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Integra a edição nº1444 Quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Em busca de novos escritores Professora investe na imaginação dos alunos para ensinar língua portuguesa

A escola pública de hoje carrega um estigma de ser ruim, assim como qualquer coisa pública no país. Mas generalizar não é a melhor saída. Em Ribeirão Pires a Folha buscou dois bons exemplos de ensino de qualidade; um na rede estadual e outro na rede municipal de ensino. No bairro da Santa Luzia está a Escola Estadual Maria Pastana Menato, local onde a professora de ensino fundamental, Rosinéia Maria Costa Silva, ministra aulas para o terceiro ano do ensino fundamental. A professora usa a criatividade e o poder das histórias para alcançar seus alunos e facilitar o aprendizado. A educadora desenvolve com seus alunos, textos com contos diversos e ideias que se transformam em livros. Desta forma, Rosinéia Maria projeta novos escritores e ainda possibilita uma forma “gostosa” de aprender a Língua Portuguesa. “Trabalhamos com nossos alunos. Eles criam histórias, são diversos tipos de textos. Muitos dos alunos já revelam um talento nato para a redação. Quando o livro fica pronto é um orgulho para eles e para os pais”, conta Rosinéia, que também orgulhosa enfatiza que seus alunos guardam os livros criados por eles para sempre. Para alguns dos alunos participantes deste projeto, escrever agora é algo comum e prazeroso. “Eu nunca tinha escrito nada e com a ajuda da professora consegui escre-

ver. Ficava imaginando as pessoas lendo o que eu inventei”, relatou Alexia Fernanda Salerno, 9 anos. “Eu já escrevia, mas foi muito bom ver o livro pronto e não só com as minhas histórias, mas também com os desenhos que fiz nos livros dos meus colegas de classe”, disse Guilherme França, também de 9 anos. “A história veio da minha cabeça e foi muito legal colocar no papel. Criar foi muito bom”, disse Barbara Neves da Costa, 9 anos. Desenvolvimento do projeto Para implementar este projeto de novos escritores na escola a professora Rosinéia sempre começa no início do ano letivo. O maior desafio é fazer os alunos terem gostos pela leitura, para depois passar para a produção de textos. “Primeiro eles têm que ler. É uma regra básica, aprender a ler e depois escrever”, diz a professora. Nesse processo ela treina muito a leitura dos alunos e usa o incentivo também de levá-los à biblioteca da escola. Ali também se trabalha a leitura. Depois de estarem bem neste quesito, ela dá temas para seus alunos criarem histórias, que são escritas a mão. Assim os mesmos ficam o ano letivo trabalhando aspectos do texto como redação, interpretação, entre outros elementos. Por último vem a parte de produção final do livro que é encartado para os alunos terem uma cópia. Para o fechamento a professora e a escola fazem o encerramento junto aos alunos pais e professores.


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Ainda há tempo para aprender EJA e Mova proporcionam estudos de qualidade para as pessoas que ainda buscam a alfabetização

A autonomia só é real quando a criança é segura no agir. A segurança só acontece quando ela deixa de ser dependente de um adulto. No entanto, é o adulto quem primeiro a orienta para que ela tenha uma autonomia. É quase irreal falar em autonomia se os adultos não as deixam experimentar e viver situações de desafios, busca, criação, segurança e insegurança. Os pais devem gradualmente promover tais situações que as levem a ser autônoma. O importante é ter este objetivo desde que a criança é pequena, e ir preparando-a, dando-lhe os instrumentos para que se torne independente. O primeiro passo é acreditar que a autonomia é possível e necessária, principalmente para a autoestima de seu filho. O papel que o adulto deve ter junto à criança, reflete sobre a ação de encorajá-la a realizar suas ativi-

dades, para resolver seu problema sozinha. Entretanto, esse encorajamento não significa abandonar a criança. O adulto deve ficar atento quando ela está empreendendo uma atividade, como amarrar o sapato, construir uma ponte, disputar objeto, desenhar, brincar; para que possa orientá-la e também encorajá-la. O que se denomina construir autonomia. Isso significa que o adulto deve sempre que possível esperar a criança realizar sua atividade ao invés de antecipá-la, como vemos algumas vezes acontecer no cotidiano familiar. Além disso, ter essa conduta de espera é enriquecedor para a criança, pois ela aprende que consegue fazer, se sente confiante e segura. Para isso, é fundamental que o adulto saiba escutar a criança. Ela tem um tempo próprio para organizar seu pensamento e por isso é comum que às vezes o adulto antecipe suas ideias, dando-lhes conclusão e finalizações. Entretanto, ele deve ficar atento a esse momento em que a criança está se expressando. Apoiar significa não antecipar, não concluir e sim escutar e dar o devido tempo à criança. Elka Araújo – Pedagoga / Professora do Colégio Clarassoti

Ler e escrever são os dois fatores principais no cotidiano, são a base de tudo, auxiliam no crescimento cultural e profissional do cidadão, uma pessoa que não possui estes dois atributos, é de certa forma considerada fora do ciclo universal em que vivemos. Porém não são todas as pessoas que tiveram o acesso à escola, principalmente há cerca de 40 anos, onde grande parte da população necessitava trabalhar desde criança, trocando os livros e as canetas por materiais de serviço. Muitas delas deixaram de trabalhar não por falta de oportunidades, mas sim porque quando a força era mais importante do que a inteligência, muitos se acomodaram com seus empregos braçais. Existem maneiras de alcançar o aprendizado, sendo pela Educação para Jovens e Adultos (EJA) ou Movimento de Alfabitização de Jovens e Adultos (Mova), ambos em que o aluno ao concluir o curso, já estará apto para ingressar no ensino superior. A EJA é uma forma de ensino público, com o objetivo de desenvolver o aprendizado com qualidade, para as pessoas que não possuem idade escolar. A EJA oferece ensino para pessoas à partir da 5ª série. Para ingressar na EJA, é necessário possuir 16 anos. Para prosseguir os estudos junto ao EJA, é realizada uma

prova classificatória, para comprovar que o aluno está apto a continuar seus estudos, caso não obtenha a média cinco, o mesmo é encaminhado para o Mova. “Nosso objetivo é atender quem tem vontade de estudar, pois aqui ele realmente aprende”, diz a oficial de escola Sandra Regina, do Ceeja (Centro Educacional de Jovens e Adultos) Valberto Fusari, de Ribeirão Pires. O Mova é oferecido para as pessoas que não possuem nenhuma alfabetização, nele o aluno ingressa na 1ª série e vai até o final do primário, onde recebe toda a orientação necessária em um tempo maior do que pelo EJA, ao completar o curso, o aluno é encaminhado para realizar o supletivo. Para ingressar no Mova, é necessária a idade mínima de 15 anos. O Mova é dividido em núcleos, ou seja, não é necessário que haja uma escola para que as aulas sejam realizadas, existem lugares em que as aulas são ministradas em igrejas. Na Estância, mais de 500 alunos frequentam o curso, já em Rio Grande da Serra aproximadamente 200 alunos estão registrados. Os números da cidade de Mauá não foram fornecidos. Os interessados em ingressar no Mova devem entrar em contato através do telefone 4128-4291 ou pelo site www.movaabc.org.br, para consultar qual é o núcleo mais pró-

ximo de sua residência. “O problema é que a maioria das pessoas que não concluíram os estudos têm um preconceito em retornar à escola. No meu caso, só retomei os estudos pois a empresa em que trabalho passou a exigir o diploma do 2º grau, com o certificado em mãos novas oportunidades já surgiram”, diz Anderson Ferreira, 42, operador de empilhadeira, que encerrou seus estudos através do EJA. Ribeirão Pires se destaca, pois, o Ceeja Valberto Fusari, é uma referência para as pessoas que desejam completar seus estudos, possui cerca de 800 alunos de Ribeirão Pires e das cidades vizinhas, cerca de 60% dos estudantes são pessoas de Mauá, pois a escola mauaense Clarice Lispector, deixou de ser de ensino flexível para tornar-se regular. “Muitos alunos que concluíram o EJA passaram em concursos públicos, e alguns ingressaram no ensino superior”, completa Sandra Regina. O Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos de Ribeirão Pires fica localizado na Rua Rubião Junior, 283, Núcleo Colonial. Apesar de o Brasil ser um dos países mais desenvolvidos da América Latina, é o que possui o maior índice de analfabetos. Confira a tabela do analfabetismo no país e na região no site www.folharibeiraopires.com.br.


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O momento certo de ir para a escola Quem é mãe já passou ou irá passar por uma grande dúvida e a incerteza em relação à idade ideal para colocar seus pequenos filhos na escola. Logo após a licença maternidade? Com cinco meses? É muito pequeno? Um ano? Quem sabe dois anos e meio? Quando será que estarão preparados para ingressar na escola? É melhor que fiquem com a babá e amadureçam mais um pouco? E se ficarem a tarde inteira na frente da televisão, não seria muito pior? Seria melhor que desenvolvessem suas potencialidades orientadas por pessoas especializadas. Certo ou errado? Quantas perguntas! Essas e outras muitas as mamães em certo momento da vida devem se questionar, mas a pedagoga e psicopedagoga do Colégio Clarassoti de Ribeirão Pires, Márcia Clarassoti, tranquiliza os pais. “Não há um momento certo de colocar a criança na escola e sim a necessidade que cada família tem, mas sempre levando em consideração o bem estar da criança, seja em casa ou na escola”, explica. A psicopedagoga alerta que quanto mais cedo à criança vai

para escola, mais cedo ela é estimulada. “Antigamente os pais colocavam os filhos na escola com aproximadamente seis anos de

idade, e hoje, com a atuação da mulher no mercado de trabalho, isso mudou e geralmente, quando acaba a licença maternidade a mãe já coloca o filho na escola, quando não, deixam com babás ou parentes, mas isso não quer dizer que a criança será mais ou menos inteligente do que aquela que já frequenta o ambiente escolar, o que difere é o estimulo e experiências que

vivencia”, fala. Kelly Adriana Pivoto de Souza, mãe de Juan Pivoto de Souza, 16 anos e Kadu Pivoto de Souza, quatro anos, dá o exemplo claro sobre esta questão. “Coloquei o Juan na escola com um ano de idade porque eu tinha que trabalhar, já o Kadu foi para a escola com dois anos, por causa do comportamento dele comigo, mesmo eu não estando trabalhando. O Kadu não ia com ninguém, ele estava praticamente me sufocando, então decidi colocá-lo na escola para ele ter um comportamento mais sociável e hoje a mudança dele é visível”, exemplifica. Outra questão que os pais abordam antes de colocar o filho na escola é com relação ao segundo idioma que se aprende logo nos primeiros anos. “Quanto menor a criança, mais facilidade ela tem de aprender o segundo idioma. Os pais podem ficar tranquilos quanto esta questão, pois elas não se atrapalham e dá conta do recado direitinho, mas tudo com dosagem” finaliza a psicopedagoga Márcia Clarassoti.


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A I C N Ê D N E P E D IN ESQUECIDA Se pegarmos o calendário de 2010 veremos que, em â m b i t o nacional, o Brasil tem ao todo 11 datas comemorativas, chamadas de feriado. Politicamente e historicamente para o país, não há dúvidas de que o dia 7 de Setembro é a data mais importante do calendário a ser lembrada. Mas, o que se comemora mesmo nesse dia? Essa foi a pergunta que a Folha fez para alunos do ensino médio e fundamental de escolas públicas e privadas de Ribeirão Pires. E a resposta foi algo bem difícil de ser obtida. Ao todo, 22 alunos foram entrevistados nas portas das unidades de ensino. Mais da metade não sabia o que significava a data. Confira o vídeo no site www.folharibeiraopires.com. br, link Tv Folha. “Eu não comemoro, só fico em casa porque é feriado mesmo”, afirma Bruno Conde, um dos estudantes entrevistados pela reportagem.

Dos poucos alunos que souberam responder, a maioria não sabia explicar o acontecimento. O professor de história da Escola Nerina Adelfa Ugliengo (Enau), Emerson Alessandro Tognetti, falou sobre como esse tema é abordado nas escolas. “A partir da ditadura militar, o que aconteceu foi um esvaziamento de conteúdo em todas as escolas do país. O que causou essa possível falta de informações em algumas instituições de hoje do assunto. No Enau, particularmente nós professores temos de seguir a grade escolar, mas próximo a datas como essa, nós separamos uma aula para abordar com um enfoque especial o tema”, diz. Ainda segundo o professor, na rede pública, as escolas recebiam as PCNs (Parâmetro Currículo Nacional), onde o professor recebia do governo um cronograma decidindo quando abordar o tema, deixando livre a interpretação. Acontece que hoje com o Caderno do Aluno essa liberdade acabou, deixando a cargo do governo decidir o que será lecionado nas escolas.

Um pouco da História Foi no dia 7 de Setembro de 1822 que, segundo conta a história mais tradicional, Dom Pedro I, gritou de cima de um cavalo, às margens do Rio Ipiranga, em São Paulo, o famoso grito que deixaria o país independente de Portugal. Detalhes como a cor do cavalo ou o local exato do fato histórico ainda hoje são debatidos, pois a própria História se contradiz em diversos pontos. Sobre a data histórica, Emerson deixa claro que não existe uma versão oficial e absoluta que conte o tema. “Esse é um ponto muito polêmico. O fato existe, mas é aberto as interpretações. Na minha visão como professor de história o ato aconteceu sim, mas apenas mudou as mãos do poder, deixando Portugal e passando para a Inglaterra o domínio econômico e político do país. Há versões de que a Independência teria começado mesmo por meados 1808, com a chegada da família real portuguesa” finaliza o professor. No vídeo sobre a data, o leitor encontra uma produção da TV Câmara que trata sobre o tema.


Suplemento Folha Saber 1444