Edição 79 janeiro 2020

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www.revista100porcentocaipira.com.br Brasil, janeiro de 2020 - Ano 8 - Nº 79 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Eucalipto cresce mais em sistemas ILPF comparado ao plantio em monocultura

A inserção de árvores nos sistemas integrados de produção agropecuária, como a integração lavourapecuária-floresta (ILPF), ainda encontra resistência por parte de alguns produtores

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Tecnologia da informação: Agricultura 4.0 é uma realidade que veio para ficar

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Governo:

Pesquisa do Mapa mostra que vegetais comercializados no Brasil são seguros

Citros:

Embarques brasileiros de suco de laranja têm alta de 54%

Brasil: BRASIL: Desafio na década será ampliar crescimento

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Artigo:

Eucalipto cresce mais em sistemas ILPF comparado ao plantio em monocultura


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Meio ambiente:

Educação ambiental deve estar atrelada à rotina escolar e familiar

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Certificação:

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Pesquisa: Melhoramento de plantas é resposta para demanda de alimentos

Programa para biocombustível aliado contra desmatamento

Gestão:

Boas notícias para produtores de milho, alho e cebola no Boletim Agropecuário Epagri

Receitas Caipiras: Cabrito assado no forno REVISTA 100% CAIPIRA |

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CAFÉ

Conab apurou queda de 20% na produção de café nesta safra

Brasil, janeiro de 2020 Ano 8 - Nº 79 Distribuição Gratuita

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Fonte: CONAB

A safra brasileira de café para este ano está confirmada em cerca de 49,31 milhões de sacas beneficiadas de 60 quilos, o que representa um decréscimo de 20% em comparação aos números de 2018 A safra brasileira de café para este ano está confirmada em cerca de 49,31 milhões de sacas beneficiadas de 60 quilos, o que representa um decréscimo de 20% em comparação aos números de 2018. É o que indica o 4º Levantamento de Café de 2019, divulgado nesta terça-feira (17), pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A redução deve-se principalmente pela influência da bienalidade negativa do café arábica somada à diminuição da área destinada à produção. A produtividade média é de 27,2 sacas/ hectares, 17,8% menor em relação a 2018. Intempéries climáticas ocorridas em regiões de maior produção também prejudicaram o desenvolvimento das culturas. A área total cultivada chegou a 2,13 milhões de hectares. Em comparação à última safra, houve redução de área tanto para a espécie arábica quanto para o conilon, em um total de 1,2%. Atualmente, cerca de 85% do café encontra-se em produção e 15% em formação. Com relação à espécie arábica, a produção está fixada em 34,3 milhões de sacas, com uma redução de 27,8%. 6 | REVISTA 100% CAIPIRA

Já o conilon alcançou 15 milhões de sacas colhidas, com um aumento de 5,9% em relação ao ano de 2018. A área do arábica soma 1,73 milhão de hectares, com uma queda de 0,9%, e a do conilon ocupa 398,8 mil hectares, redução de 2,5%. A maior parte da área é ocupada pela espécie arábica, com 81% do espaço total. Minas Gerais é o estado que concentra a maior produção do café arábica. Houve diminuição de área nas principais regiões produtoras, como sul, centro-oeste, cerrado, zona da mata e norte do estado. A produção também recuou, chegando a 24,55 milhões de sacas. No Espírito Santo, maior produtor do conilon, ocorreu queda que chegou a 13,5 milhões de sacas e uma produtividade média de 34,27 sacas/ hectares. O efeito da bienalidade negativa afetou inclusive outros estados produtores. Em São Paulo, com predominância do arábica, a produção deve ficar em 4,34 milhões de sacas; Bahia (3 milhões); Rondônia, com destaque para o conilon (2,2 milhões); Paraná (953 mil), Goiás (249 mil); Rio de Janeiro (245 mil); e Mato Grosso (121,4 mil).

Diretor geral: Adriana Reis - adriana@ revista100porcentocaipira. com.br Editor-chefe: Eduardo Strini imprensa@ revista100porcentocaipira. com.br Diretor de criação e arte: Eduardo Reis Eduardo Reis eduardo@ revista100porcentocaipira. com.br (11) 9 6209-7741 Conselho editorial: Adriana Oliveira dos Reis, João Carlos dos Santos, Paulo César Rodrigues e Nilthon Fernandes Publicidade: Agência Banana Fotografias: Eduardo Reis, Sérgio Reis, Google imagens, iStockphoto e Shutterstock Departamento comercial: Rua das Vertentes, 450 – Vila Constança – São Paulo - SP Tel.: (11) 98178-5512 Rede social: facebook.com/ revista100porcentocaipira Os artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião desta revista, sendo eles, portanto, de inteira responsabilidade de quem os subscrevem.


TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

Agricultura 4.0 é uma realidade que veio para ficar

Quando se fala em novas tecnologias, rapidamente algumas pessoas associam os novos mecanismos a modismos passageiros, como o APP do momento ou o aparelho da vez Mas engana-se profundamente quem faz essa associação à Agricultura 4.0. A chegada dessas tecnologias e soluções digitais para criação de valor na cadeia do Agronegócio veio para gerar uma drástica redução dos custos de produção, colheita, transporte, armazenagem, processamento e transmissão de dados. Ou seja, a Agricultura 4.0 permite medir, controlar e otimizar processos do Agronegócio de modos que seriam impraticáveis há poucos anos e isso não é passageiro. Essa praticidade e as tecnologias não irão regredir. Muito pelo contrário, só evoluir e auxiliar nos processos do Agronegócio, em todos os âmbitos. A Agricultura 4.0 permite, por exemplo, a redução na aplicação de defensivos e utilização de combustível e a aplicação de nutrientes corretamente, de acordo com o potencial de resposta da planta. Gera ainda valor agregado, com a segregação e a rastreabilidade de produtos com características específicas de qualidade e uso final. Hoje o Agronegócio pode contar, por exemplo, com drones e satélites, que mapeiam o solo, identificam pragas; com a Internet das Coisas (IoT), que disponibiliza sensores no campo captam informações sobre a lavoura; com máquinas inteligentes que controlam a liberação de insumos, entre tantas outras inovações. Com as novas tecnologias também é possível determinar o local exato onde as pragas estão em uma plantação e, com isso, restringir o uso de defensivos, ao invés de aplicar na área toda plantada, como é comum nos dias de hoje. A tecnologia 4.0 também pode ser usada na logística do campo, para monitorar e gerir frotas.

Mas para se chegar a esta evolução no campo, o Brasil deve, imprescindivelmente, se adaptar. Soluções digitais em geral requerem conectividade. A falta de acesso a redes de transmissão de dados pode dificultar ou atrasar a adoção de tecnologias 4.0 pelo Agronegócio brasileiro. Apesar do acesso considerável à Internet, apenas duas a cada 10 propriedades são cobertas por redes 3G ou superior no Brasil. A presença de “máquinas inteligentes” na produção ainda é tímida, dada a relevância da agricultura brasileira. Ficamos atrás de países como a China e os Estados Unidos neste quesito. O tamanho de nosso país e as dificuldades de se obter a infraestrutura serão barreiras que devem ser vencidas de maneira complementar entre a iniciativa privada e também por iniciativas públicas. A tendência é o gargalo da infraestrutura ir diminuindo com o tempo, à medida que o produtor rural e o restante da cadeia mudarem a mentalidade. Outra dificuldade a ser vencida para a aplicabilidade da agricultura 4.0 no Brasil é que boa parte das informações da produção agrícola brasileira ainda se encontra em planilhas eletrônicas ou no “caderninho”. Essas duas maneiras citadas de se armazenar dados se tornam obsoletas dentro do conceito da Agricultura 4.0, pois só informam ao produtor e ao empresário o que foi feito (o passado e, no máximo, o presente). Enquanto as novas tecnologias permitem extrair conhecimento do passado e com isso a decisão do que é preciso fazer ou deveria ter sido feito (modelos preditivos). A falta de dados históricos estruturados sobre o desempenho da lavoura e do negócio é um grande obstáculo

para a captura rápida dos benefícios das tecnologias digitais. Apesar de representar mais de 20% do PIB brasileiro, o setor do Agronegócio demandou menos de 2% dos investimentos em softwares no ano de 2018, o que é considerado muito pouco perto das possibilidades e da representatividade do Agronegócio. O desenvolvimento de tecnologias 4.0 é mais “barato” em comparação com outras ondas de tecnologias agrícolas (como a química e a biotecnologia). Se por um lado isso aumenta as chances de surgimento de inovações valiosas, também cria dificuldades na hora de escolher onde colocar foco frente a tantas possibilidades. Hoje, por exemplo, além da rotulagem de alimentos, os consumidores estão muito mais conscientes do que compõe sua alimentação. Querem saber exatamente o que comem. É preciso, então, que a outra ponta da cadeia, o produtor, esteja com as informações digitais interligadas a todo o sistema de produção, armazenamento e distribuição para que o consumidor final tenha o seu desejo atendido corretamente de origem e características dos alimentos. Os empresários da cadeia integrada do Agronegócio precisam de atentar às mudanças tecnológicas e se adaptar se quiserem sobreviver e, acima de tudo, prosperar. Pois, na busca pela eficiência, eficácia e pela qualidade, não dá para se destacar e se aprimorar fazendo o mesmo dos dias de hoje ou do passado. Robinson Cannaval Jr – Sócio fundador e diretor do Grupo Innovatech, Diretor executivo da Innovatech Consultoria, Formado em Engenharia Florestal pela ESALQ/ USP, com especialização em Gestão estratégica de Negócios pela Unicamp e MBAs em Finanças e Valuation pela FGV.

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Eucalipto cresce ma comparado ao plant ARTIGO

A inserção de árvores nos sistemas integ a integração lavoura-pecuária-floresta parte de algun

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ais em sistemas ILPF tio em monocultura

grados de produção agropecuária, como (ILPF), ainda encontra resistência por ns produtores

Fonte: Embrapa Agrossilvipastoril REVISTA 100% CAIPIRA |

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ada vez mais, entretanto, dados de pesquisas mostram que, se bem manejado, o comp onente arbóreo gera ganhos produtivos e econômicos. Pes quis a re a lizada na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT), em uma área de ILPF com Eucalyptus urograndis plantado em linhas triplas e renques distantes 30 metros, mostrou que nos cinco anos iniciais, as ár vores no sistema integrado cresceram 18% a mais do que ár vores plantadas em monocultura. As ár vores da ILPF ganharam em média 3,8 cm/ano, enquanto aquelas em silvicultura solteira ganharam 3,2 cm/ano. De acordo com o pesquis ador da Embrap a Pe c uár ia S u l H é l i o To n i n i , a d i f e r e n ç a evidencia a maior competição por luz na monocultura. EmFOTO 1

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bora o crescimento fosse distinto, não havia s e verif icado variação significativa no volume de madeira entre os indivíduos comparados. O manejo das ár vores, com a retirada das linhas laterais e manutenção da linha central, entretanto, mudou ess e quadro. Em dois anos, o ganho em volume da área de ILPF com linha simples chegou a ser 54% maior do que na área com monocultura e 25% maior do que na área com renques de linhas triplas. “A n t e s d o d e s b a s t e h a via um efeito de competição muito grande. As linhas das bordas acabam suprimindo o crescimento da linha central. A média de crescimento do renque era alta, mas, se pegássemos somente a linha central, pensando em serraria, ela estava perdendo em cres cimento. Quando f izemos

o desbaste, convertendo de linhas triplas para simples, ele retomou o crescimento e isso p o s s i b i l i t o u o g a n h o”, e x p l i ca o pesquisador da Embrapa Maurel Behling. As ár vores suprimidas no decorrer do experimento foram utilizadas para produção de postes, outdoors e também como lenha. Em uma situação de fazenda, isso representa renda para o produtor antes mesmo do corte final da madeira. Manejo beneficiou todos os componentes do sistema Esse manejo das ár vores suprimindo as linhas laterais do renque triplo também resultou em maior ganho para o sistema. Nos tratamentos em que havia lavoura, a soja chegou a ter perda de produtividade de 24% no quinto ano, quando comparada a uma la-


FOTO 2

v ou r a s o lt e i r a . Ap ó s o d e s b a s te, porém, recuperou a produtividade, igualando à lavoura sem ár vores. A pecuária também se beneficiou da maior entrada de luz para as pastagens, preser vando a sombra para os animais. No sistema com ár vore, o ganho de peso de novilhos nelore por hectare em um ano foi de 40 arrobas, cerca de 30% maior do que em um sistema sem ár vores. Behling explica que a decisão sobre o manejo das ár vores deve ser tomada de acordo com a estratégia definida e com o propósito do uso da madeira. “S e o objetivo é usar como biomassa, quanto menos int e r v e n ç õ e s , m e l h o r, j á q u e há um custo elevado de mão

de obra para as podas e desramas. Agora, se o objetivo é ter madeira de qualidade para serraria, os manejos são necessários. Para iss o, o valor agregado da madeira tem que compensar as despesas do p r o d u t o r ”, p o n d e r a . “F” além do eucalipto De acordo com dados da A s s o c i a ç ã o R e d e I L P F, d o s 11,5 milhões de hectares com sistemas ILPF no Brasil na safra 2015/2016, somente 17% eram em configuração com ár vores. O eucalipto ocupa a maior p ar te dess a áre a. Porém, não é a única espécie. Pes quis as desenvolvidas pela Embrapa em seus campos e x p e rFonte: i m e n t ABEEólica ais e em áreas co-

m e rc i a i s , a s c h a m a d a s Un i d a d e s d e R e f e r ê n c i a Te c n o l ó g i c a (URT), test am e va lidam o us o de outras espécies. Os resultados têm servido para comprovar a viabilidade de algumas delas, para gerar dúvidas sobre outras e também para descartar algumas. Em Mato Gross o, uma esp écie que tem se sobressaído é a teca (foto 1). Com alto valor agregado, a ár vore tem um cenário econômico favorável e boas características silviculturais. “A s s i m c o m o o e u c a l i p t o , a teca já tem seu manejo cons olidado. Além diss o, ela s e adapta bem às condições climáticas e tem alto valor agregado, chegando a R$ 1.500/ m ³ ”, e x p l i c a B e h l i n g . REVISTA 100% CAIPIRA | 11


O bom rendimento financeiro, entretanto, vem à custa de uma longa espera até a teca atingir ponto de corte. Em monocultivos, os primeiros cortes ocorrem com 20 a 25 a n o s . N a I L P F, n o e n t a n t o , a tendência é de haver redução na espera em até cinco anos. Isso ocorre devido à menor competição por luz entre as ár vores. A expectativa em alg u m a s U R Ts d e I L P F é d e s e fazer o corte aos 18 anos. Um a d e s v a nt a g e m d a t e c a é a perda de folhas no período seco em algumas regiões, reduzindo o conforto térmico para o gado. “A d e s f o l h a v a r i a d e a c o r d o com as características de solo e clima de cada local. Mas se o objetivo do produtor é ter confor to térmico para o gado, uma opção é fazer um consórcio, usando a teca com outras e s p é c i e s ”, a r g u m e n t a o p e s quisador da Embrapa. Nas regiões Sul e Sudeste, espécies como a grevília, o pinus e a bracatinga têm se destacado no uso em sistemas integrados. Na Região Norte, experiên-

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cias com nativas, como o bordão-de-velho, mulateiro, taxi branco e cedro-doce, mostram que é possível usá-las tanto em plantios em renques quanto conduzindo a regeneração natural nas pastagens. Algumas delas são madeireiras, outras prestam ser viços ao sistema. O bordão-de-velho é um exemplo. C omo leguminosa, além de fornecer sombra, ele fixa nitrogênio no solo e suas vagens podem ser usadas na alimentação animal. O mesmo ocorre com a gliricídia, espécie muito utilizada em sistemas ILPF no Nordeste e que tem como principal função alimentar o gado. A desvantagem de algumas espécies nativas é a lentidão no cres cimento, o que exige em alguns casos de sistemas com pecuária que as mudas sejam protegidas com cerca, para evitar danos causados p elo gado. O risco é que os animais predem o tronco das ár vores ou mesmo as quebrem. A predação, inclusive, tem sido o maior entrave ao uso do mogn o a f r i c a n o e m I L P F. O s d a -

nos causados pelos dentes dos animais provocam deformações no tronco e prejudicam o cres cimento. Algumas espécies frutíferas também têm se mostrado viáveis, principalmente para pequenos agricultores. Exemplos bem-sucedidos com o uso de p equizeiro, co queiro, bar u, guariroba, goiabeira e cajueiro mostram a versatilidade d o s s i s t e m a s I L P F. Baixa viabilidade Outras espécies florestais como paricá (pinho-cuiabano) e pau-de-balsa (foto 2) a até chegam a ter característ i c a s d e s e j á v e i s p a r a a I L P F, como o rápido crescimento e interess e de mercado. Entretanto, p or demandarem manejo de condução de copa e por terem baixo valor agregado, na maioria das vezes não são economicamente viáveis. O mesmo ocorre com o bapuruvu. A acácia mangium também demanda manejo quando dest inada à s er rar ia. Porém, p or ser uma leguminosa, é uma


boa alterativa para solos arenos os. Além diss o, é p ossível agregar uma renda extra com a pro dução de melato, um mel produzido por abelhas a partir da seiva secretada pelas ár vores. Já o mogno brasileiro e o cedro enfrentam problemas com pragas, como a broca do p onteiro (Hypsypy l a g randella), que inviabilizam a util i z a ç ã o n o s s i s t e m a s I L P F. Configuração na ILPF

das

ár vores

Além da escolha da espécie, um aspecto importante para a utilização de ár vores em sistemas integrados é o planejamento da conf iguração. A primeira questão a se levar em conta é qual é o carro-chefe do sistema. As ár vores, a pecuária ou a agricultura? A resposta a essa pergunta ajudará a pensar na quantidade de ár vores usadas e também na orientação do plantio. Em terrenos com declividade acima de 3%, os princípios da conservação do solo devem v i r e m p r i m e i r o l u g a r. D e s s a forma o plantio deve ser feito em nível. Já em áreas planas, recomenda-se o plantio sentido leste-oeste. “Esse é o sentido do movimento do sol, o que favorece a quantidade de radiação luminosa que entra e é distribuída nos espaços entre os renques. Dessa forma, ocorre um benefício às culturas intercalares, que passam a ter maior pot e n c i a l f o t o s s i n t é t i c o”, e x p l i ca a pesquisadora da Embrapa Cerrados Karina Pulrolnik. O espaçamento entre os renques geralmente é definido pelo maquinário utilizado na fazenda. “O pro dutor d e ve ve r i f i c ar qual é a operação mais cara

que ele faz na área. Se for a colheita, fazemos múltiplos da largura da colheitadeira. Se forem as pulverizações, utilizamos a barra do pulverizador como referência. Sempre lembrando de deixar de um metro a um metro e meio de margem em cada lateral para evitar danos às ár vores e facilitar a m a n o b r a”, e x p l i c a o p e s q u i s a dor da Embrapa Agrossilvip a s t o r i l F l á v i o Wr u c k . A escolha da configuração dos renques, se com linhas simples, duplas, triplas ou múltiplas, depende dos objet i v o s d o p r o d u t o r. S e e l e t e m a finalidade de produzir madeira para serraria, renques simples ou triplos são mais indicados. Se quiser produzir biomassa, duplos, triplos ou múltiplos podem ser a alternativa. No caso de renques triplos, somente a linha central será conduzida para serraria. Behling explica que com linha simples tem-se a adição de renda, uma vez que as árvores ocupam apenas o espaço dos próprios troncos, representando cerca de 5% do total da área. Na medida em que se aumenta o número de linhas, há uma substituição de renda, uma vez que o espaço ocupado pelas ár vores e pela projeção d a s o m b r a d e l a s é m a i o r. “A m e l h o r o p ç ã o v a i d e pender de um conjunto de fatores. Se tenho uma situação restritiva de logística e de mercado, a adição de renda s erá a melhor op ção. S e eu tenho uma condição com logística favorável e uma grande demanda por biomassa, a substituição de renda passa a ser mais interessante para o p r o d u t o r ”, e x p l i c a o c i e n t i s t a , lembrando ainda de aspectos decisivos, como a disponibilidade de mão de obra. Ár vores trazem mais água e

mitigam emissões As vantagens da utilização das ár vores em sistemas ILPF vão além dos ganhos diretos. Estudos mostram importantes benefícios para o meio ambiente, como a maior infiltração de água no solo e a mitigação das emissões de gases de efeito estufa. De acordo com medições feitas na Embrapa Agrossilvipastoril, enquanto na sucessão de soja na safra por milho com braquiária na safrinha o escoamento foi de 2,4% do total de precipitação, no sistema silviagrícola esse número foi de apenas 1,7%. Em um local onde chove cerca de 2.000 mm/ano, iss o representa 14 litros a mais de água infiltrando por metro quadrado. Em um hectare, são mais 140 mil litros disponíveis para as plantas ou abastecendo o lençol f reático. A abs orção de CO2 no processo de fotossíntese e o acúmulo de carbono em sua biomassa fazem das ár vores importantes compensadores nas emissões de gases causadores de efeito estufa em um sistema produtivo. De acordo com informações do programa da Embrapa C arne C arb ono Neutro, u m s i s t e m a I L P F o u I P F, c o m uso de pecuária de corte, com 227 ár vores de eucalipto por hectare, é capaz de compensar as emissões de metano de 7,1 UA / h a / a n o a o s t r ê s a n o s d e p l a n t i o d a s á r v o r e s e 1 0 , 8 UA / ha/ano aos seis anos. Em um sistema mais adensado, com 357 ár vores por hectare, a compensação equivale a 12,8 e 1 7 , 5 UA / h a / a n o , r e s p e c t i v a mente. Como a capacidade de sequestro de carbono é maior do que o potencial de emissão de metano, ess es sistemas são considerados mitigadores de emissões de gases causadores do efeito estufa e do aquecimento global. REVISTA 100% CAIPIRA |13


CAPACITAÇÃO

Projeto capacitou 480 piscicultores do Estado do Amazonas em 2019

Fonte: Embrapa Amazônia Ocidental

Pelo projeto, em 2019 foram capacitadas 482 pessoas, a maioria formada por produtores rurais de base familiar, mas englobando também técnicos de assistência e extensão rural, em cursos promovidos em diferentes municípios do Estado do Amazonas. A realização de um curso sobre cultivo de tambaqui em tanque escavado, realizado nos dias 03 e 04 de dezembro, em Rio Preto da Eva, encerrou a programação deste ano do projeto “Transferência de tecnologias para o desenvolvimento da piscicultura no Estado do Amazonas - Peixe-Pró”, desenvolvido perla Embrapa Amazônia Ocidental. Pelo projeto, em 2019 foram capacitadas 482 pessoas, a maioria formada por produtores rurais de base familiar, mas englobando também técnicos de assistência e extensão rural, em cur14 | REVISTA 100% CAIPIRA

sos promovidos em diferentes municípios do Estado do Amazonas. Para o pesquisador Roger Crescêncio, coordenador do Peixe-Pró, o objetivo do projeto é aumentar a produtividade da piscicultura no Estado, especialmente no cultivo de tambaqui, por meio do incentivo à adoção de tecnologias já validadas pela pesquisa. “Hoje a maioria dos produtores de tambaqui tem uma produtividade muito baixa e a adoção de tecnologia e de um manejo adequado pode aumentar a produção em uma mesma área, gerando mais produção e renda

para o piscicultor”. Para o pesquisador, a piscicultura tem um grande potencial, mas precisa ser desenvolvida de forma profissional, utilizando tecnologias adequadas e disponíveis para o produtor. No total foram realizadas dez capacitações em 2019, em nove municípios do Estado: Manacapuru, Itacoatiara, Manaus, Presidente Figueiredo, Benjamin Constant, Iranduba, Humaitá, Apuí e Rio Preto da Eva. Uma das capacitações realizadas foi sobre reprodução de tambaqui, realizada em parceria com Secretaria Executi-


va de Pesca e Aquicultura (SEPA) do Estado do Amazonas e realizada no Centro de Treinamento, Tecnologia e Produção em Aquicultura (CTTPA), em Balbina, município de Presidente Figueiredo. Segundo Crescêncio, para este curso foram convidados piscicultores de diferentes municípios com o objetivo de incentivar a produção de alevinos de qualidade nas suas regiões. De acordo com o pesquisador ainda é comum para o piscicultor ter prejuízos em decorrência de uso de alevinos que baixa qualidade. “Muitas vezes o produtor compra alevinos que não se desenvolvem e crescem como o esperado, perdendo parte ou até toda a produção”, disse. O Peixe-Pró faz parte do conjunto de 19 projetos da Embrapa que formam o Projeto Integrado para a Produção e Manejo Sustentável do Bioma Amazônia, financiado com recursos do Fundo Amazônia e operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As capacitações realizadas

pelo projeto contaram com a parceria do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Estado do Amazonas (Idam). Para o ano de 2020 ainda estão previstas outras ações do projeto, como um workshop e um Dia de Campo. A última capacitação foi realizada na Fazenda Confiança, no interior de Rio Preto da Eva e contou com a participação de 55 pessoas. O curso foi dividido em dois dias, com aulas teóricas e práticas. O conteúdo procurou abranger todas as fases da produção de tambaqui, desde a construção dos tanques para a criação, passando pela sanidade e nutrição dos peixes, o uso de equipamentos como aeradores, até a despesca e transporte do tambaqui. Nas atividades práticas, o pesquisador demonstrou como são feitas algumas análises essenciais para a condução da atividade, entre elas o controle da qualidade da água, dentro dos parâmetros estabelecidos pela pesquisa para um bom desenvolvimento dos peixes. Crescêncio fez demonstrações

de como utilizar os kits existentes no mercado que avaliam, entre outras coisas, os níveis de acidez da água. Também foram feitas demonstrações de como aferir o oxigênio nos tanques, outro parâmetro fundamental para a boa condução da produção. Para o piscicultor Pedro Paula da Costa, que possui propriedade na comunidade Nova Esperança, em Rio Preto da Eva, a capacitação vai ser muito útil para a qualificação de sua produção “Estou na atividade há cerca de dois anos e meio, e muitas informações que foram repassadas no curso eu não tinha e, com certeza, vão ajudar para que consiga produzir mais e obter mais renda”. O produtor, que já tem uma área de cerca de três hectares de tanques, ressaltou que pretende adquirir novos equipamentos, especialmente aeradores para aumentar a produtividade. “Deu para a gente ver que com o uso desses equipamentos dá para produzir muito mais peixes dentro de uma mesma área”.

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GOVERNO

Monitoramento: Pesquisa do Mapa mostra que vegetais comercializados no Brasil são seguros para consumo PNCRC, que monitora tanto resíduos de pesticidas como de contaminantes químicos e biológicos em produtos de origem vegetal, aponta que 92% das amostras estão dentro do nível de conformidade

Fonte: MAPA

O Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes em Produtos de Origem Vegetal (PNCRC/Vegetal) realizado entre 2015 e 2018 mostrou que 92% das amostras analisadas estão dentro do nível de conformidade, ou seja, os vegetais são seguros para consumo. O PNCRC monitora tanto resíduos de defensivos agrícolas como de contaminantes químicos (exemplo: arsênio e cádmio) e biológicos (exemplo: micotoxinas e Salmonella) em produtos de origem vegetal. São analisadas amostras de produtos nacionais e importados. Desse valor, 53% não apresentaram nenhum resíduo e contaminante e outros 39% das amostras apresentaram valores abaixo do Limite Máximo de Resíduos (LMR) estabelecido no Brasil. O levantamento é realizado pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (DIPOV), da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Outros 8% das amostras apresentaram inconformidades. Desse total, 7% 16| REVISTA 100% CAIPIRA

representam inconformidades relacionadas a resíduos de pesticidas e 1% mostraram a presença de contaminantes. Os resultados do PNCRC se assemelham aos divulgados pela Autoridade de Segurança Alimentar Europeia (EFSA – European Food Safety Authority) e pela Administração de alimentos e remédios dos Estados Unidos (FDA - Food and Drug Administration) sobre o tema. “Os números mostram que os resultados encontrados no Brasil estão plenamente de acordo com os parâmetros internacionais. Então, os produtos brasileiros são seguros, inclusive internacionalmente”, diz o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal, Glauco Bertoldo. Foram analisadas 4.828 amostras de 42 alimentos coletadas para análises laboratoriais realizadas pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA). As amostras coletadas são obtidas em centrais de abastecimentos, estabelecimentos beneficiadores e propriedades rurais.

O Plano do Ministério da Agricultura complementa o Programa de Análise de Resíduos em Alimentos (PARA), realizado pela Anvisa, em um sistema maior de monitoramento de resíduos de agrotóxicos em alimentos no Brasil. Defensivos agrícolas O maior número de amostras analisadas pelo PNCRC foi direcionado para o monitoramento de ocorrência de resíduos de defensivos agrícolas, pois os contaminantes químicos e biológicos são detectados em menor número de produtos de origem vegetal e, portanto, em menor frequência. Na análise exclusiva para presença de resíduos de pesticidas, o resultado do período é de 89% de conformidade. Em 2018, chegou a 92% de conformidade. Outros 11% das amostras apresentaram inconformidades, como o uso de produtos não permitidos para a cultura (6,6%), pesticidas acima do limite máxi-


mo de resíduos (2,75%) e uso de agrotóxicos proibidos no Brasil (1,54%). “O fato de um defensivo agrícola não permitido para a cultura ter sido detectado não significa, necessariamente, risco para a saúde dos consumidores. Isso acontece muitas vezes em pequenas culturas, que não encontram produtos apropriados para a utilização. A detecção de defensivos acima do Limite Máximo de Resíduos indica que o uso do produto foi inadequado, não seguindo as orientações da bula do produto.”, explica Bertoldo. Análises O

verde, suco de uva, vinho, mamão, maçã e uva. As amostras são encaminhadas aos LFDAs, que conduzem análises multiresíduos com metodologias validadas e acreditadas pela CGRE/Inmetro com reconhecimento internacional, para escopo de variadas matrizes incluindo frutas, hortaliças, grãos, temperos e matrizes especiais. O método multiresíduos de agrotóxico considera a análise de mais de 200 princípios ativos com perspectivas de ampliação rápida para mais de 300. Dos 42 produtos de origem vegetal analisados nos quatro anos, a maioria apresentou mais de 90% de conformidade ao longo do período analisado, como alho, batata, café, milho (canjica e pipoca), entre outros. Nas inconformidades abaixo de 80% (a maio-

quantificáveis (NQ), 41.8% continham resíduos em concentração iguais ou menores que aquelas legalmente permitidas e 4.1% continham resíduos em concentração superiores àquelas legalmente permitidas. O relatório americano de 2017 elaborado pela Administração de alimentos e remédios dos Estados Unidos (FDA - Food and Drug Administration) mostra que 52.5% das amostras domésticas analisadas não continham resíduos detectáveis e 96.2% das amostras foram avaliadas como conformes, mais uma vez se assemelhando a conformidade observada em 2018 no PNCRC/Vegetal. Se consideramos os Limites Máximos de Resíduos estabelecidos pelo Codex Alimentarius ou pela Comissão Europeia, os índices de conformidades do PNCRC/Vegetal seriam ainda maiores, porque a legislação brasileira é mais restritiva que a internacional. Ações Após os resultados do PNCRC/Vegetal, o Mapa investiga todas as não conformidades identificadas com objetivo de proporcionar orientação quanto aos resíduos presentes e visando a

PNCRC analisou no período 42 produtos de origem vegetal: batata, tomate, manga, citrus, cebola, beterraba, alho, abacaxi, pimentão, alface, cenoura, banana, amendoim, kiwi, milho pipoca, soja, morango, castanha do brasil, pimenta do reino, trigo, feijão, arroz, milho canjica, milho grão, pêra, café grão cru, goiaba, melão, farelo de soja, cevada malteada, café torrado, amêndoa de cacau, castanha de caju, amêndoa doce, pistache, aveia, milho

ria por uso de produtos não registrados para a cultura) aparecem pimentão e morango. Europa e Estados Unidos Os resultados de 2018 do PNCRC/ Vegetal se assemelham aos apresentados pela Autoridade de Segurança Alimentar Europeia (EFSA – European Food Safety Authority). O mais recente resultado de monitoramento divulgado pela EFSA (2017) revelou que 54.1% das amostras não continham resíduos

garantia d e conformidade e qualidade nos produtos colocados para consumo da sociedade. O Mapa utiliza em seus métodos de controle e fiscalização a Instrução Normativa Conjunta nº 02 de 2018, que estabelece a obrigatoriedade de rastreabilidade por todos os entes da cadeia de produção e comercialização de produtos de origem vegetal. A garantia da rastreabilidade permite visualizar toda cadeia produtiva e atuação no caso de necessidade de investigação. REVISTA 100% CAIPIRA |17


SAÚDE ANIMAL

SP: Novos investimentos devem triplicar produção de antígenos usados no diagnóstico de brucelose e tuberculose em animais O Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Gustavo Junqueira, esteve no IB em 18 de dezembro para conhecer as aquisições O investimento de R$ 3,5 milhões na compra de equipamentos para o Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, deve triplicar a produção de imunobiológicos pelo Brasil até 2021 e abrir caminho para nova área de pesquisa na produção em grande escala. O IB é a única instituição brasileira autorizada a produzir os insumos que atendem o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT). Os imunobiológicos são utilizados para o diagnóstico de tuberculose e brucelose em animais. Sem esses antígenos, 18| REVISTA 100% CAIPIRA

Fonte: Secretaria de Agricultura de SP

o País não pode vender nem comprar animais no exterior, além de prejudicar o trânsito interestadual e impactar diretamente na saúde da população. Pesquisas utilizando os novos equipamentos permitirão ainda dobrar o prazo de validade dos produtos e produzir frascos com doses menores, para atender a demanda dos pequenos produtores rurais. O Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Gustavo Junqueira, esteve no IB em 18 de dezembro para conhecer as aquisições. Segundo o médico veterinário do IB, Ricardo Spacagna Jordão, o Instituto adquiriu três equipamen-

tos para o Laboratório de Produção de Imunobiológicos, localizado em São Paulo: uma envasadora automatizada de frascos, um fermentador Single Use, que é único na América Latina e tem capacidade para produção de 300 litros 30 vezes maior do que o usado hoje pelo Instituto --, e um sistema automatizado de ultrafiltração. Os dois primeiros equipamentos já foram instalados e as pesquisas iniciadas. O sistema de filtração deve entrar em funcionamento em março de 2020. O recurso para a compra dos equipamentos foi disponibilizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), por meio do


Plano de Desenvolvimento Institucional em Pesquisa (PDIP). “Esses equipamentos vieram apoiar a pesquisa aplicada para otimização de processos e novos produtos no Instituto Biológico. Nossa produção de imunobiológicos anual é de 4,5 milhões de doses, aproximadamente. Esperamos em 2020 aumentar em 38% a produção e em 2021 triplicar. Nos últimos quatro anos a produção já aumentou 2,5 vezes, sendo que para os próximos a expectativa é de aumentar esta taxa de crescimento. Com isso, poderemos atender a demanda nacional de imunobiológicos, que é de 12 milhões de doses por ano”, explica Jordão. A melhoria da infraestrutura laboratorial também permitirá aumentar de um para dois anos o prazo de validade dos produtos, uma demanda antiga dos clientes. Outro ganho para os pecuaristas será a quantidade de doses dos produtos ofertados. Atualmente, um frasco de Tuberculina, usado para o diagnóstico de tuberculose, possui 50 doses, para brucelose AAT, 160 doses, e Prova Lenta, também usado para diagnóstico de tuberculose, 60 doses. Além dos tamanhos tradicionais, o IB passará a também ofertar frascos com 20, 64 e 24 doses, respectivamente. “Isso é muito importante para o pequeno produtor. Se o pecuarista, por exemplo, tem dez animais na sua fazenda, não precisará comprar um frasco de 50 doses. Como trabalhamos com produto biológico não é possível guardar, ou seja, 40 doses teriam que ser descartadas. A redução nos frascos traz ganhos econômicos para o produtor, aumenta a qualidade e reduz o desperdício, que hoje é estimado em 30% por conta do tamanho dos frascos”, afirma o médico veterinário do IB. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) já autorizou o IB a produzir imunobiológicos em frascos menores. Além do aumento da capacidade de produção e a melhoria dos produtos, o IB planeja expandir suas

pesquisas na área e ampliar seu portfólio de produtos para o setor produtivo. “Os ganhos são em cascata. Maior produção significa mais recursos financeiros para a compra de equipamentos e desenvolvimento de novos produtos. Este é o início para melhorar o atendimento ao pecuarista, novas parcerias tecnológicas e aumentar o nosso portfólio”, afirma. O Laboratório de Produção de Imunobiológicos do IB possui licença de funcionamento expedida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que garante a qualidade dos produtos produzidos pelo Instituto de pesquisa paulista. O IB comercializa os kits com imunobiológicos para 24 Estados brasileiros, além do Distrito Federal. A venda é feita para médicos veterinários habilitados, por meio de casas agropecuárias que compram estes produtos do IB. “O Instituto Biológico está equipado com o que há de mais moderno no mundo nessa área. Estamos à frente nas pesquisas e esses equipamentos vão nos ajudar a ampliar os estudos e a produzir novos produtos para promover a sanidade no rebanho brasileiro”, afirma Ana Eugênia de Carvalho Campos, diretora-geral do IB. O Secretário de Agricultura e Abastecimento conheceu as instalações do Laboratório e os equipamentos em visita ao Instituto Biológico em 18 de dezembro. “O IB tem expertise no desenvolvimento de pesquisas em sanidade animal. Precisamos que haja cada vez mais um trabalho integrado com a Defesa Agropecuária, para que esses resultados sejam levados para o produtor”, diz. O que são imunobiológicos? → Os imunobiológicos são antígenos microoganismos mortos, proteínas produzida por bactérias etc usados para diagnosticar doenças, entre elas a tuberculose e a brucelose em diversas espécies, principalmente nos de produção, como os bovinos. O IB disponibiliza aos pecuaristas

brasileiros kits para análise. Caso os animais apresentem resultado positivo na pesquisa de anticorpos, precisarão ser eutanasiados e a propriedade pode até mesmo ser interditada. “Caso a carne ou leite infectados sejam consumidos, as pessoas podem se contaminar com essas doenças, daí a importância de se fazer o controle sanitário”, afirma Jordão. Os custos para manter a sanidade de um rebanho são bem menores do que as perdas que essas doenças podem causar. “O trabalho do IB tem grande influência no controle e erradicação da tuberculose e da brucelose, beneficiando a pecuária nacional e contribuindo para torná-la competitiva”, explica o médico veterinário do IB. Alguns países, como a Rússia, não importam carne de países com risco dessas doenças. O Brasil busca a erradicação da brucelose e tuberculose. Segundo Jordão, estudos indicam que São Paulo possui 2,3% de animais positivos para brucelose e 1,3% para tuberculose. Os Estados Unidos calcularam que os benefícios da erradicação da tuberculose bovina poderiam chegar a 300 milhões de dólares. A brucelose bovina reduz em até 25% na produção de leite e de carne. Estima-se prejuízo anual de US$ 600 milhões na América Latina. O diagnóstico da tuberculose e brucelose nos animais utilizando os imunobiológicos somente pode ser feita por médicos veterinários habilitados. No caso da brucelose, o diagnóstico é feito in vitro. O profissional habilitado utiliza uma gota do soro do animal e mistura com uma gota do imunobiológico para identificar se há formação de aglutinação, que são grumos da ligação antígeno-anticorpo. Se sim, o animal tem, ou já teve, brucelose. “O teste de tuberculose é feito in vivo, ou seja, o imunobiológico é injetado na pele, no pescoço do animal. O médico veterinário mede a prega formada (reação positiva na pele da tábua do pescoço do animal) e identifica se há reação ou não”, explica Jordão. REVISTA 100% CAIPIRA | 19


AGRICULTURA DE PRECISÃO

Drones são novos aliados do trabalho d

Empresa utiliza equipamentos para mapeamento d degradadas e monitoramento de p

Fonte: Assessoria de Comunicação – Emater-MG

Quando a Emater-MG surgiu, há 71 anos, ainda com o nome de Associação de Crédito e Assistência Rural (Acar), os técnicos da empresa desbravavam o Estado dirigindo antigos Jeeps e, muitas vezes, a cavalo ou mesmo a pé. Era assim que eles conseguiam conhecer as propriedades, fazer o levantamento da produção agropecuária mineira e prestar assistência técnica aos produtores rurais. As décadas se passaram, os veículos ficaram mais modernos, os acessos melhoraram, a tecnologia evoluiu e a necessidade de ser preciso no diagnóstico da atividade rural de Minas Gerais aumentou. E foi de olho nesta nova realidade que a Emater-MG – vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) - está agora utilizando dois Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT), popularmente conhecidos como drones. Os equipamentos, com câmera fotográfica e um software específico, 20| REVISTA 100% CAIPIRA

permitem a elaboração de mapas em 2D e 3D, estudos de uso e ocupação do solo, avaliação de falhas em plantios, incidência de pragas e doenças, cálculo de produtividade, entre outras utilidades. Catorze profissionais da Emater-MG passaram por treinamento para a operação dos drones. “Os drones são uma ferramenta empregada na chamada agricultura de precisão. São especialmente voltados para coleta de dados espacializados, para serem trabalhados na geração de informações georreferenciadas. Eles fazem principalmente serviços de topografia aérea e monitoramento de lavouras, com baixo custo e resultados rápidos”, explica o coordenador estadual de Tecnologia e Inovação da Emater-MG, Péricles Squaris Marques.

mento das propriedades certificadas pelo programa Certifica Minas Café. Foram caracterizadas áreas de todas as regiões produtoras de café do Estado, num total de 2,2 mil hectares. O mapeamento obteve informações precisas sobre o tamanho e a distribuição geográfica das propriedades certificadas. A disponibilização desses dados foi feita por meio do Geoportal do Café, uma plataforma que reúne dados socioeconômicos para subsidiar políticas públicas e investimentos privados de toda a cadeia produtiva do setor em Minas Gerais. A empresa também foi contratada para utilizar os drones em estudos de zoneamento ambiental produtivo. Em Montes Claros, no Norte de Minas, foi feito um mapeamento em áreas de recarga hídrica para aplicação de técUso no campo nicas de conservação de solo e água. Um exemplo é o dimensionamento das A primeira experiência da Ema- bacias de captação construídas para o ter-MG com os drones foi no mapea- armazenamento de água da chuva.


da Emater em Minas Gerais

de lavouras, identificação de áreas pragas e doenças

Segundo o coordenador da Emater-MG, a empresa está participando de diversos eventos pelo Estado para divulgar este novo trabalho desenvolvido com auxílio dos drones, principalmente na agricultura familiar mineira. “O emprego na agricultura familiar é ainda inicial. A nossa participação em eventos vem auxiliar nos esclarecimentos necessários para que estes agricultores venham se beneficiar diretamente, em suas propriedades, da inovação tecnológica”, afirma. Emater 4.0

Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), inicia um trabalho de mapeamento de lavouras de cana-de-açúcar para diagnosticar a sanidade de lavouras. O uso do sensor espectral acoplado ao drone da Emater-MG vai permitir elaborar laudos para uso racional da queima controlada para combater doenças fúngicas e bacterianas de difícil controle químico. Outros ser viços também estão previstos, como o mapeamento de linhas e falhas de plantio, além da determinação do volume de bagaço para produção de energia. “O mapeamento digital, com diversos tipos de sensores óticos embarcados nos drones, permite a tomada de decisão de forma rápida e racional, gerando economia Canaviais na aplicação de insumos, evitando desperdício e melhorando a gesNo próximo ano, a Emater-MG, tão do agricultor”, explica Péricles em parceria com a Associação das Squaris. Trabalhos parecidos também foram feitos nos municípios de Juramento e São Gotardo. Outra utilidade dos drones da Emater-MG foi para o mapeamento das áreas irrigáveis no leito do rio Paraopeba, que foram prejudicadas pelo rompimento da Vale em Brumadinho. Este mapeamento é necessário para os produtores de hortaliças e grãos. Por meio das imagens coletadas pelos equipamentos, são indicados com precisão os pontos de coleta de amostras de solo com maiores possibilidades de contaminação vinda das águas do rio. Os técnicos da empresa também utilizarão os drones no mapeamento da primeira etapa do Projeto Jaíba, visando a regularização fundiária dos lotes dos assentados.

A utilização de drones pela Emater-MG faz parte do programa lançado em dezembro pela Empresa, chamado Emater 4.0. Ele é uma referência à Agricultura 4.0, que se baseia em conteúdo digital por meio do processamento e análise do grande volume de dados, que vêm sendo produzidos em todas as áreas que contribuem com o desenvolvimento agrícola. Conhecimentos que podem ser aplicados em todos os elos da cadeia produtiva. Algumas das tecnologias empregadas na Agricultura 4.0 são: internet das coisas, veículos autônomos, sensores e satélites. Além dos drones, a Emater-MG tem desenvolvido outras ações, como a criação de uma sala de videoconferência em Belo Horizonte para reuniões virtuais com as equipes do interior do estado, a criação de um aplicativo para conferência do patrimônio da empresa e uma ferramenta digital que vai agilizar o atendimento dos técnicos no campo, melhorando as análises das atividades das propriedades rurais, conhecido como Deméter. O Emater 4.0 faz parte do programa Agritech, do Governo de Minas Gerais, que é coordenado pela vice-governadoria. O Agritech tem o objetivo de desenvolver e disponibilizar novas tecnologias que irão contribuir para o desenvolvimento da agropecuária mineira. REVISTA 100% CAIPIRA |21


CITROS

E m b a r q u e s brasileiros de suco de laranja têm alta de 54%

O aumento entre julho e novembro nas exportações de suco de laranja pode estar relacionado à movimentação de estoques 22| REVISTA 100% CAIPIRA


As exportações totais de suco de laranja brasileiro (FCOJ Equivalente a 66º Brix) registraram uma alta de 54% entre os meses de julho a novembro de 2019, em comparação com o mesmo período do ano passado. Os embarques totalizaram 535.714 toneladas até o quinto mês da safra, ante as 347.159 toneladas no último período. Em faturamento, as exportações somaram US$ 921 milhões, 39% acima dos US$ 662,7 milhões obtidos no mesmo período do ano passado. Para fins estatísticos e que para que seja possível usar a mesma base de comparação a CitrusBR converte os diferentes sucos exportados para 66 graus Brix, o que significa 66% de sólidos em uma tonelada de suco. Segundo o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, conforme o Fundecitrus divulgou recentemente, a safra 2019/2020 está estimada em cerca de 385 milhões de caixas, o que a coloca entre as maiores dos últimos 10 anos. “Com um volume grande de laranja para processar é natural que nesta época do ano haja movimentação de estoques do Brasil para os destinos finais, para ter o produto disponível para a venda e para liberar espaço nas unidades brasileiras”, explica. De acordo com Netto, ainda não é possível saber quanto desse aumento está relacionado à movimentação de estoques ou a um possível aumento de demanda. “Teremos que esperar os próximos meses para ver como as exportações se com-

portam para ter uma ideia melhor do que está acontecendo”, avalia. Para o seu principal destino, a União Europeia, os embarques de suco de laranja totalizaram nestes primeiros cinco meses 365.987 toneladas, 59% acima das 230.783 toneladas exportadas na safra anterior. O faturamento somou US$ 637,7 milhões, 45% a mais que em 2018/2019, quando foram obtidos US$ 439,5 milhões. Segundo principal destino do suco de laranja brasileiro, os Estados Unidos, no período, importaram 92.369 toneladas, 36% a mais que entre julho e novembro do ano passado, com 67.890 toneladas. Em faturamento, os embarques para os Estados Unidos somaram US$ 149,5 milhões, 16% acima dos US$ 128,6 milhões no mesmo período da safra passada. Os embarques de suco de laranja para o Japão também registraram alta entre julho e novembro deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Nesta temporada, já foram exportadas para o país, 34.797 toneladas, 86% a mais que nos cinco meses da safra 2018/2019, com 18.664 toneladas. O faturamento subiu 78%, com US$ 63,1 milhões ante os US$ 35,4 milhões. A China registrou uma alta de 97% nas importações de suco de laranja brasileiro no período, chegando ao volume de 22.382 toneladas (no mesmo período de 2018/2019, foram 11.364 toneladas). “Historicamente a China tem um desempenho melhor em anos de produtos com preços mais baixos e como o FCOJ se desvalorizou muito no último ano por conta dos fundamentos de mercado, especialmente o aumento da oferta de fruta, faz sentido que a China aumente as compras”, diz Netto. A alta no faturamento foi de 43%, com US$ 32,6 milhões na comparação com julho/novembro da safra passada, US$ 22,9 milhões. Suco Concentrado e Congelado (FCOJ – Frozen Concentrate Orange Juice) Os embarques de suco concentrado congelado (FCOJ 66 brix), entre julho e novembro, para todos os destinos, totalizaram 423.461 toneladas, 67% a mais

que as exportações registradas no mesmo período da safra passada, quando foram embarcadas 252.890 toneladas. O faturamento nesta temporada somou US$ 703,5 milhões, 46% acima dos US$ 482 milhões obtidos no mesmo período do ano passado. Para a União Europeia, 290.269 toneladas de FCOJ foram exportadas nos cinco primeiros meses da safra atual, 66,7% acima das 174.039 toneladas referentes ao período semelhante da safra passada. Em faturamento, as exportações já somaram US$ 488,4 milhões, o que representa uma alta de 47% em relação aos US$ 332,3 milhões do período anterior. E, para os Estados Unidos, o volume de FCOJ embarcado entre julho e novembro de 2019 totalizou 55.851 toneladas, 83% a mais que em 2018/2019, que somou 30.386 toneladas. O faturamento foi de US$ 81,4 milhões, 47% superior que o mesmo período da safra passada, US$ 55,3 milhões. NFC (Not Concentrate) As exportações de NFC, suco em sua diluição natural (12 brix) para todos os destinos, tiveram uma alta de 16% nos cinco primeiros meses da safra 2019/2020, em relação ao mesmo período da safra passada. Nesta temporada, foram embarcadas 617.392 toneladas de NFC ante as 531.774 no ano passado. Em faturamento, isso representou uma alta de 20%, com US$ 217,5 milhões ante US$ 180,6 milhões no período correspondente no ano anterior. Nestes quatro meses, para os países da União Europeia, foram exportadas 416.450 toneladas de NFC, 30% acima das 320.096 toneladas embarcadas no mesmo período de 2018. Em faturamento, os volumes somaram US$ 149,3 milhões, 39% acima dos US$ 107,2 milhões registrados no ano passado. Para os Estados Unidos, os embarques de NFC entre julho e novembro registraram uma queda de 5%, com 200.848 toneladas ante as 211.560 toneladas embarcadas no ano passado. O faturamento teve queda de 7%, com US$ 68,1 milhões na atual temporada ante os US$ 73,2 milhões do mesmo período Fonte: CitrusBR da safra passada. REVISTA 100% CAIPIRA | 23


LOGÍSTICA E TRANSPORTE

Porto de Paranaguá faz embarque pioneiro no Brasil A primeira operação do País de DDGS, um coproduto da produção do etanol de milho, inicia nesta semana e anima o setor portuário e a indústria no Estado. A tendência é que essas exportações aumentem para os próximos anos

Fonte: APPA

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E s t a s e m a n a , o Po r t o d e Paranaguá embarca a primeir a c a r g a d e “f a r e l o” p r o d u z i d o pelo processamento do milho para o etanol. Conhecido no mercado como DDGS, a operação será um teste para que o produto passe a entrar na rotina das exportações paranaens es a granel. Neste primeiro lote, 27,5 mil toneladas serão l e v a d a s a o R e i n o Un i d o , I n glaterra, pelo navio Interlink A c u i t y. “Ficamos animados quando a demanda surgiu e, mais ainda, quando esta operação foi confirmada. É uma oportunidade de ampliação de negócios não apenas para o porto e operadores, mas, também, para a indúst r i a d o E s t a d o”, afirma o presidente da empresa p ú b l i c a Po r t o s d o P a r a n á , L u i z Fernando Garcia. O navio que vai receber a carga (que em inglês usa a sigla para Grãos Secos de Destilaria com Solúveis/ Dried Dist i l l e r s G r a i n s Wi t h S o l u b l e s ) chegou na última segunda-feira (16) e está programado para atracar e iniciar o carregamento, no b erço 212, no C or re dor de E xp or t aç ão, no próximo di a 22. “O p r o d u t o é n o v o . Nu n c a f o i e x p o r t a d o p e l o Po r t o d e Paranagu á. Ness a op eraç ão, vai utilizar as nossas correias e a infraestrutura do Corredor de E x p o r t a ç ã o”, a f i r m a o d i r e t o r d e o p e r a ç õ e s , L u i z Te i x e i r a d a S i l v a Ju n i o r. D e a c o r d o c o m Te i x e i r a , qualquer novo produto que se agrega às operações portuárias anima toda a cadeia. “Principalmente quando se enxerga que este é um segmento que vai

crescer ainda mais. O produto só vem a somar à capacidade do Corredor de Exportação; nos preparamos para essa dem a n d a”, c o m p l e t a . OPER AÇÃO – O lote j á está completo e armazenado no terminal da Cimbessul, em Paranaguá. S egundo o coordenador de operações portuárias Ronaldo Zucarelli, foram 700 caminhões que descarregaram o DDGS nos armazéns da empresa. O produto está segregado no armazém, como exigido

mante. PRODUTOR – O produto e m b a r c a d o p e l o Po r t o d e P a r a nagu á foi pro duzido em Sinop, no Mato Gross o, p el a Inp as a Agroindustrial S.A. No país, a empresa chega a processar 3,6 mil toneladas de milho por dia, produzindo 1,5 milhão de litros de etanol e mil toneladas de DD GS diariamente. S egundo o G erente C omercial, Jeferson Santi, além da primeira exportação de DDGS da empresa, pelo país, esta seria a pioneira no Brasil. “Estamos chamando a atenção porque vai ser a primeira exportação do país. Mais um produto do Agron e g ó c i o b r a s i l e i r o”, afirma. “Estamos animados por estar abrindo este mercado exportador no B r a s i l ”, c o m p l e t a E li ane Mont an heiro, p e l o c o m p r a d o r. responsável pelo departamento C o m o e x p l i c a Va l m i r Pe d r o log íst ico do g r up o. Adamante, diretor exec utivo Como explicam os repredo terminal, a movimentação sentantes da Inpasa, atualmendesse subproduto do milho é te esse mercado é dominado n o v i d a d e p a r a o s e t o r. “ É u m p e l o s E s t a d o s Un i d o s q u e desafio que a gente assumiu. A chegam a expor tar cerca de 40 gente está com espaço sobranmilhões de toneladas de DDGS do e res olvemos encarar o pro- ao ano. “E les j á apres ent aram cesso e esperamos ter sucesso ess e pro duto. O mundo j á con e s s e e m b a r q u e”, a f i r m a . n he ce ess e merc ado. O Brasi l Esse, segundo ele, será um q u e a i n d a e s t á d e s c o b r i n d o”, primeiro teste, mas as persdizem. p e c t i v a s s ã o b o a s . “ Pe l o q u e No Brasil, além da unidaa gente vê de crescimento na de de Sinop, a empres a de ve produção do Brasil. Este é um abrir uma segunda unidade em negócio que vai andar forte Nov a Mutu m , t amb é m no Mato nos próximos anos. Estamos Gross o, que de ve s er inaugua n i m a d o s”, c o m e n t a . rada no segundo semestre de O diretor afirma que são vá- 2020, agregando a produção de rios os países que já demonsmais 750 toneladas de DDGS, t ram interess e no pro duto, p ois p or d i a . O g r up o te m , no Par a o DDGS já vai processado e guai, outras duas unidades que p r o n t o p a r a o c o n s u m o . “ Va i j á exp or t am p elo p aís v izin ho. ser um negócio interessante, “ Te m m u i t o e s p a ç o p a r a o que vai comp etir com o merproduto crescer tanto no mercado do farelo da soja e vai c ado inter no, qu anto inter nac r e s c e r m u i t o”, a n i m a - s e A d a c i o n a l ”, c o n c l u i J e f e r s o n .

...É uma oportunidade de ampliação de negócios não apenas para o porto e operadores, mas, também, para a indústria do Estado”

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BRASIL

BRASIL: Desafio na década será ampliar crescimento

Marcada por uma das maiores recessões da história, a década que chega ao fim deverá deixar um legado negativo para a que ainda vai começar 28 | REVISTA 100% CAIPIRA


Os economistas acreditam que, de forma sustentada, o Brasil possa crescer algo como apenas 1,5% por ano, embora no curto prazo haja espaço para superar esse percentual, devido à alta capacidade ociosa do capital e do trabalho. Mesmo com o ajuste fiscal e as reformas liberais em curso, o consenso da pesquisa Focus de expectativas do mercado financeiro é que, dentro de quatro anos, a economia atinja uma velocidade máxima de cruzeiro de 2,5%. Esperança - A esperança é que os economistas estejam mais uma vez enganados, como estiveram há uma década. Eles acreditavam, então, que o Brasil havia entrado numa fase duradoura de prosperidade, com taxas de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5%. Até os economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI), geralmente mais contidos nas suas projeções, previam um crescimento médio de 4,3%. Média - A média de crescimento de 2010 a 2019 será de 1,38%, considerando uma estimativa de expansão de 1,1% do PIB neste ano. Com base no começo oficial da próxima década, que se inicia em 2021, a média de avanço do PIB em dez anos ainda mais desfavorável. No período de 2011 a 2020, ela é de 0,86%, levando em conta uma expansão do PIB de 2,25% para o ano que vem - nesse período, fica de fora o avanço da economia de 7,5% registrado em 2010. Risco - “O risco para a próxima década é o PIB potencial surpreender para cima, não para baixo”, afirma o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa. “É difícil medir o efeito na produtividade de todas essas reformas que estão sendo feitas, por isso elas não estão nas contas da maior parte das pessoas.” Estímulos monetários - O Banco Central entrará, em 2020, no quarto ano de estímulos monetários, com a possibilidade de um corte adicional da taxa de juros em fevereiro, para 4,25% ao ano. Mas os limites da política expansionista já entraram no radar. Pela primeira vez, alguns membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC manifestaram, em ata divulgada

ontem, preocupação com o risco de a economia se acelerar demais, preenchendo mais rápido do que o esperado a capacidade ociosa da economia. Engano - O BC, porém, pode estar enganado nos seus temores. Na última década, o Copom errou de forma consistente as suas estimativas de inflação. Num primeiro período, até 2016, projetou inflação menor do que a efetivamente medida. Desde então, passou a errar para o outro lado, superestimando a inflação. O conjunto de analistas do setor privado cometeu os mesmos erros. Médio prazo - “Toda essa discussão sobre como aumentar o PIB potencial será importante apenas no médio prazo”, diz o economista Marcelo Kfoury Muinhos, professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP). “Existe capacidade ociosa para crescer acima do PIB potencial por uns dois anos.” Limites externos- Especialistas começam a discutir também os limites externos à expansão da economia, depois que um aperfeiçoamento feito pelo BC na metodologia de cálculo do balanço de pagamentos revelou que o déficit em conta corrente era mais alto que se imaginava, em 3% do PIB. Fatores passageiros- O ex-diretor de assuntos internacionais do Banco Central Tony Volpon diz que as estimativas do PIB potencial (velocidade máxima que a economia pode crescer no longo prazo sem acelerar a inflação) feitas há uma década eram vitaminadas por fatores passageiros. O Brasil vivia o chamado bônus demográfico, que foi a entrada de um grande contingente de trabalhadores no mercado. O ambiente internacional também era muito benéfico aos exportadores de commodities, com a alta de preços provocada pela expansão quantitativa feita pelos países desenvolvidos e a demanda da China. Outro mundo - “O mundo era outro”, afirma economista-chefe do Banco Santander, Ana Paula Vescovi. Ela cita alguns números: a China crescia 10,6% em 2010, e o comércio internacional, 7%. O barril do petróleo chegou a US$ 91,80, a tonelada do minério de ferro estava em US$ 173 e o índice de commodities cresceu 25%. Toda essa

sensação de riqueza nos termos de troca se trazia numa cotação do dólar de R$ 1,67. Tripé macroeconômico - O PIB potencial também foi fortalecido com a manutenção, pelo governo Lula, do chamado tripé macroeconômico, com o respeito ao regime de metas de inflação, câmbio flutuante e superávits primários. “O sentimento no primeiro governo Lula era de que estávamos virando a página na questão macro”, diz a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif. “O primeiro governo Lula reduziu muito o medo de uma política econômica heterodoxa, e o risco-país caiu”, diz Honorato, do Bradesco. Mudança - As expectativas otimistas para o PIB potencial se frustraram com a virada dos ventos internacionais e relaxamento do tripé macroeconômico. “A mudança na política macro começou no final do governo Lula”, diz Zeina. Um sintoma disso foi o superaquecimento da economia, que facilitou a eleição da presidente Dilma. No exterior, os termos de troca ficaram menos favoráveis. “O ambiente externo virou a partir de 2010, e o governo entendeu errado essa virada, como se fosse uma crise semelhante à de 2008”, afirma Volpon, que é economista-chefe do UBS Brasil. “Houve uma má reação de política econômica, com um conjunto de medidas que ficou conhecido como a nova matriz macroeconômica.” Distante - Passada uma década, o ambiente internacional segue distante do quadro de 2010. O crescimento da China é estimado pelo FMI em 6,1% para 2019, o barril de petróleo está cotado em torno de USS 65, a tonelada do minério de ferro está em US$ 94 e o índice de commodities sobe pouco mais de 10% em 12 meses. Mais importante, o comércio mundial deverá registar uma expansão de apenas 1,2% neste ano, em virtude da guerra comercial. Expansão menor - O ambiente internacional menos favorável - junto com o fim do bônus demográfico faz com que, na partida, a economia brasileira tenha uma perspectiva de expansão menor. “Para crescer mais, teria que ter alguma coisa positiva no ambiente mundial, algo que melhorasse os termos de troca do país”, afirma REVISTA 100% CAIPIRA |29


Volpon. Fatores domésticos - Sem uma sorte grande na economia mundial, uma taxa sustentada de crescimento mais robusta dependerá de fatores domésticos. Zeina chama a atenção para o legado negativo que foi deixado pela recessão e pelas más políticas econômicas adotadas a partir do fim do segundo governo Lula, que estão sendo corrigidas gradualmente desde o governo Temer. “A economia tem uma alta capacidade ociosa, mas o longo período de crise deteriorou o estoque de capital, inclusive o capital humano”, afirma. Capacidade de crescimento - A capacidade de crescimento é determinada por basicamente três fatores: o número de trabalhadores na economia; o estoque de capital investido na economia; e a produtividade desses fatores, ou seja, quando é possível produzir para cada unidade de trabalho e de capital. A oferta de trabalho depende de fatores demográficos; o estoque de capitais é determinado pelos investimentos; e a produtividade, também pelos investimentos e pelas reformas econômicas. Cálculo rápido - Muitos dos economistas ouvidos pelo Valor fizeram um cálculo rápido de cabeça: no período de 20 anos até 2017, a economia cresceu em média pouco menos de 2%, com uma taxa de investimento média de 18% do PIB no período. Hoje, a taxa de investimento está pouco acima de 16% do PIB, e a população cresce menos. Dessa forma, a capacidade de crescimento sustentado seria inferior a 2%. Os percentuais mais citados, calculados pelos modelos econométricos, são algo como 1% ou 1,5%. A projeção de expansão de 2,5% no médio prazo revela, portanto, alguma esperança de que as reformas fiscais e microeconômicas vão fazer algum efeito para estimular investimentos e a produtividade. Poupança - Ana Paula Vescovi, que foi secretária do Tesouro Nacional e ex-secretária-executiva do Ministério da Fazenda, lembra que a contrapartida dos investimentos é a poupança. Ela faz um outro cálculo rápido: a poupança do setor privado é de 19% do PIB, mas o déficit do governo consome algo 30 | REVISTA 100% CAIPIRA

como 5% ou 6% do PIB dessa poupança. Sobra, portanto, apenas uma poupança de 13% do PIB para bancar os investimentos na economia, de pouco mais de 16% do PIB. Diferença - “Essa diferença entre o investimento e a poupança doméstica é financiada pela poupança externa”, afirma ela. A contrapartida dessa poupança externa é o déficit em conta corrente, que chegou a 3% do PIB, depois que o BC fez uma revisão na metodologia estatística do balanço de pagamentos. “Os economistas começaram a olhar esse fato, mas por ora esse não é um gargalo fundamental. Se fizermos nossa parte, vamos atrair investimentos diretos e em carteira para o financiamento externo.” Despoupança - A questão fundamental, sustenta, é aumentar a poupança doméstica. “É preciso reduzir a despoupança do setor público”, diz. Ou seja, reduzir o déficit dos governos, que dessa forma deixariam de absorver uma parte relevante da poupança doméstica. A despoupança do setor público, argumenta, também ajuda a explicar os limites mais estreitos para o crescimento da economia, quando comparado com a situação de uma década atrás. Em 2010, o Brasil tinha superávit primário de 3,05% do PIB e um déficit nominal de 2,5% do PIB. Ajuste - “Aos poucos, estamos fazendo o ajuste e convergindo para um padrão melhor, mas ainda temos déficit primário”, afirma Ana Paula. O resultado está negativo em 1,5% do PIB, e o governo só prevê superávit em 2023. “Aqui e ali, estão dizendo que a dívida se estabiliza com déficit primário, mas não tem mágica que sustente isso. Se todo mundo perceber que o Brasil vai ficar com um déficit primário permanente, o prêmio de risco aumenta, e a dívida pública volta a subir.” Caminho - Honorato concorda que a redução da despoupança do setor público é um caminho para aumentar os investimentos. Ele chama a atenção, por outro lado, para o fato que a taxa de poupança reage à retomada da economia. As empresas respondem por uma parcela significativa da poupança privada, e a economia aquecida aumenta lucros e a poupança das empresas.

Menos ativos- Para ele, o Brasil também pode absorver um pouco mais de poupança externa. A revisão nas estatísticas do balanço de pagamentos revelou, argumenta, que o país está acumulando menos ativos no exterior (recursos que eram contabilizados como lucros reinvestidos no exterior, na verdade, foram gastos em outras transações da conta corrente). Isso é diferente de o país precisar atrair mais capitais estrangeiros para cobrir um déficit em conta corrente mais alto. Além disso, afirma, o país pode manter déficits se tiver com uma economia organizada, que usa bem os recursos para melhorar a capacidade de crescimento. Aposta - A aposta atual do mercado é que os limites do PIB potencial não pesem nas decisões do Banco Central até o começo de 2021, para quando os analistas esperam o início do ciclo de alta de juros. Mas, até lá, o Copom deverá navegar um período de observação, quando de fato vai verificar o quanto de capital físico e humano restou da recessão. “O Banco Central terá que olhar com carinho a economia no ano que vem para ver se será preciso subir os juros mais cedo do que o esperado”, diz Zeina. “Sim, temos ociosidade na economia, mas de baixa qualidade. Temos máquinas, mas velhas.” Retorno dos investimentos- Volpon diz que, à medida que a economia cresce e começa a preencher a capacidade ociosa, as empresas vão voltar a investir. “Isso provoca uma pressão de custo”, diz ele. “Por isso que o BC não precisa, agora, colocar mais estímulos na economia.” Sinal - Kfoury diz que o fato de a taxa de desemprego ter ficado estacionada em 12% a despeito de a economia ter crescido perto de 1% nos últimos anos é um sinal de que o PIB potencial está ao redor desse valor. Portanto, haveria espaço para crescer um pouco mais do que isso – algo como 2,5% - por uns dois anos. Mas ele pondera que será preciso observar o comportamento da atividade e inflação ao longo do tempo. “Às vezes, a capacidade ociosa está num setor, mas a demanda vem em outro, como infraestrutura”, afirma o economista. “Aí, aparece o gargalo.”


MEIO AMBIENTE

Educação ambiental deve estar atrelada à rotina escolar e familiar

A educação pautada em bons princípios como empatia e gentileza vai muito além da convivência com o ser humano Esses mesmos valores devem ser ensinados em relação aos cuidados e preser vação do meio ambiente, seja na família ou escola. O processo de degradação e tragédias ambientais causadas pelo homem são problemáticas que necessitam de ações urgentemente, não somente para amenizar estragos que perpetuarão por décadas, mas para evitar que desastres futuros ocorram. Entender e aplicar soluções que atenuem os impactos negativos no meio ambiente é responsabilidade de todos: população e poder público. Após a implantação da Lei 9795, que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental, determinando que esse seja um componente essencial e permanente da educação, 65% das escolas do ensino fundamental do país inserem a temática ambiental em suas disci-

plinas de 1ª a 4ª série, sendo que 27% desenvolvem projetos específicos sobre o assunto, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Mas, é possível perceber que os números ainda são preocupantes quando a pesquisa do Ibope revela que 94% dos brasileiros se declaram preocupados com o meio ambiente. Porém, 76% não fazem a separação do lixo domiciliar por tipo de material e quase um terço (28%) não sabe identificar por cores as lixeiras para coleta seletiva. É nítido que existe uma diferença clara entre o discurso e a prática. Falar que se importa é uma coisa, mas de fato mudar comportamento é outra. A efetividade das políticas públicas sociais, principalmente na área da educação, sempre será

necessária para a formação do indivíduo. Mas, ainda que seja importante introduzi-la no ambiente pedagógico para que o impacto na vida das crianças seja efetivamente positivo e produtivo, é preciso dar continuidade aos ensinamentos dentro do lar, falando sobre a importância e necessidade de economizar água, mostrando que o lixo tem lugar específico para ser jogado e que deve ser segregado de acordo com seu material, além de conversar sobre o consumo consciente. Precisamos formar uma população consciente e preocupada com o meio ambiente e com os problemas que lhe dizem respeito. Precisamos de adultos e crianças que reflitam sobre o que fazem para amenizar os danos causados à nossa morada coletiva. Para mudar o mundo é preciso mudar o ser humano.

Francisco Oliveira é engenheiro civil e mestre em Mecânica dos Solos, Fundações, Geotecnia e fundador da FRAL Consultoria.

Fonte: ML&A Comunicações

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CERTIFICAÇÃO

Programa para biocombustível RenovaBio pode ser aliado contra desmatamento

O RenovaBio, política de biocombustíveis do Brasil que terá o pontapé inicial no próximo dia 24, trará mecanismos que visam incentivar empresas do setor a cumprir rigorosas regras contra o desmatamento para expansão agrícola

Essas metas devem mobilizar as indústrias de etanol e biodiesel em prol da redução de danos ambientais em momento em que o país registra avanço do desmatamento, segundo especialistas. A iniciativa, que visa garantir receita adicional ao produtor de biocombustível pela redução de emissões de gases de efeito estufa proporcionada pelo uso de etanol e biodiesel, requer que áreas usadas para cana, soja e milho não te32 | REVISTA 100% CAIPIRA

nham sofrido desmate após novembro de 2018, ainda que a lei ambiental permita. Essa receita adicional deverá ser obtida pela emissão, pelas usinas, dos chamados créditos de descarbonização (CBio), que serão comprados pelas distribuidoras de combustíveis para compensar as emissões pela venda de combustíveis fósseis. No horizonte de uma década, por meio dos CBios, o RenovaBio tem ob-

jetivos de retirar cerca de 670 milhões de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera, contribuindo para o cumprimento das metas do Acordo de Paris, além de impulsionar a indústria de biocombustível. Criado por lei aprovada no final de 2017, na administração Michel Temer, o programa teve a regulamentação concluída já sob o governo Jair Bolsonaro, que tem levantado tensão entre ambientalistas devido à alta nos índices de


desmatamento na Amazônia e às declarações polêmicas do presidente sobre o tema. “Se tiver um hectare desmatado após novembro de 2018, a propriedade rural está fora do RenovaBio”, destacou o gerente de Economia e Análise Setorial da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Luciano Rodrigues, em referência a áreas produtoras das principais matérias-primas dos biocombustíveis. Em entrevista à Reuters, ele disse que, para evitar questionamentos, as regras do RenovaBio são mais rigorosas do que as estabelecidas pelo Código Florestal, que autoriza o desmatamento de parcelas da propriedade rural em percentuais que dependem da região, com normas mais severas no Bioma Amazônico, onde é permitido pela lei desflorestar até 20% da área. O rigor do RenovaBio em relação ao desmatamento, a principal fonte de emissão de carbono no Brasil, será estabelecido em um momento em que integrantes do próprio governo e agricultores questionam a Moratória da Soja, um programa da indústria que proíbe a compra de grãos de áreas do Bioma Amazônico desflorestadas após 2008. Fazendeiros querem ter o direito de usar toda a área agrícola que a lei permite. DESAFIO DE RASTREAR No caso do setor de etanol de cana, que pela própria lógica do negócio trabalha com fornecedores mais próximos das usinas, o controle da origem da matéria-prima livre de desmatamento seria mais fácil, concordou o economista da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Amaral. Questionado, ele admitiu que a rastreabilidade da soja e do milho é questão que exige atenção, pois os grãos são comprados de vários fornecedores e armazenados em um mesmo silo. “Isso acaba sendo um desafio... a soja, desde que armazenada em boas condições, ela pode ser transportada de Mato Grosso para a China, para qualquer lugar. Isso traz desafio maior de estreitar o relacionamento com o produtor”, comentou ele, lembrando que o

RenovaBio exige que o agricultor tenha Cadastro Ambiental Rural (CAR), uma ferramenta de rastreabilidade. Ele disse ainda que o RenovaBio, por meio dos CBios, deverá dar um incentivo financeiro aos integrantes da cadeia produtora, permitindo uma espécie de pagamento por serviços ambientais. Segundo Amaral, caberá a cada setor negociar para definir valores que poderão ser repassados aos fornecedores. De olho nisso, dezenas de empresas já estão participando do processo em busca da aprovação para emissão de CBios, incluindo unidades de multinacionais como a Cofco, Tereos e BP, além de brasileiras como Biosev e São Martinho, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Até sexta-feira, 47 companhias estavam em fase de consulta pública para certificação visando emissão dos certificados. Outras 40 estavam sob aviso de início de consulta pública, enquanto 29 passavam por consulta e cinco haviam sido aprovadas, apontou a ANP, incluindo unidades de biodiesel BSBios e JBS, além plantas de etanol da São Martinho e da usina Vale do Paraná. Com base neste interesse inicial, a reguladora afirmou à Reuters em nota que acredita que as empresas aprovadas nos próximos meses serão suficientes para que o país atinja a meta de 2020, de descarbonização de 28,7 milhões de toneladas. “Os produtores de maior volume estão em processo de certificação, o que nos dá segurança para alcançar as metas.” EFICIÊNCIA, A CHAVE DO NEGÓCIO Enquanto associações do setor admitem que ajustes finos precisam ser feitos para aprimorar o RenovaBio, todos têm certeza de que as empresas precisarão buscar eficiência para conseguir tirar o melhor proveito do programa. “A usina mais eficiente vai emitir mais CBios... O programa vai resultar em mais produtividade...”, disse o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues. O grau de eficiência será medido no

processo de autorização para emissão dos CBios e ditará a proporção de certificados a serem obtido pelos produtores para cada volume de etanol comercializado. Assim uma usina mais eficaz poderá emitir certificado com metade do volume de etanol que uma usina menos eficaz precisaria comercializar para obter o mesmo CBio, disse o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues. “A diferença do ganho entre uma mais eficiente e uma menos eficiente pode ser de 100%”, apontou ele, o que explicaria a corrida por uma nota melhor e, por consequência, pela possibilidade de maior receita com o RenovaBio. O presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco, defendeu que a RenovaCalc (calculadora para definir a nota de desempenho ambiental das usinas) seja ajustada para capturar alguns ganhos de eficiência, como por exemplo a redução na aplicação de adubos devido ao resíduo de fertilizante deixado no solo para o milho, após o cultivo da soja. “Há uma dificuldade de segregação de insumos de primeira e segunda safra, mas o governo e a ANP estão muito abertos a construir os ajustes necessários...”, disse Nolasco, acrescentando que, no que diz respeito à questão ambiental, ainda que o milho usado pelas usinas seja plantado “em áreas consolidadas” (sem desmatamento), o setor está discutindo a criação de um “dispositivo de rastreabilidade de origem”. Marcos Fava Neves, professor titular da USP e da FGV, especialista em planejamento estratégico do agronegócio, avalia que o setor conta com amplas áreas de pastagem no Brasil para ampliar a produção de matérias-primas sem apresentar problemas ao RenovaBio, e que os CBios, ao ampliarem a renda das empresas, estimularão a produção sustentável. Assim como as associações, Neves evitou fazer estimativa de preço para o mercado de CBio. Mas ele avaliou que a margem das usinas pode aumentar em cerca de 30% com o programa e os certificados. Fonte: Reuters REVISTA 100% CAIPIRA |33


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GESTÃO

Boas notícias para prod

e cebola no Boletim Agr

Os produtores brasileiros de milho tiveram um ano espetacular, mas a situação traz preocupação para a agroindústria, segundo o boletim agropecuário de dezembro do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), de Santa Catarina

Fonte: Epagri/Cepa

O Brasil bate recorde em exportação do grão, devendo alcançar mais 40 milhões de toneladas no ano e os preços ao produtor tiveram movimento de alta de 24% de janeiro a novembro. Com o cenário de redução de estoques no Brasil, as perspectivas para o produtor são boas. Por outro lado, as agroindústrias se preocupam com o abastecimento interno e perspectivas de maior demanda em 2020 em função das exportações crescentes de carnes para o mercado Chinês. Já os produtores de alho podem comemorar a expectativa de remuneração acima do custo de produção e, inclusive, recuperação de parte das perdas econômicas que ocorreram nas últimas 36 | REVISTA 100% CAIPIRA

duas safras. A produção catarinense é considerada de qualidade muito boa nesta safra, que está sendo colhida. As condições climáticas, com pouca chuva durante o ciclo da cultura, favoreceram o desenvolvimento vegetativo, com poucos problemas fitossanitários. As condições climáticas também favoreceram a cebola catarinense, que tem expectativa de uma das maiores safras já colhidas. Parte das lavouras catarinenses de cebola estão na fase final de desenvolvimento e maturação, enquanto outra porção já foi colhida e está sendo comercializada. A oferta abundante da hortaliça nesse período fez as cotações baixarem nas últimas semanas. Por isso, os técnicos da Epagri/Cepa reco-

mendam que os produtores escalonem a comercialização para tentar equilibrar oferta e demanda. Grãos A evolução da safra de arroz no estado segue em ritmo normal e deve resultar em produção pouco menor do que a obtida na safra anterior. Os preços seguem estáveis em todas as regiões produtoras. O feijão tem expectativa de aumento de 14% da produção na primeira safra, apesar da redução de 1% na área plantada. Os analistas da Epagri/Cepa preveem uma colheita de 71,3 mil toneladas de feijão primeira safra em Santa


dutores de milho, alho

ropecuário Epagri/Cepa uma produção estadual de aproximadamente 156 mil toneladas. Pecuária

Catarina. A saca de 60 quilos do feijão carioca foi cotada a R$142,78, em setembro, no Estado, alta de 18,25% em relação a outubro. A safra catarinense de soja deve alcançar 2,5 milhões de toneladas, rendimento acima de 3,6 toneladas por hectare, o que é 6,2% superior em relação à safra anterior. O dólar valorizado garantiu sustentação dos preços nacionais em outubro e novembro, mas com o acordo celebrado entre China e Estados Unidos, o Brasil perde força na venda da soja para o mercado chinês e passa a disputar espaço com o grão norte-americano. A colheita do trigo em Santa Catarina está tecnicamente concluída e a indicação é de uma safra 4% menor no Estado em relação ao ciclo anterior. Os levantamentos da Epagri/Cepa indicam

O mês de novembro registrou a menor quantidade exportada de frango por Santa Catarina, desde junho de 2018. No mês passado o estado catarinense exportou 82,17 mil toneladas de carne de frango (in natura e industrializada), queda de 1,93% em relação ao mês anterior e de 25,31% na comparação com novembro de 2018. As receitas de novembro foram de US$142,36 milhões, alta de 0,46% em relação ao mês anterior, mas queda de 25,80% na comparação com novembro de 2018. No acumulado do ano, os resultados das exportações de frango são positivos. De janeiro a novembro, Santa Catarina exportou 1,17 milhão de toneladas de carne de frango, com faturamento de US$2,03 bilhões, aumento de 4,65% em quantidade e de 8,44% em valor, quando comparado ao mesmo período de 2018. O estado foi responsável por 32,37% das receitas geradas pelas exportações brasileiras de carne de frango nos onze primeiros meses do ano. Já as exportações de suínos vão fechar 2019 batendo recorde histórico, tanto em valor quanto em quantidade. Os analistas da Epagri/Cepa adiantam isso, mesmo sem contabilizar o mês de dezembro. No mês passado, Santa Catarina exportou 36,30 mil toneladas de carne suína (in natura, industrializada e miúdos), alta de 6,53% em relação ao mês anterior e de 1,33% na comparação com novembro de 2018. O faturamento de novembro foi de US$80,90 milhões, alta de 10,08% em relação ao mês anterior e de 27,15% na comparação com novembro de 2018. De janeiro a novembro, Santa Catarina exportou 373,55 mil toneladas

de carne suína, aumento de 14,28% em relação ao mesmo período de 2018, com faturamento de US$766,40 milhões, valor 28,93% maior. A produção catarinense foi responsável por 54,72% das receitas e 56,37% da quantidade de carne suína exportada pelo Brasil este ano. China e Hong Kong, juntos, representam 59,41% do valor e 58,56% da quantidade de carne suína exportada por Santa Catarina neste ano. A carne bovina, como o mercado já vinha demonstrando, teve altas expressivas de valores. Na comparação entre o preço preliminar de dezembro e as médias do mês anterior, as duas praças de referência - Chapecó e Lages – apresentaram altas de 30,63% e 21,35%, respectivamente. A média estadual subiu 19,23% nesse período. Em relação aos preços de dezembro de 2018, a alta é de 33,30% em Chapecó e 31,87% em Lages, enquanto a média estadual variou 33,01% no período. Assim como os preços ao produtor, o mercado atacadista de carne bovina em Santa Catarina também apresentou variações significativas nos últimos dois meses. Em novembro, registrou-se alta de 9,80% na carne de dianteiro e de 9,30% na carne de traseiro, em relação aos valores de outubro. Os preços preliminares de dezembro apresentam elevações ainda mais significativas: 21,82% na carne de dianteiro e 20,79% na carne de traseiro. Em relação a dezembro de 2018, os aumentos são de 45,45% na carne de dianteiro e de 31,48% na de traseiro. Os preços do leite pagos ao produtor devem reagir de forma tímida, segundo os resultados das reuniões dos Conseleites dos estados da Região Sul do Brasil. São recuperações pouco expressivas, mas significativas, na medida em que a expectativa era de novos decréscimos nos valores recebidos. REVISTA 100% CAIPIRA |37


FRIGORÍFICOS E ABATEDOUROS

Período de alta demanda desa

O setor de produção de proteína animal vive um mom

e exportação. Carne suína, de frango e bovina vivem

Alta nas exportações, aumento do consumo interno, alta nos preços....e a população tem se apoiado muito nos ovos para sua alimentação diária de proteína. De acordo com dados recentes do IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal), levantado pelo FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), o aumento do valor da carne bovina já é sentido na inflação de outras fontes de proteína animal, a exemplo do frango. Em São Paulo, o preço do frango teve alta de 1,34% no último mês, diferente de outubro, quando essa taxa atingiu 0,78%. O valor acumulado no preço do produto praticamente 38 | REVISTA 100% CAIPIRA

dobrou entre as pesquisas feitas em uma semana. Tal comportamento é reflexo da substituição da carne bovina pelo frango. No caso da carne, esse aumento foi de 5,92% para 11,22% , entre a penúltima e a última semana de novembro, de acordo com análise da FGV. Outra alternativa, segundo especialistas, é que o ovo seja uma outra alternativa de proteína animal para entrar no lugar da carne bovina no prato do brasileiro, sem prejudicar o orçamento. E dentro deste panorama de consumo de proteína animal, outro dado foi divulgado recentemente: segundo a Associação Brasileira de Proteínas Animais (ABPA), o consumo

de ovos em 2019 terá o maior índice da história, com média de 230 unidades por pessoa. Em 2009, a média era de 120 unidades, o que significa dizer que quase dobrou em 10 anos. Até o final do ano, serão 49 bilhões de ovos produzidos com a mais alta tecnologia nas granjas do país. O AviSite foi conversar com Leandro Pinto, Presidente do Grupo Mantiqueira, maior produtor de ovos da América Latina, para entender como a empresa tem se comportado neste atual cenário. “Temos 210 milhões de habitantes e um mercado muito grande internamente que com a melhora do poder aquisitivo acreditamos que também teremos um bom momento


afia o setor de proteína animal

mento de grande impacto, no que envolve produção

m neste final de ano na berlinda junto ao consumidor para proteínas”, destacou em entrevista exclusiva. Segundo Pinto, o ano de 2019 vem fechando bem melhor do que seu início, visto que tivemos o pior janeiro de todos os tempos. “Sobre 2020, acredito que será um ano desafiador devido diversos fatores como o câmbio valorizado, os custos dos insumos da ração subindo, o alto alojamento, entre outros. Se continuarmos preocupados apenas com a produção e não com o aumento do consumo, será sem dúvidas um ano desafiador”, destacou. A alta do milho foi um fator que não estava no radar da empresa, segundo conta o empresário. “Porém que se tornou uma realidade com o aumento do câmbio e também das exportações em consequência do câmbio em 2019”, disse. Leandro Pinto ainda aponta que o país registrou o aumento do consumo per capita de 190 ovos para 212, que sem dúvidas foi uma grande superação do setor. “Acredito que esse permanecerá sendo o desafio para 2020, alcançarmos o número de 230 ovos per capita, e assim sucessivamente”, disse. De acordo com ele, também houve avanços significativos relativo ao Ministério da Agricultura. “Temos hoje uma ministra atuante, sem foco em política mas na solução de problemas do Brasil. Inclusive nesse ano pude vivenciar um fato inédito, quando numa terça-feira às 19h40, consegui falar no Ministério de Agricultura, ser atendido e ter o problema resolvido”, contou. “O mercado espera uma maior profissionalização do setor, envolvendo cuidados com os produtos, melhor qualidade, limpeza, sanidade e também o atendimento às demandas, que estão surgindo através da revolução nos hábitos de consumo, com foco

na sustentabilidade e no bem- estar animal”, disse. Acompanhe os principais trechos: Como o Senhor está avaliando o atual momento do mercado de proteína animal, sob os aspectos exportação x consumo interno)? Não podemos esquecer que temos 210 milhões de habitantes e um mercado muito grande internamente que com a melhora do poder aquisitivo acreditamos que também teremos um bom momento para proteínas. Mas também não podemos esquecer que o Brasil é a fazenda do Mundo e que com o câmbio valorizado, a tendência é que as exportações aumentem, melhorando os preços internamente. Como as empresas do setor avícola de postura devem se manter neste atual momento, nesta segunda quinzena de dezembro? Esta é uma época de alta sazonalidade para a produção de ovos, independentemente de fatores externos do mercado, portanto sabemos que é um período de alta demanda, podendo haver falta do produto. Só não podemos esquecer que janeiro é um mês com mais desafios. O Grupo Mantiqueira foi pego de surpresa com o atual momento do avanço dos preços das carne bovina e de frango? Como a empresa está se comportando para este ajuste de mercado? O consumo de ovos vem aumentando ano a ano. Já prevíamos um aumento para este ano e acreditamos

que a verdadeira causa é o fato de o ovo ter vencido em todos os tribunais por quais foi condenado, saindo da posição de vilão e passando a ser o grande herói da saúde. Vemos pessoas consumindo cerca de 30 ovos por dia o que há 10 anos era inimaginável. O consumidor hoje já reconhece o poder nutricional do alimento que é o segundo mais completo do mundo, só perdendo para o leite materno, e todas essas verdades nas quais acreditamos há anos são cada vez mais de fácil acesso à população, portanto, acredito que, mesmo havendo uma possível migração entre proteínas para uma opção mais acessível, o aumento no consumo de ovos é muito mais por mérito do que o alimento oferece e acreditamos que as pessoas que migraram para o ovo como opção de proteína, com certeza vão continuar consumindo mais ovos. Quais são as projeções do Grupo Mantiqueira para esse final de ano? O ano de 2019 vem fechando bem melhor do que seu início, visto que tivemos o pior janeiro de todos os tempos. O mercado espera uma maior profissionalização do setor, envolvendo cuidados com os produtos, melhor qualidade, limpeza, sanidade e também o atendimento às demandas, que estão surgindo através da revolução nos hábitos de consumo, com foco na sustentabilidade e no bem- estar animal. Sobre 2020, acredito que será um ano desafiador devido diversos fatores como o câmbio valorizado, os custos dos insumos da ração subindo, o alto alojamento, entre outros. Se continuarmos preocupados apenas com a produção e não com o aumento do consumo, será sem dúvidas um ano Fonte: AviSite desafiador. REVISTA 100% CAIPIRA | 39


FLORICULTURA

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PESQUISA

Melhoramento de plantas é resposta para demanda de alimentos

“Ao melhorar a qualidade das variedades por meio de melhoramento, a capacidade de germinar das sementes pode ser fortalecida” Fonte: Agrolink

O mel horamento de pl ant as é a resp ost a p ara a cres cente ne cessid ade g lob a l de a limentos, af irmou John-Pieter S chipp er, CEO d a B ej o. A empres a est á envolv id a na cr i aç ão de var ie d ades veget ais e na pro duç ão e vend a de s ementes veget ais. “As pl ant as s ão b asic amente vu lneráveis. Fre quentemente, nem to d as as s ementes ger minam e as pl ant as que pro duzem não s ão suf icientemente resistentes 42 | REVISTA 100% CAIPIRA

a do enç as. Ao mel horar a qu a lid ade d as var ie d ades p or meio de mel horamento, a c ap acid ade de ger minar d as s ementes p o de s er for t a le cid a e a resistênci a d as c u lturas a do enç as”, coment a. “Uma vant agem adiciona l é que uma var ie d ade resistente não pre cis a s er t rat ad a com agentes de prote ç ão de c u lturas”, acres cent a o diretor de p es quis a e des envolv imento B er t S chr ijver. “D ess a for ma, vo cê não ap enas t rab a l ha

com mais ef ic áci a e ef iciênci a, como t amb ém s e concent ra mais na prote ç ão do meio ambiente”, complet a. Q u ando p ergunt ado s obre s e a resistênci a é o único problema, ele resp ondeu que, p or meio d a cr i aç ão, vo cê t amb ém p o de tornar as var ie d ades mais ade qu ad as p ara o cres cimento s ob cer t as condiçõ es. “É p or iss o que t rab a l hamos em conjunto com produtores lo c ais em to do o mundo, p ara que p oss amos des envolver esp e cif ic amente var ie d ades adequ ad as à su a situ aç ão. Tamb ém acons el hamos os pro dutores a aplic ar té cnic as de c u lt ivo p ara p er mit ir que eles at inj am o mel hor rendimento p ossível”, indic a. “A cr i aç ão envolve a aplic aç ão de c arac ter íst ic as que uma var ied ade j á p ossui natura lmente”, explic a S chipp er. “Na cr i aç ão, vo cê faz iss o at ravés do cr uzamento e s ele ç ão. Por meio de novas té cnic as de cr i aç ão, como o CRISPR-C as9, vo cê cons egue iss o mais rapid amente p orque p o de aplic ar uma mo dif ic aç ão des ej ad a a um gene com muit a pre cis ão e exat amente no lo c a l des ej ado”, conclui.


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ALGODÃO

Cotonicultura de MT tem a

Com 1,11 milhão de hectares cultiva

de 40%. Produção de algodão em ca Fonte: Assessoria de Comunicação Ampa

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ano histórico, aponta IMEA

ados, incremento de área foi de mais

aroço também atingiu maior volume A cotonic u ltura de Mato Gross o te ve, em 2019, um marco em su a histór i a, s obretudo qu ando ana lis ad a a áre a re corde pl ant ad a de 1,11 mi l hão de he c t ares, o que repres entou um incremento de 40,71%. A af ir maç ão const a do b olet im do Inst ituto Mato-g ross ens e de E conomi a Ag rop e c u ár i a (IMEA), divu lgado nest a terç a-feira (17). O ut ro recorde foi a pro duç ão de a lgo d ão em c aro ço d a s af ra 2018/2019, com 4,79 mi l hõ es de tonel ad as, confor me ap ont a o estudo. “O ano de 2019 foi um marco p ara a cotonic u ltura mato-g ross ens e, pr incip a lmente p elo cres cimento sig nif ic at ivo d a áre a de a lgo d ão c u lt ivad a no E st ado. C om um incremento de 40,71%, a s af ra s e tor na a maior de to d a a histór i a de Mato Gross o, at ing indo 1,11 mi l hão de he c t ares”, t raz o le vant amento, f ina lizado na ú lt ima s ext a-feira (13). D e acordo com o IMEA, o aumento de áre a foi ref lexo de pre ços favoráveis obt idos p el a pluma na s af ra anter ior. Tamb ém denot a um maior invest imento do pro dutor na at iv id ade, a c ad a ano, em Mato Gross o. O presidente emp oss ado p ara o t r iênio 2020-2022 d a Ass o ci aç ão dos Pro dutores de A lgo d ão de Mato Gross o, Pau lo S érg io Agui ar, p ondera que, emb ora os

pre ços inter nacionais do pro duto não estej am s at isfatór ios no momento – em v ir tude de uma maior ofer t a do pro duto –, o cotonic u ltor do E st ado tem s e emp en hado p ara angar i ar c ad a ve z mais merc ado e, p ara não cor rer o r is co de p erder o que j á foi conquist ado, de ve t rab a l har p ara manter a mesma áre a de pro duç ão na s af ra 2019/2020. “Q u ando cons eguimos conquist ar merc ados, f ic amos apreensivos p orque é dif íci l, demora a s e gan har. Perdê-lo p orque não tem pro duto p ara ent regar é muito complic ado, p ois é dif íci l re conquist á-lo. Vamos d ar noss a quot a de s acr if ício na s eguinte p osiç ão: vamos tent ar manter a mesma pro duç ão. A lguns que t iveram condiç ão de fazer vend as na s af ra 2018 p ara s af ra 2019/2020, ou s ej a, ante cip ad as, ess es têm até margem p ara aument ar um p ouco a pro duç ão. Mas os que não f izeram iss o vão tent ar p elo menos manter a su a áre a s em diminuir muito p ara não p erder ess es merc ados internacionais que foram conquist ados”, es cl are ce. Para iss o, a p a l av ra de ordem é austeridade da porteira p ara dent ro, como diz Pau lo A g u i a r. E l e r e f o r ç a q u e é n e cessário que o produtor faça o dever de casa para manter o

patamar da produção e, nesse s ent ido, a Amp a est á p ara auxi li á-lo. “C o m o s a m i g o s p r o d u t o r e s , vamos ter que fazer o dever de c as a d a p or teira p ara dent ro, já que o preço não somos nós que damos. Meu prop ósito é tentar manter a cotonicultura de Mato Grosso nos níveis que j á temos. Para iss o, mel horar a tecnologia o máximo possível, dentro do IMAmt (Instituto Mato-grossense do Algodão), com pesquisa para aumentar des envolv imento, pro dut iv id ad e”, a f i r m a o p r o d u t o r. O boletim do IMEA ainda informa que, com uma maior área e com um maior desenvolvimento da cultura durante o ano, as cot açõ es d a pluma em Mato Grosso encerraram a última semana com uma média de R$ 88,42/arroba, o que representa uma retração de 11,0% quando comparado ao mesmo p e r í o d o d e 2 0 1 8 . Um d o s f a t o res da queda deu-se, principalmente, pela maior disponibilid a d e d e p l u m a n o m e r c a d o . “A s exportações durante o ano já acumulam 795,21 mil toneladas (de janeiro a novembro), o que representa um incremento de 75% quando comparadas à média do mesmo período para 2 0 1 8 ”, a c r e s c e n t a o e s t u d o . REVISTA 100% CAIPIRA | 45


CAPACITAÇÃO

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RECEITAS CAIPIRAS

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CABRITO ASSADO NO FORNO INGREDIENTES

1,5 kg carne de cabrito 5 cebolas 4 dentes de alho 1/2 colher de sopa pimentão doce ou colorau 2 louro folhas 1 dl vinho branco 3 dl azeite 1,2 kg batatas para assar 1/2 limão sumo sal q.b. pimenta branca a gosto PREPARO Cortar o cabrito em bocados não muito pequenos e cobrir com as cebolas e os alhos picados e temperar com sal, pimenta, colorau, louro e o vinho branco. Deixar marinar cerca de 4 horas. Terminado o tempo da marinada, colocar a carne num tabuleiro, juntamente com a marinada. Adicionar metade do azeite e levar ao forno, a 200 graus cerca de 35 a 40 minutos. Descascar as batatas e as restantes cebolas em gomos. Temperar com sal, pimenta, colorau e o restante azeite e levar ao forno a 200º por mais 40 minutos

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Onde seu cavalo ĂŠ mais feliz

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Rodovia Arthur Matheus km 2,5 Santa Isabel Fone: (11) 96404-7694 | REVISTA 100% CAIPIRA