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Projeto: Eduardo Oliveira


Índice O Estado ........................................................................... 06 Cultura ............................................................................... 12 Religião .............................................................................. 22 Culinária ............................................................................ 28 Turismo .............................................................................. 36 Música ................................................................................ 44


O Estado O Pará é o resultado de uma mistura de ritmos e de raças convivendo harmoniosamente. O jeito de ser paraense chama a atenção. Seja na forma de falar, de cantar, de dançar ou de vestir. Apesar das influências do resto do país, o paraense mantém, com fervor, o gosto pelas coisas da terra. Visitar o Pará é descobrir todos esses segredos. Receber o carinho e a hospitalidade do povo, saborear seus pratos e não resistir a seus ritmos.


O Estado

8

História do Pará O Estado do Pará é o segundo maior

Com uma cultura de forte herança

estado do Brasil, ele está situado na

indígena, mesclada por levas de

região Norte, cortado pela linha do

migrantes europeus, africanos

equador e pelo rio Amazonas. A região

e asiáticos, o Pará tem ritmos e

onde hoje se encontra o Estado do

paladares próprios: a generosa

Pará foi diversas vezes invadida desde

natureza amazônica fornece a matéria

o início do século XVI, por holandeses

prima para uma gastronomia de toques

e ingleses em busca de sementes

exóticos, já presente em restauran-

de urucum, guaraná e pimenta. A

tes internacionais; para instrumen-

ocupação portuguesa consolidou-se

tos musicais, peças de decoração, e

em 1616, com a fundação do Forte

manifestações folclóricas exclusivas.

do Presépio, que mais tarde foi

Os atrativos naturais estão em todas as

denominado Forte do Castelo, na baía

regiões do Pará. Na capital, Belém, há

de Guajará, que deu origem à cidade

espaços culturais e de entretenimento,

de Belém, a capital do Pará

com ênfase no patrimônio histórico.

“O estado do Pará é o segundo maior estado do Brasil.”

A faixa branca é a faixa planetária e representa o Zodíaco “projetada como um espelho horizontal”. Lembra tanto a linha do equador quanto o Rio Amazonas. A estrela simboliza a mesma que representa o Estado na bandeira nacional: Espiga, a estrela alfa de primeira grandeza da constelação de Virgem. O vermelho é a força do sangue paraense, que corre nas veias como um verdadeiro espírito de luta harmonizada.

Bandeira Oficial do Pará


9 9 O Estado O Estado Vista de Belém a partir da Bahia do Guajará

O Pará é onde a Amazônia começa.

Sem dúvida, o Pará é um dos mais

Localizada a oeste de Belém, a Baía de

Em seu vasto território, o turista pode

belos estados do Brasil, e está na

Guajará recebe águas dos rios Guamá,

encontrar de tudo: praias de mar,

lista de destino quando se pensa em

Acará e Moju, além de possuir ligação

praias de rio, rio com ondas, grandes

viagens, turismo, lazer, etc.

com a baía de Marajó. A proximidade

áreas alagáveis como no pantanal,

O Governo do Pará elegeu o turismo

com o Oceano Atlântico faz com

cachoeiras, florestas nativas, rochas

como uma de suas prioridades. Por

que ela sofra influência das marés,

esculpidas pelo tempo e o vento,

isso tem investido em infra-estrutura,

possuindo águas barrentas, amareladas

riquíssimas flora e fauna, águas

como transporte, estradas, energia e

e salobras.

piscosas, igarapés de águas frias e

saneamento básico, e atraído in-

No local, o turista tem acesso a belas

transparentes. Além das dádivas da

vestimentos na área de hotelaria e

ilhas, como a das Onças, Arapiranga

natureza, podemos encontrar cidades

alimentação. A baía do Guajará (Foto

e Piriquitos. Nas proximidades, estão

históricas, a começar por Belém,

acima) é uma baía que banha diversas

ainda pontos turísticos da cidade,

museus, teatro centenário, igrejas

cidades do estado brasileiro do Pará,

como a casa Ver-o-Peso, uma feira

antigas, e cidades com as característi-

inclusive sua capital, Belém. Foi

ao ar livre, em beira-mar , erguida em

cas da região que convive com a água

formada pelo encontro da foz do rio

1625, o Complexo Feliz Luzitânia e

como nenhuma outra.

Guamá com a foz do rio Acará.

Estação das Docas.


10

A Capital: Belém

O Estado

O estabelecimento do núcleo da cidade remonta à conquista da foz do Rio Amazonas, fundamental para a defesa da Amazônia por parte de Portugal. No ponto estratégico escolhido para se estabelecer a defesa do território foi fundado, em 12 de janeiro de 1616, o Forte do Castelo do Senhor Santo Cristo do Presépio de Belém, hoje, conhecido como Forte do Castelo. O povoado que se formou ao redor do forte foi denominado, inicialmente, de Feliz Lusitânia. Depois, chamou-se Santa Maria do Grão Pará, Santa Maria de Belém do Grão Pará e,

Forte do Castelo

finalmente, Belém do Pará.

“A região onde Belém se localiza era ocupada pelos índios Tupinambás.” No chamado Ciclo da Borracha, entre o final do século XIX e começo do século XX, Belém passou a ter grande importância comercial no cenário internacional e ficou conhecida como Paris N’América. Neste período, foram construídos importantes prédios da cidade, como o Palácio Lauro Sodré, o Teatro da Paz, o Palácio Antônio Lemos e o Mercado do Ver-o-Peso, entre outros

Paralelamente, chegavam ao Pará

Belém, conhecida também como

levas de imigrantes portugueses,

Portão de Entrada da Amazônia,

chineses, franceses, japoneses,

proporciona diversas possibilidades

espanhóis e outros grupos menores,

de cultura e lazer.14 A cidade é rica

com a finalidade de desenvolverem a

em construções históricas, praias,

agricultura na zona bragantina. Particu-

cultura, tem a mais original do Brasil

larmente, os japoneses transformaram

e possuí uma exuberante natureza,

o Pará num dos maiores exportadores

entricheradas no meio das edificações

mundiais de pimenta do reino, a mais

modernas da capital, podendo ser

nobre das especiarias da Índia.

observado nos seus diversos pontos

Assim se compôs a rica cultura

turísticos. A capital paraense possui

paraense, na qual predominam os

roteiro turístico do Brasil, gerando uma

traços das culturas portuguesa e

excelente oportunidade para investi-

indígena amazônida.

mentos turísticos.


11 11 O Estado O Estado Mercado Ver-o-Peso

Com o passar dos tempos Belém

Para quem for visitar a cidade,

artesanato... O ambiente é perfeito para

tornou-se um ponto de comerciali-

é imperdível conhecer o famoso

experimentar as exóticas frutas típicas

zação das drogas do sertão, como

mercado ver-o-peso e a feira do açaí.

e as delícias regionais, como o tacacá e

canela, urucum e outros. No final do

O Mercado Ver-o-peso, merece

açaí com peixe.

século 19, impulsionada pelo ciclo

destaque, pois é o grande cartão-pos-

da borracha, Belém passou a abrigar

tal de Belém. O Ver-o-Peso oferece

inúmeras preciosidades históricas e

os mais variados sabores e aromas do

arquitetônicas, como a Catedral de

Pará. A imensa feira livre às margens

Belém, a Igreja Nossa Senhora de

da baía do Guajará reúne centenas

Nazaré, o Teatro da Paz e a Igreja do

de barracas de frutas, peixes, ervas

Carmo, entre outros.

medicinais, temperos, doces, essências,


Cultura Texturas, cores, materiais e formatos variados compõem a rica e diversificada cultura que o turista vai encontrar quando chegar ao Pará. Além do artesanato e das jóias, o Estado é palco da leveza e sensualidade de danças típicas como o carimbó e o lundu.


14

Cultura

Cultura

Texturas, cores, materiais e formatos variados compõem a rica e diversificada cultura que o turista vai encontrar quando chegar ao Pará. O artesanato é marcado por peças inspiradas nas milenares civilizações indígenas e jóias produzidas com matérias-primas encontradas na própria natureza que reproduzem não só a criatividade dos artesãos, mas um pouco do que é o estado do Pará.

Além do artesanato e das jóias, o Estado é palco da leveza e sensualidade de danças típicas como o carimbó e o lundu. Passos marcados por músicas onde o falar paraense dá o tom e registra a identidade do povo.

O Pará eterniza personagens de lendas amazônicas como o Uirapuru e o Boto, por meio de apresentações culturais que se replicam em vários cantos do Estado. E que registram no imaginário

Casal dançando o Carimbó. Dança típica do Pará

popular o que o mundo real se permite apreciar e também sonhar. Visitar o Pará é descobrir todos esses segredos. Receber o carinho e a hospitalidade do povo, saborear seus pratos e não resistir a seus ritmos.

“A dança do carimbó é um dos traços mais fortes da cultura paraense . A coreografia começa com o homem batendo palmas para a mulher. É o convite para a dança.”


15

Artesanato

Cultura

Um dos aspectos mais charmosos da cultura paraense é o artesanato. As peças, ricas em detalhes, guardam tradições que vão ganhando novos traços com o passar do tempo, sem perder as marcas originais.

A cerâmica, produzida de forma rudimentar por artesãos a partir da argila, pode ser encontrada em utensílios domésticos, peças decorativas e urnas. Todos inspirados nas artes marajoara e tapajônica dos

Peças criadas com materiais e sementes típicos da região

primeiros índios que ocuparam a região paraense.

Já a cerâmica tapajônica é considerada uma das mais lindas do mundo.

Conhecer essa riqueza cultural é ter

Os Tapajó eram uma das maiores

encontro marcado com as culturas

nações indígenas da Amazônia.

milenares que deram origem ao

Suas cerâmicas decoradas, leves e

artesanato paraense. E, de quebra,

resistentes, atiçam a cobiça de cole-

levar exemplares deles na bagagem de

cionadores do mundo inteiro. Existem

volta para casa.

inúmeros tipos de vasos de cerâmica tapajônica. Como exemplos, o vaso

É da riqueza da fauna e da flora da

de gargalo, o de cariátides; pratos,

Amazônia que os artesãos paraenses

estatuetas, cachimbos, entre outros.

retiram elementos para produzir

Entre as peças tapajônicas famosas

objetos, peças, artefatos utilitários e

estão os muiraquitãs. Réplicas podem

decorativos que conquistam turistas

ser compradas em formato de jóias

que chegam ao Estado em busca de

no Pólo Joalheiro, no espaço São José

outras .novidades.

Liberto, em Belém. Modelo de Cerâmica Tapajônica


16

Danças

Cultura

No Pará a música ecoa pelos quatros cantos do Estado. De norte a sul os ritmos vão ganhando novas cores e passos de acordo com a História de cada região. A gente dessa terra tem no sangue o gosto pela dança animada de rua ou pela sensualidade de ritmos “calientes”, como o Lundu. Percorrendo o interior do Estado se ouve de longe a batida forte do carimbó ou o arrasta-pé do xote bragantino.

As danças são espontâneas e tradicionais, não têm data certa para acontecer. Dependem mesmo é da vontade de se divertir e de manter vivo o nosso ritmo e a nossa cultura.

Trajes coloridos, sons fortes de

Casal dançando o Siriá

Dança do Siriá

instrumentos de percussão e muita expressividade corporal traduzem

A mais famosa dança folclórica do

a “dança do siriá” começa com um

sonora e visualmente a famosa herança

município de Cametá é uma das mani-

andamento lento. Aos poucos, à

folclórica paraense.

festações coreográficas mais belas do

medida que os versos vão se desenvol-

Pará. Do ponto de vista musical é uma

vendo, a velocidade cresce, atingindo

Uma das principais manifestações

variante do famoso batuque africano,

ao final um ritmo quase frenético. A

folclóricas é o carimbó. A mais popular

com alterações sofridas através dos

“dança do siriá” apresenta uma rica

de todas as danças paraense, traduz

tempos, que a enriqueceram de

coreografia que obedece às indicações

e simplifica o mesclado de raças que

maneira extraordinária.

dos versos cantados sendo que, no

compõem a origem do Pará: negros,

Com um ritmo que representa uma

refrão, os pares fazem volteios com o

portugueses e índios.

variante do famoso batuque africano,

corpo curvado para os dois lados.


17 Cultura

“Todos os dançarinos apresentam-se descalços. As mulheres usam saias coloridas, muito franzidas e amplas, blusas de cor lisa, pulseiras e colares de sementes grandes.”

Casal dançando o Carimbó. Dança típica do Pará

Dança do Carimbó A mais extraordinária manifestação de

a aperfeiçoar a dança, iniciando pelo

uma espécie de convite para a dança.

criatividade artística do povo paraense

andamento que , de monótono, passou

Imediatamente os pares se formam,

foi criada pelos índios Tupinambá que,

a vibrar como uma espécie de variante

girando continuamente em torno de si

eram dotados de um senso artístico

do batuque africano.

mesmo, ao mesmo tempo formando

invulgar, chegando a ser considerados,

A dança é apresentada em pares.

um grande círculo que gira em sentido

nas tribos, como verdadeiros e grandes

Começa com duas fileiras de homens

contrário ao ponteiro do relógio.

semi-deuses.

e mulheres com a frente voltada para

Nesta parte, movimentos com o corpo

Quando os escravos africanos tomaram

o centro. Quando a música inicia os

curvado para frente, sempre puxando-o

contato com essa manifestação

homens vão em direção às mulheres,

com um pé na frente, marcando acen-

artística dos Tupinambá começaram a

diante das quais batem palmas como

tuadamente o ritmo vibrante.


18

Lundu Marajoara

Cultura

De origem africana, foi registrada

Com o tempo, o decreto caiu no

inicialmente na ilha do Marajó. É a mais

esquecimento e o Lundu voltou a ser

sensual dança folclórica paraense.

praticado, mantendo sua principal ca-

O tema está centrado no convite do

racterística: a sensualidade. A dança do

homem à mulher para um encontro

lundu marajoara simboliza um convite

sexual. A dança desenvolve-se, a

que os homens fazem às mulheres

princípio, com a recusa da mulher, mas

“para um encontro de amor sexual”.

diante da insistência do companheiro ela termina por ceder. A movimentação coreográfica é tão plena de sensualidade que, na época do Brasil Império, a Corte e o Vaticano proibiram que fosse dançada, devido sua sensuaA dança do Lundu

“O Lundu é conhecido por ser uma dança totalmente sensual. Chegou a ser proibido no Brasil por um tempo.”

lidade na forma de dançar.

Xote Bragantino No Estado do Pará os portugueses

interesse do povo bragantino nas apre-

cultivavam o chote com bastante

sentações públicas da “Marujada”. Os

entusiasmo em todas as reuniões

movimentos coreográficos do “Xote”

festivas assistidas de longe pelos

sofreram belas adaptações, criando

escravos africanos.

detalhes de impressionante efeito

A dança foi aproveitada, de fato, pelos

visual, que sempre despertam grande

negros em 1798, quando eles fundaram

entusiasmo em todas as pessoas que

a Irmandade de São Benedito, no

assistem. Utilizando os mesmos ins-

município de Bragança, que deu

trumentos típicos das demais danças

origem à Marujada.

folclóricas paraenses, o “Xote” tem,

Outras danças de origem européia

obrigatoriamente, solos de violino

também vieram formar o novo ritmo,

(rabeca) e o canto, puxado por um dos

mas é no “Xote” que está o maior

integrantes do conjunto musical. Casal dançando o Xote Bragantino


Lendas

19

Botos que se transformam em homens

Cultura

e encantam mulheres; personagens que protegem animais e plantas da floresta, desnorteando caçadores; e crianças geradas por índias grávidas da cobra-grande. São algumas das lendas que compõem o folclore amazônico, como o Mapinguari. Encantam e perpetuam histórias contadas por índios e replicadas pela imaginação popular nas festas paraenses no interior do Estado. As lendas procuraram dar explicação a acontecimentos misteriosos ou acontecimentos sobrenaturais. Os mitos são narrativas que possuem um forte componente simbólico. Como os povos da antiguidade não conseguiam explicar os fenômenos da natureza, através de explicações científicas, criavam mitos com este objetivo: dar sentido as coisas presentes no mundo.

“As lendas são estórias contadas por pessoas e transmitidas oralmente através dos tempos. Misturam fatos reais e históricos com acontecimentos que são frutos da fantasia.”


20

Boto

Caipora

Cobra Gigante

Cultura

Conta a lenda que o boto, mamífero

O Caipora é o protetor dos animais

Conta a lenda que em uma certa tribo

conhecido e adorado, encontrado

e plantas da floresta. Sua atividade

indígena da Amazônia, uma índia,

nos rios da Amazônia, se transforma

consiste em espantar os animais

grávida da boiúna, deu à luz duas

em um belo e elegante rapaz durante

para que os caçadores não possam

crianças gêmeas. Causava sérios

a noite, quando sai das águas à

matá-los. Quando encontra um

prejuízos a todos. Para ficar livre dos

conquista das moças.

caçador no mato, o Caipora começa

filhos, a mãe jogou as duas crianças

Elas não resistem a sua beleza e

a andar sem rumo certo até que o

no rio.

simpatia e caem de amores por ele.

caçador se perca na floresta, não

Para quebrar o encanto de Honorato

O Boto também é considerado

encontrando mais o caminho de volta

era preciso que alguém tivesse muita

protetor das mulheres, pois muitas das

para casa.

coragem para derramar leite na

vezes quando ocorre naufrágio com

O Caipora possui o corpo todo

boca da enorme cobra, fazendo um

uma embarcação, se o boto estiver

coberto de pêlos e é muito rápido,

ferimento na cabeça até sair sangue.

por perto ele salva a vida das mulheres

razão pela qual o homem não

Mas ninguém tinha coragem de

empurrando-as para a margem do rio.

consegue alcançá-lo.

enfrentar o enorme monstro.

Açaí

Tambatajá

Lenda da Lua

Itaki tomou uma decisão: resolveu que

Na tribo Macuxi havia um índio forte

Outra lenda indígena fala da origem

a partir daquele dia todas as crianças

e inteligente. Um dia ele se apaixonou

da lua. Manduka namorava sua irmã.

que nascessem seriam sacrificadas

por uma bela índia de sua aldeia.

Todas as noites ia deitar com ela, mas

para evitar o aumento de sua tribo.

Casaram-se logo depois e viviam muito

não mostrava o rosto e nem falava,

Até que um dia a filha do cacique,

felizes, até que um dia a índia ficou

para não ser identificado.A irmã,

chamada Iaçã, deu à luz uma bonita

gravemente doente e paralítica. O índio

tentando descobrir quem era, passou

menina, que também teve de ser

foi à floresta e cavou um buraco à beira

tinta de jenipapo no rosto de Manduka.

sacrificada. Certo dia Iaçã viu sua filha

de um igarapé. Enterrou-se junto com

Manduka lavou o rosto, porém a marca

sorridente proxima a uma palmeira.

a índia, pois para ele não havia mais

da tinta não saiu. Então Manduka subiu

Amanheceu e Iaçã foi encontrada

razão para continuar vivendo. Algumas

numa árvore que ia até o céu. Depois

morta, abraçada a palmeira. Itaki

luas se passaram e naquele mesmo

desceu e foi dizer aos Juruna que ia

batizou os frutos daquela Palmeira de

local brotou na terra uma graciosa

voltar para a árvore e não desceria

Açaí (Iaçã invertido).

planta, era Tambajajá.

nunca mais. Aí virou lua.


Vitória Régia

Matinta Perêra

Muiraquitã

21

Em uma tribo indígena da Amazônia

A Matinta Perêra é uma velha vestida

Antigamente havia uma tribo de

vivia uma bela índia chamada Naiá. Ela

de preto, com os cabelos caídos no

mulheres guerreiras, as ICAMIABAS,

acreditava que a lua escolhia as moças

rosto. Tem hábitos noturnos, preferindo

que não tinham marido e não deixavam

Cultura

mais bonitas e as transformava em

as noites sem luar. Quando sente a

ninguém se aproximar de sua taba.

estrelas que brilhariam para sempre no

presença de alguma pessoa ela dá um

Manejavam o arco e a flecha com uma

firmamento. Naiá já não dormia mais.

assobio estridente, dando a impressão

perícia extraordinária. Parece que Iací ,

Passava as noites andando na beira

de estar gritando o seu próprio nome:

a lua, as protegia.

do lago, tentando despertar a atenção

Matinta Perêra.

Elas davam aos Guacaris, que traziam

da lua. Em uma noite, a índia viu, nas

Seu aparecimento causa verdadeiro

pendurados em seu pescoço, enfiados

águas límpidas do lago, a figura da lua.

pavor às pessoas. A Matinta Perêra

numa trança de cabelos das noivas,

A pobre moça, imaginando que a lua

pode aparecer de diversas formas,

como um amuleto. Até hoje acredita-se

havia chegado para buscá-la, se atirou

transformando-se quase sempre em

que o Muiraquitã traz felicidade a quem

nas águas profundas do lago e então

coruja, apesar de aparecer também na

o possui, sendo, portanto, considerado

morreu afogada.

forma de outros animais.

como um amuleto de sorte.

Peixe-boi

Lenda dos Rios

Lenda do Sol

Para explicar a origem do Peixe-Boi,

A origem dos rios Xingu e Amazonas

Para os índios, o sol era gente e se

os índios contavam uma lenda que

também faz parte do imaginário

chamava Kuandu, que tinha três filhos:

dizia que em uma certa tribo indígena,

indígena. Dizem que antigamente era

um é o sol, que aparece na seca; o mais

habitante do vale do Rio Solimões, no

tudo seco. Juruna morava dentro do

novo, sai na chuva e o filho do meio

Amazonas, foi realizada uma grande

mato e não tinha água nem rio. Juriti

ajuda os outros dois quando estão

festa da moça nova e pelação de

era a dona da água, e a guardava em

cansados. Há muito tempo, um índio

Curumim.O pajé mandou que a moça

três tambores. Os irmãos foram até

Juruna teria comido o pai de Kuandu.

nova e o Curumim mergulhassem nas

Juriti e quebram os tambores. Quando

Por isso, Kuandu queria se vingar.

águas do rio.Quando mergulharam

a água saiu, Juriti virou bicho. Os

Portanto, quando é seca e sol forte

o pajé jogou, em cima de cada um

irmãos pularam longe, mas o peixe

é o filho mais velho que está fora de

deles, uma tala de canarana. Quando

grande que estava lá dentro engoliu

casa. Quando é sol mais fraco é o filho

voltaram à tona já haviam se transfor-

Rubiatá (um dos irmãos), que ficou

mais novo. O filho do meio só aparece

mado em PEIXE-BOI.

com as pernas para fora da boca.

quando os irmãos ficam cansados.


Religião Se a fé move montanhas, no Pará ela atravessa rios, florestas e se mantém viva ano após ano. É nessa terra de grandiosidade que acontece o Círio de Nazaré, uma gigantesca e secular procissão religiosa, considerada a maior expressão de fé do povo católico paraense.


24

Religiosidade Popular

Círio de Nazaré

Religião

Se a fé move montanhas, no Pará ela

Realizado em Belém do Pará há mais

A devoção a Nossa Senhora de

atravessa rios, florestas e se mantém

de dois séculos, o Círio de Nazaré

Nazaré teve início em Portugal. Em

viva ano após ano. É nessa terra de

é uma das maiores e mais belas

decorrência de uma batalha, a imagem

grandiosidade que acontece o Círio

procissões católicas do Brasil e do

da santa foi levada para Portugal, onde,

de Nazaré, uma gigantesca e secular

mundo. Reúne, anualmente, cerca

por muito tempo, ficou escondida no

procissão religiosa, considerada a

de dois milhões de romeiros numa

Pico de São Bartolomeu. Só em 1119, a

maior expressão de fé do povo católico

caminhada de fé pelas ruas da capital

imagem foi encontrada. A notícia se

do estado do Pará.

do Estado, num espetáculo grandioso

espalhou e muita gente começou a

A manifestação em Belém é só uma

em homenagem a Nossa Senhora de

venerar a Santa. Desde então, muitos

das diversas que são realizadas em

Nazaré, a mãe de Jesus.

milagres foram atribuídos a ela.

vários cantos dos 143 municípios que compõem o Pará. Nessa terra de rica cultura popular, a mistura entre o religioso e o profano também não poderia faltar. Um exemplo está em Alter do Chão, no oeste paraense, onde acontece a tradicional Festa do Çairé, uma das maiores manifestações folclóricas da região da Amazônia. O festejo tem origem indígena e todos os anos há a disputa dos grupos folclóricos Boto Tucuxi e também Boto Cor de Rosa. Quem chega ao Pará sai com a certeza de que nesse lugar de muita fé há espaço para muitas devoções que povoam mentes, lugares e registram passagens da história religiosa do Estado do Pará. Imagem da Nossa Sra. de Nazaré


25 Religião Basílica de Nazaré, em Belém.

O Círio é a expressão de dois

À noite, o espetáculo é ver a Basílica

Além disso o arraial montado ao lado

sentimentos fortes do povo brasileiro,

iluminada, mais de 4.000 lâmpadas são

da Basílica, garante a diversão da

principalmente os paraenses: a fé

colocadas para fazer os contornos da

garotada, com direito a roda gigante

religiosa e o gosto pela festa.

Fachada da Basílica de Nazaré.

e muitos brinquedos que vão desde

Durante os quinze dias que duram

No largo de Nazaré, onde foi

o tradicional cavalinho até modernos

a festa, Belém é envolvida por um

construído o CAM – conjunto Arquite-

jogos eletrônicos.

espírito de união, onde a família

tônico de Nazaré, dezenas de pessoas

Durante todo o período do Círio,

paraense se confraterniza.

constróem barraquinhas de madeira

Belém é só festa, a cidade ganha uma

O ponto alto da festa é o almoço do

para venda de bebidas, comidas

alegria contagiante, uma mistura de fé,

Círio. Com mesa farta de comidas

típicas. Na concha acústica do CAM,

milagres , folclore, cores e sabores.

típicas de dar água na boca: o pato

são organizados shows, com músicos

Por tudo isso, o Círio é considerado o

no tucupi, a maniçoba, o tacacá ou o

famosos e conjuntos de rock que

Natal dos paraenses e é conhecido até

casquinho de caranguejo....

levam a juventude ao delírio.

mesmo no exterior.


26

Os 15 dias de homenagem à Virgem de Nazaré começam com a Transla-

Religião

dação que é uma procissão noturna, que acontece na noite do 2º Sábado de outubro, quando o povo conduz a Imagem da Virgem da Capela do Colégio Gentil Bittencourt em Nazaré até a Catedral Metropolitana na chamada Cidade Velha. No domingo a imagem será levada, bem cedo, para a grande procissão do Círio, que é considerada uma das maiores romarias católicas do mundo, por reunir cerca de 1,5 milhão de pessoas nas ruas de Belém.

“A Procissão de Nazaré é Repleta de Simbolismos.”

Imagem da Nossa Sra. de Nazaré sendo levada até a catedral

A procissão do Círio propriamen-

O pagamento de promessas durante a

que representam a cura de uma

te dita, acontece no 2º Domingo de

procissão é um dos fatos mais impres-

enfermidade por milagre da Santa. Este

outubro, quando saindo da Catedral, a

sionantes. Em agradecimento as graças

carro representa o naufrágio do navio

Imagem é conduzida pelo povo até o

recebidas por intercessão da Santa,

São João Batista, em 1846, em que

Largo onde está a Basílica de N.S. de

muitos romeiros se vestem com longas

as pessoas se salvaram graças à ação

Nazaré. Esse percurso é percorrido em

mortalhas arrastando pesadas cruzes

milagrosa da Virgem.

4 horas e mobiliza milhares de pessoas

de madeira, outros levam miniaturas

O Recírio é o último momento do Círio

nas ruas de Belém, sem contar outras

de casas, mini-embarcações e muitos

de Nazaré. É quando os paraenses

milhares que assistem à passagem da

outros objetos que aludem aos

se despedem de sua padroeira, na

santa dos edifícios, das janelas das

milagres feitos pela Virgem.

segunda-feira, 15 dias após a grande

casas, dos palanques e arquibancadas

No “carro dos milagres”, um barco

procissão do segundo domingo

armados nas praças, entoando cânticos

sobre rodas onde são colocados

de outubro. E então, a imagem é

e proferindo fervorosas orações num

braços, cabeças e outras partes do

devolvida ao seu nicho na Capela

lindíssimo espetáculo de fé.

corpo trabalhadas em cera,

Gentil Bittencourt.


27 Religião

A procissão é repleta de simbolismo. O traço mais marcante é uma corda, utilizada para puxar o luxuoso carro que transporta a Imagem da Santa. Entre os devotos, a corda representa o elo de ligação do povo com a Virgem. São milhares de romeiros descalços, disputando cada pedaço da corda, fazendo assim um autêntico cinturão humano que protege a Berlinda.


Culinária Da natureza rica em ervas, frutos, sabores e cheiros nasceu a gastronomia paraense. É considerada a mais autêntica e exótica do país e responsável por colocar o Pará em destaque no roteiro turístico gastronômico nacional e internacional.


30

Pratos Típicos

Pato no Tucupí

Caruru

Culinária

Considerada uma das culinárias mais

Constituído de pato, tucupi e jambu. O

Feito com quiabo, camarões secos

“brasileiras” do País, a gastronomia do

tucupi é um caldo amarelo extraído da

e inteiros, tempero verde (alfavaca e

Pará tem sim a cultura indígena como

mandioca e por isso precisa ser cozido

chicória), farinha seca bem fina e azeite

sua maior influência, mas também

durante uma semana. O pato, depois

de dendê. Após fervidos o quiabo, o

carrega consigo traços portugueses e

de assado, é cortado em pedaços e

tempero verde e os camarões na água,

africanos. Os elementos encontrados

fervido no tucupi, onde fica de molho

acrescenta-se a farinha e faze-se um

na região da Amazônia formam a

por algum tempo. O jambu é fervido

pirão. Estando pronto o pirão, adicio-

base de seus pratos, com o acréscimo

em água com sal, escorrido e posto

nam-se os quiabos bem escorridos,

do camarão, caranguejo, pato e dos

sobre o pato. É servido com arroz

o camarão já refogado com todos os

peixes, todos temperados com folhas e

branco e farinha de mandioca.

temperos e, por último, o azeite de dendê a gosto.

frutas nativas. Destacam-se: açaí, bacaba, cupuaçu, castanha-do-pará, bacuri, pupunha, tucumã, muruci, piquiá e taperebá –, pimentas de cheiro e ervas. Os mais tradicionais são cozidos em panelas de barro ou assados em moquéns e embebidos de tucupi, caldo amarelo extraído da mandioca. Aliás, a raiz é uma das bases da culinária paraense, e sua farinha não pode faltar nos pratos locais.

Maniçoba Do tupi Maní, deusa da mandioca. Usa-se tipicamente uma panela de barro ou de porcelana. O prato demora pelo menos uma semana para ser feito, pois a folha da maniva (a planta que dá origem a mandioca), depois de moída, deve ser cozida durante, pelo menos, quatro dias com a intenção de eliminar o ácido cianídrico que contém

“A Culinária do Pará apresenta como sua maior influência a cultura indígena e, um pouco da portuguesa e africana. Os ingredientes básicos são oriundos da exuberante natureza da Amazônia.”

nela. Depois disso é acrescentado o

Tacacá De origem indígena, o Tacacá é um mingau quase líquido servido em cuias, são vendidas pelas “tacacazeiras”, geralmente ao entardecer, na esquina das principais ruas das cidades paraenses, sobretudo Belém. É constituído de uma mistura que leva tucupi, goma de tapioca cozida, jambu e camarão seco.

charque (carne seca), toucinho, bucho, mocotó, orelha, pé e costelas salgadas

Mojica

de porco, chouriço, linguiça e paio, praticamente os mesmos ingredientes de

É um prato de espécie cremoso que

uma feijoada completa. É servido com

pode ser feita de farinha de peixe

arroz branco, farinha d’água e pimenta

conhecida como piracuí, massa de siri

de cheiro a gosto.

ou também caranguejo.


31

Culinรกria


32

Frutos do Pará

Culinária

As frutas regionais complementam o cardápio. Uma diversidade que pode ser encontrada na Feira do Ver-o-Peso, em Belém, e, de quebra, consumida em doces e sorvetes, compondo maravilhosas sobremesas - um destaque a mais da culinária paraense. Como exemplos, o cupuaçu, o bacuri, o taperebá e a própria manga, esta muito encontrada em feiras e nas ruas da capital. O açaí é um dos frutos mais apreciados pelos paraenses e por quem visita o Pará. Dele é extraída uma espécie de suco grosso, de cor arroxeada, não alcoólico. Os paraenses o consomem misturado com farinha d’água ou de tapioca, e geralmente acompanhado de peixe frito, camarão assado, ou alguma outra carne salgada. A Amazônia é um infinito pomar onde, de tudo, há. Frutos polposos ou não, adocicados, adstringentes, ácidos. Alguns, belíssimos, mas venenosos; outros, enjoativos de tão perfumados; ainda, bonitos, mas pouco saborosos; ao invés, feios de visual, mas extremamente gostosos. Forma e tamanho variadíssimos: ovóides, oblongos, elípticos, cilíndricos, alongados, pequenos, médicos, grandes, volumosos

No Pará, o açaí é consumido também com peixes, camarão e farinha.

O Açaí Açaí é o fruto do açaizeiro. Também

de coloração escura, variando entre o

chamado de juçara, o mesmo é uma

roxo e o preto, que possui um pequeno

das mais importantes fontes de

caroço e pouca polpa ao redor do

alimentação para os habitantes da

fruto. O fruto é encontrado em cachos;

região Amazônica, terra de origem do

cada tronco do açaizeiro produz até

açaí. A fruta também é encontrada

quatro cachos da fruta. A fruta é

em outros países próximos do Brasil,

empregada no preparo de bebidas,

como Venezuela, Colômbia, Equador e

doces, sorvetes e geléias. O açaí na

Guianas. O açaizeiro é uma árvore que

tigela, como é chamado, é a forma

pode chegar a atingir até 30 metros

mais comum de consumo da fruta: a

de altura e que prefere áreas úmidas,

polpa do açaí congelada é batida com

fato que faz com que a mesma cresça

xarope de guaraná, originando uma

nas margens dos rios. O açaí é uma

pasta semelhante ao sorvete na qual é

pequena fruta arredondada,

utilizada de diversas formas.


Cupuaçú

Tucumã

Cajá

33

O cupuaçu é fruto do cupuaçuzei-

O tucumã é nativo do Amazonas,

O cajá é o fruto da cajazeira e é

ro, uma árvore típica da Amazônia

sendo comum em regiões

encontrado em vários estados

brasileira, de família próxima à do

descampadas, com solos pobres e

brasileiros, especialmente nos das

Culinária

cacaueiro. O cupuaçuzeiro pode medir

degradados. Grande palmeira, estipe

regiões Norte e Nordeste. A árvore,

entre 10 e 15m de altura e necessita

isolado, alcança de 10 a 15 metros de

que pode alcançar até 25 metros de

de um solo firme, fértil e com boa

altura, sempre provida de espinhos

altura, tem um fruto de casca fina e de

retenção de água para se desenvolver.

longos e finos, dispostos na metade

cor amarelo-laranja, com polpa ácida e

Além disso, é recomendado que o

superior do tronco.

super saborosa.

cultivo da árvore seja feito em regiões

Folhas com bainhas dilatadase flores

O cajá é uma boa fonte de vitaminas,

com temperaturas médias anuais

reunidas em inflorescência do tipo que

principalmente a “A” e é rico em

superiores a 22ºC.

tem cachos.

fibras, fósforo, ferro e cálcio. A polpa

Produz um fruto, tipo drupa, oval de

suculenta do cajá é bastante utilizada

casca alaranjada, polpa comestível,

na produção de geleias, sucos,

amarelada e oleosa. É muito apreciado

sorvetes, compotas, licores e diversas

A bacaba é uma palmeira nativa da

pelo caboclo local, acompanhado de

outras sobremesas.

Amazônia.

farinha de mandioca. A polpa tem

Distribui-se por toda Bacia Amazônica,

um sabor que lembra o do damasco.

com maior frequência no Amazonas e

Frutos extremamente ricos em

região do Pará. Possui como habitat a

vitaminas A e B.

Bacaba

A Castanha do Pará é a semente da castanheira do Pará. É uma fruta típica

mata virgem alta de terra firme úmida. É uma palmeira monocaule de porte

Castanha do Pará

Bacuri

do norte do Brasil e um dos principais produtos de exportação da Amazônia.

alto, estirpe liso. Pode atingir até 20 metros de altura e

Bacuri é uma das frutas mais populares

Possui alto valor protéico e calórico

20 a 25 cm de diâmetro. O fruto é uma

da região norte e dos estados

além de ser rica em selênio, substância

drupe subalongado quando jovem,

vizinhos à região Amazônica, é mais

que reduz o risco de cânceres como

subglobosa quando adulto podendo

encontrado nos estados do Pará,

o de pulmão e de próstata e combate

atingir até 3,0 gramas. A propagação

Maranhão e Piauí. A fruta mede cerca

os radicais livres, agindo contra o

é feita por sementes que germinam

de 10cm e apresenta uma casca dura e

envelhecimento, fortalece o sistema

entre 60 e 120 dias, apresentando

resinosa. Sua polpa é branca, de aroma

imunológico, etc. Pode ser consumida

crescimento lento.

agradável e sabor intenso.

in natura, ou de diversas outras formas.


Culinรกria

34


35

Culinรกria


Turismo Aventurar-se pelos vários cantos do Pará significa, sobretudo, ter contato com uma natureza plena de opçções. O Estado possui lugares paradisíacos. Os cenários são florestas, cavernas, cachoeiras, rios, áreas rochosas e muito sol.


38

Turismo no Pará

Turismo

Com um território que corresponde a aproximadamente 26% do território amazônico, o Pará é dividido em 143 municípios, onde vivem cerca de seis milhões de pessoas, que dedicam a atividades nos três setores principais da economia: primário, secundário e terciário. Atualmente, a economia do Estado está focada em uma tríade que se baseia nas vocações naturais do território paraense: agroindústria, verticalização mineral, turismo e as comidas tipicas. Destas três atividades, o turismo é, com certeza, a atividade que tem grande chance de se consolidar como um dos setores de maior atração para o emprego e geração de renda.

Mercado Ver-o-peso.

O estímulo à atividade turística se dá por dois fatores: a execução de obras

Ver-o-Peso

que embelezam cidades paraenses e a divisão do Estado em seis pólos

O Ver-o-Peso é a maior feira livre da

época que houve o aterramento da

turísticos, que contemplam diversas

América Latina. Está localizada na

Baía do Guajará, construção do porto

vertentes da atividade.

Cidade Velha, às margens da baía

e o Mercado de Ferro. O mercado faz

do Guarajá. Inaugurada em 1625, era

parte de um complexo arquitetônico e

entreposto fiscal, onde se media o

paisagístico que compreende uma área

peso exato das mercadorias para

de 35 mil metros quadrados, com uma

se cobrar os impostos para a coroa

série de construções históricas, dentre

portuguesa. Ao longo do tempo, o

elas o Mercado de Ferro, o Mercado da

Ver-o-peso sofreu várias modificações

Carne, a Praça do Relógio, a Doca, a

visando se adaptar às necessidades e

Feira do Açaí, a Ladeira do Castelo e o

gostos da Belle Époque. Foi nessa

Solar da Beira e a Praça do Pescador.

“Obras como a Estação das Docas, Ver-o-Rio, Parque da Residência, Mangal das Garças, Feliz Lusitânia e Aeroporto Internacional de Belém ajudaram a impulsionar a atividade turística na capital.”


39 Turismo O anoitecer na Estação das Docas.

Estação das Docas Inaugurada em 13 de maio de 2000,

2 passou a ser o Boulevard da

visitantes. Sabores regionais e de

a Estação das Docas é um dos

Gastronomia. E o Armazém 3 é

diversas partes do mundo podem ser

espaços que mais refletem a região

conhecido como Boulevard das Feiras

encontrados nos restaurantes, bares,

amazônica. Referência nacional, o

e Exposições. O complexo possui,

lanchonetes, sorveterias e bomboniers

complexo turístico e cultural congrega

ainda, o Teatro Maria Silvia Nunes e

da Estação.

gastronomia, cultura, moda e eventos

o anfiteatro do Forte de São Pedro

Moda e beleza são outros pontos a

nos 500 metros de orla fluvial do

Nolasco. Teatro, música e dança

se destacar na Estação das Docas,

antigo porto de Belém.

são opções de diversão diárias. Nos

O complexo possui diversas lojas de

A estação é dividica em três

palcos deslizantes, MPB, rock e música

roupas e acessórios, perfumarias,

complexos: O Armazém 1 foi batizado

paraense são alguns dos ritmos que

artigos para presente e salão de cabe-

de Boulevard das Artes. O Armazém

embalam as tardes e as noites dos

leireiro e outros.


40 Turismo

Vista de Cima, Mangal das Garças.

Mangal das Garças Vista do alto não há dúvida. Belém

olhar sobrevoar pontos especiais como

extenso aningal transformou-se em

é uma metrópole emoldurada

o grande lago central, os caminhos

mais um belo recanto de Belém.

pela floresta. Do chão, em meio à

sinuosos, os canteiros coloridos, as

A transformação foi cuidadosa. O

modernidade dos prédios e aridez

áreas de estar e os equipamentos de

pré-requisito era o aproveitamento

dos asfaltos, a certeza não é tanta. Ao

lazer e serviços. Os lagos artificiais do

máximo das condições paisagísticas da

menos que você esteja no Mangal das

complexo receberam aves pernaltas,

área. A idéia, representar as diferentes

Garças, que representa um pedaço de

marrecos e quelônios criteriosamente

macrorregiões florísticas do Pará: as

toda a riqueza amazônica em plena

selecionados. Recantos com cara-

matas de terra firme, as matas de

cidade, um óasis para as pessoas que

manchões em madeira criam oásis de

várzea e os campos, com sua fauna.

valorizam a natureza.

sombra perfeitos para o descanso. O

O visitante tem a chance de fazer o

que antes era uma área alagada com


41 Turismo Theatro da Paz

Theatro da Paz O Theatro da Paz foi fundado em 15 de

da sociedade da época, o governo

luxuosos do Brasil. Com cerca de 130

fevereiro de 1878, durante o período

da província contrata o engenheiro

anos de história, é considerado um

áureo do Ciclo da Borracha, quando

militar José Tiburcio de Magalhães

dos Teatros-Monumentos do País.

ocorreu um grande crescimento

que dá inicio ao projeto arquitetô-

Inaugurado em 15 de fevereiro de 1878,

econômico na região amazônica.

nico inspirado no Teatro Scalla de

o teatro possui linhas neoclássicas e

Belém foi considerada “A Capital

Milão (Itália). Foi a primeira casa de

foi construído no período áureo da

da Borracha”. Mas, apesar desse

espetáculos construída na Amazônia

exploração da borracha na Amazônia.

progresso a cidade ainda não possuía

e tem características grandiosas.

Para o lançamento oficial do teatro, foi

um teatro de grande porte, capaz de

Localiza-se na cidade de Belém, no

encenada a produção do dramaturgo

receber espetáculos do gênero lírico.

Estado do Pará. Atualmente, é o maior

francês Adolphe d’Ennery, A obra

Buscando satisfazer o anseio

Teatro da Região Norte e um dos mais

chamada As duas órfãs.


42

42

Turismo

Turismo Vista de Cima, Complexo turístico feliz lusitania.

Feliz Lusitânia Localizado na região mais antiga de

arquitetônicos de vários períodos da

Norte e Nordeste. Já na Sala de

Belém do Pará, o Complexo Turístico

fortaleza, além de objetos de cerâmica

Ensaios Visuais são realizadas

Feliz Lusitânia abriga o Forte do

tapajônica e marajoara.

exposições de curta duração, com

Presépio, a praça Dom Frei Caetano

Outro destaque do Complexo Turístico

base em pesquisas ou em propostas

Brandão, a Casa das 11 Janelas, a Igreja

Feliz Lusitânia é o prédio que deu lugar

que possam provocar discussões e

de Santo Alexandre (Museu de Arte

à Casa das Onze Janelas, originalmen-

reflexões sobre a arte do século XXI.

Sacra) e a Catedral Metropolitana de

te projetado pelo arquiteto italiano

Belém. No Forte, o turista tem acesso

Antonio Landi, no século XVIII. No

a uma vista privilegiada para a baía do

local, o visitante pode apreciar um

Guajará. O local também o Museu do

grande acervo de arte contemporânea,

Encontro, onde estão os vestígios

importante referencial para as regiões


43 Turismo Praia de Alter do Chão, em Santarém.

Praias de Alter do Chão Não foi por acaso que Alter do

de pescadores a 35 quilômetros de

de peixes - experimente o bolinho de

Chão ganhou o apelido de Caribe

Santarém, a segunda maior cidade

piracuí - e frutas da região, como o

Amazônico. A praia, que só aparece

paraense, que se transforma em um

açaí. Ao entardecer, a dica é embarcar

no período de vazante do rio Tapajós

concorrido balneário quando as águas

nas canoas dos nativos e atravessar o

- entre os meses de agosto e janeiro

do rio baixam e deixam o cenário

Tapajós em busca do melhor ângulo

- tem água doce azul-turquesa e

paradisíaco à vista. Encantadora, a

para apreciar o pôr do sol. E se for mês

areias branquinhas. Os barquinhos

praia tornou-se parada obrigatória

de setembro, a noite segue no ritmo da

de madeira e as barracas cobertas

dos cruzeiros que navegam pela

Festa do Sairé, que mistura elementos

de sapê conferem à paisagem a

bacia do rio Amazonas. Durante o dia,

religiosos e profanos. Colorido e alegre,

rusticidade típica do Norte do país.

o programa é relaxar e apreciar as

o evento dura uma semana de pura

Em plena selva, Alter é uma aldeia

delícias da culinária local, à base

música, dança e diversas atividades.


Música A Música paraense recepciona diversas influências através dos séculos. No século XX pode-se perceber um delineamento de suas características e de sua peculiaridade. É uma das mais ricas regiões do Brasil em termos de ritmos musicais


46

Músicalidade Paraense

Música

A Música paraense recepciona diversas influências através dos séculos. No século XX pode-se perceber um delineamento de suas características e de sua peculiaridade. É uma das mais ricas regiões do Brasil em termos de ritmo musicais . A música caribenha tem tido uma influência marcante na formação de grande parte dos gêneros musicais surgidos em estados como Pará, Maranhão e Amapá. Falando no caso de Belém, a música caribenha se entranha no seio das camadas populares já a partir das décadas de 30 e 40. Nos anos 60 e 70 já se observa o resultado disso dentro das inovações e fusões musicais feitas por compo-

Fafá de Belém em Show ao Vivo.

sitores como Mestre Vieira, Pinduca, Mestre Cupijó.

Fafá de Belém

Antigamente, apesar da dificuldade em externar a cultura do Pará Brasil a fora,

A cantora Fafá de Belém nasceu no

fazia parte de sua vida. Aos 16 anos,

alguns artistas conseguiram quebrar

dia 10 de agosto de 1956, em Belém

sua voz começou a se destacar. Foi

essa barreira.

do Pará, filha do advogado Joaguim

convidada para cantar na Bahia.

Figueiredo e de Eneide, cresceu em

Tomou o avião. Era o início de sua

uma família classe média-alta. Aos 12

carreira musical. Fafá virou marca

anos, percebeu que não seria de “tipo

nacional. Marca nacional de alegria,

mignon”, e pediu para a mãe costurar

com aquela gargalhada sinceramente

roupas que valorizassem suas formas

estrondosa que é capaz de levantar os

voluptuosas. Foi quando adotou os

ânimos de qualquer um. Foi a pioneira

acentuados decotes, que usa até hoje.

em sair do Pará e espalhar Brasila fora

Naquela época, a música também já

a musica paraense.

“Artistas como Fafá de Belém, Calypso, Beto Barbosa e Gaby Amarantos, são responsáveis em levar a cultura do Pará para outras partes do Brasil e até do Mundo.”


47 Música

“Apesar de parecido, o ritmo tocado pela banda não é o Forró, e sim o Calipso, mistura de ritmos paraenses.”

Joelma e Chimbinha, líderes da Banda Calypso.

Banda Calypso Criada em 1999 com um CD lançado

Apesar da popularidade aumentar

Muitos confundem o ritmo calipso com

de maneira independente pela cantora

cada vez mais, a banda ainda sofria

o forró, no entanto as semelhanças

Joelma e o Guitarrista Chimbinha, a

preconceito pelo fato de ser do Pará,

estão apenas no teor alucinante e

Banda Calypso hoje é um dos maiores

sendo inclusive pedida para que não

caliente da dança, pois o calipso é um

fenômenos de venda e público da

revelassem o estado de ondem vieram.

ritmo totalmente diferente de tudo que

história da música brasileira, o primeiro

A partir daí, surge a revolta da

já se viu, na verdade é uma mistura de

CD intitulado Banda Calypso Volume

vocalista, que então cria o grito de

vários ritmos de raízes bem paraenses

1 vendeu mais de 500 mil cópias. Com

guerra do calypso, tornando a banda

como cúmbia, merengue e carimbó.

esse resultado, surgiram contratos para

cada vez mais popular.

Atualmente a Calypso já é referência

shows e a banda foi se expandindo pelo Pará.

“Direto de Belém do Pará, Isso é Calypso!.”

na música brasileira, com presença garantida em grandes espetáculos.


48 Música

Beto Barbosa em Show ao vivo Em Ananindeua, no Pará.

Beto Barbosa Considerado o Rei da Lambada,

como Alípio Martins (In Memoriam),

Com perseverança, talento e fé

surgiu na década de 1980. Famoso

Juca Medalha, Luiz Guilherme, Ted

começou a despontar. Passou por

compositor de “Adocica”, um de seus

Max, Mauro Cota, Francis Dalva, Míriam

clubes populares e depois foi chamado

grandes sucessos que vendeu cerca

Cunha, Carlos Santos, Ari Santos entre

para animar campanha política. Suas

de três milhões de cópias. Ao longo

outros. O Pará ficou pequeno para o

músicas começaram a fazer sucesso,

de sua carreira, gravou 10 LPs e 11 CDs.

sucesso de Beto Barbosa, que, assim,

em face ao grande público, tocando

Ganhou diversos prêmios, como o

decidiu mudar-se para Fortaleza. Em

nas rádios, virando febre musical,

Troféu Imprensa. A carreira teve início

terras cearenses, antes de conhecer

lotando as casas de shows. Hoje com

efetivo com o surgimento do primeiro

o sucesso, passou por maus pedaços,

23 anos de carreira, 22 discos gravados

“Movimento do Ritmo Brega”, no Pará.

sem, entretanto, desistir do seu sonho

mais de seis milhões de discos

Com ele apareceram outros nomes

e acreditar no seu potencial.

vendidos e uma carreira de vitórias.


49 Música

“Gaby é conhecida como a Lady Gaga do Pará, pela sua maneira exótica de se vestir.” Gaby Amarantos

Gaby Amarantos Nascida no bairro de Jurunas, na

Conhecida por sua exuberância e por

Tecnobrega, tem se apresentado

periferia de Belém do Pará, Gaby

seu figurino extravagante - composto

em vários programas populares e é

iniciou sua carreira como cantora na

por brincos grandes, sapatos de 20

referência na música brasileira.

Paróquia de Santa Terezinha do Menino

centímetros de altura com leds, roupas

O Tecnobrega se popularizou, o gênero

Jesus, onde participava do coral.

coloridas, cílios postiços, apliques de

quebrou barreiras e conquistou o

Chamava atenção por sua voz grave,

cabelo e acessórios coloridos -, foi

público. Prova disso são as notícias que

mas suave, tendo sido convidada para

uma das responsáveis pelo surgimento

de todos os lugares do mundo sobre

se apresentar em bares da capital

e difusão do tecnobrega, ritmo que

a cantora. Nem os clubes da Europa

paraense com a Banda Chibantes, onde

virou febre na Região Norte do Brasil.

resistiram ao som inovador.

cantava acompanhada do violonista

Recentemente, a cantora se destacou

Cléber Viana.

na mídia mundial como rainha do


Referências PRODEPA. Cultura do Para - Cultura, Fauna e Flora – 2013. Disponível em: http:// www.cdpara.pa.gov.br/index.php . Acesso em: 05 set. 2013.

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Pará - Guia Cultural