia ser mais explícito, como o que vemos na cultura puritana e segregadora dos Estados Unidos. 24 |

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Menor e mais urbanizado

A base da colonização holandesa estava nas cidades e o interior servia para a produção do açúcar, comandada principalmente por portugueses que conheciam o processo. O conde Maurício de Nassau, que pretendia ficar por aqui, redesenhou o traçado arquitetônico das cidades, aliviando a crise habitacional da época. Sua intenção era organizar melhor a fabricação de açúcar e produzir outros gêneros alimentícios, incentivando a policultura e o abastecimento das cidades. Se a colonização holandesa tivesse avançado, provavelmente, a urbanização do Brasil teria acontecido mais rápida e organizadamente. Porém, por diferenças idiomáticas e de condução da economia, o país teria se fragmentado em colônias menores, como nossos vizinhos latinos, ou manteria o território atual com a oficialização de outros idiomas.

A colonização protestante não foi um mar de rosas. O que parece ter pesado mais no desenvolvimento histórico dos países não foi o tipo de colonização que receberam nem a tradição religiosa de seus invasores, mas a dinâmica de dependência-autonomia entre colonizados e colonizadores. A mesma Inglaterra, por exemplo, que colonizou os Estados Unidos, ocupou a Jamaica. Os holandeses colonizaram o Suriname. Além disso, professar o protestantismo não impediu que os colonizadores escravizassem indígenas e africanos. O ponto é que a história de um país é feita de rupturas e continuidades, mas uma coisa é certa: não podemos mais culpar nosso passado colonial pelos problemas atuais, mesmo porque o Brasil já mudou muito de lá para cá. O poder de transformação está em nossas mãos. Afinal, somos agentes históricos, construímos e modificamos a história. Fontes: História do Brasil, de Boris Fausto (Edusp, 2008); História dos Estados Unidos, de Leandro Karnal (Contexto, 2010); “A França Antártica, o corso, a conquista e a ‘peçonha luterana’”, de Maria Fernanda Bicalho (adv.st/1ClDqSx); e “A criação do mito do Brasil Holandês”, de Gabriel Passetti (adv.st/16YGBa8).

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Recife

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Ação Mude seu mundo

Texto Jéssica fontella Ilustração Leblu

Lição de vida Aprenda

Aventura na selva

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Voluntários contam como foi passar dez dias numa expedição humanitária na Amazônia

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oS unIFormeS FICaram em casa e deram lugar a botas e chapéus. as ferramentas de trabalho não eram mais os computadores ou smartphones, mas enxadas e rolos de pintura. Foi assim que durante dez dias, entre o fim de janeiro e início de fevereiro, 13 funcionários da sede sul-americana da Igreja adventista dedicaram parte de suas férias para ajudar os moradores da comunidade rosa de Saron, localizada às margens do rio manacapuru, no amazonas. para chegar lá, eles partiram de Brasília e enfrentaram três horas de avião, duas horas de carro e sete horas de lancha.

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mão na massa neste ano, os voluntários receberam a missão de construir dois banheiros e realizar a pintura de quatro casas do povoado. porém, antes mesmo do início da missão, algumas preocupações já tomavam conta do grupo. “Quando vi a lista e percebi que havia poucos homens e muitas mulheres, pensei que seria difícil conseguir finalizar nosso trabalho”, observa elias Barreiros, gerente de projetos. mesmo assim, eles não se esquivaram do trabalho. no decorrer dos dias, as tarefas foram sendo cumpridas no tempo previsto, possibilitando aos voluntários conhecerem a rotina dos ribeirinhos. “Foi incrível vê-los subir nos pés de açaí, debulhar as sementes, socar os grãos e aos poucos ver surgindo o suco da fruta”, recorda Lídia Calderón, corretora de seguros. Depois de cada dia de intenso trabalho, o grupo aproveitou para tomar banho no rio manacapuru, pescar em comunidades vizinhas e jogar bola com as crianças. Diferentemente do que muitos pensavam, as refeições não eram apenas peixe e farinha. Com a ajuda da enfermeira que atua em tempo integral na comunidade, cada dia uma voluntária ficou responsável pelo preparo dos alimentos. a experiência possibilitou ao grupo degustar pratos diferentes, o que fez com que alguns voluntários voltassem para casa com alguns quilos a mais. além da pintura das casas e construção dos banheiros, profissionais prestaram atendimento na área de saúde. a fisioterapeuta Taissa prates ministrou uma palestra para as mulheres sobre cuidados com a região pélvica e o estudante de odontologia Caio Cruz aplicou flúor em crianças e distribuiu kits de higiene bucal para as famílias. o coordenador de serviços gerais Januário neto classifica que a experiência foi muito mais do que uma simples missão, uma oportunidade de enfrentar novos desafios. “eu já poderia ter viajado de avião em outras ocasiões, mas não havia tido coragem. esse seria o maior obstáculo para eu participar dessa

missão, mas a vontade de fazer parte dela me fez vencer esse temor”, assume. além do medo de avião, neto também possuía receio de andar de barco, outro esforço pessoal que ele fez por confiar em Deus e amar o próximo. milaGrE entre os vários momentos de alegria e diversão da viagem, a equipe vivenciou um episódio de tensão e angústia. o local em que os voluntários estavam hospedados é conhecido na região por ser um posto de saúde mantido pela aDra Brasil. em uma noite, a enfermeira local recebeu um paciente cujos dedos haviam sido triturados por uma máquina de moer farinha. enquanto os primeiros socorros eram prestados, uma criança de dez anos chegou ao posto porque havia sido picada por uma surucucu, a maior serpente peçonhenta da américa do Sul. Como as distâncias entre as comunidades são grandes, o garoto só pôde receber atendimento mais especializado seis horas depois do acidente. “Foi muito bom poder colaborar porque eles realmente necessitam de ajuda. nós mesmos que realizamos uma maca improvisada para levar o menino até a lancha”, comenta gretel Fontana, uma das voluntárias que acompanhou de perto o cuidado com os pacientes. após ambos receberem os primeiros socorros na comunidade, foram levados a manacapuru por meio da lancha voadeira da aDra Brasil e por providência divina passam bem. para os voluntários, o trabalho braçal de construção e restauração da vila foi apenas um detalhe perto da riqueza de aprendizado que tiveram no convívio com a comunidade e suas peculiaridades, como o fato de o local não receber sinal de celular e internet e de a energia elétrica estar disponível apenas à noite. “um pedacinho do céu”, foi a expressão que Thayanne Braga usou para descrever sua experiência. “o culto de sábado foi emocionante! eu vi a natureza louvando, os pássaros cantando, os botos mergulhando, além dos sorrisos sinceros daquelas crianças. posso dizer que me alegrei no Senhor”.

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para saber +

informações: adra.org.br/projetos-amazonas participar e doar: contato@adra.org.br

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por meio da aDra Brasil (agência adventista de Desenvolvimento e recursos assistenciais), a equipe teve a oportunidade de embarcar na lancha Luzeiro XXVI e participar de um projeto que há mais de 80 anos socorre os ribeirinhos. Durante o ano, diversos profissionais como oftalmologistas, psicólogos, cardiologistas e dentistas realizam consultas gratuitas, sendo esta a única maneira de levar atendimento médico às comunidades isoladas. o projeto Luzeiro teve início com a inauguração da primeira lancha em julho de 1931 pelo casal norte-americano Leo e Jessie Halliwell. ao longo das últimas oito décadas, várias embarcações Luzeiro foram construídas para levar esperança a milhares ao singrar os rios amazonas, negro, Solimões e seus afluentes. atualmente, cerca de 1.500 pessoas são beneficiadas diretamente pelo projeto Luzeiro XXVI nas comunidades de manacapuru, rosa de Saron, arapapa, abacabeira, São José, São miguel, Dominguinhos, Jacarezinho, São pedro e maranhão. o projeto é mantido por doações e pelo dedicado serviço de voluntários. para Luiza machado foi emocionante a experiência de fazer parte da história da lancha Luzeiro como voluntária. “assim que soube do projeto, tive vontade de participar. Sempre fui curiosa em saber como era a lancha, porque já tinha ouvido algumas histórias sobre ela. Quando cheguei lá e vi a lancha foi como realizar um sonho”, confessa. a pequena comunidade com 50 habitantes também se alegrou ao receber mais uma vez uma equipe de voluntários. em anos anteriores, já estiveram ali grupos vindos de São paulo e até da nova zelândia. os moradores reconhecem o esforço empenhado para a melhoria do local em que vivem. “É muito bom conhecer pessoas que vêm de longe só para deixar nossa casa mais bonita”, ressalta a moradora aldenora Soares.

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Lição de vida

Texto Lucas Marcelino

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Há quem diga que aproveitar as férias é ir à praia. Outros afirmam que ficar em casa e descansar é muito melhor. Para esses, passar tempo com a família, colocar a leitura em dia e sair com os amigos são algumas das alternativas. O ponto é simplesmente curtir o tempo livre. No verão e inverno de 2015, 100 mil jovens de oito países da América do Sul aproveitaram e vão aproveitar as férias de outra forma. Uma dessas voluntárias é a Estatielma Caires, pioneira da Missão Calebe. Taty, como é chamada pelos mais próximos, nasceu e cresceu em um lar adventista na cidade de Cordeiros (BA). Em 2006, com os amigos Nora Ney e Leonardo Fernandes, ela teve uma ideia inusitada. “Sempre costumo dizer que Deus teve a ideia e nos usou para colocá-la em prática”, afirma Estatielma. “Conheci Nora quando estudava em Guanambi. Ela me convidou para participar de um projeto que seria realizado no mês de janeiro em três cidades. Foi um desafio, pois seria no período das minhas férias escolares, e eu estava com muita vontade de voltar para casa, mas senti o chamado de Deus para estar ali.” Os participantes do projeto, em sua maioria, eram adultos e os poucos jovens, segundo Estatielma, não estavam lá por vontade própria, dando mais trabalho do que ajudando. “Lembro-me de uma cena que me chamou muito a atenção. Uma senhora com idade bem avançada tinha o desejo muito grande de pregar o evangelho, contudo seu corpo a limitava. Então, cresceu dentro de mim uma grande inquietação: ‘Senhor, será que seus jovens terão que perder a juventude, a força e o vigor para, só então, descobrir o prazer de pregar o evangelho?’ Essa pergunta ficou na mente de Estatielma e passou a incomodá-la cada dia mais. Tal inquietação gerou o projeto Missão Calebe: oferecer aos jovens uma experiência prazerosa de pregação do evangelho.

Foto: Arquivo pessoal

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Foto: Arquivo pessoal

A história da pioneira do projeto que tem mobilizado 100 mil jovens em 2015

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ciel Foto: Danieli Ma

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escolheram depois de conhecerem o projeto em janeiro de 2006”, explica Estatielma. A inspiração veio da disposição e coragem demonstradas pelo Calebe da Bíblia. Hoje atuando na comunicação adventista para o Estado de São Paulo, Odaílson viu um grande potencial no projeto de Estatielma. “O que nasce na mente criativa e ousada dos jovens sempre vem com a força da coragem e da insistência. Quando desci do ônibus, após uma noite de viagem de Salvador até Guanambi para conhecer quem eram aqueles jovens, tive a certeza de que aquela proposta era o embrião atômico de um projeto evangelístico capaz de estremecer a zona de conforto de muita gente”, destaca o pastor. “Só faltava a cara, a marca, a embalagem e a promoção certa para pulverizar a ideia para milhares de jovens. Foi o que aconteceu.” Impacto Os “calebes” realizam diversas atividades comunitárias e evangelísticas. “O jovem é uma usina criativa capaz de inventar mais e mais linhas de ação missionária. Aqui vão alguns exemplos: pregação, visitação, assistência social, projetos comunitários, construção de igreja, semanas de colheita e reavivamento, recepção, interação em mídias sociais, estudos bíblicos, e qualquer outra atividade que tenha como foco o evangelismo direto em um período de tempo”, exemplifica o pastor. Foi assim com a comunidade de Ceraíma. Antes fechadas para o evangelho, as pessoas se abriram para o trabalho dos jovens. Na ocasião, 24 pessoas foram batizadas e outros 26 jovens missionários foram transformados. “Você nunca ajuda o próximo sem ajudar a si mesmo. Tudo que um jovem vive e experimenta nesta jornada inesquecível de missão e dedicação volta multiplicado para ele em forma de realização, lembranças incríveis e testemunho da luta visível entre o bem e o mal”, destaca Odaílson. O fato é que nem ele, nem Estatielma, imaginaram o sucesso e o alcance da Missão Calebe, agora em sua décima edição. “Tem mais gente envolvida do que

poderíamos mensurar. É um batalhão de força revolucionária à disposição da missão da igreja”, comemora Odaílson. “Ser um calebe é escolher viver os planos de Deus para sua vida, mesmo que isso seja por meio de grandes desafios”, completa Estatielma. Novas missões Em 2011, Estatielma descobriu o projeto Missão Total, uma oportunidade para jovens que desejam fazer evangelismo ao longo de um ano em lugares que pedem uma ação mais direta e pioneira. Por isso, ela trabalhou como missionária na cidade goiana de Posse com o objetivo de fundar uma igreja. Essa seria a última missão de Estatielma como solteira, afinal, já estava de casamento marcado. Contudo surgiu outra proposta. A convite do pastor Herbert Cleber, líder dos jovens adventistas da Bahia e Sergipe, ela teve a oportunidade de passar um ano no Uruguai. O problema inicial era que o convite conflitava com a data do casamento. “Fiquei muito preocupada, passei por momentos difíceis de indecisão. Mas, conversando com meu noivo, entendemos que essa era a vontade de Deus. Senti paz ao decidir adiar o casamento e dedicar mais um ano em missão”, conta Estatielma. Depois da missão, claro, o sonho do casamento se tornou realidade em uma linda cerimônia de frente para o mar em Porto Seguro (BA), lugar com nome sugestivo, já que a missionária tem a certeza de quem sempre foi e sempre será seu porto seguro. “Agora, queremos cumprir a missão juntos, testemunhar por meio da família, uma família missionária.” Por fim, fiz a seguinte pergunta: “Ser cristão e não ser missionário, pode isso, Estatielma?” “Impossível! Não faz sentido ter um encontro verdadeiro com Cristo e não ter uma vida de missão. Temos que falar sobre Ele para o mundo. Esse é o propósito de Deus para nós. Se existem cristãos infelizes na igreja, é porque ainda não descobriram o que é ser missionário”, conclui a pioneira da Missão Calebe, projeto que, segundo Estatielma, é apenas o pontapé inicial para uma vida em missão. abr-jun

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Dízimo do ano A primeira reunião foi marcada para colocar a ideia no papel. “Percebemos que aquele era um sonho que estava além do nosso alcance”, explica Estatielma. “Leonardo e eu éramos estudantes sustentados pelos nossos pais que mal conseguiam bancar os estudos. Nora era a única assalariada, porém a renda dela estava comprometida com as finanças da família.” O nome inicial do projeto era “Dízimo do Ano”, seguindo a ideia de que os participantes oferecessem para Deus um dízimo do tempo numa missão de férias. “Decidimos pôr Deus à prova. Tínhamos a certeza de que aquele projeto não era nosso; por isso, escolhemos mais sete jovens que jejuariam parcialmente por 60 dias e estabelecemos um prazo. Se no fim dos dois meses tivéssemos alimento suficiente para manter 25 voluntários pelos 36 dias da missão, saberíamos que aquela iniciativa era de Deus e que Ele garantiria o sucesso do projeto”, descreve a pioneira. E Ele garantiu. No fim do período havia muito mais alimento do que o grupo precisava. “Ele mostrou Sua grandeza desde o começo e, a partir dali, testemunhamos milagres todos os dias”. Na cidade de Guanambi (BA), com seus 85 mil habitantes, o povoado de Ceraíma foi o local da estreia do projeto. “A experiência foi maravilhosa, não tenho palavras para descrever como foi viver a verdadeira dependência de Deus e conhecer na prática os milagres descritos na Bíblia”, alegra-se. Contudo, como é de se esperar, desafios estavam envolvidos no pioneirismo do projeto. O primeiro foi acreditar que reunir 25 jovens numa mesma casa, durante 36 dias, pudesse resultar em algo bom para aquela comunidade. Outro desafio foi fazer a igreja e os pastores acreditarem no projeto. O histórico de evangelização daquele lugar não era favorável: havia ali somente um templo destruído, na época usado como ponto de encontro de usuários de drogas e bandidos. Sim, essa é a história do início da Missão Calebe. “Calebe foi o nome que o pastor Odaílson Fonseca e sua equipe do ministério jovem da região Nordeste

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Aprenda

Texto Wellington Barbosa Ilustração Macrovector | Fotolia

COMO CONQUISTAR O O G E R P M E O IR E IM R P que todo mundo opção, chega um momento em ou De Da SSI Ce ne r po a SeJ emprego. no Brasil, a É hora de conseguir o primeiro ira. nce fina a nci ndê epe ind ca bus de. porém, dos 14 trabalho até os 13 anos de ida de tipo er lqu qua íbe pro ção legisla ulado em uma iz, desde que você esteja matric end apr um ser l síve pos é s, aos 24 ano s 16 anos em e na área que está cursando. Do alh trab e e ant aliz ion fiss pro o instituiçã aluno regular de uma vaga de estagiário, caso seja diante, o candidato pode buscar as para você se dic as sta edição, a revista traz algum um colégio ou faculdade. ne iro emprego. destacar e conquistar o prime e fares, aprender outros idiomas ar de atividades extracurricula ticip ia e par e iênc cur per pro , inex da dos estu acto minimizar o imp Além do programa regular de currículo, isso ajudará você a s de ma seu gra cer pro ique s enr bon m que is ece Ma ofer o. s versidades renomada zer cursos de capacitaçã uni , rior exte no o com sil Bra . Hoje, tanto no melhorará suas habilidades extensão.

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do, chegue um pouco aninstitucionais. No dia marca res valo s seu er end ent e cur empresa e pro para conversar com o recruta Antes da entrevista, estude a e formal) e esteja preparado traj um r usa de do a. me vag à ha ção ten da (não tivas em rela tes, vista-se de forma adequa do candidato, e suas expecta olve os pontos fortes e fracos env ogo diál e ess e, ent alm dor. Ger

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go. ora na conquista de um empre se deixe abater caso houver dem o! ess Suc ). NVI Em um mundo competitivo, não , á” (Sl 37:5 Senhor; confie nEle, e Ele agir “Entregue o seu caminho ao

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Fontes: sites catho.com.br, ciadeestagios.com.br; ciee. org.br, exame.abril.com.br; e guiadacarreira.com.br.

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Conexão 2.0 - Questão de escolha  

Ter boa saúde agora e na fase adulta depende mais de você do que de sua genética. Saiba por quê

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