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Além do viaduto

Frutal # Edição 3 - 28 de Maio/2011

Foto/Eduardo Uliana

Foto/Eduardo Uliana

É show PG. 9

O bairro que leva o nome do ex-prefeito Alceu Silva Queiroz, popularmente conhecido como Frutal III e IV, é o tema da nossa reportagem especial. Para os que nunca vieram para este lado da cidade, não é difícil chegar. Pegase a avenida Brasília, sentido rodovia, e segue-se nela até o fim do asfalto. Lá encontramos pessoas comuns, que trabalham e, com esforço, buscam educar seus filhos. As casas são como todas as outras que existem na cidade, com jardim, animais de estimação e roupas coloridas nos varais. páginas 4 e 5

O colunista Carlos Teixeira comenta a repercussão do Jornal 360. E traz um furo: importante secretário municipal deve ser processado por centenas de pessoas. página 12

Arsenal X Treze de Maio: o clássico Há décadas, onde hoje é a Praça dos Três Poderes, havia um estádio chamado Woyames Pinto. Havia também duas equipes, vários personagens, centenas de torcedores e uma cidade que parava para assistir aos embates entre Arsenal e Treze de Maio. Para os frutalenses mais velhos – ou mais experientes, como queiram -, lembrar desse clássico é praticamente viver tudo de novo. página 8

Natural de Tocantins, mas mineiro desde os cinco anos, Show mostra como a parceria violino+pastel tem tudo para dar certo, agradando paladar e ouvidos ao mesmo tempo.

Memórias PG. 3

Foto/Octávio Augusto

Galhofa social

O computador na palma da mão Com tela entre 7 e 10 polegadas, eles podem ser usados para acesso à internet, organização pessoal, visualização de fotos e vídeos, leitura de livros, jornais e revistas, e para jogos. Todos os tablets já vêm com conexão Wi-Fi e alguns também usam conexão 3G. Mas não se engane. Apesar de apresentar funcionalidades semelhantes aos microcomputadores e smartphones, o tablet é um novo conceito de comunicação, uma vez que a ponta dos dedos funciona como mouse ou caneta, acionando todas as funções do aparelho. Mas a pergunta que não quer calar é: eu preciso de um tablet?

A capacidade de preservar a história demonstra o nível de desenvolvimento de uma cidade. O Museu Municipal guarda peças e documentos que conservam a memória de Frutal.

Uhmmm PG. 6

página 11

Olha a bateria aí gente!

Publicida

de

Foto/Eduardo Uliana

Você já conheça a Besouteria? É bateria da UEMG.

Estamos em Minas Gerais, terra do pão de queijo. Por isso, não é preciso andar muito por Frutal para encontrá-los. Mas de onde veio esta delícia tão tipicamente nossa?

página 7


2 Fragmentos de realidade

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É preciso que recorramos ao passado, até para que ele não se repita como comédia ou farsa. E as cidades também precisam promover o resgate de suas origens, de suas histórias, de passagens importantes para que se entenda sua situação atual. Nesta edição, o 360 traz duas matérias sobre este tema. A primeira é sobre o Museu Municipal, hospedado na Casa de Cultura. Se ainda não tem um acervo imenso, muitas das peças ali expostas mostram a Frutal de outros tempos e, principalmente, relembram pessoas e acontecimentos fundamentais para entendermos a cidade que temos hoje. É importante que o frutalense entenda a importância de um espaço como este e passe a visitá-lo. A segunda matéria saudosista trata do clássico do futebol frutalense Arsenal x Treze. Somos uma gente apaixonada por futebol e resgatar o grande momento deste esporte em nossa terra é uma maneira de homenagear todos aqueles que fizeram dias de muitas pessoas ficarem mais felizes por causa da vitória do time do coração. Esta lembrança pode também fortalecer a vontade de pessoas ligadas ao esporte para que busquem reconstruir o futebol em Frutal. Material humano nunca foi problema. Faltam atitudes. Quem sabe não está na hora de elas surgirem? Falando de passado e falando também de futuro, ou melhor, de presente. A nova sensação tecno-

Artigo

Editorial

lógica são os tablets. Figurinha fácil nas grandes cidades, nas mãos de apresentadores de tevê e executivos, este aparelho estará desembarcando em terras interioranas. Qual a sua utilidade? Quais os melhores modelos? É hora de comprar? Questões respondidas na nossa coluna de tecnologia. A chegada da UEMG e sua posterior estadualização é um marco de nossa época. Uma das finalidades de uma universidade pública é a realização de projetos de extensão, ou seja, ações que beneficiem diretamente as pessoas da comunidade. A UEMG tem sido pródiga nestes projetos. O 360 inicia nesta edição uma cobertura especial mostrando quais são estes projetos, quais seus fins, como têm se desenvolvido. A primeira reportagem é sobre a bateria, ou besouteria, como foi carinhosamente apelidada pelos estudantes. Nossa história é feita pela nossa gente. E esta gente é composta de alguns personagens extraordinários. Um deles está em nossas páginas: um pasteleiro violinista. Uma mistura inusitada, capaz de causar emoções inesperadas. É o perfil desta edição, capa do caderno Bis. Um show. Como vivem os moradores do bairro mais periférico de nossa cidade? A matéria principal desta edição busca responder esta pergunta. O cotidiano, as dificuldades, as reivindicações, os sonhos dessa gente são mostrados em uma reportagem de fôlego, exemplo do jornalismo praticado pelo 360.

Somos jornalistas, Meritíssimo

O jornalista é um especialista, Meritíssimo Ministro Relator do STF (Supremo Tribunal Federal). Das palavras, do cotidiano, da justiça e da sociedade. Imprime em textos, imagens, vídeos e áudios seu ponto de vista, procurando se expressar e/ou informar as pessoas. Idealista por natureza, o verdadeiro jornalista busca mudar o mundo por meio de ações que façam a diferença. Precisa ler muito, estar por dentro dos acontecimentos, acompanhar, ou melhor, andar sempre na frente dos ponteiros do relógio para trazer informações atuais e inéditas para seu público. Realmente parece que não é fácil ser jornalista. Muitos dizem que é preciso ter paixão pela profissão para não desistir no meio da faculdade. Geralmente não se ganha bem, ou você conhece algum jornalista rico, além do William Boner e da Fátima Bernardes? Trabalha muito e descansa pouco. Já desanimou? Ainda é cedo. No cumprimento do dever de reportar, muitas vezes o jornalista passa por situações perigosas, arriscadas e incômodas. A maioria dos profissionais com carreira já respondeu ou está respondendo a processos movidos por empresas, entidades e pessoas que não gostaram da forma como foram citadas. Sem contar as inúmeras ligações diárias que recebem e as críticas. Sinceramente, você ainda quer ser jornalista? Pela breve e sucinta introdução ao mundo jornalístico do ponto de vista do profissional que trabalha em redações, agências de notícias e jornais impressos, rádios e televisão, podemos perceber que não basta pegar uma caneta e começar a escrever ou pegar um microfone e narrar um fato para ser um jornalista. O conhecimento teórico e técnico é indispensável e imprescindível para atuar na área. É necessário aprender a escrever corretamente, não apenas ortograficamente, mas com ética e responsabilidade. A voz precisa ser edu-

Charge

Artigo

Por Eduardo Uliana

expediente

O Jornal 360 é um produto da Agência 360 Comunicação CNPJ - 10.690.919/0001-08 Praça 7 de Setembro, 200, 4º andar, Sala 407 38200-000 Frutal/MG Telefone: (34) 3423-8360 360editoria@gmail.com Editor Chefe Lausamar Humberto lausamar@yahoo.com.br Jornalista Responsável Samir Alouan Bernardes MTB - 13.890 Designer Gráfico Eduardo Uliana Colaboração Vagner Delvecchio Mariana Nogueira Priscila Minani Rafael Del Giudice Octávio Augusto Giovanna Mesquita Victor Martins Samuel Rocha Natália Coquemala Aluízio Umberto Roni Humberto

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cada, para saber como falar em público, e a imagem trabalhada, para que o telespectador saiba interpretar as informações que o repórter está passando pelo vídeo. O indivíduo que sonha ser jornalista precisa, assim como um engenheiro ou um médico, passar pela faculdade, ter a bagagem cultural e o aprendizado necessário para executar seu trabalho com eficiência. Você não vai deixar um pedreiro construir sua casa só porque ele sabe assentar alguns tijolos ou se submeter a uma cirurgia com um enfermeiro só porque ele sabe dar pontos em ferimentos. Então, por que aceitar que uma pessoa, só porque escreve razoavelmente bem, seja considerada um jornalista? Infelizmente, o jornalismo foi banalizado desde seu surgimento. Porém, isso não justifica que não seja necessário o diploma. No Senado Romano, já existiam jornalistas (diurnarii ou actuarii, redatores das Actae Diurnae). Validar a diplomação de jornalista não extingue a liberdade de expressão de alguém que não tem o diploma. Pelo contrário, o jornalista formado é o principal canal de validação e apuração de informações, sendo uma das principais ferramentas de cidadania da sociedade. A defesa da não obrigatoriedade do diploma de jornalismo é um absurdo tamanho que chega a soar como ridicularização da classe jornalística. Comparar e colocar no mesmo nível jornalistas formados e “jornaleiros” – sem ofensa aos donos de jornais ou entregadores dos mesmos – mostra a falta de conhecimento sobre a profissão e o trabalho realizado por esses profissionais. Antes de determinar a extinção da profissão de jornalista, confundindo-a simplesmente com a questão do diploma, o Meritíssimo Ministro Relator do STF deveria ter estudado a questão com mais cuidado e profundidade. Fica a dica, Gilmar.

@eduardoulliana

A Imprensa que não pede desculpa Nós, jornalistas, gostamos de nos imaginar como os donos da verdade. Mas erramos. Muito. E o pior aspecto desta constatação: temos uma imensa resistência em pedir desculpas. Dia desses, estive olhando meus arquivos de casos da imprensa e encontrei uma discussão interessante sobre o caso do ex-deputado federal e presidente do PMDB do Rio Grande do Sul Ibsen Pinheiro. Ele teve o mandato cassado em 1994 pela CPI que investigou o escândalo dos anões do Orçamento. Pinheiro sempre negou as acusações e afirma ter sido alvo de um linchamento público encabeçado pela Revista Veja. “A imprensa pode trabalhar o imaginário das pessoas e produzir danos devastadores sem mentir”. Com essa frase, em entrevista à Revista gaúcha Press, o também jornalista e advogado Ibsen Pinheiro resume a indignação que sentiu ao ter seu mandato cassado “sem que se tenha feito uma acusação”. Ibsen discute os caminhos que os meio de comunicação de massa encontram para divulgar, cada um, não apenas os fatos, mas a sua própria versão dos fatos. No episódio da sua cassação, especificamente, ele lembra que chegou a parar de se explicar para reduzir pela metade as matérias negativas sobre ele. “As minhas declarações eram matérias contra mim”, explica. Ele conta que quase sempre quando queria retificar informações que a imprensa divulgava sobre ele, o resultado eram manchetes como “Ibsen explica, mas não convence” ou “Ibsen se complica na explicação”. Não foi o primeiro e muito menos o último caso de “exagero” que a im-

Por Ana Carolina Araújo

prensa cometeu. Vale lembrar o estardalhaço que foi feito pela mídia no caso da Escola Base de São Paulo. Toda a cobertura feita pela imprensa foi baseada em suposições que não foram confirmadas. E neste caso, como em tantos outros, nenhuma mea culpa deu manchete. Que o jornalismo erra porque é feito por seres humanos, que eventualmente podem errar, tudo bem. Mas não admitir o erro, não deixar a população ciente da informação equivocada que o meio de comunicação divulgou é uma falta grave na relação de confiança mantida entre a imprensa e o público. Mesmo quando não há a mentira, é imprescindível explicitar quando um texto traz a opinião do meio de comunicação ou do jornalista. A imprensa acabou se transformando num tribunal inquisitório, muitas vezes. Ibsen completa: “ela julga, condena e aplica a pena”. Ibsen Pinheiro não é nenhum santo. A entrevista, aliás, pende à absolvição do político. Mas concordo com o jornalista quando diz que a responsabilidade de cada um é a melhor censura. Mas esse é um mecanismo cultural a ser alcançado, com grande tarefa delegada às universidades. Uma nova Lei de Imprensa poderia resolver em parte esse problema, mas não temos ouvido avanços sobre o tema. Ibsen, mais uma vez, defende essa causa: “Se os jornais não precisam de lei, o trânsito precisa? Será que as regras de trânsito são mais importantes do que as regras do exercício da liberdade de imprensa? Se a imprensa deve ser uma atividade auto-regulada, por que não a medicina?”

@prof_anacarol


3 28/MAI

Fotos/Octávio Augusto

Fragmentos da história

As peças em exposição no Museu de Frutal relembram fatos escondidos nas brumas do tempo e momentos históricos Octávio Augusto Ribeiro

octavioaugustos

Quem passa pela primeira rua construída em Frutal, a Senador Gomes da Silva - antes denominada de Rua do Meio -, com certeza já se impressionou com a beleza arquitetônica do prédio que hoje abriga a Casa da Cultura. Construído no ano de 1923 com projeto do primeiro engenheiro frutalense, Antônio de Paula Gomes, a construção é um dos cartões postais da cidade. Inicialmente abrigou o Fórum e a Câmara Municipal e posteriormente a sede da prefeitura até o ano de 1992. Com o crescimento da cidade e a transferência das sedes da Câmara, Prefeitura e Fórum para imóveis próprios, o prédio histórico perdeu sua utilidade, mas não a sua beleza. Ficou fechado por exatos 12 anos, entregue ao descaso e sendo vítima de vandalismo. A preservação da história de um povo também exige a preservação de seu patrimônio material. No convênio firmado entre Prefeitura e o Banco Itaú em 2005, na primeira gestão da prefeita Ciça, o prédio começou a ser restaurado para abrigar a Casa da Cultura de Frutal. Atualmente, funcionam no local a Secretaria de Cultura, Esportes e Lazer, o Arquivo Público, a Biblioteca Municipal, uma sala multiuso e o Museu. A iniciativa de se recuperar a construção possibilitou o merecido reconhecimento; hoje o prédio é tombado pelo IEPHA – Instituto Estadual do Patrimô-

nio Histórico e Artístico. A importância do local para a cultura frutalense na atualidade é imensurável, principalmente por abrigar o Museu Municipal. No espaço dedicado à exposição permanente de objetos históricos, os visitantes podem voltar no tempo, relembrar velhos costumes, saber como era a vida daqueles que fizeram e ainda fazem a história do município. Segundo Ana Maria de Lima Azevedo, responsável pelo Museu, estão catalogados no acervo 207 peças, todas adquiridas através de doações da própria população, sempre favorável à criação do espaço que se deu em 16 de agosto de 2005. As visitações, guiadas por ela e pelo auxiliar Raphael Rogério da Silva, são uma verdadeira aula prática de história. No primeiro ano de funcionamento foram aproximadamente 2 mil visitas, porém a realidade atual é outra, destaca Ana Maria. O número de visitantes vem caindo a cada ano, mesmo com a realização de projetos em parceria com escolas da cidade. Ao todo, desde que foi criado, quase 9 mil pessoas já passaram pelo museu, tendo a oportunidade de contemplar parte da memória local. O museu funciona de segunda a sexta-feira, das 12h às 17h e qualquer pessoa pode conhecer esse patrimônio, uma riqueza acessível a todos.

Coreto e espingarda pendurados na parede palacetes, a primeira igreja matriz, o coreto da praça (palco de discurso de muitos políticos do passado), do próprio fundador da remota Fructal, o Coronel Antônio de Paula e até uma espingarda usada por ele. Para completar o cenário, vários aparelhos retratam a evolução dos telefones no Brasil; a primeira televisão da cidade também se encontra exposta e foi nela que a paixão do povo frutalense por futebol foi satisfeita quando da transmissão da partida da final do mundial interclubes entre Milan e Santos, na década de 1960. A história da imprensa na cidade faz parte do conjunto de itens encontrados, através da hemeroteca – arquivo de todos os jornais já impressos. O primeiro deles leva um nome um tanto curioso, Santelmo, porém teve poucas edições. Outro veículo que por anos levou informação à comunidade foi o jornal Tribuna de Frutal, hoje não mais encontrado.

Andando pelas instalações do prédio, o visitante vai conhecendo a história da cidade e seus principais personagens

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A disposição dos objetos no museu lembra o estilo das casas antigas, quase não encontradas na cidade dos dias de hoje. Parte da decoração interna chama a atenção dos visitantes. O mobiliário antigo, presente em uma das salas, pertenceu à primeira farmácia instalada na cidade, a “Pharmácia Triângulo”. As prateleiras, relíquias do tempo de quando Frutal começava a se desenvolver, guardam outros pertences adquiridos através de doações. Dentre estes, um livro manuscrito pelo então Senador Gomes da Silva, intitulado “Isa, a cabocla”, além de seus documentos originais, como a nomeação dele ao cargo no Senado. Em uma das salas podem ser encontrados outros documentos, como uma carta que contém a assinatura do Imperador D. Pedro II, adquirida por um frutalense que foi chefe da Guarda Nacional no período. Nas salas do segundo piso do prédio histórico as paredes expõem as fotos de uma Frutal que ficou apenas na memória: casarões,


A vida além do viaduto

Como vivem os moradores do Conjunto Habitacional Alceu Silva Queiroz? Igual a todos

Passam das nove da manhã quando chegamos ao Frutal III e IV. Para os que nunca vieram para este lado da cidade, não é difícil chegar. Pega-se a avenida Brasília, sentido rodovia, e segue-se nela até cansar, ou melhor, até o fim do asfalto. Neste fim há uma rua à direita, ainda asfaltada. Por ela, persistindo mais uns 500 metros, chega-se ao local.

O bairro O bairro, que leva o nome do ex-prefeito Alceu Silva Queiroz, foi construído numa parceria entre a Prefeitura de Frutal e a COHAB (Companhia de Habitação de Minas Gerais), com financiamento através do programa habitacional Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal. Ao entrar no primeiro quarteirão de casas a impressão que se tem é que é um bairro inclinado. Saindo da rua asfaltada de acesso e adentrando para as ruas internas nota-se um forte declive. Dentro do carro este detalhe é insignificante; quando se vai andar a pé a coisa muda de figura. As ruas são todas de terra, e mais tarde saberemos que este é o principal problema do bairro. Nestas ruas de terra, a presença de muitas

pedras, umas maiores, outras menores. Algumas bem redondas, ideal para usar no estilingue – na infância de outra época -, mas extremamente incômodas para se pisar. A primeira parte do bairro, o chamado Frutal III, existe há mais de quatro anos. Com o surgimento do Frutal IV e a formação do bairro Alceu Silva Queiroz, vivem atualmente no conjunto aproximadamente 200 famílias, que pagam em média R$ 60 por mês de prestação de suas casas. O critério para escolha das famílias que recebem o benefício do Minha Casa Minha Vida é principalmente a renda mensal da família. Para este empreendimento, foram contempladas famílias com renda entre um e dois salários mínimos

O bar do Gilmar, único comércio do bairro, é ponto de encontro de moradores e uma espécie de loja de conveniência.

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É de sonho e de pó... As moradias representam o sonho da casa própria. Mas o Alceu Silva Queiroz tem graves carências em sua estrutura urbana e social. Djalma Batista de Mendonça, que está há mais de quatro anos residindo no local, aponta que o maior problema enfrentado pelos moradores é a falta de asfalto. Na época das chuvas as ruas de terra se transformam em lama, e até o ônibus circular, que eventualmente passa pelo local, aí mesmo é que não passa, pois há grande risco de atolamento. Os moradores precisam se deslocar até o asfalto para pegar o ônibus, inclusive as crianças para pegar o transporte escolar. O local próximo a este “ponto de ônibus”, que vai entre aspas porque ponto não existe (por que não se constrói um?), é apenas uma definição do local onde se espera a condução. Este ponto vira um cemitério de sacolas plásticas, dessas usadas em supermercados e “extremamente benéficas” para o meio ambiente. “As crianças vestem sacolas nos

pés para poder caminhar até o ponto onde o ônibus para. As professoras já perguntaram diversas vezes porque as crianças chegam sujas na escola. A gente pergunta: vocês sabem onde moramos? Nós não temos culpa, pois, muitas vezes, o ônibus não passa dentro do conjunto e elas precisam caminhar até o ‘ponto de ônibus’”, relatam alguns moradores. Findas as chuvas, os problemas só mudam de lado. Na época da estiagem, em que o clima está mais quente e a terra seca, a dificuldade é com a poeira. Pó que, inalado, prejudica o sistema respiratório causando espirros, tosse, alergias e problemas mais graves. A falta de asfalto no bairro deve ser resolvida em breve. No local há uma placa que indica que as obras de pavimentação devem durar, no máximo, 240 dias. A questão é que não há data de início. Moradores questionam: 240 dias a partir de quando? Quando Deus der bom tempo? Segundo a construtora, o asfalto chega a partir de junho.

Cidadão de prime classe


Lausamar

humberto

@maricotanog @lausamar

Fotos/Eduardo Uliana

Mariana Nogueira

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O mal na origem As dificuldades encontradas no conjunto habitacional Alceu Silva Queiroz decorrem da falta de critério ao se construir bairros populares. Por uma destas irônicas coincidências, o ex-prefeito Alceu Queiroz é o responsável pelo melhor exemplo na nossa cidade: a criação da Vila Esperança. Com este belo nome, o bairro popular teve que conviver por décadas com o apelido depreciativo de “Vila dos pobres” ou, pior ainda, “Vila dos cachorros”, pela enorme quantidade de cães que vadiavam por suas ruas. Construído sem a infraestrutura mínima, apenas em anos recentes o bairro conseguiu se recuperar e possibilitar condições dignas aos seus moradores. No Frutal III e IV é isso que acontece. Uma pequena creche, uma

pracinha, um área de esporte eram necessários. O asfalto, pelas condições da área, era imprescindível. E deviam ter vindo junto com a entrega das casas. Esta ausência tornou a vida das pessoas muito mais difícil. Mas não era melhor entregar as casas logo para as pessoas, perguntarão? Outros dirão: Há dezenas de outras famílias que gostariam de estar nestas casas. É uma falsa questão. Não é por serem os beneficiados por este conjunto habitacional vindos de uma camada mais pobre da população que precisam se contentar com coisas mal acabadas. Esta ausência de estrutura urbana, com a qual moradores convivem há mais de quatro anos, obriga o próprio poder público a ir remendando os problemas, o que gera um custo desnecessário.

Futuros marinheiro e jogador de futebol Existindo um pedaço de chão e algo cilíndrico ao alcance, teremos brasileirinhos jogando futebol. Com Daniel e Pablo não é diferente. Encontramos os dois na frente da casa da família de Daniel, jogando bola. O espaço tem pouco mais de três metros. Como toda a área daqui, também é inclinado. As traves improvisadas são dois pedaços de canos com as duas pontas dobradas que são enfiadas na terra. É o Maracanã dos garotos. São bons com a bola de capotão murcha e esfarrapada. Daniel, e que o Pablo não nos ouça, parece levar mais jeito pra coisa. Não por acaso, pretende ser jogador de futebol. Não pratica seu esporte no bairro. Não há campos.

Não há nenhuma área para a prática de esporte ou de convivência. Uma pracinha sequer, nada. O local onde havia um minúsculo campinho improvisado foi tomado por tubulações usadas na construção da rede pluvial. A falta de sensibilidade destruiu o campo dos guris. Ambos estudam no longínquo Estadual, a escola Maestro Josino de Oliveira, no outro extremo da cidade. Estão no 6º ano do ensino fundamental. Pablo quer ser marinheiro. Precisa estudar muito, levar a escola a sério, alerta a reportagem. Ele diz saber disso. A irmã de Daniel, sem dar as caras, grita

Um dia a dia de carências

os eira

todos os moradores trabalham em outros bairros e só retornam para suas casas no fim do dia. Ainda assim, é um bairro tranqüilo, de poucas ocorrências policiais, quase sempre pequenos furtos. E quando solicitada, a segurança pública também demora a chegar. Horas depois do chamado, em alguns casos. Mesmo o índice de violência sendo pequeno e os crimes que acontecem, escassos, existe o desejo de que seja feita uma ronda policial mais frequente, como em outras áreas de Frutal. Assim como há a vontade dos moradores de uma creche e um posto de saúde mais próximos, serviços públicos fundamentais.

Nesta matéria encontramos pessoas comuns. Que trabalham todos os dias e, com esforço, buscam educar seus filhos para o melhor caminho. As casas são como todas as outras que existem na cidade, com jardim, animais de estimação e roupas coloridas nos varais. Os cidadãos que moram no Conjunto Habitacional Alceu Silva Queiroz são iguais aos cidadãos das outras regiões de Frutal e querem que o poder público os veja dessa forma. O bairro é de periferia, mas seus moradores não são periféricos.

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Inegável que a condição que mais chama à atenção das pessoas que residem em outros bairros de Frutal é a localização do conjunto. O fato de estar do outro lado da rodovia BR 364, coloca toda esta gente distante de todos os serviços públicos como creches, escolas, hospitais, rodoviária, polícia, fórum. E também dos serviços privados, como o centro comercial e os bancos. Para ter acesso a maioria destes serviços, o morador precisa se deslocar cerca de seis quilômetros, distância do bairro até o centro de Frutal. Por estas características, o conjunto é praticamente um bairro dormitório. Durante o dia a maioria das casas fica fechada. Quase

de dentro da casa, por certo preocupada com a conversa com estranhos, pedindo para o irmão entrar. Decidimos seguir nossa caminhada e não atrapalhar mais o jogo dos meninos.


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O rei da padaria

Fotos/Eduardo Uliana

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No paladar do frutalense quem reina soberano é o mineiríssimo pão de queijo Não é preciso andar muito por Frutal para encontrar pães de queijo à venda, e é até redundante dizer isso, pois estamos em Minas Gerais, terra do pão de queijo. Mas de onde veio esta delícia tão tipicamente nossa? Na verdade, não se sabe exatamente a origem do pãozinho mais famoso do Brasil. Há especulações de que tenha surgido na época da escravidão, quando a mandioca era o pão do brasileiro, nas fazendas de Minas em períodos de escassez de farinha e fartura de queijo. Na verdade, sabe-se que o pãozinho mais famoso do país é mineiro e não nega sua raça, já que o queijo minas é o queridinho nacional. Andando pela cidade encontram-se diversas “casas” de pão de queijo, lojas especializadas em fabricar, vender e distribuir essa delícia e outras como rosquinhas e biscoitos que, nos perdoem por isso, não chegam nem aos pés do rei. No café-da-manhã, no lanche ou até para uma refeição apressada, toda hora é hora de comer um pão de queijo, ou melhor, dois, três, quatro... É na esquina da Rua Santos Dumont com a Rua Raul Soares que encontramos o mais tradicional pão de queijo de Frutal, o Pão de Queijo Mineiro. Quinze anos atrás, José Alves de Lima, o Zezinho e Maria Madalena Santana Lima, a Madalena, abriram a loja. Na época, era a segunda casa de pão de queijo da cidade e se localizava na Rua Itapagipe. Estão até hoje no mercado, agora como o estabelecimento mais antigo do setor.

Zezinho e Madalena garantem pão de queijo quentinho o dia todo

Segundo Madalena, é feita uma média de 1500 pães por dia. “Em Frutal o pessoal considera o pão de queijo como um pão francês. E com uma vantagem: o pão francês precisa de manteiga, requeijão ou mussarela, o pão de queijo vem pronto”, diz Madalena, que aprendeu com a mãe a receita que segue até hoje. Sem dúvidas, em Frutal o pão de queijo é o preferido a qualquer dia da semana e qualquer hora do dia. Já comeu o seu hoje?

Mariana Nogueira

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De Minas para o mundo A delícia que teve sua origem em terras brasileiras é tão apreciada que acabou sendo difundida para todo o mundo. Cada lugar designou um nome próprio para o pãozinho. Na Colômbia é conhecido como pan de bono ou pandebono.Especialistas dizem que o alimento é semelhante ao pão de queijo, exceto pela forma mais achatada. Levando em consideração a rixa existente entre Brasil e Argentina, pode-se dizer que eles não se contentaram em invejar o nosso futebol e também copiaram o queridinho e o mesmo acontece com o nosso vizinho das imitações. Na província argentina de Missiones e no Paraguai, é possível encontrar uma variação do pão de queijo, chamada chipá, que coincidentemente também é usado no Mato Grosso do Sul. Nesse caso, a diferença se dá pelo formato curioso em U. Com isso, se reforça aquela velha história de que em qualquer lugar do mundo é possível encontrar um pouquinho de Brasil. Brasileiros estão por toda a parte, aventuram-se em terras estrangeiras, mas muitos, ao invés de se adaptarem a culinária do local, preferem apresentá-los a nossa típica cozinha, dona dos mais variados temperos e pratos. Dessa forma, por onde passam, levam traços de sua cultura mãe, agregando o gostinho da nacionalidade aos demais locais. Assim, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha, França, Israel, Portugal, Japão, são alguns exemplos de quem também acabou se deliciando com o típico pão de queijo mineiro. “Cheese bread, Käsebrot, pane formaggio, queso pan, pain au fromage” … Países de todo mundo, o Brasil pede desculpa, mas afirma sem humildade que o rei dos quitutes é, modestamente, nosso. Seja qual for o idioma utilizado, o pão de queijo é e continuará sendo legitimamente brasileiro, vestindo a camisa verde e amarela e reinando soberano.

Priscila Minani

@maricotanog @priiminani


Som, luz, câmera... UEMG

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Uma universidade é feita de educadores, alunos, teoria, prática, vivência acadêmica e estudo, muito estudo. É o local de busca e transferência de conhecimento, idéias, domínio e cultivo do saber humano. Mas em Frutal, o Campus da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais) também abre espaço para manifestações artísticas envolvendo professores e universitários. Nesta edição, começamos uma série de reportagens sobre os projetos culturais desenvolvidos na UEMG Frutal. Nossa primeira matéria será sobre a Bateria da UEMG, ou melhor, a Besouteria.

Fotos/Eduardo Uliana

Tá tá, tá tá... tá tá, tá tá... Olha a bateria aí, gente!

Eduardo Uliana Priscila Minani

@eduardoulliana @priiminani

Criada no começo deste ano, a partir de um projeto do professor do curso de Comunicação Social, Edwaldo Costa (o “Guga”), a Bateria da UEMG tem como objetivo promover o desenvolvimento da sensibilidade e criatividade humana por meio do contato com a linguagem artístico-musical. “A UEMG possui, hoje, cerca de 1,5 mil estudantes, sendo que grande parte gosta de música. Este fato pode ser comprovado nas repúblicas estudantis e casas de shows do município onde alguns alunos se apresentam com freqüência”, destaca Edwaldo, que completa, “queremos proporcionar aos alunos que vieram de outros municípios entretenimento e lazer. Afinal, não existem muitas opções na cidade”. Para Rodolfo da Silva Gorjon, aluno do 3º período de Comunicação Social e bolsista do projeto, ter uma bateria no campus ajuda a promover a Universidade e a integração entre alunos de todos os cursos. Ele conta que primeiro a idéia foi lançada na internet para ver qual seria a repercussão junto aos alunos. Foi um sucesso. “Depois disso, tivemos a primeira reunião para ter uma noção de quantas pessoas gostariam de participar. A primeira dificuldade foi conseguir instrumentos, que conseguimos emprestados. Estamos

ensaiando e já conquistamos o reconhecimento de coordenadores e da direção da Universidade, tendo por conseqüência doações e melhorias para a Bateria”, relata Rodolfo. Atualmente, a bateria conta com 40 integrantes dos cursos de Administração, Comunicação Social, Direito e Geografia. Os alunos ensaiam com instrumentos cedidos pelo Centro Cultural “Yara Lins” e pela Escola de Samba Sonho e Fantasia, de Araçatuba (SP). O projeto de extensão do professor Edwaldo foi aprovado pela UEMG e conta com uma bolsa do Estado. Os encontros são realizados no anfiteatro da instituição, duas vezes por mês, após a aula. Apesar do pouco tempo de existência e apenas quatro ensaios no currículo, a Besoteria já mostra a que veio. “Já criamos uma harmonia musical. Agora estamos trabalhando nas paradas e nas músicas que vamos apresentar”, revela Guga. Warley Damásio Neto, aluno do 5º período de Direito, diz que o desempenho dos participantes no ensaio tem sido muito bom. “O que geralmente acontece quando há uma atividade diferente na faculdade é muitos alunos se apresentarem para participar apenas de ‘oba-oba’ sem nenhum compromisso, o que aconteceu no início do projeto. Mas depois de alguns

ensaios, ficou o pessoal que realmente quer participar. Assim não medem esforços para aprenderem o ritmo e desenvolverem bem a melodia”, declara Neto. E olha a responsabilidade. Logo na primeira reunião do grupo, o diretor do Campus de Frutal, Ronaldo Wilson Santos, fez dois convites à Bateria. “Gostaria que a Bateria tocasse na inauguração do HIDROEX (Fundação Centro Internacional de Educação, Capacitação e Pesquisa aplicada em Águas) e no JUEMG (Jogos Universitários das Universidades do Estado de Minas Gerais)”. Também foi por meio do diretor do Campus Frutal que a Bateria teve instrumentos reparados e outros comprados para completar a composição do grupo. A primeira apresentação da Bateria aconteceu no dia 18 de maio. O grupo participou da comemoração referente ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Organizado pelo Caps (Centro de Atenção Psicossocial), o evento chamado “Mica Louca” contou com a participação da Besouteria. A apresentação foi realizada na Concha Acústica, no calçadão de Frutal e despertou o interesse de quem transitava pelo local. O projeto também tem cunho sóciocultural. Isso porque a idéia não é só inserir a bateria dentro da Universida-

O mascote da bateria (desenho: Samuel)

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Mestre “Guga” conduzindo os ensaios da bateria, realizados sempre depois das aulas

de criando um espaço cultural, mas dar oportunidade para que crianças e jovens participem de oficinas musicais, aprendam a confeccionar fantasias e instrumentos musicais. “Sempre que assistia aos desfiles das escolas de samba, o que mais me chamava atenção era a bateria, tanto na televisão quanto ao vivo, era a parte da escola que eu mais admirava o som, o ritmo, a batida. Quando surgiu a idéia da bateria da UEMG, percebi que ali estava a chance de participar de uma coisa que eu tanto gostava”, finaliza Matheus Bassi Petelincar, do 3º período de Administração.


J Vasco cobriu como radialistas grandes jogos entre os dois times

Estádio Woyames Pinto: pincipal palco do clássico

Equipe do Esporte Clube 13 de Maio em pose para foto em 1976

Rafael Del Giudice Noronha

@rafael_giudice

O início da rivalidade

de primeira divisão. Enquanto o Treze de Maio mantinha uma base frutalense no seu elenco, o Arsenal buscava jogadores de fora para os confrontos. Os times levavam uma rotina de clubes profissionais, treinavam periodicamente e, mesmo nos treinos, contavam com a presença de torcedores. Até a década de 70, o Arsenal tinha um retrospecto vantajoso nos confrontos, porém, do ano de 1974 até 1982, ano em que o clássico praticamente morreu, o Treze de Maio conseguiu reverter a situação, conquistando títulos importantes, como o Torneio Tubal Vilela. Nos anos 70 as duas equipes participaram da Taça Minas Gerais, o Campeonato Mineiro da época, porém as campanhas não foram expressivas e a vida de Arsenal e Treze na elite mineira foi curta.

fazia aqui. Agora estou aguardando uma oportunidade de estágio na Alemanha, para conseguir realizar meu sonho que é viver de futebol.” Toninho Borges diz que todo jogo contra o Arsenal era diferente, que os atletas literalmente jogavam com o coração no bico da chuteira e relata seu jogo inesquecível. Diferente de Pelé, ele consegue conter as lágrimas, mas se deixa envolver pela emoção e diz: “Para mim, o jogo mais importante do Treze de Maio foi a final do Torneio Tubal Vilela de 1980. Meu pai, que já não estava entre nós naquele ano, sempre sonhou com a conquista e eu pude marcar um dos gols da partida em que conseguimos o título.”

Os dois times nasceram após uma briga entre dois amigos que jogavam juntos. Edgar e Dêgo. Após o desentendimento, cada um partiu para um lado e levantou sua bandeira. Edgar foi para o Treze de Maio, que já tinha um time, mas só se tornou forte após a sua chegada. Dêgo foi para o Arsenal, que era formado por trabalhadores de uma fábrica de bebidas. Nesse momento nascia a rivalidade que muitos apontam como a maior da região. Frutal, então, passou a viver as emoções desse clássico. Em dia de jogo, para mostrar como a população gostava de prestigiar os times, costumava-se dizer que qualquer casa estaria livre para quem quisesse, afinal, todo mundo estava no campo da cidade. A estrutura das equipes era digna de clubes

A rivalidade entre Treze e Arsenal se desenhava como os clássicos entre Ponte Preta e Guarani, em Campinas, Botafogo e Comercial, em Ribeirão Preto. Duas equipes interioranas e da mesma cidade. Em Frutal, a equipe do Arsenal tinha um caráter mais elitista, enquanto o Treze de Maio era mais popular. Toninho Borges e Pelé, que atuaram pelo Treze, se lembram da partida mais significativa para cada um. Pelé rememora uma decisão: “Naquela partida fiz o gol que alavancou nossa vitória.”, conta e não consegue segurar as lágrimas ao recordar o fato. Muito emocionado, completa: “Tenho amigos na Europa que dizem não ter visto lá o que a gente

Campeonato Brasileiro apenas na sua segunda rodada e já começaram as gozações, as piadinhas, a tiração de sarro. O futebol tem fanatismo. Qualquer torcedor que ama seu clube já acompanha, grita, xinga, comemora, vibra. Mas, e se seu time deixasse de existir? Seus ídolos, seus títulos, suas histórias, vitórias e derrotas ficassem apenas no passado, nas fotos, nas lembranças? É algo comum para as equipes do interior e infelizmente em Frutal a história não foi diferente. Há décadas, onde hoje é a Praça dos Três Poderes, havia um estádio chamado Woyames Pinto. Havia também duas equipes, vários personagens, centenas de torcedores e uma cidade que parava para assistir aos embates entre Arsenal e Treze de Maio. Para os frutalenses mais velhos – ou mais experientes, como queiram -, lembrar desse clássico é praticamente viver tudo de novo. E há quem fique com os olhos marejados ao falar sobre os jogos e recordar daquela que foi a época mais bonita do futebol na cidade.

Jogos inesquecíveis

O último ano em que Treze e Arsenal fizeram grandes clássicos foi em 1982. Hipóteses para que a morte deste derby tenha ocorrido não faltam. A demolição do Estádio Woyames Pinto é uma delas, como conta J. Vasco, veterano radialista e que chegou em Frutal no ano de 1976. “Apesar de ter chegado na cidade quando as equipes já estavam em um momento difícil, acredito que a demolição do Woyames Pinto tenha sido o ponto final do futebol frutalense. A primeira vez que estive aqui foi em uma transmissão da Taça Minas Gerais em 1975, no ano seguinte me mudei para Frutal e acompanhei os últimos anos da rivalidade, pelo menos em campo.” J. Vasco trata o fim da rivalidade apenas no campo, porque acredita que as torcidas permanecem até hoje, e o que falta são profissionais que tenham vontade para reerguer o futebol na cidade. “O futebol é muito político. O material humano de Frutal até hoje é bom, mas quando dez pessoas se unem para fazer algo de bom, outras dez ou até um número maior se unem em oposição, por isso que, em minha opinião, a política mata o futebol. Mas, amanhã, se formarem duas equipes com os nomes Arsenal e Treze, tem torcida. É fanatismo, futebol é assim. A torcida não morreu, ainda é ferrenha e existe.”, afirma. A falta de profissionais, patrocínio e apoio ao futebol, também foi apontado por dois ex-jogadores trezistas como causas para que

hoje não existam equipes como as de 30 anos atrás. Antigamente, como conta Aldo Ayrs, ou Pelé – exzagueiro do Treze e hoje treinador de jovens – as pessoas envolvidas com o futebol tinham paixão pelo esporte, além de credibilidade. “Hoje faltam pessoas qualificadas para assumir os times, como no passado. Não vejo ninguém como Tuti, que foi diretor e treinador arsenalista, ou como Antonio Ferreira Borges, trezista apaixonado. Essas pessoas tinham crédito e respeito para pedir um patrocínio.” Toninho Borges, filho de Antonio Ferreira Borges e ex-capitão do Treze por dez anos, também concorda que a organização atual é precária. “Hoje, temos mais de um estádio na cidade, uma estrutura física boa e os atletas frutalenses continuam bons, mas falta organização. Se um campeonato será realizado, por exemplo, os atletas se juntam, jogam e só voltam a jogar juntos meses depois em outra competição. Enquanto que, em minha época, eu joguei com os mesmos jogadores no Treze durante 10 anos. Nós jogávamos por música, sabíamos onde o companheiro estava sem nem olhar. Talvez essa seja a diferença do futebol de 30 anos atrás para hoje, os meninos não têm a oportunidade que nós tivemos. Então, se por um lado essa entrevista é gratificante, por outro é triste, porque vemos que grupos como aqueles de Treze e Arsenal dificilmente serão formados novamente.”, relata.

Ao tratar da demolição do Woyames Pinto, alguns fatores devem ser considerados. A capacidade, a estrutura, os interesses, tudo deve ser analisado, como fala o engenheiro Toninho Borges. “Frutal já pensava em futebol profissional e o estádio não comportava o número de pessoas que era exigido pela Federação Mineira de Futebol, 15 mil. O Woyames tinha capacidade apenas para 1500.” A demolição impactou a população, mesmo existindo o projeto de construção de um novo estádio, este um pouco mais afastado, o Marretão. O antigo Woyames Pinto era central, por isso a crença de muitos de que a ação do prefeito Pedro Marreta foi uma agressão ao futebol frutalense. O Marretão foi construído seguindo o modelo dos demais estádios brasileiros daqueles anos. Ou seja, estádios grandes, com fossos, onde a torcida ficava mais afastada do campo. Hoje, a arquitetura moderna projeta estádios ao estilo de arenas, com a intenção de deixar o público mais perto do gramado. Portanto, o tema tem de ser olhado segundo os padrões e costumes do momento do acontecimento.

Mesmo que os clubes deixem de existir, mesmo que a organização se torne precária com o passar dos anos, os clássicos interioranos sempre irão existir, ao menos na memória afetiva de cada pessoa que viveu a época. O esporte perde muito com a preocupação excessiva com o lucro, quando deveria se preocupar com o prazer, com a saúde de cada praticante, seja qual for a modalidade. A necessidade de estrutura e profissionais dispostos a lutar pelo esporte não pode desaparecer. Trata-se hoje o esporte como mero negócio. Devese ganhar dinheiro sim, mas não se pode esquecer que, em primeiro lugar, o esporte é lazer, o esporte é inclusão. E é através dele que vemos países humildes, como a Jamaica – no caso do atletismo – se destacar em relação a outras nações com muito mais recursos. O esporte iguala e tem de ser valorizado, seja no interior ou nas capitais. Esporte é vida, não pode morrer. RDGN

O esporte vive

A polêmica demolição

O fim do clássico

Era uma vez um clássico... 1960/1990 28/MAI

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TREZENTÃO 2011


Foto/Eduardo Uliana

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BIS

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Pastel quentinho na mesa e violino afinado nas mãos: prepare-se, o show vai começar.

Um Show diferente na avenida

União entre guloseima vinda da China e instrumento comum em orquestras oferece um modo novo de fazer um lanchinho Priscila Minani

@priiminani

É frito. Em época de obsessão pela silhueta há quem prefira o assado, mas o frito é, cá entre nós, o tradicional e verdadeiro. Feito com uma massa fina e leve, resultado da fusão entre farinha de trigo, óleo, água e uma pitada de sal. Pode ser consumido em qualquer época do ano e agrada a todos os gostos. Eis aí o tão apreciado pastel. O alimento é típico da cultura chinesa, nacionalidade que apresentou a delícia ao Brasil. Em pouco tempo, foi transformada em uma comida genuinamente brasileira. Do pastel de “vento”, composto só pela massa, passando pelos tradicionais, queijo, carne, frango, palmito, até os mais variados e elaborados recheios, poucos tem a coragem de recusar um bom pastel.

O recanto do artista

Definitivamente pastel é bom, e aqui em Frutal é possível encontrar uma pastelaria com um “Q” a mais. Chegar até ela é fácil: parta do Calçadão, ande dois quarteirões no sentido avenida Euvaldo Lodi, e logo em seu começo você chegará na conhecida Pastelaria do Show. Localizado no eixo de Frutal, é numa área de aproximadamente 6 metros quadrados que se divide um espaço de trabalho e cultura. O ambiente é de uma simplicidade monástica. Uma panela com óleo. Uma geladeira. Um freezer. Potes com recheio. Molhos. Massa para pastel. Ins-

tam, além de transmitir carinho e cultura. Natural de Tocantins, mas mineiro desde os cinco anos, a figura dessa história diz que tudo que é novidade é sucesso, mas que no começo as pessoas estranharam a parceria. “Havia timidez e até achavam que eu era maluco, mas hoje as pessoas vêem de outro ângulo porque quero mostrar que elas são importantes e a própria música manifesta isso.” Tenta agradar todos os públicos, tocando diversos tipos de música, pois considera o cliente o seu maior patrimônio. Mas por que escolher justamente o violino? Show tem a resposta. “O violino é o único instrumento que tem alma. É um instrumento que alegra to-

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Música no ar, dinheiro no bolso

teve uma versão semelhante à atual, porém com outro nome, utilizada por povos como os gregos e egípcios. Mas foi um italiano que deu vida a esse instrumento musical. Já deu pra adivinhar o que é, não? Eis que surge o violino. Tal descrição se fez necessária porque na pastelaria do Show é possível uma apreciação dupla, proporcionada pela parceria pastel – violino. Soa exótico, não? Em uma cidadezinha do interior mineiro, comer pastel ouvindo música clássica pode até não ser totalmente estranho, mas é, no mínimo, diferente.

das as pessoas que ouvem. Que não dói no ouvido, transmite paz, aconchego, afeto”. O proprietário de estabelecimento tão diferenciado tem notável paixão por aquilo que faz. No início, pensou em construir uma Rede de pastelarias na cidade. Conseguiu adquirir até a terceira, mas, juntamente com novos pontos, surgiram novos problemas. Show pretendia fabricar somente a massa, matéria-prima de seu trabalho, e não os pastéis em si. Por fim, com a responsabilidade de desempenhar bem o seu papel, decidiu fixar somente um ponto da pastelaria para que pudesse se dedicar à música e tratar atenciosamente seus clientes.

O homem show

Voltando à atitude inusitada de conciliar violino e pastel, Reis afirma que as vendas triplicaram depois que o show começou e atraiu não só os frutalenses, mas também os universitários de outras cidades que aqui vivem. Muitas pessoas vão até o local pela pura curiosidade de conferir de perto a existência do violino e acabam por não resistir à principal atração. Outras chegam tristes ou cansadas após um dia de trabalho, e ao se sentar para degustar a delícia, são surpreendidas pela educação e musicalidade de Ernane e saem de lá visivelmente mais felizes.

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Ernane Soares Reis, 38 anos. É esse o nome de batismo do personagem Show. O apelido surgiu da atitude espontânea de pessoas que passavam pelo local e o chamavam assim. Pelo fato da pastelaria, a princípio, não ter nome, decidiu titulála Pastelaria do Show. O estabelecimento existe há seis anos e é fruto de um sonho que Reis sempre teve. Ele via na televisão jantares finos nos quais pessoas apreciavam boa música e sonhava em proporcionar isso aos seus clientes. Tendo em mente esse interesse, foi em busca de aprender a tocar violino e há seis meses a atração é sucesso. Show diz estar homenageando e dando atenção às pessoas que o frequen-

trumentos de trabalho que se separam da clientela por um modesto balcão. E a atenção e carisma que Show tem com cada pessoa que passa pelo seu cantinho. Uma barraca pequena e simples, mas que faz a alegria dos clientes. O que ocorre também porque há um diferencial no trabalho que seu dono exerce. Além de suculentos pastéis, o lugar conta com uma atração especial destinada à clientela. É um instrumento de cordas friccionadas. Composto por quatro delas. É pequeno. Apoia-se no ombro. Considerado o mais agudo dos instrumentos de sua família. Na antiguidade,


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Vida longa Tememos a morte. Se não a nossa, tememos por nossos pais, por nossos filhos, por nossos irmãos, por nossos amigos, por todos a quem amamos. Apesar de ser um evento certo e incontornável, o simples pensar na morte nos angustia e por isso procuramos sempre evitá-la em nossas conversas e reflexões. Citando Ariano Suassuna, em toda a sua história o homem trava um duelo com o seu fim irremediável. A crença em uma alma imortal, bálsamo que nos é dado por quase todas as religiões, é uma trincheira importante desta batalha. À fragilidade de nossas carnes, opomos uma alma inquebrantável. Agimos assim porque é difícil imaginar não sermos nada. Isso abala a importância que nos damos. Como tudo aquilo que construímos, tudo o que somos, num dia qualquer pode se tornar apenas cinzas? A idéia de nossa aniquilação, o grande enigma do que virá depois, se é que virá, é pensamento que nos atemoriza. Contra isso, esperneamos. A cada dia vivemos mais. Os avanços tecnológicos, a alta qualificação da medicina moderna, as possibilidades da biotecnologia, todos estes fatores são os responsáveis por termos avançado de uma expectativa de vida de 50 anos no início do século passado para 80 anos nos dias atuais. E não é sonho pensar em uma expectativa de vida de 120 anos até o fim deste século. Mas a finitude nos irrita. Isso

explica o fascínio causado por assuntos como a clonagem. A simples possibilidade da construção de outro ser à nossa imagem e semelhança nos deixa excitados. Sabemos que a criação de bebês clonados é uma possibilidade científica real. Ainda que hoje o que se conseguirá será apenas uma cópia idêntica fisicamente ao ser clonado, já há aqueles que vislumbram a possibilidade de clonagem da memória e da personalidade do homem original. Seria a conquista da ressurreição vinda pela genética, não pela religião. Algo que técnicas como a criogenia também prometem. Pessoas com doenças incuráveis seriam congeladas até que a ciência descubra a cura para suas moléstias e elas possam ser reanimadas. Cabem as perguntas: por que tanta busca por uma prolongação inesgotável da existência? Estamos nos fazendo merecedores de todos os prazos ganhos? Evoluímos em comportamento assim como evoluímos cientificamente? As infinidades de erros que nos são escancarados dia-a-dia, cometidos por nós, em todas as partes do mundo, não apenas reforçam a nossa mediocridade? É ela que queremos perpetuar? De minha parte, não pretendo ser clonado, nem congelado, muito menos viver indefinidamente. Que venham os anos que me couberem, e que sejam intensos e úteis, e sei que já é esperar demais.

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O homem que sonha com a eternidade não sabe o que fazer numa tarde de sol de domingo

Ponto Crítico Por Lausamar Humberto

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Crise de identidade Tenho um sério problema com fisionomias. Esta dificuldade de me lembrar das pessoas já me colocou em algumas situações verdadeiramente constrangedoras. É muito comum pessoas me cumprimentarem, conversarem comigo e eu não ter a menor idéia de quem elas sejam. Como minha discrição ou timidez me impedem de perguntar o nome das ditas cujas acaba que tenho longos papos com completos desconhecidos. Dias desses estava revendo o álbum da minha formatura em jornalismo ocorrida no longínquo 1998. Tomei um susto. Na foto que mostra toda a turma, um monte de estranhos. Não que eu não me lembre do nome daquelas pessoas. Minha disfunção é bem pior. Eu simplesmente não me lembro de um dia tê-las conhecido. Convivemos praticamente todo santo dia durante quatro anos e é como se elas nunca tivessem passado pela minha vida. O leitor já deve estar imaginando: esse cara não bate muito bem. Tendo a concordar. Mas o episódio mais exemplar deste meu probleminha com rostos se deu ainda na infância, quando tinha 12 anos. Naquela época – expli-

co para os mais jovens – tirar uma foto 3x4 levava algum tempo. A revelação não era imediata como hoje. Não me lembro por qual razão, precisei tirar tal foto. Um dia depois, voltando da aula no Estadual, passo no Foto Aurélio e retiro minhas fotografias. Ao chegar em casa, observando-as, não gostei de minha aparência. Mostrei pra minha mãe, que ficou espantada. Pensei: nossa, tô feio mesmo. E minha mãe: Mas Lausamar, este não é você. ??? Como não?? Eu vi as fotos. Eram minhas. Não eram. Eu tinha pegado as fotos de outro garoto. Parecido comigo, mas não era eu. E a vergonha de voltar no Foto para trocar...Constrangido, imaginando que o atendente por certo me imaginaria um débil mental, disse timidamente que havia pegado as fotos erradas. Uma senhorinha de cabelos brancos que estava ao meu lado viu as fotos e notou: É meu netinho. Os óculos dela eram mais eficientes do que os meus olhos. Aliás, pensando bem, quem sabe o uso de óculos não resolva meu problema? Preciso agendar uma consulta com o Alexandre Canhada.


Tablet: você ainda vai ter um

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O mundo na palma da mão! Eduardo Uliana

@eduardoulliana

Depois da onda dos telefones celulares com câmera, TV, rádio e internet wireless, agora é a vez dos tablets. Computadores em forma de prancheta eletrônica, sem teclado e com tela sensível ao toque, os tablets foram apresentados ao mundo no início de 2010 e, por meio do seu principal representante, o iPad, ganharam força e prometem ser uma das principais tendências da tecnologia pessoal para os próximos anos. Com tela entre 7 e 10 polegadas, eles podem ser usados para acesso à internet, orga-

nização pessoal, visualização de fotos e vídeos, leitura de livros, jornais e revistas, e para jogos. Todos os tablets já vêm com conexão Wi-Fi e alguns também usam conexão 3G. Mas não se engane. Apesar de apresentar funcionalidades semelhantes aos microcomputadores e smartphones, o tablet é um novo conceito de comunicação, uma vez que a ponta dos dedos funciona como mouse ou caneta, acionando todas as funções do aparelho. E esqueça adaptadores, aparelhos periféricos, fios ou ca-

bos. Nos tablets, tudo é acessado pela tela, ou melhor, o aparelho é a tela touchscreen que cabe nas mãos. Atualmente, há três modelos distribuídos oficialmente no Brasil: o Galaxy Tab, da Samsung; o Xoom, da Motorola e o iPad, da Apple (a segunda geração estará disponível em meados de junho). Mas outros grandes fabricantes do segmento estão de olho no promissor mercado brasileiro e pretendem desembarcar no país ainda este ano. Para quem não está disposto a desembolsar R$ 1,6 mil

e comprar um iPad, existem dezenas de modelos “genéricos” disponíveis em sites de comércio eletrônico. Agora, a pergunta que não quer calar é: por que eu preciso de um tablet? Um dos grandes apelos dos tablets são os aplicativos, que permitem acessar redes sociais e notícias em uma interface confortável. Esses aparelhos também possuem desde simuladores de guitarra e bateria até programas para ensino de química e biologia. Não por acaso, o iPad, da Apple, é o tablet que tem o maior nú-

mero de aplicativos. Somado a isso, estão as já citadas funcionalidades: navegação na web, e-mail, leitura e edição de documentos simples, exibição de vídeos e fotos, além de ouvir músicas. Porém – sempre há um porém – os tablets possuem limitações. Devido ao baixo poder de processamento de alguns modelos, não é recomendável trabalhar com programas pesados, como o Photoshop, CorelDraw ou abrir arquivos pesados de aplicativos como Word, Excel e PowerPoint.

Fique conectado sem dor de cabeça Antes de se render ao aparelho que vai mudar seus hábitos de entretenimento e a forma como você acessa a internet, preste atenção em algumas dicas para não se decepcionar. Modelos com processador de menos de 1 GHz são lentos, especialmente para jogos. Evite as telas “resistivas” (muito menos sensíveis que as telas capacitivas do iPad) e outros modelos incapazes de recursos como o multitoque, essencial em muitos aplicativos. A resolução de tela também é importante: 1024 x 600 pixels em uma tela de 7 polegadas (a resolução do primeiro Samsung Galaxy Tab) é o mínimo em um tablet, especialmente para quem gosta de navegar na web.

Um tablet ofertado por R$ 500 pode parecer muito atraente, mas o preço baixo tem seu motivo. Ele não terá o poder de processamento, capacidade de memória, resolução e tamanho de tela ou agilidade dos modelos mais caros, necessários para uma experiência satisfatória. Muitas operadoras oferecem tablets com conexão 3G por preços atraentes se combinados a um contrato de serviço, tipicamente de 2 anos, com uma mensalidade pré-estabelecida. O problema é que depois de assinar o contrato você não poderá mudar de plano (ou de operadora) antes do fim do contrato sem pagar uma multa. E no mercado de tablets, onde a tecnologia evolui rapidamente, acredite: dois anos é uma eternidade.

iPad 2 O iPad 2, segunda geração do tablet da Apple, será lançado oficialmente no Brasil em junho. Inicialmente, os aparelhos comercializados no país serão importados, sobretudo para suprir a demanda por alguns modelos da primeira geração, esgotada há meses. Mas a previsão é que até dezembro os produtos encontrados nas prateleiras daqui sejam fabricados em solo nacional.

O fruto proibido mais desejado Não por acaso, a marca gravada em todos os produtos da Apple é uma maçã. A empresa de Steve Jobs é responsável por desenvolver e produzir os aparelhos mais cobiçados da última década. Nesta lista estão incluídos: iPod, iMac, iPhone e o sucesso do momento, o iPad. A coleção de aparelhos “i” levou a Apple a fechar o segundo trimestre de 2011 com ganho líquido de quase US$ 6 bilhões. Nesse período, o lucro da companhia subiu 95% e a venda de iPads atingiu a marca de 4,69 milhões de unidades comercializadas. Também foram vendidos 18,3 milhões de iPhone e 9 milhões de unidades do player iPod. As vendas impulsionaram a empresa a registrar recorde de receita, com US$ 24,6 bilhões no período medido. O bom resultado fez com que a Apple superasse a concorrente Microsoft em lucros líquidos pela primeira vez em duas décadas. Foram US$ 5,99 bilhões contabilizados contra US$ 5,23 bilhões da rival.

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Twittadas Inteligência, humor, mau-humor, lirismo, cinismo e acidez em 140 caracteres @piadashomer Tenho Msn, Orkut, Facebook, Badoo, Twitter,etc. Quando eu morrer quero que na minha lápide esteja escrito: Enfim off-line! @Os_Vigaristas O cúmulo da solidão é digitar no Google Tradutor “Eu te amo!” e apertar o botão “ouvir”. @carpinejar A mentira é maratonista, a verdade é velocista.

Nós foi prejudicados

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@sensacionalista Em vez do “Eu vou”, falha no sistema de vendas pela internet do Rock Rio cria o “Eu tentei ir”.

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@AnonimoFamoso Não sou gordo, sou apenas mais fácil de achar na multidão. Carlos Teixeira é gaúcho, natural de Ijuí, 43 anos, formado em jornalismo pela UFSM, mestre por Harvard e doutor pela Universidade de Columbia. É livre-docente na UFRJ e professor visitante em Cambridge. E, acima de tudo, gremista.

Esta vem de fontes de Frutal: já que o MEC, do ministro Fernando Haddad, anda aceitando livros de português que afirmam que erros de concordância são apenas uma questão de preconceito linguístico, algumas centenas de alunos que foram reprovados nestes anos todos pela Dona Zulmira, defensora da língua e atual Secretária de Cultura, prometem processá-la por danos morais. Sofreram preconceito, os coitadinhos. Arranje um bom advogado, Zuzu.

Tem que ser do ramo

@inteligentevida Encontrar quem gosta das mesmas coisas que você é sempre bom, mas encontrar quem odeia as mesmas coisas que você é amor a primeira vista. @bomdeassunto MV Bill na dança dos famosos equivale a Sandy cantando hip hop na Cidade de Deus. @ocriador No convite da Última Ceia, para ninguém faltar, Jesus deixou claro que a festa seria open bar de vinho. @marcelotas A cartilha do MEC ensina português errado para “incluir” os ignorantes. Ué, educação não serve justamente para erradicar a “inguinorança”?

Gustavo Ioschpe, ótimo especialista que acompanhou a série do Jornal Nacional sobre educação, tem apanhando nas redes sociais mais do que mulher do pagodeiro Netinho. A maioria das críticas vem dos sindicatos de professores. Como se atreve a opinar se não é professor? Acho justa a cobrança. Por isso, já matriculei meu cão Toy no curso de Zoologia. Quando tiver que falar sobre o assunto, ele terá uma opinião abalizada.

@kibeloco “Rio treinará guardas para lidar com gays” - Não seria mais adequado que treinassem os guardas para lidar com todos?

Globalizacion Depois do sucesso do 360 nas bancas de Frutal e do Brasil, foi a vez dos nossos “hermanos” argentinos conhecerem o jornal que não torce para o Boca Júniors mas já é paixão nacional. O impresso100% frutalense está sendo exportado para a Argentina e causando prejuízos para a economia local, uma vez que suas vendas estão ultrapassando o consumo de alfajores - principal produto produzido no país vizinho.

@ojosoares Se a vida fosse moleza, não te davam parabéns a cada vez que você completa um ano nela. @humor feminino Qual o problema de passar o dia dos namorados sem namorado? Eu não passo o dia do índio com um índio, nem o dia da árvore com uma árvore. @piadasfail O amor é como a gasolina da vida. Custa caro, acaba rápido e pode ser substituído pelo álcool @José Simão E o diretor do FMI atacou a camareira e perdeu a carreira política. Se fosse aqui, disparava nas pesquisas e a camareira posava pra Playboy! @folha_mercado iPad 2 chega às lojas do Brasil custando R$ 1.649.

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Jornal 360 - 3ª edição