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Escolha da profissão: invista em autoconhecimento para lidar com esse dilema

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Jan-Mar 2016 – Ano 9 no 37

Exemplar: 8,05 – Assinatura: 25,60

ENTENDA. EXPERIMENTE. MUDE

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A dependência do celular já tem nome e tratamento. Saiba o que fazer para desgrudar os olhos da tela LIÇÃO DE VIDA: A ATLETA QUE CORREU PARA SOBREVIVER

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APRENDA A FALAR EM PÚBLICO E NÃO SE ENROLE COM O MICROFONE

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IMAGINE SE NÃO HOUVESSE CONSUMO 2016 | 1 DE PORNOGRAFIA jan mar

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Da redação

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Editor Wendel Lima

EXTENSÃO DA VIDA REAL

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William de Moraes

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AS NOVAS TECNOLOGIAS devem ser vistas não apenas como sinônimo de inovação e revolução, mas também como um espelho no qual a humanidade vê refletidos anseios antigos e profundos. A internet, por exemplo, parece satisfazer três grandes desejos que acompanham a humanidade desde sempre: conhecimento, comunicação e relacionamento. Por isso, a web não somente projeta o futuro, mas remete ao passado. Talvez seja por isso também que o advento de uma nova tecnologia gera admiração e entusiasmo, mas também desconfiança e intimidação, pois representa parte dos nossos sonhos e medos. Isso ocorre porque a tecnologia não surge no vácuo, por um mero exercício de criatividade ou curiosidade. E as revoluções que decorrem do desenvolvimento tecnológico não são apenas uma questão de domínio de certa técnica ou conhecimento mas, sobretudo, de um desejo do espírito humano. Em outras palavras, a revolução ferroviária, industrial e, agora, a digital, foram possíveis porque a humanidade ampliou seu conhecimento técnico, viabilizando essas invenções. Porém, não teríamos feito isso em larga escala, se tal avanço não respondesse a uma necessidade humana. Reflexões como essa fazem parte do livro Ciberteologia: pensar o cristianismo nos tempos da rede, do teólogo italiano Antonio Spadaro. Ele tem provocado seus leitores a enxergar a internet não apenas como uma rede de computadores ou de aparelhos móveis, mas uma rede de pessoas, um novo espaço de convivência, que funciona como uma extensão da vida real. Portanto, para ele, em vez de alienar as pessoas, funcionando como uma fuga do mundo real, a web seria uma continuidade das experiências vivenciadas do lado de cá da tela. Essa ideia da tecnologia como uma extensão do homem, que não é originariamente do teólogo italiano, pode ser melhor entendida usando outros exemplos. Seguindo esse raciocínio, o remo seria uma extensão dos braços; o telescópio, dos olhos; e o computador, do cérebro. Essas criações foram idealizadas pelo ser humano para potencializar suas habilidades, apropriar-se dos recursos da natureza visando a própria sobrevivência e facilitar o cotidiano. Porém, o que está ficando cada vez mais claro é que, ao dominar técnicas para entender e transformar o mundo ao redor, a humanidade corre o risco de ser dominada por aquilo que criou: a tecnologia. Por isso, como escreveu Spadaro, talvez a questão central não seja como utilizar a tecnologia, mas como conviver de modo saudável com ela. Nossa reportagem de capa trata um pouco sobre isso.

4 GLOBOSFERA

CENTENÁRIO, OLIMPÍADAS ESCOLARES, FOOD TRUCK E LIÇÕES DO ESPORTE

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ENTENDA

OS DESAFIOS DA MISSÃO CRISTÃ AO REDOR DO MUNDO

22 PERGUNTAS

NÚMERO 666, OS 144 MIL DE APOCALIPSE E OS TÍTULOS DE CRISTO

30 APRENDA

DICAS PARA NÃO SE ENROLAR COM O MICROFONE NA MÃO

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LIDAR COM O DILEMA DA VOCAÇÃO PROFISSIONAL EXIGE AUTOCONHECIMENTO

Mudanças na equipe. Boas-vindas ao pastor Fernando Dias, que passa a integrar o time da revista e um agradecimento especial ao pastor Wellington Barbosa, que se despede do grupo para ser editor de outra revista da CPB. JAN-MAR

O EX ADV PES

18 REPORTAGEM

Boa leitura!

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O MUNDO

IL DE LOS

NROLAR MÃO

... SE NÃO HOUVESSE CONSUMO DE PORNOGRAFIA

8 AO PONTO

O EX-ALUNO DA ESCOLA ADVENTISTA QUE VIROU PESQUISADOR DE PONTA

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CAPA

O QUE É NOMOFOBIA E COMO SE LIVRAR DO VÍCIO DO CELULAR

Revista trimestral – ISSN 2238-7900 Janeiro-Março 2016 Ano 9, no 37 Ilustração da capa: Thiago Lobo

CASA PUBLICADORA BRASILEIRA

Editora da Igreja Adventista do Sétimo Dia Rodovia Estadual SP 127 – km 106 Caixa Postal 34 – 18270-970 – Tatuí, SP Fone (15) 3205-8800 – Fax (15) 3205-8900 Site: www.cpb.com.br / E-mail: sac@cpb.com.br Serviço de Atendimento ao Cliente Ligue grátis: 0800 9790606 Segunda a quinta, das 8h às 20h30 Sexta, das 8h às 15h45 Domingo,das 8h30 às 14h

DA AL EXIGE

Editor: Wendel Lima Editores Associados: Eduardo Rueda e Fernando Dias Projeto Gráfico: Marcos Santos e Éfeso Granieri Designer Gráfico: Renan Martin Diretor-Geral: José Carlos de Lima Diretor Financeiro: Edson Erthal de Medeiros Redator-Chefe: Marcos De Benedicto Redator-Chefe Associado: Vanderlei Dorneles

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DAS CK E

24 IMAGINE

Gerente de Produção: Reisner Martins Gerente de Vendas: João Vicente Pereyra Chefe de Arte: Marcelo de Souza Colaboradores: Edgard Leonel Luz, Almir Afonso Pires, Almir Augusto de Oliveira, Antônio Marcos Alves, Rubens Silva, Eder Leal, Marco Antônio Leal Góes, Pedro Renato Frozza, Raquel Xavier Ricarte, Alexander dos Santos Dutra e Rérison Alfer Vasques.

26 MUDE SEU MUNDO

OS NÚCLEOS INFANTIS DA ADRA BRASIL QUE SERVEM DE PONTE PARA A ADOÇÃO

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Assinatura: R$ 25,60 Avulso: R$ 8,05 www.conexao20.com.br Tiragem: 29.000

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LIÇÃO DE VIDA

A ATLETA QUE DEIXOU DEUS SER O TÉCNICO DE SUA VIDA

Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio, sem prévia autorização escrita do autor e da Editora.

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Um concerto com 90 músicos encerrou o ano de celebrações pelo centenário do Unasp, a maior instituição adventista de ensino superior do mundo em número de alunos. A apresentação, que ocorreu no dia 15 de novembro, no City Bank Hall, em São Paulo, foi prestigiada por 7 mil pessoas, em duas sessões. Em 2015, além de lançar um livro sobre sua história e abrir um museu no campus São Paulo, a instituição recebeu homenagem do poder legislativo municipal, estadual e federal. O centro universitário tem 17 mil alunos em seus quatro campi (um deles virtual) e oferece 30 graduações e 50 pós-graduações.

TUDO POR UMA ESCOLA

Ele acredita na educação adventista, tem o sonho de construir uma escola na cidade argentina de Escobar, mas não tem dinheiro. É por isso que Ramón Verón, de 68 anos, decidiu pedalar 6 mil km do norte ao sul da Argentina para arrecadar doações para esse projeto. Essa aventura você pode acompanhar pelo Facebook: fb.com/todosxunaescuela.

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100 ANOS DE HISTÓRIA

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Foto: Wilson Azevedo / Unasp-SP

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Foto: Mairon Hothon / APV

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Lucas Kendrick Dal Castel (esq.), aluno do Colégio Adventista de Porto Alegre (RS), ganhou medalha de prata na Olimpíada Brasileira de Química. Ele foi premiado no dia 9 de novembro. A escola em que ele estuda ficou entre as 25 melhores na fase estadual. Vale lembrar que, por serem adventistas, assim como ocorre no Enem com os sabatistas, esses alunos ficaram confinados por algumas horas no sábado para poder realizar a prova apenas após o pôr do sol. 4 |

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COM A CABEÇA NO ESPAÇO Giuliu Alves ficou em terceiro lugar na 1ª Fase da 18ª Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA). O aluno do Colégio Adventista de São José dos Campos (SP) conquistou a medalha de bronze numa competição que envolveu 838.156 estudantes de 9.552 escolas. Giuliu disse que a orientação e motivação dadas por seu professor Murilo Martins fizeram a diferença. O estudante quer cursar Engenharia Aeroespacial.

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Foto: Jéssica Guidolin / ASP

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Foto: Bianca Lorini / ASR

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NO PÓDIO

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EMPREENDEDORA SOCIAL

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Foto: Ellen Lopes / Marketing / Unasp-EC

O concurso Brasilitas era inicialmente só para alunos da rede pública, mas como Rute Helen Noleto, de 16 anos, é aluna bolsista da rede adventista e apresentou um bom projeto social, ela foi selecionada. Rute vai receber apoio de alunos brasileiros que estudam em Harvard (EUA) para executar seu projeto de criação de uma plataforma digital para orientar os estudantes da educação básica sobre a futura profissão. Ela é aluna do Colégio Unasp, em Engenheiro Coelho (SP).

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LIÇÕES DO ESPORTE

No começo do ano, muitas igrejas organizam retiros para o Carnaval, mas no planejamento desses eventos, um item é prioridade: segurança. Isso tem que ver, por exemplo, com a instalação das cozinhas, com o transporte e com as atividades na água. Pensando nisso, a seguradora da Igreja Adventista preparou um vídeo para explicar como evitar riscos nos acampamentos (disponível em http://adv.st/1NDrfpC).

O programa televisivo Pequenos Campeões, uma produção do SBT exibida em novembro e dezembro, contou histórias de crianças que descobriram no esporte um caminho de superação. Os irmãos gêmeos Kauã e Kaique Simão, do Colégio Adventista de Vila Nova Cachoerinha, em São Paulo, revelaram em um dos episódios como as aulas de Educação Física e a escolinha de futebol do professor Petropalosck Martins os ajudaram a melhorar a disciplina em casa e na escola. Por causa das gravações, o colégio foi visitado pelo ex-goleiro Zetti.

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Foto: Jéssica Guidolin / ASP

Foto: Mairon Hothon / APV

O MAIOR DA REGIÃO SUL

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Inaugurado no dia 15 de novembro, o Colégio Adventista de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (PR), deve se tornar o maior da rede no Sul do Brasil. Com a reforma do prédio, o colégio, que já tem mais de 20 anos de existência, poderá receber até 2 mil alunos em 2016. Os 8.500 m2 de construção para salas e o setor administrativo estão prontos. Falta apenas a área para esportes e estacionamento.

Fotos: Michelle Martins / APL

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EVITE RISCOS

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ENEM

Na correria da preparação para o Enem, duas iniciativas mereceram destaque. Jovens adventistas do projeto Pausem (Pause + Enem), no Rio de Janeiro, distribuíram lanches e squeezes para os candidatos do Enem e oraram com eles antes da prova. Em São Paulo, 25 voluntários do projeto CAJU foram além: eles ofereceram um curso preparatório gratuito para candidatos do exame que estudam na rede pública. De segunda à quinta, eles utilizaram livros e, na sexta, o foco na prova deu lugar ao estudo da Bíblia.

Foto: Augusto Cavalcanti / AP

FOOD TRUCK

Foto: Augusto Cavalcanti / AP

A onda de adaptar caminhões, trailers e contêineres para transformá-los em lanchonetes móveis tem ganhado força em São Paulo e em outras capitais. Geralmente oferecendo comida típica como a japonesa, mexicana, italiana ou lanches regionais, essa proposta foi vista como oportuna pela Associação Paulistana da Igreja Adventista para divulgar a culinária saudável. A sede conta com seu próprio food truck, que tem rodado as escolas e núcleos da ADRA administrados pela igreja.

COADJUVANTES

MISSIONÁRIOS NO CAMPUS

Eles estudam num dos ambientes mais hostis à religião, as universidades públicas, mas desejam testemunhar nesse contexto. Para ajudar esses alunos foi organizada a Sociedade Adventista de Universitários (sau.org.br), em 2012. A agremiação, que tem encontros anuais, reúne 231 estudantes: 76,8% deles da graduação, 16,1% do mestrado e 7,1% do doutorado ou pós-doutorado.

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Colaboradores: Aline Oliveira, Ana Paula Lima, Augusto Cavalcanti, Bianca Lorini, Dayane Fagundes, Eliana Villegas, Jéssica Guidolin, Kimberly Cruz, Lucas Rocha, Mairon Hothon e Michelle Martins

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A Igreja Adventista selecionou sete influenciadores cristãos na internet para mostrar como eles se relacionam com Deus e procuram testemunhar de Cristo por meio da própria visibilidade que conquistaram. Gente como Daniel Lüdkte, Rafaela Pinho, Odailson Fonseca e Michelson Borges estão entre os personagens. A ideia é influenciar mais pessoas para que elas sigam a Cristo e se tornem também coadjuvantes.

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Levi Gruber / Imagens: Fotolia

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Foto: Augusto Cavalcanti / AP

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Este é o segundo volume de uma série de cinco livros adaptados dos escritos da norte-americana Ellen White. Seu objetivo é esclarecer a origem e as implicações do conflito cósmico entre o bem e o mal a uma nova geração de leitores. Nesta coleção, você encontrará as grandes verdades publicadas nos volumes originais numa linguagem mais adequada ao século 21. Ligue

/casapublicadora

0800-9790606

Horários de atendimento: Segunda a quinta, das 8h às 20h / Sexta, das 8h às 15h45 / Domingo, das 8h30 às 14h

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Acesse

www.cpb.com.br Ou dirija-se a uma CPB livraria

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Se preferir, envie um SMS para o número 28908 com a mensagem CPBLIGA, e entraremos em contato com você. jan-mar 2016 | 7

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Ao ponto

Texto Wendel Lima Ilustração Vandir Dorta Jr.

NA FRONTEIRA DO CONHECIMENTO

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O ENGENHEIRO AGRÔNOMO Rodrigo Mendes tem apenas 36 anos, mas já faz parte de um seleto grupo de pesquisadores. Em 2011, em parceria com outros cientistas, ele publicou um artigo na prestigiada revista Science. Casado e pai de dois filhos, ele trabalha para uma instituição pública de pesquisa agrícola e tem no currículo um doutorado pela USP e um pós-doutorado pela Universidade de Wageningen, na Holanda. Ex-aluno da escola adventista, Rodrigo fala sobre o perfil de um pesquisador.

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Por que você decidiu seguir a carreira científica? Quando criança, meu primeiro fascínio foi por insetos, depois por fenômenos naturais, como tempestades, e mais tarde pelas estrelas e o funcionamento do Universo. Na infância, meu brinquedo preferido foi um kit de química com o qual realizava experimentos simples. Mas quando me perguntavam o que seria quando crescesse, nunca respondia cientista. Foi bem mais tarde, no doutorado, que decidi pela carreira de pesquisador. O que mais o realiza ao fazer ciência? É a possibilidade de trabalhar na fronteira do conhecimento, fazer descobertas e entender fenômenos que contribuam para compreender como o mundo funciona. Qual foi a importância do seu artigo publicado na revista Science? 8 |

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Com um grupo de pesquisadores, descrevi pela primeira vez como plantas recrutam milhares de bactérias nas raízes para se defenderem naturalmente da infecção causada por fungos patogênicos. No futuro, esse conhecimento pode ser usado para a redução do uso de agrotóxicos na agricultura, diminuindo a contaminação de alimentos, do solo e da água. O que é preciso para que o Brasil avance na produção da ciência? A sociedade brasileira seria transformada se formássemos mais estudantes familiarizados com a ciência. Dessa forma, eles não apenas reproduziriam o que outros descobriram, mas seriam estimulados e treinados, como os cientistas, a fazer as próprias descobertas. Infelizmente, essa distorção no sistema de ensino também está presente em nível de mestra-

do e doutorado, o que é mais preocupante. Como alguém pode se preparar para ser um pesquisador? Como na maioria das profissões, um pesquisador precisa ser disciplinado, persistente, curioso e criativo, mas talvez a marca registrada de um bom cientista é fazer boas perguntas. Uma pergunta bem formulada pode ser muito mais útil que uma resposta definitiva. A ciência é incompatível com a religião? A ciência é o estudo sistemático de fenômenos realizado por meio da observação e experimentação com o objetivo de elucidar o funcionamento do mundo. Portanto, ela é uma ferramenta que pode ser usada para testar e validar hipóteses. Nesse sentido, por exemplo, ciências arqueológicas podem ser usadas para avaliar o relato bíblico. Porém, considerando que a ciência se

limita ao estudo de fenômenos testáveis, reproduzíveis e que seguem leis naturais, vários elementos do cristianismo, como a comprovação da existência de Deus, estão fora do alcance do método científico. São questões de fé. Você consegue enxergar no seu trabalho evidências de planejamento e complexidade na natureza? Uma cadeia invisível de reações químicas complexas governa sistemas biológicos inimagináveis que sustentam a vida na Terra. Não menos complexos e igualmente fascinantes são os padrões que controlam nosso comportamento, pensamento e emoções. Ciência e experiência de vida permanecem nos lembrando de que sabemos muito menos do que queremos e que existe muito mais do que podemos ver ou entender. Diante do Universo é inevitável pensar em um Planejador.

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Entenda

Texto Wendel Lima Ilustração Fotolia

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O MAPA-MÚNDI DA M

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A AFIRMAÇÃO DE que o brasileiro é o missionário transcultural do momento tem sido repetida nos últimos anos. Ela retrata uma realidade, mas também serve de estímulo para que outros cristãos do Brasil, especialmente jovens, despertem para o chamado de Deus (Mt 28:18-20; 24:14) e enxerguem o desafio da missão até os confins da Terra. Uma evidência desse despertamento foi a realização do congresso internacional I Will Go, em setembro, no Unasp, campus Engenheiro Coelho. Cerca de 1.100 universitários, de 24 países, acompanharam a exposição de projetos missionários realizados ao longo do ano e compartilharam experiências de voluntariado. Em 2016, dezenas deles já embarcaram para a missão ou estão de malas prontas para ela. O mapa ao lado mostra um panorama do nível de contato que as mais de 16 mil etnias ou grupos humanos têm com o cristianismo. A constatação é de que há muito trabalho a fazer, mas poucos voluntários à disposição (Lc 10:2). Quem sabe você pode ser um deles.

França: tem 32 etnias que praticam o islamismo, a maior delas é a argeliana, com 1,3 milhão de pessoas

Estados Unidos: tem 473 etnias, 17,3% delas não alcançadas

Brasil: tem 307 etnias, 9,4% delas não alcançadas

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A MISSÃO CRISTÃ Rússia: tem 170 etnias, 50% delas não alcançadas China: tem 550 etnias, 83% delas não alcançadas

Japão: os japoneses estão entre as quatro etnias mais populosas ainda não alcançadas: 120 milhões de pessoas

COMO POSSO ME ENGAJAR NA MISSÃO?

Irã: apesar da severa perseguição aos cristãos é o país com o maior crescimento anual de evangélicos: 19,6% Índia: tem 2.145 etnias, 90% delas não alcançadas

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numci.org adventistas.org/pt/voluntarios adventistas.org/pt/missaocalebe

Indonésia: maior país muçulmano do mundo com 224 milhões de adeptos

Quênia: com 48 milhões de habitantes é o país com a maior proporção de evangélicos: 41%

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cristianismo estabelecido (42,7%) cristianismo nominal ou em formação (17%) presença cristã inexpressiva (40,3%)

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Fonte: site joshuaproject.net

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Interpretação Capa & Reflexão Reportagem

Texto Jhenifer Costa Ilustração Rogério Chimello e Thiago Lobo

Perguntas Imagine

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Se está difícil para você tirar os olhos do celular, saiba que não é o único. A boa notícia é que já existe tratamento para quem sofre desse mal

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e “esquecer essa necessidade de querer que o mundo todo veja o que você está fazendo o tempo todo”, aconselha. Em contrapartida, a professora de informática, Amanda Costa, acredita que a única forma de guardar suas boas lembranças é por meio das fotos. “Não posso confiar em minha memória; por isso, tiro foto de tudo, o tempo todo. Além disso, já que estão no meu celular, por que não compartilhar com meus amigos também?”, questiona. É em virtude desse comportamento também que alguns amigos chamam sua atenção. Amanda se defende dizendo que as redes sociais e os aplicativos foram criados para ser usados. “Quem não gosta, que não entre neles”, sugere. Contudo, a relação da geração atual com as novas tecnologias é vista com ressalvas por especialistas no comportamento humano. Segundo a psicóloga Jéssica Silva, o hábito restringe o usuário à internet. “A principal consequência para quem se limita às redes sociais é a relacional”, explica. O fato é que, às vezes, as redes sociais provocam uma falsa aproximação entre as pessoas. Fernando sente-se frustrado ao constatar que “as pessoas têm a tendência de projetar para as outras uma realidade que não é verdade. Existe uma pressão para mostrar aos seus amigos que você está bem. Ganhar likes é bom para o ego”, reconhece o estudante.

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PARA MUITAS PESSOAS, a vida é bem mais interessante no mundo virtual do que no real. Diariamente, 59 milhões de brasileiros acessam o Facebook, de acordo com uma pesquisa feita pela consultoria eMarketer. Isto é, eles compartilham, curtem e comentam assiduamente postagens pessoais e de outros. O Instagram, por exemplo, ultrapassa 400 milhões de seguidores ao redor do mundo. Agora, a novidade entre jovens e adolescentes é o Snapchat, que permite a visualização de fotos e vídeos apenas por alguns segundos. Apesar de suas diferenças, todos essas redes sociais têm o mesmo objetivo: expor. Grande parte do conteúdo delas é uma promoção de quem o dispõe, além de ser instantâneo e passageiro. Para comprovar, basta correr os dedos pela tela de seu smartphone e uma onda de selfies, fotos exibindo pratos de comida gourmet e desabafos pessoais certamente estarão registrados, esperando para receber seu like. Essa é a rotina de milhões de usuários, mas aumentam também os que rompem com essa lógica e hábito. “Não sou o tipo de pessoa que posta fotos das coisas legais que faço. Quase não tenho fotos e, se tenho, foi porque algum amigo tirou e compartilhou nas redes sociais me marcando em sua timeline”, explica o estudante de Administração, Fernando Lima. Para ele, o mais importante é aproveitar o momento

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MUITO MAIS QUE INTERNET Apesar de as redes sociais serem os grandes atrativos de um smartphone, é claro que ele não tem apenas essa função. Hoje, existem diversos aplicativos que ajudam os usuários em suas necessidades básicas. São serviços simples, mas que agilizam diversos processos diários de quem está imerso no trabalho e na rotina familiar. Estima-se que existam 2,9 milhões de aplicativos disponíveis para os sistemas operacionais mais usados: iOS, Android e Windows Phone. Com essa infinidade de recursos que, ironicamente, não cabem num celular, transações bancárias são feitas sem sair de casa; exercícios físicos são programados na tela do smartphone sem a presença de um personal trainer; e todas as informações sobre um produto são acessadas na palma da mão por meio da leitura de um QR Code na embalagem. Amanda é um exemplo de quem usa o celular para várias funções além da interação nas redes sociais. “Dependo do celular para acordar também. Ele é minha agenda e meu bloco de anotações. Nele tenho aplicativos financeiros que me ajudam a controlar gastos mensais. Se algum dia perder o aparelho que estou usando atualmente, não sei o que vou fazer. Ele é meu braço direito”, brinca.

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ABSTINÊNCIA Mas a decisão de se desconectar de tudo isso por um tempo ou em definitivo costuma decorrer de uma experiência forte que gera reflexão sobre o uso do celular. A jornalista Jéssica Pataquine, que assume ser muito conectada e dependente de seu smartphone, passou por algo assim. “Não vivo sem meu celular”, assume. De acordo com ela, isso já atrapalhou seu relacionamento, pois ficava o tempo todo conferindo as atualizações de suas redes sociais, esquecendo-se da presença de seus amigos e familiares. “Ainda mexo muito no celular, mas quando estou com outras pessoas procuro me controlar”, acrescenta. Jéssica conta que em abril do ano passado, na véspera do Dia do Jornalista, seu noivo na época, hoje esposo, levou-a para jantar e eles acabaram não tirando fotos daquele momento. “Só fui perceber no dia seguinte, ao relatar aquele jantar no meu perfil no Facebook. Foi então que constatei que não tínhamos registrado nada”, lamenta. Porém, depois

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de alguns segundos de reflexão, ela percebeu que aproveitou muito mais o momento do que se tivesse tirado fotos e postado na web. Outra situação semelhante ocorreu com Fernando Lima em uma viagem que fez com amigos para Buenos Aires, na Argentina. “Estávamos no metrô, quando um artista de rua começou a tocar uma música brasileira que quase todas as pessoas do vagão conheciam, menos eu. Em dado momento, ele deu espaço para que o público participasse. Foi incrível! A cena toda seria digna de um registro, mas fiquei encantando demais com o cantor, com as pessoas e com a arte que estava sendo feita ali. Simplesmente me concentrei em viver o momento”, lembra Fernando. Para ele, a cena marcou mais em sua memória do que em uma foto. COMPORTAMENTO Apesar de sua experiência, Jéssica ainda acha importante tirar fotos e guardá-las para a posteridade, mas aponta um problema: “Atualmente, esse conceito está distorcido. Você não tira mais fotos para guardar e sim para publicá-las nas redes sociais, sem um motivo específico.” Sobre isso, Fernando também comenta que se as pessoas deixarem seus celulares de lado podem viver momentos muito mais completos do que a timeline mostra. No entanto, o que para ele pode ser algo natural, para muitos é um sacrifício. “A ausência do celular traz muito sofrimento para os dependentes. A vida deles gira em torno do aparelho”, salienta a terapeuta comportamental, Angélica Capelari. Para confirmar a teoria da especialista, Jéssica confessa que se socializava mais antes de ter um smartphone. Devido à facilidade da interatividade digital, ela percebeu que o contato mais íntimo com seus amigos diminuiu gradativamente. A jornalista também é uma pessoa observadora e revela ter uma mania: costuma contar quantas pessoas estão conectadas, com fones de ouvidos ou totalmente absortas à realidade em determinado ambiente. “Surpreendo-me ao perceber que hoje ficamos com o celular nas mãos em todos os lugares e momentos sem ver o tempo passar”, constata. Ao perceber isso, Jéssica aos poucos entende que o melhor é ficar mais tempo off-line do que on-line. Os nomofóbicos também precisam chegar a essa conclusão.

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NOMOFOBIA Derivada de uma expressão inglesa cunhada na Inglaterra, o termo “nomofobia” tem sua raiz na expressão “no mobile phobia”, que significa medo de ficar sem o celular. A comunidade psiquiátrica adotou a definição para si, desde 2008, chamando de nomofóbicos os indivíduos que apresentam distúrbios comportamentais nessa área. O transtorno é caracterizado pela ansiedade, perda de contato com pessoas próximas devido ao uso inconsciente do celular e pelo desespero anormal ao perceber que pode ficar sem o aparelho. Apesar da nomofobia também representar pessoas que usam o celular em excesso, está mais relacionada aos prejuízos que esse hábito causa na saúde. Uma pesquisa feita pela revista Time e pela empresa Qualcomm apontou que 35% dos brasileiros consultam o celular a cada dez minutos. Além disso, 74% assumiram dormir com ele bem perto da cama porque não conseguem ficar longe do aparelho. O psicólogo Cristiano Nabuco, coordenador do Grupo de Dependência Tecnológica do Programa dos Transtornos do Impulso da USP, explica que a nomofobia é uma dependência comportamental em que o indivíduo não consegue ficar longe do smartphone por causa da sensação de bem-estar que o aparelho proporciona. No caso dos nomofóbicos, o uso do celular está associado à satisfação e liberação de dopamina, o hormônio responsável pelo prazer. “Com isso, o nomofóbico sofre toda vez que fica longe do celular, pois o uso dele é como se fosse um remédio”, complementa o especialista. Um estudo promovido pela empresa líder global em autenticação de segurança, SecurEnvoy, revelou que 41% dos britânicos são considerados nomofóbicos, além de usarem dois celulares para se manterem conectados por mais tempo. A pesquisa também concluiu que 70% das mulheres entrevistadas são mais apegadas ao celular do que os homens. Mas os mais afetados são os jovens de 18 a 24 anos: 77% deles sofrem com o transtorno. Em segundo lugar, estão as pessoas de 25 a 34 anos e, em terceiro, usuários com mais de 55 anos. Independentemente do sexo ou da idade, os nomofóbicos têm os mesmos sintomas: “O celular ocupa um espaço na vida dele e ele não sabe como se controlar”, define Nabuco.

REALIDADE Sobre o assunto, a estudante de Rádio e TV, Isadora Gabriela, compartilha algumas experiências negativas. “Cheguei ao ponto de considerar meu celular uma extensão do meu corpo”, revela. Isadora conta que ficava segurando o aparelho nas mãos o dia inteiro, apesar de nem sempre usá-lo, de fato. Se estava almoçando, em uma roda de amigos, junto à família, na fila de um banco e até mesmo em momentos festivos não tirava os olhos da tela do smartphone – mesmo

VOCÊ É NOMOFÓBICO? Pesquisadores da UFRJ e do Instituto Delete desenvolveram testes on-line para dar esse diagnóstico. Porém, o check-list abaixo já pode ajudar você a identificar se tem abusado ou não do celular. (1) Checa o celular a cada 10 minutos, impreterivelmente. (2) Prioriza a vida virtual mais do que a real. (3) Tem dificuldade de ficar longe do smartphone em situações simples do cotidiano. (4) Fica ansioso e nervoso quando, por algum motivo, o celular está inativo. (5) Perde o contato com pessoas próximas em função do aparelho. (6) O rendimento no trabalho tem diminuído e as tensões relacionais aumentado por causa do celular.

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Fonte: Instituto Delete (institutodelete.com)

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quando não tinha acesso ao sinal wi-fi ou ao pacote de dados da operadora. O envolvimento com o aparelho ia além das atividades de seu dia a dia. Isadora deitava-se cedo para dormir, mas acabava ficando horas navegando na internet e perdia o sono. Por fim, dormia de madrugada por causa do hábito. Pela manhã, a primeira coisa que fazia era mexer no celular. “Dormia e acordava conectada. O tempo passava rapidamente. Quando me dava conta, já tinham se passado horas”, admite Isadora. Com o novo e mau hábito, ela perdeu um bom costume que cultivava desde a infância: conversar com amigos e familiares. “Ganhei um celular e pronto, acabou tudo. Ficava o tempo todo on-line e fazendo todas as coisas possíveis na internet”, confessa Isadora. Foi quando Isadora percebeu que havia algo errado. “Comecei a me sentir mal por todas as coisas que estava perdendo na vida. No fundo, também tinha consciência de que estava prejudicando minha saúde”, reconhece. Pouco depois, a estudante e sua família se reuniram para um almoço em comemoração ao aniversário de sua primeira sobrinha. Durante a refeição, ela ficou o tempo todo navegando na internet, distante dos assuntos que estavam sendo discutidos entre eles. Satisfeitos, todos foram para a sala continuar a conversa. Subitamente, alguém gritou seu nome e todos permaneceram olhando fixamente para ela por alguns segundos. Sem entender nada, Isadora perguntou o que havia acontecido. “Minha irmã olhou para mim e disse: ‘Parabéns, você acabou de perder de ouvir sua sobrinha te chamando de tia pela primeira vez’. Fiquei sem chão. Lamento muito ter permitido que isso acontecesse”, desabafa a estudante. Os dias posteriores ao ocorrido lhe renderam uma profunda reflexão. Devido ao incômodo, Isadora procurou especialistas para conversar e pesquisou sobre o vício. “Então, descobri que sofria de nomofobia, e que talvez precisasse me abster completamente do meu celular”, concluiu. Por causa disso, ela decidiu ficar um mês sem usar o smartphone, a fim de vencer sua compulsão. Para o doutor Nabuco, essa é uma medida espontânea que pode ajudar muitas pessoas. “Essa alternativa é muito válida, principalmente porque depois desse período de abstinência a pessoa terá muito mais consciência do seu comportamento em relação ao celular”, reforça.

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DESAFIO Durante 30 dias, Isadora se desconectou completamente da internet. Cancelou suas contas no Facebook, Snapchat e Instagram. Parou de usar

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WhatsApp e qualquer outro aplicativo de mensagens instantâneas. O único meio de comunicação que continuou usando foi o bom e velho telefone fixo. Guardou seu smartphone na gaveta e otimizou o tempo que antes era quase todo gasto com redes sociais. Para não ficar totalmente perdida num contexto em que grande parte dos jovens estão com um celular na mão, Isadora usou um iPod para ouvir música. “Foi como um retiro espiritual, mas, é claro, não foi fácil. Tudo na minha vida gira em torno do smartphone, principalmente porque meus pais moram longe e dependo do aparelho para me comunicar com eles”, frisa. Isadora aprendeu algumas importantes lições. Ela começou a se relacionar mais com os amigos presenciais, prestar mais atenção nas conversas e até passou a ler livros impressos. “O uso excessivo do celular restringe outras fontes de prazer”, explica a psicóloga Angélica, a exemplo da rotina da estudante. Para Isadora, o essencial a partir de hoje é se atentar para não voltar aos velhos hábitos, “porque a nomofobia é algo tão natural! É como se fosse a reação mais normal do mundo você quase enlouquecer porque esqueceu o celular em casa. Você não percebe tão facilmente que é um viciado. Sou prova disso”. TRATAMENTO Mas a nomofobia, como muitos outros distúrbios, tem solução. De acordo com o doutor Nabuco, em primeiro lugar, o nomofóbico precisa se conscientizar que vive em situação de dependência tecnológica. “O diagnóstico é muito importante, mas ele precisa procurar um especialista para encontrar um tratamento específico. Se isso não acontecer, não adianta apenas saber que se tem um problema”, assegura. De acordo com a psicóloga Angélica Capelari, “existem muitos meios de se livrar da nomofobia. Pode ser por medidas pessoais ou por terapia com o auxílio de medicação”, explica. Além disso, o indivíduo também pode buscar outras fontes de prazer, como explorar hobbies e atividades manuais. Para Nabuco, a psicoterapia é muito eficaz na conscientização do nomofóbico, porque é por meio dela que o paciente identifica quais são os erros e acertos em busca da cura, além de capacitá-lo a controlar as emoções. “Ele aprende que existe sempre um plano B, e que a internet não pode resolver todos os problemas da vida”, complementa. Apesar do necessário alerta sobre a nomofobia, é dif ícil pensar na vida contemporânea sem o uso do celular, porque ele está associado à status e inclusão social. Por isso, Nabuco recomenda a utilização equilibrada do aparelho sem que as principais áreas da vida sejam prejudicadas.

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ESTREITANDO LAÇOS Às vezes, o smartphone e a internet afastam as pessoas uma das outras; porém, em outras oportunidades, a web aproxima. Alguns usuários recorrem, por exemplo, ao Facebook, Skype e WhatsApp para manter relacionamentos a distância. “Sem meu celular não consigo me comunicar com minha família que mora em Manaus. Fico o tempo todo trocando mensagens via aplicativos com as pessoas que amo. Meu celular também serve para matar a saudade”, compartilha Célica Rayna, que estuda Direito e mora no interior paulista. Mas para isso, a psicóloga Jéssica Silva aconselha que é importante ficar conectado durante um tempo saudável. Para ela, o uso consciente e equilibrado de aplicativos e da internet é o único jeito de não se tornar um viciado, além de que essas utilidades somadas às necessidades do dia a dia são de grande ajuda.

Necessidade que, muitas vezes, tem que ver com relacionamentos. A administradora Cassiana Marcelino observa que “as pessoas conseguem se comunicar em tempo real com seus amigos do outro lado do mundo graças à tecnologia. Isso é fantástico!” Ela conta que há anos namora a distância, mas que isso só é possível com a existência da tecnologia, bem como de seu smartphone. “O Skype, WhatsApp e SMS salvam meu relacionamento. Somos eu, meu namorado e a internet”, brinca. Mesmo que a internet e o smartphone sejam considerados agentes debilitadores de relacionamentos, além de estimularem os usuários à nomofobia, existem pontos positivos em seu uso equilibrado. É verdade que não existe regra ou um manual que explique como cada um deve se comportar; por isso, especialistas acreditam que a solução é fazer do aparelho um complemento às necessidades cotidianas e não algo indispensável para a sociabilidade, lazer e autoestima. Fazendo assim, é possível redescobrir que o melhor da vida está do lado de cá da tela.

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dos brasileiros passam mais de 5 horas por dia navegando na internet.

66%

52%

têm entre 16 e 24 anos.

dos que acessam a web o fazem via smartphone.

85%

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dos brasileiros acessam a internet para consultar os e-mails.

84% para interagir nas redes sociais.

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76% para ler notícias. 43% para fazer compras on-line.

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Fontes: Instituto de Pesquisa Brasileira de Mídia e Mintel

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Reportagem

Texto Fernando Torres Ilustração Rogério Chimello

Os três anos do Ensino Médio passam rápido e ao fim deles vem a temida escolha profissional. Para você não entrar em pânico na hora de selecionar um curso no vestibular, o jeito é investir hoje no processo de autoconhecimento

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O CHAMADO Originalmente, a expressão “vocação” vem do latim vocare, do verbo “chamar”, com certo conceito religioso. Mas é preciso atualizar esse significado: o tal chamado não virá por meio de uma voz do fundo do poço no momento da inscrição para o vestibular, e sim pela busca do autoconhecimento. “Isso envolve

desde cedo a identificação de dons pessoais, habilidades e competências. O jovem precisa saber o que mais gosta de fazer ou ter consciência de que tipo de trabalho o satisfaz”, diz a orientadora educacional Kenia Amazonita, coordenadora pedagógica do Colégio Adventista de Lauro de Freitas, na Bahia. Quando se fala de talento, pode vir à mente a imagem de um ator ou atleta que nasceu predestinado ao sucesso. No entanto, o conceito se aproxima muito da vocação, embora não necessariamente determine a carreira. “Talento é tudo aquilo que a pessoa faz com desenvoltura e realização, motivado pela paixão, sem ver o tempo passar”, define a master coach Raquel Bimashar, especialista em coaching para jovens e empresários. Aí do seu canto, você, leitor, pode achar que não nasceu com talento para nada. Deixa disso. Você até pode não ser um Albert Einstein da f ísica ou um Picasso das artes plásticas. Mas tem o pulo do gato: muitos talentos podem ser adquiridos com alguns estímulos primordiais. A primeira mola mestra desse processo é exercitar a visão: enxergar mais adiante daquilo que todos estão vendo. “Outro impulso essencial é a empatia, isto é, saber se colocar em diferentes condições e cenários do ambiente ao seu redor, vislumbrando formas de ajudar e co-criar com o meio”, aponta Thiago Maceri, mestre em Administração. Vale ainda investir na diversidade de contatos e opiniões, já que o conflito entre diferentes pessoas aumenta as chances de pensar fora da caixinha. Como na parábola contada por Jesus em Mateus 25:14-30, os dons devem ser desenvolvidos para que gerem frutos. “A ideia é se autoconhecer para, então, se autodesenvolver”, diz Raquel Bimashar. Aprendizado e aperfeiçoamento exigem persistência, mas levam à formação de habilidades técnicas, ou seja, o modo tido como o mais adequado de realizar determinada tarefa. É aí que se forma o profissional. Quem consegue ter a junção entre talento nato e método passa a ser identificado como alguém competente, com know-how suficiente para ocupar funções e conectá-las com a própria missão. jan-mar

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“O QUE VOCÊ quer ser quando crescer?” Embora os parentes e vizinhos insistam nessa pergunta ano após ano, a maioria dos adolescentes se sente insegura na hora H de bater o martelo e eleger a futura profissão. Como se não bastasse o turbilhão de tarefas da reta final do Ensino Médio, o cursinho, as provas do Enem e o vestibular, o cérebro ainda fervilha de dúvidas existenciais. Qual carreira seguir? Psicologia, Química ou Engenharia? Será que fiz a escolha certa? E se...? Boa parte desse dilema se deve à (falsa) ideia de que a escolha da carreira é para a vida toda. Podia até ser no tempo dos nossos pais, em que o sucesso profissional era medido pelo trabalho de décadas numa mesma empresa, mas hoje em dia... Com as transformações do mundo em ritmo cada vez mais veloz, alguns ofícios tradicionais tendem a desaparecer, enquanto novas funções vão surgindo. “A universidade hoje forma pessoas para trabalhar em profissões que ainda vão ser criadas, resolver problemas que ainda não existem, para viver em um mundo que será diferente daqui a cinco anos”, pondera o pró-reitor de graduação da PUC-PR, Vidal Martins. Alto lá! Isso não significa que você deve relaxar e adotar o melô “deixa a vida me levar”, entrando e saindo de cursos e empregos como quem troca de roupa. Afinal, estamos falando de decisões que envolvem grande investimento emocional e financeiro e, muitas vezes, mudanças radicais. Justamente por causa do futuro imprevisível, você precisa estar atento desde já à descoberta de sua vocação profissional. Não de forma engessada ou unidirecional, mas no sentido de identificar talentos e definir valores e objetivos que norteiem a realização profissional.

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E os pontos fracos, o que fazer com eles? “Hoje, dentro da psicologia positiva, trabalhamos com a perspectiva de empoderar o jovem com aquilo que ele tem de maior e de melhor. E no processo de autoconhecimento, naturalmente ele tomará consciência daquilo que ele precisa melhorar”, contrapõe a filósofa e master coach Maria Antônia de Oliveira, especialista em psicopedagogia e orientação escolar. Noutras palavras, fortaleça suas habilidades e neutralize suas fraquezas pouco a pouco. TRABALHO ÁRDUO Dê reset neste outro mito muito comum: não existe apenas uma única carreira certa para você. Em um primeiro momento, o reconhecimento vocacional deve mirar não exatamente na atividade-fim, mas em áreas de trabalho compatíveis. Por exemplo, a vocação para ciência e tecnologia vai desde engenharia a informática, até a pesquisa científica e acadêmica. Já profissões que requerem comunicação e uso do corpo podem ir desde artes plásticas, relações públicas a educação física. Por outro lado, a escolha do curso superior exige certo afunilamento, embora a atuação profissional futura possa ser bem ampla e diversificada. “Para a escolha ser a mais assertiva possível, o aluno deve, previamente, procurar conhecer o mercado de trabalho, pesquisar sobre as tendências profissionais, ter informações necessárias sobre as faculdades de sua região, conversar com profissionais das áreas preten-

didas, conhecer a própria realidade socioeconômica e, acima de tudo, planejar de que maneira irá acontecer o preparo profissional”, recomenda Kenia Amazonita, que também é especialista em orientação educacional e vocacional e tem mestrado em Educação pela Unimep. Digamos que identificar a vocação é a parte boa e romântica do processo. Mas muita gente se esquece do trabalho árduo, de enfrentar a caminhada para realizá-la. A trajetória inclui planejamento, renúncia e investimento financeiro – ainda que a faculdade seja pública, você ou sua família vão ter que arcar com gastos de livros, material extraclasse, transporte e talvez moradia. E ainda estar antenado com o mercado de trabalho, em constante transformação. “Mas, veja bem: ‘ser antenado’ não significa estar nas redes sociais”, Kenia puxa a orelha dos hipercibernéticos. Ela lembra que os atributos essenciais nunca saem de moda, mesmo na sociedade da cibercultura. “Seja um leitor incansável, busque crescer culturalmente, aprenda inglês, diversifique seus conhecimentos, desenvolva habilidades relacionais, seja criativo, desprendido e determinado e, acima de tudo, peça a Deus sabedoria para fazer boas escolhas”, orienta.

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XI, ERREI... O ambiente universitário é um campo fértil para novas percepções profissionais. Porém, o que acontece se, no meio da faculdade, você descobrir que se enganou e aquela não é a profissão da sua vida?

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A FÓRMULA DA COMPETÊNCIA Talento

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São suas características e aptidões naturais, que facilitam que você aprenda técnicas de determinada área. Ex.: Flávia leva jeito com esportes que usam bola.

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Habilidade É a capacidade prática de desenvolver uma tarefa de acordo com o aprendizado de um método. Exige força de vontade e determinação. Ex.: Ela faz um curso on-line sobre fisiologia humana e pretende estudar Educação Física.

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Competência

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Fotos: Paulo Altino

É a soma do talento com a habilidade aprendida, de forma a agregar know-how e bons resultados. Ex.: Além do talento nato, Flávia estudou Educação Física. Será uma excelente educadora física.

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De boa. Não é o ideal, mas você tem o direito de errar, reconhecer e corrigir a trajetória. Por isso, keep calm e busque outro foco. “Tenha coragem de ousar e voltar atrás e descobrir novas potencialidades, de preferência com a ajuda de um profissional, para refazer o caminho com mais segurança e assertividade, além de flexibilidade e tranquilidade para se adaptar a uma nova realidade”, orienta a coach Maria Antônia. Foi assim com a universitária Mariana Chalfin, 18, de Belo Horizonte. “Desde os 11 anos, eu pensava em cursar Educação Física. Mas no terceiro ano do Ensino Médio, a pressão de alguns familiares me apertou bastante e, na última hora, mudei minha opção para Engenharia Química”, conta. Ela passou no vestibular, matriculou-se, mas desistiu com duas semanas de aula. Voltou a estudar e prestou outro processo seletivo, desta vez para Educação Física. Passou e está feliz da vida. “Sou muito segura da minha escolha e não sinto nenhum arrependimento ou medo de fracassar. Faço o que amo e não consigo me imaginar em outra profissão. Pretendo ser personal trainer, mas nunca se sabe, né?” Mariana corrigiu a rota cedo, mas sempre é tempo de recomeçar. A coach Raquel Bimashar conta que recebe grande procura de pessoas de 35 a 40 anos em busca de redirecionamento de carreira. “São profissionais que cursaram faculdade, ganham dinheiro, mas estão completamente insatisfeitos, ainda buscando o que fazer na vida.” Onde erraram? “Não dedicaram tempo mais cedo para sentir e definir sua vocação, o talento, a paixão”, responde a coach. Nesse contexto mais maduro, as pós-graduações e MBAs são o caminho mais usado para o redirecionamento bem-sucedido da carreira, com vantagem de promover networking, encurtar o tempo e ensinar habilidades específicas. Tenha em mente que a primeira graduação não foi jogada no lixo. Teve seu valor, de formação de conhecimento, experiência, habilidades e retorno financeiro, mas chegou o fim de um ciclo. Em um mundo ditado pelo ritmo das inovações, essa trajetória é muito comum. Afinal, sempre é tempo de reaprender e identificar novas vocações. “As pessoas precisam, cada vez mais desenvolver habilidades e estar atualizadas frente à demanda profissional. Quanto mais eu me conheço, mais sou capaz de potencializar e reinventar novos caminhos. Criar, inovar, empreender e transformar o pensamento em ação é o lema para encarar os novos desafios do mercado”, conclui Maria Antônia.

Fomos até o colégio adventista que fica no campus do Unasp, em Hortolândia, e conversamos com três estudantes do terceirão do Ensino Médio. Eles contaram pra gente um pouco de seus anseios sobre o futuro profissional.

Gabriel Mundis, 17 anos

“Como sempre gostei de praticar esportes, pensava em ser educador físico, mas minha família nunca aceitou a ideia. Depois pensei em fazer Engenharia Mecatrônica, pesquisei faculdades boas e próximas, porém descobri que talvez eu não seria tão feliz se seguisse esse rumo. Meu irmão me aconselhou a fazer um teste vocacional. O resultado deu para a área de humanas. Pesquisei diversos cursos até me identificar com Publicidade e Propaganda, em uma feira de profissões desenvolvida na escola. Ainda tenho medo de estar fazendo a escolha errada, de não ter sucesso financeiro. Porém, após muita conversa com meu irmão e minha cunhada sobre o assunto, entendi que, se for feliz com o que faço, a chance de ser bem-sucedido é maior. Se não der certo, o plano B é alguma carreira da área de biológicas.”

Daniely Ferreira, 17 anos

“Quero fazer faculdade de Arquitetura, mas mudei muitas vezes de ideia durante o Ensino Médio. Pensei em ser fotógrafa, jornalisvta ou designer, as profissões dos meus pais e da minha tia. Não tem arquiteto nos meus familiares, mas eles me dão todo o apoio de que preciso. O que me ajudou na escolha foi pesquisar muito sobre o curso, conversar e tirar dúvidas com estudantes da área e com profissionais. Segura? Sim. Talvez com medo. Por mais que goste muito de Arquitetura, definir, aos 17 anos, minha profissão para a vida toda é algo um pouco assustador. A sociedade coloca muita pressão!”

Felipe Tuelher, 17 anos

“No primeiro ano do Ensino Médio estava decidido a fazer Administração, mas, no decorrer do tempo, a decisão foi mudando. Comecei a pensar em fazer Publicidade e Propaganda aos 14 anos, quando terminei um curso de web design. Para ter certeza, fui atrás de profissionais da área, o que foi decisivo na minha escolha. Sofro um pouco de pressão familiar, mas isso só me ajuda a colocar o foco no sucesso. Eu me imagino daqui a dez anos como dono de agência publicitária, com o objetivo de tratar o cliente da melhor maneira. Mais para frente, acho que vale a pena explorar outros cursos, pois posso aprimorar novos conhecimentos e adquirir mais experiência.” JAN-MAR

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Básica

Texto Fernando Dias Imagem © Andrey Kuzmin | Fotolia

Os 144 mil são marcados por um Deus que quer salvar todos

OS 144 MIL SELADOS Já ouviu falar dos 144 mil do Apocalipse? Essa quantidade de pessoas, que lotaria duas vezes o Maracanã, parece pequena quando sabemos que, na Bíblia, é usada para calcular os selados por Deus. Será que o Céu tem vagas limitadas? Mencionados em dois trechos do Apocalipse (7:1-17; 14:1-5), eles recebem de um anjo o selo de Deus (7:2). Enquanto o processo de identificação não termina, a destruição final é adiada (7:3). De qualquer forma, o selamento torna os 144 mil imunes às catástrofes profetizadas (Ap 9:4). Espera aí, se é assim, não dá para descolar um selo desses aí não? Acontece que não é uma edição limitada de 144 mil selos para a mesma quantidade de pessoas. O número simboliza uma experiência com Deus que pessoas de todas as “nações, tribos, povos e línguas” (Ap 7:9) terão logo antes e logo após a volta de Cristo. Os 144 mil vêm das 12 tribos de Israel (Ap 7:4); têm o nome de Cristo e de Deus Pai escrito na fronte; cantam uma música que só eles sabem; são sexualmente puros; não falam mentira nem têm defeitos. Essas características são simbólicas. A descrição deles no monte Sião (uma metáfora para o Céu) parece a de um grande coral se apresentando, regidos pelo maestro Jesus (Ap 14:1-5). As profecias trabalham com símbolos. Decifrando o número, 144 = 122. Por sua vez, 12 na Bíblia simboliza o reino de Deus (12 tribos de Israel, 12 apóstolos). Seus múltiplos calculam os servidores dos santuários terrestre e celeste (24 anciãos [Ap 4:4]; 24 turnos de sacerdotes [1Cr 24]; 288 cantores [1Cr 25:7]). O número mil (103) lembra as medidas do lugar santíssimo (10 × 10 × 10 côvados) e representa multidão. Israel e doze tribos são expressões que o Novo Testamento aplica aos que creem em Cristo (Gl 3:29; 6:15, 16; Tg 1:1). O selamento tem que ver com a presença do Espírito Santo (Ef 1:13) e com a guarda do sábado (Ex 31:17). Logo, os 144 mil é o número simbólico de uma multidão incalculável de pessoas (Ap 7:9) que “foram compradas por Cristo” (v. 14). Pecadores perdoados que serão protegidos por Deus durante a grande tribulação que antecede a volta de Jesus e que participarão da alegria de estar no Céu. Fontes: Louis F. Were, 144.000 selados! quando? por quê? (Centro Associativo dos Profissionais de Ensino do Estado de São Paulo, 1969); Henry Feyerabend, Apocalipse verso por verso (CPB, 2012); Vanderlei Dorneles, Pelo sangue do Cordeiro (CPB, 2015) e Eduardo Rueda, Mapa do Tesouro (CPB, 2015).

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Texto Eduardo Rueda

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TÍTULOS DE CRISTO Na edição anterior, falamos sobre a origem e a importância dos nomes, principalmente na cultura do Antigo Oriente. Muitas vezes, em lugar dos nomes ou em associação com eles, costumamos utilizar também títulos e apostos. Ao falar com um médico ou advogado, por exemplo, por respeito costuma-se usar o título “doutor”. Já nomes como Alexandre, o Grande, e Maria, a Louca (que foi rainha de Portugal), são exemplos de aposto. A Bíblia está repleta de títulos e apostos aplicados a Jesus. Cada um define um aspecto de Sua pessoa e obra. Veja alguns dos principais: Senhor. Não é simplesmente um pronome de tratamento, mas um título de honra que expressa soberania. Vem da palavra grega kyrios (Fp 2:11). Salvador. Do grego soter, significa redentor, libertador. Cristo veio para libertar o ser humano do pecado e da morte eterna (Mt 1:21; Tt 1:4). 22 |

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Palavra ou Verbo (logos, em grego). Revela o status de Cristo como Ser divino (Jo 1:1) e Sua função como porta-voz supremo do Pai – sendo a própria expressão de Seus pensamentos. Jesus é a Palavra de Deus em pessoa. Cordeiro de Deus (Jo 1:29). Define Cristo como aquele que veio morrer em nosso lugar – uma clara referência aos sacrifícios de animais do Antigo Testamento. Emanuel. Significa “Deus conosco” (Is 7:14; Mt 1:23) e expressa o mistério da encarnação, na qual o Deus todo-poderoso Se tornou um bebê vulnerável na manjedoura (1Tm 3:16; Jo 1:14). Equivale ao título Filho de Deus. Filho do Homem. Significa que Jesus tornou-Se um ser humano como nós (mas sem pecado) e também que Ele é o “homem divino” visto pelo profeta Daniel (Dn 7:13, 14). Alfa e Ômega (Ap 1:8; 22:13). A primeira e a última letra do alfabeto grego (é como se fossem nossos A e Z). A expressão significa “princípio e fim” e enfatiza a divindade e eternidade de Cristo e Seu domínio sobre todo o Universo.

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Fontes: Dicionário da Bíblia de Almeida (SBB, 1999) e Dicionário Bíblico Strong (SBB, 2002)

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Ponto de vista

Texto Fernando Dias Imagem © Ivan Straka | Fotolia

Tudo ligado Texto Eduardo Rueda

DO VERÃO AO TUBARÃO Verão

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Época de calor, férias, praias lotadas e muita chuva, o verão é uma das estações mais apreciadas do ano. Entre dezembro e março, o hemisfério sul fica mais próximo do Sol, devido à inclinação do eixo terrestre, o que ocasiona as temperaturas mais elevadas. Nesse período, os cuidados com a saúde devem ser redobrados. Exposição excessiva aos raios ultravioleta pode causar câncer de pele, e o alto consumo de sorvetes e refrigerantes é um vilão para os...

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o “Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é 666.” (Ap 13:18). Enigmático. Maligno. Indecifrável? O número 666 aparece na Bíblia relacionado à uma das terríveis bestas do Apocalipse. Mas, o que significa? Será que o misterioso número é a chave para identificar o anticristo, o inimigo profético do povo de Deus? Vamos ver as diferentes opiniões.

Sim

Católicos, especialmente da linha preterista (que relacionam as profecias a eventos do passado), interpretam o número 666 como uma referência à pessoa de Nero, o cruel imperador romano que perseguiu os cristãos e mandou matar os apóstolos Pedro e Paulo. Segundo eles, a soma dos valores numéricos das letras hebraicas do nome César Nero dá 666. Já os que creem no arrebatamento secreto da igreja seguido por sete anos de tribulação (os dispensacionalistas) entendem que o número é a chave para identificar uma pessoa, o anticristo que surgirá durante a tribulação final e que governará o planeta. Segundo alguns, esse anticristo será um indivíduo que dominará todo o mundo de forma cruel. O número também constará na marca da besta, que identificará os que se sujeitarem ao poder maligno.

Não

Alguns são resistentes a usar o número para especificar um indivíduo. Entre esses estão os que interpretam as profecias pelo método idealista. Para eles, o número é apenas um sinal da imperfeição humana. Essa interpretação é comum (mas não a única) entre luteranos, presbiterianos, anglicanos e metodistas.

Depende

Para outros, 666 não particulariza um indivíduo, nem se refere a valores genéricos. Interpretam o número como referência à ganância de Salomão (1 Rs 10:14; 2 Cr 9:13) e à imagem erguida em Babilônia (Dn 3), cujas medidas eram múltiplos de seis. Portanto, 666 identifica a potência político-religiosa que desafia a lei de Deus, convocando o mundo para uma falsa adoração. Defendida pelos adventistas do sétimo dia, a posição encontra apoio em confissões de fé de igrejas protestantes históricas, que identificam o anticristo como a instituição/igreja que misturou cristianismo com idolatria, adulterou os mandamentos de Deus e tem ensinado a salvação por méritos humanos. Fontes: Alejandro Bullón, Apocalipse – como viver sem medo do futuro (CPB, 2002); Vanderlei Dorneles, Pelo sangue do Cordeiro (CPB, 2015); Hernandes Dias Lopes, Apocalipse – o futuro chegou (Hagnos, 2005); Russell Norman Camplin, O Novo Testamento interpretado versículo por versículo, v. 5 (Hagnos, 1995); C. Marvin Pate, Kenneth L. Gentry Jr., Sam Hamstra Jr., Robert L. Thomas, As interpretações do Apocalipse – 4 pontos de vista (Vida, 2001).

Dentes Normalmente são 32 em um ser humano adulto e se dividem em cinco tipos: os incisivos, que servem para cortar os alimentos; os caninos, que servem para rasgar; os pré-molares e os molares, para triturar. Embora sejam brancos, duros e formados por cristais de cálcio, os dentes não são considerados ossos porque sua estrutura microscópica é bem diferente do tecido ósseo. Apesar disso, são a parte mais dura do corpo e, em alguns animais carnívoros como o leão, machucam tanto quanto uma...

Espada Durante vários séculos e em diferentes culturas, foi a principal arma em guerras e na defesa pessoal. As espadas servem como símbolo de luta e poder. Na Bíblia, a “espada do Espírito” é a Palavra de Deus, com a qual se pode vencer as forças do mal (Ef 6:17). Um dos tipos mais famosos de espada são as catanas japonesas, feitas artesanalmente e cujo punho é revestido com couro de...

Tubarão Existem quase 400 espécies desse peixe predador, de corpo alongado e esqueleto cartilaginoso. A mais conhecida – e assustadora! – é o tubarão branco, uma verdadeira máquina de caça. Em muitos lugares, a carne de tubarão é considerada um prato comum e, na China, as barbatanas do animal são o ingrediente principal de uma sopa exótica consumida pelos mais ricos, o que incentiva a pesca predatória. Outra parte “aproveitável” do tubarão são os dentes, usados como lâmina nas espadas dos antigos habitantes das ilhas Kiribati, na Oceania – um excelente lugar para passar o verão! jan-mar

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Imagine

Texto Bianca Oliveira Ilustração Rogério Chimello

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... se NÃO houvesse consumo de pornografia

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INFIDELIDADE, VIOLÊNCIA, conflitos, divórcio, abuso, criminalidade e perda da dignidade. Em muitos casos, a origem desses problemas familiares e sociais passa pela pornografia, que saiu do reduto dos cinemas pornôs e das páginas das revistas do gênero para inundar, na forma de apelo sensual, a TV aberta e a publicidade em qualquer horário. Se antes o sexy era visto no monóculo (aquela caixinha com uma

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foto minúscula dentro e uma lente para olhá-la), hoje aparece estampada na extensão de um outdoor. Hoje, não é preciso gastar tempo e dinheiro para encontrar conteúdo erótico; na verdade, é preciso desviar os olhos para evitá-lo. A um clique, a pornografia pode surpreender na tela e inundar a mente de pensamentos indecentes. Mas, imagine acordar em um mundo em que esse tipo de conteúdo não existisse. Como seria?

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INFÂNCIA INOCENTE

Atenção! Concentre-se! Pense em tudo, mas não pense em uma melancia. No que você acabou de pensar? Fatalmente, a imagem de uma melancia apareceu involuntariamente em seu cérebro. Isso aconteceu porque você, em algum momento da vida, viu uma melancia e a “foto” ficou registrada na memória por um caminho neural de sinapses. Da mesma maneira, uma imagem erótica, após o contato visual, fica gravada na mente. Mas, nesse último caso, o impacto mental é viciante. Imagine a influência disso nas crianças, que estão sendo expostas a esse conteúdo cada vez mais cedo. Dessa maneira, elas vão formando um álbum de “fotos” perigoso na mente, que distorce o conceito de beleza e prazer.

MENOS DEPENDÊNCIA

No e-book Seu cérebro na pornografia, Luke Gilkerson afirma que, com perfeição incomparável, Deus criou o cérebro humano capaz de lembrar o que é agradável aos desejos naturais. A dopamina é a substância que atua no cérebro fazendo-o lembrar os momentos de prazer. No caso de quem vê pornografia, a dopamina é liberada excessivamente, provocando uma resistência a ela nas células neurais. Resultado: o cérebro é instigado a buscar o prazer, mas não consegue satisfação. Ao realizarem pesquisas no cérebro de pornógrafos compulsivos, neurocientistas da Universidade de Cambridge quase caíram da cadeira. Descobriram que seu funcionamento era afetado exatamente da mesma forma que o cérebro de viciados em drogas.

WEB PARA MENORES

SATISFAÇÃO REAL

O neurobiólogo Gary Wilson afirma que adolescentes consumidores de pornografia estão treinando o cérebro para não sentir prazer com sexo de verdade. Sem a possibilidade do sexo virtual, os jovens estariam mais preparados para aproveitar melhor os relacionamentos reais, curtindo a amizade e o namoro com maior empolgação.

MENOS VIOLÊNCIA, MAIS RESPEITO

Por causa do erotismo desvinculado do afeto, a pornografia gera insensibilidade e crueldade em seus consumidores. Afinal, para o pornógrafo, o sexo dispensa o toque, o beijo, o carinho e, principalmente, o amor. Assim, os desejos sexuais tendem a ser expressados de forma violenta. O sadomasoquismo dificilmente seria praticado sem o estímulo da pornografia. E, sem ela, a violência sexual também seria desestimulada.

MAIS DINHEIRO, MENOS MISÉRIA

A indústria pornográfica movimenta por ano cerca de 97 bilhões de dólares ao redor do mundo. Esse valor seria suficiente para alimentar também por um ano todas as crianças que passam fome no planeta.

RELACIONAMENTOS FELIZES

Imagine um castelo no qual uma princesa é mantida refém por um dragão horrível. O príncipe quer chegar até sua amada, mas o dragão está furioso querendo matá-lo. A pornografia é esse dragão que se intromete em relacionamentos amorosos. Sem ela, os casais não teriam que conviver com a intromissão de outras pessoas no imaginário de nenhum dos cônjuges. Isso ajudaria a diminuir a infidelidade e as separações.

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A internet é o maior canal de disseminação de conteúdos pornográficos. Segundo a revista americana The Week, 12% dos sites que existem na internet são pornográficos, ou seja, 76,2 milhões de páginas virtuais. Cerca de 25% das pesquisas em ferramentas de busca

envolvem sexo, o que dá 750 milhões de consultas diárias. E 70% dos homens com idade entre 18 e 24 anos visitam sites pornôs ao menos uma vez por mês. .

A fidelidade, item indispensável para a harmonia de qualquer casal, não está ligada somente à preservação do corpo, mas também à imaginação pura (Mt 5:28). Muitos homens e mulheres possuem óculos pornográficos, e só conseguem visualizar outros por meio das lentes da imoralidade. A pornografia inculca a ideia de que a pessoa merece obter prazer sexual a todo custo, fazendo do outro um objeto valorizado unicamente pela sensualidade, e arruinando os relacionamentos. Num mundo sem pornografia, haveria mais espaço para amor, fidelidade e compromisso nos relacionamentos.

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Fontes: https://www.fao.org.br/oqvpssf2012.asp; Luke Gilkerson, Seu cérebro na pornografia (2014); Gary Wilson, Your brain on porn: internet pornography and the emerging science of adicction (2014); https://theweek.com/articles/493433/internet-porn-epidemic-by-numbers

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Ação Mude seu mundo

Texto Fernando Dias e Patrícia Pieper Colaboração Noédson de Moura Ilustração Rogério Chimello

Lição de vida Aprenda

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Um lugar para chamar de É o que 165 crianças e adolescentes têm encontrado em 11 abrigos gerenciados pela ADRA Brasil em Belo Horizonte

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O AMBIENTE É bonito, organizado e agradável. Quem olha para ele, pode imaginar que se trata de uma creche ou de uma escola em que os pais geralmente deixam os filhos pequenos enquanto trabalham. Afinal, a rotina e os cuidados são os mesmos. A única diferença é que, no fim do dia, as crianças continuam ali, pois não têm um lar para onde voltar. São menores negligenciados pelas famílias, que sofreram maus tratos ou foram abandonados pelos pais. Em Belo Horizonte, há onze casas de acolhimento para meninos e meninas gerenciadas pela ADRA Brasil, agência humanitária da Igreja Adventista. Cada 26 |

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uma dessas Casas Esperança, como são chamadas, está sendo um refúgio para crianças que enfrentam os problemas sociais da capital mineira. Cada casa abriga 15 crianças ou adolescentes do mesmo sexo e faixa etária. São duas “casas de bebês”, para crianças de até seis anos; quatro casas para crianças entre sete e doze anos; cinco “casas de adolescentes”, para menores entre 12 e 18 anos. Rosirene Reis de Paula trabalha na “casa dos bebês” desde o início de suas atividades, em julho de 2014. Remunerada pela função de educadora social, ela revela o apego que tem desenvolvido por esses pequenos.

“No começo”, conta Rose, como costuma ser tratada, “recebi instruções para não me apegar às crianças”, mas, ela confessa que não resistiu. “Não há como não se apegar! Eles precisam de amor, querem amor e, como dar-lhes amor sem se apegar? Para mim, isso não funciona”, admite, com um sorriso de quem se apaixonou pelas crianças. E o vínculo foi tão forte que Rose está numa fila nacional de espera para adoção. Uma fila grande, que, segundo uma pesquisa feita em setembro de 2015, chega a 34.158 pretendentes para 6.200 crianças e adolescentes que aguardam por uma família em todo o Brasil. O ar-

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TRABALHO SÉRIO Segundo Noédson Dorneles Moura, diretor regional da ADRA Brasil para Minas Gerais, o projeto busca acolher crianças em situação de risco social. A primeira Casa Esperança foi inaugurada em 1o de abril de 2014, em parceria com a prefeitura de Belo Horizonte. Nos abrigos, crianças e adolescentes são acolhidos após decisão judicial, que ocorre quando se constata a situação de risco e se verifica que não há um parente próximo apto para assumir a tutela. Moura conta que a ONG se responsabiliza completamente pelo alimento, roupa e escola das crianças acolhidas. Ali, uma equipe formada por um coordenador, um assistente social e um psicólogo, cozinheiras, auxiliares de limpeza e pelo menos quatro educadores sociais passam o dia (e alguns a noite) com as crianças. São dez ou 12 funcionários por unidade, que oferecem, muitas vezes, a atenção que os acolhidos não tinham antes. Mas, e a família das crianças? Ela continua tendo algum relacionamento com o menor após o acolhimento? As famílias de origem são visitadas por uma psicóloga e uma assistente social do projeto, a fim de que, resolvidas as situações que precipitaram a perda da guarda da criança, o menor possa novamente ter contato com os familiares. Toda semana, Luísa* vai visitar duas crianças que estão em um dos abrigos. Durante anos, ela tem procurado ajudar a mãe delas, que sofreu maus tratos na infância, foi moradora de rua e chegou a cuidar das crianças em casa. Mas, por não ter qualquer documentação delas, o Conselho Tutelar decidiu que deveriam ser acolhidas numa instituição. No entanto, as preocupações que Luísa tinha de as crianças estarem sendo levadas para um “orfanato” desapareceram na primeira visita que fez à Casa Esperança. Luísa se surpreendeu ao vê-las

assentadas à mesa e se alimentando sozinhas. É que, por causa das experiências ruins pelas quais passaram, o desenvolvimento delas estava abaixo do normal. Em apenas uma semana no abrigo, elas já conseguiram alcançar o grau de independência previsto para a idade. Luísa acredita que foi conviver nesse ambiente amável que gerou a confiança que faltava às crianças, e demonstra-se satisfeita ao saber que o acompanhamento médico dos acolhidos é levado a sério. “É perfeito esse lugar”, admite. PONTE PARA A ADOÇÃO A casa de acolhimento tem servido de ponte entre a situação de abandono e a adoção de uma nova família. Após dois anos de tentativas fracassadas de o menor ser reintegrado à família de origem, a Justiça dispõe a criança para adoção. E, assim como há crianças precisando de família, também há famílias desejando ter filhos. Foi o caso dos novos pais de Raíssa. Impossibilitados de terem filhos naturais, eles optaram pela adoção e enfrentaram o processo de um ano para avaliação das condições sociais, físicas e psicológicas do casal, para entrar na fila de espera. Um dia, após dois meses em que oravam a Deus por um “presente”, receberam um telefonema perguntando se tinham interesse em uma menina. “Foi amor à primeira vista”, lembra o novo pai do momento em que viu a foto da Raíssa. Eles não quiseram esperar o dia seguinte para levar a criança para casa. “Senti que ela era minha filha”, festeja a mãe adotiva. Há quem investe tempo e atenção além do dever, como é o caso da assistente social Vilma Maria de Sousa, coordenadora de uma das casas para meninas entre 12 e 18 anos. Apesar de seu expediente terminar às 17 horas, frequentemente ela sai do trabalho depois das 19. Motivo: precisa conversar com as meninas. Apesar de advertida na faculdade de Serviço Social a nunca se envolver emocionalmente com as pessoas assistidas, ela crê que a precaução é impossível de ser seguida. E o que pensa do abrigo quem vive nele? Uma das acolhidas na casa em que Vilma trabalha é Joana*, de 15 anos. A

adolescente foi instada a deixar a casa em que morava por ordem do Conselho Tutelar depois que o padrasto tentou abusar de suas duas irmãs menores. Resistente em acompanhar a mãe e as irmãs, tentou se manter vivendo com o namorado. Mas a experiência só lhe trouxe problemas maiores. Preocupados com a segurança da adolescente, conselheiros tutelares solicitaram que a polícia a conduzisse à casa de acolhimento. Ela chorou de desespero e medo ao saber que passaria a viver num abrigo. Hoje, porém, satisfeita com a segurança e o atendimento do lugar, ela reconhece: “Foi a melhor coisa que me aconteceu.” JANELA PARA O FUTURO Noédson Moura, que dirige o projeto, tem uma ligação especial com o trabalho e acredita num futuro melhor para os acolhidos. Coincidentemente, Moura também é filho adotivo. Apesar de não ter, durante a infância, passado por uma casa de acolhimento, como as que hoje administra, teve a experiência de ser entregue por sua família biológica aos pais adotivos. “Recebi o amor de uma família que não era minha família”, lembra emocionado. “Hoje, ao receber crianças nos abrigos, sejam bebezinhos ou adolescentes, sinto uma responsabilidade enorme de transmitir o amor que muitas delas não conheceram na família. Afinal, por ser uma entidade cristã adventista, o amor é a filosofia de trabalho da ADRA.” “Fico motivado ao pensar que, assim como uma família fez parte da minha história, e hoje sou o que sou, a ADRA fará parte da história dessas crianças. Se fizermos o melhor por elas, poderão ter um futuro”, projeta Noédson, que também é pastor adventista. Agora, o ministro olha para cima e sonha: “Não penso só num futuro aqui na Terra para eles. Quero preparar as crianças e adolescentes para viver no Céu com Jesus.”

* nomes fictícios

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Para saber +

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Veja essa reportagem em vídeo no blog do programa Revista Novo Tempo: novotempo.com/revista. jan-mar

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tigo 101 do Estatuto da Criança e do Adolescente prevê que a adoção seja a última alternativa feita pela Justiça. Antes, uma série de medidas sociais deve ser realizada, e o acolhimento institucional é uma delas.

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Lição de vida

Texto Thiago Basílio Ilustração Siqueira

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Corrida pela sobrevivência

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A traumática história de uma atleta que superou as dificuldades ao permitir que Deus atuasse como o técnico da sua vida

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FOI UM DIA complicado. Levantei cedo, enfrentei trânsito, trabalho desgastante, chuva na volta para casa e preparativos infindáveis para a viagem do fim de semana. Estava exausto, achando que ninguém no mundo sofria com essa rotina tão pesada e sacrificante. Naquela noite, teria ainda que fazer uma entrevista longa e detalhada via telefone para elaborar um texto sobre a vida de uma atleta. Meio sonolento, comecei a conversa. À medida que a história ia sendo contada pela mulher do outro lado da linha, minha arrogância era descontruída. Um relato que me revelou a sobrevida que muitos enfrentam no cotidiano para simplesmente remediar os dias. Existe fome, morte, humilhação e injustiça, mas, acima de tudo, existe um Deus que pode tornar uma história de tragédias em testemunho do seu poder transformador.

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INFÂNCIA MISERÁVEL Edinalva da Silva Nunes nasceu em 27 de outubro de 1963, num contexto familiar muito complicado de pobreza e mazelas. Ela e mais nove irmãos dividiram com os pais histórias de sobrevivência. Aos seis meses de idade Edinalva sofreu um acidente muito grave. A bebê (que

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aprendia a engatinhar) foi de encontro com brasas de uma fogueira que estava acesa no quintal de casa. Queimaduras de terceiro grau por todo o corpo. Fragilizada, ficou em coma no hospital por dois meses. O contexto das dificuldades os obrigava a viver uma vida meio “nômade”. Trocavam muito de cidade em busca de melhores oportunidades. Quando Edinalva nasceu, a família dela morava em Mucurici, um lugarejo capixaba. Mas eles passaram também por alguns municípios de São Paulo, estabelecendo-se posteriormente em Uberlândia, Minas Gerais. Nesse contexto, sua mãe, Iracema Lopes Nunes, decidiu ir sozinha em busca de uma nova vida na capital paulista, deixando o marido e filhos. Seu Eli precisava trabalhar para sustentar toda família com um salário ínfimo e ingrato. Com intuito de ajudar nos afazeres domésticos, Edinalva assumiu o posto de cozinheira. Ela brincava até próximo ao horário do almoço e corria para preparar a comida, pois precisaria

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MUDANÇA PARA SÃO PAULO Um dos seus irmãos morava em São Paulo. Ele ficou sabendo que uma família estava precisando de alguém para ajudar na casa. Ao chegar à capital das oportunidades, Edinalva percebeu que as coisas não seriam como imaginava. As atitudes de sua nova chefe lembravam o estilo do tratamento escravocrata do Brasil-colônia. Mas, incrivelmente, era a doméstica que tinha pena de deixar a patroa, pela oportunidade que lhe havia dado de sair da miséria. Até para estudar, a condição foi que Edinalva deixasse a casa impecável. A escola foi um período extremamente importante para ela. Além de alimentar a esperança de uma vida melhor, Edinalva conheceu um companheiro. O professor Jorge Luiz da Silva Amaral. Começaram a namorar e pouco tempo depois se casaram. “Era muito ingênua, não o amava suficientemente, mas foi o melhor a se fazer naquelas circunstâncias.” O tempo foi passando e ela engravidou. Durante toda a gestação teve que trabalhar. Literalmente, só foi liberada quando iniciou o trabalho de parto. Felizmente Tatiane nasceu com saúde, mas Edinalva teve apenas quatro dias para desfrutar plenamente da maternidade, pois precisou voltar ao trabalho. EPISÓDIO TRAUMÁTICO Quando Tatiane tinha um ano e meio de idade, Edinalva precisou ir ao supermercado. Uma amiga não pôde ficar com sua filha enquanto estaria fora; por isso, ela decidiu deixar a pequena sozinha dormindo, já que conhecia o sono pesado da filha. Tomadas as devidas precauções com a segurança, Edinalva saiu. Ao voltar, sua vizinha a recebeu no prédio com um olhar desesperado. Edinalva interpretou que algo havia acontecido. Foi recebida em seu apartamento por uma movimentação inesperada. Chorando copiosamente, perguntou da filha. Ninguém quis responder. Momentos depois, após uma angustiante espera, uma senhora lhe informou que Tatiane tinha caído do sexto andar. Chegando ao hospital, a confirmação da morte da criança marcou o início de uma rotina traumática, em que Edinalva chegou a frequentar o cemitério diariamente, acompanhando o sepultamento de desconhecidos.

Nesse meio tempo, muita gente aconselhou Edinalva a engravidar novamente para tentar se recuperar da perda, o que acabou acontecendo. Veio ao mundo a Cristiane. “Ela era igualzinha a Tatiane”, garante. Mas pouco depois, após uma série de “idas e vindas”, Jorge largou Edinalva e formou uma família com outra mulher. Essa situação fez com que ela fosse obrigada a se reinventar, para que pudesse sustentar a filha, já que o ex-marido não pagava pensão. SUPERAÇÃO Muito empreendedora, Edinalva vendeu joias, foi sacoleira, abriu um negócio de venda de carros e conseguiu estruturar sua vida de forma digna. Mas outro episódio trágico funcionou como um divisor de águas em sua vida. Na época em que estava construindo sua casa, um conhecido quis roubá-la tentando tirar a vida dela. Na sua residência, ela foi abordada por dois homens. Um deles a segurava tampando seu nariz e boca, enquanto gás lacrimogênio era dissipado no local. “Naquele momento perguntei para Deus o motivo de estar passando por tudo aquilo. Revoltei-me contra Ele. Mas, na verdade, era o momento em que Ele estava me carregando no colo”, afirma. Isso se justifica pelo fato de ela não ter inalado o gás e ter conseguido bater em um dos bandidos com um golpe de caratê. Ato que a livrou da morte. Desde criança, mesmo nas condições mais extremas que havia experimentado, ela era uma cristã, mas nessa fase da vida se encontrava um pouco distante de Deus. Foi o momento em que conseguiu reconhecer de forma definitiva a soberania divina, entregando-se incondicionalmente a Ele. A CORRIDA DA VIDA Algo que contribuiu para que chegasse onde está também ocorreu na época do caratê, quando uma amiga aconselhou que corresse a São Silvestre. Hesitante, aceitou a proposta, e, de lá pra cá não parou. Foram inúmeras corridas, entre competições regionais, nacionais e internacionais. Em 19 anos de atividade, ela contabiliza ter subido 262 vezes no pódio. Tudo isso é resultado de uma rotina pesada (que se inicia diariamente às 3h e termina às 21h) de momentos de devoção a Deus, treinos, trabalho e academia. No fim de semana anterior ao dia que conversei com Edinalva, ela tinha ficado em primeiro lugar na Volta da Penha, em São Paulo. Apenas uma vitória, se comparada à vida inteira de desafios, conquistas e lutas. Mas, a cada pódio, ela tem a oportunidade de renovar sua gratidão a Deus por fazer de sua vida uma prova de que Ele é o único capaz de direcionar nossos sonhos a um futuro promissor, cuja linha de chegada representará sucesso pleno e eterno. JAN-MAR

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andar uns 4 km e chegar a tempo do seu pai se alimentar. “Fui sempre atrasada. Minha filha está falando comigo aqui que sou assim desde criança”, observa bem-humorada. Na volta, passava num mercado para recolher as sobras num latão de lixo. Colocava o alimento num saquinho de feira e voltava para casa, carregando a refeição na cabeça. À medida que andava e alguns vegetais amoleciam, um caldo podre caía sobre sua face entristecida. Na sua casa simples de pau a pique era muita gente para pouca comida. “Dava um pouquinho para cada um. Lembro-me de que comia cada colherada lentamente e com os olhos fechados desejando que aquele momento não acabasse.”

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Aprenda

Texto Fernando Dias e Eduardo Rueda Ilustração Fotolia | VIGE.co

Como FALAR em PÚBLICO ANSIEDADE, JOELHOS TRÊMULOS, voz embargada, suor excessivo, bochechas vermelhas, respiração ofegante, tontura, náuseas e dor de barriga são alguns sintomas de lalofobia: o medo de falar em público. Na sala de aula, no trabalho ou na igreja, mais cedo ou mais tarde todos temos que enfrentar esse desafio. Aqui vão algumas dicas para você não entrar em pânico diante de uma plateia.

DESÇA DO SALTO

Em grande parte, o receio de falar em público é o medo de ser inferiorizado. Por isso, antes de o auditório começar a pensar que você não é lá essas coisas, antecipe-se: deixe de lado o ar de superioridade e revele algo engraçado que aconteceu com você. Além de deixar o clima mais descontraído, isso fará com que os ouvintes se identifiquem com você e não esperem habilidades sobre­ humanas de sua parte, pois verão que você é como eles. Essa atitude também vai desarmar os críticos de plantão que ficam à espreita, procurando falhas.

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NÃO SE INTIMIDE

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Se o que assusta você é a quantidade de gente, pare de pensar coletivamente: lembre-se de que a multidão é composta por indivíduos. Escolha pessoas na plateia com quem você se sinta à vontade. Olhe para uma de cada vez e imagine-se expondo suas ideias só para ela. Vá alternando o olhar entre os ouvintes para não parecer cansativo. Assim, falar em público será fácil como conversar com um amigo. Se isso não funcionar, experimente olhar por cima das cabeças no auditório e imaginar uma plantação de repolho. Seus olhos estarão em todos, mas você não terá que enfrentar os olhos de ninguém.

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DESVIE O FOCO

Os momentos iniciais da apresentação são os mais tensos. Neles as expectativas dos ouvintes serão frustradas, atendidas ou superadas. Você é o centro das atenções. Então, para aliviar esse peso, desvie a atenção do público. Projete uma imagem curiosa na tela, um vídeo interessante ou mostre um objeto que ilustre o tema. Assim, a plateia não perceberá seu nervosismo inicial, pois não estará olhando para você. Depois de ter começado a falar, o foco de todos estará na mensagem e não na sua pessoa.

TENHA REPERTÓRIO

Já tentou falar em público e, de repente, “deu branco”? Você até dominava o assunto, mas, ao tentar buscar as palavras certas, parece que elas haviam desaparecido. Uma das razões para isso pode ser o repertório linguístico limitado. Uma boa solução é ler bastante e começar a utilizar as novas palavras aprendidas. Conhecer com profundidade o tema que será exposto também é fundamental para evitar o esquecimento.

COLOQUE EMOÇÃO

Ainda está com medo? Use-o a seu favor. Medo é emoção, e pessoas emocionadas fazem discursos emocionantes. Ao falar de coisas tristes, mostre tristeza. Se o assunto é alegre, fique alegre; se é sério, pareça sério. Não é difícil. Fazemos isso naturalmente enquanto conversamos. Um discurso entusiasmado compensa eventuais erros de oratória e mantém os ouvintes atentos.

Fontes: Emilson dos Reis, Como preparar e apresentar sermões (CPB: 2009); José Alfredo Torres Pereira, Comunicação total: treinamento em oratória (Unasp: 2001); Maurício Góis, O grande terremoto (Proêxito: 2013); Robson M. Marinho, A arte de pregar (Vida Nova: 2008); Mário Persona, “Oratória: como perder o medo de falar em público” (mariopersona.com.br).

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Pricila Cajá / Imagem: Fotolia

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Conexão 2.0 - Nomofobia  
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