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www.conexao20.com.br

Conheça as escolas adventistas que fazem a diferença em lugares remotos

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Abr-Jun 2017 – Ano 10 no 42

Exemplar: 8,75 – Assinatura: 27,80

ENTENDA. EXPERIMENTE. MUDE

A VIDA ATRAVÉS DE UM FILTRO

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O que você posta e curte nas redes sociais pode revelar mais sobre você do que se imagina MUDE SEU MUNDO A IGREJA QUE CUIDA DO BAIRRO

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LIÇÃO DE VIDA O ARTISTA QUE PINTA COM A BOCA

________ Editor ________ Ger. Didáticos

IMAGINE SE NÃO TIVESSE EXISTIDO - BRASIL 2017 | 1 ESCRAVIDÃO NO abr jun

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Da redação

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Editor Wendel Lima

A ALEGRIA É UMA VIRTUDE

5 CONECTADO

 OPINIÃO DE QUEM SEGUE A E CURTE A REVISTA

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GLOBOSFERA

 NEM, MISSÃO E TRANSCULTURAL, CURSINHO COMUNITÁRIO, LIBERAIS E CONSERVADORES

10 ENTENDA

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William de Moraes

ESCREVO ESTE EDITORIAL NUMA QUARTA-FEIRA DE CINZAS. Como o nome já diz, na tradição católica, a data remete ao que “sobrou” da alegria dos foliões e à necessidade de arrependimento e consagração como preparação para a Páscoa. Durante quatro dias, muita gente buscou felicidade em escolhas duvidosas. Surpreendidos pela ressaca do dia seguinte, possivelmente lamentaram o exagero na diversão, enquanto outros apostaram suas fichas de felicidade no próximo Carnaval. Neste bimestre, o verdadeiro significado da alegria será objeto de reflexão em sua escola. Aulas, seminários, atividades e projetos vão desafiar você a experimentar um contentamento que não está restrito a datas, presentes, realizações ou variações do humor. Cito a alegria como uma virtude desenvolvida espiritualmente (Gl 5:22). Fruto da fé em ação, que pode levar você a encontrar satisfação e contentamento em questões simples como o trabalho honesto, a obediência e a generosidade. É isso que mostra as seções “Mude seu mundo” e “Lição de vida” desta edição. Voluntários que encontram alegria em ouvir o desabafo de desconhecidos em plena avenida Paulista e o jovem tetraplégico que reencontrou razões para sorrir pintando quadros com a boca. Ainda no campo das emoções e valores, preparamos a reportagem de capa sobre um fenômeno cada vez mais complexo e que tem definitivamente transformado nossa rotina: a cibercultura. O jornalista Leonardo Siqueira entrevistou influenciadores digitais e pesquisadores de peso, que têm se debruçado sobre o tema, para explicar melhor como as pessoas têm expressado seus sentimentos e traços de personalidade na web. Seria bom você ler esta matéria antes de postar outra foto, clicar num emotion ou assistir a um vídeo do seu canal preferido do YouTube. Enfim, esta edição foi pensada para despertar boas emoções, provocar boas reflexões e inspirar boas decisões. Boa leitura!

 S SETE SELOS O DO APOCALIPSE

22 PERGUNTAS

 BORTO, O SIGNIFICADO DA A ALEGRIA E TRADUÇÕES DA BÍBLIA

30 APRENDA

 OM C EST CON

1

 ESCOLHER UM A NAMORADO(A)

18 ARTIGO

 ONHEÇA ESCOLAS QUE C ULTRAPASSARAM FRONTEIRAS GEOGRÁFICAS E SOCIAIS

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SINHO SE

O DA S

... SE NÃO TIVESSE EXISTIDO ESCRAVIDÃO NO BRASIL

8 AO PONTO

COMO OS WEBDOCUMENTÁRIOS ESTÃO MUDANDO A FORMA DE CONTAR HISTÓRIAS

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CAPA

A CIBERCULTURA E NOSSO MODO DE LIDAR COM A OPINIÃO E AS EMOÇÕES NA WEB

Revista trimestral – ISSN 2238-7900 Abr-Jun 2017 Ano 10, no 42 Capa: Flávio Oak e Renato Gomes Fotos de capa: Fotolia | © Kosmoos e Ake1150

CASA PUBLICADORA BRASILEIRA

Editora da Igreja Adventista do Sétimo Dia Rodovia Estadual SP 127 – km 106 Caixa Postal 34 – 18270-970 – Tatuí, SP Fone (15) 3205-8800 – Fax (15) 3205-8900 Site: www.cpb.com.br / E-mail: sac@cpb.com.br Serviço de Atendimento ao Cliente Ligue grátis: 0800 9790606 Segunda a quinta, das 8h às 20h30 Sexta, das 8h às 15h45 Domingo,das 8h30 às 14h

E NTEIRAS S

Editor: Wendel Lima Editor associado: Fernando Dias Projeto gráfico: Marcos Santos e Éfeso Granieri Designers: Renan Martin, Flávio Oak, Renato Gomes e Bruna Ribeiro Diretor-Geral: José Carlos de Lima Diretor Financeiro: Uilson Garcia Redator-Chefe: Marcos De Benedicto

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GUE

24 IMAGINE

Gerente de Produção: Reisner Martins Gerente de Vendas: João Vicente Pereyra Chefe de Arte: Marcelo de Souza Colaboradores: Edgard Leonel Luz, Almir Afonso Pires, Almir Augusto de Oliveira, Antônio Marcos Alves, Eder Leal, Marco Antonio Leal Góes, Orlando Pedro Renato Frozza, Raquel Xavier Ricarte, Rubens Paulo Silva, Alexander dos Santos Dutra e Rérison Alfer Vasques.

26 MUDE SEU MUNDO

A IGREJA QUE VAI PARA A RUA E ADOTA UMA PRAÇA

Assinatura: R$ 27,80 Avulso: R$ 8,75 www.conexao20.com.br Tiragem: 30.000

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LIÇÃO DE VIDA

O ARTISTA TETRAPLÉGICO QUE SE REDESCOBRIU AO PINTAR QUADROS COM A BOCA

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Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio, sem prévia autorização escrita dos autores e da editora.

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MKT CPB | Foto: William de Moraes

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Jan-Mar 2017 – Ano 10 no 41

Exemplar:8,05 – Assinatura: 25,60

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Informação Conectado & Opinião Globosfera Ao ponto Entenda

MKT CPB | Foto: William de Moraes

Desabafos, sugestões, interação e dúvidas para a seção Perguntas? É aqui mesmo!

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Perdeu alguma edição ou deseja reler uma matéria de que gostou muito? Acesse nosso arquivo e folheie todas as edições da Conexão 2.0

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Nas ilhas exóticas que inspiraram Darwin, pesquisadores enxergam evidências de que tudo foi criado

MUDE SEU MUNDO: NOVA VIDA PARA QUEM VENDE O CORPO

LIÇÃO DE VIDA: DESMOND DOSS, O SOLDADO DESARMADO

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Jan-Mar 2017 – Ano 10 no 41

Exemplar:8,05 – Assinatura: 25,60

ENTENDA. EXPERIMENTE. MUDE

O PARAÍSO DAS ESPÉCIES

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AO PONTO: O PASTOR QUE PERDEU E JAN-MAR A 2017 REDESCOBRIU FÉ| 1

Bruna Souza São Paulo (SP)

A leitura do perfil sobre Desmond Doss, publicada na última edição, me fez refletir sobre o exercício da fé diante das dificuldades. Sou inspirada por histórias que me ajudam a identificar minhas fragilidades. Que Deus nos ajude a ser como esse soldado de fé inabalável! Danielle da Silva Soares Hortolândia (SP)

COMPORTAMENTO: os riscos e as frustrações de uma sexualidade sem limites

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Os conteúdos tratados na revista chamam bastante a atenção dos jovens. Foi interessante, por exemplo, ler o comentário sobre o soldado Desmond Doss, a explicação sobre a visão bíblica a respeito do suicídio, e a entrevista com a “vereadora por um dia”. A iniciativa dela foi impressionante e pode inspirar outros jovens a fazer mais pelo próximo. Porém, achei que foram dadas muitas páginas para o tema privacidade on-line, um assunto já bem debatido. A matéria poderia ter sido mais curta e dinâmica.

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facebook.com/conexao20

Saiba o que vai ser publicado, opine sobre os conteúdos que já saíram e compartilhe com os amigos que não têm a revista.

Fiquei bem emocionado com a história de superação da Mariana Viana, uma portadora de síndrome de Down que chegou à faculdade. A nota sobre ela publicada na seção Globosfera reforçou a importância da educação adventista no processo de inclusão. É importante que mostremos para essas pessoas com alguma deficiência que é possível elas superarem as próprias limitações. Yuri Felix Brusque (SC)

Gostei muito da seção “Imagine”, um artigo sobre o real significado do dia 8 de março. O material destacou uma perspectiva histórica, mostrando o que, de fato, ocorreu nessa data e contrapondo os desafios daquela época aos do nosso tempo. Que a revista continue assim, com temas relevantes que ajudam nossa sociedade a mudar em direção ao que está descrito em 1 Coríntios 13. Grennda Garcia Tatuí (SP)

Essa revista tem sido uma fonte de informação e inspiração para os jovens. Com assuntos sempre muito atuais, ela desafia o leitor a pesquisar e a se aprofundar em temas que exigem reflexão. No último número, dois artigos

me chamaram a atenção. O primeiro foi “O ponto da virada”, uma entrevista com um jovem cristão que se tornou militante do ateísmo na Inglaterra e depois se reencontrou com Deus, decidindo dedicar a vida ao ministério pastoral. O segundo foi o infográfico de como Cristo nos liberta do pecado que, de maneira muito simples, mas ao mesmo tempo profunda, explicou os elementos básicos do processo de justificação, santificação e glorificação. Moisés Mora Joinville (SC)

A reportagem “O elo perdido das origens” descreveu uma expedição às ilhas Galápagos, o “berço” do evolucionismo, a partir de uma ótica científica e conciliadora com a fé. Bem diferente do modo desproporcional com que as duas principais teorias sobre a origem da vida são apresentadas nas escolas e na mídia. Nesses contextos, o criacionismo constuma ser rotulado de irracional e insustentável cientificamente. Porém, tendo em vista que grandes pesquisadores como Newton, Dalton, Pasteur, Copérnico e Galileu uniram ciência e fé, é possível aceitar que a boa ciência, pode, sim, andar de mãos dadas com o modelo criacionista. Pedro Araújo São Paulo (SP)

Gostei da última reportagem de capa sobre a perspectiva criacionista a respeito de Galápagos. O tema do criacionismo costuma ser motivo de muito preconceito contra os cristãos. Porém, todo o detalhamento da matéria e as fontes consultadas mostram que a posição criacionista está bem fundamentada, o que pode chamar a atenção até mesmo dos que creem de forma diferente da nossa. Achei bem legal também como os assuntos foram distribuídos na revista, atendendo assim leitores mais racionais e emocionais. Sarah Almeida São Paulo (SP)

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OUTRA MISSÃO

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“Foi o ano mais feliz da minha vida”. Quem garante é a paranaense Flávia Santos, que passou 2016 em Santiago, no Chile, no projeto Um Ano em Missão. Em 2017, ela vai permanecer lá para liderar uma equipe de voluntários. Apesar de ter um futuro acadêmico promissor, ela deu uma pausa nos estudos para se realizar no serviço ao próximo. Aos 23 anos, ela já era graduada em Física pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e mestra pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Mesmo que volte para o laboratório e retome os cálculos das missões espaciais, Flávia pretende continuar como missionária. “Onde Deus quer que eu esteja é o melhor lugar para eu estar”, afirma.

O ORGULHO NACIONAL ESTÁ EM QUEDA

Segundo o Ibope Inteligência, o índice de entrevistados que disseram ter orgulho de ser brasileiros caiu de 87% (2006) para 70% (2016).

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2006

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Fotolia | © Filipefrazao

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87% 70%

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“Essa [nota] é a prova de que Deus nos dá força e capacidade quando Ele quer nos usar como seus instrumentos”. A frase é da mineira Tamyres dos Santos Vieira, de 20 anos. Ela está entre o seleto grupo de 77 inscritos do Enem que gabaritou a redação do exame. Segundo ela, a nota mil é fruto de muita leitura, treino e confiança em Deus. Em entrevista ao portal G1, ela disse que faz a prova para incentivar outros sabatistas. Estudante de Medicina numa faculdade particular de Juiz de Fora (MG), a ex-aluna do colégio adventista local não pensa em usar a nota do Enem para obter vaga numa universidade pública. Ela fez o teste apenas para testemunhar e inspirar.

O CUSTO DE SER CRISTÃO

Coreia do Norte (1º), Somália (2º), Afeganistão (3º), Paquistão (4º), Sudão (5º), Síria (6º), Iraque (7º), Irã (8º), Iêmen (9º), Eritreia (10º). Esses são os dez países mais perigosos para um cristão viver, segundo a ONG Portas Abertas. O relatório anual publicado em janeiro ainda mostrou que 215 milhões de cristãos foram perseguidos em 2016. Nas Américas, México (41º) e Colômbia (50º) também integram a lista.

2017

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Foto: Douglas Pessoa

NOTA 1.000

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Foto: Felippe Amorim

Foto: Flávia Santos

Foto: Tamyres dos Santos Vieira

Colaboradores: Carolina Perez, Douglas Pessoa, Márcio Tonetti, Paulo Ribeiro e Wendel Lima

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A fé d tr tá e g d E c tr


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CONSERVADORES E LIBERAIS

Um estudo comparativo do Ibope Inteligência mostrou que, nos últimos seis anos, a opinião dos brasileiros tem mudado em relação a cinco temas polêmicos. Há mais conservadorismo quanto à segurança pública e mais liberalismo em relação às liberdades individuais. Houve aumento dos que se mostraram favoráveis à redução da maioridade penal, prisão perpétua para crimes hediondos, pena de morte, legalização do aborto e ao casamento homossexual. Veja os dados:

Foto: Douglas Pessoa

Redução da maioridade penal 2010

Entre os candidatos cotistas, ele ficou em primeiro colocado em Ciência da Computação e quarto em Engenharia da Computação na UFRJ. A classificação de Cainã Figueiredo no Sisu trouxe alegria para ele e os voluntários de um curso preparatório comunitário que ajuda 20 estudantes carentes a se prepararem para o Enem. As aulas gratuitas e intensivas ocorrem três vezes na semana e são ministradas por universitários e professores na Igreja Adventista Sétimo Dia de Olaria, no Rio de Janeiro. Assim como foi ajudado, Cainã disse que deseja retribuir, continuando essa corrente do bem. A iniciativa da igreja foi matéria do jornal O Globo.

VIAGENS SOLIDÁRIAS

63%

2016 78%

Pena de morte 2010

31%

2016 49%

Prisão perpétua para crimes hediondos 2010 66% 35660 – Conexão 2trim/2017

2016 78%

Legalização do aborto

Foto: Felippe Amorim

Foto: Tamyres dos Santos Vieira

APROVADO

2010 10% 2016 Alunos de dois internatos adventistas dedicaram parte das férias de janeiro a viagens solidárias. Vinte e seis voluntários do Instituto Adventista de Ensino de Santa Catarina (Iaesc) trabalharam na pintura de casas, no cultivo de horta comunitária e na construção de um templo nas comunidades de Piraí e Pindobal, no Amazonas. Enquanto isso, em Itaguaí (RJ), um grupo de estudantes do Instituto Adventista do Paraná (IAP) dedicou alguns dias de voluntariado com 25 crianças carentes. Eles realizaram atividades educativas e lúdicas num programa chamado Escola Cristã de Férias. As duas experiências foram transformadoras para quem ajudou e foi ajudado.

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Casamento homossexual 2010 2016

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Ao ponto

Texto Wendel Lima Ilustração Kaleb Carvalho

O FUTURO DOS DOCUMENTÁRIOS

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TODA SEMANA ELE aparece no televisor de milhares de brasileiros entrevistando pessoas que têm relação com a fé cristã. Mas, dessa vez, ele é o entrevistado. A razão é que o jornalista Wagner Cantori, apresentador do programa Identidade Geral da TV Novo Tempo, defendeu recentemente sua tese no programa de doutorado em Multimeios da Unicamp. Apaixonado por documentários, ele estudou como a internet possibilita um novo tipo de narrativa que oferece convergência de mídias e interação com o usuário.

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O que são webdocumentários? São produções narrativas pensadas especificamente para a internet. Não é o tipo de conteúdo feito para o cinema ou a TV, que depois acaba sendo disponibilizado on-line. Basicamente, os webdocs são produzidos em uma plataforma multimídia e numa narrativa construída com fotos, vídeos, áudios e infográficos. Dessa forma, o espectador/usuário tem contato com uma história não linear, que não segue a lógica tradicional de início e fim, e com a qual ele tem a liberdade de interagir e gerar conteúdo colaborativo. Como esse formato atende as expectativas dos jovens? A geração internet, como eu chamo os jovens de hoje, está acostumada a interagir com a máquina (tecnologia). Prova disso é o fenômeno da “segunda tela”: enquanto assistem à TV, consomem 8 |

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outros conteúdos por meio de celulares e tablets. É uma geração multitarefa. Nessa linha, o webdocumentário possibilita não apenas assistir passivamente a uma produção, mas interagir com ela, adicionando conteúdos à narrativa. Esses novos produtos realmente trazem mais liberdade para os usuários? É interessante essa reflexão porque a geração internet valoriza a liberdade no consumo da informação. Eles querem ser ouvidos e que tudo seja customizado para suas preferências e necessidades. Muitas plataformas oferecem esse “efeito” de liberdade. Digo efeito porque estamos falando de plataformas tecnológicas, um universo formado pelos códigos binários, em que “tudo” é programável. Portanto, essas plataformas são desenhadas para oferecer a sensação de liberdade, mas

tudo isso acontece, de fato, dentro de um espaço e limite de dados. Por que a produção de webdocumentários no Brasil ainda dá seus primeiros passos? Porque a produção de webdocs é cara. Para fazer algo de qualidade, é preciso uma equipe multidisciplinar formada por profissionais e programadores, designers e cineastas. A maior produtora de webdoc do mundo é a National Film Board, do Canadá. Lá existe uma verba governamental para a produção de documentários, e 30% desse orçamento têm sido destinados para os webdocs. Dessa forma, é possível produzir com qualidade e inovar. No Brasil, o entrave é financeiro, mas acredito que já temos demanda para esse formato. Por que a audiência jovem está migrando da TV para a internet?

O formato consagrado da TV não atrai essa geração on demand. É inconcebível para muitos jovens de hoje ter um horário estabelecido e único para sentar-se diante do televisor e acompanhar seu programa preferido. Outro ponto que não contribui é que a TV não é interativa. Comportamento passivo na recepção de informação é outro problema para a geração atual. Ela quer ser ouvida. Como os webdocs poderiam ser usados na missão cristã? Eles podem ser grandes ferramentas evangelísticas, exatamente por unir várias mídias e ser extremamente didáticos. Poderíamos ter webdocs contanto histórias de personagens bíblicos ou mesmo da própria igreja, além de explicações bastante detalhadas de profecias bíblicas e outras questões doutrinárias.

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MKT CPB | Fotolia

LUZ PARA MEU CAMINHO Essa é a promessa de Deus para todos que O buscam

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Livros que inspiram jovens cristaos a vencer os assedios da cultura de hoje

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Entenda

Texto Fernando Dias Infográfico Flávio Oak Ilustração Kaleb Carvalho

Os sete selos do Apocalipse

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OS SETE SELOS DO APOCALIPSE são um dos mistérios bíblicos apresentados com uma linguagem enigmática (5:1 a 8:1). Nesta visão, um curioso livro está na mão de Deus, lacrado com sete selos. Apenas Alguém em todo o vasto Universo é digno o suficiente para romper os selos e revelar o conteúdo do livro. Esse Alguém é Jesus Cristo, que recebe o livro das mãos de Deus Pai e rompe cada selo diante de uma atenta assembleia de seres celestes que o louvam. A abertura dos selos revela surpreendentes acontecimentos que prenunciam o fim do mundo. Entenda essa profecia que começou a se cumprir na época em que foi escrito o Apocalipse, por volta do ano 96 d.C, e será completada com a vinda de Jesus.

Anos

100 — 313

323 — 538

538 — 1517

Primeiro selo (Ap 6:1-2)

Segundo selo (Ap 6:3, 4)

O terceiro selo (Ap 6:5, 6)

O quarto selo (Ap 6:7, 8)

O cavalo branco e seu cavaleiro vitorioso simbolizam a rápida divulgação da mensagem bíblica por todo o mundo durante os primeiros anos da era cristã, entre a ascenção de Cristo e a publicação do último livro do Novo Testamento. A cor branca representa a pureza doutrinária da igreja naquela época.

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31 — 100

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O cavalo vermelho e seu cavaleiro matador representam, a perseguição e os vários massacres contra os cristãos, que ocorreram patrocinados pelo Império Romano. Nesse tempo, havia pena de morte para quem era cristão, mas o testemunho dos mártires impulsionou a expansão da igreja.

O cavalo preto e seu cavaleiro com uma balança na mão anunciando comida a preços inflacionados simbolizam a igreja que deixava de ser perseguida para tornar-se a religião estatal. O alimento espiritual, oferecido por Deus gratuitamente (Is 55:1), passou a ser comercializado pela igreja corrompida.

O cavalo amarelo e seu cavaleiro chamado Morte representam o período histórico em que os sacerdotes que se diziam cristãos ordenavam a matança de pessoas que não aceitavam seu ensino antibíblico. Foi a época das cruzadas e da inquisição. Muitos cristãos fiéis à Bíblia foram perseguidos ou mortos.

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te hisdoãos de lico. as

ram .

O quinto selo (Ap 6:9-11)

Os mártires cristãos aparecem debaixo do altar exigindo justiça. No entanto, a reivindicação dos que morreram pela verdade não será atendida até a ressurreição dos mortos. A cena representa a Reforma Protestante, que resgatou verdades esquecidas e deu novo ânimo aos que eram fiéis a Deus.

1755 — 1844 Sexto selo (Ap 6:12-17)

O grande tremor predito cumpriu-se no Terremoto de Lisboa (1º/11/1755). Também o sol escureceu e a lua surgiu com a cor de sangue (19/5/1780). Estrelas cadentes em número incomum complementaram outro detalhe da visão poucos anos depois (13/11/1833). Esses eventos, de grande impacto histórico, cumpriram a profecia bíblica.

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1517 — 1755

Vinda de Jesus O sétimo selo (Ap 8:1)

O silêncio no céu é uma alusão ao fim do julgamento celestial e à segunda vinda de Cristo. Jesus aparece nas nuvens e os fiéis de Deus são trasladados (Ap 7). O mundo como o conhecemos chega ao fim. Os resgatados por Cristo, inclusive os mortos, ficarão no Céu por mil anos e retornarão para a Terra, onde viverão a eternidade.

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Para saber + Apocalipse Verso por Verso (CPB), de Henry Feyerabend

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Interpretação Capa & Reflexão Reportagem

Texto Leonardo Siqueira Foto Fotolia | © Alphaspirit Ilustração Fotolia | © Tynyuk

Perguntas Imagine

NO QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO AGORA?

N r u e d d g

u a c

Entenda por que a lógica das redes sociais apela para que você expresse sua opinião e sentimentos de modo instantâneo e espontâneo

q c a U p

n p n e o s c u

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alimentos nos deixou menos expostos à chuva e ao sol, além de poupar tempo e esforço. Agora, mais recentemente com os alimentos geneticamente modificados, a tentativa é aumentar a produtividade, a lucratividade e a resistência dos produtos agrícolas às pragas. “Vamos criando artifícios para controlar um pouco melhor nossa maneira de nos relacionar com os outros. O que vejo em redes sociais como o Facebook é a radicalização dessa tendência de controle. Os usuários tendem a postar algo para ser aceitos por determinado grupo ou, numa forma de protesto, escrevem coisas que afrontam certo público-alvo”, exemplifica Tales, que é mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e doutorando em Meios e Processos Audiovisuais pela USP. A tela que separa a pessoa que posta daquela que lê a mensagem, facilita, de certa forma, esse comportamento. Algo que, de repente, não ocorreria numa conversa por telefone ou pessoalmente. “Num contato mais próximo, posso falar algo e meu tom de voz denunciar outra coisa”, esclarece Tales. Se, por um lado, as redes sociais favorecem essa exposição artificial e editada da vida, por outro, ela é o ambiente que valoriza a manifestação espontânea das vontades e do pensamento. “Nos relacionamentos, há momentos em que gostaríamos de dar uma resposta espontânea a algo, mas por barreiras sociais, não o fazemos. A presença do outro inibe minha espontaneidade. Porém, atrás de uma tela, todos criam coragem”, argumenta o jovem pesquisador. “Muita gente interpreta o que fazemos na rede como uma tentativa de ser alguém que não somos. Isso, na verdade, é outro aspecto da personalidade. A tecnologia descortina para nós outras possibilidades de ser, agir e pensar”, complementa Tales, que trabalha como professor do curso de Jornalismo do Unasp, campus Engenheiro Coelho. “Por permitirem uma conexão do tipo ‘always on’, as pessoas impregnam a existência e inauguram uma nova forma de ser e estar no mundo, uma nova forma de conceber-se, autoperceber-se e relacionar-se com a alteridade, que é o estado ou qualidade de ser distinto e diferente do outro”, complementa a pesquisadora Cíntia dal Bello, doutora e mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP.

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NEM TUDO É o que parece ser. Pelo menos não nas redes sociais. Que dê a primeira “curtida” quem nunca usou aquele filtro do Instagram, capaz de dar um novo efeito para a imagem, ou já encolheu a barriga para diminuir a silhueta? Ou mesmo aproveitou a chance de tirar uma selfie naquele famoso restaurante só para ganhar uns “joinhas” a mais? A lista não para por aí e pode incluir a postagem de uma vista exuberante, pés descalços na areia da praia, a piscina de um belo resort no litoral ou, se preferir, os charmosos chalés de um destino de inverno. Não há nada de errado nisso. E, convenhamos, quem não gosta de lembrar de momentos agradáveis com a família ou amigos? Há quem diga que postamos apenas o que é bom, numa espécie de “edição da vida”. Um filtro aqui, um corte ali, um ajuste no contraste e pronto. Lá está uma bela foto! É verdade que isso ocorre também fora da internet, na vida real, quando adotamos determinadas roupas, posturas e certo vocabulário. É fato igualmente que nas redes sociais os recursos da tecnologia facilitam essa edição da vida e permitem maior controle sobre o que é exposto. Os recortes do cotidiano costumam ser editados para reforçar valores aceitos socialmente, como fama, poder, dinheiro e status, ou para mostrar uma postura contracultural, de protesto. Nesse contexto, os sentimentos são expressos com intensidade, sejam de alegria, realização, prazer ou de indignação, descontentamento e ódio. É só publicar uma frase de efeito ou uma opinião apaixonada sobre um assunto e logo aparecem dezenas de notificações pipocando na sua timeline. Mas será que o que postamos realmente reflete quem somos? “Há dois fenômenos simultâneos. O primeiro é essa tentativa de ‘editar’ a vida. O outro é a valorização da espontaneidade. Esses dois fenômenos ocorrem juntos, são antagônicos, mas um não exclui o outro”, explica o pesquisador em cibercultura e teoria da comunicação, Tales Tomaz. “O primeiro fenômeno pode ser entendido à luz da história da humanidade, especialmente da ocidental, que tem sido marcada por uma tentativa progressiva de o ser humano controlar as circunstâncias ao redor. Primeiramente, a humanidade desenvolveu a agricultura para não ser surpreendida pelo acaso na natureza. Depois, a mecanização da produção de

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O CASO DOS YOUTUBERS A internet é um campo fértil. A cada dia somos surpreendidos com novos memes, frases e hashtags. Quanto mais espontâneo for, maior será a chance de o conteúdo se tornar um viral. Por isso, não seria nenhum exagero dizer que a espontaneidade faz parte da linguagem da própria web. “Essa espontaneidade permite que os usuários se manifestem como legítimos produtores de conteúdo, diferentemente das mídias mais tradicionais que tínhamos até então, como os jornais e a TV”, esclarece Karla Ehrenberg, doutora em Comunicação pela Umesp. Poucos lembram, mas os primeiros vídeos de sucesso do YouTube, a famosa rede social adquirida pelo Google em 2006, eram extremamente amadores. “Eram vídeos de gatinhos, bebezinhos e filhotes. É por isso que essa espontaneidade, da qual falamos, inicialmente esteve muito associada ao amadorismo”, compara Karla. Embora uma considerável parte dos vídeos mais vistos do YouTube hoje não seja mais tão amadora assim, a espontaneidade que os faz virar sucesso continua presente. O fenômeno dos youtubers é um exemplo. Além da espontaneidade, as emoções aparecem como um forte elemento para a audiência, identificação e engajamento nessa plataforma de vídeos que tem mudado nosso modo de consumir comunicação visual. “A profissionalização aparece no momento em que isso se torna um negócio. As produções são bem gravadas, há boa iluminação, edição, coisas que aqueles vídeos da fase inicial do YouTube não tinham. Plasticamente, esteticamente, tudo isso precisa ser bem feito, porque esse conteúdo precisa

Check-list de segurança

As redes sociais podem revelar mais sobre nós do que deveriam. Por isso, alguns cuidados são necessários. Separamos algumas dicas para você navegar com tranquilidade e segurança.

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ser consumido. Não dá para usar câmera tremida nem iluminação ruim. Contudo, a espontaneidade na maneira de dizer as coisas continua muito presente”, esclarece Karla. Para a jornalista e youtuber Fabiana Bertotti, espontaneidade e autenticidade não significam desorganização ou não profissionalização. “Você pode ser altamente profissional, organizado e sistemático e ainda assim ser super espontâneo no jeito de falar. Grandes blogueiros e influenciadores mantêm um planejamento extremamente profissional. Conheci alguns dos mais visualizados youtubers do Brasil e do mundo, e eles levam sua carreira extremamente a sério. Mas sua maneira de falar, seu modo de abordar os assuntos é espontânea”, diz Fabiana, cujo canal homônimo tem mais de 388 mil inscritos. Para ela, a forma natural e não engessada de se falar, característica de muitos blogueiros e influenciadores, é na verdade um traço do próprio ser humano. “Quando as coisas são muito engessadas, quadradinhas e prontinhas, a gente até desconfia de que sejam reais. E isso não tem que ver com internet, mas com o ser humano. Este se identifica com o que parece igual a ele, com algo que ele também poderia estar fazendo”, acrescenta. Fabiana, que foi repórter de uma grande emissora de TV, acostumada com a formalidade presente em alguns telejornais, observa que o YouTube trouxe certa tolerância ao que é menos produzido. Ela reconhece que as produções de formato rígido não estão mais no gosto das pessoas. “Hoje, algo que recebe menos produção é associado à autenticidade. Youtubers com milhares de seguidores gravam com uma câmera GoPro, de uma forma muito espontânea”, detalha Fabiana.

Cuide das senhas Use codificações longas, compostas por diferentes tipos de caracteres, e evite utilizar nelas dados pessoais como nomes e datas. Não use também a mesma senha para diferentes sites.

Amigos, amigos, novos contatos à parte As redes sociais são ótimas para manter os bons amigos por perto, mas elas também podem aproximar falsos perfis criados por fraudadores e bandidos, o que coloca em risco a segurança da sua conta e sua integridade física. Só adicione quem você conhece.

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YOUTUBE, TV E PUBLICIDADE O YouTube não apenas mudou nossa maneira de consumir – este é o termo utilizado por especialistas para descrever a ação de assistir vídeos em diferentes dispositivos – conteúdos audiovisuais, mas também a forma com que a própria TV tem se relacionado com os telespectadores. “O YouTube trouxe essa tolerância com o que é menos produzido. Na televisão você tem um time de dez, vinte, cinquenta profissionais para falar para um telespectador. Enquanto no caso específico dos youtubers, você tem uma pessoa falando para outra pessoa. Isso é muito interessante, porque a TV começou a copiar essa dinâmica da internet”, analisa Fabiana. Essa intolerância para com formatos engessados ou cansativos também pode ser observada em relação à publicidade. “O YouTube trouxe a possibilidade de TV ‘on demand’, ou sob demanda, numa tradução livre. TV on demand nada mais é do que você poder construir sua própria grade de programação. E aí vem a pergunta: como a publicidade pode não ser uma interrupção na vida das pessoas?”, questiona Bruno Mastrocola, especialista em Marketing e Consumo. Para ele, a intolerância em relação à publicidade e até mesmo a discursos mais engessados tem que ver com toda essa revolução tecnológica pela qual estamos passando. “As pessoas têm acesso muito mais rápido às coisas. Então, a janela de atenção delas é cada vez menor”, pontua Mastrocola. Nesse sentido, para que a publicidade não seja vista como uma interrupção do consumo de entretenimento ou de informação, é preciso utilizar o discurso de influenciadores que gerem identificação no público-alvo em questão.

Sua conexão é segura? Cuidado ao utilizar redes públicas. Seus dados podem estar desprotegidos e até ser interceptados por alguém. Prefira o 3G ou 4G do seu celular.

Check-in Esse recurso pode revelar detalhes da sua localização e rotina. Nem sempre é interessante mostrar isso.

“Numa igreja, num clube, nas próprias relações familiares, você não pode falar qualquer coisa. Ou você pode falar qualquer coisa, desde que arque com as consequências. Na rede funciona da mesma maneira. As pessoas acham que podem, por meio de seus perfis digitais, se posicionar e falar o que quiserem, mas isso não é verdade. Há leis que gerenciam esse universo” – Karla Ehrenberg, doutora em Comunicação

Cuidado com os aplicativos Evite entrar em aplicativos ou sites por meio de sua conta nas redes sociais. Seus dados de usuário podem ser roubados.

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Pense bem antes de postar Muitos têm a falsa impressão de que podem editar e apagar suas mensagens digitais quando bem entendem. Ledo engano! Com informações sendo compartilhadas em tempo real, qualquer um pode salvar o conteúdo que você publicou, tirando seu controle sobre ele.

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Fontes: Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (Cert) e sites techmundo.com.br e mundopositivo.com.br abr-jun

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“Para mim, desde o começo o ser humano sempre teve dificuldade de se identificar com um discurso de marca. O que é natural para nós é a identificação com o discurso de outras pessoas”, opina Mastrocola. Não por acaso a Nike, uma importante marca de roupas e calçados, utilizou Michael Jordan, o conhecido astro do basquete norte-americano, como seu garoto propaganda por tantos anos. “A grande novidade agora é que o YouTube trouxe à popularidade pessoas que até então eram desconhecidas”, observa Mastrocola. Para o especialista em Marketing e Consumo, a utilização de influenciadores na oferta de produtos e serviços é, na verdade, uma solução para o que ele acredita ser uma crise na publicidade moderna. “Você tem milhares de novas oportunidades. Em termos mercadológicos, vejo isso como algo muito positivo, como uma saída. Você encaixa seu produto ou sua proposta comercial dentro de um discurso que já é aceito por um número X de pessoas que tenham que ver com você ou não”, diz. Embora a profissionalização em produzir conteúdo para a internet esteja, não raras vezes, associada a uma estratégia de marketing e negócio elaborada para alavancar a imagem e os ganhos de um influenciador, a autenticidade que os usuários tanto valorizam continua presente, ao menos, na forma de se comunicar dos blogueiros e youtubers. “Quando digo que algumas empresas procuram esses youtubers, quero dizer que elas os procuram para que eles sejam porta-vozes dos seus produtos. Nesse aspecto, podemos dizer que se perde um pouco a espontaneidade, porque os discursos pensados por uma empresa são para transmitir uma mensagem específica. Porém, a espontaneidade na maneira de dizer continua muito presente. Um youtuber usa a linguagem da internet. Ou seja, fala naturalmente com seus pa-

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Conversamos via WhatsApp com Alana Gabriele Raiser, de 22 anos, criadora do canal Cristão Declarado, que tem 28,5 mil inscritos. Além de abordar de forma dinâmica e descontraída temas cotidianos a partir de uma perspectiva cristã, Alana também publica vídeos de viagens.

Foto: Alana Gabriele Raiser

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Bate-papo com uma youtuber cristã

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res, com gente da sua tribo, sejam eles consumidores de conteúdo sobre games, moda ou comportamento. Então, nesse aspecto, a espontaneidade continua viva”, declara a jornalista Karla Ehrenberg. SINTO, LOGO EXISTO O fato de estarmos sempre on-line em um ambiente que valoriza a espontaneidade e a autenticidade, e que de certa forma muda nossa forma de ser e estar no mundo, permite que a expressão dos sentimentos aconteça de maneira rápida. Essa nova forma de ser e existir nas redes tem sido estudada por Cíntia dal Bello sob o conceito da “tele-existência”. “O que significa tele-existir? Significa existir a distância e, ao mesmo tempo, no aqui e agora. Emoções e pensamentos evocados pelas experiências cotidianas são automaticamente divulgados nas redes”, comenta a pesquisadora. “Em nossa cultura, não mais tem sentido deixar para comunicar no dia seguinte um sentimento ou pensamento que se teve pela manhã, quando, provavelmente, para nós mesmos, esse post já não mais teria tanto sentido. A urgência da comunicação de tudo que ocorre conosco é um apelo sedutor, cuja sedução não permite que percebamos a violência que isso investe sobre nós. A violência dessa urgência retira de nós grande parte da nossa atenção local, que é desviada para a tarefa titânica de digitalizar e compartilhar tudo que é vivido. Portanto, deixa-se de viver para transcrever a vida. Quantas pessoas passam grande parte dos eventos fotografando-os e filmando-os para compartilhar em rede em vez de vivenciá-los?”, questiona Cíntia. Por isso, há quem prefira o anonimato do silêncio à publicidade de um post comentado e visto por muita gente. É o caso do estudante Brenno Henrique, de 16 anos. “Não sou muito de compartilhar minhas tristezas ou coisas do tipo: ‘ah, perdi dinheiro hoje’, ‘fui mal

Como surgiu a ideia do canal? A ideia veio da minha necessidade de me sentir mais perto de Deus. Desde 2009, meu maior sonho era ser missionária, mas por ser muito tímida, decidi ser missionária com meu celular dentro do meu quarto. Por isso, criei o canal na metade de 2015.

E como você escolhe os temas? Escolho a partir de experiências do cotidiano. Estou lendo um livro cristão e vejo que trechos dele me tocam muito. Aí penso, “nossa, isso poderia tocar o coração de outras pessoas e virar um vídeo”.

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naquela prova’, ou qualquer indireta que passe a ideia de que estou irritado com alguém”, diz. Mas pode haver exceções. “É o caso de um assalto ou a morte de um familiar ou amigo”, explica Henrique, que estuda no Colégio Adventista de Santos (SP). Cíntia, que lecionou em diferentes universidades de São Paulo, tem aprofundado a tese de que, o que move a postagem frenética dos usuários é um inconsciente medo da morte. “Tratando superficialmente desse assunto, poderia dizer que das redes provém uma espécie de certificação coletiva de que estou vivo e bem. Afinal, compartilhei meu café da manhã, o que aconteceu no transporte público, que cheguei a salvo no trabalho ou que ganhei um fantástico presente de aniversário. E as curtidas e comentários me dão uma espécie de feedback de que realmente estou vivo e bem. Por outro lado, esse conjunto de publicações certificam que vivi uma boa vida e que está tudo registrado”, analisa. Porém, o problema é que essas relações mediadas pela rede provocam uma grande histeria, no sentido de que todos precisam gritar quanto são felizes, quanto odeiam isso ou aquilo. “Nesse contexto, poucos ouvem. Isso é relacionamento? Não! Utilizamos as redes para transformar nossa vida em hiperespetáculo, reduzimos os outros ao papel de cativa audiência. Em poucos momentos interessa, realmente, a opinião ou o ponto de vista daqueles que fazem parte dos nossos contatos”, reflete.

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O jeito que você fala nos vídeos é um pouco de quem você é no dia a dia? Tenho meu jeito meio criança, de fazer bagunça, de fazer as pessoas rirem, de sorrir bastante, de abraçar todo mundo, mas também tenho meu jeito um pouco mais sério, mais centrado, de falar coisas que tocam as pessoas. Mas, assim, eu “respiro” Jesus o dia todo porque Ele é meu amor maior. Então, sou muito feliz por tudo o que Ele tem feito, e o que transmito nos vídeos é reflexo do que sou em casa e em qualquer lugar.

Embora reconheça que há, sim, a expressão de “sentimentos” no ciberespaço, Cíntia pondera que essas manifestações costumam ser impulsivas e apaixonadas. “Muito do que vemos é absolutamente visceral, vomitado instantaneamente, muitas vezes antes mesmo de aquele sentimento ser processado, compreendido, analisado e ressignificado”, critica. No entanto, há, sim, espaço para a publicação de postagens sinceras, mas previamente pensadas para provocar determinadas reações. “Há demonstrações de carinho que existem apenas para dar manutenção aos relacionamentos, não necessariamente porque o sentimento emergiu naquele exato momento. Há pessoas que se ressentem se não são parabenizadas publicamente, via rede, por suas conquistas ou aniversário, como se o ‘tamanho’ de uma mensagem equivalesse ao ‘tamanho’ de uma amizade. Nesse caso, deve-se ressaltar que a visibilidade se tornou um valor preponderante, e a expressão dos sentimentos passa necessariamente por esse vetor. Ama mais, se importa mais, quem grita mais alto”, adverte Cíntia. Embora seja difícil atribuir um juízo de valor a esses comportamentos, até porque essa não é uma preocupação dos pesquisadores da cibercultura – movimento sociocultural que defende que tudo pode ser informatizado e digitalizado – essas reflexões têm algo a nos ensinar. Discussões teóricas à parte, o fato é que as redes podem servir como ferramenta de diálogo para propagar boas ideias e causas. Além, é claro, de expressar o melhor de nós e manter por perto, e atualizados, os familares e os bons amigos. A rede – e o que postamos nela – pode revelar muito sobre nós. Mas, o que nós temos revelado por meio dela? Quais valores da vida real têm direcionado nossa “postura digital”? A resposta para essa pergunta não é tão simples, mas faz diferença na maneira pela qual você lida com o mundo virtual.

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Deixe uma mensagem para nossos leitores. Somos a geração “cabeça baixa”. Estamos sempre com o celular na mão, vendo o que o outro fez, para onde viajou, se está feliz, se mudou de emprego. Então, olhamos para nossa própria vida e pensamos: “Nossa! Sou a pessoa mais infeliz do mundo porque não faço essas coisas...” Muitos não entendem que o que está nas redes não é a vida real, mas apenas o registro de alguns momentos. Temos que tomar bastante cuidado com isso e mostrar quem realmente somos, sem impressionar ninguém. A maior beleza que existe é a do coração, de um espírito dócil. É a beleza de “respirar” Jesus a ponto de fazer a diferença na vida de quem passa pela nossa.

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Reportagem

Texto e fotos Rebbeca Ricarte

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Conheça escolas missionárias que fazem a diferença em lugares remotos, em meio a privações e contrastes culturais

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IMAGINE UM MAPA-MÚNDI. Para qual lugar representado no mapa você apontaria se ouvisse a palavra “missionário”? É bem provável que você tenha associado a ideia de missão a algum lugar da África ou do Oriente. Normalmente entendemos que os missionários vão para essas regiões do planeta. Mas, que acha de conhecer alguns deles neste lado do mundo? Nos países da América do Sul há também espaço para a atuação daqueles que rompem as barreiras da geografia, da cultura e dos níveis socioeconômicos para atender as necessidades das pessoas e apresentar-lhes Jesus Cristo. Nesta matéria, você conhecerá visionários que têm a educação como missão, e que ultrapassaram fronteiras a fim de compartilhar os ideais de uma vida melhor.

ESCOLA FLUTUANTE Judith Palomino é professora há mais de 20 anos. Ela mora em Puno, antiga cidade ao sul do Peru, às margens do lago Titicaca, o maior da América Latina, na fronteira com a Bolívia. É nesse lugar exótico que a missão da professora é realizada. Todos os dias ela acorda às 5 horas da manhã, sai de casa, no centro da cidade, e se desloca durante 40 minutos até o cais, onde embarca numa lancha. Após 15 minutos navegando no lago Titicaca, Judith avista pequenas comunidades indígenas em ilhas flutuantes. As ilhas flutuantes são conhecidas como los uros. Talvez você pense que uma ilha flutuante indígena seja uma estrutura de troncos de madeira amarrados com cordas de sisal, mas a arquitetura de los uros é incrivelmente mais interessante. No lago Titicaca

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A dificuldade com um novo idioma é enfrentada apenas pelos que vão à escola. William Derly Huanca Quispe é o diretor de educação adventista para a região do lago Titicaca, e aponta os entraves culturais que a instituição enfrenta: “Essa é uma escola gratuita, mas, mesmo assim, os pais não trazem os filhos, pois não acham que escola seja necessária. Por isso, nossas duas professoras saem de barco de ilha em ilha, buscando as crianças para as aulas. Se não fosse assim, muitos não viriam”. Essa cena acontece duas vezes por dia: na chegada dos alunos, por volta das 8h30, e às 15h, quando retornam para casa, de carona no barco da escola. Na escola há apenas duas salas de aula. Numa, estudam as crianças entre 6 e 9 anos, e, na outra, as maiores, entre 10 e 14 anos. No quadro de giz, os conteúdos são separados pelo “ano” a que o aluno pertence. Como as matérias de anos escolares diferentes são ensinadas no mesmo ambiente, o estudante progride de acordo com o que aprendeu, independentemente de sua idade. “Além das aulas teóricas, ensinamos artesanato indígena. As crianças aprendem a fazer peças para usar em casa e para vender aos turistas” – conta a professora Judith. No recreio, uma cena nostálgica: crianças com roupas típicas coloridas, descalças, pulam corda, rodam pião e brincam de pique-esconde.

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é muito comum uma planta chamada totora, semelhante ao junco (vegetal de que geralmente são feitos os cestos). A totora trançada flutua e pode suportar bastante peso. Os indígenas da região constroem “ilhas” prendendo vários feixes de totora. Sobre as ilhas flutuantes eles constroem cabanas de madeira e palha. A cada duas semanas, a totora que forma a ilha precisa ser renovada para que a estrutura não afunde. A bordo com a professora Judith, vemos as ondas formadas pelo motor do barco balançarem as ilhotas. Ela nos aponta o destino: a Escola Adventista “Uros”, situada sobre uma ilha flutuante de pouco mais de 90 metros quadrados. Nessa área, há, feitas de madeira, as salas de aula e uma capela, que funciona como igreja aos sábados. O barco atraca na ilha. Quando pisamos sobre o chão de totora, sentimos que, mesmo flutuando, ali está uma missão firmada sobre alicerces inabaláveis. Os indígenas do lago Titicaca raramente falam o castelhano, a língua oficial do Peru. O quéchua e o aimará são os idiomas dos nativos. Essa é uma das barreiras que a escola adventista local enfrenta para apresentar novos conhecimentos aos alunos. “Tenho que ensinar o espanhol para as crianças, mas preciso que primeiro entendam o que falo. Então, converso com elas em quéchua e aimará, mas escrevo somente em espanhol. Assim elas se acostumam com o espanhol”, explica Judith.

Ricarte com alunas A jornalista Rebbeca lago Titicaca no e ant da escola flutu

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Crianças sendo crianças, mesmo com tão pouco… “Nós oferecemos uma merenda simples, que, na maioria das vezes, é o almoço delas. Elas gostam quando se encontram com turistas. Pessoas do mundo todo vêm aqui, e elas pedem a cada visitante que ensine uma música em seu idioma”, “Uros” destaca, orgulhosa, a professora. O coral da escola apresenta canções em nove idiomas diferentes, como japonês e francês. Imersa em uma cultura de simpatias e feitiçarias indígenas, a instituição cristã de ensino exerce seu papel missionário. A Escola Adventista “Uros”, com apenas 30 alunos, é a maior escola do lago. E, para a professora Judith, quem mais aprende é ela mesma: “Por muito tempo fui professora no conforto da cidade. Há pouco mais de dois anos entendo a missão do magistério. Hoje, para mim, ser professora é trazer um pouco da comida da minha casa para meus alunos, é conseguir doações de materiais escolares e livros para que essas crianças possam ter o direito de aprender.”

rede Batismo de aluno daélogo adventista no arquip de Galápagos

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NAS ILHAS DE DARWIN Mais de cem ilhas formam o arquipélago de Galápagos, no oceano Pacífico, a cerca de mil quilômetros da costa do Equador. Elas são conhecidas como o “berço do darwinismo”. Após uma temporada no local, Charles Darwin (1809-1882) elaborou sua teoria da origem das espécies, que defende a evolução como princípio universal. A ilha mais povoada do arquipélago é Santa Cruz. Nela está a Estação de Pesquisas Charles Darwin, um santuário em forma de museu. O estabelecimento contém um acervo de materiais estudados pelo cientista que lhe dá nome, e é um dos pontos mais visitados pelos turistas. Em uma cultura relacionada ao pensamento evolucionista, uma curiosidade chama a atenção: a maior escola do arquipélago é a Escola Loma Linda, uma instituição adventista de ensino. “Atualmente, atendemos mais de cem alunos e somos bem conhecidos aqui. A estrutura atual já não comporta os estudantes. Então estamos construindo um novo colégio na avenida principal, que, inclusive, se chama Charles Darwin”, conta o diretor, Marck Jitar. Ao lado da nova escola, foi estabelecida a pedra fundamental de um centro criacionista de pesquisas, que futuramente deverá receber cientistas criacionistas de todo o mundo.

o d é d e d G P p d Escola adventista será transfer ida

para a avenida Charles Darwin

No entanto, o começo dessa história de êxito dependeu do senso de missão e pioneirismo. “Sou de Quito, capital do Equador. Sempre tive vontade de ser missionária, e, há 16 anos, quando começou o sonho de construir essa escola, decidi que seria uma pioneira aqui. Naquela época eu estava noiva e, dentro de um ano, iria me casar. Foi uma decisão difícil, porque eu vim, mas meu noivo ficou na capital. Quando nos casamos, fiquei surpresa com a decisão que ele tomou: voltar para a ilha comigo, e continuarmos essa missão juntos”, lembra a professora Cecília Rugel, que ainda leciona na escola, onde seu marido também é colaborador. PESCANDO SONHOS No Brasil, há outra escola que, embora não enfrentando uma barreira cultural nem contrastando com a ideologia relacionada ao lugar, eleva-se acima das dificuldades sociais. Para chegar até Guaraqueçaba, tomamos um carro em Curitiba e dirigimos duas horas até Paranaguá, onde pegamos um barco e seguimos mais uma hora de viagem em águas geladas, escuras, acompanhados por golfinhos que seguiam o barco ao longo do trajeto. Lá chegando, há uma cidade cujo visual revela a principal fonte da economia local: a pesca. Ali, uma escola, que não é do governo, com pouco mais de cem alunos, não cobra taxa de matrícula nem mensalidades dos estudantes. Essa escola também Em Guaraqueçaba, um dos municípios mais pobres do Paraná, a vida gira em torno da pesca

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Em Guaraqueçaba, a escola, a merenda e o material escolar são de graça

SUBINDO O MONTE No início do texto, você deveria pensar em um lugar que remetesse à palavra “missionário”. Muito mais que a um lugar, o termo se refere a uma circunstância: os desafios. A história bíblica de Calebe (Js 14:8-15) ilustra bem o espírito missionário. Mesmo depois de viver durante 40 anos no deserto, ele não desanimou da meta de “conquistar o monte”, a terra prometida por Deus. Essa história me veio à mente ao subir a serra gaúcha para conhecer uma escola no município de Rolante. Não pense na exuberância de Gramado ou Canela, que atraem milhares de turistas. Rolante fica próximo, mas é bem diferente. Percebi isso quando a placa na estrada indicou “zona rural”. Fazia frio, e uma chuva fina deixou o tempo nublado e cinzento. Encontramos alunos bem agasalhados em uma escola antiga, com piso de madeira e salas repletas

de livros. “Foram doados. Nossos alunos gostam muito de ler”, explica uma professora. Conhecendo o histórico dos alunos que passaram por ali, comecei a entender o motivo de aquela instituição ser assim tão especial. Não se sabe exatamente quando a escola começou a funcionar, mas foi em fevereiro de 1973 que sua história mudou. “O Elmo Kuhn e a esposa segurando a pastor Ivo Souza veio quatro deles são pastores que estudfoto com os seis filhos: aram em Rolante (RS) com a esposa e os filhos visitar parentes que moravam aqui. Ele havia sido aluno da escola. Pequena, com apenas uma sala, o governo exigia que a escola fosse ampliada. Caso contrário, deveria ser fechada. A última coisa que o pastor Ivo falou antes de partir foi que precisávamos lutar para continuar com a escola”, conta a professora Ruth Sousa Mendes. O inesperado foi que, naquele mesmo dia, uma tragédia marcou a história do local: retornando para o Rio de Janeiro, o pastor Ivo, a esposa e um filho morreram de acidente de carro. “Todos choraram. Mas, quando os familiares receberam a indenização pelo acidente, não tiveram dúvida sobre o que fazer com o dinheiro: doaram para a ampliação da escola, que funciona até hoje”, lembra Ruth. Mantendo o senso missionário e incentivando nos alunos o amor a Deus acima de tudo, pela pequena Escola Adventista Pastor Ivo Souza, como foi nomeada, já estudaram mais de 80 pastores e líderes da Igreja Adventista. A família Kuhn se mudou há mais de 40 anos para o local a fim de os filhos crescerem em meio a natureza e estudarem na escola. O casal não se arrepende de haver trocado a cidade de Belo Horizonte pela zona rural no sul do Brasil. O patriarca Elmo Kuhn se emociona ao falar da experiência dos filhos com a escola: “Tínhamos familiares aqui, que falavam como essa escola era especial. Era o que queríamos para nossos filhos. Hoje, quatro de nossos seis filhos são pastores, e louvamos a Deus pela missão dessa escola, pois ela forma a mente, o caráter e a personalidade dos seus alunos. Ela estabelece o preparo para a vida eterna!” Na telinha

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Visualize as cenas dessa viagem missionária na série de documentários “Educação e Missão”, produzida pela TV Novo Tempo. Os vídeos estão disponíveis em: novotempo. com/educacao.

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oferece gratuitamente o uniforme, a merenda e todos os livros novos sem custo para os alunos. “Essa é uma missão. É um local humilde, mas as pessoas daqui merecem ter acesso à educação. Por isso, as escolas adventistas da região sul do Paraná doam dinheiro e materiais para sustentar a unidade de Guaraqueçaba. A editora dos nossos livros, a Casa Publicadora Brasileira, doa todo o material didático para os alunos daqui”, revela Anderson Voos, diretor da educação adventista para a região sul do Paraná. Tudo começou há 18 anos, com a chegada de uma família adventista. “Sou médico, e passei em um concurso público para o único posto de saúde da localidade. Sempre estudei em escolas adventistas, e queria que minhas filhas, na época pequenas, tivessem a mesma oportunidade. Mas esse sonho parecia impossível. Nossa família e mais três se reuniram e começaram a escola de forma independente. Pouco tempo depois, a igreja assumiu a missão e mantém a escola”, conta Jonatan Löschner, que até hoje é o único médico do local.

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Textos Fernando Dias

Básica

POR QUE EXISTEM BÍBLIAS DIFERENTES?

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Leia e compare várias versões

Talvez você já tenha ouvido alguém ler a Bíblia e percebeu que o texto não era igual ao que você lia no seu exemplar. Por que isso ocorre? Há uma Bíblia melhor do que a outra? Essas diferenças existem por causa das versões. A Bíblia foi escrita em hebraico e aramaico (Antigo Testamento) e grego (Novo Testamento). Nos últimos séculos, mais de uma versão foi feita para o português, por diferentes tradutores. Por isso, algumas apresentam uma linguagem mais antiga e outras contam com um texto mais atualizado. O estilo de tradução também influencia o texto final. Existem pelo menos três modelos de tradução das Escrituras: 1. Formal. Procura-se preservar as construções de frase e as expressões típicas das línguas originais. Em geral, o texto fica um pouco difícil de ler, mas reproduz com maior fidelidade o sentido original. As versões Almeida, Brasileira, de Jerusalém e Ecumênica são exemplos desse modelo. 2. Dinâmica. Prioriza a clareza do texto final para o leitor contemporâneo, mesmo que para isso deixe de reproduzir as expressões típicas das línguas originais. São bem mais fáceis de ler do que as versões formais. Nova Tradução na Linguagem de Hoje, Nova Versão Internacional (NVI) e Nova Versão Transformadora representam esse grupo. 3. Paráfrase. Não é necessariamente uma tradução. O objetivo é deixar o texto autoexplicativo e envolvente para o leitor final. O problema é que a paráfrase não é muito fiel à mensagem da Bíblia, pois alguns textos podem ter sido reescritos de acordo com a visão de quem a parafraseou. A Nova Bíblia Viva e a versão A Mensagem são exemplos de paráfrases. A sugestão é que você aproveite o melhor de cada estilo de tradução e leia várias versões. Você pode ler diariamente, por exemplo, uma Bíblia em versão dinâmica ou uma paráfrase, e ter uma Bíblia em tradução formal para estudos e comparações. O mais importante é que você entenda o sentido original do texto e descubra como ele se aplica a você hoje.

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DÁ PARA SER SEMPRE ALEGRE?

Com o rosto maquiado a ponto de forçar uma aparência tristemente pálida, membros de algumas tribos urbanas, como os góticos, entendem que a tristeza é para ser curtida e a alegria, uma ilusão dispensável. No entanto, a maioria das pessoas prefere buscar a alegria se divertindo pra valer e fugindo de qualquer situação que remeta à tristeza. Mas, afinal, em que consiste a alegria tão ansiosamente almejada e, às vezes, tão conformadamente desprezada? A Bíblia é um livro que fala de alegria: segundo o teólogo Richard W. O’Ffill, são mais de 220 ocorrências da palavra 22 |

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A p lí lu s d e

N e de seus sinônimos. Alegria não é apenas um sentimento, mas o resultado da atuação do Espírito Santo em alguém (Gl 5:22). O contentamento depende mais da confiança em Deus do que estar passando por bons momentos. Por exemplo, Habacuque, um profeta compositor, cantou que poderia se alegrar em Deus (Hc 3:17, 18) mesmo em meio à dificuldade. O apóstolo Paulo afirmou por experiência própria que alguém podia manter-se alegre mesmo quando empobrecido, humilhado e faminto (Fp 4:10-13). O segredo do contentamento é acreditar que Deus nos fortalece em qualquer circunstância.

E e s a q r p

Intimamente relacionada com a alegria, está a ideia de ter felicidade, o que na Bíblia aparece como “bemaventurança”. Em seu mais impressionante sermão, Jesus prometeu que a felicidade plena é encontrada em atitudes inusitadas, como espírito humilde, fome e sede de justiça, pureza e resiliência diante da perseguição (Mt 5:3-12). Isso é experimentado somente por aqueles que passam pelo processo de conversão e regeneração (Jo 3:5).

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M d d é p in to e p m n e

Fontes: Richard W. O’Ffill, El Fruto del Espíritu Santo (Aces, 2009); W. Phillip Keller, Frutos do Espírito Santo (Betânia, 1981).

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DA ALETRIA À ALEGRIA Aletria

ABORTO

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No ano passado, uma polêmica decisão foi tomada pelo Superior Tribunal Federal. Durante o julgamento de um caso, a primeira turma do STF interpretou que o aborto até o primeiro trimestre de gestação não constitui crime. O parecer da Corte reacendeu uma polêmica científica, ética e religiosa: é correto interromper a vida de uma criança que ainda vai nascer? O que ensinam as grandes religiões sobre o assunto? A Bíblia não contém um “não abortarás”; logo, como as igrejas cristãs se posicionam com respeito ao assunto?

Sim

Algumas igrejas têm posturas de aceitação para quem pratica o aborto. Um exemplo é a Igreja Universal do Reino de Deus. Em várias declarações públicas, seu líder opinou ser a favor da interrupção da gravidez. Algumas igrejas anglicanas, luteranas e presbiterianas mantêm posições bem progressistas e não disciplinam seus membros que praticam o aborto, para desespero de ramos mais conservadores dessas tradições religiosas. A Igreja Unida de Cristo, à qual pertenceu o ex-presidente americano Barack Obama, é uma das mais favoráveis ao aborto.

Não

Enfaticamente contra o aborto, a Igreja Católica o considera um pecado digno de excomunhão da igreja, só podendo ser perdoado com autorização das instâncias superiores da hierarquia eclesiástica. O argumento católico para defender que o aborto é um pecado mais grave que o assassinato de uma pessoa já nascida tem que ver com sua doutrina. Se um bebê não nascer, ele perderá a oportunidade de receber da igreja o sacramento do batismo, e, segundo os católicos, a alma dele perderia todas as chances de salvação eterna.

Depende

Mesmo mantendo firme sua postura pró-vida e considerando o aborto um homicídio, algumas igrejas cristãs entendem que há situações em que abortar é o menor dos males. A Igreja Adventista do Sétimo Dia, por exemplo, acredita que o aborto é o mesmo pecado do assassinato. No entanto, considera-o aceitável se é feito para salvar a vida da mãe, se o feto possui comprovadas malformações que sejam incompatíveis com a vida extrauterina ou se a gravidez resultou de estupro. Em todos esses casos, orienta-se que a gestante e os familiares recebam orientação espiritual para tomarem a melhor decisão para o caso. Outras igrejas cristãs têm posicionamentos semelhantes. A Bíblia relata situações de aborto sem o consentimento da gestante (Êx 21:22, 23; 2Rs 15:16) e os condena. Também considera o não nascido uma pessoa viva (Jó 3:3; Sl 139:13-16; Is 49:1; Jr 1:5 ). Inclusive, crianças em gestação já são consideradas pecadoras (ver Sl 51:5). Fontes: Alan Pallister, Ética Cristã Hoje (Sheed Publicações, 2005); Reinder Bruinsma, Matters of Life and Death (Pacific Press, 2000); Declarações da Igreja (CPB, 2012); http://acarajeconservador.blogspot.com.br/2011/10/ uma-de-cada-tres-paroquias.html; http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,nem-mesmo-igrejas-cristastem-unidade-de-posicao-sobre-aborto-imp-,621649; http://blogs.universal.org/bispomacedo/tag/aborto/.

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Massa de farinha de trigo em fios finíssimos que serve de preparo para receitas doces e salgadas. É uma especialidade da culinária criada nos tempos medievais, provavelmente pelos árabes. Como seus fios são muito mais finos que os do macarrão espaguete, a aletria também é conhecida popularmente como macarrão cabelo de…

Anjo Ser celestial que, segundo a Bíblia, move-se rapidamente entre a Terra e o Céu. Tem o aspecto luminoso e é capaz de fazer coisas extraordinárias para realizar sua missão. Os anjos normalmente atuam de modo invisível aos olhos humanos mas, em ocasiões especiais, tornam-se visíveis, como no anúncio do anjo Gabriel sobre a gravidez de Maria, mãe de Jesus. Ele surpreendeu a jovem moça com uma…

Saudação Cumprimento que varia em cada cultura. Alguns se saúdam com “bom dia”, “boa manhã”, “tudo bem?”, “salve”, “saúde”, “paz” e “graça”. Apesar das variações, quase sempre a saudação transmite o desejo de que a pessoa cumprimentada tenha…

Alegria Uma das virtudes do fruto do Espírito Santo (Gl 5:22), a alegria é o resultado de estar com Deus, um contentamento que não depende de circunstâncias, mas que é capaz de fazer brotar um sorriso mesmo quando há dificuldades. Por isso, entregue sua vida a Deus e tenha a esperança de, um dia, ouvir a saudação de seu anjo da guarda. Cultive o hábito da oração, inclusive antes das refeições, ainda mais se o prato for uma deliciosa aletria!

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Tudo ligado

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Imagine

Texto Jessica Manfrim Ilustração © figura13 | Fotolia

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...se não tivesse existido

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ESCRAVIDÃO É UMA PRÁtica antiga e brutal, vivida, entre outros, pelos negros nas colônias das Américas entre os séculos 16 e 19, e, atualmente, por milhares que trabalham em condições desumanas e sem salário. A escravidão inferioriza, desumaniza, coage, abusa e priva da liberdade, em nome do poder e do dinheiro. Entre 1550 e 1855, por volta de 4 milhões de africanos foram trazidos como escravos para o Brasil a fim de trabalhar nos engenhos de açúcar, nas minas de ouro e diamante, nas fazendas de café e nas vilas e cidades. Esse “modo de produção”, legalizado no Brasil até 1888, deixou cicatrizes profundas na sociedade. Como estaríamos se não tivesse existido a escravidão? 24 |

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SEM DATAS PARA LEMBRAR

As datas históricas e comemorativas são memoriais no tempo. Em 13 de maio comemora-se a assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil em 1888. Movimentos sociais negros criticam a comemoração da data por superestimar o papel da princesa Isabel na abolição, sem considerar a resistência e as lutas dos próprios escravos para alcançar a liberdade. Por essa razão, o 13 de maio foi ressignificado, tornando-se o Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo no Brasil, e outras datas cívicas foram instituídas. Por exemplo: 20 de novembro, a data da morte de Zumbi, o rei do Quilombo dos Palmares, refúgio de escravos fugidos em Alagoas no século 17, é o Dia da Consciência Negra; e 7 de julho, data da fundação do Movimento Negro Unificado, é o Dia Nacional de Luta Contra o Racismo.

TRABALHO MAIS VALORIZADO

Uma consequência do sistema escravista é a desvalorização do trabalho braçal. Enquanto o trabalho intelectual é tido como digno, as atividades manuais são consideradas degradantes. Na época do Brasil colônia e do império, os escravos faziam o trabalho pesado, e os seus senhores apenas administravam. Para se conseguir prestígio em uma sociedade escravocrata, era necessário possuir terras, ocupar cargos no governo, obter títulos de nobreza, ser bacharel em direito ou medicina e, principalmente, ficar longe dos “ofícios mecânicos” (trabalhos manuais). Por isso, no século 19, o Brasil era uma ilha de bacharéis, rodeada por um mar de escravos. Nos Estados Unidos, a mentalidade protestante do valor do trabalho amenizou essa distinção. Mas, no Brasil, ainda hoje o trabalho braçal é muito menos remunerado que o serviço intelectual. Sem a herança da escravidão, possivelmente os serviços braçais seriam mais bem pagos.

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MENTALIDADE MENOS PRECONCEITUOSA

Muitos religiosos na época da escravidão legalizada justificavam a desigualdade entre escravos e livres como obra de Deus. Desprezavam assim a verdade bíblica da igualdade entre as pessoas (Gn 1:26, 27; Gl 3:28; Cl 3:11). O conceito de raça, a desigualdade entre elas e a superioridade do homem branco foram naturalizadas a partir do pensamento científico do século 19, com a ideia de seleção natural da teoria darwinista. Todos esses fatores contribuíram para o desenvolvimento de uma mentalidade escravista e racista duradoura. As consequências ainda são vistas hoje nos índices mais altos de desemprego, baixa escolaridade, violência e de moradias precárias entre os afrodescendentes. Sem a mancha da escravidão, essa mentalidade não existiria, permitindo o surgimento de uma sociedade menos preconceituosa e desigual.

MENOS INJUSTIÇAS

Com a naturalização das desigualdades sociais e da inferioridade racial de certos grupos, abriu-se o caminho para a restrição de direitos civis estabelecidos pelas constituições durante o século 19. A Constituição Brasileira de 1824, por exemplo, dizia que eram cidadãos brasileiros os nascidos no Brasil, quer nascidos livres ou libertos, e que “a Lei será igual para todos”. No entanto, somente os nascidos livres podiam votar, os libertos estavam privados desse direito. Também tinham restrições para adquirir terras. A lei de Terras de 1850 aumentou muito o preço das propriedades e inviabilizou as pequenas e médias propriedades. Todas essas questões levaram a uma falsa ideia de cidadania. Sem a escravidão, as desigualdades geradas pela restrição de direitos assegurados na Constituição não teriam existido. As cotas e os programas sociais do governo contemplariam outras demandas, não marcadamente étnicas, pois seu objetivo é proporcionar equidade nos processos de emprego e na seleção para vagas de universidades, por exemplo.

José Bonifácio de Andrada, ministro de dom Pedro I, propôs um Brasil sem escravidão assim que o país se tornou independente de Portugal. Para Andrada, a modernização do Brasil dependia do fim da escravidão, da integração dos índios à sociedade, do incentivo à pequena e média propriedade com o objetivo de promover o povoamento de todo o território brasileiro e fornecer um meio de sobrevivência para índios, negros, imigrantes e brancos pobres. Ele entendia que, com o fim da escravidão, também viria o fim da violência, da ignorância e da miséria, tornando o brasileiro apto para a cidadania. Seu objetivo com esse projeto para o Brasil era garantir o desenvolvimento econômico e a ordem interna do país. No entanto, a direção escolhida foi outra, e conhecemos essa história. Fontes: Escravidão e Cidadania no Brasil Monárquico, de Hebe Maria Mattos (Zahar, 1999); História do Brasil, de Boris Fausto (Edusp, 2008); História dos Estados Unidos, de Leandro Karnal (Contexto, 2010); Projetos para o Brasil, de José Bonifácio de Andrada e Silva (Companhia das Letras; Publifolha, 2000); “13 de Maio de 1888 – Abolição da Escravatura”, de Antônia Terra (http://www.editoracontexto.com. br/blog/13-de-maio-de-1888-abolicaoda-escravatura/); Constituição Política do Império do Brasil (de 25 de março de 1824) (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao24.htm). abr-jun

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escravidão no Brasil?

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Ação Mude seu mundo

Texto Jhenifer Neves Costa Foto Gentileza Marceli Fradeschi

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Lição de vida Aprenda

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Comunidade que se propõe a imitar o método de Cristo abraça bairro paulistano

INCOMODADA COM A igreja que se limita ao prédio, a master coach Marceli Fradeschi pediu que Deus lhe desse uma missão. Depois de um sonho revelador, de conversar com amigos e amadurecer as ideias, ela criou o projeto A Gente Cuida (AGC). “Nosso objetivo é seguir o método de Cristo. Quando Ele esteve na Terra, Seu propósito foi amar as pessoas, independentemente de qualquer coisa. Portanto, é isso que estamos fazendo”, declara Marceli. As ações do projeto se concentram em um dos bairros mais badalados da capital paulista, a Vila Madalena. Primeiro, um grupo de jovens começou a investigar as necessidades da comunidade. Eles perceberam que os moradores têm rotina agitada, quase não ficam em casa e, quando estão, são obrigados a conviver com festas e a

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agitação que forasteiros fazem por ali. Por isso, o maior desafio do grupo era o de provar suas boas intenções. Depois de se apresentarem ao bairro, os voluntários estabeleceram o que chamam de “conexão com o outro”. Segundo Marceli, o importante é se misturar com as demais pessoas. Assim, cria-se uma ligação que exige uma troca de sentimentos e favores. Ou seja, é um cuidando do outro. Inicialmente, os moradores do bairro se espantavam, por alguns instantes ficavam reflexivos, mas sempre comovidos com as inúmeras atitudes bondosas deles. Com o tempo, perceberam que aqueles jovens eram realmente diferentes. Qualquer pessoa pode participar do projeto A Gente Cuida. De acordo com a diretora, Marceli, atualmente o grupo tem 30 participantes. O único requisito é ser seguidor de Cristo.

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CHAMADO PARA SERVIR Com um sorriso, a terapeuta Jamilli Casotti diz que sempre gostou de projetos

sociais. Até parece ser movida pelo impulso de fazer alguém sorrir. Em 2013, ela morava nos Estados Unidos e frequentava uma igreja adventista para brasileiros. Assistindo à programação da TV Novo Tempo pela internet, viu uma matéria falando sobre o projeto A Gente Cuida. Ficou tão impressionada e motivada, que replicou o mesmo projeto lá, tentando se aproximar de hispanos, brasileiros e principalmente dos norte-americanos. Muitos turistas paravam para abraçar, desabafar e saber mais sobre aquelas pes-

As ações do projeto visam ao cuidado mútuo e à conquista da confiança. Assim como fazia Jesus. soas tão simpáticas. Jamilli sentiu-se extremamente útil para a igreja e descobriu seu real chamado para servir a Deus. Depois de alguns meses, voltou a morar no Brasil, especificamente no bairro Vila Madalena. Ficou sabendo por alto de um projeto que empoderava jovens a seguir o exemplo de Jesus. Não pensou duas vezes. Foi conhecer o local em que o grupo conhecido como Cia. da Vila se reúne. O ambiente é aconchegante e oferece um formato de culto diferenciado, que chama a atenção de muita gente que passa por perto. Ao chegar, Jamilli reconheceu algumas pessoas que havia visto há um tempo na reportagem pela internet. “Tamanha foi minha surpresa ao perceber que estava entre as pessoas que me inspiraram a servir”. Mais uma vez, a conexão foi estabelecida. Jamilli tornou-se voluntária do projeto e sempre ajuda com muita disposição. Inclusive, uma das ações de que mais gosta é o AGC Kids, que contempla crianças de zero a 10 anos. PRAÇA FELIZ O AGC Kids está mudando a vida dos pequenos. A proposta é promover atividades em grupo que valorizem os

princípios bíblicos na praça Horácio Sabino, que fica no bairro. É claro que os pais acabam sendo envolvidos e, consequentemente, veem e sofrem as mesmas mudanças positivas que os filhos. Mais de 40 crianças participam a cada sábado. Em 2015, uma semana adaptada para as crianças teve como tema o fruto do Espírito (amor, alegria, paz, paciência, etc.). Os pequenos aprenderam sobre todas as qualidades que Deus espera de seus servos, especialmente sobre amar e cuidar dos outros. A diretora, Marceli, conta que uma criança chegou na escola ensinando os coleguinhas a repartir o lanche, deixando a professora surpresa com a atitude e discurso maduros; outra passava a semana inteira cantando as músicas aprendidas e ansiosa para o programa do sábado seguinte; além de uma que ensinou músicas e valores pelo Skype para seus primos que moram nos Estados Unidos. Os pais passaram a confiar nos voluntários e mais de cem deles deram informações pessoais para um futuro contato. Na perspectiva do grupo, essa é uma grande oportunidade de falar de Jesus. E, quem sabe, até para incluí-los como voluntários, já que tudo se fundamenta na reciprocidade. SENSO DE PERTENCIMENTO Essa ligação que acontece entre voluntário e beneficiado é algo extraordinário do ponto de vista do analista de sistemas, Lucas Cordeiro. Numa visita à Cia. da Vila, o jovem foi apresentado ao projeto e ficou impressionado com a receptividade e carinho do grupo. “Senti-me em casa. Fui tratado como um amigo de longa data. Mesmo tendo nascido num lar adventista, nunca tinha me sentido assim numa igreja”, declara. O que Cordeiro quer dizer, é que o cristianismo não ficou apenas no discurso, mas foi expressado com muita sinceridade. Hoje, os moradores têm laços afetivos com os voluntários. Já os voluntários, bem, eles estão sempre sorrindo, abraçando, cantando. Talvez, por saberem que estão exatamente onde Deus quer que estejam. abr-jun

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DESABAFAR PARA SALVAR No entanto, o grupo não se limitou ao bairro Vila Madalena. Pouco tempo depois, foi criada uma iniciativa chamada Desabafa, que acontece na avenida Paulista, uma das vias mais movimentadas de São Paulo. A ação é realizada sazonalmente às sextas-feiras em pontos diversos da avenida. Na primeira noite, mais de 50 pessoas “desabafaram”. Foi um momento único para quem participou, tanto ouvindo, quanto falando. Todas as vezes que o grupo se reúne para compartilhar os resultados, há relatos inspiradores. Marceli conta que, numa sexta-feira, um transeunte vestido de palhaço acabou parando para conversar. Ele trabalha num hospital e servia como voluntário para alegrar os pacientes deprimidos. Apesar de a profissão exigir uma postura confiante e feliz, ele estava cansado e desanimado da vida. Ao desabafar com o grupo, sentiu-se tão bem que decidiu ficar e fazer o mesmo por outra pessoa. Quando voltou para sua casa, pela primeira vez, fez uma oração a Deus e suas palavras foram as mais sinceras: “Se Tu existes, eu Te senti através daquelas pessoas hoje.” Isso foi tão marcante para ele, que decidiu voltar. “Depois, ele apareceu em nosso local de encontro dizendo que queria ajudar no projeto. Contou-nos sua história e seu relato foi muito gratificante. Hoje, ele é um dos nossos voluntários mais fiéis”, compartilha Marceli. É justamente por causa dessas histórias que muitos participantes percorrem longas distâncias, retornam para o convívio da igreja ou se tornam adventistas. Imagine quantos são surpreendidos e conseguem ver uma luz no fim do túnel. Afinal, tudo é uma troca, pois quem ouve também é beneficiado. Marceli explica que “quando alguém ouve sobre Deus e as coisas boas que Ele faz, fica mais aberto para gostar de quem o abordou.” Digamos que esse seja o segredo para que a verdadeira “conexão” aconteça.

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Lição de vida

Texto Alysson Huf Fotos Gentileza Marcelo da Cunha

A arte de

sonhar O que você faria se um acidente trágico atrapalhasse todos os seus sonhos?

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MARCELO DA CUNHA era um sonhador. Nascido no Rio de Janeiro, em 1969, descobriu cedo o talento artístico. Com apenas sete anos, descobriu o gosto e a habilidade para o desenho. Aos 18, concluiu o curso técnico em Desenho Artístico e Publicitário e passou a trabalhar na área, tornando-se designer gráfico no Hospital Adventista Silvestre, na capital fluminense. Além do emprego, em 1991, aos 21 anos de idade, ele cuidava de uma estamparia, que funcionava em casa. Em busca de conhecimento, fez cursos profissionalizantes em diversas áreas. E, naquele ano, realizaria alguns de seus maiores sonhos: ingressar no curso de Publicidade, viajar pelo país e planejar uma jornada pelo mundo montado numa bicicleta, já que amava o ciclismo. “Esses foram os sonhos afogados naquele rio”, lamenta Marcelo, numa cadeira de rodas, 26 anos depois, referindo-se ao acidente que mudou radicalmente sua vida. TRAGÉDIA NO RIO Era para ser um dia divertido no acampamento promovido pela igreja que Marcelo frequentava. O evento, realizado na época do Carnaval, reuniu jovens cristãos próximo a um rio, em Casimiro de Abreu (RJ). Às margens da cachoeira Pai João, havia um ótimo local para saltar na água. O jovem artista, em boa forma física e praticante de esportes, aproveitou para brincar e demonstrar coragem. No domingo, porém, ele não queria saltar. Percebeu que um banco de areia se formava no local do salto, tornando o rio perigosamente raso. Resolveu apenas nadar e conversar com os amigos. Mas a insistência de um colega que desejava filmá-lo, e um pouco de vaidade – como reconheceria mais tarde –, fizeram-no mudar de ideia. Decidiu pular da cachoeira.

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N Naquele dia, 12 de fevereiro de 1991, Marcelo perdeu todos os movimentos do pescoço para baixo. Ao pular no rio, atingiu com a cabeça o leito e quebrou as vértebras cervicais C5 e C6. Ficou tetraplégico na hora, condenado a depender de outras pessoas até para as atividades mais básicas. Após sete meses hospitalizado, voltou para casa e enfrentou um longo processo de readaptação. A liberdade e a autonomia tão estimadas foram perdidas. Marcelo teve que aprender a ser ajudado em praticamente tudo. Agora, outros seriam seu corpo. “Espantar um mosquito, movimentar a mão, virar-me na cama, tomar banho, escovar os dentes, comer… eu tinha que pedir ajuda para tudo”, relembra. Junto com a tetraplegia, vieram os questionamentos. “Por que comigo? Por que dessa forma? Por que com essa idade?” Adventista do sétimo dia, Marcelo crê nas curas milagrosas registradas na Bíblia. “Deus, agora é minha vez. Por favor, cura-me!”, suplicava. “Se pelo menos eu recuperasse o movimento das mãos, ou um pouco do controle do tronco…” Ele percebeu que, assim como nem todos foram curados quando Jesus Cristo esteve na Terra, nem todos recebem a cura hoje também. “Parece contraditório, porque tenho dois amigos sem qualquer ligação com Deus que ficaram tetraplégicos e se restabeleceram. Voltaram a andar”, revela. Isso poderia ser desanimador para qualquer um, mas não para Marcelo. Apesar das limitações adquiridas, ele se aproximou de Deus. “Com o tempo, entendi que Deus usava minha fragilidade para comunicar com mais intensidade Seu amor”, afirma, com a convicção que só tem quem vive o que fala. Apesar de não ter recebido a cura milagrosa desejada, nem todos os pedidos e questionamentos ficaram sem resposta.

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somente a boca, desenvolveu uma técnica artística chamada “risquismo” e conseguia elaborar suas obras sem a necessidade de um esboço – pintava direto na tela, risco por risco, sobrepondo os traços, misturando tintas e cores para materializar a imaginação. A Fundação Nacional de Artes (Funarte) se encantou com o trabalho de Marcelo e promoveu uma série de exposições das obras do artista em várias regiões do Brasil. Desde então, ele transformou seu hobby terapêutico em profissão, ganhando dinheiro com os sofisticados quadros que cria. Em 2004, entrou para a Pintores com a Boca e os Pés (APBP), uma associação internacional que incentiva e valoriza o trabalho de artistas que não podem usar as mãos. A organização publica as obras dos associados em cartões, calendários e outros artigos em todo o mundo, remunerando os autores e dando-lhes a oportunidade de desenvolver seus talentos. Em 2009, um susto! Uma terrível artrose impediu Marcelo de pintar durante meses. Dores lancinantes o impossibilitaram até mesmo de assinar o nome, coisa que fazia com naturalidade usando apenas boca e lápis. Após um tratamento intenso, recuperou-se, mas não sem comprometer alguns dos movimentos, que lhe causam desconforto até hoje. SONHOS Com 47 anos de idade, casado há 11 com Adriana, Marcelo já pintou em torno de 250 quadros. Muito ativo, ele não se con-

tenta com a pintura: apresenta cerca de 30 palestras motivacionais todos os anos em escolas, empresas e igrejas. Também realiza exposições coletivas e individuais de suas obras, tendo já exposto seus trabalhos na Argentina, Áustria e em vários estados do Brasil. Neste ano, ele participará de um evento em Barcelona, Espanha, onde seus quadros estarão em exposição. E não para por aí. A literatura é outro dos seus talentos. Além de escrever diários, o artista carioca já publicou dois livros, Renascido da Dor, publicado pela CPB, e Aceitar é Preciso. Como se não bastasse, outras duas obras literárias já estão em fase de produção. Ele também mantém um site na internet, onde divulga seu trabalho (superandolimite.com.br). “A maior lição que aprendi é que a vida passa rapidamente”, afirma. “Precisamos aprender a viver de forma plena e, de preferência, da maneira que Deus espera que vivamos”, sublinha com sabedoria. De acordo com o pintor e escritor, nunca é cedo para correr atrás dos sonhos, assim como nunca é tarde para recuperar o tempo perdido. E de sonhos, ele fala com propriedade. Se os perseguia com vigor antes do acidente, depois, mais ainda. “Hoje, faço curso de inglês, oratória motivacional, estou no quarto período da faculdade de Publicidade e Propaganda, que era um sonho, e pretendo graduar-me em Psicologia”, revela com seu entusiasmo típico. Afinal, Marcelo da Cunha é um sonhador! abr-jun

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NOVO PROPÓSITO “Meu Deus, o que vou fazer da vida?”, questionava. Em sua nova condição física, ele não mais conseguia trabalhar – e tudo o que não queria era se tornar inútil, sem um propósito ou missão. O pensamento o atormentou durante três anos após o acidente. Até que, em 1994, uma reportagem vista na televisão mudou suas perspectivas. Tratava-se da história de outro brasileiro, também tetraplégico, que pintava quadros segurando o pincel com a boca. No mesmo instante, Marcelo pediu para a família sentá-lo numa cadeira, em frente a uma folha de papel em branco. Ele sabia desenhar, havia estudado para isso. Sem poder usar as mãos, o desafio era coordenar os movimentos da cabeça e da boca para realizar traços precisos. Com uma caneta entre os lábios, começou a esboçar um desenho. A dor era insuportável. Os músculos do pescoço não estavam preparados para aquele tipo de movimento. Por causa do atrofiamento natural da musculatura, o esforço feito pelo artista era imenso, inexplicável, como ele mesmo define. “Mas enquanto não terminei o desenho, não parei”, afirma. Deus respondeu seu questionamento. A partir daquele dia, Marcelo soube o que faria da vida. Três anos depois, em 1997, ele realizou a primeira exposição dos quadros que havia pintado. Até ali, havia encarado a pintura como uma forma de terapia. Aprendeu a manejar o pincel com maestria usando

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Aprenda

Texto Mayra Silva Ilustração © rudall30 | Fotolia

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PESQUISAS CIENTÍFICAS DE longa duração têm confirmado o que já suspeitávamos pelo senso comum: os relacionamentos têm grande impacto na qualidade de vida e longevidade. Lógico que isso inclui o namoro e a escolha de um parceiro(a) para a vida toda. Porém, tendo em vista que não vale a pena namorar por dó, pressão ou status, quais motivações e critérios são os melhores para construir um relacionamento sério que pode resultar num casamento? Seguem algumas dicas.

FILOSOFIA DE VIDA

Esse é o critério mais importante, porém, o menos observado. Se por um lado são as diferenças de personalidade que nos atraem, porque nos complementam, por outro, são as semelhanças de valores, crenças e objetivos na vida que podem manter um casal unido por muito tempo.

AMIZADE

Companherismo, como é visto entre os melhores amigos, é um fator importante para a felicidade do casal. O amor romântico tem seu papel, mas ele sozinho não sustenta um relacionamento. Se você e seu pretende ou companheiro(a) não cultivam uma grande amizade, avalie o que os atrai ou mantêm juntos.

BELEZA E CARÁTER

Procure alguém que seja atraente para você, com quem tenha “química”. Mas, sobretudo, não deixe de avaliar o caráter. Uma máquina com problemas no “motor” perde seu valor. Com o passar do tempo, beleza e saúde se desgatam, e a intimidade que vocês vão construir precisa ir além do contato físico.

INTERNET E DISTÂNCIA

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É possível conhecer um bom parceiro(a) pela internet e namorar a distância, desde que você atente para alguns fatores. Psicopatas também estão presentes nas redes sociais e em sites de relacionamento. Por isso, siga regras básicas de segurança digital. No caso de namoro a distância, isso pode favorecer mais o diálogo do que o contato físico, algo importante para a longevidade do relacionamento. Além disso, use os inúmeros recursos atuais de comunicação e planeje encontros pessoais, especialmente para conhecer os amigos e familiares do seu namorado(a).

SENSO DE PERTENCIMENTO

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Fontes: “How’s Life at Home? New Evidence on Marriage and the Set Point for Happiness”, artigo de John F. Helliwell e Shawn Grover (nber.org/papers/w20794); “Absence Makes the Communication Grow Fonder: Geographic Separation, Interpersonal Media, and Intimacy in Dating Relationships”, artigo de L. Crystal Jiang e Jeffrey T. Hancock, publicado em Journal of Communication, junho de 2013, p. 556–577; “Força dos relacionamentos é chave para vida longa e feliz, diz pesquisa”, Folha de S. Paulo de 06/09/2016; Everson Ferreira, pastor; e Ingrid Fraga Jordani, psicóloga; livro Mensagens aos Jovens (CPB, 2004), p. 445, 453 e 454, de Ellen G. White

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Todo ser humano precisa amar e se sentir amado. Um relacionamento saudável vai oferecer essa troca e contribuir para a segurança e crescimento emocional de ambos. Ter com quem dividir sonhos, lágrimas e risos é uma das grandes felicidades do relacionamento a dois.

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Desmond Doss

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recebeu a mais alta distinção que se pode conferir a um soldado norte-americano: a Medalha de Honra do Congresso.

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“SENHOR, AJUDA-ME A SALVAR MAIS UM!” A história desse herói incomum é uma evidência de que vale a pena ser fiel a Deus, custe o que custar. Um livro que levará você para dentro do campo de batalha!

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ainda esta na duvida?

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Conexão 2.0 - A VIDA ATRAVÉS DE UM FILTRO  

O que você posta e curte nas redes sociais pode revelar mais sobre você do que se imagina

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