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CENTRO UNIVERSITÁRIO MOURA LACERDA

RIBEIRÃO PRETO

2015

E D U A R D O B A R O N I R AVA N E L L I O R I E N TA D O R A : L U C I A N A PA G N A N O

MÓDULOS DE HABITAÇÃO COMPACTA FEITOS COM MATERIAL REUTILIZADO


CENTRO UNIVERSITÁRIO MOURA LACERDA

RIBEIRÃO PRETO

2015

Trabalho final de graduação apresentado ao Centro Universitário Moura Lacerda para cumprimento das exigências parciais para a obtenção do título de arquiteto e urbanista em arquitetura e urbanismo sob a orientação da profa. Luciana Pagnano.

E D U A R D O B A R O N I R AVA N E L L I O R I E N TA D O R A : L U C I A N A PA G N A N O

MÓDULOS DE HABITAÇÃO COMPACTA FEITOS COM MATERIAL REUTILIZADO


AGRADECIMENTOS Encerro aqui mais um ciclo de minha vida. Mais uma

etapa foi concluída. Mais uma flecha foi lançada e com ajuda de muitas pessoas queridas e perseverança conquistei e conclui meus objetivos. Serei

eternamente

grato

aos

ensinamentos

dos

professores, que ao longo desses anos me foi dado. Agradeço ao mestre Francisco Gimenes, que não habita mais este plano. Tive a honra e o prazer de aprender

com o melhor e também ganhei um grande amigo que jamais será esquecido, pois a eternidade é conquistada com nossos gestos e ações.

Agradeço orientadora

a

Luciana que

me

Pagnano,

minha

acompanhou

querida

de perto

no

desenvolvimento deste trabalho. Agradeço infinitamente a minha família e as pessoas queridas que fizeram parte desse processo, que ficaram e me acompanharam nas madrugadas ao longo do ano. Dedico esse trabalho a vocês, que tornaram possível o

sonho de me formar Arquiteto Urbanista e batalharam, sofreram, sorriram comigo; estiveram juntos nos maus e bons momentos, pois nada disso teria sido

conquistado sozinho. Todo mundo precisa de alguém, para qualquer tarefa ou ação a ser designada. Os objetivos ou tarefas só existem e são possíveis, devido ao conjunto de seres, ações ou do “comoso” que nos rodeiam.


SUMÁRIO APRESENTAÇÃO.....................................................................................................4 1.1 INTRODUÇÃO....................................................................................................4

1.2 OBJETIVOS.........................................................................................................5 1.3 JUSTIFICATIVA..................................................................................................6 1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.........................................................7

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.................................................................................8 2.1 HABITAÇÃO COMPACTA................................................................................10 2.2 SUSTENTABILIDADE E VANTAGENS NO REUSO DO MATERIAL.........11 2.3 TIPOS DE CONTAINERS..................................................................................12 2.4 DESEMPENHO TÉRMICO E ACÚSTICO DOS CONTAINERS....................13 3 LEITURAS PROJETUAIS....................................................................................14

3.1 CASA CONTAINER COSTA RICA...................................................................14 3.2 MINIMOD...........................................................................................................15 3.3 CONTAINER ART...............................................................................................16 3.4 LABORATÓRIOS BIOKILAB..........................................................................17 4 LEVANTAMENTO DE DADOS...........................................................................18 4.1 LOCALIZAÇÃO E LEGISLAÇÃO APLICADA..............................................19 4.2 LOCALIZAÇÃO E MACROZONEAMENTO..................................................20

4.3 USO DO SOLO....................................................................................................21 4.4 OCUPAÇÃO DO SOLO......................................................................................22 4.5 HIERARQUIA VIÁRIA......................................................................................23

4.6 EQUIPAMENTOS...............................................................................................24 4.7 DENSIDADE POPULACIONAL.......................................................................24

5 LEGISLAÇÃO.......................................................................................................25 6 ANÁLISE MORFOLÓGICA.................................................................................26 7 O PROJETO...........................................................................................................27

8 PERSPECTIVAS VOLUMÉTRICAS....................................................................40 9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................44


1 APRESENTAÇÃO 1.1 INTRODUÇÃO

O

objeto desse trabalho de pesquisa é o projeto de

habitações compactas para um complexo residencial, proposto a ser feito com material reutilizado, no caso o container. Essas habitações visam a sustentabilidade através de um reuso dos materiais e também uma melhoria no convívio do dia a dia devido a sua proposta de implantação. O público alvo, para esse estudo, poderá ser

principalmente casais e unipessoais - como, por exemplo, estudantes - e até mesmo famílias nucleares e monoparentais pequenas que se identificam com um

espaço mínimo capaz de suprir as necessidades básicas de uma habitação, não necessitando da antiquada tripartição habitacional tradicional e sim criando um uso personalizado e prático do seu espaço para seus afazeres do cotidiano. A flexibilidade será de extrema importância para este programa tanto em sua implantação quanto nas

habitações compactas, pois, quando a permissão de experimentar algo novo se concretiza, uma nova rotina será introduzida no cotidiano das pessoas, atendendo as necessidades do público que a procura e permitindo um novo estilo de vida para quem se entregar ao “uso do mínimo”.

4


1.2 OBJETIVOS

O

objetivo

do

trabalho

será

reutilizar

a

materialidade já existente, aplicando uma nova função

para a mesma, minimizando gastos e propor um novo estilo de vida para o público alvo, o que poderá ser usufruído por qualquer família ou pessoa que se

interesse no programa.

Para

as

habitações

compactas

serão

propostas

Foram feitos estudos de viabilidade para o uso do

diferentes tipologias de 28,80 m² e 42,72 m²,

material container visando seu desempenho em

oferecendo assim maior flexibilidade para adequar os

diferentes aspectos, apresentando soluções e escolhas

moradores e futuras mudanças nas moradias; por isso

de materiais para atender e suprir com os fatores

as mesmas devem ser suficientemente flexíveis para

negativos.

acomodar as diversidades que este espaço pode vir

A área para implantação escolhida oferece uma

acomodar da vida dos moradores.

dimensão considerável de aproximadamente meio hectare para que seja possível a demonstração em conjunto dos módulos habitacionais e como os mesmo podem se relacionar de diferentes formas, criando assim novos espaços de convívio.

5


1.3 JUSTIFICATIVA

A

principal função da casa é a de abrigo,

separação do dentro e fora; proteção das intempéries e predadores (REBELLO; LETE, 2007). A casa

tradicional possui suas múltiplas repartições com seus diferentes equipamentos e áreas designadas para funções específicas de cada uso. A vida no século

XXI tornou-se muito corrida, cada vez mais precisamos de instrumentos que facilitem nossas vidas;

flexibilidade

para

novas

e

constantes

mudanças; compactação, objetos sempre menores que são capazes de executar inúmeras tarefas como se tivéssemos uma caixa de ferramentas ao nosso alcance.

Devemos pensar na moradia como nosso abrigo, excluindo os excessos de espaços, desse modo diminuindo os custos da habitação, reorganizando

assim os espaços de lazer em áreas semi-publicas ou

públicas em um ambiente comum. A habitação

A pessoa que encomenda uma casa contêiner

deverá suprir com as necessidades mínimas e atender

economiza cerca de 30% a 40% em relação à

aos momentos de reflexão dos indivíduos.

construção de uma moradia de alvenaria. Além disso,

Esse módulo habitacional foi estudado para otimizar

há outros benefícios. Tendo uma casa contêiner é

os espaços da habitação tradicional, possibilitando

possível mudar de cidade ou terreno com mais

mais funções em espaços menores.

praticidade e ampliar a casa adicionando mais

Há também uma grande necessidade e urgência de

contêineres.

reciclar e reutilizar os materiais (que estão ao nosso

O container já vem sendo utilizado em diversas

redor) e passam despercebidos, fazendo com que

partes do mundo como objeto de ocupação e

convivemos com toneladas de lixo nos cercando em

habitação ganhando espaço também aqui no Brasil,

nosso cotidiano.

oferecendo também grandes vantagens estruturais

O material container que será utilizado para os

como aponta Duarte.

módulos habitacionais. O mesmo apresenta algumas

“A reutilização de containers na arquitetura já é

vantagens como fácil adequação ao terreno, baixo

comprovada

custo, podendo ainda ser facilmente transportado e

estruturais, permitindo, inclusive, o empilhamento de

ainda seu uso é ecologicamente correto, como mostra

peças. A economia nos materiais e na construção é

a pesquisa de ROSSI, Mariane. G1 Santos. Santos

muito grande.” (DUARTE, 2009, p. 1).

como

sendo

viável

em

termos

2015. http://glo.bo/1MtR37u Acesso em: 14 de

Março de 2015).

https://inovax.files.wordpress.com/2013/09/caterpillar-house-chile-container-datacenter-inovax.jpg/ acesso em 12/05/2015

6


Starbucks Disponivel em http://www.designboom.com/architecture/starbucks-drive-thru-made-from-shipping-containers/ acesso em 16/09/15

questionários respondidos restritamente por

1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

T

oda a pesquisa foi desenvolvida através

estudantes, que inicialmente eram o público alvo para a proposta. Os questionários foram

de levantamentos bibliográficos e documental, buscando subsídios para uma visão abrangente e uniforme de todas as dimensões do projeto de

pesquisa,

além

de

base

teórica

e

metodológica.

levantamento

Campus da USP Ribeirão, para estudantes de diferentes cursos.

Também foram feitas visitas técnica na empresa CIA containers em Ribeirão Preto

Em um primeiro momento, também foi feito um

entregue no Campus do Moura Lacerda e no

de

dados

através

de

para uma maior proximidade com o objeto e obtenção de dados técnicos.

7

7


2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

A

s habitações compactas feitas com containers

O local do habitar, muitas vezes, pode ser tratado como

uma ferramenta de extensão para conforto e apoio de visam um uso sustentável através de um reuso dos materiais, podendo ser mais econômicas e rápidas de se

produzir, segundo a diretora da Costa Container Arquitetura (2010) o valor médio do metro quadrado é de 1.500 reais, o que equivale a 150 mil reais para uma casa de 100 metros quadrados e o prazo de entrega para a mesma seria de aproximadamente 90 dias. Além disso, esse material pode ser utilizado de modo

suas necessidades. Sua moradia deve ser prática, de modo a atender suas necessidades. O convívio nesse novo ambiente fará com que o objeto arquitetônico muitas vezes seja parte da história de cada individuo que

O local da habitação ainda representa uma área de trocas

passou por lá.

de experiências, desenvolvimento social e momento de

A habitação e o hospedeiro criam uma relação, sendo

reflexão de cada indivíduo.

este local o habitar, trabalhar, descansar, comer como

De acordo com Feitosa (1998, p. 9) “O alojamento deve se

afirma Peixoto (2014, p. 4).

transformar sempre que necessário, trazendo liberdade ao

diversificado.

usuário, deve estar pronto para adaptar-se a uma nova A habitação é um tipo arquitetônico intimamente ligado ao indivíduo, nesse tipo temos o local onde saciamos a maior parte de nossas necessidades diárias, é um local para descansar o corpo e a mente, onde o habitante se prepara para o dia seguinte ou a próxima jornada de trabalho, em alguns casos é o próprio local de trabalho.

cultura,

deve

mudar

e

caminhar

conforme

as

transformações dos seus novos habitantes”. Essa habitação compacta irá atender as necessidades

básicas de moradia, sendo funcional, apresentando flexibilidade para mudanças sempre que necessário. Os valores elevados dos imobiliários, principalmente no

Brasil, impossibilitam muitas opções de moradia em locais mais privilegiados, como complementa Peixoto (2014,

p.6,7). A opção por morar em um espaço menor, também pode ser motivada por fatores como elevados valores imobiliários, pouca disponibilidade de área para se construir, principalmente em centros urbanos, ou até mesmo uma opção de estilo de vida ou cultura minimalista.

PUMA (imagem 1 e 2) Disponível em http://www.lot-ek.com/PUMA-CITY acesso em 10/06/15

8


A

ideia de fazê-la com material reutilizado surge a

O limite de espaço para essa habitação compacta será

por volta de 28,80 m² e 42,70 m² (definido pelos partir de uma necessidade de reciclar e reutilizar os

materiais que são facilmente descartados, produzindo grandes volumes de “lixo”. De acordo com dados estatísticos do Porto de Santos, a média anual de

containers que chega apenas em Santos beira 112.098 mil. Muitos deles são abandonados, mesmo em boas condições, devido ao vencimento do prazo de utilização de 10 anos que a norma estabelece, ou são simplesmente abandonados, pois não é interessante para algumas empresas pagar a viagem de volta de um container vazio.

modelos dos containers escolhidos). Esse espaço devera ser compensando com uma boa organização e

distribuição dos ambientes, mesmo que sejam poucos ou até mesmo um único ambiente principal, como afirma Scare (1996, p. 17) “Arquitetura é a arte de organizar os espaços [...] O programa é a soma de todos os espaços necessários para a realização das atividades do projeto”. A flexibilidade é uma característica de extrema

importância, pois, quando tratamos de um ambiente compacto ficamos ligados a sensação de “limitação” de possibilidades, sentimento este que muitas vezes

reprime o usuário de ousar e criar sua “aura” no espaço. Diz Sandoval (2005, p. 28).

A flexibilidade na habitação

aparece com um

mecanismo hábil para solucionar a falta de conexão

existente entre o usuário e o projetista. Ele se entende como um grau de liberdade que possibilita modos de vida diversos.

O desafio será propor habitações compactas para a cidade de Ribeirão Preto, baseadas em conceitos de sustentabilidade, que atendam as necessidades dos usuários através de um ambiente eficiente, valorizando o bem estar e ainda resolver o conforto térmico e lumínico dos módulos habitacionais, dentro de um contexto cujas situações climáticas não são favoráveis

para uso de tal material (container) e ainda romper com os paradigmas de que o conforto esta ligado a “grandeza” mostrando a eficiência e bem estar que um equipamento pequeno irá oferecer. As imagens aqui são exemplos diversificados do uso do container ao redor do mundo.

CASA MANIFESTO CHILE (imagem 1 e 2) http://papodearquitetas.blogspot.com.br/2013/01/casa-manifesto-chile.html acesso em 10/06/15

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A proposta de uma habitação compacta é de enxugar o programa, excluindo tudo aquilo que pode vir a ser excesso e que ao mesmo tempo pode ser produzido em espaços semipúblicos ou públicos,

possibilitando

assim momentos de convívios em ambientes com boa qualidade e que podem alcançar uma escala maior, o

que não seria (em muitos casos) possível dentro da habitação; algo que seria privilégio de poucos, como um grande espaço de lazer, agora será proposto a ser comum no cotidiano. Será uma nova dinâmica de espaço. A habitação deve ser suficientemente flexível para auxilio sobre a organização do espaço inserido; pode mudar com

facilidade de terreno e adequar-se a outras moradias empilhadas

se

necessário.

A

flexibilidade

das

habitações deverão estar ligadas a uma estrutura CROSSBOX HOUSE Disponível em http://containerhouse.xyz/cargo-box-house/cargo-box-house-cargo-container-homes-eco-friendly-crossbox-house-cg/ acesso em 10/06/15

funcional; ambientes com dupla ou mais funções. Essa moradia poderá ser produzida como um modelo base, uma produção em série onde com poucas ou nenhuma

2.1 HABITAÇÃO COMPACTA

adequação qualquer indivíduo poderá habita-la, assim grande densidade populacional do país.

A

habitação compacta é mais do que comum e até

Essa arquitetura chegou em seu expoente máximo com o arquiteto Makoto Mazusawa, onde chegou a

adorada pela cultura japonesa, essa tradição vem crescendo desde o período pós-guerra devido a grande necessidade de se construir rápido e ainda devido a

projetar, em 1952, uma habitação com um térreo

habitável de 30 m² para uma família de cinco pessoas.

como a máquina de morar proposta por Le Corbusier, que

foi

destinada

para

atender

as

principais

necessidades do homem.

O problema da casa é um problema de época. O equilíbrio das sociedades hoje depende dele. A arquitetura tem como primeiro dever, em uma época de

renovação , operar a revisão dos valores, a revisão dos elementos constitutivos da casa. ( LE CORBUSIER. Por Uma Arquitetura. P. 159).

10


2.2 SUSTENTABILIDADE E VANTAGENS DO REUSO DO MATERIAL “A habitação de Interesse Social projetada a partir do uso

O

s containers são caixas de metal, geralmente de

de containers reciclados se mostra adequada para o propósito

grandes dimensões, destinados ao acondicionamento e

transporte de carga, a longa distância, em navios e trens. Têm uma vida útil de 10 anos, e após este período, surge a necessidade de se oferecer um destino correto para estas

peças, já que são produzidos a partir de materiais metálicos e não biodegradáveis, o que os torna um grande problema, por formarem montanhas de lixo no contexto

habitacional

com

valores

sustentáveis”.

AGUIRRE,OLIVEIRA e BRITO CORREA,2008). O uso de containers também representa um gasto menor no produto final da obra, uma velocidade de produção maior e ainda uma obra mais limpa com menos uso e

menos gasto e desperdício de materiais. Como mostra a

“[...] a pessoa que encomenda uma casa contêiner economiza cerca de 30% a 40% em relação à construção de uma moradia de alvenaria. Além disso, há outros benefícios. Tendo uma casa contêiner é possível mudar de cidade ou terreno com mais praticidade e ampliar a casa adicionando mais contêineres.”.

pesquisa de ROSSI, Mariane. G1 Santos. Santos 2015. http://glo.bo/1MtR37u Acesso em: 14 de Março de 2015):

urbano das cidades portuárias.

Sua estrutura ainda permite uma certa flexibilidade em relação ao empilhamento ou então facilidade ao loca-lo no terreno, podendo se adaptar mais facilmente a

topografia do local, devido a variedade de containers para cada tipo de carga que o mesmo será designado a suprir. “Por possuir uma variedade diversificada quanto as dimensões, capacidades, pesos, volumes de transporte, modelos utilização, é de grande flexibilidade e adaptabilidade em situações variadas.” (KIELING e

GIANESINI, 2015, p. 1251). HUMMINGBIRD COFFEE Dísponive em http://www.containersa.com.br/2013/06/18-cafeterias-feitas-comcontainers.html acesso em 12/03/15

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2.3 TIPOS DE CONTAINERS Observação: ao lafo foram abordados

entorno de 1,3 mm, suportando uma

dados

carga maior. Portanto os containers

referentes

aos

marítimos

que

containers

metálicos

containers

diferem-se

utilizados

dos

marítimos

em

adequados

demonstram-se

para

a

mais

proposta

das

canteiros de obras. Diferenciam-se em

habitações devido a sua resistência

seus materiais e espessuras. O container

estrutural e resistência a corrosão.

metálico de canteiro de obra utiliza

Os containers ainda apresentam uma

aço galvanizado ou

grande

Galvalume com

facilidade

em adequação

à

espessura de 0,65 mm . Já os containers

diferentes terrenos, pois muitas vezes há

marítimos são confeccionados em aço

a necessidade apenas de pilotis para que

corten,

os mesmos possam se apoiar.

que possuem

propriedades e

elementos anticorrosivos, em espessura

E

xistem diferentes tipos de containers em relação a dimensão, carga, ventilação

e tipo de uso. Os containers utilizados para a proposta serão o Dry Hight Cube de 40 pés, que é um container de modelo básico com um uso destinado a cargas

secas como alimentos e roupas. Este modelo possui aberturas ( portas) em suas extremidades, sendo assim um container ventilado. Para as habitações maiores serão utilizados mais 6 metros do containers Dry Hight Cube, que será acoplado nas laterais do container maior.

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2.4 DESEMPENHO TÉRMICO E ACÚSTICO DOS CONTAINERS

O

Outro fator de desempenho desagradável referente ao

intensidade de ruídos e de calor. O poliestireno também

container é o acústico. O material cru do container

possui um custo mais baixo em relação ao poliuretano.

tratamento deixa a desejar. Devido ao material em que

marítimo (aço corten) gera muitas vibrações; o que seria

A empresa Trisoft trabalha com produtos sustentáveis e

os containers marítimos são confeccionados, utilizar o

uma simples chuva pode se tomar um pesadelo na questão

fazendo o reuso e reciclagem de diversos materiais.

container como habitação sem nenhum tratamento para

sonora/acústica.

Recentemente desenvolveram um isolante termoacústico

isolamento, implicaria em climatização artificial, indo

As soluções simples e viáveis para atenuar os problemas

próprio para casas containers; a Lã de PET ISOSOFT,

totalmente ao sentido oposto da ideia de container com

acima seriam a utilização de uma pintura de cor clara para

produzida com garrafas pet, possuindo uma performance

uso ecologicamente correto.

o exterior do container, para minimizar a absorção da

ambiental por ser reciclada e 100% reciclável. A Lã de

Embora sejam ambientalmente adequadas em muitos

radiação, desse modo já resultaria em uma grande melhora

PET ISOSOFT oferece muitas vantagens sobre os demais

aspectos, suas características térmicas apresentam-se

térmica; o uso de Poliestireno, assim como nos telhados

isolantes, pois dispensa o uso de luvas, óculos e roupas

extremamente

na

metálicos do tipo sanduiche, proporcionam uma grande

próprias para a instalação, fatores que agilizam a obra.

utilização, praticamente constante, de climatizadores de

melhora termo acústica, reduzindo drasticamente a

desempenho térmico e acústico dos containers sem

insatisfatórias,

o

que

acarreta

ar: a fim de viabilizar a ocupação humana. Este fato contribui para o aumento do consumo de energia dos contêineres (COSTA; PRADO, 2014)

Tabela de condutividade dos tipos de isolantes.

O trabalho de pesquisa de Débora Costa e Racine Prado

tratam o desempenho térmico do container, feito através de medições e monitoramento apontando pontos negativos em relação as questões térmicas seguida de

uma alta demanda no consumo de energia elétrica e a necessidade de um estudo para otimizar a energia. "Como resultados, constatou-se que a sensação de insatisfação com o conforto térmico ocorre de 50% a 67% do tempo medido, evidenciando a necessidade de se implantarem melhorias no aspecto térmico dos contêineres metálicos." COSTA e PRADO (2014, p. 12).

Isolante termoacústico Disponível em http://ecoeficientes.com.br/guia-de-empresas/isosoft-isolante-termoacustico/

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3 LEITURAS PROJETUAIS

3.1 CASA CONTAINER COSTA RICA -

PROJETO DE BENJAMIN GARCIA SAXE

14


MAQUINÉ, RIO GRANDE DO SUL - BRASIL

AREA MOLHADA

http://tinyhouseswoon.com/minimod/

3.2 MINIMOD -

15


3.3 CONTAINER ART BERNARDES JACOBSEN - PARQUE VILLA LOBOS, SP - BRASIL

CONTAINER ART Disponível em http://www.jacobsenarquitetura.com/projetos/?CodProjeto=34

16


3.4 LABORATÓRIO BIOKILA TALLER BÁSICO DE ARQUITETURA – ÁLAVA, ESPANHA

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4 LEVANTAMENTO DE DADOS

18


4.1 LOCALIZAÇÃO E LEGISLAÇÃO APLICADA

19


4.2 LOCALIZAÇÃO E MACROZONEAMENTO

20


4.3 USO DO SOLO

21


4.4 OCUPAÇÃO DO SOLO

22


4.5 HIERARQUIA VIÁRIA

23


4.6 EQUIPAMENTOS

4.7 DENSIDADE POPULACIONAL

24


5 LEGISLAÇÃO MACROZONEAMENTO

e a área do terreno, excluída a área não computável –

divisas do terreno de acordo com a seguinte fórmula

ZUP - Zona de Urbanização Preferencial: composta por

garagem): C.A. máximo será de até 5 VEZES A ÁREA

matemática:

áreas

DO TERRENO.

R=H/6, MAIOR OU IGUAL A 2, onde:

geomorfológicas propícias para urbanização, onde são

Área não computável: garagem; térreo sem uso

R significa a dimensão dos recuos (m); H (gabarito)

permitidas densidades demográficas médias e altas;

privativo; último pav., somente com casa de zelador, casa

significa a altura do edifício (m), podendo estar até 1,5m

incluindo as áreas internas ao Anel Viário, exceto aquelas

de máquinas e caixas d’água; Jardineiras e varandas.

do nível médio do passeio. O recuo mínimo lateral : 2m

localizadas nas áreas de afloramento do arenito Botucatu

FONTE: LEI 2157

e o recuo frontal 5m para os imóveis cujo gabarito seja

- Pirambóia, as quais fazem parte da Zona de

Densidade Populacional Líquida

superior a 4m, podendo também seu recuo ser

Urbanização Restrita;

Artigo 42 - Fica estabelecida a Densidade Populacional

determinado pela fórmula H=3x(L+R), onde H é a altura

GABARITO [É altura do edifício (metros) contada a

Líquida Básica de 850 hab/ha (oitocentos e cinqüenta

do prédio, L é a largura da rua e R é o recuo até o

partir do piso do pavimento térreo (acesso de pedestres

habitantes por hectare) permitida para cada lote de

alinhamento. FONTE: LEI 2157

ao edifício) até a soleira do elevador do último

terreno.

pavimento] : gabarito básico de 10M de altura para todas

Artigo 43 - A quantidade de unidades residenciais

(básico) poderá ser ocupado pela caixa de escada e pelo

as edificações novas ou a reformar no Município de

unifamiliares, ou não residenciais, de cada lote de terreno

elevador

Ribeirão Preto; FONTE: LEI 2157

ou unidade autônoma, será determinada com base na

adequar às exigências quanto à acessibilidade. FONTE:

Artigo 35 - O gabarito [...] poderá ser ultrapassado na

densidade populacional líquida da zona onde está

LEI 2157

Zona de Urbanização Preferencial - ZUP e na Zona de

inserido o imóvel.

dotadas

de

infra

-estrutura

e

condições

Urbanização Controlada - ZUC, desde que atendidas as

O recuo lateral nas edificações com gabarito até 10 m

DENSIDADE

quando

necessário

especificamente

para

O local do projeto apresenta uma área de 5627,30 m², POPULACIONAL

LÍQUIDA

disposições pertinentes desta lei, tais como: recuos, taxa

MÁXIMA

de ocupação, coeficiente de aproveitamento, etc.

localizadas na ZUP.

qualidade e uso do espaço pelos habitantes em seu térreo

FONTE: LEI 2157

DPL= P/A, onde: P, significa a quantidade de unidades

de uso público, foi adotada a densidade de 425 habitantes

previstas para o lote, multiplicada pelo número médio de

por hectare, sendo empregado 3 habitantes por habitação,

do Solo

pessoas (3,4 para o uso residencial e 0,2 para o uso não

assim condicionando 80 habitações containers para o

TAXA DE OCUPAÇÃO (relação entre a área da

residencial); A, significa a área do lote (hectare) FONTE:

local.

projeção, no plano horizontal, da edificação e a área do

LEI 2157

Taxa de Ocupação e do Coeficiente de Aproveitamento

lote):

T.O.

máxima

do

solo

para

edificações

RESIDENCIAIS SERÁ DE 70%. FONTE: LEI 2157

- 2.000 HAB/HÁ, permitida para lotes

aproximadamente meio hectare. Para um melhor aproveitamento do projeto em termos de

SOLO NATURAL – taxa de permeabilidade - 10% DA ÁREA TOTAL do lote. FONTE: LEI 2157

COEFICIENTE DE APROVEITAMENTO DO

RECUOS DAS EDIFICAÇÕES - gabaritos superiores

SOLO (relação entre a área edificável ou área edificada

ao básico (10m) deverão observar recuos de todas as

25


6 ANÁLISE MORFOLÓGICA

C

om base nos levantamentos feitos no entorno do

bairro Santa Cruz, podemos observar que a região apresenta um uso do solo bem misto ao longo de toda área, o que possibilita um fluxo mais dinâmico (apesar

da avenida Portugal ser um problema, como irá mostrar o mapa de hierarquia viária). Nas áreas noroeste, norte e central encontram-se o público com alta renda de classe média alta. A leste concentram-se a população de média baixa renda.

Ao centro também, ficam a maior concentração de

A área de estudo conta com duas ruas de acesso, rua

prédios altos, consequentemente sendo também a área

Fiorígio Casilo que é uma rua de duplo sentido e rua

de maior adensamento demográfico, e com um fluxo

Professor João Alvares da Costa, que sobe sentido a

viário elevado. A densidade demográfica de maneira

Portugal.

geral é boa para a área, pois a mesma não afeta o fluxo

O acesso principal será feito pela rua Fiorígio Casilo,

das vias, com exceção de avenida Portugal que possui

pela facilidade do duplo sentido.

um grande volume de fluxo, não compatível com sua

A região toda é bem servida de equipamentos como

dimensão.

escolas, igrejas, mercados e serviços em gerais.

As ruas locais e travessas possuem um fluxo baixo. O

A norte da área de estudo, esta localizado o grande

maior fluxo fica na avenida Maurilio Biagi, Avenida

parque Prefeito Luiz Roberto Jábali (o curupira).

Portugal, Avenida Leais Paulistas, rua Senador César Vergueiro e rua Chile que saem diretamente de avenidas de grande fluxo.

Cité a docks, França. Disponível em http://www.containersa.com.br/2014/02/apartamento-container-solucao.html> acesso em 20/07/15

26


7 O PROJETO

A

escolha da área deu-se devido a necessidade de

demonstrar em implantação os pontos fortes do uso do

container e sua flexibilidade em relação a diversidade de possibilidades de combinações que poderiam ser feitas em relação a composição de conjuntos de containers, além do que a área apresenta uma boa proximidade com diversos equipamentos conforme já listados. O

projeto

tem

como

objetivo,

além

do

uso

ecologicamente correto dos containers, usufruir ao

máximo das vantagens apresentadas pelo container, isto

é, aproveitar ao máximo sua resistência estrutural e para

térmico e lumínico. O mesmo recebera uma pintura de

que o mesmo se estruture por si só sempre que possível.

cor clara e internamente um tratamento de lã de pet

Serão utilizados vigas metálicas para eleva-los do chão,

ISOSOFT, produto que é feito com material reutilizável e

não tendo assim um contato direto com o solo

é 100% reciclável. Para acabamento o container será

aumentando sua vida útil pela menor deterioração que

revestido com madeira compensado de 1 centímetro e

sofreria e ainda, com os containers elevados, será

acabamento cerâmico para as áreas molhadas.

possível usufruir sempre que necessário do então piso

As poucas divisórias existentes serão de drywall e as

elevado, para instalações elétricas e hidráulicas.

esquadrias que dão para o exterior como fechamento de

As vigas metálicas estarão apoiadas sobre pequenos

janelas e possíveis aberturas de acesso serão de pvc, que

pilotis de concreto, ligados a sua pequena fundação como

apresentam boa vedação e favorecem o conforto térmico.

mostra o croqui número 1. O container por si só, não atende questões de conforto

Fabricação das esquadrias de PVC

Disponível em http://www.newtechesquadrias.com.br/new/fabrica%C3%A7%C3%A3o-das-esquadrias-em-pvc-a52.htm> acesso em 10/08/15

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IMPLANTAÇÃO (CONJUNTO DE 20 CONTAINERS)

TÉRREO (6 CONTAINERS)

1° PAV. (7 CONTAINERS)

2° PAV. (7 CONTAINERS)

P

ara a Implantação foram feitos diversos

estudos em volumetria.

Cada habitação é independente porem, para atender a

densidade populacional e os

índices urbanísticos foi feito um estudo de

um aglomerado de containers, onde foram empilhados até três containers, criando espaços de convívio e respeitando a distancia entre os demais blocos.

ESTUDO DE VOLUMETRIA

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8 PERSPECTIVAS VOLUMÉTRICAS

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8 PERSPECTIVAS VOLUMÉTRICAS

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8 PERSPECTIVAS VOLUMÉTRICAS

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8 PERSPECTIVAS VOLUMÉTRICAS

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9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS PEIXOTO, Jean Paiva Xavier. Ensaio Habitação Compacta – PDF. Scrib Inc, Brasília, jan. 2014. Disponível em: < http://pt.scribd.com/doc/237660729/Ensaio-Habitac-a-oCompacta-PDF> . Acesso em: 25 set. 2014. FEITOSA, Vânia Cinuciueky. Alojamento Para Estudante Universitário. jul. 1998. 09.f. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização) – Curso de Arquitetura e Urbanismo, Centro Universitário Moura Lacerda, Ribeirão Preto, 1998.

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MÓDULOS DE HABITAÇÃO COMPACTA FEITOS COM MATERIAL REUTILIZAVEL  

Trabalho final de curso. Arquitetura e Urbanismo

MÓDULOS DE HABITAÇÃO COMPACTA FEITOS COM MATERIAL REUTILIZAVEL  

Trabalho final de curso. Arquitetura e Urbanismo

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