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Saionara da Silva

Leandro Anton

Por Saionara Silva da Silva

Esses dias, estivemos conversando sobre

interesse de saber os motivos de tantos “is” nas ruas do Cristal. Até o meu pai sabia que o nome que está nesta placa se refere ao local de uma batalha da Guerra do Paraguai, eu achei demais. Mas, agora, tenho interesse em descobrir a identidade das ruas do bairro onde eu moro. Inhanduí significa lugar onde o avestruz macho bebe água. Icaraí, água santa ou água benta. Curupaití, lugar de águas brancas, cristalinas, cheia de pedregulhos, e assim por diante. Quem sabe de cada uma dessas histórias é Nasson Remedi de Souza, morador do Cristal há quase 40 anos e dono de uma curiosidade ilimitada para esse tipo de coisa.

qual história eu contaria e decidimos pelos nomes das ruas do Bairro Cristal. Descobrir qual o motivo delas todas terem nomes indígenas. Saímos a caminhar e tiramos muitas fotos: placas, ruas, muros. Algumas placas do Cristal que fotografamos tinham informações. Por exemplo, a placa Jataí indicava que aquele nome fazia referência à Guerra do Paraguai. Isso me chamou muita atenção, eu nunca iria imaginar que esse nome vinha da Guerra do Paraguai. Bom, para falar a verdade, eu nunca tive | 19 |


Leandro Anton

Leandro Anton

“Morei em Petrópolis desde adolescente. Quando vim para o Cristal, foi por uma destas circunstâncias da vida. Troquei parte deste terreno, na época, por um Simca 3 Andorinhas. Eu tinha um amigo desde o tempo de guri que queria vender esse terreno. Vou comprar o terreno do Antônio, pensei. Todos sabiam que eu não tinha dinheiro, mas peguei o Simca e disse para minha mulher que venderia o carro. Num sábado de manhã, cheguei em um determinado ponto da Estrada do Forte e empinei o Simca para oferecer. Tinha um cara no portão que logo me perguntou se eu venderia o carro. Eu disse que não. E ele perguntou: Permite olhar? Olhar, pode. Quero comprar. Não quero vender. Depois eu disse que por cinco milhões de cruzeiros, venderia. Ele disse: Quatro. Por quatro, não vendo. E eu louco para vender o Simca e comprar o terreno. Fechamos por quatro milhões e meio e ele pagou com um pacote de dinheiro. Isso foi em 1960, por aí”. | 20 |


Eduardo Seidl

“Vim morar aqui, sem conhecer o bairro. Eu vendia pulling no Jóquei Clube, um tipo de aposta em cavalo, e estudava. Só tinha vindo ao Cristal para trabalhar no Jóquei. Depois da venda do Simca, eu financiei um Fusca. Isso aqui era um fim de mundo desgraçado, a rua não tinha calçada era um valetão na frente, com esgoto correndo. Comecei a pensar em passar adiante o terreno e a minha mulher disse que tinha gostado daqui e pediu que eu não vendesse. Era tudo um banhado. Logo adiante, tinha o campo da pedreira, duma indústria de brita. E o campo de futebol dos empregados da pedreira. Todo esse quarteirão era uma área de praça. Estávamos mal de colégio e fizemos uma campanha para transformar a área em escola. Foi assim que surgiu o Colégio Estadual Professor Elpídio Ferreira Paes, por causa do nosso movimento comunitário. Quando eu vim, o Arroio Cavalhada já havia sido retificado. Mas o banhado aqui era por causa da Sanga da Morte, que hoje é um canal também porque fizemos campanha e conseguimos a canalização”.

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