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Abr-Jun 2018 – Ano 11 no 46

Exemplar: 9,06 – Assinatura: 28,80

www.conexao20.com.br

SOMOS TODOS IGUAIS: conheça experiências de inclusão na escola

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O que não pode falt r na equação do amo

________ Designer ________ Editor ________ Ger. Didáticos

MUDE SEU MUNDO MÃO NA MASSA NA PERIFERIA

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LIÇÃO DE VIDA DOS ROLEZINHOS PARA A IGREJA

AO PONTO A DEDICAÇÃO DE UM JOVEM CIENTISTA

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Da redação

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Editor associado Fernando Dias

ALÉM DA SUPERFÍCIE

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Daniel Oliveira

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O TEÓLOGO RICHARD J. Foster inicia assim seu principal livro: “A superficialidade é a maldição de nosso tempo. A doutrina da satisfação instantânea é o principal problema espiritual. A necessidade desesperada de hoje não é a de um maior número de pessoas inteligentes nem de pessoas talentosas, mas de pessoas com profundidade” (Celebração da Disciplina, p. 29). Ele tem razão. Mediados pela tecnologia, recebemos informações em excesso, mas somos cada vez menos sábios e observamos menos o contexto; conhecemos mais pessoas, no entanto somos mais solitários. Nesta edição, a Conexão 2.0 desafia você a viver além da superficialidade do nosso tempo. O artigo de capa (p. 10-15), por exemplo, descreve as consequências dos relacionamentos afetivos sem compromisso. Escrita pela psicóloga Cláudia Bruscagin, coautora de Jeito de Ser (CPB, 2013) e Mundo Virtual (CPB, 2015), a matéria apresenta o drama de quem se abriu para experiências intensas e passageiras, mas se frustrou porque a paixão escapou antes de se tornar amor. No fundo do coração, o que todos desejam é a segurança de ter alguém que ame sempre, porque fomos criados para encontrar realização num contexto de intimidade e compromisso. Por sua vez, a superficialidade intelectual é tratada em "Imagine se não existissem livros" (p. 22, 23). Apesar de toda a informação armazenada virtualmente, os livros ainda condensam o conhecimento mais profundo. Um exemplo de quem preferiu a profundidade intelectual é o nosso entrevistado na seção "Ao ponto" (p. 5). Sem muita leitura e empenho, Lucas Mendes não se destacaria como um jovem cientista. Vinícius Andrade, perfilado na seção "Lição de Vida" (p. 26, 27), abriu mão do contato superficial com milhares de seguidores nas redes sociais, gente que ajuntava nos “rolezinhos”, para se dedicar hoje a conduzir pessoas a um relacionamento profundo com Cristo. É a profundidade de raízes e alicerces que eleva árvores e prédios às alturas (Jr 17:7, 8; Mt 7:24-27). Portanto, construa sua vida sobre bases profundas e alcance o céu!

4 CONECTADO

OPINIÃO DE QUEM SEGUE E CURTE A REVISTA

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GLOBOSFERA

FUTURO DO EMPREGO, VIDEOGAME, MEGAACAMPAMENTO E LIBERDADE RELIGIOSA

8 ENTENDA

QUEM JESUS ESCALOU PARA SUA SELEÇÃO

20 PERGUNTAS

PORTE DE ARMAS, COMPETITIVIDADE, ORIGEM DO ALFABETO E CHICLETE

28 APRENDA 29 NA CABECEIRA

30 GUIA DE PROFISSÕES

SAIBA QUEM É O PROFISSIONAL QUE VENDE IDEIAS, PRODUTOS E MARCAS

16 REPORTAGEM

EXPERIÊNCIAS DE INCLUSÃO NA REDE EDUCACIONAL ADVENTISTA

24 M

A T A

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CONHEÇA O ÚLTIMO VOLUME DA SÉRIE SOBRE O CONFLITO ENTRE O BEM E O MAL

Nota: Apresentamos o novo editor associado de Conexão 2.0: André Vasconcelos. Com 25 anos de idade e experiência missionária no Uruguai e Argentina, o pastor André já assina algumas matérias nesta edição e deve contribuir para fazermos uma revista ainda melhor.

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QUA SE T

A ESTUDAR A DISTÂNCIA

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22 IMAGINE

... SE NÃO EXISTISSEM LIVROS

UE E

GEM ETE

5 AO PONTO

QUANDO ESTUDAR SE TORNA PROFISSÃO

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CAPA

EGOÍSMO E SUPERFICIALIDADE SÃO AS MARCAS DOS RELACIONAMENTOS DE HOJE

Revista trimestral – ISSN 2238-7900 Abr-Jun 2018 Ano 11, no 46 Ilustração da capa: Thiago Lobo

A CASA PUBLICADORA BRASILEIRA

Editora da Igreja Adventista do Sétimo Dia

LUME NFLITO

Rodovia Estadual SP 127 – km 106 Caixa Postal 34 – 18270-970 – Tatuí, SP Fone (15) 3205-8800 – Fax (15) 3205-8900 Site: www.cpb.com.br / E-mail: sac@cpb.com.br

SÕES

SSIONAL DUTOS

Serviço de Atendimento ao Cliente Ligue grátis: 0800 9790606 Segunda a quinta, das 8h às 20h30 Sexta, das 8h às 15h45 Domingo, das 8h30 às 14h

USÃO

Editor: Wendel Lima Editor Associado: Fernando Dias e André Vasconcelos Projeto Gráfico: Marcos Santos e Éfeso Granieri Designer Gráfico: Renan Martin, Bruna Ribeiro e Flávio Oak

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Diretor-Geral: José Carlos de Lima Diretor Financeiro: Uilson Garcia Redator-Chefe: Marcos De Benedicto Gerente de Produção: Reisner Martins Gerente de Vendas: João Vicente Pereyra Chefe de Arte: Marcelo de Souza Colaboradores: Alexander Dutra, Antonio Marcos da Silva Alves, Almir Afonso Pires, Almir Augusto de Oliveira, Eder Fernandes Leal, Edgard Luz, Marco Antônio Leal Góes, Pedro Renato Frozza, Raquel de Oliveira Xavier Ricarte, Rérison Vasques e Rubens Paulo Silva

24 MUDE SEU MUNDO

A TURMA DE UMA IGREJA QUE TRABALHA PARA MELHORAR A PERIFERIA EM QUE MORA

________ Designer

Assinatura: R$ 28,80 Avulso: R$ 9,06 www.conexao20.com.br

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LIÇÃO DE VIDA

ELE TROCOU A POPULARIDADE DOS ROLEZINHOS PARA FAZER DISCÍPULOS DE CRISTO

Tiragem: 30.000 9115/37494 Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio, sem prévia autorização escrita do autor e da editora.

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Informação Conectado & Opinião Ao ponto

Globosfera Entenda

conexao20@cpb.com.br

Desabafos, sugestões, interação e dúvidas para a seção Perguntas? É aqui mesmo!

A revista Conexão 2.0 sempre me surpreende. Curto muito sua diagramação e conteúdos. Mais do que isso, ela traz uma abordagem responsável para o tempo em que vivemos. Destaco o infográfico sobre o fim do mundo na edição de janeiro-março. Continuarei acompanhando o trabalho de vocês.

conexao20.com.br

Perdeu alguma edição ou deseja reler uma matéria de que gostou muito? Acesse nosso arquivo e folheie todas as edições da Conexão 2.0

Diego Ignácio Barreto São Paulo (SP)

As matérias de capa da Conexão 2.0 são sempre atuais e relevantes. Sobre o principal artigo da última edição, penso que um dos primeiros pedidos feitos por Deus para a humanidade foi que cuidássemos do jardim que Ele havia preparado. Infelizmente, porém, temos falhado em muitos aspectos nessa missão. Reconhecer essa responsabilidade e saber que fazer o mínimo ainda é muito pouco, deve nos levar a orar mais sobre isso e a nos engajar na preservação ambiental.

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Evellyn Nepomuceno de Souza São Bernardo do Campo (SP)

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facebook.com/conexao20

Saiba o que vai ser publicado, opine sobre os conteúdos que já saíram e compartilhe com os amigos que não têm a revista.

Destaco a matéria “se a igreja e o Estado não fossem separados no Brasil”. É essencial entender corretamente o papel do governo e das igrejas na sociedade, principalmente num contexto em que existem movimentos em favor de que o Brasil se torne um Estado religioso. A matéria foi bem clara em mostrar que sem um Estado laico as coisas poderiam ser mais complicadas. Bruno Flávio Carmo Lopes Alvorado do Norte (GO) 4 |

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Ler a Conexão 2.0 é uma oportunidade ímpar de obter conhecimento. O texto da revista é ao mesmo tempo profundo e objetivo, e relaciona a mensagem da Bíblia com temas atuais. Na última edição, chamou minha atenção como o texto e design da seção “Entenda” se harmonizaram para falar do fim do mundo. Hélio Miguel Osasco (SP)

Antes de assinar a Conexão 2.0, tive o privilégio de acompanhar a revista no período em que estudei no Unasp. Os temas apresentados sempre vão ao encontro dos questionamentos dos universitários.

Da primeira edição do ano, destaco a seção “Guia de profissões”, pois apresentou informações importantes sobre a carreira de psicólogo; e a matéria a respeito da separação entre religião e estado. Além de interessante, tratar sobre esse tema é necessário. Ludimila Tainã Viana Neres Campo Grande (MS)

Na edição de janeiro-março, gostei muito da entrevista com Nina Vallado sobre a arte de contar histórias. Além de nos incentivar a procurar boas histórias perto de nós, a entrevistada mostrou que viver o cristianismo tem que ver também com usar a própria profissão para promover o bem da sociedade. Achei muito legal também saber na seção “Mude seu mundo” que existem iniciativas tão nobres e belas como as do projeto Adventist Help no Oriente Médio. Matérias como essa motivam muita gente a servir como voluntário. É o meu caso, que trabalho como capelão voluntário numa escola adventista em Hong Kong. Nycollas Flores Hong Kong

A matéria de capa “O clima esquentou” (jan-mar) trouxe interessantes insights sobre a responsabilidade individual de preservar a natureza. Esse dever tem que ver primeiramente com meu papel como cidadão e, mais ainda, como cristão. Enxergo esse planeta como meu lar e de toda a humanidade. Logo, é nossa responsabiblidade cuidar daquilo que Deus nos deu para morar. É verdade que minha contribuição individual pode não parecer ter grande impacto, mas se eu for negligente, vou piorar as coisas. Por isso, o jeito é fazer o melhor que posso. Rafael Kruger Rio de Janeiro (RJ)

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D P m r d c s p e fu m p c

É d s N tí tu c e e c n c s d a a d d a c


Ao ponto

Texto Wendel Lima Ilustração Kaleb

QUANDO ESTUDAR SE TORNA PROFISSÃO

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De que trata seu estudo? Pesquiso comunidades de micro-organismos (bactérias e fungos) em solos de diferentes biomas brasileiros, com o objetivo de entender suas funções e importância para o meio ambiente. Esses estudos podem contribuir no futuro para que a diversidade microbiana seja usada para promover saúde, proteção e crescimento das plantas. É possível conciliar desenvolvimento econômico e sustentabilidade no agronegócio? No Brasil, a pesquisa científica voltada para a agricultura é bem desenvolvida por causa do peso do agronegócio em nossa economia. Nosso esforço tem sido desenvolver conhecimento científico e tecnologia para ajudar a integrar crescimento econômico e sustentabilidade. Desse modo, por exemplo, a produção agrícola e pecuarista pode aumentar sem a necessidade de explorar novas áreas, diminuindo o uso de adubação artificial e prevenindo o aparecimento de pragas.

A vontade de ser cientista o acompanha desde quando? Passei minha adolescência me interessando por jogos de ciência, assistindo na TV O Mundo de Beakman e lendo as revistas Superinteressante e Galileu. Lembro-me de que fiquei fascinado quando foi anunciada a clonagem da ovelha Dolly. No ensino médio já havia decidido que trabalharia com estudos do DNA. Meu irmão mais velho, Rodrigo (entrevistado na Conexão 2.0 de janeiro-março de 2016), também seguiu carreira científica. Na pós-graduação, estava mais concentrado em fazer ciência do que apenas obter um título. O que você aconselha para quem deseja estudar fora do país? Para aqueles que planejam fazer um intercâmbio, recomendo que não encarem isso apenas como um “mochilão”, mas que desenvolvam habilidades pessoais e profissionais que sirvam de diferencial lá na frente. Procurei fazer isso na minha experiência de doutorado-

sanduíche e pós-doutorado na Holanda. Ali trabalhei numa instituição de alto nível e convivi com pessoas de diferentes culturas. O que um aluno do ensino médio deve priorizar para se tornar um bom cientista? Não se concentrar apenas nas matérias de que gosta, porque todas as ciências são importantes e se complementam. Porém, o mais importante é “aprender a aprender”, porque muito conhecimento está disponível, basta ser curioso, fazer perguntas, ler e estudar por si mesmo. Como é o dia a dia de um pesquisador? Envolve a pesquisa em si e a preparação de aulas e palestras. Basicamente, meu trabalho tem três etapas: (1) planejamento e execução de um experimento; (2) coleta e análise de dados; e (3) divulgação dos resultados por meio de relatórios e artigos científicos.

Como foi para um adventista criacionista estudar uma área marcada pelo paradigma evolucionista? Quando você apenas professa uma crença não há muito problema. O incômodo pode surgir quando seu estilo de vida acaba sendo diferenciado. E para que você seja respeitado e compreendido é preciso ser coerente com sua crença e competente como profissional. Estudei oito anos no Colégio Adventista de Limeira (SP). Além da parte acadêmica, ali desenvolvi valores que foram fundamentais para minha carreira. Você enxerga na natureza mais evidências de acaso ou de planejamento? É impressionante como a vida se organiza na Terra, como as espécies se conectam com outras espécies e o DNA produz proteínas e forma sistemas complexos. Tudo isso indica complexidade e harmonia, o que para mim torna irracional a ideia de acaso. abr-jun

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O ANO PASSADO terminou em grande estilo para o biólogo paulista Lucas William Mendes, de 32 anos. Em noite de aplausos, ele recebeu o prêmio Vale-Capes de Tecnologia e Inovação na categoria jovem pesquisador. Além do reconhecimento, Lucas vai contar com 40 mil reais em dinheiro e recursos para atuar por um ano como pesquisador visitante. Porém, a vida de cientista não tem muito glamour, especialmente em nosso país. A rotina dele é de muita leitura, estudo e escrita. Nesta entrevista, Lucas fala sobre a ciência como profissão e quais habilidades um pesquisador deve desenvolver já no ensino médio.

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Texto Wendel Lima Design Bruna Ribeiro

Divulgação

D d te s d

Pgottschalk

MEGAEVENTO

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL 4.0 A automação deve afetar o emprego de 16 milhões de brasileiros até 2030, segundo a consultoria McKinsey. No mundo, a perda deve ser de 400 a 800 milhões de postos de trabalho. A tendência é que robôs executem tarefas repetitivas e os seres humanos fiquem com funções ligadas à criatividade.

O PREÇO DE SEGUIR A CRISTO

São esperados 90 mil acampantes para o 5o Campori SulAmericano de Desbravadores, que será realizado em duas edições em janeiro de 2019. Seis mil voluntários vão trabalhar no Parque do Peão de Barretos (SP) para receber essa multidão de adolescentes.

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VÍCIO EM VIDEOGAMES

A a a q q s a r

O uso abusivo de internet, smartphones e videogames deve ser classificado como transtorno mental na nova versão do CID, catálogo internacional de doenças, cuja 11a edição aprovada em maio na Assembleia Mundial de Saúde da OMS. O consumo do conteúdo nesses aparelhos eletrônicos aumentou drasticamente nas últimas décadas.

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Depois de registrar uma queda de 83% no número de cristãos mortos de 2016 para 2017, a lista de 2018 da ONG Portas Abertas identificou o aumento de 154% desses casos. Oriente Médio, norte da África e Ásia Central são as regiões mais hostis ao cristianismo.

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A tecnologia não é ruim, mas seu uso está nos desconectando e escravizando. Chegamos a olhar o celular entre 1.000 a 2.000 vezes por dia.Temos que começar por redefinir nossa relação com a tecnologia (...). O cérebro sofre com a conexão constante.”

________ Editor

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Wikipedia

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Amber Case, socióloga norte-americana, em entrevista ao jornal El Pais 6 |

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MOSAICO Dezenas de voluntários se revezaram para montar um mosaico do rosto de Cristo numa praça em Valência, na Espanha, durante um congresso de jovens adventistas da Europa, no ano passado. Foram necessários 100 mil pregos para formar a imagem de 15 x 9 metros que concorre para entrar no Guinness Book.

Joshua Roberts

Divulgação

Wikimedia

Mary Johnson, professora de espanhol nos Estados Unidos. Ela tirou um ano sabático para fazer 12 viagens missionárias por meio do ministério Maranatha Volunteers Internacional.

NÚMEROS 12 milhões

AO REDOR DO MUNDO A guarda do sábado é uma das crenças mais conhecidas dos adventistas do sétimo dia. Porém, como 20 milhões de fiéis ao redor do mundo praticam esse princípio bíblico? É isso que o documentário Rest (Descanso) tenta exemplificar em quase 80 minutos de duração. Com locações em 13 países e sem qualquer narração, o documentário apresenta como os adventistas vivenciam essa prática de fé em diversas culturas. Disponível na plataforma de vídeos feliz7play.com.

e

o.

Isso é vida para mim! Não há melhor lugar para eu estar!”

de brasileiros são analfabetos, ou seja 7% da população acima de 15 anos. Entre negros e pardos, o índice é o dobro do que entre brancos.

3%

5%

apenas dos brasileiros são filiados a algum partido político.

declaram já ter sido membros dessas instituições.

Divulgação

Símbolo mais conhecido do cristianismo, o significado bíblico da cruz ainda continua incompreensível para muita gente, até para quem vive numa cultura cristã. Para traduzir o sentido da morte de Jesus Cristo foi produzido o média-metragem Libertos: O Preço da Vida. Gravado na Amazônia e protagonizado por André Ramiro (o Matias de Tropa de Elite), o filme conta a história de Emanuel, um médico voluntário que atende ribeirinhos e tribos da floresta. O problema é que ele se torna vítima de uma quadrilha de tráfico humano e tem que lutar para salvar outros que também foram aprisionados. Disponível em feliz7play.com.

32%

da população acham que o ato de fumar maconha deveria ser descriminalizado, índice mais alto desde 1995.

57%

dos brasileiros são favoráveis à pena de morte, maior porcentagem desde 1991.

42%

das brasileiras já sofreram assédio sexual. A maioria delas já passou por isso nas ruas e no transporte público.

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Para os brasileiros, a juventude termina aos 37 anos e a velhice começa aos 64.

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Fontes: Adventist Review, ASN, Datafolha, Folha de S. Paulo, Ibope Inteligência e Veja abr-jun

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PARA ENTENDER A CRUZ

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Entenda

Texto Fernando Dias Ilustração © Grgroup | Fotolia

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Quem Jesus escalou para Sua seleção

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A POSSIBILIDADE DE RESGATAR o direito de vida eterna para a humanidade era o que estava em jogo na copa do conflito entre o bem e o mal. Cristo, o Técnico, precisava vencer disputas fora das quatro linhas enquanto treinava Seu time para também ganhar em campo, inclusive na Sua ausência. Após uma noite de concentração orando, Ele divulgou a escalação da seleção do reino. Os cronistas esportivos Mateus (10:1-4), Marcos (3:1319) e Lucas (6:12-16) publicaram a lista dos selecionados, enquanto o comentarista João descreveu os bastidores da escolha (Jo 1:35-51). E o campeonato mundial segue sendo disputado ao longo dos séculos. Durante esse período, muita gente trocou de time e até pendurou as chuteiras, mas outros tantos vestiram a camisa e deram o sangue pelo Técnico (Ap 12:11), confiantes de que vai valer a pena levantar a taça (Ap 3:21). A boa notícia é que o Técnico continua montando novos times, e você pode jogar sob o comando Dele (Lc 9:23). Foi para inspirar você a vestir a mesma camisa que selecionamos algumas jogadas dos craques do melhor time de todos os tempos.

JOÃO

TIAGO, O MENOR

Irmão de Tiago e caçula do time, o Boanerges 2 era o xodó do Técnico, que revelou para ele como será a vitória na final.

Parente do Técnico, era discreto, mas brilhou em cumprir a missão do time e foi crucificado na Pérsia.

PEDRO

JUDAS TADEU

É o apelido de Simão Barjonas, capitão do time. Levou cartão amarelo por traição, mas continuou em campo até ser crucificado de cabeça para baixo.

Curioso e concentrado no jogo, esse jogador do evangelho passou a verdade até a Pérsia, onde foi morto a pauladas.

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SIMÃO ZELOTE

TOMÉ, O DÍDIMO

Pescador de Betsaida, apelidado de Boanerges (filho do trovão), irmão de João. Sua carreira encerrou cedo, ao ser decapitado em Jerusalém (At 12).

Ex-jogador dos Zelotes, time agressivo da Judeia, venceu várias partidas, do Egito até a Bretanha, onde foi crucificado.

Era gêmeo e chegou a duvidar da ressurreição do Técnico, mas foi um craque na evangelização da Índia até morrer dilacerado.

ANDRÉ

BARTOLOMEU

FILIPE

Pescador e irmão de Pedro, foi o primeiro a ser escalado. Craque no “passe” do testemunho pessoal, morreu numa cruz em forma de xis na Grécia.

Conhecido pelas pessoas próximas como Natanael, seu passe de bola típico era a honestidade. Morreu esfolado na Armênia.

Meio de campo junto com Natanael. Foi apedrejado pela torcida rival na cidade de Hierápolis, na atual Turquia.

LEVI MATEUS

MATIAS

Pronto a obedecer qualquer comando do Técnico, escreveu um livro contando as instruções Dele. Morreu atravessado por uma lança.

No lugar de Judas Iscariotes, foi convocado Matias, que no banco de reservas acompanhou de perto o grande lance da crucificação e ressurreição do Professor.

IOTES SCAR I S A JUD

Fonte: Adami de Barros, Doze Homens, uma Missão (Hagnos, 2006).

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TIAGO

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Interpretação Capa & Reflexão Reportagem

Texto Cláudia Bruscagin Design Flávio Oak Ilustração Marta Irokawa

Perguntas Imagine

DIANTE DO ESPELHO 37494 – CONEXÃO 02/2018

Nos relacionamentos amorosos, há muitas pessoas que enxergam apenas a si mesmas e projetam seus desejos sobre os outros

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A VIDA AMOROSA da geração atual é bem diferente da que foi vivida por seus pais e avós. Os relacionamentos apresentam outros padrões, se pautam em novos valores e são construídos a partir de novas formas de comunicação. Durante uma sessão de psicoterapia com Ana (são fictícios todos os nomes de clientes citados), de 15 anos, me surpreendi com sua fala. Apesar de ser bastante engajada na defesa dos direitos humanos, ela demonstrou enxergar a vida apenas centrada em si mesma. “A gente tem que ter propósito na vida e, para isso, é preciso se avaliar o tempo todo: preciso de roupa nova? Devo continuar um relacionamento? Estou sempre escolhendo o que é melhor para mim. Será que é perda de tempo ficar com esse cara só por ficar? Ele me faz feliz? Preciso ser justa comigo. Tenho que ser minha prioridade”, justificou Ana. Na fala daquela garota, percebi que trocar de roupa e de parceiro tinha o mesmo nível de importância. Quando perguntei se ela queria fazer outra pessoa feliz, além dela mesma, Ana me olhou esquisito e disse: “Ah! Cada um que se cuide, que encontre o que o faz feliz.” Nos últimos anos, esse tem sido o modo de muitos de meus clientes falarem de seus relacionamentos. Cada um pensando em si, cada um querendo ser amado e atendido só do seu jeito. O outro não é outro, é só o espelho que tem que refletir seu desejo. “Se ela não demonstra muito interesse, parto para outra, sem nem pensar muito e me poupo de ficar na angústia. Tem tanta menina por aí até mais interessante”, disse Fábio, de 18 anos, depois de ficar apenas umas três semanas empolgado com uma menina que havia conhecido no aplicativo Tinder. Ele chegou a conversar por horas com aquela garota, mas na semana anterior à nossa consulta, ela havia desaparecido. Perguntei para ele se não poderia ter acontecido algo com ela, como estar atarefada numa semana de provas ou mesmo ter adoecido alguém na família. “Melhor assim”, respondeu ele, “ela estava muito certa de que eu iria ficar com ela. Mas não quero dar mole não, tem muita boca aí para beijar e que me quer”, completou.

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SUPERFICIALIDADE Neste início de século, as relações afetivas entre rapazes e moças têm sido muito superficiais. O prazo de validade dos relacionamentos, seja o ficar, o namoro ou até mesmo o casamento, é mínimo. Em nome da liberdade individual, adolescentes, jovens e adultos têm vivenciado experiências inconstantes e descartáveis. Aliás, essa busca pela satisfação pessoal tem feito com que muitos negociem princípios éticos e morais. Nunca vi tantas pessoas sem interesse e disposição de construir um relacionamento com base na reciprocidade, comprometimento e responsabilidade. Parece que há uma preguiça geral em aprofundar os relacionamentos, não só os amorosos, mas os de amizade e até os familiares. Observo pessoas fugindo para não se magoarem e não sabendo o que fazer com os próprios sentimentos. Nas redes sociais, muitos até fingem estar bem em seus relacionamentos, mas escondem a realidade por medo de rejeição ou de não ser feliz como “todo mundo”.

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Thiago Lobo

A UM CLIQUE Décadas atrás, para conhecer melhor alguém, era preciso criar várias situações, vestir determinada roupa, marcar presença em certos eventos e se portar de determinada maneira. Havia um modelo para “dar certo”. Hoje, por meio dos recursos digitais, temos uma infinidade de possibilidades para conhecer alguém, 24 horas por dia e sete dias por semana. O ponto é que a facilidade e a instantaneidade das comunicações podem nos incentivar a estabelecer relacionamentos que se limitem ao ambiente virtual e que se desmanchem na mesma velocidade com que foram formados. Muitos parecem estar sempre em busca de alguém em uma versão mais nova e melhor, assim como se procura pelo upgrade de um celular ou computador. A adolescência continua a ser uma fase de grandes mudanças, descobertas e experiências, e as frustrações e insatisfações fazem parte do desenvolvimento normal. Porém, tudo isso agora está potencializado pelas mídias digitais. Novos hábitos e costumes surgem, viralizam e

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VANTAGENS DO COMPROMISSO 1

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Autoconhecimento A companhia de alguém especial que o completa, pode incentivar você a descobrir novos sentimentos e valores.

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2 Identidade Você pode ser você mesmo quando está com a pessoa certa. Se isso ocorre, o relacionamento só tem a acrescentar para os dois.

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desaparecem o tempo todo. Por isso, é importante saber conviver com essa quantidade de informações recebidas e, ao mesmo tempo, aprender a lidar com a volatilidade das emoções e dos pensamentos, especialmente numa fase de transformações. Nesse contexto, valorizam-se relacionamentos que atendam à necessidade imediata de companhia, aprovação e pertencimento. É o que se busca, por exemplo, com as curtidas nas redes sociais. E, se essa busca vem acompanhada de pouco esforço e sem dor ou frustração, “melhor ainda”, raciocinam muitos. Nos relacionamentos de verdade, porém, faz parte passar por situações desgastantes. Neles também precisamos nos tornar vulneráveis, mostrando quem somos. NAMORO VIRTUAL Muitos jovens buscam seu par na internet, pelo menos para uma pesquisa prévia ou complementar sobre quem é a pessoa. E isso não é um hábito apenas dos mais tímidos. Os mais extrovertidos também usam a web, muitas vezes de forma arriscada, para iniciar contatos. O encontro pode ser às cegas. Nas salas de bate-papo, o risco é maior, pela falta de referências. Porém, do contato inicial até o encontro real, ocorrem algumas etapas. Uma espiada numa rede social, a troca de fotos, o contato por câmera e uma conversa por voz podem dar algumas pistas. Mas o efeito surpresa continua, bem como a adrenalina. Um fator que alimenta as relações virtuais é a economia de tempo: arrisca-se menos, pois você pode “deletar” a pessoa caso não seja correspondido. Você escolhe se vai seguir em frente ou não depois de “ver” o que combina e o que interessa; você pode “teclar”com várias pessoas ao mesmo tempo e assim ter maior poder de escolha. Nesse ambiente, o relacionamento pode começar rápido e intenso e acabar num clique também. Por meio da internet, as pessoas parecem mais desinibidas para expressar emoções e desejos do que ao vivo. Elas ficam mais impulsivas para falar “certas” verdades que não diriam pessoalmente, o que dificilmente

3 Companherismo Sem amizade não existe relacionamento. O casal precisa se dar bem, gostar de ficar junto, nem que seja só para dar risada. Ter alguém para o ajudar, ouvir seus problemas e topar qualquer programa é sinal de companherismo.

ajuda na construção de relacionamentos mais saudáveis e duradouros. Namoros virtuais apresentam algumas dificuldades específicas. Uma delas tem que ver com a maior insegurança de ser vítima de infidelidade. Fica “aquela pulga atrás da orelha” se o parceiro não está “teclando” com outra pessoa ou curtindo as fotos do Instagram de outro perfil como uma forma de flerte. E assim muitos relacionamentos acabam quando um dos envolvidos encontra “provas” de traição em e-mails ou recados em redes sociais. Outra questão é a segurança e a privacidade do namoro virtual. São frequentes os relatos de pessoas vítimas de violência, que começaram pela internet seu contato com o agressor. E mesmo quando a violência não ocorre, o que dizer do destino de textos, fotos e áudios que foram trocados no calor do momento e que revelam muito mais do que seria desejado? Como apagar da internet as memórias que podem comprometer futuros relacionamentos e até a carreira profissional? SEM COMPROMISSO Contudo, a superficialidade nos relacionamentos não se observa apenas no ambiente virtual. Antes mesmo da popularização da web, já ganhava força o “ficar”, uma versão mais flexível de namoro. Ela geralmente é marcada pela impulsividade e a realização de um desejo, sem considerar fatores racionais e emocionais que seriam levados em conta se as intenções do encontro fossem mais sérias. O ficar é uma forma de diversão. Pode ser visto, consciente ou inconscientemente, como um modo de aumentar a autoestima, de conseguir atenção ou uma tentativa de esquecer um relacionamento que não deu certo. É uma prática bem “democrática”. As meninas podem tomar a iniciativa sem serem julgadas como vulgares, e o ficante escolhido pode ser um colega, o amigo da irmã ou o garoto que acabou de conhecer. Seguindo essa lógica, é razoável ficar com vários: com quem você achou bonito ou com quem

4 Reciprocidade Investir num relacionamento em que ambos estão comprometidos a doar carinho e atenção é recompensador.

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Estabilidade Um relacionamento sério traz equilíbrio e intimidade. Isso possibilita que vocês se conheçam e se aceitem.

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duvidaram que você ficaria. É só querer, “chegar junto” e ficar. Alguns jovens encaram esse comportamento como uma experiência passageira e pontual, numa festa, passeio ou férias de verão. “Quando fiquei com mais de um garoto numa noite, não gostei. Tinha acabado de terminar meu namoro e estava me sentindo péssima. Beijei 23 caras na mesma noite! Fiquei um pouco arrependida, mas estava na fase de beijar na boca e ser feliz”, relatou para mim Ana Maria, de 15 anos. “Às vezes, você fica com uma garota e não rola a química. Aí pode aparecer outra na mesma festa que seja mais interessante. Mas também pode acontecer de apenas uma menina chamar sua atenção e, se rolar, não precisa ficar com outras!”, comenta Ricardo, de 19 anos. A outra maneira de ficar é enxergar essa experiência como uma fase prévia do namoro, em que não se correm riscos antes de assumir um compromisso. “Acho muito sem sentido sair ficando com mais de uma. Não é porque sou menino que devo fazer isso. A galera fala que ‘tem que curtir ficando com várias’, mas não é assim que a gente curte. É como um prerrequisito para saber se vai rolar um namoro de verdade ou se é só um passatempo”, explica Artur, de 18 anos. “Já fiquei com três caras na mesma noite, mas não achei legal. Na hora até foi, mas depois...”, relata Ana, de 17 anos. Essas questões às vezes se tornam tão confusas que alguns adolescentes chegam para mim no consultório com dúvida se estão namorando ou não. É como se o pedido formal “quer namorar comigo?” não coubesse mais. Com o medo de ser mal interpretados ou perder o companheiro, muitos esperam ser apresentados para amigos ou familiares como namorada(o). São vários os motivos que levam os jovens a ficar. Pode ser para diminuir a carência, evitar a solidão ou passar o tempo. Se não existem cobranças por um compromisso, por outro lado há a pressão para que não se percam “oportunidades”. Logo, acaba-se escolhendo qualquer um.

Vejo que os relacionamentos amorosos na adolescência são como um “ensaio” para a vida adulta, e não necessariamente a procura do “par perfeito” para casar. O importante é que se encare essa fase com compromisso e responsabilidade. Vai que termine em casamento... RELACIONAMENTOS COM PROPÓSITO Os relacionamentos da adolescência e juventude são uma introdução para o mundo da convivência, da proximidade, dos papéis sociais e para a experimentação do amor a dois. O namoro ajuda a desenvolver independência emocional dos pais, porque o jovem é desafiado a fazer as próprias escolhas e assumir as consequências por essas decisões, sem culpar alguém nem depender de outro para isso. Esses relacionamentos colaboram para o desenvolvimento da identidade (quem você é), do autoconhecimento (o que gosta, aceita e no que acredita) e de habilidades sociais (controle das emoções, disciplina para alcançar metas e resiliência). Infelizmente, a lógica do mundo digital é que tem formatado nosso jeito de conhecer e estar com as pessoas. Podemos até ocupar o mesmo espaço físico, mas cada um olha para seu celular. As conversas, por sua vez, costumam ser a respeito de seriados, youtubers e músicas; enfim, sobre conteúdos que consumimos por meio das telas. Pouco se conversa sobre pensamentos, ideias e pontos de vista. Estamos desaprendendo ou nem aprendendo a ter relacionamentos significativos com os que estão próximos. Ilusoriamente, pensamos que, pelo fato de alguém que está longe nos responder prontamente a um retalho de diálogo, é mais fácil desenvolver intimidade com quem está distante do que com aquele que está do lado. Em seu livro Alone Together (2011), Sherry Turkle, professora do prestigiado MIT (Massachusetts Institute of Technology), discute questões emergentes, como por que temos esperado mais da tecnologia do que uns dos

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SINAIS DE COMPROMISSO O relacionamento está ficando sério quando...

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1 Vocês querem apresentar um ao outro para os amigos e familiares.

2 Sentem um “medinho” de vacilar e perder aquela pessoa especial.

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outros e por que estamos tentando fazer tudo, em todos os lugares e ao mesmo tempo. Num livro mais recente, Reclaiming Conversation (2015), ela chama atenção para o fato de que estamos perdendo a capacidade de ficar sozinhos a fim de encontrar nossas próprias soluções. Dessa maneira, acaba-se acreditando muito mais no que os outros dizem sobre nós do que naquilo que realmente pensamos ser. Além dos valores que o próprio cristianismo nutre em relação à valorização dos relacionamentos e do casamento, a vivência da fé cristã pode ser um antítodo contra os males do nosso tempo. A crença, por exemplo, de que Deus é soberano, nos ama e cuida do nosso futuro, é um poderoso recurso contra a solidão e desesperança. Isso muda nosso olhar sobre a vida! Os que pertencem a uma comunidade de fé acabam interagindo face a face com outras pessoas, pelo menos uma vez por semana. Participam de classes de estudo da Bíblia em que é preciso refletir e opinar. É igualmente nesse ambiente que há o incentivo para se falar em público e ouvir a opinião alheia. Nas atividades fora do templo, por sua vez, quando nos reunimos para ações de voluntariado, jogar bola com os amigos ou viajar com o coral da igreja, as habilidades sociais também são desenvolvidas. Tudo isso é importante para o contexto de namoro e casamento. Para construir um relacionamento maduro, é preciso unir duas histórias. E isso requer flexibilidade para aprender a lidar com a frustração e a diferença. Requer também que o casal compartilhe compromisso mútuo e os mesmos valores. Quando ambos têm uma religião, esses valores tendem a ser mais claros e convergentes. Além disso, a convivência das famílias do casal de namorados na igreja também colabora para futuros ajustes de convivência após o casamento. O fato é que fomos criados para viver de maneira autêntica e significativa, e isso só é possível com relacionamentos marcados pelo compromisso.

3 Aumenta a frequência com se veem e se falam.

4 Gostam de sair com a turma, mas preferem um programa a dois.

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Vocês se incluem nos planos futuros um do outro.

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Reportagem

Texto Rebbeca Ricarte Ilustrações Kaleb

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SEGUNDA MILHA No entanto, para mais de 45 milhões de brasileiros, as desigualdades sociais, étnicas e de gênero não são as únicas barreiras. Segundo o censo de 2010, eles representam os 24% da populacão que têm algum tipo de deficiência. Para esse grupo significativo, que apresenta algum grau de dificuldade visual, auditiva, motora, mental ou intelectual, o acesso à educação e ao mercado de trabalho são os dois maiores obstáculos. A pesquisa aponta também que 61% desse grupo estudaram apenas até a conclusão do ensino fundamental e que 54% dos deficientes com idade ativa estão fora do mercado de trabalho. abr-jun

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UAIS

Conheça algumas experiências de inclusão na escola e pense em como você pode ajudar nesse processo

“I HAVE A DREAM” (Eu tenho um sonho). Essa talvez seja uma das frases mais memoráveis da história recente. Ela faz parte de um discurso do pastor Martin Luther King Jr. contra a segregação racial nos Estados Unidos. O ativismo desse pacifista o tornou o mais jovem ganhador do Prêmio Nobel da Paz, em 1964, aos 35 anos. Contudo, a maior conquista não foi para ele, e sim, em favor de toda uma comunidade negra vítima de opressão. O que ele deixou? Um legado. Assim como King Jr., Nelson Mandela, Eva Peron, Nísia Floresta, Emily Murphy e outros marcaram a luta por direitos e igualdade. Algumas dessas personalidades não sofreram pessoalmente com a desigualdade, mas nem por isso se conformaram com a existência da injustiça. No entanto, o que seria essa tal “igualdade”? Segundo Luiza Cristina Fonseca, doutora em direito, a ideia de igualdade só pode existir se for comparada a algo ou alguém. Na prática, é o direito de igualdade quando primeiro se reconhece a existência de diferenças que podem gerar desarmonia entre pessoas ou coisas. No verbete que ela escreveu sobre o tema, disponível no site da Escola Superior do Ministério Público da União, a advogada enfatizou que essa discussão tem que ver com o princípio de não discriminação, de que todos são iguais diante da lei, e que ninguém deve ser tratado de modo desigual nem injusto por determinada escolha, como a religiosa, ou por “possuir determinadas características intrínsecas, como as de gênero”. Na prática, a população vivencia o desrespeito desse direito. No Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2017, enquanto metade dos trabalhadores do país tem renda inferior a um salário mínimo, 43% da renda nacional estão concentrados nas mãos de apenas 10% da população. A mesma pesquisa aponta que, em média, o rendimento das mulheres é 23% menor que o dos homens, e que brancos recebem 45% mais do que negros e pardos.

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Para Michele Estrela, bacharel em Recursos Humanos, esses dados não foram intimidadores. A jovem, que teve a surdez descoberta pela mãe aos nove meses de idade, foi inicialmente matriculada numa escola para alunos com necessidades especiais. “Eu só tinha um ano, mas minha mãe se esforçou para eu começar a aprender. E a professora foi muito boa. Ela sabia a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e se empenhava para me ensinar. Por exemplo, ela tirava fotos das coisas e das pessoas da minha família a fim de que eu aprendesse os sinais. Com ela aprendi a pedir para ir ao banheiro e soprar velas. Foram dois anos difíceis de acompanhamento, mas aprendi”, conta Michele, com base nos testemunhos que “ouviu” da própria mãe. No entanto, esse acompanhamento inicial que a Michele teve não é a realidade de todos os surdos. Segundo Jackeline Mennon, intérprete e docente de Libras, o preparo dos professores é o maior empecilho para a inclusão dos surdos no sistema educacional brasileiro de hoje. Ela acredita que houve avanços na legislação e no nível da convivência social, mas há muito o que evoluir no que diz respeito à educação (veja o quadro “Legislação mais eficiente”). “Nosso modelo de ensino tem base na audição, mas o surdo aprende de maneira diferente. O professor soletra ‘ba-la’, e o som desses fonemas nos remete ao objeto. Com o deficiente auditivo, porém, a ordem tem Legislação mais eficiente que ser inversa. Ele precisa ver Em 1994, a legislação brasileira adotou a “integração primeiro, aprender o sinal, para institucional”, que previa a só então saber como se escreve”, possibilidade de o deficiente detalha Jaqueline, que é enfermeiser inserido numa sala de ra e uma das líderes nacionais do aula normal, desde que ele Ministério Adventista de Surdos. tivesse condições de acomAté o quinto ano do ensino panhar a turma. Em 2006, fundamental, Michele frequenpor sua vez, passou a vigorar a Lei Brasileira da Pessoa tou uma escola especial, onde com Deficiência, que trouxe se desenvolveu não apenas em algumas conquistas para Libras, como também na fala, esse grupo. Por exemplo, por meio do acompanhamento proíbe o bloqueio do acescom fonoaudióloga e o apoio so a serviços do sistema de de parentes. Contudo, por causaúde. Na cultura e no lazer, sa de uma mudança de localigarante espaços reservados, dade da sua família, ela precisou mobilidade e acessibilidade. No mercado de trabalho, ser matriculada numa escola inclui vagas obrigatórias para normal. “Eu não me acostumei deficientes. E na educação, com a inclusão. Foi muito difígarante o ensino básico na cil para mim. Fiquei aquém do rede pública e a política de que poderia ter crescido. Os cotas para o ingresso ao enprofessores falavam muito rásino superior. pido e os colegas de classe riam de mim, isso tudo fez com que me calasse”, lembra. 18 |

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Embora tenha tido dificuldades, Michele não desistiu de seguir com os estudos. “Os professores falavam enquanto estavam escrevendo no quadro e se esqueciam de que eu precisava fazer leitura labial, mas consegui terminar o ensino médio”, conta. A jovem então se mudou de Bahia para São Paulo, onde prestou vestibular e cursou Recursos Humanos. “A secretária me informou que eu teria uma intérprete, e comecei a sonhar com isso. Durante um mês não tive ajuda e precisei me virar sozinha. Mas quando o intérprete chegou, aprendi muito e desenvolvi meu potencial.” Agora já graduada, seu sonho é ingressar no mestrado. INTEGRAÇÃO X INCLUSÃO Para que a trajetória acadêmica de pessoas como a Michele seja mais tranquila, é preciso que ocorra a mudança de alguns paradigmas. Suely Franca, doutora em Psicologia, acredita que um passo importante é deixar claro algumas questões. “O termo ‘portador de deficiência, por exemplo, é bastante questionável. Quem porta uma deficiência? Ninguém! Você tem uma deficiência”, diferencia. Ela acredita que confusões conceituais também estejam presentes na legislação e na forma com que a mídia trata o tema. Segundo a especialista, é preciso diferenciar também entre integração e inclusão. Integrar tem que ver com colocar junto, enquanto incluir é fazer parte. “Você pode dizer que a criança deficiente está integrada na escola regular. Mas quanto ela é atuante e produtiva no processo de aprendizagem? O que muitas escolas têm feito hoje é apenas integrar, colocar junto”, compara. Incluir e não meramente integrar é o que o Colégio Adventista de Aracaju, em Sergipe, tem procurado fazer nos últimos dois anos. “Quando o primeiro aluno surdo chegou aqui na escola, Rafael Lima Leite, já havíamos começado o ano letivo e não tínhamos intérprete. Nas primeiras semanas, a comunicação era muito difícil”, lembra Taciana Lisboa, coordenadora pedagógica da instituição. Foi então que, entre os professores, chegouse a um acordo: fazer alterações no plano pedagógico para que as aulas não fossem apenas interpretadas, mas adaptadas para atrair o aluno com deficiência auditiva. “Hoje penso num modelo de aula em que todos possam aprender, mas que seja voltada para as necessidades do Rafael. Procuro preparar aulas mais dinâmicas, usando recursos tridimensionais, aplicativos, muitas imagens e experimentos em sala de aula. Quando utilizo vídeos, tenho o cuidado de só usar versões com legendas. O estilo e tempo de prova para esses alunos também precisam ser diferentes”, explica Helom Simões, professor de matemática. Nesse processo de inclusão, detalhes podem fazer diferença. A escola, por exemplo, deu liberdade para que o aluno com surdez se sentasse com sua intérprete

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onde achasse melhor. “Para nossa surpresa, ele escolheu sentar no fundo da sala, em vez da frente, onde os estudantes com deficiência costumam ficar. Ele se sentiu confortável naquele lugar e seu rendimento melhorou”, destaca Adriana Dantas, a intérprete de Rafael, no 9o ano do ensino fundamental. Lucas Toledo, que estuda na mesma turma do Rafael, rapidamente se tornou amigo do adolescente, e confessa que a amizade com o colega representou para ele uma oportunidade adicional de crescimento: assim como outros alunos, ele se esforça para aprender Libras. Para Rafael, por sua vez, estar na escola é uma alegria: “Não me adaptei em outros colégios normais, mas gosto muito desta escola. Aqui tenho bons amigos, o ensino é muito bom e também aprendo valores bíblicos”, enfatiza. INICIATIVAS QUE FAZEM DIFERENÇA No Colégio Adventista de Rio Branco, no Acre, pequenos detalhes que fazem a diferença na inclusão podem ser vistos já na entrada da unidade escolar. A reforma da infraestrutura incluiu rampas, pisos táteis e sinalizadores. Atualmente a escola tem 25 alunos com diferentes tipos de deficiência, e esse número não é por acaso. O colégio se tornou uma referência na cidade graças a um projeto pedagógico diferenciado. “Contamos com uma equipe multidisciplinar, formada por pedagogos especializados e toda uma rede terceirizada de terapeutas, psicólogos e fonoaudiólogos que dá suporte adicional quando é necessário”, explica Cleilce Lopes, psicóloga da instituição. Os alunos com necessidades especiais da escola, que vão desde casos de paralisias até síndrome de Down e autismo, participam duas vezes por semana de atividades específicas no contraturno. “É uma sala preparada para atender as necessidades deles em que atua uma professora exclusiva. A princípio, os pais enxergam esse espaço como um reforço escolar, mas depois eles entendem que o objetivo ali é trabalhar as habilidades dos estudantes e compreendê-los de forma individual, a fim de potencializar o desenvolvimento deles”, explica Cleilce. A advogada Roseli Bezerra, por exemplo, é mãe da aluna Fernanda, que apresenta deficiência motora e cognitiva. “Devido ao parto prematuro, os pulmões dela não amadureceram, e isso causou algumas lesões”,

Direitos humanos, valores div inos

Sabia que o conceito de igua ldade, antes de ser um direito reivindicado pelo ser humano, é um ideal de Deus? Leia, por exemplo, Levítico 19:15, Atos 10:34, Romanos 2:11 e Gálatas 3:28.

explica Roseli. Por causa disso, a garota de 14 anos aprende num ritmo mais lento para sua idade e só consegue se locomover com a ajuda de um andador. Mas o suporte que Fernanda tem recebido no Colégio Adventista de Rio Branco tem ajudado em seu desenvolvimento. “Quando ela chegou à escola, era apática e não sabia o que fazer. A professora dava uma folha e ela riscava em qualquer lugar. No meio do ano, porém, ela já sabia que precisava pintar nos espaços delimitados. Agora Fernanda é uma aluna mais participativa, que está sendo alfabetizada”, compara a mãe da estudante. Erickson Rodrigo é outro exemplo de inclusão. Também matriculado no ensino médio da mesma escola de Fernanda, ele estuda no colégio desde o início do ensino fundamental. A síndrome de Down, no entanto, não o limita a novas possibilidades. Por amar o estudo da literatura, ele viu no sarau da escola um caminho para se expressar. “Na escola, gosto das aulas de filosofia, sociologia, redação e inglês. Mas, o que mais gosto é ler e conversar com meus amigos no intervalo, além de recitar poesias”, descreve o garoto. Na apresentação da escola, Erickson declamou a música “Quero”, de Elis Regina, cuja letra representa em grande medida o que os alunos com necessidades especiais precisam encontrar no processo de inclusão: “Quero ver o sol atrás do muro, quero um refúgio que seja seguro. Quero uma nuvem branca, sem pó, nem fumaça. Quero um mundo feito sem porta ou vidraça.”

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Básica

Texto André Vasconcelos Imagem © steevy84 | Fotolia

Fé em jogo

COMPETIÇÃO E COOPERAÇÃO A Copa do Mundo é um dos eventos mais aguardados para este ano. Enquanto alguns correm atrás de ingressos para os jogos que ocorrerão na Rússia, vamos aproveitar o clima da Copa para uma reflexão a respeito da interação entre fé e esporte. Será que Deus Se preocupa com isso? Na Bíblia, a recreação saudável é valorizada. Um exemplo disso está em Zacarias 8:5, que afirma que as praças da cidade de Jerusalém “se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão”. Essa promessa, feita por Deus ao povo de Israel, revela que Ele vê a diversão com bons olhos. Por sua vez, Ellen White, escritora e conselheira cristã, orientou: “Não condeno o simples exercício de brincar com uma bola; mas isso, mesmo em sua simplicidade, pode ser levado ao excesso.” Ela discorreu sobre a inconveniência de um esporte ser praticado com competitividade, agressividade e desperdício de tempo. Por isso, recomendou que atividades físicas que proporcionam maior contato com a natureza sejam preferíveis às atividades esportivas competitivas. Logicamente, o problema não está no esporte em si, mas no “excesso”. Dessa maneira, quando o esporte se torna fonte de glorificação do ego por causa da competição, ou quando seus atletas são elevados a ídolos, deixa de ser um “simples exercício”. O princípio fundamental da competição, base de muitos esportes, é a disputa pela supremacia, sem levar talvez em consideração o que outras pessoas vão perder para que isso aconteça. Foi justamente essa ênfase que causou a queda de Lúcifer (Is 14:12-14) e o pecado de Eva (Gn 3:1-7). Apesar desse aspecto negativo, o esporte é uma excelente forma de integrar pessoas, proporcionar atividade física saudável e promover cooperação. Ao contrário da competição, a cooperação é um valor bíblico. Em 1 Coríntios 12, o povo de Deus é descrito como um corpo em que cada um de seus membros desempenha uma função em benefício do todo. Portanto, a prática esportiva adequada é a que incentiva mais a cooperação do que a competição. Fontes: Ellen G. White, O Lar Adventista (CPB, 2013), p. 499-501; George R. Knight, Mitos na Educação Adventista (Unaspress, 2010), p. 222.

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Texto André Vasconcelos

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COMO SURGIU O ALFABETO?

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Ele fez o trabalho inverso da alfabetização moderna. Em vez de dizer que o “c” é de “casa”, ele usou o desenho de “casa” para representar o som da letra que, em seu idioma, era a inicial de “casa”. Como não havia nessa língua nenhuma palavra começada com vogal, o primeiro alfabeto tinha apenas consoantes. Durante muito tempo pensou-se que esse primeiro alfabeto era o fenício. Isso até o arqueólogo inglês Flinders Petrie descobrir a escrita protossinaítica ou protofenícia. Verificou-se

que os fenícios não haviam inventado o alfabeto, mas somente aperfeiçoado e popularizado um modelo que já existia. A língua portuguesa, por exemplo, utiliza uma variação do alfabeto latino que, por sua vez, derivou do grego, e, esse, do fenício. Outra curiosidade que pouca gente sabe é a relação da origem do alfabeto com a produção da Bíblia. A maior parte dela foi originalmente escrita em hebraico antigo, que utilizava letras fenícias para grafar seu idioma. Contudo, alguns

de seus livros são mais antigos que esse alfabeto, criado por volta de 1.200 a.C. Existe a possibilidade de Moisés (1525 e 1405 a.C), o primeiro autor bíblico, ter utilizado o alfabeto protossinaítico para escrever o Pentateuco. Ele peregrinou pela região do Sinai/Horebe (Êx 3:1) alguns anos depois de terem sido escritos os textos encontrados pelo arqueólogo Petrie. Fontes: Descobertas dos Tempos Bíblicos, de Alan Millard (Vida, 1999), p. 90, 91; Introdução Geral à Bíblia, de Emilson dos Reis, (Nogueirense, 2007), p. 70, 71.

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Curiosa

Antes de existir um alfabeto, por incrível que pareça, as pessoas já escreviam, mas usavam sinais que, em vez de indicar sons, representavam palavras e ideias. É o caso do cuneiforme mesopotâmico, dos hieróglifos egípcios e dos ideogramas chineses. No entanto, sua complexidade e a multiplicidade dos sinais dificultavam muito seu uso. Até que, séculos antes de Cristo, um escriba teve a ideia de inventar um sistema em que cada ícone representasse um som.

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Ponto de vista

Texto André Vasconcelos Imagem © ARTFULLY-79 | Fotolia

Charrete

PORTE DE ARMAS Diariamente, morrem em média no Brasil 116 pessoas vítimas de armas de fogo, sendo 59% jovens. A fim de evitar tantas mortes, muitos acham que o porte de armas deveria ser completamente proibido, enquanto outros argumentam que ter acesso às armas facilitaria a autodefesa e evitaria mortes violentas. Você já formou sua opinião sobre o assunto? Confira abaixo a posição de alguns grupos religiosos.

Sim

No cristianismo, há pessoas e grupos com atitude favorável ao porte de armas e ativistas em relação à guerra, especialmente entre as denominações de orientação fundamentalista. Um exemplo individual é o do pastor Paweł Chojecki, da Igreja da Nova Aliança, em Lublin, Polônia, que em 2016 polemizou nas redes sociais ao participar da campanha com a hashtag #soucristão, em que ele aparecia em uma foto segurando três rifles. De acordo com esse pastor, o cristão deve ser capaz de se defender, afinal, Jesus disse: “O que não tem espada, venda a sua capa e compre uma” (Lc 22:36).

Não

Esta posição é defendida por vários grupos cristãos, entre eles adventistas do sétimo dia, testemunhas de Jeová, quacres e menonitas, entre outros. Esses grupos geralmente destacam que, de acordo com os evangelhos, Cristo veio para salvar vidas e não para destruí-las. Quando Pedro atacou o servo do sumo sacerdote com uma espada, Jesus lhe disse: “Coloque a espada de volta no seu lugar, pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão” (Mt 26:52). Naturalmente, Cristo não Se envolveu com nenhum tipo de violência. A Igreja Adventista do Sétimo Dia, por exemplo, fez a seguinte declaração oficial: “Embora seja verdade que a violência e as inclinações criminosas conduzem às armas, também é verdade que a disponibilidade das armas leva a violência.” Por essa razão, a venda de armas de fogo “deveria ser estritamente controlada”. A atitude de não portar armas tem sido seguida por fiéis mesmo em tempos de guerra, conforme os impressionantes relatos verídicos narrados nos livros Mil Cairão ao Teu Lado (CPB, 2004) e Soldado Desarmado (CPB, 2016).

Apesar de alguns desavisados a chamarem de carroça, é um veículo elegante, irmã caçula da carruagem, e prefere transportar pessoas para um passeio a carregar mercadorias. Veículo com duas rodas paralelas, puxado por um cavalo, carrega de três a quatro pessoas, incluindo o condutor. Pode ter ou não uma capota feita de lona, como de um automóvel

Conversível Aquele elemento passível de conversão, algo que pode ser alterado, desde uma tomada elétrica em que é possível alterar a voltagem, até uma pessoa aberta a novas ideias e que está disposta a abandonar suas próprias convicções e aderir ao ponto de vista de quem a convencer com um bom

Argumento Que é o roteiro escrito de uma produção de televisão, seja o enredo de um filme ou a narrativa de um documentário. Bons livros costumam render argumentos para as telas, e são muito úteis para a disciplina de Literatura. Afinal, o som da trilha sonora e as imagens em movimento são facilmente gravadas na mente, às vezes grudando na memória como

Chiclete Originalmente é feito com o látex do sapoti, uma árvore tropical. Sem açúcar, é benéfico para os dentes, mas sempre desgastante para as articulações temporomandibulares. Para escrever uma boa redação, não confunda charrete com chiclete, capriche no argumento e lembre-se de que uma palavra difícil é conversível em um sinônimo mais conhecido.

Depende

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Alguns cristãos adotam uma posição intermediária entre os ativistas e os pacifistas quanto à guerra e ao porte de armas. Acreditam que, em casos extremos, “guerras justas” seriam justificáveis, e consequentemente o porte de armas também. A maioria das denominações protestantes históricas e a Igreja Católica, por exemplo, adotam essa postura.

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Fontes: “Cristãos poloneses polemizam na internet ao postarem fotos com armas”, notícia do portal G1 de 23 de setembro de 2016; Unesco; site mapadaviolencia.org.br; Declarações da Igreja (CPB, 2012) e Catecismo da Igreja Católica (Loyola, 2000).

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Texto Fernando Dias

DA CHARRETE AO CHICLETE

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Tudo ligado

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Imagine

Texto Jessica Manfrim Design Flávio Oak

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... se não existissem livros O que os dias 2, 18 e 23 de abril têm em comum? Foi o nascimento dos escritores Hans Christian Andersen, Monteiro Lobato, Miguel de Cervantes e William Shakespeare que tornou esses dias do calendário uma homenagem ao livro e à literatura infantil. Contudo, teria sentido nos lembrarmos do velho e bom livro em papel, num mundo cada vez mais digital? Para que eles seriam úteis se quase tudo parece pesquisável no Google, da previsão do tempo ao diagnóstico médico? Hoje, diante de uma tela, nos sentimos como os gregos que tinham no oráculo do deus Delfos a fonte de respostas para as decisões da vida. O ponto é que nem tudo está disponível a um clique. Em alguns casos porque o conteúdo não foi digitalizado e em outros porque a informação já se perdeu na areia do tempo. O incêndio de bibliotecas e a morte de pessoas e culturas fizeram com que muitas informações que poderiam estar registradas jamais fossem conhecidas. Isso mostra a importância dos livros como uma das mídias mais úteis na preservação da memória de um povo e na divulgação do conhecimento.

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SEM BIBLIOTECAS, SEBOS E EDITORAS

A economia perderia um grande segmento. Em 2017, por exemplo, o mercado mundial de livros faturou 122 bilhões de euros, e o brasileiro, mais de 5 bilhões de reais. O Brasil é o 13o maior mercado consumidor de títulos, especialmente de livros didáticos, paradidáticos, infantojuvenis e religiosos. Sem livros, não existiriam bibliotecas famosas como a de Alexandria, no Egito, e a do Congresso Americano, em Washington DC (EUA). Fundada no 3o século a.C., especula-se que a Biblioteca de Alexandria tinha 700 mil volumes: um acervo gigantesco para a época. Esse patrimônio foi construído com o confisco dos livros de cada navio que aportava ali. A versão original ficava na biblioteca, enquanto a cópia era devolvida para os donos. Por sua vez, fundada em 1800, a biblioteca americana tem impressionantes 38 milhões de exemplares. O que há de comum entre ela e a egípcia é que ambas perderam seus acervos em incêndio. Felizmente, a Biblioteca do Congresso só tinha 3 mil volumes quando isso ocorreu em 1815. Aliás, bibliotecas e templos eram incendiados na antiguidade para que um povo dominado na guerra não reconstruísse sua cultura.

DE BOCA EM BOCA Sem livros, as informações teriam que ser passadas de boca em boca, presencialmente, ou por meio de vídeos e áudios, massivamente e intermediado pela tecnologia. A cultura audiovisual se tornaria hegemônica finalmente e, talvez a tradição oral seria resgatada, como ocorreu no passado com os gregos, irlandeses e ainda acontece em algumas regiões da África. Poemas da Ilíada e Odisseia, por exemplo, faziam parte de uma tradição oral, transmitida geração após geração, durante 500 anos, até que Homero os registrasse por escrito. Por sua vez, os escritores africanos, principalmente na década de 1970, começaram a registrar a história e a tradição de seu povo, pois corriam o risco de desaparecer. Mais recentemente, ainda nos anos 1980, a Irlanda tinha seus “cantores de lendas”, que memorizavam e recitavam poemas tão longos quanto a Ilíada. Porém, numa sociedade com menos registros em papel e com base na palavra, teríamos que lidar com um sério problema da cultura brasileira: a mentira. Em comunidades de tradição oral, a palavra é sagrada, e a mentira é considerada uma lepra moral e social, porque rompe vínculos.

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O primeiro arquivo ou biblioteca do mundo foi a mente humana. Não é sem razão que a memória é mais desenvolvida em sociedades orais, pois há necessidade de guardar mais informações e existe uma ligação mais forte entre o indivíduo e a palavra: ao falar, a pessoa testemunha de quem ela é. Nas comunidades tradicionais africanas, por exemplo, aquele que não honra a palavra, mata sua pessoa civil e religiosa. Contudo, se dependêssemos mais da nossa memória e palavra, o que deveríamos guardar entre um universo de informações? Os mestres doma da África teriam a resposta: tudo aquilo que tem função prática. Lá, eles são responsáveis por guardar toda a herança oral de seu povo. Alguns detêm o conhecimento sobre of ícios específicos (ferreiro, tecelão, caçador, pescador), enquanto outros dominam a tradição geral daquele grupo (história, genealogia, contos e lendas).

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Em um mundo sem livros e com a tecnologia digital se desenvolvendo rapidamente, teríamos que fazer um backup do con hec im ent o glo bal ou apostar na precisão da memória humana. O ponto é que o próprio uso da tecnologia tem afetado nossa capacidade de retenção de informações. Para que conhecer uma rota se existe o Waze; ou saber a definição de um termo se posso acessar o aplicativo de um dicionário? Soma-se a esse efeito colateral da tecnologia, o aumento impressionante de produção de informação. A previsão é que em 2020, o conhecimento produzido pela humanidade dobre a cada 73 dias. Seguindo esse ritmo de crescimento exp onencial, parece que se tornará inviável registrar tudo que produzimos. Por isso, priorizar e descartar informações pode se tornar uma questão de sobrevivência. Detalhe: estima-se que apenas 0,5% da informação disponível na internet tenha uso prático.

É estranho pensar ros. um mundo sem liv asibr os e qu Por mais % 44 o, uc po leiros leiam o nã m ra de nós se decla na ia éd leitores, e a m de ja se cional de leitura mí1,8 livro por ano, a ece. dia impressa perman que Muitos apostaram da as novas tecnologias iinformação extingu , so es pr im ro riam o liv te on ac o nã mas isso pel ceu. Versão em pa se e m ive e digital conv , m ré po ; complementam r ea lh fo a experiência de aum livro ainda é disp nrê radamente a prefe se cia dos leitores. Para 16, ter uma ideia, em 20 di2,7 milhões de livros os id nd ve m gitais fora de s õe ilh m contra 390 O s. so es pr exemplares im diro liv faturamento do as gital representou apen ) ais re 1% (42 milhões de na l do mercado editoria tícional. Outra boa no do cia, é que mesmo len eo tão pouco, o título qu ae brasileiro mais compr ea qu tes an E lê é a Bíblia. de 9 em , he memória fal a Di o a or abril se comem a. ec ot bli Nacional da Bi

Fontes: “18 de abril, dia do livro infantil”, verbete de Ricardo Oriá, em Dicionário de Datas da História do Brasil (Contexto, 2007); Sindicato Nacional dos Editores de Livros (snel.org.br); “A Tradição Viva”, artigo de Hampate Bá em Introdução à Cultura Africana (Edições 70, 1977), disponível em (http://bit.ly/2B2ti7G); “Livros em perigo”, artigo de Fernando Eichenberg para o site Guia do Estudante (http://abr.ai/2FFdprx); “Uso de smartphone pode estar nos emburrecendo, sugerem estudos”, artigo de Reinaldo José Lopes para a Folha de S. Paulo (http://bit. ly/2nGEsgn).

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BACKUP GLOBAL

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Ação Mude seu mundo

Texto Jhenifer Costa Fotos Kasller Matos

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Lição de vida Aprenda

COMPAIXÃO PARA SERVIR Há seis anos, um grupo de 80 voluntários procura minimizar problemas sociais de uma periferia na região metropolitana de São Paulo

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O QUE LEVA uma pessoa a abdicar de si mesma para atender as necessidades de outra? Existem dezenas de respostas, mas a principal delas talvez esteja na ponta da língua da universitária Aline Valério: “O sentimento de compaixão”. A estudante é voluntária da Juventude Soberana (JS), grupo atuante de 80 jovens que fazem parte da Igreja Adventista do Jardim Soberana, na periferia de Guarulhos (SP). Assim como Aline, outras dezenas de adolescentes organizam e executam atividades sociais, que levam a igreja para fora do templo e conectam esses jovens com as questões de vulnerabilidade social de sua comunidade. As ações regulares incluem doação de sangue, arrecadação de roupas, alimentos, brinquedos e remédios, além de visitas a asilos e orfanatos e a limpeza de espaços públicos. Para estreitar os laços do grupo e deixar o corpo e a mente em forma, regularmente eles se encontram para estudar a Bíblia em grupos, realizar caminhadas e cultos em parques, correr e malhar numa praça do bairro e visitar museus e pontos

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culturais da capital paulista. “Valorizamos a história do nosso país e queremos ampliar nossa mente tendo contato com aquilo que Deus inspirou outros a criar”, justifica o consultor técnico Paulo César Soares, líder do grupo.

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TRABALHO SÉRIO Criado em 2012, o grupo Juventude Soberana nasceu com a ideia de unir mais os jovens da igreja, mas não demorou para que esse propósito resultasse numa usina de ideias de como aqueles amigos poderiam usar o tempo livre de fim de semana para fazer a diferença na comunidade. Foi assim que eles começaram a promover diversas atividades sociais atreladas ao que nas igrejas adventistas locais é conhecido como ministério jovem. Na proposta da JS, os voluntários podem encontrar uma área de atuação que mais lhes interesse: comunicação, esportes, games, decoração, recreação, música, dramatização, grupos de estudo da Bíblia, entre outros. A partir daí eles assumem responsabilidades e se organizam para servir num sistema

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AÇÕES MAIS MARCANTES Em junho do ano passado, o grupo comemorou sua centésima ação social. “Nossa espinha dorsal são as atividades sociais que desenvolvemos. Essa é a grande razão de existirmos”, complementa Kasller, ao falar sobre o DNA do ministério. Mas por trás dos números dessa comunidade, que tem se tornado uma referência positiva para outras igrejas adventistas paulistas, existem histórias e pessoas que marcaram os voluntários. É o caso de Luiz Donizeti ou irmão Luiz, como é chamado pelos jovens, que há cerca de 20 anos está preso a uma cama por causa do agravamento de uma doença reumatológica – conhecida popularmente como reumatismo. “Esses jovens me dão motivos para sorrir nos dias mais difíceis. Sou muito grato a eles e a Deus pela atenção e cuidado que recebo”, conta Luiz, que há seis anos é assistido pelo grupo. Os voluntários acompanharam todos os processos cirúrgicos pelo qual ele passou, a fim de reparar os ossos e as articulações, mas Luiz ainda não voltou a andar. Mais recentemente, ele experimentou um avanço: conseguiu sentar-se. Contudo, o sonho do grupo JS é angariar recursos para a compra de uma cadeira de rodas motorizada para o irmão Luiz. Outra ação relevante do grupo foi a mobilização para ajudar as vítimas de uma enchente que afetou o bairro vizinho, Jardim Presidente Dutra, em março de 2016. O ministério JS e a Igreja Adventista de Presidente Dutra se uniram para auxiliar mais de 50 famílias com móveis, alimentos e roupas. “Nesse dia eu chorei muito, porque senti na pele o sofrimento daquelas pessoas. Mas

também chorei de emoção ao ver quantos moradores pudemos ajudar”, relembra Kasller. Em 2013 ocorreu outra iniciativa interessante. Em parceria com uma fábrica de brinquedos espumados, o grupo doou uma brinquedoteca para a Casa de Apoio Vida Divina, uma e ntidade na zona leste de São Paulo que cuida de crianças com câncer. Todos se emocionaram muito no dia da entrega das doações: os que doaram e os que receberam. AJUDA DE MÃO DUPLA “Apesar de números serem apenas números, acabam reforçando a importância das ações que realizamos para quem nos vê de longe. No entanto, o mais importante para nós é o resultado percebido na vida de todos os envolvidos”, destaca Paulo César, líder do grupo. Essa ajuda de mão dupla também foi enfatizada pela Aline que, no início, desta reportagem, falou da compaixão como motivação para o serviço ao próximo. Para ela, no fim das contas, os voluntários são os maiores beneficiados. “Meus amigos e eu percebemos quantas mudanças positivas têm acontecido em mim. Sou outra pessoa, muito melhor do que era antes do envolvimento com a JS”, reconhece. Esse duplo benefício é o que para Kasller Matos mantém o grupo unido e motiva os voluntários a encarar uma jornada extra e até sacrificar o tempo de lazer para servir. Ele acredita também que a ênfase espiritual do trabalho é o que torna toda essa experiência mais significativa e transformadora. “As orações e o estudo da Bíblia são muito importantes no meio de tudo isso. Assim, vamos percebendo Deus agindo o tempo todo. Sem a atuação Dele, não seria possível realizar metade do que já fizemos”, concorda Paulo César. Em 2018 o grupo completa sete anos de atividades. E a vontade dos voluntários é compartilhar a experiência que acumularam com outros jovens que desejam servir inspirados em valores religiosos. “Nosso desejo é ajudar a criar outros grupos como o nosso em lugares periféricos”, projeta Paulo César. Dessa maneira, mais pessoas aprenderão, por meio de discurso e exemplo, o verdadeiro estilo de vida cristã, assim como Jesus fazia; e que esse jeito de viver não cabe apenas entre as quatro paredes de um templo. Precisa tomar as ruas e as comunidades abr-jun

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de rodízio, como na campanha oficial de doação de sangue promovida pela denominação: o projeto Vida por Vidas. Para potencializar o alcance das ações, o grupo é também atuante nas redes sociais e mantém um site completo (juventudesoberana. com.br) com 150 páginas virtuais e um acervo de 2 mil fotos daquilo que os voluntários fizeram nos últimos seis anos. “Essa é uma forma de registrar o trabalho que fazemos e de incentivar aqueles que queiram fazer igual em outros lugares”, explica Kasller Matos, microempresário de 33 anos e voluntário na área de marketing do grupo. O engajamento deles também já rendeu menções ao ministério na mídia local. “Esse reconhecimento faz com que a comunidade ao nosso redor saiba que existimos e que estamos prontos para servir”, acrescenta Kasller.

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Lição de vida

Texto Lucas Rocha Ilustração Lívia Haydée

Vinícius Andrade trocou a popularidade dos rolezinhos para influenciar pessoas a seguir Jesus

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Fãs ou discípulos? A RUA SIMÃO de Miranda, no bairro do Capão Redondo em São Paulo, é estreita. Mal dá para passarem dois carros. As casas coladas umas às outras, sem nenhum muro, são sinal de que a comunidade está acostumada a viver perto. Muitas residências não têm portão, tampouco garagem. A porta dá direto para a rua. A casa de número 90, amarela e com dois pisos, é uma dessas. Como se não bastasse, com frequência a porta está aberta para quem quiser entrar. “Já cheguei em casa e encontrei 17 pessoas”, lembra Dolores Andrade, buscando na memória momentos de 2014. Todos eram convidados de Vinícius, o segundo dos três filhos de Dolores. De longe, o mais popular deles. Apesar de morar em um bairro em que vivem cerca de 250 mil pessoas, Vinícius se destaca. Há poucos anos, ele era seguido por 200 mil usuários nas redes sociais. Por isso, uma rápida busca no Google já associa o nome dele aos “rolezinhos”. A palavra, usada para definir os encontros de milhares de jovens

da periferia paulistana em shoppings e parques, foi muito comentada na época pela imprensa brasileira, ganhando até repercussão internacional. No entanto, tais relatos pouco têm que ver com o Vinícius de hoje. DESVIANDO DO CAMINHO Vinícius cresceu no Capão Redondo do grupo de rap Racionais MC’s e da grande comunidade adventista da região, onde existem 24 templos e cinco escolas da igreja. Com os pais, ele aprendeu a ler a Bíblia diariamente e a tratar os outros com educação e respeito. Porém, por influência da rua e da mídia, ele optou algum tempo pelo estilo de vida ostentação. Foi na adolescência que Vinícius se viu praticamente sozinho na igreja. “Eu procurava outros jovens para me relacionar, mas percebi que a maioria dos meus amigos não ia mais”, conta, lembrando que havia atividades para crianças e adultos, mas não para adolescentes. “Chegou o ponto em que eu ia para a igreja, mas

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ROLÊ NO SHOPPING Com o tempo, Vinícius foi sendo mais influenciado pelos amigos do que pelos pais. Carismático, logo se tornou conhecido entre os jovens da região. Organizava festas e outros eventos. Com a popularidade no Facebook, ele começou a fazer amizades com adolescentes de outras regiões da capital paulista. “A gente sempre imaginava como seria um encontro de toda essa turma. Então marcamos um evento pelo Facebook

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estava longe de Deus, pois queria estar com o pessoal que havia saído.” Foi em um réveillon que Vinícius deu os primeiros passos para fora do caminho em que havia sido ensinado. Ele aceitou o convite de alguns amigos para celebrar a chegada de 2013 na Baixada Santista. Seriam dias de diversão. “Uma casa perto da praia e só pessoas da minha idade. O problema era que o estilo de vida deles não condizia com o jeito de viver de um cristão”, relembra. Vinícius confessa que se sentiu mal naquele local. Porém, para curtir o momento, ele procurou pensar somente no fato de que tinha ali algo que não havia na igreja: diversão com outros jovens.

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para o dia 8 de dezembro. Eu pensava que ia ter no máximo mil pessoas.” Chegando ao Shopping Metrô Tatuapé, a 30 km de distância da sua casa, Vinícius percebeu que tinha muito mais gente. No início do encontro, beijou e abraçou algumas garotas e tirou fotos com elas. Depois de um tempo, houve confusão, correria e só quando ligou a TV em casa foi que ele se deu conta de que havia mobilizado mais de 6 mil pessoas. “Algumas delas estavam com drogas e outras infelizmente aproveitaram o tumulto para fazer pequenos furtos”, lamenta. Frustrado com a forma com que o encontro terminou, Vinícius tentou organizar outros “rolezinhos”. Contudo, os relatos de confusão continuaram ocorrendo. Com a repercussão na imprensa, a prefeitura se reuniu com os promotores dessas mobilizações, entre eles Vinícius, e acertaram que os “rolezinhos” passariam a acontecer somente no Parque do Ibirapuera. A essa altura, a casa de número 90 na rua Simão de Miranda já havia recebido jornalistas da TV Globo, do jornal Folha de S. Paulo e da revista Veja, além de veículos internacionais. No Facebook, ele ultrapassava a marca de 100 mil seguidores. CASA CHEIA Com tanta exposição, Vinícius não atraiu apenas jornalistas. Certo dia, um homem negro, com óculos escuros, correntes e relógios chamativos desceu de um carro luxuoso e foi até a casa dele. A proposta era transformar o então adolescente em sócio de uma casa de shows de São Paulo, negócio no qual iria ganhar muito dinheiro. A parte de Vinícius era promover as festas. “Era dinheiro na certa, mas não era aquilo que eu queria”, destaca. A própria mãe o orientou a não aceitar o compromisso.

Nesse período, a casa dele sempre esteve cheia de amigos e clientes. Ele havia aprendido a implantar aparelhos odontológicos num curso técnico, e aproveitou sua influência para lançar uma modinha que virou febre na periferia paulistana: os elásticos coloridos na boca. “Cheguei a ganhar quase 5 mil reais por semana, mas torrava tudo nas festas. Comprava roupas, pagava bebida para os amigos e assim o dinheiro ia embora.” A popularidade fez com que Vinícius recebesse também convites para se filiar a partidos políticos. Ele chegou a aceitar um emprego comissionado em gabinete da Assembleia Legislativa de São Paulo; porém, ficou ali apenas poucos meses. “Percebi que não seria por meio da política que conseguiria ser útil como eu desejava”, justifica. Embora estivessem em evidência, Vinícius e sua família passavam por um período delicado. O pai tinha falecido havia pouco tempo. “Era um momento em que eu precisava dos meus filhos, mas ele estava sempre com os amigos. Nas minhas orações, eu pedia a Deus que colocasse verdadeiros amigos na vida dele”, revela Dolores. UMA NOITE NA IGREJA Certa noite, Vinícius voltava para casa quando passou em frente a uma igreja adventista do bairro. Apesar de ser quase meia-noite, ainda havia programação. Ele sentiu que estava precisando de oração e entrou com a intenção de fazer uma prece e sair rapidinho. No entanto, logo percebeu que se tratava de uma vigília. Por questões de segurança, as portas do templo foram fechadas e Vinícius acabou ficando no templo a noite toda. Foi durante aquela vigília que ele decidiu voltar a frequentar os cultos. Dessa vez, foram os novos amigos que fez na

igreja que o influenciaram a se aproximar de Deus. Hoje, Vinícius dá estudos bíblicos e conduz outros jovens para que sigam a Cristo. Ester Santos, por exemplo, que teve uma história parecida com a dele, decidiu voltar para o convívio da igreja por causa de Vinícius. Em pouco mais de dois anos, ele já exerceu influência semelhante sobre outras 44 pessoas. Agora, aos 21 anos, ele usa o carisma que tem para liderar um pequeno grupo de oração e estudo da Bíblia com jovens e participar do projeto Anjos do Metrô, uma iniciativa que envolve quinzenalmente voluntários de várias idades para abraçar os usuários da estação Capão Redondo e orar com eles às sextas à noite. Os convites que recebe atualmente não são mais de políticos ou empresários, e sim de outros adventistas. É tanta a demanda de igrejas que querem ouvir o testemunho de Vinícius, que ele já chegou a visitar três templos em um único sábado. Em vez de reclamar de cansaço, ele se alegra ao justificar que é uma das coisas que mais gosta de fazer atualmente. Longe da muvuca dos rolezinhos, ele continua rodeado de pessoas, em menor número é verdade, porque ser discípulo de Cristo não é tão popular assim.

Vinícius

@vinícius

@rolezinho

#amigos #fã

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Aprenda

Texto Bianca Oliveira Ilustrações © robu_s, alexdndz | Fotolia

A estudar a distância

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LUGAR DE ALUNO não é só em sala de aula! Isso porque a educação a distância (EAD) vem conquistando seu lugar ao sol. Nessa modalidade, várias opções são oferecidas: cursos livres, técnicos, além de graduação e pós-graduação. Vários cursos livres (cerca de dois meses), por exemplo, são oferecidos pelas melhores universidades do Brasil e exterior, gratuitamente e a um clique. Além de somar novos certificados ao currículo, esse é um bom caminho para adquirir habilidades importantes para a vida acadêmica e profissional. Porém, para que essa experiência de aprendizado realmente valha a pena, é importante atentar para algumas dicas.

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OPÇÕES

DISCIPLINA

ORGANIZAÇÃO

A internet tornou o mundo encantado da educação bem mais acessível. Em plataformas de cursos on-line, como Veduca, Senac, Learcafe, IPED e Coursera, dá para aprender de tudo: de oratória à história medieval, de culinária gourmet a mandarim; de gestão de projetos à programação de aplicativos. A maior parte dos cursos está disponível em inglês, mas é possível encontrar material legendado em português.

Estudar a distância exige habilidades importantes, e uma delas é aprender a aprender sozinho. Sem ter um professor diante de você para cobrar tarefas e prazos, você precisará ter mais disciplina ainda. Portanto, escolha um horário e local fixos para estudar e se concentrar, faça anotações e siga uma rotina.

Organize seus materiais em pastas digitais no computador, na sua conta na nuvem ou em um arquivo físico. Anote seus prazos numa agenda eletrônica ou em papel para ficar atento às datas. Lembre-se: pessoas organizadas dificilmente são pegas de surpresa.

MENTOREAMENTO

MERCADO

Não sabe como usar a plataforma de estudos? Discordou de algum tópico apresentado pelo professor? Calma. É possível tirar dúvidas e interagir com outros alunos por meio de fóruns de discussões, alguns deles envolvendo milhares de estudantes do mundo todo. Os bons cursos têm um tutor disponível via chat ou e-mail.

Quem duvida da credibilidade do EAD, o mercado de trabalho está aí para provar que alunos que estudam a distância não ficam para trás de quem frequenta cursos presenciais. Na verdade, se o aluno for dedicado, as habilidades exigidas para ter aproveitamento nos cursos a distância, como disciplina e foco, podem ser um diferencial na hora da contratação.

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Fontes: sites emec.mec.gov.br, guiadoestudante.abril.com.br, ead.com.br e tecmundo.com.br.

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Na cabeceira

Texto Neila Oliveira

Aviso de spoiler Atenção! O livro Os Resgatados projeta um tempo em que a humanidade estará radicalmente polarizada em dois grupos e no qual a intolerância religiosa da maioria contra a minoria mostrará sua pior face. Em momentos de crise como esse, o improvável pode acontecer e a solução pode vir de onde menos se imagina.

SÓ OS FÃS de séries entendem o efeito que a expressão “nova temporada” tem quando é anunciada pela mídia. Eles imediatamente começam a se programar para não perder nenhum episódio. Saboreiam o enredo e vibram imaginando o final esperado (ou inesperado) da história. Desde 2015, a editora CPB tem trabalhado no lançamento de uma série de livros cativantes, que têm resistido ao tempo e conquistado gerações. Trata-se de um clássico da literatura religiosa do século 19, que nos últimos anos ganhou uma linguagem moderna e acessível para os leitores de hoje. Só para se ter uma ideia da qualidade do conteúdo, a autora é uma das escritoras mais traduzidas do mundo e seu nome está na lista dos 100 norte-americanos mais influentes de todos os tempos. Pode-se dizer que Ellen G. White é alguém singular e você logo percebe a razão quando lê seus escritos. Quem já começou a acompanhar a série Conflito pôde constatar, por meio dos quatro primeiros livros, que não se trata de um material comum. É uma superprodução com base na Bíblia, que cobre um extenso período de tempo, apresentando inúmeros personagens

e relatos reais, desvendando quem de fato está no controle da história. Como era de se esperar de toda boa série, chegou a hora de anunciar que a última “temporada” está disponível. O livro Os Resgatados vem para fechar com chave de ouro a saga da redenção. Ele retoma a história no ponto em que o Novo Testamento a deixou, mostrando de maneira honesta o heroísmo dos primeiros seguidores de Jesus, a corrupção e a luta por poder que invadiram o cristianismo, a revolução que os reformadores geraram na Europa num tempo de pouca liberdade de consciência, além de fornecer a explicação sobre cálculos de profecias bíblicas que por muito tempo foram incompreendidas. Ao levantar os dilemas que marcarão nosso futuro, esta obra o deixará frente a frente com as questões mais importantes da vida, provocando uma inevitável tomada de decisão. É um livro único, que poderá mudar radicalmente a forma de você encarar a existência.

Recomendo O Fim do Começo, de Carolina Costa Cavalcanti (CPB, 2010), 173 p. “Você costuma lidar bem com as pressões? Nessa ficção cristã envolvente e emocionante, quatro histórias são apresentadas paralelamente, destacando pessoas que ousaram defender suas ideias até as últimas consequências, mantendo-se firmes mesmo quando tudo parecia perdido.”

A Quem Temerei, de Ann Vitorovich (CPB, 2014), 149 p. “Mara superou inúmeros desafios na Sérvia, como a morte de pessoas queridas, em decorrência da Primeira Guerra Mundial, e a resistência da própria família em relação à sua fé. Mais tarde, ela não temeu enfrentar também os horrores do nazismo, pois sabia Quem estava ao seu lado.”

David Bernardes de Souza | Londrina (PR)

Fernanda Loiola | Itapira (SP)

Profissional de Sucesso, de Cristiano Stefenoni (CPB, 2006), 106 p. “O livro tem uma linguagem dinâmica e didática. Além de ajudar na escolha da profissão, ensina desde como se portar em uma entrevista de emprego até lidar com um possível desemprego. O autor também traz histórias reais de pessoas que não abriram mão de sua fé.” Andressa Ricon | Cerquilho (SP) abr-jun

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A saga da redenção

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Guia de profissões

Texto Vívian Vergílio

PERFIL DO ALUNO

Precisa estar sempre bem informado, atento ao que ocorre ao seu redor e saber identificar as necessidades e desejos das pessoas. Deve desenvolver a criatividade e o senso crítico, não perder oportunidades para inovar, ver possibilidades nas limitações e ser motivado pelos novos desafios. O sucesso nessa área também está relacionado à capacidade de organização e de trabalhar em equipe.

GRADE CURRICULAR

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O PUBLICITÁRIO é o responsável, por exemplo, pela mudança da embalagem do seu xampu, por aquela promoção do “leve 3, pague 2”, pela redução do açúcar no seu refrigerante, pela imagem de um candidato durante a propaganda eleitoral e pela campanha de conscientização contra a dengue. Para tanto, esse profissional desperta emoções e sugere experiências. Sem ele, certamente a economia não seria a mesma, pois, como bem diz o ditado, “a propaganda é a alma do negócio”. ONDE ESTUDAR

________ Editor ________ Ger. Didáticos

Campus Hortolândia Implementado em 2015 (autorizado) 944,80 reais por mês Bacharelado, noturno, oito semestres unasp.br/ht

Campus São Paulo Implementado em 2018 (autorizado) 780 reais por mês Bacharelado, noturno, oito semestres unasp.br/sp

Faculdades Adventistas de Minas Gerais (Fadminas) Lavras (MG) Implementado em 2016 (autorizado) 821 reais por mês Bacharelado, noturno, oito semestres fadminas.org.br

Fontes: Jonathan Conceição, publicitário e coordenador do curso de Publicidade e Propaganda da Fadminas; e sites portal.mec.gov.br; inep.gov.br; sindicatopublicitariossp.com.br; guiadacarreira.com.br; catho.com.br e unasp.br.

________ C.Qualidade ________ Depto. Arte

REMUNERAÇÃO

Varia de acordo com a região do país, função desempenhada e portfólio do profissional. A média salarial para um assistente de criação é 1.750 reais; um diretor de arte pode ganhar 2.797 reais e paga-se a um redator publicitário 3.145 reais.

Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) Campus Engenheiro Coelho Conceito 3 no MEC (reconhecido) 1.170, 53 reais por mês Bacharelado, matutino e noturno, oito semestres unasp.br/ec

________ Designer

ÁREAS DE ATUAÇÃO

Dentro de uma agência publicitária, o profissional pode trabalhar no atendimento, pesquisa, criação, planejamento de mídia e em várias outras funções. É possível também atuar no setor público, em veículos de comunicação (rádio, TV, jornal, revista, web) e nos departamentos de venda, comercial, assessoria de comunicação e marketing de empresas privadas. O publicitário pode ainda ser autônomo ou empreendedor, atendendo pequenos clientes e/ ou prestando serviços para agências.

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PUBLICIDADE E PROPAGANDA

O curso contempla matérias gerais, como língua portuguesa e sociologia; estuda a história e as teorias da comunicação; e concentra a maior parte do tempo em conteúdos específicos, como pesquisa de mercado, marketing e gestão de marcas, planejamento de comunicação, redação e fotografia publicitárias, direção de arte, além de produção gráfica, digital, visual, sonora e audiovisual.

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MKT CPB | Fotolia

“O conhecimento é um tesouro, mas a prática é a chave para ele”

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Thomas Fuller

Ilustração: © VIGE.co | Fotolia

Nestes livros você vai encontrar chaves que podem abrir as portas do conhecimento. Aproveite e descubra! ADQUIRA EM NOSSOS CANAIS DE VENDA

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________ C.Qualidade

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DESCUBRA O NOVO

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Igualdade

PENSAR

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NOVOPENSAR

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Revista Conexão Abr-Jun/2018  
Revista Conexão Abr-Jun/2018  
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