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KiteTimes

Novembro de 2018 • Ano I #1 • Ceará - Brasil

Carlos Mário Bebê

O voo do tetracampeão mundial Carlos Mário Bebê - The launching of the champion

Premiere

issue


Reservas: Rua Olinto Feitosa Costa Cumbuco, Caucaia/CE

85 98945.9754


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Eu e o kite nos encontramos pela primeira vez no começo dos anos 2000 em Jericoacoara. Não diria que foi amor à primeira vista, mas foi amor. O processo de aprendizado, nos ventos fortes de Jericoacoara, foi um desafio mas aprendi. Comecei a velejar e nunca mais parei. De volta à cidade grande, um novo desafio, o curso de Jornalismo. No finalzinho do curso o kitesurfe volta com força, agora como tema do meu Trabalho de Conclusão de Curso. Escrevi um livro-reportagem bilíngue sobre o esporte, que depois foi publicado pela Fundação Edson Queiroz, o Vidas ao Vento. O livro agora está pelo mundo, mas deixou em mim a necessidade de continuar a contar as estórias maravilhosas que acontecem no melhor lugar do planeta para se velejar: o litoral do Nordeste do Brasil. Assim nasceu a revista Kite Times, que agora você segura em suas mãos. Aqui você vai encontrar muitas fotos de personagens e locais marcantes, dicas e curiosidades, estórias e histórias do Ceará, Piauí e Maranhão, principalmente, mas também de outras partes do Brasil e do mundo, afinal estamos falando de um esporte que é praticado em cinco continentes. Velejadores do mundo todo cruzam oceanos em direção à zona costeira do nordeste do Brasil. É possível viajar de kite do Rio Grande do Norte ao Maranhão sem grandes obstáculos pelo caminho. Os ventos alísios que atravessam esses três estados levam os velejadores por alguns dos lugares mais bonitos do planeta para se ver e viver. Na capa de estreia, é claro, nosso tetracampeão mundial Carlos Mário Bebê, que me confidenciou a história da sua vida enquanto fazíamos uma viagem de carro. Mas muitas outras histórias de vidas e de lugares estão presentes nesta edição, como as de Fernando Fernandes e Mikaili Sol;sobre Barra Grande, no Piauí e uma matéria desbravadora sobre os famosos Lençóis Maranhenses. Fomos subindo a costa do Brasil com o vento… Espero que você desfrute esta primeira viagem. A próxima chega às suas mãos no começo da temporada 2019. Para nós que fazemos a Kite Times, realizar esta edição foi um grande prazer!

KiteTimes #1 • Ano 1 Novembro de 2018

Kitesurfing and I first met in Jericoacoara in the early 2000s. I wouldn’t say itwas love at first sight but I´d say it was love, for sure. Learning how to kite inJeri’s strong winds was a challenge, a good one and I´ve learned. I started tokitesurf back then and I’ve never stopped since then. When I got back to the bigcity I had a new challenge, a major degree in Journalism. By the end of thecourse, kitesurfing came up powerfully again. I decided that my thesis wasgoing to be about this sport. I’ve written a bilingual non-fiction book entitled“Living for the Wind”, that was, later on, published by Edson QueirozFoundation. The book is now spread around the world but has left, inside me, the will to tellthe amazing stories that happened in the best place of this planet to kitesurf: theNortheast coast of Brazil. This is why Kite Times magazine came into creationand now you are holding it in your hands. Here, you´ll find several pictures of outstanding people and places, tips andcuriosities, tales and stories of Ceará, Piauí and Maranhão, but alsofrom other parts of Brazil and the world. After all, we’re writing about a sport thatis practiced in five different continents. Kiters from all over the world cross the oceans towards the Brazilian Northeastcoast. Here, it’s possible to travel by kite from Rio Grande do Norte toMaranhão without many obstacles on the way. The trade winds cross these threestates and carry the kitesurfers through some of the most beautiful places in theworld to see and live in. On the premiere cover, we have- of course- our four time world championCarlos Mário Bebê, who told me, in confidence, the story of his life while wewere on a road trip. But many other stories of places and people are in thisedition, like the ones about Fernando Fernandes and Mikaili Sol; about BarraGrande beach in Piauí and we have broken new grounds into the famousLençóis Maranhenses. We’ve done a downwinder by the Brazilian coast… I hope you enjoy this firsttrip. The next issue will come to you by the beginning of 2019 high season. Forus, who have made KiteTimes magazine a dream come true, it has been agreat pleasure!

Giselle Nuaz Editora / Publisher

Expediente • Editorial Staff Giselle Nuaz / Editora / Publisher Eduardo Freire / Diretor de Arte / Art Director Keven Lennox / Diretor Comercial / Comercial Diretor Luis André Domingos / Diretor Administrativo / Comercial Diretor Oliver Dwight / Revisão do Inglês / English Revisor Eduardo Freire / Jornalista Responsável • JP-959-CE Expressão Gráfica/ Impressão / Print

André Magarão, Andre Hänni, Chico Rasta, Daniel Sigaki, Diego Costantini, Giselle Nuaz, Svetlana Romantsova, Talles Freitas e Tassio Jose Azambuja / Fotógrafos Colaboradores/ Contributing Photographrs André Penna, Eduardo Freire, Giselle Nuaz e Keven Lennox / Textos / Words Rua Mons. Otávio de Castro, 435 - Fátima • Fortaleza-CE www.kitetimes.com • contato@kitetimes.com.br • (85) 3119-5555


Kitesoul - P6

Destinos Destinations - P62

Rota dos Ventos • Kite Trip - P16


Talentos do kite • Kite talents P56

Técnicas & Manobras • Techniques & Tricks P70

Retina - P72

Perfil • Profile Alex Neto - P24

Perfil • Profile Claudia Matínez - P26

Entrevista • Ineterview André Magarão - P42

Capa • Cover - Carlos Mário (Bebê) - P28


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Kite Soul

“O kite me deu o superpoder de voar” “The kite gave me the superpower of flying”


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“Eu falei pra ele: Você vai ter que ser o melhor piloto de kite do mundo, aquele cara que não deixa a pipa cair na água.” Assim começa o kitesurfista profissional Gustavo Foerster sobre a sua missão na vida de Fernando Fernandes: ensinar o atleta e apresentador de TV a velejar de kite. Fernando perdeu o movimento das pernas e da região lombar ao sofrer um acidente de carro no dia 3 de julho de 2009. Ainda na reabilitação conheceu a paracanoagem e decidiu usá-la como ferramenta para recuperar o corpo e a mente, além disso, também decidiu tornar-se um dos melhores do mundo, e conseguiu: Fernando ganhou- pouco mais de um ano depois do acidente - um campeonato mundial do esporte; foram quatro vitórias em competições mundiais consecutivas e hoje ele faz parte da história desse esporte. “Eu não vou me contento em ser um exemplo de superação, eu vou ser muito bom no que eu faço.” Foi em novembro de 2017, lá na Bahia, na Praia de Buraquinho, que Fernando conheceu Gugu e teve seu primeiro contato com o esporte, logo em seguida vieram juntos ao Ceará e ele se apaixonou pelo lugar, tanto que aqui foi o seu local escolhido para a gravação de uma campanha da companhia aérea Gol, uma série para o Esporte Espetacular e um programa e documentário para o Canal Off. “Encontrei o kite quando eu queria mais uma ferramenta de capacidade com a qual eu pudesse me encontrar de igual para igual com as pessoas, porque o grande segredo de saber velejar é entender como usar o kite no vento e não só usar a força física. Assim eu posso

Encontrei o kite quando eu queria mais uma ferramenta de capacidade com a qual eu pudesse me encontrar de igual para igual com as pessoas”

I found this sport when I wanted one more tool that could make me feel equal to other people”

Fernando, que agora é atleta da Cabrinha, no Cumbuco/ The adaptive Cabrinha rider at Cumbuco. Fotos/Photos: Gisa de Paula/ Daniel Sigaki

“I told him: You might be the best person in kite control. The best one I’ve ever seen. That guy who doesn’t let the kite fall down”. This is how the professional kiteboarder Gustavo Foerster describes the beginning of his mission in Fernando Fernandes´s life: teach the athlete and TV host how to kitesurf. Fernando lost the use of his legs following a car accident on the 3rd of July in 2009. Still in rehabilitation he discovered the power of sports in recovering his mind and body from the trauma practicing canoeing. He also decided to be one of the best in the world, and he made it. Fernando won his first victory over a year after the accident in a world contest; and

he was the champion in 4 consecutive competitions after this first one. “ I don’t want to be just an example of someone who overcame this situation, I´ll be very good in what I’m doing.” It was last year in Bahia, at Buraquinho Beach, that Fernando got to know his teacher, Gustavo, and had his first contact with a kite, soon after that, they came together to Ceará and Fernando fell in love with the place. This is why he has chosen this Brazilian state to be the scenery of a campaign for the Brazilian airline Gol and several other TV shows for Off Channel and Globo TV. “I found this sport when I wanted one more tool that could make me feel equal to other people, because the secret


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Kite Soul

Primeiros passos no kite em 2018/ First steps into kiteboarding. Fotos/Photos: Gisa de Paula

realizar tudo que qualquer pessoa com as pernas funcionando pode realizar. E, a partir daí, fui buscar alguém que era referência no esporte e assim conheci o Gugu. Senti logo no início que ele é o cara certo. Ele abraça o meu sonho e tive a certeza que ele me ajudaria a torná-lo realidade”, compartilha Fernando Fernandes. O kite deu ao Fernando o superpoder de voar. “Senti muita emoção quando me vi planando na água. Senti o poder do vento me levando. Vi que aquilo que eu não faço em terra, andar livre, por exemplo, eu estava fazendo ali, flutuando em cima das águas”, descreve sua primeira experiência como kitesurfista. Na outra mão, Fernando deu ao Ceará uma grande visibilidade nacio-

Senti muita emoção quando me vi planando na água. Senti o poder do vento me levando. Vi que aquilo que eu não faço em terra, andar livre, por exemplo, eu estava fazendo ali, flutuando na água”


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nal como destino de kite, só este ano ele já veio ao estado várias vezes para sentir outra vez esta sensação. “O Fernando é um cara intenso, atleta paraolímpico e com um histórico no esporte de diversas conquistas. O desafio que ele me trouxe é único: desenvolver o kite adaptado no Brasil. É uma grande responsabilidade e eu estou aprendendo muito. Aprendi a entrar no universo dele e estou estudando sobre lesões. De tanto aprender resolvemos começar a Kite Soul, que é o projeto que vai desenvolver o kite adaptado em todo o País, aprimorar equipamentos e produzir conteúdo”, revela Gustavo, que trabalha em parceria com seu aluno na busca do melhor caminho para ele voar cada vez mais alto.

of kiteboarding is to learn how to use the kite, without using physical strength . This way I can do anything that someone with his or her legs can do. Afterwards, I started to search for someone who is an icon in the sport and I came across Gugu. The moment I met him I knew I had found the right guy for it. He joined me in my dream and is helping me to make this dream come true”, Fernando points out. Kitesurfing gave this Paralympic athlete the superpower of flying. “I was overwhelmed when I realized I was floating on the water. I felt the power of the wind dragging me. I could see “that something” I was not able to do on land... walk freely. I was doing it there on the water”, he describes his first experience as a kitesurfer. On the other hand, Fernando gave

Ceará an enormous visibility as a kite destination. In 2018 he came to Ceará several times to feel this sensation again. “Fernando is an intense Paralympic athlete with many trophies won in his history. The challenge he brought to me is unique: develop adaptive kitesurfing in Brazil. It’s a big responsibility and I´m learning a lot with it. I’ve learned how to get into his universe and I’m studying the lesions. We learned so much in this process that we decided to start Kite Soul, which is a project that is going to develop adaptive kitesurfing within Brazil. We want to create better gears and produce contents of improvements”, reveals Gustavo, who works with his student on the discovery of ways that can make Fernando fly higher and higher.

I was overwhelmed when I realized I was floating on the water. I felt the power of the wind dragging me. I could see that something I was not able to do on land... walk freely. I was doing it there on the water”


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Kite Soul

Fernando já fez de tudo! • • • • •

Seu lugar preferido: a Lagoa da Taíba/ His favorite spot: Taíba Lagoon. Foto/Photo: Daniel Sigaki

Surfou as ondas da Pororoca no Amapá Saltou de paraquedas em Boituva, SP Atravessou um deserto de sal na Bolívia Despencou de uma cachoeira em Extrema, MG Remou nas Cataratas do Iguaçu

Final de tarde no Ceará é assim/ The day comes to an end in Ceará. Foto/Photo: Daniel Sigaki

Sports Fernando had practiced • • • • •

Surfed the Pororoca in Amapá, Northern Brazil Skydiving in Boituva, SP Crossed a salt flat, in Bolivia Jumped off a waterfall in Extrema, MG Kaiak in Iguassu Falls


Professor e aluno na Lagoa do CauĂ­pe/ Instructor and student at CauĂ­pe Lagoon. Foto/Photo: Daniel Sigaki


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Kite Soul

Encarando a neve Em setembro deste ano Gustavo e Fernando foram juntos velejar na neve no topo dos Andes, em San Martín de los Andes, na Argentina. Agora este super atleta é o primeiro velejador cadeirante a ter realizado o feito. “Snowkiting é muito difícil, é muito diferente velejar lá, não tem nada a ver com a água. O vento lá é rajado e muda muito de direção, puxa para cima, vem da montanha, aí você não pode deixar o kite muito para baixo mas se deixar o kite alto ele pode te levar para cima e você pode cair se o seu controle não for bom. Foi bem insana a experiência!” relata o atleta da Cabrinha, que usou seu Switchblade 12 para realizar o feito. No Brasil não há lugares para a prática do snowkiting mas na vizinha Argentina há diversos locais ideais para a prática. Nos Estados Unidos há bons picos nos estados do Colorado e no vizinho Utah. Na Europa, o país mais famoso para o velejo na neve é a Noruega, onde acontece o Red Bull Ragnarock, a maior regata de snowkite do mundo.

You can snow kite Last September Gustavo and Fernando climbed the Andes for snowkiting in San Martín de los Andes, Argentina. Now he’s the first adaptive rider to have done so. “Snowkiting is technically very difficult. The wind is gusty and also the direction changes a lot. The wind comes from the mountains and pulls you up, so you cannot bring your kite way too low nor too high because you can fall if your kite control is not good enough. It was an insane

Fernando no topo dos Andes argentinos/ Fernando on top of the Argentinian Andes. Foto/Photo: Diego Costantini

experience!”, retells the adaptive Cabrinha team rider. He used his 12m Switchblade kite to achieve this goal. In Brazil there are no places for snowkiting, but there are plenty of kite spots in our neighbouring country Argentina. In the USA there are great snowkite spots in Colorado and Utah. In Europe, the most famous country for snowkiting is Norway, where the Red Bull Ragnarock, the biggest snowkite event in the world, takes place.


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Rota dos Ventos • Kite Trip

Lençóis. Um paraíso a desbravar Lençóis Maranhenses - A true paradise to explore

Textos/ Words: André Penna

Isso é real/ This is real. Foto/Photo: Talles Freitas


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Lençóis Maranhenses é sem dúvida um dos lugares mais bonitos do mundo. Eu estou falando de uma imensa massa de areia e água doce, em constante mutação sob a ação do vento, quase um ser vivo, o que o torna ainda mais mágico. Suas dunas e lagoas não param de se mexer, cobrindo florestas, casas e o que mais estiver pela frente. Ocupa uma área de aproximadamente 60 por 20 quilômetros, sendo o lado norte encostado no mar, e os outros limites são marcados por vegetação de restinga e rios, é esse espaço que constitui o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

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he Lençóis Maranhenses is with no doubt one of the most beautiful places in the world. I am talking about an immense mass of sand and fresh water in constant mutation caused by the action of the wind, almost as if it were a living creature, which makes it even more magical. Its dunes and lake are in constant movement, covering forests, homes and anything else in its path. It occupies an area of approximately 60 by 20 kilometers with its north end along the sea and the other limits are defined by sandbank vegetation and rivers. This is the area which forms “The Lençóis Maranhenses National Park”. This infinite maze of dunes and rivers, struck by the east trade wind, is a true paradise for

Este labirinto infinito de dunas e lagoas, assolado pelo vento leste alísio, é um verdadeiro paraíso para o kitesurfe. A água das lagoas é cristalina e potável. Isso mesmo, pode-se beber esta água sem medo, ela vem diretamente do lençol freático. Os acessos são feitos basicamente por 3 cidades: Barreirinhas, Atins e Santo Amaro. Atins, por si só já é um grande paraíso do kite. Situada na foz do Rio Preguiça, o local oferece diversas condições diferentes de velejo: algumas áreas totalmente lisas, onde veleja-se a sotavento de algum banco de areia, área com ondas boas para

o kitewave, e para os amantes do hydrofoil, subir o Rio Preguiça por 7 quilômetros contra o vento, até Caburé, é um velejo único e inesquecível. Porém, Atins ainda não é exatamente no parque, ela fica situada na parte da vegetação, no extremo nordeste dos Lençóis. Dali, é possível embarcar em um carro credenciado para rodar dentro do parque, seguir para uma lagoa paradisíaca e velejar de kite. Para os mais fissurados, é possível seguir velejando pelo mar por 25 quilômetros de downwind, pular em um automóvel e continuar o velejo em uma lagoa.

kitesurfing. The water from the lakes is crystalline and drinkable. That’s right, you can drink the water with no fear, it comes straight from the groundwater table. The access comes basically from 3 cities: Barreirinha, Atins and Santo Amaro. Atins by itself is a great kite paradise. It is located at the Preguiça River mouth. The place offers several different conditions for surfing: some areas completely smooth where you can surf leeward from a sandbank, an area with good waves for kitewave and for the hydrofoil lovers, going up Preguiça River for 7 kilometers against the wind to Caburé is an unforgettable and unique sail. However, Atins is not exactly in the park. It is located in the vegetation area in the northeastern end of the ground waters.

From that point it is possible to take a licensed vehicle to ride inside the park, go to a paradisiac lake and kitesurf. For those who are more hung up, it is possible to surf in the sea for 25 kilometers downwind, jump into a vehicle and continue surfing in a lake. However, the largest lakes of the park are located at the west end of the ground waters close to Santo Amaro. This area is with no doubt the best place for those who are interested in still waters. Access is always done by licensed vehicles. How was The Lençóis Maranhenses formed? Where does all that world of sand come from? There is a theory that says it comes from the Parnaíba River off the coast. The river brings the sand from the interior of the


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Rota dos Ventos • Kite Trip

Rio Preguiça/ Preguiça River. Foto/Photo: @yoyo_trip

As maiores lagoas do parque, ficam situadas na parte oeste dos Lençóis, próximas a Santo Amaro. Ali sem dúvidas é o melhor setor para aqueles que estão mais interessados nas águas paradas. O acesso é sempre feito com carros credenciados. Como foram formados os Lençóis Maranhenses? De onde vem todo aquele mundo de areia? Existe a teoria de que ela vem do Rio Parnaíba, de longe da costa. O rio traz aquela areia do interior do país, durante centenas de quilômetros, e a despeja no mar. O vento leste e a corrente carregam a areia rumo ao oeste, e ela se deposita nos Pequenos Lençóis (uma versão menor, entre Tutóia e Paulino Neves) e nos Lençóis Maranhenses. Pode-se observar que aquela areia é diferente da

areia encontrada a leste do Rio Parnaíba (Piauí e Ceará), é mais branca e fina. E o vento move aquelas dunas em uma velocidade impressionante. No meio daquele imenso deserto de areia- e água, existem dois oásis: são locais onde encontramos vegetação, floresta, e algumas famílias de habitantes nativos. Os nomes são Baixa Grande e Queimada dos Britos. Os moradores hoje vivem do turismo Exceto para os nativos, que têm autorização especial para transitarem de carro ali, só é possível chegar a estes locais caminhando. Existe uma rota tradicional de caminhada que atravessa o parque em 3 dias, pernoitando uma noite em cada oásis. É uma experiência inesquecível, e por

No meio daquele imenso deserto de areia- e água, existem dois oásis: são locais onde encontramos vegetação, floresta, e algumas famílias de habitantes nativos. Os nomes são Baixa Grande e Queimada dos Britos.

incrível que pareça, é mais frequentada por estrangeiros que por brasileiros. Algumas pessoas atravessam o parque velejando de kite. Tiram a quilha das pranchas, e se tornam verdadeiros anfíbios, alternando velejo de lagoas com dunas. Isso mesmo, velejam sobre as dunas, atravessam lagoas, e percorrem quilômetros naquele cenário surreal, movidos somente pelo vento. Mas não pense que é fácil, velejar na areia é para poucos! Já foram realizadas duas edições do


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Aqui tem vento/ It’s windy in here. Foto/Photo: Talles Freitas

campeonato Red Bull Rally dos Ventos, que consiste em uma corrida de kite, parte pelo mar e parte pelas dunas e lagoas. Os competidores devem ter uma boa leitura para achar o melhor caminho, que ofereça as melhores lagoas, e evite ao máximo os trechos de areia. Alguns competidores velejam sobre a areia, outros preferem correr carregando a prancha. Nas duas edições do evento o vencedor foi o Alex Neto, do Cumbuco. Se você está pensando nos Lençóis Maranhenses para velejar, pense um pouco além. Essa grande obra prima da natureza merece ser contemplada com carinho. Ande com calma, respire, aprecie. Assista ao pôr-do-sol das dunas, observe as curvas e as cores. Faça um pouco de silencio, conecte-se. Sua alma agradece!

There are two oases in the middle of that immense desert of sand where vegetation, forests and some native families can be found. They are called Baixa Grande and Queimada dos Britos.

country for hundreds of kilometers and pours it into the sea. The east wind and the current carry the sand to the west and it sets in the Pequenos Lençóis (a smaller version between Tutóia and Paulino Neves) and in the Lençóis Maranhenses. We can notice that the sand is different from the sand found in the east of the Parnaíba River (Piauí and Ceará), It is whiter and thinner and the wind moves those dunes at an impressive speed. There are two oases in the middle of that immense desert of sand where vegetation, forests and some native families can be found. They are called Baixa Grande and Queimada dos Britos. The inhabitants currently live on tourism. Except for the local natives, who have special authorization to transit in vehicles in that area, it is only possible to get to these places on foot. There is a traditional walking path which crosses the park in 3 days, staying overnight in each oasis. It is an unforgettable experience and amazing as it might seem, it is visited mostly by foreigners than by Brazilians.

Some people cross the park kitesurfing. They remove the fins from the board and become real amphibians, alternating lake surfing to dune surfing. That’s right, surfing on the dunes, crossing lakes and cover kilometers in that surreal scenario, driven just by the wind. But do not think it is so simple, few people are able to sand surf. 2 editions of the Red Bull Rally of the winds championship were held which consists of a kite race, part in the sea and part on the dunes and lakes. The competitors must have good bearings in order to find the best way to reach the best lakes and avoid stretches of sand. Some of the competitors surf on the sand, others prefer to run carrying their board. In the twos editions of the event, the winner was Alex Neto from Cumbuco. If you are thinking of surfing in the Lençóis Maranhenses, think a bit further. This great nature’s masterpiece deserves to be affectionately contemplated. Walk slowly, breathe and enjoy. Watch the sunset from the dunes, observe the curves and the colors. Be silent and connect yourself to this wonder of nature. Your soul will thank you.


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Rota dos Ventos • Kite Trip


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Somente carros credenciados entram no Parque Nacional/ Only licensed vehicles can go into the National Park. Foto/Photo: Talles Freitas


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Rota dos Ventos • Kite Trip

Infinitas dunas e lagoas/ Endless dunes and lagoons. Foto/Photo: @yoyo_trip

Kite House Atins. Foto/Photo: @yoyo_trip

Assim é Lençóis/ This is the Lençóis. Foto/Photo: @yoyo_trip


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Perfil • Profile

De kite pelo mundo He travels the world by kite

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e a primeira impressão é a que fica então provavelmente Alex Neto irá te cativar. Falante e divertido, este cearense de 25 anos integra a elite do circuito mundial de kite freestyle há oito anos e tem sido uma presença marcante nas competições, chegando a fazer três pódios em 2014, vencendo naquele ano grandes nomes do esporte.

If the first impression is the final impression, you are definitely going to have a good one on Alex Neto. Talkative and entertaining, this 25 year old kiteboarder from Ceará has been competing in the freestyle elite league for the last 8 years and has been a striking presence since then. In 2014, he made it to the podium three times after defeating the great names.

Alexandre de Oliveira Franco Neto Anos velejando/ Years kiting Doze/ Twelve Melhores resultados na carreira/ Best results Bicampeão do Red Bull Rally dos Ventos e quinto no ranking geral do circuito mundial em 2014/ Two time champion of Red Bull Rally dos Ventos and top 5 on the elite league in 2014 Melhor(es) spot(s) para treinar/ Best places for training Lagoa do Cauípe e Lagoa da Taíba/ Cauípe and Taíba Lagoons Manobra(s) desafiadora(s)/ Most challenging manoeuvres KGB7 e/and Slim9. Melhor kite trip/ Best kite trip Cidade do Cabo, África do Sul/ Cape Town, SA

Patrocinadores/ Sponsors RRD (Roberto Ricci Designs) Uma mensagem pra galera/ A special message Nunca desista dos seus sonhos pois eles podem estar a apenas mais passo na sua caminhada!/ Never give up on your dreams, they might be just one step ahead on the road!


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Alex Neto jĂĄ velejou em mais de 20 paĂ­ses/ Alex got to know over 20 countries as a pro rider. Fotos/Photos: Svetlana Romantsova


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Perfil • Profile

Uma espanhola apaixonada pelo Ceará She came from Spain and fell in love with Ceará

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laudia tem 17 anos e descobriu logo cedo que era do kite e para o kite que ela queria viver. Esta espanhola de Murcia está há cinco anos no circuito mundial, quatro no Circuito Mundial Júnior e este ano ela teve sua estreia na elite.

Claudia is 17 years old and found out that kiteboarding was her thing at an early stage of her life, this is why she has been competing in the world tour since 2014, four years in the youth division and this year in the freestyle elite league. When she isn´t in Brazil she trains in her backyard, Mar Menor, Murcia, Spain. Claudia representa a Espanha/ Claudia represents Spain. Foto/Photo: Svetlana Romantsova


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Claudia León Martínez Anos velejando/ Years kiting: Sete/ Seven Melhores resultados na carreira/ Best results quatro vezes campeã mundial júnior/ four time freestyle kiteboarding world youth champion (2014, 2016, 2017, 2018) Melhor(es) spot(s) para treinar/ Best places for training Taíba, Ceará

Manobra(s) desafiadora(s)/ Most challenging maneuvers KGB/Doble SBend to Blind Melhor kite trip/ Best kite trip A primeira vez que fui ao Brasil. Me apaixonei pelo lugar!/ The very first time I came to Brazil, I fell in love with this place! Patrocinadores/ Sponsors Duotone Kiteboarding International, ION Spain, Glassy Europe Uma mensagem pra galera/ A special message “Cheire o mar e sinta o céu, deixe sua alma e seu espírito voarem”/ “Smell the sea and feel the sky, let your soul and spirit fly.” Van Morrison


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Matéria de capa • Cover story - Carlos Mário (Bebê)


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Bebê treina em casa, na Lagoa do Cauípe/ Bebê trains in his backyard, Cauípe Lagoon. Foto/Photo: André Magarão

Ele foi lá e fez He went there and had it done Textos/ Words: Giselle Nuaz


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Matéria de capa • Cover story - Carlos Mário (Bebê)

lá estávamos nós, dentro de uma van indo da casa do Bebê, na Lagoa do Cauípe para Barra Grande, no Piauí. Pela frente, muitas horas na estrada e ele ali, do meu lado, recém havia chegado ao Brasil depois de três meses fora de casa, com o olhar perdido na estrada. O cearense havia conquistado todos os campeonatos que participara: GKA (Global Kitesports Association) Air Games, na Alemanha, e o WKC (World Kiteboarding League), na Turquia. Algo que virou rotina para este cearense de pouco mais de 20 anos.

Puxei conversa para saber como havia sido o começo da carreira no kite, sua vida antes de se tornar o “Super Mário”, esse atleta que é garantia de troféus por onde passa. Como se pode imaginar, para um garoto de família humilde do Cauípe, ele confirma que não foi fácil e conta que a vida para os meninos e meninas que moram na famosa lagoa é ainda mais difícil que para aqueles que vivem no Cumbuco. “Pra gente é tudo mais distante. A pessoa vai velejar no Cauípe e volta ao Cumbuco, não fica lá, não deixa nada pra gente. Quando al-

Quando alguém vai embora e quer deixar um kite, deixa pro pessoal do Cumbuco, e não aqui. Aí o que adianta ter o melhor lugar do mundo para treinar na sua frente e não ter equipamento e nem dinheiro pra comprar?”

guém vai embora e quer deixar um kite, deixa pro pessoal do Cumbuco, e não aqui. Aí o que adianta ter o melhor lugar do mundo para treinar na sua frente e não ter equipamento e nem dinheiro pra comprar?”, lamenta em nome dos que ainda não conquistaram o sucesso que ele tem hoje. Bebê é órfão de pai e começou a velejar aos 8 anos junto com o irmão, Carlos Madson. Ele conta que passaram muitos anos dependendo da ajuda de amigos que emprestavam seus equipamentos para que ele pudesse progredir. “Eu pe-


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When someone takes off and wants to leave his or her kite, he or she leaves it in Cumbuco and not here. So what good is it having the best place in the world in front of you to practice and not have the equipment nor the money to buy it?”

Bebê manda um “heart attack 7” na Turquia/ Bebê shows how to do a “heart attack 7” in Turkey Foto/Photo: Svetlana Romantsova

Foto/Photo: Svetlana Romantsova

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his conversation took place in a van, going from Bebê’s home in Cauípe Lagoon to Barra Grande in Piauí. Up ahead, many hours on the road and Bebê, who had recently arrived in Brazil after 3 months away from home, was sitting by my side. This Cearense had won all the championships he had taken part of: GKA (Global Kitesports Association), Air Games in Germany and the WKC (World Kiteboarding League) in Turkey. I started by asking Bebê, who is now 20, how his life was before becoming a Super Mario, an athlete who is a trophy winner wherever he goes. Well, as expected from a boy coming from a family of modest means in Cauipe, he backs it up, it was not simple, life for the boys and girls who live in the well-known lagoon is even much harder compared to those who live in Cumbu-

co. “Everything is so far from us. People come kiting in Cauipe and then go back to Cumbuco. They don’t stay there nor leave anything with us. When someone takes off and wants to leave his or her kite, he or she leaves it in Cumbuco and not here. So what good is it having the best place in the world in front of you to practice and not have the equipment nor the money to buy it?”, he regrets thinking of the ones who didn’t accomplish what he did yet. Bebê is fatherless and began to kite when he was 8 along with his brother Carlos Madson. He told me they had spent many years depending on the help of friends who lent them their equipment so they could get ahead. “I would borrow Glauber Freitas’s kite and walk with his kite in the air to the end of Cauípe, I only knew how to come down to the right so I would


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Matéria de capa • Cover story - Carlos Mário (Bebê)


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De cabeça para baixo/ Upside down Foto/ Photo: André Magarão


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Matéria de capa • Cover story - Carlos Mário (Bebê)

O Brasil está no topo do mundo/ Brazil has been on top of the world. Foto/Photo: Svetlana Romantsova

gava o kite do Glauber Freitas emprestado e subia andando com o kite no ar lá pro final da lagoa, eu só sabia descer para a direita e aí chegava até lá embaixo indo só pra um lado, depois aprendi pra esquerda e comecei a progredir, meu primeiro kite só meu, um RRD, rasgou no ar depois que eu tanto usei. Comecei a chorar, não sabia o que fazer”, lembra dos tempos difícieis. Patrocínio mesmo, de verdade, só apareceu depois que ele ganhou seu primeiro mundial,

na Argentina, em 2014. Recentemente fechou um contrato de mais três anos com a marca que o patrocina desde então, a norte-americana Slingshot. Desde então o cearense vem acumulando uma trajetória de sucesso e hoje, ao construir sua casa própria na Lagoa do Cauípe, incluiu no projeto um quarto só para os troféus. E um para o seu bebê. É isso mesmo, Carlos Mário Bebê acaba de ser pai de um menino. O nascimento do filho foi uma das razões que o trouxe de volta ao Brasil por

mais tempo, antes de viajar de novo ao Marrocos. Sempre tive a curiosidade de saber como ele faz para manter a calma na horas das baterias. Quando está na água ele compete quase sorrindo, sem demonstrar nenhuma preocupação, é uma marca do Bebê. O Super Mário conta que na competição “o segredo é planejar as quatro primeiras manobras e assim garantir uma pontuação mais alta, depois de acertar essas, quando o risco já passou, é que é hora de arriscar o que há de novo no repertório”. Esta estratégia parece dar certo, Bebê é hoje considerado pela GKA o atleta de kite mais completo do mundo com a prancha bidirecional e campeão mundial em 2018 do GKA Kiteboarding World Tour Air Games, uma nova modalidade na qual ele começou a competir agora. Na sua disciplina, o freestyle, o brasileiro não deixa espaço para mais ninguém há 4 anos, isso mesmo, 4 vezes considerado o melhor do mundo. Bebê quer agora ser pentacampeão mundial em casa.


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O segredo é planejar as quatro primeiras manobras e assim garantir uma pontuação mais alta, depois de acertar essas, quando o risco já passou, é que é hora de arriscar o que há de novo no repertório”

get down there only on one side, then I learned to come down to the left and I began to breakthrough, my very first kite, an RRD, after having used it for so long, tore in the air. I began crying, I did not know what to do. Sponsors… the very first one came up after having won my first world championship in Argentina in 2014”, Bebê tells me he recently closed a 3 year contract with a brand that has sponsored him since then, the North American Slingshot. Ever since, this Cearense has been collecting a road to success and today having built his own home in Lagoa do Cauipe, he has a room

The secret is to plan the first 4 maneuvers this way, assuring a high score, after going through this phase, when the risk is over, it is now time to take a chance on what is new on the list”

O melhor rider do mundo no melhor lugar do mundo/ The best rider in the world in the best kite spot of the world. Foto/Photo: André Magarão

reserved just for his trophies and another one for his baby. That’s right. Carlos Mario Bebé has just become a father of a baby boy. The birth of his son was one of the reasons that brought him back to Brazil for a longer time before traveling again to Morocco. Obviously I asked him how he managed to keep calm during each round, when he is in the water, he practically competes with a smile on his face showing no worries. The super Mario told me that during the competitions “the secret is to plan the first 4 maneuvers this way, assuring a high score, after going through this phase,

when the risk is over, it is now time to take a chance on what is new on the list”. This strategy seems to work out. Today Bebê is considered by the GKA as the world’s most complete kitesurf athlete with a bidirectional board and world champion in 2018 of the GKA Kiteboarding World Tour Air Games, a new modality which he has now begun to compete in. In his discipline, the freestyle, this Brazilian has left no space for anyone else during the last 4 years, that’s right, 4 times considered the best in the world. Bebê now wants to become the five time world champion on homegrown.


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Matéria de capa • Cover story - Carlos Mário (Bebê)


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É possível velejar à noite/ It is possible to kite at night. Foto/Photo: André Magarão

Carlos Mário Monteiro Silva Nascimento/ birthday 23/01/1998 Local/ Birth place Caucaia-CE Irmãos/ siblings Quatro/ Four Lugar preferido de kite no Brasil/ Best place to kite in Brazil Lagoa do Cauípe/ Cauípe Lagoon Lugar preferido no mundo/ Best kite spot worldwide Grécia/ Greece Sonho a realizar/ A dream to come true Ter minha própria casa, minha própria escola de kite e ajudar a criançada/ Having my own house, my own kite school and helping the children from Cauípe. Sonho realizado/ A dream that has come true Construí a casa da minha mãe/ I’ve built my mom’s own house.


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Matéria de capa • Cover story - Carlos Mário (Bebê)

Etapa do mundial em Akyaka, Turquia/ World tour stop at Akyaka, Turkey. Foto/Photo : Svetlana Romantsova


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Matéria de capa • Cover story - Carlos Mário (Bebê)


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Na Turquia/ In Turkey. Foto/Photo : Svetlana Romantsova

Ao lado e acima: Bebê é campeão na Turquia/ Next and above: Bebê has been the champion in Turkey. Foto/Photo : Svetlana Romantsova

Bebê e Mika são os campeões do GKA Air Games 2018/ Bebê and Mika are the 2018 GKA Air Games champions. Foto/Photo: @ydwer


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A tricampeã mundial Bruna, Kajiya/ Three time world champion, Bruna Kajiya Foto/Photo: André Magarão

Entrevista • Ineterview / André Magarão


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O mago da luz The lighting master

Ele é um cara discreto, mas não há quem não perceba sua presença diante da parafernália que ele monta na beira da lagoa para fazer suas fotografias. Mestre na iluminação para imagens de esportes, André Magarão mostrou a cara, e nos conta um pouco deste fazer que o tornou famoso no Brasil e no mundo. Confira.

He keeps a low profile, but it´s impossible not to notice him when he is about to start a photoshoot at the lagoon. André Magarão is always surrounded by plenty of huge flash lights. After all, he is a master of lighting in sports photography. Here in the next pages, he speaks up, shows up and talks about the work that made him famous in Brazil and in the world. Check it out.


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Victor Hays, Taiba, Ceará, session na lua cheia/ full moon session. Foto/Photo: André Magarão

Entrevista • Ineterview / André Magarão


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Qual equipamento você usa? Eu escuto muito a essa pergunta. Eu posso até dizer que me perguntam isso diariamente no meu Instagram. Para ser bem honesto isso não é relevante. A verdade é que a indústria não produz câmeras feitas para estarem na areia, próximas à água, em condições tão extremas. Não importa o equipamento que você usa ele vai se acabar. Quando se fala em fotografar o kite, entender do esporte e de fotografia são os pontos mais importantes. Em relação ao equipamento você vai sempre ter de improvisar e quebrar todas as regras de recomendação que vêm no manual. Então, compre algo pelo qual você pode pagar. E mantenha em mente que provavelmente vai sim quebrar. What is your current camera set-up? I get this question a lot. I would even say that I get it almost everyday on Instagram. To be honest that’s not very relevant. The truth is that camera gear manufactures don’t make products that are meant to be on the sand, near the water on pretty extreme weather conditions. Whatever gear you are probably going to destroy it. When it comes to shooting kiteboarding, understanding the sport and photography is the most important things. Gear wise you will always have to improvise and break every single recommendation that manufactures put on their user manuals. So buy something you can afford. And keep in mind that it will very likely break. Você pratica algum esporte? Atualmente eu ando de bike para manter a forma. Na verdade, eu gostaria de fotografar mais bicicleta: na rua, bmx e mountain bike são super divertidos de se fotografar. É bom não estar limitado pela água às vezes. Mas voltando à pergunta, eu fiz grande parte dos esportes que fotografo. Fiz wakeboarding, skate e snowboarding. Eu diria que se você quer entrar no mundo da fotografia esportiva praticar o esporte ajuda mas não é essencial. O essencial é entender do esporte e sua história. Do you practice any sports? Nowadays I ride road bikes to try to stay fit. I actually would like to shoot bikes more. Things like road biking, bmx and mountain bike are super fun to shoot. It’s nice to not be constricted by limitations imposed by water sometimes. But to come


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Set Teixeira na Lagoa do Cauípe/ at Cauípe Lagoon. Foto/Photo: André Magarão

Entrevista • Ineterview / André Magarão


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Entrevista • Ineterview / André Magarão


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Hanna Twarog, Taiba, Ceará. Foto/Photo: André Magarão


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Entrevista • Ineterview / André Magarão

back to the question, I’ve done many of the sports I shoot. I’ve done some wakeboarding, skateboarding, snowboarding. I would say that if you wanna get into sports photography doing the sports does help but it’s not essential. It is essential that you understand the sports and its history though. O que é o Ceará para você? Eu acredito que o Ceará é meu melhor estúdio a céu aberto. Eu tive a oportunidade de viajar para diversos lugares para fotografar o kitesurfe e é fácil dizer que para essas fotos minhas de flash que você vê aqui não há lugar melhor que as lagoas do Ceará. What does Ceará mean to you? I like to say that Ceará is my favorite outdoor studio. I’ve had the opportunity to travel to many places to shoot kiteboarding. And it’s very easy to say that for those flash shots you usually see from me there is no better place in the world than the lagoons in Ceará. Você só fotografa esportes radicais? Não. Eu fotografo qualquer coisa. Eu gosto muito do lado mais técnico da fotografia então eu fotografo produtos, produção de estúdio mesmo. Qualquer coisa que apareça no caminho. Me manda trabalhos! Do you only shoot extreme sports? No. I shoot anything really. I’m really into this more technical side of photography so I shoot products, some studio stuff. Anything that comes my way really. Send jobs! Além de fotos, você também faz vídeos? Faço vídeos também. Recentemente cheguei da Amazônia, onde eu estava filmando o programa de TV do Reno (Reno Romeu). Mas atualmente eu faço mais fotos. Are you a videomaker too? I shoot videos too. I recently came back from a trip to the Amazon to shoot for Reno’s (Reno Romeu) TV show. I would say that at the moment I get more photo jobs though. Onde você mora? No Rio de Janeiro. Eu viajo sempre que posso. Existem muitas coisas legais acontecendo no mundo e eu estou atrás delas. Where do you live? I do live in Brazil, in Rio de Janeiro. I try to tra-

vel as much as possible. There are a lot of cool things happening in the world so I try my best to chase them.

eu busco inspiração em todos os lugares. Há alguns fotógrafos de moda e de produtos que eu estou sempre dando uma olhada.

Quais seus ídolos na fotografia? Para ser sincero, eu me inspiro muito nos fotógrafos do skate. Eu diria Jake Darwen é meu favorito e Oliver Barton vem em segundo lugar. E eu procuro muito fotógrafos que fazem um trabalho completamente diferente do meu. French Fred é um fotógrafo de skate que você deve seguir. Mas

Which photographers inspire you? I look up a lot to skateboarding photographers to be honest. I would say that Jake Darwen is my favorite, Oliver Barton comes in a close second place. And I do look up to some dudes that do things very different than I do. French Fred is a skateboarding photographer you should follow. But I do look for


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Paul Serin, Grécia/ Greece. Foto/Photo: André Magarão

Novotna, Carlos Mário Bebê and Alex Neto are very easy to work with. Há quanto tempo você fotografa profissionalmente? Eu diria que 2014 foi meu primeiro ano trabalhando só com fotografia. Antes disso eu sempre tinha um “trabalho normal” e fotografava o máximo que eu podia quando tinha tempo. When did you become a professional photographer? I would say that 2014 was my first year really doing photography full time. Before that I always had a “normal job” and was trying to shoot as much as possible on the side. Quantas capas de revistas publicadas você tem? Eu não tenho registro de um longo tempo atrás mas recentemente eu tive de contar para pôr no meu currículo para me inscrever em um mestrado e no momento eu tenho 42 capas. How many cover magazines have you got published? To be honest I didn’t really keep track for the longest time but recently I had to count so I can put on my resume and apply for a Masters. I have 42 covers at the moment. O que mudou para quem vive de fotografia com o advento das redes sociais? É estranho, eu sinto que a fotografia está em todos os lugares mais que nunca mas é muito difícil conseguir trabalhos fotográficos. De qualquer modo, as mídias sociais são uma boa maneira de mostrar seu trabalho para o mundo e fazer seu trabalho ser visto por pessoas que talvez nunca o veriam de outra maneira. Mas também consome muito tempo estar postando o tempo todo para que o algoritmo te “curta”. Eu uso o Instagram como uma extensão do meu portfólio, então ele funciona para mim.

inspiration everywhere. There are a bunch of awesome fashion photographers and product photographers that I’m constantly checking out. Quais riders você gosta de fotografar mais? Fotografar um esporte é como praticar um esporte de equipe. Se o atleta e o fotógrafo trabalham juntos o resultado vai ser melhor. A comunicação é crucial e um precisa entender o que o outro está falando. Então, eu diria que riders como Sam Light, Alex Fox, Victor Hays, Paula Novotna, Carlos Mário

Bebê e o Alex Neto são pessoas bem fáceis de se trabalhar. Who are your favorites riders to shoot? Shooting sports for me is like a team sport. If the rider and the photographer work together the result will be better. Communication is key and one needs to understand what the other is trying to achieve. So I would say that it’s much easier to shoot with someone that understands what I’m looking for. Guys like Sam Light, Alex Fox, Victor Hays, Paula

What has changed in the profession with all these social medias? It’s weird, I feel like photography is everywhere more than ever now but it’s really hard to get photography jobs. Anyway, Social Media is a good way to put your stuff out there and be seen by people that would probably never see your work. But it’s also very time consuming to be posting just so the algorithm “likes” you. I use Instagram as an extension of my portfolio and that kind of works for me.


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Praia do Preรก - Jericoacoara


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A “Esquina do Atlântico”, como é conhecido o Ceará, virou também a porta de entrada do Brasil para os esportes radicais. Com litoral privilegiado, ventos constantes, muito sol e temperatura da água ideal, o Estado se tornou referência mundial para praticantes dos esportes náuticos, em especial o kitesurf. A cada dia, points badalados como Cumbuco, Jericoacoara e Canoa Quebrada convivem mais e mais com diferentes nacionalidades, idiomas e costumes, todos unidos pela mesma busca: uma combinação de ondas e ventos únicos no planeta. A conjunção que torna o Ceará tão propício para a prática do esporte parte, de cara, de uma premissa geográfica. Situado três graus abaixo da Linha do Equador, o Estado possui 573 quilômetros de um litoral banhado por luminosidade natural 320 dias por ano e com baixa umidade do ar. Os ventos contam com rajadas regulares, de velocidade variando entre 20 e 26 nós - chegando até a atingir os 50 nós.

“Toda a costa litorânea do Ceará é bastante beneficiada por esses ventos constantes, principalmente no segundo semestre, fora da estação chuvosa. Estamos na região dos ventos alísios e, no segundo semestre, eles se tornam mais intensos, soprando principalmente de sudeste para noroeste”, aponta Meyre Sakamoto, meteorologista e supervisora do núcleo de meteorologia da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Para complementar, as diversas praias contam com boa infraestrutura de acesso (malha aérea e rodoviária), opções de hospedagem para todos os gostos e um entorno que se desenvolve a cada dia, com mais profissionais e equipamentos de ponta. São pelo menos 33 pontos catalogados pela Secretaria do Turismo (Setur-CE) com infraestrutura e condições climáticas ideais para o kite ao longo da orla cearense.

The “Edge of the Atlantic Ocean,” as Ceará is known, also became Brazil’s

“The entire coast of Ceará is greatly benefited by these constant

gateway to extreme sports. With a privileged coastline, constant winds,

winds, especially in the second half of the year, out of the rainy

plenty of sunny days and ideal water temperature, the state has become

season. We are in the region of the trade winds and, in the second

a world reference for water sports, especially kitesurfing. Every day,

semester, they become more intense, blowing mainly from southeast

hot spots such as Cumbuco, Jericoacoara and Canoa Quebrada coexist

to northwest”, says Meyre Sakamoto, meteorologist and supervisor

more and more with different nationalities, languages, and behaviors,

of the meteorological nucleus of the Foundation of Meteorology

all united by the same quest: a combination of unique waves and winds

and Water Resources of Ceará (Funceme, Fundação Cearense de

on the planet.

Meteorologia e Recursos Hídricos).

The conjunction that makes Ceará so promising to the practice of

Moreover, the various beaches have good access infrastructure (air

such sport is, right away, the geographical assumption. Located three

and road network), lodging options for everyone and an environment

degrees below the Equator, the state has 573 kilometers of coastline

that develops each day, with more professionals and state-of-the-art

flooded with natural light, on average, 320 days a year and with low

equipment. There are at least 33 points cataloged by the Secretariat

humidity. The winds have regular bursts, ranging in speed from 20 to

of Tourism (Setur-CE) with infrastructure and climatic conditions ideal

26 knots - up to 50 knots.

for kitesurfing along the coast of Ceará.

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Ainda conforme a Setur-CE, 10% dos turistas que chegaram ao Ceará a passeio em 2017 classificaram o turismo de esporte/ aventura como fator motivador da viagem. Destes, 70% se identificaram como praticantes de kitesurf, um total que chega a quase 110 mil turistas/ano. Os destaques ficam por conta das internacionalmente conhecidas Cumbuco, Paracuru, Jericoacoara, Canoa Quebrada e Porto das Dunas.

According to Setur-CE, in 2017, 10% of tourists who arrived in Ceará on their holiday time classified sports/adventure tourism as a motivating factor of the trip. Out of these, 70% have identified themselves as kitesurfers, a total that reaches almost 110,000 tourists/year. The highlights are the internationally known places such as Cumbuco, Paracuru, Jericoacoara, Canoa Quebrada and Porto das Dunas.

Icaraizinho de Amontada/CE

Infraestrutura A parceria do Governo do Ceará que possibilitou a

Ao todo, são dez aeroportos no Estado, sendo um inter-

implementação do Hub Aéreo, com 48 voos interna-

nacional, em Fortaleza, e nove regionais, com destaque

cionais da Air France/KLM passando pelo Ceará, assim

para o de Aracati (Canoa Quebrada e Majorlândia) e o

como um incremento das frequências da Gol e de outras

de Cruz (Jericoacoara). Em paralelo, uma extensa rede

companhias, contribui decididamente para melhorar a

de modernas rodovias contempladas no “Ceará de Pon-

frequência de turistas na orla cearense. Outra parceria

ta a Ponta: Programa de Logística e Estradas do Ceará”

firmada, com a alemã Fraport, permite a ampliação do

interliga os deslocamentos internos entre os diversos

Aeroporto Internacional Pinto Martins, também com a

pontos do litoral.

perspectiva de incrementar, substancialmente, o turismo nacional e internacional.


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Além dos ventos, o segundo semestre também é o que mais atrai os turistas em virtude das férias na Europa, Estados Unidos e Canadá.

A prática dos “downwinds”, longas regatas em grupo, chegam a tomar dias de trajetos, até unindo estados vizinhos como o Piauí e o Maranhão.

Segundo a Setur, muitos turistas preferem adquirir novos equipamentos no Ceará, ou alugar, do que trazer os próprios de outros Estados ou do exterior.

Cerca de 30% do gasto realizado pelos turistas no Ceará em 2017 foi no quesito compras.

In addition to the winds, the

The practice of downwind,

According to Setur, many tourists

About 30% of the

second semester is also what

long group regattas, even take

prefer to acquire new equipment

expenditure made by

attracts tourists, the most

days to go all the way, joining

in Ceará or rent them, instead of

tourists in Ceará in

because of holidays in Europe,

neighboring states like Piauí and

bringing their stuff from other

2017 was in the

the United States, and Canada.

Maranhão.

states or abroad.

shopping category.

Praia da Ilha do Guajiru - Itarema/CE

Infrastructure The partnership of the Government of Ceará that made possible

Altogether, there are ten airports in the state, one in Fortaleza,

the implementation of the Air Hub, with 48 international flights

and nine in the rest of the state, with Aracati (Canoa Quebrada

of Air France / KLM passing through Ceará, as well as an

and Majorlândia) and Cruz (Jericoacoara) being the most

increase in the frequencies of Gol and other airline companies,

important ones. In parallel, an extensive network of modern

contributes decisively to improving the frequency of tourists

highways covered in “Ceará de Ponta a Ponta: Programa

in the coastline of Ceará. Another partnership signed with

de Logística e Estradas do Ceará” (“Ceará from side to side:

the German Fraport allows the expansion of Pinto Martins

Logistics and Roads Program of Ceará”) interlinks the internal

International Airport, also with the prospect of substantially

displacements between the several points of the coastline.

increasing national and international tourism.

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Talentos do kite • Kite talents

“Quero ser uma ídola no mundo do kite!” “I want to be a kitesurfing icon”

Mikaili Sol acabar de completar catorze anos/ Mika just turned fourteen. Foto/Photo: Fabio Ingrosso


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E

nquanto as meninas de sua idade sonhavam com bonecas e brinquedos eletrônicos, ela sonhava com uma prancha e uma vela de kitesurfe. “Eu comecei a velejar porque meus pais velejavam! Quando eu ainda era pequena eu costumava ir no buggy com minha avó e meu irmão enquanto meus pais desciam de downwind! Eu implorei a eles para me ensinarem desde que eu tinha 5 anos de idade. Meus pais aprenderam a velejar

W

hen most girls at her age dreamt about dolls and electronic toys, she was dreaming about a kite and a kite board. “I started to kite because both of my parents are kiters! When I was growing up, I used to ride with my grandma and brother in our Dune Buggy while my parents did downwinders! I begged them to let me kite ever since I was five years old. My parents learned to kitesurf

quando o kite ainda não era tão seguro, então eles só me deixaram aprender quando eles acreditaram que isso tinha mudado, que era mais seguro. Até meus 8 anos eu só esperei e esperei, mas no momento que eu toquei a barra eu senti que era para isso que eu tinha nascido”, revela Mikaili Sol, uma das mais promissoras kitesurfistas do Brasil. Mika acaba de completar 14 anos e já traz em seu currículo uma coleção de prêmios de dar inveja a qualquer praticante ve-

terano no esporte. Seu objetivo para 2018 é se tornar campeã mundial do World Kiteboarding Championships (WKC), o campeonato de freestyle. “Eu competi a primeira etapa na Turquia em setembro, e ganhei! Agora faltam mais duas etapas, Dakhla, Marrocos e Cumbuco, no Brasil. Este ano também ganhei o Global Kitesurfing Airgames Tour (GKA) no mesmo mês. Ganhei as três etapas, em Tarifa (Espanha), Cabarete (República Dominicana) e Alemanha, e isso

when the kites were not so safe so they made me wait and wait and wait to learn. Finally by the time I was 8 and a half, they decided that kites were much safer so they let me start! From the moment I touched the bar I knew that I had found my calling and that kiting was what I was meant to do”, reveals Mikaili Sol, one of the most promising Brazilian kiteborders. Mika just turned 14 and already has a

From the moment I touched the bar I knew that I had found my calling and that kiting was what I was meant to do”

Até meus 8 anos eu só esperei e esperei, mas no momento que eu toquei a barra eu senti que era para isso que eu tinha nascido”

collection of trophies that makes any old-timer kitesurfer get jealous. Her goal for this year is to become the new World Kiteboarding Championships (WKC) world champion. “I competed in Turkey for the first stop of the tour in September and won! Now I have two more stops, Dakhla, Morocco and Cumbuco, Brazil. I already won the 2018 Global Kitesurfing Airgames Tour (GKA) last September. I won all three stops,

Competindo na Turquia/ Competing in Turkey. Foto/Photo: Svetlana Romantsova


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Talentos do Kite • Kite Talents

me animou muito!” conta esperançosa a atleta Filha de pai brasileiro e mãe americana, Mika conta que aprendeu a velejar com um amigo da família na praia em frente ao hotel de seus pais, o Vila Bela Vista Preá, perto de Jeri. “Aprendi em um kite 2,5m com um vento muito forte e ondas grandes. Quando meu controle de kite ficou bom meus pais pagaram uma escola local para me dar o curso completo, aí aprendi tudo sobre segurança e eles também me colocaram na prancha”, lembra. O aprendizado demorou apenas uma semana, fazendo back rolls muito rápidos, e logo no começo já se viu “apaixonada pelo kite”. Quando não está rodando o mundo em campeonatos, sua base é na Taíba. “Nos mudamos para lá há um ano e meio, para que eu pudesse me focar nos meus treinos! Na Taíba não temos só a lagoa para eu treinar freestyle, também temos um mar com boas ondas que me dão uma boa condição para eu treinar big air. Essas são as duas categorias que eu faço”. Mas Mika não esconde sua predileção pelo Sri Lanka, por causa dos ventos fortes e do flat. “Eu realmente acredito que ali seja um dos melhores lugares do mundo para se velejar de kite. Em segundo lugar fica a África do Sul, na Cidade do Cabo, também pelos ventos fortes e ondas grandes que são condições perfeitas para os board offs e kite loops. E perto da Cidade do Cabo está Langebaan, ali você também pode treinar as manobras do freestyle no flat”. Esta vida meio cigana não impede a jovem de seguir nos estudos. “Não é fácil conciliar treino, competição, cuidados

Nos mudamos para lá há um ano e meio, para que eu pudesse me focar nos meus treinos! Na Taíba não temos só a lagoa para eu treinar freestyle, também temos um mar com boas ondas que me dão uma boa condição para eu treinar big air”” Mika é filha de um brasileiro e uma norte-americana/ Mika’s father is from Brazil and her mother from the US. Foto/Photo: Fabio Ingrosso

com o corpo e escola. Isso exige que eu seja muito bem organizada e a ter uma agenda para que tudo se encaixe perfeitamente. Eu estudo à distância nos EUA então eu basicamente tenho o tempo necessário para estudar o que preciso. Eu estou acompanhando outros alunos da minha idade. Para mim é fácil estudar, eu gosto de ler e sou boa em matemática. Entre competições e quando estou viajando, sempre tenho trabalho a fazer. Já quando estou em casa, minha mãe, que é professora nos EUA, fica no meu pé para ter certeza que estou fazendo os deveres de casa”, explica.


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Tarifa, Cabarete and Germany, which was very exciting!”, says a very hopeful young athlete. Mikaili has two nationalities, she’s both Brazilian and North-American, her dad is from Maranhão and her mom from the US. She learnt to kitesurf in Brazil, with a family friend, in front of their hotel, Vila Bela Vista, in Preá, a beach close to Jericoacoara. “I learned on a 2.5 meter kite with crazy winds and big waves! Once I had good kite control my parents paid the local kite school to take me through the entire kite course to learn all of the safety rules and how to get on the board”, she remembers. She was kiting in one week and soon was doing backrolls, at that point, she was already crazy about kitesurfing. When she isn’t traveling around the world her hometown in Brazil is Taíba. “My favorite

spot to kite in Brazil is my home spot, Taiba. We moved there about a year and a half ago so I could really focus on my training! Not only does Taiba have flat water from the lagoon bit it also has waves so it is a perfect spot to do big air and freestyle, the two categories of kiteboarding that I do”. But Mika also says that worldwide her number one kite spot is Sri Lanka, because of its strong winds and flat water. “ I actually believe this is the best place I have been to train out of Brazil. Secondly, I like Cape Town because of its strong wind and huge waves making it a perfect spot for board offs and kite loops. And close to Cape Town, you have Langebaan where you can train flat water freestyle tricks as well”. This life without routine had not kept her away from school. “It is never easy to balance

We moved there about a year and a half ago so I could really focus on my training! Not only does Taiba have flat water from the lagoon bit it also has waves so it is a perfect spot to do big air and freestyle, the two categories of kiteboarding that I do”

Mika manobrando no freestyle/ Mika doing her favorite discipline: freestyle. Foto/Photo: Svetlana Romantsova

training, competition, stretching, and school work. I have to be organized and schedule my time just right so I can fit everything in! I do my school work via correspondence in the United States so I basically have as much time as I need to get through my basic coursework. I am right on target for my age. School is quite easy for me. I love to read and I am good at math. In between my competitions, and while I am traveling I always have work to do. When I am home, my mom, who is an current teacher from the USA, also keeps on my tail to make sure my school work is going well”, explains. For the upcoming years she intends to continue to train, compete in both freestyle and air games and to do her very best. Mika says that “maybe one day I will play around with wave surfing too. It would be hard to train


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Talentos do Kite • Kite Talents

Representando o Brasil/ Representing Brazil. Foto/Photo: Svetlana Romantsova

Mika quer ser a nova campeã mundial do WKC / Mika wants to become the new WKC world champion. Foto/Photo: Svetlana Romantsova

Para os próximos anos, ela pretende continuar treinando, competindo no freestyle e airgames, procurando “fazer o melhor sempre”. Mika conta que talvez um dia faça kitewave também, mas que seria difícil treinar para tantos eventos. Sonhadora, ela revela que quer ser a primeira mulher a “aterrissar” algumas manobras novas. “Acredito que

já completei umas que nenhuma mulher havia conseguido antes! Quero fazer da minha imagem um exemplo para mulheres e crianças que queiram aprender a velejar cedo. É isso, quero ser uma ídola no mundo do kite. Quero que saibam quem eu sou”. E ela pode ter certeza de que a rota para isso já está bem traçada e que o vento está forte a favor.

so many events”. Dreamy, she wants to be the first girl to land some new tricks. “ I already landed some tricks that no other female riders have landed! I also would like to build my image and become a role model for the girls and young kids who want to learn how to kite at a young age. I would like to be a kitesurfing icon. I want people to know who Mikaili Sol is”. Well, she can be sure that the way to get in there has been done well and the strong trade winds are in her favor.


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Destinos • Destinations

Um lugar para curar a alma A place to heal your soul Textos de Eduardo Freire e Giselle Nuaz

A

brisa que vem do leste e atravessa toda a costa do Ceará arrasta com força o amante do kite até Barra Grande, no Piauí. O litoral daquele Estado pode ser pequeno, mas a beleza desta região é imensurável. Barra Grande é um local de paz, alguns a comparam ao que era Jericoacoara na década de 80. Hoje a rede hoteleira e gastronômica é vasta e apesar

da tranquilidade há sim disponível uma grande variedade de opções para quem resolve passar as férias aí. Os ventos trouxeram os kitesurfistas e seus familiares, com isso, o turismo foi se tornando um dos grandes geradores de oportunidades na região. De comunidade de pescadores, Barra Grande tornou-se um pólo turístico importante, com seus

restaurantes e pousadas, dentre elas a Barra Grande Kitecamp, fruto do sonho de Ariosto Ibiapina, médico de Parnaíba, cuja história recente se confunde com a do lugar. A BGK, pode-se dizer, foi “gestada” há 40 anos, quando Ariosto começou a frequentar a praia, então uma vila com um pouco mais que 20 casas. O amor e o apego pelo lugar e pela


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he trade winds that come from the West blow strong in Ceara, across the state of Piaui and drag away the kite lovers to Barra Grande. The coast of Piaui can be short but the beauties on the shore are many. Barra Grande is a quiet place, compared with Jericoacoara from the 80’s. Nowadays, there are many hotels and restaurants, so despite the will to relax it is possible to have great fun there. The wind has brought kitesurfers and their families, travellers, people running away from big cities looking for new adventures. They have made the tourism a big thing in this area. From a fishing village , Barra Grande became a remarkable vacation spot, with a variety of eateries and inns. Among those is Barra Grande Kite (BGK), a place that is a dream of Ariosto Ibiapina, a physician from the capital Teresina, whose personal history in combined with the history of this place. BGK was started 40 years ago when Ariosto first came to the place. Back then the village was made up of 20 houses. His love and affection for this community made him get more and more involved with the local people’s lives. “I’ve delivered many babies, helped in many serious health issues and took care of these people”, remembers the doctor. The place was already a paradise, but poor. There were no roads or electric power, and that was what made Ariosto fall in love with the place. He was sure Barra Grande had a great future ahead. In the beginning BGK was just the family’s beach house where they used to host their relatives, friends and friends of friends. Step by step the beauty of the place was being spread by those who visited. “My friends pushed me to build a pousada. I used to host tourists from Spain, Italy and France and many travellers from within Brazil”, Ibiapina tells.” After the pousada we also had a small restaurant, Manga Rosa, which was situated inside BGK but soon we moved out to another spot on the main road”. Ariosto Ibiapina’s passion for kitesurfing had its beginning in Jericoacoara, when Jeri was a little village, nothing compared to the big kite point that it is now. The sport came into his and his sons and daughters lives, but soon he started spreading the word about the pleasure of being blown by the wind to more people. “As soon as I became a kitesurfer I started inviting all my

Foto/Photo: BGK


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Destinos • Destinations

comunidade fez com que ele se envolvesse cada vez mais mais com a vida da pequena vila. “Cheguei a fazer muitos partos; ajudar casos graves e prestar pequenos cuidados à população”, lembra Ibiapina. A região, linda mas pobre, sem estrada e energia, o deixou encantado à época, e certo de que ali seria um lugar de muito futuro. No começo, era apenas a casa de praia do médico, onde recebia seus familiares, amigos, e os amigos dos amigos. Aos poucos, a notícia das belezas da praia foram se espalhando. “Meus amigos me incentivaram a fazer uma pousada. Eu hospedava os gringos da Espanha, Itália e França e gente de diferentes partes do Brasil”, conta Ibiapina. Com a pousada veio o pequeno restaurante Manga Rosa, que começou dentro da BGK, mas logo depois foi para a rua principal. A paixão de Ariosto Ibiapina pelo kite começou em Jericoacoara, nos tempos em que Jeri ainda era um lugar pouco acessível e nem de longe o grande point de kite que é hoje. O esporte chegou pra ele junto com seus três filhos, mas logo tratou de espalhar o prazer do kite para mais gente. “Logo comecei com a prática e a convidar meus amigos Augusto, Alessandra, Celso, Shasha, Pepe, Zé Antônio, Mário, Valtinho e, mais tarde, Mosquito e demais amigos de Jeri para a Barra Grande”, lembra o doutor. Com a vinda de mais velejadores ao Piauí, o conhecimento de médico e de kitesurfista de Ibiapina foi se tornando cada vez mais necessário. O doutor dava apoio a todos os esportistas da região. A experiência o tornou médico da ABK (Associação Brasileira de

Meus amigos me incentivaram a fazer uma pousada. Eu hospedava os gringos da Espanha, Itália e França e gente de diferentes partes do Brasil”

Ariosto Ibiapina, Dotô Foto/Photo: Andre Hänni

Kitesurfe) e responsável pelos cursos de APH (Atendimento Pré-Hospitalar) da associação. Experiência que o levou a ministrar cursos desde o Maranhão ao Rio Grande do Sul. O tempo passou e a vila cresceu, assim como a pousada de Ibiapina, que fica de frente para o mar e sob a sombra de um imenso bosque de coqueiros. “O nome BGK foi dado por meu grande amigo Roberto Veiga, conhecido como Pulga, que também fez a logo da pousada”, revela. Mas muitos outros con-

friends to Barra Grande: Augusto, Alessandra, Celso, Shasha, Pepe, Ze Antonio, Mario, Valtinho and later on Mosquito and other kiters from Jeri”, Ariosto recalls. As more and more kitesurfers were coming to Piaui, the experience and knowledge of Ariosto has become crucial. The doctor supported all the local riders and his long career made him the sports medical doctor of the ABK (Associação Brasileira de Kitesurfe), the Brazilian kite


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Barra Grande - Pi Foto/Photo: Andre Hänni

Pousada Barra Grande Kitecamp Fotos/Photos: Andre Hänni

tribuíram para que o sonho do médico virasse realidade. Não só o sonho da pousada, mas o de preservar aquele paraíso natural para as futuras gerações. “Tothe, Claudete, Luzardo, Jim Neto, Jhôo, entre outros, são pessoas que cuidam e lutam para a preservação do lugar desde o início”, conta. Tothe (Aristóteles Ibiapina), irmão do Ariosto, é arquiteto e colaborou muito para o projeto visionário do “Dotô” (como o médico é conhecido no lugar). O projeto preserva as caracterís-

association and he is also in charge of the first aid courses given by the association. With these courses he has already taught kiters from Maranhão to Rio Grande do Sul. Time has passed by and the village is not what it used to be anymore, as Ibiapina’s pousada, which is located in front of the sea and under a shade of a huge coconut grove. “The name BGK was given by a good friend of mine, Roberto Veiga, known as Pulga, he also designed the logo”, Arios-

ticas típicas da região. A construção da BGK foi despretensiosa. Primeiro foram os chalés standards, depois vieram os bangalôs em palafita, com algumas opções de frente para o mar, mas hoje são 32 chalés de cinco diferentes categorias, dois bares (Sete Mares e do Pirata), um lounge com televisão e espaço de leitura, além do bar e restaurante da praia, o Pé de Vento, e escola de kitesurf (BGKite School), que foi a primeira escola do Brasil credenciada pela ABK.

to recalls. But many people contributed to make Ibiapina’s dream come true. Not just the dream of having the pousada but also he dream to preserve this natural treasure. “Tothe, Claudete, Luzardo, Jim Neto, Jhoo, among others are the people who take care and work towards preserving the place since we started”, Ariosto points out. Tothe (Aristóteles Ibiapina), Ariosto’s brother, is an architect and helped a lot with his brother’s visionary project.The plan was to pre-

“My friends pushed me to build a pousada. I used to host tourists from Spain, Italy and France and many travellers from within Brazil”

serve the native local features. The construction of BGK was unpretentious. At first they did the standard chalets, afterwards the bungalows (in front of the sea and in the middle of the coconut trees)and currently there are 32 chalets in total. Two bars (Sete Mares and Pirata), one reading lounge with a television and entertainment area, beach bar and restaurant (Pé de Vento) and a kite school (BGK Kite School), which was the first ABK official school.


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Destinos • Destinations

O pioneirismo no esporte O esporte foi a verdadeira força motriz para o desenvolvimento de Barra Grande como destino turístico e, nesse cenário, a casa dos velejadores já recebeu importantes eventos nacionais e mundiais, como o Campeonato Brasileiro de Kitesurf, em 2013, o Campeonato Mundial de Kitesurf (PKRA), em 2014, e em 2017, aconteceu o TT:R –Twin Tip:Racing, no qual Manoel Soares, o Piçarrinha, atleta que foi desenvolvido pelo Projeto Vivo, de Barra Grande, foi revelado e conquistou vaga para as Olimpíadas da Juventude, realizada em Buenos Aires, em outubro deste ano. Sempre que há campeonatos ou eventos com foco no esporte, a pousada incentiva e dá o suporte necessário à participação dos atletas nativos. Dentre eles, destacam-se Heliardi Cabrinha, atual instrutor da BGKite School - bicampeão nacional de Big Air, em 2012 e 2015, e Hélio Cabrinha, que ganhou o Brasil Kite Tour em 2008, realizado na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Outras modalidades têm entrado no circuito do esporte, como o Trail de Barra Grande, organizado pela Pousada Titas. Com suas águas quentes, sol e fortes ventos na maior parte do ano, Barra Grande está logo ali, esperando quem busca um pouco de conforto para o corpo e a alma.

Pioneering in kitesurfing

The sport was the driving force for Barra Grande’s development as a tourist destination. Many events took place in this scenic place, such as the Campeonato Brasileiro de Kitesurfe (National Contest), in 2013 the Professional Kiteboard Riders Association (PKRA) World Tour, in 2014 and in 2017 the TT:R = Twin Tip Racing happe-


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ned for the first time. Manoel Soares Piçarrinha, a Projeto Vivo athlete, from Barra Grande, was a striking presence in this event and won the battle to be competing in the Youth Olympic Games, in Buenos Aires last October. Every time that a competition or event is going on BGK is there, supporting the lo-

cal riders to join in. Among them is Heliardi Cabrinha, BGK kite school instructor - two time Big Air Brazilian Champion in 2012 and 2015. Helio Cabrinha, who won the Brazil Kite Tour in 2008 which was held at Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Other disciplines are getting into the sports annual calendar,

such as the Barra Grande Trail, organised by Pousada Titas. With its warm waters, sunlight and strong winds most of the year, Barra Grande is just around the corner, waiting for those who look for comfort for their bodies and souls.

Foto/Photo: Andre Hänni


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Técnicas & Manobras • Techniques & Tricks

Carlos Mário Bebê em Barra Grande-PI /Bebê in Barra Grande-PI Foto/Photo: Chico Rasta

To grab or not to grab? That is the question! Texto/ Words: Keven Lennox

A

garrar a borda da prancha durante um salto confere domínio à manobra e, se for com uma prancha de surfe, também ajuda na estabilidade do salto. Em todos os casos, o grab torna o movimento ainda mais belo e expressivo. O rider Alex Neto resume bem: “para realizar um slim chance com grab você têm de dominar esse slim chance sem o grab inicialmente, a partir daí adiciona-se o grab à manobra tornando a manobra ainda mais estilosa”, esclarece. Muito utilizado no skate vertical, snowboard e wakeboard, o

grab também é parte integrante do kite freestyle e strapless, que são modalidades impressionantes pela radicalidade imposta. Colocar a mão na borda da prancha não tem limites e alguns velejadores já têm abusado de manobras aéreas com grab em hydrofoils. Em uma viagem a Barra Grande, no Piauí, com o tetracampeão mundial Carlos Mário Bebê, fizemos uma sessão de fotos e me chamou a atenção a variedade de manobras - às vezes até as mais simples - nas quais ele agarrava a borda. Assim o momento eternizado fica-

va ainda mais bonito por causa da própria anatomia corporal ao curvar-se o corpo para buscar o grab. Kalu de Sousa, rider do Cumbuco, emenda: “no início, quando eu tentava fazer um grab, minha cabeça me dizia para eu ir de encontro à prancha, mas depois de muito treino eu descobri que era justamente o contrário e passei a trazer a prancha em direção à mão e tudo se tornou mais fácil”, ensina. Então, quer tornar as manobras que você já realiza bem mais bonitas? Grab nelas! Aloha e até a próxima edição.


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O velejador profissional Kalu de Sousa/ Professional kiteboarder Kalu de Sousa. Fotos/Photos: Giselle Nuaz

Adding a board grab to maneuvers you already have on the list makes it all look more stylish. Either on a surfboard or on a twin tip, the trick looks better and more energetic when you add a grab to it with a plus on the surfboard because the grab on strapless helps increase stability, Professional kiteboarder Alex Neto sums up: “ to get a grab slim chance you have to be able to do the slim chance at first, afterwards, you can add a grab to the trick making it more fashionable”, explains. Often used in vert skateboarding, snowboarding and wakeboarding, the grab is an essential part in both freestyle and strapless, impressive radical disciplines. There are no limits to grab the boards, for instance, some kiters can do board grabs with hydrofoils.

In a recent trip to Barra Grande, in Piauí, with the four time world champion Carlos Mário Bebê, we had a photoshoot done and the variety of tricks caught my attention- sometimes in the most simple ones- in which he adds a board grab. The eternal moment gets even more beautiful because of the corporeal anatomy of the body that bends to grab the board. Kalu de Sousa, from Cumbuco, teaches: “ at the beginning, when I tried to do a board grab, my brain used to tell me to go towards the board. However, after training a lot, I found out that it was the other way around. I have to bring the board to my hand. That made my life a lot easier”, he says. So, do you want to make your good tricks look even better? Grab your board! Aloha and see you in the next issue!


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Nova geração Pedro Bueno e seu filho, Kauli, que já faz parte da nova geração de kitesurfistas brasileiros. Pedro é de São Paulo mas atualmente mora no Ceará, na Lagoa do Cauípe, onde tem o Hostel Kite Cauípe, de frente para a lagoa. Foto: @fotistica

New generation Pedro Bueno and his son, Kauli, who is part of the new generation of young Brazilian kiters. Pedro is from São Paulo but lives in Ceará, at Cauípe Lagoon, where he runs the Hostel Kite Cauipe, in front of the lagoon.


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Kite Ladies A kitesurfista profissional Samy Marins é do Sul mas todo ano traz velejadoras de todo o Brasil para desfrutarem das condições perfeitas do Nordeste. Este ano o destino das kite ladies foi o Maranhão, mais precisamente os Lençóis Maranhenses. Foto: @048filmes

Kite Ladies Professional kiteboarder Samy Marins was born in the South of Brazil but comes to the Northeast region every year with the kite ladies. The destination of this year was Maranhão, precisely in the Lençóis Maranhenses.


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Downwind rosa Em 2018 aconteceu a 4ª edição do downwind rosa organizado pelas velejadoras de São Luís, capital do Maranhão. O trecho percorrido é de 12km- saída da Kanaloa, na Praia do Meio até a BoraKite, na praia de São Marcos. Foto: @outdoorsportsfotos

Pink downwinder The maranhenses kite girls from São Luís organized their 4th pink downwinder this year. They kited together for 12km from Kanaloa, at Praia do Meio to Borakite, at São Marcos Beach.


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Estefânia Rosa Campeã mundial de freestyle em 2016 pela IKA (International Kiteboarding Association), Estefânia nasceu no Cumbuco e conheceu o mundo graças ao seu talento no kite. Agora ela trabalha como kite coach e ensina o esporte às crianças locais por meio do seu projeto social, o Rosa dos Ventos. Foto: @photosdanielpereira

Estefânia Rosa Estefânia won the 2016 IKA (International Kiteboarding Association) freestyle world title. Born in Ceará she has traveled the world competing. Now, back to Cumbuco, she is working as a kite coach and teaches kiteboarding for the local children with her social project, Rosa dos Ventos.


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Dioneia Vieira Ela é tricampeã brasileira de kitesurfe e compete atualmente no circuito mundial de freestyle WKC (World Kiteboarding Championships). Esta cearense é também a única brasileira a fazer parte do time internacional da marca de kite polonesa Nobile. Foto: @kiteboarding_brazil

Dioneia Vieira She is three time freestyle Brazilian champion and competes also in the WKC (World Kiteboarding Championships) world tour. Dioneia is the only Brazilian kiteboarder in the Polish brand Nobile professional team.


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Kite Wave Repense a forma como você vê kitewave no Ceará. Yury Manzon sempre encontra uma boa chance de fazer um bom surfe no Pecém. Foto: @kite.photos

Wave riding Re-set the way you think about wave riding in Ceará. Yury Manzon shows a explosive off-the-lip turn during a surf session in Pecém. If you chase it you will catch it!

Davi Ribeiro Lembre-se deste nome. Davi tem apenas 10 anos de idade e já é parte do time da Duotone Kiteboarding Brasil. Atleta da Lagoa do Cauípe, ele agora se prepara para competir pelo Brasil e pelo mundo. Foto: @kite.xp

Davi Ribeiro Keep this name in mind. Davi is only 10 years old and he knows he wanna become a professional kiteboarder. Now he is part of Duotone Kiteboarding national team and gets ready to compete in both local and international competitons.


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Revista sobre Kitesurfe produzida no Ceará, a Meca do kite mundial

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